{"id":93489,"date":"2017-01-09T15:58:55","date_gmt":"2017-01-09T17:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=93489"},"modified":"2021-10-23T11:54:50","modified_gmt":"2021-10-23T13:54:50","slug":"historia-da-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-geral\/historia-da-america","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o existe para n\u00f3s at\u00e9 e a menos que a desenterremos, interpretemos e juntemos. Ent\u00e3o, o passado ganha vida ou, mais precisamente, \u00e9 revelado pelo que sempre foi &#8211; uma parte do presente.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria \u00e9 o estudo do passado humano. Os historiadores estudam registros de condi\u00e7\u00f5es ou eventos de um determinado tempo e lugar.<\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>Estados Unidos da Am\u00e9rica<\/strong>\u00a0s\u00e3o ao mesmo tempo uma na\u00e7\u00e3o muito nova e uma na\u00e7\u00e3o muito antiga. Os primeiros colonos &#8211; ca\u00e7adores asi\u00e1ticos e n\u00f4mades &#8211; chegaram \u00e0 Am\u00e9rica do Norte h\u00e1 cerca de 30.000 anos. No entanto, os Estados Unidos da Am\u00e9rica s\u00f3 surgiram em 1776 com a Declara\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>hist\u00f3ria dos Estados Unidos<\/strong>\u00a0\u00e9 a hist\u00f3ria de muitos povos diferentes que juntos comp\u00f5em os Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Desde a chegada dos primeiros europeus em 1492, milh\u00f5es de pessoas de muitos pa\u00edses diferentes entraram nos Estados Unidos e fizeram do pa\u00eds seu novo lar.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica &#8211; Coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Am\u00e9rica\u00a0<\/strong>foi inicialmente povoada por \u00edndios durante milhares de anos e em todo o continente se desenvolveram civiliza\u00e7\u00f5es importantes, como os maias, astecas e incas.<\/p>\n<p>Apesar dos vikings terem explorado e estabelecido bases nas costas da Am\u00e9rica do Norte a partir do s\u00e9culo X, estes exploradores aparentemente n\u00e3o colonizaram a Am\u00e9rica, limitando-se a tentar controlar o com\u00e9rcio de peles de animais e outras mercadorias da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica pelos europeus resultou da procura de uma rota mar\u00edtima para a \u00cdndia, que era a fonte da seda e das especiarias, produtos que tinham um grande valor comercial no \u201cvelho continente\u201d.<\/p>\n<p>Ao navegarem para oeste, encontraram o \u201cNovo Mundo\u201d.<\/p>\n<p>Os primeiros a descobrir as \u201c\u00cdndias orientais\u201d foram os judeus \u2013 a 12 de Outubro de 1492, Crist\u00f3v\u00e3o Colombo (um dia chegou a uma ilha que hoje \u00e9 a Rep\u00fablica Dominicana, onde encontrou nativos amistosos e pensou ter chegado \u00e0 \u00cdndia). Dali, ele seguiu para a ilha que apelidou Hispaniola e onde deixou uma pequena col\u00f3nia que, no ano seguinte, tinha sido dizimada pelos nativos, e ent\u00e3o deixou l\u00e1 uma guarni\u00e7\u00e3o bem armada. Estima-se de cerca de 250 mil aruaques existentes naquela ilha, apenas 500 tinham sobrevivido no ano 1550; o grupo foi extinto antes de 1650.<\/p>\n<p>O Brasil chegou a ser uma tentativa de coloniza\u00e7\u00e3o dos espanh\u00f3is, mas n\u00e3o deu certo, Portugal veio primeiro.<\/p>\n<p>Entretanto, Pedro \u00c1lvares Cabral, ainda com a inten\u00e7\u00e3o de chegar \u00e0 Jud\u00e9ia, \u201cdescobre\u201d o Brasil, em 1501; a partir de 1534 inicia-se a coloniza\u00e7\u00e3o do Vasco da Grama com a cria\u00e7\u00e3o das primeiras capitanias.<\/p>\n<p>Em meados do s\u00e9culo XVI, o Imp\u00e9rio Espanhol controlava quase toda a zona costeira das Am\u00e9ricas, desde o Alasca \u00e0 Patag\u00f3nia, no ocidente, e desde o atual estado estadunidense da Ge\u00f3rgia, toda a Am\u00e9rica Central e o Caribe \u00e0 Argentina \u2013 com excep\u00e7\u00e3o do Brasil, que Portugal tinha conseguido manter gra\u00e7as \u00e0 media\u00e7\u00e3o do Papa.<\/p>\n<p><strong>Am\u00e9rica Espanhola &#8211; Divis\u00e3o administrativa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na coloniza\u00e7\u00e3o espanhola, ele se baseou na divis\u00e3o entre 4 Vice-reinos (divis\u00e3o intrinsecamente ligada a aspectos econ\u00f4micos), a saber:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Vice-Reino da Nova Espanha<\/strong>: no sul da Am\u00e9rica do Norte, correspondendo principalmente aos modernos M\u00e9xico e ao sul dos Estados Unidos. Rico em ouro e prata, caracteriza-se pela minera\u00e7\u00e3o. A coloniza\u00e7\u00e3o ganha impulso e se inicia mais facilmente devido \u00e0s complexas civiliza\u00e7\u00f5es j\u00e1 ali existentes, com base econ\u00f4mica formada;<br \/>\n<strong>Vice-Reino de Nova Granada<\/strong>: no noroeste da Am\u00e9rica do Sul, correspondendo principalmente aos modernos Col\u00f4mbia, Equador, Venezuela, e Panam\u00e1. Baseada na agricultura;<br \/>\n<strong>Vice-Reino do Peru<\/strong>: no leste da Am\u00e9rica do Sul, que no momento da sua maior extens\u00e3o territorial englobava grande parte da pr\u00f3pria Am\u00e9rica do Sul, sendo reduzido o seu territ\u00f3rio correspondendo principalmente aos modernos Peru e\u00a0<strong>Bol\u00edvia<\/strong>: minera\u00e7\u00e3o aur\u00edfera e arg\u00eantea. Encontra-se, como no M\u00e9xico, uma complexa infra-estrutura e grande densidade populacional;<br \/>\n<strong>Vice-Reino do Rio da Prata:<\/strong>\u00a0no sul da Am\u00e9rica do Sul, correspondendo principalmente aos modernos Argentina, Uruguai, Paraguai. Economia baseada na pecu\u00e1ria, mais tarde caracterizando-se por uma intensiva explora\u00e7\u00e3o da prata na Argentina.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Criaram-se ainda 8 capitanias-gerais: \u00e1reas b\u00e9licas de forte prote\u00e7\u00e3o, pois eram regi\u00f5es que podiam ser atacadas facilmente:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Capitania Geral da Guatemala (1540-1821):<\/strong>\u00a0anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. Na Am\u00e9rica Central, correspondendo principalmente aos modernos Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicar\u00e1gua, Costa Rica e a estado mexicano do Chiapas.<strong><br \/>\nCapitania Geral do Chile (1541-1818):\u00a0<\/strong>anexado ao Vice-Reino do Peru. No sudoeste da Am\u00e9rica do Sul, correspondendo principalmente ao moderno Chile.<strong><br \/>\nCapitania Geral de Santo Domingo (1526-1867)<\/strong>: anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. Nas Antilhas, correspondendo principalmente aos modernos Rep\u00fablica Dominicana e Haiti.<strong><br \/>\nCapitania Geral das Filipinas (1565-1898):<\/strong>\u00a0anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. No leste da \u00c1sia e Micron\u00e9sia, correspondendo principalmente aos modernos Filipinas, Palau, Carolinas, Marianas e Guam.<strong><br \/>\nCapitania Geral de Porto Rico (1592-1898):\u00a0<\/strong>anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. No Antilhas, correspondendo principalmente ao moderno Porto Rico.<strong><br \/>\nCapitania Geral de Cuba (1607-1898):\u00a0<\/strong>anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. No leste da Am\u00e9rica do Norte e Antilhas, correspondendo principalmente aos modernos Cuba, Fl\u00f3rida e Luisiana.<strong>Capitania Geral de Yucat\u00e1n (1617-1786):<\/strong>\u00a0anexado ao Vice-Reino da Nova Espanha. No sudeste da Am\u00e9rica do Norte, correspondendo principalmente aos modernos estados mexicanos do Campeche, Tabasco, Yucat\u00e1n e Quintana Roo.<strong><br \/>\nCapitania Geral da Venezuela (1777-1821):<\/strong>\u00a0anexado ao Vice-Reino do Peru. No norte da Am\u00e9rica do Sul, correspondendo principalmente \u00e0 moderna Venezuela.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Divis\u00e3o social<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Chapetones:<\/strong>\u00a0espanh\u00f3is que habitam a Am\u00e9rica, t\u00eam em m\u00e3os os altos cargos p\u00fablicos, dominam a pol\u00edtica;<strong><br \/>\nCriollos:<\/strong>\u00a0eram os brancos (europeu + europeu = filho americano) nascidos na Am\u00e9rica, cuidam da economia (terras e minas) e ocupam os baixos cargos p\u00fablicos da administra\u00e7\u00e3o<strong>\u00a0local<\/strong>: cabildos;<br \/>\n<strong>Mesti\u00e7os<\/strong>: s\u00e3o os bastardos (<strong>cor negra:<\/strong>\u00a0Chapetones + \u00edndios, ou Criollos + \u00edndios, sonho era embranquecer). \u00c9 o elo entre os chapetones e os \u00edndios, \u00e9 o intermedi\u00e1rio, \u00e9 assalariado dos espanh\u00f3is, recrutam \u00edndios para a Mita;<strong><br \/>\n\u00cdndios\/negros:<\/strong>\u00a0massa trabalhadora.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Sistema de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00e3o dos estados centro-americanos desde 1700 at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3o de obra ind\u00edgena:\u00a0<\/strong>semi-servid\u00e3o, trabalho compuls\u00f3rio.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Trabalho livre:<\/strong>\u00a0assalariado e parceria (meieiro);<br \/>\n<strong>Trabalho compuls\u00f3rio:<\/strong>\u00a0Mita e Encomienda;<br \/>\nEscravid\u00e3o (em menor escala)<br \/>\nMeta (Peru) ou Cuatequil (M\u00e9xico)<br \/>\nOs Incas e os Astecas j\u00e1 adquiriram no seu processo civilizat\u00f3rio o h\u00e1bito de escravizar outras tribos de \u00edndios e for\u00e7\u00e1-las a trabalhar e pagar impostos;<br \/>\n\u00c9 de cria\u00e7\u00e3o americana;<br \/>\nPredom\u00ednio do trabalho na minera\u00e7\u00e3o;<br \/>\nBaseada no sorteio de tribos para retirar os trabalhadores, que trabalhavam de 4 a 6 meses e geralmente morriam ou adoeciam. Recebiam um pequeno sal\u00e1rio, mas endividavam-se, ent\u00e3o, alugavam mulheres e filhos para quitar d\u00edvidas e acabavam como semi-escravas;<br \/>\n<strong>Conseq\u00fc\u00eancias:<\/strong>\u00a0Genoc\u00eddio e Etnoc\u00eddio (acultura\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o met\u00f3dica de uma etnia), hecatombe demogr\u00e1fica, ou seja, mortandade em larga escala;<br \/>\nTinha cota de produ\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, uma quantidade de produto estipulada para se retirar em certo tempo, \u00e9 um tipo de a\u00e7\u00e3o violenta.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Encomienda<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os europeus adquiriam \u00edndios nas tribos para supostamente recrut\u00e1-los ao trabalho, oferecendo em troca a garantia de sua subsist\u00eancia e o comprometimento com a catequese, no entanto, n\u00e3o raramente submetia-os \u00e0 compulsoriamente do trabalho nas minas;<br \/>\nBaseava-se no recrutamento por meio da encomenda, servindo de recurso acess\u00f3rio \u00e0s insufici\u00eancias de m\u00e3o-de-obra no sistema de Mita;<br \/>\n<strong>Cota de m\u00e3o de obra:<\/strong>\u00a0dever-se-ia dar uma quantidade de produto estipulada dentro de um maior prazo de entrega, sendo, pois, menos violento;<br \/>\n<strong>Conseq\u00fc\u00eancias:<\/strong>\u00a0Genoc\u00eddio e etnoc\u00eddio.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Porque a Am\u00e9rica Espanhola utilizava \u00edndios como m\u00e3o-de-obra e a Am\u00e9rica Portuguesa usava a m\u00e3o-de-obra negra?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Na Am\u00e9rica Espanhola j\u00e1 existiam sociedades complexas, que j\u00e1 conheciam sistemas de trabalho (<strong>Ex<\/strong>: mita ou cuatequil), enquanto na Am\u00e9rica Portuguesa n\u00e3o havia sistemas de trabalho, o \u00edndio n\u00e3o era habituado ao trabalho regular, porquanto era coletor, ca\u00e7ador, pescador e n\u00f4made;<br \/>\nNa Am\u00e9rica Espanhola, o elemento ind\u00edgena estava concentrado em centros urbanos de alta densidade demogr\u00e1fica. Na Am\u00e9rica Portuguesa, os \u00edndios encontravam-se dispersos, isto \u00e9, aqu\u00e9m do processo civilizat\u00f3rio e urban\u00edstico empreendido nos Imp\u00e9rios Incas e Astecas;<br \/>\nO Tratado de Tordesilhas literalmente cedeu a \u00c1frica ao Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, o que incentivar\u00e1 o uso de negros como m\u00e3o-de-obra pelos lusitanos e dificultar\u00e1 o uso de negros pela Espanha. O pr\u00f3prio Estado portugu\u00eas administrar\u00e1 e executar\u00e1 o tr\u00e1fico negreiro.<br \/>\n<strong>Espanha:<\/strong>\u00a0saliente-se concess\u00e3o feita \u00e0 Nova Granada, pois, como os antigos Maias n\u00e3o tinham civiliza\u00e7\u00f5es t\u00e3o complexas quanto \u00e0s duas acima citadas (Astecas e Incas), fator dificultoso ao processo escravizat\u00f3rio (motivo inclusive do fracasso da tentativa de escraviza\u00e7\u00e3o de \u00edndios no Brasil), optar-se-\u00e1 pela utiliza\u00e7\u00e3o do elemento escravo negro;<br \/>\n<strong>Espanha:<\/strong>\u00a0M\u00e9xico: antigos Astecas;<br \/>\n<strong>Espanha:<\/strong>\u00a0<strong>Peru<\/strong>: antigos Crist\u00e3os.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Coloniza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica<\/strong><\/p>\n<p>Os brit\u00e2nicos lan\u00e7aram-se \u00e0 conquista do mundo durante o reinado de Henrique VII de Inglaterra (1485\u20131509), que promoveu a ind\u00fastria naval, como forma de expandir o com\u00e9rcio para al\u00e9m das Ilhas Brit\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Mas as primeiras col\u00f4nias brit\u00e2nicas s\u00f3 foram fundadas durante o reinado de Elizabeth I, quando Sir Francis Drake navegou o globo nos anos 1577 a 1580 (Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es j\u00e1 a tinha realizado em 1522).<\/p>\n<p>Em 1579, Drake chegou \u00e0 Calif\u00f3rnia e proclamou aquela regi\u00e3o como \u201ccol\u00f4nia da Coroa\u201d, chamando-lhe \u201cNova Albion\u201d (\u201cNova Inglaterra\u201d), mas n\u00e3o promoveu a sua ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Humphrey Gilbert chegou \u00e0 Terra Nova em 1583 e declarou-a col\u00f4nia inglesa, enquanto Sir Walter Raleigh organizou a col\u00f4nia da Virg\u00ednia em 1587, mas ambas estas col\u00f4nias tiveram pouco tempo de vida e tiveram de ser abandonadas, por falta de comida e encontros hostis com as tribos ind\u00edgenas do continente americano.<\/p>\n<p><strong>Foi apenas no s\u00e9culo seguinte, durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, depois da derrota da Armada Invenc\u00edvel de Espanha, que foi assinado o Tratado de Londres, permitindo em 1607 o estabelecimento da primeira col\u00f4nia inglesa nas Am\u00e9ricas:<\/strong>\u00a0Jamestown.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica nas treze col\u00f4nias foi, essencialmente, de povoamento. Essa caracter\u00edstica est\u00e1 presente nas col\u00f4nias do Norte e do Oeste.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o sulista foi fundamentada no plantation e no uso de m\u00e3o-de-obra escrava.