{"id":95328,"date":"2017-01-17T15:33:12","date_gmt":"2017-01-17T17:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=95328"},"modified":"2017-10-09T13:08:05","modified_gmt":"2017-10-09T15:08:05","slug":"o-caso-da-chacara-chao-domingos-pellegrini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/o-caso-da-chacara-chao-domingos-pellegrini","title":{"rendered":"O Caso da Ch\u00e1cara Ch\u00e3o &#8211; Domingos Pellegrini"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"750\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"middle\" width=\"156\" height=\"116\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"> <a href=\"#1\">Dados Biogr\u00e1ficos<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#2\"><strong><span style=\"font-size: small;\">Linguagem \/ Tempo<\/span><\/strong><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"151\">\n<div align=\"center\">\n<p><strong><span style=\"font-size: small;\"><a href=\"#3\">Resumo do Enredo<\/a><\/span><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#4\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Personagens<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<td valign=\"middle\" width=\"157\">\n<div align=\"center\">\n<p><a href=\"#5\"><span style=\"font-size: small;\"><strong>Enredo<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"1\"><\/a>Dados Biogr\u00e1ficos<\/h2>\n<p>Nasceu e vive em Londrina, Paran\u00e1, onde estudou Letras. Trabalha<br \/>\ncom jornalismo e publicidade. Seu primeiro livro de contos foi o ganhador<br \/>\ndo Jabuti de 1977.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m escreve poesias, romances e romances juvenis.<\/p>\n<p>Vive atualmente na Ch\u00e1cara Ch\u00e3o em sua cidade natal, de onde<br \/>\nenvia as not\u00edcias publicadas desde 1997 pelo Jornal de Londrina, enquanto<br \/>\nescreve seus livros.<\/p>\n<h2><a name=\"3\"><\/a>Resumo do Enredo<\/h2>\n<p>Manfredini \u00e9 escritor de livros juvenis e Olga \u00e9 dona de casa,<br \/>\nque atende a encomendas de doces. O casal tem Verali, filha de dez anos, e<br \/>\nPaulinho, que \u00e9 filho dela do primeiro casamento.<\/p>\n<p>Manfredini \u00e9 um ex-rep\u00f3rter policial e ex-revolucion\u00e1rio<br \/>\nque resolve retornar ao seu ch\u00e3o cultivando uma ch\u00e1cara. Ele<br \/>\nfora redator de um suplemento agr\u00edcola e ela era neta de agr\u00f4nomos,<br \/>\ne ambos sentiam-se preparados para cuidar da ch\u00e1cara. Esta recebe o<br \/>\nnome de Ch\u00e1cara Ch\u00e3o por causa do m\u00e9todo usado por eles<br \/>\npara reaproveitar as frutas que caem e as folhas secas que s\u00e3o colocadas<br \/>\nnum tanque de compostagem. A conclus\u00e3o \u00e9 que tudo que sai do<br \/>\nch\u00e3o, volta para o ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Num domingo em que s\u00f3 o casal est\u00e1, a ch\u00e1cara \u00e9<br \/>\nassaltada por dois rapazes, um ruivo e um mulato. Com rev\u00f3lver na m\u00e3o,<br \/>\npedem j\u00f3ias e d\u00f3lares, e Olga vai buscar o pedido. Nisso Jo\u00e3o,<br \/>\num trabalhador da ch\u00e1cara chega e chama pelo patr\u00e3o, como n\u00e3o<br \/>\n\u00e9 atendido, pula o port\u00e3o.<\/p>\n<p>Os assaltantes estavam drogados, distraem-se e Manfredini pega um fac\u00e3o,<br \/>\npuxa Olga e correm para um quartinho e quando tentam fechar a porta, chega<br \/>\no mulato empurrando, Manfredini passa o fac\u00e3o pela fresta ferindo o<br \/>\nladr\u00e3o. Os dois assaltantes fogem. Logo o alvoro\u00e7o est\u00e1<br \/>\nformado, algu\u00e9m avisa a pol\u00edcia e os malandros s\u00e3o presos<br \/>\nquase que imediatamente. O casal vai \u00e0 delegacia para depor.<\/p>\n<p>O delegado come\u00e7a o interrogat\u00f3rio com Manfredini. Olga acha<br \/>\npor bem procurar um advogado e, mesmo contra a vontade do marido, sai; no<br \/>\noutro dia voltam \u00e0 delegacia. S\u00e3o ouvidos em separado. Depois<br \/>\ndo depoimento de Manfredini, o delegado conta que a vers\u00e3o dos ladr\u00f5es<br \/>\n\u00e9 bem diferente.