{"id":91645,"date":"2016-12-29T14:25:51","date_gmt":"2016-12-29T16:25:51","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=91645"},"modified":"2016-12-29T14:25:51","modified_gmt":"2016-12-29T16:25:51","slug":"o-jardim-do-paraiso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/literatura-infantil\/o-jardim-do-paraiso","title":{"rendered":"O Jardim do Para\u00edso"},"content":{"rendered":"<p>ERA uma vez o filho de um rei; e ningu\u00e9m nunca teve livros t\u00e3o lindos como ele teve. Podia ler a respeito de todas as coisas que aconteciam neste mundo e ver tudo isso representado nas mais belas estampas.<\/p>\n<p>Tinha meios de informar-se, pelos livros, de todos os pa\u00edses e na\u00e7\u00f5es da terra; mas quanto ao lugar em que se encontrava o Jardim do Para\u00edso, n\u00e3o lhe foi poss\u00ed- vel encontrar a menor indica\u00e7\u00e3o. E era justamente nisso que ele pensava com maior freq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando era pequeno e se dispunha a iniciar a vida escolar, sua av\u00f3 lhe dissera que cada uma das flores do Jardim do Para\u00edso era uma deliciosa torta e que seus pistilos estavam cheios de vinho.<\/p>\n<p>Numa das flores estava escrita a Hist\u00f3ria, noutra a Geografia ou a Matem\u00e1tica; as crian\u00e7as, assim, s\u00f3 teriam que comer uma torta e j\u00e1 sabiam a li\u00e7\u00e3o. E quantas mais comiam, mais Hist\u00f3ria, Geografia e Matem\u00e1tica sabiam. E o pr\u00edncipe menino acreditava nisso tudo, por\u00e9m, ao crescer e conhecer mais coisas, come\u00e7ou a dar-se conta de que os prazeres e del\u00edcias do Jardim do Para\u00edso deviam ser superiores ao que sua av\u00f3 lhe contara.<\/p>\n<p>&#8211; Por que Eva chegou at\u00e9 a \u00e1rvore da sabedoria? Por que Ad\u00e3o comera o fruto proibido? Se n\u00e3o tivessem estado ali, isso n\u00e3o teria acontecido e o pecado n\u00e3o teria entrado no mundo.<\/p>\n<p>Isso era o que dizia e continuou pensando no caso at\u00e9 os dezessete anos; em outras palavras, seus pensamentos se concentravam somente no desconhecido Jardim do Para\u00edso.<\/p>\n<p>Certo dia foi passear no bosque; estava s\u00f3, pois isso constitu\u00eda o seu maior prazer.<\/p>\n<p>A tarde chegou, as nuvens se acumularam e come\u00e7ou a chover de tal modo, com se tivessem aberto o c\u00e9u para dar passagem a enorme quantidade de \u00e1gua: e dentro do bosque estava tudo t\u00e3o escuro, como dentro de um po\u00e7o profundo.<\/p>\n<p>0 pr\u00edncipe escorregava na erva \u00famida e ca\u00eda sobre as pedras desnudas que apareciam no meio da terra molhada.<\/p>\n<p>Estava tudo escorregadio e molhado, de maneira que o pr\u00edncipe estava encharcado at\u00e9 os ossos. Teve forte bastante para parecer um homem disfar\u00e7ado, estava sentada ao lado do fogo ao qual, de quando em vez, jogava achas de lenha.<\/p>\n<p>&#8211; Entre! &#8211; disse ao pr\u00edncipe. &#8211; E sente-se perto do fogo para secar a roupa.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui h\u00e1 uma corrente de ar muito desagrad\u00e1vel &#8211; disse o pr\u00edncipe, sentando-se no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Muito pior ser\u00e1 quando meus filhos que subir a umas enormes rochas, onde a \u00e1gua saturara o espesso musgo. 0 pr\u00edncipe j\u00e1 chegara ao fim de todas as suas for\u00e7as, quando ouviu um curioso murm\u00fario e viu \u00e0 sua frente uma grande caverna, muito bem iluminada. No centro dela ardia uma fogueira, bastante grande para assar um veado, o que se estava fazendo, porque um veado espl\u00eandido estava enfiado num espeto que girava sobre a forquilha de duas \u00e1rvores, cujos troncos tinham sido fincados na terra.<\/p>\n<p>Uma velha senhora, alta e chegarem &#8211; replicou a velha. &#8211; Voc\u00ea est\u00e1 na caverna dos ventos; meus filhos s\u00e3o os quatro ventos do mundo. Compreende?