{"id":96624,"date":"2017-01-26T08:18:24","date_gmt":"2017-01-26T10:18:24","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=96624"},"modified":"2017-01-26T08:18:24","modified_gmt":"2017-01-26T10:18:24","slug":"governo-hermes-da-fonseca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/governo-hermes-da-fonseca","title":{"rendered":"Governo Hermes da Fonseca"},"content":{"rendered":"<h4>1910 &#8211; 1914<\/h4>\n<p>Ao vencer as elei\u00e7\u00f5es de 1910, derrotando o candidato liberal Ruy Barbosa, o marechal <strong>Hermes da Fonseca<\/strong> marcou o retorno de um militar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ap\u00f3s 16 anos de governos civis.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-96626 size-full\" title=\"Governo Hermes da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ggovern2.jpg\" alt=\"Governo Hermes da Fonseca\" width=\"137\" height=\"211\" \/><b><br \/>\nHermes da Fonseca<\/b><\/p>\n<p>A vit\u00f3ria foi obtida com o apoio dos novos setores, questionadores da pol\u00edtica caf\u00e9 com leite, que souberam controlar os resultados eleitorais apesar da alta popularidade de Ruy Barbosa. A ascens\u00e3o de uma nova oligarquia com base na pol\u00edtica ga\u00facha, sob o comando do senador Pinheiro Machado, foi denominada de pol\u00edtica das salva\u00e7\u00f5es; tinha por objetivo questionar a lideran\u00e7a de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais mas mantinha o regime olig\u00e1rquico, sem propor maior democratiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Quintino Bocai\u00fava, tamb\u00e9m ligado \u00e0s for\u00e7as militares desde o in\u00edcio da Rep\u00fablica, foi outro importante representante da pol\u00edtica das salva\u00e7\u00f5es. Devido \u00e0 forte contesta\u00e7\u00e3o popular, a administra\u00e7\u00e3o de Hermes da Fonseca foi caracterizada pela utiliza\u00e7\u00e3o quase constante do estado de s\u00edtio.<\/p>\n<h4>Hermes Rodrigues da Fonseca ( Hermes da Fonseca ) 1910 \u2013 1914<\/h4>\n<p>Militar, nasceu em S\u00e3o Gabriel, Rio Grande do Sul, em 1855, e era sobrinho de Marechal Deodoro da Fanseca.<\/p>\n<p>Em 1889, Hermes da Fonseca participou da Revolta Republicana com Marechal Deodoro.<\/p>\n<p>De quem foi ajudante \u2013 de \u2013 campo e secret\u00e1rio militar.<\/p>\n<p>Dirigiu o Arsenal da Guerra da Bahia, fundou e dirigiu a Escola dos Sargentos, durante o governo de Floriano Peixoto.<\/p>\n<p>A 15 de novembro de 1910 venceu a campanha civilista que apoiava Rui Barbosa e assumiu a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s sua posse v\u00e1rias revoltas eclodiram e foram combatidas pelas tropas governamentais.<\/p>\n<p>Ainda durante o seu governo iniciou-se a pol\u00edtica de &#8220;salva\u00e7\u00f5es iniciais&#8221;, s\u00e9rio de interven\u00e7\u00f5es militares nos Estados, visitando ao expurgo de elementos da oposi\u00e7\u00e3o, cujo prest\u00edgio combatia com a autoridade da Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de deixar a Presid\u00eancia, foi eleito senador pelo Parido Republicano Conservador ( PRC ), mais n\u00e3o assumiu.<\/p>\n<p>Em 1922 envolveu-se na Revolta do Forte de Copacabana, sendo preso por seis meses, ao fim dos quais retirou-se para Petr\u00f3polis, onde morreu em 9 de setembro de 1923.<\/p>\n<h4>Per\u00edodo presidencial<\/h4>\n<p><strong>Hermes da Fonseca<\/strong> foi o primeiro militar eleito \u00e0 presid\u00eancia atrav\u00e9s de um pleito nacional. Sua elei\u00e7\u00e3o expressou a falta de acordo entre as lideran\u00e7as paulistas e mineiras, e a emerg\u00eancia no cen\u00e1rio pol\u00edtico da alian\u00e7a do Rio Grande do Sul com os militares, rompendo assim a &#8220;pol\u00edtica do caf\u00e9 com leite&#8221;. A influ\u00eancia do presidente do senado Pinheiro Machado no governo perdurou desde a sugest\u00e3o de indica\u00e7\u00e3o da canditadura de Hermes da Fonseca at\u00e9 o fim do per\u00edodo presidencial.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do governo, eclodiu a Revolta da Chibata, levante de marinheiros que se opunham ao regime de castigos f\u00edsicos em vigor na Marinha. A chibata era o instrumento utilizado pelos oficiais para a\u00e7oitar os marinheiros que cometiam faltas consideradas graves. Ap\u00f3s a puni\u00e7\u00e3o do marinheiro Marcelino Rodrigues, que recebeu 250 chibatadas, assistida por toda a tripula\u00e7\u00e3o do encoura\u00e7ado Minas Gerais, desencadeou-se a revolta liderada por Jo\u00e3o C\u00e2ndido Felisberto, que ficou conhecido como Almirante Negro. Durante esse movimento, uma esquadra composta por tr\u00eas encoura\u00e7ados chegou a voltar seus canh\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em seu governo, Hermes da Fonseca utilizou-se das tropas federais para garantir a pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o nos estados, denominada &#8220;pol\u00edtica das salva\u00e7\u00f5es&#8221;, apoiando os canditados favor\u00e1veis ao governo central.<\/p>\n<p>Em 12 de setembro de 1912, foi deflagrada uma rebeli\u00e3o de car\u00e1ter messi\u00e2nico, na regi\u00e3o de lit\u00edgio entre os atuais estados do Paran\u00e1 e Santa Catarina, conhecida como zona do Contestado. As tropas do governo do Paran\u00e1 iniciaram o primeiro confronto na cidade de Irani. Entre os 23 sertanejos mortos, estava o beato Jos\u00e9 Maria, l\u00edder do movimento que pretendia fundar uma &#8220;monarquia celestial&#8221; na regi\u00e3o. Na \u00e1rea sob a sua influ\u00eancia n\u00e3o era aceita a cobran\u00e7a de impostos nem permitida a propriedade da terra. Ap\u00f3s v\u00e1rios conflitos armados, nos quais morreram cerca de vinte mil pessoas, a rebeli\u00e3o foi liquidada em 1915, j\u00e1 no governo de Venceslau Br\u00e1s.<\/p>\n<p>Em 16 de mar\u00e7o de 1913, o governo assistiu, na capital federal, \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de cerca de dez mil pessoas contra a deporta\u00e7\u00e3o de sindicalistas, em cumprimento \u00e0 nova lei que determinava a expuls\u00e3o do pa\u00eds de estrangeiros envolvidos em greves. Em maio, ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias em v\u00e1rios estados. Em 8 de outubro, a pedido do presidente, foi decretado o estado de s\u00edtio na capital federal, na tentativa de conter a onda de greves e de controlar o movimento oper\u00e1rio. Nesse mesmo ano, em dezembro, Hermes da Fonseca decretou o estado de s\u00edtio no Cear\u00e1, em decorr\u00eancia da revolu\u00e7\u00e3o em Juazeiro do Norte, movimento que se originou da alian\u00e7a formada entre o padre C\u00edcero e os opositores ao governo de Franco Rabelo, indicado pelo governo federal.<\/p>\n<h4>Resumo<\/h4>\n<p><strong>Sexto Per\u00edodo de Governo Republicano &#8211; <\/strong>15.11.1910 a 15.11.1914<\/p>\n<blockquote><p><strong>Nascimento: <\/strong>S\u00e3o Gabriel &#8211; RS, em 12.05.1855<br \/>\n<strong>Falecimento:<\/strong> Petr\u00f3polis- RJ, em 09.09.1923<br \/>\n<strong>Profiss\u00e3o:<\/strong> Militar (Marechal)<br \/>\n<strong>Per\u00edodo de Governo: <\/strong>15.11.1910 a 15.11.1914 (04a)<br \/>\n<strong>Idade ao assumir:<\/strong> 55 anos<br \/>\n<strong>Tipo de elei\u00e7\u00e3o:<\/strong> direta<br \/>\n<strong>Votos recebidos:<\/strong> 403.867 (quatrocentos e tr\u00eas mil oitocentos e sessenta e sete)<br \/>\n<strong>Posse:<\/strong> em 15.11.1910, em sess\u00e3o solene do Congresso Nacional presidida pelo Senhor Quintino Bocai\u00fava<\/p><\/blockquote>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.senado.gov.br \/www.geocities.com<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<h4>1910 &#8211; 1914<\/h4>\n<p>Juntamente com <b>Hermes da Fonseca<\/b>, nas elei\u00e7\u00f5es de 1o. de mar\u00e7o de 1910, o Vice-presidente eleito foi Venceslau Br\u00e1s.<\/p>\n<p>Funcionara bem o sistema das oligarquias estaduais conjuntamente com a press\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Segundo relatos, era um homem bom, por\u00e9m indeciso; o novo Presidente da Rep\u00fablica deixou-se influenciar pelos pol\u00edticos que o cercaram.<\/p>\n<p>O bar\u00e3o do Rio Branco foi mantido no minist\u00e9rio do Exterior; para o minist\u00e9rio da Guerra foi convidado o general Dantas Barreto. A Pasta do Interior e Justi\u00e7a foi ocupada pelo rio-grandense Rivad\u00e1via Correia, leal correligion\u00e1rio do influente pol\u00edtico Pinheiro Machado. (Pinheiro Machado, consoante avalia\u00e7\u00e3o da historiografia, possu\u00eda um poder enorme, chegando-se a dizer que era ele quem governava o pa\u00eds durante esses anos.)<\/p>\n<h4>Pol\u00edtica das Salva\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Apoiado no Rio Grande do Sul pelo governador Borges de Medeiros e prestigiado pela maioria dos governadores dos outros Estados, Pinheiro Machado foi o pol\u00edtico de maior influ\u00eancia na primeira fase do governo de Hermes da Fonseca. Uma grande modifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, por\u00e9m, sacudiu o pa\u00eds. Muitas oligarquias estaduais foram substitu\u00eddas, ocorrendo conflitos, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Surgiram assim as &#8220;salva\u00e7\u00f5es&#8221; e muitas, como por exemplo a de Dantas Barreto em Pernambuco, e de J. J. Seabra na Bahia, eram francamente hostis \u00e0 domin\u00e2ncia pol\u00edtica de Pinheiro Machado. Com muita raz\u00e3o disse o historiador Jos\u00e9 Maria Bello que, &#8220;instalados nos governos que haviam conquistado pela viol\u00eancia, mas com o apoio das massas populares fatigadas do longo dom\u00ednio das oligarquias, os &#8216;novos salvadores&#8217; montaram as suas m\u00e1quinas locais, ainda mais intransigentes do que as antigas&#8221;.