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o eram assaltantes, foram l\u00e1 para \u201cencontrar-se\u201d<br \/>\ncom Olga, que queria transar com dois homens de uma s\u00f3 vez. O sangue<br \/>\ndo escritor ferve. O delegado diz que deve inquirir a todos j\u00e1 que<br \/>\neles falaram que foram surpreendidos por ele quando estavam no quarto, e que<br \/>\nele, flagrando os tr\u00eas, havia perdido a cabe\u00e7a e ferido o rapaz<br \/>\na fac\u00e3o. Com esta vers\u00e3o, Manfredini nega-se a assinar o depoimento.<br \/>\nO delegado aconselha-o a voltar com um advogado.<\/p>\n<p>Os dois rapazes ficam presos porque tinham ficha. A d\u00favida come\u00e7a<br \/>\na tomar conta da cabe\u00e7a do escritor. Quando Olga chega em casa ele<br \/>\npergunta se ela conhece os dois, ela se ofende e ele se arrepende. O delegado<br \/>\nvem visitar a ch\u00e1cara, confessa que o advogado dos rapazes armara uma<br \/>\n\u201cestrat\u00e9gia\u201d, dizendo que um costumava freq\u00fcentar<br \/>\na ch\u00e1cara em encontros vespertinos com Olga, e que naquele dia ela<br \/>\nhavia pedido para ele levar outro, pois um era muito pouco para ela.<\/p>\n<p>Quando o advogado sai, Manfredini conta tudo para Olga, que acha um absurdo<br \/>\na hist\u00f3ria. A not\u00edcia de que Olga \u00e9 tarada e que Manfredini<br \/>\n\u00e9 corno se espalha. Olga j\u00e1 nem recebe quase encomendas de doces,<br \/>\nque era o seu ganha-p\u00e3o. O escritor recebe pouco da editora, pois a<br \/>\nvenda dos livros caiu.<\/p>\n<p>O escritor recorre \u00e0 ajuda de Binho, um antigo colega de revolu\u00e7\u00e3o,<br \/>\nconseguem ter acesso ao processo e saber o nome dos assaltantes: Florindo<br \/>\nda Silva, o mulato, \u00e9 ex-policial, afastado para tratamento psiqui\u00e1trico.<br \/>\nDepois, licenciado, metera-se com drogas, roubo etc. O outro era filho de<br \/>\nfam\u00edlia rica, tamb\u00e9m com passagens pela pol\u00edcia, sempre<br \/>\nse livrava pois contratavam bons advogados para ele.<\/p>\n<p>Enquanto isso o Doutor, advogado do casal, custa-lhes o dinheiro do po\u00e7o<br \/>\nartesiano que pretendiam cavar na ch\u00e1cara. O mesmo sugere que entrem<br \/>\nnum acordo, visto que os depoimentos eram contradit\u00f3rios, que Manfredini<br \/>\npodia ser indiciado num processo por agress\u00e3o&#8230; Na ch\u00e1cara<br \/>\na vida continua com os trabalhos rotineiros. O casal trabalha duro, com a<br \/>\najuda de Jo\u00e3o. O Doutor busca Olga e Manfredini para mais um depoimento.<br \/>\nO advogado dos rapazes prop\u00f5e um acordo. Indignado o escritor d\u00e1<br \/>\numa entrevista aos rep\u00f3rteres contando toda a verdade.<\/p>\n<p>De v\u00edtima, o escritor se transformara em r\u00e9u. Procura a ajuda<br \/>\nde Binho, novamente. Quer a ficha completa dos assaltantes e uma c\u00f3pia<br \/>\ndo depoimento deles. Quando chega em casa, toda a fam\u00edlia de Olga est\u00e1<br \/>\nl\u00e1 e Verali, chorando, pergunta \u201cQue \u00e9 corno, pai?\u201d<br \/>\nManfredini explode e tranca-se no escrit\u00f3rio. N\u00e3o est\u00e1<br \/>\nconseguindo escrever o romance juvenil encomendado por sua editora.<\/p>\n<p>Na ficha de Florindo consta que ele e Olga j\u00e1 tinham um relacionamento<br \/>\nantigo. O outro, filho de papai, Pedro Paulo Machado Mello de Cavalcante,<br \/>\nfora convidado naquele dia por Florindo para atenderem ao desejo de Olga.<\/p>\n<p>O escritor ent\u00e3o resolve contar sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria<br \/>\ne Binho a publica em seu jornal na primeira p\u00e1gina. A fam\u00edlia<br \/>\nde Olga, liderada pela av\u00f3, intima Manfredini a pagar pelas j\u00f3ias,<br \/>\numa vez que eram antigas j\u00f3ias \u201cde fam\u00edlia\u201d que<br \/>\nestavam sob sua guarda. Ao passar pela cidade, ele se surpreende com a rea\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas pessoas que o cumprimentam pelo que fez. \u00c9 conhecido como o justiceiro<br \/>\ndo fac\u00e3o, e o epis\u00f3dio que protagonizou \u00e9 \u201cO Caso<br \/>\ndo Fac\u00e3o\u201d, segundo os jornalistas.