<\/p>\n<p>&#8211; Onde est\u00e3o seus filhos? &#8211; perguntou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>&#8211; Esta pergunta n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de responder &#8211; disse a velha. &#8211; Meus filhos fazem o que mais lhes agrada. \u00c0s vezes brincam de quatro cantos com as nuvens, com est\u00e1 acontecendo agora &#8211; acrescentou, apontando para o c\u00e9u.<\/p>\n<p>0 Vento Oeste apareceu como um homem rude dos bosques e usava um gorro acolchoado para n\u00e3o machucar- se. Empunhava um bast\u00e3o de acaju, cortado nos bosques americanos.<\/p>\n<p>&#8211; De onde vem voc\u00ea? &#8211; perguntou sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8211; Da solid\u00e3o dos bosques &#8211; respondeu &#8211; de onde as plantas trepadeiras e espinhentas constr\u00f3em uma vala entre as \u00e1rvores; onde as cobras aqu\u00e1ticas vivem na terra \u00famida e os seres humanos parecem ser sup\u00e9rfluos.<\/p>\n<p>&#8211; Que foi fazer ali?<\/p>\n<p>&#8211; Contemplei um rio poderoso e vi que se arrojava contra as rochas, convertia-se em poeira, a qual, logo que subia para o c\u00e9u, formava um arco-\u00edris. Vi o b\u00fafalo selvagem nadar pelo rio, mas a corrente o levou e o pato selvagem voar pelos ares.<\/p>\n<p>Gostei muito disso e desencadeei uma tempestade t\u00e3o grande, que at\u00e9 as \u00e1rvores milen\u00e1rias tiveram de navegar e a \u00e1gua as revolvia de um lado para outro, como se fossem simples varetas.<\/p>\n<p>&#8211; E n\u00e3o fez mais nada?<\/p>\n<p>&#8211; Dei um pulo a Savana, acariciando os cavalos selvagens e fazendo uns coc\u00f4s ca\u00edrem das palmeiras- Oh, sim, eu poderia contar muitas est\u00f3rias! Mas \u00e9 preciso ser discreto. N\u00e3o \u00e9, minha velha?<\/p>\n<p>Logo deu em sua m\u00e3e um beijo t\u00e3o quente e violento, que ela quase caiu de costas. Realmente, o Vento Oeste era um rapaz rude.<\/p>\n<p>Apareceu ent\u00e3o o Vento Sul, envolvido numa capa e coberto por um turbante.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui h\u00e1 calor suficiente para assar um urso polar &#8211; exclamou o Vento Norte.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea sim, que \u00e9 um urso polar exclamou o Vento Sul. &#8211; Quer que o meta no saco? &#8211; perguntou a velha.<\/p>\n<p>-Sente-se nessa pedra e conte-nos por onde andou.<\/p>\n<p>&#8211; Na \u00c1frica, mam\u00e3e &#8211; respondeu cacei le\u00f5es. Que erva h\u00e1 naquelas plan\u00edcies! 0 ch\u00e3o possui o tom verde das azeitonas. Os guinus dan\u00e7avam por ali e os avestruzes queriam ganhar-me na corrida, mas eu sou mais r\u00e1pido. Fui ao deserto de areias amarelas. Aquilo se parece com o fundo do mar.<\/p>\n<p>Encontrei uma caravana. Os homens matavam seu \u00faltimo camelo para obter \u00e1gua para beber. Como voc\u00eas sabem, no deserto, quando a \u00e1gua se acaba, matam os camelos para beber a \u00e1gua que eles armazenam no est\u00f4mago.<\/p>\n<p>0 sol queimava e a areia ardia. Em qualquer dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o se avistava mais do que as areias do deserto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu me meti entre as areias volantes e levanteias a grandes alturas&#8230;<\/p>\n<p>A\u00ed houve um espl\u00eandido baile. Voc\u00eas deveriam ver como os com elos estavam ca\u00eddos e corno os mercadores cobriam as cabe\u00e7as com seus caft\u00e3s &#8211; E se inclinavam perante mim, como se eu fosse o pr\u00f3prio Al\u00e1, seu Deus.<\/p>\n<p>Agora est\u00e3o todos enterrados sob urna pir\u00e2mide de areia. Quando, daqui a alguns dias eu a dispersar soprando, o sol clarear\u00e1 seus ossos e assim os viajantes ver\u00e3o seus restos, pois se fosse de outra form.<\/p>\n<p>a, ningu\u00e9m acreditaria no perigos do deserto .