{"id":96512,"date":"2017-01-25T12:35:39","date_gmt":"2017-01-25T14:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=96512"},"modified":"2017-01-25T12:35:39","modified_gmt":"2017-01-25T14:35:39","slug":"os-timbiras-goncalves-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/os-timbiras-goncalves-dias","title":{"rendered":"Os Timbiras &#8211; Gon\u00e7alves Dias"},"content":{"rendered":"<table width=\"497\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"middle\" width=\"200\">\n<div align=\"center\">\n<p><a href=\"#1\"><strong>I &#8211; Canto Primeiro<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"#2\">II &#8211; Canto Segundo<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"100\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"224\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><a href=\"#3\">III &#8211; Canto Terceiro<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#4\">IV &#8211; Canto Quarto<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p> Os ritos semib&aacute;rbaros dos Piagas, <br \/>\n    Cultores de Tup&atilde;, a terra virgem <br \/>\n    Donde como dum trono, enfim se abriram<br \/>\n    Da cruz de Cristo os piedosos bra&ccedil;os;<br \/>\n    As festas, e batalhas mal sangradas<br \/>\n    Do povo Americano, agora extinto,<br \/>\n    Hei de cantar na lira.&#8211; Evoco a sombra <br \/>\n    Do selvagem guerreiro!&#8230; Torvo o aspecto,<br \/>\n    Severo e quase mudo, a lentos passos,<br \/>\n    Caminha incerto, &#8211; o bipartido arco<br \/>\n    Nas m&atilde;os sustenta, e dos despidos ombros<br \/>\n    Pende-lhe a r&ocirc;ta aljava&#8230; as entornadas,<br \/>\n    Agora in&uacute;teis setas, v&atilde;o mostrando<br \/>\n    A marcha triste e os passos mal seguros <br \/>\n    De quem, na terra de seus pais, embalde <br \/>\n    Procura asilo, e foge o humano trato.<br \/>\n    Quem poder&aacute;, guerreiro, nos seus cantos <br \/>\n    A voz dos piagas teus um s&oacute; momento<br \/>\n    Repetir; essa voz que nas montanhas <br \/>\n    Valente retumbava, e dentro d&#8217;alma<br \/>\n    Vos ia derramando arrojo e brios,<br \/>\n    Melhor que ta&ccedil;as de cauim fort&iacute;ssimo?!<br \/>\n    Outra vez a chapada e o bosque ouviram<br \/>\n    Dos filhos de Tup&atilde; a voz e os feitos <br \/>\n    Dentro do circo, onde o fatal delito<br \/>\n    Expia o malfadado prisioneiro,<br \/>\n    Qu&#8217;enxerga a ma&ccedil;a e sente a mu&ccedil;urana<br \/>\n    Cingir-lhe os rins a enodoar-lhe o corpo:<br \/>\n    E s&oacute;s de os escutar mais forte acento<br \/>\n    Haveriam de achar nos seus refolhos<br \/>\n    O monte e a selva e novamente os ecos.<br \/>\n    Como os sons do bor&eacute;, soa o meu canto <br \/>\n    Sagrado ao rudo povo americano:<br \/>\n    Quem quer que a natureza estima e preza<br \/>\n    E gosta ouvir as empoladas vagas<br \/>\n    Bater gemendo as cavas penedias,<br \/>\n    E o negro bosque sussurrando ao longe ___<br \/>\n    Escute-me. ____ Cantor modesto e humilde,<br \/>\n    A fronte n&atilde;o cingi de mirto e louro,<br \/>\n    Antes de verde rama engrinaldei-a,<br \/>\n    D&#8217;agrestes flores enfeitando a lira;<br \/>\n    N&atilde;o me assentei nos cimos do Parnaso,<br \/>\n    Nem vi correr a linfa da Cast&aacute;lia.<br \/>\n    Cantor das selvas, entre bravas matas<br \/>\n    &Aacute;spero tronco da palmeira escolho.<br \/>\n    Unido a ele soltarei meu canto,<br \/>\n    Em quanto o vento nos palmares zune,<br \/>\n    Rugindo os longos encontrados leques.<br \/>\n    Nem s&oacute; me escutareis fereza e mortes:<br \/>\n    As l&aacute;grimas do orvalho por ventura<br \/>\n    Da minha lira distendendo as cordas,<br \/>\n    H&atilde;o de em parte ameigar e embrandece-las.<br \/>\n    Talvez o lenhador quando acomete<br \/>\n    O tranco d&#8217;alto cedro corpulento,<br \/>\n    Vem-lhe tingido o fio da segure<br \/>\n    De puto mel, que abelhas fabricaram;<br \/>\n    Talvez t&atilde;o bem nas folhas qu&#8217;engrinaldo, <br \/>\n    A ac&aacute;cia branca o seu candor derrame<br \/>\n    E a flor do sassafraz se estrele amiga.<\/p>\n<h2><a name=\"1\">Canto Primeiro<\/a><\/h2>\n<p>Sentado em s&iacute;tio escuso descansava<br \/>\n    Dos Timbiras o chefe em trono anoso,<br \/>\n    Itajub&aacute;, o valente, o destemido<br \/>\n    Aco&ccedil;ador das feras, o guerreiro<br \/>\n    Fabricador das incans&aacute;veis lutas.<br \/>\n    Seu pai, chefe tamb&eacute;m, tamb&eacute;m Timbira,<br \/>\n    Chamava-se o Jaguar: dele era fama <br \/>\n    Que os musculosos membros repeliam <br \/>\n    A flecha sibilante, e que o seu cr&acirc;nio<br \/>\n    Da ma&ccedil;a aos tesos golpes n&atilde;o cedia.<br \/>\n    Cria-se&#8230; e em que n&atilde;o cr&ecirc; o povo stulto?<br \/>\n    Que um velho piaga na espelunca horrenda <br \/>\n    Aquele encanto, in&uacute;til num cad&aacute;ver,<br \/>\n    Tirara ao pai defunto, e ao filho vivo<br \/>\n    Inteiro o transmitira: &eacute; certo ao menos<br \/>\n    Que durante uma noite juntos foram<br \/>\n    O mo&ccedil;o e o velho e o p&aacute;lido cad&aacute;ver.<\/p>\n<p>Mas acertando um dia estar oculto<br \/>\n    Num denso tabocal, onde perdera<br \/>\n    Tra&ccedil;os de fera, que rever cuidava,<br \/>\n    Seta ligeira atravessou-lhe um bra&ccedil;o.<br \/>\n    M&atilde;o d&#8217;imigo traidor a disparara,<br \/>\n    Ou fora algum dos seus, que receioso<br \/>\n    Do mal causado, emudeceu prudente.<\/p>\n<p>Relata o caso, irrefletido, o chefe.<br \/>\n    Mal crido foi! &#8211;&#8211; por abonar seu dito,<br \/>\n    Redobra d&#8217;imprud&ecirc;ncia, &#8211;&#8211; mostra aos olhos<br \/>\n    A trai&ccedil;oeira flecha, o bra&ccedil;o e o sangue.<br \/>\n    A fama voa, as tribos inimigas<br \/>\n    Adunam-se, amotinam-se os guerreiros<br \/>\n    E as bocas dizem: o Timbira &eacute; morto!<br \/>\n    Outras emendam: Mal ferido sangra!<br \/>\n    Do nome do Itajub&aacute; se despega <br \/>\n    O medo, &#8211; um s&oacute; desastre venha, e logo <br \/>\n    Esse encanto vai prestes converter-se<br \/>\n    Em riso e farsa das na&ccedil;&otilde;es vizinhas!<br \/>\n    Os manit&oacute;s, que moram pendurados <br \/>\n    Nas tabas d&#8217;Itajuba, que as protejam:<br \/>\n    O terror do seu nome j&aacute; n&atilde;o vale,<br \/>\n    J&aacute; defens&atilde;o n&atilde;o &eacute; dos seus guerreiros!<\/p>\n<p>Dos Gamelas um chefe destemido,<br \/>\n    Cioso d&#8217;alcan&ccedil;ar renome e gl&oacute;ria,<br \/>\n    Vencendo a fama, que os sert&otilde;es enchia,<br \/>\n    Saiu primeiro a campo, armado e forte<br \/>\n    Guedelha e ronco dos sert&otilde;es imensos,<br \/>\n    Guerreiros mil e mil vinham tr&aacute;s ele,<br \/>\n    Cobrindo os montes e juncando as matas,<br \/>\n    Com pejado carcaz de ervadas setas <br \/>\n    Tingidas d&#8217;urucu, segundo a usan&ccedil;a<br \/>\n    B&aacute;rbara e fera, desgarrados gritos <br \/>\n    Davam no meio das can&ccedil;&otilde;es de guerra.<\/p>\n<p>Chegou, e fez saber que era chegado <br \/>\n    O rei das selvas a propor combate <br \/>\n    Dos Timbiras ao chefe. &#8211;&#8211; &#8220;A n&oacute;s s&oacute; caiba,<br \/>\n    (Disse ele) a honra e a gl&oacute;ria; entre n&oacute;s ambos <br \/>\n    Decida-se a quest&atilde;o do esfor&ccedil;o e brios.<br \/>\n    Estes, que v&ecirc;s, imp&aacute;vidos guerreiros<br \/>\n    S&atilde;o meus, que me obedecem; se me vences,<br \/>\n    S&atilde;o teus; se &eacute;s o vencido, os teus me sigam:<br \/>\n    Aceita ou foge, que a vit&oacute;ria &eacute; minha.&#8221;<\/p>\n<p>N&atilde;o fugirei, respondeu-lhe Itajub&aacute;,<br \/>\n    Que os homens, meus iguais, encaram fito<br \/>\n    O sol brilhante, e os n&atilde;o deslumbra o raio.<\/p>\n<p>Ser&aacute;s, pois que me afrontas, torna o b&aacute;rbaro<br \/>\n    Do meu valor trof&eacute;u, &#8211;&#8211; e da vit&oacute;ria,<br \/>\n    Qu&#8217;hei de certo alcan&ccedil;ar, despojo opimo.<br \/>\n    Nas tabas em que habito ora as mulheres<br \/>\n    Tecem da sapucaia as longas cordas,<br \/>\n    Que os pulsos teus h&atilde;o de arrochar-te em breve;<br \/>\n    E tu vil, e tu preso, e tu coberto<br \/>\n    D&#8217;esc&aacute;rnio de d&#8217;irrris&atilde;o! &#8211; Cheio de gl&oacute;ria,<br \/>\n    Al&eacute;m dos Andes voar&aacute; meu nome!<\/p>\n<p>O filho de Jaguar sorriu-se a furto:<br \/>\n    Assim o pai sorri ao filho imberbe,<br \/>\n    Que, desprezado o arco seu pequeno,<br \/>\n    Talhado para aquelas m&atilde;os sem for&ccedil;as, <br \/>\n    Tenta doutro maior curvar as pontas,<br \/>\n    Que vezes tr&ecirc;s o mede em toda altura!<\/p>\n<p>Travaram luta fera os dois guerreiros,<br \/>\n    Primeiro ambos de longe as setas vibram,<br \/>\n    Amigos manit&ocirc;s, que ambos protegem,<br \/>\n    Nos ares as desgarram, Do Gamela<br \/>\n    Entrou a fecha tr&ecirc;mula num tronco<br \/>\n    E s&oacute; parou no cerne, a do Timbira,<br \/>\n    Cicando veloz, fugiu mais longe,<br \/>\n    Ro&ccedil;ando apenas os frondosos cimos <br \/>\n    Encontraram-se valentes: bra&ccedil;o a bra&ccedil;o,<br \/>\n    Alentando a&ccedil;odados, peito a peito,<br \/>\n    Revolvem fundo a terra aos p&eacute;s, e ao longe<br \/>\n    Rouqueja o peito arfado um som confuso.<\/p>\n<p>Cena vistosa! quadro aparatoso!<br \/>\n    Guerreiros velhos, &agrave; vit&oacute;ria afeitos,<br \/>\n    Tamanhos campe&otilde;es vendo n&#8217;arena,<br \/>\n    E a luta horr&iacute;vel e o combate aceso, <br \/>\n    Mudos quedaram de terror transidos.<br \/>\n    Qual daqueles her&oacute;is h&aacute; de primeiro<br \/>\n    Sentir o egr&eacute;gio esfor&ccedil;o abandona-lo<br \/>\n    Perguntam; mas n&atilde;o h&aacute; quem lhes responda.<\/p>\n<p>S&atilde;o ambos fortes: o Timbira hardido,<br \/>\n    Esbelto como o tronco da palmeira,<br \/>\n    Flex&iacute;vel como a flecha bem talhada,<br \/>\n    Ostenta-se robusto o rei das selvas;<br \/>\n    Seu corpo musculoso, imenso e forte<br \/>\n    &Egrave; como rocha enorme, que desaba<br \/>\n    De serra altiva, e cai no vale inteira<br \/>\n    N&atilde;o vale humana for&ccedil;a desprende-la<br \/>\n    Dali, onde ela est&aacute;: fugaz corisco<br \/>\n    Bate-lhe a calva fronte sem parti-la.<\/p>\n<p>Separam-se os guerreiros um do outro,<br \/>\n    Foi dum o pensamento, &#8211; a a&ccedil;&atilde;o foi d&#8217;ambos.<br \/>\n    Ambos arquejam, descoberto o peito <br \/>\n    Arfa, estua, eleva-se, comprime-se<br \/>\n    E o ar em ondas s&ocirc;fregos respiram<br \/>\n    Cada qual, mais pasmado que medroso<br \/>\n    Se estranha a for&ccedil;a que no outro encontra,<br \/>\n    A mal cuidada resist&ecirc;ncia o irrita.<br \/>\n    Itajub&aacute;! Itajub&aacute;! &#8211; os seus exclamam <br \/>\n    Guerreiro, tal como ele, se descora<br \/>\n    Um s&oacute; momento, &eacute; dar-se por vencido <br \/>\n    O filho de Jaguar voltou-se r&aacute;pido <br \/>\n    Donde essa voz partiu? quem no aguilhoa?<br \/>\n    Raiva de tigre anuviou-lhe o rosto<br \/>\n    E os olhos cor de sangue irados pulam<\/p>\n<p>&#8220;A tua vida a minha gl&oacute;ria insulta!<br \/>\n    Grita ao rival, e j&aacute; de mais viveste.&#8221;<br \/>\n    Disse, e como o condor, descendo a prumo<br \/>\n    Dos astros, sobre o lhama descuidoso<br \/>\n    P&aacute;vido o prende nas torcidas garras,<br \/>\n    E sobe audaz onde n&atilde;o chega o raio&#8230;<br \/>\n    Voa Itajub&aacute; sobre o rei das selvas,<br \/>\n    Cinge-o nos bra&ccedil;os, contra si o aperta<br \/>\n    Com for&ccedil;a incr&iacute;vel: o colosso verga,<br \/>\n    Inclina-se, desaba, cai de chofre,<br \/>\n    E o p&oacute; levanta e atroa forte os ecos.<br \/>\n    Assim cai na floresta um tronco anoso,<br \/>\n    E o som da queda se propaga ao longe!<br \/>\n    O fero vencedor um p&eacute; al&ccedil;ando,<br \/>\n    Morre! &#8211; lhe brada -&#8211; e o nome teu contigo!<br \/>\n    O p&eacute; desceu, batendo a arca do peito<br \/>\n    Do ex&acirc;nime vencido: os olhos turvos,<br \/>\n    Levou, a extrema vez, o desditoso<br \/>\n    &Agrave;queles c&eacute;us d&#8217;azul, &agrave;quelas matas,<br \/>\n    Doce cobertas de verdura e flores!<\/p>\n<p>Depois, erguendo o esqu&aacute;lido cad&aacute;ver<br \/>\n    Sobre a cabe&ccedil;a, horrivelmente belo,<br \/>\n    Aos seus o mostra ensang&uuml;entado e torpe;<br \/>\n    Ent&atilde;o por vezes tr&ecirc;s o horrendo grito<br \/>\n    Do triunfo soltou; e os seus tr&ecirc;s vezes <br \/>\n    O mesmo grito em coro repetiram<br \/>\n    Aquela massa enfim c&ocirc;a nos ares;<br \/>\n    Porem na destra do feliz guerreiro <br \/>\n    Dividem-se entre os dedos as melenas, <br \/>\n    De cujo cr&acirc;nio marejava o sangue!<\/p>\n<p>Transbordando ufania do sucesso <br \/>\n    Inda recente, recordava as fases<br \/>\n    Orgulhos o guerreiro! Ainda escuta<br \/>\n    A dura voz, inda a figura avista<br \/>\n    Desse, que ousou atravessar-lhe as sanhas:<br \/>\n    Lembra-se! e da lembran&ccedil;a grato enlevo<br \/>\n    Lhe c&ocirc;a n&#8217;alma em fogo: longos olhos<br \/>\n    Em quanto assim medita, vai levando<br \/>\n    Por onde o rio, em tortuosos giros,<br \/>\n    Queixoso lambe as empedradas margens.<br \/>\n    Assim o jugo seu n&atilde;o escorjassem<br \/>\n    Tredos Gamelas co&#8217;a noturna fuga!<br \/>\n    P&eacute;rfidos!o her&oacute;i jurou vingar-se!<br \/>\n    Tremei! qu&#8217;h&aacute; de o valente debelar-vos!<br \/>\n    E em quanto segue o c&eacute;u, e o rio, e as selvas,<br \/>\n    Crescem-lhe brios, for&ccedil;a, &#8211;&#8211; alteia o colo,<br \/>\n    Fita orgulhos a terra, onde n&atilde;o acha,<br \/>\n    Nem cr&ecirc; achar quem lhe resista; eis nisto <br \/>\n    Reconhece um dos seus, que pressuroso<br \/>\n    Corre a encontra-lo, &#8211; r&aacute;pido caminha;<br \/>\n    Por&eacute;m d&#8217;instante a instante, d&#8217;enfiado<br \/>\n    Volta o p&aacute;vido rosto, onde se pinta<br \/>\n    O susto vil, que denuncia o fraco.<br \/>\n    &#8211; &Oacute; filho de Jaguar &#8211; de longe brada,<br \/>\n    Neste aperto nos vale, &#8211; ei-los se avan&ccedil;am<br \/>\n    Pujantes contra n&oacute;s, t&atilde;o bastos, tantos,<br \/>\n    Como enredados troncos na floresta.