{"id":92312,"date":"2017-01-04T08:20:24","date_gmt":"2017-01-04T10:20:24","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=92312"},"modified":"2017-01-04T08:24:43","modified_gmt":"2017-01-04T10:24:43","slug":"monteiro-lobato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/literatura-infantil\/monteiro-lobato","title":{"rendered":"Monteiro Lobato"},"content":{"rendered":"<p><strong>Nascimento:<\/strong> 18 de abril de 1882, Taubat\u00e9, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Data da morte::<\/strong> 4 de julho de 1948, S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Nome de nascen\u00e7a: <\/strong>Jos\u00e9 Renato Monteiro Lobato<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-92314\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-014-252x300.jpg\" alt=\"Monteiro Lobato\" width=\"252\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-014-252x300.jpg 252w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-014.jpg 276w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><br \/>\nMonteiro Lobato<\/strong><\/p>\n<p><strong>Monteiro Lobato<\/strong> \u00e9 considerado o escritor brasileiro mais importante na literatura para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m escreveu livros para adultos. Seu tema era, principalmente, problemas sociais e econ\u00f3micos sobre o seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Birthname foi Jos\u00e9 Renato Monteiro Lobato. \u00c9 do conhecimento comum que ele adotou &#8220;Jos\u00e9 Bento Monteiro Lobato&#8221; depois de herdar pertences do pai com as iniciais &#8220;JBML&#8221; (nome de seu pai era Jos\u00e9 Bento Marcondes Lobato).<\/p>\n<p>Criado primeira empresa brasileira dedicada \u00e0 impress\u00e3o de livros. Antes dele, livros brasileiros foram impressos em Portugal.<\/p>\n<p>Preso duas vezes na d\u00e9cada de 1940 para a sua campanha para a nacionaliza\u00e7\u00e3o dos recursos minerais brasileiros, especialmente o min\u00e9rio de ferro e petr\u00f3leo.<\/p>\n<h4><strong>Monteiro Lobato &#8211; Escritor<\/strong><\/h4>\n<p>Nasceu em Taubat\u00e9, S\u00e3o Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Em homenagem ao seu nascimento, neste dia comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil.<\/p>\n<p>Era filho de Jos\u00e9 Bento Marcondes Lobato e Ol\u00edmpia Augusto Lobato. Seu nome verdadeiro era Jos\u00e9 Renato <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, mas em 1893 o autor preferiu adotar o nome do pai por desejar usar uma bengala do pai que continha no punho as iniciais JBML.<\/p>\n<p>Juca, apelido que Lobato recebeu na inf\u00e2ncia, brincava em companhia de suas irm\u00e3s com legumes e sabugos de milho que eram transformados em bonecos e animais, conforme costume da \u00e9poca. Uma forte influ\u00eancia de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia reside na cria\u00e7\u00e3o do personagem Visconde de Sabugosa.<\/p>\n<p>Ainda na inf\u00e2ncia, Juca descobriu seu gosto pelos livros na vasta biblioteca de seu av\u00f4. Os seus prediletos tratavam de viagens e aventuras. Ele leu tudo que l\u00e1 existia, mas desde esta \u00e9poca incomodava a ele o fato de n\u00e3o existir uma literatura infantil tipicamente brasileira.<\/p>\n<p><strong>Um fato interessante aconteceu ao ent\u00e3o jovem Juca, no ano de 1895:<\/strong> ele foi reprovado em uma prova oral de Portugu\u00eas. O ano seguinte foi de total estudo, mergulhado nos livros. Not\u00e1vel \u00e9 o interesse de Lobato escritor no que diz respeito \u00e0 L\u00edngua Portuguesa, presente em alguns de seus t\u00edtulos. \u00c9 na adolesc\u00eancia que come\u00e7a a escrever para jornaizinhos escolares e descobre seu gosto pelo desenho.<\/p>\n<p>Aos 16 anos perde o pai e aos 17 a m\u00e3e. A partir de ent\u00e3o, sua tutela fica a encargo do av\u00f4 materno, o Visconde de Trememb\u00e9. Formou-se em Direito pela faculdade de seu estado, por vontade do av\u00f4, porque preferia ter cursado a Escola de Belas-Artes. Esse gosto pelas artes resultou em v\u00e1rias caricaturas e desenhos que ele enviava para jornais e revistas.<\/p>\n<p>Em 1907, 3 anos ap\u00f3s sua formatura, exerceu a promotoria em Areias, cidadezinha do interior. Retirou-se depois para uma fazenda em Buquira que herdou do av\u00f4, falecido em 1911. Este munic\u00edpio, onde surgiu um Lobato fazendeiro, recebeu seu nome em sua homenagem.<\/p>\n<p>Casou-se com Maria Pureza da Natividade, em 28 de mar\u00e7o de 1908.<\/p>\n<p><strong>Do casamento vieram os quatro filhos: <\/strong>Edgar, Guilherme, Marta e Rute.<\/p>\n<p><strong>Em 1918 lan\u00e7ou Urup\u00eas, e o \u00eaxito fulminante desse livro de contos colocou-o numa posi\u00e7\u00e3o de vanguarda.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Neste mesmo ano, vendeu a fazenda e transferiu-se para S\u00e3o Paulo, onde inaugurou a primeira editora nacional: Monteiro Lobato<\/strong>&amp; Cia.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, os livros que circulavam no Brasil eram publicados em Portugal. Por isso, as iniciativas de Lobato deram \u00e0 ind\u00fastria brasileira do livro um impulso decisivo para sua expans\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em 1926, foi nomeado adido comercial da embaixada brasileira nos Estados Unidos, de onde trouxe um not\u00e1vel livro de impress\u00f5es:<\/strong> Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>Usou, assim, suas principais armas em prol do nacionalismo no tocante \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de ferro e petr\u00f3leo no Brasil:<\/strong> os ideais e os livros.<\/p>\n<p>Preocupado com o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, chegou a fundar diversas companhias para a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo nacional..<\/p>\n<p><strong>O fracasso dessa iniciativa deu-lhe assunto para um artigo:<\/strong> O Esc\u00e2ndalo do Petr\u00f3leo. J\u00e1 sob o Estado Novo, sua persist\u00eancia em abordar esse tema como patriota aut\u00eantico valeu-lhe tr\u00eas meses de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>No p\u00fablico infantil, o escritor<strong> Lobato<\/strong> reencontra as esperan\u00e7as no Brasil. Escrever para crian\u00e7as era sua alegria, por isso adorava receber as cartinhas que seu pequenino p\u00fablico escrevia constantemente. Achava que o futuro deveria ser mudado atrav\u00e9s da crian\u00e7ada, para quem dava um tratamento especial, sem ser infantilizado. O resultado foi sensacional, conseguindo transportar at\u00e9 hoje muitas crian\u00e7as e adultos para o maravilhoso mundo do S\u00edtio do Picapau Amarelo.<\/p>\n<p>Faleceu em S\u00e3o Paulo, no dia 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade, por causa de um derrame.<\/p>\n<p>A obra lobatiana \u00e9 composta por 30 volumes. Tem um lugar indisput\u00e1vel na literatura brasileira como o Andersen brasileiro, autor dos primeiros livros brasileiros para crian\u00e7as, e tamb\u00e9m como revelador de Jeca Tatu, o homem do interior brasileiro.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido, em muitos pontos, o precursor do Modernismo, a ele nunca aderiu. Ficou conhecida a sua querela com modernistas por causa do artigo &#8220;A prop\u00f3sito da exposi\u00e7\u00e3o Malfatti&#8221;. Ali critica a mostra de pintura moderna da artista, que caracterizava de n\u00e3o nacional.<\/p>\n<h4><strong>Monteiro Lobato &#8211; Cronologia<\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-92315\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-016-279x300.jpg\" alt=\"Monteiro Lobato\" width=\"279\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-016-279x300.jpg 279w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-016.jpg 325w\" sizes=\"(max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><br \/>\nMonteiro Lobato<\/strong><\/p>\n<p><strong>1882 &#8211; 1904: Primeiras letras<\/strong>: Lobato estudante<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Bento <strong>Monteiro Lobato<\/strong> estreou no mundo das letras com pequenos contos para os jornais estudantis dos col\u00e9gios Kennedy e Paulista, que freq\u00fcentou em Taubat\u00e9, cidade do Vale do Para\u00edba onde nasceu, em 18 de abril de 1882.<\/p>\n<p><strong>No curso de Direito da Faculdade do Largo S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo, dividiu-se entre suas principais paix\u00f5es:<\/strong> escrever e desenhar. Colaborou em publica\u00e7\u00f5es dos alunos, vencendo um concurso liter\u00e1rio promovido em 1904 pelo Centro Acad\u00eamico XI de Agosto. Morou na rep\u00fablica estudantil do Minarete, liderou o grupo de colegas que formou o Cen\u00e1culo e mandou artigos para um jornalzinho de Pindamonhangaba, que tinha como t\u00edtulo o mesmo nome daquela moradia de estudantes. Nessa fase de sua forma\u00e7\u00e3o, Lobato realizou as leituras b\u00e1sicas e entrou em contato com a obra do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Nietzsche, cujo pensamento o guiaria vida afora.<\/p>\n<p><strong>1905 &#8211; 1910: <\/strong>Lobato volta ao Vale do Para\u00edba<\/p>\n<p>Diploma nas m\u00e3os, Lobato voltou a Taubat\u00e9. E de l\u00e1 prosseguiu enviando artigos para um jornal de Ca\u00e7apava, O Combatente. Nomeado promotor p\u00fablico, mudou-se para Areias, casou-se com Purezinha e come\u00e7ou a traduzir artigos do Weekly Times para O Estado de S. Paulo. Fez ilustra\u00e7\u00f5es e caricaturas para a revista carioca Fon-Fon! e colaborou no jornal Gazeta de Not\u00edcias, tamb\u00e9m do Rio de Janeiro, assim como na Tribuna de Santos.<\/p>\n<p><strong>1911 &#8211; 1917: Lobato fazendeiro e jornalista<\/strong><\/p>\n<p>A morte s\u00fabita do av\u00f4 determinou uma reviravolta na vida de <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, que herdou a Fazenda do Buquira, para a qual se transferiu com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Localizada na Serra da Mantiqueira, j\u00e1 estava com as terras esgotadas pela lavoura do caf\u00e9. Assim mesmo, ele tentou transform\u00e1-la num neg\u00f3cio rendoso, investindo em projetos agr\u00edcolas audaciosos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se afastou da literatura. Observando com interesse o mundo da ro\u00e7a, logo escreveu artigo, para O Estado de S. Paulo, denunciando as queimadas no Vale do Para\u00edba. Intitulado \u201cUma velha praga\u201d, teve grande repercuss\u00e3o quando saiu, em novembro de 1914. Um m\u00eas depois, redigiu Urup\u00eas, no mesmo jornal, criando o Jeca Tatu, seu personagem-s\u00edmbolo. Pregui\u00e7oso e adepto da &#8220;lei do menor esfor\u00e7o&#8221;, Jeca era completamente diferente dos caipiras e ind\u00edgenas idealizados pelos romancistas como, por exemplo, Jos\u00e9 de Alencar. Esses dois artigos seriam reproduzidos em diversos jornais, gerando pol\u00eamica de norte a sul do pa\u00eds. N\u00e3o demorou muito e Lobato, cansado da monotonia do campo, acabou vendendo a fazenda e instalando-se na capital paulista.