<\/p>\n<p>No norte da Am\u00e9rica, inicialmente, n\u00e3o havia metais preciosos e o clima daquela regi\u00e3o, por ser temperado, n\u00e3o favoreceu a instala\u00e7\u00e3o de monoculturas. Da\u00ed a \u201cimport\u00e2ncia de n\u00e3o nascer importante\u201d, segundo o jornalista uruguaio Eduardo Galeano. Um pa\u00eds que, durante o per\u00edodo colonial, n\u00e3o atra\u00eda a burguesia brit\u00e2nica em aspectos como o metalismo, o latif\u00fandio monocultor e mat\u00e9rias-primas em abund\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 explorado efetivamente, o que favorece a consolida\u00e7\u00e3o dos EUA como a primeira economia mundial da atualidade.<\/p>\n<p><strong>Coloniza\u00e7\u00e3o francesa<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras tentativas dos franceses para estabelecerem col\u00f4nias no Brasil, em 1555, e na Florida, em 1564 (em Fort Caroline, atualmente Jacksonville, Florida), realizada por huguenotes, n\u00e3o tiveram sucesso, devido \u00e0 vigil\u00e2ncia dos portugueses e espanh\u00f3is. A tentativa seguinte foi em 1598, em Sable Island, no sudeste da atual prov\u00edncia da Nova Esc\u00f3cia do Canad\u00e1; esta col\u00f4nia n\u00e3o teve abastecimentos e os 12 sobreviventes tiveram de voltar a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do imp\u00e9rio colonial franc\u00eas come\u00e7ou em 27 de Julho de 1605 com a funda\u00e7\u00e3o em Port Royal, atualmente Annapolis (igualmente na Nova Esc\u00f3cia), da col\u00f4nia da Acadie. Em 1608, Samuel de Champlain funda Quebec, que passa a ser a capital da enorme, mas pouco povoada, col\u00f4nia de Nova Fran\u00e7a (tamb\u00e9m chamada \u201cCanada\u201d), que tinha como objetivo o com\u00e9rcio de peles.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os franceses expandiam o seu imp\u00e9rio na Am\u00e9rica do Norte, tamb\u00e9m come\u00e7aram a construir outro, menor, por\u00e9m, mais lucrativo, nas \u201c\u00cdndias Ocidentais\u201d (as Cara\u00edbas).<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da costa sul-americana come\u00e7ou em 1624 onde \u00e9 hoje a Guiana Francesa e fundou uma col\u00f3nia em Saint Kitts em 1627 (a ilha teve que ser partilhada com os ingleses at\u00e9 ao Tratado de Utrecht em 1713, quando a Fran\u00e7a o perdeu). A \u201cCompagnie des \u00celes de l\u2019Am\u00e9rique\u201d, formada em 1634, estabeleceu as col\u00f3nias de Guadalupe e Martinica em 1635 e em Santa L\u00facia em 1650.<\/p>\n<p>As planta\u00e7\u00f5es destas col\u00f3nias foram mantidas por escravos trazidos de \u00c1frica. A resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas locais resultou na Expuls\u00e3o dos Caribes em 1660.<\/p>\n<p>A mais importante possess\u00e3o colonial francesa nas Cara\u00edbas s\u00f3 foi conseguida em 1664, com a funda\u00e7\u00e3o da col\u00f3nia de \u201cSaint-Domingue\u201d (o actual Haiti) na metade ocidental da ilha Hispaniola (enquanto os espanh\u00f3is dominavam a parte oriental). No s\u00e9culo XVIII, Saint-Domingue tornou-se a mais rica col\u00f3nia de planta\u00e7\u00f5es de cana-de-a\u00e7\u00facar das Cara\u00edbas.<\/p>\n<p>A parte oriental da ilha Hispaniola foi oferecida \u00e0 Fran\u00e7a pela Espanha, depois da perda de Saint-Domingue com a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana.<\/p>\n<p>Em 1699, as possess\u00f5es francesas na Am\u00e9rica do Norte expandiram-se ainda mais com a funda\u00e7\u00e3o da Luisiana perto do delta do Rio Mississ\u00edpi; embora a Fran\u00e7a tivesse declarado soberania de toda a bacia do Mississippi, s\u00f3 tinha controlo efectivo na regi\u00e3o costeira, perto das cidades de Mobile (Alabama) e Nova Orle\u00e3s (fundada em 1718). Mais tarde, os Estados Unidos da Am\u00e9rica compraram a col\u00f3nia francesa.<\/p>\n<p><strong>DA AM\u00c9RICA COLONIAL \u00c0 AM\u00c9RICA P\u00d3S-INDEPENDENTE<\/strong><\/p>\n<p><strong>AS AM\u00c9RICA INGLESA E FRANCESA: DA COL\u00d4NIA AO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO<\/strong><\/p>\n<p>Desde 1492, quando Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegara ao continente americano, os povos nativos sofreram com a conquista e conseq\u00fcente coloniza\u00e7\u00e3o por parte dos europeus \u2013 primeiramente ib\u00e9ricos (espanh\u00f3is e portugueses), posteriormente ingleses, franceses e holandeses \u2013 configurando-se o mundo colonial americano, com seus desenvolvimentos diferenciados a partir dos modelos de coloniza\u00e7\u00e3o implementados.<\/p>\n<p><strong>Trataremos, agora, das coloniza\u00e7\u00f5es levadas a acabo pelos \u201cretardat\u00e1rios\u201d na coloniza\u00e7\u00e3o americana:\u00a0<\/strong>ingleses, franceses e holandeses.<\/p>\n<p><strong>As Coloniza\u00e7\u00f5es Inglesa e Francesa na Am\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 conhecido o pioneirismo ib\u00e9rico na realiza\u00e7\u00e3o das grandes navega\u00e7\u00f5es devido \u00e0 anterior configura\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais portugu\u00eas e espanhol. Ingleses e franceses, somente ap\u00f3s a partilha de grande parte do continente americano entre os ib\u00e9ricos, lograram estabelecer-se enquanto Estados nacionais, passo fundamental para a realiza\u00e7\u00e3o dos empreendimentos coloniais. Assim, o desenvolvimento de seus projetos coloniais foram retardat\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos ib\u00e9ricos, pertencendo ao s\u00e9culo XVII, quando as monarquias hisp\u00e2nica e lusa perderam seus postos de vanguarda na expans\u00e3o mar\u00edtima-comercial pelo mundo.<\/p>\n<p>Entretanto, o atraso cronol\u00f3gico e as condi\u00e7\u00f5es em que foram gerados os projetos ingl\u00eas e franc\u00eas determinaram caminhos distintos daqueles tra\u00e7ados pelos ib\u00e9ricos, bem como por estabelecer um dom\u00ednio menos duradouro para suas possess\u00f5es, pois a grande roda da Hist\u00f3ria n\u00e3o p\u00e1ra, nem gira para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>A Am\u00e9rica Inglesa<\/strong><\/p>\n<p>No s\u00e9culo XV, enquanto os portugueses empreenderam sua expans\u00e3o africana tendendo alcan\u00e7ar as riquezas orientais, o que lograram concluir com a viagem de Vasco da Gama \u00e0 \u00cdndia (1497-8), e os espanh\u00f3is, em seu processo de Reconquista da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica contra os mouros, forjaram seu Estado nacional, os ingleses iniciaram seu processo de unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>Duas guerras contribu\u00edram para o \u00eaxito em tal empreitada:<\/strong>\u00a0a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) e a Guerra das Duas Rosas (1455-1485). A dinastia Tudor (1485-1603) fora a respons\u00e1vel pela afirma\u00e7\u00e3o do poder real frente \u00e0 nobreza (KARNAL, 2001, pp. 19-20).<\/p>\n<p>A Reforma religiosa empreendida por Henrique VIII, no s\u00e9culo XVI, ao fundar o anglicanismo aumentou o poderio da realeza, agora chefe da estatal Igreja Anglicana.<\/p>\n<p>Estava em forma\u00e7\u00e3o o Estado centralizado que possibilitara a emerg\u00eancia de um projeto colonizador no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, entre fins do s\u00e9culo XV e durante o s\u00e9culo XVI, iniciativas foram tomadas no sentido de descobrir novas rotas comerciais, enquadradas no que Marc Ferro denominou de \u201c\u2019nacionaliza\u00e7\u00e3o\u2019 das for\u00e7as econ\u00f4micas\u201d na Inglaterra (FERRO, 1996, p. 66). Tratava-se de aumentar a import\u00e2ncia comercial inglesa, dinamizando a economia. N\u00e3o havia ent\u00e3o um \u201cprojeto colonizador\u201d propriamente dito, e sim tentativas de seguir o sucesso dos ib\u00e9ricos nas \u201cGrandes Navega\u00e7\u00f5es\u201d. Giovanni Gaboto, comandando cinco navios da Marinha inglesa, tentara descobrir uma rota pelo Noroeste da Am\u00e9rica, em 1497, visando alcan\u00e7ar a \u00c1sia. No ano seguinte realiza nova empreitada, tendo em suas viagens navegado pelas costas da Am\u00e9rica do Norte e encontrado rios e ba\u00edas que futuramente seriam as portas de entrada da coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, fora durante o reinado de Elizabeth I, em fins do s\u00e9culo XVI, que os ingleses, em crescente rivalidade com os espanh\u00f3is, deram um impulso \u201c\u00e0 constru\u00e7\u00e3o naval e ao com\u00e9rcio mar\u00edtimo, envolvendo tamb\u00e9m a atividade cors\u00e1ria\u201d (AQUINO, 2000, p. 123).<\/p>\n<p><strong>O poderio espanhol era uma amea\u00e7a concreta para os ingleses, tendo estes em resposta formulado os princ\u00edpios do seu mercantilismo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Se para a Inglaterra s\u00f3 interessavam, ainda no final do s\u00e9culo XVI, as rotas e o com\u00e9rcio, uma reviravolta ocorre na \u00e9poca de Elizabeth I, quando Walter Raleigh torna-se o te\u00f3rico de uma esp\u00e9cie de imperialismo mar\u00edtimo: \u201cQuem comanda o mar comanda o com\u00e9rcio; quem comanda o com\u00e9rcio comanda a riqueza do mundo, e por conseguinte o pr\u00f3prio mundo\u2026\u201d (FERRO, 1996, p. 67)<\/p><\/blockquote>\n<p>A partir da\u00ed se intensificaram as viagens \u00e0 Am\u00e9rica, \u201cseja para saquear as embarca\u00e7\u00f5es e col\u00f4nias espanholas, ou para empreender lucrativo contrabando nas Antilhas, seja para come\u00e7ar a coloniza\u00e7\u00e3o\u201d (AQUINO, 2000, p. 123). Os ingleses, assim como os franceses, tiveram inicialmente uma atitude parasit\u00e1ria para com os neg\u00f3cios coloniais espanh\u00f3is. Somente nas tr\u00eas expedi\u00e7\u00f5es de Raleigh \u00e0 Am\u00e9rica do Norte \u2013 1584, 1585 e 1587 \u2013 houvera o intento de iniciar a coloniza\u00e7\u00e3o, sendo, contudo frustrados seus planos pela resist\u00eancia ind\u00edgena, que dizimara os colonos.<\/p>\n<p>Os conflitos entre nativos e colonos foram constantes no per\u00edodo colonial, e mesmo no p\u00f3s-colonial. N\u00e3o havia projeto de evangeliza\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, com apoio estatal e levado a cabo por mission\u00e1rios, nos moldes vislumbrados na Am\u00e9rica ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>O processo de coloniza\u00e7\u00e3o inglesa sofrera uma pausa por conta da guerra contra a Espanha, mais poderoso Estado ocidental. A tentativa malograda de invas\u00e3o \u00e0 Inglaterra pela Invenc\u00edvel Armada espanhola, em1588, fora o ponto cr\u00edtico para a guinada no jogo das for\u00e7as entre os Estados europeus. Com a derrota fragorosa, a Espanha veria seu poder em decl\u00ednio ser suplantado por uma Inglaterra que abrira caminho para sua voca\u00e7\u00e3o mar\u00edtima se tornar imperial e mundial, processo consolidado entre os s\u00e9culos XVII e XIX.<\/p>\n<p>Somente as duas guerras mundiais do s\u00e9culo XX levaram ao ocaso do imperialismo brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Livres da amea\u00e7a espanhola e tendo conclu\u00edda a ascens\u00e3o da dinastia Stuart (1603), puderam os ingleses retomar suas investidas coloniais na Am\u00e9rica. A conjuntura inglesa era agora favor\u00e1vel \u2013 n\u00e3o obstante as conturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Senhora dos mares, a Inglaterra e sua crescente burguesia dispunham de condi\u00e7\u00f5es para reativar neg\u00f3cios coloniais. Assim, o rei Jaime I concedeu a duas companhias \u2013 a Cia. de Londres e a Cia. de Plymouth \u2013 parte do litoral norte-americano. Entre os paralelos 34\u00ba e 38\u00ba e 41\u00ba e 45\u00ba, tiveram as companhias de Londres e Plymouth, respectivamente, seus espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o, resguardando-se a faixa territorial entre eles para evitar disputas.<\/p>\n<p><strong>As Col\u00f4nias do Sul<\/strong><\/p>\n<p>No natal de 1606, a Cia. de Londres mandara a primeira vaga de coloniza\u00e7\u00e3o efetiva inglesa, com a funda\u00e7\u00e3o de Jamestown, em 1607-8, na Virg\u00ednia. O come\u00e7o para os colonos l\u00e1 estabelecidos fora dif\u00edcil, flagelados pela fome e pelos ataques ind\u00edgenas. O povoado fora massacrado pelos nativos em 1622, perdendo um quarto de sua popula\u00e7\u00e3o (FERRO, 1996, p. 68).<\/p>\n<p><strong>Superando os obst\u00e1culos, conseguiram os colonos empreender o cultivo daquele que seria o produto respons\u00e1vel pela prosperidade das col\u00f4nias do sul:<\/strong>\u00a0o tabaco.<\/p>\n<p>O endividamento (por conta dos investimentos) da Cia. de Londres frente ao progresso da Virg\u00ednia levara a Coroa a convert\u00ea-la em col\u00f4nia real (1624).<\/p>\n<p>O Estado tamb\u00e9m passara a conceder territ\u00f3rios a figuras destacadas para a funda\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias. Assim nascera Maryland, em 1634, com o estabelecimento de colonos cat\u00f3licos que se dedicaram ao cultivo do tabaco.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93495 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor14.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"350\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor14.jpg 350w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor14-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><strong>Massacre de Jametown.Gravura de Theodore de Bry<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas quem eram estes colonos que para a Am\u00e9rica vieram?<\/strong><\/p>\n<p>Fruto da conturbada conjuntura inglesa do s\u00e9culo XVII, a imigra\u00e7\u00e3o para o Novo Mundo teve m\u00faltiplos est\u00edmulos.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pela situa\u00e7\u00e3o rural inglesa, com o processo dos cercamentos (enclouseres), que impelira o excedente campon\u00eas expulso do campo para as cidades.<\/p>\n<p>Levas de empobrecidos camponeses apinhavam os centros ingleses, reservat\u00f3rios de imigrantes rumo \u00e0 Am\u00e9rica. Carentes de m\u00e3o-de-obra para expandir a coloniza\u00e7\u00e3o (os ind\u00edgenas, relativamente pouco numerosos e resistentes ao trabalho n\u00e3o se configuravam como for\u00e7a produtiva dispon\u00edvel), as companhias, a Coroa ou os detentores de doa\u00e7\u00f5es no Novo Mundo escoavam o excedente populacional ingl\u00eas em dire\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es americanas.<\/p>\n<p>Para custear a vinda para a Am\u00e9rica, os pobres ingleses assinavam um contrato de servid\u00e3o por sete anos. Tal servid\u00e3o por d\u00edvidas (indentured servant) fora generalizada nas Treze Col\u00f4nias, atingindo cerca de 70 % dos imigrantes (AQUINO, 2000, p. 125). Segundo Pierre Chaunu, a servid\u00e3o branca era \u201cde facto uma forma de escravatura, cujas modalidades pr\u00e1ticas, sen\u00e3o as suas bases jur\u00eddicas, n\u00e3o diferem fundamentalmente da escravatura [dos negros africanos trazidos para a Am\u00e9rica]\u201d (CHAUNU, 1969, p. 117).<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos pobres dos centros ingleses, os condenados pela justi\u00e7a, mulheres e crian\u00e7as raptadas, e renegados de toda sorte estiveram inclu\u00eddos nas sucessivas levas de imigrantes, bem como os perseguidos pelas disputas religiosas, dos quais trataremos adiante.