<\/p>\n<p>Tu sempre tremes, Jurucei, tornou-lhe<br \/>\n    Com voz tranq&uuml;ila e majestosa o chefe.<br \/>\n    O mel, que em falas sem cessar distilas,<br \/>\n    Tolhe-te o esfor&ccedil;o e te enfraquece a vista:<\/p>\n<p>Amigos s&atilde;o talvez, amigas tribos,<br \/>\n    Algum chefe, que tem conosco as armas, <br \/>\n    Em sinal d&#8217;alian&ccedil;a, espeda&ccedil;ado:<br \/>\n    Vem talvez festejar o meu triunfo,<br \/>\n    E os seus cantores celebrar meu nome.<\/p>\n<p>&#8220;N&atilde;o!n&atilde;o! ouvi o som triste e sonoro<br \/>\n    Sas igaras, rompendo a custo as &aacute;guas<br \/>\n    Dos remos manejados a compasso,<br \/>\n    E os sons guerreiros do bor&eacute;, e os cantos<br \/>\n    Do combate; parece, d&#8217;irritado,<br \/>\n    T&atilde;o grande peso agora a flor lhe corta,<br \/>\n    Que o rio vai sorver as altas margens&#8221;.<\/p>\n<p>E s&atilde;o Gamelas? &#8211; perguntou-lhe o chefe.<br \/>\n    &#8220;Vi-os, tornou-lhe Jurucei, s&atilde;o eles!&#8221;<br \/>\n    O chefe dos Timbiras dentro d&#8217;alma<br \/>\n    Sentiu &oacute;dio e vingan&ccedil;a remorde-lo.<br \/>\n    Rugiu a tempestade, mas l&aacute; dentro,<br \/>\n    C&aacute; fora retumbou, mas quase extinta.<br \/>\n    Come&ccedil;a ent&atilde;o com voz cavada e surda.<\/p>\n<p>Ir&aacute;s tu, Jurucei, por mim dizer-lhes:<br \/>\n    Itajub&aacute;, o valente, o rei da guerra,<br \/>\n    Fabricador das incans&aacute;veis lutas,<br \/>\n    Em quanto a ma&ccedil;a n&atilde;o sopesa em quanto<br \/>\n    Dormem-lhe as setas no carcaz im&oacute;veis,<br \/>\n    Of&#8217;rece-vos lian&ccedil;a e paz; &#8211; n&atilde;o ama,<br \/>\n    Tigre repleto, espeda&ccedil;ar mais presas,<br \/>\n    Nem quer dos vossos derramar mais sangue.<br \/>\n    Tr&ecirc;s grandes Tabas, onde her&oacute;is pululam,<br \/>\n    Tantos e mais que v&oacute;s, tanto e mais bravos,<br \/>\n    Ca&iacute;das a seus p&eacute;s, a voz lhe escutam.<br \/>\n    V&oacute;s outros, atendei, &#8211; cortai nas matas<br \/>\n    Troncos robustos e frondosas palmas,<br \/>\n    E constru&iacute; cabanas, &#8211; onde o corpo <br \/>\n    Caiu do rei das selvas, &#8211; onde o sangue <br \/>\n    Daquele her&oacute;i, vossa perf&iacute;dia atesta.<\/p>\n<p>Aquela briga enfim de dois, tamanhos,<br \/>\n    Sinalai; por que estranho caminheiro, <br \/>\n    Amigas vendo e juntas nossas tabas,<br \/>\n    E a f&eacute;, que usais guardar, sabendo, exclamem:<br \/>\n    Vejo um povo de her&oacute;is e um grande chefe!<\/p>\n<p>Disse: e vingando o cimo d&#8217;alto monte, <br \/>\n    Que em roda largo espa&ccedil;o dominava,<br \/>\n    O atroador membi soprou com for&ccedil;a.<br \/>\n    O tronco, o arbusto, a moita, a rocha, a pedra,<br \/>\n    Convertem-se em guerreiros.&#8211; mais depressa,<br \/>\n    Quando soa o clarim, n&uacute;ncio de guerra,<br \/>\n    N&atilde;o sopra, e escava a terra, e o ar divide<br \/>\n    Co&#8217;as crinas flutuantes, o ginete, <br \/>\n    Imp&aacute;vido, orgulhoso, em campo aberto.<\/p>\n<p>Da montanha Itajub&aacute; os v&ecirc; sorrindo,<br \/>\n    Galgando vales, combros, serranias,<br \/>\n    Coalhando o ar e o c&eacute;u de feios gritos.<br \/>\n    E folga, por que os v&ecirc; correr t&atilde;o prestes<br \/>\n    Aos sons do cavo b&uacute;zio conhecido,<br \/>\n    J&aacute; tantas vezes repetidos antes<br \/>\n    Por vales e por serras; j&aacute; n&atilde;o pode<br \/>\n    Numera-los, de tantos que se apinham;<br \/>\n    Mas vendo-os, reconhece o vulto e as armas<br \/>\n    Dos seus: &#8220;Tup&atilde; sorri-se l&aacute; dos astros,<br \/>\n    &#8211; Diz o chefe entre si, &#8211; l&aacute;, descuidosos<br \/>\n    Das folgan&ccedil;as de Ibaque, her&oacute;is timbiras<br \/>\n    Contemplam-me, das nuvens debru&ccedil;ados:<br \/>\n    E por ventura de lhes ser eu filho<br \/>\n    Enlevam-se, e repetem, n&atilde;o sem gl&oacute;ria, <br \/>\n    Os seus cantores d&#8217;Itajuba o nome.<\/p>\n<p>\n    Vem primeiro Juc&aacute; de fero aspecto.<br \/>\n    Duma on&ccedil;a bicolor cai-lhe na fronte<br \/>\n    A pel&#8217; vistosa;sob as hirtas cerdas,<br \/>\n    Como sorrindo, alvejam brancos dentes,<br \/>\n    E nas vazias &oacute;rbitas lampejam<br \/>\n    Dois olhos, fulvos, maus. &#8211; No bosque, um dia,<br \/>\n    A trai&ccedil;oeira fera a cauda enrosca<br \/>\n    E mira nele o pulo; do tacape<br \/>\n    Juc&aacute; desprende o golpe, e furta o corpo;<br \/>\n    Onde estavam seus p&eacute;s, as duras garras <br \/>\n    Encravavam-se enganadas, e onde as garras<br \/>\n    Morderam, beija a terra a fera exangue<br \/>\n    E, morta, ao vencedor tributa um nome.<\/p>\n<p>Vem depois Jacar&eacute;, senhor dos rios,<br \/>\n    Ita-roca indom&aacute;vel, &#8211; Catucaba, <br \/>\n    Primeiro sempre no combate, &#8211; o forte<br \/>\n    Ju&ccedil;urana, &#8211; Poti ligeiro e destro,<br \/>\n    O tardo Japegu&aacute;, &#8211; o sempre aflito<br \/>\n    Pia&iacute;ba, que esp&iacute;ritos perseguem:<br \/>\n    Mojac&aacute;, Mopereba, irm&atilde;os nas armas,<br \/>\n    Sempre unidos, ningu&eacute;m n&atilde;o foi como eles!<br \/>\n    Lagos de sangue derramaram juntos;<br \/>\n    Filhos e pais e m&atilde;es d&#8217;imigas tabas<br \/>\n    Odeiam-nos chorando, e a gl&oacute;ria d&#8217;ambos,<br \/>\n    Assim chorada, mais e mais se exalta:<br \/>\n    Samotim, Piraj&aacute;, e outros infindos,<br \/>\n    Her&oacute;is tamb&eacute;m, aos quais faltou somente <br \/>\n    Na&ccedil;&atilde;o menor, menos guerreira tribo.<\/p>\n<p>Japi, o atirador, quando escutava <br \/>\n    Os sons guerreiros do membi troante,<br \/>\n    Na tesa corda flecha embebe inteira,<br \/>\n    E mira um javali que os alvos dentes,<br \/>\n    Navalhados, remove: p&aacute;ra,escuta&#8230;<br \/>\n    Volvem-lhe os mesmos sons: Bate-lhe o peito<br \/>\n    Os olhos pulam, &#8211; solta horrendo grito,<br \/>\n    Arranca e ro&ccedil;a a fera!&#8230; a fera at&ocirc;nita,<br \/>\n    Aterrada, transida, treme, erri&ccedil;a<br \/>\n    As duras cerdas; tiritante, p&aacute;vida, <br \/>\n    Esgazeando os olhos fascinados,<br \/>\n    Recua: um tronco s&oacute; lhe embarga os passos.<br \/>\n    Por longo trato, de si mesma alheia,<br \/>\n    Demora-se, lembrada: a custo o sangue<br \/>\n    Volve de novo ao costumado giro,<br \/>\n    Em quando o vulto horrendo se recorda!<\/p>\n<p>&#8220;Mas onde est&aacute; Jatir? &#8211; pergunta o chefe,<br \/>\n    Que debalde o procura entre os que o cercam:<br \/>\n    Jatir, dos olhos negros, que me luzem,<br \/>\n    Melhor que o sol nascendo, dentro d&#8217;alma;<br \/>\n    Jatir, que aos chefes todos anteponho,<br \/>\n    Cuja bravura e temer&aacute;rio arrojo<br \/>\n    Folgo em reger e moderar nos pr&eacute;lios;<br \/>\n    Esse, porque n&atilde;o vem, quando vos vindes?&#8221;<br \/>\n    &#8211; Corre Jatir no bosque, diz um chefe <br \/>\n    Bem sabes como: acinte se desgarra<br \/>\n    Dos nossos, &#8211; andal s&oacute;, talvez sem armas,<br \/>\n    Talvez bem longe: acordo nele &eacute; certo,<br \/>\n    Creio, de nos tachar assim de fracos! &#8211;<br \/>\n    Pais de Jatir, Ogib, entrara em anos; <br \/>\n    Grosseiro cedro mal lhe afirma os passos,<br \/>\n    Os olhos pouco v&ecirc;em; mas de conselho<br \/>\n    Valioso e prestante. Ali, mil vezes,<br \/>\n    Havia com prud&ecirc;ncia temperado<br \/>\n    O juvenil ardor dos seus, que o ouviam.<br \/>\n    Alheio agora da prud&ecirc;ncia, escuta<br \/>\n    A voz que o filho amado lhe crimina.<br \/>\n    Sopra-lhe o dizer acre a cinza quente,<br \/>\n    Viva, acesa, antes brasa, &#8211; o amor paterno:<br \/>\n    Amor inda t&atilde;o forte na velhice,<br \/>\n    Como no dia venturoso, quando<br \/>\n    Cendi, que os olhos seus s&oacute; viram bela,<br \/>\n    Sorrindo luz de amor dos meigos olhos,<br \/>\n    Carinhosa lho deu; quando na rede<br \/>\n    Ouvia com prazer ass ledas vozes<br \/>\n    Dos companheiros seus, &#8211; e quando absorto, <br \/>\n    Olhos pregados no gentil menino, <br \/>\n    Bem longas horas, sim, por&eacute;m bem doces <br \/>\n    Levou cismando aventuradas sinas.<br \/>\n    Ali o tinha, ali meigo e risonho <br \/>\n    Aqueles tenros bra&ccedil;os levantava; <br \/>\n    Aqueles olhos l&iacute;mpidos se abriam<br \/>\n    &Agrave; luz da vida: c&acirc;ndido sorriso, <br \/>\n    Como o sorrir da flor no romper d&#8217;alva,<br \/>\n    Radiava-lhe o rosto: quem julgara,<br \/>\n    Quem poder&aacute; aventar, supor ao menos<br \/>\n    Haverem de apertar-se aqueles bra&ccedil;os <br \/>\n    T&atilde;o mimosos, um dia, contra o peito<br \/>\n    Arquejante e cansado, &#8211; e aqueles olhos <br \/>\n    Verterem pranto amargo em soledade?<br \/>\n    Incr&iacute;vel! &#8211; por&eacute;m l&aacute;grimas cresceram-lhe<br \/>\n    Dos olhos, &#8211; l&aacute; tombou-lhe uma, das faces<br \/>\n    No filho, em cujo rosto um beijo a enxuga. <br \/>\n    Agora, Ogib, alheio da prud&ecirc;ncia,<br \/>\n    Que ensina, imputa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o m&aacute;s ouvindo<br \/>\n    Contra o filho querido, acre responde.<\/p>\n<p>&#8220;S&atilde;o torpes os anuns que em bandos folgam,<br \/>\n    S&atilde;o maus os caitetus, que em varas pascem, <br \/>\n    Somente o sabi&aacute; geme sozinho,<br \/>\n    E sozinho o Condor aos c&eacute;us remonta.<br \/>\n    Folga Jatir de s&oacute; viver consigo:<br \/>\n    Em bem, que tens agora que dizer-lhe?<br \/>\n    Esmaga o seu tacape a quem vos prende,<br \/>\n    A quem vos dana, afoga entre os seus bra&ccedil;os,<br \/>\n    E em quem vos acomete, emprega as setas.<br \/>\n    Fraco! n&atilde;o temes j&aacute; que te n&atilde;o falte<br \/>\n    O primeiro entre v&oacute;s, Jatir, meu filho?&#8221;<\/p>\n<p>Despeitoso Itajub&aacute;, ouvindo um nome.<br \/>\n    Embora o de Jatir, apregoado<br \/>\n    Melhor, maior que o seu, a testa enruga<br \/>\n    E diz severo aos dois qu&#8217;inda argumentam<\/p>\n<p>Mais respeito, mancebo, ao s&aacute;bio velho,<br \/>\n    Qu&#8217;&eacute;ramos n&oacute;s crian&ccedil;as, manejava <br \/>\n    A seta e o arco em defens&atilde;o dos nossos.<br \/>\n    Tu, velho, mais prud&ecirc;ncia. Entre n&oacute;s todos <br \/>\n    O primeiro sou eu: Jatir, teu filho,<br \/>\n    E forte e bravo; por&eacute;m novo. Eu mesmo<br \/>\n    Gabo-lhe o porte e a gentileza; e aos feitos<br \/>\n    Nov&eacute;is aplaudo: bem maneja o arco,<br \/>\n    Vibra certeira a flecha; mas&#8230;(sorrindo<br \/>\n    Prossegue) afora dele inda h&aacute; quem saiba<br \/>\n    Mover t&atilde;o bem as armas, e nos bra&ccedil;os <br \/>\n    Robustos, afogar fortes guerreiros.<br \/>\n    Jatir vir&aacute;, sen&atilde;o&#8230; serei convosco.<br \/>\n    (Disse voltado para os seus, que o cercam)<br \/>\n    E bem sabeis que vos n&atilde;o falto eu nunca.<\/p>\n<p>Altercam eles nas ruidosas tabas,<br \/>\n    Em quanto Jurucei com p&eacute; ligeiro<br \/>\n    Caminha: as aves docemente atitam,<br \/>\n    De ramo em ramo &#8211; docemente o bosque<br \/>\n    &Agrave; medo rumoreja, &#8211; &agrave; medo o rio<br \/>\n    Escoa-se e murmura: um borborinho,<br \/>\n    Confuso se propaga, &#8211; um rio incerto<br \/>\n    Dilata-se do sol doirando o ocaso.<br \/>\n    &Uacute;ltimo som que morre, &uacute;ltimo raio<br \/>\n    De luz, que treme incerta, quantos entes<br \/>\n    Oh! h&atilde;o de ver a luz de novo<br \/>\n    E o romper d&#8217;alva, e os c&eacute;us, e a natureza<br \/>\n    Risonha e fresca, &#8212; e os sons, e os ledos cantos<br \/>\n    Ouvir das aves t&iacute;midas no bosque<br \/>\n    Outra vez ao surgir da nova aurora?!<\/p>\n<h2><a name=\"2\">Canto Segundo<\/a><\/h2>\n<p>Desdobra-se da noite o manto escuro:<br \/>\n    Leve brisa subtil pela floresta <br \/>\n    Enreda-se e murmura, &#8211; amplo sil&ecirc;ncio<br \/>\n    Reina por fim. Nem saber&aacute;s tu como <br \/>\n    Essa imagem da morte &eacute; triste e torva.<br \/>\n    Se nunca, a s&oacute;s contigo, a pressentisse<br \/>\n    Longe deste zunir da turba inquieta.<br \/>\n    No ermo, sim; procura o ermo e as selvas&#8230;<br \/>\n    Escuta o som final, o extremo alento, <br \/>\n    Que exala em fins do dia a natureza!<br \/>\n    O pensamento, que incessante voa,<br \/>\n    Vai do som &acirc; mudez, da luz &agrave;s sombras <br \/>\n    E da terra sem flor, ao c&eacute;u sem astro.<br \/>\n    Simelha a gra&ccedil;a luz, qu&#8217;inda vacila<br \/>\n    Quando, em ledo sarau, o extremo acorde<br \/>\n    No deserto sal&atilde;o geme, e se apaga!<\/p>\n<p>Era pujante o chefe dos Timbiras,<br \/>\n    Sem conto seus guerreiros, tr&ecirc;s as tabas,<br \/>\n    Opimas, &#8211; uma e uma derramadas<br \/>\n    Em giro, como dan&ccedil;a dos guerreiros.<br \/>\n    Quem n&atilde;o folgara de as achar nas matas!<br \/>\n    Tr&ecirc;s flores em tr&ecirc;s hastes diferentes <br \/>\n    Num mesmo tronco, &#8211; tr&ecirc;s irm&atilde;s formosas<br \/>\n    Por um la&ccedil;o de amor ali prendidas<br \/>\n    No ermo; mas vivendo aventuradas?<br \/>\n    Deu-lhes assento o her&oacute;i entre dois montes,<br \/>\n    Em ch&atilde; copada de frondosos bosques.<br \/>\n    Ali o cajazeiro as perfumava,,<br \/>\n    O cajueiro, na esta&ccedil;&atilde;o das flores,<br \/>\n    De vivo sangue marchetava as folhas?<br \/>\n    As mangas, curvas &agrave; fei&ccedil;&atilde;o de um arco, <br \/>\n    Beijavam-lhes o teto; a sapucaia<br \/>\n    Lambia a terra , &#8211; em graciosos la&ccedil;os<br \/>\n    Doces maracuj&aacute;s de espessas ramas <br \/>\n    Sorriam-se pendentes; o pau-d&#8217;arco<br \/>\n    Fabricava um dossel de cr&oacute;ceas flores,<br \/>\n    E as parasitas de matiz brilhante<br \/>\n    A &uacute;snea das palmeiras estrelavam!<\/p>\n<p>Quadro risonho e grande, em que n&atilde;o fosse<br \/>\n    Em granito eu em m&aacute;rmore talhado!<br \/>\n    Nem pal&aacute;cios, nem T&ocirc;rres avistaras,<br \/>\n    Nem castelos que os anos v&atilde;o comento,<br \/>\n    Nem grimpas, nem zimb&oacute;rios, nem feituras<br \/>\n    Em pedra, que os humanos tanto exaltam!<br \/>\n    Rudas palho&ccedil;as s&oacute;! que mais carece<br \/>\n    Quem h&aacute; de ter somente um sol de vida,<br \/>\n    Jazendo negro p&oacute; antes do ocaso?