{"id":95414,"date":"2017-01-18T09:43:40","date_gmt":"2017-01-18T11:43:40","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=95414"},"modified":"2017-01-18T09:43:40","modified_gmt":"2017-01-18T11:43:40","slug":"frei-genebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro","title":{"rendered":"Frei Genebro"},"content":{"rendered":"<h2>E\u00e7a de Queir\u00f3s<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">NESSE tempo ainda vivia, na sua solid\u00e3o das montanhas da \u00dambria, o divino Francisco de Assis &#8211; e j\u00e1 por toda a It\u00e1lia se louvava a santidade de Frei Genebro, seu amigo e seu disc\u00edpulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Genebro, na verdade,completara a perfei\u00e7\u00e3o em todas as virtudes evang\u00e9licas. Pela abund\u00e2ncia e perpetuidade da Ora\u00e7\u00e3o, ele arrancava da sua alma as ra\u00edzes mais mi\u00fadas do Pecado, e tornava-a limpa e c\u00e2ndida como um desses celestes jardins em que o solo anda regado pelo Senhor, e onde s\u00f3 podem brotar a\u00e7ucenas. A sua penit\u00eancia, durante vinte anos de claustro, fora t\u00e3o dura e alta que j\u00e1 n\u00e3o temia o Tentador; e agora, s\u00f3 com o sacudir a manga do h\u00e1bito, recha\u00e7ava as tenta\u00e7\u00f5es, as mais pavorosas ou as mais deliciosas, como se fossem apenas moscas importunas. Ben\u00e9fica e universal \u00e0 maneira de um orvalho de Ver\u00e3o, a sua caridade n\u00e3o se derramava somente sobre as mis\u00e9rias do pobre, mas sobre as melancolias do rico. Na sua humil\u00edssima humildade n\u00e3o se considerava nem o igual dum verme. Os bravios bar\u00f5es, cujas negras torres esmagavam a It\u00e1lia, acolhiam reverentemente e curvavam a cabe\u00e7a a esse franciscano descal\u00e7o e mal remendado que lhes ensinava a mansid\u00e3o. Em Roma, em S. Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, o papa Hon\u00f3rio beijara as feridas de cadeias que lhe tinham ficado nos pulsos, do ano em que na Mourama, por amor dos escravos, padecera a escravid\u00e3o. E como nessas idades os anjos ainda viajavam na terra, com as asas escondidas, arrimados a um bord\u00e3o, muitas vezes, trilhando uma velha estrada pag\u00e3 ou atravessando uma selva, ele encontrava um mo\u00e7o de inef\u00e1vel formosura, que lhe sorria e murmurava:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bons-dias, irm\u00e3o Genebro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora um dia, indo esse admir\u00e1vel mendicante de Espoleto para Terni, e avistando no azul e no sol da manh\u00e3, sobre uma colina coberta de carvalhos, as ru\u00ednas do castelo de Otofrid, pensou no seu amigo Eg\u00eddio, antigo novi\u00e7o como ele no mosteiro de Santa Maria dos Anjos, que se retirara \u00e0quele ermo para se avizinhar mais de Deus, e ali habitava uma cabana de colmo, junto das muralhas derrocadas, cantando e regando as alfaces do seu horto, porque a sua virtude era amena. E como mais de tr\u00eas anos tinham passado desde que visitara o bom Eg\u00eddio, largou a estrada, passou embaixo, no vale, sobre as alpondras, o riacho que fugia entre os aloendros em flor, e come\u00e7ou a subir, lentamente, a colina frondosa. Depois da poeira e ardor do caminho de Espoleto, era doce a larga sombra dos castanheiros e a relva que lhe refrescava os p\u00e9s doridos. A meia encosta, numa rocha onde se esguedelhavam silvados, sussurrava e luzia um fio de \u00e1gua. Estendido ao lado, nas ervas h\u00famidas, dormia, ressonando consoladamente, um homem, que decerto por ali guardava porcos, porque vestia um grosso surr\u00e3o de couro e trazia, pendurada da cinta, uma buzina de porqueiro. O bom frade bebeu de leve, afugentou os moscardos que zumbiam sobre a rude face adormecida e continuou a trepar a colina, com o seu alforge, o seu cajado, agradecendo ao Senhor aquela \u00e1gua, aquela sombra, aquela frescura, tantos bens inesperados. Em breve avistou, com efeito, o rebanho de