Grande Muralha
Palácio da Harmonia Suprema
Cidade Proibida
Templo do Céu
Porcelana
Mulher em pé
Um rei do Mundo dos Mortos
Rei do Inferno
1. Qin 2. Zhao 3. Chu 4. Yen 5. Han 6. Chi 7. Wei.Um problema das análises sobre a China é que se utilizam de conceitos ocidentais do feudalismo para expressar a descentralização do poder e as relações de vassalagem entre os soberanos. O grande problema é que comparações sempre levam a superioridade de um povo sobre outro. A utilização da cavalaria e ferro na produção de armas já demonstrava que a unificação seria apenas uma questão de tempo. O reino Qin possuía pelo menos duas vantagens em relação aos demais:
1. A distância, que o preservava dos conflitos, e com isso perda de recursos 2. A assimilação de técnicas de combate dos povos do leste.Os Qin tiveram como medidas para a sua vitória a criação do poder, padronização de medidas, da escrita e da moeda. O império Qin foi dividido em 36 capitanias, controladas hierarquicamente, e novas vias terrestres e fluviais foram abertas. Os Qin eram tão obcecados pelo poder que mandaram queimar todos os livros, poupando apenas os clássicos. Isso foi feito para mostrar que a lei do soberano era a única. O imperador Qin ficou conhecido pela sua tirania, cultuado entre outros por Yongle e Mao-tsé tung, pelos seus métodos de eliminação de adversários. Não se sabe se o nome “china” vem da pronuncia de qin (tsi). O que se sabe é que é inegável que a cultura chinesa foi criada pelas dinastias anteriores. Conceitos relevantes e características da mentalidade chinesa foram criadas sob a dinastia Zhou, por pensadores como Laozi, Confúcio, Chuangzi, entre outros. A acupuntura criada pelo imperador Huang Di e as práticas sexuais, contidas no livro de medicina interna, nos leva ao milênio III a.C. Os chineses sempre buscaram a harmonia em tudo que faziam, e que para entender uma técnica chinesa como, por exemplo, o yin-yang, é preciso estudar os elementos que o gerou, como se fosse um processo circular, se assemelhando com a visão holística. É importante salientar que a China recebeu a influência estrangeira (o budismo, cristianismo e o socialismo). Do budismo nasceu o zen. O protestantismo cristão e o culto a Maitreya serviam de base à insurreição taiping. O maoísmo nos países pobres e agrícolas transformou-se numa via alternativa de acesso ao socialismo. O maoísmo nos países pobres e agrícolas transformou-se numa via alternativa de acesso ao socialismo. O império chinês se considerava o centro do mundo, mais precisamente o Império do Meio. A grande preocupação era afastar os bárbaros, principalmente os turcos e mongóis, e um exemplo dessa tentativa foi a construção da Grande Muralha da China. A invasão dos bárbaros sempre foi uma preocupação para as dinastias que desprezavam guerreiros, comerciantes e estrangeiros. O imperador estava entre o céu e a terra. Se agisse com a vontade do céu, o resultado seria pleno, traduzido em abundância em tempos de paz, mas se desonrasse o “mandato” celestial, o resultado seria desastroso. Dessa forma, o imperador preocupa-se em governar perante a tradição, cercado de eunucos, conselheiros e um difícil sistema burocrático. O sistema autocrático era limitado por convenções de ordem religiosa e filosófica. Lendas antigas sobre o Oriente de que existia ali um reino de maravilhas e os relatos dos primeiros dominicanos e franciscanos só fizeram aumentar a curiosidade europeia. O império celeste no seu auge: a dinastia Ming. Foi sob os bárbaros que o império chinês atingiu sua máxima dimensão territorial na dinastia Yuan (1276-1368). Gêngis Khan conquistou a China e estendeu as fronteiras do império a territórios hoje conhecidos como China, Mongólia, Rússia, Coréia, Afeganistão, Síria, Irã, Iraque e algumas áreas do leste europeu. Criando um império multiétnico e um eficiente sistema de comunicação. Durante esse período, foram difundidas as grandes invenções chinesas, como a pólvora, a bússola e tipografia. Mas com o passar do tempo, as tropas mongóis foram perdendo a força inicial. As tropas que estavam na China receberam