{"id":95983,"date":"2017-01-23T12:22:44","date_gmt":"2017-01-23T14:22:44","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=95983"},"modified":"2017-01-23T12:22:44","modified_gmt":"2017-01-23T14:22:44","slug":"a-lotacao-dos-bondes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/a-lotacao-dos-bondes","title":{"rendered":"A Lota\u00e7\u00e3o dos Bondes"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"750\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"middle\" width=\"156\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"> <a href=\"#1\">Cena I<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#2\">Cena II<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#3\">Cena III<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#4\">Cena IV<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#5\">Cena V <\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#6\">Cena VI <\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"151\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#7\">Cena VII<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#8\">Cena VIII<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#9\">Cena IX<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#10\">Cena X<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#11\">Cena XI<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#12\">Cena XII<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"157\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#13\">Cena XIII<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#14\">Cena XIV <\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#15\">Cena XV<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#16\">Cena XVI<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Fran\u00e7a Junior<\/h2>\n<h2>Personagens<\/h2>\n<p>Camilo Correa, 26 anos<br \/>\nRamiro Martins, 50 anos<br \/>\nElvira Martins, sua filha, 18 anos<br \/>\nJoaquim Pimenta, 40 anos<br \/>\nJosefa Pimenta, sua mulher, 25 anos<\/p>\n<p><b>Tenentes do Diabo: <\/b><\/p>\n<p>Vitorino<br \/>\nGonzaga<br \/>\nErnesto<br \/>\nCarneiro<br \/>\nMagalh\u00e3es<\/p>\n<p>Um criado do hotel<\/p>\n<h2>Cen\u00e1rio<\/h2>\n<p>A cena passa-se no Hotel de Londres. \u00c9poca &#8211; Atualidade.<\/p>\n<h2>Ato \u00fanico<\/h2>\n<p>O teatro representa uma sala do Hotel de Londres no Jardim Bot\u00e2nico.<\/p>\n<h2><a name=\"1\"><\/a>Cena I<\/h2>\n<p>Personagens: VITORINO, ERNESTO, GONZAGA, MAGALH\u00c3ES e CARNEIRO (Que<br \/>\ncomem sentados ao redor de uma mesa.)<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; Vivam os Tenentes do Diabo!<\/p>\n<p>TODOS &#8211; Hip! Hip! Urrah!<\/p>\n<p>ERNESTO &#8211; Tu gritas mais do que comes, meu caro amigo.<\/p>\n<p>Toma o exemplo do Magalh\u00e3es, que come sem gritar.<\/p>\n<p>GONZAGA (Batendo no ombro de Magalh\u00e3es.) &#8211; \u00c9um excelente garfo!<\/p>\n<p>CARNEIRO (Levantando-se.) &#8211; Meus senhores, quem devora por este modo merece<br \/>\na considera\u00e7\u00e3o e respeito de seus cons\u00f3cios. Eu proponho<br \/>\nque o Magalh\u00e3es seja promovido a capit\u00e3o do Diabo.<\/p>\n<p>TODOS &#8211; Apoiado!<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; N\u00e3o deve marcar passo em tenente quem ocupa sempre um lugar<br \/>\nde honra em nossos passeios, atacando com valor inexced\u00edvel as sopeiras<br \/>\ne as terrinas e realizando as mais bem combinadas opera\u00e7\u00f5es<br \/>\nde queixo.<\/p>\n<p>ERNESTO &#8211; \u00c9 um Moltke!<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Vejam: ele acaba de plantar o estandarte da vit\u00f3ria sobre<br \/>\no esqueleto deste peru.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Por falar em peru, passa-me aquele frango de cabidela.<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES (Batendo no prato.) &#8211; Gar\u00e7om! Gar\u00e7om! (Aparece<br \/>\no criado.)<\/p>\n<p>ERNESTO &#8211; Frango de cabidela a um. (O criado vai a sair.)<\/p>\n<p>CARNEIRO (Chamando o criado.) &#8211; Venha c\u00e1, traga para quatro.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Dizes muito bem: eu s\u00f3, valho por quatro de voc\u00eas.<br \/>\n(O criado sai, volta depois com o prato pedido.)<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; N\u00e3o contesto.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; E provo-o j\u00e1.<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; Vejamos.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Qual \u00e9 o fim do nosso passeio hoje ao Jardim Bot\u00e2nico?<\/p>\n<p>ERNESTO &#8211; Divertirmo-nos.<\/p>\n<p>GONZAGA &#8211; Um pretexto para te ver comer.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; N\u00e3o sejam modestos; estamos em fam\u00edlia e<br \/>\npodemos dizer que n\u00f3s, os Tenentes do Diabo, s\u00f3 de diabos temos<br \/>\no nome quando, dominados pelos mais belos sentimentos, sa\u00edmos pelas<br \/>\nruas a implorar do generoso povo fluminense o \u00f3bolo da caridade em<br \/>\nfavor dos desgra\u00e7ados e oprimidos.<\/p>\n<p>GONZAGA &#8211; Bonito, seu Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; N\u00e3o vimos aqui hoje esmolar para as v\u00edtimas<br \/>\nda epidemia de Buenos Aires? Pois bem, abram as sacolas e eu aposto aquele<br \/>\nfrango de cabidela em como nenhum de voc\u00eas ser\u00e1 capaz de realizar<br \/>\nat\u00e9 ao fim do dia o que eu tenho conseguido at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>ERNESTO (Tirando dinheiro do saco.) &#8211; Eu j\u00e1 arranjei dez cart\u00f5es<br \/>\nde bondes.