<\/p>\n<p>Otoniel dos Santos, mec\u00e2nico, vem se apresentar com sua mulher, como<br \/>\nnovo vizinho do escritor. O Doutor aparece e diz que h\u00e1 um pedido de<br \/>\nindeniza\u00e7\u00e3o por parte dos assaltantes: despesas m\u00e9dicas.<br \/>\n\u00c9 mais uma manobra do advogado deles para conseguir um acordo.<\/p>\n<p>Binho aparece com a ficha. Ao reler o depoimento Manfredini intriga-se com<br \/>\nduas perguntas: Como a pol\u00edcia chegou t\u00e3o r\u00e1pido no dia<br \/>\ndo assalto? Quem chamou? Como os assaltantes sabiam que ele guardava d\u00f3lares<br \/>\nem casa? Resolve investigar e chega at\u00e9 a m\u00e3e de Florindo, Clarinda<br \/>\ndos Santos, que conta que a filha, que havia trabalhado na ch\u00e1cara,<br \/>\nsabia dos d\u00f3lares e contou ao irm\u00e3o.<\/p>\n<p>A ch\u00e1cara continua dando trabalho. Passam-se os dias e eles v\u00e3o<br \/>\na uma entrevista com o Promotor. O mesmo esclarece que faltam provas e \u201cdiante<br \/>\ndas vers\u00f5es contradit\u00f3rias e da aus\u00eancia de provas\u201d<br \/>\nsugere o arquivamento do caso. Manfredini fica doido e quase fica preso por<br \/>\ndesacato. Dispensa o Doutor, dizendo tudo e mais um pouco do \u201cpalerma\u201d.<\/p>\n<p>Em meio a essa confus\u00e3o surge um amigo dos tempos do ex\u00e9rcito,<br \/>\nArcanjo dos Santos, hoje um \u201cadvogado porta-de-cadeia\u201d, que oferece<br \/>\nsua ajuda sem cobrar nada do amigo escritor. Alerta Manfredini que Florindo<br \/>\nfaz parte de uma perigosa quadrilha, juntamente com outros policiais, que<br \/>\nest\u00e3o protegendo o ex-PM.<\/p>\n<p>O carro da pol\u00edcia havia chegado rapidamente naquele dia porque estavam<br \/>\ndando \u201ccobertura\u201d ao assalto. O processo \u00e9 arquivado pelo<br \/>\nPromotor. A queixa \u00e9 retirada \u00e9 retirada pelo casal.<\/p>\n<p>Com o tempo, o clima na ch\u00e1cara vai voltando ao normal. Os livros<br \/>\nest\u00e3o vendendo bem, as encomendas de Olga tamb\u00e9m. Arcanjo surge<br \/>\ncom novidades: o tal filhinho de papai se mandou para os EUA, mas Florindo<br \/>\nagora quer indeniza\u00e7\u00e3o por danos f\u00edsicos e morais.<\/p>\n<p>Voltam ao antigo advogado, afinal j\u00e1 estava pago. Nesse mesmo tempo<br \/>\naparece um clube de som \u201cClubisteca\u201d na ch\u00e1cara ao lado.<br \/>\nManfredini assina um abaixo-assinado promovido pelo vizinho mec\u00e2nico,<br \/>\nque tamb\u00e9m n\u00e3o gosta do barulho.<\/p>\n<p>Num desses dias aparece o Arcanjo com os processos para Manfredini. Resolvem<br \/>\nfazer o jogo da justi\u00e7a e jogam tudo numa imensa fogueira. Talvez n\u00e3o<br \/>\nadiante nada, mas dar\u00e1 muito trabalho aos homens da justi\u00e7a<br \/>\npara come\u00e7ar tudo de novo. Afinal, acontecia muito de processos \u201csumirem\u201d<br \/>\nsem deixar pistas, mesmo.<\/p>\n<p>A m\u00e3e e a irm\u00e3 de Florindo, agora crentes, resolvem fazer<br \/>\njusti\u00e7a devolvendo a metade das j\u00f3ias que ele roubara. Estavam,<br \/>\ninclusive, fugindo do rapaz, que passara a agredi-las. Ele, por\u00e9m,<br \/>\nest\u00e1 agora internado numa cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Otoniel n\u00e3o consegue nada contra o funcionamento do Clubisteca, apelando<br \/>\npara as autoridades. Resolve ent\u00e3o fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias<br \/>\nm\u00e3os. Compra e instala enormes caixas de som na frente de sua casa<br \/>\ne o som que produz atrapalha o som do clube. Obt\u00e9m tamb\u00e9m o<br \/>\napoio da vizinhan\u00e7a, que est\u00e1 prestes a invadir o local. Nesta<br \/>\nmesma noite Florindo, que havia fugido da cl\u00ednica, se