<\/p>\n<h4>Revolta da Chibata (1910)<\/h4>\n<p>Logo nas primeiras semanas do Hermes da Fonseca, os marinheiros dos maiores navios da esquadra amotinaram-se revoltados contra o regime de castigos corporais ainda vigente na Marinha. Amea\u00e7ando bombardear a cidade foram anistiados pelo governo, que, escarmentado, puniu, posteriormente, com excessiva severidade, os implicados em uma nova revolta surgida a 9 de dezembro entre os fuzileiros do quartel da Ilha das Cobras e a tripula\u00e7\u00e3o do &#8220;scout&#8221; Rio Grande do Sul.<\/p>\n<h4>A Revolta do Contestado<\/h4>\n<p>O Hermes da Fonseca teve de enfrentar um problema semelhante ao de Canudos. Nas regi\u00f5es lim\u00edtrofes do Paran\u00e1 e Santa Catarina, o fan\u00e1tico Jo\u00e3o Maria, apelidado o Monge, instalara-se na regi\u00e3o do Contestado, zona disputada pelos dois Estados. Em pouco tempo milhares de sertanejos sulinos congregaram-se em torno do Monge, repetindo-se o drama dos sert\u00f5es da Bahia. Diversas expedi\u00e7\u00f5es militares foram enviadas, sem resultado, para combater os fan\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Somente no quadri\u00eanio seguinte \u00e9 que uma divis\u00e3o composta de mais de 6 000 soldados, sob o comando do general Setembrino de Carvalho, conseguiria dispersar, matando ou expulsando, os seguidores de Jo\u00e3o Maria. A \u00e1rea era cobi\u00e7ada por empresas estrangeiras, devido \u00e0 riqueza em madeira e em erva-mate.<\/p>\n<h4>Economia e Pol\u00edtica<\/h4>\n<p>O desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds sofreu seriamente os efeitos da instabilidade pol\u00edtica. Retra\u00edram-se os capitais europeus. O Norte sofreria, impotente, a concorr\u00eancia da borracha asi\u00e1tica, encerrando-se a ef\u00eamera fase do progresso que vivera a Amaz\u00f4nia. Com suas receitas diminu\u00eddas, sem exporta\u00e7\u00f5es, viu-se o governo na conting\u00eancia de negociar um novo &#8220;funding loan&#8221;, empr\u00e9stimo que comprometeria ainda mais as abaladas possibilidades financeiras do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma reforma de ensino assinala a atua\u00e7\u00e3o de Rivad\u00e1via Correia na Pasta do Interior e Justi\u00e7a que abrangia tamb\u00e9m os assuntos da intru\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Deu-se a mais ampla liberdade e autonomia \u00e0s escolas superiores, que se multiplicaram ent\u00e3o desordenadamente, agravando-se o problema de profissionais incompetentes.<\/p>\n<p>Durante todo seu governo contou Hermes da Fonseca com o apoio de Pinheiro Machado. Em troca, dera-lhe tal prest\u00edgio, que o velho pol\u00edtico ga\u00facho, l\u00edder no Senado, transformara-se, apesar da rebeldia de algumas salva\u00e7\u00f5es, no &#8220;supremo coronel&#8221; de todo todos os coron\u00e9is pol\u00edticos do pa\u00eds.<\/p>\n<h4>Pacto de Ouro Fino<\/h4>\n<p>Os paulistas e os mineiros, que se haviam confrontado na elei\u00e7\u00e3o presidencial anterior, pactuam um novo acordo, superando a primeira crise da pol\u00edtica do Caf\u00e9-com-Leite.<\/p>\n<p>Ao terminar o quadri\u00eanio presidencial de Hermes da Fonseca rebentara a 1a Guerra Mundial (1914-1918). O mundo iria atravessar dias dif\u00edceis. O Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>elogica.br.inter.net<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<h4>1910 &#8211; 1914<\/h4>\n<p>Nascido em S\u00e3o Gabriel, Rio Grande do Sul, no dia 12 de maio de 1855, Hermes Rodrigues da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca, ingressou na Escola Militar aos 16 anos. Quando se formou, passou a servir o Imp\u00e9rio como ajudante de ordens de Conde D&#8217;Eu. Com a rep\u00fablica foi convidado pelo tio para ajudante-de-campo e secret\u00e1rio militar. Passou a acumular cargos administrativos at\u00e9 alcan\u00e7ar o Minist\u00e9rio do Ex\u00e9rcito e o Supremo Tribunal Federal no governo de Campos Salles.<\/p>\n<p>Com Afonso Pena no poder, Hermes da Fonseca manteve seu cargo no minist\u00e9rio at\u00e9 pedir demiss\u00e3o devido \u00e0 discuss\u00e3o na C\u00e2mara sobre a participi\u00e7\u00e3o dos militares na vida pol\u00edtica do pa\u00eds. Lan\u00e7ou sua candidatura em oposi\u00e7\u00e3o a Rui Barbosa e pela primeira vez no regime republicano se instalou um clima de campanha eleiotoral com a disputa entre civilistas e hermistas. Com o convite de Nilo Pe\u00e7anha para que retornasse ao cargo no minist\u00e9rio, Hermes da Fonseca se fortaleceu e venceu as elei\u00e7\u00f5es de 1910.<\/p>\n<p>Chegou ao poder com grande popularidade, mas o primeiro grave problema de sua gest\u00e3o, a Revolta da Chibata, veio fragilizar a sua imagem. Para conter o movimento ordenou o bombardeio aos portos. Logo outra revolta veio conturbar o seu governo, a Revolta do Contestado, que n\u00e3o chegou a ser debelada at\u00e9 o final de seu governo. O mandato de Hermes da Fonseca, que terminou em 1914, caracterizou-se no quadro pol\u00edtico principalmente pela pol\u00edtica das salva\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Elegeu-se senador pelo Rio Grande do Sul, mas renunciou antes de iniciar o mandato, partindo para a Europa de onde retornaria em 1920.<\/p>\n<p>Durante o governo de Epit\u00e1cio Pessoa, foi preso como presidente do Clube Militar devido a uma conspira\u00e7\u00e3o militar feita contra o governo, sendo solto seis meses depois.<\/p>\n<p>O marechal Hermes da Fonseca morreu em 9 de setembro de 1923, em Petr\u00f3polis, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.agbcuritiba.hpg.ig.com.br<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-96625 size-full\" title=\"Governo Hermes da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/ggovern3.jpg\" alt=\"Governo Hermes da Fonseca\" width=\"186\" height=\"276\" \/><strong><br \/>\nHermes da Fonseca<\/strong><\/p>\n<h4>Hermes Rodrigues da Fonseca (1855 &#8211; 1923)<\/h4>\n<p>Presidente da rep\u00fablica brasileira (1910-1914) nascido em S\u00e3o Gabriel RS, que como ministro da Guerra no governo <b>Afonso Pena<\/b>instituiu o <i>servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio<\/i> no Brasil.<\/p>\n<p>Sobrinho do <i>marechal <\/i><b>Deodoro da Fonseca<\/b>, ingressou na Escola Militar (1871), onde foi aluno de <b>Benjamin Constant<\/b>, de quem herdaria seu pensamento positivista.<\/p>\n<p>Como capit\u00e3o participou do movimento de 15 de novembro pela proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica ao lado do tio (1889) e por ocasi\u00e3o da<i>revolta da esquadra<\/i> (1893), destacou-se na defesa do governo de <b>Floriano Peixoto<\/b>.<\/p>\n<p>Comandou a Brigada Policial do Rio de Janeiro (1899-1904), quando assumiu o comando da Escola Militar do Realengo.<\/p>\n<p>Promovido a marechal pelo presidente<b> Rodrigues Alves<\/b>, foi ministro da Guerra no governo seguinte, de <b>Afonso Pena<\/b>.<\/p>\n<p>Nesse minist\u00e9rio reformou os servi\u00e7os t\u00e9cnicos e administrativos e instituiu o <i>servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio<\/i>.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s regressar de uma viagem \u00e0 Alemanha (1908), e numa disputa contra Rui Barbosa, foi eleito e empossado como o sexto presidente da rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Logo no in\u00edcio do governo enfrentou\u00a0 a revolta dos marinheiros (1910), seguida de um levante no batalh\u00e3o de fuzileiros navais.<\/p>\n<p>Restabelecida a ordem p\u00fablica e apoiado pelo<i> Partido Republicano Conservador<\/i>, liderado por <b>Pinheiro Machado<\/b>, retomou o esquema das administra\u00e7\u00f5es anteriores, por\u00e9m teve que &#8220;administrar&#8221; o surto militarista que visava a derrubada das oligarquias que dominavam as regi\u00f5es Norte e Nordeste e colocar militares na chefia dos estados, em substitui\u00e7\u00e3o aos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Em pol\u00edtica externa promoveu uma aproxima\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos e no plano interno prosseguiu o programa de constru\u00e7\u00e3o de ferrovias e de escolas t\u00e9cnico-profissionais, delineado no governo Afonso Pena.<\/p>\n<p>Concluiu as reformas e obras da Vila Militar de Deodoro e do Hospital Central do Ex\u00e9rcito, entre outras, al\u00e9m das vilas oper\u00e1rias, no Rio de Janeiro, no sub\u00farbio de Marechal Hermes e no bairro da G\u00e1vea.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s deixar a presid\u00eancia, em novembro, foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul (1915), mas n\u00e3o assumiu a cadeira, em virtude do assassinato de <b>Pinheiro Machado<\/b>, no dia em que deveria ser diplomado, em setembro daquele ano.<\/p>\n<p>Viajou para a Europa e s\u00f3 retornou ao Brasil seis anos depois, quando iniciava-se uma nova campanha presidencial.<\/p>\n<p>Na presid\u00eancia do Clube Militar, apoiou a candidatura de <b>Nilo Pe\u00e7anha<\/b>, no movimento <i>rea\u00e7\u00e3o republicana<\/i>.