<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; Eu tenho mil e oitocentos.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Eu lhes apresento dez de cinco e quatro cart\u00f5es<br \/>\nda Ferry.<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Decididamente eu expiraria de bom grado nos bra\u00e7os da epidemia<br \/>\npara deixar a vi\u00fava amparada por um protetor da tua ordem.<\/p>\n<p>GONZAGA &#8211; \u00c0 sa\u00fade do Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; Falemos em tese. Pela segunda vez &#8211; \u00e0 sa\u00fade dos<br \/>\nTenentes do Diabo, e h\u00e1 de ser cantada.<\/p>\n<p>TODOS (Menos Magalh\u00e3es que come durante o canto que se segue.) &#8211; Apoiado!<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Canto eu. (Canta.)<\/p>\n<p>Em prazeres e folias<br \/>\nCorre a vida venturosa;<br \/>\nEste mundo desgra\u00e7ado<br \/>\nE daquele que mais goza!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eia, pois, rapaziada,<br \/>\nToca a rir, toca a folgar,<br \/>\nN\u00e3o devemos nesta vida<br \/>\nDuras penas suportar.<\/p>\n<p>CORO (Com acompanhamento de copos.)<\/p>\n<p>Em prazeres e folia<br \/>\nCorre a vida venturosa,<br \/>\nEste mundo desgra\u00e7ado<br \/>\nE daquele que mais goza.<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Somos pra\u00e7as do diabo,<br \/>\nMas a Deus idolatramos,<br \/>\nPois as l\u00e1grimas da vi\u00fava<br \/>\nCom prazer n\u00f3s enxugamos.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eia, pois, rapaziada,<br \/>\nDas garrafas demos cabo;<br \/>\nViva a tropa caridosa<br \/>\nDos Tenentes do Diabo.<\/p>\n<p>CORO<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eia, pois, rapaziada,<br \/>\nDas garrafas demos cabo,<br \/>\nViva a tropa caridosa,<br \/>\nDos Tenentes do Diabo.<\/p>\n<p>Todos &#8211; Bravo! Bravo!<\/p>\n<h2><a name=\"2\"><\/a>Cena II<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>OS MESMOS e o CRIADO<\/p>\n<p>CRIADO &#8211; Acaba de chegar um bonde. Quem quiser ir para a cidade, ande depressa,<br \/>\nantes que se complete a lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>CARNEIRO (Indo \u00e0 janela. Todos deixam a mesa.) &#8211; J\u00e1 n\u00e3o<br \/>\nh\u00e1 lugar; est\u00e1 cheio como a barriga do Magalh\u00e3es! Ficaram<br \/>\ntr\u00eas fam\u00edlias a ver navios, com umas caras t\u00e3o desconsoladas&#8230;<\/p>\n<p>VITORINO &#8211; Aproveitemos aquele grupo. A coleta ali deve ser rendosa.<\/p>\n<p>Tonos &#8211; Vamos. (Saem, levando Magalh\u00e3es um p\u00e3o consigo.)<\/p>\n<h2><a name=\"3\"><\/a>Cena III<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>O CRIADO, CAMILO, ELVIRA e JOSEFA<\/p>\n<p>CRIADO (Examinando a mesa.) &#8211; Irra! Se o tal sujeito fica aqui mais meia<br \/>\nhora, era capaz de devorar os guardanapos!<\/p>\n<p>CAMILO (Entrando com Elvira e Josefa.) &#8211; N\u00e3o se assustem, minhas senhoras,<br \/>\nVossas Excel\u00eancias t\u00eam a seu lado um cavalheiro.<\/p>\n<p>ELVIRA (Aflita.) &#8211; A esta hora anda papai \u00e0 minha procura. Como n\u00e3o<br \/>\nestar\u00e1 mam\u00e3e aflita! Logo no dia de seus anos!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Sossegue, minha senhora.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; E meu marido, minha Nossa Senhora das Candeias! Antes eu tivesse<br \/>\nficado em Minas. Eu bem n\u00e3o queria vir ao Brasil.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Vossa Excel\u00eancia \u00e9 mineira?<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Sim, senhor; nasci na freguesia da Meia Pataca. CAMILO &#8211; \u00c9<br \/>\npor conseguinte meia pataqueira?<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; No que tenho muita honra. Chamo-me Josefa Pimenta, estou casada<br \/>\nh\u00e1 dois meses com o Senhor Joaquim Pimenta que tem dois filhos do primeiro<br \/>\nmatrim\u00f4nio, chamados Cazuza Pimenta e Manduca Pimenta.<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; Safa! Que pimenteira! Esta fam\u00edlia \u00e9<br \/>\num molho!<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Onde estar\u00e1, papai, meu Deus?!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; N\u00e3o imagina Vossa Excel\u00eancia o favor com que bendigo<br \/>\neste feliz incidente.<\/p>\n<p>CRIADO &#8211; Os senhores querem alguma coisa?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Vai-te embora, deixa-nos em paz. (O criado sai.)<\/p>\n<h2><a name=\"4\"><\/a>Cena IV<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>OS MESMOS menos o CRIADO<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Vou marcar na minha folhinha este venturoso domingo.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; E o senhor a gracejar em uma situa\u00e7\u00e3o destas!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; O que tem esta situa\u00e7\u00e3o? Quer que chore? N\u00e3o<br \/>\nestamos um ao lado do outro?