{"id":92263,"date":"2017-01-04T07:36:19","date_gmt":"2017-01-04T09:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=92263"},"modified":"2017-01-04T07:36:43","modified_gmt":"2017-01-04T09:36:43","slug":"poemas-e-poesias-ana-paula-ribeiro-tavares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/poemas-e-poesias-ana-paula-ribeiro-tavares","title":{"rendered":"Poemas e Poesias &#8211; Ana Paula Ribeiro Tavares"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table width=\"750\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"7\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFA4\">\n<td colspan=\"5\" height=\"1\"><span style=\"color: #666666; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>Clique nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado:<\/strong><\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td valign=\"top\" width=\"156\" height=\"299\">\n<div align=\"center\">\n<p><a href=\"#1\"><strong>A M\u00e3e e a irm\u00e3<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"#2\">A Manga<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#3\">Ab\u00f3bora menina<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#4\">Alphabeto<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#5\">Amargos como frutos<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#6\">Canto de nascimento<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"151\">\n<div align=\"center\">\n<p><a href=\"#7\"><strong>Cerim\u00f4nia de passagem<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"#8\">Entre os lagos<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#9\">Hist\u00f3ria de amor da princesa ozoro<br \/>\ne do hungaro ladislau magyar<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#10\">Mukai<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#11\">N\u00e3o conhe\u00e7o nada do pa\u00eds<br \/>\ndo meu amado<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#12\">November without water<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<td valign=\"top\" width=\"157\">\n<div align=\"center\">\n<p><a href=\"#13\"><strong>O cercado<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"#14\">O mirangolo<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#15\">Rapariga<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#16\">Tratem-me com a massa<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"#17\">Vieram muitos<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><a name=\"1\"><\/a>A M\u00e3e e a irm\u00e3<\/h2>\n<p>A m\u00e3e n\u00e3o trouxe a irm\u00e3 pela m\u00e3o<br \/>\nviajou toda a noite sobre os seus pr\u00f3prios passos<br \/>\ntoda a noite, esta noite, muitas noites<br \/>\nA m\u00e3e vinha sozinha sem o cesto e o peixe fumado<br \/>\na garrafa de \u00f3leo de palma e o vinho fresco das espigas<br \/>\n[vermelhas<br \/>\nA m\u00e3e viajou toda a noite esta noite muitas noites<br \/>\n[todas as noites<br \/>\ncom os seus p\u00e9s nus subiu a montanha pelo leste<br \/>\ne s\u00f3 trazia a lua em fase pequena por companhia<br \/>\ne as vozes altas dos mabecos.<br \/>\nA m\u00e3e viajou sem as pulseiras e os \u00f3leos de prote\u00e7\u00e3o<br \/>\nno pano mal amarrado<br \/>\nnas m\u00e3os abertas de dor<br \/>\nestava escrito:<br \/>\nmeu filho, meu filho \u00fanico<br \/>\nn\u00e3o toma banho no rio<br \/>\nmeu filho \u00fanico foi sem bois<br \/>\npara as pastagens do c\u00e9u<br \/>\nque s\u00e3o vastas<br \/>\nmas onde n\u00e3o cresce o capim.