<\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer que voc\u00ea s\u00f3 fez maldades! disse a m\u00e3e. &#8211; Para o saco!<\/p>\n<p>E, antes mesmo que ele se desse conta, j\u00e1 estava dentro do saco. 0 Vento Sul come\u00e7ou a rolar pelo solo, mas a m\u00e3e se sentou sobre o saco, imobilizando-o.<\/p>\n<p>&#8211; Pelo que vejo, seus filhos s\u00e3o muito turbulentos- observou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, mas apesar de tudo, eu os domino muito bem &#8211; replicou a velha. &#8211; A\u00ed vem chegando o quarto.<\/p>\n<p>Era o Vento do Oriente, que vinha vestido \u00e0 moda chinesa.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 vindo da China? &#8211; perguntou a m\u00e3e. &#8211; Pois eu pensei que estivesse no Jardim do Para\u00edso.<\/p>\n<p>&#8211; Amanh\u00e3 irei at\u00e9 l\u00e1 &#8211; respondeu o Vento do Oriente.<\/p>\n<p>&#8211; Amanh\u00e3, precisamente, completar\u00e3o os cem anos da minha \u00faltima visita. Acabo de voltar da China, onde dancei em volta de uma torre de porcelana, at\u00e9 tocarem todas as campainhas que a adornam.<\/p>\n<p>Os oficiais foram a\u00e7oitados em plena rua; as cabanas de bambu levantavam e desciam sobre suas costas e dentre eles havia desde a primeira at\u00e9 a ultima categoria.<\/p>\n<p>E gritavam: ?Muito obrigado, pai bem feito no que se via que n\u00e3o eram sinceros. Enquanto isso, eu continuava agitando as campainhas e cantando: ?Tsing, tsang, tsu?.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea se diverte muito com isso &#8211; disse-lhe a velha. Alegro-me de que amanh\u00e3 voc\u00ea v\u00e1 ao Jardim do Para- \u00edso, porque isso sempre exerce um efeito ben\u00e9fico sobre a sua conduta. N\u00e3o se esque\u00e7a de beber abundantemente da fonte da sabedoria e de trazer-me uma vasilha cheia dessa \u00e1gua.<\/p>\n<p>&#8211; Assim o farei &#8211; replicou o Vento do Oriente &#8211; contanto que deixe o Vento Sul sair do saco. Tire-o de l\u00e1. Preciso que me fale sobre a ave F\u00eanix.<\/p>\n<p>A princesa sempre pede not\u00edcias dela, quando vou visit\u00e1-la em cada cem anos. Abra o saco. Ent\u00e3o voc\u00ea ser\u00e1 a minha boa mam\u00e3e e eu lhe darei o ch\u00e1 que enche meus bolsos e que est\u00e1 t\u00e3o verde e fresco como quando o colhi.<\/p>\n<p>&#8211; Bem, por causa do ch\u00e1 e tamb\u00e9m porque voc\u00ea \u00e9 o meu preferido, vou abrir o saco.<\/p>\n<p>Assim o fez e o Vento Sul saiu, estando muito envergonhado porque o pr\u00edncipe desconhecido fora testemunha da corre\u00e7\u00e3o imposta por sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui tem voc\u00ea uma folha de palmeira para a sua princesa &#8211; disse o Vento Sul. &#8211; 0 velho F\u00eanix, o \u00fanico que existe no mundo, deu-me para ela.<\/p>\n<p>Com a ponta do bico escreveu ali toda a sua est\u00f3ria durante cem anos de sua vida e a princesa poder\u00e1 l\u00ea- la por si mesma. Vi como a F\u00eanix: botou fogo no seu pr\u00f3prio ninho e enquanto este queimava, sentou-se dentro dele, como o fazem as vi\u00favas dos hindus.<\/p>\n<p>As ramas secas estalaram ao calor das chamas e o lugar se encheu de um odor. Por fim, o pr\u00f3prio F\u00eanix foi presa das chamas e em breve ficou reduzido a cinzas, mas no centro do monte de brasas apareceu um ovo brilhante. Da\u00ed a pouco estalou com grande ru\u00eddo e o jovem F\u00eanix saiu voando. Agora reina sobre todas as aves e o \u00fanico F\u00eanix que existe no mundo.<\/p>\n<p>Escreveu na palma que lhe entreguei e envia suas sauda\u00e7\u00f5es \u00e0 princesa.<\/p>\n<p>&#8211; Vamos comer algo &#8211; disse a m\u00e3e dos ventos.<\/p>\n<p>E todos se sentaram e comeram carne de veado. 0 pr\u00edncipe ocupou um lugar ao lado do Vento do Oriente e gra\u00e7as a isso os dois ficaram muito amigos.