{"id":95891,"date":"2017-01-23T08:19:46","date_gmt":"2017-01-23T10:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=95891"},"modified":"2017-01-23T08:19:46","modified_gmt":"2017-01-23T10:19:46","slug":"na-floresta-do-alheamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento","title":{"rendered":"Na Floresta do Alheamento"},"content":{"rendered":"<h4>Fernando Pessoa<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, mo\u00eddo de eu viver diz-me que \u00e9 muito cedo ainda&#8230; Sinto-me febril de longe. Peso-me, n\u00e3o sei porqu\u00ea&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num torpor l\u00facido, pesadamente incorp\u00f3reo, estagno, entre o sono e a vig\u00edlia, num sonho que \u00e9 uma sombra de sonhar. Minha aten\u00e7\u00e3o b\u00f3ia entre dois mundos e v\u00ea cegamente a profundeza de um mar e a profundeza de um c\u00e9u; e estas profundezas interpenetram-se, misturam-se, e eu n\u00e3o sei onde estou nem o que sonho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um vento de sombras sopra cinzas de prop\u00f3sitos mortos sobre o que eu sou de desperto. Cai de um firmamento desconhecido um orvalho morno de t\u00e9dio. Uma grande ang\u00fastia inerte manuseia-me a alma por dentro e, incerta, altera-me, como a brisa aos perfis das copas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na alcova m\u00f3rbida e morna a antemanh\u00e3 de l\u00e1 fora \u00e9 apenas um h\u00e1lito de penumbra. Sou todo confus\u00e3o quieta&#8230; Para que h\u00e1-de um dia raiar?&#8230; Custa-me o saber que ele raiar\u00e1, como se fosse um esfor\u00e7o meu que houvesse de o fazer aparecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma lentid\u00e3o confusa acalmo. Entorpe\u00e7o-me. B\u00f3io no ar, entre velar e dormir, e uma outra esp\u00e9cie de realidade surge, e eu em meio dela, n\u00e3o sei de que onde que n\u00e3o \u00e9 este&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surge mas n\u00e3o apaga esta, esta da alcova t\u00e9pida, essa de uma floresta estranha. Coexistem na minha aten\u00e7\u00e3o algemada as duas realidades, como dois fumos que se misturam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que n\u00edtida de outra e de ela essa tr\u00e9mula paisagem transparente! &#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quem \u00e9 esta mulher que comigo veste de observada essa floresta alheia? Para que \u00e9 que tenho um momento de mo perguntar?&#8230; Eu nem sei quer\u00ea-lo saber&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alcova vaga \u00e9 um vidro escuro atrav\u00e9s do qual, consciente dele, vejo essa paisagem&#8230;, e a essa paisagem conhe\u00e7o-a h\u00e1 muito, e h\u00e1 muito que com essa mulher que desconhe\u00e7o erro, outra realidade, atrav\u00e9s da irrealidade dela. Sinto em mim s\u00e9culos de conhecer aquelas \u00e1rvores e aquelas flores e aquelas vias em desvios e aquele ser meu que ali vagueia, antigo e ostensivo ao meu olhar que o saber que estou nesta alcova veste de penumbras de ver&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De vez em quando pela floresta onde de longe me vejo e sinto um vento lento varre um fumo, e esse fumo \u00e9 a vis\u00e3o n\u00edtida e escura da alcova em que sou actual, destes vagos m\u00f3veis e reposteiros e do seu torpor de nocturna. Depois esse vento passa e torna a ser toda s\u00f3 ela a paisagem daquele outro mundo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras vezes este quarto estreito \u00e9 apenas uma cinza de bruma no horizonte dessa terra diversa&#8230; E h\u00e1 momentos em que o ch\u00e3o que ali pisamos \u00e9 esta alcova vis\u00edvel&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonho e perco-me, duplo de ser eu e essa mulher&#8230; Um grande cansa\u00e7o \u00e9 um fogo negro que me consome&#8230; Uma grande \u00e2nsia passiva \u00e9 a vida falsa que me estreita&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 felicidade ba\u00e7a!&#8230; O eterno estar no bifurcar dos caminhos!