<br \/>\nA m\u00e3e sentou-se<br \/>\nfez um fogo novo com os paus antigos<br \/>\npreparou uma nova boneca de casamento.<br \/>\nNem era trabalho dela<br \/>\nmas a m\u00e3e n\u00e3o descurou o fogo<br \/>\nenrolou tamb\u00e9m um fumo comprido para o cachimbo.<br \/>\nAs tias do lado do le\u00e3o choraram duas vezes<br \/>\ne os homens do lado do boi<br \/>\nafiaram as lan\u00e7as.<br \/>\nA m\u00e3e preparou as palavras devagarinho<br \/>\nmas o que saiu da sua boca<br \/>\nn\u00e3o tinha sentido.<br \/>\nA m\u00e3e olhou as entranhas com tristeza<br \/>\nespremeu os seios murchos<br \/>\nficou calada<br \/>\nno meio do dia.<\/p>\n<h2><a id=\"2\" name=\"2\"><\/a>A Manga<\/h2>\n<p>Fruta do para\u00edso<br \/>\ncompanheira dos deuses<br \/>\nas m\u00e3os<br \/>\ntiram-lhe a pele<br \/>\nd\u00factil<br \/>\ncomo, se de mantos<br \/>\nse tratasse<br \/>\nsurge a carne chegadinha<br \/>\nfio a fio<br \/>\nao cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nleve<br \/>\nmorno<br \/>\nmastig\u00e1vel<br \/>\no cheiro permanece<br \/>\npara que a encontrem<br \/>\nos meninos<br \/>\npelo faro<\/p>\n<h2><a id=\"3\" name=\"3\"><\/a>Ab\u00f3bora menina<\/h2>\n<p>T\u00e3o gentil de distante, t\u00e3o macia aos olhos<br \/>\nvacuda, gordinha,<br \/>\nde segredos bem escondidos<br \/>\nestende-se \u00e0 dist\u00e2ncia<br \/>\nprocurando ser terra<br \/>\nquem sabe possa<br \/>\nacontecer o milagre:<br \/>\nfolhinhas verdes<br \/>\nflor amarela<br \/>\nventre redondo<br \/>\ndepois \u00e9 s\u00f3 esperar<br \/>\nnela des\u00e1guam todos os rapazes.<\/p>\n<h2><a id=\"4\" name=\"4\"><\/a>Alphabeto<\/h2>\n<p>Dactilas-me o corpo<br \/>\nde A a Z<br \/>\ne reconstr\u00f3is<br \/>\nasas<br \/>\nseda<br \/>\npuro espanto<br \/>\npor debaixo das m\u00e3os<br \/>\nenquanto abertas<br \/>\naparecem, pequenas<br \/>\nas cicatrizes<\/p>\n<h2><a id=\"5\" name=\"5\"><\/a>Amargos como frutos<\/h2>\n<p>&#8220;Dizes-me coisas t\u00e3o amargas como os frutos&#8230;&#8221;<br \/>\nKwanyama<\/p>\n<p>Amado, porque voltas<br \/>\ncom a morte nos olhos<br \/>\ne sem sand\u00e1lias<br \/>\ncomo se um outro te habitasse<br \/>\nnum tempo<br \/>\npara al\u00e9m<br \/>\ndo tempo todo<\/p>\n<p>Amado, onde perdeste tua l\u00edngua de metal<br \/>\na dos sinais e do prov\u00e9rbio<br \/>\ncom o meu nome inscrito<\/p>\n<p>onde deixaste a tua voz<br \/>\nmacia de capim e veludo<br \/>\nsemeada de estrelas<\/p>\n<p>Amado, meu amado<br \/>\no que regressou de ti<br \/>\n\u00e9 tua sombra<br \/>\ndividida ao meio<br \/>\n\u00e9 um antes de ti<br \/>\nas falas amargas<br \/>\ncomo os frutos<\/p>\n<p>(Dizes-me coisas amargas como os frutos)<\/p>\n<h2><a id=\"6\" name=\"6\"><\/a>Canto de nascimento<\/h2>\n<p>Aceso est\u00e1 o fogo<br \/>\nprontas as m\u00e3os<\/p>\n<p>o dia parou a sua lenta marcha<br \/>\nde mergulhar na noite.