<br \/>\n    Que mais? T&atilde;o bem a dor h&aacute; de sentar-se<br \/>\n    E a morte revoar t&atilde;o solta em gritos <br \/>\n    Ali, como nos &aacute;trios dos senhores.<br \/>\n    T&atilde;o bem a compaix&atilde;o h&aaaacute; de cobrir-se<br \/>\n    De d&oacute;, limpando as l&aacute;grimas do aflito.<br \/>\n    Incerteza voraz, t&iacute;mida esp&#8217;ran&ccedil;a,<br \/>\n    Desejo, inquieta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m l&aacute; moram;<br \/>\n    Que sobra pois em n&oacute;s, que falta neles?<\/p>\n<p>De Itajub&aacute; separam-se os guerreiros;<br \/>\n    Mudos, &agrave;s portas das sombrias tabas, <br \/>\n    Im&oacute;veis, nem que fossem duros troncos,<br \/>\n    Pensativos meditam: J&aacute; da guerra<br \/>\n    Nada receiam, que Itajub&aacute; os manda?<br \/>\n    O encanto, os manit&ocirc;s inda o protege,<br \/>\n    Vela tup&atilde; sobre ele, e os santos piagas<br \/>\n    Comprida s&eacute;rie de floridas quadras<br \/>\n    Ver lhe asseguram: nem de h&aacute; pouco a luta,<br \/>\n    Melhor dissertas de renome ensejo,<br \/>\n    Os desmentiu, que nunca os piagas mentem.<br \/>\n    Medo, certo, n&atilde;o t&ecirc;m; s&atilde;o todos bravos!<br \/>\n    Por que meditam pois? Tamb&eacute;m n&atilde;o sabem!<\/p>\n<p>Sai o piaga no entanto da caverna,<br \/>\n    Que nunca humanos olhos penetraram<br \/>\n    Com ligeiro cendal os rins aperta,<br \/>\n    Cocar de escuras plumas se debru&ccedil;a<br \/>\n    Da fronte, em que se enxerga em fundas rugas<br \/>\n    O tenaz pensamento afigurado.<br \/>\n    Cercam-lhe os pulsos cascav&eacute;is loquazes,<br \/>\n    Respondem outros, no trip&uacute;dio sacro<br \/>\n    Dos p&eacute;s. Vem majestoso, e grave, e cheio <br \/>\n    Do Deus, que o peito seu, t&atilde;o fraco, habita.<br \/>\n    E em quanto o fumo lhe volteia em torno,<br \/>\n    Como neblina em torno ao sol que nasce,<br \/>\n    Ruidoso marac&aacute; nas m&atilde;os sustenta,<br \/>\n    Solta do sacro rito os sons cadentes.<\/p>\n<p> &#8220;Visita-nos Tup&atilde;, quando dormimos,<br \/>\n    &Eacute; s&oacute; por seu querer que est&atilde;o sonhamos\/<br \/>\n    Escute-me Tup&atilde;! Sobre v&oacute;s outros,<br \/>\n    Poder do marac&aacute; por mim tangido,<br \/>\n    Os sonhos des&ccedil;am, quando o orvalho desce.<br \/>\n    &#8220;O poder de Anhang&aacute; cresce co&#8217;a noite;<br \/>\n    Sota de noite o mau seus maus ministros:<br \/>\n    Caraibebes na floresta acendem <br \/>\n    A falsa luz, que o ca&ccedil;ador transvia.<br \/>\n    Caraibebes enganosas formas<br \/>\n    D&atilde;o-nos aos sonhos, quando n&oacute;s sonhamos.<br \/>\n    Poder do fumo, que lhes quebra o encanto,<br \/>\n    De v&oacute;s se partam; masTup&atilde; vos olhe,<br \/>\n    Descendo os sonhos, quando o orvalho desce.<\/p>\n<p>&#8220;O sonho e a vida s&atilde;o dois galhos g&ecirc;meos;<br \/>\n    S&atilde;o dois irm&atilde;os quer um la&ccedil;o amigo aperta:<br \/>\n    A noite &eacute; o la&ccedil;o; mas Tup&atilde; &eacute; o troco<br \/>\n    E a seve e o sag&uuml;i que circula em ambos.<br \/>\n    Vive melhor que da exist&ecirc;ncia ignaro,<br \/>\n    Na paz da noite, novas for&ccedil;as cria.<br \/>\n    O louco vive com aferro, em quanto<br \/>\n    N1alma lhe ondeiam do del&iacute;rio as sombras,<br \/>\n    De vida esp&uacute;rias; Deus por&eacute;m lhas rompe<br \/>\n    E na loucura do porvir no fala!<br \/>\n    Tup&atilde; vos olhe, e sobre v&oacute;s do Ibaque<br \/>\n    Os sonhos des&ccedil;am, quando o orvalho desce!&#8221;<\/p>\n<p>Assim cantava o piaga merenc&oacute;rio,<br \/>\n    Tangia o marac&aacute;, dan&ccedil;ava em roda<br \/>\n    Dos guerreiros: poder&aacute; ouvido atento<br \/>\n    Os sons finais da l&uacute;gubre toada<br \/>\n    Na pl&aacute;cida mudez da noite amiga<br \/>\n    De longe, em c&ocirc;ro ouvir? &#8220;Sobre n&oacute;s outros<br \/>\n    Os sonos des&ccedil;am, quando o orvalho desce.&#8221;<\/p>\n<p>Calou-se o piaga, ka descansam todos!<br \/>\n    Almo Tup&atilde; os comunique em sonhos,<br \/>\n    E os que sabem t&atilde;o bem vencer batalhas<br \/>\n    Quando acordados malbaratam golpes<br \/>\n    Saibam dormidos figurar triunfos!<\/p>\n<p>Mas que medita o chefe dos Timbiras?<br \/>\n    Bosqueja por ventura ardis de guerra,<br \/>\n    Fabrica e enreda as &aacute;speras ciladas,<br \/>\n    E a olhos nus do pensamento enxerga<br \/>\n    Desfeita em sangue revolver-se em gritos<br \/>\n    Morte p&aacute;vida e m&aacute;?! ou sente e avista,<br \/>\n    Escandecida a mente, o Deus da guerra<br \/>\n    Imp&aacute;vido Aresqui, sanhudo e forte,,<br \/>\n    Calcar aos p&eacute;s cad&aacute;veres sem conto,<br \/>\n    Na destra ingente sacudindo a ma&ccedil;a,<br \/>\n    Donde certeira como o raio, desce<br \/>\n    A morte, e banha-se orgulhosa &#8211; em sangue?<\/p>\n<p>Al sente o bravo; outro pensar o ocupa!<br \/>\n    Nem Aresqui,nem sangue se lhe antolha, <br \/>\n    Nem resolve consigo ardis de guerra,<br \/>\n    Nem combates, nem l&aacute;grimas medita:<br \/>\n    Sentiu calar-lhe n&#8217;alma em sentimento<br \/>\n    Gelado e mudo, como o v&eacute;u da noite.<br \/>\n    Jatir, dos olhos negros, onde p&aacute;ra?<br \/>\n    Que faz que lida: ou que fortuna corre?<br \/>\n    Tr&ecirc;s s&oacute;is j&aacute; s&atilde;o passados: quanto espa&ccedil;o,<br \/>\n    Quanto azar n&atilde;o correu nos amplos bosques<br \/>\n    O impr&oacute;vido mancebo aventureiro?<br \/>\n    Ali na relva a cascavel se esconde,<br \/>\n    Ali, das ramas debru&ccedil;ado, o tigre<br \/>\n    Aferra trai&ccedil;oeiro a presa incauta!<br \/>\n    Reserve-lhe Tup&atilde; mais fama e gl&oacute;ria,<br \/>\n    E voz amiga de cantor suave<br \/>\n    C&#8217;os altos feitos lhe embalsame o nome!<\/p>\n<p>Assim discorre o chefe, que em nodoso<br \/>\n    Tronco rudo-lavrado se recosta?<br \/>\n    N&atilde;o tem poder a noite em seus sentidos, <br \/>\n    Que a mesma id&eacute;ia de cont&iacute;nuo volvem.<br \/>\n    Vela e treme nos tetos da cabana<br \/>\n    A ba&ccedil;a luz das resinosas tochas,<br \/>\n    Acres perfumes recendendo; &#8211; alastram<br \/>\n    De rubins cor de brasa a flor do rio!<\/p>\n<p>&#8220;Ouvira com prazer um triste canto,<br \/>\n    Diz l&aacute; consigo; um canto merenc&oacute;rio.<br \/>\n    Que este press&aacute;gio f&uacute;nebre espancasse.<br \/>\n    Bem sinto um n&atilde;o se que aferventar-se-me<br \/>\n    Nos olhos, que vai prestes expandir-se:<br \/>\n    N&atilde;o sei chorar, bem sei; mas fora grato,<br \/>\n    Talvez bem grato!&agrave; noite, e a s&oacute;s comigo<br \/>\n    Sentir macias l&aacute;grimas correndo.<br \/>\n    O talo agreste de um cip&oacute; em gra&ccedil;a<br \/>\n    Verte compridas l&aacute;grimas cortado<br \/>\n    O tronco do caj&aacute; desfaz-se em goma,<br \/>\n    Suspira o vento, o passarinho canta,<br \/>\n    O homem cora! eu s&oacute;, mais desditoso, <br \/>\n    Invejo o passarinho, o tronco, o arbusto,<br \/>\n    E quem, feliz, de l&aacute;grimas se paga&#8221;<\/p>\n<p>Longo espa&ccedil;o depois falou consigo,<br \/>\n    Mudo e sombrio: &#8220;Sabi&aacute; das matas,<br \/>\n    Cro&aacute; (diz ele ao filho d&#8217;Iandiroba)<br \/>\n    As mais canoras aves, as mais tristes <br \/>\n    No bosque, a suspirar contigo aprendam.<br \/>\n    Canta, pois que trocara de bom grado <br \/>\n    Os altos feitos pelos doces carmes<br \/>\n    Quem quer que os escutou, mesmo Itajub&aacute;.<\/p>\n<p>Eudeceu: na taba quase escura,<br \/>\n    Com p&eacute; alterno a dan&ccedil;a vagarosa, <br \/>\n    Aos sons do marac&aacute;, tra&ccedil;ava os passos.<br \/>\n    &#8220;Flor de beleza, luz de amor, Coema,<br \/>\n    Murmurava o cantor, onde te foste,<br \/>\n    T&atilde;o doce e bela, quanto o sol raiava?<br \/>\n    Coema, quanto amor que nos deixaste?<br \/>\n    Eras t&atilde;o meiga, teu sorrir t&atilde;o brando, <br \/>\n    T&atilde;o macios teus olhos! teus acentos<br \/>\n    Cantar perene, tua voz gorjeios<br \/>\n    Ruas palavras mel! O romper d&#8217;alva,<br \/>\n    Se encantos punha a par dos teus encantos <br \/>\n    Tentava embalde pleitear contigo!<br \/>\n    N&atilde;o tinha a ema porte mais soberbo,<br \/>\n    Nem com mais gra&ccedil;a recurvava o colo!<br \/>\n    Coema, luz de amor, onde te foste?<\/p>\n<p>&#8220;Amava-te o melhor, o mais guerreiro<br \/>\n    Dentre n&oacute;s? elegeu-te companheira,<br \/>\n    A ti somente, que s&oacute; tu achavas<br \/>\n    Sorriso e gra&ccedil;a na presen&ccedil;a dele<br \/>\n    Flor, que nasceste no musgoso cedro,<br \/>\n    Cobravas p&aacute;reas de abundante seiva,<br \/>\n    Tinhas abrigo e prote&ccedil;&atilde;o das ramas&#8230;<br \/>\n    Que vendaval te despegou do tronco,<br \/>\n    E ao longe, em p&oacute;, te esperdi&ccedil;ou no vale?<br \/>\n    Coema, luz de amor, flor de beleza,<br \/>\n    Onde te foste, quando o sol raiava?<\/p>\n<p>&#8220;Anhang&aacute; rebocou estreita igara<br \/>\n    Contra a corrente: Orapac&eacute;m vem nela,<br \/>\n    Orapac&eacute;m, Tupinamb&aacute; famoso<br \/>\n    Conta prod&iacute;gios duma ra&ccedil;a estranha,<br \/>\n    T&atilde;o alva como o dia, quando nasce,<br \/>\n    Ou como a areia c&acirc;ndida e luzente, <br \/>\n    Que as &aacute;guas dum regato sempre lavam.<br \/>\n    Ra&ccedil;a, q quem os raios prontos servem, <br \/>\n    E o trov&atilde;o e o rel&acirc;mpago acompanham<br \/>\n    J&aacute; de Orapac&eacute;m os mais guerreiros <br \/>\n    Mordem o p&oacute;, e as tabas feitas cinza<br \/>\n    Clamam vingan&ccedil;a em v&atilde;o contra os estranhos.<br \/>\n    Talvez d&#8217;outros estranhos perseguidos,<br \/>\n    Em puni&ccedil;&atilde;o talvez d&#8217;atroz delito.<br \/>\n    Orapac&eacute;m, fugindo, brada sempre:<br \/>\n    Mair! Mair! Tup&atilde;! &#8211; Terror que mostra,<br \/>\n    Brados que solta, e as derrocadas tabas,<br \/>\n    Desde Tapuitapera alto proclamam<br \/>\n    Do vencedor a ind&ocirc;mita pujan&ccedil;a.<br \/>\n    Ai! n&atilde;o viesse nunca as nossas tabas<br \/>\n    O tapuia mendaz, que os bravos feitos<br \/>\n    Narrava do Mair; nunca os ouviras,<br \/>\n    Flor de beleza, luz de amor, Coema!<\/p>\n<p>&#8220;A cega desventura, nunca ouvida,<br \/>\n    Nos move &agrave; compaix&atilde;o: prestes corremos<br \/>\n    Com ledo gasalhado a restaura-los<br \/>\n    Da vil dureza do seu fado: dormem<br \/>\n    Nas nossas redes diligentes vamos <br \/>\n    Colher-lhes frutos, &#8212; descansados folgam<br \/>\n    Nas nossas tabas? Itajub&aacute; mesmo<br \/>\n    Of&#8217;rece abrigo ao palrador tapuia!<br \/>\n    Hospedes s&atilde;o, nos diz; Tup&atilde; os manda:<br \/>\n    Os filhos de tup&acirc; ser&atilde;o bem vindos,<br \/>\n    Onde Itajub&aacute; impera! &#8211; Ao que n&atilde;o eram,<br \/>\n    Nem filhos de Tup&atilde;, nem gratos h&oacute;spedes<br \/>\n    Os vis que o rio, a custo, nos trouxera;<br \/>\n    Antes dolosa resfriada serpe<br \/>\n    Que ao nosso lar creou vida e pe&ccedil;onha.<br \/>\n    Quem nunca os vira! porem tu, Coema,<br \/>\n    Leda avezinha, que adejavas livre,<br \/>\n    Asas da cor da prata ao sol abrindo, <br \/>\n    A serpente cruel porque fitaste,<br \/>\n    Se j&aacute; do olhado mau sentias pejo?!<\/p>\n<p>&#8220;Ouvimos, uma vez, da noite em meio,<br \/>\n    Voz de aflita mulher pedir socorro<br \/>\n    \/e em tom sumido lastimar-se ao longe.<br \/>\n    Opac&eacute;m! &#8211; bradou feroz tr&ecirc;s vezes <br \/>\n    O filho de Jaguar: clamou debalde.<br \/>\n    Somente acode o eco &agrave; voz irada,,<br \/>\n    Quando ele o malfeitor no instinto enxerga.<br \/>\n    Em sanhas rompe o chefe hospitaleiro,<br \/>\n    E tenta com af&atilde; chegar ao termo,<br \/>\n    Donde as querelas m&iacute;seras partiam.<br \/>\n    Chegou &#8211; j&aacute; tarde! &#8211; n&oacute;s, mais tardos inda,<br \/>\n    Assistimos ao s&uacute;bito espet&aacute;culo!<\/p>\n<p>&#8220;Queimam-se raros fogos nas desertas <br \/>\n    Margens do rio, quase imerso em trevas:<br \/>\n    Afadigados no labor noturno,<br \/>\n    Os trai&ccedil;oeiros h&oacute;spedes caminham,<br \/>\n    Pejando &agrave; pressa as c&ocirc;ncavas igaras.<br \/>\n    Longe, Coema, a doce flor dos bosques,<br \/>\n    Com voz de embrandecer duros penhascos,<br \/>\n    Suplica e roja em v&atilde;o aos p&eacute;s do fero,<br \/>\n    Caviloso tapuia! N&atilde;o resiste<br \/>\n    Ao fogo da paix&atilde;o, que dentro lavra,<br \/>\n    O b&aacute;rbaro, que a viu, que a v&ecirc; t&atilde;o bela!<\/p>\n<p>&#8220;Vai arrast&aacute;-la, &#8211; quando sente uns passos <br \/>\n    R&aacute;pidos, breves, &#8211; volta-se: &#8211; Itajub&aacute;!<br \/>\n    Grita; e os seus, medrosos, receiando<br \/>\n    A perigosa luz, os fogos matam.<br \/>\n    Mas, no extremo clar&atilde;o que eles soltaram, <br \/>\n    Viu-se Itajub&aacute; com seu arco em punho,<br \/>\n    Calculando a dist&acirc;ncia, a for&ccedil;a e o tiro:<br \/>\n    Era grande a dist&acirc;ncia, a for&ccedil;a imensa&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;E a raiva incr&iacute;vel, continua o chefe, <br \/>\n    A antiga cicatriz sentindo abrir-se!<br \/>\n    Ficou-me o arco em dois nas m&atilde;os partido,<br \/>\n    E a frecha vil caiu-me s&atilde;os p&eacute;s sem for&ccedil;a.&#8221;<br \/>\n    E assim dizendo nos cerrados punhos <br \/>\n    De novo pensativo a fronte oprime.<\/p>\n<p>&#8220;Sim, tornava o Cantor, Imenso e forte<br \/>\n    Devera o arco ser, que entre n&oacute;s todos <br \/>\n    S&oacute; um achou, que lhe vergasse as pontas,<br \/>\n    Quando Jaguar morreu! &#8211; partiu-se o arco!<br \/>\n    Depois ouviu-se um grito, ap&oacute;s ru&iacute;do,<br \/>\n    Que as &aacute;guas fazem no tombar de um corpo;<br \/>\n    Depois &#8211; sil&ecirc;ncio e trevas&#8230;<br \/>\n    &#8211;&#8220;Nessas trevas,<br \/>\n    Replicava Itajub&aacute;, &#8211; inteira a noite,<br \/>\n    Louco vaguei, corri d&#8217;encontro as rochas,<br \/>\n    Meu corpo lacerei nos espinheiros, <br \/>\n    Mordi sem tino a terra j&aacute; cansado:<br \/>\n    Solu&ccedil;avam por&eacute;m meus frouxos l&aacute;bios<br \/>\n    O nome dela t&atilde;o querido, e o nome&#8230;<br \/>\n    Aos vis Tupinamb&aacute;s nunca os eu veja,<br \/>\n    Ou morra, antes de mim, meu nome e gl&oacute;ria<br \/>\n    Se os n&atilde;o hei de punir ao recordar-me <br \/>\n    A aurora infausta que me trouxe aos olhos<br \/>\n    O cad&aacute;ver&#8230;&#8221; Parou, que a estreita gorja<br \/>\n    Recusa aos cavos sons prestar acento.