<\/p>\n<p><strong>1918 &#8211; 1925: <\/strong>Lobato editor e autor infantil<\/p>\n<p>Com o dinheiro da venda da fazenda, Lobato virou definitivamente um escritor-jornalista. Colaborou, nesse per\u00edodo, em publica\u00e7\u00f5es como Vida Moderna, O Queixoso, Parafuso, A Cigarra, O Pirralho e continuou em O Estado de S. Paulo. Mas foi a linha nacionalista da Revista do Brasil, lan\u00e7ada em janeiro de 1916, que o empolgou.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o teve d\u00favida: <\/strong>comprou-a em junho de 1918 com o que recebera pela Buquira. E deu vez e voz para novos talentos, que apareciam em suas p\u00e1ginas ao lado de gente famosa.<\/p>\n<p><strong>O editor<\/strong><\/p>\n<p>A revista prosperou e ele formou uma empresa editorial que continuou aberta aos novatos. Lan\u00e7ou, inclusive, obras de artistas modernistas, como O homem e a morte, de Menotti del Picchia, e Os Condenados, de Oswald de Andrade.<\/p>\n<p><strong>Os dois com capa de Anita Malfatti, que seria piv\u00f4 de uma s\u00e9ria pol\u00eamica entre Lobato e o grupo da Semana de 22<\/strong>: Lobato criticou a exposi\u00e7\u00e3o da pintora no artigo \u201cParan\u00f3ia ou mistifica\u00e7\u00e3o?\u201d, de 1917. \u201cLivro \u00e9 sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do fregu\u00eas&#8221;, dizia Lobato, que, para provocar a gulodice do leitor, tratava o livro como um produto de consumo como outro qualquer, cuidando de sua qualidade gr\u00e1fica e adotando capas coloridas e atraentes.<\/p>\n<p>O empreendimento cresceu e foi seguidamente reestruturado para acompanhar a velocidade dos neg\u00f3cios, impulsionada ainda mais por uma agressiva pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o que contava com vendedores aut\u00f4nomos e com vasta rede de distribuidores espalhados pelo pa\u00eds. Novidade e tanto para a \u00e9poca, e que resultou em altas tiragens. Lobato acabaria entregando a dire\u00e7\u00e3o da Revista do Brasil a Paulo Prado e S\u00e9rgio Milliet, para dedicar-se \u00e0 editora em tempo integral. E, para poder atender \u00e0s crescentes demandas, importou mais m\u00e1quinas dos Estados Unidos e da Europa, que iriam incrementar seu parque gr\u00e1fico. Mergulhado em livros e mais livros, Lobato n\u00e3o conseguia parar.<\/p>\n<p><strong>O autor infantil<\/strong><\/p>\n<p>Escreveu, nesse per\u00edodo, sua primeira hist\u00f3ria infantil, A menina do narizinho arrebitado. Com capa e desenhos de Voltolino, famoso ilustrador da \u00e9poca, o livrinho, lan\u00e7ado no Natal de 1920, fez o maior sucesso. Dali nasceram outros epis\u00f3dios, tendo sempre como personagens Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Tia Nast\u00e1cia e, \u00e9 claro, Em\u00edlia, a boneca mais esperta do planeta. Insatisfeito com as tradu\u00e7\u00f5es de livros europeus para crian\u00e7as, ele criou aventuras com figuras bem brasileiras, recuperando costumes da ro\u00e7a e lendas do folclore nacional.<\/p>\n<p><strong>E fez mais<\/strong>: misturou todos eles com elementos da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. No S\u00edtio do Picapau Amarelo, Peter Pan brinca com o Gato F\u00e9lix, enquanto o saci ensina truques a Chapeuzinho Vermelho no pa\u00eds das maravilhas de Alice.<\/p>\n<p>Mas <strong>Monteiro Lobato<\/strong> tamb\u00e9m fez quest\u00e3o de transmitir conhecimento e id\u00e9ias em livros que falam de hist\u00f3ria, geografia e matem\u00e1tica, tornando-se pioneiro na literatura paradid\u00e1tica &#8211; aquela em que se aprende brincando.<\/p>\n<p><strong>Crise e fal\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Trabalhando a todo vapor, <strong>Lobato<\/strong> teve que enfrentar uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos. Primeiro, foi a Revolu\u00e7\u00e3o dos Tenentes que, em julho de 1924, paralisou as atividades da sua empresa durante dois meses, causando grande preju\u00edzo. Seguiu-se uma inesperada seca, que decorreu em um corte no fornecimento de energia.<\/p>\n<p>O maquin\u00e1rio gr\u00e1fico s\u00f3 podia funcionar dois dias por semana. E numa brusca mudan\u00e7a na pol\u00edtica econ\u00f4mica, Arthur Bernardes desvalorizou a moeda e suspendeu o redesconto de t\u00edtulos pelo Banco do Brasil.<\/p>\n<p>A conseq\u00fc\u00eancia foi um enorme rombo financeiro e muitas d\u00edvidas.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 restou uma alternativa a Lobato: <\/strong>pedir a autofal\u00eancia, apresentada em julho de 1925. O que n\u00e3o significou o fim de seu ambicioso projeto editorial, pois ele j\u00e1 se preparava para criar outra empresa. Assim surgiu a Companhia Editora Nacional. Sua produ\u00e7\u00e3o inclu\u00eda livros de todos os g\u00eaneros, entre eles tradu\u00e7\u00f5es de Hans Staden e Jean de L\u00e9ry, viajantes europeus que andaram pelo Brasil no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p><strong>Lobato recobrou o antigo prest\u00edgio, reimprimindo nela sua marca inconfund\u00edvel:<\/strong> fazer livros bem impressos, com projetos gr\u00e1ficos apurados e enorme sucesso de p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>1925 &#8211; 1927: <\/strong>Lobato no Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Decretada a fal\u00eancia da Companhia Gr\u00e1fico-Editora Monteiro Lobato, o escritor mudou-se com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos, at\u00e9 1927. J\u00e1 um f\u00e3 declarado de Henry Ford, publicou sobre ele uma s\u00e9rie de mat\u00e9rias entusiasmadas em O Jornal. Depois passou para A Manh\u00e3, de Mario Rodrigues. Al\u00e9m de escrever sobre variados assuntos, em A Manh\u00e3 lan\u00e7ou O Choque das Ra\u00e7as, folhetim que causou furor na imprensa carioca, logo depois transformado em livro. Do Rio Lobato colaborou tamb\u00e9m com jornais de outros estados, como o Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, para o qual em 20 de mar\u00e7o de 1926 enviou &#8220;O nosso dualismo&#8221;, analisando com distanciamento cr\u00edtico o movimento modernista inaugurado com a Semana de 22. O artigo foi refutado por M\u00e1rio de Andrade com o texto &#8220;Post-Scriptum Pachola&#8221;, no qual anunciava sua morte.<\/p>\n<p><strong>1927 &#8211; 1931: <\/strong>Lobato em Nova Iorque<\/p>\n<p>Em 1927, Lobato assumiu o posto de adido comercial em Nova Iorque e partiu para os Estados Unidos, deixando a Companhia Editora Nacional sob o comando de seu s\u00f3cio, Octalles Marcondes Ferreira. Durante quatro anos, acompanhou de perto as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas da na\u00e7\u00e3o mais desenvolvida do planeta e fez de tudo para, de l\u00e1, tentar alavancar o progresso da sua terra. Trabalhou para o estreitamento das rela\u00e7\u00f5es comerciais entre as duas economias.<\/p>\n<p>Expediu longos e detalhados relat\u00f3rios que apontavam caminhos e apresentavam solu\u00e7\u00f5es para nossos problemas cr\u00f4nicos. Falou sobre borracha, chiclete e ecologia. N\u00e3o mediu esfor\u00e7os para transformar o Brasil num pa\u00eds t\u00e3o moderno e pr\u00f3spero como a Am\u00e9rica em que vivia.<\/p>\n<p><strong>1931 &#8211; 1939: <\/strong>A luta de Lobato por ferro e petr\u00f3leo<\/p>\n<p>Personalidade de m\u00faltiplos interesses, Lobato esteve presente nos momentos marcantes da hist\u00f3ria do Brasil. Empenhou seu prest\u00edgio e participou de campanhas para colocar o pa\u00eds nos trilhos da modernidade. Por causa da Revolu\u00e7\u00e3o de 30, que exonerou funcion\u00e1rios do governo Washington Lu\u00eds, ele estava de volta a S\u00e3o Paulo com grandes projetos na cabe\u00e7a. O que faltava para o Brasil dar o salto para o futuro? Ferro, petr\u00f3leo e estradas para escoar os produtos. Esse era, para ele, o trip\u00e9 do progresso.<\/p>\n<p><strong>1940 &#8211; 1944:<\/strong> Lobato na mira da ditadura<\/p>\n<p>Mas as id\u00e9ias e os empreendimentos de Lobato acabaram por ferir altos interesses, especialmente de empresas estrangeiras. Como ele n\u00e3o tinha medo de enfrentar advers\u00e1rios poderosos, acabaria na cadeia. Sua pris\u00e3o foi decretada em mar\u00e7o de 1941, pelo Tribunal de Seguran\u00e7a Nacional (TSN). Mas nem assim Lobato se emendou. Prosseguiu a cruzada pelo petr\u00f3leo e ainda denunciou as torturas e maus-tratos praticados pela pol\u00edcia do Estado Novo. Do lado de fora, uma campanha de intelectuais e amigos conseguiu que Get\u00falio Vargas o libertasse, por indulto, ap\u00f3s tr\u00eas meses em c\u00e1rcere. A persegui\u00e7\u00e3o no entanto continuou.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o podiam deix\u00e1-lo na cadeia, cerceariam suas id\u00e9ias. Em junho de 1941, um of\u00edcio do TSN pediu ao chefe de pol\u00edcia de S\u00e3o Paulo a imediata apreens\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de todos os exemplares de Peter Pan, adptado por Lobato, \u00e0 venda no Estado. Centenas de volumes foram recolhidos em diversas livrarias, e muitos deles chegaram a ser queimados.<\/p>\n<p><strong>1945 &#8211; 1948:<\/strong> Os \u00faltimos tempos de Lobato<\/p>\n<p><strong>Lobato<\/strong> estava em liberdade, mas enfrentava uma das fases mais dif\u00edceis de sua vida. Perdeu Edgar, o filho mais velho, presenciou o processo de liquida\u00e7\u00e3o das companhias que fundou e, o que foi pior, sofreu com a censura e atmosfera asfixiante da ditadura de Get\u00falio Vargas. Aproximou-se dos comunistas e saudou seu l\u00edder, Lu\u00eds Carlos Prestes, em grande com\u00edcio realizado no Est\u00e1dio do Pacaembu em julho de 1945.<\/p>\n<p>Partiu para a Argentina, ap\u00f3s associar-se \u00e0 editora Brasiliense e lan\u00e7ar suas Obras Completas, com mais de 10 mil p\u00e1ginas em trinta volumes das s\u00e9ries adulta e infantil. Regressou de Buenos Aires em maio de 1947, para encontrar o pa\u00eds \u00e0s voltas com os desmandos do governo Dutra. Indignado, escreveu Z\u00e9 Brasil. Nele, o velho Jeca Tatu, pregui\u00e7oso incorrig\u00edvel, que Lobato depois descobriu v\u00edtima da mis\u00e9ria, vira um trabalhador rural sem terra. Se antes o caipira lobatiano lutava contra doen\u00e7as end\u00eamicas, agora tinha no latif\u00fandio e na distribui\u00e7\u00e3o injusta da propriedade rural seu pior inimigo.<\/p>\n<p>Os personagens prosseguiam na luta, mas seu criador j\u00e1 estava cansado de tantas batalhas. Monteiro Lobato sofreu dois espasmos cerebrais e, no dia 4 de julho de 1948, virou \u201cg\u00e1s inteligente\u201d &#8211; o modo como costumava definir a morte. Foi-se aos 66 anos de idade, deixando imensa obra para crian\u00e7as, jovens e adultos, e o exemplo de quem passou a exist\u00eancia sob a marca do inconformismo.