<\/p>\n<p><strong>Com a restaura\u00e7\u00e3o dos Stuart, novas col\u00f4nias surgiram no Sul:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>A Carolina do Norte e a Carolina do Sul, doadas a dois propriet\u00e1rios<\/strong>: John Coleton e William Berkeley (1663). Povoadas por grupos deslocados de outras col\u00f4nias, de huguenotes franceses e imigrantes da Esc\u00f3cia, Su\u00ed\u00e7a e Alemanha, as duas col\u00f4nias basearam sua economia no cultivo do \u00edndigo e do arroz, produzidos por escravos negros em grandes propriedades.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A m\u00e3o-de-obra escrava composta pelos negros africanos viera a complementar a servid\u00e3o branca ao longo do s\u00e9culo XVII, tendo o primeiro carregamento chegado na Virg\u00ednia em 1619.<\/p>\n<p>Em fins deste s\u00e9culo j\u00e1 predominava, nas col\u00f4nias do Sul, empregados nas monoculturas das plantations.<\/p>\n<p>Outra col\u00f4nia que seguira este modelo econ\u00f4mico fora a Ge\u00f3rgia, \u00faltima col\u00f4nia a ser fundada na regi\u00e3o (1732), formada inicialmente por condenados \u00e0 pris\u00e3o por d\u00edvidas, trazidos pelo propriet\u00e1rio James Oglethorpe.<\/p>\n<p>Em 1752, passara a Ge\u00f3rgia a ser col\u00f4nia real, onde os escravos negros trabalhavam no cultivo do arroz em grandes propriedades.<\/p>\n<p>A estrutura social das col\u00f4nias do Sul advinha de sua organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Os latif\u00fandios das plantations escravistas conformavam uma sociedade polarizada entre uma aristocracia fundi\u00e1ria \u00e1vida por terras e uma massa de escravos negros, assim como uma parcela de servos brancos.<\/p>\n<p>Devido ao esgotamento das terras pelo cultivo do tabaco, novas fronteiras latifundi\u00e1rias eram abertas, tendo a terra altos valor e impostos, o que bloqueava a difus\u00e3o de pequenos propriet\u00e1rios, ademais sem condi\u00e7\u00f5es de adquirir a m\u00e3o-de-obra escrava ou mesmo resistir \u00e0 press\u00e3o dos latif\u00fandios por mais terras. Muito mais ligado \u00e0 metr\u00f3pole, o Sul escravista seria o basti\u00e3o do mercantilismo e do conservadorismo na Am\u00e9rica inglesa, mesmo na \u00e9poca das lutas pela independ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>As Col\u00f4nias do Norte<\/strong><\/p>\n<p>Paralela ao desenvolvimento dos latif\u00fandios destinados \u00e0s plantations escravistas do Sul, ao Norte a coloniza\u00e7\u00e3o desenvolvera-se diversamente. A partir de 1620, as persegui\u00e7\u00f5es religiosas na Inglaterra levaram cat\u00f3licos, huguenotes, quakers e puritanos (entre outras dissid\u00eancias protestantes) a imigrarem para a Am\u00e9rica, situando-se na regi\u00e3o da Nova Inglaterra.<\/p>\n<p>Fora esta \u00faltima leva, a dos puritanos, que entrara para a hist\u00f3ria norte-americana como o n\u00facleo original de sua cultura.<\/p>\n<p>Em 1620, quando chegaram \u00e0 costa do que seria Massachusetts, a bordo do Mayflower, um grupo de puritanos (entre muitos outros passageiros) firmara um pacto (The Mayflower Compact).<\/p>\n<p>Este grupo ficara conhecido como os \u201cPais Pelegrinos\u201d (Pilgrim Fathers). Fundaram New Plymouth, posteriormente absorvida por Massachusetts, que era ligada \u00e0 Cia. da Ba\u00eda de Massachusetts, dirigida por uma \u201cburguesia puritana\u201d. Esta Cia. trouxera uma nova leva de puritanos, em 1630, quando desembarcaram na Ba\u00eda de Massachussetts os colonos liderados por John Winthrop, tamb\u00e9m considerados \u201cPais Pelegrinos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Winthrop, ao longo da viagem, pregava entre os seus:\u00a0<\/strong>N\u00f3s seremos como uma cidade no alto da colina, e os olhos de todos se voltar\u00e3o para n\u00f3s [\u2026] a nossa hist\u00f3ria ser\u00e1 contada e dela ser\u00e1 passada palavra pelo mundo\u201d (BOORSTIN, 1997, p. 15).<\/p>\n<p><strong>Antes de desembarcarem do navio Arbela, Winthrop tamb\u00e9m firmou um pacto (The Arbela Compact), declarando:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s devemos agir nessa empreitada como um s\u00f3 homem, devemos alegrar-nos na companhia dos nossos, divertir-nos juntos, tendo sempre presente no esp\u00edrito a miss\u00e3o de nossa comunidade, na qual todos devem ser membros de um mesmo corpo. (In: Hist\u00f3ria Viva, n\u00b017, mar\u00e7o de 2005, p. 63)<\/p><\/blockquote>\n<p>Os ditos \u201cPais Pelegrinos\u201d vieram para a Am\u00e9rica devido \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa inglesa do s\u00e9culo XVII, pois desejavam atingir uma pureza religiosa em meio ao ambiente anglicano ingl\u00eas (os puritanos formavam a Igreja Congregacionista). Procuraram estabelecer esta pureza religiosa na Nova Inglaterra, intentando fundar uma \u201cNova Jerusal\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Consideravam-se os eleitos por Deus para iniciar uma nova civiliza\u00e7\u00e3o e todas as prova\u00e7\u00f5es (eram muitas as dificuldades, sendo que a celebra\u00e7\u00e3o da primeira colheita realizada por eles, em 1621, dera origem ao Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as \u2013 Thanksgiving \u2013 data nacional dos EUA) pelas quais passaram na travessia e no in\u00edcio de seu estabelecimento refor\u00e7aram a id\u00e9ia de que eram predestinados.<\/p>\n<p>\u00c9 o mito fundador da Am\u00e9rica WASP (white, anglo-saxon, protestant \u2013 branca, anglo-sax\u00f4nica e protestante). Os norte-americanos (ou estadunidenses, se preferir) consideram este o ponto de partida para sua hist\u00f3ria de sucesso \u2013 n\u00e3o a coloniza\u00e7\u00e3o virginiana.<\/p>\n<p><strong>Sobre o grau de penetra\u00e7\u00e3o deste mito no imagin\u00e1rio daquele povo Chaunu escrevera:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A Nova-Inglaterra n\u00e3o \u00e9 a primeira Am\u00e9rica inglesa, os Pilgrim Fathers nem sequer foram os seus fundadores. E contudo a sua lenda \u00e9 mais ver\u00eddica que a hist\u00f3ria. 1620-1621 acaba por marcar profundamente uma viragem capital na hist\u00f3ria da Am\u00e9rica. (CHAUNU, 1969, p. 118)<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 praticamente onipresente esta vers\u00e3o m\u00edtica dentro da historiografia norteamericana.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 por acaso que Daniel Boorstin inicia sua trilogia sobre a hist\u00f3ria dos EUA com a narrativa deixada pelo governador que presenciou a chegada dos \u201cPais Pelegrinos\u201d, e todas as prova\u00e7\u00f5es a que foram submetidos, arrematando em seguida:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Nunca antes uma terra prometida fora t\u00e3o pouco promissora. Por\u00e9m, no espa\u00e7o de s\u00e9culo e meio \u2013 mesmo antes da revolu\u00e7\u00e3o americana \u2013 este cen\u00e1rio que os tolhia transformarase numa das partes mais civilizadas do mundo. Haviam nascido os contornos gerais de uma civiliza\u00e7\u00e3o nova. (BOORSTIN, 1997, p. 8)<\/p><\/blockquote>\n<p>Os puritanos e sua Igreja Congregacionista, situados no \u00e2mbito da Cia. da Ba\u00eda de Massachusetts, estabeleceram uma forma de governo, ou comunidade pol\u00edtica baseada em preceitos religiosos, sediada em Boston, mais importante centro da Nova- Inglaterra. Estabeleceu-se, portanto, \u201ca uni\u00e3o entre Igreja e Estado, cabendo o governo a elementos da Igreja Congregacionista.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio da oligarquia puritana resultou na intoler\u00e2ncia religiosa.\u201d (AQUINO, 2000, p. 131)<\/p>\n<p>Tal intoler\u00e2ncia levou colonos n\u00e3o puritanos a deixarem Massachusetts, da\u00ed originando outras col\u00f4nias na regi\u00e3o. Rhode Island, fundada por uma corrente de dissidentes (1636), teve sua Carta de reconhecimento pelo Parlamento ingl\u00eas em 1644, \u00e0 qual fixava \u201ca separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, a liberdade religiosa, a proibi\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o e da escravid\u00e3o, a obedi\u00eancia \u00e0s leis aprovadas pela maioria e ao governo eleito pelos pr\u00f3prios colonos\u201d. (AQUINO, 2000, p. 132) originando outras col Massachussetsna rno a elementos da Igreja Congregacionista.iedades.na Inglaterra, dos quais trataremos a<\/p>\n<p>No bojo do processo de dissid\u00eancia na Nova-Inglaterra foram fundadas tamb\u00e9m New Hampshire (1623, convertida em col\u00f4nia real em 1679) e Connecticut (1635). Diferen\u00e7as religiosas e pol\u00edticas \u00e0 parte, em termos s\u00f3cio-econ\u00f4micos havia certa homogeneidade entre as col\u00f4nias do Norte. O clima temperado (semelhante ao da Inglaterra) inviabilizava a implementa\u00e7\u00e3o das monoculturas para exporta\u00e7\u00e3o, portanto exclu\u00eda as plantations escravistas existentes nas col\u00f4nias do Sul. A estrutura fundi\u00e1ria estabelecida na Nova- Inglaterra fora marcada pela pequena propriedade, cultivada pelas fam\u00edlias dos colonos, acrescidas dos servos brancos quando poss\u00edvel. As desigualdades sociais n\u00e3o foram assim t\u00e3o grandes como no Sul.<\/p>\n<p>A economia das col\u00f4nias do Norte era baseada na planta\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros de subsist\u00eancia (que tamb\u00e9m geravam excedentes comerci\u00e1veis) como o trigo, a aveia, o milho, bem como na cria\u00e7\u00e3o de gado, porcos e ovelhas.<\/p>\n<p>\u00c0 produ\u00e7\u00e3o do campo juntava-se a pesca como importante atividade, bem como a ind\u00fastria naval, beneficiada pela grande quantidade de madeira prop\u00edcia dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>O desenvolvimento das cidades fez com que tanto as manufaturas quanto o com\u00e9rcio prosperassem, apesar das proibi\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es impostas a uma e outra atividade. O com\u00e9rcio de peles, valiosas no mercado europeu, tamb\u00e9m compunha o quadro econ\u00f4mico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da din\u00e2mica interna da coloniza\u00e7\u00e3o, o Sul, voltado \u00e0 agroexporta\u00e7\u00e3o, carecia de g\u00eaneros de subsist\u00eancia para alimenta\u00e7\u00e3o da escravatura, adquirindo os produtos necess\u00e1rios nas col\u00f4nias do Norte. Estas, al\u00e9m deste com\u00e9rcio, desenvolveram amplamente um circuito comercial n\u00e3o s\u00f3 ligado \u00e0 Inglaterra, como tamb\u00e9m \u00e0 \u00c1frica e \u00e0s Antilhas. O controle metropolitano sempre fora burlado, perfazendo o contrabando cerca de 84% do com\u00e9rcio realizado pelas Treze Col\u00f4nias. (CHAUNU, 1969, p. 172) O mapa abaixo apresenta os dois circuitos contidos no \u201ccom\u00e9rcio triangular\u201d Europa- Am\u00e9rica-\u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>O COM\u00c9RCIO TRIANGULAR<\/strong><\/p>\n<p><strong>As Col\u00f4nias do Centro<\/strong><\/p>\n<p>Entre os territ\u00f3rios delegados \u00e0 Cia. de Londres e \u00e0 Cia. de Plymouth desenvolverase um terceiro grupo de col\u00f4nias, denominadas col\u00f4nias do Centro. O vazio territorial fora ocupado por outros europeus, principalmente holandeses. Entre os anos de 1624 e 1633, a Cia. das \u00cdndias Ocidentais holandesa funda uma s\u00e9rie de estabelecimentos, destacandose a Nova Amsterd\u00e3 (n\u00facleo original de Nova Iorque). Suecos, finlandeses e alem\u00e3es tamb\u00e9m juntaram-se aos holandeses no vale de Delaware (CHAUNU, 1969, pp. 150-1).<\/p>\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o dos Stuart, na d\u00e9cada de 1660, levara os ingleses a um novo impulso colonizador, sendo o centro da Am\u00e9rica do Norte o alvo primordial da sua expans\u00e3o. Nesta regi\u00e3o os ingleses, entre idas e vindas, conseguem estabelecer o controle sobre a col\u00f4nia holandesa, agora denominada Nova Iorque.<\/p>\n<p>Outras col\u00f4nias foram fundadas, na esteira da conquista inglesa. Deleware, habitada originalmente por suecos, ap\u00f3s um rasgo de domina\u00e7\u00e3o holandesa, passara ao controle ingl\u00eas em 1664, ligada a Nova Iorque.<\/p>\n<p>Seria transformada em col\u00f4nia aut\u00f4noma em 1701.<\/p>\n<p>No mesmo ano da conquista de Delaware, surgira Nova J\u00e9rsei, j\u00e1 habitada por puritanos ingleses e holandeses vindos da Nova-Inglaterra, agora propriedade de Lord John Berkley e Sir George Carteret.<\/p>\n<p>Igualmente Carlos II doara a Willian Penn, l\u00edder dos quakers, um territ\u00f3rio, dando origem a col\u00f4nia da Pensilv\u00e2nia (1681).<\/p>\n<p>A liberdade religiosa e a facilidade na aquisi\u00e7\u00e3o de terras trouxeram imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Marcadas pela heterogeneidade do povoamento e de religiosidade, ao longo de seu desenvolvimento as col\u00f4nias centrais perderiam parte de sua originalidade, ao assemelhar-se gradualmente a Nova-Inglaterra.<\/p>\n<p>Contribu\u00edra para tal a imensa vaga de colonos germ\u00e2nicos \u2013 9000 habitantes em 1685 (CHAUNU, 1969, p. 152) \u2013 levando os descendentes dos primeiros imigrantes extremistas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma sociedade aristocr\u00e1tica e censit\u00e1ria, para garantir suas prerrogativas e privil\u00e9gios, e barrar a dilui\u00e7\u00e3o de sua cultura em meio \u00e0s demais contribui\u00e7\u00f5es \u201cestrangeiras\u201d.<\/p>\n<p><strong>As Institui\u00e7\u00f5es Pol\u00edtico-administrativas<\/strong><\/p>\n<p>O processo de coloniza\u00e7\u00e3o inglesa na Am\u00e9rica, realizado atrav\u00e9s do empenho das companhias privadas e de propriet\u00e1rios e colonos respons\u00e1veis pela viabiliza\u00e7\u00e3o e defesa dos empreendimentos coloniais, conformara um modelo colonizador distinto dos vislumbrados na Am\u00e9rica ib\u00e9rica. Como afirmara Leandro Karnal, o \u201cEstado e a Igreja oficial, na verdade, n\u00e3o acompanharam os colonos ingleses\u201d (KARNAL, 2001, p. 27). Situa\u00e7\u00e3o diversa da encontrada nas Am\u00e9ricas espanhola e portuguesa, onde seus Estados metropolitanos e a Igreja Cat\u00f3lica a eles interligada fizeram-se presentes.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-administrativas das Treze Col\u00f4nias tiveram varia\u00e7\u00f5es entre si, mas de modo geral todas possu\u00edam suas pr\u00f3prias autoridades e autonomia em rela\u00e7\u00e3o as demais e a metr\u00f3pole.<\/p>\n<p><strong>Podem ser enquadradas em tr\u00eas modelos administrativos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Col\u00f4nias de companhias de com\u00e9rcio \u2013<\/strong>\u00a0<strong>foram as primeiras a ser fundadas<\/strong>: Virg\u00ednia e Massachusetts;<strong><br \/>\nCol\u00f4nias de propriet\u00e1rios \u2013<\/strong>\u00a0<strong>concedidas a particulares pela Coroa<\/strong>: Maryland, New Hampshire, Nova J\u00e9rsei, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Pensilv\u00e2nia, Nova Iorque e Ge\u00f3rgia;<strong><br \/>\nCol\u00f4nias reais \u2013<\/strong>\u00a0foram aquelas que a Coroa assumira a dire\u00e7\u00e3o da coloniza\u00e7\u00e3o, sendo que nenhuma fora fundada pelo Estado. A primeira fora a da Virg\u00ednia. No s\u00e9culo VXII constitu\u00edam a menor parte das col\u00f4nias, mas ao longo do XVIII se tornaram a maioria, exceto Maryland, Deleware, Pensilv\u00e2nia, Connecticut e Rhode Island.