Chorume
Alterar a qualidade do ar em função das emanações de gases e poeiras; Poluir as águas superficiais e do subsolo pelos líquidos percolados (chorume) e pela migração de gases; Agredir esteticamente o solo devido ao espalhamento do lixo; Atrair diversos vetores causadores de enfermidades, como por exemplo ratos, moscas, baratas, etc.Se na sua cidade existe um lixão exija do governo providências imediatas para a solução do problema. Os lixões ferem as normas de Saúde Pública e poluem o meio ambiente. Lembre-se que nós contribuímos com impostos e que é nosso direito ter a nossa saúde assegurada. O que acontece com o lixo dentro do aterro? Inicialmente é decomposto (degradado) aerobicamente (na presença de oxigênio) e depois via anaeróbia (sem oxigênio) e após meses ou ano, a água das chuvas mais o líquido do próprio lixo e as águas subterrâneas que se infiltram no aterro, produzem um líquido chamado de chorume. O chorume em geral contem ácidos orgânicos, bactérias, metais pesados e alguns constituintes inorgânicos comuns, como cálcio e magnésio. Uma fração gasosa também é formada no processo de degradação, inicialmente contendo ácidos carboxílicos e ésteres voláteis, responsáveis pelo cheiro doce e enjoativo que emana do aterro. Depois, forma-se o gás metano que é liberado para atmosfera ou que é queimado em respiros a medida que é liberado, podendo também ser aproveitado como fonte energética. A sua simples liberação na atmosfera não é desejável pois ele é um dos contribuintes para o efeito estufa. O chorume precisa ser contido, não pode vazar pelas paredes e fundo do aterro nem transbordar para não contaminar o solo, águas subterrâneas e superficiais. Em resumo, precisa ser coletado com freqüência e tratado para posterior descarte. Em alguns aterros o chorume coletado volta para o aterro para sofrer um segunda degradação biológica, mas esta prática é desaconselhável nos Estados Unidos. Nos últimos dias, temos assistido pela mídia algumas discussões em relação ao projeto do Aterro Sanitário de Aracaju e da proposta de sua localização na Imbura. Em termos ambientais achamos que dois itens principais devem ser considerados: a fração gasosa e a fração liquida (chorume) formadas no processo de degradação. Pelas especificidades do local proposto para receber o aterro centrarei as minhas considerações na fração líquida – chorume. O chorume sem duvida nenhuma é o maior problema ambiental associado a operação e gerenciamento de aterros sanitários, por causa da considerável poluição que pode causar em contato com o solo, águas superficiais e subterrâneas. O problema surge quando o aterro opera sem uma adequada impermeabilização das paredes e fundo e sem um eficiente sistema de coleta e tratamento do chorume antes da sua destinação final. Tradicionalmente, para impermeabilização de aterros usa-se argila natural compactada. Este tipo de revestimento, algumas vezes, não se mostrou eficiente, apresentando vazamentos em consequência da existência de fraturas naturais e macro poros. A literatura especializada tem mostrado que argilas naturais retêm menos que 95% do líquido e isso é insuficiente para garantir a qualidade da água dos aquíferos da região é necessário conter pelo menos 99% do chorume. Os revestimentos sintéticos, que também são usados, tanto a base de polímeros lineares (ex. polietileno de alta densidade) como de argilas artificiais têm apresentado uma retenção entre 70 e 95%. Recentemente foram desenvolvidos revestimentos de argilas terciárias de elevada elasticidade plástica (Engineering Geology, 1999) e os resultados até agora obtidos são promissores. Considero que antes de se bater o martelo em relação a viabilidade ou não da localização do aterro sanitário na Imbura, duas questões precisam ser respondidas: O processo de impermeabilização a ser utilizado garante 100% de retenção do chorume? Não vale aqui respostas do tipo, o material previsto para revestimento é o mesmo que foi usados nos locais tais e tais e deu certo. É preciso que se demonstre que este revestimento que está sendo proposto, funciona num local com as características geológicas e hidrogeológicas da Imbura e com eficiência maior que 99%. Assumindo que a primeira questão está resolvida, qual o sistema de coleta, tratamento e destinação final previsto para o chorume que será produzido no aterro? Se o sistema não for eficiente, corre-se o risco de trasbordamento para o ambiente, principalmente no período chuvoso. É preciso também definir todo os procedimentos de monitoramento das emanações atmosféricas e das águas subterrâneas e superficiais adjacentes ao aterro, e as ações de controle e correção a serem adotadas no caso de um possível vazamento. Sabemos da urgência da solução para o problema do lixo de Aracaju, mas não podemos correr o risco de criar no futuro, um problema maior e de muito mais difícil solução. Chorume – Solo Natural