<\/p>\n<p>&#8220;Descansa agora o p&aacute;lido cad&aacute;ver, <br \/>\n    Continua o cantor junto &agrave; corrente<br \/>\n    So regato, que volve areias d&#8217;ouro.<br \/>\n    Ali agrestes flores lhe matiz&atilde;o<br \/>\n    O modesto sepulcro, &#8211; aves canoras<br \/>\n    Descantam tristes n&ecirc;nias so compasso <br \/>\n    Das &aacute;guas, que tamb&eacute;m n&ecirc;nia solu&ccedil;am<\/p>\n<p>&#8220;Suspirada Coema, em paz descansa<br \/>\n    No teu florido e f&uacute;nebre jazigo;<br \/>\n    Mas quando a noite dominar no espa&ccedil;o, <br \/>\n    Quando a lua coar &uacute;midos raios<br \/>\n    Por entre as densas, buli&ccedil;osas ramas,<br \/>\n    Da c&acirc;ndida neblina veste as formas,<br \/>\n    E vem no bosque suspirar co&#8217;a brisa:<br \/>\n    Ao guerreiro, qu dorme, inspira sonhos,<br \/>\n    E &agrave; virgem, que adormece, amor inspira.&#8221;<\/p>\n<p>Calou-se o marac&aacute; rugiu de novo<br \/>\n    A extrema vez, e jaz emudecido.<br \/>\n    Mas no remanso do sil&ecirc;ncio e trevas, <br \/>\n    Como d&eacute;bil vagido, escutarias<br \/>\n    Queixosa voz, que repetia em sonhos:<br \/>\n    &#8220;Veste, Coema, as formas da neblina,<br \/>\n    Ou vem nos raios tr&ecirc;mulos da lua<br \/>\n    Cantar, viver e suspirar comigo.&#8221;<\/p>\n<p>Ogib, o velho pai do aventureiro<br \/>\n    Jatir, n&atilde;o dorme nos vazios tetos:<br \/>\n    Do filho ausente prendem-no cuidados;<br \/>\n    Vela cansado e triste o pai coitado, <br \/>\n    Lembrando-se desastres que passaram<br \/>\n    Impr&oacute;vidos, no bosque pernoitando.<br \/>\n    E vela, &#8211; e a mente aflita mais se enluta,<br \/>\n    Quanto mais cresce a noite e as trevas crescem!<br \/>\n    J&aacute; tarde, sente uns passos apressados,<br \/>\n    Medindo a taba escura; o velho treme,<br \/>\n    Estende a m&atilde;o convulsa, e ro&ccedil;a um corpo<br \/>\n    Molhado e tiritante: a voz lhe falta&#8230;<br \/>\n    Atende largo espa&ccedil;o, at&eacute; que escuta<br \/>\n    A voz do sempre aflito Pia&iacute;ba,<br \/>\n    Ao p&eacute; do fogo extinto lastimar-se.<\/p>\n<p>&#8220;O louco Pia&iacute;ba, a noite inteira,<br \/>\n    Andou nas matas; miserando sofre;<br \/>\n    O corpo tem aberto em fundas chagas,<br \/>\n    E o orvalho gotejou fogo sobre elas;<br \/>\n    Como o verme na fruta, um Deus maligno<br \/>\n    Lhe mora na cabe&ccedil;a, oh! quanto sofre!<br \/>\n    &#8220;Em quanto o velho Ogib est&aacute; dormindo,<br \/>\n    Vou-me aquecer;<br \/>\n    O fogo &eacute; bom, o fogo aquece muito;<br \/>\n    Tira o sofrer.<br \/>\n    Em quanto o velho dorme, n&atilde;o me expulsa<br \/>\n    D&#8217;ao p&eacute; do lar;<br \/>\n    Dou-lhe a mensagem, que me deu a morte,<br \/>\n    Quando acordar!<br \/>\n    Eu via a morte: vi-a bem de perto<br \/>\n    Em hora m&aacute;!<br \/>\n    Vi&acute;-a de perto, n&atilde;o me quis consigo,<br \/>\n    Por ser t&atilde;o m&aacute;.<br \/>\n    S&oacute; n&atilde;o tem cora&ccedil;&atilde;o, dizem os velhos,<br \/>\n    E &eacute; bem de ver;<br \/>\n    Que, se o tivera, me daria a morte,<br \/>\n    Que &eacute; meu querer.<br \/>\n    N&atilde;o quis matar-me; mas &eacute; bem formosa;<br \/>\n    Eu vi-a bem:<br \/>\n    &Eacute; como a virgem, que n&atilde;o tem amores,<br \/>\n    Nem &oacute;dios tem..<br \/>\n    O fogo &eacute; bom, o fogo aquece muito, <br \/>\n    Quero-lhe bem!&#8221;<\/p>\n<p>Remexe, assim dizendo, as frias cinzas <br \/>\n    E mais e mais conchega-se o borralho. <br \/>\n    O velho entanto, erguido a meio corpo<br \/>\n    Na rede, escuta p&aacute;vido, e tirita <br \/>\n    De frio e medo, &#8211; quase igual del&iacute;rio<br \/>\n    Castiga-lhe as id&eacute;ias transtornadas.<\/p>\n<p>&#8220;J&aacute; me n&atilde;o lembra o que me disse a morte!&#8230;<br \/>\n    Ah! sim, j&aacute; sei!<br \/>\n    &#8211;Junto ao sepulcro da fiel Coema,<br \/>\n    Ali serei:<br \/>\n    Ogib emprazo, que a falar me venha<br \/>\n    Ao anoitecer! &#8211;<br \/>\n    O velho Ogib h&aacute;-de ficar contente<br \/>\n    Co&#8217;o meu dizer;<br \/>\n    Talvez que o velho, que viveu j&aacute; muito,<br \/>\n    Queira morrer!&#8221;<br \/>\n    Emudeceu: alfim tornou mais brando.<br \/>\n    &#8220;Mas dizem que a morte procura mancebos,<br \/>\n    Por&eacute;m tal n&atilde;o &eacute;:<br \/>\n    Que colhe as florinhas abertas de fresco<br \/>\n    E os frutos no p&eacute;?!&#8230;<br \/>\n    N&atilde;o, n&atilde;o, que s&oacute; ama sem folha as flores, <br \/>\n    E sem perfei&ccedil;&atilde;o;<br \/>\n    E os frutos perdidos, que apanha golosa, <br \/>\n    Ca&iacute;dos no ch&atilde;o.<br \/>\n    Tamb&eacute;m me n&atilde;o lembra que tempo hei vivido,<br \/>\n    Nem por que raz&atilde;o<br \/>\n    Da morte me queixo,que vejo, e n&atilde;o v&ecirc;-me,<br \/>\n    T&atilde;o sem compaix&atilde;o.&#8221;<br \/>\n    As &acirc;nsias n&atilde;o vencendo, que o so&ccedil;obram<br \/>\n    Salta da curva rede Ogib aflito;<br \/>\n    Tr&ecirc;mulo as trevas apalpando, topa, <br \/>\n    E roja miserando aos p&eacute;s do louco.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Oh! dize-me, se a viste, e se em tua alma<br \/>\n    Algum sentir humano inda se aninha,<br \/>\n    Jatir, que &eacute; feito dele? Disse a morte<br \/>\n    Haver-me cubi&ccedil;ado o mo&ccedil;o imberbe,<br \/>\n    A cara luz dos meus cansados olhos:<br \/>\n    Oh dize-o! Assim o esp&iacute;rito inimigo<br \/>\n    Folgados anos respirar te deixe!&#8221;<br \/>\n    O louco ouviu nas trevas os solu&ccedil;os<br \/>\n    Do velho, mas seus olhos nada alcan&ccedil;am:<br \/>\n    Pasma, e de novo o seu cantar come&ccedil;a:<br \/>\n    &#8220;Em quanto o velho dorme, n&atilde;o me expulsa<br \/>\n    D&#8217;ao p&eacute; do lar.&#8221;<br \/>\n    &#8211; &#8220;Mas expulsei-te eu nunca?<br \/>\n    Tornava Ogib a desfazer-se em pranto,<br \/>\n    Em &acirc;nsias de transido desespero. <br \/>\n    Bem sei que um Deus te mora dentro d&#8217;alma;<br \/>\n    E nunca houvera Ogib de espancar-te<br \/>\n    Do lar, onde Tup&atilde; &eacute; venerado.<br \/>\n    Mas fala! oh! fala, uma s&oacute; vez repete-o:<br \/>\n    Vagaste &agrave; noite nas sombrias matas&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Silencio! brada o louco, n&atilde;o escutas:?!&#8221;<br \/>\n    E p&aacute;ra, como ouvindo uns sons long&iacute;nquos.<br \/>\n    Depois prossegue: &#8220;Pia&iacute;ba o louco<br \/>\n    Errou de noite nas sombrias matas;<br \/>\n    O corpo tem aberto em fundas chagas, <br \/>\n    E o orvalho gotejou fogo sobre elas.<br \/>\n    Geme e sofre e sente fome e frio,<br \/>\n    Nem h&aacute; quem de seus males se condoa.<br \/>\n    Oh! tenho frio! o fogo &eacute; bom, e aquece,<br \/>\n    Quero-lhe bem!&#8221;<br \/>\n    &#8211; &#8220;Tup&atilde;, que tudo podes,<br \/>\n    Orava Ogib em l&aacute;grima desfeito,<br \/>\n    A vida in&uacute;til do cansado velho<br \/>\n    Toma, se a queres; mas que eu veja em vida <br \/>\n    Meu filho, s&oacute; depois me colha a morte!&#8221;<\/p>\n<h2><a name=\"3\">Canto Terceiro<\/a><\/h2>\n<p>Era a hora em que a flor balan&ccedil;a o c&aacute;lix<br \/>\n    Aos doces beijos da serena brisa,<br \/>\n    Quando a ema soberba alteia o colo,<br \/>\n    Ro&ccedil;ando apenas o matiz relvoso;<br \/>\n    Quando o sol em doirando os altos montes,<br \/>\n    E as ledas aves &agrave; porfia trinam,.<br \/>\n    E a verde coma dos frondosos cerros<br \/>\n    Quando a corrente meio oculta soa<br \/>\n    De sob o denso v&eacute;u da parda n&eacute;voa;<br \/>\n    Quando nos panos das mais brancas nuvens <br \/>\n    Desenha a aurora melindrosos quadros<br \/>\n    Gentis orlados com list&otilde;es de fogo;<br \/>\n    Quando o vivo carmim do esbelto c&aacute;ctus<br \/>\n    Refulge a m&ecirc;do abrilhantado esmalte,<br \/>\n    Doce poeira da aljofradas gotas, <br \/>\n    Ou p&oacute; sutil de p&eacute;rolas desfeitas.<\/p>\n<p>Era a hora gentil, filha de amores,<br \/>\n    Era o nascer do sol, libando as meigas,<br \/>\n    Risonhas faces da luzente aurora!<br \/>\n    Era o canto e o perfume, a luz e a vida, <br \/>\n    Uma s&oacute; coisa e muitas, &#8211; melhor face<br \/>\n    Da sempre v&aacute;ria e bela natureza:<br \/>\n    Um quadro antigo, que j&aacute; vimos todos,<br \/>\n    Que todos com prazer vemos de novo.<\/p>\n<p>Ama o filho do bosque contemplar-te,<br \/>\n    Risonha aurora, &#8211; ama acordar contigo;<br \/>\n    Ama espreitar nos c&eacute;us a luz que nasce,<br \/>\n    Ou r&oacute;sea ou branca, j&aacute; carmim, j&aacute; fogo,<br \/>\n    J&aacute; t&iacute;midos reflexos, j&aacute; torrentes<br \/>\n    De luz, que fere obl&iacute;qua os altos cimos.<br \/>\n    Amavam contemplar-te os de Itajub&aacute;<br \/>\n    Imp&aacute;vidos guerreiros, quando as tabas <br \/>\n    Imensas, que Jaguar fundou primeiro<br \/>\n    Cresciam, como crescem gigantescos<br \/>\n    Cedros nas matas, prolongando a sombra<br \/>\n    Longes nos vales, &#8211; e na copa excelsa<br \/>\n    Do sol estivo os abrasados raios<br \/>\n    Parando em vasto leito de esmeraldas.<\/p>\n<p>As tr&ecirc;s formosas tabas de Itajub&aacute; <br \/>\n    J&aacute; foram como os cedros gigantescos<br \/>\n    Da corrente impedrada: hoje acamados<br \/>\n    F&oacute;sseis que dormem sob a t&eacute;rrea crusta, <br \/>\n    Que os homens e as na&ccedil;&otilde;es por fim sepultam<br \/>\n    No bojo imenso! &#8211; Chame-lhe progresso<br \/>\n    Quem do exterm&iacute;nio secular se ufana:<br \/>\n    Eu modesto cantor do povo exinto<br \/>\n    Chorarei nos vast&iacute;ssimos sepulcros,<br \/>\n    Que v&atilde;o do mar ao Andes, e do Prata<br \/>\n    Ao largo e doce mar das Amazonas.<br \/>\n    Ali me sentarei meditabundo<br \/>\n    Em s&iacute;tio, onde n&atilde;o oi&ccedil;am meus ouvidos<br \/>\n    Os sons freq&uuml;entes d&#8217;europeus machados<br \/>\n    Por m&atilde;os de escravos Afros manejados:<br \/>\n    Nem veja as matas arrasar, e os troncos,<br \/>\n    Donde chorando a preciosa goma,<br \/>\n    Resina virtuosa e grato incenso<br \/>\n    A nossa inc&uacute;ria grande eterno asselam:<br \/>\n    Em s&iacute;tio onde os meus olhos n&atilde;o descubram<br \/>\n    Triste arremedo de long&iacute;nquas terras.<br \/>\n    Aos crimes das na&ccedil;&otilde;es Deus n&atilde;o perdoa:<br \/>\n    Do pai aos filhos e do filho aos netos,<br \/>\n    Por que um deles de todo apague a culpa,<br \/>\n    Vir&aacute; correndo a maldi&ccedil;&atilde;o &#8211; cont&iacute;nua,<br \/>\n    Como fuzis de uma cadeia eterna.<br \/>\n    Vir&atilde;o nas nossas festas mais solenes<br \/>\n    Mir&iacute;ade de sombras miserandas,<br \/>\n    Escarnecendo, secar o nosso orgulho<br \/>\n    De na&ccedil;&atilde;o; mas na&ccedil;&atilde;o que tem por base <br \/>\n    Os frios ossos da na&ccedil;&atilde;o senhora,<br \/>\n    E por cimento a cinza profanada<br \/>\n    Dos mortos, amassada aos p&eacute;s de escravos.<br \/>\n    N&atilde;o me deslumbra a luz da velha Europa;<br \/>\n    H&aacute;-de apagar-se mas que a inunde agora;<br \/>\n    E n&oacute;s?&#8230; sucamos leite mau na inf&acirc;ncia,<br \/>\n    Foi corrompido o ar que respiramos,<br \/>\n    Havemos de acabar talvez primeiro.<\/p>\n<p>Am&eacute;rica infeliz! &#8211; que bem sabia,<br \/>\n    Quem te criou t&atilde;o bela e t&atilde;o sozinha,<br \/>\n    Dos teus destinos maus! Grande e sublime<br \/>\n    Corres de p&oacute;lo a p&oacute;lo entre os sois mares<br \/>\n    M&aacute;ximos de globo: anos da inf&acirc;ncia <br \/>\n    Contavas tu por s&eacute;culos! que vida<br \/>\n    N&atilde;o fora a tua na saz&atilde;o das flores!<br \/>\n    Que majestosos frutos, na velhice,<br \/>\n    N&atilde;o deras tu, filha melhor do Eterno?!<br \/>\n    Velho tutor e avaro cubi&ccedil;ou-te,<br \/>\n    Desvalida pupila, a heran&ccedil;a pingue<br \/>\n    Cedeste, fraca; e entrela&ccedil;aste os anos<br \/>\n    Da mocidade em flor &#8211; &agrave;s c&atilde;s e &agrave; vida<br \/>\n    Do velho, que j&aacute; pende e j&aacute; declina <br \/>\n    Do leito conjugal imerecido<br \/>\n    &Agrave; campa, onde talvez cuida encontrar-te!<\/p>\n<p>Tu, filho de Jaguar, guerreiro ilustre, <br \/>\n    E os teus, de que ent&atilde;o v&oacute;s ocup&aacute;veis,<br \/>\n    Quando nos vossos mares alinhadas<br \/>\n    As naus de Holanda, os gale&otilde;es de Espanha,<br \/>\n    As fragatas de Fran&ccedil;a, e as caravelas <br \/>\n    E portuguesas naus se abalroavam,<br \/>\n    Retalhado entre si vosso dom&iacute;nio,<br \/>\n    Qual se vosso n&atilde;o fora? Ardia o pr&eacute;lio, <br \/>\n    Fervia o mar em fogo a meia-noite,<br \/>\n    Nuvem de espesso fumo condensado<br \/>\n    Toldava astros e c&eacute;us; e o mar e os montes<br \/>\n    Acordavam rugindo aos sons troantes<br \/>\n    Da ins&oacute;lita peleja! &#8211; V&oacute;s, guerreiros,<br \/>\n    V&oacute;s, que faz&iacute;eis, quando a espavorida<br \/>\n    Fera bravia procurava asilo<br \/>\n    Nas fundas matas, e na praia o monstro<br \/>\n    Marinho, a quem o mar, j&aacute; n&atilde;o seguro<br \/>\n    Reparo contra a f&ocirc;r&ccedil;a e ind&uacute;stria humana,<br \/>\n    Lan&ccedil;ava alheio e p&aacute;vido na areia?<br \/>\n    Agudas setas, v&aacute;lidos tacapes<br \/>\n    Fabricavam talvez!&#8230; ai n&atilde;o&#8230; capelas,<br \/>\n    Capelas enastravam para ornato<br \/>\n    Do vencedor; &#8211; grinaldas penduravam <br \/>\n    Dos alindados tetos, por que vissem<br \/>\n    Os forasteiros, que os paternos ossos<br \/>\n    Deixando atr&aacute;s, sem manit&ocirc;s vagavam,<br \/>\n    Os filhos de Tup&atilde; como os hospedam<br \/>\n    Na terra, a que Tup&atilde; n&atilde;o dera ferros!