{"id":95795,"date":"2017-01-20T12:56:07","date_gmt":"2017-01-20T14:56:07","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=95795"},"modified":"2017-01-20T12:56:07","modified_gmt":"2017-01-20T14:56:07","slug":"cantos-do-ermo-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/cantos-do-ermo-da-cidade","title":{"rendered":"Cantos do Ermo da Cidade"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"750\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"middle\" width=\"156\" height=\"218\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"> <a href=\"#1\">Eu Amo a Noite<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#2\"><strong>A Volta<\/strong><\/a><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"151\">\n<div align=\"center\">\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#3\">A Despedida<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#4\">Conforto<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"157\">\n<div align=\"center\">\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#5\">Vis\u00f5es da Noite<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\"><strong><a href=\"#6\">O Canto dos Sabi\u00e1s<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2>Fagundes Varela<\/h2>\n<h2><a name=\"1\"><\/a>Eu Amo a Noite<\/h2>\n<p>Eu amo a noite quando deixa os montes,<br \/>\nBela, mas bela de um horror sublime,<br \/>\nE sobre a face dos desertos quedos<br \/>\nSeu r\u00e9gio selo de mist\u00e9rio imprime.<\/p>\n<p>Amo o sinistro ramalhar dos cedros<br \/>\nAo rijo sopro da tormenta infrene,<br \/>\nQuando antevendo a inevit\u00e1vel queda<br \/>\nMandam aos ermos um adeus solene.<\/p>\n<p>Amo os penedos escarpados onde<br \/>\nDesprende o abutre o prolongado pio,<br \/>\nE a voz medonha do caim\u00e3 disforme<br \/>\nPor entre os juncos de lodoso rio.<\/p>\n<p>Amo os lampejos verde-azuis, fun\u00e9reos,<br \/>\nQue \u00e0s horas mortas erguem-se da terra<br \/>\nE enchem de susto o viajante incauto<br \/>\nNo cemit\u00e9rio de sombria serra.<\/p>\n<p>Amo o sil\u00eancio, os areais extensos,<br \/>\nOs vastos brejos e os sert\u00f5es sem dia,<br \/>\nPorque meu seio como a sombra \u00e9 triste,<br \/>\nPorque minh\u2019alma \u00e9 de ilus\u00f5es vazia.<br \/>\nAmo o furor do vendaval que ruge,<br \/>\nDas asas densas sacudindo o estrago,<br \/>\nSilvos de balas, turbilh\u00f5es de fumo,<br \/>\nTribos de corvos em sangrento lago.<\/p>\n<p>Amo as torrentes que da chuva t\u00famidas<br \/>\nLan\u00e7am aos ares um rumor profundo,<br \/>\nDepois raivosas, carcomendo as margens,<br \/>\nV\u00e3o dos abismos pernoitar no fundo.<\/p>\n<p>Amo o pavor das soledades, quando<br \/>\nRolam as rochas da montanha erguida,<br \/>\nE o fulvo raio que flameja e tomba<br \/>\nLascando a cruz da solit\u00e1ria ermida.<\/p>\n<p>Amo as perp\u00e9tuas que os sepulcros ornam,<br \/>\nAs rosas brancas desbrochando \u00e0 lua,<br \/>\nPorque na vida n\u00e3o terei mais sonhos,<br \/>\nPorque minh\u2019alma \u00e9 de esperan\u00e7as nua.<\/p>\n<p>Tenho um desejo de descanso, infindo,<br \/>\nNegam-me os homens; onde irei ach\u00e1-lo?<br \/>\nA \u00fanica fibra que ao prazer ligava-me<br \/>\nSenti partir-se ao derradeiro abalo!&#8230;<\/p>\n<p>Como a crian\u00e7a, do viver nas veigas,<br \/>\nGastei meus dias namorando as flores,<br \/>\nFinos espinhos os meus p\u00e9s rasgaram,<br \/>\nPisei-os \u00e9brio de ilus\u00f5es e amores.