{"id":91510,"date":"2016-12-29T10:05:02","date_gmt":"2016-12-29T12:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=91510"},"modified":"2016-12-29T10:05:02","modified_gmt":"2016-12-29T12:05:02","slug":"as-flores-de-ida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/literatura-infantil\/as-flores-de-ida","title":{"rendered":"As Flores de Ida"},"content":{"rendered":"<p>MINHAS pobres flores est\u00e3o todas mortas?, disse a pequena Ida. Ontem elas estavam t\u00e3o belas! E agora as folhas caem secas. Que ter\u00e1 acontecido?? perguntou ela ao estudante que estava em cima do canap\u00e9 e de quem ela gostava muito.<\/p>\n<p>Ele sabia contar as est\u00f3rias mais lindas e apresentar as figuras mais divertidas, de cora\u00e7\u00f5es com meninas que dan\u00e7avam, flores e grandes castelos dos quais n\u00e3o se podia abrir as portas. Oh! era um estudante muito alegre.<\/p>\n<p>?Por que minhas flores se apresentam hoje com um ar t\u00e3o triste??, perguntou-lhe uma segunda vez, mostrando- lhe o ramo seco.<\/p>\n<p>&#8211; Vou dizer-lhe o que elas t\u00eam &#8211; disse o estudante. &#8211; Suas flores estiveram esta noite no baile onde dan\u00e7aram muito e eis por que suas p\u00e9talas est\u00e3o t\u00e3o ca\u00ed- das.<\/p>\n<p>&#8211; Mas as flores n\u00e3o sabem dan\u00e7ar disse a pequena Ida balan\u00e7ando a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, \u00e9 verdade &#8211; respondeu o estudante. &#8211; Mas assim que anoitece e que n\u00f3s dormimos, elas pulam e ficam alegres, quase todas as noites.<\/p>\n<p>&#8211; E as crian\u00e7as n\u00e3o podem ir a esse baile? Elas se divertiriam bastante.<\/p>\n<p>&#8211; Sim &#8211; respondeu o estudante as crian\u00e7as do jardim, as pequenas margaridas e os pequenos ?muguets?. &#8211; Onde dan\u00e7am as belas flores? Onde fica o sal\u00e3o de baile? &#8211; perguntou a pequena Ida.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea nunca saiu da cidade, do lado do grande caste lo onde o rei faz sua resid\u00eancia, no ver\u00e3o, e onde existe um magn\u00edfico jardim cheio de flores? Voc\u00ea pode ver os cisnes que nadam docemente para perto de voc\u00ea, quando lhes d\u00e1 migalhas de p\u00e3o. Pois acredite, \u00e9 l\u00e1 que acontecem os grandes bailes.<\/p>\n<p>&#8211; Mas eu fui ontem com mam\u00e3e ao jardim &#8211; replicou a menina &#8211; n\u00e3o havia mais folhas nas \u00e1rvores e nem sequer uma flor. Onde est\u00e3o elas agora? Eu vi tantas durante o ver\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e3o no interior do castelo &#8211; disse o estudante. &#8211; Assim que o rei e os cortes\u00e3os voltam para a cidade, os flores abandonam prontamente o jardim, entram no castelo e levam uma vida agrad\u00e1vel. Oh! se voc\u00ea visse isso! As duas mais belas rosas se assentam no trono e elas s\u00e3o o rei e a rainha. As cristas-de-galo escarlates ficam colocadas de cada lado e se inclinam:<\/p>\n<p>s\u00e3o os oficiais da casa real. A seguir v\u00eam as outras flores e come\u00e7a o grande baile &#8230; As violetas azuis representam os oficiais de marinha; dan\u00e7am com os jacintos, que eles chamam de senhoritas. As tulipas e os grandes l\u00edrios vermelhos s\u00e3o as velhas damas encarregadas de velarem para que se dance convenientemente e que tudo se passe como se deve.<\/p>\n<p>&#8211; Mas &#8211; pergunta a pequena Ida &#8211; n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que castigue as flores por dan\u00e7arem no castelo do rei? N\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos dan\u00e7ar sem um convite.