terras, foram introduzidas ao cotidiano e casaram-se com mulheres chinesas. Com a morte de Gêngis Khan, o império foi dividido em vários khanatos. A dinastia Ming pôs fim ao domínio estrangeiro sobre a China, e por quase 300 anos (1368-1644) representou o período áureo do império celeste. Zhu Yuangzhang foi o fundador da dinastia Ming, sendo bastante inflexível. Ele assumiu o trono como Taizu. A convivência dos chineses com os mongóis havia ensinado aos chineses a importância da organização militar, mas no período de Zhu, denominado de Hongwa, predominou o terror. Taizu centralizou a administração do império, e instituiu uma guarda secreta que multiplicara as punições aos supostos traidores. Por muito pouco Tiazu punia ou mesmo executava os seus colaboradores. E foi pelo uso da força que ele conseguiu dar unidade ao império, esfacelado durante a ocupação mongol. Como sucessor, Tiazu escolheu seu neto Zhu Yunwen, que viria a ser conhecido como Jianwen. O imperador Jianwen prosseguiu com o terror. A corte era uma rede de intrigas, e as especulações sobre as origens do príncipe Zhu Di, príncipe de Yan, aumentava ainda mais essas intrigas. Devido aos conflitos entre a liderança militar e autonomia do príncipe Zhu, os atritos foram inevitáveis, vindo a surgir a guerra civil. Após as derrotas iniciais, o imperador tentou ganhar tempo demitindo seus principais conselheiros ou substituindo por aliados mais poderosos. Foi a partir de Beiping, que o príncipe iniciou a jornada que lhe deu o trono, conquistando Nanjing em 17 de julho de 1402. Passou a ser chamado de Yongle. Zhu Di passou a ser o imperador mais conhecido e estudado entre os Ming por causa das grandes realizações de seu período. Yongle expulsou aqueles que eram ligados ao seu sobrinho, e ordenou que a própria história fosse reescrita, tentando apagar o período Jianwen. Transferiu a capital do império para Pequim, por motivos de segurança, e edificou a Cidade Proibida. A preocupação com os bárbaros fez com que reforçasse a Grande Muralha, e pelo uso da força fez populações inteiras migrarem para a nova capital. E esse aumento populacional na capital demandou novos investimentos para poder alimentá-los, ocorrendo a ampliação do Grande Canal. A força naval da China dos Ming era também impressionante. A partir de 1405, os chineses se aventuraram nos mares desconhecidos, e segundo Gavin Menzis, teriam chegado à América. Os tesouros reais da China estavam expostos aos olhos. O império celeste era quase tudo o que a mentalidade europeia deseja: riqueza, justiça e organização. No império chinês não havia o Deus cristão. A religião nesse caso alimentava a alteridade e se transformava em cobiça. Em 1421, uma tempestade de grandes proporções atingiu a cidade do imperador (Cidade Proibida), e o trono do imperador foi atingido por um raio. O imperador entrou em depressão com a morte da sua concubina favorita. No ano de 1433, as grandes expedições cessaram. Aos poucos a dinastia perdia força. Os mandatos posteriores eram curtos e instáveis, ao passo que as sublevações camponesas ganharam intensidade. A globalização da época enfraqueceu o sistema financeiro chinês: a China utilizava originalmente moedas de cobre em seu comércio, mas a atividade exterior introduziu a prata do Japão e do Novo Mundo. A consequência foi uma inflação descontrolada, alimentada pelos gasto público e impostos crescentes. (p.165). O último Ming, Chongzhen, cometeu suicídio em 1644. As tropas de Li Zicheng tomaram Pequim, mas o exército manchu se aproximava de forma decisiva e não tardaria a impor sua dinastia Qin (pura). CHINA: GEOPOLÍTICA E HEGEMONIA NAVAL RESUMO A China através do estudo das teorias geopolíticas, e das estratégias militares dos países considerados potências mundiais, e em conjunto da análise de sua própria história, busca expandir seu poder marítimo e se tornar um Estado soberano e hegemônico no sudeste asiático. Esta expansão vem gerando conflitos nos mares asiáticos e tende a tornar a região um importante cenário estratégico global durante os próximos anos. Introdução A China, na busca