<\/p>\n<p>Cendal espesso me vendava os olhos,<br \/>\nDoce veneno lhe molhava o n\u00f3&#8230;<br \/>\nAi! minha estrela de passadas eras,<br \/>\nPor que t\u00e3o cedo me deixaste s\u00f3?<\/p>\n<p>Sem ti, procuro a solid\u00e3o e as sombras<br \/>\nDe um c\u00e9u toldado de feral caligem,<br \/>\nE gasto as horas traduzindo as queixas<br \/>\nQue \u00e0 noite partem da floresta virgem.<\/p>\n<p>Amo a tristeza dos profundos mares,<br \/>\nAs \u00e1guas torvas de ignotos rios,<br \/>\nE as negras rochas que nos plainos zombam<br \/>\nDa insana f\u00faria dos tuf\u00f5es bravios.<\/p>\n<p>Tenho um deserto de amarguras nalma,<br \/>\nMas nunca a fronte curvarei por terra!&#8230;<br \/>\nAh! tremo \u00e0s vezes ao tocar nas chagas,<br \/>\nNas vivas chagas que meu peito encerra!<\/p>\n<h2><a name=\"2\"><\/a>A Volta<\/h2>\n<p>A casa era pequenina&#8230;<br \/>\nN\u00e3o era? Mas t\u00e3o bonita<br \/>\nQue teu seio inda palpita<br \/>\nLembrando dela, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Queres voltar? Eu te sigo;<br \/>\nEu amo o ermo profundo&#8230;<br \/>\nA paz que foge do mundo<br \/>\nPreza os tetos de sap\u00ea.<\/p>\n<p>Bem vejo que tens saudades&#8230;<br \/>\nN\u00e3o tens? Pobre passarinho!<br \/>\nDe teu venturoso ninho<br \/>\nPassaste \u00e0 dura pris\u00e3o!<\/p>\n<p>Vamos, as matas e os campos<br \/>\nEst\u00e3o cobertos de flores,<br \/>\nTecem mimosos cantores<br \/>\nHinos \u00e0 bela esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E tu mais bela que as flores&#8230;<br \/>\nN\u00e3o cores&#8230; aos almos cantos<br \/>\nAjuntar\u00e1s os encantos<br \/>\nDe teu gorjeio infantil.<\/p>\n<p>Escuta, filha, a estas horas,<br \/>\nQue a sombra deixa as alturas,<br \/>\nL\u00e1 cantam as saracuras<br \/>\nJunto aos lagos cor de anil&#8230;<\/p>\n<p>Os vaga-lumes em bando<br \/>\nCorrem sobre a relva fria,<br \/>\nEnquanto o vento cicia<br \/>\nNa sombra dos taquarais&#8230;<\/p>\n<p>E os g\u00eanios que ali vagueiam,<br \/>\nMirando a casa deserta,<br \/>\nRepetem de boca aberta:<br \/>\nAcaso n\u00e3o vir\u00e3o mais?<\/p>\n<p>Mas, n\u00f3s iremos, tu queres,<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 assim? N\u00f3s iremos;<br \/>\nMais belos reviveremos<br \/>\nOs belos sonhos de ent\u00e3o.<br \/>\nE, \u00e0 noite, fechada a porta,<br \/>\nTecendo planos de gl\u00f3rias,<br \/>\nContaremos mil hist\u00f3rias,<br \/>\nSentados junto ao fog\u00e3o.<\/p>\n<h2><a name=\"3\"><\/a>A Despedida<\/h2>\n<p><b>I<\/b><\/p>\n<p>Filha dos cerros onde o sol se esconde,<br \/>\nOnde brame o jaguar e a pomba chora,<br \/>\nS\u00e3o horas de partir, desponta a aurora,<br \/>\nDeixa-me que te abrace e que te beije.<\/p>\n<p>Deixa-me que te abrace e que te beije,<br \/>\nQue sobre o teu meu cora\u00e7\u00e3o palpite,<br \/>\nE dentro dalma sinta que se agite<br \/>\nQuanto tenho de teu impresso nela.<\/p>\n<p>Quanto tenho de teu impresso nela,<br \/>\nRisos ing\u00eanuos, prantos de crian\u00e7a,<br \/>\nE esses t\u00e3o lindos planos de esperan\u00e7a<br \/>\nQue a s\u00f3s na solid\u00e3o tra\u00e7amos juntos.<\/p>\n<p>Que a s\u00f3s na solid\u00e3o tra\u00e7amos juntos,<br \/>\nSedentos de emo\u00e7\u00f5es, \u00e9brios de amores,<br \/>\nId\u00f3latras da luz e dos fulgores<br \/>\nDe nossa m\u00e3e sublime, a natureza!<\/p>\n<p>De nossa m\u00e3e sublime, a natureza,<br \/>\nQue nossas almas numa s\u00f3 fundira,<br \/>\nE a inspira\u00e7\u00e3o soprara-me na lira<br \/>\nMuda, arruinada nos mundanos cantos.