{"id":90431,"date":"2016-12-23T15:02:19","date_gmt":"2016-12-23T17:02:19","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=90431"},"modified":"2022-02-17T17:34:44","modified_gmt":"2022-02-17T19:34:44","slug":"revolta-dos-alfaiates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/revolta-dos-alfaiates","title":{"rendered":"Revolta dos Alfaiates"},"content":{"rendered":"<p><strong>Revolta dos Alfaiates &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Liberdade, fraternidade e igualdade foram ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa espalhadas por todo o mundo atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>No Brasil do final do s\u00e9culo XVIII, os intelectuais liam os fil\u00f3sofos, pensadores iluministas cuja escrita inspirou a Era das Revolu\u00e7\u00f5es. Nos sal\u00f5es da moda, os letrados, ou intelectuais, reuniam-se para discutir filosofia e a torrente de acontecimentos fora do Brasil. Educados em Coimbra, Portugal, ao lado dos filhos dos plantadores de a\u00e7\u00facar mais ricos do Brasil, os letrados entendiam as ideias da revolu\u00e7\u00e3o em termos amplamente intelectuais. Sua posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio dentro da sociedade escravista brasileira limitava a extens\u00e3o em que questionavam o pacto colonial.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, no entanto, se espalhou para al\u00e9m dos poucos propriet\u00e1rios com acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Como os escravos e mulatos do Haiti, os trabalhadores da cidade nordestina de Salvador da Bahia interpretaram as ideias de liberdade e igualdade em termos profundamente radicais. Em agosto de 1798, um grupo de mulatos livres, escravos negros e artes\u00e3os brancos participou de um movimento que buscava efetivar em solo brasileiro os objetivos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Revolta dos Alfaiates<\/strong>, nomeada pela profiss\u00e3o de alguns de seus conspiradores, foi uma de uma s\u00e9rie de tramas que sinalizaram a desintegra\u00e7\u00e3o do sistema colonial que ligava o Brasil a Portugal.<\/p>\n<p>Sob o grande administrador do imp\u00e9rio portugu\u00eas, o Marqu\u00eas de Pombal, e seu sucessor menos capaz, Martinho de Melo e Castro, a coroa portuguesa realizou um programa de reorganiza\u00e7\u00e3o imperial destinado a tornar mais eficiente a extra\u00e7\u00e3o de riquezas de seus dom\u00ednios ultramarinos, da qual o Brasil foi a joia da coroa.<\/p>\n<p>Na capitania de minera\u00e7\u00e3o de ouro de Minas Gerais, as reformas geraram em fevereiro de 1789 um movimento de independ\u00eancia liderado por alguns dos homens mais proeminentes da regi\u00e3o, irritados com os esfor\u00e7os incans\u00e1veis da coroa para recolher impostos atrasados em face da diminui\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos de ouro.<\/p>\n<p>As autoridades coloniais conseguiram descobrir o compl\u00f4 antes que fosse executado e evitaram mais descontentamento ao afrouxar as exig\u00eancias fiscais.<\/p>\n<p>Os conspiradores mineiros buscavam o livre com\u00e9rcio e a independ\u00eancia de Portugal. Os propriet\u00e1rios centrais da trama ofereciam liberdade aos escravos nascidos no Brasil que se juntassem \u00e0s for\u00e7as insurrecionais, mas n\u00e3o propunham o fim do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico ou da pr\u00f3pria escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s a eclos\u00e3o das revolu\u00e7\u00f5es francesa e haitiana, os alfaiates baianos vislumbravam mudan\u00e7as sociais muito mais profundas:<\/strong>\u00a0a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o e o fim da discrimina\u00e7\u00e3o racial, objetivos que ampliavam os ideais de liberdade e igualdade de maneiras que os ricos propriet\u00e1rios de escravos consideravam insustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em agosto de 1798, cartazes anunciando planos revolucion\u00e1rios apareceram afixados em igrejas e outros muros p\u00fablicos por toda a cidade de Salvador. Os manifestos dos alfaiates chamavam o &#8220;povo republicano baiano&#8221; e em &#8220;nome do supremo tribunal da democracia baiana&#8221;. Eles exibiram publicamente seus planos para derrubar &#8220;o detest\u00e1vel jugo metropolitano de Portugal&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Mais perigosamente, os rebeldes proclamaram que a rep\u00fablica deles seria uma rep\u00fablica na qual &#8220;todos os cidad\u00e3os, especialmente mulatos e negros&#8221; teriam prote\u00e7\u00e3o igual:<\/strong>\u00a0&#8220;todos ser\u00e3o iguais, n\u00e3o haver\u00e1 diferen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Os gritos dos conspiradores por &#8220;liberdade, igualdade e fraternidade&#8221; assumiram um significado especialmente subversivo em uma sociedade escravista.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos homens ricos que planejaram a conspira\u00e7\u00e3o mineira, os rebeldes baianos imaginavam muito mais do que a independ\u00eancia pol\u00edtica de Portugal.<\/p>\n<p><strong>Eles exigiam uma verdadeira mudan\u00e7a social:<\/strong>\u00a0&#8220;todos os escravos pretos e pardos devem ser livres, para que n\u00e3o haja nenhum escravo&#8221;. Os alfaiates apelaram ainda mais para os pobres livres, prejudicados pelo aumento dos pre\u00e7os que acompanhou o ressurgimento econ\u00f4mico da economia a\u00e7ucareira ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana. Eles exigiam pre\u00e7os mais baixos dos alimentos, principalmente da mandioca e da carne. Eles tamb\u00e9m pediram o livre com\u00e9rcio e a abertura dos portos ao com\u00e9rcio com a Fran\u00e7a e outras pot\u00eancias estrangeiras.<\/p>\n<p>As autoridades p\u00fablicas rebateram rapidamente a exibi\u00e7\u00e3o aberta de ideias revolucion\u00e1rias dos alfaiates. Domingos de Silva Lisboa, um escriba profissional, foi rapidamente preso.<\/p>\n<p>Quando os manifestos continuaram a aparecer em p\u00fablico, a aten\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia se concentrou em Lu\u00eds Gonzaga das Virgens, um soldado do regimento de mulatos. Em 26 de agosto, as autoridades prenderam 47 supostos revolucion\u00e1rios, entre eles cinco mulheres, nove escravos, dez brancos e o restante mulatos, incluindo Jo\u00e3o de Deus do Nascimento, alfaiate de poucos recursos.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram descobrir uma trama revolucion\u00e1ria. Embora v\u00e1rios detidos fossem membros de um regimento de mulatos, eles pareciam n\u00e3o ter formulado nenhum plano militar. Se, como as autoridades temiam, os alfaiates pretendiam montar uma revolu\u00e7\u00e3o ao estilo franc\u00eas, eles n\u00e3o progrediram al\u00e9m de manifestos pendurados por toda a cidade. No entanto, a mera dissemina\u00e7\u00e3o de ideias revolucion\u00e1rias foi suficiente para condenar os conspiradores. O governador Fernando Jos\u00e9 de Portugal denunciou as &#8220;abomin\u00e1veis ideias jacobinas&#8221;, especialmente perigosas &#8220;num pa\u00eds com tantos escravos&#8221;.<\/p>\n<p>Em 8 de novembro de 1799, quatro l\u00edderes foram enforcados publicamente no centro da cidade. Os mulatos livres Lucas Dantes, Jo\u00e3o de Deus e Manuel Faustino foram decapitados e esquartejados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159808 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Revolt3-300x174.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"174\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Revolt3-300x174.