{"id":96027,"date":"2017-01-23T15:33:04","date_gmt":"2017-01-23T17:33:04","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=96027"},"modified":"2017-01-23T15:33:04","modified_gmt":"2017-01-23T17:33:04","slug":"maldita-parentela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela","title":{"rendered":"Maldita Parentela"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"750\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"middle\" width=\"156\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#1\">CENA I &#8211; Dami\u00e3o Teixeira<br \/>\ne Raimunda<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#2\">CENA II &#8211; Os Mesmos e Tr\u00eas<br \/>\nConvidados<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#3\">CENA III &#8211; Os Mesmos e mais<br \/>\nTr\u00eas Convidados<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#4\">CENA IV &#8211; Raimunda, Dami\u00e3o<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#5\">CENA V &#8211; Os Mesmos e Vilasboas<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#6\">CENA VI &#8211; Vilasboas<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#7\">CENA VII &#8211; Dami\u00e3o e<br \/>\nMiranda<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"151\">\n<div align=\"center\">\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#8\">CENA VIII &#8211; Os Mesmos e Joaquim<br \/>\nGuimar\u00e3es<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#9\">CENA IX &#8211; Marianinha, Aur\u00e9lio,<br \/>\nDami\u00e3o, Miranda e Guimar\u00e3es<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#10\">CENA X &#8211; Marianinha e Guimar\u00e3es<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#11\">CENA XI &#8211; Guimar\u00e3es,<br \/>\nMiranda e Hermenegilda<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#12\">CENA XII &#8211; Guimar\u00e3es,<br \/>\nVilasboas, Hermenegilda e Laurindinha<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#13\">CENA XIII &#8211; Os Mesmos e Cocota<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#14\">CENA XIV <\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"157\">\n<div align=\"center\">\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#15\">CENA XV &#8211; Aur\u00e9lio e<br \/>\nMarianinha<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#16\">CENA XVI &#8211; Os Mesmos e Dami\u00e3o<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#17\">CENA XVII &#8211; Vilasboas e a<br \/>\nMenina, Aur\u00e9lio e depois Hermenegilda e Guimar\u00e3es<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#18\">CENA XVIII &#8211; Bas\u00edlio<br \/>\ne Aur\u00e9lio<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#19\">CENA XIX &#8211; Os Mesmos e Dami\u00e3o<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#20\">CENA XX &#8211; Hermenegilda e Guimar\u00e3es<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#21\">CENA XXI &#8211; Os Mesmos, Vilasboas<br \/>\ne Laurindinha<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#22\">CENA XXII <\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2><a name=\"1\"><\/a>CENA I<b> &#8211; Dami\u00e3o Teixeira e Raimunda<\/b><\/h2>\n<p>Dami\u00e3o (Entrando por uma das portas da esquerda, a Raimunda, que entra<br \/>\npela direita) Onde est\u00e1 Marianinha? (Com alegria) As salas regorgitam<br \/>\nde gente e neste momento acaba de entrar a fam\u00edlia do Comendador Pestana.<\/p>\n<p>Raimunda Marianinha est\u00e1 no toalete com as filhas do Conselheiro Neves.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Que reuni\u00e3o luzida! S\u00e3o apenas nove horas e j\u00e1<br \/>\ntenho em casa dois desembargadores, tr\u00eas deputados, um conselheiro,<br \/>\num tenente-coronel&#8230;<\/p>\n<p>Raimunda O pior \u00e9 que chove a c\u00e2ntaros.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Tanto melhor. Haver\u00e1 \u00e0 porta maior n\u00famero<br \/>\nde carros e o nosso baile, durante uma semana pelo menos, ser\u00e1 o assunto<br \/>\ndas conversa\u00e7\u00f5es na vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Raimunda Voc\u00ea s\u00f3 pensa nos seus comendadores e bar\u00f5es<br \/>\ne n\u00e3o se lembra do mano Bas\u00edlio e das meninas da Prainha. Sabe<br \/>\nDeus como elas vir\u00e3o por a\u00ed, coitadinhas, metidas num bonde,<br \/>\ntodas enlameadas e correndo o risco de uma constipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Se \u00e9 por esse motivo que a chuva a incomoda, ent\u00e3o<br \/>\nfique sabendo desde j\u00e1 que eu n\u00e3o duvidaria dar \u00e0s almas<br \/>\no dobro do que gastei esta noite para ver desabar sobre a cidade um tremendo<br \/>\ntemporal, dez vezes maior que o de dez de outubro.<\/p>\n<p>Raimunda Se a minha fam\u00edlia o envergonha, porque casou comigo?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Ora, Raimunda, falemos com franqueza, a tua parentela \u00e9<br \/>\num esc\u00e2ndalo!<\/p>\n<p>Raimunda Em que \u00e9 que os seus parentes s\u00e3o melhores que os<br \/>\nmeus?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Aqui para n\u00f3s, que ningu\u00e9m nos ou\u00e7a. Tu<br \/>\nachas que teu mano Bas\u00edlio&#8230;<\/p>\n<p>Raimunda Teu mano, n\u00e3o; seu cunhado.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o V\u00e1 l\u00e1; tu achas que meu cunhado Bas\u00edlio<br \/>\ne aquelas duas filhas; uma muito desengon\u00e7ada e a dar gargalhadas a<br \/>\ntodo o momento e a outra de cara sempre amarrada a responder \u00e0s amabilidades<br \/>\nque lhe dizem com desaforos e muxoxos de crioula, est\u00e3o no caso de<br \/>\nentrar em um sal\u00e3o de gente que se trata?<\/p>\n<p>Raimunda Quem te viu e quem te v\u00ea!<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Desde que me entendo, encontro-as em toda parte com uns c\u00e9lebres<br \/>\nvestidos brancos, t\u00e3o cheios de fofinhos, pregas e canudos que parecem<br \/>\nestar vestidas de tripas. E o tal Senhor CassianoVilasboas? N\u00e3o se<br \/>\nme d\u00e1 de apostar que ele vem por a\u00ed de casaca e cal\u00e7a<br \/>\nbranca.<\/p>\n<p>Raimunda Pois olhe, o primo Vilasboas foi sempre um janota.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Um janota da Ponta do Caju, que me tem quebrado, com os seus<br \/>\nestouvamentos, quanta lou\u00e7a tenho em casa.<\/p>\n<p>Raimunda N\u00e3o \u00e9 tanto assim.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Eu daria parab\u00e9ns a mim pr\u00f3prio, senhora, se<br \/>\na sua parentela tivesse a feliz lembran\u00e7a de n\u00e3o p\u00f4r c\u00e1<br \/>\nos p\u00e9s. Sabe que este baile \u00e9 dado especialmente ao Senhor Joaquim<br \/>\nGuimar\u00e3es, que \u00e9 um homem \u00e0s direitas, com quem desejo<br \/>\ncasar Marianinha. J\u00e1 v\u00ea, que \u00e9 preciso que nos meus sal\u00f5es<br \/>\nse encontre a nata da sociedade fluminense.<\/p>\n<p>Raimunda N\u00e3o compreendo porque queres a nata da sociedade em tua casa<br \/>\nquando pretendes casar tua filha com um lorpa, um sujeito sem educa\u00e7\u00e3o,<br \/>\nque vai fazer a sua infelicidade.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Pois um homem que traz para o casal aquilo com que se compram<br \/>\nos mel\u00f5es faz porventura a infelicidade de algu\u00e9m?! Pelo amor<br \/>\nde Deus, senhora, n\u00e3o diga disparates.