<\/p>\n<p>&#8211; Pode dizer-me &#8211; rogou o pr\u00edncipe quem \u00e9 essa princesa e onde fica o Jardim do Para\u00edso?<\/p>\n<p>&#8211; Se voc\u00ea quiser ir at\u00e9 l\u00e1 &#8211; respondeu o Vento do Oriente &#8211; ser\u00e1 preciso que amanh\u00e3 me acompanhe em meu v\u00f4o. Mas devo avis\u00e1-lo de que nenhum ser humano ali esteve desde os tempos de Ad\u00e3o. Suponho que, pelo que conta a B\u00edblia, deve estar inteirado do que lhe aconteceu.<\/p>\n<p>&#8211; Naturalmente &#8211; respondeu o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>&#8211; Quando Ad\u00e3o e Eva foram expulsos, o Jardim do Eden fundiu-se com a terra, mas conservou seu c\u00e1lido sol, seu ar embalsamado e todas as suas belezas. Ali vive a rainha das fadas.<\/p>\n<p>A Ilha da Felicidade, onde a Morte nunca entra e onde a vida \u00e9 uma del\u00edcia, se encontra no Para\u00edso. Amanh\u00e3 voc\u00ea subir\u00e1 nas minhas costas e eu o levarei comigo.<\/p>\n<p>Parece-me que poderei lev\u00e1-lo, perfeitamente. E agora vamos parar de conversar, porque preciso dormir.<\/p>\n<p>Quando o pr\u00edncipe despertou ainda era muito cedo,<\/p>\n<p>mas n\u00e3o se surpreendeu ao ver que se achava entre as nuvens, a grande altura. Estava sentado nas costas do Vento do Oriente, o qual o transportava com o maior cuidado; e voavam t\u00e3o alto, que os bosques, os campos, os rios e os lagos pareciam fazer parte de um imenso mapa colorido.<\/p>\n<p>&#8211; Bom dia &#8211; disse o Vento Oriente.<\/p>\n<p>Ainda pode dormir um pouco mais, pois n\u00e3o h\u00e1 nada para ver neste pa\u00eds plano. voamos, a n\u00e3o ser que voc\u00ea deseje contar as igrejas. Parecem montinhos de gesso num tabuleiro verde.<\/p>\n<p>&#8211; Sinto muito n\u00e3o ter podido despedir-me de sua m\u00e3e e de seus irm\u00e3os &#8211; disse o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>&#8211; Quando uma pessoa est\u00e1 dormindo, est\u00e1 dispensada &#8211; respondeu o Vento Oriente.<\/p>\n<p>E continuaram a voar, cada vez em maior velocidade. Poderia ser assinalado o curso que seguiam pela agita \u00e7\u00e3o da folhagem das \u00e1rvores, quando passavam em cima de algum bosque; e quando cruzavam por um lago ou um mar, levantavam-se as ondas e os barcos se a gritavam nas \u00e1guas, como se fossem cisnes flutuantes.<\/p>\n<p>Estava anoitecendo e o espet\u00e1culo era delicioso, com os povoados cheios de luzinhas que se acendiam por todos os lados, \u00e0 semelhan\u00e7a das chamas que cruzam um papel j\u00e1 meio consumido pelo fogo.<\/p>\n<p>E o pr\u00edncipe se divertia batendo palmas de alegria, mas o Vento do Oriente lhe disse que era melhor segurar- se com todas as for\u00e7as, pois, se n\u00e3o o fizesse, poderia cair e ficar pendurado em algum campan\u00e1rio de uma igreja.<\/p>\n<p>A \u00e1guia voava rapidamente por cima do bosque, mas o Vento do Oriente voava com maior velocidade ainda.<\/p>\n<p>Os cossacos, em seus cavalinhos, corriam a galope pelas estepes, mas o pr\u00edncipe, montado nas costas do Vento do Oriente levava vantagem em sua corrida.<\/p>\n<p>&#8211; Agora voc\u00ea pode ver os montes do Himalaia &#8211; disse o Vento Oriente- &#8211; S\u00e3o as montanhas mais altas da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Logo chegaremos ao Jardim do Para\u00edso.<\/p>\n<p>0 Vento Oriente deu uma volta mais para o Sul e logo o ar ficou saturado do aroma de todas as flores. As figueiras cresciam por todos os lados e as grandes vinhas silvestres estavam cobertas de frutos.<\/p>\n<p>0 Vento Oriente desceu mais ainda e acabaram por estender ao serem agitadas pelo vento, pareciam saud\u00e1-lo com suas cabecinhas, como se quisessem dizer-lhe: ?Bem-vindo?.<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 estamos no Jardim do Para\u00edso? perguntou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>&#8211; De forma alguma &#8211; respondeu o Vento do Oriente.