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Revolt3.jpg 575w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Revolta dos Alfaiates<\/strong><\/p>\n<p>As autoridades exibiram as partes do corpo decepadas por dois dias at\u00e9 que o superintendente de sa\u00fade solicitou que a carne podre fosse retirada devido a preocupa\u00e7\u00f5es com a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Dois escravos e cinco homens livres de cor foram a\u00e7oitados publicamente e obrigados a assistir \u00e0s execu\u00e7\u00f5es. Juntamente com outros dezesseis arguidos, foram deportados para a costa africana e proibidos de voltar a p\u00f4r os p\u00e9s em territ\u00f3rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p>O fato de os conspiradores baianos imaginarem um mundo livre de escravid\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o racial tornava sua trama muito mais amea\u00e7adora do que outras conspira\u00e7\u00f5es pr\u00e9-independ\u00eancia, por exemplo, em Minas Gerais e Pernambuco. O secret\u00e1rio de Estado portugu\u00eas para o dom\u00ednio ultramarino, Rodrigo de Sousa Coutinho, manifestou preocupa\u00e7\u00e3o de que &#8220;os abomin\u00e1veis princ\u00edpios franceses&#8221; tenham &#8220;infectado&#8221; at\u00e9 &#8220;as principais gentes da cidade&#8221;. As autoridades, no entanto, rapidamente exoneraram os letrados brancos baianos encontrados com os mesmos escritos franceses que haviam custado a vida aos homens de cor.<\/p>\n<p>O governador baiano assegurou \u00e0 Coroa que apenas os &#8220;de ordem inferior&#8221; haviam sido culpados de trai\u00e7\u00e3o. &#8220;Liberdade, fraternidade e igualdade&#8221; assumiu conota\u00e7\u00f5es subversivas quando expressas por escravos e homens de cor livres. Igualdade e escravid\u00e3o n\u00e3o podiam coexistir.<\/p>\n<p><strong>Revolta dos B\u00fazios, Revolta dos Alfaiates ou Revolta das Argolinhas<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Revolta dos B\u00fazios, Revolta dos Alfaiates ou Revolta das Argolinhas<\/strong>, como ficou conhecido o movimento, recebeu estes nomes devido ao fato dos revoltosos usarem um b\u00fazio preso \u00e0 pulseira para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o entre si, por usarem uma argola na orelha com o mesmo fim e tamb\u00e9m por que alguns dos conspiradores eram alfaiates.<\/p>\n<p>Presume-se que os b\u00fazios seriam usados como moeda na nova rep\u00fablica j\u00e1 que os b\u00fazios era moeda corrente em muitos lugares da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Foi formada por pessoas de v\u00e1rias etnias e classes sociais, desde escravos, negros livres, soldados, oficiais militares, sapateiros, carpinas, comerciantes, padres, etc., que aderiram ao Partido da Liberdade.<\/p>\n<p><strong>No dia 12 de agosto de 1798, em dez locais diferentes da cidade do Salvador amanheceram com um manifesto colado em suas paredes, que dizia:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cEst\u00e1 pra chegar o tempo feliz da nossa liberdade; o Tempo em que seremos irm\u00e3os: o tempo em que todos seremos iguais\u201d.<br \/>\n\u201cHomens, o tempo da liberdade para nossa ressurrei\u00e7\u00e3o; sim para ressuscitareis do abismo da escravid\u00e3o, para levantareis a sagrada Bandeira da Liberdade\u201d.<br \/>\n\u201c\u00d3 v\u00f3s povos que viveis flagelados com pleno poder do indigno coroado esse mesmo Rei que v\u00f3s criastes; esse mesmo Rei tirano h\u00e1 que se firmar no trono para vos deixar, para vos roubar e para nos maltratar\u201d. (trechos do manifesto dos revoltosos)<\/p><\/blockquote>\n<p>Denominada \u201cConjura\u00e7\u00e3o dos Alfaiates\u201d, \u201cInconfid\u00eancia Baiana\u201d, \u201cConspira\u00e7\u00e3o dos B\u00fazios\u201d, Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira, Sedi\u00e7\u00e3o de Mulatos, o movimento revolucion\u00e1rio de 1798 na cidade do Salvador foi uma das mais importantes manifesta\u00e7\u00f5es anti \u2013 coloniais no Brasil nos finais do s\u00e9culo XVII. Mas sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica n\u00e3o fica somente no anticolonialismo; e ainda mais singular nos seus aspectos sociais em sua avan\u00e7ada formula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Esse movimento se formou sob a influ\u00eancia da filosofia iluminista.