porcos, espalhados sob as frondes, roncando e fo\u00e7ando as ra\u00edzes, uns magros e agudos, de cerdas duras, outros redondos, com o focinho curto afogado em gordura, e os bacorinhos correndo em torno \u00e0s tetas das m\u00e3es, luzidios e cor-de-rosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Genebro pensou nos lobos e lamentou o sono do pastor descuidado. No fim da mata come\u00e7ava a rocha, onde os restos do castelo Lombardo se erguiam, revestidos de hera, conservando ainda alguma seteira esburacada sob o c\u00e9u ou, numa esquina de torre, uma goteira que, esticando o pesco\u00e7o de drag\u00e3o, espreitava por meio das silvas bravas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cabana do ermit\u00e3o, telhada de colmo que lascas de pedra seguravam, apenas se percebia, entre aqueles escuros granitos, pela horta que em frente verdejava, com os seus talh\u00f5es de couve e estacas de feijoal, entre alfazema cheirosa. Eg\u00eddio n\u00e3o andaria afastado, porque sobre o murozinho de pedra solta ficara pousado o seu c\u00e2ntaro, o seu pod\u00e3o e a sua enxada. E docemente, para o n\u00e3o importunar, se \u00e0quela hora de sesta estivesse recolhido e orando, Frei Genebro empurrou a porta de pranchas velhas, que n\u00e3o tinha loquete para ser mais hospitaleira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Irm\u00e3o Eg\u00eddio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do fundo da cho\u00e7a rude, que mais parecia cova de bicho, veio um lento gemido:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Quem me chama? Aqui neste canto, neste canto a morrer!&#8230; A morrer, meu irm\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Genebro acudiu em grande d\u00f3; encontrou o bom ermit\u00e3o estirado num monte de folhas secas, encolhido em farrapos, e t\u00e3o definhado que a sua face, outrora farta e rosada, era como um pedacinho de velho pergaminho muito enrugado, perdido entre os flocos das barbas brancas. Com infinita caridade e do\u00e7ura o abra\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E h\u00e1 quanto tempo, h\u00e1 quanto tempo neste abandono, irm\u00e3o Eg\u00eddio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Louvado Deus, desde a v\u00e9spera! S\u00f3 na v\u00e9spera, \u00e0 tarde, depois de olhar uma derradeira vez para o Sol e para a a sua horta, se viera estender naquele canto para acabar&#8230; Mas havia meses que com ele entrara um cansa\u00e7o, que nem podia segurar a bilha cheia quando voltava da fonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E dizei, irm\u00e3o Eg\u00eddio, pois que o Senhor me trouxe, que posso eu fazer pelo vosso corpo? Pelo corpo, digo; que pela alma bastante tendes v\u00f3s feito na virtude desta solid\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gemendo, arrepanhando para o peito as folhas secas em que jazia, como se fossem dobras dum len\u00e7ol, o pobre ermit\u00e3o murmurou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Meu bom Frei Genebro, n\u00e3o sei se \u00e9 pecado, mas toda esta noite, em verdade vos confesso, me apeteceu comer um peda\u00e7o de carne, um peda\u00e7o de porco assado!&#8230; Mas ser\u00e1 pecado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Genebro, com a sua imensa miseric\u00f3rdia, logo o tranquilizou. Pecado? N\u00e3o, certamente! Aquele que, por tortura, recusa ao seu corpo um contentamento honesto, desagrada ao Senhor. N\u00e3o ordenava ele aos seus disc\u00edpulos que comessem as boas coisas da terra? O corpo \u00e9 servo; e est\u00e1 na vontade divina que as suas for\u00e7as sejam sustentadas, para que preste ao esp\u00edrito, seu amo, bom e leal servi\u00e7o. Quando Frei Silvestre, j\u00e1 t\u00e3o doentinho, sentira aquele longo desejo de uvas moscat\u00e9is, o bom Francisco de Assis logo o conduziu \u00e0 vinha, e por suas m\u00e3os lhe apanhou os melhores cachos, depois de os aben\u00e7oar para serem mais sumarentos e mais