{"id":91438,"date":"2016-12-29T09:07:37","date_gmt":"2016-12-29T11:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=91438"},"modified":"2016-12-29T09:07:37","modified_gmt":"2016-12-29T11:07:37","slug":"a-minhoca-e-o-joao-de-barro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/literatura-infantil\/a-minhoca-e-o-joao-de-barro","title":{"rendered":"A Minhoca e o Jo\u00e3o de Barro"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<p>Ao p\u00e9 de uma frondosa paineira vivia uma minhoquinha chamada Milena. Ali vivia com a fam\u00edlia desde que nascera. Sua inf\u00e2ncia foi muito feliz. Sempre a brincar com os irm\u00e3ozinhos, parentes e demais crian\u00e7as da redondeza. Tomava parte nas cantigas de roda, jogos de Amarelinha, para os quais ela n\u00e3o tinha l\u00e1 muito jeito, mas sempre se alegrava nesses folguedos. Sim, porque a sua turma era t\u00e3o unida que at\u00e9 chegou a criar um teatrinho para se divertir e melhor e mais depressa passar o tempo. No teatro ela fazia o papel de uma cobrinha que dan\u00e7ava muito bem, numa coreografia em c\u00edrculos, muito aplaudida por aquele audit\u00f3rio ao ar livre. Milena, como a maioria das crian\u00e7as de sua idade, vivia sempre transbordando felicidade porque vivia intensamente o presente sem se preocupar com o futuro. Era aplicada nos estudos . Seus professores eram os seus pr\u00f3prios pais, pois ningu\u00e9m melhor do que o minhoco Mimi e mam\u00e3e minhoca Tet\u00ea para ensinar-lhe a profiss\u00e3o familiar e prepar\u00e1-la para o conv\u00edvio na sociedade. \u00c0 medida que foi crescendo, no entanto, nossa amiguinha passou por uma transforma\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o era mais aquela menina alegre, sorridente e saltitante de alguns anos atr\u00e1s. A bem da verdade, se ela n\u00e3o fosse minhoca, poder\u00edamos dizer que Milena estava colocando minhocas na cabe\u00e7a. Sabem o que aconteceu com Milena? O mesmo que acontece, infelizmente com freq\u00fc\u00eancia, a um grande n\u00famero de seres humanos: come\u00e7ou a comparar-se aos outros.<\/p>\n<p>Ora, isto n\u00e3o pode acontecer para ningu\u00e9m, porque n\u00e3o existe atitude mais prejudicial do que julgar as coisas, pessoas e situa\u00e7\u00f5es pelas apar\u00eancias. Principalmente quando ao assim fazer come\u00e7amos a perder o nosso senso do valor pr\u00f3prio, que \u00e9 \u00fanico. Assim procedendo ficamos com a auto-estima em baixa, que a Psicologia define como complexo de inferioridade. O desabafo de Milena \u00c0 medida que o tempo passava, aqueles seus companheiros de inf\u00e2ncia, assim como ela, cresceram e constitu\u00edram fam\u00edlias. O Sapo Jorj\u00e3o nunca deixava de convid\u00e1-la para as festas de anivers\u00e1rio ou casamento de seus filhos. Nas Festas Juninas at\u00e9 aparecia o vagalume e familiares para dar um colorido luminoso aos bailes. N\u00e3o s\u00f3 aos forr\u00f3s de Jorj\u00e3o, mas do Tatu Alcides, da Tartaruga Silvana ou de quem os convidasse. Os filhos de Jorj\u00e3o, enquanto ele batucava, davam seus espet\u00e1culos de nado livre e eram h\u00e1beis tamb\u00e9m em terra-firme, em saltos \u00e0 dist\u00e2ncia e outros n\u00fameros. Afinal, festejos