<\/p>\n<p>Sua concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica era a Rep\u00fablica Moderna, regime no qual todos seriam iguais perante a lei e o poder teria sua origem no povo. Eram ideias colocadas em circula\u00e7\u00e3o na Europa ao longo do s\u00e9culo XVIII, mas que alcan\u00e7aram a Bahia, via Portugal, com o prest\u00edgio das revolu\u00e7\u00f5es de 1789 e 1792 na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Essas ideias ganharam cor e local na Bahia. Por isso mesmo a concep\u00e7\u00e3o de igualdade perante a lei tomou \u00eanfase na igualdade de cor; uma repulsa as discrimina\u00e7\u00f5es pela cor que ent\u00e3o atingiam a Bahia e que n\u00e3o eram agressivas apenas para com os negros.<\/p>\n<p><strong>Era bastante mais extensa, por exemplo:<\/strong>\u00a0com rela\u00e7\u00e3o aos mulatos (uma categoria que envolvia os pardos e brancos da terra) essa discrimina\u00e7\u00e3o proibia o acesso aos cargos da administra\u00e7\u00e3o e a propor\u00e7\u00e3o a patente de oficial nas tropas de linha. E somente por causa da cor.<\/p>\n<p>Ou porque os mulatos eram a classe de gente a mais orgulhosa e inquieta de todo pa\u00eds, como observou o marechal comandante das tropas pagas em 1803. A ideia de com\u00e9rcio em todos os mares e portos, o movimento de 1794\/1798 deu formula\u00e7\u00e3o local ao exigir que o porto da cidade do Salvador exercesse o com\u00e9rcio livremente com todos os povos.<\/p>\n<p>Em 2009, completam-se 211 anos da Revolta dos b\u00fazios. O Olodum acredita que o sonho continua valendo, sendo conduzido pelos descendentes diretos da Revolta dos B\u00fazios, queremos um outro Brasil, sem fome, com moradia digna, com escola p\u00fablica de boa qualidade, com sal\u00e1rios justos, com direitos humanos respeitados, com terras para plantar. Junte-se aos filhos da liberdade, da Igualdade da Fraternidade.<\/p>\n<p><strong>Her\u00f3is e Hero\u00ednas da Revolta dos B\u00fazios<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Jo\u00e3o de Deus do Nascimento<\/strong>, homem pardo, livre, casado, 27 anos, natural da Vila de Cachoeira, cabo de esquadra do segundo regimento de mil\u00edcia desta pra\u00e7a, alfaiate, preso em 25 de agosto de 1798.<br \/>\n<strong>Lu\u00eds Gonzaga das Virgens<\/strong>, pardo, livre, solteiro, 36 anos, natural da Cidade de Salvador \u2013 BA, soldado granadeiro do primeiro regimento da linha desta pra\u00e7a, preso em 24 de agosto de 1798.<br \/>\n<strong>Luiza Francisca D\u2019Ara\u00fajo<\/strong>, parda, livre, casada com Jo\u00e3o de Deus, presa em 26 de agosto de 1798 e solta em 05 de setembro do mesmo ano.<br \/>\n<strong>Lucr\u00e9cia Maria Quent<\/strong>, criada, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 26 de setembro do mesmo ano.<br \/>\n<strong>Ana Romana Lopes<\/strong>, parda, forra, natural desta cidade, presa em 15 de setembro de 1798 e solta em 20 de setembro do mesmo ano.<br \/>\n<strong>Lucas Dantas de Amorim Torres<\/strong>, negro, liberto, solteiro, 24 anos natural desta cidade, soldado do regimento de artilharia e marceneiro.<br \/>\n<strong>Manoel Faustino dos Santos Lira<\/strong>, pardo, forro, solteiro, 18 anos, alfaiate e marceneiro, natural de Santos Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Revolta dos Alfaiates &#8211; Conjura\u00e7\u00e3o Baiana ou Revolta dos B\u00fazios<\/strong><\/p>\n<p>No dia 12 de agosto de 1798 tinha inicio um dos movimentos abolicionista e de independ\u00eancia, menos conhecidos do Brasil \u2013\u00a0<strong>A revolta dos Alfaiates<\/strong>\u00a0ou dos\u00a0<strong>B\u00fazios<\/strong>.