doces&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 um peda\u00e7o de porco assado que apeteceis? &#8211; exclamava risonhamente o bom Frei Genebro, acariciando as m\u00e3os transparentes do ermit\u00e3o. &#8211; Pois sossegai, irm\u00e3o querido, que bem sei como vos vou contentar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E imediatamente, com os olhos a reluzir de caridade e de amor, agarrou o afiado pod\u00e3o que pousava sobre o muro da horta. Arrega\u00e7ando as mangas do h\u00e1bito, e mais ligeiro que um gamo, porque era aquele um servi\u00e7o do Senhor, correu pela colina, at\u00e9 aos densos castanheiros onde encontrara o rebanho de porcos. E a\u00ed, andando sorrateiramente de tronco para tronco, surpreendeu um bacorinho desgarrado que focava a bolota, desabou sobre ele e, enquanto lhe sufocava o focinho e os gritos, decepou, com dois golpes certeiros do pod\u00e3o, a perna por onde o agarrara. Depois, com as m\u00e3os salpicadas de sangue, a perna do porco bem alta a pingar sangue, deixando a r\u00eas a arquejar numa po\u00e7a de sangue, o piedoso homem galgou a colina, correu \u00e0 cabana, gritou para dentro alegremente:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Irm\u00e3o Eg\u00eddio, a pe\u00e7a de carne j\u00e1 o Senhor a deu! E eu, em Santa Maria dos Anjos, era bom cozinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na horta do ermit\u00e3o arrancou uma estaca do feijoal, que, com o pod\u00e3o sangrento, agu\u00e7ou em espeto. Entre duas pedras acendeu uma fogueira. Com zeloso carinho assou a perna do porco. Tanta era a sua caridade que para dar a Eg\u00eddio todos os antegostos daquele banquete, raro em terra de mortifica\u00e7\u00e3o, anunciava com vozes festivas e de boa promessa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 vai alourando o porquinho, irm\u00e3o Eg\u00eddio! A pele j\u00e1 tosta, meu santo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrou enfim na cho\u00e7a, triunfalmente, com o assado que fumegava e rescendia, cercado de frescas folhas de alface. Ternamente, ajudou a sentar o velho, que tremia e se babava de gula. Arredou das pobres faces maceradas os cabelos que o suor da fraqueza empastara. E, para que o bom Eg\u00eddio se n\u00e3o vexasse com a sua voracidade e t\u00e3o carnal apetite, ia afirmando, enquanto lhe partia as febras gordas, que tamb\u00e9m ele comeria regaladamente daquele excelente porco, se n\u00e3o tivesse almo\u00e7ado \u00e0 farta na Locanda dos Tr\u00eas Caminhos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nem bocado agora me podia entrar, meu irm\u00e3o! Com uma galinha inteira me atochei! E depois uma fritada de ovos! E de vinho branco, um quartilho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o santo homem mentia santamente &#8211; porque, desde madrugada, n\u00e3o provara mais que um magro caldo de ervas, recebido por esmola \u00e0 cancela de uma granja. Farto, consolado, Eg\u00eddio deu um suspiro, recaiu no seu leito de folha seca. Que bem lhe fizera, que bem lhe fizera! O Senhor, na sua justi\u00e7a, pagasse a seu irm\u00e3o Genebro aquele peda\u00e7o de porco! At\u00e9 sentia a alma mais rija para a temerosa jornada&#8230; E o ermit\u00e3o com as m\u00e3os postas, Genebro ajoelhado, ambos louvaram, ardentemente, o Senhor que, a toda a necessidade solit\u00e1ria, manda de longe o socorro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, tendo coberto Eg\u00eddio com um peda\u00e7o de manta e posto, a seu lado, a bilha cheia de \u00e1gua fresca, e tapado, contra as aragens da tarde, a fresta da cabana, Frei Genebro, debru\u00e7ado sobre ele, murmurou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Meu bom irm\u00e3o, v\u00f3s n\u00e3o podeis ficar neste abandono&#8230; Eu vou levado por obra de Jesus, que n\u00e3o admite tardan\u00e7a. Mas passarei no convento de Sambricena e darei recado para que um novi\u00e7o venha e cuide de v\u00f3s com amor, no vosso transe. Deus vos vele entretanto, meu irm\u00e3o; Deus vos sossegue e vos ampare com a sua m\u00e3o direita!