da consolidação de sua soberania no sudeste asiático, vem utilizando as teorias geopolíticas ocidentais, e as estratégias militares; seu crescimento econômico, sua história e cultura. Vislumbram uma nova oportunidade histórica para exercer a hegemonia naval na região e se firmar internacionalmente como uma grande potência. Da combinação entre as teorias geopolíticas, história e estratégias militares, temos uma abordagem diferenciada e ao mesmo tempo surpreendente da nova geopolítica globa, que vem modificando o equilíbrio das forças no plano mundial. No entanto, não podemos desconsiderar que este novo e poderoso ator teve auxílio da comunidade internacional, recebendo um tratamento diferenciado desde sua ruptura com a antiga União Soviética e alinhamento com o Ocidente, bem como recebeu apoio irrestrito político e econômico – dos Estados Unidos da América. Essa abordagem diferenciada da nova geopolítica, que esta sendo executada pelo governo chinês, nos força a indagar sobre as teorias geopolíticas ocidentais, principalmente sobre o espaço vital e o poder naval, que tanto foram criticadas e ignoradas a ponto de reduzirem consideravelmente os trabalhos sobre o assunto no período pós segunda guerra mundial, só vindo a serem produzidos novos trabalhos na década de 1970, e mesmo assim com abordagens diferentes, não mais utilizando as idéias pragmáticas tais como: o poder marítimo versus o poder terrestre; a heartland; ou as condições para um determinado Estado tornarem-se potência mundial; e sim teorias a respeito do embate entre o capitalismo e socialismo, guerra fria e sua lógica, as perspectivas de uma terceira guerra mundial. Porém, devemos levar em consideração que a China é um Estado atípico e pragmático, portanto, as novas abordagens geopolíticas do ocidente não conseguem analisar de forma coerente as estratégias e ações que estão sendo executadas pelo governo chinês. Devemos também estar atentos aos conflitos que ocorrem atualmente nos mares da região, pois é com essa análise que poderemos traçar um perfil para melhor compreender as estratégias geopolíticas e militares do país, na busca da supremacia naval no sudeste asiático. Panorama histórico da marinha da China Para compreendermos a atual posição da China, devemos analisar os fatos históricos, culturais e políticos que antecedem o momento presente, ou seja, através do estudo deste panorama histórico podemos visualizar melhor e compreender os fatores estruturais, cívicos, econômicos e culturais que norteiam as atuais políticas. Dentro deste contexto histórico no que se refere à marinha chinesa podemos destacar alguns fatos que tiveram importância fundamental para a busca da hegemonia naval, e que claramente interferem na política, nas relações exteriores, nas técnicas de engenharia e no aperfeiçoamento tecnológico-bélico, além do fortalecimento dos poderes militares e do patriotismo da população local. O primeiro fato histórico que deve ser levado em consideração diz respeito à construção do Grande Canal da China; sua construção foi iniciada durante a dinastia Sui, pelo imperador Yang Guang, no ano de 605 d.C., levando seis anos para conclusão da parte Sul, que liga o Rio Amarelo ao interior do Estado da China. Possuindo hoje a extensão de 1.79 quilômetros, é o mais extenso Rio artificial do mundo. Com a utilização e aperfeiçoamento dos conhecimentos adquiridos durante a construção e a utilização do Grande Canal da China – tanto na construção naval quanto na engenharia civil utilizada – foi durante a dinastia Ming que a marinha chinesa conheceu seu período de maior esplendor. A dinastia Ming governou a China de 1368 a 1644, construindo a marinha mais vasta da China, embora tenha existido um comércio marítimo privado e missões tributárias4 oficiais nas dinastias anteriores, a frota tributária comandada pelo comandante eunuco-muçulmano Zheng He (1371-1433) no século XV, superou todas as outras em tamanho absoluto. Os chineses enviavam missões diplomáticas para o ocidente desde a Dinastia Han (202 a.C. – 220 d.C.) e estavam envolvidos com comércio exterior