<\/p>\n<p>Sua pris\u00e3o foi ent\u00e3o decretada pelo presidente <b>Epit\u00e1cio Pessoa<\/b> e, seis meses depois, foi libertado gra\u00e7as a um <i>habeas corpus<\/i>.<\/p>\n<p>Doente, retirou-se para Petr\u00f3polis, RJ, onde morreu.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.dec.ufcg.edu.br<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<h4>1910 &#8211; 1914<\/h4>\n<p><strong>Hermes Rodrigues da Fonseca<\/strong> nasceu na Vila de S\u00e3o Gabriel, na Prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro do Rio Grande do Sul, a 12 de maio de 1855, sendo seus pais o Capit\u00e3o Hermes Ernesto da Fonseca e D. Rita Rodrigues Barbosa da Fonseca.<\/p>\n<p>Em maio de 1866, com onze anos de idade, veio para o Rio de Janeiro em companhia da m\u00e3e e dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Na capital do Imp\u00e9rio foi matriculado, em 1867, no Col\u00e9gio Saint-Louis do padre Jules Janrard, permanecendo apenas um ano neste educand\u00e1rio, j\u00e1 que, no ano seguinte, ingressava no Imperial Col\u00e9gio Pedro II.<\/p>\n<p>Com o consentimento do pai, sentou pra\u00e7a no 1 \u00ba Batalh\u00e3o de Artilharia a P\u00e9, para, em 1872, ingressar na Escola Militar da Praia Vermelha, cujo curso completou, \u201c com serena regularidade e nos padr\u00f5es comuns\u201d. FAGUNDES, Umberto Peregrino Seabra. Justi\u00e7a Hist\u00f3rica ao Marechal Hermes da Fonseca. In: Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro, Rio de Janeiro, julho\/setembro de 1984, p.69.<\/p>\n<p>A 17 de dezembro de 1877, casou-se com sua prima, D. Orsina Francione da Fonseca, filha de seu tio o Cel. Pedro Paulino da Fonseca, uni\u00e3o que perdurou at\u00e9 30 de novembro de 1912, quando a mulher faleceu.<\/p>\n<p>Sua carreira militar foi r\u00e1pida e brilhante.<\/p>\n<p>Em 1876, recebeu as ins\u00edgnias de 2 \u00ba Tenente, posto em que permaneceu at\u00e9 1879, quando foi promovido a 1 \u00ba Tenente, contando antig\u00fcidade para ser elevado a Capit\u00e3o, em 1881. Nove anos mais tarde, ou seja, em 1890, foi promovido a Major por servi\u00e7os relevantes e, em outubro do mesmo ano, a Tenente Coronel por merecimento, ascendendo ao posto de Coronel quatro anos mais tarde, a General de Divis\u00e3o, em 1905 e a Marechal em 6 de novembro de 1906, por ato do Presidente Rodrigues Alves.<\/p>\n<p>Hermes da Fonseca ocupou muitos cargos de grande responsabilidade durante sua carreira militar.<\/p>\n<p>Assim, foi Ajudante de Ordens de Sua Alteza o Conde D\u2019Eu, durante a Comiss\u00e3o de que este foi incumbido pelo governo Imperial, nas Prov\u00edncias do Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. <strong>Comentando sua nomea\u00e7\u00e3o para t\u00e3o alto cargo, assim se pronunciou Seabra: <\/strong>\u201cN\u00e3o a faria o Conde D\u2019Eu sem ter para isso motivos especiais, ligados \u00e0 personalidade do oficial sobre o qual incidia\u201d . FAGUNDES, Umberto Peregrino Seabra. Op. Cit., p.69.<\/p>\n<p>Durante a prepara\u00e7\u00e3o do movimento de 15 de novembro de 1889 e ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, foi Ajudante de Campo e Secret\u00e1rio Militar de seu tio, o Marechal Deodoro da Fonseca, figurando entre seus colaboradores mais ativos, sensatos e leais.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da Revolta da Armada (1893), participou dos combates, como comandante da artilharia na Ponta da Arma\u00e7\u00e3o, em Niter\u00f3i, contribuindo decisivamente para que ela n\u00e3o fosse conquistada pela esquadra rebelde.<\/p>\n<p>Em 1896, no governo de Prudente de Morais, foi convidado pelo Vice-Presidente Manuel Vitorino, ent\u00e3o no exerc\u00edcio da presid\u00eancia, para ocupar o cargo de Chefe da Casa Militar da Presid\u00eancia, em substitui\u00e7\u00e3o ao Cel. Lu\u00eds Mendes de Morais, permanecendo no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o, mesmo depois que Prudente de Morais reassumiu o governo.<\/p>\n<p>A 24 de dezembro de 1904, foi designado comandante do 4 \u00ba Distrito Militar, elaborando, na ocasi\u00e3o um vasto programa de remodela\u00e7\u00e3o e reorganiza\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, realizando, em meados de 1905, em Santa Cruz, as primeiras manobras do Ex\u00e9rcito, as quais despertaram grande entusiasmo nos meios civis e militares.<\/p>\n<p><strong>Referindo-se \u00e0s manobras e \u00e0s que se seguiram, informa Fonseca Filho: <\/strong>\u201cJamais em anos pr\u00f3ximo a 1904, houve movimento t\u00e3o vivificador do esp\u00edrito militar, de preparo de tropa t\u00e3o intenso\u201d. FONSECA FILHO, Hermes da. Marechal Hermes. Rio de Janeiro, I.B.G.E. \u2013 Servi\u00e7os Gr\u00e1ficos, 1961, p.59.<\/p>\n<p>Sua brilhante atua\u00e7\u00e3o no comando do 4 \u00ba Distrito Militar, levou o Presidente Afonso Pena, cujo governo iniciou-se em 15 de novembro de 1906, a convid\u00e1-lo para a Pasta da Guerra.<\/p>\n<p>Como Ministro da Guerra, teve o Marechal Hermes iniciativa pioneiras, como a introdu\u00e7\u00e3o da Aeron\u00e1utica na organiza\u00e7\u00e3o militar brasileira e o envio da chamada \u201cMiss\u00e3o Ind\u00edgena\u201d, constitu\u00edda de 20 oficiais que foram mandados estagiar no Ex\u00e9rcito alem\u00e3o. Al\u00e9m disso, criou, em car\u00e1ter permanente, as Grandes Unidades, ent\u00e3o representadas pelas chamadas Brigadas Estrat\u00e9gicas, tipo de organiza\u00e7\u00e3o adequada \u00e0 realidade brasileira; instituiu o Servi\u00e7o Militar Obrigat\u00f3rio; criou os Tiros de Guerra; modernizou o ensino militar; dotou o Ex\u00e9rcito de um armamento mais adequado, como o fuzil Mauser, modelo 1908, para a Infantaria, e com o material Krupp, de tiro r\u00e1pido, para a Artilharia. Todos estes servi\u00e7os redundaram em benef\u00edcio de sua classe, da qual sempre foi um dedicado defensor.<\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da sucess\u00e3o do presidente Afonso Pena, este desejava que fosse indicado \u00e0 sua sucess\u00e3o seu ministro Davi Campista. Contra esta candidatura se levantou Pinheiro Machado, chefe do Partido Republicano Conservador, que juntamente com outros homens p\u00fablicos, como Lauro M\u00fcller, Jos\u00e9 Mariano, Francisco Sales, Francisco Glic\u00e9rio, defendiam a candidatura do Marechal Hermes da Fonseca, numa tentativa de \u201cestabelecer um equil\u00edbrio pacificador entre os grupos mais fortes do pa\u00eds \u2013 S\u00e3o Paulo e Minas&#8230;\u201d BASBAUM, Le\u00f4ncio. Hist\u00f3ria Sincera da Rep\u00fablica. S\u00e3o Paulo, Edi\u00e7\u00f5es LB, 1962, vol. 2, p.275.<\/p>\n<p>A bem da verdade, o Marechal Hermes n\u00e3o ambicionava nenhuma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Na pasta da Guerra da presid\u00eancia de Afonso Pena, \u201cmostrava-se completamente alheio a qualquer ambi\u00e7\u00e3o ou a qualquer outra forma de paix\u00e3o pol\u00edtica\u201d. BELLO, Jos\u00e9 Maria. Hist\u00f3ria da Rep\u00fablica. S\u00e3o Paulo. Companhia Editora Nacional, 1959, p.237.<\/p>\n<p>Assim, relutando muito em aceitar sua candidatura \u00e0 Presid\u00eancia, acabou cedendo \u00e0s press\u00f5es dos grupos pol\u00edticos que o apoiavam.<\/p>\n<p>Contra sua candidatura, com o apoio dos Estados de S\u00e3o Paulo e Bahia, ergueu-se a de Rui Barbosa, que acabara de chegar de Haia, onde, por sua brilhante atua\u00e7\u00e3o, conquistara enorme popularidade.<\/p>\n<p>Apesar de desenvolver uma campanha eleitoral como jamais se vira no Brasil, os \u201ccivilistas\u201d, partid\u00e1rios do grande jurista, foram vencidos pelos \u201chermistas\u201d, partid\u00e1rios de Hermes da Fonseca que obteve 403.000 votos contra 222.000 concedidos a Rui Barbosa.<\/p>\n<p>Apesar de sua pol\u00edtica conciliat\u00f3ria, o novo presidente teve que enfrentar, logo no in\u00edcio de seu mandato, a Revolta da Chibata, quando alguns navios da Esquadra, entre os quais os encoura\u00e7ados S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, revoltaram-se sob a lideran\u00e7a do marinheiro Jo\u00e3o C\u00e2ndido, que chegou a amea\u00e7ar bombardear a cidade do Rio de Janeiro. Pouco depois sublevava-se o Batalh\u00e3o Naval, assenhoreando-se de toda a Ilha das Cobras.<\/p>\n<p>No campo econ\u00f4mico, n\u00e3o eram menores as dificuldades com a desvaloriza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea dos produtos b\u00e1sicos de nossa exporta\u00e7\u00e3o \u2013 o caf\u00e9, a borracha e o a\u00e7\u00facar, sendo necess\u00e1rio um novo acordo, um novo \u201cfunding-loan\u201d com os credores estrangeiros.<\/p>\n<p>No campo pol\u00edtico, a chamada \u201cPol\u00edtica das Salva\u00e7\u00f5es\u201d propiciou interven\u00e7\u00f5es armadas nos Estados que, embora permitidas pelo artigo 6 \u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o, provocaram grande mal-estar e tiveram como resultado a derrubada de algumas oligarquias locais, permitindo a ascens\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es ao poder.<\/p>\n<p>Apesar de todas estas dificuldades, o governo do Marechal Hermes n\u00e3o deixou de ser rico em realiza\u00e7\u00f5es administrativas e iniciativas pioneiras.