<\/p>\n<h4><strong>Monteiro Lobato &#8211; Vida<\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-92316\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-018-220x300.jpg\" alt=\"Monteiro Lobato\" width=\"220\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-018-220x300.jpg 220w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/monteiro-lobato-018.jpg 271w\" sizes=\"(max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><br \/>\nMonteiro Lobato<\/strong><\/p>\n<p><strong>Seu nome completo era:<\/strong> Jos\u00e9 Bento <strong>Monteiro Lobato<\/strong>. Nasceu na cidade de Taubat\u00e9, no estado de S\u00e3o Paulo, em 1882. Filho e neto de fazendeiros, morou na fazenda at\u00e9 terminar o colegial.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a escrever ainda crian\u00e7a para jornais das escolas que freq\u00fcentou em Taubat\u00e9.<\/p>\n<p>Desde muito cedo, Lobato sempre adorou desenhar e escrever. Pensou em cursar Belas Artes, mas foi desencorajado pela fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 1904 formou-se em Direito o na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo do Largo S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo. Durante a gradua\u00e7\u00e3o venceu um concurso liter\u00e1rio da pr\u00f3pria faculdade e come\u00e7ou a colaborar com as publica\u00e7\u00f5es dos alunos. Participou de v\u00e1rios jornais da faculdade.<\/p>\n<p><strong>Morou numa republica estudantil, na qual fundou com um grupo de amigos o grupo liter\u00e1rio:<\/strong> \u201cO Cen\u00e1culo\u201d, o qual escrevia artigos para um jornal de Pindamonhangaba. Para escrever durante v\u00e1rias \u00e9pocas de sua vida, Lobato usou muitos pseud\u00f4nimos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s graduar-se no curso de Direito, Lobato retornou a Taubat\u00e9 e escreveu criticas de arte no Jornal da cidade.<\/p>\n<p>Em 1906 <strong>Monteiro Lobato<\/strong> foi nomeado promotor p\u00fablico interino em Taubat\u00e9. Em 1907 foi nomeado promotor numa pequena cidade na divisa de S\u00e3o Paulo com o Rio de Janeiro, chamada Areias.<\/p>\n<p>Em 1908 Lobato casou-se com sua noiva Maria Pureza Natividade. Nesse mesmo per\u00edodo, Lobato traduziu artigos para o Jornal \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d, escreveu para \u201cA Tribuna\u201d, de Santos- SP al\u00e9m de fazer caricaturas para a \u201cRevista Fon-Fon\u201d do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em 1911, aos 29 anos herdou do seu av\u00f4, o Visconde de Trememb\u00e9, uma fazenda e resolveu administr\u00e1-la. N\u00e3o obteve muito \u00eaxito.<\/p>\n<p><strong>Nessa \u00e9poca, escreveu um artigo para o jornal \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo\u201d intitulado: <\/strong>\u201cUma Velha Praga\u201d, uma cr\u00edtica contra as constantes queimadas no campo.<\/p>\n<p>Tal artigo, provocou grande pol\u00eamica, e rendeu a Lobato o convite para escrever outros artigos. Assim, tornou-se critico respeitado e colunista do Jornal.<\/p>\n<p>Foi nesse per\u00edodo que ele criou o personagem Jeca Tatu.<\/p>\n<p>Pouco depois, Lobato vendeu a fazenda e passou a residir definitivamente em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em 1918, um ano ap\u00f3s sua mudan\u00e7a para S\u00e3o Paulo publicou o livro Urup\u00eas, uma colet\u00e2nea de contos. No mesmo ano, Lobato comprou a Revista do Brasil, que posteriormente deu origem \u00e0 Editora Monteiro Lobato &amp; Cia., editora essa, que revolucionou o mercado editorial brasileiro e publicou obras de grandes escritores nacionais.<\/p>\n<p>Revolucionou o mercado de livros com rela\u00e7\u00e3o a distribui\u00e7\u00e3o dos mesmos, pois vendia seus livros de porta em porta, em mercearias, pelo correio, em todo o pa\u00eds. Foi um dos primeiros editores a colorir capas de livros, de torn\u00e1-las atraentes, al\u00e9m de ilustr\u00e1-los. Definitivamente, Lobato inovou o mercado liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Teve o personagem Jeca Tatu, do seu livro Urup\u00eas, usado na campanha presidencial de Rui Barbosa, o que rendeu ao seu livro maior sucesso ainda.<\/p>\n<p>Sua editora foi a maior do Brasil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, depois dos longos cortes de energia em S\u00e3o Paulo, o que impossibilitava o funcionamento da gr\u00e1fica, problemas com bancos e a suspens\u00e3o das compras do governo, determinadas pelo ent\u00e3o presidente Arthur Bernardes, a gr\u00e1fica n\u00e3o conseguiu superar a crise e acabou falindo.<\/p>\n<p>No ano de 1920 publicou \u201c A menina do Narizinho Arrebitado\u201d, ele ent\u00e3o aos 38 anos iniciava a literatura infantil brasileira.<\/p>\n<p>Em 1921 uma cole\u00e7\u00e3o de f\u00e1bulas de Lobato foram adotadas pelo Governo do estado de S\u00e3o Paulo para uso did\u00e1tico.<\/p>\n<p>No ano de 1925 fundou a Editora Nacional, onde traduziu diversos livros estrangeiros e editou v\u00e1rias obras nacionais.<\/p>\n<p>Em 1927, Lobato mudou-se com a fam\u00edlia para Nova York, onde exerceu o cargo de adido comercial nomeado pelo presidente da rep\u00fablica do Brasil.<\/p>\n<p>Em 1931, Lobato deixou o posto de adido comercial e retornou ao Brasil encantado com a experi\u00eancia na Am\u00e9rica e convicto da necessidade de explora\u00e7\u00e3o de recursos minerais a fim de contribuir para o desenvolvimento do pa\u00eds. Empenhou-se na campanha em prol dos nossos recursos, fundando o Sindicato do Ferro e a Cia. de Petr\u00f3leo Nacional.<\/p>\n<p>Teve grande import\u00e2ncia na pol\u00edtica do Brasil, uma vez que lutou pelo que acreditava e contra a opress\u00e3o do regime pol\u00edtico da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Lobato foi um homem de vis\u00e3o, enxergava os problemas vividos pela sociedade Brasileira e tinha muitas id\u00e9ias e vontade em solucion\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em 1945 foi morar na Argentina, pois o regime pol\u00edtico brasileiro da \u00e9poca por vezes o perseguira.<\/p>\n<p>L\u00e1 ele fundou uma editora, a \u201cEditorial Acteon\u201d, al\u00e9m de escrever para jornais de l\u00e1.<\/p>\n<p>Um ano depois retornou ao Brasil. Morreu no dia 4\/7\/1948 v\u00edtima de um derrame cerebral.<\/p>\n<p>Foi sepultado no cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>CRONOLOGIA BIBLIOGR\u00c1FICA DE MONTEIRO LOBATO<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1882 &#8211;<\/strong> Em 18 de abril nasce em Taubat\u00e9 Jos\u00e9 Renato <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, filho de Jos\u00e9 Bento Marcondes Lobato e Ol\u00edmpia Augusta Monteiro Lobato. <strong><br \/>\n1893 &#8211;<\/strong> Altera seu nome para Jos\u00e9 Bento. Freq\u00fcenta o Col\u00e9gio S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista. <strong><br \/>\n1895 &#8211;<\/strong> Em dezembro, vai a S\u00e3o Paulo, onde em janeiro prestar\u00e1 exames para o ingresso no curso preparat\u00f3rio. <strong><br \/>\n1896 &#8211;<\/strong> Reprovado, regressa a Taubat\u00e9 e ao Col\u00e9gio Paulista. Durante o ano letivo, colabora no jornalzinho estudantil O Guarani. Em dezembro, \u00e9 aprovado nos exames que presta. <strong><br \/>\n1897 &#8211;<\/strong> Transfere-se para S\u00e3o Paulo, onde \u00e9 interno (por tr\u00eas anos) no Instituto Ci\u00eancias e Letras. 1<strong><br \/>\n1900 &#8211; <\/strong>Ingressa na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo. Com os colegas de turma, funda uma Acad\u00eamica, em cuja sess\u00e3o inaugural faz um discurso intitulado Ontem e Hoje. <strong><br \/>\n1902 &#8211; <\/strong>\u00c9 eleito Presidente da Arc\u00e1dia Acad\u00eamica. Colabora com artigos sobre teatro para o Jornal Onze de Agosto. <strong><br \/>\n1904 &#8211;<\/strong> Formado, Monteiro Lobato regressa a Taubat\u00e9. Vencedor de um concurso de contos, o texto \u201cGens ennuyeux\u201d\u00e9 publicado no Jornal Onze de Agosto. <strong><br \/>\n1908 &#8211; <\/strong>Em 28 de mar\u00e7o, casa-se com Maria Pureza. <strong><br \/>\n1909 &#8211;<\/strong> Em mar\u00e7o, nasce Marta, primog\u00eanita do casal. Insatisfeito com a pacatez de Areias, planeja abrir uma venda. <strong><br \/>\n1910 &#8211;<\/strong> Em maio, nasce Edgar, seu segundo filho. <strong><br \/>\n1911 &#8211;<\/strong> Herda a Fazenda Buquira, para onde se muda. <strong><br \/>\n1912 &#8211;<\/strong> Em 26 de maio, nasce Guilherme, seu terceiro filho. <strong><br \/>\n1914 &#8211;<\/strong> Em 12 de novembro, O Estado de S\u00e3o Paulo publica o artigo \u201cVelha Pra\u00e7a\u201d. Em 23 de dezembro, o mesmo jornal publica \u201cUrup\u00eas\u201d. <strong><br \/>\n1916 &#8211;<\/strong> Nasce Ruth, sua \u00faltima filha. Inicia a colabora\u00e7\u00e3o na Revista do Brasil, rec\u00e9m-fundada. <strong><br \/>\n1917 &#8211; <\/strong>O Estado de S. Paulo publica o artigo &#8220;A cria\u00e7\u00e3o do estilo&#8221;, mais tarde compilado no livro Id\u00e9ias de Jeca Tatu, em que Lobato sugere que se incorporem elementos do folclore brasileiro nos cursos de arte, especialmente nos do Liceu de Artes e Of\u00edcios. Sob o t\u00edtulo &#8220;Mitologia bras\u00edlica&#8221;, em o Estadinho, edi\u00e7\u00e3o vespertina de O Estado de S. Paulo, d\u00e1 in\u00edcio a uma pesquisa pioneira de opini\u00e3o p\u00fablica sobre o saci. <strong>Reunindo as respostas de leitores e textos de sua autoria, Lobato organiza O Saci-Perer\u00ea:<\/strong> resultado de um inqu\u00e9rito, seu livro de estr\u00e9ia, lan\u00e7ado no in\u00edcio de 1918. <strong><br \/>\n1918 &#8211;<\/strong> Lan\u00e7amento de Urup\u00eas, livro de contos considerado a obra-prima do escritor e um cl\u00e1ssico da literatura brasileira. <strong><br \/>\n1926 &#8211;<\/strong> Monteiro Lobato publica em O Jornal, do Rio de Janeiro, uma s\u00e9rie de artigos sobre Henry Ford. Vertidos para o ingl\u00eas, seriam editados no op\u00fasculo &#8220;How Henry Ford is regarded in Brazil&#8221;. Lobato concorre novamente e perde a elei\u00e7\u00e3o na Academia Brasileira de Letras. <strong><br \/>\n1927 &#8211;<\/strong> Nomeado pelo presidente Washington Lu\u00eds, Lobato embarca no navio American Legion com destino a Nova Iorque, onde assumiria o cargo de adido comercial. <strong><br \/>\n1931 &#8211;<\/strong> Lobato encaminha a Get\u00falio Vargas longo documento intitulado &#8220;Memorial sobre o problema sider\u00fargico brasileiro&#8221;, onde exp\u00f5e uma vez mais a import\u00e2ncia econ\u00f4mica do ferro, as vantagens do processo Smith e historia seu esfor\u00e7o para que fosse implementado no Brasil. <strong><br \/>\n1940 &#8211; <\/strong>Recebe (e recusa) convite de Get\u00falio Vargas para dirigir um Minist\u00e9rio de Propaganda. Em carta a Vargas fez severas cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica brasileira de min\u00e9rios. O teor da carta \u00e9 considerado subversivo e desrespeitoso. <strong><br \/>\n1941 &#8211;<\/strong> Em mar\u00e7o, \u00e9 preso pelo Estado Novo, permanecendo retido at\u00e9 junho. <strong><br \/>\n1942 &#8211; <\/strong>Em fevereiro, morre seu filho Edgar. <strong><br \/>\n1943 &#8211;<\/strong> 25 anos de \u201cUrup\u00eas\u201d. <strong><br \/>\n1944 &#8211;<\/strong> Recusa indica\u00e7\u00f5es para a Academia Brasileira de Letras. <strong><br \/>\n1945 &#8211;<\/strong> Recebe e recusa o convite para integrar a bancada de candidatos do Partido Comunista Brasileiro. Integra a delega\u00e7\u00e3o de escritores paulistas ao Congresso Brasileiro de Escritores.