<\/p>\n<p>-Mas chegaremos logo. Est\u00e1 vendo essa muralha rochosa e a grande caverna, cuja entrada est\u00e1 quase obstru\u00edda pelas plantas silvestres, que formam quase uma cortina? Temos que passar por ali.<\/p>\n<p>Envolva-se em sua capa, porque o sol queima muito aqui, embora quando tivermos entrado na caverna, fa\u00e7a um frio extraordin\u00e1rio. A ave que voa e passa pela entrada da caverna tem uma asa exposta ao sol e sente a outra gelada como se estivesse no mais rigoroso inverno.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o esse \u00e9 o caminho do Jardim do Para\u00edso? &#8211; perguntou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>Entraram logo na caverna e, realmente, fazia um frio extremo, embora n\u00e3o fosse duradouro. 0 Vento do Oriente abriu suas asas, que resplandeciam como se fossem de fogo.<\/p>\n<p>Que caverna t\u00e3o extraordin\u00e1ria e t\u00e3o bela! Grandes blocos de pedra, pelos quais a \u00e1gua gotejava, estavam suspensos sobre eles, de modo que as formas mais estranhas que se pudesse imaginar apareciam ante seus olhos.<\/p>\n<p>Em determinado lugar o teto era t\u00e3o baixo e as paredes t\u00e3o pr\u00f3ximas uma da outra, que foram obrigados a avan\u00e7ar de rastos, at\u00e9 que chegaram a um lugar mais espa\u00e7oso. Esse local parecia uma catedral para os mortos.<\/p>\n<p>&#8211; Parece que para chegar ao Jardim do Para\u00edso temos que viajar pelo pa\u00eds da Morte observou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>Mas o Vento Oriente n\u00e3o respondia, limitando-se a apontar para os lugares onde resplandecia uma linda luz azul. Os blocos de pedra do teto ficaram cada vez menos vis\u00edveis e por fim ficaram t\u00e3o transparentes, como se fossem uma nuvem branca \u00e0 luz da lua. 0 ar era suave, t\u00e3o fresco e delicioso como o dos cumes das montanhas e t\u00e3o perfumado como o que rodeia as roseiras nos vales.<\/p>\n<p>Um rio corria por ali, cujas \u00e1guas eram t\u00e3o transparentes como o pr\u00f3prio ar e os peixes que por ali nadavam pareciam ser de ouro e prata.<\/p>\n<p>Enguias roli\u00e7as, que desprendiam chispas azuis de cada uma das curvas de seu corpo, brincavam na \u00e1gua; e as ra\u00edzes vermelhas dos l\u00edrios aqu\u00e1ticos estavam tintas com todas as cores do arco-\u00edris, enquanto que a flor parecia uma chama alaranjada e alimentada pela \u00e1gua, da mesma forma que uma lamparina \u00e9 alimentada pelo azeite.<\/p>\n<p>Uma bela ponte de m\u00e1rmore, delicada e habilmente esculpida, como se fosse composta de contas de cristal, atravessava o rio e levava at\u00e9 a Ilha da Felicidade, onde florescia o Jardim do Para\u00edso.<\/p>\n<p>0 Vento do Oriente tomou o pr\u00edncipe em seus bra\u00e7os e passou. As flores e as folhas cantavam as antigas can\u00e7\u00f5es de sua inf\u00e2ncia, mas com vozes mais maravilhosas e belas do que as humanas.<\/p>\n<p>0 pr\u00edncipe nunca vira t\u00e3o lindas palmeiras e plantas mais vi\u00e7osas do que aquelas. As trepadeiras formavam grinaldas e desenhos estranhos, de maneira que ali havia uma combina\u00e7\u00e3o maravilhosa de flores, p\u00e1ssaros e delicados tons de verde das folhagens.<\/p>\n<p>A pouca dist\u00e2ncia podia-se ver uma verdadeira revoada de pav\u00f5es reais, que tinham suas caudas abertas, por\u00e9m, quando o pr\u00edncipe se aproximou, constatou maravilhado que n\u00e3o eram aves, mas sim plantas. Entre a ramagem saltavam le\u00f5es e tigres, mas n\u00e3o eram animais ferozes como na terra, mas sim muito mansos.<\/p>\n<p>As pombas, brilhantes como p\u00e9rolas, agitavam a juba dos le\u00f5es com suas asas e os ant\u00edlopes, na terra t\u00e3o esquivos e prontos para fugirem, contemplavam o espet\u00e1culo como se quisessem tomar parte no brinquedo. Ent\u00e3o a Fada do Jardim se aproximou dos visitantes; suas vestes brilhavam como o sol e a express\u00e3o de seu rosto era semelhante ao da m\u00e3e que contempla seu filho satisfeita.