<\/p>\n<p>Em seu governo, a rede ferrovi\u00e1ria nacional ganhou cerca de 4.500 quil\u00f4metros de trilhos; a cultura do trigo, praticamente abandonada, ganhou novo alento com a cria\u00e7\u00e3o de uma Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Trigo, em Bag\u00e9 e com as variedades Rio Negro e Frontana, conseguidas pelo geneticista sueco Ivar Beckman; foi criada, em 1913, a Escola Brasileira de Avia\u00e7\u00e3o, uma iniciativa pioneira que permitiu ministrar instru\u00e7\u00e3o de pilotagem a oficiais do Ex\u00e9rcito, da Marinha, e a civis; foram constru\u00eddas as Vilas Oper\u00e1rias, com a entrega de casas populares, elevando o n\u00edvel social e o padr\u00e3o de vida das classes trabalhadoras.<\/p>\n<p>O Marechal Hermes da Fonseca dando continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de veraneio dos Presidentes no Pal\u00e1cio Rio Negro, esteve em Petr\u00f3polis nos ver\u00f5es de 1913 e 1914, dando seq\u00fc\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica dos despachos no referido Pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>Muito preocupado com os conflitos no Cear\u00e1, onde as disputas coronel\u00edsticas se agravaram, quando o Padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista, forte aliado do coronel Floro Bartolomeu, resolveu participar dos mesmos, realizou no Rio Negro importantes reuni\u00f5es para tratar do assunto, com o Senador Pinheiro Machado e o Deputado Fonseca Hermes.<\/p>\n<p>Numa delas, preocupado com a evolu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos naquele Estado, enviou um telegrama ao General Torres Homem, Inspetor da 4 \u00aa regi\u00e3o militar, \u201cconcitando-o a envidar esfor\u00e7os no sentido conciliat\u00f3rio e pacificador, para impedir que se generalizasse a conflagra\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente naquele Estado\u201d. Tribuna de Petr\u00f3polis, 21 de dezembro de 1913.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 1913, num de seus passeios a cavalo, pelas estradas de nossa cidade, conheceu D. Nair de Teff\u00e9 , filha do Bar\u00e3o de Teff\u00e9, com a qual se casou a 8 de dezembro do mesmo ano, em cerim\u00f4nia realizada no Pal\u00e1cio Rio Negro.<\/p>\n<p><strong>A respeito do importante acontecimento, a Tribuna de Petr\u00f3polis teceu os seguintes coment\u00e1rios<\/strong>: \u201cA cerim\u00f4nia civil do casamento foi presidida pelo Sr. Ticiano Teixeira Tocantins, 1 \u00ba juiz de paz, tendo como escriv\u00e3o o Sr. Ten. Cel. Jos\u00e9 Caetano dos Santos, oficial do registro civil e realizou-se no sal\u00e3o de recep\u00e7\u00f5es do Pal\u00e1cio.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia religiosa foi celebrada pelo Sr. Cardeal Dom Joaquim Arcoverde, Arcebispo do Rio de Janeiro, coadjuvado pelos Monsenhores Theodoro Rocha e Macedo da Costa e realizou-se no sal\u00e3o de despachos do Pal\u00e1cio, onde fora armada uma capela, ricamente ornamentada&#8230;<\/p>\n<p>Foram padrinhos, no civil e religioso a Sra. \u00c1lvaro de Teff\u00e9, o senador Pinheiro Machado, o deputado Fonseca Hermes, por parte do noivo e a Sra. Pinheiro Machado e os Senhores \u00c1lvaro e Oscar Teff\u00e9, por parte da noiva.<\/p>\n<p>Os noivos recepcionaram os convidados com servi\u00e7os de Buffet e Buffette, fornecidos pela Confeitaria Paschoal, enquanto nos jardins do Pal\u00e1cio faziam-se ouvir as bandas do 55\u00ba Batalh\u00e3o de Ca\u00e7adores e do Corpo de Marinheiros Nacionais&#8230;\u201d. Tribuna de Petr\u00f3polis, 26 de agosto de 1954.<\/p>\n<p>Este foi na realidade o maior acontecimento social ocorrido no Pal\u00e1cio Rio Negro, com extraordin\u00e1ria repercuss\u00e3o a n\u00edvel nacional e internacional.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s deixar a Presid\u00eancia, fixou resid\u00eancia em Petr\u00f3polis, instalando em sua casa uma oficina de artesanato, onde, ap\u00f3s seus passeios matinais, se distraia, trabalhando em madeira e em couro, pequenos objetos para adorno.<\/p>\n<p>A 9 de setembro de 1923, v\u00edtima de uma s\u00edncope card\u00edaca, falecia o Marechal Hermes da Fonseca, na resid\u00eancia de seus sogros, \u00e0 rua Silva Jardim, em Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p><strong>Noticiando o infausto acontecimento, a Tribuna de Petr\u00f3polis assim se pronunciou<\/strong>: \u201cCom o seu desaparecimento perdeu o Ex\u00e9rcito Nacional a sua figura mais representativa dos \u00faltimos vinte anos e o Brasil um filho que sempre soube honrar o seu pa\u00eds&#8230; Como chefe da Na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o levou para o poder nenhum ressentimento. O seu governo respeitou os direitos dos advers\u00e1rios da v\u00e9spera e preocupou-se em atender \u00e0s necessidades do pa\u00eds. Houve erros, mas estes foram resgatados pelos benef\u00edcios praticados&#8230; N\u00e3o fez testamento porque nada tinha para deixar. Sua vi\u00fava ficou apenas com a pens\u00e3o do seu soldo\u201d. Tribuna de Petr\u00f3polis, 11 de setembro de 1923.<\/p>\n<p>Antes de falecer, dispensou todas as honras militares a que tinha direito. Segundo seu desejo, foi sepultado \u00e0 paisana, tendo o corpo coberto com a bandeira do Brasil, de seda bordada a ouro, que as senhoras do Estado do Amazonas lhe haviam ofertado, quando, na qualidade de Ministro da Guerra, inaugurou a Linha de Tiro de Manaus, em 1908.<\/p>\n<p><strong>Jeronymo Ferreira Alves Netto<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.ihp.org.br<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<h4>1910 &#8211; 1914<\/h4>\n<p>Os acontecimentos que levaram \u00e0 candidatura de Hermes da Fonseca, foram antes o resultado de um &#8220;trapalhada&#8221; aprontado pelo pr\u00f3prio presidente Afonso Pena, ao apresentar o nome de seu jovem ministro, Davi Moretzson Campista como candidato oficial do governo, sem fazer antes qualquer sondagem \u00e0s for\u00e7as que lhe davam sustenta\u00e7\u00e3o. Maior prud\u00eancia seria necess\u00e1ria, n\u00e3o apenas em aten\u00e7\u00e3o aos seus aliados, mas porque Campista era egresso do Jardim de Inf\u00e2ncia e tal indica\u00e7\u00e3o ia bater de frente contra a bancada controlada pelo seu opositor, Pinheiro Machado, provocando um terremoto no Congresso.<\/p>\n<p>Ainda em tempo de recuar, Afonso Pena insistiu em manter essa indica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o foi por falta de aviso. Consultado, Rui Barbosa exp\u00f4s sua opini\u00e3o com franqueza e clareza, alertando o Presidente sobre a imaturidade do candidato, al\u00e9m do que este n\u00e3o tinha tradi\u00e7\u00e3o para conseguir se impor \u00e0s correntes pol\u00edticas nos v\u00e1rios Estados. Tentou o chefe do governo obter apoio de S\u00e3o Paulo e Minas mas s\u00f3 recebeu evasivas. Consultando Rio Branco, este escusou-se diplomaticamente a se envolver no assunto. Que mais faltava, a guisa de sinaliza\u00e7\u00e3o, para indicar ao Presidente que o caminho escolhido era incerto e perigoso, e deveria ser abandonado? Pois o recuo, lamentavelmente, n\u00e3o estava em seus planos, e aconteceu o previs\u00edvel.<\/p>\n<p>No Congresso, Pinheiro Machado, que era militar, come\u00e7ou, ent\u00e3o, a articular a candidatura do Ministro da Guerra, marechal Hermes da Fonseca, o que levou Carlos Peixoto Filho a renunciar \u00e0 presid\u00eancia da C\u00e2mara, perdendo o Presidente a sua j\u00e1 prec\u00e1ria base parlamentar. No Ex\u00e9rcito, militares saudosos do florianismo, lan\u00e7aram a candidatura do marechal como representativa das For\u00e7as Armadas, dando-lhe, pois, um car\u00e1ter militarista, mal disfar\u00e7ado com o nome do civil Venceslau Br\u00e1s, apontado para vice.<\/p>\n<h4>Civilismo versus militarismo<\/h4>\n<p>Forma-se, ent\u00e3o, um movimento oposicionista, com a candidatura civil de Rui Barbosa, tendo como vice o ex-governador de S\u00e3o Paulo, Albuquerque Lins, ambos sustentados, em sua campanha, com o dinheiro dos cafeicultores paulistas e, portanto, sujeitos a um esquema pol\u00edtico pr\u00e9 definido. Viajando pelo Brasil, Rui Barbosa se atirou \u00e0 sua prega\u00e7\u00e3o com um fervor mission\u00e1rio, levantando multid\u00f5es, ao denunciar a m\u00e1quina pol\u00edtica montada desde os prim\u00f3rdios da Rep\u00fablica, que impunha nomes, controlava a vota\u00e7\u00e3o e, como se n\u00e3o bastasse, fraudava as atas, para garantir a elei\u00e7\u00e3o de seu escolhido.<\/p>\n<p>Procurando isentar-se de qualquer preconceito contra o Ex\u00e9rcito, Rui Barbosa, em carta a Hermes da Fonseca, deixa claro que &#8220;&#8230;a farda de que veste [o marechal] n\u00e3o constitui obje\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio dessa magistratura suprema. Nada exclui, entre n\u00f3s, o militar, de servir ao pa\u00eds nesse posto, uma vez que ele se n\u00e3o confira ao militar, mas ao cidad\u00e3o. (&#8230;) Assim, se o honrado marechal sa\u00edsse do Congresso, do seio de um partido, ou de um passado pol\u00edtico para a situa\u00e7\u00e3o de chefe do Poder Executivo, o fato seria natural e a sua candidatura teria sido acolhida com o meu imediato assentimento&#8221;.<\/p>\n<p>Posta nestes termos, a campanha deixava de ser um embate entre dois candidatos \u00e0 presid\u00eancia, transformando-se claramente em confronto entre o civilismo, representado por Rui Barbosa, e o militarismo, na pessoa do marechal Hermes da Fonseca. Assim se desenvolveu a propaganda, e a prega\u00e7\u00e3o de Rui deu origem ao chamado Movimento Civilista, que levantou o pa\u00eds durante todo o ano de 1909, at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de 1910.