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Eg\u00eddio cerrara os olhos, nem se moveu, ou porque adormecera, ou porque o seu esp\u00edrito, tendo pago aquele derradeiro sal\u00e1rio ao corpo, como a um bom servidor, para sempre partira, finda a sua obra na terra. Frei Genebro aben\u00e7oou o velho, tomou o seu bord\u00e3o, desceu a colina dos grandes carvalhos. Sob a fronde, para os lados onde andava o rebanho, a buzina do porqueiro ressoava agora num toque de alarme e de furor. Decerto acordara, descobrira o seu porco mutilado&#8230; Estugando o passo, Frei Genebro pensava quanto era magn\u00e2nimo o Senhor em permitir que um homem, feito \u00e0 sua imagem augusta, recebesse t\u00e3o f\u00e1cil consola\u00e7\u00e3o duma perna de cerdo assada entre duas pedras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retomou a estrada, marchou para Terni. E prodigiosa foi, desde esse dia, a atividade da sua virtude. Atrav\u00e9s de toda a It\u00e1lia, sem descanso, pregou o Evangelho Eterno, ado\u00e7ando a aspereza dos ricos, alargando a esperan\u00e7a dos pobres. O seu imenso amor ia ainda para al\u00e9m dos que sofrem, at\u00e9 \u00e0queles que pecam, oferecendo um al\u00edvio a cada dor, estendendo um perd\u00e3o a cada culpa: e com a mesma caridade com que tratava os leprosos, convertia os bandidos. Durante as invernias e a neve, vezes inumer\u00e1veis dava, aos mendigos, a sua t\u00fanica, as suas alpercatas; os abades dos mosteiros ricos, as damas devotas de novo o vestiam, para evitar o esc\u00e2ndalo da sua nudez atrav\u00e9s das cidades; e sem demora, na primeira esquina, ante qualquer esfarrapado, ele se despojava sorrindo. Para remir servos que penavam sob um amo fero, penetrava nas igrejas, arrancava do altar os candelabros de prata, afirmando, jovialmente, que mais apraz a Deus uma alma liberta que uma tocha acesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cercado de vi\u00favas, de crian\u00e7as famintas, invadia as padarias, os a\u00e7ougues, at\u00e9 as tendas dos cambistas, e reclamava imperiosamente, em nome de Deus, a parte dos deserdados. Sofrer, sentir a humilha\u00e7\u00e3o, eram, para ele, as \u00fanicas alegrias completas: nada o deliciava mais do que chegar de noite, molhado, esfaimado, tiritando, a uma opulenta abadia feudal e ser repelido da portaria como um mau vagabundo: s\u00f3 ent\u00e3o, agachado nos lodos do caminho, mastigando um punhado de ervas cruas, ele se reconhecia verdadeiramente irm\u00e3o de Jesus, que n\u00e3o tivera tamb\u00e9m, como t\u00eam sequer os bichos do mato, um covil para se abrigar. Quando um dia, em Perusa, as confrarias sa\u00edram ao seu encontro, com bandeiras festivas, ao repique dos sinos, ele correu para um monte de esterco, onde se rolou e se sujou, para que daqueles que o vinham engrandecer s\u00f3 recebesse compaix\u00e3o e esc\u00e1rnio. Nos claustros, nos descampados, em meio das multid\u00f5es, durante as lides mais pesadas, orava constantemente, n\u00e3o por obriga\u00e7\u00e3o, mas porque na prece encontrava um deleite ador\u00e1vel. Deleite maior, por\u00e9m, era, para o franciscano, ensinar e servir. Assim, longos anos errou entre os homens, vertendo o seu cora\u00e7\u00e3o como a \u00e1gua de um rio, oferecendo os seus bra\u00e7os como alavancas incans\u00e1veis; e t\u00e3o depressa, numa ladeira deserta, aliviava uma pobre velha da sua carga de lenha, como numa cidade revoltada, onde reluzissem armas, se adiantava, com o peito aberto, e amansava as disc\u00f3rdias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEnfim, uma tarde, em v\u00e9spera de P\u00e1scoa, estando a descansar nos degraus de Santa Maria dos Anjos, avistou de repente, no ar liso e branco, uma vasta m\u00e3o luminosa que sobre ele se abria e faiscava. Pensativo, murmurou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Eis