<\/p>\n<p>Raimunda Se reservavas esta sorte para a pobre menina, seria melhor que n\u00e3o<br \/>\na tivesses mandado educar com todo o esmero em um col\u00e9gio franc\u00eas.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Pois saiba que \u00e9 atendendo mesmo a essa educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nque desejo cas\u00e1-la com o tal lorpa, como a senhora o chama. Marianinha<br \/>\nest\u00e1 acostumada ao luxo, \u00e0 vida da alta sociedade e um marido<br \/>\ndinheiroso \u00e9 para ela hoje t\u00e3o necess\u00e1rio como o ar que<br \/>\nrespira.<\/p>\n<p>Raimunda Um marido que h\u00e1 de envergonh\u00e1-la em toda a parte.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o N\u00e3o h\u00e1 de ser tanto assim. Concordo que a princ\u00edpio<br \/>\nele cometa suas inconveni\u00eancias e que d\u00ea mesmo algumas patadas<br \/>\nbravias; mas depois h\u00e1 de ir se acostumando pouco a pouco \u00e0<br \/>\natmosfera dos sal\u00f5es e acabar\u00e1 finalmente por falar a linguagem<br \/>\ndo bom-tom e n\u00e3o dar um passo sem atender ao formul\u00e1rio da etiqueta.<\/p>\n<p>Raimunda Veremos.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Ora, minha amiga, tu queres medir todos pela bitola de tua<br \/>\nfam\u00edlia, que nasceu na Prainha, na Prainha foi educada e h\u00e1<br \/>\nde morrer na Prainha.<\/p>\n<p>Raimunda Est\u00e1 bom, a minha fam\u00edlia n\u00e3o est\u00e1 em<br \/>\ndiscuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Eu j\u00e1 sei o que a senhora quer. Vem com p\u00e9s de<br \/>\nl\u00e3 advogar a causa do tal doutorzinho que me anda a namorar a pequena&#8230;<\/p>\n<p>Raimunda Pois fique sabendo que Marianinha j\u00e1 me disse que, a n\u00e3o<br \/>\ndar a m\u00e3o ao Senhor Doutor Aur\u00e9lio, n\u00e3o se casava com<br \/>\nmais ningu\u00e9m. E eu acho que ela faz muito bem.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o O qu\u00ea?! Pensa porventura a Senhora Raimunda que eu vou<br \/>\ncasar minha filha com um valdevinos sem fortuna e sem fam\u00edlia?&#8230;<\/p>\n<p>Raimunda Mas&#8230;<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Sim, sem fam\u00edlia. Dou um doce ao tal sujeitinho se ele<br \/>\nfor capaz de dizer quem seja seus pais.<\/p>\n<h2><a name=\"2\"><\/a>CENA II <b>&#8211; Os Mesmos e Tr\u00eas Convidados<\/b><\/h2>\n<p>Dami\u00e3o (A duas damas e a um velho que entram pelo fundo) \u00d3<br \/>\nSenhor Visconde, pensei que n\u00e3o viesse. (Aperta a m\u00e3o do Visconde)<br \/>\nRaimunda, leva as capas das senhoras para o toalete. (Raimunda beija as duas<br \/>\nmo\u00e7as, tira-lhes as capas e entra pela esquerda voltando logo. As mo\u00e7as<br \/>\nsentam-se) Pode dispor desta casa como se fosse sua.<\/p>\n<p>Raimunda (Para as mo\u00e7as) A Senhora Viscondessa por que n\u00e3o<br \/>\nveio?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Para o velho) \u00c9 verdade, por que n\u00e3o trouxe<br \/>\na Excelent\u00edssima Senhora?<\/p>\n<h2><a name=\"3\"><\/a>CENA III <b> &#8211; Os Mesmos e mais Tr\u00eas Convidados<\/b><\/h2>\n<p>Dami\u00e3o (A um mo\u00e7o que entra com duas damas pelo fundo) \u00d3<br \/>\nExcelent\u00edssimo! Raimunda, o Senhor Doutor Chefe de Pol\u00edcia.<br \/>\nMinha mulher. (Raimunda cumprimenta o mo\u00e7o, beija as tr\u00eas mo\u00e7as,<br \/>\ntira-lhes as capas e leva-as para o toalete, depois do qu\u00ea, volta para<br \/>\na cena. As mo\u00e7as sentam-se)<\/p>\n<h2><a name=\"4\"><\/a>CENA IV <b>&#8211; Raimunda, Dami\u00e3o<\/b><\/h2>\n<h4><b> Os Convidados, Bas\u00edlio, Laurindinha, Cocota, Tr\u00eas Meninos,<br \/>\nde 7 a 10 anos e Uma Menina de 8 anos<\/b><\/h4>\n<p>Raimunda Como est\u00e1, mano Bas\u00edlio? (Laurindinha, Cocota e os<br \/>\nmeninos tomam a b\u00ean\u00e7\u00e3o a Raimunda)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) Jesus! Veio a fam\u00edlia em peso!<\/p>\n<p>Laurindinha (Rindo-se \u00e0s gargalhadas) Estamos todas enlameadas! (Apertando<br \/>\na m\u00e3o de todos que est\u00e3o na sala, um por um) Como tem passado?<br \/>\n(A outra) Eu estou boa, muito obrigada. (A outro) Boa noite. (A outro) Tem<br \/>\npassado bem? (A outro) Como vai?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) Que vergonha, meu Deus! Entram em um baile<br \/>\napertando a m\u00e3o de todos, sem uma apresenta\u00e7\u00e3o sequer!<\/p>\n<p>Laurindinha (A outra) Viva!<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Baixo a Raimunda) Senhora, pelo amor de Deus, toque estas<br \/>\nsirigaitas daqui para fora. (O major Bas\u00edlio, os tr\u00eas meninos,<br \/>\na menina e Cocota seguem tamb\u00e9m um atr\u00e1s do outro apertando<br \/>\na m\u00e3o de todos, que ocultam o riso com o len\u00e7o na boca)<\/p>\n<p>Raimunda (Baixo a Dami\u00e3o) De que \u00e9 que esta s\u00facia se<br \/>\nri?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Baixo) A senhora ainda o pergunta?! Olhe para aqueles vestidinhos,<br \/>\ncheios de fitas de todas as cores. Parece-me estar vendo o mastro do Castelo<br \/>\nem dia de chegada de volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Abra\u00e7ando o Chefe de Pol\u00edcia) Oh! H\u00e1<br \/>\nquanto tempo n\u00e3o o vejo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) O que \u00e9 aquilo, o que \u00e9 aquilo?!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio N\u00e3o \u00e9 o Senhor Tom\u00e9 da rua do Alc\u00e2ntara,<br \/>\na quem tenho a honra de falar?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Pondo-se de permeio) Venha tirar par para uma quadrilha, Excelent\u00edssimo.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Desculpe-me, estou sofrendo tanto da vista.<\/p>\n<p>Laurindinha (Rindo-se) Ah! Ah! Ah! Titia, n\u00e3o imagina o reboli\u00e7o<br \/>\nque houve l\u00e1 em casa por causa deste baile.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Com riso for\u00e7ado) N\u00f3s imaginamos, n\u00f3s<br \/>\nimaginamos.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah! Eu e Cocota quer\u00edamos fazer uns vestidos novos<br \/>\npara p\u00f4r poeira hoje aqui em tudo. O diabo do italiano que costuma levar<br \/>\nfazendas l\u00e1 na Prainha flauteou-nos e n\u00e3o tivemos rem\u00e9dio<br \/>\nsen\u00e3o lan\u00e7ar m\u00e3o destes vestidos que fizemos para a chegada<br \/>\ndo Conde D\u2019Eu. Toca a mudar fitas. Ah! Ah! Ah! Papai estava furioso.<br \/>\nJ\u00e1 n\u00e3o posso com tanta despesa, disse ele. Ah! Ah! Ah! Sa\u00edmos<br \/>\nde casa todas engomadas, principiava a fuzilar. Quando chegamos ao Largo da<br \/>\nImperatriz, desabou uma pancada d\u2019\u00e1gua&#8230;Ah!Ah! Ah! Os bondes<br \/>\npassavam&#8230;papai, sciu, sciu, sciu, p\u00e1ra! Qual! Iam todos atopetados.<br \/>\nAh! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Interrompendo) Vamos tirar pares, vamos tirar pares.<\/p>\n<p>Laurindinha A mana est\u00e1 danada.<\/p>\n<p>Cocota (Zangada) Me deixe.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah! Est\u00e1 com os sapatos todos encharcados, e a<br \/>\nmeia caiu-lhe pela perna abaixo.<br \/>\nCocota (Zangada) N\u00e3o \u00e9 de sua conta; cuide de sua vida que n\u00e3o<br \/>\nfaz t\u00e3o pouco.<\/p>\n<p>Laurindinha Eu l\u00e1 tenho a culpa que voc\u00ea viesse com os sapatos<br \/>\nrotos?<\/p>\n<p>Cocota V\u00e1 plantar batatas.