<\/p>\n<h4>O Movimento Civilista<\/h4>\n<p>Um dos pontos positivos da candidatura Hermes foi a rea\u00e7\u00e3o do Movimento Civilista que, pela primeira vez, na Hist\u00f3ria da Rep\u00fablica, levou o povo \u00e0s ruas, pelo pa\u00eds afora, ouvindo e aplaudindo a orat\u00f3ria brilhante de Rui Barbosa e criando um divisor de \u00e1guas na pol\u00edtica nacional. Como o voto era facultativo e sabidamente fraudado, o alistamento da classe m\u00e9dia era insignificante, j\u00e1 que ningu\u00e9m se propunha a entrar num jogo de cartas marcadas, referendando um processo inv\u00e1lido.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudou e o pr\u00f3prio Rui antecipava isso nas campanhas, deixando claro que a possibilidade de ganhar nas urnas e ser validado pelo pela Comiss\u00e3o Verificadora era praticamente nula, mas, a voz que n\u00e3o se conseguia ouvir nas urnas, tinha agora a possibilidade de se fazer ouvir nas ruas. Os eternos ausentes, desta vez, se alistaram e incentivaram outros a faz\u00ea-lo. A classe m\u00e9dia come\u00e7ou a exercer sua fun\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica nacional, como formadora de opini\u00f5es e multiplicadora de id\u00e9ias.<\/p>\n<p><strong>E Rui Barbosa lan\u00e7ou o seu Credo Pol\u00edtico, como base de sustenta\u00e7\u00e3o ao governo, que vale \u00e0 pena ler:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Creio na Liberdade onipotente, criadora das na\u00e7\u00f5es robustas; creio na Lei, a primeira das suas necessidades; creio que, neste regime, soberano \u00e9 s\u00f3 o Direito, interpretado pelos tribunais; creio que a Rep\u00fablica decai porque se deixou estragar, confiando-se \u00e0s usurpa\u00e7\u00f5es das for\u00e7as; creio que a Federa\u00e7\u00e3o perecer\u00e1 se continuar a n\u00e3o acatar a justi\u00e7a; creio no Governo do povo pelo povo; creio, por\u00e9m, que o Governo Popular tem a base da sua legitimidade na cultura da intelig\u00eancia nacional, pelo desenvolvimento nacional do ensino, para a qual as maiores liberdades do er\u00e1rio constituir\u00e3o sempre o mais reprodutivo emprego da riqueza comum; creio na Tribuna sem f\u00farias, e na Imprensa sem restri\u00e7\u00f5es; porque acredito no poder da raz\u00e3o e da verdade; Creio na modera\u00e7\u00e3o e na toler\u00e2ncia, no progresso e na tradi\u00e7\u00e3o; no respeito e na disciplina, na impot\u00eancia fatal dos incompetentes e no valor insupr\u00edvel das capacidades.&#8221; [as letras capitais e os grifos foram acrescentados.]<\/p><\/blockquote>\n<h4>E Hermes ganhou a elei\u00e7\u00e3o&#8230;<\/h4>\n<p>Tudo aconteceu direitinho como Rui antecipara em sua campanha. Em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1910 um novo eleitorado foi \u00e0s urnas para registrar a sua vontade e, mais uma vez, a escolha popular foi fraudada, deste o sufr\u00e1gio at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o pela Comiss\u00e3o Verificadora.<\/p>\n<p>A principal concentra\u00e7\u00e3o eleitoral do pa\u00eds estava nas capitais e foi nelas que Rui conseguiu arregimentar a maior quantidade de novos eleitores. No interior, o voto de cabresto e o poder sem fim dos coron\u00e9is impediam maior avan\u00e7o da oposi\u00e7\u00e3o. Pois foi nas capitais que as sess\u00f5es eleitorais, na sua maioria, n\u00e3o se abriram, seja pela falta de mes\u00e1rios, ou por conflitos que impediram seu funcionamento. O pr\u00f3prio Rui Barbosa e seus assessores passaram o dia procurando por uma sess\u00e3o que estivesse aberta e na qual pudessem votar.<\/p>\n<p>Durante a apura\u00e7\u00e3o, as fraudes ocorreram de um lado e do outro. Partid\u00e1rios da oposi\u00e7\u00e3o, tal qual seus advers\u00e1rios, souberam bem manipular as atas, falseando-as em proveito pr\u00f3prio. O jornal O Pa\u00eds fez vazar uma circular endere\u00e7ada aos chefes civilistas, na qual se recomendava que, ao preencher as atas nas sess\u00f5es eleitorais sob seu controle, fizessem diminuir 20 por cento no total de votos de Hermes, acrescentando-os ao total de votos de Rui.<\/p>\n<p>Rui Barbosa ganhou, com pequena vantagem, no Distrito Federal, em sua terra natal, a Bahia, e nos Estados sob o controle da oligarquia que o apoiou, como em S\u00e3o Paulo e Minas Gerais. No restante do pa\u00eds, o resultado a favor de Hermes da Fonseca foi acachapante. Por exemplo, no bloco de Estados formado por Amazonas, Par\u00e1, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Rio Grande do Norte, 95 por cento dos votos v\u00e1lidos foram para Hermes da Fonseca.<\/p>\n<p>A luta de Rui Barbosa prosseguiu no Congresso Nacional, junto \u00e0 Comiss\u00e3o Verificadora e, mais tarde, na Justi\u00e7a, procurando provar a inelegibilidade do vencedor, j\u00e1 que ele era um candidato sem t\u00edtulo de eleitor, n\u00e3o estando, pois, no gozo de seus plenos direitos pol\u00edticos, conforme determinava a lei. O marechal era alist\u00e1vel (tinha direitos) mas n\u00e3o se alistou (perdeu esse direitos).<\/p>\n<p>Toda ret\u00f3rica foi nula. O nome de Hermes foi homologado e, em 15 de novembro de 1910, era o marechal empossado na presid\u00eancia da Republica, em substitui\u00e7\u00e3o a Nilo Pe\u00e7anha.<\/p>\n<h4>Quem era Hermes da Fonseca<\/h4>\n<p><strong>Hermes Rodrigues da Fonseca<\/strong> nasceu em 1855 na cidade de S\u00e3o Gabriel, Rio Grande do Sul, 300 quil\u00f4metros a sudoeste de Porto Alegre. Era sobrinho do marechal Deodoro e, bem cedo, abra\u00e7ou a carreira militar. Mantendo-se afastado da pol\u00edtica, seu nome n\u00e3o alcan\u00e7ou, durante o Imp\u00e9rio e no in\u00edcio da Rep\u00fablica, a notoriedade do tio. Em 1906, foi ministro da Guerra do governo Afonso Pena e s\u00f3 ent\u00e3o, obteve o posto de marechal do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Foi eleito Presidente em mar\u00e7o de 1910, e como ainda faltavam mais de oito meses para a posse, aproveitou esse lapso para fazer uma tumultuada viagem \u00e0 Europa. Nessa ocasi\u00e3o, foi convidado pelo Kaiser Guilherme 2\u00ba para visitar a Alemanha e teve oportunidade de assistir a manobras militares. Esse ato provocou protestos de seus advers\u00e1rios, e uma rea\u00e7\u00e3o negativa por parte da Fran\u00e7a, pois o treinamento de nosso pessoal de Ex\u00e9rcito e Marinha era feito pela miss\u00e3o militar francesa, surgindo, ent\u00e3o, a desconfian\u00e7a de que o interesse de Hermes era romper o contrato vigente e assinar um acordo com a Alemanha para prosseguir na tarefa. J\u00e1 em Portugal, sua visita trouxe uma infeliz coincid\u00eancia, pois, quando era recepcionado pelo rei, chega a not\u00edcia de que se iniciara a revolu\u00e7\u00e3o republicana que p\u00f4s fim ao Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Durante seu governo, falece-lhe a esposa, e Hermes vem a contrair n\u00fapcias com a jornalista e caricaturista Nair de Teff\u00e9, que n\u00e3o perdoava, na ironia de seus tra\u00e7os, as figuras mais representativas da pol\u00edtica (diz uma piada que Hermes se casou com ela s\u00f3 para se livrar dela&#8230;) Foi uma das mais avan\u00e7adas figuras femininas da primeira Rep\u00fablica. Introduziu nos sal\u00f5es a m\u00fasica popular brasileira, numa \u00e9poca em que nossas modinhas eram consideradas m\u00fasica de taverna. E n\u00e3o teve d\u00favidas em apoiar a vilipendiada compositora Chiquinha Gonzaga, levando-a para tocar e cantar no pal\u00e1cio. Pelos anos sessenta, j\u00e1 vi\u00fava, e com a parca aposentadoria que recebia dos cofres p\u00fablicos, dedicou-se a criar algumas crian\u00e7as que adotara. E, presente a um programa de TV, n\u00e3o hesitou em fazer uma caricatura do ent\u00e3o presidente Costa e Silva.<\/p>\n<p><strong>O novo minist\u00e9rio ficou assim constitu\u00eddo:<\/strong> Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos, Bar\u00e3o do Rio Branco; Justi\u00e7a, Interior e Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Rivad\u00e1via da Cunha Corr\u00eaa; Fazenda, Francisco Ant\u00f4nio de Sales; Via\u00e7\u00e3o e Obras P\u00fablicas, J.J.Seabra; Agricultura, Pedro de Toledo; Guerra, general Emilio Dantas Barreto; Marinha, Almirante Joaquim Marques Batista de Le\u00e3o.<\/p>\n<h4>Durante a festa, um canhona\u00e7o<\/h4>\n<p>No dia 22 de novembro de 1910, sete dias ap\u00f3s a posse, quando se verificava uma recep\u00e7\u00e3o a bordo do navio portugu\u00eas Adamastor, com a presen\u00e7a do novo Presidente e de todo o minist\u00e9rio, ouve-se um sonoro troar de canh\u00e3o, vindo de uma das pe\u00e7as da esquadra brasileira, causando preocupa\u00e7\u00e3o e alarme entre os presentes.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de governo n\u00e3o se fazia em clima de absoluta tranq\u00fcilidade. O Presidente , se contava com ampla cobertura das For\u00e7as Armadas, n\u00e3o era unanimidade entre os militares e, como j\u00e1 se viu, tinha uma oposi\u00e7\u00e3o consistente, vinda de interesses contrariados e momentaneamente fora do poder. Al\u00e9m do mais, na forma\u00e7\u00e3o de seu Minist\u00e9rio, foi afastado o nome do anterior ministro da Marinha, almirante Alexandrino de Alencar, despertando animosidade nos meios castristas.