&#8230; Eu sonho e por detr\u00e1s da minha aten\u00e7\u00e3o sonha comigo algu\u00e9m. E talvez eu n\u00e3o seja sen\u00e3o um sonho desse Algu\u00e9m que n\u00e3o existe&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 fora a antemanh\u00e3 t\u00e3o long\u00ednqua! A floresta t\u00e3o aqui ante outros olhos meus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eu, que longe dessa paisagem quase a esque\u00e7o, \u00e9 ao t\u00ea-la que tenho saudades dela, \u00e9 ao percorr\u00ea-la que a choro e a ela aspiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u00e1rvores! As flores! O esconder-se copado dos caminhos!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passe\u00e1vamos \u00e0s vezes, bra\u00e7o dado, sob os cedros e as olaias e nenhum de n\u00f3s pensava em viver. A nossa carne era-nos um perfume vago e a nossa vida um eco de som de fonte. D\u00e1vamo-nos as m\u00e3os e os nossos olhares perguntavam-se o que seria o ser sensual e o querer realizar em carne a ilus\u00e3o do amor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No nosso jardim havia flores de todas as belezas&#8230; &#8211; rosas de contornos enrolados, l\u00edrios de um branco amarelecendo-se, papoilas que seriam ocultas se o seu rubro lhes n\u00e3o espreitasse presen\u00e7a, violetas pouco na margem tufada dos canteiros, mios\u00f3tis m\u00ednimos, cam\u00e9lias est\u00e9reis de perfume&#8230; E, pasmados por cima de ervas altas, olhos, os girass\u00f3is isolados fitavam-nos grandemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s ro\u00e7\u00e1vamos a alma toda vista pelo fresco vis\u00edvel dos musgos e t\u00ednhamos, ao passar pelas palmeiras, a intui\u00e7\u00e3o esguia de outras terras&#8230; E subia-nos o choro \u00e0 lembran\u00e7a, porque nem aqui, ao sermos felizes, o \u00e9ramos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carvalhos cheios de s\u00e9culos nodosos faziam trope\u00e7ar os nossos p\u00e9s nos tent\u00e1culos mortos das suas ra\u00edzes&#8230; Pl\u00e1tanos estacavam&#8230; E ao longe, entre \u00e1rvore e \u00e1rvore de perto, pendiam no sil\u00eancio das latadas os cachos negrejantes das uvas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso sonho de viver ia adiante de n\u00f3s, alado, e n\u00f3s t\u00ednhamos para ele um sorriso igual e alheio, combinado nas almas, sem nos olharmos, sem sabermos um do outro mais do que a presen\u00e7a apoiada de um bra\u00e7o contra a aten\u00e7\u00e3o entregue do outro bra\u00e7o que o sentia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa vida n\u00e3o tinha dentro. \u00c9ramos fora e outros. Desconhec\u00edamo-nos, como se houv\u00e9ssemos aparecido \u00e0s nossas almas depois de uma viagem atrav\u00e9s de sonhos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00ednhamo-nos esquecido do tempo, e o espa\u00e7o imenso empequenara-se-nos na aten\u00e7\u00e3o. Fora daquelas \u00e1rvores pr\u00f3ximas, daquelas latadas afastadas, daqueles montes \u00faltimos no horizonte haveria alguma coisa de real, de merecedor do olhar aberto que se d\u00e1 \u00e0s coisas que existem?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na clepsidra da nossa imperfei\u00e7\u00e3o gotas regulares de sonho marcavam horas irreais&#8230; Nada vale a pena, \u00f3 meu amor long\u00ednquo, sen\u00e3o o saber como \u00e9 suave saber que nada vale a pena&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O movimento parado das \u00e1rvores: o sossego inquieto das fontes; o h\u00e1lito indefin\u00edvel do ritmo \u00edntimo das seivas; o entardecer lento das coisas, que parece vir-lhes de dentro a dar m\u00e3os de concord\u00e2ncia espiritual ao entristecer long\u00ednquo, e pr\u00f3ximo \u00e0 alma, do alto sil\u00eancio do c\u00e9u; o cair das folhas, compassado e in\u00fatil, pingos de alheamento, em que a paisagem se nos torna toda para os ouvidos e se entristece em n\u00f3s como uma p\u00e1tria recordada &#8211; tudo isto, como um cinto a desatar-se, cingia-nos, incertamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali vivemos um tempo que n\u00e3o sabia decorrer, um espa\u00e7o para que n\u00e3o havia pensar em poder-se medi-lo. Um decorrer fora do Tempo, uma extens\u00e3o que desconhecia os h\u00e1bitos da realidade do espa\u00e7o&#8230; Que horas, \u00f3 companheira in\u00fatil do meu t\u00e9dio, que horas de desassossego feliz se fingiram nossas ali!