<\/p>\n<p>Comparado a Inconfid\u00eancia Mineira, a articula\u00e7\u00e3o na\u00a0<strong>Bahia<\/strong>\u00a0era mais arrojada, pois propunha a liberta\u00e7\u00e3o das pessoas escravizadas \u2013 coisa que Tiradentes e companhia limitada n\u00e3o pensaram.<\/p>\n<p><strong>A revolta foi inspirada na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, 1792 \u2013 nos ideais:<\/strong>\u00a0Fraternidade, Liberdade e Igualdade.<\/p>\n<p>As autoridades portuguesas at\u00e9 que tentaram evitar que as ideias francesas chegassem \u00e0 col\u00f4nia brasileira, mas a vinda em 1796 de um franc\u00eas de nome Larcher acabou pondo por terra a estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>Cientes da presen\u00e7a do partid\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, o colocaram sob vigil\u00e2ncia, mas os soldados encarregados terminaram apaixonados pelos fatos que aconteciam na Europa. N\u00e3o era dif\u00edcil isso acontecer, pois eles eram brasileiros e n\u00e3o concordavam com a situa\u00e7\u00e3o que estava sendo submetido o Brasil.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-90433 size-full\" title=\"Revolta dos Alfaiates\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rrevolt25.jpg\" alt=\"Revolta dos Alfaiates\" width=\"301\" height=\"175\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rrevolt25.jpg 301w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rrevolt25-300x174.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><strong>Reuni\u00e3o dos Cavaleiros da Luz discutindo o fim<br \/>\nda opress\u00e3o colonial<\/strong><\/p>\n<p>Outro influenciado pelas ideias do franc\u00eas, foi o farmac\u00eautico o Jo\u00e3o Ladislau Figueiredo e Mello, que cedia sua resid\u00eancia para reuni\u00f5es, que participavam membros da elite baiana, mais ligados aos setores liberais.<\/p>\n<p>Entre eles o padre Francisco Agostinho Gomes e at\u00e9 um senhor de engenho \u2013 In\u00e1cio Siqueira Bulc\u00e3o. Inclusive livros de pensadores iluministas eram lidos e distribu\u00eddos, apesar da forte fiscaliza\u00e7\u00e3o portuguesa contra esse material.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo os senhores de engenhos est\u00e3o beneficiados pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, que substitui no mercado internacional o mesmo produto cultivado em S\u00e3o Domingos, palco da revolta dos escravos. Mas a recusa desses produtores em cultivar g\u00eaneros aliment\u00edcios aumentou a infla\u00e7\u00e3o sobre a comida, criando descontentamento na popula\u00e7\u00e3o pobre.<\/p>\n<p><b>Tamb\u00e9m chamada de Inconfid\u00eancia Baiana, a Revolta teve efetivo inicio com a divulga\u00e7\u00e3o de panfletos feitos por Lu\u00eds\u00a0Gonzaga das Virgens, com as seguintes ideias:<\/b><\/p>\n<blockquote><p><strong>1\u00ba &#8211; Independ\u00eancia da Capitania;<br \/>\n2\u00ba &#8211; Governo Republicano<\/strong>;<strong><br \/>\n3\u00ba &#8211; Liberdade de comercio e abertura de todos os portos<\/strong>;<strong><br \/>\n4\u00ba &#8211; Cada soldado receberia soldo de duzentos r\u00e9is por dia;<br \/>\n5\u00ba &#8211; Liberta\u00e7\u00e3o das pessoas escravizadas<\/strong>. O material foi afixado e distribu\u00eddos nas ruas de Salvador. Delatado, Lu\u00eds, foi preso no dia 24 de agosto de 1798.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>No texto dos panfletos constava a seguinte frase<\/strong>: \u201cPovo que viveis flagelados com o pleno poder do indigno coroado, esse mesmo rei que v\u00f3s criastes; esse mesmo rei tirano \u00e9 o que se firma no trono para vos veixar, para vos roubar e para vos maltratar.