não-estatal, estando presentes na África Oriental durante séculos, mas nenhuma missão comercial patrocinada pelo Governo desta grandeza e dimensão tinha sido montada antes. Para servir a diferentes missões comerciais no estrangeiro, os estaleiros navais da China construiriam dois mil navios entre 1403-1419, que incluía os grandes navios do tesouro que mediam de 112 metros a 134 metros de comprimento e 45 metros a 54 metros de largura. A primeira viagem, que ocorreu entre 1405-1407, foi formada por 317 embarcações com uma equipe de 70 eunucos, 180 médicos, 5 astrólogos, e 300 oficiais-militares, comandando um total estimado de 26.800 homens. As enormes missões comerciais foram interrompidas após a morte de Zheng He, mas sua morte foi apenas um dos muitos fatores que acabaram com as missões. Outro fato se inicia com o imperador Yongle que havia conquistado o Vietnã em 1407, mas as tropas Ming foram expulsas em 1428 com grandes custos para a tesouraria da dinastia Ming. Os oficiais-acadêmicos também associaram os enormes gastos com a manuteção das frotas navais e com o aumento do poder dos eunucos na corte e, por isso, cortaram o financiamento às frotas, para barrar a ampliação da influência dos eunucos. Em 1479, o vice-presidente do Ministério da Guerra mandou queimar os registros que documentavam as viagens de Zheng He. As Leis Navais que foram implantadas restrigiram os navios a um pequeno tamanho e o declínio da marinha Ming permitiu o crescimento da pirataria ao longo da costa marítima da China. Piratas japoneses começaram a saquear navios chineses e comunidades costeiras, embora, grande parte da pirataria tenha sido realizada por chineses nativos. Em vez de montar um contra-ataque, as autoridades optaram por encerrar as instalações costeiras. Todo o comércio exterior passou a ser realizado pelo Estado, através de missões formais; as políticas implantadas pelas autoridades instituiram uma proibição rigorosa de qualquer atividade marítima, mesmo que feita pela iniciativa privada, até sua abolição no ano de 1567. Durante o século XVI, a economia da dinastia Ming foi estimulada pelo comércio marítimo com os europeus (principalmente portugueses, espanhóis e holandeses). A China, então, se envolveu em um comércio de bens, plantas, animais e gêneros alimentícios. Esse comércio com as grandes potências européias e os japoneses trouxe grandes quantidades de prata para a China, porém, nas últimas décadas da dinastia Ming esse fluxo havia diminuído, comprometendo assim as receitas estatais e por conseqüência toda a economia Ming. Durante o século XVIII, a economia sofreu ainda mais com as calamidades naturais, más colheitas e epidemias freqüêntes que abalaram a população e fragmentaram o poder, favorecendo o surgimento de líderes rebeldes, que desafiavam a autoridade dos imperadores Ming. No ano de 1949, o partido comunista chinês, tomou o poder e Mao Tse-Tung proclamou a República Popular da China, emparelhando-se com a União Soviética. Neste período, mais precisamente durante a década de 1950, a marinha da China recuperou, por meio da força, grande parte das ilhotas do seu litoral, que estavam sob controle dos nacionalistas de Chiang Kai-Shek. Este emparelhamento com a União Soviética durou até meados dos anos de 1970, quando as relações com o ocidente começaram a melhorar, sendo que, em 1972, no auge da ruptura sino-soviética, a China estabeleceu relações com os Estados Unidos da América, e no ano de 1974, aproveitandose da derrota do Vietnã do Sul, apoderou-se do arquipálago Paracel. Em meados de 1976, o governo da China inicia a transição de uma economia planejada para uma economia mista, com um mercado crescente e mais livre, sistema este chamado por muitos de “socialismo de mercado”. Durante este período de transição, mais precisamente no ano de 1988, a China assumiu o controle do arrecife Fiery Cross, que era ocupado pelos vietnamitas. Com esta abertura para o chamado socialismo de mercado, a economia chinesa passou a apresentar números de crescimento do PIB, na ordem de 11% a 15% ao ano, o que proporcionou investimentos