&#8230; Horas de cinza de esp\u00edrito, dias de saudade espacial, s\u00e9culos interiores de paisagem externa&#8230; E n\u00f3s n\u00e3o nos pergunt\u00e1vamos para que era aquilo, porque goz\u00e1vamos o saber que aquilo n\u00e3o era para nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s sab\u00edamos ali, por uma intui\u00e7\u00e3o que por certo n\u00e3o t\u00ednhamos, que este dolorido mundo onde ser\u00edamos dois, se existia, era para al\u00e9m da linha extrema onde as montanhas s\u00e3o h\u00e1litos de formas, e para al\u00e9m dessa n\u00e3o havia nada. E era por causa da contradi\u00e7\u00e3o de saber isto que a nossa hora de ali era escura como uma caverna em terra de supersticiosos, e o nosso senti-la ela estranho como um perfil da cidade mourisca contra um c\u00e9u de crep\u00fasculo outonal&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Orlas de mares desconhecidos tocavam no horizonte de ouvirmos, praias que nunca poder\u00edamos ver, e era-nos a felicidade escutar, at\u00e9 v\u00ea-lo em n\u00f3s, esse mar onde sem d\u00favida singravam caravelas com outros fins em percorr\u00ea-lo que n\u00e3o os fins \u00fateis e comandados da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repar\u00e1vamos de repente, como quem repara que vive, que o ar estava cheio de cantos de ave, e que, como perfumes antigos em cetins, o marulho esfregado das folhas estava mais entranhado em n\u00f3s do que a consci\u00eancia de o ouvirmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim o murm\u00fario das aves, o sussurro dos arvoredos e o fundo mon\u00f3tono e esquecido do mar eterno punham \u00e0 nossa vida abandonada uma aur\u00e9ola de n\u00e3o a conhecermos. Dormimos ali acordados dias, contentes de n\u00e3o ser nada, de n\u00e3o ter desejos nem esperan\u00e7as, de nos termos esquecido da cor dos amores e do sabor dos \u00f3dios. Julg\u00e1vamo-nos imortais&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali vivemos horas cheias de um outro sentimo-las, horas de uma imperfei\u00e7\u00e3o vazia e t\u00e3o perfeitas por isso, t\u00e3o diagonais \u00e0 certeza rect\u00e2ngula da vida. Horas imperiais depostas, horas vestidas de p\u00farpura gasta, horas ca\u00eddas nesse mundo de um outro mundo mais cheio do orgulho de ter mais desmanteladas ang\u00fastias&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E do\u00eda-nos gozar aquilo, do\u00eda-nos&#8230; Porque, apesar do que tinha de ex\u00edlio calmo, toda essa paisagem nos sabia a sermos deste mundo, toda ela era h\u00famida da pompa de um vago t\u00e9dio, triste e enorme e perverso como a decad\u00eancia de um imp\u00e9rio ignoto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas cortinas da nossa alcova a manh\u00e3 \u00e9 uma sombra de luz. Meus l\u00e1bios, que eu sei que est\u00e3o p\u00e1lidos, sabem um ao outro a n\u00e3o quererem ter vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ar do nosso quarto neutro \u00e9 pesado como um reposteiro. A nossa aten\u00e7\u00e3o sonolenta ao mist\u00e9rio de tudo isto \u00e9 mole como uma cauda de vestido arrastado num cerimonial no crep\u00fasculo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma \u00e2nsia nossa tem raz\u00e3o de ser. Nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 um absurdo consentido pela nossa in\u00e9rcia alada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei que \u00f3leos de penumbra ungem a nossa ideia do nosso corpo. O cansa\u00e7o que temos \u00e9 a sombra de um cansa\u00e7o. Vem-nos de muito longe, como a nossa ideia de haver a nossa vida&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum de n\u00f3s tem nome ou exist\u00eancia plaus\u00edvel. Se pud\u00e9ssemos ser ruidosos ao ponto de nos imaginarmos rindo rir\u00edamos sem d\u00favida de nos julgarmos vivos. O frescor aquecido do len\u00e7ol acaricia-nos (a ti como a mim decerto) os p\u00e9s que se sentem, um ao outro, nus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenganemo-nos, meu amor, da vida e dos seus modos. Fujamos a sermos n\u00f3s&#8230; N\u00e3o tiremos do dedo o anel m\u00e1gico que chama, mexendo-se-lhe, pelas