<\/p>\n<p>As m\u00e3os criam na \u00e1gua<br \/>\numa pele nova<\/p>\n<p>panos brancos<br \/>\numa panela a ferver<br \/>\nmais a faca de cortar<\/p>\n<p>Uma dor fina<br \/>\na marcar os intervalos de tempo<br \/>\nvinte caba\u00e7as deleite<br \/>\nque o vento trabalha manteiga<\/p>\n<p>a lua pousada na pedra de afiar<\/p>\n<p>Uma mulher oferece \u00e0 noite<br \/>\no sil\u00eancio aberto<br \/>\nde um grito<br \/>\nsem som nem gesto<br \/>\napenas o sil\u00eancio aberto assim ao grito<br \/>\nsolto ao intervalo das l\u00e1grimas<\/p>\n<p>As velhas desfiam uma lenta mem\u00f3ria<br \/>\nque acende a noite de palavras<br \/>\ndepois aquecem as m\u00e3os de semear fogueiras<\/p>\n<p>Uma mulher arde<br \/>\nno fogo de uma dor fria<br \/>\nigual a todas as dores<br \/>\nmaior que todas as dores.<br \/>\nEsta mulher arde<br \/>\nno meio da noite perdida<br \/>\ncolhendo o rio<\/p>\n<p>enquanto as crian\u00e7as dormem<br \/>\nseus pequenos sonhos de leite.<\/p>\n<h2><a id=\"7\" name=\"7\"><\/a>Cerim\u00f4nia de passagem<\/h2>\n<p>&#8220;a zebra feriu-se na pedra<br \/>\na pedra produziu lume&#8221;<\/p>\n<p>a rapariga provou o sangue<br \/>\no sangue deu fruto<\/p>\n<p>a mulher semeou o campo<br \/>\no campo amadureceu o vinho<\/p>\n<p>o homem bebeu o vinho<br \/>\no vinho cresceu o canto<\/p>\n<p>o velho come\u00e7ou o c\u00edrculo<br \/>\no c\u00edrculo fechou o princ\u00edpio<\/p>\n<p>&#8220;a zebra feriu-se na pedra<br \/>\na pedra produziu lume&#8221;<\/p>\n<h2><a id=\"8\" name=\"8\"><\/a>Entre os lagos<\/h2>\n<p>Esperei-te do nascer ao p\u00f4r do sol<br \/>\ne n\u00e3o vinhas, amado.<br \/>\nMudaram de cor as tran\u00e7as do meu cabelo<br \/>\ne n\u00e3o vinhas, amado.<br \/>\nlimpei a casa, o cercado<br \/>\nfui enchendo de milho o silo maior do terreiro<br \/>\nbalancei ao vento a caba\u00e7a da manteiga<br \/>\ne n\u00e3o vinhas, amado.<br \/>\nChamei os bois pelo nome<br \/>\ntodos me responderam, amado.<br \/>\nS\u00f3 tua voz se perdeu, amado,<br \/>\npara l\u00e1 da curva do rio<br \/>\ndepois da montanha sagrada<br \/>\nentre os lagos.<\/p>\n<h2><a id=\"9\" name=\"9\"><\/a>Hist\u00f3ria de amor da princesa ozoro e do hungaro ladislau<br \/>\nmagyar<\/h2>\n<p>Primeiro momento<\/p>\n<p>Meu pai chamou e disse:<br \/>\nmulher, chegou a hora, eis o senhor da tua vida<br \/>\naquele que te far\u00e1 \u00e1rvore<\/p>\n<p>Apressa-te Ozoro,<br \/>\nparte as pulseiras e acende o fogo.<br \/>\nAcende o fogo principal, o fogo do fogo, aquele que arde<br \/>\nnoite e sal.<br \/>\nPrepara as panelas e a esteira<br \/>\ne o frasco dos perfumes mais secretos<br \/>\nEste homem pagou mais bois, tecidos e enxadas do que<br \/>\naqueles que eu pedi<br \/>\neste homem atravessou o mar<br \/>\nn\u00e3o ouvi falar do cl\u00e3 a que pertence<br \/>\no homem atravessou o mar e \u00e9 da cor do esp\u00edrito<\/p>\n<p>Nossa vida \u00e9 a chama do lugar<br \/>\nQue se consome enquanto ilumina a noite<\/p>\n<p>Voz de Ozoro:<\/p>\n<p>Tate tate<br \/>\nmeus todos parentes de sangue<br \/>\nos do lado do arco<br \/>\nos do lado do cesto<br \/>\ntate tate<br \/>\nporque me acordas para um homem para a vida<br \/>\nse ainda estou possessa de um esp\u00edrito \u00fanico<br \/>\naquele que n\u00e3o se deu a conhecer<br \/>\nmeu bracelete entran\u00e7ado<br \/>\nn\u00e3o se quebrou e \u00e9 feito das fibras da minha pr\u00f3pria<br \/>\ness\u00eancia<br \/>\ncord\u00e3o umbilical<br \/>\na parte da m\u00e3e<br \/>\nmeu bracelete entran\u00e7ado ainda n\u00e3o se quebrou<br \/>\nTate tate<br \/>\nouve a voz de meu pequeno arco esticado<br \/>\nas can\u00e7\u00f5es de rapariga<br \/>\nminha