droga e vai \u00e0<br \/>\nch\u00e1cara em busca de vingan\u00e7a. Encontra Olga na cozinha e a desmaia<br \/>\ncom uma pancada na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Procura por Manfredini, com um velho rev\u00f3lver e com o fac\u00e3o,<br \/>\napanhado na mesa do terra\u00e7o. Num descuido do bandido, o escritor atira<br \/>\nnele um banquinho de madeira. Florindo atira, acertando o abajur. No escuro,<br \/>\npai e filha fogem. Os disparos continuam, mas o som alto da TV abafa o ru\u00eddo<br \/>\ndos tiros. Manfredini \u00e9 perseguido por Florindo no escuro da ch\u00e1cara,<br \/>\nentre as \u00e1rvores. Ele vai se esquivando do agressor at\u00e9 que<br \/>\neste cai no tanque de compostagem.<\/p>\n<p>Florindo se suja todo e se machuca, mas sai de l\u00e1 e continua. O escritor<br \/>\ndespista o bandido para o fundo da ch\u00e1cara, que vai no seu encal\u00e7o<br \/>\ntrope\u00e7ando, caindo e se arranhando nas espinheiras. Enquanto isso,<br \/>\nVerali, que pulara o muro, chama Otoniel, que est\u00e1 \u00e0s voltas<br \/>\ncom a pol\u00edcia que fora chamada para resolver o impasse do som. Vizinho<br \/>\ne pol\u00edcia adentram a ch\u00e1cara. Florindo, todo arrebentado, no<br \/>\nfundo do quintal, \u00e9 finalmente preso pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p>O Clubisteca \u00e9 fechado, para alegria de Otoniel e da vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Novos depoimentos s\u00e3o feitos, agora com a orienta\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo advogado Arcanjo. O ex-PM agora \u00e9 expulso definitivamente da corpora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como negar os fatos. H\u00e1 o pedido de desculpas<br \/>\ndo delegado, da imprensa, dos vizinhos. A outra metade das j\u00f3ias aparece<br \/>\ne a tranq\u00fcilidade volta a reinar na Ch\u00e1cara Ch\u00e3o. Afinal,<br \/>\nse o processo for reaberto, algu\u00e9m ter\u00e1 que voltar do exterior<br \/>\ne pode se complicar.<\/p>\n<p>\u201cE a quadrilha \u2013 falei \u2013 tamb\u00e9m vai ficar em paz,<br \/>\npresumo. \u00c9 assim neste pa\u00eds, n\u00e9? S\u00f3 um vai preso<br \/>\nde vez em quando,o mais pobre, o Tiradentes&#8230;\u201d<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte:<\/span> literaturavirtual.com.br<\/p>\n<h6><\/h6>\n<p><strong>Domingos Pellegrini<\/strong><\/p>\n<p>O livro <b>O caso da Chac\u00e1ra Ch\u00e3o<\/b> foi inspirado num epis\u00f3dio<br \/>\nreal, um assalto ao s\u00edtio do pr\u00f3prio autor, Domingos Pellegrini,<br \/>\nque decidiu romancear o fato e criar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Publicado em 2000, O Caso da Ch\u00e1cara Ch\u00e3o, segue, at\u00e9 no t\u00edtulo,<br \/>\no que h\u00e1 de mais chamativo no mercado editorial, do qual o autor \u00e9<br \/>\num dos seus expoentes, famosamente conhecido por sua produ\u00e7\u00e3o<br \/>\njuvenil.<\/p>\n<p>A obra tem, na opini\u00e3o do autor, ingredientes bem brasileiros como<br \/>\nviol\u00eancia, drogas, corrup\u00e7\u00e3o policial, jornalismo sensacionalista,<br \/>\nracismo, conformismo mas tamb\u00e9m amor, perd\u00e3o e amizade. Tra\u00e7a<br \/>\npain\u00e9is cr\u00edticos da realidade brasileira.<\/p>\n<p>Segundo Pellegrini, a obra &#8220;\u00e9 um policial social, mas no fundo,<br \/>\ncomo sempre, trata dos conceitos de car\u00e1ter e de conduta&#8221;.<\/p>\n<h2><a name=\"2\"><\/a>Linguagem e Tempo<\/h2>\n<p>Sua linguagem \u00e9 simples, direta, despojada de enfeites artificiais.<br \/>\nH\u00e1 beleza em suas imagens po\u00e9ticas, principalmente \u00e0quelas<br \/>\nligadas \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de elementos da Natureza, mas sem<br \/>\no emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.