<br \/>\nMuda, arruinada nos mundanos cantos,<br \/>\nMas hoje bela e rica de harmonias,<br \/>\nBanhada ao sol de teus formosos dias,<br \/>\nSantificada \u00e0 luz de teus encantos!<\/p>\n<p><b>II<\/b><\/p>\n<p>Adeus! Adeus! A estrela matutina<br \/>\nPelos clar\u00f5es da aurora deslumbrada<br \/>\nApaga-se no espa\u00e7o,<br \/>\nA n\u00e9voa desce sobre os campos \u00famidos,<br \/>\nErguem-se as flores tr\u00eamulas de orvalho<br \/>\nDos vales no rega\u00e7o.<\/p>\n<p>Adeus! Adeus! Sorvendo a aragem fresca,<br \/>\nMeu ginete relincha impaciente<br \/>\nE parece chamar-me&#8230;<br \/>\nTranspondo em breve o cimo deste monte,<br \/>\nUm gesto ainda, e tudo \u00e9 findo! O mundo<br \/>\nDepois pode esmagar-me.<\/p>\n<p>N\u00e3o te queixes de mim, n\u00e3o me crimines,<br \/>\nEu depus a teus p\u00e9s meus sonhos todos,<br \/>\nTudo o que era sentir!<br \/>\nOs algozes da cren\u00e7a e dos afetos<br \/>\nEm torno de um cad\u00e1ver de ora em diante<br \/>\nH\u00e3o de embalde rugir.<\/p>\n<p>Tu n\u00e3o mais ouvir\u00e1s os doces versos<br \/>\nQue nas v\u00e1rzeas vi\u00e7osas eu compunha,<br \/>\nOu junto das torrentes;<br \/>\nNem teus cabelos mais ver\u00e1s ornados,<br \/>\nComo a pag\u00e3 formosa, de grinaldas<br \/>\nDe flores rescendentes.<\/p>\n<p>Ver\u00e1s t\u00e3o cedo ainda esvaecida,<br \/>\nA mais linda vis\u00e3o de teus desejos,<br \/>\nAos l\u00e1tegos da sorte!<br \/>\nMas eu terei de T\u00e2ntalo o supl\u00edcio!<br \/>\nEu pedirei repouso de m\u00e3os postas,<br \/>\nE ser\u00e1 surda a morte!<\/p>\n<p>Adeus! Adeus! N\u00e3o chores, que essas l\u00e1grimas<br \/>\nCoam-me ao cora\u00e7\u00e3o incandescentes,<br \/>\nQual fundido metal!<br \/>\nDuas vezes na vida n\u00e3o se as vertem!<br \/>\nEnxuga-as, pois; se a dor \u00e9 necess\u00e1ria,<br \/>\nCumpra-se a lei fatal!<\/p>\n<h2><a name=\"4\"><\/a>Conforto<\/h2>\n<p>Deixo aos mais homens a tarefa ingrata<br \/>\nDe maldizer teu nome desditoso;<br \/>\nPor mim nunca o farei:<br \/>\nComo a estrela no c\u00e9u vejo tu\u2019alma,<br \/>\nE como a estrela que o vulc\u00e3o n\u00e3o tolda,<br \/>\nPura sempre a encontrei.<\/p>\n<p>Dos ju\u00edzos mortais toda a mis\u00e9ria<br \/>\nNos curtos passos de uma curta vida<br \/>\nTamb\u00e9m, tamb\u00e9m sofri,<br \/>\nMas contente no mundo de mim mesmo,<br \/>\nMenos grande que tu, por\u00e9m mais forte,<br \/>\nDas cal\u00fanias me ri.<\/p>\n<p>A turba vil de esc\u00e2ndalos faminta,<br \/>\nQue das dores alheias se alimenta<br \/>\nE folga sobre o p\u00f3,<br \/>\nH\u00e1 de soltar um grito de triunfo,<br \/>\nSe vir de leve te brilhar nos olhos<br \/>\nUma l\u00e1grima s\u00f3.<br \/>\nOh! N\u00e3o chores jamais! A sede imunda,<br \/>\nPrantos divinos, prantos de mart\u00edrio,<br \/>\nN\u00e3o devem saciar&#8230;<br \/>\nO orgulho \u00e9 nobre quando a dor o ampara,<br \/>\nE se l\u00e1grima verte \u00e9 funda e vasta,<br \/>\nT\u00e3o vasta como o mar.<\/p>\n<p>\u00c9 duro de sofrer, eu sei, o esc\u00e1rnio<br \/>\nDos seres mais nojentos que se arrastam<br \/>\nGanindo sobre o ch\u00e3o,<br \/>\nMas a dor majestosa que incendeia<br \/>\nDos eleitos a fronte os vis deslumbra<br \/>\nCom seu vivo clar\u00e3o.<\/p>\n<p>Curve-se o ente imbele que, despido<br \/>\nDe cren\u00e7as e firmeza, implora humilde<br \/>\nO arrimo de um senhor,<br \/>\nO esp\u00edrito que h\u00e1 visto a claridade<br \/>\nRejeita todo o aux\u00edlio, rasga as sombras,<br \/>\nSublime em seu valor.