<strong><br \/>\n1946 &#8211;<\/strong> Muda-se para a Argentina. Prepara, para a Editora Brasiliense, a edi\u00e7\u00e3o de suas obras completas. <strong><br \/>\n1947 &#8211;<\/strong> Regressa ao Brasil. <strong><br \/>\n1948 &#8211;<\/strong> Em abril, um primeiro espasmo vascular afeta a sua motricidade. Em 5 de julho, morre durante a madrugada. Seu corpo \u00e9 velado na Biblioteca Municipal, e o sepultamento realiza-se no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<h4>OBRAS<\/h4>\n<p><strong>P\u00daBLICO ALVO :<\/strong> ADULTO<\/p>\n<blockquote><p><strong>O Saci Perer\u00ea: resultado de um inqu\u00e9rito <\/strong>(1918)<br \/>\n<strong>Urup\u00eas <\/strong>(1918)<br \/>\n<strong>Problema vital<\/strong> (1918)<br \/>\n<strong>Cidades mortas <\/strong>(1919)<br \/>\n<strong>Id\u00e9ias de Jeca Tatu <\/strong>(1919)<br \/>\n<strong>Negrinha<\/strong> (1920)<br \/>\n<strong>A onda verde <\/strong>(1921)<br \/>\n<strong>O macaco que se fez homem <\/strong>(1923)<br \/>\n<strong>Mundo da lua<\/strong> (1923)<br \/>\n<strong>Contos escolhidos <\/strong>(1923)<br \/>\n<strong>O garimpeiro do Rio das Gar\u00e7as<\/strong> (1924)<br \/>\n<strong>O choque <\/strong>(1926)<br \/>\n<strong>Mr. Slang e o Brasil <\/strong>(1927)<br \/>\n<strong>Ferro<\/strong> (1931)<br \/>\n<strong>Am\u00e9rica<\/strong> (1932)<br \/>\n<strong>Na antev\u00e9spera<\/strong> (1933)<br \/>\n<strong>Contos leves <\/strong>(1935)<br \/>\n<strong>O esc\u00e2ndalo do petr\u00f3leo<\/strong> (1936)<br \/>\n<strong>Contos pesados<\/strong> (1940)<br \/>\n<strong>O espanto das gentes<\/strong> (1941)<br \/>\n<strong>Urup\u00eas, outros contos e coisas<\/strong> (1943)<br \/>\n<strong>A barca de Gleyre<\/strong> (1944 ) <strong><br \/>\nZ\u00e9 Brasil <\/strong>(1947)<br \/>\n<strong>Pref\u00e1cios e entrevistas <\/strong>(1947)<br \/>\n<strong>Literatura do minarete<\/strong> (1948)<br \/>\n<strong>Confer\u00eancias, artigos e cr\u00f4nicas<\/strong> (1948)<br \/>\n<strong>Cartas escolhidas (1948)<\/strong><br \/>\n<strong>Cr\u00edticas e Outras notas<\/strong> (1948)<br \/>\n<strong>Cartas de amor<\/strong> (1948)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>P\u00daBLICO ALVO: <\/strong>FAIXA INFANTIL<\/p>\n<blockquote><p><strong>1920 &#8211;<\/strong> A menina do narizinho arrebitado<br \/>\n<strong>1921 &#8211;<\/strong> F\u00e1bulas de Narizinho<br \/>\n<strong>1921 &#8211;<\/strong> Narizinho arrebitado<br \/>\n<strong>1921 &#8211;<\/strong> O Saci<br \/>\n<strong>1922 &#8211;<\/strong> O marqu\u00eas de Rabic\u00f3<br \/>\n<strong>1922 &#8211;<\/strong> F\u00e1bulas<br \/>\n<strong>1924 &#8211;<\/strong> A ca\u00e7ada da on\u00e7a<br \/>\n<strong>1924 &#8211;<\/strong> Jeca Tatuzinho<br \/>\n<strong>1924 &#8211;<\/strong> O noivado de Narizinho<br \/>\n<strong>1927<\/strong> &#8211; As aventuras de Hans Staden<br \/>\n<strong>1928 &#8211;<\/strong> Aventuras do pr\u00edncipe<br \/>\n<strong>1928 &#8211;<\/strong> O Gato F\u00e9lix<br \/>\n<strong>1928 &#8211; <\/strong>A cara de coruja<br \/>\n<strong>1929 &#8211;<\/strong> O irm\u00e3o de Pin\u00f3quio<br \/>\n<strong>1929 &#8211;<\/strong> O circo de escavalinho<br \/>\n<strong>1930 &#8211; <\/strong>Peter Pan<br \/>\n<strong>1930 &#8211;<\/strong> A pena de papagaio<br \/>\n<strong>1931 &#8211;<\/strong> Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho<br \/>\n<strong>1931 &#8211;<\/strong> O p\u00f3 de pirlimpimpim<br \/>\n<strong>1932 &#8211;<\/strong> Viagem ao c\u00e9u<br \/>\n<strong>1933 &#8211; <\/strong>Ca\u00e7adas de Pedrinho<br \/>\n<strong>1933 &#8211;<\/strong> Novas reina\u00e7\u00f5es de Narizinho<br \/>\n<strong>1933 &#8211;<\/strong> Hist\u00f3ria do mundo para as crian\u00e7as<br \/>\n<strong>1934 &#8211;<\/strong> Em\u00edlia no pa\u00eds da gram\u00e1tica<br \/>\n<strong>1935 &#8211; <\/strong>Aritm\u00e9tica da Em\u00edlia<br \/>\n<strong>1935 &#8211;<\/strong> Geografia de Dona Benta<br \/>\n<strong>1935 &#8211;<\/strong> Hist\u00f3ria das inven\u00e7\u00f5es<br \/>\n<strong>1936 &#8211;<\/strong> Dom Quixote das crian\u00e7as<br \/>\n<strong>1936 &#8211;<\/strong> Mem\u00f3rias da Em\u00edlia<br \/>\n<strong>1937 &#8211;<\/strong> Ser\u00f5es de Dona Benta<br \/>\n<strong>1937 &#8211;<\/strong> O po\u00e7o do Visconde<br \/>\n<strong>1937 &#8211; <\/strong>Hist\u00f3rias de Tia Nast\u00e1cia<br \/>\n<strong>1938 &#8211;<\/strong> O museu da Em\u00edlia<br \/>\n<strong>1939 &#8211;<\/strong> O Picapau Amarelo<br \/>\n<strong>1939 &#8211;<\/strong> O minotauro<br \/>\n<strong>1941 &#8211;<\/strong> A reforma da natureza<br \/>\n<strong>1942 &#8211;<\/strong> A chave do tamanho<br \/>\n<strong>1944 &#8211;<\/strong> Os doze trabalhos de H\u00e9rcules<br \/>\n<strong>1947 &#8211;<\/strong> Hist\u00f3rias diversas<\/p><\/blockquote>\n<h4>RESUMOS DE ALGUMAS OBRAS DE MONTEIRO LOBATO:<\/h4>\n<p><strong>URUP\u00caS<\/strong><\/p>\n<p>Urup\u00eas n\u00e3o cont\u00e9m uma \u00fanica hist\u00f3ria, mas v\u00e1rios contos e um artigo, quase todos passados na cidadezinha de Itaoca, no interior de SP, com v\u00e1rias hist\u00f3rias, geralmente de final tr\u00e1gico e algum elemento c\u00f4mico. O \u00faltimo conto, Urup\u00eas, apresenta a figura de Jeca Tatu, o caboclo t\u00edpico e pregui\u00e7oso, no seu comportamento t\u00edpico. No mais, as hist\u00f3rias contam de pessoas t\u00edpicas da regi\u00e3o, suas venturas e desventuras, com seu linguajar e costumes.<\/p>\n<p><strong>ALGUNS CONTOS RESUMIDOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os faroleiros<\/strong><\/p>\n<p><strong>Dois homens conversam sobre far\u00f3is, e um deles conta sobre a trag\u00e9dia do Farol dos Albatrozes, onde passou um tempo com um dos personagens da trama<\/strong>: Gerebita. Gerebita tinha um companheiro, chamado Cabrea, que ele alegava ser louco. Numa noite, travou-se uma briga entre Gerebita e Cabrea, vindo este a morrer.<\/p>\n<p>Seu corpo foi jogado ao mar e engolido pelas ondas. Gerebita alegava ter sido atacado pelos desvarios de Cabrea, agindo em leg\u00edtima pessoa. Eduardo, o narrador, descobre mais tarde que o motivo de tal trag\u00e9dia era uma mulher chamada Maria Rita, que Cabrea roubara de Gerebita.<\/p>\n<p><strong>O engra\u00e7ado arrependido<\/strong><\/p>\n<p>Um sujeito chamado Pontes, com fama de ser uma grande comediante e sarrista, resolve se tornar um homem s\u00e9rio. As pessoas, pensando se tratar de mais uma piada do rapaz negavam-lhe emprego. Pontes recorre a um primo de influ\u00eancia no governo, que lhe promete o posto da coletoria federal, j\u00e1 que o titular, major Bentes, estava com s\u00e9rios problemas card\u00edacos e n\u00e3o duraria muito tempo.<\/p>\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o era matar o homem mais r\u00e1pido, e com aquilo que Pontes fazia de melhor<\/strong>: contar piadas. Aproxima-se do major e, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas, consegue o intento. <strong>Morte, por\u00e9m in\u00fatil: <\/strong>Pontes se esquece de avisar o primo da morte, e o governo escolhe outra pessoa para o cargo.<\/p>\n<p><strong>A colcha de retalhos<\/strong><\/p>\n<p>Um sujeito (o narrador) vai at\u00e9 o s\u00edtio de um homem chamado Z\u00e9 Alvorada para contratar seus servi\u00e7os. Z\u00e9 est\u00e1 fora e, enquanto n\u00e3o chega, o narrador trata com a mulher (Sinh\u00e1 Ana), sua filha de quatorze anos (Pingo d&#8217;\u00c1gua) e a figura singela da av\u00f3, Sinh\u00e1 Joaquina, no auge dos seus setenta anos. Joaquina passava a vida a fazer uma colcha de retalhos com pedacinhos de tecido de cada vestido que Pingo d&#8217;\u00c1gua vestia desde pequenina.<\/p>\n<p>O \u00faltimo peda\u00e7o haveria de ser o vestido de noiva. Passado dois anos, o narrador fica sabendo da morte de Sinh\u00e1 Ana e a fuga de Pingo d&#8217;\u00c1gua com um homem. Volta at\u00e9 aquela casa e encontra a velha, tristonha, com a in\u00fatil concha de retalhos na m\u00e3o. Em pouco tempo morreria&#8230;<\/p>\n<p><strong>A vingan\u00e7a da peroba<\/strong><\/p>\n<p>Sentindo inveja da prosperidade dos vizinhos, Jo\u00e3o Nunes resolve deixar de lado sua pregui\u00e7a e construir um monjolo (engenho de milho). Contrata um deficiente, Teixeirinha, para fazer a tal obra. Em falta de madeira boa para a constru\u00e7\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 cortar a bela e frondosa peroba na divisa das suas terras (o que causa uma tremenda encrenca com os vizinhos).<\/p>\n<p>Teixeirinha, enquanto trabalha, conta a Jo\u00e3o Nunes sobre a vingan\u00e7a dos esp\u00edritos das \u00e1rvores contra os homens que as cortam. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o monjolo n\u00e3o funciona direito (para a goza\u00e7\u00e3o dos vizinhos) e Jo\u00e3o Nunes perde um filho, esmagado pela engenhoca.<\/p>\n<p><strong>Um supl\u00edcio moderno<\/strong><\/p>\n<p>Ajudando o coronel Fidencio a ganhar a elei\u00e7\u00e3o em Itaoca, Iz\u00e9 Biriba recebe o cargo de estafeta (entregador de correspond\u00eancias e outras cargas). Obrigado a andar sete l\u00e9guas todos os dias, Biriba perde aos poucos a sa\u00fade. Resolve pedir demiss\u00e3o, o que lhe \u00e9 negada. Sabendo da pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o, continua no cargo com a inten\u00e7\u00e3o de vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Encarregado de levar um &#8220;papel&#8221; que garantiria novamente a vit\u00f3ria de seu coronel, deixa de cumprir a miss\u00e3o. Coronel Fidencio perde a elei\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, enquanto o coronel eleito resolve manter Biriba no cargo. Este, ent\u00e3o, vai embora durante a noite&#8230;<\/p>\n<p><strong>Meu conto de Maupassant:<\/strong><\/p>\n<p>Dois homens conversam num trem. Um deles \u00e9 ex-delegado e conta sobre a morte de uma velha. O primeiro suspeito era um italiano, dono de venda, que \u00e9 preso. Solto por falta de provas, vem morar em S\u00e3o Paulo. Passado algum tempo, novas provas incriminam o mesmo e, preso em S\u00e3o Paulo e conduzido de trem ao vilarejo, se joga da janela. <strong>Morte instant\u00e2nea e in\u00fatil<\/strong>: tempo depois, o filho da velha confessa o crime.