<\/p>\n<p>O narrador-personagem usa alguns ingredientes bem brasileiros s\u00e3o<br \/>\nfor\u00e7as presentes na narrativa, tais como &#8211; viol\u00eancia, drogas,<br \/>\ncorrup\u00e7\u00e3o policial, burocracia, jornalismo sensacionalista,<br \/>\nracismo, conformismo e tamb\u00e9m amor, perd\u00e3o, revolta e amizade.<\/p>\n<p>H\u00e1 beleza em suas imagens po\u00e9ticas, principalmente \u00e0quelas<br \/>\nligadas \u00e0 descri\u00e7\u00e3o de elementos da Natureza, mas sem<br \/>\no emprego de recursos que tornem o texto pesado, de leitura arrastada.<\/p>\n<p>Outro elemento digno de nota \u00e9 a movimenta\u00e7\u00e3o das cenas,<br \/>\n\u00e1gil, precisa, quase que dotada de um car\u00e1ter cinematogr\u00e1fico.<br \/>\nOs flashbacks est\u00e3o nos locais exatos e na medida correta. A manipula\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo tempo da narrativa \u00e9 quase sinf\u00f4nica (quanto a esse aspecto,<br \/>\nn\u00e3o se deve esquecer que a obra, num esquema de di\u00e1rio, muitas<br \/>\nvezes metaling\u00fc\u00edstico, acaba tendo uma proximidade muito forte<br \/>\nentre o tempo da narrativa (tempo da hist\u00f3ria, dos fatos narrados \u2013<br \/>\npassado n\u00e3o muito remoto em muitas das vezes) e o tempo da enuncia\u00e7\u00e3o<br \/>\n(tempo do ato contar a hist\u00f3ria, sempre presente). Aliada \u00e0<br \/>\nj\u00e1 citada limpeza de sua linguagem, contribui para que a degusta\u00e7\u00e3o<br \/>\nda obra seja fluente, sem obst\u00e1culos in\u00fateis e desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<h2><a name=\"4\"><\/a>Personagens<\/h2>\n<p>O protagonista da obra \u00e9 um jornalista e escritor que mora numa ch\u00e1cara,<br \/>\ncomo o pr\u00f3prio Pellegrini: h\u00e1 tr\u00eas anos e meio, para fugir<br \/>\ndo barulho do centro da cidade, Pellegrini mudou para a Ch\u00e1cara Ch\u00e3o,<br \/>\nnos arredores de Londrina, onde pretende passar o resto de seus dias.<\/p>\n<p>Deve-se tamb\u00e9m elogiar a forma coerente com que o narrador consegue<br \/>\ndar vida e car\u00e1ter \u00e0s suas personagens, at\u00e9 mesmo nas<br \/>\nque se apresentam caricaturizadas, como a fam\u00edlia Filipov, \u00e0<br \/>\nqual pertence a c\u00f4njuge do narrador. H\u00e1 inclusive aten\u00e7\u00e3o<br \/>\nna substancia\u00e7\u00e3o da caracteriza\u00e7\u00e3o dos animais,<br \/>\ncomo Miau (a gata assassinada), Minie (cadela idosa) e Morena (cadela que<br \/>\nhavia chegado filhote e que cresce no decorrer da narrativa).<\/p>\n<p>Para refor\u00e7ar o que se apresentou quanto ao dom\u00ednio na constru\u00e7\u00e3o<br \/>\ndas personagens, basta observar Verali, filha do narrador, que, de menina<br \/>\nurbana e, portanto, isolada e dona de amigas invis\u00edveis, torna-se a<br \/>\ngarota feliz, realizada quando vai para a ch\u00e1cara. Outra personagem<br \/>\n\u00e9 Olga, ex-militante de esquerda e que \u201ccai\u201d para preocupa\u00e7\u00f5es<br \/>\nmais ligadas ao ch\u00e3o, como ter uma filha praticamente por produ\u00e7\u00e3o<br \/>\nindependente com Manfredini, esfor\u00e7ando-se por manter-se por meio da<br \/>\nconfec\u00e7\u00e3o de chocolates.<\/p>\n<p>Mas a personagem mais rica \u00e9 o narrador, um sujeito decepcionado com<br \/>\na esquerda, ou mais precisamente com os militantes, que, ao inv\u00e9s da<br \/>\nluta aberta, preocupavam-se em se encostar no funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<p>Seu desencanto, no entanto, n\u00e3o significa in\u00e9rcia. Torna-se<br \/>\numa figura que tem um pouco de misantropo, impaciente e quixotesco ao lutar<br \/>\npelos direitos do cidad\u00e3o, pela aplica\u00e7\u00e3o da lei, principalmente<br \/>\nno que se refere ao sil\u00eancio. O ru\u00eddo urbano \u00e9 a mais<br \/>\nsimb\u00f3lica forma de invas\u00e3o e agress\u00e3o do mundo moderno.