Tanque de chorume – Aterro Sanitário
1) uma base natural, sem compactação e 2) outras bases compactadas com diferentes níveis de energia, baseadas no Proctor Normal.Em relação ao escoamento de chorume não foram observadas alterações significativas para as duas colunas com menor grau de compactação (70% e 80% do Proctor Normal), assemelhando-se ao comportamento das primeiras colunas submetidas à alimentação com água. Por outro lado, os solos compactados com graus de 85 e 90%, apresentaram entre si comportamentos semelhantes, com redução crescente do fluxo para valores inferiores a 100 ml mensais ou o equivalente a 6,1 x 10-7 cm/s. Tal fato demonstra suscetibilidade à colmatação do solo compactado estudado com graus maiores ou iguais a 85%, promovida pelas partículas em suspensão e pelo desenvolvimento provável de flocos e películas biológicas, reduzindo a permeabilidade a valores extremamente baixos, compatíveis com um solo argiloso. A disposição direta dos resíduos domésticos no solo é a forma corrente de disposição para a maioria dos municípios brasileiros. Sendo uma prática comum de destinação de lixo ao longo de muitos anos, até momento poucos estudos têm sido conduzidos para avaliar os efeitos provocados principalmente pelo lixiviado ou chorume, que se infiltra no solo. Além disso, a maioria dos estudos não fornece subsídios para determinar qualitativamente os efeitos sobre o solo e sobre o próprio líquido que escoa por meio poroso. Em função das indefinições encontradas, verifica-se que as condutas adotadas pelos técnicos e aquela estabelecida pela legislação impõem a adoção de sistemas totalmente confinantes. A adoção de tais critérios, na realidade, acaba inviabilizando os pequenos municípios geradores do lixo doméstico, principalmente pela obrigatoriedade do emprego de mantas geossintéticas para impermeabilização dos respectivos aterros sanitários. Alia-se a esta alternativa, a necessidade de uma operação mais custosa. Por outro lado, quanto maiores são as exigências técnicas, menores serão as possibilidades para que um pequeno município atenda-as integralmente, transformando o que poderia ser um aterro viável em um sistema desordenado de disposição de resíduos. Uma solução intermediária para restringir o escoamento do chorume para os aquíferos subterrâneos, é a compactação do solo da base, reduzindo sua permeabilidade. Desta forma, o conhecimento dos processos envolvidos nesse escoamento, através das condições de permeabilidade natural e do solo compactado, diante do escoamento de chorume, permitiria estabelecer quais parâmetros deveriam ser avaliados para viabilizar ambientalmente as instalações, e também definir potencialmente sua capacidade de confinar e atenuar os eventuais impactos sobre o solo. O conhecimento adequado dos processos envolvidos no escoamento do chorume em solos arenosos, ao longo das primeiras camadas do subsolo, sob condições naturais ou compactadas de permeabilidade, permite observar as condições transitórias mais importantes do processo de transporte de contaminantes. A compactação de um solo arenoso nas bases de aterros constitui uma forma pouco custosa de preparação, resultando na redução da permeabilidade e garantindo um confinamento maior do chorume, sem, contudo atingir os valores exigidos pelos órgãos ambientais. Neste caso, torna-se fundamental conhecer os mecanismos envolvidos, que permitam avaliar e quantificar eventuais impactos, assim como estabelecer critérios específicos para execução e operação do sistema de disposição de resíduos. Como descrito por Daniel (1993), o procedimento de compactação visa a criação de uma barreira protetora, denominada de liner, considerada como revestimento de base e laterais em aterros e obras similares, ou como cobertura final dos aterros. Como revestimento de base são indicadas quando se deseja retardar ao máximo a migração de contaminantes no solo, saturados ou não, de forma a atenuar a concentração dos contaminantes quando atingirem águas subterrâneas. McBean et al (1995) e Qasin et al (1994) descrevem que os solos naturais apresentam um sistema complexo e dinâmico em que interagem continuamente os processos físicos, químicos e biológicos. O solo é um sistema heterogêneo e polidisperso de componentes sólidos, líquidos e gasosos, em diversas proporções, e são também bastante porosos e constituem corpos quimicamente solventes pela presença de água em seus