n\u00e3o faltavam na Fazenda Brilhante. Esse era o nome daquele lugar que podia ser comparado a um para\u00edso. Mas a pobre minhoquinha come\u00e7ou a se sentir em n\u00edvel inferior aos demais animais, pequenos e grandes com os quais convivia. Assim foi que, certo dia, Milena se surpreendeu falando sozinha, em voz alta, sobre o seu desconforto pessoal em n\u00e3o passar de uma simples minhoca. -N\u00e3o sei saltar como o Sapo Jorj\u00e3o, onde todos os de sua fam\u00edlia s\u00e3o l\u00e9pidos e \u00e1geis, tanto na \u00e1gua como no seco. N\u00e3o tenho asas como o compadre Jo\u00e3o de Barro e sua esposa Joana.<\/p>\n<p>Muito menos a habilidade que o consagra como o pedreiro da floresta, ou arquiteto silvestre. N\u00e3o sei gorjear como o can\u00e1rio, nem tenho penas bonitas como o beija-flor, t\u00e3o elogiado pelos poetas. O macaco, ent\u00e3o, n\u00e3o precisa nem abrir a boca e todos caem na risada com suas micagens. E o papagaio com suas piadas, muitas delas at\u00e9 sem gra\u00e7a nenhuma, faz com que mesmo os animais mais s\u00e9rios como o Le\u00e3o, e os pr\u00f3prios homens d\u00eaem l\u00e1 suas gargalhadas. \u00c9 t\u00e3o carism\u00e1tico que, assim como os c\u00e3es e os gatos, at\u00e9 virou animal de estima\u00e7\u00e3o de Dona L\u00facia, dona da fazenda. E eu? Moro num buraco. Na verdade, eu trabalho em casa, porque abro brechas no solo onde resido e&#8230; Neste momento, o papagaio que ouvia essas lam\u00farias da minhoca Milena, agora m\u00e3e de fam\u00edlia, n\u00e3o perdeu a deixa: -Escuta aqui sua chorona, pare com essa conversa mole como voc\u00ea, antes que o Seu Paulo S\u00e9rgio resolva espetar seu corpinho num anzol, fazer dele uma isca e voc\u00ea ir parar na boca de uma tra\u00edra. Eu, hein? Minhoca Milena sentiu arrepios por todo o corpo. As palavras do Louro Manoel atingiram-na em cheio. Afinal, quer ela admitisse ou n\u00e3o, o papagaio estava dizendo a pura verdade. Ent\u00e3o a minhoca acabou por dizer-lhe: -Eh, Louro Manoel, voc\u00ea sempre brincalh\u00e3o! Mas agora est\u00e1 parecendo uma ave de mau agouro. -Calma, Milena, quem est\u00e1 se diminuindo \u00e9 voc\u00ea mesma. Al\u00e9m disso, com esse seu desprezo por si mesma e esse pessimismo, sabe o que vai lhe acontecer? -Manoel, eu estou sendo realista &#8211; respondeu Milena. Ou voc\u00ea quer que eu me compare ao meu compadre Jo\u00e3o de Barro? Um dia poderei ousar construir uma casa como a dele? L\u00e1 em cima, perto do c\u00e9u, com ar fresco e o perfume das flores exalando do bosque?<\/p>\n<p>-Ah, sua boba &#8211; replicou o Papagaio Manoel &#8211; eu acho que os cientistas quando usam a palavra meio ambiente, talvez seja para que ningu\u00e9m bata no peito e diga que \u00e9 o ambiente inteiro. Todos dependemos uns dos outros. \u00c9 a Associa\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica, da qual nem o homem, esse presun\u00e7oso, pode esquecer e ir fazendo o que bem entender. -U\u00e9! Olha s\u00f3 quem est\u00e1 falando!