Fidel Castro
História Geral
Revolução Cubana
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Revolução Cubana – O que foi
A revolução Cubana rompeu com os laços que fizeram da ilha quase que uma extensão dos EUA ao longo do século XX.
Inteiramente subordinado aos interesses norte-americanos, o estado Cubano comportou-se de forma subserviente durante todo o período pré-revolucionário aceitando imposições humilhantes e revelando com freqüência a fragilidade de sua soberania.
A vitória de Fidel e seus camaradas no final dos anos 50 e a juventude dos líderes guerrilheiros exerceram rapidamente enorme influência no imaginário de todos aqueles que no mundo lutavam contra a opressão e o imperialismo capitalista. E não poderia ser de outra forma, afinal o encerramento da ditadura pró-EUA significou uma brusca ruptura na longa e trágica história de submissão do continente aos interesses geopolíticos elaborados nos elegantes salões da casa branca.
A ocupação da ilha pelos espanhóis ocorreu no final do século XV e imediatamente seu território foi alvo de intensa exploração econômica imposta pelo estado metropolitano revelando sua extraordinária vocação para a agricultura de exportação.
A inserção em massa de trabalhadores negros escravos de origem africana faz parte desse cenário em que o objetivo maior era transferir para a Europa as riquezas aqui produzidas.
No século XIX, as terras de Cuba encontravam-se dominadas pelo plantio da cana-de-açúcar, formando um imenso tapete verde sob o qual se escondia tanta miséria. Mesmo sendo uma colônia espanhola, o principal comprador do açúcar produzido na ilha eram os EUA e cresciam os interesses de empresas norte-americanas preocupadas em ampliar seus negócios com os Cubanos.
Nesse momento, quase toda a América já havia conquistado sua independência em relação às metrópoles européias, exceção feita a Cuba que apesar de ter sido uma das áreas pioneiras na presença espanhola na América, estava condenada a ser uma dos últimos redutos do colonialismo ibérico. Somente no final do século XIX, encontramos a gênese do Estado Cubano emancipado onde se destacou a figura de Jose Martí.
O movimento separatista declarou guerra à Espanha contando apenas com um improvisado exército constituído predominantemente por negros e sofreu duro golpe, no início dos combates, com a morte de Martí.
Mesmo sem contar com seu principal líder, os cubanos obtiveram significativas vitórias e a guerra caminhava para seu final quando ocorre a intervenção dos EUA no conflito.
Acusando os espanhóis de afundarem um navio americano, o “Maine”, as autoridades norte-americanas declararam seu apoio aos colonos e enviaram soldados para a guerra contra a Espanha.
O fato é que Cuba representava muito para a engenhosa política externa dos EUA. A localização geográfica da ilha coloca-a na zona de absoluta segurança estratégica dentro dos planos norte-americanos, ou seja, sua área incorpora-se aos limites estabelecidos como vitais para a integridade dos EUA. Não bastando isso, os interesses comerciais eram imensos, pois empresas americanas eram as maiores compradoras do açúcar cubano e inúmeros executivos olhavam para a ilha com expectativa de desenvolver novos projetos.
Vencida, a Espanha foi obrigada a ceder o controle dos territórios de Porto Rico e das Filipinas para os EUA e militares americanos assumiram o governo de Cuba assim que os espanhóis reconheceram a derrota.
Em janeiro de 1898, selava-se o triste episódio de transferência da dominação espanhola para a dominação norte-americana. A emenda Platt, texto imposto e anexado a constituição cubana em 1901, tornava legítima qualquer intervenção militar dos EUA no interior da ilha e revelava o alto grau de condescendência das autoridades Cubanas. Além disso, o governo de Cuba foi obrigado a entregar uma faixa de seu litoral para que os norte-americanos montassem uma base militar na baía de Guantánamo.
Nas décadas seguintes, ampliou-se de forma considerável a participação do capital americano nos negócios da ilha atuando livremente, sem restrições, na área do transporte, comércio exterior, mineração, turismo e, sobretudo, àqueles vinculados a produção e comercialização do açúcar.
No plano político, a primeira metade do século XX foi caracterizada pela sucessão de governos despóticos que, com suas ações, consolidaram a posição de Cuba de “quintal dos EUA”.
As pessoas ligadas aos setores políticos contrários a esse modelo foram duramente perseguidos, presos, torturados, e várias lideranças de oposição acabaram assassinadas. Em Havana, capital do país, a corrupção impregnava-se em todas as esferas do poder público e em suas ruas os cassinos, o gangsterismo e a prostituição propagavam-se em escala geométrica.
No início dos anos 50, os dirigentes da oposição perderam definitivamente a esperança em relação à possibilidade de chegar ao poder pelas vias democráticas.
O caminho defendido por esses grupos descontentes com o quadro sócio-político na ilha passa a ser a luta armada. Deve-se ressaltar que o bloco oposicionista ainda não tem, nesse momento, um perfil ideológico definido, apresentando propostas vagas que condenavam a ditadura cubana e procuravam resgatar os princípios patrióticos sugeridos por Jose Martí no final do século XIX.
Em 1953, ocorre a primeira ação armada organizada pela oposição quando um pequeno grupo de homens tentou assumir o controle sobre o Quartel de Moncada, um dos principais regimentos militares do país, a poucos quilômetros da cidade de Santiago de Cuba. A insurreição acabou resultando num enorme fracasso e as forças da repressão não tiveram dificuldades em prender inúmeros envolvidos, entre os quais encontrava-se o jovem advogado Fidel Castro.
Fidel Castro na Assembleia Nacional
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