interstícios. Os solos consistem de compostos quimicamente inertes, de substâncias de alta ou baixa solubilidade, de uma grande variedade de compostos orgânicos e de organismos vivos e ainda apresentam um meio favorável no qual ocorrem atividades biológicas complexas de forma simultânea. A força de interação e a predominância de uma reação sobre outra é controlada pelos constituintes específicos do solo. As interações solo-chorume e as reações físico-químicas envolvidas durante a percolação, resultam na atenuação da carga de contaminantes do chorume. Esse processo de atenuação resulta na redução da concentração de contaminantes durante o respectivo transporte através do solo. As principais formas de atenuação estão incluídas nos seguintes mecanismos básicos: físico (filtração, difusão e dispersão, diluição e absorção); químico (precipitação/dissolução, adsorção/desorção, complexação, troca iônica e reações de redox); e microbiológico (biodegradação aeróbia e anaeróbia). Chorume – Características
O chorume, também conhecido como sumeiro, chumeiro, lixiviado ou percolado, apresenta altos teores de matéria orgânica e de substâncias inorgânicas (metais pesados), além de uma grande variedade de compostos orgânicos tóxicos. Segundo Sisinno e Oliveira (2002) podem ser encontradas mais de cem substâncias tóxicas em amostras de chorume proveniente da decomposição do lixo urbano, dentre elas o arsênio, chumbo, cádmio, mercúrio, etc.
De acordo com estes autores, a fração orgânica encontrada no chorume é composta tanto por proteínas, carboidratos e lipídios quanto por poluentes orgânicos persistentes benzeno, tolueno, acetona, fenol e outros.
Quanto à fração inorgânica (metais pesados), as concentrações variam de acordo com o tipo de resíduo depositado no aterro, aumentando quando há despejo inadequado de resíduos industriais.
Impactos do chorume no Meio Ambiente
O chorume é, sem dúvida, um dos grandes problemas ambientais e de saúde pública relacionados à operação e gerenciamento de aterros sanitários. Quando operados inadequadamente, podem causar poluição do solo, das águas superficiais e subterrâneas, além da proliferação de vetores de doenças, tais como ratos, baratas, moscas, vermes, vírus e etc.
Apesar da grande variabilidade no tocante à sua composição química, o chorume é comumente despejado nos ecossistemas aquáticos.
Uma das primeiras alterações observadas é a redução do teor de oxigênio dissolvido (OD), elevando a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). Quando o OD desaparece ou é reduzido significativamente, os organismos aeróbios podem ser extinguidos da biota aquática cedendo lugar aos anaeróbios, responsáveis pela liberação de gases como CH4 e NH3, sendo este último tóxico para a maioria das formas de vida superiores.
A contaminação do solo ocorre através da infiltração do chorume, de modo que os poluentes presentes no líquido penetram no solo, modificando drasticamente as suas características físicas, químicas e biológicas, podendo ainda, inviabilizar o uso deste recurso, bem como o das águas subterrâneas, caso consiga alcançá-las.
O teor de matéria orgânica do chorume pode aumentar a solubilidade em água de metais e outros compostos facilitando sua lixiviação e percolação, elevando o risco de contaminação de lençóis freáticos, aqüíferos, lagos e rios.
O chorume pode permanecer por muitos anos após o encerramento das operações do aterro, fazendo-se necessário o monitoramento do líquido durante décadas.
Quando em contato com as águas superficiais e/ou subterrâneas, o chorume tende a alterar significativamente as características naturais dos corpos hídricos, tornando-os impróprios para o consumo e até mesmo para a sobrevivência dos organismos aquáticos. De acordo com Souza (s.a), as águas subterrâneas sofrem um impacto não visível envolvendo geralmente longos períodos de tempo, pois dependendo da composição litológica do aqüífero, os contaminantes podem migrar a velocidades muito lentas.
Em virtude da carga de matéria orgânica e da presença de poluentes tóxicos, o chorume pode causar um grande número de alterações na fauna e flora dos ecossistemas, afetando todos os seres que compõem a cadeia alimentar. Através da ingestão de peixes e alimentos contaminados pelo alcance d chorume à biota aquática, podem ocorrer inúmeras alterações no organismo humano, o qual encontra-se no topo da cadeia trófica.
Assim, pelo que foi exposto fica evidente que devem ser feitos esforços para minimizar a formação do chorume, controlar o seu percurso no meio ambiente, tratando-o antes do seu descarte, evitando assim, a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas.