- disse Milena em tom ir\u00f4nico- Outro dia voc\u00ea entrou na sua casinha, ficou l\u00e1 e se escondeu do Gavi\u00e3o Penacho, sem dar um piu. -E da\u00ed? Acha que eu iria contar uma piada de gavi\u00e3o pra ele. O que voc\u00ea queria que eu fizesse? -Seja sincero, Manoel, acho que se dependesse de voc\u00ea os gavi\u00f5es n\u00e3o existiriam, ou pelo menos, teriam um outro comportamento, sen\u00e3o esse de aterrorizar todas as aves, a come\u00e7ar dos galos que, quando ele grita l\u00e1 em cima, eles calam a boca aqui embaixo. At\u00e9 deixam o Seu Paulo S\u00e9rgio e Dona L\u00facia perderem a hora de se levantar, com medo de anunciar a alvorada. Responde o Papagaio, virando as asas em volta, sem esconder sua s\u00e1bia ironia: -Currupaco, voc\u00ea est\u00e1 dizendo bobagem, minhoca Milena. H\u00e1 uma grande utilidade nessas amea\u00e7as do Penacho: &#8211; foi assim que aprendi a rezar. Cruz Credo!!! Al\u00e9m disso, dou um descanso para as minhas cordas vocais e para a minha l\u00edngua e garganta. At\u00e9 tiro um cochilo enquanto aquele paspalho faz aquele alvoro\u00e7o como se o c\u00e9u estivesse desabando. O Jo\u00e3o de Barro, l\u00e1 de sua casinha no alto da paineira, ouviu o desabafo da minhonquinha e ficou muito penalizado. At\u00e9 comentou com sua esposa:<\/p>\n<p>-Joana, n\u00f3s precisamos fazer algo pela Milena. -Voc\u00ea tem raz\u00e3o, Jo\u00e3o. Embora Milena n\u00e3o tenha motivos reais para reclamar da vida, encontra-se muito infeliz porque perdeu um dos bens mais preciosos de qualquer criatura na face da terra. Ela n\u00e3o tem mais estima por si mesma. Sua auto-estima est\u00e1 a zero por conta da sua forma errada de avaliar a si mesma e ao seu pr\u00f3prio trabalho. -Sim, Joana, respondeu o p\u00e1ssaro marido. Que tal se a convid\u00e1ssemos para passar uma tarde conosco e a gente bater um bico com ela? -Combinado, Jo\u00e3o. Se voc\u00ea quiser, dou um v\u00f4o at\u00e9 l\u00e1 embaixo e fa\u00e7o o convite. Assim falou e assim fez, descendo com leveza o seu corpo em movimentos graciosos at\u00e9 o espa\u00e7o onde vivia a Minhoquinha. E gritou pelas imediac\u00f5es: &#8211; \u00d4 de casa ! \u00d4 de casa! Uma voz bem aguda, de tom mole e pregui\u00e7oso, respondeu n\u00e3o escondendo uma leve ponta de irrita\u00e7\u00e3o. -Que casa, comadre Joana ?! Eu n\u00e3o tenho casa coisa nenhuma. Vivo com a minha fam\u00edlia ao r\u00e9s da terra ! A senhora e seu marido, sim, t\u00eam uma mans\u00e3o l\u00e1 na paineira que vale a pena. Eu hein ? Pobre de mim ! -Falando em casa &#8211; disse Joana Passarinho para Milena Minhoca, vim fazer-lhe um convite para ir conhecer nossa moradia. -Outra piada da comadre!&#8230; Como posso, na condi\u00e7\u00e3o de simples oper\u00e1ria da terra, custear uma viagem a\u00e9rea para chegar l\u00e1 em cima da paineira?<\/p>\n<p>-Ora, Milena &#8211; disse a passarinha Joana protestando calmamente &#8211; basta voc\u00ea grudar em minhas asas que a levarei em menos de um minuto para nossa casa. E prometo traz\u00ea-la s\u00e3 e salva no momento que voc\u00ea desejar. -\u00c9&#8230;comadre. Eu sempre tive a curiosidade de conhecer a casa de voc\u00eas. O que a senhora diz me parece um sonho&#8230; -Parecia um sonho, mas vamos subir ent\u00e3o, comadre Milena. Voc\u00ea vai comprovar, nesta oportunidade, que tudo aquilo que a gente acredita que vai acontecer em