<\/p>\n<p>Deixa passar a doida caravana,<br \/>\nFica no teu retiro, dorme sem medo,<br \/>\nDa consci\u00eancia \u00e0 luz;<br \/>\nLivres do mundo um dia nos veremos,<br \/>\nTem confian\u00e7a em mim, conhe\u00e7o a senda<br \/>\nQue ao repouso conduz.<\/p>\n<h2><a name=\"5\"><\/a>Vis\u00f5es da Noite<\/h2>\n<p>Passai, tristes fantasmas! O que \u00e9 feito<br \/>\nDas mulheres que amei, gentis e puras?<br \/>\nUmas devoram negras amarguras,<br \/>\nRepousam outras em marm\u00f3reo leito!<\/p>\n<p>Outras no encal\u00e7o de fatal proveito<br \/>\nBuscam \u00e0 noite as saturnais escuras,<br \/>\nOnde, empenhando as murchas formosuras,<br \/>\nAo dem\u00f4nio do ouro rendem preito!<\/p>\n<p>Todas sem mais amor! sem mais paix\u00f5es!<br \/>\nMais uma fibra tr\u00eamula e sentida!<br \/>\nMais um leve calor nos cora\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>P\u00e1lidas sombras de ilus\u00e3o perdida,<br \/>\nMinh\u2019alma est\u00e1 deserta de emo\u00e7\u00f5es,<br \/>\nPassai, passai, n\u00e3o me poupeis a vida!<\/p>\n<h2><a name=\"6\"><\/a>O Canto dos Sabi\u00e1s<\/h2>\n<p>Ser\u00e3o de mortos anjinhos<br \/>\nO cantar de errantes almas,<br \/>\nDos coqueirais florescentes<br \/>\nA brincar nas verdes palmas,<br \/>\nEstas notas maviosas<br \/>\nQue me fazem suspirar?<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam<br \/>\nNas mangueiras do pomar.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o os g\u00eanios da tarde<br \/>\nQue passam sobre as campinas,<br \/>\nCingido o colo de opalas<br \/>\nE a cabe\u00e7a de neblinas,<br \/>\nE fogem, nas harpas de ouro<br \/>\nMansamente a dedilhar?<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam&#8230;<br \/>\nN\u00e3o v\u00eas o sol declinar?<\/p>\n<p>Ou ser\u00e3o talvez as preces<br \/>\nDe algum sonhador proscrito,<br \/>\nQue vagueia nos desertos,<br \/>\nAlma cheia do infinito,<br \/>\nPedindo a Deus um consolo<br \/>\nQue o mundo n\u00e3o pode dar?<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam&#8230;<br \/>\nComo est\u00e1 sereno o mar!<\/p>\n<p>Ou, quem sabe? As tristes sombras<br \/>\nDe quanto amei neste mundo,<br \/>\nQue se elevam lacrimosas<br \/>\nDe seu t\u00famulo profundo,<br \/>\nE v\u00eam os salmos da morte<br \/>\nNo meu desterro entoar?<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam&#8230;<br \/>\nN\u00e3o gostas de os escutar?<\/p>\n<p>Ser\u00e1s tu, minha saudade?<br \/>\nTu, meu tesouro de amor?<br \/>\nTu que \u00e0s tormentas murchaste<br \/>\nDa mocidade na flor?<br \/>\nSer\u00e1s tu? Vem, s\u00ea bem-vinda<br \/>\nQuero-te ainda escutar!<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam<br \/>\nAntes da noite baixar.<\/p>\n<p>Mas ah! del\u00edrio insensato!<br \/>\nN\u00e3o \u00e9s tu, sombra adorada!<br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o c\u00e2nticos de anjinhos,<br \/>\nNem de falange encantada,<br \/>\nPassando sobre as campinas<br \/>\nNas harpas a dedilhar!<\/p>\n<p>S\u00e3o os sabi\u00e1s que cantam<br \/>\nNas mangueiras do pomar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: Eu Amo a Noite A Volta A Despedida Conforto Vis\u00f5es da Noite O Canto dos Sabi\u00e1s Fagundes Varela Eu Amo a Noite Eu amo a noite quando deixa os montes, Bela, mas bela de um horror sublime, E sobre a face dos desertos quedos Seu r\u00e9gio 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