<\/p>\n<p>Era jovem e muito formosa e caminhava rodeada de um grupo de belas mo\u00e7as, cada uma das quais levava uma estrela brilhante na testa.<\/p>\n<p>Quando o Vento do Oriente lhe entregou a folha de palmeira em que a Ave F\u00eanix escrevera a sua est\u00f3ria, seus belos olhos se iluminaram de prazer. Segurou o pr\u00edncipe pela m\u00e3o e levou at\u00e9 o seu pal\u00e1cio, cujas paredes eram da cor das tulipas iluminadas pelo sol.<\/p>\n<p>0 teto era formado por uma flor enorme e quanto mais se olhava para ela, maior parecia ser seu c\u00e1lice. 0 pr\u00edncipe se aproximou da janela e olhando pelo vidro viu a \u00c1rvore da Ci\u00eancia, com a Serpente e tamb\u00e9m p\u00f4de ver Ad\u00e3o e Eva que estavam em p\u00e9 ao seu lado.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o foram expulsos? &#8211; perguntou.<\/p>\n<p>A Fada sorriu e explicou que o Tempo gravara um quadro em cada um dos vidros da janela, mas n\u00e3o com nos quadros que se v\u00eaem pelo mundo, pois em todos eles havia movimento e o aspecto de vida, como se fossem o reflexo de um espelho.<\/p>\n<p>Olhou para outro vidro e viu em sonhos Jacob, com a escada que chegava at\u00e9 o c\u00e9u e pela qual subiam e desciam multid\u00f5es de anjos, que agitavam suas grandes e brancas asas. E tudo o que acontecera neste mundo vivia e se movia nos vidros das janelas. Somente o Tempo teria podido pintar quadros t\u00e3o maravilhosos.<\/p>\n<p>A Fada sorriu e levou o pr\u00edncipe a uma espa\u00e7osa sala de teto alto, em cujas paredes apareciam lindos rostos transparentes.<\/p>\n<p>Eram os milh\u00f5es de bem-aventurados, que sorriam e cantavam e suas can\u00e7\u00f5es se fundiam em uma maravilhosa melodia.<\/p>\n<p>Os rostos que estavam mais alto eram t\u00e3o pequenos, que o p\u00e9 de uma mesa parecia maior e havia alguns que tinham o tamanho de uma ponta de alfinete. No centro da sala havia um \u00e1rvore muito grande, com lindos ramos pendentes, dos quais ca\u00edam ma\u00e7\u00e3s de ouro, parecidas com laranjas.<\/p>\n<p>Era a \u00c1rvore da Ci\u00eancia, cujo fruto Ad\u00e3o e Eva haviam comido. De cada uma de suas folhas ca\u00eda uma gota brilhante de orvalho, como se fosse uma l\u00e1grima.<\/p>\n<p>&#8211; Agora vamos em busca do bote disse a Fada. &#8211; Teremos um pouco de frescor sobre as \u00e1guas. 0 bote balan \u00e7a, mas n\u00e3o sai nunca do mesmo lugar e todos os pa\u00edses do mundo passara diante nossos olhos.<\/p>\n<p>Era um espet\u00e1culo curioso ver como a costa se movia. Apareceram os majestosos Alpes coroados de neve, envoltos em nuvens e vestidos de pinheiros.<\/p>\n<p>A cometa de chifre ressoava tristemente entre as \u00e1rvores e o pastor cantava com voz suave nos vales.<\/p>\n<p>Logo umas figueiras de Bengala deixaram cair seus ramos sobre o bote enquanto que na \u00e1gua nadavam cisnes negros e nas margens apareciam os mais estranhos animais. Aquela era a Nova Holanda, a quinta parte do mundo, que passava rapidamente por eles, mostrando as suas montanhas azuis.<\/p>\n<p>Ouviram os cantos dos sacerdotes pag\u00e3os e vieram as dan\u00e7as dos selvagens ao som dos tambores e das flautas feitas de ossos. As pir\u00e2mides do Egito, que chegavam at\u00e9 as nuvens, as esfinges quase enterradas na areia, chegavam at\u00e9 eles. Apareceu a Aurora Boreal, que resplandecia sobre os picos gelados do Norte. Eram uns fogos artificiais inesquec\u00edveis. 0 pr\u00edncipe estava muito feliz e viu cem vezes mais coisas do que as que indicamos.<\/p>\n<p>&#8211; Poderei ficar aqui para sempre? &#8211; perguntou.<\/p>\n<p>&#8211; Isso depende somente de voc\u00ea &#8211; respondeu a Fada.