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; O cora\u00e7\u00e3o bem estava me dizendo que eu n\u00e3o<br \/>\ndevia ir \u00e0 cidade. Saio de casa a fim de comprar na rua do Ouvidor<br \/>\num presente para dar \u00e0 mam\u00e3e&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; E quis a minha boa estrela que seu pai, ao chegar, \u00e0s tr\u00eas<br \/>\nhoras da tarde, na rua Gon\u00e7alves Dias, no meio da lufa-lufa do povo<br \/>\nque ali se apinha \u00e0 espera de bondes, tomasse o carro do Jardim Bot\u00e2nico<br \/>\npelo das Laranjeiras, que investisse para ele, que Vossa Excel\u00eancia,<br \/>\nmais ligeira, alcan\u00e7asse um lugar e que ele ficasse na plataforma,<br \/>\nsendo da\u00ed enxotado pelo urbano, por estar fora da lota\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNada mais natural. Vossa Excel\u00eancia n\u00e3o deu por isso; o bonde<br \/>\npartiu e eis-me a seu lado, fruindo esta ventura que me esperava. (Vai \u00e0<br \/>\njanela.)<\/p>\n<p>JOSEFA (Desce.) &#8211; Ah! Minha Nossa Senhora das Candeias, que lembran\u00e7a<br \/>\ndesgra\u00e7ada teve aquele homem em querer por for\u00e7a vir visitar<br \/>\nhoje a comadre. O senhor n\u00e3o avalia em que assados me vi. Deram-me<br \/>\ntamanho futic\u00e3o no vestido que descoseram-me todo o franzido, perdi<br \/>\no chap\u00e9u, romperam-me o chale, estive entalada na porta do carro dois<br \/>\nminutos sem poder tomar respira\u00e7\u00e3o, puseram-me enfim mais arrepiada<br \/>\ndo que uma galinha no choco. Sento-me furiosa, parte o bonde e quando procuro<br \/>\npelo Senhor Pimenta&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Tinha ficado tamb\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; O senhor n\u00e3o me explicar\u00e1 que hist\u00f3ria \u00e9<br \/>\nesta de lota\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; A lota\u00e7\u00e3o, minha senhora, \u00e9 uma medida empregada<br \/>\npela pol\u00edcia, para que ningu\u00e9m venha incomodado dentro dos bondes.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Pois olhe, mais incomodada do que eu vim \u00e9 imposs\u00edvel!<br \/>\nL\u00e1 na Meia Pataca n\u00e3o h\u00e1 lota\u00e7\u00e3o e a gente<br \/>\nanda como quer. Onde est\u00e1 meu marido? O senhor compreende, estou casada<br \/>\ncom o Pimenta apenas h\u00e1 dois meses&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Devem ter tido uma lua de mel muito ardida.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Leve-nos para a casa, senhor; iremos com esta senhora e eu explicarei<br \/>\ntudo a meu pal.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Tenha paci\u00eancia; havemos de jantar juntos. Vou chamar o criado<br \/>\ne mandar preparar o que houver de mais esquisito. (Canta.)<\/p>\n<p class=\"imagem\">Bem unidos<br \/>\nJantaremos,<br \/>\nQu\u00e3o felizes<br \/>\nN\u00e3o seremos.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Teu talher<br \/>\nJunto do meu!<br \/>\nO meu rosto<br \/>\nJunto do teu!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Que ventura<br \/>\nVou gozar!<br \/>\nQue mais posso<br \/>\nDesejar?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Minha m\u00e3e,<br \/>\nPobre coitada,<br \/>\nDeve estar<br \/>\nAngustiada.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">E o Pimenta<br \/>\nL\u00e1 ficou,<br \/>\nSem saber<br \/>\nAonde estou.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o se zangue,<br \/>\nDeixe estar,<br \/>\nN\u00f3s havemos<br \/>\nDe o encontrar.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; (TODOS)<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e, etc&#8230;<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; (TODOS)<\/p>\n<p>E o Pimenta, etc&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; (TODOS)<\/p>\n<p>N\u00e3o se zangue, etc&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO (Gritando para dentro.) &#8211; Gar\u00e7om! Gar\u00e7om!<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Vou partir sozinha no primeiro bonde.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; N\u00e3o consinto. (Aparece o criado.) Gar\u00e7om, prepara<br \/>\nnaquela sala um jantar para tr\u00eas.<\/p>\n<p>JOSEFA (Para o criado.) &#8211; Oh! Seu gar\u00e7om, o senhor podia me fazer<br \/>\num obs\u00e9quio? Estou toda descosida, se houvesse l\u00e1 dentro uma<br \/>\nagulha&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; V\u00e1 com ele, minha senhora, e fale l\u00e1 dentro com a<br \/>\nmadama, que h\u00e1 de encontrar tudo quanto precisa. (Saem Josefa e o criado.)<\/p>\n<h2><a name=\"5\"><\/a>Cena V<\/h2>\n<p><b>Personagens:<\/b> CAMILO e ELVIRA<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Estamos s\u00f3s. Que ventura! Querida Elvira.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Meu Deus! O senhor causa-me medo. Por que me olha assim?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Por que te olho assim?! Pergunta \u00e0 brisa por que cicia medrosa<br \/>\nem noites estreladas no recatado tur\u00edbulo das flores; pergunta \u00e0<br \/>\nvaga por que desfaz-se na branca areia em alvos risos de espuma; ao humilde<br \/>\npassarinho por que exala saudosos trinos quando a aurora derrama r\u00f3seos<br \/>\nprantos de luz sobre a campina verdejante; ao desgra\u00e7ado por que sorri<br \/>\nem horas de esperan\u00e7a. Por que te olho assim?! E que eu bebo a vida<br \/>\nem teus olhos negros e quisera exalar o \u00faltimo suspiro aspirando a<br \/>\nteu lado o grato perfume dessas tran\u00e7as de \u00e9bano.