nossa vida, sempre acaba se sucedendo. E o que \u00e9 melhor: h\u00e1 vezes em que a felicidade que nos chega supera aquela felicidade que a gente imaginou&#8230; -Nossa! Mas como a comadre \u00e9 otimista! At\u00e9 criei coragem de fazer esse meu primeiro v\u00f4o para o c\u00e9u a bordo de suas asas. Milena chega com todas as honras Minhoca Milena a custo elevou-se sobre um cupinzeiro para facilitar sua subida nas asas da sol\u00edcita passarinha. Z\u00e1s! Num segundo Joana decolou rumo ao c\u00e9u com a minhoca \u00e0s costas empenadas. Milena ficou extasiada ao ver a paisagem l\u00e1 de cima. Bem que ela tinha raz\u00e3o ao pensar que os Jo\u00e3o de Barro dispunham de uma vis\u00e3o privilegiada por disporem de asas para voar e uma casa t\u00e3o no alto, acima da mina, do pasto crivado de arvoredo e animais. Em quest\u00e3o de segundos a passarinha Joana alcan\u00e7ou a paineira, dando um grito para que o marido Jo\u00e3o de Barro viesse receber Milena com todas as honras. Milena desceu sobre o galho, num movimento meio desajeitado e um pouco acanhada diante da (para ela) enorme casa do anfitri\u00e3o que ali se postava \u00e0 sua espera.<\/p>\n<p>-Jo\u00e3o! gritou Joana. Venha ver quem est\u00e1 aqui! -Eu sei quem est\u00e1 a\u00ed! E fico muito feliz em receber nossa comadre Milena. Hoje est\u00e1 um dia prop\u00edcio para ela ouvir tamb\u00e9m o que diz aquele ecologista&#8230; -Ah! &#8211; atalhou Joana &#8211; \u00e9 mesmo, comadre Milena! Mora aqui por perto um senhor, o Seu Geraldo Machado, que senta aqui embaixo da paineira todas as tardes para conversar com a netinha sobre as maravilhas da Natureza. -Chi, comadre! Tenho certeza que ele vai falar sobre o mico le\u00e3o dourado, que at\u00e9 virou ilustra\u00e7\u00e3o de c\u00e9dulas de dinheiro, e com essa hist\u00f3ria de estar em extin\u00e7\u00e3o s\u00f3 d\u00e1 ele nos assuntos desses tais ecologistas. -\u00d3, comadre Milena. Deixe de lado esse pessimismo, levante a sua cabe\u00e7a e acredite mais em si mesma. Voc\u00ea \u00e9 t\u00e3o importante quanto qualquer outro animal, seja dom\u00e9stico ou selvagem. -Tem raz\u00e3o, comadre Joana. Eu sou uma privilegiada por merecer a sua amizade e confesso que estou muito feliz em estar aqui&#8230;nas alturas. -Mas vamos entrar, disse Jo\u00e3o de Barro. Venha conhecer a nossa casa. Al\u00e9m disso, daqui d\u00e1 para ouvir as li\u00e7\u00f5es do Seu Geraldo Machado. Ele tem um bom timbre de voz. Nesse momento os tr\u00eas ouviram o ponteio de uma viola, que de repente silenciou para dar lugar ao leve ru\u00eddo de passos sobre a relva, l\u00e1 embaixo, nas proximidades da mina d&#8217;\u00e1gua. Era o velho ecologista, cabe\u00e7a branca, mas ainda forte e \u00e1gil, em seus oitenta e tantos anos de idade. Descansou a viola sobre o mour\u00e3o da porteira e iniciou sua li\u00e7\u00e3o de ecologia para a netinha Bianca.