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) Que vergonha! (Alto) Vamos tirar pares, vamos<br \/>\ntirar pares.<\/p>\n<p>Cocota Se voc\u00ea me exaspera muito, olhe que eu fa\u00e7o uma das minhas,<br \/>\nhein?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Para Cocota e Laurindinha) Voc\u00eas n\u00e3o trouxeram<br \/>\naquela m\u00fasica a quatro m\u00e3os?<\/p>\n<p>Cocota Eu n\u00e3o, n\u00e3o tinha eu mais que fazer.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Mas por que n\u00e3o trouxeste a m\u00fasica?<\/p>\n<p>Cocota Porque n\u00e3o quis, est\u00e1 a\u00ed.<\/p>\n<h2><a name=\"5\"><\/a>CENA V <b>&#8211; Os Mesmos e Vilasboas<\/b><\/h2>\n<p>Vilasboas (Entra pelo fundo, traja casaca e cal\u00e7a branca; traz um<br \/>\ncach\u00ea-nez ao pesco\u00e7o, a bainha da cal\u00e7a dobrada, sapatos<br \/>\nde borracha e um chap\u00e9u de chuva sobra\u00e7ado com a ponta para<br \/>\no ar) Afinal, sempre cheguei.<\/p>\n<p>Laurindinha (Batendo palmas) Iu&#8230;\u00f3 primo Vilasboas. Que pagode. Ah!<br \/>\nAh! Ah! (Vilasboas cumprimenta a todos com a ponta do guarda-chuva voltada<br \/>\npara o ar)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) Mais outro.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (A Vilasboas que o cumprimenta) Olhe que voc\u00ea fura-me<br \/>\num olho.<\/p>\n<p>Vilasboas Estou molhado como um pinto. (Recuando para apertar a m\u00e3o<br \/>\nde Raimunda d\u00e1 com o cabo do chap\u00e9u em um aparador e atira uma<br \/>\njarra ao ch\u00e3o)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c0 parte) Come\u00e7a o diabo a quebrar-me tudo.<\/p>\n<p>Vilasboas (Para Raimunda) N\u00e3o se incomode, eu pago. Com licen\u00e7a.<br \/>\n(Abre o chap\u00e9u de chuva e coloca-o no ch\u00e3o)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o O que \u00e9 isto, senhor?<\/p>\n<p>Vilasboas \u00c9 para enxugar. (Dami\u00e3o fecha o chap\u00e9u e coloca-o<br \/>\na um canto. Vilasboas senta-se no sof\u00e1, tira os sapatos de borracha<br \/>\ne atira-os para baixo, desenrola o cach\u00ea-nez e desdobra a bainha da<br \/>\ncal\u00e7a)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Baixo a Raimunda) Estou com a cara mais larga que um tacho.<br \/>\n(Alto) Vamos tirar pares, vamos tirar pares.<\/p>\n<h2><a name=\"6\"><\/a>CENA VI <b>&#8211; <\/b> <b> Vilasboas<\/b><\/h2>\n<p><b> Os Convidados, Os Meninos, Laurindinha, Cocota, Bas\u00edlio, Dami\u00e3o,<br \/>\nRaimunda, Hermenegilda e Miranda<\/b><\/p>\n<p>Raimunda Entre, prima Hermenegilda.<\/p>\n<p>Hermenegilda (Cumprimentando a todos) Pensei que n\u00e3o nos apropinqu\u00e1ssemos<br \/>\nmais \u00e0s avenidas deste pal\u00e1cio, todo por dentro e por fora iluminado,<br \/>\ncomo diz Alexandre Herculano no Otelo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c1 parte) Faltava mais este casal para coroar a obra.<\/p>\n<p>Vilasboas (Para Laurindinha) A mana Hermenegilda fala que se pode ouvir.<\/p>\n<p>Hermenegilda Deixamos a po\u00e9tica Praia do Caju envolvida nos vapores<br \/>\nfosforescentes do cair das sombras que abandonavam a terra.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (\u00c1 parte) Quanta asneira, meu Deus!<\/p>\n<p>Hermenegilda A lua ocultava o perfil entre nuvens negras como diz o cantor<br \/>\ndo Jocelyn.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Interrompendo) Mas vamos tirar pares, vamos tirar pares.<\/p>\n<p>Miranda (Para o Chefe de Pol\u00edcia) Se n\u00e3o me engano, \u00e9<br \/>\no Senhor Doutor Chefe de Pol\u00edcia da Corte? H\u00e1 de permitir-me<br \/>\nque apresente minha filha a Sua Excelent\u00edssima. (Apresentando Hermenegilda)<br \/>\nO Senhor Doutor Chefe de Pol\u00edcia. Minha filha, Dona Hermenegilda Taquaru\u00e7u<br \/>\nde Miranda.<\/p>\n<p>Hermenegilda Creio que \u00e9 in\u00fatil esta apresenta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nporquanto j\u00e1 tive o prazer de enla\u00e7ar o meu bra\u00e7o no<br \/>\nde Vossa Excel\u00eancia no voluptuoso baile do Fragoso.<\/p>\n<p>Vilasboas \u00c9 verdade, como esteve voluptuoso aquele baile! Havia gente<br \/>\ncomo terra. (A orquestra toca dentro uma quadrilha)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o A orquestra d\u00e1 o sinal para a segunda quadrilha. N\u00e3o<br \/>\nh\u00e1 tempo a perder, meus senhores.<\/p>\n<p>Miranda (Para o Chefe de Pol\u00edcia) Se Vossa Excel\u00eancia n\u00e3o<br \/>\ntem par, tomo a liberdade de oferecer-lhe minha filha. (O Chefe de Pol\u00edcia<br \/>\nd\u00e1 o bra\u00e7o a Hermenegilda)<\/p>\n<p>Hermenegilda Eu amo a dan\u00e7a, como o saltitante colibri, pulando de<br \/>\nv\u00e1rzea em v\u00e1rzea ora aqui, ora ali, ama as p\u00e9talas de<br \/>\nflores, onde a borboleta vai colher o delicioso mel. (Saem ambos)<\/p>\n<p>Laurindinha (Para Vilasboas) Primo, voc\u00ea dan\u00e7a comigo; n\u00f3s<br \/>\nc\u00e1 quando nos ajuntemos, pintemos. Ah! Ah! Ah! (Sai de bra\u00e7o<br \/>\ncom Vilasboas)<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Para a menina) Eu vou ver um par para ti, Isabelinha. (Dirigindo-se<br \/>\na um dos convidados) Se ainda n\u00e3o tem dama pe\u00e7o-lhe que dance<br \/>\ncom esta menina. (A menina sai de bra\u00e7o com o convidado) Voc\u00eas<br \/>\n(Para as meninas) vejam l\u00e1 como se portam, v\u00e3o para a sala,<br \/>\nfiquem bem sossegadinhas num canto e sobretudo n\u00e3o me metam a m\u00e3o<br \/>\nnas bandejas. (Saem as meninas, os outros convidados tiram pares e saem tamb\u00e9m)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Para Cocota) Voc\u00ea n\u00e3o vai dan\u00e7ar, menina?<\/p>\n<p>Cocota Estou muito bem sentada.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Se veio c\u00e1 para fazer papel de jarra, seria melhor ter<br \/>\nficado em casa.<\/p>\n<p>Cocota Jarra ser\u00e1 ele, veja l\u00e1 se est\u00e1 falando com seus<br \/>\nnegros. Se pensa que fa\u00e7o muito empenho em vir aos seus bailes, fique<br \/>\nsabendo que vim c\u00e1 somente para fazer a vontade a papai. Depois que<br \/>\napanhou umas patacas ficou t\u00e3o cheio de impost\u00farias e de sob\u00earbias<br \/>\nque parece que tem o rei na barriga. Eu n\u00e3o fa\u00e7o caso de dinheiro.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Menina, respeite seu tio, que \u00e9 mais velho; v\u00e1<br \/>\ndan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Cocota N\u00e3o vou, n\u00e3o vou e n\u00e3o vou. (Sai para a toalete<br \/>\nlevando consigo uma mo\u00e7a)<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Dando o bra\u00e7o a duas damas e saindo) \u00c9 muito<br \/>\nbem criada, mas quando teima, ningu\u00e9m pode com ela.<\/p>\n<h2><a name=\"7\"><\/a>CENA VII <b> &#8211; Dami\u00e3o e Miranda<\/b><\/h2>\n<p>Miranda Na realidade, invejo a posi\u00e7\u00e3o em que te achas.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Com ar pretensioso) Ora, meu amigo, mudemos de conversa.<\/p>\n<p>Miranda Infelizmente n\u00e3o posso fazer outro tanto, apesar de ter um<br \/>\nelemento com quem podia figurar mais do que tu.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Qual \u00e9?<\/p>\n<p>Miranda Uma filha inteligente e interessante.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o N\u00e3o te compreendo.<\/p>\n<p>Miranda Desconheces porventura a import\u00e2ncia da mulher na sociedade?