dan\u00e7a que curva a noite<br \/>\nainda n\u00e3o chegou meu tempo de mulher<br \/>\no tempo que chegou<br \/>\n\u00e9 lento como um sangue<br \/>\nque regula agora as luas<br \/>\npara mim<br \/>\nde vinte oito em vinte e oito dias<\/p>\n<p>Segundo momento<\/p>\n<p>Voz de Magyar:<\/p>\n<p>Senhor:<br \/>\nAtravessei o mar de dentro e numa pequena barca\u00e7a<br \/>\ndesci de Vardar para Sal\u00f4nica, durante a batalha das<br \/>\nsombras. De todas as montanhas, a que conhe\u00e7o exp\u00f5e um<br \/>\nventre de neve permanente e uma pele gretada pelo frio.<br \/>\nNasci perto do Tisza Negro, junto \u00e0 nascente.<br \/>\nNaveguei um oceano inteiro no interior de um navio<br \/>\nhabitado de fantasmas e outros seres de todas as cores com<br \/>\nas mesmas grilhetas. Como eles mastiguei devagarinho a<br \/>\ncondi\u00e7\u00e3o humana e provei o sangue o suor e as l\u00e1grimas<br \/>\ndo<br \/>\ndesespero. S\u00e3o amargos, senhor, s\u00e3o amargos e nem sempre<br \/>\nservem a condi\u00e7\u00e3o maior da nossa sede. Vivi durante<br \/>\nmuitos meses o sono gelado da solid\u00e3o.<br \/>\nSenhor<br \/>\nEu trago um pouco de vinho sonolento do interior da<br \/>\nterra e a estrat\u00e9gia de uma partida h\u00fangara, levo o bispo por<br \/>\num caminho direto at\u00e9 \u00e0 casa do rei, senhor. Por isso aqui<br \/>\nestou e me apresento, meu nome igual ao nome de meu<br \/>\npovo, Magyar, os das viagens, Magyar, o dos ciganos.<br \/>\nSenhor<br \/>\nEu trouxe meus cavalos e vos ofere\u00e7o minha ci\u00eancia de<br \/>\ntrigo, em troca pe\u00e7o guias dos caminhos novos, alimento<br \/>\npara as caravanas, licen\u00e7a para o Ochilombo e a m\u00e3o de<br \/>\nOzoro a mais-que-perfeita.<br \/>\nSenhor, deixai que ela me cure da febre e da dor que trago<br \/>\nda montanha para l\u00e1 dos C\u00e1rpatos.<br \/>\nSenhor, deixai que ela me ensine a ser da terra.<\/p>\n<p>Terceiro momento<\/p>\n<p>Coro das mais velhas:<\/p>\n<p>Fomos n\u00f3s que preparamos Ozoro, na casa redonda<br \/>\nmuitos dias, muitas noites na casa redonda<br \/>\nFomos n\u00f3s que lhe untamos, de mel, os seios<br \/>\nna casa redonda<br \/>\nCom perfumes, tacula e fumo velho esculpimos um corpo<br \/>\nna casa redonda<br \/>\nNosso foi o primeiro grito perante tanta beleza:<br \/>\nOh, rapariga na palho\u00e7a, sentada, ergue-te para que<br \/>\npossamos contemplar-te!<\/p>\n<p>Quarto momento<\/p>\n<p>Vozes das meninas:<\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 terra e por isso me movo lentamente meia<br \/>\nvolta, uma volta, volta e meia, para que o tempo me<br \/>\nencontre e se componha.<br \/>\nSou a companheira favorita de Ozoro do tempo da casa<br \/>\nredonda.<\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 p\u00e1ssaro, como o nome do cl\u00e3 a que<br \/>\nperten\u00e7o. Com Ozoro descobri o lago e as quatro faces da<br \/>\nlua, e vi primeiro que todos a cintura de salal\u00e9 que se<br \/>\ncontrai \u00e0 volta das nossas terras.