{"id":91427,"date":"2016-12-29T09:01:39","date_gmt":"2016-12-29T11:01:39","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=91427"},"modified":"2016-12-29T09:01:39","modified_gmt":"2016-12-29T11:01:39","slug":"a-margarida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/literatura-infantil\/a-margarida","title":{"rendered":"A Margarida"},"content":{"rendered":"<h4>Christian Andersen<\/h4>\n<p>Leia bem esta pequena est\u00f3ria. No campo, perto da grande estrada, estava situada uma gentil morada que voc\u00ea j\u00e1 deve ter notado. Na frente dela se encontra um jardim com flores e uma pali\u00e7ada verde; n\u00e3o longe dali, no meio da erva fresca, floria uma pequena margarida.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao sol que a aquecia com seus raios assim como \u00e0s grandes e ricas flores do jardim, ela se desenvolvia hora a hora. Certa manh\u00e3, inteiramente aberta, com suas pequenas p\u00e9talas brancas e brilhantes, que se pareciam com um sol em miniatura rodeado de seus raios.<\/p>\n<p>Quando a percebiam na relva e a fitavam como a uma flor insignificante, ela se inquietava um pouco. Vivia contente, respirava as del\u00edcias do calor do sol e ouvia o canto do rouxinol que se elevava nos ares.<\/p>\n<p>E assim a pequena margarida estava feliz como num dia de festa, embora fosse apenas segunda- feira. Enquanto as crian\u00e7as, sentadas no banco da escola, aprendiam as suas li\u00e7\u00f5es, ela, sustentada por seu caule verde, aprendia sobre a beleza da natureza e sobre a bondade de Deus, e parecia-lhe que tudo o que sentia em sil\u00eancio, o pequeno rouxinol exprimia perfeitamente em suas can\u00e7\u00f5es felizes. Assim ela olhava com uma esp\u00e9cie de respeito o p\u00e1ssaro feliz que cantava e voava mas n\u00e3o sentia a m\u00ednima vontade de fazer outro tanto. \u00a0 ?Eu vejo e ou\u00e7o, pensou ela; o sol me aquece e o vento me beija. Oh! eu faria mal se me queixasse.?<\/p>\n<p>Dentro do jardim havia uma quantidade de flores lindas e vi\u00e7osas; quanto menos perfu me tinham mais bonitas eram. As pe\u00f4nias se inflavam a fim de parecerem maiores do que as rosas; mas n\u00e3o \u00e9 o tamanho que faz uma rosa. As tulipas brilhavam pela beleza de suas cores e se pavoneavam com pretens\u00e3o; n\u00e3o se dignavam lan\u00e7ar um olhar sobre a pequena margarida, enquanto que a pobre as admirava dizendo: ?Corno s\u00e3o ricas e belas! Sem d\u00favida o p\u00e1ssaro maravilhoso vai visit\u00e1-las. Obrigada, meu Deus, por poder assistir a esse belo espet\u00e1culo?. E, no mesmo instante, o rouxinol levantava seu v\u00f4o, n\u00e3o para as pe\u00f4nias e as tulipas, mas para a relva ao lado da pobre margarida, que, louca de alegria, n\u00e3o sabia mais o que pensar. 0 pequeno p\u00e1ssaro come- \u00e7ou a saltitar em volta dela cantando: ?Como a relva \u00e9 macia! Oh! A encantado a florzinha de cora\u00e7\u00e3o de ouro e vestido de prata!?<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode fazer uma id\u00e9ia da bondade da pequena flor. 0 p\u00e1ssaro a beijou com seu bico, cantou \u00e0 sua frente, depois subiu para o azul do c\u00e9u. Durante mais de um quarto de hora, a margarida n\u00e3o p\u00f4de se refazer da sua emo- \u00e7\u00e3o. Um pouco envergonhada, mas orgulhosa no fundo do cora\u00e7\u00e3o, ela olhou para as outras flores do jardim. Testemunhas da honra de que fora alvo, elas deveriam compreender a sua alegria; mas as tulipas ainda estavam mais r\u00edgidas do que antes; sua figura vermelha e pontuda exprimia seu despeito. As pe\u00f4nias levantavam a cabe\u00e7a com soberba. Que sorte para a margaridinha que elas n\u00e3o pudessem falar! Teriam dito coisas bem desagrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>A florzinha apercebeu-se e ficou triste com aquele mau humor.<\/p>\n<p>Alguns instantes depois, uma menina armada de uma grande faca afiada e brilhante entrou no jardim, aproximou-se das tulipas e cortouas uma a uma.<\/p>\n<p>?Que infelicidade!?, disse a margaridinha suspirando; ?eis uma coisa pavorosa!?