<br \/>\nN\u00e3o sabes que de um momento para outro ela pode arremessar-nos ao abismo<br \/>\ncom a mesma facilidade com que eleva-nos \u00e0s mais altas posi\u00e7\u00f5es?<br \/>\nHermenegilda tem todos os dotes para fazer-me subir e, no entanto, ainda nada<br \/>\nconsegui at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Ora Miranda&#8230;<\/p>\n<p>Miranda Ela, por sua parte, coitada, faz todo o poss\u00edvel. N\u00e3o<br \/>\na viste, h\u00e1 pouco, com o Chefe de Pol\u00edcia? Um homem solteiro,<br \/>\nem boa posi\u00e7\u00e3o&#8230;um corte de marido, \u00e0s direitas. Parece-me<br \/>\nque o caiporismo vem de mim.<\/p>\n<h2><a name=\"8\"><\/a>CENA VIII <b> &#8211; Os Mesmos e Joaquim Guimar\u00e3es<\/b><\/h2>\n<p>Guimar\u00e3es (Entrando pelo fundo) H\u00e1 um quarto de hora que ando<br \/>\npelas salas a sua procura. Irra!&#8230;Estou suando como um burro.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o \u00d3 Senhor Guimar\u00e3es, a sua aus\u00eancia j\u00e1<br \/>\nme era muito sens\u00edvel!<\/p>\n<p>Miranda (Baixo a Dami\u00e3o) Este homem n\u00e3o \u00e9 aquele sujeito<br \/>\nmuito apatacado de que me falaste uma vez ?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es N\u00e3o pude vir mais cedo. Mandei ver umas botas para<br \/>\no seu br\u00f3dio, encomendo ao diabo do caixeiro que me procurasse quarenta<br \/>\ne oito, tr\u00eas, que \u00e9 o n\u00famero que cal\u00e7o, e o ladr\u00e3o<br \/>\ntraz-me estas botinas. Estou com os p\u00e9s intransit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Miranda (Baixo a Dami\u00e3o) Apresenta-me a este homem.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Decididamente n\u00e3o me sei haver com isto. Quem me<br \/>\ntira de um bom chinelo-de-tapete, tira-me de tudo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o J\u00e1 esteve na sala da frente?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Acabo de sair de l\u00e1.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Que tal?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es O mulherio \u00e9 magn\u00edfico!<\/p>\n<p>Miranda (\u00c0 parte) \u00c9 preciso que ele dance com Hermenegilda.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Mas quer que lhe fale com franqueza? Eu n\u00e3o gosto<br \/>\nde bailes de cerim\u00f4nia. Se algum dia der reuni\u00f5es em minha casa,<br \/>\nn\u00e3o hei de fazer convites. Encontrando algum conhecido na rua, chamo-o<br \/>\ne digo-lhe: Vem c\u00e1, fulano, vai tomar hoje uma x\u00edcara de \u00e1gua<br \/>\nsuja l\u00e1 em casa; podes ir assim mesmo que l\u00e1 n\u00e3o vai<br \/>\nningu\u00e9m de bem. N\u00e3o me entendo com neg\u00f3cios c\u00e1<br \/>\nde casaca e gravata ao pesco\u00e7o, est\u00e1 a gente fora de seus h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Miranda O senhor \u00e9 como eu.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Quem \u00e9 o senhor?<\/p>\n<p>Miranda Chamo-me Desid\u00e9rio Jos\u00e9 de Miranda, moro na Ponta do<br \/>\nCaju e sou pai de uma menina que \u00e9 um anjo.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Onde est\u00e1 ela?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Interrompendo com vivacidade) Vamos para a outra sala; minha<br \/>\nfilha espera-o com ansiedade&#8230;<\/p>\n<p>Miranda Venha, eu vou apresent\u00e1-la.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Oh! A\u00ed vem Marianinha.<\/p>\n<h2><a name=\"9\"><\/a>CENA IX <b> &#8211; Marianinha, Aur\u00e9lio, Dami\u00e3o, Miranda<br \/>\ne Guimar\u00e3es<\/b><\/h2>\n<p>Guimar\u00e3es (A Marianinha) Ora muito boas noites, minha senhora. Ent\u00e3o,<br \/>\ncomo vai a S\u00e9 velha? (Apertando-lhe a m\u00e3o)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (A Aur\u00e9lio) Desejava falar-lhe, Senhor Doutor.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio (\u00c0 parte) Compreendo.<\/p>\n<p>Miranda (\u00c0 parte) O patife quer me empatar as vasas.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Saindo com Aur\u00e9lio) Vamos tamb\u00e9m, Miranda, quero<br \/>\ncomunicar-te um neg\u00f3cio de muita import\u00e2ncia. (Saem os tr\u00eas.<br \/>\nAur\u00e9lio lan\u00e7a, ao sair, um olhar furtivo para Marianinha)<\/p>\n<h2><a name=\"10\"><\/a>CENA X <b> &#8211; Marianinha e Guimar\u00e3es<\/b><\/h2>\n<p>Guimar\u00e3es (\u00c0 parte) Que diabo lhe hei de eu dizer? (Alto) O<br \/>\ndia de hoje tem me corrido muito bem, minha senhora.<\/p>\n<p>Marianinha Deveras?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es \u00c9 verdade.<\/p>\n<p>Marianinha Ent\u00e3o, pelo qu\u00ea?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Vendi de manh\u00e3 no meu armaz\u00e9m tr\u00eas barricas<br \/>\nde paios avariados e tenho agora o prazer de estar ao seu lado.<\/p>\n<p>Marianinha Que amabilidade!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Ah! eu n\u00e3o sou homem de etiquetas, digo o que sinto.<br \/>\nFiz um bom neg\u00f3cio e desabafo com a menina, que \u00e9 uma pessoa<br \/>\na quem amo com todas aquelas. Tamb\u00e9m se n\u00e3o gostasse da senhora,<br \/>\ndizia-lhe logo nas ventas; eu para isso sou bom.<\/p>\n<p>Marianinha O senhor gosta de franqueza?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es \u00c9 a alma do neg\u00f3cio<\/p>\n<p>Marianinha (Com ironia) O Senhor Guimar\u00e3es \u00e9 um esp\u00edrito<br \/>\naltamente po\u00e9tico; o neg\u00f3cio jamais lhe sai da cabe\u00e7a,<br \/>\nmesmo ao lado da mulher a quem ama.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Se eu n\u00e3o pensar no neg\u00f3cio ao p\u00e9 da<br \/>\nsenhora, quando \u00e9 que hei de pensar ent\u00e3o? Al\u00e9m disso<br \/>\no casamento \u00e9 um verdadeiro neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Marianinha Ah?!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Sim, senhora; \u00e9 uma sociedade sujeita a perdas e<br \/>\nlucros e que tem por capital o amor. Quando o capital se esgota, dissolve-se<br \/>\na firma social, e cada um trata de procurar o seu rumo.<\/p>\n<p>Marianinha Pois j\u00e1 que o senhor gosta de franqueza, h\u00e1 de permitir-me<br \/>\nque lhe diga que a nossa firma social \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Imposs\u00edvel?! Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Marianinha J\u00e1 dei o meu capital a outra sociedade.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es J\u00e1 deu o seu capital?! N\u00e3o \u00e9 isto o<br \/>\nque seu pai tem me dito!<\/p>\n<p>Marianinha Mas \u00e9 o que lhe digo agora.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Ora, a menina est\u00e1 ca\u00e7oando. E se o Senhor<br \/>\nDami\u00e3o a obrigar?<\/p>\n<p>Marianinha Casar-me-ei com o senhor, mas o meu cora\u00e7\u00e3o nunca<br \/>\nlhe pertencer\u00e1. (Aur\u00e9lio aparece ao fundo. Marianinha vai retirar-se)<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Venha c\u00e1.<\/p>\n<p>Marianinha (Para Aur\u00e9lio) D\u00ea-me o seu bra\u00e7o, Senhor Aur\u00e9lio.<br \/>\n(Sai com Aur\u00e9lio)<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Pensando) Nada. (Pausa) N\u00e3o me serve.<\/p>\n<h2><a name=\"11\"><\/a>CENA XI &#8211; <b>Guimar\u00e3es, Miranda e Hermenegilda<\/b><\/h2>\n<p>Miranda (Apresentando Hermenegilda) Aqui est\u00e1 o anjo de que lhe falei.