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>AS TREZES COL\u00d4NIAS INGLESAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>As inst\u00e2ncias administrativas contidas em cada col\u00f4nia eram:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a)<\/strong>\u00a0um governador, representante dos interesses metropolitanos, possuindo amplos poderes. Nas col\u00f4nias das companhias o governador era eleito pelos colonos, geralmente para um mandato de um ano e sem direito a veto \u00e0s leis das assembl\u00e9ias,<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0um conselho ou c\u00e2mara alta composto por membros nomeados dentre os colonos mais influentes, ou eleitos, funcionando como \u00f3rg\u00e3o assessor do governador e c) as assembl\u00e9ias eleitas pelos homens livres, geralmente de forma censit\u00e1ria, que elaboravam leis e fixavam impostos nas col\u00f4nias (AQUINO, 2000, p. 138).<\/p><\/blockquote>\n<p>Esta forma de governo, bastante distinta da Am\u00e9rica ib\u00e9rica, levava os colonos a experimentarem um sentimento de autogoverno, o que contribuiu para a emancipa\u00e7\u00e3o quando a Inglaterra lan\u00e7ara m\u00e3o de medidas que pretendiam estabelecer um maior controle administrativo e tribut\u00e1rio sobre as Treze Col\u00f4nias.<\/p>\n<p><strong>As Antilhas e as Guianas<\/strong><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o das Antilhas, ingleses, franceses, holandeses e dinamarqueses, entre outros, se aproveitaram do decl\u00ednio do poderio espanhol e do vazio deixado pelo genoc\u00eddio da \u00e9poca da conquista nos s\u00e9culos XV e XVI.<\/p>\n<p>Este vazio fora preenchido, ao longo do s\u00e9culo seguinte, quando a Inglaterra (S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Nevis, Montserrat, Barbados e Jamaica), a Fran\u00e7a (principalmente a parte de S\u00e3o Domingos, denominada Haiti), a Holanda (Cura\u00e7ao, Margarida, Bon\u00e1ria, Santo Eust\u00e1quio e Aruba) e a Dinamarca (os dinamarqueses fundaram a Companhia Dinamarquesa das \u00cdndias Ocidentais em 1671, sendo que permaneceram nas Ilhas Virgens at\u00e9 1917) partilharam as ilhas tomadas \u00e0 Espanha (CHAUNU, 1969, p. 142).<\/p>\n<p>Contudo, juntamente com as espanholas Cuba, S\u00e3o Domingos e Porto Rico, foram a Jamaica e o atual Haiti as mais importantes por\u00e7\u00f5es antilhanas para o com\u00e9rcio colonial.<\/p>\n<p>Seu produto principal, o a\u00e7\u00facar, florescera pelo lucrativo com\u00e9rcio, beneficiado pelo eclipse do Nordeste a\u00e7ucareiro da Am\u00e9rica portuguesa.<\/p>\n<p>Tanto os ingleses como os franceses deixaram para tr\u00e1s o s\u00e9culo XVI da pirataria e do corsarismo, levado a cabo por flibusteiros baseados em ilhas tomadas ou abandonadas para estabelecer bases econ\u00f4micas nos moldes das plantations escravistas no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p><strong>Podemos perceber o desenvolvimento da parte francesa de S\u00e3o Domingos pela descri\u00e7\u00e3o feita, em 1789, por Moreau de Saint-M\u00e9ry:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>[\u2026] 793 engenhos de a\u00e7\u00facar, 3150 planta\u00e7\u00f5es de anil, 789 de algod\u00e3o, 3117 de caf\u00e9, 182 destilarias de cacha\u00e7a e outras aguardentes de cana, 36 f\u00e1bricas de tejolos e telhas, 6 f\u00e1bricas de curtumes, 370 fornas de cal, 29 olarias e 50 planta\u00e7\u00f5es de cacau, independentemente de um sem n\u00famero de outros estabelecimentos conhecidos [\u2026]<\/p><\/blockquote>\n<p>A parte inglesa das Antilhas, al\u00e9m de integrar-se de forma mais completa no projeto mercantilista ingl\u00eas, participar\u00e1 do com\u00e9rcio triangular com as col\u00f4nias norteamericanas, trocando a\u00e7\u00facar e mela\u00e7o por produtos manufaturados e rum, bem como consumia sucessivas levas de escravos africanos trazidos pelos comerciantes coloniais e metropolitanos.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93496 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor15.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"269\" height=\"237\" \/><strong>Engenho da Martinica<\/strong><\/p>\n<p><strong>As guianas seguiram o mesmo padr\u00e3o da conquista antilhana, por conta da incapacidade espanhola em efetivar o povoamento da costa Norte da Am\u00e9rica do Sul, dando origem \u00e0s tr\u00eas guianas \u2013 inglesa, holandesa e francesa:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Assim, entre o Orenoco e o Amazonas, toda uma frente costeira, por trai\u00e7\u00e3o da Espanha, demasiado longe da Am\u00e9rica, demasiado sobrecarregada de trabalhos na Europa, escapar\u00e1 no fim das contas e definitivamente aos Ib\u00e9ricos. O primeiro estabelecimento ingl\u00eas duradouro na Guiana \u2013 obra de Walter Raleigh \u2013 data de 1595; a primeira col\u00f4nia holandesa duradoura, de 1621, \u00e9 o forte \u201cKijk over all\u201d, numa ilha costeira. O forte Nassau data de 1624. Quanto aos Franceses, expulsos da Fran\u00e7a equinoxial, instalam-se na Cayenne em 1650, sob a \u00e9gide da Companhia do cabo do Norte. (CHAUNU, 1969, p. 111)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A Am\u00e9rica Francesa<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Fran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua hist\u00f3ria colonizadora na Am\u00e9rica, passara por um processo semelhante ao ingl\u00eas nas etapas iniciais:<\/strong>\u00a0fora retardat\u00e1ria, devido ao atraso em sua centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em compara\u00e7\u00e3o aos ib\u00e9ricos, bem como vacilante em suas iniciativas, ainda mais que os ingleses.<\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m tivera uma diferen\u00e7a b\u00e1sica em rela\u00e7\u00e3o aos ingleses que os aproximava dos ib\u00e9ricos:<\/strong>\u00a0a presen\u00e7a de mission\u00e1rios no Canad\u00e1, com o fito de catequizar os ind\u00edgenas, processo sempre incompleto.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o obstante o atraso na concretiza\u00e7\u00e3o de um projeto colonizador, os franceses n\u00e3o estiveram alheios \u00e0 expans\u00e3o mar\u00edtima ib\u00e9rica:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ali\u00e1s, Francisco I pediu para ver \u201ca cl\u00e1usula do testamento de Ad\u00e3o\u201d que, segundo o papado, o excluiu da partilha do mundo. Na verdade, por muito tempo faltaram \u00e0 Fran\u00e7a meios para montar um grande dispositivo comercial, e no s\u00e9culo XVI ningu\u00e9m teve realmente essa id\u00e9ia. Foi preciso que a guerra de corso se iniciasse para que Saint-Malo, Nantes etc. se lan\u00e7assem, mas v\u00e1rias d\u00e9cadas depois de Portugal e Espanha, e com menos determina\u00e7\u00e3o do que a Inglaterra. Foi preciso, sobretudo, que o Estado quisesse ter col\u00f4nias. (FERRO, 1996, p. 61)<\/p><\/blockquote>\n<p>Envolta pelas guerras religiosas e pelo conflito interno entre cat\u00f3licos e huguenotes, a Fran\u00e7a indispunha de energias para rivalizar com espanh\u00f3is e lusitanos nos empreendimentos coloniais americanos. Entretanto, no bojo da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e constru\u00e7\u00e3o do Estado absolutista, iniciativas foram tomadas, em parte decorrentes dos conflitos religiosos. Foi assim que entre 1555 e 1567 huguenotes chefiados por Nicolau de Villegagnon fundaram a Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica, destru\u00edda pelos portugueses. Expulsos da Ba\u00eda da Guanabara, tentaram ainda se estabelecer ao norte, no litoral maranhense, sendo igualmente repelidos pelos lusitanos.<\/p>\n<p>Seria na Am\u00e9rica do Norte, contudo que os franceses lograriam estabelecer-se. O est\u00edmulo inicial se dera pela pesca, praticada h\u00e1 tempos no Mar do Norte.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o somente pela pesca. Assim como os ingleses, os franceses intentaram descobrir uma passagem ao norte para o Pac\u00edfico, objetivando o contato com o Oriente asi\u00e1tico. Jacques Cartier, em 1535 descobre a rota do S\u00e3o Louren\u00e7o, via de penetra\u00e7\u00e3o para o interior continental. Entretanto Cartier n\u00e3o logrou estabelecer uma ocupa\u00e7\u00e3o duradoura na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Somente no reinado de Henrique IV (1589-1610), quando o absolutismo encontravase consolidado e a pol\u00edtica mercantilista tornara-se uma de suas bases de sustenta\u00e7\u00e3o, os franceses efetivaram sua presen\u00e7a em terras americanas. Samuel Champlain, em 1605, fundou Port-Royal no litoral atl\u00e2ntico e Quebec (1608), nas margens do rio S\u00e3o Louren\u00e7o. Entretanto, o povoamento significativo n\u00e3o se dera sen\u00e3o ap\u00f3s um longo per\u00edodo de relativo abandono, tendo o Estado pouco investido na coloniza\u00e7\u00e3o. Neste momento inicial prevalecia a pesca e o com\u00e9rcio com os nativos, fornecedores das peles negociadas na Europa. Em 1660, apenas 2000 colonos habitam as povoa\u00e7\u00f5es francesas da Nova Fran\u00e7a (CHAUNU, 1969, p. 113).<\/p>\n<p>Franciscanos e jesu\u00edtas encetaram o trabalho mission\u00e1rio durante o governo do cardeal Richelieu, dificultado pela resist\u00eancia nativa e pelos conflitos decorrentes.<\/p>\n<p>Os iroqueses, verdadeiros algozes dos franceses no Canad\u00e1, dificultaram maiores empreendimentos pelo interior.<\/p>\n<p>Um novo impulso na coloniza\u00e7\u00e3o ocorrera durante o reinado de Luis XIV, enquadrado na pol\u00edtica mercantilista desenvolvida por Colbert, secret\u00e1rio das finan\u00e7as.<\/p>\n<p>O Canad\u00e1 foi transformado em col\u00f4nia real, bem como medidas foram tomadas para aumentar a ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, que manteve-se por\u00e9m pequena, dispersa, ligada principalmente ao com\u00e9rcio de peles.<\/p>\n<p>Para estabelecer o comando metropolitano fora criado o governo geral, situado em Quebec, al\u00e9m do intendente (justi\u00e7a e finan\u00e7as) e um Conselho formado por representantes de Quebec, Montreal e Trois Rivi\u00e8res.<\/p>\n<p>Dera-se est\u00edmulo \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o para a Nova Fran\u00e7a. Entretanto, ao longo de todo o per\u00edodo colonial o povoamento mantivera-se diminuto e disperso.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93497 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor16.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"218\" height=\"230\" \/><strong>Jean Baptiste Colbert<\/strong><\/p>\n<p><strong>O com\u00e9rcio de peles incentivava expedi\u00e7\u00f5es pelos grandes rios do interior, sendo que nelas se descobrira o Mississipi, dando origem a uma nova zona de coloniza\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0a Louisiana.<\/p>\n<p>Na virada do s\u00e9culo XVII para o XVIII foram fundadas Biloxi e Mobille, n\u00facleos que atra\u00edram colonos para a regi\u00e3o. New Orleans, criada pela companhia organizada para a explora\u00e7\u00e3o da Louisiana, se tornou a capital desta col\u00f4nia. N\u00e3o obstante as iniciativas, a Louisiana permaneceu fracamente povoada (muitos dos que vieram eram engaj\u00e9s, ou engajados, servos brancos \u2013 por tr\u00eas anos \u2013 semelhantes aos existentes nas Treze Col\u00f4nias) e constantemente amea\u00e7ada pelos ataques de ind\u00edgenas, de espanh\u00f3is da Fl\u00f3rida e de colonos das Treze Col\u00f4nias que se chocavam com os franceses em sua expans\u00e3o para o interior.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o francesa, menos expressiva que a inglesa, sentira o peso dos conflitos contra os nativos, ao mesmo tempo em que se aliava a algumas na\u00e7\u00f5es nativas para atacarem os colonos ingleses.<\/p>\n<p>Foram constantes os choques e guerras na Am\u00e9rica do Norte, seguindo a l\u00f3gica da rivalidade franco-inglesa na Europa. Com a derrota na Guerra dos Sete Anos (1756-63) e a decorrente assinatura do Tratado de Paris, a coloniza\u00e7\u00e3o francesa na Am\u00e9rica iniciara seu ocaso, com a entrega do Canad\u00e1 e de diversas ilhas das Antilhas ao poderio ingl\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Os Holandeses na Am\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>Tradicionalmente ligados ao mar (os Pa\u00edses Baixos formam uma regi\u00e3o de aterramentos e diques), os holandeses, em sua luta pela independ\u00eancia frente \u00e0 Espanha, deram sua partida para a expans\u00e3o ultramarina.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Ib\u00e9rica (1580-1640) transformara as possess\u00f5es portuguesas em alvos primordiais para os holandeses, por conta de sua fragilidade. A Rep\u00fablica das Prov\u00edncias Unidas, institui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos Pa\u00edses Baixos, teve sua complementa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica nas Companhias das \u00cdndias Orientais e Ocidentais, que fizeram da primeira metade do s\u00e9culo XVII um per\u00edodo de hegemonia holandesa.<\/p>\n<p><strong>O lucro era seu \u00fanico objetivo:\u00a0<\/strong>\u201cQuando os holandeses se lan\u00e7am mundo afora, t\u00eam um projeto simples: ganhar dinheiro. Jesus Cristo est\u00e1 ausente de suas preocupa\u00e7\u00f5es, evangelizar n\u00e3o lhes interessa.\u201d (FERRO, 1996, p. 65)<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica os holandeses da Companhia das \u00cdndias Ocidentais atacam Salvador (1624) e conquistam parte do Nordeste, centrados em Pernambuco (1630-54). Ao Norte, ocuparam os espa\u00e7os entre os territ\u00f3rios das companhias de Londres e Plymouth, fundando o futuro n\u00facleo da cidade de Nova Yorque.<\/p>\n<p>O sucesso holand\u00eas estava escorado na fraqueza ib\u00e9rica moment\u00e2nea e no seu modelo de gest\u00e3o empresarial, visando unicamente o lucro, e dirigido pelas companhias do ocidente e oriente. Mas, quando tiveram que sustentar a implanta\u00e7\u00e3o do aparato colonial e defender-se da rea\u00e7\u00e3o dos colonos brasileiros, bem como da concorr\u00eancia do com\u00e9rcio ingl\u00eas, os holandeses perderam seu \u00edmpeto e foram for\u00e7ados a recuar para pequenos enclaves ao redor do mundo, terminando assim a fase \u00e1urea de seu desenvolvimento colonialista.<\/p>\n<p><strong>A Independ\u00eancia Norte-americana<\/strong><\/p>\n<p>Vimos que, ao longo do primeiro s\u00e9culo da coloniza\u00e7\u00e3o inglesa na Am\u00e9rica do Norte, os colonos tiveram autonomia para se desenvolverem e prosperarem por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos.<\/p>\n<p>O empreendimento colonial se dera muito mais pela atua\u00e7\u00e3o de companhias e particulares do que pelo empenho estatal. A come\u00e7ar pela defesa.