<\/p>\n<p>________________<\/p>\n<p>Rompia a fresca aurora, rutilando<br \/>\n    Sinais de um lia l&iacute;mpido e sereno.<br \/>\n    Ent&atilde;o vinham saindo os de Itajub&aacute;<br \/>\n    Fortes guerreiros a contar os sonhos<br \/>\n    Com que Tup&atilde; amigo os bafejara,<br \/>\n    Quando as estrelas p&aacute;lidas tombavam,<br \/>\n    J&aacute; de clar&atilde;o maior esmorecidas.<br \/>\n    Vinham ledos ou tristes na apar&ecirc;ncia, <br \/>\n    Timoratos ou cheios de hardimento,<br \/>\n    Como o futuro evento se espelhava<br \/>\n    Nos sonhos, bons ou maus; mas acord&aacute;-los<br \/>\n    Disparatados, e o melhor de tantos<br \/>\n    Coligir, era miss&atilde;o mais alta.<br \/>\n    N&atilde;o fosse o piaga int&eacute;rprete divino,<br \/>\n    Nem os seus olhos penetrantes vissem<br \/>\n    O porvir, ao trav&eacute;s do v&eacute;u do tempo,<br \/>\n    Como ao trav&eacute;s do corpo a mente enxergam;<br \/>\n    N&atilde;o fosse, quem h&aacute; que se afoutasse<br \/>\n    Em campo de batalha a expor a vida, <br \/>\n    A vida nossa t&atilde;o querida, e tanto<br \/>\n    Da flor a vida breve semilhando:<br \/>\n    Roaz inseto a vai tra&ccedil;ando em giro,<br \/>\n    Nem mais revive uma s&oacute; vez cortada!<\/p>\n<p>Mande por&eacute;m Tup&atilde; seus gratos filhos,<br \/>\n    Rogados sonhos, que os decifra o piaga:<br \/>\n    E Tup&atilde;, de benigno os influi sempre<br \/>\n    Em vesp&#8217;ras de batalha, como as chuvas<br \/>\n    Descem, quando a terra humores pede,<br \/>\n    Ou como, em saz&atilde;o pr&oacute;pria, brotam flores.<\/p>\n<p>Postam-se em forma de crescente os bravos:<br \/>\n    &Aacute;vida turba mulheril no entanto<br \/>\n    O rito sacro impaciente aguarde.<br \/>\n    Brincam na relva os folgaz&otilde;es meninos,<br \/>\n    Em quanto os mais crescidos, contemplando<br \/>\n    O aparato el&eacute;trico das armas,<br \/>\n    Enlevam-se; e, mordidos pela inveja,<br \/>\n    Discorrem l&aacute; consigo: &#8211; Quando havemos, <br \/>\n    N&oacute;s outros, d&#8217;empunhar daqueles arcos,<br \/>\n    E quando levaremos de vencida <br \/>\n    As hostes vis do p&eacute;rfido Gamela!<\/p>\n<p>Vem por fim Itajub&aacute;. O piaga austero,<br \/>\n    Volvendo o marac&aacute; nas m&atilde;os mirradas,<br \/>\n    Pergunta: &#8211; &#8220;Foi o esp&iacute;rito convosco,<br \/>\n    O esp&iacute;rito da f&ocirc;r&ccedil;a, e os ledos sonhos,<br \/>\n    Ministros de Tup&atilde;, n&uacute;ncios da gl&oacute;ria?&quot;<br \/>\n    &#8211; Sim, foram, lhe respondem, ledos sonhos,<br \/>\n    Correios de Tup&atilde;; mas o mais claro <br \/>\n    &Eacute; duro n&oacute; que o piaga s&oacute; desata.<br \/>\n    &#8220;Dizei-os pois, que vos escuta o piaga&#8221;<br \/>\n    Disse, e maneja o marac&aacute;: das bocas<br \/>\n    Do mist&eacute;rio divino, em puros flocos<br \/>\n    De neve, o fumo em borbot&otilde;es golfeja.<\/p>\n<p>Diz um qu, divagando em matas virgens,<br \/>\n    Sentira a luz fugir-lhe de repente<br \/>\n    Dos olhos, &#8211; se n&atilde;o foi que a natureza,<br \/>\n    Por m&aacute;gico feiti&ccedil;o transtornada,<br \/>\n    Vestia por si mesma novas galas <br \/>\n    E aspectos novos, &#8211; nem as elegantes, <br \/>\n    Vi&ccedil;osas trepadeiras, nem as r&ecirc;des<br \/>\n    Agrestes do cip&oacute; j&aacute; divisava.<br \/>\n    Em lugar da floresta, uma clareira<br \/>\n    Relvosa descobria, em vez da &aacute;rvores<br \/>\n    T&atilde;o altas, de que havia pouco o bosque<br \/>\n    Parecia ufanar-se, &#8211; um tronco apenas,<br \/>\n    Mas tronco tal que os resumia a todos.<\/p>\n<p>Ali sozinho o tronco agigantado<br \/>\n    Luxuriava em folhas verde-negras,<br \/>\n    Em flores cor de sangue, e na abund&acirc;ncia<br \/>\n    Sos frutos, como nunca os viu nas matas;<br \/>\n    T&atilde;o alvos como a flor do mam&atilde;ozeiro,<br \/>\n    De macia penugem debruados.<\/p>\n<p>&#8220;Ext&aacute;tico de os ver ali t&atilde;o belos <br \/>\n    Tais frutos, que eu algures nunca vira,<br \/>\n    O b&aacute;rbaro dizia, fui colhendo<br \/>\n    O melhor, por que o visse de mais perto.<br \/>\n    Pesar de n&atilde;o saber se era salubre,<br \/>\n    Ansiava gosta-lo, e em fura lida <br \/>\n    Lutava o meu desejo co&#8217;a prud&ecirc;ncia.<br \/>\n    Venceu aqu&ecirc;le! ai n&atilde;o vencesse nunca!<br \/>\n    Nunca, ludibrio n&atilde;o dos meus desejos,<br \/>\n    Mordessem-no meus l&aacute;bios ressequidos.<br \/>\n    Conta-lo me arrepia! &#8211; Mal o toco,<br \/>\n    For&ccedil;a-me a rejeita-lo um qu&ecirc; oculto, <br \/>\n    Que os nervos me estremece: a causa inquiro..<\/p>\n<p>Eis que uma cobra, uma coral, de dentro<br \/>\n    Desdobra o corpo l&uacute;brico, e em tr&ecirc;s voltas,<br \/>\n    Mas grata armila, me circunda o bra&ccedil;o.<br \/>\n    Da vista e do contato horrorizado,<br \/>\n    Sacudo o estranho ornato; e v&atilde;o me agito:<br \/>\n    Com quanto mais af&atilde; tento livrar-me,<br \/>\n    Mais apertado o sinto. &#8211; Nisto acordo,<br \/>\n    &Uacute;mido o corpo e fatigado, e a mente<br \/>\n    Molesta ainda do combate ingl&oacute;rio.<br \/>\n    O que &eacute;, n&atilde;o sei; tu sabes tudo, &oacute; Piaga<br \/>\n    H&aacute; e talvez raz&atilde;o que eu n&atilde;o alcan&ccedil;o,<br \/>\n    Que certo isto n&atilde;o &eacute; sonhar batalhas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Haja sentido oculto no teu sonho,<br \/>\n    (Diz ao guerreiro o piaga) eu, que levanto<br \/>\n    O v&eacute;u do tempo, e aos mortais o mostro.<br \/>\n    Dir-to-ei por certo; mas eu creio e tenho<br \/>\n    Que algum g&ecirc;nio turbou-te a fantasia,<br \/>\n    Talvez ang&uuml;era de traidor Gamela;<br \/>\n    Que os Gamelas s&atilde;o p&eacute;rfidos em morte,<br \/>\n    Como em vida.&#8221; &#8211; Assim &eacute;, diz Itajub&aacute;.<\/p>\n<p>Outro sonhou ca&ccedil;adas abundantes,<br \/>\n    Tem&iacute;veis caitetus, pacas ligeiras, <br \/>\n    Coatis e jabotins, &#8211; te on&ccedil;a e tigres,<br \/>\n    Tudo em rimas, em feixes: outro em sonhos <br \/>\n    Nada disto enxergou: por&eacute;m cardumes<br \/>\n    De peixes v&aacute;rios, que o timb&oacute; prestante<br \/>\n    Trazia quase &agrave; m&atilde;o, se n&atilde;o fechados<br \/>\n    Em mondes espa&ccedil;osos! &#8211; g&aacute;udio imenso!<br \/>\n    De os ver ali raivando na estacada<br \/>\n    T&atilde;o grandes serubins, trau&iacute;ras tantas, <br \/>\n    Ou boiando sem tino &agrave; flor da aguas!<\/p>\n<p>Outros n&atilde;o viram nem mondes, nem peixes,<br \/>\n    Nem aves, nem quadr&uacute;pedes: mas grandes <br \/>\n    Samotins transbordando arg&ecirc;ntea espuma <br \/>\n    Do fervente cauim; e por tr&ecirc;s noites <br \/>\n    Girar em roda a ta&ccedil;a do banquete,<br \/>\n    Em quanto cada qual memora em cantos<br \/>\n    Os feitos pr&oacute;prios: reina o guau, que passa <br \/>\n    Destes &agrave;queles com cadencia alterna.<br \/>\n    &#8220;O piaga exulta! Eu vos auguro, &oacute; bravos<br \/>\n    Do her&oacute;i Timbira (clama entusiasta)<br \/>\n    Leda vit&oacute;ria! Nunca em nossas tabas <br \/>\n    Haver&aacute; de correr melhor folgan&ccedil;&atilde;,<br \/>\n    Nem ganhareis jamais honra tamanha.<br \/>\n    Bem sabeis como &eacute; de uso entre os que vencem<br \/>\n    Festejar o triunfo: o canto e a dan&ccedil;a<br \/>\n    Marcham de par, &#8211; banquetes se preparam,<\/p>\n<p>E a gl&oacute;ria da na&ccedil;&atilde;o mais alta brilha!<br \/>\n    Oh! nunca sobre as tabas de Itajub&aacute;<br \/>\n    Haver&aacute; de nascer mais grata aurora!&#8221;<\/p>\n<p>Soam festivos gritos, e as pocemas<br \/>\n    Dos guerreiros, que s&ocirc;fregos escutam<br \/>\n    Do piaga os ditos, e o feliz aug&uacute;rio<br \/>\n    Da pr&oacute;xima vit&oacute;ria. N&atilde;o dissera<br \/>\n    Quem quer que fosse estranho aos usos deles<br \/>\n    Sen&atilde;o que por aquela densa pinha<br \/>\n    De vulgo, se espalhara a fausta nova<br \/>\n    De gloriosa a&ccedil;&atilde;o j&aacute; consumada,<br \/>\n    Que os seus, validos da vit&oacute;ria, obraram.<br \/>\n    Entanto Japegu&aacute;, posto de parte,<br \/>\n    Em quanto lavra em todos o cont&aacute;gio<br \/>\n    Da gl&oacute;ria e do prazer, &#8211; bem claro mostra<br \/>\n    No rosto descontente o que medita.<br \/>\n    &#8220;Prazer que em altos gritos se propala,<br \/>\n    Discorre l&aacute; consigo o Americano,<br \/>\n    &#8220;&Eacute; como a chama r&aacute;pida correndo<br \/>\n    Nas folhas da pindoba: &eacute; falso e breve!&#8221;<\/p>\n<p>Atenta nele o chefe dos Timbiras,<br \/>\n    Como que interno, igual pressentimento<br \/>\n    Rejeita, seu mau grado, a voz do piaga.<br \/>\n    &#8220;Que pensa Japegu&aacute;? Acaso em sonhos<br \/>\n    Tremendo e torvo se lhe antolha o &ecirc;xito<br \/>\n    Da batalha? ou seja, ou n&atilde;o conosco,<br \/>\n    Que tarda em nos dizer seu pensamento?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu, vi&quot; Japegu&aacute; ( e assim dizendo,<br \/>\n    Sacode vezes tr&ecirc;s a fronte adusta,<br \/>\n    Onde gravara da prud&ecirc;ncia o s&ecirc;lo <br \/>\n    Cont&iacute;nuo meditar). &#8220;Vi altos combros<br \/>\n    De mortos j&aacute; polutos, &#8211; via lagoas<br \/>\n    Brutas de sangue impuro e negrejante;<br \/>\n    Vi setas e carcaz espeda&ccedil;ados,<br \/>\n    Tacapes adentados, ou partidos<br \/>\n    Ou j&aacute; sem fio! &#8211; vi&#8230;&#8221; Eis Catucaba<br \/>\n    Mal sofrido interv&eacute;m, interronpendo<br \/>\n    A narra&ccedil;&atilde;o do sonhador de males.<br \/>\n    Bravo e hardido como &eacute;, nunca a prud&ecirc;ncia<br \/>\n    Lhe foi virtude, nem por tal a aceita.<br \/>\n    Nunca o membi guerreiro em seus ouvidos<br \/>\n    Troou medonho, in&oacute;spito combate,<br \/>\n    Que &agrave;s armas n&atilde;o corresse o valeroso, <br \/>\n    Intr&eacute;pido soldado; mais que tudo<br \/>\n    Amava a luta, o sangue, vascas, transes,<br \/>\n    Convulsos arrepios, altos gritos<br \/>\n    Do vencedor, impreca&ccedil;&otilde;es sumidas<br \/>\n    Do que, vencido, jaz no p&oacute; sem gl&oacute;ria.<br \/>\n    Sim, ama e que o tr&aacute;fego das armas<br \/>\n    Talvez melhor que a si; nem mais risonha<br \/>\n    Imagem se lhe antolha, nem h&aacute; cousa<br \/>\n    Que tenha em mais apre&ccedil;o ou mais cubice.<br \/>\n    O p&#8217;rigo que aventasse era feiti&ccedil;o,<br \/>\n    Que em del&iacute;rio de febre o transtornava.<br \/>\n    Fan&aacute;tico de si, &eacute;brio de gl&oacute;ria,<br \/>\n    L&aacute; se arrojava intr&eacute;pido e brioso,<br \/>\n    Onde pior, onde mais negro o via.<\/p>\n<p>N&atilde;o eram dois na esquadra de Itajub&aacute;<br \/>\n    De g&ecirc;nios em mais pontos encontrados:<br \/>\n    Por isso em luta sempre. Catucaba,<br \/>\n    Fragueiro, inquieto, sempre aventuroso,<br \/>\n    Em cata de mais gl&oacute;ria e mais renome,<br \/>\n    Sempre &agrave; mira de encontros arriscados,<br \/>\n    Sempre o arco na m&atilde;o, sempre embebida<br \/>\n    Na corda tesa e frecha equilibrada.<br \/>\n    Ningu&eacute;m mais solto em vozes, mais galhardo<br \/>\n    No guerreiro desplante, ou que mostrasse <br \/>\n    Atrevido e soberbo e forte em campo<br \/>\n    Quer pujan&ccedil;a maior, que mais orgulho.<\/p>\n<p>Japegu&aacute;, corajoso, mas prudente, <br \/>\n    Evitava o conflito, via o risco,<br \/>\n    Media o seu poder e as posses dele<br \/>\n    E o azar da luta e descansava em &oacute;cio.<br \/>\n    Sua pr&oacute;pria indol&ecirc;ncia revelava<br \/>\n    &Acirc;nimo grande e n&atilde;o vulgar coragem.<br \/>\n    Se fosse l&aacute; nos paramos da L&iacute;bia,<br \/>\n    Deitado &agrave; sombra da &aacute;rvore gigante,<br \/>\n    O le&atilde;o da Num&iacute;dia bem poder&aacute;<br \/>\n    Trilhar por junto dele os movedi&ccedil;os<br \/>\n    Combros da areia, &#8211; amedrontando os ares<br \/>\n    Com aquele bramir agreste e rudo,<br \/>\n    Que as feras sem terror ouvir n&atilde;o sabem.<br \/>\n    O &iacute;ndio ouvira imp&aacute;vido o rugido, <br \/>\n    Sem que o terror lhe distingisse as faces;<br \/>\n    E ao rei dos animais voltando o rosto, <br \/>\n    Somente porque mais &agrave; jeito o visse, <br \/>\n    Viras ambos, sombrios, majestosos,<br \/>\n    Contemplarem-se &aacute; espa&ccedil;o, destemidos;<br \/>\n    D&#8217;estranheza o le&atilde;o os seus rugidos<br \/>\n    Na gorja sufocar, e a nobre cauda,<br \/>\n    Entre medos e assomos de hardimento,<br \/>\n    Mover de leve e irresoluto aos ventos!<\/p>\n<p>Um &#8211; era a luz fugaz f&aacute;cil prendida<br \/>\n    Nas plumas do algod&atilde;o: luz que deslumbra<br \/>\n    E que em breve amortece: outro &#8211; fa&iacute;sca,<br \/>\n    Que surda, pouco a pouco vai lavrando<br \/>\n    N&atilde;o vista e n&atilde;o sentida te que surge<br \/>\n    Dum jato s&oacute;, tornada inc&ecirc;ndio e fumo.<\/p>\n<p>&#8220;Que viste? diz-lhe o &ecirc;mulo brioso, <br \/>\n    &#8220;S&oacute; coalheiras de sangue inficionado,<br \/>\n    S&oacute; tacapes e setas bipartidas, <br \/>\n    E corpos j&aacute; corruptos?! Eia, &oacute; fraco,<br \/>\n    Embora em &oacute;cio ignavo aqui descanses,<br \/>\n    E nos misteres feminis te adestres!<br \/>\n    Ningu&eacute;m te cama &agrave; vida dos combates,<br \/>\n    N&atilde;o te almeja ningu&eacute;m por companheiro,<br \/>\n    Nem h&aacute;-de o sonho teu acobardar-nos.<br \/>\n    &Eacute; certo que haver&aacute; mortos sem conto,<br \/>\n    Mas n&atilde;o seremos n&oacute;s; &#8211; setas partidas,,<br \/>\n    As nossas, n&atilde;o; tacapes amolgados&#8230;<br \/>\n    Mas os nossos ver&aacute;s mais bem talhantes,<br \/>\n    Quando houverem partido imigos cr&acirc;nios.<\/p>\n<p>&#8220;Her&oacute;i, n&atilde;o em fa&ccedil;anhas, mas nos ditos<br \/>\n    Lidador que a vileza d&#8217;alma encobres<br \/>\n    Com frases descorteses, &#8211; j&aacute; te viram,<br \/>\n    Pendentes bra&ccedil;o e armas, contemplando<br \/>\n    Os feitos meus, pesar que sou cobarde.<br \/>\n    Essa infame tarefa que me incumbes<br \/>\n    &Eacute; minha, sim; mas por diverso modo:<br \/>\n    N&atilde;o ministro cauim &agrave;s vossas festas;<br \/>\n    Mas na refrega o meu trabalho &eacute; vosso.