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Pollice Verso&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>O filho do coronel In\u00e1cio da Gama, o Inacinho, forma-se em Medicina no Rio de Janeiro e volta para exercer a profiss\u00e3o. Pensando em arrecadar dinheiro para ir a Paris reencontrar a namorada francesa, Inacinho come\u00e7a a cuidar de um coronel rico. Como a conta seria mais alta se o velho morresse, a morte n\u00e3o tarda a acontecer. O caso vai parar na justi\u00e7a, onde dois outros m\u00e9dicos velhacos d\u00e3o raz\u00e3o a Inacinho.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o vai para Paris morar em Paris com a namorada, levando uma vida bo\u00eamia. No Brasil, o orgulhoso coronel In\u00e1cio da Gama fala aos ventos sobre o filho que andava aprofundando os estudos com os melhores m\u00e9dicos da Europa.<\/p>\n<p><strong>Buc\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p>Andando pelos pequenos vilarejos e s\u00edtios interioranos, o narrador fica sabendo da tr\u00e1gica hist\u00f3ria da morte da filha de Pedro Su\u00e3, que morreu de sede. Aleijada e odiada pela m\u00e3e, a filha adoeceu e, ardendo em febre numa noite, gritava por \u00e1gua. A m\u00e3e n\u00e3o lhe atendeu, e a filha foi encontrada morta na cozinha, perto do pote de \u00e1gua, para onde se arrastou.<\/p>\n<p><strong>O mata-pau<\/strong><\/p>\n<p>Dois homens conversam na mata sobre uma planta chamada mata-pau, que cresce e mata todas as outras \u00e1rvores ao seu redor. O assunto termina no tr\u00e1gico caso de um pr\u00f3spero casal, Elesb\u00e3o e Rosinha, que encontram um beb\u00ea em suas terras e resolvem adot\u00e1-lo. Crescido o menino, se envolve com a m\u00e3e e mata o pai. Com os neg\u00f3cios paternos em ru\u00edna, resolve vend\u00ea-los, o que vai contra os gostos da m\u00e3e-esposa. Esta quase acaba v\u00edtima do rapaz, e vai parar num hospital, enlouquecida.<\/p>\n<p><strong>Bocatorta<\/strong><\/p>\n<p>Na fazenda do Atoleiro, vivia a fam\u00edlia do major Z\u00e9 Lucas.<\/p>\n<p><strong>Nas matas da fazenda, havia um negro com a cara defeituosa com fama de monstro<\/strong>: Bocatorta. Cristina, filha do major, morre justamente alguns dias depois de ter ido com o pai ver a tal criatura. Seu noivo, Eduardo, n\u00e3o ag\u00fcenta a tristeza e vai at\u00e9 o cemit\u00e9rio chorar a morte da amada. Encontra Bocatorta desenterrando a mo\u00e7a. Volta correndo e, junto a um grupo de homens da fazenda, sai em persegui\u00e7\u00e3o a Bocatorta. Esse, em fuga, morre ao passar num atoleiro, depois de ter dado o seu \u00fanico beijo na vida.<\/p>\n<p><strong>O comprador de fazendas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pensando em se livrar logo da fazenda Espig\u00e3o (verdadeira ru\u00edna para quem a possui), Moreira recebe com entusiasmo um bem-apessoado comprador<\/strong>: Pedro Trancoso. O rapaz se encanta com a fazenda e com a filha de Moreira e, prometendo voltar na semana seguinte para fechar o neg\u00f3cio, nunca mais d\u00e1 not\u00edcias.<\/p>\n<p>Moreira vem a descobrir mais tarde que Pedro Trancoso \u00e9 um tremendo safado, sem dinheiro nem para comprar p\u00e3o. Pedro, no entanto, ganha na loteria e resolve comprar mesmo a fazenda, mas \u00e9 expulso por Moreira, que perdeu assim a \u00fanica chance que teve na vida de se livrar das d\u00edvidas.<\/p>\n<p><strong>O estigma<\/strong><\/p>\n<p>Bruno resolve visitar o amigo Fausto em sua fazenda. L\u00e1 conhece a bela menina Laura, prima \u00f3rf\u00e3 de Fausto, e sua fria esposa. Fausto convivia com o tormento de um casamento concebido por interesse e uma forte paix\u00e3o pela prima.<\/p>\n<p><strong>Passado vinte anos, os amigos se reencontram no Rio de Janeiro, onde Bruno fica sabendo da trag\u00e9dia que envolveu as duas mulheres da vida de Fausto<\/strong>: Laura sumiu durante um passeio, e foi encontrada morta com um rev\u00f3lver ao lado da m\u00e3o direita. Suic\u00eddio misterioso e inexplic\u00e1vel.<\/p>\n<p>A fria esposa de Fausto estava gr\u00e1vida e deu a luz a um menino que tinha um sinalzinho semelhante ao ferimento de bala no corpo da menina.<\/p>\n<p><strong>Fausto v\u00ea o sinalzinho e percebe tudo<\/strong>: a mulher havia matado Laura. Mostra o sinal do rec\u00e9m-nascido para ela que, horrorizada, padece at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p><strong>Velha Praga<\/strong><\/p>\n<p>Artigo onde Monteiro Lobato denuncia as queimadas da Serra da Mantiqueira por caboclos n\u00f4mades, al\u00e9m de descrever e denunciar a vida dos mesmos.<\/p>\n<p><strong>Urup\u00eas : O livro<\/strong><\/p>\n<p>A j\u00f3ia do livro. Aqui, Monteiro Lobato personifica a figura do caboclo, criando o famoso personagem \u201cJeca Tatu\u201d, apelidado de urup\u00ea (uma esp\u00e9cie de fungo parasita). Vive &#8220;e vegeta de c\u00f3coras&#8221;, \u00e0 base da lei do menor esfor\u00e7o, alimentando-se e curando-se daquilo que a natureza lhe d\u00e1, alheio a tudo o que se passa no mundo, menos do ato de votar. Representa a ignor\u00e2ncia e o atraso do homem do campo.<\/p>\n<p><strong>CA\u00c7ADAS DE PEDRINHO<\/strong><\/p>\n<p>As crian\u00e7as do s\u00edtio do Pica-pau Amarelo, resolvem ca\u00e7ar uma on\u00e7a, e depois de muito sacrif\u00edcio estas crian\u00e7as conseguem. Depois os bichos desse s\u00edtio querem matar estas crian\u00e7as, pois elas mataram a maior on\u00e7a que havia ali entre os animais.<\/p>\n<p>Os animais n\u00e3o conseguem pegar as crian\u00e7as, porque as crian\u00e7as puseram uma perna de pau de 4 metros de altura, deste modo ficou imposs\u00edvel tentar mat\u00e1-las. Um rinoceronte foge de um circo e vai at\u00e9 o s\u00edtio do Pica-pau Amarelo em busca de tranq\u00fcilidade.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os moradores desse s\u00edtio ficam com medo, mas depois at\u00e9 brincam com o rinoceronte. V\u00e1rias pessoas v\u00e3o resgatar o rinoceronte, mas n\u00e3o conseguem, e por isso as crian\u00e7as do s\u00edtio se tornam as propriet\u00e1rias do rinoceronte.<\/p>\n<p><strong>CIDADES MORTAS<\/strong><\/p>\n<p>Publicado em 1919, pela Revista do Brasil, este segundo livro de Lobato levava o subt\u00edtulo &#8221; Contos e Impress\u00f5es &#8221; e reunia trabalhos bastante antigos , alguns do tempo de estudante de Lobato. Em edi\u00e7\u00f5es subsequentes, novo textos acrescentaram-se \u00e0 obra. O t\u00edtulo do livro \u00e9 tomado de um texto de 1906.<\/p>\n<p><strong>Numa esp\u00e9cie de cr\u00f4nica ou ensaio, num tom entre ir\u00f4nico e saudosista, Lobato delineia o espa\u00e7o de sua obra<\/strong>: o norte paulista do vale do Para\u00edba, &#8220;onde tudo foi e nada \u00e9: N\u00e3o se conjugam verbos no presente. Tudo \u00e9 pret\u00e9rito. &#8220;(&#8230;) cidades moribundas arrastam um viver decr\u00e9pito. Gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas de dantes&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 , portanto num cen\u00e1rio de decad\u00eancia representado por ruas ermas , casar\u00f5es em ru\u00ednas e armaz\u00e9ns desertos, que o livro introduz o leitor, fazendo-o acompanhar de um ponto de vista ir\u00f4nico figuras igualmente decadentes de homens e mulheres. Cabelos Compridos e o Espi\u00e3o Alem\u00e3o s\u00e3o os dois contos mais conhecidos do livro.<\/p>\n<p><strong>Os contos de Cidades Mortas entremeiam-se com digress\u00f5es, como a aguda cr\u00edtica aos ficcionistas rom\u00e2nticos (Alencar, Macedo, Bernardo Guimar\u00e3es) , que transcrevemos:<\/strong> &#8220;No concerto de nossos romancistas, onde Alencar \u00e9 o Piano querido das mo\u00e7as e Macedo a Sensaboria relamb\u00f3ria dum flautim piegas, Bernardo \u00e9 a sanfona.<\/p>\n<p>L\u00ea-lo \u00e9 ir para o mato , para a ro\u00e7a- mas uma ro\u00e7a adjetivada por menina de caudalosos, as matas virentes, os p\u00edncaros alt\u00edssimos, os sabi\u00e1s sonoros , as rolinhas meigas. Bernardo descreve a natureza como qualificativos surrados do mau contador.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe nele o vinco en\u00e9rgico de impress\u00e3o pessoal. Vinte verg\u00e9is que descreva s\u00e3o vinte perfeitas invari\u00e1veis amenidades. Nossas desajeitad\u00edssimas caipiras s\u00e3o sempre lindas morenas cor de jambo. Bernardo falsifica o nosso mato. Onde toda gente v\u00ea carrapatos , pernilongos espinhos, Bernardo aponta do\u00e7uras insetos maviosos, flores olentes. Bernardo mente.&#8221;<\/p>\n<p><strong>IDEIAS DE JECA TATU<\/strong><\/p>\n<p>O universo dos contos \u00e9 sempre o mesmo as &#8220;ita\u00f3cas&#8221; ,cidadezinhas do Vale do Para\u00edba paulista , com suas casas de tapera, ruas mal iluminadas, pol\u00edticos corruptos, patriotadas, ignor\u00e2ncia e mis\u00e9ria. Sua viv\u00eancia de promotor p\u00fablico e fazendeiro nessas &#8220;cidades mortas&#8221;,arruinadas ap\u00f3s o fast\u00edgio do caf\u00e9, orienta a fidelidade \u00e0 paisagem regional e refor\u00e7a a ironia com que critica o caipira , o capiau, personificado nos &#8220;jecas-tatus&#8221; , nos &#8220;piolhos da terra&#8221;.<\/p>\n<p>Apoiada na narrativa oral, na t\u00e9cnica do contador -de- casos , fixa flagrantes do homem e da paisagem, tomados em seus aspectos exteriores, comunicando ao leitor, de modo eficiente, a sugest\u00e3o de marasmo e indol\u00eancia reinantes.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o did\u00e1tica, moralizante, que emerge da den\u00fancia e da ironia, levam Lobato a articular suas narrativas em torno do rid\u00edculo e do pat\u00e9tico em que desembocam quase todas as suas hist\u00f3rias, povoadas de cretinos , idiotas, aleijados ( dos quais o narrador extrai efeitos c\u00f4micos), e arrematadas por finais tr\u00e1gicos m chocantes ou deprimentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 profundidade na coloca\u00e7\u00e3o dos dramas morais; o que Lobato buscou foi narrar com brilho um caso, uma anedota e sobretudo , um desfecho feito de a caso ou viol\u00eancia. A narrativa se interrompe , com freq\u00fc\u00eancia , para que o Lobato-doutrinador desenvolva suas digress\u00f5es explicativas ou pol\u00eamicas.<\/p>\n<p><strong>NEGRINHA<\/strong><\/p>\n<p>Negrinha \u00e9 narrativa em terceira pessoa, impregnada de uma carga emocional muito forte.<\/p>\n<p><strong>Sem d\u00favida alguma \u00e9 conto invej\u00e1vel<\/strong>:&#8221;Negrinha era uma pobre \u00f3rf\u00e3 de sete anos. Preta? N\u00e3o; fusca, mulatinha escura, de cabelos ru\u00e7os e olhos assustados. Nascera na senzala, de m\u00e3e escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos.<\/p>\n<p>Sempre escondida, que a patroa n\u00e3o gostava de crian\u00e7as.