<br \/>\n(Baixo a Hermenegilda) Trata-o com toda a amabilidade e v\u00ea se o seguras;<br \/>\nolha&#8230;(Faz sinal de dinheiro) Eu a entrego, Senhor Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Minha senhora&#8230;<\/p>\n<p>Hermenegilda Eu j\u00e1 o conhecia tradicionalmente.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (\u00c0 parte) Isto \u00e9 aguardente de outra pipa.<\/p>\n<p>Hermenegilda O seu ar nobre, as suas maneiras distintas, cativaram-me o peito<br \/>\nem arroubos divinais.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Ora, minha senhora, quem sou eu? Um pobre diabo carregado<br \/>\nde esteiras velhas&#8230;<\/p>\n<p>Hermenegilda Mas que tem um cora\u00e7\u00e3o magn\u00e2nimo e generoso,<br \/>\ncomo um poeta. N\u00e3o gosta de versos?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Hum&#8230;Assim, assim.<\/p>\n<p>Hermenegilda Certamente ama mais a m\u00fasica?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es J\u00e1 fiz parte da Sociedade Recreio da Harmonia, estive<br \/>\naprendendo a tocar clarineta, mas tenho uma p\u00e9ssima embocadura. Nunca<br \/>\ncheguei a sair incorporado \u00e0 banda.<\/p>\n<p>Hermenegilda A m\u00fasica \u00e9 a minha paix\u00e3o predil\u00e9tica.<br \/>\nNaquelas notas m\u00edsticas, como diz Eugene Sue nos Ci\u00fames do Bardo,<br \/>\na alma esvai-se e perfumes ignotos. Conhece Meyerbeer?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Muito. N\u00e3o conhe\u00e7o eu outro.<\/p>\n<p>Hermenegilda Que alma!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es \u00c9 verdade, mas deu com os burros n\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Hermenegilda Com os burros n\u2019\u00e1gua?!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Sim, senhora. Pois o Meyerbeer n\u00e3o \u00e9 aquele<br \/>\nmocinho estrangeiro que tinha uma loja de drogas na rua Direita? Quebrou e<br \/>\nest\u00e1 hoje sem nada.<\/p>\n<p>Hermenegilda N\u00e3o, eu falo de Meyerbeer, o cantor da Africana, de Julieta<br \/>\ne Romeu, e da Traviata.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Com esse nunca tive rela\u00e7\u00f5es. (\u00c0 parte)<br \/>\nDecididamente, isto \u00e9 g\u00eanero de primeira qualidade.<\/p>\n<p>Hermenegilda N\u00e3o gosta de dan\u00e7a?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es L\u00e1 isto sim, \u00e9 o meu fraco; morro por dan\u00e7ar,<br \/>\ncomo macaco por banana.<\/p>\n<p>Hermenegilda J\u00e1 tem par para a primeira polca?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es N\u00e3o, senhora.<\/p>\n<p>Hermenegilda Poderei eu merecer a honra de voltigear com o senhor nesses<br \/>\nmundos a\u00e9reos, at\u00e9 onde n\u00e3o ousa subir a acanhada concep\u00e7\u00e3o<br \/>\ndos esp\u00edritos tacanhos e positivos?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es O que \u00e9 que a senhora quer? Eu n\u00e3o compreendi<br \/>\nbem.<\/p>\n<p>Hermenegilda Quer dan\u00e7ar esta polca comigo?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Essa \u00e9 boa, pois n\u00e3o. (\u00c0 parte) Esta<br \/>\nmulher est\u00e1 me provocando, e eu ataco-lhe j\u00e1 uma declara\u00e7\u00e3o<br \/>\nnas bochechas.<\/p>\n<h2><a name=\"12\"><\/a>CENA XII &#8211; <b>Guimar\u00e3es, Vilasboas, Hermenegilda e Laurindinha<\/b><\/h2>\n<p>Laurindinha (Rindo-se \u00e0s gargalhadas) Ah! Ah! Ah! Voc\u00ea j\u00e1<br \/>\nviu, primo, que s\u00facia de feiosas, todas caiadas e a fazerem umas cortesias<br \/>\nmuito fora de prop\u00f3sito! (Arremedando)<\/p>\n<p>Vilasboas E que ling\u00fcinhas! Uma delas que dan\u00e7ou perto de mim,<br \/>\nestava falando do seu bal\u00e3o.<\/p>\n<p>Laurindinha O que \u00e9 que ela podia dizer do meu bal\u00e3o?<\/p>\n<p>Vilasboas Eu l\u00e1 sei; disse que voc\u00ea estava estufada, como uma<br \/>\npipoca.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah! E elas s\u00e3o umas escorridas; parecem uns chap\u00e9us<br \/>\nde sol fechados!<\/p>\n<h2><a name=\"13\"><\/a>CENA XIII &#8211; <b>Os Mesmos e Cocota<\/b><\/h2>\n<p>Cocota (Entrando pelo fundo zangada) Vamos ver a capa, eu vou-me embora.<\/p>\n<p>Laurindinha O que foi?<\/p>\n<p>Cocota Estou furiosa! Vamos embora.<\/p>\n<p>Vilasboas (Para Laurindinha) N\u00e3o caia nessa, prima. J\u00e1 que<br \/>\nveio c\u00e1, espere pela mamata, que n\u00e3o h\u00e1 de tardar.<\/p>\n<p>Laurindinha Mas o que foi que te aconteceu?<\/p>\n<p>Cocota Um diabo de um mono assim que encontrei na sala tirou-me para uma<br \/>\nquadrilha e entendeu que devia tomar-me para seu palito. Depois de me ter<br \/>\ndito uma por\u00e7\u00e3o de asneiras, perguntou-me se eu n\u00e3o era<br \/>\nda Cascadura, e acabou por pedir-me o molde do meu penteado.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah! E tu encavacaste com isto?<\/p>\n<p>Cocota Ora, falem com franqueza, voc\u00eas acham alguma coisa neste penteado?<br \/>\nPois o mono saiu \u00e0s gargalhadas dizendo aos companheiros: Olhem o chique<br \/>\ncom que est\u00e1 aquela flor espetada no cabelo; parece uma lanterna de<br \/>\nt\u00edlburi! Eu, que n\u00e3o aturo desaforos, mandei-o plantar ab\u00f3boras<br \/>\ne dei-lhe as costas.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es A menina fez muito bem. Uma ocasi\u00e3o, no baile das<br \/>\nNove Musas, estive \u00e0s duas por tr\u00eas por lascar uma bolacha numa<br \/>\nsujeita que me dirigiu uma gra\u00e7ola pesada. (Para Vilasboas) O senhor<br \/>\nquer ouvir o que ela me disse? Olhe, escute (Diz-lhe um segredo ao ouvido)<\/p>\n<p>Vilasboas Safa!<\/p>\n<h2><a name=\"14\"><\/a>CENA XIV<\/h2>\n<p><b>Raimunda, Cocota, Laurindinha, Vilasboas, Guimar\u00e3es, Hermenegilda,<br \/>\nDois criados, um com uma bandeja de doces e outro com a do ch\u00e1, uma<br \/>\nnegra, com um p\u00e3o-de-l\u00f3 em uma salva, os meninos e a menina,<br \/>\nBas\u00edlio e depois Dami\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>(Os tr\u00eas meninos pulam para alcan\u00e7ar as bandejas que devem<br \/>\nser levantadas pelos criados)<\/p>\n<p>Raimunda (Para Laurindinha) J\u00e1 tens par para todas as quadrilhas?<br \/>\n(Cocota e Laurindinha sentam-se no sof\u00e1)<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Com uma x\u00edcara de ch\u00e1, seguindo atr\u00e1s<br \/>\ndas bandejas) Deixa ver isto. (Os criados, atropelados pelas crian\u00e7as,<br \/>\nlevantam as bandejas, sem atenderem a Bas\u00edlio. Guimar\u00e3es tira<br \/>\numa x\u00edcara que oferece a Hermenegilda, Vilasboas tira outra que vai<br \/>\noferecer a Cocota no momento em que as meninas esbarram-se com ele, obrigando-o<br \/>\na despejar a x\u00edcara em cima do vestido de Cocota)<\/p>\n<p>Cocota Ah! Estou com a pele da barriga toda assada! Que diabo de desastrado!<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Vilasboas N\u00e3o foi por querer, prima.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Entrando pelo fundo e deparando com a negra que traz o p\u00e3o-de-l\u00f3,<br \/>\nbaixo, zangado, a Raimunda) A senhora mande esta negra para dentro. Pois eu<br \/>\nalugo para o servi\u00e7o criados do Carceler e a senhora quer me envergonhar?!<br \/>\n(Para a negra, baixo) Passa para dentro, ti\u00e7\u00e3o. (\u00c0 parte)<br \/>\nP\u00f5em-me a cabe\u00e7a tonta! (Olha para os lados como quem procura<br \/>\nalguma coisa e sai pelos fundos. A negra sai)<\/p>\n<p>Vilasboas N\u00e3o haver\u00e1 por a\u00ed p\u00e3o com manteiga?