\u201d<\/p>\n<p><strong>E outro se lia:<\/strong>\u00a0\u201cAnimai-vos Povo Bahiense que est\u00e1 por chegar o tempo feliz da nossa liberdade: o tempo em que todos seremos iguais\u201d.<\/p>\n<p>Das Virgens era um soldado do 2\u00ba Regimento, ligado \u00e0 ala mais radical e popular do movimento, formada por negros livres.<\/p>\n<p>Faziam parte desse grupo o soldado Lucas Dantas de Amorim e os alfaiates Jo\u00e3o de Deus do Nascimento e Manuel Faustino de Santos Lira. Estes ainda tentaram libertar Lu\u00eds Gonzaga da cadeia, mas sem sucesso.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Deus foi motivado a participar da Revolta, por tomar conhecimento das noticias sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e a luta pela Independ\u00eancia do Haiti, liderada por Toussaint Breda. Jo\u00e3o tinha 37 anos, era alfaiate renomado e pai de cinco filhos. Foi imediatamente preso ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o dos panfletos por sua fama de apaixonado pelos ideais revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Enfim:<\/strong>\u00a0era tido pelas For\u00e7as Repressoras da Coroa Portuguesa como subversivo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram dessa ala Cosme Dami\u00e3o, pardo escravo; Felipe e Lu\u00eds, escravos; Jos\u00e9 do Sacramento, pardo alfaiate; Jos\u00e9 F\u00e9lix, pardo escravo; Joaquim Machado Pe\u00e7anha, pardo livre; Lu\u00eds Leal, pardo escravo; In\u00e1cio Pires, Manuel Jos\u00e9 e Jo\u00e3o Pires, pardos escravos; Jos\u00e9 de Freitas Sacoto, pardo livre; Jos\u00e9 Roberto de Santana, pardo livre; Vicente, escravo; Fortunato da Veiga Sampaio, pardo forro; Domingos Pedro Ribeiro, pardo; o preto Gege Vicente, escravo; Gon\u00e7alves Gon\u00e7alo de Oliveira, pardo forro; Jos\u00e9 Francisco de Paulo, pardo livre e F\u00e9lix Martins dos Santos, pardo.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de destacar a participa\u00e7\u00e3o feminina na elabora\u00e7\u00e3o da revolta, entre elas Ana Romana e Domingas Maria do Nascimento, que ajudaram na distribui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o dos ideais da revolta.<\/p>\n<p>A ala mais abastada da Revolta era formada por integrantes da Loja Ma\u00e7\u00f4nica, que se denominavam \u2013 Cavaleiros da Luz. \u00c9 importante citar que nos pa\u00edses colonizados na Am\u00e9rica, as Lojas Ma\u00e7\u00f4nicas foram respons\u00e1veis pelo incentivo \u00e0 independ\u00eancia das na\u00e7\u00f5es europeias. Entre os integrantes desse grupo se destacavam quatro brancos, todos intelectuais, Cipriano Barata, Aguilar Pantoja; Oliveira Borges e Moniz Barreto. Este ultimo de primeiro nome Francisco, era professor e foi autor do Hino da Independ\u00eancia Baiana.<\/p>\n<p>No julgamento dos acusados de insurrei\u00e7\u00e3o ela foi recitada por eles em nome da pr\u00f3pria defesa.<\/p>\n<p>Mas todos os componentes dessa ala do movimento foram covardes, ao negarem a participa\u00e7\u00e3o na prepara\u00e7\u00e3o da revolta, sendo inclusive todos absolvidos.<\/p>\n<p>Eles arrumaram testemunhas pagas que juraram inoc\u00eancia ou deram \u00e1libis falsos para os afastarem da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-90432 size-full\" title=\"Cipriano Barata\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/rrevolt26.jpg\" alt=\"Cipriano Barata\" width=\"197\" height=\"256\" \/>Cipriano Barata<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cipriano Barata<\/strong>, medico formado em Medicina na Fran\u00e7a, e apelidado de m\u00e9dico dos pobres veio a se destacar em outro movimento de emancipa\u00e7\u00e3o brasileira, a Inconfid\u00eancia Pernambucana em 1817.