<\/p>\n<p>&#8211; Ningu\u00e9m fica sabendo &#8211; disse o estudante. E? verdade que algumas vezes, durante a noite, chega o velho intendente que faz a sua ronda. Leva um grande mo lho de chaves com ele, e quando as flores ouvem o seu tilintar, ficam quietinhas e se escondem atr\u00e1s das cortinas para n\u00e3o serem vistas. ?Sinto que aqui existem flores?, diz o velho intendente; mas ele n\u00e3o as pode ver.<\/p>\n<p>&#8211; E? soberbo &#8211; disse a pequena Ida batendo as m\u00e3os &#8211; ser\u00e1 que eu podia ver as flores dan\u00e7arem?<\/p>\n<p>&#8211; Talvez &#8211; disse o estudante. &#8211; Pense nisso quando voc\u00ea voltar ao jardim do rei. Olhe pela janela e voc\u00ea as ver\u00e1. Eu o fiz hoje mesmo: havia um longo- l\u00edrio amarelo que estava estendido no canap\u00e9. Era uma dama da corte.<\/p>\n<p>&#8211; Mas as flores do jardim das Plantas tamb\u00e9m v\u00e3o? Como podem caminhar tanto?<\/p>\n<p>&#8211; Sim &#8211; disse o estudante &#8211; pois quando elas querem, podem voar. Voc\u00ea nunca viu as belas borboletas vermelhas, amarelas e brancas? E por acaso elas n\u00e3o se parecem com as flores? E porque elas nunca foram outra coisa. As flores deixaram seus caules e se elevaram nos ares; l\u00e1 elas agitaram suas folhas como se fossem asinhas e come\u00e7aram a voar. E, j\u00e1 que se portaram muito bem, obtiveram a permiss\u00e3o para voar o dia inteiro, n\u00e3o precisando mais ficar agarradas ao seu caule. Foi assim que as folhas se transformaram em asas verdadeiras.<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea mesma as viu. Ademais, pode ser que as flores do jardim das Plantas nunca tenham ido ao jardim do rei. Eis por que eu quero contar-lhe algo que far\u00e1 com que o professor de bot\u00e2nica, nosso vizinho, arregale os olhos. Quando voc\u00ea for ao jardim, anuncie a uma flor que haver\u00e1 um grande baile no castelo: ela o repetir\u00e1 a todas as outras e elas voar\u00e3o. j\u00e1 imaginou a cara que far\u00e1 o professor, quando ele for visitar o jardim e n\u00e3o ver nem uma flor, sem poder compreender para onde elas foram?<\/p>\n<p>&#8211; Mas as flores n\u00e3o sabem falar.<\/p>\n<p>&#8211; E? verdade &#8211; respondeu o estudante &#8211; mas elas s\u00e3o muito fortes em ast\u00facia. Voc\u00ea nunca viu as flores, quando faz um pouco de vento, se inclinarem e fazerem sinais com a cabe\u00e7a? Voc\u00ea nunca reparou que todas as folhas verdes se agitam? Esses movimentos s\u00e3o t\u00e3o intelig\u00edveis para elas, quanto as palavras s\u00e3o para nos.<\/p>\n<p>&#8211; Ser\u00e1 que o professor compreende a linguagem delas? &#8211; perguntou Ida.<\/p>\n<p>&#8211; Sim, certamente. Um dia em que ele estava em seu jardim, percebeu uma grande urtiga que com suas folhas fazia sinais a um lindo cravo vermelho. Ela dizia: ?Como voc\u00ea \u00e9 belo! Como eu o amo!?, mas o professor se aborreceu e bateu nas folhas que servem de dedos \u00e0 urtiga. Feriu-se, e, depois desse fato, lembrando- se sempre do quanto lhe custara, nunca mais tocou numa urtiga.<\/p>\n<p>&#8211; E? engra\u00e7ado &#8211; disse a pequena Ida, e come\u00e7ou a rir.<\/p>\n<p>&#8211; ?Como se pode meter tais coisas na cabe\u00e7a de uma crian\u00e7a?? &#8211; disse um enfadonho conselheiro que entrara durante a conversa\u00e7\u00e3o para fazer uma visita e que se sentara no canap\u00e9.