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Mas o senhor nunca me falou por este modo.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Que querias que te dissesse se temos estado juntos apenas cinco<br \/>\nminutos e se o \u00fanico consolo que me resta \u00e9 passar todas as<br \/>\ntardes por tua casa e ver-te \u00e0 janela?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; No que tem feito muito mal, porque a vizinhan\u00e7a tem hoje<br \/>\nas vistas em cima de n\u00f3s e segundo me consta j\u00e1 tenho sido at\u00e9<br \/>\nassunto de conversa\u00e7\u00e3o no a\u00e7ougue da esquina.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; O que devo fazer ent\u00e3o? Queres que n\u00e3o passe mais<br \/>\npor tua porta?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; N\u00e3o digo isso&#8230; Mas o senhor bem sabe que quando as coisas<br \/>\nchegam a um certo ponto&#8230; Por que ainda n\u00e3o falou com papai?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Mas se eu n\u00e3o conhe\u00e7o teu pai, nem nunca o vi, como<br \/>\nhei de sem mais nem menos, sem uma apresenta\u00e7\u00e3o sequer, entrar-lhe<br \/>\npela casa adentro, e pedir-lhe a tua m\u00e3o?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Eu j\u00e1 lhe contei tudo.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Deveras? Ent\u00e3o teu pai me conhece?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; N\u00e3o o conhece pessoalmente, mas creia que tem as melhores<br \/>\ninforma\u00e7\u00f5es a seu respeito!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; E quem lhas deu?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Esta sua criada.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Oh! Quanto sou feliz! Dou-te minha palavra que amanh\u00e3 envergarei<br \/>\na casaca preta, cal\u00e7arei um par de luvas brancas e&#8230; (Gritam de dentro:<br \/>\n&#8211; Vivam os Tenentes do Diabo!).<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; O que \u00e9 isto?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Esconda-se depressa ali.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; N\u00e3o; vou-me embora.<\/p>\n<h2><a name=\"6\"><\/a>Cena VI<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>OS MESMOS, VITORINO, ERNESTO, GONZAGA, MAGALH\u00c3ES<br \/>\ne CARNEIRO (Que v\u00eam de dentro cantarolando.)<\/p>\n<p>E viva o Z\u00e9 Pereira<br \/>\nPois que a ningu\u00e9m faz mal,<br \/>\nViva a bebedeira<br \/>\nNo dia de Carnaval, etc.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Esconda-se, minha senhora.<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Oh! C\u00e1 est\u00e1 o Camilo. (Vendo Elvira no momento em<br \/>\nque esta entra para a esquerda baixa.) Ol\u00e9, temos contrabando?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Por favor, deixem-me s\u00f3.<\/p>\n<p>GONZAGA (Rindo-se.) &#8211; O mitra tinha conquista; por isso \u00e9 que n\u00e3o<br \/>\nquis se incorporar \u00e0 tro\u00e7a.<\/p>\n<p>VITORINO (Para Camilo.) &#8211; \u00c9s um tenente degenerado.<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Meus senhores, eu sou o homem da justi\u00e7a. Assim como h\u00e1<br \/>\npouco tive a honra de vos propor que o Magalh\u00e3es fosse promovido a<br \/>\ncapit\u00e3o do diabo pelo muito que tem trabalhado em prol da barriga,<br \/>\nproponho agora que demos baixa quanto antes no Camilo e que se mencione este<br \/>\nacontecimento em ordem do dia.<\/p>\n<p>Toros &#8211; Apoiado! Apoiado!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Pois sim, d\u00eaem-me baixa, reformem-me, tirem-me o t\u00edtulo<br \/>\nde bar\u00e3o de Kikiriqui com que me agraciaram, mas deixem-me s\u00f3,<br \/>\npelo amor de Deus. (Entra para a direita.)<\/p>\n<p>CARNEIRO (Gritando para a direita.) &#8211; Queremos ver esta conquista.<\/p>\n<p>TODOS &#8211; Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES (Tirando uma nota do saco.) &#8211; Meus senhores, uma nota de<br \/>\ndez mil r\u00e9is arrancada com argumentos irresist\u00edveis da carteira<br \/>\nde um usur\u00e1rio!<\/p>\n<h2><a name=\"7\"><\/a>Cena VII<\/h2>\n<p>Personagens: VITORINO, ERNESTO, GONZAGA, MAGALH\u00c3ES, CARNEIRO e RAMIRO<\/p>\n<p>RAMIRO (Entrando com um queijo embrulhado e diversos embrulhos sobra\u00e7ados.)<br \/>\n&#8211; Boa tarde, meus senhores. Os senhores n\u00e3o viram por aqui uma menina<br \/>\nde vestido branco, nariz aquilino, cabelos crespos, um pequeno sinal na face<br \/>\ndireita.<\/p>\n<p>CARNEIRO &#8211; Baixota, gordota, bonitota? N\u00e3o vimos, n\u00e3o, senhor.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Deixem-se de ca\u00e7oadas, que eu falo s\u00e9rio. Quem \u00e9<br \/>\no dono da casa?<\/p>\n<p>CARNEIRO (Olhando para o queijo.) &#8211; Quer que lhe alivie deste peso?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Mas com os diabos isto \u00e9 para desesperar!<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Meu caro amigo, chegou a prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Acaso sabe onde ela est\u00e1? Oh! Diga-me, senhor, pelo amor<br \/>\nde Deus, onde est\u00e1 ela?