a m\u00e3o de Deus, a sua m\u00e3o direita, que se estende para me acolher ou para me repelir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deu logo a um pobre, que ali rezava a Ave-Maria, com a sua sacola nos joelhos, tudo o que no mundo lhe restava, que era um volume do Evangelho, muito usado e manchado das suas l\u00e1grimas. No domingo, na igreja, ao levantar da H\u00f3stia, desmaiou. Sentindo ent\u00e3o que ia terminar a sua jornada terrestre, quis que o levassem para um curral, o deitassem sobre uma camada de cinzas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em santa obedi\u00eancia ao guardi\u00e3o do convento, consentiu que o limpassem dos seus trapos, lhe vestissem um h\u00e1bito novo: mas, com os olhos alagados de ternura, implorou que o enterrassem num sepulcro emprestado como fora o de Jesus, seu senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, suspirando, s\u00f3 se queixava de n\u00e3o sofrer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Senhor que tanto sofreu, por que me n\u00e3o manda a mim o padecimento bendito?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De madrugada pediu que abrissem, bem largo, o port\u00e3o do curral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contamplou o c\u00e9u que clareava, escutou as andorinhas que, na frescura e sil\u00eancio, come\u00e7avam a cantar sobre o beiral do telhado, e, sorrindo, recordou uma manh\u00e3, assim de sil\u00eancio e frescura, em que, andando com Francisco de Assis \u00e0 beira do lago de Perusa, o mestre incompar\u00e1vel se detivera ante uma \u00e1rvore cheia de p\u00e1ssaros e, fraternalmente, lhes recomendara que louvassem sempre o Senhor! \u201cMeus irm\u00e3os, meus irm\u00e3os passarinhos, cantai bem o vosso Criador, que vos deu essa \u00e1rvore para que nela habiteis, e toda esta limpa \u00e1gua para nela beber, e essas penas bem quentes para vos agasalharem, a v\u00f3s e aos vossos filhinhos!\u201d Depois, beijando humildemente a manga do monge que o amparava, Frei Genebro morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOGO que ele cerrou os olhos carnais, um Grande Anjo penetrou diafanamente no curral e tomou, nos bra\u00e7os, a alma de Frei Genebro. Durante um momento, na fina luz da madrugada, deslizou por sobre o prado fronteiro t\u00e3o levemente que nem ro\u00e7ava as pontas orvalhadas da relva alta. Depois, abrindo as asas, radiantes e n\u00edveas, transp\u00f4s, num voo sereno, as nuvens, os astros, todo o c\u00e9u que os homens conhecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aninhada nos seus bra\u00e7os, como na do\u00e7ura de um ber\u00e7o, a alma de Genebro conservava a forma do corpo que sobre a terra ficara; o h\u00e1bito franciscano ainda a cobria, com um resto de poeira e de cinza nas pregas rudes; e, com um olhar novo que, agora, tudo trrespassava e tudo compreendia, ela contemplava, num deslumbramento, aquela regi\u00e3o em que o Anjo parara, para al\u00e9m dos universos transit\u00f3rios e de todos os rumores siderais. Era um espa\u00e7o sem limite, sem contorno e sem cor. Por cima come\u00e7ava uma claridade, subindo espalhada \u00e0 maneira duma aurora, cada vez mais branca, e mais luzente, e mais radiante, at\u00e9 que resplandecia num fulgor t\u00e3o sublime que nela um sol coruscante seria como uma n\u00f3doa pardacenta. E por baixo estendia-se uma sombra cada vez mais ba\u00e7a, mais fusca, mais cinzenta, at\u00e9 que formava como um espesso cresp\u00fasculo de profunda, insond\u00e1vel tristeza. Entre essa refulg\u00eancia ascendente e a escurid\u00e3o inferior, permanecera o Anjo im\u00f3vel, com as asas fechadas. E a alma de Genebro perfeitamente sentia que estava ali, esperando tamb\u00e9m, entre o Purgat\u00f3rio e o Para\u00edso. Ent\u00e3o, subitamente, nas alturas, apareceram os dois imensos pratos duma Balan\u00e7a &#8211; um que rebrilhava como diamante e era reservado \u00e0s suas Boas Obras, outro, negrejando