PARÂMETROS UTILIZADOS PARA AVALIAR AS CARACTERÍSTICAS DO chorume
Para avaliar a toxicidade e a presença de compostos tóxicos no chorume têm sido utilizados vários parâmetros.
Oliveira & Pasqual (2002), avaliando a qualidade da água subterrânea próxima a um depósito de resíduos sólidos em Botucatu SP, utilizaram como parâmetros analíticos: pH, DQO (Demanda Química de Oxigênio) e metais pesados (Cd, Pb, Cr,Ni e Zn).
Para avaliar a composição dos líquidos percolados do aterro sanitário de São Giácomo (Caxias do Sul RS), Pessin et al. (1997) analisaram os mesmos parâmetros citados, além da alcalinidade, condutividade, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), teor de sólidos (totais, suspensos e dissolvidos), nitrogênio (total e amoniacal), fosfato, prata (Ag), arsênico(Ar), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), selênio (Se), estanho (Sn) e mercúrio (Hg).
Segundo Macêdo (2002), a Demanda Química de Oxigênio (DQO) expressa a quantidade de oxigênio consumido em meio ácido para degradar a matéria orgânica.
A condutividade é a capacidade da água transmitir a corrente elétrica e o teor de sólidos representa as impurezas presentes na água e são classificados de acordo com o seu tamanho.
Os parâmetros mais utilizados para avaliar as características do chorume são pH,metais pesados e DBO. Porém, apenas as análises físico-químicas do chorume não permitem avaliar eventuais impactos em organismos de ecossistemas aquáticos. Para esta avaliação é fundamental o uso de bioindicadores ou testes ecotoxicológicos.
Estes testes constituem uma importante ferramenta para fornecer resposta adicional no que se refere às conseqüências para o meio ambiente.
Testes Ecotoxicológicos
Considerando que efluentes como o chorume podem impactar de forma severa em ecossistemas aquáticos, exigindo uma avaliação criteriosa dos contaminantes presentes de forma qualitativa e quantitativa, e em função da grande complexidade desta matriz com uma infinidade de compostos químicos e possíveis interações entre os mesmos, os testes ecotoxicológicos podem ser adequados para este tipo de avaliação.
O uso de bioindicadores assume que uma determinada espécie, representante de um certo nível trófico, ao perceber a toxicidade existente em uma matriz ambiental, pode sugerir que o ecossistema ao qual faz parte também será afetado pela toxicidade daquela matriz. Neste contexto um dos organismos mais utilizados como bioindicador, é a Daphnia magna (MENEZES et al., 2004).
FUNDAMENTOS DA ECOTOXICIDADE
O emprego dos testes de toxicidade permite avaliar os possíveis impactos que a simples caracterização física e química da água não revela.
Sabe-se que apenas a análise físico-química não é suficiente para se definir a toxicidade das substâncias, uma vez que pode haver processos sinérgicos e antagônicos sobre os organismos.
Como complemento aos testes convencionais, têm-se utilizado organismos como bioindicadores. Estes testes são conhecidos como testes ecotoxicológicos uma das ferramentas de um novo campo da ciência (Ecotoxicologia ou Toxicologia Ambiental) que estuda os efeitos adversos das substâncias tóxicas, principalmente, sobre os ecossistemas aquáticos. Pois, a presença de substâncias tóxicas no meio ambiente pode causar inúmeras alterações nos organismos que entram em contato com estas substâncias, incluindo efeitos carcinogênicos,mutagênicos e teratogênicos.
Quando expostos à contaminantes ambientais, os bioindicadores reagem de forma a modificar as suas funções vitais normais, fornecendo assim, respostas acerca das condições ambientais do corpo hídrico.
As reações comumente observadas são redução do crescimento de uma população, perda da capacidade reprodutiva, mudanças fisiológicas e morfológicas, redução de tamanho, morte, entre outras.
De acordo com Azevedo (2003), muitas vezes, um determinado xenobiótico por si só não causa efeitos adversos na biota, porém, quando interage com outras substâncias, pode produzir derivados mais tóxicos, acarretando graves danos em todo o ecossistema. Assim, a aplicação dos testes ecotoxicológicos faz-se necessário para auxiliar o monitoramento de lançamento de efluentes nos corpos receptores (geralmente recursos hídricos), de modo que não haja alteração na biota aquática decorrente da toxicidade de determinados compostos.
Fonte: dspace.comiteitajai.org.br/www.vivaterra.org.br/www.encyclopedia.com/www.rnufs.ufs.br/www.quimica.ufpr.br