estruturais e a modernização das forças militares, fato este que aliado aos antecedentes navais da China coloca todos os países da região alias, todos seus antigos vassalos e tributários em constante temor diante das ambições navais chinesas. Geopolítica e estratégias militares da China em busca da supremacia naval Com sua base econômica em pleno crescimento, mesmo com a crise econômica mundial (que eclodiu no final do ano de 2008) e com a queda na sua produção interna (apresentada no último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009); o Estado chinês é cada vez mais influente no plano econômico e político internacional, devido ao fato de ser um grande importador e exportador. A China, através de um detalhado e complexo plano geopolítico e militar-estratégico, que está sendo cuidadosamente colocado em prática pelo governo, visa expandir seu poderio naval e exercer o controle sobre a região do sudeste, sul e sudoeste Asiático. No ano de 2006, um documentário da Televisão Central Chinesa (CCTV), composto por doze capítulos e intitulado: Daguo Juequi A Ascensão das Grandes Potências apresentou à população chinesa e ao mundo, através de uma série de entrevistas realizadas com historiadores e estrategistas geopolíticos e militares as bases com as quais os impérios de Portugal, Espanha, Holanda, França, Inglaterra, Alemanha, Japão, Rússia e Estados Unidos da América se constituíram e prosperaram, e também os motivos da perda de suas hegemonias. Esse documentário gerou uma grande empolgação na população, fato este que segundo seu idealizador Qian Chengdan, é bastante compreensivo, uma vez que: a raça chinesa está revitalizada e, com isso, volta à cena mundial. O documentário em questão foi encomendado pelo governo da China e claramente contém uma estratégia central, que consiste na busca do apoio da população local e de simpatizantes do regime governamental chinês para os programas de modernização militar que estão sendo executados no país; este apoio é de suma importância para o reconhecimento e legitimação destas políticas pela comunidade internacional, e nos remete à utilização dos Aparelhos Ideológicos de Estado. O documentário Daguo Juequi A Ascensão das Grandes Potências destacou também de forma categórica, os esforços e as realizações das grandes potências no setor naval, durante seus processos de ascensão. A abertura para o exterior realizada através do comércio internacional, das relações diplomáticas e de programas cooperação internacional; o controle de importantes corredores marítimos e de pontos de apoio que é essencial para a realização e para segurança do comércio com o exterior; o aperfeiçoamento de instrumentos; e a ação estratégica da marinha são fatores encontrados nas estratégias geopolíticas e militares da maior parte das Nações estudadas. Essas características foram incluídas como prioridade pelo governo chinês, desde o ano 2000, que propõe a modernização e a expansão da frota naval do país. Obviamente os estudos realizados são abrangentes e minuciosos, pois remontam desde o período das grandes navegações e do mercantilismo até o período neocolonial, com a observação e análise dos estudos realizados por Alfred Thayer Mahan, que abordou de forma teórica a constituição e a importância da marinha para hegemonia dos Estados Unidos da América, o exemplo de poder naval hegemônico a ser superado ou ao menos seguido. No entanto, esses estudos não desconsideraram a própria história da marinha da China, que foi soberana durante séculos, e que teve seu declínio devido a disputas internas pelo poder central. Seguindo os planos do governo, no ano de 2007, navios chineses efetuaram visitas oficiais a portos franceses, australianos, japoneses, russos, cingapurenses, espanhóis e norte-americanos, e a convite da Global Maritime Partnership Initiative Iniciativa de parceria marítima global, que busca desenvolver uma aliança marítima mundial, a marinha chinesa participou de manobras internacionais de luta contra a pirataria marítima. Essas iniciativas chamadas de Soft Power devem ser analisadas levando em