<br \/>\n    Da batalha no campo achais defuntos,<br \/>\n    Vossa gl&oacute;ria e bras&atilde;o, corpos sem conto,<br \/>\n    Cujas feridas largas e profundas,<br \/>\n    De largas e profundas, denunciam<br \/>\n    A m&atilde;o que as s&oacute;i fazer com tanto efeito.<br \/>\n    N&atilde;o tenho espa&ccedil;o, onde recolha os ossos,<br \/>\n    N&atilde;o tenho cinto, onde pendure os cr&acirc;nios,<br \/>\n    Nem colar onde caibam tantos dentes, <br \/>\n    De quantos venci j&aacute;; por isso inteiros<br \/>\n    L&aacute; vo-los deixo, her&oacute;is; e v&oacute;s l&aacute; ides,<br \/>\n    Em que me n&atilde;o queirais por companheiro,<br \/>\n    Rivais dos urubus, fortes guerreiros,<br \/>\n    F&aacute;cil triunfo conquistar nas trevas,<br \/>\n    Aos vorazes tatus roubando a presa.&#8221;<\/p>\n<p>Calou-se&#8230; e o vulgo rosna em t&ocirc;rno d&#8217;ambos,<br \/>\n    Deste ou daquele her&oacute;i tomando as partes.<br \/>\n    Pois qu&ecirc;?&#8230; h&aacute;-de ficar tamanha afronta<br \/>\n    Impune, e n&atilde;o haveis levar das armas, <br \/>\n    Por que o sangue a desbote e apague inteira?&#8221;<\/p>\n<p>Diziam, &#8211; e a tais ditos mais fermente <br \/>\n    A raiva em ambos; fazem-lhes terreiro,<br \/>\n    J&aacute; verga o arco, j&aacute; se entesa a corda,<br \/>\n    J&aacute; batem p&eacute;s no solo pulvurento:<br \/>\n    Correra o sangue de um, talvez o de ambos, <br \/>\n    Que sobre os dois a morte, abrira as asas!<br \/>\n    Sil&ecirc;ncio! brada o chefe dos Timbiras,<br \/>\n    Interposto severo em meio da ambos;<br \/>\n    De um lado e outro a turba circunfusa<br \/>\n    Emudece, &#8211; divide-as largo espa&ccedil;o, <br \/>\n    De cujo centro gira os torvos olhos<br \/>\n    O her&oacute;i, e s&oacute; de olhar lhe estende as raias.<br \/>\n    Assim de altivo p&iacute;ncaro descamba<br \/>\n    Enorme rocha, obstruindo o leito<br \/>\n    De um rio caudaloso: as fundas &aacute;guas <br \/>\n    Latindo env&atilde;o na rocha volumosa <br \/>\n    Separam-se, cavando novos leitos, <br \/>\n    Em quanto o antigo se resseca e abras.<\/p>\n<p>Sil&ecirc;ncio!disse; e em torno os olhos gira,<br \/>\n    F&uacute;lgidos, negros: orgulhosas frontes,<br \/>\n    Que aos golpes do tacape n&atilde;o se dobram <br \/>\n    Em torno sobre o peito v&atilde;o caindo <br \/>\n    Uma ap&oacute;s outra: altivo um s&oacute; apenas<br \/>\n    Rebelde arrosta o olhar! &#8211; r&aacute;pido golpe,<br \/>\n    R&aacute;pido e forte, como o raio, o prostra<br \/>\n    Na arena em sangue! Mosqueado tigre, <br \/>\n    Se cai no meio de pre&aacute;s medrosos,<br \/>\n    Talvez no primo impulso algum aferra;<br \/>\n    Vulgacho imbele! &#8211; ao m&iacute;sero que prende<br \/>\n    E torce ainda nas compridas garras,<br \/>\n    Longe, sem vida, desdenhoso o arroja.<\/p>\n<p>Assim o her&oacute;i. Por longo trato mudo<br \/>\n    Soberdo e grande alfim mostrando o rio,<br \/>\n    Quedou sem mais dizer; o rio ao longe<br \/>\n    As &aacute;guas, como sempre, majestosas<br \/>\n    Na gorja das montanhas derramava,<br \/>\n    Caudal, imenso. Tr&aacute;s daqueles montes,<br \/>\n    Diz Itajub&aacute;, n&atilde;o sabeis quem seja?<br \/>\n    Afronta e nome vil haja o guerreiro,<br \/>\n    Que ousa lutas ferir, travar disc&oacute;rdias,<br \/>\n    Quando o imigo bor&eacute; t&atilde;o perto soa.&#8221;<\/p>\n<p>Acorre o piaga em meio do conflito:<br \/>\n    &#8220;Prud&ecirc;ncia, &oacute; filho de Jaguar, exclama;<br \/>\n    Nem mais sangue timbira se derrame,<br \/>\n    Que j&aacute; n&atilde;o basta por pagar-nos deste,<br \/>\n    Que derramaste, quando houver nas veias<br \/>\n    Dos p&eacute;rfidos Gamelas. O que ouviste,<br \/>\n    Que o forte Japegu&aacute; diz ter sonhado,<br \/>\n    Assela o que tup&atilde; me est&aacute; dizendo<br \/>\n    C&aacute; dentro em mim nos decifrados sonhos,<br \/>\n    Depois que os funestou prop&iacute;nquo sangue.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Devoto piaga (Mojac&aacute; prossegue)<br \/>\n    Que vida austera e penitente vives <br \/>\n    Dos rochedos na Iapa venerada,<br \/>\n    Tu, dos g&ecirc;nios do Ibaque bem fadado,<br \/>\n    Tu face a face com Tup&atilde; praticas<br \/>\n    E ves nos sonos meus melhor qu&#8217;eu mesmo.<br \/>\n    Escuta, e dize, &oacute; venerando piaga<br \/>\n    (Ben&eacute;volo Tup&atilde; teus ditos oi&ccedil;a)<br \/>\n    Ang&uuml;era mau turbou-te a fantasia,<br \/>\n    Aflito Mojac&aacute;, teu sonho mente.&#8221;<\/p>\n<p>Palavras tais no &iacute;ndio circunspecto,<br \/>\n    Cujos l&aacute;bios env&atilde;o nunca se abriram; <br \/>\n    Guerreiro, cujos sonhos nunca foram,<br \/>\n    Nem mesmo em risco estreito, pavorosos;<br \/>\n    No vulgo frio horror v&atilde;o trescalando,<br \/>\n    Que entre a cren&ccedil;a do piaga, e a defer&ecirc;ncia<br \/>\n    Devida a tanto her&oacute;i flutua incerta.<br \/>\n    &#8220;Eu vi, diz ele, vi em baba imiga <br \/>\n    Guerreiro, como v&oacute;s, comado e hirsuto!<br \/>\n    A corda estreita do cruento rito<br \/>\n    Os rins lhe aperta? a dura tangapema<br \/>\n    Sobre-est&aacute;-lhe fatal; &#8211; cantos se entoam<br \/>\n    E a tuba dan&ccedil;atriz em torno gira.<br \/>\n    Sono n&atilde;o foi, que o vi, como vos vejo;<br \/>\n    Mas n&atilde;o vos direi j&aacute; quem fosse o triste!<br \/>\n    Se v&iacute;sseis, como eu vi, a fronte altiva,<br \/>\n    O olhar soberbo, &#8211; aquela for&ccedil;a grande, <br \/>\n    Aquele riso desdenhoso e fundo&#8230;<br \/>\n    Talvez um s&oacute;, nenhum talvez se encontre, <br \/>\n    eu seja para estar no passo horrendo<br \/>\n    T&atilde;o seguro de si, t&atilde;o descansado!&#8221;<\/p>\n<p>Acaso um tronco volumoso e t&ocirc;sco<br \/>\n    De escamas fortes entre si travadas<br \/>\n    Ali perto jazia. Ogib, o velho,<br \/>\n    Pai do errante Jatir, ali sentou-se.<br \/>\n    Ali triste pensava, at&eacute; que o sonho<br \/>\n    Do aflito Mojac&aacute; veio acorda-lo.<br \/>\n    &#8220;Tup&atilde;! que mal te fiz, que assim me colha<br \/>\n    Do teu furor a seta envenenada?<br \/>\n    Com voz choroza e tr&ecirc;mula clamava.<br \/>\n    &#8220;Escuto os gabos que s&oacute; cabem nele,<br \/>\n    Vejo e conhe&ccedil;o o costumado ornato<br \/>\n    Do filho meu querido! isto que fora,<br \/>\n    A quem t&atilde;o infeliz como eu n&atilde;o fosse,<br \/>\n    Ventura grande, me constringe o peito!<br \/>\n    Conhe&ccedil;o o filho meu no que disseste,<br \/>\n    Guerreiro, como a flor pelo perfume,<br \/>\n    Como o esposo conhece a grata esposa<br \/>\n    Pelas usadas plumas da ara&ccedil;&oacute;ia,<br \/>\n    Que entre as folhas do bosque a espa&ccedil;os brilha,<br \/>\n    Ai! nunca brilhe a flor, se h&atilde;o de ro&ecirc;-la<br \/>\n    Insetos; nunca vague a linda esposa<br \/>\n    No bosque, se h&aacute; de as feras devora-la!&#8221;<\/p>\n<p>A dor que mostra o velho em todo o aspecto,<br \/>\n    Nas vozes por solu&ccedil;os atalhadas,<br \/>\n    Nas l&aacute;grimas que chora, os move a todos <br \/>\n    A triste compaix&atilde;o; mas mais &agrave;quele, <br \/>\n    Que, antes do pobre pai, j&aacute; todo ang&uacute;stias,<br \/>\n    Da pr&oacute;pria narra&ccedil;&atilde;o se enternecia.<br \/>\n    &Agrave;s querelas de Ogib volta o rosto <br \/>\n    O fatal sonhador, &#8211; que, seu mau grado,<br \/>\n    As setas da afli&ccedil;&atilde;o tendo cravado<br \/>\n    Nas entranhas de um pai, quer logo o suco,<br \/>\n    Fresco e saud&aacute;vel, do louvor, na chaga <br \/>\n    Verter-lhe, donde o sangue em jorros salta.<\/p>\n<p>&#8220;Tal era, t&atilde;o imp&aacute;vido (prossegue,<br \/>\n    Fitando o velho Ogib o seu desplante, <br \/>\n    Qual foi o de Jatir naquele dia,<br \/>\n    Quando, novel nas artes do guerreiro,<br \/>\n    Circundado se viu &agrave; nossa vista<br \/>\n    D&#8217;imiga multid&atilde;o: todos o vimos;<br \/>\n    Todos da clara estirpe deslembrados,<br \/>\n    Clamamos tristes, p&aacute;vidos: &#8220;&Eacute; morto!&#8221;<br \/>\n    Ele por&eacute;m que o arco usar n&atilde;o pode,<br \/>\n    O v&aacute;lido tacape desprendendo,<br \/>\n    Sacode-o, vibra-o: fere, prostra e mata<br \/>\n    A &ecirc;ste, &agrave;quele; e em volumosos feixes <br \/>\n    Acerva a turba vil, lucrando um nome.<\/p>\n<p>Tapir, caudilho seu, que n&atilde;o suporta<br \/>\n    Que um homem s&oacute; e quase inerme, o cubra<br \/>\n    De tamanho lab&eacute;u, altivo brada:<br \/>\n    &#8220;Cede-me, estulto, cede ao meu tacape<br \/>\n    Que nunca amea&ccedil;ou ningu&eacute;m debalde.&#8221;<br \/>\n    E assim dizendo vibra crebros golpes,<br \/>\n    Co a bruta folha retalhando os ares!<br \/>\n    Um coiro de tapir, em vez de escudo,<br \/>\n    Rijo e piloso lhe guardava os membros.<br \/>\n    Jatir, do arco seu curvando as pontas,<br \/>\n    Sacode a seta fina e sibilante,<br \/>\n    Que vara o couro e o corpo surge for.<br \/>\n    Tomba de chofre o &iacute;ndio, e o som da queda <br \/>\n    Remata o som que a voz n&atilde;o rematara.<br \/>\n    Vista a pel&#8217; do tapir, que o resguardava,<br \/>\n    Japi, mesmo Japi lhe inveja o tiro.&#8221;<\/p>\n<p>Todo o campo se aflige, todos clamam:<br \/>\n    &#8220;Jatir! Jatir! o forte entre os mais fortes.&#8221;<br \/>\n    Ordem n&atilde;o h&aacute;; mulheres e meninos<br \/>\n    Baralham-se em tropel: o pranto, os gritos<br \/>\n    Confundem-se: do velho Ogib entanto<br \/>\n    Mal se percebe a voz &#8220;Jatir&#8221; gritando.<\/p>\n<p>Itajub&aacute; por fim sil&ecirc;ncio impondo<br \/>\n    &Agrave; turba mulheril, e &agrave; dos guerreiros<br \/>\n    Nesta batalha: &#8220;Consultemos, disse,<br \/>\n    Consultemos o piaga: &agrave;s vezes pode <br \/>\n    O santo velho, serenando o ibaque,<br \/>\n    Amigo bom tornar o Deus malquisto.&#8221;<\/p>\n<p>Mas ora n&atilde;o! &#8211; responde o piaga iroso.<br \/>\n    &#8220;S&oacute; quando ruge a negra tempestade,<br \/>\n    &#8220;S&oacute; quando a f&uacute;ria d&#8217;Anhang&aacute; fuzila<br \/>\n    Raios do escuro c&eacute;u na terra aflita<br \/>\n    Do piaga vos lembrais?Tanta lembran&ccedil;a,<br \/>\n    Tarda e fatal, guerreiros! Quantas vezes<br \/>\n    N&atilde;o fui, em mesmo, nos terreiros vossos<br \/>\n    Fincar o santo marac&aacute;? Debalde,<br \/>\n    Debalde o fui, que &agrave; noite o achava sempre<br \/>\n    Sem oferta, que aos Deuses tanto prazem!<br \/>\n    Nu e despido o vi, como ora o vedes.<br \/>\n    (E assim dizendo mostra o sacrossanto<br \/>\n    Mist&eacute;rio, que de irado pareceu-lhes<br \/>\n    Soltar mais rouco som no seu rugido)<br \/>\n    Quem de v&oacute;s se lembrou que o santo Piaga<br \/>\n    Na lapa dos rochedos se mirrava<br \/>\n    Apura m&iacute;ngua? S&oacute; Tup&atilde;, que ao velho<br \/>\n    Deu n&atilde;o sentir os dentes agu&ccedil;ados<br \/>\n    Da fome, que por dentro o remordia,<br \/>\n    E mais cruel, passada entre os seus filhos!&#8221;<\/p>\n<p>Cegou-nos Anhang&aacute;, diz Itajub&aacute;,<br \/>\n    Fincando o marac&aacute; nos meus terreiros,<br \/>\n    Cegou-nos certo! &#8211; nunca o vi sem honras!<br \/>\n    Que o vira, bom piaga&#8230; oh!n&atilde;o se diga<br \/>\n    Que um homem s&oacute;, dos meus, perece &agrave; mingua,<br \/>\n    (Quem quer que seja, quanto mais um Piaga_<br \/>\n    Quando campeam tantos homens d&#8217;arco<br \/>\n    Nas tabas de Itajub&aacute;, &#8211; tantas donas<br \/>\n    Na cultura dos campos adestradas.<br \/>\n    hoje mesmo farei que ao antro escuro<br \/>\n    Caminhem tantos dons, tantas ofertas, <br \/>\n    Que o teu santo mist&eacute;rio h&aacute; de por for&ccedil;a,<br \/>\n    Quer queiras, quer n&atilde;o, dormir sobre elas!<br \/>\n    &#8220;Talvez a rica of&#8217;renda aplaca os Deuses,<br \/>\n    E saud&aacute;vel conselho a noite inspira!&#8221;<br \/>\n    Disse e sem ais dizer se acolhe &agrave; gruta.<\/p>\n<p>&Agrave; ca&ccedil;a, &oacute; meus guerreiros, brada o chefe;<br \/>\n    Ledas donzelas ao cauim se apliquem,<br \/>\n    Os meninos &agrave; pesca, &agrave; ro&ccedil;a as donas,<br \/>\n    Eia!&#8221; &#8211; Ferve o labor, reina o tumulto,<br \/>\n    Que quase tanto val como a alegria,<br \/>\n    Ou antes, s&oacute; prazer que o povo gosta.<\/p>\n<p>J&aacute; deslembrados do que ausente choram <br \/>\n    Favor das turbas que t&atilde;o leve passas!<br \/>\n    Ledos no peito, ledos na apar&ecirc;ncia<br \/>\n    Todos se incumbem da tarefa usada.<\/p>\n<p>Trabalho no prazer, prazer que moras<br \/>\n    Dentro de tanto af&atilde;! festa que nasces<br \/>\n    Sob ausp&iacute;cios t&atilde;o maus, possa algum g&ecirc;nio,<br \/>\n    Possa Tup&atilde; sorrir-te carinhoso,<br \/>\n    E das alturas condoer-se amigo<br \/>\n    Do triste, &oacute;rf&atilde;o de amor, e pai sem filho! <\/p>\n<h2><a name=\"4\">Canto Quarto<\/a><\/h2>\n<p>BEM VINDO seja o fausto mensageiro,<br \/>\n    O mel&iacute;fluo Timbira, cujos l&aacute;bios<br \/>\n    Destilam sons mais doces do que os favos <br \/>\n    Que errado ca&ccedil;ador na brenha inculta <br \/>\n    Por ventura topou! H&oacute;spede amigo,<br \/>\n    Ledo n&uacute;cio de paz, que o territ&oacute;rio<br \/>\n    Pisou de imigas hostes, quando a aurora<br \/>\n    Despontava nos c&eacute;us &#8211; bem vindo seja!<br \/>\n    N&atilde;o luz mas brando e grato o romper d&#8217;alva<br \/>\n    Que o teu sereno aspecto; nem mais doce<br \/>\n    A fresca brisa da manh&atilde; cicia<br \/>\n    Pela selvosa encosta, que a mensagem<br \/>\n    Que o chefe imigo e fero anseia ouvir-te.<br \/>\n    Mel&iacute;fluo Jurecei, bem vindo sejas<br \/>\n    Dos Gamelas ao chefe, Gurupema, <br \/>\n    Senhor dos arcos, quebrador das setas, <br \/>\n    Das selvas rei, filho de Icr&aacute; valente.<\/p>\n<p>Assim consigo as hostes do Gamela:<br \/>\n    Consigo s&oacute;, que a usada gravidade<br \/>\n    J&aacute; na garganta, a voz lhes retardava.<br \/>\n    N&atilde;o veio Jurucei? Posto de fronte,<br \/>\n    Arco e flecha na m&atilde;o feito peda&ccedil;os,<br \/>\n    Certo sinal do respeitoso encargo,<br \/>\n    Por terra n&atilde;o lan&ccedil;ou? &#8211; Que pois augura<br \/>\n    Tal vinda, a n&atilde;o ser que o audaz Timbira<br \/>\n    Melhor conselho toma: e por ventura<br \/>\n    De Gurupema receiando as forcas,<br \/>\n    Amiga paz lhe of1rece, e em sinal dela<br \/>\n    So vencido Gamela o corpo entrega?!