<\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 flor e sou especialmente preparada para<br \/>\ncuidar do lugar onde a alma repousa. Com Ozoro eu tenho<br \/>\no cheiro, guardado no frasco de perfumes mais pequeno &#8211; o<br \/>\ndo mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 princ\u00edpio e eu tenho as m\u00e3os do lugar e<br \/>\na<br \/>\nci\u00eancia dos tecidos como as mais velhas. Para Ozoro, a princesa,<br \/>\neu j\u00e1 teci o cinto de pedras apertadas, o mais belo cinto,<br \/>\nde contas vindas do outro lado do tempo da pr\u00f3pria casa de<br \/>\nSuku. Para o tecer preparei todos os dias as m\u00e3os com preciosos<br \/>\ncremes da montanha. Apertei cada conta no n\u00f3 fechado<br \/>\nigual ao que fecha a vida em cada rec\u00e9m-nascido. Para Ozoro<br \/>\neu teci o cinto mais apertado das terras altas.<\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 mem\u00f3ria e com as velhas treinei cada fala<br \/>\n&#8211; a do ca\u00e7ador nas suas ca\u00e7adas<br \/>\n&#8211; a dos homens no seu trabalho<br \/>\n&#8211; o canto das mulheres nas suas lavras<br \/>\n&#8211; a das raparigas no seu andar<br \/>\n&#8211; o canto da rainha na sua realeza<br \/>\n&#8211; o som das nuvens na sua chuva<br \/>\nNa lavra da fala fa\u00e7o meu trabalho, como a casa sem<br \/>\nporta e sem mob\u00edlia, n\u00e3o t\u00e3o perfeita como a casa onde<br \/>\no<br \/>\nrei medita, t\u00e3o redonda como a casa onde Ozoro e as<br \/>\nmeninas aprenderam a condi\u00e7\u00e3o de mulheres.<\/p>\n<p>Coro das meninas:<\/p>\n<p>A casa das mulheres<br \/>\nA casa da medita\u00e7\u00e3o<br \/>\nA casa da chuva<br \/>\nA casa das colheitas<br \/>\nA casa das meninas: Terra, Flor, P\u00e1ssaro, Princ\u00edpio, Mem\u00f3ria<\/p>\n<p>Fala do fazedor de chuva:<\/p>\n<p>Eu que amarrei as nuvens, deixei chover dentro de mim.<br \/>\nDeixei uma nuvem solta, grande e<br \/>\ngorda de chuva rebentar dentro de mim.<br \/>\nSangro em utima meu pranto de nuvens, choro em<br \/>\nOsande a princesa perfeita, a minha favorita.<\/p>\n<p>Coro dos rapazes:<\/p>\n<p>Desde ontem ouvimos o rugir do le\u00e3o atr\u00e1s da pali\u00e7ada<br \/>\nE as palavras mansas do velho s\u00e1bio dentro da pali\u00e7ada<br \/>\nDesde ontem que o le\u00e3o n\u00e3o se afasta detr\u00e1s da pali\u00e7ada<br \/>\nE se ouve o velho que fala com o le\u00e3o atr\u00e1s da pali\u00e7ada<br \/>\nDesde ontem o feiticeiro acende o fogo novo dentro da<br \/>\npali\u00e7ada<br \/>\nE se espalham as cinzas do fogo antigo atr\u00e1s da pali\u00e7ada<br \/>\nDiante de ti, Ozoro, depositamos a cesta dos frutos e<br \/>\na nossa esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Fala da m\u00e3e de Ozoro:<\/p>\n<p>Fui a favorita, antes do tempo me ter comido por<br \/>\ndentro. Semeei de filhos este ch\u00e3o do Bi\u00e9.<br \/>\nPara ti, Ozoro, encomendei os panos e fiz, eu mesma,<br \/>\nos cestos, as esteiras. Percorri os caminhos da miss\u00e3o.<br \/>\nEncontrei as palavras para perceber a tua nova l\u00edngua e os<br \/>\ncostumes. Com as caravanas aprendi os segredos do mar e<br \/>\nas hist\u00f3rias. Deixo-te a mais antiga<br \/>\nHist\u00f3ria do p\u00e1ssaro Epanda e do ganso Ondjava<\/p>\n<p>H\u00e1 muito muito tempo estas duas aves decidiram juntar for\u00e7as<br \/>\ne fazer<br \/>\no ninho em conjunto. Ondjava era um animal muito limpo e lavava e cuidava<br \/>\ndos seus ovos e da sua parte do ninho. Quando nasceram os filhos,<br \/>\nos pequenos de Epanda estavam sempre muito sujos e feios, enquanto<br \/>\nos de Ondjava deixavam que o sol multiplicasse de brilho as suas penas.