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es O senhor \u00e9 dos meus, para ch\u00e1, p\u00e3o<br \/>\ncom manteiga. N\u00e3o entendo c\u00e1 essas hist\u00f3rias de biscoitinhos<br \/>\ne doces. (Laurindinha e Bas\u00edlio enchem os len\u00e7os de doces)<\/p>\n<p>Raimunda (Tirando doces da bandeja, para Bas\u00edlio) Leve este para Chiquinha.<br \/>\n(Para Laurindinha) D\u00ea este docinho \u00e0 filha do Barnab\u00e9<br \/>\ndo Tesouro; diga-lhe que n\u00e3o me esqueci dela.<\/p>\n<p>Vilasboas (Para o criado) Deixa-me ver outra x\u00edcara. (Tira a x\u00edcara,<br \/>\npara Guimar\u00e3es) N\u00e3o vai a outra?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Reservo-me para logo mais.<\/p>\n<p>Vilasboas Faz bem; \u00e9 preciso deixar algum lugar para o s\u00f3lido,<br \/>\nmas, por causa das d\u00favidas, vou sempre me prevenindo. (A orquestra<br \/>\ntoca dentro sinal para uma polca, os criados saem seguidos pelos meninos e<br \/>\na menina)<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Para Hermenegilda) Esta \u00e9 a nossa. (Saem. Entram<br \/>\ndois convidados e tomam o bra\u00e7o de Cocota e Laurindinha, saindo todos<br \/>\npelo fundo)<\/p>\n<p>Raimunda D\u00e3o sinal para uma polca, primo Vilasboas.<\/p>\n<p>Vilasboas E eu que n\u00e3o tenho par. Ora, hei de encontrar alguma desgarrada.<br \/>\n(Sai juntamente com Raimunda e Bas\u00edlio)<\/p>\n<h2><a name=\"15\"><\/a>CENA XV &#8211; <b>Aur\u00e9lio e Marianinha<\/b><\/h2>\n<p>Marianinha Por que est\u00e1 t\u00e3o triste hoje?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio A tristeza tem-me sido companheira fiel desde o ber\u00e7o<br \/>\ne h\u00e1 de guiar-me talvez at\u00e9 o t\u00famulo. (A orquestra dentro<br \/>\ntoca a polca) No horizonte negro que se estendia diante dos meus olhos vi<br \/>\nluzir uma estrela de bonan\u00e7a. Quando seus raios principiaram aquecer-me,<br \/>\no astro empalideceu e disse ao cora\u00e7\u00e3o do pobre \u00f3rf\u00e3o:<br \/>\n&#8211; Louco, que ousaste sonhar a felicidade, volta ao mart\u00edrio e segue<br \/>\nteu destino.<\/p>\n<p>Marianinha O teu destino \u00e9 o meu; expele de teu rosto as nuvens sombrias<br \/>\nda tristeza e pensa nesse amor que ser\u00e1 a nossa ventura.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Esse amor \u00e9 imposs\u00edvel, Marianinha. Sem nome,<br \/>\nsem fam\u00edlia e sem fortuna, vejo-me repelido por teu pai e a consci\u00eancia<br \/>\ndiz-me, nas horas em que a esperan\u00e7a vem acalentar-me, que devo fugir<br \/>\nquanto antes desta casa.<\/p>\n<p>Marianinha Mas minha m\u00e3e te adora, Aur\u00e9lio.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio O cora\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e \u00e9 sempre<br \/>\ngeneroso!<\/p>\n<p>Marianinha Eu te juro que serei tua.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio N\u00e3o jures; entre a opul\u00eancia que te espera, embora<br \/>\namargurada, e a pobreza feliz, teu pai escolher\u00e1 aquela e os teus votos<br \/>\nser\u00e3o impotentes diante de t\u00e3o funesta ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Marianinha Tu n\u00e3o me conheces.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Conhe\u00e7o-te. \u00c9s um anjo! Se a sorte te ligar<br \/>\na esse homem n\u00e3o te criminarei por isso. Curvar-me-ei submisso ante<br \/>\no meu destino e seguirei meu caminho.<\/p>\n<h2><a name=\"16\"><\/a>CENA XVI &#8211; <b>Os Mesmos e Dami\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p>Dami\u00e3o (Entrando \u00e0s pressas pelos fundos, baixo a Marianinha)<br \/>\nL\u00e1 est\u00e1 a deslambida da Hermenegilda a dan\u00e7ar com o Guimar\u00e3es<br \/>\ne tu aqui. Anda, vem para a sala. Com licen\u00e7a, Senhor Aur\u00e9lio.<br \/>\n(Sai com Marianinha)<\/p>\n<h2><a name=\"17\"><\/a>CENA XVII &#8211; <b>Vilasboas e a Menina, Aur\u00e9lio e depois<br \/>\nHermenegilda e Guimar\u00e3es<\/b><\/h2>\n<p>Vilasboas (Para a menina) Afinal sempre achei um par! Vamos dan\u00e7ar<br \/>\naqui, Isabelinha, que est\u00e1 mais folgado. (Dan\u00e7am, e Aur\u00e9lio<br \/>\nsenta-se pensativo) Fa\u00e7a o passo largo, levante mais o bra\u00e7o,<br \/>\nn\u00e3o envergue tanto o pesco\u00e7o; bravo! Assim.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Com Hermenegilda) Aqui n\u00e3o h\u00e1 tanto aperto.<br \/>\n(Dan\u00e7a a varsoviana ao passo que Hermenegilda dan\u00e7a a polca)<\/p>\n<p>Hermenegilda N\u00f3s laboramos em engano. O que \u00e9 que o senhor<br \/>\nest\u00e1 dan\u00e7ando?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Pois n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>Hermenegilda A orquestra executa uma polca e o senhor est\u00e1 dan\u00e7ando<br \/>\na varsoviana!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Pois isto que est\u00e3o tocando n\u00e3o \u00e9 a<br \/>\nvalsa-viana? Minha senhora, eu aprendi com o Guedes e sei onde tenho o nariz.<br \/>\nVamos l\u00e1, havemos de acertar. (Dan\u00e7am outra vez desencontrados;<br \/>\nVilasboas esbarra-se com Guimar\u00e3es e atira-o ao ch\u00e3o)<\/p>\n<p>Vilasboas (Continuando a dan\u00e7ar muito entusiasmado) Desculpe-me; quando<br \/>\nencontro um bom par, perco a cabe\u00e7a. (A orquestra p\u00e1ra)<\/p>\n<p>Hermenegilda (Para Guimar\u00e3es) Machucou-se? Venha beber um copo de<br \/>\n\u00e1gua. (Saem todos menos Aur\u00e9lio)<\/p>\n<h2><a name=\"18\"><\/a>CENA XVIII &#8211; <b>Bas\u00edlio e Aur\u00e9lio<\/b><\/h2>\n<p>Bas\u00edlio N\u00e3o dan\u00e7a, Senhor Aur\u00e9lio?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio J\u00e1 dancei a primeira quadrilha.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Devia ter dan\u00e7ado a segunda que \u00e9 a dos namorados.<br \/>\nMagan\u00e3o!<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio (\u00c0 parte) Que ma\u00e7ante!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Eu tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o dan\u00e7o. O meu<br \/>\nmaior prazer nestas reuni\u00f5es \u00e9 a boa conversa. (Tirando a caixa<br \/>\nde rap\u00e9 e oferecendo uma pitada a Aur\u00e9lio) N\u00e3o gosta?<br \/>\n(Aur\u00e9lio agradece) Ora, diga-me uma coisa; o senhor n\u00e3o \u00e9<br \/>\nfilho de S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Sim, senhor; nasci na capital, l\u00e1 eduquei-me e formei-me.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Boa terra! Passei ali a minha mocidade e ainda tenho saudosas<br \/>\nrecorda\u00e7\u00f5es dos pagodes que l\u00e1 tive. N\u00f3s, quando<br \/>\nsomos mo\u00e7os, fazemos cada extravag\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Eu imagino o que o Major por l\u00e1 faria&#8230;<\/p>\n<p>Bas\u00edlio O senhor conheceu l\u00e1 uma&#8230; N\u00e3o; n\u00e3o<br \/>\nh\u00e1 de ser do seu tempo.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Diga sempre.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Ora, isto j\u00e1 foi h\u00e1 tantos anos, e gra\u00e7a<br \/>\n\u00e9 que nunca mais soube not\u00edcias daquela pobre criatura! Foi<br \/>\numa rapaziada&#8230; Mas, enfim, eu lhe conto. Havia na Luz uma rapariguinha viva<br \/>\ne travessa que era requestada por muitos estudantes, menina s\u00e9ria.