<\/p>\n<p>Mas tudo o que o estudante contava \u00e0 pequena Ida tinha para ela um encanto extraordin\u00e1rio e ela refletia muito. As flores tinham as p\u00e9talas ca\u00eddas, porque estavam cansadas de ter dan\u00e7ado toda a noite. Sem d\u00favida estavam doentes. Ent\u00e3o ela as levou juntamente com seus outros brinquedos, que se encontravam sobre uma pequena mesa cuja gaveta estava cheia de belas coisas.<\/p>\n<p>Encontrou a sua boneca Sofia, deitada e adormecida; mas a menina lhe disse: ?E? preciso levantar-se, Sofia, e contentar-se por esta noite com a gaveta. As pobres flores est\u00e3o doentes e precisam tomar o seu lugar. Isso talvez as cure.?<\/p>\n<p>E ela levantou a boneca. Esta tinha o ar muito contrariado e n\u00e3o disse uma s\u00f3 palavra, tanto estava aborrecida por n\u00e3o poder ficar na sua caminha!<\/p>\n<p>Ida colocou as flores no leito de Sofia, cobriu-as bem com o cobertor e disse-lhes que ficassem quietinhas; ela iria fazer-lhes um ch\u00e1 para que elas pudessem tornar-se alegres novamente e se levantarem no dia seguinte cedo.<\/p>\n<p>A seguir fechou as cortinas em volta do pequeno leito, a fim de que o sol n\u00e3o batesse em seus olhos.<\/p>\n<p>Durante toda a noite ela n\u00e3o p\u00f4de deixar de sonhar com o que lhe contara o estudante, e, no momento de deitar-se, dirigiu-se para as cortinas das janelas, onde se encontravam as flores de sua m\u00e3e, jacintos e tulipas, e lhes disse baixinho: ?Eu sei que voc\u00eas ir\u00e3o ao baile esta noite.?<\/p>\n<p>As flores fizeram de conta que n\u00e3o compreendiam nada e n\u00e3o mexeram nem uma folha, o que n\u00e3o impediu Ida de saber o que queria.<\/p>\n<p>Quando foi se deitar, pensou no prazer que seria ver as flores dan\u00e7arem no castelo do rei. ?Minhas flores teriam ido?? E ela adormeceu.<\/p>\n<p>Acordou durante a noite: sonhara com as flores, com o estudante e o conselheiro. A vela ?dia sobre a mesa, o pai e a m\u00e3e dormiam.<\/p>\n<p>?Desejaria saber se minhas flores ainda est\u00e3o no leito de Sofia! Sim, desejaria saber.?<\/p>\n<p>Levantou-se e lan\u00e7ou um olhar pela porta entreaberta. Ouviu e pareceu-lhe que o piano tocava no sal\u00e3o, mas t\u00e3o suavemente que ela jamais ouvira coisa igual.<\/p>\n<p>?S\u00e3o as flores que dan\u00e7am. Gostaria tanto de v\u00ea-las!? Mas ela n\u00e3o ousou levantar-se de fato, com medo de acordar seus pais.<\/p>\n<p>?Oh! Se elas quisessem entrar aqui!?, pensou ela.<\/p>\n<p>Mas as flores n\u00e3o apareceram e a musica continuou a tocar baixinho. Finalmente ela n\u00e3o p\u00f4de se conter; era bonito demais. Deixou seu pequeno leito e foi na ponta dos p\u00e9s at\u00e9 a porta, a fim de olhar para o sal\u00e3o. Oh! Foi maravilhoso o que viu!<\/p>\n<p>N\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o, e verdade; no entanto, estava bastante claro. Os raios de lua ca\u00edam pela janela at\u00e9 o solo; podia-se enxergar como se fosse pleno dia. Todos os jacintos e as tulipas estavam no solo; nem uma ficara na janela; todos os vasos estavam vazios.<\/p>\n<p>No assoalho, todas as flores dan\u00e7avam alegremente, umas no meio das outras, fazendo toda a esp\u00e9cie de figura\u00e7\u00f5es e se segurando nas suas longas folhas verdes, a fim de fazerem uma grande roda. Ao piano estava sentado um grande l\u00edrio amarelo, com o qual a pequena Ida travara conhecimento no ver\u00e3o, pois se lembrava muito bem do que o estudante dissera: ?Veja como ele se parece com D. Carolina?.<\/p>\n<p>Todo mundo ca\u00e7oara dele, no entanto, Ida pensou reconhecer que a grande flor amarela se parecia de maneira extraordin\u00e1ria com essa senhorita.