consideração o cenário regional, assim poderemos visualizar as estratégias centrais do governo chinês. A primeira estratégia diz respeito às reivindicações sobre Taiwan, sendo que as autoridades chinesas estão decididas a recuperar sua soberania – mesmo com o uso da força se necessário – e sobre o perímetro das águas territoriais chinesas (Zona Econômica Exclusiva ZEE), ao todo é reivindicado o pleno controle sobre quatro milhões de quilômetros quadrados de mar. A segunda estratégia é a proteção das rotas marítimas de abastecimento de hidrocarbonetos, importantes para a China, uma vez que o país é atualmente o segundo maior importador mundial de petróleo. Simultaneamente a essas estratégias centrais, o governo chinês questiona o Japão sobre a posse das ilhas Diaoyu, que abrigam uma base militar norte-americana; esse questionamento aponta para o interesse de anexar as ilhas e a região à Zona Econômica Exclusiva chinesa, fato que não deve ser visto como provocação única e exclusiva aos EUA ou ao Japão, uma vez que existe na região das ilhas uma jazida que pode conter até 200 bilhões de metros cúbicos de gás, ou seja, o interesse é também econômico. O governo chinês também vem disputando com o Vietnã e Taiwan o domínio do arquipélago Paracel; com as Filipinas, Malásia, Brunei e Indonésia a soberania sobre as ilhas Spratly e sobre o arquipélago das Pratas. Estes questionamentos e disputas estão muito além da apropriação de hidrocarbonetos e de outras riquezas do mar da China meridional, o que de fato importa é o acesso da frota naval da China ao alto-mar. A estratégia consiste em uma primeira etapa, se impor sem contestação marítima possível, a Oeste de uma linha de defesa imaginária, que vai do Japão até a Malásia, passando por Taiwan e pelas Filipinas. Em uma segunda etapa, a China poderá forçar essa linha de defesa imaginária, passando assim, das águas pouco profundas do mar da China do Leste e do mar da China do Sul para as águas de uma segunda bacia que se estende do Japão a Indonésia. Resolvidas estas questões regionais, a China terá plenas condições de garantir a segurança do transporte de mercadorias nos corredores marítimos sob sua área de influencia. A importância do controle sobre esses corredores marítimos é reafirmada na questão do estreito de Malaca, o principal gargalo de estrangulamento dos corredores de abastecimento marítimo, e que em caso de conflito ocasionaria grandes perdas de suprimentos para China. No intuito de minimizar essas perdas o governo chinês vem atuando em diversas frentes, e entre elas destaca-se a escavação e construção de um canal através do istmo de Kra, região localizada ao sul da Tailândia. Conscientes da importância da proteção dos corredores marítimos e da possibilidade de realizar o antigo projeto de hegemonia naval, o governo chinês vem multiplicando e modernizando suas bases navais, portos fluviais e bases submarinas, buscando assegurar os fluxos de comércio exterior, que hoje dependem 90% dos corredores marítimos. Para tanto, dispõe, hoje, em cada base naval, de uma divisão aeronaval, com naves anfíbias, dragadores de minas, lançadores de mísseis, além de novos cargueiros e petroleiros. Os chineses têm a participação de países estrangeiros que são fornecedores de equipamentos: como a Austrália, que fornecem catamarãs de alta velocidade, Rússia, que fornece destróieres e submarinos, Itália e França, que fornecem sistemas de combate, Holanda, fornecedora de canhões navais, e atualmente verificamos que o Brasil pode ser um cooperador em potencial do governo chinês; uma vez que a Embraer reconhecida fabricante de aviões comerciais de pequeno porte, é também detentora de tecnologia de ponta para fabricação de aviões de combate montou recentemente uma fábrica em território chinês. A China parece estar decidida a não permitir que nenhuma manobra, de qualquer país, atrapalhe sua segunda oportunidade de se desenvolver como uma potência naval hegemônica e soberana. As estratégias geopolíticas e militares que o Estado da China vem colocando em prática para obter a hegemonia naval, apresentam