<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Ela quem?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Minha filha, que perdeu-se em um bonde e que a esta hora vaga pela<br \/>\ncidade, sem uma bengala que a proteja. Eis a\u00ed em que deu a medida da<br \/>\npol\u00edcia. Chuche, seu Ramiro! N\u00e3o h\u00e1 nada como morar fora<br \/>\nda cidade, dizem todos. Pois n\u00e3o, \u00e9 \u00f3timo! Vai um cidad\u00e3o<br \/>\npara casa, carregado como uma carro\u00e7a de trastes, leva muitos trambolh\u00f5es,<br \/>\npontap\u00e9s e socos, para escalar um bonde; quando julga-se aboletado,<br \/>\nempurram-no da plataforma, porque a lota\u00e7\u00e3o est\u00e1 completa<br \/>\ne l\u00e1 se vai um pai sem uma filha, uma fam\u00edlia sem chefe&#8230; Isto<br \/>\n\u00e9 para fazer perder a cabe\u00e7a!<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES (Mostrando o saco.) &#8211; Em todo o caso foi a Provid\u00eancia<br \/>\nque aqui o trouxe para praticar uma boa a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; O que quer o senhor com este saco?<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Uma esmola para as v\u00edtimas da epidemia de Buenos<br \/>\nAires.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Sim, senhor; dou a esmola; mas fique sabendo que no Rio de Janeiro<br \/>\nh\u00e1 uma epidemia maior do que todas as que possam assolar o universo.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Qual \u00e9, meu caro senhor?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; A epidemia da caridade. H\u00e1 uma chuva de gafanhotos na China,<br \/>\no Brasil, que tem grandes interesses no Celeste Imp\u00e9rio, trata logo<br \/>\nde minorar os sofrimentos dos sect\u00e1rios de Conf\u00facio. Arvora-se<br \/>\numa comiss\u00e3o com o respectivo presidente, que sai pelas ruas a esmolar.<br \/>\nLivre-se ent\u00e3o quem puder. Amigos, conhecidos, desconhecidos, todos,<br \/>\nningu\u00e9m escapa, todos h\u00e3o de concorrer com o seu \u00f3bolo<br \/>\npara o saco: em outro tempo dois vint\u00e9ns era o \u00f3bolo do remediado;<br \/>\na praga dos cart\u00f5es, por\u00e9m, matou o cobre, e quando nos apresentam<br \/>\numa sacola, l\u00e1 se v\u00e3o de pancada dois tost\u00f5es. A caridade,<br \/>\nesse sentimento rei, que o Cristo depositou no santu\u00e1rio da nossa consci\u00eancia,<br \/>\ntornou-se uma virtude oficial. Esmolam arregimentados, com mur\u00e7as,<br \/>\nins\u00edgnias, nas portas dos templos, dos teatros, do passeio, nas cancelas<br \/>\ndo J\u00f3quei Clube, por toda a parte, enfim, onde a filantropia fique<br \/>\nbem patente. O Evangelho diz que a m\u00e3o direita n\u00e3o deve saber<br \/>\no que d\u00e1 a esquerda. O que a m\u00e3o direita d\u00e1, entre n\u00f3s,<br \/>\nn\u00e3o s\u00f3 o sabe a esquerda, como um terceiro, que se coloca entre<br \/>\no rico e o pobre como procurador deste. Um filantropo quer comemorar o nascimento<br \/>\nde um filho ou o anivers\u00e1rio natal\u00edcio da mulher, liberta o<br \/>\nventre de uma escrava de oitenta anos, e manda publicar logo em todas as folhas<br \/>\ndi\u00e1rias: &#8220;Ato de filantropia. O Sr. Fulano dos Anz\u00f3is Carapu\u00e7a,<br \/>\nquerendo solenizar o dia, etc., etc., libertou o ventre de sua escrava Quit\u00e9ria.&#8221;<br \/>\nAtos como este n\u00e3o se comentam. Outros libertam ventres, que ainda<br \/>\npodem dar frutos e vivem desconhecidos na sociedade.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Pois bem, meu amigo, proteste, mas pague.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; J\u00e1 lhe disse que dou a esmola. O que desejo \u00e9 que<br \/>\nos senhores, mancebos em cujos peitos pulsam os mais generosos sentimentos,<br \/>\nse conven\u00e7am de que v\u00e3o no meio em todo este neg\u00f3cio,<br \/>\ncomo eu. As honras, as condecora\u00e7\u00f5es, os agradecimentos oficiais<br \/>\ne as tet\u00e9ias, s\u00e3o para os gra\u00fados, ao passo que para<br \/>\nos pequenos h\u00e1 a consola\u00e7\u00e3o de voltarem-se para o c\u00e9u<br \/>\ne exclamarem &#8211; Meu Deus, v\u00f3s sois testemunha de que eu fiz o bem pelo<br \/>\nbem. Aqui tem dez tost\u00f5es.<\/p>\n<p>MAGALH\u00c3ES &#8211; Obrigado. Falou como um Dem\u00f3stenes.<\/p>\n<p>RAMIRO (Canta.)<\/p>\n<p>Nesta terra caridosa<br \/>\nOs pequenos e mi\u00fados,<br \/>\nServem todos, sem exce\u00e7\u00e3o,<br \/>\nDe degrau para os gra\u00fados.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Muito tolo \u00e9 quem trabalha<br \/>\nPara os grandes elevar,<br \/>\nQue no dia da ascens\u00e3o<br \/>\nPontap\u00e9s h\u00e1 de tomar.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Eles s\u00e3o grandes gigantes,<br \/>\nN\u00f3s pequenos pigmeus;<br \/>\nEles s\u00e1bios e ilustrados,<br \/>\nN\u00f3s camelos e sandeus.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Nesta terra caridosa<br \/>\nOs pequenos e mi\u00fados,<br \/>\nServem todos, sem exce\u00e7\u00e3o,<br \/>\nDe degrau para os gra\u00fados.<\/p>\n<p>Mas onde estar\u00e1 minha filha? Elvira, anjo de candura, onde paras?<br \/>\nOl\u00e1 de dentro?<\/p>\n<p>CARNEIRO (Olhando para o fundo.) &#8211; L\u00e1 est\u00e1 um grande grupo.<br \/>\nA ele, rapaziada! (Saem todos correndo.)