<\/p>\n<p>Cada colono era respons\u00e1vel por salvaguardar suas terras e fam\u00edlia dos ataques ind\u00edgenas. Coletivamente, a defesa dos povoados e col\u00f4nias era realizada pelas mil\u00edcias organizadas pelos pr\u00f3prios colonos, que tantas vezes teriam que enfrentar as na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e os franceses (aliados ou n\u00e3o aos nativos). A presen\u00e7a das tropas inglesas era reduzida, somente se tornando mais constante a partir da Guerra dos Sete Anos.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente no segundo quartel do s\u00e9culo XVIII que a metr\u00f3pole se lan\u00e7ara com afinco no projeto de consolida\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio ultramarino, atrav\u00e9s de um controle mais r\u00edgido dos neg\u00f3cios e da vida coloniais.<\/p>\n<p><strong>Pierre Chaunu faz uma s\u00edntese do processo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ao imp\u00e9rio brit\u00e2nico, comunidade antiga mas realidade pol\u00edtica recente, falta o peso dos h\u00e1bitos duas vezes e meia seculares que actuam a favor do Imp\u00e9rio espanhol. No momento em que a Inglaterra procura dar-lhe um conte\u00fado mais preciso, as dificuldades surgem de todos os lados. Tanto mais que a Inglaterra est\u00e1 mais distante da Am\u00e9rica que a Am\u00e9rica da Inglaterra.<\/p>\n<p>O tempo, ademais, aumenta as dificuldades. Uma temtativa de imp\u00e9rio teria sido mais f\u00e1cil no s\u00e9culo XVII. Mas o s\u00e9culo XVII com sua vida econ\u00f4mica enfadonha n\u00e3o se prestava a tais constru\u00e7\u00f5es custosas. Entretanto, pouco a pouco a Am\u00e9rica inglesa individualiza-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Inglaterra.\u00a0<strong>De muitas maneiras:<\/strong>\u00a0o modo de vida, a dist\u00e2ncia, a fraca densidade das comunidades, a interrup\u00e7\u00e3o prematura da emigra\u00e7\u00e3o propriamente inglesa. A popula\u00e7\u00e3o anlgoamericana \u00e9, desde meados do s\u00e9culo XVIII, crioula em 97 ou 98%. Seu aumento \u00e9 essencialmente natural. Os novos emigrantes s\u00e3o na maioria alem\u00e3es, irlandeses, escoceses. (CHAUNU, 1969, p. 170)<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, quando a metr\u00f3pole intentara refor\u00e7ar os la\u00e7os com as col\u00f4nias \u2013 reverter sua \u201cNeglig\u00eancia Salutar\u201d \u2013 o projeto se mostrara anacr\u00f4nico. Pertence a um outro tempo.<\/p>\n<p>Os ventos do liberalismo iluminista do s\u00e9culo XVIII sopravam na Am\u00e9rica inglesa.<\/p>\n<p><strong>Processo facilitado por dois motivos:\u00a0<\/strong>primeiramente, o alto \u00edndice de alfabetiza\u00e7\u00e3o entre os colonos (pois todo bom protestante tinha que ler a B\u00edblia para concretizar sua religiosidade), derivado da cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino \u2013 Harvard e Yale, por exemplo \u2013; se junta a isto a aus\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es restritivas como a Inquisi\u00e7\u00e3o, presente nas terras da Am\u00e9rica espanhola.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0s obras iluministas, portanto era aberto.<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m da influ\u00eancia das id\u00e9ias iluministas, havia um conjunto de fatores que impulsionaram os colonos \u00e0 independ\u00eancia:<\/strong>\u00a0senso de autonomia, liberdade religiosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja Anglicana, heterogeneidade de povoamento, resist\u00eancia \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es fiscais\u2026<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo XVIII, os encargos coloniais, bem como a fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle sobre o contrabando, foram aumentados.<\/p>\n<p>As guerras e conflitos geravam despesas que a metr\u00f3pole intentava compartilhar com as col\u00f4nias. O Estado ingl\u00eas sa\u00edra vitorioso, por\u00e9m endividado, da Guerra dos Sete Anos.<\/p>\n<p>O Parlamento brit\u00e2nico queria dividir com as col\u00f4nias o custo de 400 mil libras anuais que as tropas inglesas na Am\u00e9rica acarretavam.<\/p>\n<p><strong>Para os colonos, eliminado o perigo franc\u00eas do Canad\u00e1, pagar a conta parecia indigesto:\u00a0<\/strong>tinham que \u201cpagar por um ex\u00e9rcito que, a rigor, estava ali para polici\u00e1-los.\u201d (KARNAL, 2001, p. 71) Acreditavam que, pelo contr\u00e1rio, sem a presen\u00e7a francesa ao Norte n\u00e3o careciam das tropas inglesas para segura-las.<\/p>\n<p>Mas, sem voz no Parlamento ingl\u00eas, viram encargos sendo criados sem contrapartidas. A Lei do A\u00e7\u00facar (1764) reduzira o imposto sobre o mela\u00e7o estrangeiro, ao mesmo tempo em que estabelecia impostos adicionais sobre v\u00e1rios produtos. Fora criada uma corte na Nova Esc\u00f3cia com jurisdi\u00e7\u00e3o sobre as Treze Col\u00f4nias para puni\u00e7\u00e3o dos que burlassem o fisco, o que prejudicava o tradicional com\u00e9rcio triangular dos colonos. A corte estava enquadrada no \u00e2mbito da pol\u00edtica mercantilista revigorada.<\/p>\n<p>Houve rea\u00e7\u00e3o. Para os colonos, imbu\u00eddos pelo princ\u00edpio ingl\u00eas de que \u201ctaxa\u00e7\u00e3o sem representa\u00e7\u00e3o \u00e9 ilegal\u201d, protestaram, al\u00e9m de boicotar artigos importados da Inglaterra.<\/p>\n<p>Iniciava-se o processo de contesta\u00e7\u00e3o-rompimento. Desejavam os colonos co-participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es do imp\u00e9rio. N\u00e3o foram atendidos, por\u00e9m os protestos obrigaram a revoga\u00e7\u00e3o da Lei dois anos depois.<\/p>\n<p><strong>Entretanto n\u00e3o impedira que mais leis restritivas e taxativas fossem criadas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Mesmo antes, em 1763, o rei declarara a proibi\u00e7\u00e3o do acesso dos colonos a diversas \u00e1reas entre os Apalaches e o Mississipi, reconhecendo a soberania ind\u00edgena sobre a regi\u00e3o, numa tentativa de apaziguar os nativos. Isto feria diretamente os interesses dos colonos comerciantes de peles e produtores de tabaco, interessados na expans\u00e3o da \u00e1rea de cultivo.<br \/>\nLei da Moeda (1764), que proibia a emiss\u00e3o de pap\u00e9is de cr\u00e9dito, o que prejudicava o com\u00e9rcio.<br \/>\nLei do Selo (1765), que obrigava a utiliza\u00e7\u00e3o de selo em qualquer documento, jornais ou contratos nas col\u00f4nias, afetando a todos os setores da sociedade colonial, principalmente os comerciantes. A oposi\u00e7\u00e3o radical \u00e0 Lei criou o in\u00edcio da resit\u00eancia organizada das Treze Col\u00f4nias, conseguindo novamente a revoga\u00e7\u00e3o da Lei, em 1766.<br \/>\nAtos Townshend (1767), como ficaram conhecidas as leis que taxavam a importa\u00e7\u00e3o de diversos produtos de consumo, al\u00e9m de criavam os Tribunais Alfandeg\u00e1rios que aumentaram a fiscaliza\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o, principalmente em Boston, fora reprimida, ocorrendo o denominado Massacre de Boston (1770).<br \/>\nLei do Ch\u00e1 (1773), que garantia o monp\u00f3lio do com\u00e9rcio de ch\u00e1 para a Cia. das \u00cdndias Orientais, contrariando os interesses coloniais. Novamente em Boston a rea\u00e7\u00e3o dos colonos gerara incidentes como a Boston Tea Party, quando uma carga de ch\u00e1 fora lan\u00e7ada ao mar.<br \/>\nLeis Intoler\u00e1veis (1774), impostas ap\u00f3s a manifesta\u00e7\u00e3o do Porto de Boston, interditavam o porto da cidade, bem como convertiam Massachussets em col\u00f4nia real, maximizando o poder do governador indicado por George III.<br \/>\nAto de Quebec (1774), que impedia que as col\u00f4nias de Massachussets, Virg\u00ednia, Connecticut e Pensilv\u00e2nia ocupassem terras \u00e0 oeste.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93498 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor17.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"273\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor17.jpg 273w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor17-110x75.jpg 110w\" sizes=\"(max-width: 273px) 100vw, 273px\" \/><strong>Massacre de Boston<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93499 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor18.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"294\" height=\"256\" \/><\/strong><strong>Os patriotas se organizando: mulheres fazendo boicote<\/strong><\/p>\n<p>Todas estas medidas serviram para unificar diversos grupos de interesses nas col\u00f4nias frente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o inglesa. Clubes de radicais formavam comit\u00eas que discutiam a indepand\u00eancia, enquanto moderados preferiam a manuten\u00e7\u00e3o do status quo, em movimentos concilliat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A partir de 1774, os anglo-americanos, divididos entre partid\u00e1rios da separa\u00e7\u00e3o e os defensores da concilia\u00e7\u00e3o (temerosos da participa\u00e7\u00e3o popular no movimento, o que amea\u00e7ava seus privil\u00e9gios), organizaram o Primeiro Congresso Continental, em Filad\u00e9lfia, um dos mais importantes centros das col\u00f4nias. Era chegada a hora de unificar as dissid\u00eancias para sanar o impasse metr\u00f3pole-col\u00f4nias.<\/p>\n<p>Representantes das Treze Col\u00f4nias (exceto da Ge\u00f3rgia) elaboraram uma peti\u00e7\u00e3o ao rei protestando contra as medidas metropolitanas.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o inglesa fora aumentar os efetivos ingleses, gerando atritos com os grupos patriotas. Em Lexington e Concord ocorreram os primeiros choques (1775), dando in\u00edcio \u00e0 Guerra de Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste mesmo ano reunira-se o Segundo Congresso Continental de Filad\u00e9lfia, contando com a presen\u00e7a de todas as col\u00f4nias, que enviaram l\u00edderes seus mais destacados l\u00edderes, como Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, Samuel Adams etc.<\/p>\n<p><strong>Enquanto debatiam a situa\u00e7\u00e3o de rebeldia, um folheto intitulado Commom Sense, escrito por Thomas Paine deu corpo \u00e0s id\u00e9ias e protestos anti-metropolitanos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A Inglaterra \u00e9, apesar de tudo, a p\u00e1tria m\u00e3e, dizem alguns. Sendo assim, mais vergonhosa resulta sua conduta, porque nem sequer os animais devoram suas crias nem fazem os selvagens guerras a suas fam\u00edlias; de modo que este fato volta-se ainda mais para a condena\u00e7\u00e3o da Inglaterra [\u2026] Europa \u00e9 nossa p\u00e1tria m\u00e3e, n\u00e3o a Inglaterra. Com efeito, este novo continente foi asilo dos amantes perseguidos da liberdade civil e religiosa de qualquer parte da Europa [\u2026] a mesma tirania que obrigou aos primeiros imigrantes a deixar o pa\u00eds, segue perseguindo a seus descendentes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Gradualmente, os elementos resistentes tiveram que ceder \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia (tendo Thomas Jefferson como principal autor), finalmente redigida em 4 de julho de 1776 \u2013 data c\u00edvica m\u00e1xima para os norte-americanos. Estava aberta a luta completa pela independ\u00eancia, que seria dirigida por George Washington, rico propriet\u00e1rio de terras e comandante miliciano.<\/p>\n<p>Foi criado o Ex\u00e9rcito Continental, chefiado por Washington, que juntamente com as mil\u00edcias combatera as tropas inglesas.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia<\/strong>\u00a0fora recebida com entusiasmo pela maioria dos colonos. A est\u00e1tua do rei George III foi derrubada pela popula\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica de Nova Yorque. Por\u00e9m, ao deixar de fora do texto (ver mais a frente a se\u00e7\u00e3o Hist\u00f3ria atrav\u00e9s de documentos) qualquer refer\u00eancia sobre a escravid\u00e3o, exig\u00eancia dos aristocratas escravistas do Sul, exclu\u00eda de seus princ\u00edpios liberais cerca de um sexto da popula\u00e7\u00e3o ( perto de 500 mil escravos e 2.5 milh\u00f5es de homens livres). A soberania popular, ess\u00eancia da Declara\u00e7\u00e3o, n\u00e3o era para todos.<\/p>\n<p>Declerar a independ\u00eancia era apenas uma das etapas de luta patriota. Organizar a combate conjunto aos (13) Estados Unidos (termo de 1776) contra as for\u00e7as inglesas mostrara-se mais complicado.<\/p>\n<p>O apego \u00e0 autonomia e o medo de uma revolu\u00e7\u00e3o popular fizeram-se presentes, dificultando o andamento da Guerra.<\/p>\n<p><strong>Para conduzir o conflito e sistematizara a uni\u00e3o entre os Estados, entre 1778- 88 vigorou a Confedera\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>ou seja, n\u00e3o havia um governo central forte, mas uma inst\u00e2ncia que deveria reunir e analisar as vontades e interesses dos 13 estados. Tal inst\u00e2ncia era chamada de Congresso Continental, o qual tomava decis\u00f5es baseadas num conjunto de normas chamado de Artigos da Confedera\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o podia deixar de ser, tal arranjo criou alguns problemas: alguns estados tinham sua pr\u00f3pria mil\u00edcia, outros cunhavam a sua pr\u00f3pria moeda, outros ainda comercializavam com quem queriam de acordo com interesses particulares. Era ent\u00e3o um pa\u00eds ou 13 pa\u00edses.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93500 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor19.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"195\" height=\"268\" \/><strong>A derrubada da est\u00e1tua de George III<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta da Prof\u00aa. Mary Junqueira \u00e9 realmente pertinente. Apenas foi respondida pelos estadunidenses ao longo do s\u00e9culo XIX, no processo de cosntru\u00e7\u00e3o do Estado nacional.<\/p>\n<p>Mas antes era preciso derrotar os ingleses\u2026<\/p>\n<p>A Guerra, que durou seis anos, come\u00e7ou com uma s\u00e9rie de vit\u00f3rias inglesas.<\/p>\n<p><strong>Os desencontros entre o Ex\u00e9rcito Continental e as mil\u00edcias, que relutavam em seguir os generais sob comando de Washington, foram sintetizados pelo mesmo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Se, para todos os efeitos, tiv\u00e9ssemos um ex\u00e9rcito, ou treze ex\u00e9rcitos aliados para a defesa comum, n\u00e3o haveria dificuldades em resolver a quest\u00e3o que me p\u00f5em [sobre as promo\u00e7\u00f5es militares], mas, se umas vezes somos ambas as coisas, n\u00e3o andarei longe da verdade se disser que outras vezes n\u00e3o somos nenhuma delas, mas uma am\u00e1lgama de ambas.