<br \/>\nUm dia, Epanda raptou e escondeu os filhos de Ondjava quando esta<br \/>\nse afastara em busca de comida. Ondjava chorou muito e, enquanto recorria<br \/>\nao juiz para resolver o caso, cuidou dos outros filhos, lavou o ninho todo<br \/>\ne armazenou comida para o cacimbo. Um dia os filhos limpos de Ondjava<br \/>\nvoltaram e o juiz determinou pertencerem a esta ave, ninho, filhos e ovos,<br \/>\nporque s\u00f3 merece o lugar quem dele cuida, quem o sabe trabalhar.<\/p>\n<p>Coro:<\/p>\n<p>S\u00f3 merece o lugar que o sabe trabalhar<br \/>\nS\u00f3 \u00e9 dono do lugar aquele que o pode limpar<\/p>\n<p>Fala de Ladislau Magyar, o estrangeiro:<\/p>\n<p>Amada, deixa que prepare o melhor vinho e os<br \/>\ntecidos<br \/>\ne que, por casamento, me inicie<br \/>\nnas falas de uma terra que n\u00e3o conhe\u00e7o<br \/>\nno gosto de um corpo<br \/>\nque principio<br \/>\nAmada, h\u00e1 em mim um fogo limpo<br \/>\npara ofertar<br \/>\ne o que espero \u00e9 a partilha<br \/>\npara podermos limpar os dois o ninho<br \/>\npara podermos criar os dois o ninho.<\/p>\n<p>Fala dos feiticeiros:<\/p>\n<p>Podemos ver daqui a lua<br \/>\ne dentro da lua a tua sorte, Ozoro<br \/>\naprender\u00e1s a caminhar de novo com as caravanas<br \/>\ne est\u00e1s condenada \u00e0s viagens, Ozoro<br \/>\nteus filhos nascer\u00e3o nos caminhos<br \/>\nser\u00e3o eles pr\u00f3prios caminhos<br \/>\nda Lunda<br \/>\ndo Rio Grande<br \/>\nse o c\u00e1gado n\u00e3o sobe \u00e0s \u00e1rvores, Ozoro<br \/>\nalgu\u00e9m o faz subir!<\/p>\n<p>\u00daltima fala de Ozoro antes da viagem:<\/p>\n<p>Amar \u00e9 como a vida<br \/>\nAmar \u00e9 como a chama do lugar<\/p>\n<p>que se consome enquanto se ilumina<br \/>\npor dentro da noite.<\/p>\n<h2><a id=\"10\" name=\"10\"><\/a>Mukai<\/h2>\n<p>1<\/p>\n<p>Corpo j\u00e1 lavrado<br \/>\neq\u00fcidistante da semente<br \/>\n\u00e9 trigo<br \/>\n\u00e9 joio<br \/>\nmilho h\u00edbrido<br \/>\nmassambala<\/p>\n<p>resiste ao tempo<br \/>\ndobrado<br \/>\nexausto<br \/>\nsob o sol<br \/>\nque lhe espiga<br \/>\na cabeleira.<\/p>\n<p>2<\/p>\n<p>O ventre semeado<br \/>\ndes\u00e1gua cada ano<br \/>\nos frutos tenros<br \/>\ndas m\u00e3os<br \/>\n(\u00e9 feiti\u00e7o)<br \/>\nnasce<br \/>\na manteiga<br \/>\na casa<br \/>\no penteado<br \/>\no gesto<br \/>\nacorda a alma<br \/>\na voz<br \/>\nolha p&#8217;ra dentro do sil\u00eancio milenar.<\/p>\n<p>3<\/p>\n<p>(Mulher \u00e0 noite)<\/p>\n<p>Um solu\u00e7o quieto<br \/>\ndesce<br \/>\na lent\u00edssima garganta<br \/>\n(r\u00f3i-lhe as entranhas<br \/>\num novo peda\u00e7o de vida)<br \/>\nos cord\u00f5es do tempo<br \/>\natravessam-lhe as pernas<br \/>\ne fazem a liga\u00e7\u00e3o terra.<\/p>\n<p>Estranha \u00e1rvore de filhos<br \/>\nuns mortos e tantos por morrer<br \/>\nque de corpo ao alto<br \/>\nnavega de tristeza<br \/>\nas horas.<\/p>\n<p>4<\/p>\n<p>O risco na pele<br \/>\nacende a noite<br \/>\nenquanto a lua<br \/>\n(por ironia)<br \/>\nilumina o esgoto<br \/>\nanuncia o canto dos gatos<br \/>\nDe quantos partos se vive<br \/>\npara quantos partos se morre.<\/p>\n<p>Um grito espeta-se faca<br \/>\nna garganta da noite<\/p>\n<p>recortada sobre o tempo<br \/>\npintada de cicatrizes<br \/>\nolhos secos de l\u00e1grimas<br \/>\nDominga, organiza a cerveja<br \/>\nde sobreviver os dias.