<\/p>\n<h2><a name=\"8\"><\/a>Cena VIII<\/h2>\n<p>Personagens: RAMIRO e depois JOAQUIM PIMENTA<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; O sangue sobe-me \u00e0 cabe\u00e7a, eu vou ter um ataque.<\/p>\n<p>PIMENTA (Entrando a toda pressa pelo fundo.) &#8211; O senhor n\u00e3o viu por<br \/>\naqui uma mo\u00e7a de vestido branco?&#8230;<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Diga, fale, senhor, onde \u00e9 que a viu? Nariz aquilino, cabelos<br \/>\ncrespos&#8230;<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; N\u00e3o, senhor; nariz chato, cabelo corrido e acode pelo nome<br \/>\nde Josefa.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Ora bolas! Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ela.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; De quem \u00e9 que o senhor fala ent\u00e3o?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; De minha filha, que perdeu-se em um bonde, desgra\u00e7ado!<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; E eu falo de minha mulher, que sumiu-se tamb\u00e9m em um carro<br \/>\nque veio para o Jardim Bot\u00e2nico. Que dia, meu prezado senhor! Minha<br \/>\nmulher perdida e eu com este furioso galo na testa. E quer saber por que foi<br \/>\ntudo isto? Por causa da lota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; E n\u00e3o sabe tamb\u00e9m o senhor que, por causa da lota\u00e7\u00e3o,<br \/>\nacho-me agora aqui, com estes embrulhos, e este queijo londrino, que devia<br \/>\nfigurar a esta hora no banquete dos anos de minha mulher, que todos os convidados<br \/>\nl\u00e1 est\u00e3o \u00e0 minha espera e que minha filha anda por a\u00ed<br \/>\nexposta \u00e0s chufas do primeiro valdevinos?<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; E minha mulher? Uma criatura inocente e ang\u00e9lica, nascida<br \/>\nna freguesia da Meia Pataca, uma tontinha que nunca veio \u00e0 corte e<br \/>\nque ser\u00e1 capaz de aceitar o bra\u00e7o do primeiro bigorrilhas que<br \/>\nlhe queira ir mostrar o peixe-boi do Fialho. Eu vinha para as Laranjeiras<br \/>\ne ela veio parar para estes lados.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Justamente como eu.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Quando investi para o carro e procurei ganhar o estribo um malvado<br \/>\narruma-me tamanho soco que ca\u00ed sobre as pedras, fazendo este galo na<br \/>\ntesta.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; N\u00e3o \u00e9 exato. Conte o caso como o caso foi. O senhor,<br \/>\nao subir para o estribo, escorregou; neste escorreg\u00e3o segurou-se \u00e0<br \/>\naba da sobrecasaca de um indiv\u00edduo, procurando arrast\u00e1-lo tamb\u00e9m<br \/>\nna queda.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Como sabe o senhor isto?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Porque foi este seu criado quem teve a honra de dar-lhe o soco.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; E o senhor diz-me em face semelhante coisa?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Ora, vamos l\u00e1; quer brigar?<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; H\u00e1 de dar-me uma satisfa\u00e7\u00e3o em p\u00fablico.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Dou-lhas todas que quiser; pago-lhe at\u00e9 o curativo do galo;<br \/>\nmas lembre-se que estamos empenhados em uma causa comum, para a qual devem<br \/>\nconvergir presentemente todos os nossos esfor\u00e7os.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Sim, um soco em um cidad\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 nada. \u00c9<br \/>\nsabido que sou influ\u00eancia na Meia Pataca&#8230;<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Diga antes &#8211; influ\u00eancia de meia-pataca, como s\u00e3o todas<br \/>\nas de aldeia.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; N\u00e3o me falte ao respeito, senhor.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Perd\u00e3o, n\u00e3o me fiz bem compreender; eu queria dizer<br \/>\ninflu\u00eancia apatacada, que \u00e9 a verdadeira influ\u00eancia.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Aceito a explica\u00e7\u00e3o. Ora, sendo eu conhecido na freguesia<br \/>\npelo meu apego a todos os governos, necessariamente a Reforma h\u00e1 de<br \/>\naproveitar este incidente para um boato.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Deixemo-nos de quest\u00f5es ociosas. Quer ou n\u00e3o achar<br \/>\nsua mulher?<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; E para que fim vim eu c\u00e1?<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Ent\u00e3o vamos para o jardim; o senhor procura por um lado e<br \/>\neu por outro. Os sinais de minha filha s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<p>vestido branco, nariz aquilino, cabelos crespos e pretos. E clara.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; A\u00ed v\u00e3o os da minha mulher: cara larga, nariz chato,<br \/>\nfalta de um queixal, est\u00e1 um pouco indefluxada e traz uma liga verde.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Muito bem; vamos embora. (Canta.)<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao Jardim sem mais demora,<br \/>\nVamos ambos procurar,<br \/>\nO senhor a cara esposa,<br \/>\nEu a vida do meu lar.