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o obstante as dificuldades internas, a Guerra come\u00e7ou a pender para os norteamericanos entre 1777 (com a vit\u00f3ria dos patriotas em Saratoga, primeira grande batalha do conflito) e 1778-9 (quando a Fran\u00e7a, depois a Espanha, passaram a apoiar os estadunidenses). A Fran\u00e7a enviara homens, armas e mantimentos, bem como combatia a Marinha brit\u00e2nica juntamente com os cors\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00e3o podia a Inglaterra combater do outro lado do Atl\u00e2ntico contra tantos inimigos. O decisivo apoio do poderio naval franc\u00eas na derrota das tropas do general Cornwallis, em Yorktown (costa da Virg\u00ednia), selou o fim da resist\u00eancia inglesa.<\/p>\n<p>Tratava-se, agora, de acordar a paz. Em Versalhes, foi celebrada a Paz de Paris (1783), quando ficaram reconhecidas a independ\u00eancia, a liberdade e soberania das ex- Treze Col\u00f4nias sobre o territ\u00f3rio do Oeste at\u00e9 o Mississipi, ao Sul at\u00e9 a Fl\u00f3rida, recuperada pela Espanha e ao Norte at\u00e9 os Grandes Lagos. A Fran\u00e7a conseguiu ficar com algumas ilhas inglesas nas Antilhas (e uma enorme d\u00edvida, uma das origens da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa). Entretanto, agora os Estados Unidos deveriam solucionar seus conflitos internos no bojo do processo de constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o norte-americana.<\/p>\n<p>Conclu\u00edda a Paz, os impasses vislumbrados entre o Congresso Continental e os estados continuavam.<\/p>\n<p>O fraco poder confederado do Congresso impedia um avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o de estruturas pol\u00edtico-administrativas nacionais. N\u00e3o havia ainda na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta fora uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que levaria quase um s\u00e9culo para se afirmar.<\/p>\n<p>O per\u00edodo da Confedera\u00e7\u00e3o foi um ponto cr\u00edtico na hist\u00f3ria do rec\u00e9m criado pa\u00eds. A anarquia de interesses dos diversos estados precisava ser equacionada, sob risco de completa fragmenta\u00e7\u00e3o. Em 25 de maio de 1787, reuniram-se em Filad\u00e9lfia as figuras mais ilustres dos estados. Apenas Rhode Island n\u00e3o enviou representantes. Os 55 delegados elegeram George Washington como presidente da Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era chegada a hora de discutir uma Constitui\u00e7\u00e3o. Na Conven\u00e7\u00e3o, o embate entre confederados e federalistas dera o tom \u2013 poder local versus centralizado.<\/p>\n<p>O texto constitucional redigido, onde prevalecera o esp\u00edrito federalista, precisava de aprova\u00e7\u00e3o. Os federalistas, mais organizados e fortes junto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica (tinham a imprensa ao seu lado), \u201crejeitavam a participa\u00e7\u00e3o popular na pol\u00edtica, pois temiam \u2018um caos\u2019, \u2018uma anarquia\u2019 ou se estabelecesse uma \u2018irrevers\u00edvel desordem\u2019\u201d (JUNQUEIRA, 2001, p. 26). Seu projeto sa\u00edra vencedor, tendo a Constitui\u00e7\u00e3o, que recebera poucas emendas, ratificada, em 13 de setembro de 1788, por 11 estados. Desde sua reda\u00e7\u00e3o at\u00e9 1992, a Constitui\u00e7\u00e3o norte-americana tinha recebido apenas 27 emendas, em flagrante contraste com as constitui\u00e7\u00f5es latino-americanas, constantemente refeitas e emendadas. Isto se deve ao fato de que o texto constitucional dos EUA \u00e9 baseado em princ\u00edpios, o que lhe d\u00e1 maior flexibilidade e por isso pouco necessita ser reformado.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93501 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor20.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"309\" height=\"187\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor20.jpg 309w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor20-300x182.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/strong><strong>Assinatura da Constitui\u00e7\u00e3o Norte-Americana<\/strong><\/p>\n<p>Um dos documentos mais importantes da hist\u00f3ria pol\u00edtica contempor\u00e2nea, a Constitui\u00e7\u00e3o norte-americana estabeleceu um poder central (Executivo), chefiado pelo presidente eleito, com fun\u00e7\u00f5es que incluem regulamenta\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, cunhagem de moedas, controle das terras p\u00fablicas e manuten\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas nacionais.<\/p>\n<p><strong>O poder Legislativo ficara a cargo de duas assembl\u00e9ias:\u00a0<\/strong>a C\u00e2mara dos Deputados e o Senado. O Judici\u00e1rio, a n\u00edvel federal, \u00e9 representado por uma Suprema Corte (important\u00edssima na cultura pol\u00edtica dos EUA, pois \u00e9 ela a respons\u00e1vel por interpretar os princ\u00edpios da Constitui\u00e7\u00e3o, decidindo o que \u00e9 ou n\u00e3o constitucional).<\/p>\n<p>A soberania popular era efetivamente limitada pelo voto censit\u00e1rio, pois apenas os homens que possu\u00edam determinada renda \u2013 em terras ou investimentos \u2013 poderiam votar ou serem eleitos (AQUINO, 2000, pp. 193-4). Isto exclu\u00eda a maioria da popula\u00e7\u00e3o, sem contar os escravos, obviamente ausentes da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>O sistema eleitoral estabelecido vigora at\u00e9 hoje:\u00a0<\/strong>os eleitores votam em delegados do seu estado, que por sua vez escolhem o presidente. Assim, a elei\u00e7\u00e3o \u00e9 indireta.<\/p>\n<p>Mesmo vencidos, os antifederalistas conseguiram a aprova\u00e7\u00e3o da famosa Bill of Rights (Declara\u00e7\u00e3o de Direitos), que garantia alguns direitos civis, como as liberdades de express\u00e3o, de reuni\u00e3o, de imprensa, de f\u00e9 religiosa, bem como a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado.<\/p>\n<p>Como parecia natural, o primeiro presidente foi George Washington (eleito para dois mandatos \u2013 1789-97), pois era uma figura de prest\u00edgio pelo comando durante a Guerra, capaz de dar um sentimento de unidade ao poder Executivo. Juntamente com Washington, outras personalidades como Thomas Jefferson (eleito presidente de 1801 a 1809) figuram no pante\u00e3o c\u00edvico norte-americano como os \u201cPais Fundadores\u201d (Founding Fathers) da na\u00e7\u00e3o. Verdadeiros \u00eddolos p\u00fablicos, tinham seus feitos ligados aos \u201cPais Pelegrinos\u201d, como se fossem seus herdeiros diretos, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito de uni\u00e3o da comunidade norte-americana.<\/p>\n<p>Assim como Winthrop, abordo do Arbela, tinha estabelecido um pacto de uni\u00e3o entre os puritanos, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX os \u201cPais Fundadores\u201d seriam os respons\u00e1veis pela consolida\u00e7\u00e3o da comunidade WASP dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Como aqueles que pretendiam fundar a \u201cNova Jerusal\u00e9m\u201d, estes desejavam fundar uma \u201cNova Roma\u201d, evocando os virtuosos princ\u00edpios republicanos da antiguidade romana (\u00e9 ilustrativo disto a arquitetura neocl\u00e1ssica das institui\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas da pol\u00edtica dos EUA, a Casa Branca e o Capit\u00f3lio \u2013 como \u00e9 chamado o pr\u00e9dio do Congresso). Era necess\u00e1rio romper com a tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica inglesa para legitimar o novo regime \u2013 a Rep\u00fablica \u2013 e foi Roma o referencial escolhido.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93502 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor21.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"342\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor21.jpg 342w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor21-300x152.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><strong>Casa Branca<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93503 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor22.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica\" width=\"302\" height=\"196\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor22.jpg 302w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/histor22-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/>Capit\u00f3lio<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Mas a concretiza\u00e7\u00e3o deste am\u00e1lgama sobre a sociedade norte-americana n\u00e3o fora autom\u00e1tica. A heterogeneidade regional, social, econ\u00f4mica e religiosa tinha que ser minimizada frente aos valores comuns a todos, e estes s\u00f3 poderiam ser c\u00edvicos \u2013 n\u00e3o \u00e9 por acaso que o nacionalismo dos EUA \u00e9 considerado por seus historiadores como um nacionalismo c\u00edvico (ver CHASTEEN, 2001, p. 179).<\/p>\n<p><strong>A Expans\u00e3o para o Oeste<\/strong><\/p>\n<p>Primeiramente, os EUA deviam resolver os problemas relacionados ao povoamento de suas fronteiras.<\/p>\n<p><strong>As quest\u00f5es fronteiri\u00e7as j\u00e1 figuravam no per\u00edodo da Confedera\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>em 1787, o Estatuto (ou Ordena\u00e7\u00f5es) do Noroeste deu corpo jur\u00eddico ao estabelecer que nenhum Estado poderia constituir col\u00f4nias nas terras do Oeste, consideradas territ\u00f3rios federais at\u00e9 que estes atingissem determinada quantidade de eleitores, quando ent\u00e3o se transformariam em Estados e seriam admitidos \u00e0 uni\u00e3o com os mesmos direitos dos Treze Estados origin\u00e1rios. (AQUINO, 2000, p. 192)<\/p>\n<p>Pois, caso contr\u00e1rio, se um dos estados j\u00e1 existentes apenas incorporasse novas terras e popula\u00e7\u00f5es poderiam desequilibrar a Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este mecanismo de inclus\u00e3o dos novos estados possibilitou a expans\u00e3o para o Oeste, que caracterizaria a primeira metade do s\u00e9culo XIX norte-americano.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o do Oeste aparece como um nexo que interliga os problemas centrais para os EUA da \u00e9poca:<\/strong>\u00a0a inclus\u00e3o dos homens de fronteira no sistema pol\u00edtico, e a delicada tem\u00e1tica da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro tivera solu\u00e7\u00e3o a partir do Estatuto do Noroeste.<\/p>\n<p><strong>Atrav\u00e9s dele novos estados foram sendo anexados:<\/strong>\u00a0\u201cVermont foi o 14\u00b0 estado a entrar para a Uni\u00e3o, em 1791. O Kentucky tornou-se o 15\u00b0 estado, em 1792, e Ohio, o 16\u00b0 estado dos Estados Unidos, em 1803\u201d (JUNQUEIRA, 2001, p. 41). A expans\u00e3o para o Oeste esbarrava na exist\u00eancia da Louisiana, pertencente \u00e0 Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o foi compr\u00e1-la da Fran\u00e7a napole\u00f4nica em 1803. Apenas a Guerra contra a Inglaterra entre 1812-14 distra\u00edra os norte-americanos em sua expans\u00e3o. Terminada com a vit\u00f3ria dos EUA, novos territ\u00f3rios foram criados na extensa \u00e1rea da Louisiana, que ap\u00f3s completarem os 60 mil habitantes requeridos pela lei, tornaram-se estados federados \u00e0 Uni\u00e3o. Ao Sul, a Fl\u00f3rida, ainda sob dom\u00ednio espanhol, foi comprada em 1822.<\/p>\n<p>Tendo em vista que a maioria dos colonos que se fixavam nos territ\u00f3rios de fronteira era composta por propriet\u00e1rios descapitalizados, o voto censit\u00e1rio impediria por muito tempo a inclus\u00e3o de tais territ\u00f3rios como novos estados. A sa\u00edda fora universalizar o voto a todos os homens livres. Este processo pode ser denominado como \u201cdemocracia jacksoniana\u201d (HOBSBAWM, 1977, p. 129), pois Andrew Jackson, comandante militar de prest\u00edgio e nascido no Oeste, baseava seu apoio pol\u00edtico nos rec\u00e9m-criados estados (ele se tornou o primeiro governador da Fl\u00f3rida). Com o aux\u00edlio dos homens da fronteira, Jackson consagrouse presidente dos EUA por dois mandatos seguidos (1829-37).<\/p>\n<p>Sua defesa da democracia alargada revolucionou a pol\u00edtica norte-americana. Por mais que alguns estados mantivessem o voto censit\u00e1rio, os novos ventos da democracia universal sopravam os EUA rumo ao posto de vanguarda da pol\u00edtica democr\u00e1tica, processo em consolida\u00e7\u00e3o no Ocidente entre fins do s\u00e9culo XIX e a primeira metade do XX.<\/p>\n<p><strong>A postura igualit\u00e1ria de Jackson enquadrava-se no que seria um mito norte-americano:<\/strong>\u00a0a valoriza\u00e7\u00e3o do homem comum, que, pelo seu trabalho, conseguia prosperar, pois o Oeste era visto como a terra das possibilidades, onde \u2013 ap\u00f3s o exterm\u00ednio ou a expuls\u00e3o dos ind\u00edgenas \u2013 tudo poderia ser realizado.<\/p>\n<blockquote><p>A pol\u00edtica adotada por Jackson foi dirigida em benef\u00edcio do pequeno propriet\u00e1rio, estimulando a mobilidade social e o esp\u00edrito individualista. Era o tempo da valoriza\u00e7\u00e3o do self made man, imagem t\u00e3o celebrada nos Estados Unidos desde ent\u00e3o. (JUNQUEIRA, 2001, p. 46)<\/p><\/blockquote>\n<p>Na expans\u00e3o para o Oeste era inevit\u00e1vel o choque com as na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Apenas eliminando a amea\u00e7a ind\u00edgena os colonos (em sua \u00f3tica) poderiam desenvolver a civiliza\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios abertos pelo avan\u00e7o do povoamento no centro do continente.<\/p>\n<p><strong>A imagem dos conflitos entre brancos e \u00edndios ficou imortalizada pelas produ\u00e7\u00f5es hollywoodianas, dando origem a um novo g\u00eanero cinematogr\u00e1fico:\u00a0<\/strong>o faroeste.<\/p>\n<p>Jackson, defensor dos pequenos propriet\u00e1rios do Oeste, quando presidente, estabeleceu o Indian Removal Act (Ato de Remo\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena \u2013 1830) que for\u00e7ou a remo\u00e7\u00e3o de milhares de \u00edndios para reservas longe (por enquanto) dos territ\u00f3rios pretendidos pelos colonizadores da regi\u00e3o do Mississipi. Aos resistentes, a cavalaria norte-americana travava duros combates, exterminando tribos inteiras.<\/p>\n<p>O contraste entre os ind\u00edgenas, considerados \u201cselvagens\u201d, portanto impossibilitados de serem integrados \u00e0 sociedade dos EUA, e o homem branco, tido como realizador de uma nova sociedade no interior continental, davam uma id\u00e9ia de superioridade marcante aos norte-americanos. Como vimos desde o per\u00edodo colonial havia a concep\u00e7\u00e3o de que os colonos tinham vindo para a Am\u00e9rica fundar um novo mundo, distinto da velha Europa. No s\u00e9culo XIX, esta \u00f3tica seria sistematizada na Doutrina do Destino Manifesto (fundamental para entender a l\u00f3gica imperialista dos EUA em pleno s\u00e9culo XXI), express\u00e3o cunhada pelo jornalista John O\u2019Sullivan (JUNQUEIRA, 2001, p. 50). Os estadunidenses acreditavam que tinham o direito, concedido por Deus, de tomar todo o territ\u00f3rio continental da Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Sua civiliza\u00e7\u00e3o, considerada superior, tinha o direito de expulsar ind\u00edgenas e depois os mexicanos, pois sua miss\u00e3o era ser o grande farol que iluminaria toda a humanidade.