<\/p>\n<p>* Mukai: &#8211; mulher<\/p>\n<h2><a id=\"11\" name=\"11\"><\/a>N\u00e3o conhe\u00e7o nada do pa\u00eds do meu amado<\/h2>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o nada do pa\u00eds do meu amado<br \/>\nN\u00e3o sei se chove, nem sinto o cheiro das<br \/>\nlaranjas.<\/p>\n<p>Abri-lhe as portas do meu pa\u00eds sem perguntar nada<br \/>\nN\u00e3o sei que tempo era<br \/>\nO meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e tinha pressa<br \/>\nN\u00e3o lhe falei do pa\u00eds, das colheitas, nem da seca<br \/>\nDeixei que ele bebesse do meu pa\u00eds o vinho o mel a car\u00edcia<br \/>\nPovoei-lhe os sonhos de asas, plantas e desejo<br \/>\nO meu amado n\u00e3o me disse nada do seu pa\u00eds<\/p>\n<p>Deve ser um estranho pa\u00eds<br \/>\no pa\u00eds do meu amado<br \/>\npois n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que n\u00e3o saiba<br \/>\na hora da colheita<br \/>\no canto dos p\u00e1ssaros<br \/>\no sabor da sua terra de manh\u00e3 cedo<\/p>\n<p>Nada me disse o meu amado<br \/>\nChegou<br \/>\nMora no meu pa\u00eds n\u00e3o sei por quanto tempo<br \/>\n\u00c9 estranho que se sinta bem<br \/>\ne parta.<br \/>\nVolta com um cheiro de pa\u00eds diferente<br \/>\nVolta com os passos de quem n\u00e3o conhece a pressa.<\/p>\n<h2><a id=\"12\" name=\"12\"><\/a>November without water<\/h2>\n<p>Olha-me p&#8217;ra estas crian\u00e7as de vidro<br \/>\ncheias de \u00e1gua at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas<br \/>\nenchendo a cidade de estilha\u00e7os<br \/>\nprocurando a vida<br \/>\nnos caixotes do lixo.<\/p>\n<p>Olha-me estas crian\u00e7as<br \/>\ntransporte<br \/>\nanimais de carga sobre os dias<br \/>\npercorrendo a cidade at\u00e9 aos bordos<br \/>\ncarregam a morte sobre os ombros<br \/>\ndespejam-se sobre o espa\u00e7o<br \/>\nenchendo a cidade de estilha\u00e7os.<\/p>\n<h2><a id=\"13\" name=\"13\"><\/a>O cercado<\/h2>\n<p>De que cor era o meu cinto de missangas, m\u00e3e<br \/>\nfeito pelas tuas m\u00e3os<br \/>\ne fios do teu cabelo<br \/>\ncortado na lua cheia<br \/>\nguardado do cacimbo<br \/>\nno cesto tran\u00e7ado das coisas da av\u00f3<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 a panela do prov\u00e9rbio, m\u00e3e<br \/>\na das tr\u00eas pernas<br \/>\ne asa partida<br \/>\nque me deste antes das chuvas grandes<br \/>\nno dia do noivado<\/p>\n<p>De que cor era a minha voz, m\u00e3e<br \/>\nquando anunciava a manh\u00e3 junto \u00e0 cascata<br \/>\ne descia devagarinho pelos dias<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 o tempo prometido p&#8217;ra viver, m\u00e3e<br \/>\nse tudo se guarda e recolhe no tempo da espera<br \/>\np&#8217;ra l\u00e1 do cercado<\/p>\n<h2><a id=\"14\" name=\"14\"><\/a>O mirangolo<\/h2>\n<p>Test\u00edculo adolescente<br \/>\npurpurino<br \/>\ncorta os l\u00e1bios \u00e1vidos<br \/>\ncom sabor \u00e1cido<br \/>\nda vida<br \/>\nencandesce de maduro<br \/>\ne cai<\/p>\n<p>submetido \u00e0s trezentas e oitenta e duas<br \/>\nfeiti\u00e7arias do fogo<br \/>\ntransforma-se em geleia real:<\/p>\n<p>ilumina a gente.<\/p>\n<h2><a id=\"15\" name=\"15\"><\/a>Rapariga<\/h2>\n<p>Cresce comigo o boi com que me v\u00e3o trocar<br \/>\nAmarraram-me j\u00e1 \u00e0s costas, a t\u00e1bua Eylekessa<\/p>\n<p>Filha de Tembo<br \/>\norganizo o milho<\/p>\n<p>Trago nas pernas as pulseiras pesadas<br \/>\nDos dias que passaram&#8230;<\/p>\n<p>Sou do cl\u00e3 do boi &#8211;<br \/>\nDos meus ancestrais ficou-me a paci\u00eancia<br \/>\nO sono profundo de deserto.