fadas do sil\u00eancio e pelos elfos da sombra e pelos gnomos do esquecimento&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ei-la que, ao irmos a sonhar falar nela, surge ante n\u00f3s outra vez, a floresta muita, mas agora mais perturbada da nossa perturba\u00e7\u00e3o e mais triste da nossa tristeza. Foge de diante dela, como um nevoeiro que se esfolha, a nossa ideia do mundo real, e eu possuo-me outra vez no meu sonho errante, que essa floresta misteriosa enquadra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As flores, as flores que ali vivi! Flores que a vista traduzia para seus nomes, conhecendo-as, e cujo perfume a alma colhia, n\u00e3o nelas mas na melodia dos seus nomes&#8230; Flores cujos nomes eram, repetidos em sequ\u00eancia, orquestras de perfumes sonoros&#8230; \u00c1rvores cuja vol\u00fapia verde punha sombra e frescor no como eram chamadas&#8230; Frutos cujo nome era um cravar de dentes na alma da sua polpa&#8230; Sombras que eram rel\u00edquias de outroras felizes&#8230; Clareiras, clareiras claras, que eram sorrisos mais francos da paisagem que se bocejava em pr\u00f3xima&#8230; \u00d3 horas multicolores!&#8230; Instantes-flores, minutos-\u00e1rvores, \u00f3 tempo estagnado em espa\u00e7o, tempo morto de espa\u00e7o e coberto de flores, e do perfume de flores, e do perfume de nomes de flores!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Loucura de sonho naquele sil\u00eancio alheio!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa vida era toda a vida&#8230; O nosso amor era o perfume do amor&#8230; Viv\u00edamos horas imposs\u00edveis, cheias de sermos n\u00f3s&#8230; E isto porque sab\u00edamos, com toda a carne da nossa carne, que n\u00e3o \u00e9ramos uma realidade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9ramos impessoais, ocos de n\u00f3s, outra coisa qualquer&#8230; \u00c9ramos aquela paisagem esfumada em consci\u00eancia de si pr\u00f3pria&#8230; E assim como ela era duas &#8211; de realidade que era, a ilus\u00e3o &#8211; assim \u00e9ramos n\u00f3s obscuramente dois, nenhum de n\u00f3s sabendo bem se o outro n\u00e3o ele pr\u00f3prio, se o incerto outro viveria&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando emerg\u00edamos de repente ante o estagnar dos lagos sent\u00edamo-nos a querer solu\u00e7ar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali aquela paisagem tinha os olhos rasos de \u00e1gua, olhos parados, cheios do t\u00e9dio in\u00famero de ser&#8230; Cheios, sim, do t\u00e9dio de ser, de ter de ser qualquer coisa, realidade ou ilus\u00e3o &#8211; e esse t\u00e9dio tinha a sua p\u00e1tria e a sua voz na mudez e no ex\u00edlio dos lagos&#8230; E n\u00f3s, caminhando sempre e sem o saber ou querer, parecia ainda assim que nos demor\u00e1vamos \u00e0 beira daqueles lagos, tanto de n\u00f3s com eles ficava e morava, simbolizado e absorto&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E que fresco e feliz horror o de n\u00e3o haver ali ningu\u00e9m! Nem n\u00f3s, que por ali \u00edamos, ali est\u00e1vamos&#8230; Porque n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos ningu\u00e9m. Nem mesmo \u00e9ramos coisa alguma&#8230; N\u00e3o t\u00ednhamos vida que a Morte precisasse para matar. \u00c9ramos t\u00e3o t\u00e9nues e rasteirinhos que o vento do decorrer nos deixara in\u00fateis e a hora passava por n\u00f3s acariciando-nos como uma brisa pelo cimo duma palmeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o t\u00ednhamos \u00e9poca nem prop\u00f3sito. Toda a finalidade das coisas e dos seres ficara-nos \u00e0 porta daquele para\u00edso de aus\u00eancia. Imobilizara-se, para nos sentir senti-la, a alma rugosa dos troncos, a alma estendida das folhas, a alma n\u00fabil das flores, a alma vergada dos frutos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim n\u00f3s morremos a nossa vida, t\u00e3o atentos separadamente a morr\u00ea-la que n\u00e3o repar\u00e1mos que \u00e9ramos um s\u00f3, que cada um de n\u00f3s era uma ilus\u00e3o do outro, e cada um, dentro de si, o mero eco do seu pr\u00f3prio ser&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zumbe uma mosca, incerta e