<\/p>\n<p>Tudo isso passava instantaneamente pela cabe\u00e7a daqueles que participavam da festividade, menos a verdadeira raz\u00e3o daquele tiro inusitado, que nada tinha de sauda\u00e7\u00e3o ao novo governo. N\u00e3o era a Marinha, como arma, que se revoltava, mas sim os marinheiros da esquadra, sob a chefia de Jo\u00e3o C\u00e2ndido, marinheiro de primeira classe. A sedi\u00e7\u00e3o envolvia os navios Minas Gerais (sede da revolta), S\u00e3o Paulo, Deodoro e Bahia, amea\u00e7ando se alastrar pelos demais vasos de guerra.<\/p>\n<p><strong>Em radiograma ao presidente da Rep\u00fablica, transmitiram suas reivindica\u00e7\u00f5es:<\/strong> queriam a aboli\u00e7\u00e3o do castigo da chibata, humilhante, doloroso e mutilador.<\/p>\n<h4>A Revolta da Chibata<\/h4>\n<p>O castigo pela chibata (chicote com pregos) n\u00e3o era coisa nova e vinha, j\u00e1, desde os tempos do Imp\u00e9rio. Abolido pelo Governo Provis\u00f3rio, foi reintroduzido por um decreto, ainda no mesmo governo, dado que os oficiais da Marinha consideravam imposs\u00edvel manter a ordem dentro da corpora\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o tivessem um meio eficaz de coer\u00e7\u00e3o \u00e0 indisciplina dos marinheiros.<\/p>\n<p>E n\u00e3o era para menos. \u00c0 falta de volunt\u00e1rios, os marinheiros eram recrutados pelos processos mais variados e, muito \u00e0 revelia dos escolhidos, para um per\u00edodo de servi\u00e7o de quinze anos. Entre eles havia tanto gente da pior esp\u00e9cie, recolhida a bordo, como at\u00e9 meninos de doze ou treze anos, expulsos de casa pelos pais, e que iniciavam o aprendizado da profiss\u00e3o como grumetes. A disciplina se fazia r\u00edgida at\u00e9 para os padr\u00f5es militares, com trabalho pesado e prolongado, e com rar\u00edssimas folgas para pisar em terra firme. Era a escravid\u00e3o, abolida no fim do Imp\u00e9rio, mas que permanecia com todos os seus horrores a bordo dos navios, recebendo a chancela da lei.<\/p>\n<p>Qualquer marinheiro faltoso, dependendo da gravidade de sua falta, recebia desde uma pena leve, como pris\u00e3o numa solit\u00e1ria, por tr\u00eas dias, at\u00e9 a pena de 25 chibatadas, limite raramente respeitado, podendo a viol\u00eancia ser estendida at\u00e9 a inconsci\u00eancia e a morte do infeliz. A aplica\u00e7\u00e3o da chibata era t\u00e3o frequente que havia at\u00e9 mesmo carrascos designados dentro de cada navio, para a aplica\u00e7\u00e3o do castigo.<\/p>\n<p>Os protestos dos marinheiros j\u00e1 vinham sendo feitos veladamente, por bilhetes an\u00f4nimos, que, se descobriu, eram redigidos por um marinheiro intelectual, Francisco Dias Martins, conhecido como m\u00e3o negra. N\u00e3o sensibilizando os oficiais, agora, a revolta estoura com toda sua f\u00faria, ficando o m\u00e3o negra encarregado da comunica\u00e7\u00e3o escrita. O comando permaneceu nas m\u00e3os de Jo\u00e3o C\u00e2ndido, rude marinheiro, incapaz de medir as conseq\u00fc\u00eancias de cada ato e de deter as m\u00e3os assassinas que, com seus atos de barb\u00e1rie, iam criando uma situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel e tornando imposs\u00edvel a concilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4>A vit\u00f3ria aparente<\/h4>\n<p>Para se ter id\u00e9ia da viol\u00eancia, nenhum oficial a bordo, do mais graduado, ao mais simples, ficou vivo. Foram todos mortos e colocados em c\u00e2mara-ardente.<\/p>\n<p>Depois, os marinheiros, em radiogramas enviados \u00e0 terra exigiam al\u00e9m da elimina\u00e7\u00e3o da chibata, tamb\u00e9m a anistia geral pelos crimes cometidos. Exigiam mais &#8211; pasmem! &#8211; a presen\u00e7a, a bordo, do pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica, para completar as negocia\u00e7\u00f5es, amea\u00e7ando destruir a cidade, se n\u00e3o fossem atendidos em seus desejos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o era tensa. Com o poder de fogo que tinham, os rebelados podiam, de fato, destruir qualquer alvo \u00e0 sua volta, dentro da ba\u00eda da Guanabara. Uma rea\u00e7\u00e3o pelas for\u00e7as de terra n\u00e3o ajudaria muito, na medida em que muitas vidas seriam perdidas, al\u00e9m do que estar\u00edamos destruindo o melhor do nosso patrim\u00f4nio naval. O deputado Jos\u00e9 Carlos de Carvalho, oficial da Marinha, com autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso, vai a bordo e constata a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. De l\u00e1 traz para a terra o \u00faltimo marinheiro chicoteado, que foi estopim da revolta, deixando-o em estado grave num hospital. No depoimento do pr\u00f3prio deputado, &#8220;&#8230;as costas desse marinheiro assemelham-se a uma tainha lanhada para ser salgada&#8221;.<\/p>\n<p>Era o dia 25 de novembro de 1910. No pal\u00e1cio do Governo, re\u00fanem-se o Presidente, os ministros e gente experiente da pol\u00edtica, analisando a situa\u00e7\u00e3o. Foi o conselheiro Rodrigues Alves que, perguntado, deu a palavra final. Se n\u00e3o havia outro caminho, que ent\u00e3o se concedesse a anistia, n\u00e3o porque a merecessem, mas para n\u00e3o mergulhar o pa\u00eds em trag\u00e9dia ainda maior. O Congresso, a contragosto, e sob protestos de muitos, votou favoravelmente. Ao cair da tarde, o Presidente assinou a anistia, coadjuvado pelo ministro da Marinha, pelo chefe de Pol\u00edcia e pelo deputado Jos\u00e9 Carlos de Carvalho.<\/p>\n<p>Ainda nesse dia, a anistia foi aceita a bordo, contrariando a muitos, pois o objetivo central, que era a elimina\u00e7\u00e3o da chibata, n\u00e3o havia sido atingido.<\/p>\n<p><strong>Mesmo assim, uma mensagem enviada ao oficial da Marinha e deputado Jos\u00e9 Carlos de Carvalho, transmitia a concord\u00e2ncia, anunciava a entrega da esquadra e fazia uma amea\u00e7a<\/strong>: &#8220;Entraremos amanh\u00e3 ao meio-dia. Agradecemos os seus bons of\u00edcios em favor da nossa causa. Se houver qualquer falsidade, o senhor sofrer\u00e1 as conseq\u00fc\u00eancias. Estamos dispostos a vender caro as nossas vidas &#8211; Os revoltosos.&#8221;<\/p>\n<p>Passaram-se poucos dias e nova rebeli\u00e3o estoura, pela mesma raz\u00e3o, mas esta de menores propor\u00e7\u00f5es, envolvendo pessoal de base na ilha das Cobras e mais os marinheiros de um vaso de guerra. Calcularam mal, os marinheiros, os efeitos de seu movimento, pois desta vez, n\u00e3o envolvendo a popula\u00e7\u00e3o da cidade, o Governo sentiu-se seguro para ordenar o bombardeio contra a ilha, morrendo quase todos, dentre os seiscentos revoltosos.<\/p>\n<h4>A repress\u00e3o severa<\/h4>\n<p>Para o Governo, esta nova revolta resultou em lucro. Alarmado com a reincid\u00eancia e com o temor de que a situa\u00e7\u00e3o sa\u00edsse do controle, o Congresso n\u00e3o teve d\u00favidas em aprovar o Estado de S\u00edtio. A tr\u00e1gica ironia era que os mesmos que antes defendiam a anistia, incluindo Rui Barbosa, agora clamavam pela necessidade de medidas excepcionais para o controle absoluto da situa\u00e7\u00e3o. E, suprema das ironias, no bombardeio contra ilha das Cobras, foram utilizados os navios Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Deodoro, os mesmos que, dias antes, haviam bombardeado a cidade do Rio, pondo em xeque as institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Amparadas pela suspens\u00e3o de parte das garantias constitucionais, as for\u00e7as policiais foram \u00e0s ruas fazendo uma opera\u00e7\u00e3o de varredura, na qual prenderam indiscriminadamente marinheiros e civis, criminosos ou n\u00e3o. Muitos dos marinheiros presos estavam garantidos pela anistia concedida anteriormente, entre eles o chefe da revolta, Jo\u00e3o C\u00e2ndido. Entre os civis se achavam desocupados inconseq\u00fcentes e um punhado de prostitutas.<\/p>\n<p>O navio cargueiro &#8220;Sat\u00e9lite&#8221; partiu, ent\u00e3o, para a Amaz\u00f4nia, levando, segundo relato de bordo, uma carga de &#8220;105 marinheiros, 292 vagabundos (sic), 44 mulheres e 50 pra\u00e7as do Ex\u00e9rcito&#8221;. Seguindo instru\u00e7\u00f5es, a maior parte dos homens foi entregue \u00e0 &#8220;Comiss\u00e3o Rondon&#8221; para trabalhos for\u00e7ados. Os restantes, inaptos para o servi\u00e7o, foram simplesmente abandonados na floresta, distantes um do outro, para n\u00e3o haver possibilidade de se reorganizarem. Os prisioneiros que ficaram no Rio de Janeiro foram, posteriormente, encerrados em uma cela solit\u00e1ria no pres\u00eddio da ilha das Cobras, sendo que apenas dois sobreviveram, um deles, o pr\u00f3prio Jo\u00e3o C\u00e2ndido que, mais tarde, fez a narrativa de toda a trag\u00e9dia. Mas este j\u00e1 \u00e9 um assunto que n\u00e3o cabe neste espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Apenas um coment\u00e1rio final. N\u00e3o se pode nem de longe inculpar Hermes da Fonseca pelos excessos cometidos. Os que conheceram o marechal, apontam-no como brando, pac\u00edfico e bondoso, voltado para sua atividade militar e pouco afeito \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0s a\u00e7\u00f5es repressivas. Por outro lado, Jo\u00e3o C\u00e2ndido, e os demais l\u00edderes da primeira sedi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham a exata no\u00e7\u00e3o de propor\u00e7\u00f5es, quando chacinaram todos os oficiais dos navios rebelados, criando uma situa\u00e7\u00e3o de todo irrevers\u00edvel. Da\u00ed para diante, o esp\u00edrito corporativo no seio militar esperava apenas uma oportunidade para a desforra, e esta apareceu com a suspens\u00e3o das garantias constitucionais, pela decreta\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00edtio. O resto, j\u00e1 se sabe.