<br \/>\nA falta de limite&#8230;<br \/>\nDa mistura do boi e da \u00e1rvore<br \/>\na efervesc\u00eancia<br \/>\no desejo<br \/>\na intranq\u00fcilidade<br \/>\na proximidade<br \/>\ndo mar<br \/>\nFilha de Huco<br \/>\nCom a sua primeira esposa<br \/>\nUma vaca sagrada,<br \/>\nconcedeu-me<br \/>\no favor das suas tetas \u00faberes.<\/p>\n<h2><a id=\"16\" name=\"16\"><\/a>Tratem-me com a massa<\/h2>\n<p>&#8220;Amparai-me com perfumes, confortai-me com ma\u00e7\u00e3s<br \/>\nque estou ferida de amor&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/p>\n<p>Tratem-me com a massa<br \/>\nde que s\u00e3o feitos os \u00f3leos<br \/>\np&#8217;ra que descanse, oh m\u00e3es<\/p>\n<p>Tragam as vossas m\u00e3os, oh m\u00e3es,<br \/>\nuntadas de esquecimento<\/p>\n<p>E deixem que elas deslizem<br \/>\npelo corpo, devagar<\/p>\n<p>D\u00f3i muito, oh m\u00e3es<\/p>\n<p>\u00c9 de mim que vem o grito.<\/p>\n<p>Aspirei o cheiro da canela<br \/>\ne n\u00e3o morri, oh m\u00e3es.<\/p>\n<p>Escorreu-me pelos l\u00e1bios o sangue do mirangolo<br \/>\ne n\u00e3o morri, oh m\u00e3es.<br \/>\nDe l\u00e1bios gretados n\u00e3o morri<\/p>\n<p>Encostei \u00e0 casca rugosa do baobabe<br \/>\na fina pele do meu peito<br \/>\ndessas feridas fundas n\u00e3o morri, oh m\u00e3es.<\/p>\n<p>Venham, oh m\u00e3es, amparar-me nesta hora<br \/>\nMorro porque estou ferida de amor.<\/p>\n<h2><a id=\"17\" name=\"17\"><\/a>Vieram muitos<\/h2>\n<p>&#8220;A massambala cresce a olhos nus&#8221;<\/p>\n<p>Vieram muitos<br \/>\n\u00e0 procura de pasto<br \/>\ntraziam olhos rasos da poeira e da sede<br \/>\ne o gado perdido.<\/p>\n<p>Vieram muitos<br \/>\n\u00e0 promessa de pasto<br \/>\nde capim gordo<br \/>\ndas tranq\u00fcilas \u00e1guas do lago.<br \/>\nVieram de m\u00e3os vazias<br \/>\nmas olhos de sede<br \/>\ne sand\u00e1lias gastas<br \/>\nda procura de pasto.<\/p>\n<p>Ficaram pouco tempo<br \/>\nmas todo o pasto se gastou na sede<br \/>\nenquanto a massambala crescia<br \/>\na olhos nus.<\/p>\n<p>Partiram com olhos rasos de pasto<br \/>\nlimpos de poeira<br \/>\nlevaram o gado gordo e as raparigas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Clique nos links abaixo para navegar no cap\u00edtulo desejado: A M\u00e3e e a irm\u00e3 A Manga Ab\u00f3bora menina Alphabeto Amargos como frutos Canto de nascimento Cerim\u00f4nia de passagem Entre os lagos Hist\u00f3ria de amor da princesa ozoro e do hungaro ladislau magyar Mukai N\u00e3o conhe\u00e7o nada do pa\u00eds do meu amado November without water [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[370],"tags":[],"class_list":["post-92263","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-obras-literarias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Poemas e Poesias - Ana Paula Ribeiro Tavares, Obras Poemas e Poesias - Ana Paula Ribeiro Tavares<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Poemas e Poesias - Ana Paula Ribeiro Tavares, Obras, Cap\u00edtulo, A Manga, Canto de Nascimento, O Cercado, Poemas e Poesias - Ana Paula Ribeiro Tavares\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta 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