<\/p>\n<p>Foi ainda deputado pela Bahia, pelas Cortes Constituintes de Lisboa. Declarado opositor da Monarquia foi preso por v\u00e1rias vezes, morrendo aos 70 anos em 1838, como um dos maiores cr\u00edticos de Dom Jo\u00e3o VI e Dom Pedro I. Ele teria sido o respons\u00e1vel pela ades\u00e3o de negros ao movimento por consultar a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e n\u00e3o cobrar, sendo pr\u00f3ximo a Luiz Gonzaga das Virgens. Ao divulgar a ideia de uma republica sem discrimina\u00e7\u00e3o racial e sem escravid\u00e3o rapidamente conseguiu adeptos.<\/p>\n<p>Assim como aconteceu na Inconfid\u00eancia Mineira, em 1789, os intelectuais eram entusiasmados nos discursos das reuni\u00f5es as portas fechadas, mas incapazes de organizar o movimento de forma objetiva, ficando em intermin\u00e1veis planejamentos e analises. Os negros por fazem parte da camada mais sofrida durante a Monarquia, foram os mais ativos e acabaram tomando a coordena\u00e7\u00e3o da Revolta.<\/p>\n<p>A possibilidade de aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o trouxe muitos adeptos.<\/p>\n<p>Os panfletos de Luiz Gonzaga chegaram at\u00e9 a mesa do governador da Bahia, que imediatamente ordenou que o chefe da policia prendesse os envolvidos. O primeiro detido foi o escrevente Domingos da Silva Lisboa, por ter sua letra reconhecida no material apreendido, mas era inocente. A suspeita recaiu depois sobre Luiz que tinha for fama afrontar as autoridades locais com os mesmos argumentos contidos nos panfletos.<\/p>\n<p>No ato da deten\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m feita uma busca e apreens\u00e3o de material e foram encontrados livros de fil\u00f3sofos iluministas e boletins franceses favor\u00e1veis \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o francesa.<\/p>\n<p>Ele foi barbaramente torturado para divulgar outros envolvidos, mas n\u00e3o delatou ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Por ordem da rainha portuguesa Dona Maria I \u2013 59 pessoas foram investigadas e at\u00e9 torturadas, sendo 34 processadas e apenas 4 negros sentenciados a morte pela forca.<\/p>\n<p><strong>Os pobres:<\/strong>\u00a0In\u00e1cio da Silva Pimentel, Rom\u00e3o Pinheiro, Jos\u00e9 F\u00e9lix, In\u00e1cio Pires, Manuel Jos\u00e9 e Luiz de Fran\u00e7a Pires, foram acusados de envolvimento \u201cgrave\u201d, recebendo pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua ou degredo na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o de Deus, um dos condenados, durante o processo, tentou-se passar por demente, mas uma junta m\u00e9dica acabou derrubando o argumento. Junto com ele foi condenado Manuel Faustino, Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens. Isso apesar dos advogados de defesas argumentarem que os textos estavam acima de suas capacidades intelectuais, para tirar deles a qualifica\u00e7\u00e3o de mentores da revolta.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi condenado a morte Rom\u00e3o Pinheiro e seus parentes considerados infames, mas apelou e sua pena seria atenuada para degredo.<\/p>\n<p>Os escravos Cosme Dami\u00e3o e Lu\u00eds da Fran\u00e7a Pires tamb\u00e9m foram sentenciados. Dami\u00e3o foi enviado para a \u00c1frica e Pires, que conseguira fugir, foi condenado \u00e0 morte a revelia.<\/p>\n<p>No dia 8 de novembro de 1799, os quatro condenados foram levados num cortejo triste pelas vias publicas de Salvador, sendo assistidos pela popula\u00e7\u00e3o local, formada em 80% por negros, que fazia silenciosa reverencia aos seus her\u00f3is. Na execu\u00e7\u00e3o Manuel Faustino e Lucas Dantas recusaram a extrema un\u00e7\u00e3o oferecida por um frei franciscano, que lhes oferecida desde que se arrependessem de seus pecados. Eles responderam que n\u00e3o tinha nenhum e ao contrario de seus acusadores e da rainha portuguesa.