<br \/>\nEu fazia o meu p\u00e9-de-alferes com a sujeita e em um belo dia, quando<br \/>\nmenos pensava, sou apanhado em flagrante pela velha que era um dem\u00f4nio.<br \/>\nEspalhou-se a not\u00edcia pela cidade, a pol\u00edcia soltou atr\u00e1s<br \/>\nde mim os seus agentes, e eu, &#8211; pernas para que te quero! Venho para a corte,<br \/>\nmeu pai soube do neg\u00f3cio e assenta-me a farda \u00e0s costas. Pobre<br \/>\nmenina! Nunca mais dela soube not\u00edcia.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio (Com interesse) Esta mulher morava na Luz?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Sim, senhor, quase a chegar \u00e0 Ponte Grande.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Com interesse crescente) E como se chamava?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Maria da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Maria da Concei\u00e7\u00e3o!! E o nome da velha que morava<br \/>\ncom ela?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Mas que diabo tem o senhor?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio (Disfar\u00e7ando) Nada. O nome da velha?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Creio que era Aur\u00e9lia.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio (Segurando em Bas\u00edlio) Foi pois o senhor quem atirou<br \/>\nno caminho da perdi\u00e7\u00e3o uma mulher pura e inocente que devia<br \/>\nmais tarde lan\u00e7ar ao mundo um desgra\u00e7ado?!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio O que \u00e9 isto, senhor? Deixe-me.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Sim; saiba que este que tem \u00e0 sua frente \u00e9 o<br \/>\nfruto desse amor criminoso.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio O fruto? Pois que&#8230;o senhor&#8230; Tu \u00e9s meu filho! (Chorando<br \/>\ne ajoelhando-se) Perd\u00e3o.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Senhor, minha pobre m\u00e3e, que est\u00e1 no c\u00e9u,<br \/>\nsofreu tanto&#8230;<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Perd\u00e3o, meu Aur\u00e9lio. Deixa-me contemplar teu<br \/>\nrosto. (Abra\u00e7a-se com Aur\u00e9lio chorando em altas vozes) Se procedi<br \/>\ncomo um miser\u00e1vel para com aquela infeliz que te deu o ser, eu juro<br \/>\nque doravante saberei ser teu pai. Vira para c\u00e1 esse rosto (D\u00e1<br \/>\num beijo em Aur\u00e9lio chorando) \u00c9s o retrato da tua defunta m\u00e3e.<br \/>\nE como chegaste \u00e0 posi\u00e7\u00e3o em que te achas?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Gra\u00e7as \u00e0 alma generosa de um protetor que j\u00e1<br \/>\nn\u00e3o existe e que foi um verdadeiro pai que encontrei no caminho da<br \/>\nvida.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio O teu verdadeiro pai aqui est\u00e1&#8230; Tu ser\u00e1s o<br \/>\narrimo da minha velhice. N\u00e3o me perdoas?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Meu pai. (Abra\u00e7a aBas\u00edlio)<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Meu filho. (Abra\u00e7a-o chorando e rindo-se ao mesmo tempo)<\/p>\n<h2><a name=\"19\"><\/a>CENA XIX <b>&#8211; Os Mesmos e Dami\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p>Dami\u00e3o (Entrando pela direita) O que \u00e9 isto?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Abra\u00e7ado com Aur\u00e9lio) Eu fui um grand\u00edssimo<br \/>\npatife, por\u00e9m juro-te que serei teu escravo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Para Bas\u00edlio) Mas que diabo \u00e9 isto?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Ah! \u00c9s tu? Abra\u00e7a-me, abra\u00e7a-me, Dami\u00e3o!<br \/>\n(Abra\u00e7ando-o) Eu quero abra\u00e7ar todo o mundo.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o J\u00e1 sei, tu fizeste algumas visitas \u00e0 copa e bebeste<br \/>\nmais do que devias.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio O que se passa em mim \u00e9 t\u00e3o grande, acho-me<br \/>\nneste momento t\u00e3o altamente colocado, que n\u00e3o des\u00e7o a<br \/>\nresponder \u00e0 chufa pesada que acabas de me dirigir.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Por que motivo queres abra\u00e7ar ent\u00e3o todo o mundo?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Conheces aquele rapaz?<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Pois n\u00e3o conhe\u00e7o o Senhor Doutor Aur\u00e9lio?!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Olha bem para ele. (Pausa) Olha agora para mim. (Pausa) N\u00e3o<br \/>\nachas ali um qu\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Um qu\u00ea?!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Aur\u00e9lio \u00e9 meu filho e eu sou seu pai.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Bas\u00edlio \u00c9 uma hist\u00f3ria que depois te contarei. (Para<br \/>\nAur\u00e9lio) Vamos para a sala, preciso desabafar com todos a alegria que<br \/>\nme vai pelo cora\u00e7\u00e3o. Vamos, meu filho, quero te apresentar como<br \/>\ntal \u00e0s tuas irm\u00e3s. (Sai com Aur\u00e9lio)<\/p>\n<p>Dami\u00e3o Um filho natural! Eu j\u00e1 devia sab\u00ea-lo. Aquele<br \/>\nrubor que lhe subia \u00e0s faces quando se lhe falava na fam\u00edlia&#8230;<br \/>\n(Sai pensativo pelo fundo)<\/p>\n<h2><a name=\"20\"><\/a>CENA XX &#8211; <b>Hermenegilda e Guimar\u00e3es<\/b><\/h2>\n<p>Hermenegilda Os perfumes dos sal\u00f5es falam-me \u00e0s fibras mais<br \/>\nrec\u00f4nditas da alma. Sinto um indefin\u00edvel que me atrai para os<br \/>\nespa\u00e7os como as estrelas que brilham no \u00e9ter purpurino das melodias<br \/>\ndo c\u00e9u.<br \/>\nGuimar\u00e3es (Com um cravo na m\u00e3o, \u00e0 parte) O neg\u00f3cio<br \/>\nh\u00e1 de come\u00e7ar por esta flor.<\/p>\n<p>Hermenegilda (Depois de pequena pausa) Que ar pensativo \u00e9 este que<br \/>\nlhe anuvia a fronte em cismas de poeta?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es O que \u00e9 que a senhora est\u00e1 dizendo?<\/p>\n<p>Hermenegilda Por que est\u00e1 t\u00e3o pensativo?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Eu&#8230;Ora esta&#8230;\u00c9 meu modo. Quando estou no armaz\u00e9m<br \/>\n\u00e9 sempre assim. (\u00c0 parte) Vou lhe dar a flor. (Alto) Minha senhora&#8230;(\u00c0<br \/>\nparte) Deixe-me ver se me lembro&#8230;<\/p>\n<p>Hermenegilda O que quer?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Oferecendo-lhe o cravo) Tomo a liberdade de oferecer um<br \/>\ncravo a outro cravo.<\/p>\n<p>Hermenegilda &#8211; Ah! Ser\u00e1 poss\u00edvel? Deixe-me oferecer-lhe tamb\u00e9m<br \/>\numa flor do meu inodoro ramalhete. (Tira uma flor do buqu\u00ea que traz)<br \/>\nTome, \u00e9 uma perp\u00e9tua. Sabe o que quer dizer no dicion\u00e1rio<br \/>\ndas flores esta inocente filha dos verg\u00e9is, vestida com as cores sombrias<br \/>\ndo sentimentalismo?<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es N\u00e3o, senhora.<\/p>\n<p>Hermenegilda Quer dizer const\u00e2ncia eterna.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (\u00c0 parte) Eu atiro-me aos p\u00e9s dela e acabo<br \/>\ncom isto de uma vez.<\/p>\n<p>Hermenegilda (Pondo o cravo no peito) Este cravo n\u00e3o me sair\u00e1<br \/>\ndo peito at\u00e9 que morra. \u201cMorte, morte de amor, melhor que a vida.