<\/p>\n<p>Ela tocava piano da mesma maneira; balan\u00e7ava o corpo para l\u00e1 e para c\u00e1, acompanhando o compasso com a cabe\u00e7a. Ningu\u00e9m reparara na pequena Ida. A seguir ela viu um grande cris\u00e2ntemo azul que saltou para o meio da mesa onde estavam seus brinquedos e que foi abrir a cortina do leito da boneca.<\/p>\n<p>Era ali que dormiam as flores doentes; elas se levantaram e disseram \u00e0s outras, por meio de um sinal de cabe\u00e7a, que tamb\u00e9m tinham vontade de dan\u00e7ar. 0 velho bondoso do frasco de perfume, que perdera seu l\u00e1bio inferior, levantou-se e cumprimentou as belas flores.<\/p>\n<p>Elas readquiriram a sua bela apar\u00eancia, misturaramse \u00e0s outras e se mostraram as mais alegres.<\/p>\n<p>De repente, algo pulou da mesa; Ida olhou: era a vara que se lan\u00e7ava ao solo; tamb\u00e9m queria tomar parte na dan\u00e7a das flores. Sobre ela estava colocada uma pequena boneca de cera, que usava um grande chap \u00e9u exatamente igual ao do conselheiro.<\/p>\n<p>A vara pulou no meio das flores e come\u00e7ou a marcar o tempo de uma mazurca; ningu\u00e9m o fazia melhor do que ela; as outras flores eram muito leves e nunca fariam o mesmo ru\u00eddo com os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Subitamente, a boneca que estava agarrada \u00e0 vara cresceu, voltou-se para as outras flores e gritou-lhes:<\/p>\n<p>?Como podem meter tais coisas na cabe\u00e7a de uma crian\u00e7a? E? uma fantasia idiota!? E a boneca de cera se parecia extraordinariamente com o conselheiro com o seu chap\u00e9u grande; tinha a mesma cor amarelada e o mesmo ar resmunguento.<\/p>\n<p>Mas suas longas pernas sofreram com isso: as flores bateram nelas rudemente; ela diminuiu de repente e transformou-se numa bonequinha outra vez. Como tudo aquilo era divertido de ver!<\/p>\n<p>A pequena Ida n\u00e3o p\u00f4de deixar de rir. A vara continuava a dan\u00e7ar e o conselheiro era obrigado a dan\u00e7ar com ela, apesar de toda a sua resist\u00eancia, tanto quando cresceu, como quando voltou \u00e0s suas propor\u00e7\u00f5es de pequena boneca com seu grande chap\u00e9u negro. Finalmente as outras flores intercederam por ela, sobretudo aquelas que haviam sa\u00eddo do leito e boneca; a vara deixou-se tocar por sua insist\u00eancia e acabou se aquietando. Depois algu\u00e9m bateu violentamente na gaveta onde estavam guardados os outros brinquedos de Ida. 0 homem do frasco de perfume correu at\u00e9 \u00e0 beira da mesa, deitou-se sobre o ventre e conseguiu abrir um pouco a gaveta. Imediatamente Sofia se levantou e olhou m volta espantada.<\/p>\n<p>?Ent\u00e3o h\u00e1 um baile aqui! disse ela; ?por que ningu\u00e9m me avisou??<\/p>\n<p>&#8211; Quer dan\u00e7ar comigo? &#8211; perguntou homem dos perfumes. &#8211; Por acaso, a\u00ed est\u00e1 um bailarino? disse ela voltandolhe as costas.<\/p>\n<p>A seguir sentou-se sobre a gaveta. Naturalmente algumas das flores viriam convid\u00e1-la. Mas nenhuma se apresentou. 0 homem come\u00e7ou a dan\u00e7ar sozinho, saindo- se muito bem.<\/p>\n<p>Como nenhuma das flores parecia prestar aten\u00e7\u00e3o a Sofia, ela pulou com grande ru\u00eddo da gaveta para o ch\u00e3o. Todas as flores correram para ela, perguntandolhe se estava machucada e mostrando-se, muito am\u00e1- veis para com ela, sobretudo aquelas que haviam dorido em sua cama. N\u00e3o se machucara e as flores de Ida lhe agradeceram por sua boa cama, levaram-na para o meio da sala, onde brilhava a lua, e come\u00e7aram a dan\u00e7ar com ela. Todas as outras flores faziam c\u00edrculos para v\u00ea-las. Sofia, alegre, disse-lhes que agora elas podiam ficar com a sua cama, pois ela n\u00e3o se importava de dormir dentro da gaveta.