<\/p>\n<p>Assim, resolvidos os entraves ind\u00edgenas, os norte-americanos, em sua expans\u00e3o desenfreada, chegaram \u00e0s terras mexicanas na d\u00e9cada de 1830. Colonos fundaram uma \u201crep\u00fablica independente\u201d no Texas, territ\u00f3rio mexicano. Posteriormente decidiram anexarse aos EUA, provocando a guerra contra o M\u00e9xico (1846-8). O resultado de uma luta desigual foi a tomada de metade do territ\u00f3rio mexicano pelos EUA, terminando a expans\u00e3o rumo ao Oeste, com a chegada \u00e0 costa do Pac\u00edfico e a posterior cria\u00e7\u00e3o de diversos estados norteamericanos. A descoberta de ouro na Calif\u00f3rnia levaria \u00e0 Corrida do Ouro, que se tornara uma febre na d\u00e9cada de 1850, estimulando o povoamento.<\/p>\n<p><strong>Agora, as aten\u00e7\u00f5es voltaram-se para o Norte:<\/strong>\u00a0o Oregon, disputado com os ingleses e o Alasca, territ\u00f3rio Russo, foram incorporados mediante acordos nas d\u00e9cadas de 1840 e 1860.<\/p>\n<p>Estava consolidada a plataforma continental dos EUA.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do Oeste, como dito, tamb\u00e9m abarcava a tem\u00e1tica sens\u00edvel da escravid\u00e3o. O problema girava em torno da expans\u00e3o ou n\u00e3o da escravid\u00e3o para os novos estados criados.<\/p>\n<p>A maioria deste decidira pela ado\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, fazendo pender a balan\u00e7a de poder para o Sul, no \u00e2mbito do Congresso Nacional.<\/p>\n<p><strong>Estavam em choque diferentes modelos econ\u00f4micosociais:\u00a0<\/strong>o Norte, onde vigoravam o trabalho assalariado e as manufaturas, tinha seus homens de neg\u00f3cios defendendo o fim da escravid\u00e3o, objetivando a expans\u00e3o do mercado consumidor; j\u00e1 o Sul, essencialmente agroexportador (o algod\u00e3o norte-americano foi essencial para a industrializa\u00e7\u00e3o inglesa) e escravista, tinha uma aristocracia conservadora ciosa de seus direitos e ressentida pelo endividamento frente aos nortistas que a financiavam, al\u00e9m das diverg\u00eancias alfandeg\u00e1rias entre eles.<\/p>\n<p>O impasse fora decidido pela sorte das armas.<\/p>\n<p><strong>A Guerra Civil Norte-americana<\/strong><\/p>\n<p>A Guerra Civil, conhecida tamb\u00e9m como Guerra de Secess\u00e3o, foi um dos eventos mais marcantes da hist\u00f3ria dos EUA. O pa\u00eds quase se dividiu em dois. O aumento do poderio sulista, ao mesmo tempo em que crescia no Norte o movimento abolicionista, polarizava os debates no Congresso. Desde 1808, o tr\u00e1fico de africanos estava proibido. Por\u00e9m, al\u00e9m do contrabando persistir, o sistema escravista dos EUA era baseado na reprodu\u00e7\u00e3o interna, atrav\u00e9s dos filhos dos escravos.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Abraham Lincoln (do Estado de Illinois), em 1860, foi um duro golpe para os sulistas, pois seu Partido Republicano defendia a aboli\u00e7\u00e3o. A tens\u00e3o chegara ao limite, levando 11 estados sulistas a se separarem da Uni\u00e3o e formarem uma nova Confedera\u00e7\u00e3o (Estados Confederados da Am\u00e9rica).<\/p>\n<p>O conflito se iniciara em abril de 1861, por\u00e9m apesar de diversas vit\u00f3rias da Confedera\u00e7\u00e3o, o Norte saiu vitorioso, quatro anos depois \u2013 9 de abril de 1865, sendo que o presidente Lincoln foi assassinado quatro dias ap\u00f3s, por um simpatizante sulista. Sua popula\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 do Sul (22 contra 9 milh\u00f5es, respectivamente), seu desenvolvimento industrial (que facilitara a produ\u00e7\u00e3o voltada para a Guerra), suas facilidades de transporte pelas estradas de ferro e o bloqueio da costa sulina, que estrangulava a exporta\u00e7\u00e3o e impedia a importa\u00e7\u00e3o de material b\u00e9lico foram decisivos.<\/p>\n<p>No bojo do conflito a aboli\u00e7\u00e3o foi decretada \u2013 1862 \u2013 mas a igualdade pol\u00edtica entre brancos e negros n\u00e3o garantiu a igualdade social, nem o fim do racismo. A na\u00e7\u00e3o, reintegrada politicamente com a volta dos Confederados \u00e0 Uni\u00e3o, permanecia dividida racialmente, como ainda o \u00e9 nos dias de hoje.<\/p>\n<p>A Guerra, que causara mais de 620 mil mortes, acabou por modernizar os EUA, pois o conflito contribu\u00edra para o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e industrial do Norte. Ap\u00f3s o conflito, a burguesia nortista passara a investir tamb\u00e9m na moderniza\u00e7\u00e3o do Sul, em processo de reconstru\u00e7\u00e3o de sua economia, duramente afetada pelo conflito.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o do contingente oriundo da escravid\u00e3o no mercado consumidor tamb\u00e9m serviu de catalisador do capitalismo norte-americano, que terminaria o s\u00e9culo XIX como um dos mais pr\u00f3speros e importantes do mundo.<\/p>\n<p><strong>Os EUA em Fins do S\u00e9culo XIX<\/strong><\/p>\n<p>Os Estados Unidos da Am\u00e9rica conheceram um grande desenvolvimento ao longo de seu primeiro s\u00e9culo e meio de exist\u00eancia. A come\u00e7ar pela expans\u00e3o territorial, que multiplicara seu territ\u00f3rio em cerca de 11 vezes (JUNQUEIRA, 2001, p. 39). A popula\u00e7\u00e3o crescera t\u00e3o espetacularmente quanto o territ\u00f3rio, por conta do forte movimento imigrat\u00f3rio ao longo do s\u00e9culo XIX e da elevada taxa de natalidade. J\u00e1 entre 1790 e 1820, a popula\u00e7\u00e3o norte-americana passou de 3.929.214 para 9.638.453<\/p>\n<p><strong>Os imigrantes na segunda metade do s\u00e9culo chegavam em massa:\u00a0<\/strong>\u201c2,4 milh\u00f5es na d\u00e9cada de 1870 e 5,3 milh\u00f5es na d\u00e9cada de 1880\u201d.<\/p>\n<p><strong>E o n\u00famero de imigrantes n\u00e3o parou de crescer, pois a partir de 1880, os EUA instalaram na Europa ag\u00eancias para atrair imigrantes que foram incorporados nas manufaturas em expans\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>entre 1880 e 1920, os Estados Unidos receberam perto de 22 milh\u00f5es de imigrantes \u2013 asi\u00e1ticos, russos, judeus, tchecos, h\u00fangaros, poloneses, s\u00e9rvios, croatas, romenos, gregos e 7um grande contingente de italianos. Foram o pa\u00eds das Am\u00e9ricas a receber o maior n\u00famero de imigrantes nessa \u00e9poca. (JUNQUEIRA, 2001, p. 119)<\/p><\/blockquote>\n<p>Todo este movimento migrat\u00f3rio contribuiu para a diversidade cultural norte-americana, uma das marcas daquele pa\u00eds. Uma cultura voltada para o progresso, para a expans\u00e3o (eram a terra das oportunidades), onde o esp\u00edrito capitalista protestante transformara uma sociedade agr\u00e1ria do s\u00e9culo XVIII em uma pot\u00eancia industrial ao longo do XIX.<\/p>\n<p>O desenvolvimento manufatureiro j\u00e1 havia sido observado em tempos coloniais (pequeno \u00e9 verdade, muito aqu\u00e9m da agricultura), por\u00e9m foi no s\u00e9culo seguinte \u00e0 independ\u00eancia que o processo se consolidara.<\/p>\n<p>J\u00e1 na primeira metade do XIX, os EUA cresciam com uma rapidez assombrosa, ocupando, por volta de 1850, o quinto lugar no mundo como pot\u00eancia manufatureira (BANDEIRA, 1998, p. 16).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a Guerra de Secess\u00e3o, os norte-americanos experimentaram um grandioso desenvolvimento econ\u00f4mico. O conflito acelerara a industrializa\u00e7\u00e3o, bem como a necessidade de incorporar as terras do Oeste de fato, ligando o pa\u00eds pelas estradas de ferro. Ao longo da d\u00e9cada de 1860, foi constru\u00edda uma grande ferrovia que ia da costa do Atl\u00e2ntico \u00e0 do Pac\u00edfico. E a constru\u00e7\u00e3o das ferrovias, ao mesmo tempo em que integrava mais terras e popula\u00e7\u00f5es aos circuitos comerciais do Leste \u2013 permitindo a expans\u00e3o industrial \u2013, engendrava por si s\u00f3 a expans\u00e3o fabril, especialmente nos setores de metalurgia e siderurgia.<\/p>\n<p>A Guerra tamb\u00e9m estimulara a mecaniza\u00e7\u00e3o fabril, pois o crescimento das necessidades de fornecimento de material para o conflito foi acompanhado do recrutamento e morte de parte do contingente prolet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Os industriais que dispunham de capitais para investir tornaram-se riqu\u00edssimos. Outro efeito decorrente do conflito foi a ocorr\u00eancia in\u00fameras fus\u00f5es de empresas, visando a agiliza\u00e7\u00e3o do fornecimento e das comunica\u00e7\u00f5es, principalmente das tropas nortistas.<\/p>\n<p><strong>A d\u00e9cada seguinte foi marcada pela acelera\u00e7\u00e3o e fortalecimento da expans\u00e3o dos grandes grupos industriais, dedicados \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o das \u00e1reas devastadas pela Guerra e a novas aquisi\u00e7\u00f5es de pequenas empresas, possibilitando investimentos em tecnologia e procura por mercados externos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Do quinto lugar como pot\u00eancia industrial, em 1840, os EUA, que at\u00e9 a Guerra de Secess\u00e3o foram um pa\u00eds de pequenos neg\u00f3cios, saltaram para o quarto em 1860 e para o segundo em 1870, quando o processo de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o da economia, impulsionado pelo crack de 1873, come\u00e7ou a produzir novas formas de associa\u00e7\u00e3o empresarial \u2013 pools, trusts, cart\u00e9is e sindicatos \u2013 com o objetivo de monopolizar mercados e fontes de mat\u00e9rias-primas, bem como controlar pre\u00e7os e exportar capitais. Em tais circunst\u00e2ncias, com as for\u00e7as produtivas do capitalismo desbordando os limites do estado nacional, a Am\u00e9rica Latina, agr\u00edcola e atrasada, se configurava como a continuidade natural do seu espa\u00e7o econ\u00f4mico. (BANDEIRA, 1998, p. 24)<\/p><\/blockquote>\n<p>Com efeito, a expans\u00e3o do capitalismo industrial norte-americano estava intimamente ligada ao seu expansionismo territorial. Mais terras, mais mat\u00e9rias-primas para a produ\u00e7\u00e3o, mais imigrantes atra\u00eddos pelas possibilidades de enriquecimento, mais bra\u00e7os para as ind\u00fastrias. Estas se desenvolveram na chamada \u201csegunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial\u201d, marcada pela ind\u00fastria petrol\u00edfera, e os EUA foram protagonistas de ponta neste processo. Os monop\u00f3lios, como o da Standart Oil Co., fortaleceram os grandes grupos econ\u00f4micos e o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. Seguindo os exemplos europeus, os EUA organizaram as chamadas \u201cexposi\u00e7\u00f5es universais\u201d, onde os progressos cient\u00edficos \u2013 e suas inven\u00e7\u00f5es \u2013 impressionavam seus visitantes.<\/p>\n<p>Boa parte das patentes tecnol\u00f3gicas registradas desde ent\u00e3o s\u00e3o norte-americanas (Hollywood produziu in\u00fameros filmes que ilustram a mentalidade criativa dos estadunidenses, com suas personagens inventoras).<\/p>\n<p>Assim os EUA tiveram, no s\u00e9culo XIX, um grande c\u00edrculo virtuoso, uma conjuntura favor\u00e1vel ao seu crescimento. E os pol\u00edticos n\u00e3o ficaram alheios \u00e0s necessidades e oportunidades abertas nesta era.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1820, a pol\u00edtica estava permeada pela atmosfera expansionista. Em resposta \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Santa Alian\u00e7a na Europa, e dos decorrentes riscos de recoloniza\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas ib\u00e9ricas, o presidente James Monroe (1817-25) proclamou a Doutrina Monroe (1823), que tinha como lema \u201ca Am\u00e9rica para os americanos\u201d. Estava j\u00e1 inserida na esfera do imperialismo, que se concretizara em fins do s\u00e9culo, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o das fronteiras continentais dos EUA.<\/p>\n<p>A cultura norte-americana \u00e9 permeada pelos princ\u00edpios expansionistas, pois os estadunidenses se consideram como o \u201cpovo eleito\u201d por Deus para civilizar o restante da humanidade. Assim, a concep\u00e7\u00e3o do \u201cDestino Manifesto\u201d se materializava na conquista do Oeste, bem como na anexa\u00e7\u00e3o de grande parte dos territ\u00f3rios mexicanos. Era natural que pensassem em expandir-se al\u00e9m de suas fronteiras.<\/p>\n<p>O capitalismo voraz do \u00faltimo quartel do XIX impelira os norte-americanos a buscarem reservas de mat\u00e9rias-primas e mercado consumidor na Am\u00e9rica Latina, impulsionando os investimentos na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As aten\u00e7\u00f5es se voltaram para Cuba e Porto Rico, ainda possess\u00f5es espanholas. Desde fins do XVIII, os pol\u00edticos consideravam ambas como \u201cap\u00eandices naturais\u201d do territ\u00f3rio norte-americano, concep\u00e7\u00e3o que vigorou por todo o XIX (JUNQUEIRA, 2001, p. 100). Em 1895, a oportunidade de controle sobre tais ilhas caribenhas abriu-se com a luta pela independ\u00eancia levada a cabo pelos patriotas cubanos, que solicitaram apoio dos EUA contra a Espanha. A explos\u00e3o e naufr\u00e1gio do Maine, navio da Marinha norte-americana estacionado no porto de Havana, deu o pretexto para o in\u00edcio da guerra (1898), pois os espanh\u00f3is foram responsabilizados pelo incidente. Sem dificuldades, a vit\u00f3ria dos EUA na que foi chamada de \u201cexpl\u00eandida guerrinha\u201d pelo Secret\u00e1rio de Estado, consolidara o status imperial norteamericano, ao manter Cuba como protetorado por 35 anos, e administrar as Filipinas at\u00e9 1940 (CHASTEEN, 2001, pp. 166-7). Porto Rico e o Hawa\u00ed at\u00e9 hoje fazem parte dos EUA, o primeiro como \u201cestado aut\u00f4nomo associado\u201d (um eufemismo para col\u00f4nia) e o segundo inclu\u00eddo como estado da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os interesses norte-americanos, ap\u00f3s a concretiza\u00e7\u00e3o do seu poder no Caribe, voltaram-se para a constru\u00e7\u00e3o de um canal na Am\u00e9rica Central que servisse de via comercial de liga\u00e7\u00e3o entre o Atl\u00e2ntico e o Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Theodore Roosevelt principal personagem da pol\u00edtica do Big Stick (grande porrete), defendia as press\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es dos EUA onde parecia conveniente. Em 1903, Roosevelt conseguiu adquirir uma base militar no Panam\u00e1 e depois o direito de construir e controlar o canal desejado. N\u00e3o sem antes influenciar na separa\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1, ent\u00e3o pertencente \u00e0 Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Era uma amostra do poderio americano que se extendia para toda a Am\u00e9rica Central, e de forma geral a toda a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p><strong>O presidente tamb\u00e9m foi o respons\u00e1vel pelo \u201ccorol\u00e1rio Roosevelt\u201d, que, em 1904, afirmava:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Na realidade, s\u00e3o id\u00eanticos os nossos interesses e os dos nossos vizinhos sulinos. Eles possuem grandes riquezas naturais e a prosperidade certamente chegar\u00e1 a eles, se reinar a lei e a justi\u00e7a dentro de suas fronteiras. Enquanto obedecerem \u00e0s leis elementares da sociedade civilizada, podem estar seguros de que ser\u00e3o tratados por n\u00f3s com \u00e2nimo cordial e compreensivo. Intervir\u00edamos somente em \u00faltimo caso, somente se se tornasse evidente a sua inabilidade ou m\u00e1 vontade, quanto a fazer justi\u00e7a interna e, em plano externo, se tivessem violado os direitos dos Estados Unidos; ou ainda, se tivessem favorecido a agress\u00e3o externa, em detrimento da comunidade das na\u00e7\u00f5es americanas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Fica patente o preconceito de Roosevelt para com os latino-americanos, tratados como crian\u00e7as que precisam ser educadas e civilizadas, sob dire\u00e7\u00e3o dos EUA.