\u201d<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Ajoelhando bruscamente) Ah! Minha senhora, eu a adoro;<br \/>\npela senhora&#8230; Eu a amo.<\/p>\n<p>Hermenegilda N\u00e3o repita essa palavra, que me afeta todo o sistema<br \/>\nnervoso.<\/p>\n<h2><a name=\"21\"><\/a>CENA XXI &#8211; <b>Os Mesmos, Vilasboas e Laurindinha<\/b><\/h2>\n<p>Vilasboas Um patife ajoelhado aos p\u00e9s de minha mana.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Vilasboas N\u00e3o se ria, prima, que isto \u00e9 muito s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Levantando-se) Que tem voc\u00ea com isto?<br \/>\nVilasboas O que tenho com isto?!<\/p>\n<p>Laurindinha (Apontando para Guimar\u00e3es) Ah! Ah! Ah! Olhe, que cara,<br \/>\nprimo Vilasboas.<\/p>\n<p>Vilasboas N\u00e3o se ria, prima, que eu tenho gosto de sangue na boca.<br \/>\n(Para Guimar\u00e3es) Prepare-se para bater-se comigo, senhor.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Pois para bater-me com voc\u00ea \u00e9 preciso preparar-me?<\/p>\n<p>Vilasboas Escolha as armas!<\/p>\n<p>Hermenegilda (Pondo-se de permeio) Cassiano Vilasboas, meu irm\u00e3o,<br \/>\nn\u00e3o derrames o sangue deste homem.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Vilasboas Escolha as armas, senhor!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Estou pronto. (Avan\u00e7a para Vilasboas e d\u00e1-lhe<br \/>\numa bofetada)<\/p>\n<p>Vilasboas (Gritando) Ai! Ai! Ai!<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Em guarda, e defenda-se! (D\u00e1 outra bofetada)<\/p>\n<p>Vilasboas (Gritando) Ai! Ai! Socorro! Socorro! (Hermenegilda desmaia nos<br \/>\nbra\u00e7os de Laurindinha)<\/p>\n<h2><a name=\"22\"><\/a>CENA XXII<\/h2>\n<p><b>Vilasboas, Hermenegilda, Miranda, Dami\u00e3o, Raimunda, Marianinha,<br \/>\nBas\u00edlio, Laurindinha, Cocota, Guimar\u00e3es, Aur\u00e9lio, Convidados<br \/>\ne os Meninos<\/b><\/p>\n<p>Dami\u00e3o O que \u00e9 isto, meus senhores? Que esc\u00e2ndalo!<\/p>\n<p>Vilasboas (Apontando para Guimar\u00e3es) Este homem ousou levantar a m\u00e3o<br \/>\npara o meu rosto. Deve-me uma repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Miranda Minha filha! (Hermenegilda acorda)<\/p>\n<p>Vilasboas (Para Miranda) Meu pai, surpreendi-o aos p\u00e9s de minha mana<br \/>\ne desafiei-o para bater-se comigo.<\/p>\n<p>Miranda (\u00c0 parte) \u00c9 preciso fazer render a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(Alto, para Guimar\u00e3es) O senhor deve-nos uma repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Mas que diabo de repara\u00e7\u00e3o querem voc\u00eas?<br \/>\nEu gosto desta mo\u00e7a, caso-me com ela e est\u00e1 acabado.<\/p>\n<p>Miranda (Abra\u00e7ando Guimar\u00e3es) O senhor \u00e9 um homem de<br \/>\nbem.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Para Guimar\u00e3es) Mas, minha filha&#8230;<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es Sua filha disse-me na bochecha que j\u00e1 tinha dado<br \/>\no capital a outra sociedade e isto de mulher sem o capital&#8230;Hum&#8230;temos conversado.<\/p>\n<p>Bas\u00edlio (Para Dami\u00e3o) Sua filha tem aqui um noivo. (Apresentando<br \/>\nAur\u00e9lio) E eu, como pai, dou o meu consentimento.<\/p>\n<p>Laurindinha e Cocota Como pai?<\/p>\n<p>Bas\u00edlio Sim, \u00e9 seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Laurindinha Ah! Ah! Ah! Donde saiu este irm\u00e3o de com\u00e9dia?<\/p>\n<p>Marianinha (Ajoelhando-se com Aur\u00e9lio aos p\u00e9s de Dami\u00e3o)<br \/>\nMeu pai, a sua ben\u00e7\u00e3o. (Dami\u00e3o volta o rosto)<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es (Para Vilasboas) Se quiser bater-se comigo ainda estou \u00e0s<br \/>\nsuas ordens.<\/p>\n<p>Vilasboas Uma vez que o senhor vai ser meu cunhado, eu o perd\u00f4o; fica<br \/>\na bofetada em fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Dami\u00e3o (Para Marianinha e Aur\u00e9lio) Casem-se, eu irei acabar<br \/>\na minha vida longe daqui. Maldita parentela! Envergonham-me, roubam-me o genro<br \/>\ne acabam introduzindo-me em casa ainda um parente! (Canta)<\/p>\n<p>Meus senhores, neste espelho<\/p>\n<p>Podem todos se mirar.<\/p>\n<p>Em parentes desta ordem<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m deve se fiar.<\/p>\n<p>Se algum dia se casarem<\/p>\n<p>Vejam l\u00e1, tenham cautela!<\/p>\n<p>Que h\u00e1 mulheres que, por dote,<\/p>\n<p>Trazem esta parentela.<\/p>\n<p><b>(Cai o pano)<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: CENA I &#8211; Dami\u00e3o Teixeira e Raimunda CENA II &#8211; Os Mesmos e Tr\u00eas Convidados CENA III &#8211; Os Mesmos e mais Tr\u00eas Convidados CENA IV &#8211; Raimunda, Dami\u00e3o CENA V &#8211; Os Mesmos e Vilasboas CENA VI &#8211; Vilasboas CENA VII &#8211; Dami\u00e3o e Miranda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-96027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-01-23T17:33:04+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"34 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela\"},\"author\":{\"name\":\"Augusto Abreu\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"headline\":\"Maldita Parentela\",\"datePublished\":\"2017-01-23T17:33:04+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela\"},\"wordCount\":6777,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela\",\"name\":\"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-01-23T17:33:04+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"description\":\"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/maldita-parentela#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"Maldita Parentela\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\",\"name\":\"Augusto Abreu\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela","description":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela","og_description":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-01-23T17:33:04+00:00","author":"Augusto Abreu","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Augusto Abreu","Est. tempo de leitura":"34 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela"},"author":{"name":"Augusto Abreu","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"headline":"Maldita Parentela","datePublished":"2017-01-23T17:33:04+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela"},"wordCount":6777,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela","name":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior Maldita Parentela","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-01-23T17:33:04+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"description":"Maldita Parentela, Fran\u00e7a J\u00fanior, Obra Liter\u00e1ria, Livro, Dami\u00e3o Teixeira, Raimunda, Bas\u00edlio, Laurindinha, Literatura, Maldita Parentela","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/maldita-parentela#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"Maldita Parentela"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578","name":"Augusto Abreu"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=96027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/96027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=96027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=96027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=96027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}