<\/p>\n<h2><a name=\"5\"><\/a>Enredo<\/h2>\n<p>Alfredo Manfredi, um escritor de livros juvenis, ex-exilado, cansado da pasmaceira<br \/>\ndo povo, al\u00e9m de amadurecido seu relacionamento com Olga e depois de<br \/>\nter ganhado muito dinheiro trabalhando na reda\u00e7\u00e3o de discursos<br \/>\nde uma campanha pol\u00edtica, resolve morar com Olga. Compram, para tanto,<br \/>\numa ch\u00e1cara, a que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro. Tal im\u00f3vel<br \/>\nse torna a utopia, o grande sonho de mundo e de vida dos dois, o que se percebe<br \/>\npelo nome.<\/p>\n<p>Baseia-se na id\u00e9ia de que tudo o que foi gerado pelo ch\u00e3o,<br \/>\npor ele ser\u00e1 aproveitado. \u00c9, pois, um microcosmo perfeito (j\u00e1<br \/>\nque o macrocosmo fracassou) em que se dedicam na reciclagem e aproveitamento<br \/>\nde tudo. Tudo natural, ecol\u00f3gico, planejado, perfeito. At\u00e9 a<br \/>\ninvas\u00e3o urbana, representada pelo assalto realizado durante o Carnaval.<\/p>\n<p>Quer fugir do estresse dos centros urbanos e refugia-se com a fam\u00edlia<br \/>\nna ch\u00e1cara, em busca de tranq\u00fcilidade. Mas n\u00e3o ser\u00e1<br \/>\nisso que ele ter\u00e1: um assalto \u00e0 propriedade transforma completamente<br \/>\na vida do escritor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria b\u00e1sica passa-se, como citado, durante o Carnaval.<br \/>\nA ch\u00e1cara do personagem-narrador, Manfredini (\u00e9 praticamente<br \/>\num alter-ego do autor, pois ambos mant\u00eam muitos pontos de contato em<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0 personalidade e ao hist\u00f3rico de vida),<br \/>\n\u00e9 invadida por dois bandidos, que est\u00e3o em busca de j\u00f3ias<br \/>\ne d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Crentes que o ambiente estaria vazio, come\u00e7am a ver seus planos frustrados<br \/>\nquando encontram os donos. Descontrolam-se, chegando, para amea\u00e7ar,<br \/>\na matar a gata de estima\u00e7\u00e3o do casal, Miau.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piora quando s\u00e3o ouvidos os gritos do caseiro<br \/>\nJo\u00e3o, que, ao n\u00e3o ser respondido, pula o mulo da propriedade.<br \/>\nO narrador consegue escapar, mas \u00e9 perseguido por um dos malfeitores,<br \/>\nat\u00e9 que consegue se trancar em um c\u00f4modo, n\u00e3o sem antes<br \/>\nferir gravemente com um fac\u00e3o o opositor que tentava impedir o fechamento<br \/>\nda porta. Machucado, foge.<\/p>\n<p>Seguindo o caminho mais simples, os donos registram queixa na delegacia e<br \/>\nesperam a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia para a captura dos criminosos,<br \/>\no que de fato foi feito. No entanto, obteve-se um resultado completamente<br \/>\ndiferente. Os bandidos alegaram que a esposa do narrador os havia convidado<br \/>\npara um encontro conjugal no momento em que o marido n\u00e3o estava presente.<br \/>\nEste, voltando inesperadamente, surpreendera a dupla e, ferido na honra, vingara-se<br \/>\nferindo um dos supostos traidores.<\/p>\n<p>O que piora a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o aparelho do Estado come\u00e7a,<br \/>\nao inv\u00e9s de defender a v\u00edtima, a permitir que esta tivesse sua<br \/>\nreputa\u00e7\u00e3o atacada. \u00c9 nesse momento que entra em a\u00e7\u00e3o<br \/>\no melhor aspecto dos romances policiais: a exposi\u00e7\u00e3o crua das<br \/>\nferidas do sistema social.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio s\u00f3 piora a rela\u00e7\u00e3o do personagem<br \/>\ncom o Estado, pois, como se disse, mostra a viol\u00eancia se voltando contra<br \/>\neles. Pedem ajuda para punir bandidos e acabam sendo castigados de v\u00e1rias<br \/>\nformas. Em primeiro lugar, pela possibilidade de se tornarem de v\u00edtimas<br \/>\na r\u00e9us.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a indiferen\u00e7a, a zombaria e o desrespeito com que<br \/>\ns\u00e3o atendidos. Al\u00e9m disso, a pol\u00edcia faz uma per\u00edcia<br \/>\ncompletamente incompetente, como se estivesse mais interessada em n\u00e3o<br \/>\nresolver o caso (n\u00e3o procuram direito a arma do crime.