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Oxal\u00e1 que as encontremos,<br \/>\nNo que n\u00e3o tenho esperan\u00e7a,<br \/>\nProcuremos as tontinhas<br \/>\nQue a noite j\u00e1 se avan\u00e7a<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211;<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ao Jardim sem mais demora,<br \/>\nVamos, etc., etc.,<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211;<\/p>\n<p>Oxal\u00e1 que as encontremos,<br \/>\nNo que, etc., etc.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Vamos! (Sai sem chap\u00e9u, com Ramiro, pelo fundo.)<\/p>\n<h2><a name=\"9\"><\/a>Cena IX<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>CAMILO, JOSEFA e depois PIMENTA<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; O senhor disse que nos levava para casa, logo que acab\u00e1ssemos<br \/>\nde jantar.<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; Que sarna! (Alto.) \u00c9verdade, mas eu n\u00e3o<br \/>\nsei onde a senhora mora.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; \u00c9 na rua&#8230; (Procurando lembrar-se.) Uma rua muito suja.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; No Rio de Janeiro n\u00e3o h\u00e1 rua que seja limpa. J\u00e1<br \/>\nv\u00ea que estamos na mesma.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Rua de&#8230;<\/p>\n<p>PIMENTA (Entrando para procurar o chap\u00e9u; \u00e0 parte.) &#8211; Ol\u00e1!<br \/>\nMinha mulher com um sujeito! Ui! Que picada no galo!<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Rua de&#8230;<\/p>\n<p>PIMENTA (A parte.) &#8211; Est\u00e1 lhe ensinando a casa.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Eu vou perguntar \u00e0 mocinha; ela h\u00e1 de saber. (Entra<br \/>\npela direita.)<\/p>\n<h2><a name=\"10\"><\/a>Cena X<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>CAMILO e PIMENTA<\/p>\n<p>(Pimenta dirige-se a Camilo e contempla-o com raiva, abanando a cabe\u00e7a,<br \/>\npequena pausa.)<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; O que querer\u00e1 este sujeito?<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Conhece-me? Sabe quem eu sou?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; N\u00e3o tenho essa honra.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Ponha o seu chap\u00e9u e vamos \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; \u00c0 pol\u00edcia?!<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Ande, senhor.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Ora, v\u00e1 pentear macacos.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Ah! Miser\u00e1vel, pensavas que poderias abusar impunemente<br \/>\nda posi\u00e7\u00e3o de uma mo\u00e7a que \u00e9 surpreendida em um<br \/>\nbonde, sozinha, inerme, sem defesa&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; Com os diabos! \u00c9 o pai de Elvira!<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Vai j\u00e1 me pagar.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Estou pronto a reparar tudo, senhor.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; A reparar tudo! Ent\u00e3o ela cometeu uma falta?! Ai! Meu Deus!<br \/>\nQuero ar! Quero ar!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Sossegue, senhor.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Estou com a vista escura! Segure-me. (Desmaia nos bra\u00e7os<br \/>\nde Camilo.)<\/p>\n<p>CAMILO (Gritando.) &#8211; Gar\u00e7om? Gar\u00e7om? (Aparece o criado.) Leva<br \/>\neste senhor para dentro. (O criado leva Pimenta para a esquerda.) Estou perdido!<\/p>\n<h2><a name=\"11\"><\/a>Cena XI<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>CAMILO e JOSEFA<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; J\u00e1 sei: \u00e9 na rua de S\u00e3o Diogo.<\/p>\n<p>CAMILO (Passeando apressado.) &#8211; Est\u00e1 bom, minha senhora; fa\u00e7a-lhe<br \/>\nbom proveito.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Vamos j\u00e1, antes que anoite\u00e7a.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Pode ir sozinha, eu n\u00e3o a acompanho.<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; N\u00e3o me acompanha?! (Chorando.) Ai! Meu Deus! O que ser\u00e1<br \/>\nde mim?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Grita para ai.<\/p>\n<p>JOSEFA (Chorando.) &#8211; O senhor \u00e9 um homem sem entranhas.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Melhor.<\/p>\n<p>JOSEFA (Chorando.) &#8211; N\u00e3o se cond\u00f3i da posi\u00e7\u00e3o<br \/>\nde uma pobre desgra\u00e7ada&#8230; Pois bem, eu ficarei aqui, e meu marido<br \/>\nh\u00e1 de achar-me. (Entra para a direita.)<\/p>\n<h2><a name=\"12\"><\/a>Cena XII<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>CAMILO e depois ELVIRA<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Que os diabos te carreguem. E ent\u00e3o o que me dizem a uma<br \/>\nentaladela destas?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Vamos embora, senhor.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Elvira, est\u00e1 tudo perdido!<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Tudo perdido?! N\u00e3o o compreendo!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; N\u00e3o podemos sair daqui sem um grande esc\u00e2ndalo!