<br \/>\n    Em bem! que a torva sombra vagarosa<br \/>\n    Do outrora chefe seu h&aacute;-de aplacar-se,<br \/>\n    Ouvindo a mesma voz das carpideiras,<br \/>\n    E vendo no sarc&oacute;fago depostas<br \/>\n    As armas, que no ibaque h&atilde;o-de servi-lhe,<br \/>\n    E junto ao corpo, que foi seu, as plumas,<br \/>\n    Em quanto vivo, ins&iacute;gnias do mando.<br \/>\n    Embora ostente o chefe dos Timbiras<br \/>\n    O ganhado trof&eacute;u; embora &agrave; cinta<br \/>\n    Ufano prenda o gadelhudo cr&acirc;nio,<br \/>\n    Aberto em croa, do infeliz Gamela.<br \/>\n    Embora; mas por&eacute;m amigas quedem <br \/>\n    Do Timbira e Gamela as grandes tabas;<br \/>\n    E largo em roda na floresta imperem,<br \/>\n    Que o mundo em peso, unidas , afrontaram!<\/p>\n<p>Nascia a aurora: do Gamela s hostes<br \/>\n    Em p&eacute;, na praia, mensageiro aguardam<br \/>\n    Sisudos, graves, Um caudal regato,<br \/>\n    Cujo branco areial a prata imita,<br \/>\n    Sereno ali volvia as mansas &aacute;guas,<br \/>\n    Como que triste de as levar ao rio,<br \/>\n    Que ao mar conduz a r&aacute;pida torrente<br \/>\n    Por entre a selva umbrosa e brocas penhas.<br \/>\n    Esta a praia! &#8211; em redor troncos gigantes,<br \/>\n    Que a folhagem no rio debru&ccedil;avam,<br \/>\n    Onde beber frescor os galhos vinham,<br \/>\n    Cuxuriando em vi&ccedil;o! &#8211; penduradas <br \/>\n    Trepadeiras gentis da coma excelsa,<br \/>\n    Estrelando do bosque o verde manto<br \/>\n    Aqui, ali, de flores cintilantes,<br \/>\n    Meneiavam-se ao vento, como fitas,<br \/>\n    De que se enastra a coma a virgem bela.<br \/>\n    Era um prado, uma v&aacute;rzea, um tabuleiro<br \/>\n    Com mimoso tapiz de v&aacute;rias flores,<br \/>\n    Agrestes, sim, mas belas, G&ecirc;nio amigo<br \/>\n    Chegou-lhe s&oacute; a m&aacute;gica vergasta!<br \/>\n    Ei-las a prumo ao logo da corrente<br \/>\n    Com requebros lou&ccedil;&atilde;os a enamor&aacute;-la!<\/p>\n<p>A n&oacute;s de embira aos troncos amarradas <br \/>\n    Quase igaras em conto figuravam<br \/>\n    Ousada ponte no correr das &aacute;guas<br \/>\n    Por for&ccedil;a mais qu1humana trabalhada.<\/p>\n<p>V&ecirc;-as e pasma Jurecei, notando<br \/>\n    O imigo poderio, e seu mau grado<br \/>\n    Vai l&aacute; consigo mesmo discorrendo:<br \/>\n    &#8220;Muitos, certo e as nossas tabas forte, <br \/>\n    Itajub&aacute; invenc&iacute;vel; mas da guerra<br \/>\n    &Eacute; sempre incerto o azar e sempre v&aacute;rio!<br \/>\n    E&#8230; quem sabe? &#8211; talvez&#8230; mas nunca, oh! nunca!<br \/>\n    Itajub&aacute;! Itajub&aacute;! &#8211; onde h&aacute; no mundo<br \/>\n    Posses que valham contrastar seu nome?<br \/>\n    Onde a seta que valha derriba-lo,<br \/>\n    E a tribo ou povo que os Timbiras ven&ccedil;am?!&#8221;<\/p>\n<p>Entre as hostes que a si tinha fronteiras<br \/>\n    Penetra! &#8211; t&atilde;o galhardo era o seu gesto,<br \/>\n    Que os Gamelas em si t&atilde;o bem disseram:<br \/>\n    &#8211; Miss&atilde;o de paz o traga, que se os outros <br \/>\n    S&atilde;o t&atilde;o feros assim, Tup&atilde; nos valha,<br \/>\n    Sim, Tup&atilde;; que o n&atilde;o pode o rei das selvas!&#8221;<\/p>\n<p>Hospedagem sincera entanto of&#8217;recem<br \/>\n    A quem talvez n&atilde;o tardar&aacute; busca-los<br \/>\n    Com fina seta no leal combate.<br \/>\n    &Aacute;s igaras o levam pressurosos,<br \/>\n    Servem-lhe o piraqu&eacute;m na guerra usado,<br \/>\n    E os loiros sons so colmeal agreste;<br \/>\n    Servem-lhe amigos suculento pasto<br \/>\n    \/em banquete frugal; servem-lhe ta&ccedil;as<br \/>\n    (A ver se mais que a fome o instiga a sede)<br \/>\n    Do espumoso cauim, &#8211; ta&ccedil;as pesadas<br \/>\n    Na funda noz da sapucaia abertas.<br \/>\n    Sem temor o timbira vai provando<br \/>\n    O mel, o piraqu&eacute;m, as iguarias;<br \/>\n    Mas dos vinhos co&iacute;be-se prudente.<\/p>\n<p>Em remoto lugar forma conselho<br \/>\n    O rei da selvas, Gurupema, em quanto<br \/>\n    Restaura o mensageiro os lassos membros.<br \/>\n    Chama primeiro Cab-o&ccedil;u valente;<br \/>\n    As r&iacute;spidas melenas corridias<br \/>\n    Cortam-lhe o rosto, &#8211; Pendem-lhe nas costas,<br \/>\n    Hirtas e lesas, como o junco em feixes<br \/>\n    Acamados no leito ressequido<br \/>\n    D&#8217;invernosa corrente, O rosto feio<br \/>\n    Aqui, ali negreja manchas negras<br \/>\n    Como da bananeira a larga folha,<br \/>\n    Colhida ao romper d&#8217;alva, qu&#8217;uma virgem<br \/>\n    Nas m&atilde;os lascivas machucou brincando.<\/p>\n<p>Valente &eacute; Caba-o&ccedil;u; mas sem piedade!<br \/>\n    Como senta fera almeja sangue<br \/>\n    E de malvada a&ccedil;&atilde;o cruel se paga.<br \/>\n    Apressou em combate um seu contr&aacute;rio,<br \/>\n    Que mais imigo tinha entre os imigos:<br \/>\n    Da guerra os duros v&iacute;nculos lan&ccedil;ou-lhe<br \/>\n    E &agrave; terreiro o chamou, como &eacute; de usan&ccedil;a<br \/>\n    Para o triunfo b&eacute;lico adornado.<br \/>\n    Fizeram-lhe terreiro os mais d&#8217;ent&ocirc;rno:<br \/>\n    Ele do sacrif&iacute;cio empunha a ma&ccedil;a,<br \/>\n    Improp&eacute;rios assaca, vibra o golpe, <br \/>\n    E antes que tombe o corpo, aferra os dentes<br \/>\n    No cr&acirc;nio fulminado: jorra o sangue <br \/>\n    No rosto, e em gorgulh&otilde;es se expande o c&eacute;rebro,<br \/>\n    Que a fera humana r&aacute;bida mastiga!<br \/>\n    E em quanto limpa &agrave; desgrenhada coma<br \/>\n    Do sevo pasto o esqu&aacute;lido sobejo,<br \/>\n    B&aacute;rbaras hostes do Gamela torcem,<br \/>\n    &Agrave; tanto horror, o transtornado rosto.<\/p>\n<p>Vem Jepiaba, o forte entre os mais fortes,<br \/>\n    Taiatu, Taiatinga, Nupan&ccedil;aba,<br \/>\n    Tucura o &aacute;gil, Cravat&aacute; sombrio,<br \/>\n    Andira, o sonhador de agouros tristes,<br \/>\n    Que ele &eacute; primeiro a desmentir co&#8217;as armas,<br \/>\n    Pirera que jamais n&atilde;o foi vencido,<br \/>\n    Itapeba, rival de Gurupema,<br \/>\n    Oquena, que por si vale mil arcos,<br \/>\n    Escudo e defens&atilde;o dos seus que ampara;<br \/>\n    E outros, e muitos outros, cuja morte<br \/>\n    N&atilde;o foi sem gl&oacute;ria no cantar dos bardos.<\/p>\n<p>Guerreiros! Gurupema assim come&ccedil;a,<br \/>\n    &#8220;Antes de ouvir o mensageiro estranho,<br \/>\n    Consultar-vos me &eacute; for&ccedil;a; a n&oacute;s incumbe<br \/>\n    Vingar do rei da selva a morte indigna.<br \/>\n    Do que morreu, em que lhe seja eu filho,<br \/>\n    E a todos n&oacute;s da gloriosa heran&ccedil;a<br \/>\n    Compete o desagravo. Se nos busca<br \/>\n    O filho de Jaguar, &eacute; que nos teme;<br \/>\n    A nossa f&uacute;ria por ventura intenta<br \/>\n    Voltar a mais amigo sentimento.<br \/>\n    Talvez do vosso chefe o corpo e as armas<br \/>\n    Com larga pompa nos envia agora:<br \/>\n    Basta-vos isto?<br \/>\n    Guerra! guerra! exclamam.<\/p>\n<p>Notai por&eacute;m quanto &eacute; pujante o chefe, <br \/>\n    Que os Timbiras dirige. Sempre o segue<br \/>\n    F&aacute;cil vit&oacute;ria, e mesmo antes da luta<br \/>\n    As galas triunfais disp&otilde;e seguro.<\/p>\n<p>Embora, dizem uns; outros murmuram,<br \/>\n    Que de t&atilde;o grande her&oacute;i, qualquer que seja<br \/>\n    A oferta expiat&oacute;ria, em bem, se aceite.<br \/>\n    Vacilam no conselho. A inj&uacute;ria &eacute; grande,<br \/>\n    Bem fundo a sentem, mas bem grande &eacute; o risco.<br \/>\n    &#8220;Se o orgulho desce a ponto no Timbira,<br \/>\n    Que pazes nos prop&otilde;e, diz Itapeba<br \/>\n    Com dura voz e cavernoso acento,<br \/>\n    J&aacute; est&aacute; vencido! &#8211; Algu&eacute;m pensa o contr&aacute;rio<br \/>\n    (E com despeito a Gurupema encara)<br \/>\n    Algu&eacute;m, n&atilde;o eu! Se havemos de barato<br \/>\n    Dar-lhe a vit&oacute;ria, humildes aceitando <br \/>\n    O triste c&acirc;mbio (a id&eacute;ia s&oacute; me irrita)<br \/>\n    De um morto por um arco t&atilde;o valente,<br \/>\n    Aqui as armas vis fa&ccedil;o peda&ccedil;os<br \/>\n    Em breve trato, e vou-me a ter com esse,<br \/>\n    Que sabe leis ditar, mesmo vencido!&#8221;<br \/>\n    Como tormenta, que rouqueja ao longe<br \/>\n    E som confuso espalha em surdos ecos;<br \/>\n    Como r&aacute;pida flecha corta os ares,<br \/>\n    J&aacute; perto soa, j&aacute; mais perto brame, <br \/>\n    J&aacute; sobranceira enfim roncando estala;<br \/>\n    Nasce fraco rumor que logo cresce,<br \/>\n    Avulta, ruge, horr&iacute;ssono ribomba.<br \/>\n    Oquena! Oquena! o her&oacute;i nunca vencido, <br \/>\n    Com voz troante e procelosa exclama,<br \/>\n    Dominando o rumor, que longe Esa&uacute;:<\/p>\n<p>&#8220;Fujam t&iacute;midas aves aos lampejos<br \/>\n    Do raio abrasador, &#8211; medrosas fujam!<br \/>\n    Mas n&atilde;o ser&aacute; que o her&oacute;i se acanhe ao v&ecirc;-los!<br \/>\n    Itapeba, s&oacute; n&oacute;s somos guerreiros;<br \/>\n    S&oacute; nos, que a olhos nus fitando o raio,<br \/>\n    Da gl&oacute;ria a senda estreita &agrave; par trilhamos.<br \/>\n    Tens em mim quanto sou e quanto valho,<br \/>\n    Armas e bra&ccedil;o enfim!&#8221;<\/p>\n<p>Eis rompe a densa<br \/>\n    Turba que d&#8217;ent&ocirc;rno d&#8217;Itapeba<br \/>\n    Formid&aacute;vel barreira alevantava.<\/p>\n<p>Quadro pasmoso! os dois de m&atilde;os travadas,<br \/>\n    Sereno o aspecto, pl&aacute;cido o semblante,<br \/>\n    &Agrave; f&uacute;ria popular se apresentavam<br \/>\n    De const&acirc;ncia e valor somente armados.<br \/>\n    Eram escolhos g&ecirc;meos, empinados,<br \/>\n    Que a f&uacute;ria de um vulc&atilde;o ergueu nos mares.<br \/>\n    Eterno ali ser&atilde;o co&#8217;os p&eacute;s no abismo,<br \/>\n    Com os negros cimos devassando as nuvens,<br \/>\n    Se outra for&ccedil;a maior os n&atilde;o afunda.<br \/>\n    Ruge embalde o tuf&atilde;o, embalde as vagas <br \/>\n    Do fundo pego &agrave; flor do mar borbulham!<\/p>\n<p>Estranha a turba, e pasma o desusado <br \/>\n    Arrojo, que jamais assim n&atilde;o viram!<br \/>\n    Mas mais que todos Caba-o&ccedil;u valente<br \/>\n    Enleva-se da a&ccedil;&atilde;o que o maravilha;<br \/>\n    E de nobre furor tomado e cheio,<br \/>\n    Clama altivo: &#8220;Eu tamb&eacute;m serei convosco,<br \/>\n    Eu tamb&eacute;m, que a s&oacute; merc&ecirc; vos pe&ccedil;o<br \/>\n    De haver &agrave;s m&atilde;os o p&eacute;rfido Timbira.<br \/>\n    Seja, o que mais lhe apraz invulner&aacute;vel,<br \/>\n    Que d&#8217;armas n&atilde;o care&ccedil;o por vence-lo.<br \/>\n    Aqui o tenho, &#8211; aqui comigo o aperto,<br \/>\n    Estreitamente o aperto nestes bra&ccedil;os,<br \/>\n    (E os bra&ccedil;os mostra e os peitos musculosos)<br \/>\n    H&aacute;-de medir a terra j&aacute; vencido,<br \/>\n    E orgulho e vida perder&aacute; co&#8217;o sangue,<br \/>\n    Arr&atilde; soprada, que um menino espoca!&#8221;<\/p>\n<p>E bate o ch&atilde;o, e o p&eacute; na areia enterra,<br \/>\n    Orgulhoso e robusto: o vulgo aplaude,<br \/>\n    De prazer rancor soltando gritos<br \/>\n    T&atilde;o altos, tais, como se ali tivera<br \/>\n    Aos p&eacute;s, rendido e morto o her&oacute;i Timbira.<\/p>\n<p>Por entre os alvos dentes que branquejam,<br \/>\n    Ri-se o prazer nos l&aacute;bios do Gamela.<br \/>\n    Aos rosto a cor lhe sobe, aos olhos chega<br \/>\n    Fugaz clar&atilde;o da raiva que aos Timbiras<br \/>\n    Votou de h&aacute; muito, e mais que tudo ao chefe,<br \/>\n    Que o espolio paternal mostra vaidoso.<\/p>\n<p>Com gesto senhoril sil&ecirc;ncio impondo <br \/>\n    Alegre aos tr&ecirc;s a m&atilde;o calosa of&#8217;rece,<br \/>\n    Rompendo nestas vozes: &#8220;Desde quando<br \/>\n    Cabe ao soldado pleitear combates<br \/>\n    E ao chefe em &oacute;cio viver seguro?<br \/>\n    Guerreiros sois, que os atos bem no provam;<br \/>\n    Mas se vos n&atilde;o apraz ter-me por chefe,<br \/>\n    Guerreiro t&atilde;o bem sou, e onde se ajuntam<br \/>\n    Guerreiros, h&atilde;o-de haver logar os bravos!<br \/>\n    Serei convosco, disse. &#8211; E aos tr&ecirc;s se passa.<\/p>\n<p>Soam batidos arcos, rompem gritos<br \/>\n    Do festivo prazer, sobe de ponto<br \/>\n    O ruidoso aplaudir, S&oacute; Itapeba,<br \/>\n    Que ao seu rival deu azo de triunfo,<br \/>\n    Mal satisfeito e quase irado rosna.<\/p>\n<p>Um Tapuia, guerreiro advent&iacute;cio,<br \/>\n    Filhado acaso &agrave; tribo dos Gamelas,<br \/>\n    Pede aten&ccedil;&atilde;o, &#8211; prestam-lhe ouvidos todos.<br \/>\n    Estranho &eacute; certo; por&eacute;m longa vida<br \/>\n    A velhice robusta lhe autoriza.<br \/>\n    Muito h&aacute; visto, sofreu muitos reveses,<br \/>\n    Longas terras correu, aprendeu muito;<br \/>\n    Mas quem &eacute;, donde vem, qual &eacute; seu nome?<br \/>\n    Ningu&eacute;m o sabe: ele n&atilde;o o disse nunca.<br \/>\n    Que vida teve, a que na&ccedil;&atilde;o pertence,<br \/>\n    Que azar o trouxe &agrave; tribo dos Gamelas?<br \/>\n    Ignora-se tamb&eacute;m. Nem mesmo o chefe <br \/>\n    Perguntar-lhe se atreve. &Eacute; forte, &eacute; s&aacute;bio,<br \/>\n    &Egrave; velho e experiente, o mais que importa?<br \/>\n    Chamem-lhe o forasteiro, &eacute; quanto basta.<br \/>\n    Se &agrave; ca&ccedil;a os aconselha, a ca&ccedil;a abunda;<br \/>\n    Se &agrave; pesca, os rios cobrem-se de peixes;<br \/>\n    Se &agrave; guerra, ai da na&ccedil;&atilde;o que ele indigita!<br \/>\n    Valem seus ditos mais que valem sonhos,<br \/>\n    E acerta mais que os piagas nos conselhos.<\/p>\n<p>Mancebo (assim diz ele a Gurupema)<br \/>\n    &#8220;J&aacute; vi o que por v&oacute;s n&atilde;o ser&aacute; visto, Imensas<br \/>\n    tabas, b&aacute;rbaros imigos,<br \/>\n    como nunca os vereis; andei j&aacute; tanto,<br \/>\n    Que o n&atilde;o fareis, andando a vida inteira!<br \/>\n    Estranhos casos vi, chefes pujantes!