uma combinação que adéqua de forma harmônica, a considerada geopolítica clássica que é representada pelos trabalhos do geógrafo alemão F. Ratzel (1844-1904) e do estrategista e militar norte-americano A.T. Mahan (1840- 1914), na busca do espaço vital e do fortalecimento naval, com a nova geopolítica apresentada nos trabalhos do ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger (1923) e do professor norte-americano Edward N. Luttwak (1943), aliando as relações diplomáticas com o interesse econômico. Essa combinação está modificando as ações geopolíticas, as estratégias militares, as relações diplomáticas mundiais, e reorganizando as áreas de influencia e soberania nos oceanos do Sul da Ásia. Atuais Conflitos no mar do sudeste da China Com a execução da política chinesa nos mares asiáticos em busca de uma hegemonia naval, tem sido grande o número de conflitos registrados, muitos são resolvidos diplomaticamente, porém, a tensão na região é cada vez maior. Muitos estrategistas dos Estados Unidos da América estão convencidos de que o Oceano Pacífico será o palco estratégico mais importante, no decorrer dos próximos cinqüenta anos. Uma das principais concorrentes da frota naval chinesa é a marinha japonesa, poderosa e mais bem equipada, que vem mantendo há muito tempo parceria com a marinha norte-americana; porém, há dois fatores importantes a serem destacados, o primeiro diz respeito aos testes realizados pela frota chinesa através de inúmeras incursões submarinas, uma das quais resultou em um incidente envolvendo um submarino nuclear chinês em 2004, que culminou em um pedido formal de desculpas por parte do governo chinês. O segundo fator diz respeito à Constituição Pacifista do Japão, que revela um país atrapalhado e indeciso em suas ações político-militares, e que vem sendo criticada internamente. Ao mesmo tempo em que a marinha chinesa vem construindo uma série de bases permanentes – para apoio logístico e bélico – distribuídas ao longo das orlas do Oceano Índico, a Índia, movida por ambições marítimas equivalentes, esta expandindo sua frota, com o objetivo estratégico declarado de fazer do Índico o oceano dos indianos e considerando a presença chinesa uma grave intrusão. Além da Índia e do Japão, países como a Malásia e a Indonésia, estão preocupados com as investidas da marinha chinesa, principalmente por considerar que os Estados Unidos da América, devido à guerra no Iraque e a crise econômica mundial, deixem o caminho livre para a afirmação da soberania naval chinesa na região, de forma que essa ausência norteamericana nas águas do sudeste da Ásia se torne permanente. O principal obstáculo para a projeção do poderio naval chinês seria a 7ª Frota Naval norte-americana, que há muito tempo esta patrulhando as águas da região, porém, o maior número de incidentes tem ocorrido entre as duas potências tanto nos mares como em incursões em outras regiões. Recentemente (no ano de 2001), um avião norte-americano, utilizado para espionagem, colidiu com um caça de patrulha chinês, o incidente foi resolvido diplomaticamente. Em março de 2009, cinco navios pesqueiros chineses fizeram manobras perigosas perto do navio Impecable, que pertence à marinha norte-americana, e que é utilizado para vigilância. No plano diplomático, a Casa Branca se demonstra serena, buscando uma aliança cooperativa com a China, principalmente no combate a pirataria marítima, colocando a marinha norte-americana como observadora da evolução inevitável que deve conduzir ao retorno pacífico de Taiwan ao Estado chinês. Esta postura do governo norte-americano já era aconselhada pelo ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger que classificava Taiwan como: um problema interno da China e que os Estados Unidos da América têm a obrigação de se opor à sua independência, seu ingresso na ONU, ou às suas instituições, que são próprias de Estados soberanos, e do reconhecimento pelo governo norte-americano de uma só China. Fonte: monique.vincent.pagesperso-orange.fr/www.geocities.com/artigocientifico.tebas.kinghost.net/educaleaks.dominiotemporario.com