<\/p>\n<p>&#8211; Se, ao contr\u00e1rio de Ad\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o se deixar tentar pelo fruto proibido, poder\u00e1 ficar para sempre.<\/p>\n<p>&#8211; Prometo n\u00e3o tocar nas ma\u00e7\u00e3s da \u00c1rvore da Ci\u00eancia &#8211; replicou o pr\u00edncipe. &#8211; Aqui existem milhares de frutas tentadoras.<\/p>\n<p>&#8211; Experimente e, se n\u00e3o for bastante forte, volte com o Vento do Oriente que lhe trouxe. Ele vai embora e n\u00e3o voltar\u00e1 sen\u00e3o daqui a cem anos.<\/p>\n<p>Neste pal\u00e1cio o tempo passar\u00e1 com tanta rapidez, como se cem anos fossem cem horas, mas assim mesmo \u00e9 muito para a tenta\u00e7\u00e3o e o pecado. Todas as noites, quando nos separarmos, eu o convidarei a seguir-me.<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea n\u00e3o dever\u00e1 faz\u00ea-lo. E n\u00e3o se aproxime de mim, porque a cada passo que der, aumentar\u00e1 o desejo de seguir-me.<\/p>\n<p>Voc\u00ea chegar\u00e1 \u00e0 sala em que se ergue a Arvore da Ci\u00eancia, pois eu durmo embaixo de seus ramos perfumados. Se voc\u00ea se inclinar para mim eu sorrirei e se me der um beijo, todo o Para\u00edso se fundir\u00e1 com a Terra e estaria perdido para voc\u00ea.<\/p>\n<p>Os mais fortes ventos do deserto soprar\u00e3o sobre voc\u00ea e a chuva fria umedecer\u00e1 seu corpo. E da\u00ed por diante, voc\u00ea n\u00e3o sentir\u00e1 mais do que tristeza e sofrimento.<\/p>\n<p>&#8211; Desejo ficar! &#8211; replicou o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p>0 Vento do Oriente deu-lhe um beijo na boca e disse: com voc\u00ea e o sol se esconder, ver\u00e1 como o convidarei a seguir-me. Mas n\u00e3o o fa\u00e7a. Isso se repetir\u00e1 todas as noites, durante cem anos.<\/p>\n<p>E, de cada vez que voc\u00ea resistir aos meus chamados, ficar\u00e1 mais forte, at\u00e9 que, por fim, n\u00e3o pensar\u00e1 mais na possibilidade de seguir-me. Esta noite ser\u00e1 a primeira. N\u00e3o se esque\u00e7a de meu aviso.<\/p>\n<p>A Fada levou-o a uma espa\u00e7osa sala rodeada de l\u00edrios brancos, cujos pistilos amare.<\/p>\n<p>&#8211; Seja forte e assim poderemos ver-nos daqui a cem anos. Adeus! Adeus!<\/p>\n<p>Acabando de falar, o Vento Oriente abriu suas grandes asas, que brilhavam como se fossem gigantescas papoulas no alto da serra.<\/p>\n<p>&#8211; Adeus! Adeus! &#8211; murmuraram as flores.<\/p>\n<p>As cegonhas e os pelicanos voavam em fila, como guinadas ondeantes, at\u00e9 o fim do Jardim.<\/p>\n<p>&#8211; Agora vamos iniciar nosso baile disse a Fada. Ao terminar, quando eu dan\u00e7\u00e1-los eram harpas de ouro, que tocavam harmoniosamente. Formosas donzelas, esbeltas e flex\u00edveis, que vestiam trajes maravilhosos de seda, recamados de brilhantes e pedras preciosas, e que deslizavam dan\u00e7ando de um lado para o outro cantando as alegrias da vida, para elas eterna, diziam que a Jardim do Para\u00edso floresceria durante toda a eternidade, pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>0 sol se p\u00f4s e o c\u00e9u ficou dourado de luz, o que deu aos l\u00edrios o aspecto de rosas. 0 pr\u00edncipe bebeu o copo de vinho espumante que lhe ofereciam as jovens.<\/p>\n<p>Sentia uma alegria enorme e desconhecida at\u00e9 ent\u00e3o; viu que um \u00e2ngulo da sala se abria para mostrar a \u00c1rvore da Ci\u00eancia, envolta num esplendor que o cegava.<\/p>\n<p>A m\u00fasica que vinha da \u00c1rvore era suave e encantadora.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a Fada fez-lhe um sinal convidando-o a aproximar- se e com voz muito doce exclamou:<\/p>\n<p>&#8211; Venha comigo.<\/p>\n<p>0 pr\u00edncipe correu para ela, esquecendo-se de sua promessa e de tudo mais, ao ver o sorriso daquela estranha mulher.<\/p>\n<p>0 ar ficou mais perfumado, as harpas soaram mais docemente, e os milh\u00f5es de cabe\u00e7as sorridentes diziam:<\/p>\n<p>E? preciso conhecer tudo. 0 homem \u00e9 o dono da terra?.