<\/p>\n<p>N\u00e3o fazem aut\u00f3psia da gata, n\u00e3o retiram na hora correta<br \/>\nas balas incrustadas no teto e no ch\u00e3o da sala da ch\u00e1cara. Nem<br \/>\nsequer verificam a presen\u00e7a de res\u00edduos de p\u00f3lvora das<br \/>\nm\u00e3os dos bandidos). Sem contar que s\u00e3o pressionados por um a\u00e7\u00e3o<br \/>\nde indeniza\u00e7\u00e3o, o que constitui um acinte t\u00edpico da literatura<br \/>\nde Kafka.<\/p>\n<p>Conforme se luta por mais justi\u00e7a, mais lama vai sendo jogada. Acaba-se<br \/>\nesbarrando em obst\u00e1culos gigantescos. Um dos bandidos, Florindo dos<br \/>\nSantos, era policial licenciado. Entra em jogo, portanto, toda a for\u00e7a<br \/>\nde uma corpora\u00e7\u00e3o protegendo um dos seus integrantes.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que ele faz parte de um esquema gigantesco arquitetado por<br \/>\numa m\u00e1fia dentro da pr\u00f3pria pol\u00edcia, respons\u00e1vel<br \/>\npelo desvio de material apreendido, inclusive drogas. Detalhe s\u00f3rdido:<br \/>\no soldado tinha desvios graves de comportamento, sendo at\u00e9 toxic\u00f4mano.<\/p>\n<p>O outro bandido, Pedro Paulo Machado de Mello Cavalcante, como a extens\u00e3o<br \/>\ndo nome indica, \u00e9 de fam\u00edlia t\u00e3o rica quanto poderosa,<br \/>\nacostumada a usar um advogado por demais eficiente que sempre afasta o jovem<br \/>\nde crimes ligados ao v\u00edcio, como o presente caso.<\/p>\n<p>Esse advogado vai ser respons\u00e1vel por mais decep\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEficient\u00edssimo (n\u00e3o se deve esquecer que o advogado do narrador<br \/>\n\u00e9 incompetente, mais preocupado em seguir protocolos \u2013 em busca<br \/>\nde um arquivamento \u2013 do que em resolver o problema), conseguir\u00e1<br \/>\narmar esquemas para salvar seus clientes e prejudicar mais ainda Manfredini.<br \/>\nFica a id\u00e9ia de que o que funciona no Judici\u00e1rio n\u00e3o<br \/>\n\u00e9 a justi\u00e7a em si, mas a manipula\u00e7\u00e3o, arma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cl\u00edmax surge quando a hist\u00f3ria vaza para a Imprensa, t\u00e3o<br \/>\npreocupada com esc\u00e2ndalo, sensacionalismo. Cria-se uma mancha gritante<br \/>\nna reputa\u00e7\u00e3o daqueles que deveriam ser vistos como v\u00edtimas.<br \/>\nSempre que se lembrava dO Caso da Ch\u00e1cara Ch\u00e3o, associava-se \u00e0 imagem<br \/>\nde Olga como tarada ou de Manfredini como o Louco do Fac\u00e3o a fazer<br \/>\njusti\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os, imagem esta que \u00e9<br \/>\npiorada quando investe de maneira explosiva (atira pedras e machado) contra<br \/>\nos in\u00fameros carros de som que poluem auditivamente aquele que deveria<br \/>\nser um bairro residencial.<\/p>\n<p>Apesar dessa confus\u00e3o toda, h\u00e1 alguns pontos de apoio. O primeiro<br \/>\n\u00e9 um amigo ligado \u00e0 Imprensa, Binho, que lhe permitir\u00e1,<br \/>\nal\u00e9m do acesso a informa\u00e7\u00f5es importantes, que sua vers\u00e3o<br \/>\nseja veiculada na m\u00eddia. O resultado \u00e9, de certa forma, torto.<br \/>\nSe num primeiro instante \u00e9 visto como um vil\u00e3o, um louco, depois<br \/>\npassa a ser visto como um her\u00f3i, pois encarnou o desejo de todo um<br \/>\npovo massacrado: fazer justi\u00e7a pelas pr\u00f3prias m\u00e3os. Em<br \/>\nsuma, n\u00e3o \u00e9 entendido, mas visto como uma caricatura.<\/p>\n<p>O fundo do po\u00e7o surge quando h\u00e1 com a Justi\u00e7a uma audi\u00eancia,<br \/>\neufemisticamente chamada de \u201centrevista\u201d. Nela, fica consagrada<br \/>\na incompet\u00eancia do Estado, que n\u00e3o consegue representar e nem<br \/>\ndefender o cidad\u00e3o. O processo est\u00e1 para ser arquivado. O narrador,<br \/>\ncomo sempre, explode, quase sendo preso por desacato.