<\/p>\n<h4>A Pol\u00edtica de Salva\u00e7\u00e3o Nacional<\/h4>\n<p>Os problemas pol\u00edticos nos Estados da Federa\u00e7\u00e3o vinham de longe, desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es estaduais, ocorridas h\u00e1 tr\u00eas anos, nas quais os ganhadores jubilavam e os perdedores, sentindo-se esbulhados, esperavam a hora oportuna para uma revanche. N\u00e3o eram for\u00e7as populares em a\u00e7\u00e3o, mas oligarquias que lutavam com unhas e dentes para aumentar a sua fatia de poder.<\/p>\n<p>O in\u00edcio do Hermes da Fonseca era um complicado tabuleiro de xadrez. No Congresso, permanecia o poder de Pinheiro Machado, que se estendia aos governadores em sua \u00f3rbita de influ\u00eancia. Havia tamb\u00e9m a presen\u00e7a do deputado Fonseca Hermes e do deputado capit\u00e3o M\u00e1rio Hermes. O primeiro era irm\u00e3o do marechal e l\u00edder da maioria na C\u00e2mara. O segundo era filho de Hermes e l\u00edder da bancada da Bahia.<\/p>\n<p>Dentro do Minist\u00e9rio, ponteavam, pelo menos, duas for\u00e7as contr\u00e1rias a Pinheiro Machado e com pretens\u00f5es pol\u00edticas em seus respectivos Estados. Eram o Ministro da Via\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Joaquim Seabra, baiano, e o Ministro da Guerra, general Emilio Dantas Barreto, pernambucano. Ambos representavam correntes atuantes na capital federal, mas estavam vivendo seus momentos de ostracismo nos pr\u00f3prios Estados de origem.<\/p>\n<p>Junte-se a tudo isso o fato de que, 1911, renovavam-se as C\u00e2mara Municipais e 1912 era o ano de elei\u00e7\u00f5es para renova\u00e7\u00e3o dos governos estaduais, assembl\u00e9ias legislativas e, em alguns Estados, tamb\u00e9m, do senado estadual. Envolvendo-se na pol\u00edtica regional, o governo central interveio o quanto p\u00f4de, mudando os governos e alterando a composi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Essas interven\u00e7\u00f5es, referendadas pelo Congresso, receberam oficialmente o nome de re-saneamento pol\u00edtico, mas a opini\u00e3o p\u00fablica, sarcasticamente, as chamou de &#8220;pol\u00edticas de salva\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h4>Estado do Rio de Janeiro<\/h4>\n<p>A primeira salva\u00e7\u00e3o envolveu o Estado do Rio de Janeiro, onde a presen\u00e7a do governador Alfredo Backer era contestada pela oposi\u00e7\u00e3o, surgindo em conseq\u00fc\u00eancia duas Assembl\u00e9ias Legislativas, uma de apoio ao governador empossado e outra apoiando o governador em lit\u00edgio. Alfredo Backer consegue um habeas-corpus, legitimando-o no poder, mas o Ministro da Justi\u00e7a envia tropas federais \u00e0quele Estado sob a alega\u00e7\u00e3o de que era necess\u00e1rio garantir o patrim\u00f4nio p\u00fablico e o bom funcionamento das reparti\u00e7\u00f5es. Desta forma, imp\u00f4s-se pela for\u00e7a, e alterou o governo local, dando posse ao candidato de prefer\u00eancia do governo central.<\/p>\n<h4>Estado de Pernambuco<\/h4>\n<p>A pol\u00edtica salvacionista em Pernambuco foi uma das mais complicadas, mas era tamb\u00e9m a mais compensadora, pela for\u00e7a que este Estado possu\u00eda no cen\u00e1rio nacional. O controle do Estado se achava com a fam\u00edlia Rosa e Silva, mais particularmente nas m\u00e3os de Francisco Assis Rosa e Silva, nome de tradi\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o, pois j\u00e1 fora conselheiro do Imp\u00e9rio e, na Rep\u00fablica, elegeu-se vice-presidente, junto com Campos Sales.<\/p>\n<p>Pol\u00edtico h\u00e1bil, n\u00e3o criou dificuldades a Campos Sales em seu governo. Diplomata, era advers\u00e1rio de Pinheiro Machado, mas foi favor\u00e1vel \u00e0 candidatura de Hermes da Fonseca. E, desta maneira, ficou bem com ambas as for\u00e7as dominantes, tanto no Congresso como na Presid\u00eancia. Sabia avan\u00e7ar, mas tinha o bom senso de recuar, quando a situa\u00e7\u00e3o assim o aconselhasse. Tal flexibilidade garantia a fam\u00edlia na proemin\u00eancia da pol\u00edtica pernambucana.<\/p>\n<p>Sua superioridade passou a ser contestada, entretanto, na forma\u00e7\u00e3o do Gabinete, quando foi nomeado para o Minist\u00e9rio da Guerra o general Emilio Dantas Barreto, engrandecendo Pernambuco, mas diminuindo o campo de manobra dos Rosa e Silva. Candidatando-se a governador pela oposi\u00e7\u00e3o, com o apoio do Bar\u00e3o de Lucena e Jos\u00e9 Mariano, o general Dantas Barreto desequilibrou as for\u00e7as, provocando o embate das duas fac\u00e7\u00f5es, nos moldes do coronelismo, com ocorr\u00eancia de arrua\u00e7as e lutas de emboscada. O Minist\u00e9rio da Guerra passou, ent\u00e3o, para as m\u00e3os do general Vespasiano Gon\u00e7alves de Albuquerque e Silva, e Dantas Barreto seguiu para Recife, passando ele pr\u00f3prio a comandar a campanha.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es em Pernambuco, dentro do sistema fraudulento em voga, deram vit\u00f3ria a Rosa e Silva, enquanto a oposi\u00e7\u00e3o se declarava vitoriosa com Dantas Barreto. As lutas nas ruas se intensificaram, a policia estadual se rebelou, com apoio dos pra\u00e7as do Ex\u00e9rcito. O governador interino, Est\u00e1cio Coimbra, n\u00e3o tendo condi\u00e7\u00f5es de resistir, renunciou ao governo, deixando sem base pol\u00edtica o seu padrinho Rosa e Silva.<\/p>\n<p>Foi o momento para o bote final. O Congresso Estadual (Assembl\u00e9ia e Senado) considerou vitorioso o general Dantas Barreto, homologando seu nome. Trocado o comando militar, assumiu o coronel Ab\u00edlio de Noronha, partid\u00e1rio do ex-ministro da Guerra e permaneceu nesse posto at\u00e9 garantir a posse do general Dantas Barreto no governo do Estado. Estava, pois, conclu\u00edda a segunda opera\u00e7\u00e3o salvadora.<\/p>\n<h4>Estado da Bahia<\/h4>\n<p>A salva\u00e7\u00e3o na Bahia envolvia os interesses do ministro J.J.Seabra, a quem interessava reassumir o controle total da pol\u00edtica estadual, contando com o apoio aberto do presidente da Rep\u00fablica, o qual chegou a fazer uma visita \u00e0 Bahia, acompanhado de seu ministro da Via\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o veio por Jos\u00e9 Marcelino e Severino Vieira, que controlavam o Congresso estadual (assembl\u00e9ia e senado) e o governo do Estado.<\/p>\n<p>Pronto para a rea\u00e7\u00e3o, o governo do Estado aumentou seu efetivo policial, recrutando jagun\u00e7os, trazidos dos sert\u00f5es e at\u00e9 retirados da cadeia, onde cumpriam penas pelos crimes cometidos. Ou seja, gente descompromissada com a vida e disposta ao que der e vier. Eram j\u00e1 4.500 militares, e mais de seiscentos policiais civis, todos de alta periculosidade.<\/p>\n<p>Ocorridas as elei\u00e7\u00f5es municipais, em 1911, houve como de costume, diverg\u00eancia de resultados. Para garantir sua posi\u00e7\u00e3o, o governo em exerc\u00edcio sitiou a cidade, interditando inclusive o Congresso e impedindo os parlamentares de exercer sua fun\u00e7\u00e3o. A justi\u00e7a lhes concedeu o &#8220;habeas-corpus&#8221; e o governador Aur\u00e9lio Viana recusou-se a cumprir a ordem judicial.<\/p>\n<p>Estava a\u00ed o pretexto para a interven\u00e7\u00e3o. O Governo federal ordenou que o general Sotero de Menezes pusesse suas tropas na garantia da lei, o que n\u00e3o aconteceu, pois o efetivo do Ex\u00e9rcito era menos de um ter\u00e7o do efetivo da pol\u00edcia estadual. Dado que o governador insistisse em descumprir o mandado judicial, Sotero preferiu bombardear a capital, pelos fortes de S\u00e3o Marcelo e Barbalho, criando p\u00e2nico na cidade e obrigando o governador Aur\u00e9lio Viana a renunciar. No Rio de Janeiro, renunciava, tamb\u00e9m, o ministro da Marinha, em protesto pelo bombardeio. Reposto no governo, Aur\u00e9lio Viana volta a renunciar, dias depois.<\/p>\n<p>Realizaram-se, por \u00faltimo, as elei\u00e7\u00f5es para Governador e, contrariando a rotina, o nome do vencedor, J.J.Seabra, n\u00e3o foi contestado, sendo ele empossado, pacificamente, como governador da Bahia. A terceira salva\u00e7\u00e3o estava consumada.<\/p>\n<h4>Estado do Cear\u00e1<\/h4>\n<p>No Cear\u00e1, de h\u00e1 muito, a pol\u00edtica era controlada pela fam\u00edlia Accioly. Pressentindo que seu Estado seria o pr\u00f3ximo a ser contemplado com a salva\u00e7\u00e3o, o governador Ant\u00f4nio Nogueira Accioly, que aspirava pela reelei\u00e7\u00e3o, cuidou de aumentar seu efetivo policial, nos mesmos moldes e pelo mesmo processo utilizado na Bahia. Em dezembro de 1911, desistiu da reelei\u00e7\u00e3o, mas imp\u00f4s como candidato Jos\u00e9 Joaquim Domingues Carneiro, que lhe era obediente e continuaria a zelar pelos interesses da oligarquia que controlava o poder.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o, apoiando-se no militarismo, apresentou um candidato sa\u00eddo dos quart\u00e9is, o coronel Marcos Franco Rabelo. A este candidato reuniram-se, tamb\u00e9m, todas as for\u00e7as pol\u00edticas que, por mais de vinte anos, se achavam afastadas do poder. Choques entre a pol\u00edcia e a oposi\u00e7\u00e3o passaram a ser freq\u00fcentes. Em 21 de janeiro de 1912, um domingo, a pol\u00edcia dissolveu com extrema viol\u00eancia uma passeata de crian\u00e7as e mulheres, que promoviam a campanha do coronel Rabelo.