&#8221; D. In\u00e1cia era vi\u00fava sem filhos e n\u00e3o suportava choro de crian\u00e7as. <strong>Se Negrinha, bebezinho, chorava nos bra\u00e7os da m\u00e3e, a mulher gritava<\/strong>: &#8220;Quem \u00e9 a peste que est\u00e1 chorando a\u00ed?&#8221; A m\u00e3e, desesperada, abafava o choro do beb\u00ea, e afastando-se com ela para os fundos da casa, torcia-lhe belic\u00f5es desesperados.<\/p>\n<p><strong>O choro n\u00e3o era sem raz\u00e3o<\/strong>: era fome, era frio: &#8220;Assim cresceu Negrinha \u00ad magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados. \u00d3rf\u00e3 aos quatro anos, por ali ficou feito gato sem dono, levada a pontap\u00e9s. N\u00e3o compreendia a id\u00e9ia dos grandes. Batiam-lhe sempre, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra, provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar, mas quase n\u00e3o andava.<\/p>\n<p>Com pretexto de que \u00e0s soltas reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao p\u00e9 de si, num desv\u00e3o da porta. &#8211; Sentadinha a\u00ed e bico, hein?&#8221; Ela ficava im\u00f3vel, a coitadinha. Seu \u00fanico divertimento era ver o cuco sair do rel\u00f3gio, de hora em hora. Ensinaram Negrinha a fazer croch\u00ea e l\u00e1 ficava ela espichando trancinhas sem fim&#8230;<\/p>\n<p><strong>Nunca tivera uma palavra sequer de carinho e os apelidos que lhe davam eram os mais diversos<\/strong>: pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata choca, pinto gorado, mosca morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa ruim, lixo.<\/p>\n<p>Foi chamada bub\u00f4nica, por causa da peste que grassava&#8230; &#8220;O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, verg\u00f5es. Batiam nele todos os dias, houvesse ou n\u00e3o houvesse motivo. Sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e belic\u00f5es a mesma atra\u00e7\u00e3o que o \u00edm\u00e3 exerce para o a\u00e7o. M\u00e3os em cujos n\u00f3s de dedos comichasse um cocre, era m\u00e3o que se descarregaria dos fluidos em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>De passagem. Coisa de rir e ver a careta&#8230;&#8221; D. In\u00e1cia era m\u00e1 demais e apesar da Aboli\u00e7\u00e3o j\u00e1 ter sido proclamada, conservava em casa Negrinha para aliviar-se com &#8220;uma boa roda de cocres bem fincados!&#8230;&#8221; Uma criada furtou um peda\u00e7o de carne ao prato de Negrinha e a menina xingou-a com os mesmos nomes com os quais a xingavam todos os dias.<\/p>\n<p><strong>Sabendo do caso, D. In\u00e1cia tomou provid\u00eancias<\/strong>: mandou cozinhar um ovo e, tirando-o da \u00e1gua fervente, colocou-o na boca da menina.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso, amorda\u00e7ou-a com as m\u00e3os, o urro abafado da menina saindo pelo nariz&#8230; O padre chegava naquele instante e D. In\u00e1cia fala com ele sobre o quanto cansa ser caridosa&#8230;<\/p>\n<p><strong>Em um certo dezembro, vieram passar as f\u00e9rias na fazenda duas sobrinhas de D. In\u00e1cia<\/strong>: lindas, reconchudas, louras, &#8220;criadas em ninho de plumas.&#8221;<\/p>\n<p>E negrinha viu-as irromperem pela sala, saltitantes e felizes, viu tamb\u00e9m In\u00e1cia sorrir quando as via brincar.<\/p>\n<p><strong>Negrinha arregalava os olhos<\/strong>: havia um cavalinho de pau, uma boneca loura, de lou\u00e7a. Interrogada se nunca havia visto uma boneca, a menina disse que n\u00e3o&#8230; e p\u00f4de, ent\u00e3o, pegar aquele serzinho angelical : &#8220;E muito sem jeito, como quem pega o Senhor Menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relan\u00e7os d&#8217;olhos para a porta.<\/p>\n<p>Fora de si, literalmente&#8230;&#8221; Teve medo quando viu a patroa, mas D. In\u00e1cia, diante da surpresa das meninas que mal acreditavam que Negrinha nunca tivesse visto uma boneca, deixou-a em paz, permitiu que ela brincasse tamb\u00e9m no jardim. Negrinha tomou consci\u00eancia do mundo e da alegria, deixara de ser uma coisa humana, vibrava e sentia. Mas se foram as meninas , a boneca tamb\u00e9m se foi e a casa caiu na mesmice de sempre.<\/p>\n<p><strong>Sabedora do que tinha sido a vida, a alma desabrochada, Negrinha caiu em tristeza profunda e morreu, assim, de repente<\/strong>: &#8220;Morreu na esteirinha rota, abandonada de todos, como um gato sem dono. Jamais, entretanto, ningu\u00e9m morreu com maior beleza. O del\u00edrio rodeou-a de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos&#8230;&#8221; No final da narrativa, o narrador nos alerta: &#8220;E de Negrinha ficaram no mundo apenas duas impress\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma c\u00f4mica, na mem\u00f3ria das meninas ricas. &#8211; &#8220;Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?&#8221;<\/p>\n<p><strong>Outra de saudade, no n\u00f3 dos dedos de dona In\u00e1cia<\/strong>: &#8211; &#8220;Como era boa para um cocre!&#8230;&#8221; \u00c9 interessante considerar aqui algumas coisas: em primeiro lugar o tema da caridade azeda e m\u00e1, que cria infort\u00fanio para os dela protegidos, um dos temas recorrentes de <strong>Monteiro Lobato<\/strong>; o segundo aspecto que poderia ser observado \u00e9 o fen\u00f4meno da epifania, a revela\u00e7\u00e3o que, inesperadamente, atinge os seres, mostrando-lhes o mundo e seu esplendor.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, tais criaturas sucumbem, tal qual Negrinha o fez. Ter estado anos a fio a desconhecer o riso e a gra\u00e7a da exist\u00eancia, sentada ao p\u00e9 da patroa m\u00e1, das criaturas perversas, nos cantos da cozinha ou da sala, deram a Negrinha a condi\u00e7\u00e3o de bicho-gente que suportava belisc\u00f5es e palavr\u00f3rios, mas a partir do instante em que a boneca aparece, sua vida muda. \u00c9 a epifania que se realiza, mostrando-lhe o mundo do riso e das brincadeiras infantis das quais Negrinha poderia fazer parte, se n\u00e3o houvesse a perversidade das criaturas. \u00c9 a\u00ed que adoece e morre, preferindo ausentar-se do mundo a continuar seus dias sem esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 MESA COM LOBATO:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Monteiro Lobato<\/strong> (1882-1942) gostava de comer bem e fazia quest\u00e3o que seus leitores soubessem disso. Os f\u00e3s de Pedrinho, Narizinho, Em\u00edlia e do Visconde de Sabugosa salivam at\u00e9 hoje s\u00f3 de lembrar os bolos, tortas e guloseimas mil criados pela mitol\u00f3gica Tia Nast\u00e1cia, a cozinheira encantada do S\u00edtio do Picapau Amarelo. Afinal, os bolinhos de polvilho dela foram capazes de amansar at\u00e9 o Minotauro, num famoso epis\u00f3dio das aventuras da turma.<\/p>\n<p>Para aplacar a vontade nost\u00e1lgica dos leitores do S\u00edtio, sai &#8220;\u00c0 Mesa com Monteiro Lobato&#8221; (Senac Editora, R$ 50), de Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta, que re\u00fane receitas e historietas curiosas como a diatribe do autor de Urup\u00eas contra o afrancesamento exacerbado dos restaurantes da capital paulista.<\/p>\n<p><strong>Usando de uma ironia cortante, ele escreveu<\/strong>: &#8220;Adquirimos tanto gout que, por instinto, o nosso organsimo, num diner elegante, repeliria com vomissments incoercibles um plat nomeado \u00e0 portuguesa, charramente: arroz de forno, leit\u00e3o assado. \u00c9 mister que eles venham, embora n\u00e3o mudados de subst\u00e2ncia, transferidos em marcassin, ou riz ou four \u00e0 la princesse quelque chose. S\u00f3 assim as fibras da estesia gustativa nos tremelicam de gozo e dos olhos nos correm l\u00e1grimas a Brillat-Savarin&#8221;.<\/p>\n<p>Nacionalista ferrenho, Monteiro Lobato j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o de seus compatriotas para ingredientes nacionais como a grumixama, uma esp\u00e9cie de cereja nativa ou o i\u00e7\u00e1, tira-gosto muito popular na Vale do Para\u00edba, feito com as formigas com este nome, para ele, um verdadeiro &#8220;caviar&#8221;.<\/p>\n<p>As receitas do livro, extra\u00eddas do caderno de receitas de Dona Purezinha, mulher do autor, lembram a culin\u00e1ria simples e saborosa, da fazenda de Taubat\u00e9 onde nasceu e cresceu. Aqui est\u00e3o o arroz com su\u00e3, bolinho caipira, canjiquinha, costela assada com banana, virado de couve, quibebe, mingau de inhame, doce de marmelo, espera-marido, bol\u00e3o de fub\u00e1, queijadinha e outras gostosuras.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 falta mesmo a m\u00e3o da Tia Nast\u00e1cia que costumava dizer <\/strong>: &#8220;Receita, dou; mas a quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 na receita &#8211; est\u00e1 no jeitinho de fazer&#8221;, respondia a cozinheira sempre que algu\u00e9m pedia as medidas de suas del\u00edcias.<\/p>\n<h4><strong>Monteiro Lobato &#8211; Biografia<\/strong><\/h4>\n<p>Jos\u00e9 Bento <strong>Monteiro Lobato<\/strong> nasceu em Taubat\u00e9, estado de S\u00e3o Paulo, a 18 de abril de 1882. Em 1900 matricula-se na Faculdade de Direito do Largo de S\u00e3o Francisco, sendo um dos integrantes do grupo liter\u00e1rio &#8220;Minarete&#8221;. Formado, exerce a promotoria p\u00fablica em Areias, na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba paulista.<\/p>\n<p>Em 1911 herda de seu av\u00f4 uma fazenda, dedicando-se \u00e0 agricultura; tr\u00eas anos depois, no inverno de 1914, cansado de enfrentar as constantes queimadas praticadas pelos cablocos, o fazendeiro escreve uma &#8220;indigna\u00e7\u00e3o&#8221; intitulada &#8220;Velha praga&#8221; e envia para as &#8220;Queixas e reclama\u00e7\u00f5es&#8221; do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Percebendo o valor da carta, o jornal a publica fora da se\u00e7\u00e3o destinada aos leitores, ela provoca pol\u00eamica e estimula Lobato a escrever outros artigos, como por exemplo &#8220;Urup\u00eas&#8221;, onde cria seu famoso personagem &#8220;Jeca Tatu&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A partir da\u00ed, os fatos se sucedem rapidamente:<\/strong> vende a fazenda; publica seu primeiro livro, &#8220;Urup\u00eas&#8221; (1918); funda a editora <strong>Monteiro Lobato<\/strong> e Cia. (primeira editora nacional) e, em 1944, a Editora Brasiliense.<\/p>\n<p>Vive nos Estados Unidos como adido comercial, de 1927 a 1931, ao retornar ao Brasil inicia sua luta em favor dos interesses nacionais, combatendo a explora\u00e7\u00e3o e tornando-se muito conhecido por sua campanha pela extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo existente no subsolo brasileiro (funda o Sindicato do Ferro e a Cia. Petr\u00f3leos do Brasil). Por suas posi\u00e7\u00f5es passa a enfrentar a f\u00faria das multinacionais e os &#8220;obst\u00e1culos&#8221; impostos pelo governo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Disso resulta outra &#8220;indigna\u00e7\u00e3o&#8221;:<\/strong> &#8220;O esc\u00e2ndalo do petr\u00f3leo&#8221;, livro-den\u00fancia publicado em 1936. O empenho com o qual se bateu pelos interesses nacionais custou-lhe seis meses de pris\u00e3o, em 1941, durante o governo de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, colabora com artigos em jornais brasileiros e argentinos. Falece a 5 de julho de 1948, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Suas id\u00e9ias pol\u00edticas, assim como suas opini\u00f5es a respeito da cultura nacional, foram deixadas numa vasta s\u00e9rie de artigos de jornal, entrevistas e pref\u00e1cios.