<br \/>\n    Tabira, o rei dos bravos Tobajaras,<br \/>\n    Alqu&iacute;ndar, que talvez j&aacute; n&atilde;o exista,<br \/>\n    Iperu, Jepip&oacute; de Mambucaba,<br \/>\n    E Coni&atilde;, rei dos festins guerreiros;<br \/>\n    E outros, e outros mais. Pois eu vos digo,<br \/>\n    A&ccedil;&atilde;o, que eu saiba, de t&atilde;o grandes Cabos,<br \/>\n    Como a vossa n&atilde;o foi, &#8211; nem tal fa&ccedil;anha<br \/>\n    Fizeram nunca, e sei que foram grandes!<br \/>\n    Itapeba entre os seus n&atilde;o encontraras,<br \/>\n    Que n&atilde;o pagasse com seu sangue o arrojo<br \/>\n    Se tanto as claras por-se-lhes contr&aacute;rio.<br \/>\n    Mas quem do humano sangue derramado<br \/>\n    Por ventura se peja? &#8211; em que logares<br \/>\n    A gl&oacute;ria da peleja horror infunde?<br \/>\n    Ningu&eacute;m, nenhures, ou somente aonde,<br \/>\n    Ou s&oacute; aquele que j&aacute; viu infunde<br \/>\n    Cruas vagas de sangue; e os turvos rios<br \/>\n    Mortos por tributo ao mar volvendo.<br \/>\n    Vi-as eu, inda novo; mas tal vista<br \/>\n    do humano sangue saciou-me a sede.<br \/>\n    Ouvi-me, Gurupema, ouvi-me todos:<br \/>\n    Da sua tentativa o rei das selvas<br \/>\n    Teve por pr&ecirc;mio o lacrimoso evento:<br \/>\n    E era chefe brioso e bom soldado!<br \/>\n    S&oacute; n&atilde;o pode sofrer que algu&eacute;m dissesse<br \/>\n    Haver outro maior t&atilde;o perto dele!<br \/>\n    A vaidade o cegou! hardida empresa<br \/>\n    Cometeu, mas por si: de fora, e longe<br \/>\n    Os seus o viram deslindas seu pleito.<br \/>\n    Vencido foi&#8230; a vossa lei de guerra,<br \/>\n    B&aacute;rbara, sim, mas lei, &#8211; dava ao Timbira<br \/>\n    Usar, com ele usou, do seu triunfo.<br \/>\n    A que pois fabricar novos combates?<br \/>\n    Por que empreende-los n&oacute;s, quando mais justos<br \/>\n    Os Timbiras talvez mover poderam?<br \/>\n    Que vos importa a v&oacute;s vencer batalhas?<br \/>\n    Tendes rios piscosos, fundas matas,<br \/>\n    In&uacute;meros guerreiros, tabas fortes;<br \/>\n    Que mais vos &eacute; mister? Tup&atilde; &eacute; grande:<br \/>\n    De um lado o mar se estende sem limites, <br \/>\n    Pingues florestas d&#8217;outro lado correm<br \/>\n    Sem limites tamb&eacute;m. Quantas igaras<br \/>\n    Quantos arcos houvermos, nas florestas,<br \/>\n    No mar, nos rios caber&atilde;o &agrave;s largas:<br \/>\n    Por que ent&atilde;o batalhar? por que insensatos,<br \/>\n    Buscando o in&uacute;til, necess&aacute;rio aos outros,<br \/>\n    Sangue e vida arriscar em n&eacute;scias lutas?<br \/>\n    Se o filho de Jaguar trazer-nos manda <br \/>\n    Do chefe desdidoto e frio corpo,<br \/>\n    Aceite-se&#8230; se n&atilde;o&#8230; voltemos sempre,<br \/>\n    Ou com ele, ou sem ele, &agrave;s nossas tabas, <br \/>\n    &Agrave;s nossas tabas mudas, lacrimosas,<br \/>\n    Que h&atilde;o-de certo enlutar nossos guerreiros,<br \/>\n    Quer vencedores voltem quer vencidos.&#8221;<\/p>\n<p>Do forasteiro, que t&atilde;o solto fala<br \/>\n    E t&atilde;o livre argumenta, Gurupema<br \/>\n    Pesa a prudente voz, e alfim responde:<br \/>\n    Tup&atilde; decidir&aacute;,&#8221; &#8211; Oh! n&atilde;o decide, <br \/>\n    (Como consigo diz o forasteiro)<br \/>\n    N&atilde;o decide Tup&atilde; humanos casos,<br \/>\n    Quando imprudente e cego o homem corre<br \/>\n    D&#8217;encontro ao fado seu: n&atilde;o valem sonhos,<br \/>\n    Nem da prud&ecirc;ncia meditado aviso<br \/>\n    Do atalho infausto a desviar-lhe os passos!&#8221;<\/p>\n<p>O chefe dos Gamelas n&atilde;o responde:<br \/>\n    Vai pensativo demandando a praia, <br \/>\n    Onde o Timbira mensageiro o aguarda.<\/p>\n<p>Reina o sil&ecirc;ncio, sentam-se na arena, <br \/>\n    Jurucei, Gurupema e os mais com eles.<br \/>\n    Amiga recep&ccedil;&atilde;o, &#8211; ali n&atilde;o viras<br \/>\n    Nem pompa oriental, nem galas ricas, <br \/>\n    Nem armados sal&otilde;es, nem corte egr&eacute;gia,<br \/>\n    Nem r&eacute;gios passos, nem ca&ccedil;oilas fundas,<br \/>\n    Onde a cheirosa goma se derrete.<br \/>\n    Era tudo singelo, simples tudo,<br \/>\n    Na car&ecirc;ncia do ornato &#8211; o grande, o belo.<br \/>\n    Na pr&oacute;pria singeleza a majestade<br \/>\n    Era a terra o pal&aacute;cio, as nuvens teto,<br \/>\n    Colunatas os troncos gigantescos,<br \/>\n    Balc&otilde;es os montes, pavimento a relva,<br \/>\n    Candelabros a lua, o sol e os astros.<\/p>\n<p>L&aacute; est&atilde;o na branca areia descansados.<br \/>\n    Como festiva ta&ccedil;a num banquete,<br \/>\n    O cachimbo de paz, correndo em roda,<br \/>\n    Se fumo adelga&ccedil;ado cobre os ares.<br \/>\n    Almejam,sim, ouvir o mensageiro,<br \/>\n    E mudos s&atilde;o contudo: n&atilde;o dissera,<br \/>\n    Quem quer que os visse ali t&atilde;o descuidoso,<br \/>\n    Que ardor inquieto e fundo os ansiava.<\/p>\n<p>O forte Gurupema alfim come&ccedil;a<br \/>\n    Ap&oacute;s c&ocirc;ngruo sil&ecirc;ncio, em voz pausada:<br \/>\n    Sa&uacute;de ao n&uacute;ncio do Timbira! disse.<br \/>\n    Tornou-lhe Jurucei: &#8220;Paz aos Gamelas, <br \/>\n    Renome e gl&oacute;ria ao chefe seu preclaro!<br \/>\n    &#8211; A que vens pois? N&oacute;s te escutamos: fala<br \/>\n    &#8220;Todos v&oacute;s, que me ouvis, vistes boiantes,<br \/>\n    &Agrave; merc&ecirc; da corrente, o arco e as setas<br \/>\n    Feitas peda&ccedil;os, por mim mesmo in&uacute;teis.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;E de to ver folguei; mas quero eu mesmo<br \/>\n    Ouvir dos l&aacute;bios teus quanto imagino.<br \/>\n    Acata-me Itajub&aacute;, e de medroso<br \/>\n    Tenta poupar aos seus tristeza e luto?<br \/>\n    A flor das Tabas suas, talvez manda<br \/>\n    Trazer-me o corpo e as armas do Gamela,<br \/>\n    Vencido, em mal, no desleal combate!<br \/>\n    Pois seja, que talvez n&atilde;o queira eu sangue,<br \/>\n    E do justo furor quebrando as setas&#8230;<br \/>\n    Mas dize-o tu primeiro&#8230; Nada temas,<br \/>\n    &Egrave; sagrado entre n&oacute;s guerreiro inerme,<br \/>\n    E mais sagrado o mensageiro estranho.&#8221;<\/p>\n<p>Treme de pasmo e c&oacute;lera o Timbira,<br \/>\n    Ao ouvir tal discurso. &#8211; Mais surpreso<br \/>\n    N&atilde;o fica o pescador, que mariscando <br \/>\n    Vai na mar&eacute; vazante, quando avista <br \/>\n    Envolto em Iodo um tubar&atilde;o na praia, <br \/>\n    Que reputa sem vida, passa rente,<br \/>\n    E co&#8217;as malas da rede acaso o a&ccedil;oita <br \/>\n    E a desleixo; &#8211; feroz o monstro acorda<br \/>\n    E escancarando as fauces mostra nelas<br \/>\n    Em sete filas alinhada a morte!<br \/>\n    Tal ficou Jurecei, &#8211; n&atilde;o de receio,<br \/>\n    Mas de surpresa at&ocirc;nito, &#8211; o contr&aacute;rio,<br \/>\n    Que de o ver merenc&oacute;rio n&atilde;o se agasta,<br \/>\n    A que proponha o seu encargo o anima.<\/p>\n<p>&#8220;N&atilde;o ignavo temor a voz me embarga,<br \/>\n    Emude&ccedil;o de ver qu&atilde;o mal conheces<br \/>\n    Do filho de Jaguar os altos brios!<br \/>\n    Esta a mensagem que por mim vos manda:<br \/>\n    Tr&ecirc;s grandes tabas, onde her&oacute;is pululam,<br \/>\n    Tantos e mais que n&oacute;s, tanto e mais bravos,<br \/>\n    Ca&iacute;das a seus p&eacute;s a voz lhe escutam.<br \/>\n    N&atilde;o quer dos vossos derramar mais sangue:<br \/>\n    Tigre cevado em carnes palpitante,<br \/>\n    Rejeita a f&aacute;cil presa; nem o tenta<br \/>\n    De perjuros haver trof&eacute;us sem gl&oacute;ria.<br \/>\n    Em quanto pois a ma&ccedil;a n&atilde;o sopesa,<br \/>\n    Em quanto no carcaz dormem-lhe as setas<br \/>\n    Im&oacute;veis &#8211; atendei! &#8211; cortai no bosque<br \/>\n    Troncos robustos e frondosas palmas<br \/>\n    E novas tabas constru&iacute; no campo,<br \/>\n    Onde o corpo caiu do rei das sevas,<br \/>\n    Onde empastado inda enrubece a terra<br \/>\n    Sangue daquele her&oacute;i que vos infama!<br \/>\n    Aquela briga enfim de dois, tamanhos,<br \/>\n    Sinalai; porque estranho caminheiro<br \/>\n    Amigas vendo e juntas nossas tabas<br \/>\n    E a f&eacute; que usais guardar, sabendo, exclame:<br \/>\n    Vejo um povo de her&oacute;is, e um grande chefe!&#8221;<br \/>\n    Em quanto escuta o mensageiro estranho, <br \/>\n    Gurupema, talvez sem que o sentisse,<br \/>\n    Vai pouco e pouco erguendo o corpo inteiro.<br \/>\n    A ba&ccedil;a cor do rosto &eacute; sempre a mesma,<br \/>\n    O mesmo o aspecto, &#8211; a v&aacute;lida postura<br \/>\n    A quem de longe v&ecirc;, somente indica <br \/>\n    Vigor descomunal, e a gravidade<br \/>\n    Que os pr&oacute;prios &Iacute;ndios por incr&iacute;vel notam.<br \/>\n    Era uma est&aacute;tua, exceto s&oacute; nos olhos,<br \/>\n    Que por entre as em v&atilde;o ca&iacute;das p&aacute;lpebras<br \/>\n    Clar&atilde;o fun&eacute;reo derramava entorno.<\/p>\n<p>Quero ver que valor mostras nas armas,<br \/>\n    (Diz ao Timbira, que a resposta agrada)<br \/>\n    Tu que arrogante, em frases descorteses,<br \/>\n    Guerra declaras, quando paz of&#8217;reces.<br \/>\n    Quebraste o arco teu quando chegaste,<br \/>\n    O meu te of&#8217;re&ccedil;o! O quebrador dos arcos<br \/>\n    Nos dons por certo liberal se mostra,<br \/>\n    Quando o seu arco of&#8217;rece: julga e pasma!&#8221;<\/p>\n<p>Do pejado carcaz tira uma seta, <br \/>\n    Na corda a ajeita, &#8211; o arco entesa e curva,<br \/>\n    Atira, &#8211; soa a corda, a flecha voa <br \/>\n    Com silvos de serpente. Sobre a copa <br \/>\n    Duma arvore frondosa descansava<br \/>\n    H&aacute; pouco um cenembi, &#8211; flechado agora<br \/>\n    Despenha-se no rio, sopra iroso,<br \/>\n    A cortante serrilha embora erri&ccedil;a, <br \/>\n    Co&#8217;a dura cauda embora a&ccedil;oita as &aacute;guas;<br \/>\n    A corrente o conduz, e em breve trato<br \/>\n    O hastil da flecha sobrenada a prumo.<\/p>\n<p>Poder&aacute; Jurecei, al&ccedil;ando o bra&ccedil;o,<br \/>\n    Poupar a&ccedil;&atilde;o t&atilde;o baixa &agrave;queles bosques,<br \/>\n    Onde os guerreiros de Itajub&aacute; imperam.<br \/>\n    Im&oacute;vel, mudo contemplou o rio<br \/>\n    Se ch&ocirc;fre o cenembi cair flechado,<br \/>\n    Lutar co&#8217;a morte, ensang&uuml;entando as &aacute;guas,<br \/>\n    Desaparecer, &#8211; a voz por fim levanta:<\/p>\n<p>&#8220;&Oacute; rei das selvas, Gurupema, escuta:<br \/>\n    Tu, que medroso em face d&#8217;Itajuba <br \/>\n    N&atilde;o ousaras tocar o p&acute;que o vento <br \/>\n    Nas folhas dos seus bosques deposita;<br \/>\n    Senhor das selvas, que de longe o insultas,<br \/>\n    Por que me v&ecirc;s aqui cozinho e fraco,<br \/>\n    Fraco e sem armas, onde armado imperas;<br \/>\n    Senhor das selvas (que antes flecha acesa<br \/>\n    Sobre os tetos houvesses arrojado,<br \/>\n    Onde as mulheres tens e os filhos caros), <br \/>\n    Nunca miraste um alvo mais funesto<br \/>\n    Nem tiro mais fatal vibraste nunca.<br \/>\n    Com l&aacute;grimas de sangue h&aacute;s de chora-lo,<br \/>\n    Maldizendo o lugar, o ensejo, o dia, <br \/>\n    O bra&ccedil;o, a for&ccedil;a, o &acirc;nimo, o conselho<br \/>\n    Do delito infeliz que vai perder-te!<br \/>\n    Eu, sozinho entre os teus que me rodeiam,<br \/>\n    Sem armas, entre as armas que descubro,<br \/>\n    Sem medo, entre os medrosos que me cercam,<br \/>\n    Em tanta solid&atilde;o seguro e ousado,<br \/>\n    Rosto a rosto contigo, e no teu campo.<br \/>\n    Digo-te, &oacute; Gurupema, , &oacute; rei das selvas,<br \/>\n    Que &eacute;s vil, qu&#8217;&eacute;s fraco!<br \/>\n    Sibilante flecha<br \/>\n    Rompe da turva-multa e crava o bra&ccedil;o<br \/>\n    Do ousado Jurecei, qu&#8217;inda falava.<\/p>\n<p>&#8220;&Eacute; seguro entre v&oacute;s guerreiro inerme,<br \/>\n    E mais seguro o mensageiro estranho!<br \/>\n    Disse com riso mofador nos l&aacute;bios.<br \/>\n    Aceito o arco, &oacute; chefe, e a treda flecha,<br \/>\n    Que vos hei-de tornar, ultriz da ofensa<br \/>\n    Infame, que Aimor&eacute;s nunca sonharam!<br \/>\n    Ide , correi, quem c&oacute;s impede a marcha?<br \/>\n    Vingai esta corrente, n&atilde;o mui longe<br \/>\n    Os Timbiras est&atilde;o! &#8211; Voltai da empresa<br \/>\n    Com este feito her&oacute;ico rematado;<br \/>\n    Fugi, se vos apraz; fugi, cobarde!<br \/>\n    Vida por gota pagareis meu sangue;<br \/>\n    Por onde quer que fordes de fugida <br \/>\n    Vai o fero Itajub&aacute; perseguir-vos<br \/>\n    Por &aacute;gua ou terra, ou campos, ou florestas;<br \/>\n    Tremei!&#8230;<br \/>\n    E como o raio em noite escura<br \/>\n    Cegou, desapareceu! De timorato <br \/>\n    Procura Gurupema o autor do crime,<br \/>\n    E autor lhe n&atilde;o descobre; inquire&#8230; embalde!<br \/>\n    Ningu&eacute;m foi, ningu&eacute;m sabe, e todos viram.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: I &#8211; Canto Primeiro II &#8211; Canto Segundo III &#8211; Canto Terceiro IV &#8211; Canto Quarto Introdu&ccedil;&atilde;o Os ritos semib&aacute;rbaros dos Piagas, Cultores de Tup&atilde;, a terra virgem Donde como dum trono, enfim se abriram Da cruz de Cristo os piedosos bra&ccedil;os; As festas, e batalhas mal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-96512","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias, Poemas Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias, Poemas, Obra, Inacabada, Epopeia, Verso Branco, Guerreiros, Jatir, \u00cdndios, Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias, Poemas Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias, Poemas, Obra, Inacabada, Epopeia, Verso Branco, Guerreiros, Jatir, \u00cdndios, Os Timbiras - Gon\u00e7alves Dias\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/os-timbiras-goncalves-dias\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-01-25T14:35:39+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"78 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/os-timbiras-goncalves-dias#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/os-timbiras-goncalves-dias\"},\"author\":{\"name\":\"Augusto Abreu\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"headline\":\"Os Timbiras &#8211; 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