<\/p>\n<p>Da \u00c1rvore n\u00e3o ca\u00edam mais gotas de sangue, mas ela parecia estar toda estrelada.<\/p>\n<p>&#8211; Venha comigo! Venha comigo! dizia a Fada com voz tr\u00eamula.<\/p>\n<p>E, \u00e0 medida que o pr\u00edncipe se aproximava, o ar o envolvia com se quisesse afast\u00e1-lo da Fada. Mas o jovem disse de si para si:<\/p>\n<p>&#8211; Irei &#8211; disse, &#8211; n\u00e3o h\u00e1 pecado se quero v\u00ea-la adormecida e n\u00e3o perderei nada se deixar de beij\u00e1-la. Isso n\u00e3o farei. Tenho for\u00e7a de vontade.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, a Fada se ocultara entre os ramos da \u00c1rvore.<\/p>\n<p>&#8211; Ainda n\u00e3o pequei &#8211; pensou o pr\u00edncipe. &#8211; E n\u00e3o pecarei.<\/p>\n<p>No entanto, ao dizer isso, separou os ramos. Ali estava adormecida a Fada e t\u00e3o formosa, como somente ela poderia ser. Em seu sono sorria e ao inclinar-se o pr\u00edncipe observou que as l\u00e1grimas assomavam aos seus olhos fechados.<\/p>\n<p>&#8211; Chorar\u00e1 por mim? &#8211; perguntou-se ele. &#8211; N\u00e3o precisa chorar, formosa donzela. Seu pranto me entristece e eu quisera que a alegria e o sorriso aparecessem em seus l\u00e1bios. Quisera que a felicidade a acompanhasse ternamente. Senti-me dono da for\u00e7a dos anjos e por minhas veias parece correr um sangue imortal. Ouviu-se ent\u00e3o um estrondo semelhante ao trov\u00e3o, mas muito mais forte e amea\u00e7ador e tudo ao redor do pr\u00edncipe caiu e desapareceu. A formosa Fada desapareceu sob a terra, juntamente com todo o Para\u00edso e o pr\u00edncipe sentiu em seus membros um frio de morte.<\/p>\n<p>Fechou os olhos e ficou estendido ao solo, como morto.<\/p>\n<p>Uma chuva forte caiu sobre sua cabe\u00e7a e o vento soprou em seu rosto. Finalmente recobrou a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8211; Que foi que fiz, pobre de mim? Pequei como Ad\u00e3o e meu pecado foi t\u00e3o grande, que o Para\u00edso afundou na Terra.<\/p>\n<p>Abriu os olhos e ainda p\u00f4de ver uma estrela que brilhava intensamente, mas n\u00e3o era o Para\u00edso, mas a estrela matutina no firmamento. E ao levantar-se encontrou-se no bosque, na entrada da caverna dos Ventos. A m\u00e3e dos Ventos estava sentada ao seu lado. Parecia muito aborrecida.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o voc\u00ea pecou logo na primeira noite? &#8211; perguntou.<\/p>\n<p>&#8211; Bem que eu pensava. E se fosse meu filho, agora mesmo o meteria no saco.<\/p>\n<p>&#8211; Logo ir\u00e1 para l\u00e1! &#8211; exclamou a Morte, que era um anci\u00e3o vigoroso, dotado de asas negras e que empunhava uma foice. &#8211; Ser\u00e1 colocado num ata\u00fade, s\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 agora. Vou deix\u00e1-lo em liberdade por uns tempos, para que ande um pouco por a\u00ed, para que expie os seus pecados e se corrija. Virei busc\u00e1-lo algum dia.<\/p>\n<p>Virei coloc\u00e1-lo num ata\u00fade negro e o levarei voando para o c\u00e9u.<\/p>\n<p>Ali tamb\u00e9m floresce o Jardim do Para\u00edso e se ele se comportar bem como espero, poder\u00e1 entrar nele. Todavia, se seus pensamentos forem maus e se seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limpar dos pecados, ele afundar\u00e1 mais profundamente do que o pr\u00f3prio Para\u00edso.<\/p>\n<p>E eu, somente uma vez cada mil anos, irei ver se ele ter\u00e1 de afundar mais ou se poder\u00e1 subir at\u00e9 as estrelas que avistamos daqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ERA uma vez o filho de um rei; e ningu\u00e9m nunca teve livros t\u00e3o lindos como ele teve. Podia ler a respeito de todas as coisas que aconteciam neste mundo e ver tudo isso representado nas mais belas estampas. 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