mais que carv\u00e3o, para receber o peso das suas Obras M\u00e1s. Entre os bra\u00e7os do Anjo, a alma de Genebro estremeceu&#8230; Mas o prato diamantino come\u00e7ou a descer lentamente. Oh! Contentamento e gl\u00f3ria! Carreado com as suas Boas Obras, ele descia, calmo e majestoso, espargindo claridade. T\u00e3o pesado vinha, que as suas grossas cordas se retesavam, rangiam. E entre elas, formando como uma montanha de neve, alvejava magn\u00ecficamente as suas virtudes evang\u00e9licas. L\u00e1 estavam as incont\u00e1veis esmolas que semeara no mundo, agora desabrochadas em alvas flores, cheias de aroma e de luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sua humildade era um cimo, aureolado por um clar\u00e3o. Cada uma das suas penit\u00eancias cintilava mais l\u00ecmpidamente que cristais pur\u00edssimos. E a sua ora\u00e7\u00e3o perene subia e enrolava-se em torno das cordas, \u00e0 maneira duma deslumbrante n\u00e9voa de ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sereno, tendo a majestade de um astro, o prato das Boas Obras parou, finalmente, com a sua carga preciosa. O outro, l\u00e1 em cima, n\u00e3o se movia tamb\u00e9m, negro, da cor do carv\u00e3o, in\u00fatil, esquecido, vazio. J\u00e1 das profundidades, sonoros bandos de Serafins voavam, balan\u00e7ando palmas verdes. O pobre franciscano ia entrar triunfalmente no Para\u00edso &#8211; e aquela era a mil\u00edcia divina que o acompanharia cantando. Um fr\u00eamito de alegria passou na luz do Para\u00edso, que um Santo novo enriquecia. E a alma de Genebro anteprovou as del\u00edcias da Bem-Aventuran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subitamente, por\u00e9m, no alto, o prato negro oscilou como a um peso inesperado que sobre ele ca\u00edsse! E come\u00e7ou a descer, duro, temeroso, fazendo uma sombra dolente atrav\u00e9s da celestial claridade. Que M\u00e1 A\u00e7\u00e3o de Genebro trazia ele, t\u00e3o mi\u00fada que nem se avistava, t\u00e3o pesada que for\u00e7ava o prato luminoso a subir, remontar ligeiramente, como se a montanha de Boas A\u00e7\u00f5es que nele transbordavam fossem um fumo mentiroso? Os Serafins recuavam, com as asas trementes. Na alma de Frei Genebro correu um arrepio imenso de terror. O negro prato descia, firme, inexor\u00e1vel, com as cordas retesas. E na regi\u00e3o que se cavava sob os p\u00e9s do Anjo, cinzenta, de inconsol\u00e1vel tristeza, uma massa de sombra, molemente e sem rumor, arfou, cresceu, rolou, como a onda duma mar\u00e9 devoradora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prato, mais triste que a noite, parara &#8211; parara em pavoroso equil\u00edbrio com o prato que rebrilhava. E os Serafins, Genegro, o Anjo que o trouxera, descobriram, no fundo daquele prato que inutilizava um Santo, um porco, um pobre porquinho com uma perna barbaramente cortada, arquejando, a morrer, numa po\u00e7a de sangue&#8230; O animal mutilado pesava tanto na balan\u00e7a da justi\u00e7a como a montanha luminosa de virtudes perfeitas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEnt\u00e3o, das alturas, surgiu uma vasta m\u00e3o, abrindo os dedos que faiscavam. Era a m\u00e3o de Deus, a sua m\u00e3o direita, que aparecera a Genebro na escada de Santa Maria dos Anjos e que, agora, supremamente se estendia para o acolher ou para o repelir. Toda a luz e toda a sombra, desde o Para\u00edso fulgente ao Purgat\u00f3rio crepuscular, se contra\u00edram num recolhimento de inexprim\u00edvel amor e terror. E na ext\u00e1tica mudez, a vasta m\u00e3o, atrav\u00e9s das alturas, lan\u00e7ou um gesto que repelia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o o Anjo, baixando a face compadecida, alargou os bra\u00e7os e deixou cair, na escurid\u00e3o do Purgat\u00f3rio, a alma de Frei Genebro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E\u00e7a de Queir\u00f3s NESSE tempo ainda vivia, na sua solid\u00e3o das montanhas da \u00dambria, o divino Francisco de