<\/p>\n<p>Monteiro Lobato enquadra-se no Pr\u00e9-Modenismo por duas caracter\u00edsticas de sua obra &#8211; o regionalismo e a den\u00fancia da realidade brasileira &#8211; uma vez que, no plano puramente est\u00e9tico, o autor assume posi\u00e7\u00f5es anti-modernistas (o pr\u00f3prio Lobato afirmou que preferiu jogar xadrez nas praias do Guaruj\u00e1, durante a Semana de Arte Moderna).<\/p>\n<p>Como regionalista, o autor dimensiona com exatid\u00e3o o Vale do Para\u00edba paulista do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, sua decad\u00eancia ap\u00f3s a passagem da economia cafeeira, seus costumes e sua gente, t\u00e3o bem retratados nos contos de &#8220;Cidades mortas&#8221;.<\/p>\n<p>Na descri\u00e7\u00e3o do tipo humano caracter\u00edstico da regi\u00e3o, est\u00e1 o tra\u00e7o mais marcante da fic\u00e7\u00e3o de Monteiro Lobato, surge &#8220;Jeca Tatu&#8221; (inicialmente tratado como vagabundo e indolente, para s\u00f3 depois o autor reconhecer a realidade daquela popula\u00e7\u00e3o subnutrida, vivendo na mis\u00e9ria, marginalizada socialmente, sem acesso \u00e0 cultura, acometida de toda a sorte de doen\u00e7as end\u00eamicas).<\/p>\n<p>O preconceito racial e a situa\u00e7\u00e3o dos negros ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o foi outro tema abordado pelo autor de &#8220;Negrinha&#8221; &#8211; as personagens s\u00e3o gordas senhoras que, num falso gesto de bondade, &#8220;adotavam&#8221; menininhas negras para escreviz\u00e1-las em trabalhos caseiros.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 linguagem, <strong>Monteiro Lobato<\/strong> luta para aproxim\u00e1-la o m\u00e1ximo poss\u00edvel do coloquial, al\u00e9m de incorporar \u00e0 linguagem liter\u00e1ria termos e express\u00f5es t\u00edpicas da fala regional.<\/p>\n<p>Ao lado da chamada literatura adulta, o autor deixou extensa obra voltada para o p\u00fablico infantil, um campo at\u00e9 ent\u00e3o mal explorado na Literatura Brasileira.<\/p>\n<p>Seu primeiro livro para crian\u00e7as foi &#8220;Narizinho arrebitado&#8221; (1921), rebatizado depois como &#8220;Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho&#8221;; todas as narrativas centram-se num \u00fanico espa\u00e7o, o &#8220;S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo&#8221;, e o autor cria enredos onde predomina a fantasia.<\/p>\n<p>Mesmo na literatura infantil, <strong>Monteiro Lobato<\/strong> n\u00e3o abandona a luta pelos interesses nacionais, com seus personagens representando v\u00e1rios aspectos do povo brasileiro, e o &#8220;S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo&#8221; sendo uma imagem do Brasil (por exemplo, em &#8220;O po\u00e7o do Visconde&#8221; o autor mistura fic\u00e7\u00e3o e realidade em torno do problema do petr\u00f3leo).<\/p>\n<h4><strong>Monteiro Lobato &#8211; Autor<\/strong><\/h4>\n<p><strong>18 de Abril<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Nasce em uma ch\u00e1cara de Taubat\u00e9, interior do estado de S\u00e3o Paulo, zona rural do rio Para\u00edba, Jos\u00e9 Renato <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, filho primog\u00eanito de Jos\u00e9 Bento Marcondes Lobato e Ol\u00edmpia Augusta Monteiro Lobato, e neto de Jos\u00e9 Francisco Monteiro, &#8220;Visconde de Trememb\u00e9&#8221; herdeiro da Fazenda Buquira.<br \/>\nDesde pequeno \u00e9 chamado pela m\u00e3e e familiares por &#8220;Juca&#8221;.<br \/>\n\u00c9 criado na fazenda Santa Maria em Ribeir\u00e3o das Almas, arredores de Taubat\u00e9 e na bela resid\u00eancia em Taubat\u00e9, passando tamb\u00e9m longas temporadas na casa do av\u00f4.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1886: <\/strong>Nasce sua irm\u00e3 Ester <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, apelidada &#8220;Teca&#8221;.<\/p>\n<p><strong>1888<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Recebe suas primeiras li\u00e7\u00f5es e \u00e9 alfabetizado por Dona Ol\u00edmpia Augusta. Posteriormente ter\u00e1 aulas particulares ministrados pelo lente Joviano Barbosa.<br \/>\nApaixona-se pela biblioteca do av\u00f4 onde os livros particularmente ilustrados, seduzem-no.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1889 a 1892: <\/strong>Freq\u00fcenta, em Taubat\u00e9, os col\u00e9gios Kennedy, Americano e Paulista.<\/p>\n<p><strong>1893:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Aos 11 anos, recebe antecipadamente, como heran\u00e7a do pai Jos\u00e9 Bento, uma linda bengala que tem gravada no cast\u00e3o as iniciais paternas J.B.M.L. A fim de us\u00e1-la, troca o nome de Renato come\u00e7ado do R pelo Bento do nome paterno.<br \/>\nAssume, assim, o nome de Jos\u00e9 Bento Monteiro Lobato.<br \/>\nNeste mesmo ano, passa a freq\u00fcentar o Col\u00e9gio S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1894: <\/strong>Ganha sua primeira cal\u00e7a comprida que usa envergonhad\u00edssimo.<\/p>\n<p><strong>1895: <\/strong>Vai para S\u00e3o Paulo, em dezembro. No m\u00eas seguinte presta exames para ingresso no curso preparat\u00f3rio. \u00c9 reprovado e regressa para Taubat\u00e9.<\/p>\n<p><strong>1896:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Estuda no col\u00e9gio Paulista. <strong><br \/>\nDurante o ano faz suas primeiras incurs\u00f5es liter\u00e1rias escrevendo nos jornaizinhos:<\/strong> &#8220;P\u00e1tria&#8221;, &#8220;H2S&#8221; e &#8220;O Guarany&#8221;, sob o pesud\u00f4nimo de Josben e Nh\u00f4 Dito.Coleciona \u00e1vidamente textos e recortes que o interessem e l\u00ea muito.<br \/>\nEm dezembro \u00e9 aprovado nos exames que presta para o curso preparat\u00f3rio. Escreve minuciosas cartas \u00e0 fam\u00edlia, descrevendo a cidade de S\u00e3o Paulo. Colabora com O Patriota e A P\u00e1tria.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1897: <\/strong>Muda-se para S\u00e3o Paulo e \u00e9 estudante interno do Instituto Ci\u00eancias e Letras.<\/p>\n<p><strong>1898:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>13 de Junho, morre seu pai.<br \/>\nNeste mesmo ano, pela primeira vez, participa das sess\u00f5es do gr\u00eamio Liter\u00e1rio \u00c1lvaro de Azevedo do Instituto Ci\u00eancias e Letras.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1899: <\/strong>22 de Junho, morre sua m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>1900:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Ainda com 17 anos, ingressa como estudante na Faculdade de Direito de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nTendo forte talento para o desenho, pois desde menino retrata a Fazenda Buquira, torna-se nessa \u00e9poca bom desenhista e caricaturista.<strong><br \/>\nFunda com os colegas de turma a &#8220;Arc\u00e1dia Acad\u00eamica&#8221;, em cuja sess\u00e3o inaugural faz um discurso intitulado:<\/strong> Ontem e hoje.<br \/>\nMonteiro Lobato j\u00e1 \u00e9 elogiado por todos como um comentarista original, dono de senso fino e sutil, de um esp\u00edrito \u00e0 francesa e de um humor ingl\u00eas imbat\u00edvel, que carregar\u00e1 pela vida \u00e0 fora.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1902: <\/strong>\u00c9 eleito presidente da &#8220;Arc\u00e1dia Acad\u00eamica&#8221;. Colabora com o jornal &#8220;Onze de Agosto&#8221; onde escreve artigos sobre Teatro.<\/p>\n<p><strong>1903: <\/strong>Junto com Ricardo Gon\u00e7alves, C\u00e2ndido Negreiros, Raul de Freitas, Godofredo Rangel, Tito Livio Brasil, Lino Moreira e Jos\u00e9 Antonio Nogueira, fundam o grupo &#8220;O Cen\u00e1culo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>1904:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Forma-se em Direito e regressa a Taubat\u00e9.<br \/>\nVence um concurso de contos e o texto Gens ennuyeux \u00e9 publicado no jornal &#8220;Onze de Agosto&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1905: <\/strong>Vivendo no interior, <strong>Monteiro Lobato<\/strong> faz planos de fundar uma f\u00e1brica de gel\u00e9ias em sociedade com um amigo.<\/p>\n<p><strong>1906: <\/strong>Ocupa interinamente a promotoria de Taubat\u00e9 e come\u00e7a a namorar Maria Pureza da Natividade.<\/p>\n<p><strong>1907: <\/strong>Assume a promotoria de Areias.<\/p>\n<p><strong>1908: <\/strong>28 de Mar\u00e7o, casa-se com Maria Pureza.<\/p>\n<p><strong>1909:<\/strong> Em Mar\u00e7o, um anos depois de casado, nasce Marta, primog\u00eanita do casal. Insatisfeito com a vida buc\u00f3lica de Areias, planeja abrir um estabelecimento comercial de secos e molhados.<\/p>\n<p><strong>1910:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em Maio, nasce seu segundo filho Edgar.<br \/>\nAssocia-se a um neg\u00f3cio de estradas-de-ferro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1911:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Aos 29 anos, recebe a not\u00edcia do falecimento de seu av\u00f4, o &#8220;Visconde de Trememb\u00e9&#8221;. <strong>Monteiro Lobato<\/strong> torna-se, ent\u00e3o, herdeiro da Fazenda Buquira, para onde se muda com toda a fam\u00edlia. Dedica-se \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da lavoura e a cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAbre um externato em Taubat\u00e9, que confia aos cuidados de seu cunhado.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1912: <\/strong>Em 26 de Maio, nasce Guilherme, seu terceiro filho.<\/p>\n<p><strong>1913: <\/strong>Insatisfeito com a vida na fazenda, planeja, com Ricardo Gon\u00e7alves, explorar comercialmente o Viaduto do Ch\u00e1, na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>1914:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Em 12 de Novembro, o jornal O Estado de S. Paulo publica seu artigo:<\/strong> Velha Pra\u00e7a.<br \/>\n<strong>Em 23 de Dezembro o mesmo jornal publica o que seria seu primeiro livro:<\/strong> Urup\u00eas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1916:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Na vila de Buquira, envolve-se com a pol\u00edtica, mas logo se desencanta. Em fevereiro nasce sua quarta e \u00faltima filha, Ruth.<br \/>\nInicia colabora\u00e7\u00e3o na rec\u00e9m-fudada Revista Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1917:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Vende a Fazenda Buquira. Funda, em Ca\u00e7apava, a revista Para\u00edba. Transfere-se com a fam\u00edlia para S\u00e3o Paulo.