m\u00ednima&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raiam na minha aten\u00e7\u00e3o vagos ru\u00eddos, n\u00edtidos e dispersos, que enchem de ser j\u00e1 dia a minha consci\u00eancia do nosso quarto&#8230; Nosso quarto? Nosso de que dois, se eu estou sozinho? N\u00e3o sei. Tudo se funde e s\u00f3 fica, fugindo, uma realidade-bruma em que a minha incerteza sossobra e o meu compreender-me, embalado de \u00f3pios, adormece&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manh\u00e3 rompeu, como uma queda, do cimo p\u00e1lido da Hora&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabaram de arder, meu amor, na lareira da nossa vida, as achas dos nossos sonhos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenganemo-nos da esperan\u00e7a, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta e n\u00e3o sacia, e at\u00e9 da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenganemo-nos, \u00f3 Velada, do nosso pr\u00f3prio t\u00e9dio, porque se envelhece de si pr\u00f3prio e n\u00e3o ousa ser toda a ang\u00fastia que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o choremos, n\u00e3o odiemos, n\u00e3o desejemos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cubramos, \u00f3 Silenciosa, com um len\u00e7ol de linho fino o perfil hirto e morto da nossa Imperfei\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Pessoa Sei que despertei e que ainda durmo. O meu corpo antigo, mo\u00eddo de eu viver diz-me que \u00e9 muito cedo ainda&#8230; Sinto-me febril de longe. Peso-me, n\u00e3o sei porqu\u00ea&#8230; Num torpor l\u00facido, pesadamente incorp\u00f3reo, estagno, entre o sono e a vig\u00edlia, num sonho que \u00e9 uma sombra de sonhar. Minha aten\u00e7\u00e3o b\u00f3ia entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-95891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Na Floresta do Alheamento<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Na Floresta do Alheamento\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-01-23T10:19:46+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento\"},\"author\":{\"name\":\"Augusto Abreu\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"headline\":\"Na Floresta do Alheamento\",\"datePublished\":\"2017-01-23T10:19:46+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento\"},\"wordCount\":2520,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento\",\"name\":\"Na Floresta do Alheamento\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-01-23T10:19:46+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"description\":\"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/na-floresta-do-alheamento#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"Na Floresta do Alheamento\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\",\"name\":\"Augusto Abreu\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Na Floresta do Alheamento","description":"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Na Floresta do Alheamento","og_description":"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-01-23T10:19:46+00:00","author":"Augusto Abreu","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Augusto Abreu","Est. tempo de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento"},"author":{"name":"Augusto Abreu","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"headline":"Na Floresta do Alheamento","datePublished":"2017-01-23T10:19:46+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento"},"wordCount":2520,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento","name":"Na Floresta do Alheamento","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-01-23T10:19:46+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"description":"Na Floresta do Alheamento, Obra, Literatura, Fragmentos, Desassossego, Alcova, Flores, Fernando Pessoa , Na Floresta do Alheamento","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/na-floresta-do-alheamento#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"Na Floresta do Alheamento"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578","name":"Augusto Abreu"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95891\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}