<\/p>\n<p>Recusando-se, o governador, a entregar ao Ex\u00e9rcito o policiamento das ruas, foram convocados Tiros de Guerra de outras cidades para virem \u00e0 capital, para participar da luta. No dia 23, se concretizava a interven\u00e7\u00e3o, com as tropas federais nas ruas. O governador tentou, ent\u00e3o outra manobra. Renunciou, entregando o governo ao sucessor legal, Mauricio Gracho Cardoso, que era seu genro. A transfer\u00eancia foi impugnada e, no cargo, foi investido o dr. Jos\u00e9 Boaventura Bastos, em 24 de janeiro de 1912.<\/p>\n<p>Em 12 de fevereiro, contrapondo-se \u00e0 candidatura oposicionista do coronel Marcos Franco Rabelo, o grupo Accioly lan\u00e7ou, ent\u00e3o, outro militar, o general Bezerril Fontenelle. N\u00e3o ficou nem para um, nem para outro. Marcos Franco Rabello, da oposi\u00e7\u00e3o, ganhou, tomou posse, mas n\u00e3o conseguiu maioria na Assembl\u00e9ia.<\/p>\n<p><strong>Resultado: <\/strong>o grupo contr\u00e1rio obteve um &#8220;habeas-corpus&#8221;, instalou outra Assembl\u00e9ia paralela em Juazeiro e deu posse a Floro Bartolomeu, representante do Padre C\u00edcero, que come\u00e7ava a despontar no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Reinou a paz no Cear\u00e1.<\/p>\n<h4>Estado de Alagoas<\/h4>\n<p>Era a fam\u00edlia Malta que detinha o poder no Estado de Alagoas, protegida tamb\u00e9m por Pinheiro Machado e com uma solidez de concreto, que nenhuma pol\u00edtica salvadora, aparentemente poderia derrubar. Embora o presidente da Rep\u00fablica fosse do Rio Grande do Sul, \u00e9 bom que se lembre que sua fam\u00edlia tem origem em Alagoas, onde nasceu o tio, marechal Deodoro, e onde vivia toda a sua parentela.<\/p>\n<p>Foi assim que, contra a vontade de Hermes, o grupo de salvadores, que representava a oposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 procura de um nome para governador, resolveu lan\u00e7ar a candidatura do general Clodoaldo da Fonseca, um primo-irm\u00e3o do Presidente, pouco afeito \u00e0s lides pol\u00edticas, mas que n\u00e3o resistiu ao convite para galgar t\u00e3o alto cargo.<\/p>\n<p>Os Maltas n\u00e3o deixaram por menos, e apresentaram a candidatura do general Ol\u00edmpio da Fonseca, tamb\u00e9m parente do Presidente. Ficou ent\u00e3o uma situa\u00e7\u00e3o curiosa, que seria divertida, se n\u00e3o fosse tr\u00e1gica. T\u00ednhamos agora dois candidatos, os dois militares, e os dois parentes do chefe da Na\u00e7\u00e3o que, a esta altura, ainda que quisesse, n\u00e3o teria mais condi\u00e7\u00f5es para apoiar o candidato dos salvadores.<\/p>\n<p>N\u00e3o durou muito a divis\u00e3o. O pr\u00f3prio general Ol\u00edmpio refletiu melhor e desistiu da candidatura, ficando a vaga em aberto. Enquanto se procurava um novo nome para substitui-lo, aconteceu que o governador Euclides Malta mandou reprimir uma manifesta\u00e7\u00e3o de adeptos do general Clodoaldo, que se realizava na pra\u00e7a principal da cidade, com mortos e feridos de um e outro lado.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o popular a esse acontecimento foi grande e fortaleceu os oposicionistas. A essa altura, a vit\u00f3ria da oposi\u00e7\u00e3o era tida como certa e ningu\u00e9m queria queimar seu futuro pol\u00edtico aceitando apresentar-se como candidato do governo, pelo que, \u00e0 falta de um opositor, Clodoaldo da Fonseca foi eleito e empossado. Estava consumada outra salva\u00e7\u00e3o, e esta com sabor especial, por implodir a estrutura de concreto representada pela oligarquia dos Maltas.<\/p>\n<h4>Outras salva\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>Vencida a for\u00e7a da in\u00e9rcia, o mecanismo das salva\u00e7\u00f5es passa a funcionar quase que automaticamente, e as oligarquias que dominavam os outros Estados foram caindo, uma a uma, sem grandes dificuldades. S\u00e3o Paulo livrou-se da a\u00e7\u00e3o salvadora, indicando para a sucess\u00e3o do governador Albuquerque Lins, o respeit\u00e1vel nome do conselheiro Rodrigues Alves, ex-governador e ex-Presidente, contra o qual ningu\u00e9m teria coragem de levantar a voz.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, a presen\u00e7a de Borges de Medeiros, herdeiro pol\u00edtico de Julio de Castilhos, n\u00e3o recomendava qualquer esp\u00e9cie de interven\u00e7\u00e3o. Borges de Medeiros, atrav\u00e9s de sucessivas reelei\u00e7\u00f5es, vinha dominando o governo do Estado desde 1898 e, vamos adiantar, ainda ficar\u00e1 no poder at\u00e9 o ano de 1926, quando &#8220;blancos&#8221; e &#8220;colorados&#8221; se ajustam para um nome de consenso, o de Get\u00falio Dorneles Vargas. Mas isso \u00e9 futuro. O importante \u00e9 saber que, no Rio Grande do Sul, o status foi mantido.<\/p>\n<p>O ga\u00facho Pinheiro Machado garantiu o prest\u00edgio no Estado natal, mas foi o grande perdedor na Pol\u00edtica de Salva\u00e7\u00e3o Nacional, pois teve seu caminho cortado, passo a passo, em quase todos os Estados do pa\u00eds, tornando-se um gigante de p\u00e9s de barro, imenso ainda, mas sem condi\u00e7\u00f5es de se sustentar na nova ordem da pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<h4>O Hermes da Fonseca<\/h4>\n<p>Aos tantos problemas que atribularam o Hermes da Fonseca, ao final de mandato, pode-se acrescentar mais um, de car\u00e1ter internacional, mas que viria afetar diretamente o Brasil. Em 1912, com a derrocada do Imp\u00e9rio Turco-Otomano, rebelam-se os povos iugoslavos, iniciando uma guerra local contra os turcos, numa coaliz\u00e3o formada por Montenegro, Maced\u00f4nia, S\u00e9rvia, Gr\u00e9cia, Bulg\u00e1ria e Alb\u00e2nia. Derrotados os turcos, come\u00e7am as lutas internas, o pren\u00fancio da Primeira Guerra Mundial, que, em 1914, come\u00e7aria bem ali, em Serajevo (Bosnia-Herzegovina).<\/p>\n<p>Com o aumento da tens\u00e3o internacional, os capitais externos come\u00e7am a escassear, balan\u00e7ando a j\u00e1 prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o financeira do Brasil, que se v\u00ea obrigado a recorrer a outra morat\u00f3ria. Os problemas econ\u00f4micos se agravam com a queda na exporta\u00e7\u00e3o da borracha, que agora enfrenta a concorr\u00eancia asi\u00e1tica. Cai a renda proveniente da exporta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9, provocando um d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial. Concorrendo com a d\u00edvida externa, aumentam tamb\u00e9m os d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios. O festival com dinheiro alheio, que come\u00e7ou no governo de Afonso Pena, mais precisamente a partir do Conv\u00eanio de Taubat\u00e9, acabou.<\/p>\n<p>Nesse quadro sombrio, nem era poss\u00edvel fazer uma administra\u00e7\u00e3o grandiosa. Hermes da Fonseca se limitou a prosseguir as obras projetadas por Afonso Pena e continuadas por Nilo Pe\u00e7anha, ampliando a rede ferrovi\u00e1ria e estendendo, tanto quanto poss\u00edvel, a rede telegr\u00e1fica. Foi em seu governo que se construiram os fortes de Copacabana, que, anos mais tarde, em 1922, viriam a ser palco de outra revolta militar, em apoio ao pr\u00f3prio Hermes. Tamb\u00e9m esse \u00e9 um assunto para o futuro.<\/p>\n<p>Terminado o mandato, e passando o governo ao seu sucessor, Hermes envolve-se, pelo menos indiretamente, nas revoltas de 1922, \u00e9 preso, depois \u00e9 libertado, e retira-se para Petr\u00f3polis, onde morre, em 1923. Com o marechal Hermes, termina a participa\u00e7\u00e3o da sua fam\u00edlia na vida pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.pitoresco.com.br<\/p>\n<h6>Governo Hermes da Fonseca<\/h6>\n<h4>Hermes Rodrigues da Fonseca<\/h4>\n<p>Per\u00edodo de 1910 a 1914.<\/p>\n<p>8\u00ba presidente<\/p>\n<p>Ga\u00facho<\/p>\n<p>Seu governo foi conturbado, vivendo em cr\u00f4nico estado de sitio.<\/p>\n<p>As velhas oligarquias foram substitu\u00eddas por outras novas, foram as \u201csalva\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p><strong>Principais revoltas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Revolta de Juazeiro<\/strong>: conseq\u00fc\u00eancias das insatisfa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, liderada por pe. C\u00edcero, teve como causa a vit\u00f3ria eleitoral de Franco Rabello contra a fam\u00edlia Aciolis (coron\u00e9is locais, pe. C\u00edcero e Floro Bartolomeu). Franco Rabello renuncia e os aciolis s\u00e3o recolocados no poder.<strong><br \/>\nRevolta da Chibata: <\/strong>na marinha sob o comando do marinheiro negro Jo\u00e3o C\u00e2ndido, no Rio de Janeiro, contra os abusos, excesso de trabalho, maus-tratos, baixos sal\u00e1rios e contra a chibata que era usado para punir infratores. Fracassou&#8230;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O boom da borracha:<\/strong> o l\u00e1tex passou a ser utilizado como mat\u00e9ria-prima para a industria. Entre 1910 e 1912 foi o momento no qual a exporta\u00e7\u00e3o desse produto quase ultrapassou a do caf\u00e9.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses antes de terminar o seu mandato estourou a Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.cdb.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1910 &#8211; 1914 Ao vencer as elei\u00e7\u00f5es de 1910, derrotando o candidato liberal Ruy Barbosa, o marechal Hermes da Fonseca marcou o retorno de um militar \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ap\u00f3s 16 anos de governos civis. 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