Assis &#8211; e j\u00e1 por toda a It\u00e1lia se louvava a santidade de Frei Genebro, seu amigo e seu disc\u00edpulo. Frei Genebro, na verdade,completara a perfei\u00e7\u00e3o em todas as virtudes evang\u00e9licas. Pela abund\u00e2ncia e perpetuidade da Ora\u00e7\u00e3o, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-95414","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-01-18T11:43:40+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Augusto Abreu\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro\"},\"author\":{\"name\":\"Augusto Abreu\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"headline\":\"Frei Genebro\",\"datePublished\":\"2017-01-18T11:43:40+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro\"},\"wordCount\":3560,\"commentCount\":0,\"articleSection\":[\"Obras Liter\u00e1rias\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro\",\"name\":\"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2017-01-18T11:43:40+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\"},\"description\":\"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\\\/frei-genebro#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Linguagens e C\u00f3digos\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"Literatura\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"name\":\"Obras Liter\u00e1rias\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/categoria\\\/linguagens-e-codigos\\\/literatura\\\/obras-literarias\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":5,\"name\":\"Frei Genebro\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"Pesquisa Escolar Gratuita\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578\",\"name\":\"Augusto Abreu\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro","description":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro","og_description":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/","article_published_time":"2017-01-18T11:43:40+00:00","author":"Augusto Abreu","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"Augusto Abreu","Est. tempo de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro"},"author":{"name":"Augusto Abreu","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"headline":"Frei Genebro","datePublished":"2017-01-18T11:43:40+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro"},"wordCount":3560,"commentCount":0,"articleSection":["Obras Liter\u00e1rias"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro","name":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s Frei Genebro","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website"},"datePublished":"2017-01-18T11:43:40+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578"},"description":"Frei Genebro, Conto, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Obra Liter\u00e1ria, Irm\u00e3o Eg\u00eddio, Ermit\u00e3o, Literatura, Frei Genebro","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/frei-genebro#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Linguagens e C\u00f3digos","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"Literatura","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura"},{"@type":"ListItem","position":4,"name":"Obras Liter\u00e1rias","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/categoria\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias"},{"@type":"ListItem","position":5,"name":"Frei Genebro"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"Pesquisa Escolar Gratuita","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/#\/schema\/person\/7bbc8022c9c2c63e2e4afadfde4db578","name":"Augusto Abreu"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=95414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/95414\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=95414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=95414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=95414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}