<br \/>\nOrganiza para o jornal O Estado de S. Paulo uma pesquisa sobre o Saci.<br \/>\nEm 20 de Dezembro, publica cr\u00edtica desfavor\u00e1vel \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o de pintura de Anita Malfati.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1918:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em Maio, compra a Revista Brasil.<br \/>\nEm Julho publica, com retumbante sucesso, e em forma de livro Urup\u00eas.<br \/>\nFunda a editora <strong>Monteiro Lobato<\/strong> &amp; Cia. com o t\u00edtulo O Problema Vital, um conjunto de artigos sobre a sa\u00fade p\u00fablica. No mesmo ano publica, ainda, O Saci-Perer\u00ea.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1919:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Rui Barbosa, em campanha eleitoral, evoca a figura do Jeca Tatu, reacendendo uma velha pol\u00eamica.<strong><br \/>\nDurante o ano \u00e9 publicado:<\/strong> Cidades Mortas e Id\u00e9ias do Jeca Tatu.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1920: <\/strong>O conto Os faroleiros serve de argumento para um filme dirigido pelos cineastas Antonio Leite e Miguel Milani. \u00c9 publicado Narizinho Arrebitado e Negrinha.<\/p>\n<p><strong>1921:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Com o lan\u00e7amento de Narizinho Arrebitado, an\u00fancios na imprensa noticiam a distribui\u00e7\u00e3o de exemplares gratu\u00edtos pelas escolas, num total de 500 doa\u00e7\u00f5es, tornando-se um fato in\u00e9dito na ind\u00fastria editorial. <strong><br \/>\nPublica:<\/strong> O Saci, F\u00e1bulas de Narizinho e A Onda Verde.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1922:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Inscreve-se para uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas desiste.<strong><br \/>\nPublica: <\/strong>O Marques de Rabic\u00f3 e F\u00e1bulas<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1924:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Monteiro Lobato<\/strong> incorpora \u00e0 sua editora uma moderna gr\u00e1fica. <strong><br \/>\nPublica:<\/strong> A Ca\u00e7ada da On\u00e7a, Jeca Tatu, O Garimpeiro do rio das gar\u00e7as e Mundo da Lua.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1925: <\/strong>A Editora de <strong>Monteiro Lobato<\/strong> vai \u00e0 fal\u00eancia. Em sociedade com Octales Marcondes, funda a Companhia Editora Nacional. Transfere-se para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>1926:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Concorre a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, e \u00e9 derrotado.<br \/>\nEm carta ao rec\u00e9m-empossado Washington Lu\u00eds, defende os interesses da ind\u00fastria editorial. <strong><br \/>\nPublica em folhetim:<\/strong> O presidente negro e How Henry Ford is regarded in Brazil.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1927:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 nomeado adido comercial brasileiro em New York para onde se muda. Planeja a funda\u00e7\u00e3o da Tupy Publishing Company. <strong><br \/>\nPublica:<\/strong> As Aventuiras de Hans Staden e Mr. Slang e o Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1928:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Entusiasmado com os Estados Unidos, visita em Detroit a Ford e a General Motors. Organiza uma empresa brasileira para produzir a\u00e7o pelo processo Smith. <strong><br \/>\nPublica: <\/strong>O Noivado de Narizinho, Aventuras do Pr\u00edncipe, O Gato F\u00e9lix e Cara de Coruja.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1929:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Joga na bolsa de New York e perde tudo o que tem. <strong><br \/>\nPublica:<\/strong> O irm\u00e3o de Pin\u00f3quio e O circo do escalinho.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1930:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Para cobrir suas perdas com o crack da Bolsa, <strong>Monteiro Lobato<\/strong> vende suas a\u00e7\u00f5es da Companhia Editora Nacional.<strong><br \/>\nPublica: <\/strong>A pena do papagaio e Peter Pan.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1931:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Retorna dos Estados Unidos e funda a Companhia de Petr\u00f3leo do Brasil.<br \/>\nOrganiza a publica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias hist\u00f3rias infantis no volume Reina\u00e7\u00f5es de Narizinho. Por alguns anos, seu tempo \u00e9 integralmente dedicado \u00e0 campanha do petr\u00f3leo e sua sobreviv\u00eancia \u00e9 garantida pela publica\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias infantis e da tradu\u00e7\u00e3o magistral de livros estrangeiros.<strong><br \/>\nEm dezembro saem nas livrarias:<\/strong> O p\u00f3 de Pirlipimpim e Ferro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1932: Publica:<\/strong> Viagem ao C\u00e9u e Am\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>1933: Publica: <\/strong>Hist\u00f3ria do Mundo para Crian\u00e7as, Ca\u00e7adas de Pedrinho e Na antev\u00e9spera.<\/p>\n<p><strong>1934:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Sua Hist\u00f3ria do Mundo para Crian\u00e7as come\u00e7a a sofrer cr\u00edtica e censura da igreja cat\u00f3lica.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> Em\u00edlia no Pa\u00eds da Gram\u00e1tica.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1935: Publica:<\/strong> Aritm\u00e9tica da Em\u00edlia, Geografia de Dona Benta, Hist\u00f3ria das Inven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>1936:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Apresentando um dossi\u00ea de sua campanha em prol do petr\u00f3leo, O Esc\u00e2ndalo do Petr\u00f3leo esgota v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es. Ingressa na Academia Paulista de Letras.<br \/>\nO governo pro\u00edbe e recolhe O Esc\u00e2ndalo do Petr\u00f3leo.<br \/>\nMorre Heitor de Morais, cunhado de <strong>Monteiro Lobato<\/strong>, seu correspondente e grande amigo.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> Dom Quixote das Crian\u00e7as e Mem\u00f3rias de Em\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1937: Publica: <\/strong>O Po\u00e7o do Visconde, Ser\u00f5es de Dona Benta e Hist\u00f3rias de Tia Nast\u00e1cia.<\/p>\n<p><strong>1938:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Cria a Uni\u00e3o Jornal\u00edstica Brasileira, empresa destinada a redigir e distribuir not\u00edcias pelos jornais.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> O Museu de Em\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1939:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Monteiro Lobato<\/strong> envia carta ao Ministro de Agricultura que precipita a abertura de um inqu\u00e9rito sobre o Petr\u00f3leo.<br \/>\nEm fevereiro morre seu filho Guilherme.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> O Picapau Amarelo e O Minotauro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1940: <\/strong>Recebe (e recusa) convite de Get\u00falio Vargas para dirigir um Minist\u00e9rio de Propaganda. Em carta a Vargas, faz severas cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica brasileira de min\u00e9rios. O teor da carta \u00e9 tido como subversivo e desrespeitoso.<\/p>\n<p><strong>1941:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Monteiro Lobato<\/strong> \u00e9 detido pelo Estado Novo e permanece encarcerado de mar\u00e7o a junho.<strong><br \/>\nPublica: <\/strong>O espanto das gentes e A reforma da natureza.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1942:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em fevereiro, morre seu filho Edgar.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> A chave do tamanho.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1943: <\/strong>\u00c9 realizada uma grande comemora\u00e7\u00e3o pelos 25 anos de publica\u00e7\u00e3o de Urup\u00eas.<\/p>\n<p><strong>1944:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Recusa indica\u00e7\u00e3o para a Academia Brasileira de Letras.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> Um sonho na caverna, Os doze trabalhos de H\u00e9rcules e 2 volumes de A Barca de Greyre.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1945:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Em setembro, \u00e9 operado de um cisco no pulm\u00e3o.<br \/>\nO Partido Comunista Brasileiro o convida para integrar a bancada de candidatos. Recusa o convite, mas envia nota de sauda\u00e7\u00e3o a Luis Carlos Prestes, a ser lida no com\u00edcio do Pacaembu.<br \/>\nIntegra a delega\u00e7\u00e3o de escritores paulistas no Congresso Brasileiro de Escritores.<br \/>\nFica famosa a pol\u00eamica entrevista dada por ele, em que exige a democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1946:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Muda-se para Buenos Aires, Argentina.<br \/>\n\u00c9 contr\u00e1rio \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nConvidado por Caio Prado J\u00fanior que, na sua editora, prepara as obras completas j\u00e1 traduzidos para o espanhol e editadas na Argentina.<strong><br \/>\nPublica: <\/strong>Pref\u00e1cios e Entrevistas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1947:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Regressa ao Brasil, participando ativamente de movimentos nacionalistas e populares.<strong><br \/>\nPublica:<\/strong> Z\u00e9 Brasil e La Nueva Argentina.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>1948:<\/strong><\/p>\n<p>Sofre em abril, um primeiro espasmo vascular que afeta sua motricidade. Na madrugada de 5 de julho, morre. Sob forte como\u00e7\u00e3o nacional, seu corpo \u00e9 velado na Biblioteca Municipal e o sepultamento realiza-se no Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s sua morte, foram publicados os seguintes textos in\u00e9ditos: <\/strong>Literatura de Minarete; Confer\u00eancias, artigos e Cr\u00f4nicas; Cartas Escolhidas (em 2 volumes); Cr\u00edtica e outras notas; Uma fada moderna; A Lampr\u00e9ia; No tempo de Nero; A casa de Em\u00edlia e O Centaurinho.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> www.imdb.com\/www.unicamp.br\/www.editorabrasiliense.com.br\/www. geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nascimento: 18 de abril de 1882, Taubat\u00e9, S\u00e3o Paulo. Data da morte:: 4 de julho de 1948, S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo. Nome de nascen\u00e7a: Jos\u00e9 Renato Monteiro Lobato Monteiro Lobato Monteiro Lobato \u00e9 considerado o escritor brasileiro mais importante na literatura para crian\u00e7as. 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