<\/p>\n<p>A menina era toda olhos e ouvidos, e ansiava por ouvir as s\u00e1bias li\u00e7\u00f5es de vov\u00f4 Geraldo. Adivinhem s\u00f3 qual foi o tema do ecologista? -A FUN\u00c7\u00c3O DA MINHOCA NA NATUREZA &#8211; O di\u00e1logo teve in\u00edcio com uma pergunta de Bianca ao anci\u00e3o: -Vov\u00f4, por acaso a minhoca \u00e9 parente da cobra? -N\u00e3o, minha querida netinha. N\u00e3o tem nada a ver. As cobras s\u00e3o r\u00e9pteis. As minhocas s\u00e3o vermes &#8211; ensinou o velho. -Ent\u00e3o quando se diz que algu\u00e9m que est\u00e1 com verme, poderia ser dito que est\u00e1 com minhoca na barriga? &#8211; atalhou Bianca. -De modo algum. Bianca. \u00c9 outra esp\u00e9cie de verme. As minhocas s\u00e3o anel\u00eddeos. N\u00e3o habitam o organismo humano como os vermes parasitas do intestino. Elas s\u00e3o oper\u00e1rias do solo. Sua utilidade \u00e9 muito grande e hoje \u00e9 bem conhecida pelos cientistas. De l\u00e1 de cima da casa do casal de p\u00e1ssaros, Minhoca Milena agu\u00e7ou ainda mais a aten\u00e7\u00e3o, torcendo para que o Sr.Machado continuasse a falar sobre a sua import\u00e2ncia na vida terrestre. Assim, continuou o naturalista a sua aula ao ar livre: -O nome anel\u00eddeo \u00e9 porque o corpo da minhoca \u00e9 formado de an\u00e9is. Gra\u00e7as a ela a terra se fertiliza e hidrata, isto \u00e9, ela vai fazendo furos no solo e isto permite que a \u00e1gua da superf\u00edcie penetre nas camadas de terra mais abaixo. N\u00e3o sei o que seria da vida na Terra se n\u00e3o fossem as minhocas com sua a\u00e7\u00e3o silenciosa e sem aplausos, mas indispens\u00e1veis \u00e0 Natureza &#8211; concluiu o Sr.Machado.<\/p>\n<p>-Vov\u00f4,\u00e9 verdade que na Calif\u00f3rnia h\u00e1 at\u00e9 cria\u00e7\u00e3o de minhocas? -Sim, Bianca. H\u00e1 fazendeiros que recebem muito dinheiro com seus minhoc\u00e1rios e at\u00e9 exportam para outros pa\u00edses. -Olha, Vov\u00f4, o mais interessante \u00e9 que elas trabalham em sil\u00eancio, sem barulho e, pelo que o senhor diz, s\u00e3o muito \u00fateis. -Sim, Bianca. S\u00e3o \u00fateis para a lavoura, porque permitem a melhoria das colheitas e ajudam a respira\u00e7\u00e3o do solo. S\u00e3o, sim, muito modestas, como sempre s\u00e3o humildes aquelas criaturas que verdadeiramente trabalham em favor dos outros. -Sem as minhocas seria dif\u00edcil viver, V\u00f4? &#8211; perguntou Bianca com os olhinhos arregalados. -Seria impratic\u00e1vel viver sem elas. Nem mesmo o Jo\u00e3o de Barro teria feito aquela casinha t\u00e3o bonita se n\u00e3o fosse o trabalho das minhocas em favor do solo. Milena sorriu. Olhou para as paredes da casa e sentiu saudades de seu pr\u00f3prio ninho. Agora, consciente de seu valor pr\u00f3prio, com a auto-estima recuperada, pediu encarecidamente aos donos da casa: -Aqui est\u00e1 muito bom, comadre Joana e compadre Jo\u00e3o. Mas preciso ir. Estou com saudades de casa e o trabalho me espera. Minhoca Milena voltou para as suas atividades com alma renovada e passou a produzir muito mais, agora na alegria de sentir-se \u00fatil na sua vida e no seu trabalho.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ads-baixo\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao p\u00e9 de uma frondosa paineira vivia uma minhoquinha chamada Milena. Ali vivia com a fam\u00edlia desde que nascera. Sua inf\u00e2ncia foi muito feliz. Sempre a brincar com os irm\u00e3ozinhos, parentes e demais crian\u00e7as da redondeza. 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