<\/p>\n<p>A reviravolta, a princ\u00edpio t\u00edmida, surge quando encontra, ainda<br \/>\nno f\u00f3rum, outro decepcionado ex-militante esquerdista, Arcanjo. Tornara-se<br \/>\nadvogado de porta de cadeia n\u00e3o para fazer sacanagem contra o sistema<br \/>\nao ajudar criminosos, mas para evitar que este atrapalhasse os direitos daqueles<br \/>\nque n\u00e3o t\u00eam como se defender. E em tal situa\u00e7\u00e3o<br \/>\nencontrava-se Manfredini.<\/p>\n<p>Sua primeira a\u00e7\u00e3o, imediata, j\u00e1 se mostra \u00fatil.<br \/>\nEvita que o \u201chomem-bomba\u201d seja preso. Ainda impede a derrota fragorosa<br \/>\nda a\u00e7\u00e3o. Contribui tamb\u00e9m para que seja bloqueado o processo<br \/>\nde indeniza\u00e7\u00e3o. Mas, diante de todo o quadro que se \u00e9<br \/>\napresentado, pois est\u00e3o lidando com bandidos do mais pesado calibre,<br \/>\nconsegue convencer o casal a retirar a queixa, na esperan\u00e7a de que<br \/>\na outra parte tamb\u00e9m o fa\u00e7a.<\/p>\n<p>No fim, um ano se passa. Refor\u00e7a-se a descren\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o<br \/>\nao sistema, o que fica representado no fato de a ch\u00e1cara, o para\u00edso,<br \/>\nter os muros agora todo coberto de plantas dotadas de espinhos.<\/p>\n<p>A decep\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que o narrador j\u00e1<br \/>\nn\u00e3o abre mais tanto esc\u00e2ndalo quando um sal\u00e3o de festas,<br \/>\npor demais barulhento, \u00e9 inaugurado ao lado da ch\u00e1cara (\u00e9<br \/>\ninteressante lembrar que a fiscaliza\u00e7\u00e3o, quando aparece, fica<br \/>\nmancomunada com o sal\u00e3o. Note a tirada amarga quando o protagonista<br \/>\nrelata que os fiscais sa\u00edram alegres e com alguns \u201cpresentes\u201d).<\/p>\n<p>O cl\u00edmax surge num duplo combate. Os vizinhos armam uma barulheira<br \/>\nmusical para competir com o baile de Carnaval do sal\u00e3o. A pol\u00edcia<br \/>\nbaixa. E \u00e9 nesse instante que Florindo surge, para se vingar, pois<br \/>\ncom toda a quest\u00e3o judicial, n\u00e3o havia ag\u00fcentado e cometera<br \/>\ndelitos, acabando por perder muitos dos seus direitos na corpora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAcha que a culpa pelo fracasso recai sobre Manfredini e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Suas inten\u00e7\u00f5es criminosas s\u00e3o, no entanto, frustradas.<br \/>\nOlga e Verali evadem-se. Manfredini consegue fugir pela ch\u00e1cara. Sua<br \/>\nenorme vantagem \u00e9 que o vil\u00e3o n\u00e3o conhece o terreno e,<br \/>\nem meio \u00e0 escurid\u00e3o, acaba-se ferindo sucessivamente pelas plantas,<br \/>\nmuitas delas espinhosas. Consegue a vit\u00f3ria humilhante ao mesmo tempo<br \/>\nem que o povo, irado, faz com que o sal\u00e3o respeite os vizinhos.<\/p>\n<p>Tal final parece lembrar o campo juvenil em que o autor se especializou.<br \/>\nJogou-se tanta lama na cara do leitor a ponto de poder sufocar sua vis\u00e3o<br \/>\nde mundo. Essa vit\u00f3ria da natureza \u00e9 uma luz de expectativa<br \/>\npositiva. O mundo est\u00e1 podre, mas n\u00e3o \u00e9 motivo para desist\u00eancia,<br \/>\nderrotismo. \u00c9 uma luta individualista, mas \u00e9 a melhor arma que<br \/>\nse tem, na presente situa\u00e7\u00e3o social. \u00c9 a alimenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nde esperan\u00e7as diante da vida, mais simples e mais natural poss\u00edvel,<br \/>\ndistante da doen\u00e7a em que se transformou a vida moderna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clique\u00a0nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: Dados Biogr\u00e1ficos Linguagem \/ Tempo Resumo do Enredo Personagens Enredo &nbsp; Dados Biogr\u00e1ficos Nasceu e vive em Londrina, Paran\u00e1, onde estudou Letras. Trabalha com jornalismo e publicidade. Seu primeiro livro de contos foi o ganhador do Jabuti de 1977. Tamb\u00e9m escreve poesias, romances e romances juvenis. 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