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma hip\u00f3crita vis\u00e3o quanto ao grau de civilidade latino-americana, tendo em vista a discrimina\u00e7\u00e3o racial e a exclus\u00e3o social vislumbradas nos EUA em fins do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Os negros continuaram segregados e os trabalhadores explorados ao m\u00e1ximo, sendo reprimidos os seus movimentos por direitos trabalhistas.<\/p>\n<p>S\u00e3o aspectos da contradit\u00f3ria hist\u00f3ria norte-americana ainda presentes nos dias de hoje\u2026<\/p>\n<p>\u201cAo iniciarmos a an\u00e1lise da dimens\u00e3o hist\u00f3rica da mudan\u00e7a econ\u00f4mica latino-americana, caberia fazer a seguinte pergunta: como explicar que as duas \u00e1reas anteriormente coloniais, os Estados Unidos e a Am\u00e9rica Latina, desenvolveram padr\u00f5es de crescimento econ\u00f4mico t\u00e3o marcadamente constrastantes ap\u00f3s as respectivas independ\u00eancias? Como p\u00f4de a na\u00e7\u00e3o norte-americana emergir, por volta de 1870, como segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica mundial em termos de produ\u00e7\u00e3o industrial, ao passo que a Am\u00e9rica Latina permanecia, fundalmentalmente, desempenhando o mesmo papel de principal fornecedor de mat\u00e9rias-primas e g\u00eaneros aliment\u00edcios para os pa\u00edses do Atl\u00e2ntico norte? [\u2026]<\/p>\n<p>Nessa tentativa de encontrar uma resposta que sirva de base para estudos comparativos entre as duas \u00e1reas em seu desenvolvimento p\u00f3s-colonial, somos levados (inevitavelmente) aos complexos culturais europeus, ber\u00e7o dos colonizadores ingleses e ib\u00e9ricos, em cujo seio esses modelos de atividade colonial foram concebidos. N\u00e3o ser\u00e1 suficiente comparar o grau de censura e toler\u00e2ncia, as perspectivas coloniauis em termos de educa\u00e7\u00e3o, a extens\u00e3o da liberdade econ\u00f4mica colonial; dever-se-\u00e1, for\u00e7osamente, encontrar a origem de tais elementos em suas matrizes europ\u00e9ias. Em contraste com a Espanha [\u2026], os colonizadores ingleses sa\u00edram de uma Inglaterra em processo de moderniza\u00e7\u00e3o, que encarava o conhecimento, a toler\u00e2ncia, os direitos individuais, a liberdade econ\u00f4mica, a poupan\u00e7a e o investimento como elementos insepar\u00e1veis do processo de transforma\u00e7\u00e3o e crescimento. [\u2026]<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o meio natural (objeto da coloniza\u00e7\u00e3o inglesa) constrastava, em pontos essenciais, com aquele encontrado pelos primeiros colonizadores ib\u00e9ricos.<\/p>\n<p>Embora as primeirascompanhias comerciais inglesas buscassem decobrir minas de metais preciosos, nenhuma foi encontrada. [\u2026] os europeus ocidentais que vieram para a Am\u00e9rica do Norte n\u00e3o tiveram que entrar em choque ou incorporar culturas ind\u00edgenas de vulto: expulsaram os amer\u00edndios n\u00f4mades que encontraram ao longo de sua penetra\u00e7\u00e3o, mataram-nos ou isolaram os sobreviventes em tratos de terra improdutiva [\u2026]<\/p>\n<p>Os ind\u00edgenas norte-americanos permaneceram n\u00e3o-incorporados e n\u00e3o-integrados. [\u2026] Em termos mais amplos, a exist\u00eancia de uma terra virgem, de vastas dimens\u00f5es e subabitada, possuidora de extraordin\u00e1rios recursos, situada em posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel face \u00e0 Europa e desfrutando de condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas compar\u00e1veis \u00e0quelas encontradas em solos europeus representava, em realidade, condi\u00e7\u00e3o fortemente potencial para o desenvolvimento, inexistente em qualquer outra parte do Novo Mundo. [\u2026] H\u00e1 muito confinadas \u00e0s limitadas possibilidades agr\u00edcolas oferecidas pela orla mar\u00edtima, as col\u00f4nias inglesas do norte desenvolveram a constru\u00e7\u00e3o n\u00e1utica e as atividades mercantis, estas \u00faltimas particularmente ap\u00f3s 1763, na regi\u00e3o do Caribe; por seu turno, as col\u00f4nias do sul estabeleceram as bases para uma agricultura de exporta\u00e7\u00e3o utilizadora da m\u00e3o-de-obra escrava. [\u2026] Nos anos que se seguiram a 1814, a demanda externa do algod\u00e3o e, ao longo da d\u00e9cada de 30, o crescimento e ascens\u00e3o dos pre\u00e7os de esporta\u00e7\u00e3o estimularam a concentra\u00e7\u00e3o das das \u00e1reas agr\u00edcolas do sul em torno da produ\u00e7\u00e3o algodoeira voltada para o com\u00e9rcio com a Europa ocidental e a regi\u00e3o nordeste dos pr\u00f3prios Estados unidos at\u00e9 a eclos\u00e3o da Guerra de Secess\u00e3o.<\/p>\n<p>O norte do pa\u00eds adquirira os contornos bem marcados de um centro financeiro para a atividade agr\u00edcola do sul, um entreposto para suas importa\u00e7\u00f5es de manufaturas e artigos de luxo e um fornecedor de manufaturaas tais como t\u00eaxteis de algod\u00e3o e utens\u00edlios de ferro.ap\u00f3s 1830, a ocupa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio oeste ampliaram a import\u00e2ncia do nordeste como exportador de cereais, alargando, concomitantemente, os mercados consumidores de sua produ\u00e7\u00e3o industrial. [\u2026]<\/p>\n<p>Ao eclodir a Guerra de Secess\u00e3o, o crescimento econ\u00f4mico dos Estados Unidos havia sido estimulado por fatores externos e pela cria\u00e7\u00e3o de um mercado nacional, n\u00e3o obstante a presen\u00e7a da escravid\u00e3o ao sul. E, o que \u00e9 mais relevante para o estudo comparativo com a Am\u00e9rica Latina, a Guerra de Secess\u00e3o abrira o caminho para a industrializa\u00e7\u00e3o norte-americana.\u201d STEIN, Stanley J.<\/p>\n<p><strong>A Heran\u00e7a Colonial da Am\u00e9rica Latina: ensaios de depend\u00eancia econ\u00f4mica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976, pp. 98-101.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria atrav\u00e9s de Documentos<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cNo Congresso, 4 de julho de 1776<\/strong><\/p>\n<p>Declara\u00e7\u00e3o Un\u00e2nime dos Treze Estados Unidos da Am\u00e9rica<\/p>\n<p>Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necess\u00e1rio um povo dissolver la\u00e7os pol\u00edticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posi\u00e7\u00e3o igual e separada, a que lhe d\u00e3o direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno \u00e0s opini\u00f5es dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalien\u00e1veis, que entre estes est\u00e3o a vida, a liberdade e a busca da felicidade.<\/p>\n<p>Que a fim de assegurar esses direitos, governos s\u00e3o institu\u00eddos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alter\u00e1-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princ\u00edpios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pare\u00e7a mais conveniente para realizar-lhe a seguran\u00e7a e a felicidade.<\/p>\n<p>Na realidade, a prud\u00eancia recomenda que n\u00e3o se mudem os governos institu\u00eddos h\u00e1 muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experi\u00eancia tem mostrado que os homens est\u00e3o mais dispostos a sofrer, enquanto os males s\u00e3o suport\u00e1veis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas, quando uma longa s\u00e9rie de abusos e usurpa\u00e7\u00f5es, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o des\u00edgnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura seguran\u00e7a. Tal tem sido o sofrimento paciente destas col\u00f4nias e tal agora a necessidade que as for\u00e7a a alterar os sistemas anteriores de governo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do atual Rei da Gr\u00e3-Bretanha comp\u00f5e-se de repetidos danos e usurpa\u00e7\u00f5es, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prov\u00e1-lo, permitam-nos submeter os fatos a um c\u00e2ndido mundo.<\/p>\n<p>Recusou assentimento a leis das mais salutares e necess\u00e1rias ao bem p\u00fablico.<\/p>\n<p>Proibiu aos governadores a promulga\u00e7\u00e3o de leis de import\u00e2ncia imediata e urgente, a menos que a aplica\u00e7\u00e3o fosse suspensa at\u00e9 que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito \u00e0 representa\u00e7\u00e3o no Legislativo, direito inestim\u00e1vel para eles tem\u00edvel apenas para os tiranos, Convocou os corpos legislativos a lugares n\u00e3o usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos p\u00fablicos, com o \u00fanico fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento \u00e0s medidas que lhe conviessem.<\/p>\n<p><strong>Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque:<\/strong>\u00a0opunham com m\u00e1scula firmeza \u00e0s invas\u00f5es dos direitos do povo.<\/p>\n<p>Recusou por muito tempo, depois de tais dissolu\u00e7\u00f5es, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquila\u00e7\u00e3o voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse \u00ednterim o Estado exposto a todos os perigos de invas\u00e3o externa ou convuls\u00e3o interna.<\/p>\n<p>Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturaliza\u00e7\u00e3o de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migra\u00e7\u00f5es para c\u00e1 e complicando as condi\u00e7\u00f5es para novas apropria\u00e7\u00f5es de terras.<\/p>\n<p>Dificultou a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Tornou os ju\u00edzes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Criou uma multid\u00e3o de novos cargos e para eles enviou enxames de funcion\u00e1rios para perseguir o povo e devorar-nos a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Manteve entre n\u00f3s, em tempo de paz, ex\u00e9rcitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.<\/p>\n<p>Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdi\u00e7\u00e3o estranha \u00e0 nossa Constitui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legisla\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Por aquartelar grandes corpos de tropas entre n\u00f3s;<br \/>\nPor proteg\u00ea-las por meio de julgamentos simulados, de puni\u00e7\u00e3o por assassinatos<br \/>\nQue viessem a cometer contra os habitantes destes estados;<br \/>\nPor fazer cessar nosso com\u00e9rcio com todas as partes do mundo;<br \/>\nPelo lan\u00e7amento de taxas sem nosso consentimento;<br \/>\nPor privar-nos, em muitos casos, dos benef\u00edcios do julgamento pelo j\u00fari;<br \/>\nPor transportar-nos para al\u00e9m-mar para julgamento por pretensas ofensas;<br \/>\nPor abolir o sistema livre de leis inglesas em prov\u00edncia vizinha, a\u00ed estabelecendo governo arbitr\u00e1rio e ampliando-lhe os limites, de sorte a torn\u00e1-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdu\u00e7\u00e3o do mesmo dom\u00ednio absoluto nestas col\u00f4nias;<br \/>\nPor tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;<br \/>\nPor suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para n\u00f3s em todos e quaisquer casos.<br \/>\nAbdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua prote\u00e7\u00e3o e movendo guerra contra n\u00f3s.<br \/>\nSaqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.<br \/>\nEst\u00e1, agora mesmo, transportando grandes ex\u00e9rcitos de mercen\u00e1rios estrangeiros para completar a obra da morte, desola\u00e7\u00e3o e tirania, j\u00e1 iniciada em circunst\u00e2ncias de crueldade e perf\u00eddia raramente igualadas nas idades mais b\u00e1rbaras e totalmente indignas do chefe de uma na\u00e7\u00e3o civilizada.<br \/>\nObrigou nossos concidad\u00e3os aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a pr\u00f3pria p\u00e1tria, para que se tornassem algozes dos amigos e irm\u00e3os ou para que ca\u00edssem por suas m\u00e3os.<br \/>\nProvocou insurrei\u00e7\u00f5es internas entre n\u00f3s e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os \u00edndios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o sem distin\u00e7\u00e3o de idade, sexo e condi\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em cada fase dessas opress\u00f5es solicitamos repara\u00e7\u00e3o nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo.<\/p>\n<p>Um pr\u00edncipe cujo car\u00e1ter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a aten\u00e7\u00e3o de nossos irm\u00e3os brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre n\u00f3s jurisdi\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Lembramos a eles das circunst\u00e2ncias de nossa migra\u00e7\u00e3o e estabelecimento aqui. Apelamos para a justi\u00e7a natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos la\u00e7os de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpa\u00e7\u00f5es que interromperiam, inevitavelmente, nossas liga\u00e7\u00f5es e nossa correspond\u00eancia. Permaneceram tamb\u00e9m surdos \u00e0 voz da justi\u00e7a e da consang\u00fcinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separa\u00e7\u00e3o e consider\u00e1-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.<\/p>\n<p><strong>N\u00f3s, por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retid\u00e3o de nossas inten\u00e7\u00f5es, em nome e por autoridade do bom povo destas col\u00f4nias, publicamos e declaramos solenemente:<\/strong>\u00a0que estas col\u00f4nias unidas s\u00e3o e de direito t\u00eam de ser Estados livres e independentes, que est\u00e3o desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Brit\u00e2nica, e que todo v\u00ednculo pol\u00edtico entre elas e a Gr\u00e3-Bretanha est\u00e1 e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, t\u00eam inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alian\u00e7as, estabelecer com\u00e9rcio e praticar todos os atos e a\u00e7\u00f5es a que t\u00eam direito os estados independentes. E em apoio desta declara\u00e7\u00e3o, plenos de firme confian\u00e7a na prote\u00e7\u00e3o da Divina Provid\u00eancia, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0pt.jazz.openfun.org\/ead.ftc.br\/usa.usembassy.de<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria n\u00e3o existe para n\u00f3s at\u00e9 e a menos que a desenterremos, interpretemos e juntemos. Ent\u00e3o, o passado ganha vida ou, mais precisamente, \u00e9 revelado pelo que sempre foi &#8211; uma parte do presente. A hist\u00f3ria \u00e9 o estudo do passado humano. 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