<\/p>\n<p>E enquanto a menina levava as tulipas, a margarida se alegrava por n\u00e3o ser mais do que uma florzinha no meio da relva. Apreciando a bondade de Deus e cheia de reconhecimento, ela fechou suas folhas no fim do dia, adormeceu e sonhou a noite inteira com o sol e o pequeno p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, quando a margarida abriu suas p\u00e9talas ao ar e \u00e0 luz, reconheceu a voz do p\u00e1ssaro, mas seu canto era muito triste. O coitado fora aprisionado dentro de uma gaiola e suspenso na varanda. Cantava a felicidade da liberdade, a beleza dos campos verdejantes e as antigas viagens pelos ares.<\/p>\n<p>A pequena margarida bem que quisera ir em seu aux\u00edlio: mas que fazer? Era uma coisa dif\u00edcil. A compaix\u00e3o que ela sentia pelo pobre p\u00e1ssaro cativo fez com que se esquecesse das belezas que a rodeavam, o doce calor do sol e a brancura extasiante de suas pr\u00f3prias p\u00e9talas.<\/p>\n<p>Logo dois meninos entraram no jardim; o mais velho levava na m\u00e3o uma faca comprida e afiada como a da menina que cortara as tulipas.<\/p>\n<p>Dirigiram-se para a margarida que n\u00e3o podia compreender o que eles queriam.<\/p>\n<p>?Aqui n\u00f3s podemos levar um belo peda\u00e7o de erva para o rouxinol?, disse um dos meninos, e come\u00e7ou a cortar um quadrado profundo em volta da pequena flor.<\/p>\n<p>&#8211; Arranque a flor! &#8211; disse o outro.<\/p>\n<p>Ao ouvir essas palavras a margarida tremeu de medo. Ser arrancada significava perder a vida; e jamais ela gozara tanto a exist\u00eancia como naquele momento em que esperava entrar com a grama na gaiola do p\u00e1ssaro cativo.<\/p>\n<p>?N\u00e3o, deixemo-la a\u00ed?, respondeu o maior: ela est\u00e1 muito bem colocada.?<\/p>\n<p>E assim ela foi poupada e entrou na gaiola do p\u00e1ssaro. O pobre p\u00e1ssaro, lamentando amargamente o seu cativeiro, batia com as asas nos ferros da gaiola. E a pequena margarida n\u00e3o podia, malgrado todo o seu desejo, faz\u00ea- lo ouvir uma palavra de consolo.<\/p>\n<p>E assim se passou o dia.<\/p>\n<p>?N\u00e3o h\u00e1 mais \u00e1gua aqui?, gritava o prisioneiro; ?todos sa\u00edram sem me deixar uma gota de \u00e1gua. Minha boca est\u00e1 seca e tenho uma sede terr\u00edvel! Ai de mim! Vou morrer, longe do sol brilhante, longe da fresca erva e de todas as magnific\u00eancias da cria\u00e7\u00e3o!?<\/p>\n<p>Mergulhou o bico na erva \u00famida a fim de refrescar- se um pouco. Seu olhar caiu sobre a pequena margarida; fez um sinal amistoso e disse ao beij\u00e1-la: ?Voc\u00ea sim, pequena flor, perecer\u00e1 aqui! Em troca do mundo que eu ti nha \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o, deram-me algumas folhas de relva e voc\u00ea como companhia. Cada folha de erva deve ser para mim uma \u00e1rvore; cada uma de suas p\u00e9talas brancas uma flor odor\u00edfera. Ah! voc\u00ea me faz lembrar tudo aquilo que eu perdi!<\/p>\n<p>&#8211; Se eu pudesse consol\u00e1-lo??, pensava a margarida, incapaz de fazer o m\u00ednimo movimento.<\/p>\n<p>No entanto, o perfume que ela exalava tornava- se cada vez mais forte; o p\u00e1ssaro compreendeu e, enquanto enfraquecia com uma sede devoradora que o fazia arrancar todos os peda \u00e7os de relva, tomava cuidado para n\u00e3o tocar na flor.<\/p>\n<p>A noite chegou; ningu\u00e9m estava l\u00e1 para levar uma gota de \u00e1gua para o pobre p\u00e1ssaro. Ent \u00e3o ele abriu suas belas asas sacudindo-as convulsivamente e fez ouvir uma pequena can- \u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica. Sua cabecinha se inclinou para a flor e seu cora\u00e7\u00e3o ferido de desejo e de dor cessou de bater. A esse triste espet\u00e1culo, a margaridinha n\u00e3o p\u00f4de, como na v\u00e9spera, fechar suas p\u00e9talas para dormir; traspassada pela tristeza, caiu ao solo.<\/p>\n<p>Os meninos n\u00e3o chegaram sen\u00e3o no dia seguinte.<\/p>\n<p>Ao verem o p\u00e1ssaro morto, choraram muito e abriram uma sepultura. 0 corpo encerrado numa linda caixa vermelha foi enterrado realmente, e sobre seu t\u00famulo semearam p\u00e9talas de rosa.<\/p>\n<p>Pobre p\u00e1ssaro! enquanto ele vivia e cantava, haviam-no esquecido em sua gaiola e deixaram- no morrer ele sede; depois de sua morte, choravam-no e enchiam-no de honrarias.<\/p>\n<p>A relva e a margarida foram jogadas no p\u00f3 da estrada; e ningu\u00e9m nem pensou que algum dia ela tivesse podido amar t\u00e3o ternamente o pequeno p\u00e1ssaro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Christian Andersen Leia bem esta pequena est\u00f3ria. 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