<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; E \u00e9 o senhor que me falava ainda h\u00e1 pouco por aquele<br \/>\nmodo, que me vem agora dizer&#8230;<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; \u00c9 por isso mesmo.<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Compreendo finalmente os seus planos. Tenho em meu poder uma donzela<br \/>\nfraca e indefesa, disse com os seus bot\u00f5es, uma tolinha que teve a<br \/>\ningenuidade de declarar-me que me amava. Pois bem, vou abusar da posi\u00e7\u00e3o<br \/>\nque me deu a minha boa estrela e divertir-me \u00e0 custa da infeliz.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Mas, Elvira&#8230;<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Deixe-me, vou partir j\u00e1, em companhia daquela senhora. Os<br \/>\nnossos amores est\u00e3o acabados.<\/p>\n<h2><a name=\"13\"><\/a>Cena XIII<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>OS MESMOS, RAMIRO e depois PIMENTA<\/p>\n<p>RAMIRO (Entrando pelo fundo, \u00e0 parte.) &#8211; Onde se meteria aquele palerma?<br \/>\n(Deparando com Elvira.) Ah! Elvira! Elvira! Minha filha!<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; Sua filha?!<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Deixa-me abra\u00e7ar-te; segura neste queijo. (D\u00e1 o queijo,<br \/>\ndeparando com Camilo.) Quem \u00e9 este homem?<\/p>\n<p>PIMENTA (Entrando.) &#8211; Ah! Ainda est\u00e1 a\u00ed! Vamos para a pol\u00edcia,<br \/>\nsenhor.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Para a pol\u00edcia?! Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; V\u00eaem este libertino?! \u00c9 o sedutor de minha mulher.<\/p>\n<p>ELVIRA (Indo abra\u00e7ar-se com Ramiro.) &#8211; Meu pai, defenda-me.<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Mas que diabo de mulher foi que eu seduzi? Eu pensava que o senhor<br \/>\nfosse o pai desta menina.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Ent\u00e3o o neg\u00f3cio \u00e9 com minha filha?<\/p>\n<p>CAMILO (\u00c0 parte.) &#8211; Que embrulhada, meu Deus!<\/p>\n<h2><a name=\"14\"><\/a>Cena XIV<\/h2>\n<p><b>Personagens: <\/b>OS MESMOS e JOSEFA<\/p>\n<p>JOSEFA &#8211; Estou pronta. (Deparando com Pimenta.) Pimenta! Foi o c\u00e9u<br \/>\nquem te trouxe aqui!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Ah! Esta \u00e9 que \u00e9 a sua mulher? Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; E o senhor ainda ri-se?<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; Pois n\u00e3o quer que me ria? Ah! Ah! Ah!<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Que desaforo!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; N\u00e3o precisa ter o inc\u00f4modo de me levar \u00e0 pol\u00edcia.<br \/>\nDona Elvira explicar-lhe-\u00e1 tudo.<\/p>\n<p>PIMENTA &#8211; Como sabe o senhor o nome de minha filha?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; Papai, \u00e9 o Senhor Camilo, aquele mo\u00e7o de quem lhe<br \/>\ntenho falado por diversas vezes e que passa todas as tardes l\u00e1 por<br \/>\ncasa.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; E vieste parar sozinha no Jardim Bot\u00e2nico com um namorado?!<\/p>\n<p>CAMILO &#8211; \u00c9 verdade; por\u00e9m um namorado respeitador e das melhores<br \/>\ninten\u00e7\u00f5es, que aguardava sol\u00edcito uma ocasi\u00e3o<br \/>\npara pedir-lhe este anjo em casamento.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Mas isto n\u00e3o \u00e9 um sonho?<\/p>\n<p>ELVIRA &#8211; E eu quero, papai.<\/p>\n<p>RAMIRO (Com alegria.) &#8211; E eu tamb\u00e9m, minha filha!<\/p>\n<p>PIMENTA (Para Josefa.) &#8211; N\u00e3o h\u00e1s de embarcar mais em bondes.<\/p>\n<p>RAMIRO &#8211; Pois minhas filhas h\u00e3o de andar doravante somente em bondes<br \/>\ne oxal\u00e1 que todas se percam como esta. Bendita lota\u00e7\u00e3o!<br \/>\nVou dar um abra\u00e7o na pol\u00edcia.<\/p>\n<h2><a name=\"15\"><\/a>Cena XV<\/h2>\n<p><b>Personagens:<\/b> OS MESMOS, VITORINO, GONZAGA, CARNEIRO, MAGALH\u00c3ES<br \/>\ne ERNESTO<\/p>\n<p>TODOS (Os tenentes.) &#8211; Vivam os Tenentes do Diabo!<\/p>\n<p>CARNEIRO (Vendo Pimenta.) &#8211; L\u00e1 est\u00e1 um que ainda n\u00e3o<br \/>\ndeu nada.<\/p>\n<p>RAMIRO (Com alegria.) &#8211; Cheguem para c\u00e1 todas as bolsas, estou radiante<br \/>\nde felicidade. (D\u00e1 dinheiro em todas as bolsas)<\/p>\n<p>Levem tamb\u00e9m este queijo e fa\u00e7am-no figurar em um tombola.<br \/>\n(D\u00e1-o a Carneiro.)<\/p>\n<p>(A orquestra preludia o canto final, Ramiro disp\u00f5e-se a cantar.)<\/p>\n<h2><a name=\"16\"><\/a>Cena XVI<\/h2>\n<p><b>Personagens:<\/b> OS MESMOS e o CRIADO<\/p>\n<p>CRIADO &#8211; Chegou um bonde da cidade. (Saem todos correndo, com atropelo, pelo<br \/>\nfundo.)<\/p>\n<p><b>(Cai o pano.)<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: Cena I Cena II Cena III Cena IV Cena V Cena VI Cena VII Cena VIII Cena IX Cena X Cena XI Cena XII Cena XIII Cena XIV Cena XV Cena XVI Fran\u00e7a Junior Personagens Camilo Correa, 26 anos Ramiro Martins, 50 anos Elvira Martins, sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-95983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A Lota\u00e7\u00e3o dos Bondes, Fran\u00e7a 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