<\/p>\n<p>As flores lhe responderam: ?Agradecemos cordialmente; n\u00e3o poderemos viver muito tempo. Amanh\u00e3 estaremos mortas. Mas diga \u00e0 pequena Ida que nos enterre l\u00e1 no canto do jardim onde foi enterrado o passarinho das Can\u00e1rias. N\u00f3s ressuscitaremos no ver\u00e3o e nos tornaremos ainda mais belas.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o quero que voc\u00eas morram disse Sofia &#8211; e beijou as flores.<\/p>\n<p>Mas no mesmo instante a porta do sal\u00e3o se abriu e uma multid\u00e3o de flores magnificas entrou dan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Ida n\u00e3o podia entender de onde elas vinham. Sem d\u00favida, eram todas flores do jardim do rei! Havia rosas espl\u00eandidas, que usavam coroas de ouro: eram o rei e a rainha. A seguir apareceram os mais encantadores girass\u00f3is, os cravos mais maravilhosos, que saudaram de todos os lados.<\/p>\n<p>Estavam acompanhados de uma orquestra; os jacintos tocavam como se possu\u00edssem campainhas de verdade.<\/p>\n<p>Era uma m\u00fasica inesquec\u00edvel; todas as outras flores se reuniram \u00e0 nova banda, e as violetas e as papoulas dan\u00e7aram assim como as min\u00fasculas margaridas.<\/p>\n<p>E se abra\u00e7avam umas \u00e0s outras. Era um espet\u00e1culo delicioso.<\/p>\n<p>A seguir as flores se deram uma boa noite e a pequena Ida correu para a cama, onde ficou sonhando com tudo o que vira. No dia seguinte, assim que se levantou, correu para a mesinha a fim de ver se as flores ainda estavam l\u00e1. Abriu as cortinas do pequeno leito; as flores estavam todas, mas ainda mais murchas do que na v\u00e9spera. Sofia dormia na gaveta e tinha o ar de sonhar profundamente.<\/p>\n<p>&#8211; Lembra-se do recado que tem para mim? &#8211; perguntou- lhe a pequena Ida.<\/p>\n<p>Mas Sofia n\u00e3o disse uma s\u00f3 palavra.<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 bondosa &#8211; disse Ida no entanto, todas elas dan\u00e7aram com voc\u00ea.<\/p>\n<p>A seguir apanhou uma caixa de papel que continha desenhos de belos p\u00e1ssaros e colocou dentro dela as flores mortas.<\/p>\n<p>&#8211; Aqui est\u00e1 o seu caix\u00e3o &#8211; disse ela. E mais tarde, quando meus priminhos vierem me ver, poder\u00e3o me ajudar a enterr\u00e1-las no jardim, para que depois ressuscitem e se tornem ainda mais lindas.<\/p>\n<p>Os primos da pequena Ida eram dois meninos encantadores; chamavam-se Jonas e Adolphe. Seu pai lhes dera dois talabartes e eles os levaram, a fim de mostr\u00e1- los a Ida. A menina contou-lhes a triste est\u00f3ria das flores e pediu-lhes que a ajudassem a enterr\u00e1-las.<\/p>\n<p>Os dois meninos caminharam na frente com seus dois talabartes nas costas e a pequena Ida os seguiu com as suas flores mortas dentro do seu pequeno caix\u00e3o; abriram um buraco no jardim; depois de ter dado um \u00faltimo beijo nas flores, Ida colocou o caix\u00e3ozinho no mesmo. Adolphe e Jonas deram dois golpes de flecha no enterro; pois eles n\u00e3o possu\u00edam nem fuzil nem canh\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MINHAS pobres flores est\u00e3o todas mortas?, disse a pequena Ida. Ontem elas estavam t\u00e3o belas! E agora as folhas caem secas. Que ter\u00e1 acontecido?? perguntou ela ao estudante que estava em cima do canap\u00e9 e de quem ela gostava muito. 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