<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo ao dia da execu\u00e7\u00e3o em seus \u00faltimos contatos com parentes, eles lamentavam a covardia da elite que n\u00e3o tomou parte da revolta e se miraram no exemplo dos negros haitianos que estavam fazendo sua revolu\u00e7\u00e3o dirigida por eles mesmos e matando todos os colaboradores com os brancos.<\/p>\n<p>Tinham se inspirados na Revolu\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a, mas tarde descobriram que sua motiva\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gia deveriam ter sido a mesma do Haiti.<\/p>\n<p>Na seria dif\u00edcil que uma revolu\u00e7\u00e3o nos moldes do Haiti tivesse sucesso no Brasil. O exercito era composto em sua maioria absoluta de negros e apenas chefiado por oficiais brancos. Situa\u00e7\u00e3o semelhante dos haitianos.<\/p>\n<p>Mas a confian\u00e7a nas lideran\u00e7as n\u00e3o afro-brasileira se mostrou uma atitude errada, pois elas negociaram suas condena\u00e7\u00f5es, assim como aconteceu em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Os quatro acusados foram enforcados na Pra\u00e7a da Piedade e tiveram as suas cabe\u00e7as cortadas e demais partes do corpo espalhadas pela cidade, penduradas em varas de pau.<\/p>\n<p>Mas o exemplo deles foi assistido por futuros participantes de novas insurrei\u00e7\u00f5es baianas. Inclusive aqueles que tiveram papel fundamental na Revolta dos Mal\u00eas, em 1835.<\/p>\n<p><strong>Motins e rebeli\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>O agravamento da situa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica gerou in\u00fameros motins e rebeli\u00f5es populares. Entre 1797 e 1798, presenciaram-se frequentes invas\u00f5es de armaz\u00e9ns de alimentos por populares que os saqueavam.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto de revolta e descontentamento popular, que a Conjura\u00e7\u00e3o baiana, gradativamente, tomou forma como movimento organizado na luta por mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se pode perder de vista, tamb\u00e9m, que os ideais de mudan\u00e7a pol\u00edtica e social defendidos pelos conjurados baianos, foram influenciados por outros movimentos sociais que eclodiram no mundo nesse mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Europa, por exemplo, desde 1789, atravessava um momento de profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas geradas pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. O Haiti, col\u00f4nia francesa situada nas Antilhas, foi palco de convuls\u00f5es sociais devido \u00e0s frequentes e violentas rebeli\u00f5es e levantes de escravos negros. Em seu conjunto, as not\u00edcias desses acontecimentos tiveram ampla repercuss\u00e3o no Brasil e serviram para dar sustenta\u00e7\u00e3o aos ideais de liberdade, igualdade e soberania popular propugnados pelos conjurados baianos.<\/p>\n<p>Em seu est\u00e1gio inicial, o movimento congregou membros da elite, ligados \u00e0 grande propriedade agr\u00edcola e ao dom\u00ednio escravista, que defendiam apenas a autonomia pol\u00edtica do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Portugal.<\/p>\n<p>Eles se reuniram e fundaram a sociedade secreta Cavaleiros da Luz. N\u00e3o obstante, alguns dos membros da sociedade secreta romperam com os limites de sua classe social de origem, aderindo a perspectivas revolucion\u00e1rias mais amplas.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.encyclopedia.com\/www.brasilcultura.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revolta dos Alfaiates &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil Liberdade, fraternidade e igualdade foram ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa espalhadas por todo o mundo atl\u00e2ntico. No Brasil do final do s\u00e9culo XVIII, os intelectuais liam os fil\u00f3sofos, pensadores iluministas cuja escrita inspirou a Era das Revolu\u00e7\u00f5es. 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