{"id":89586,"date":"2016-12-20T07:54:43","date_gmt":"2016-12-20T09:54:43","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=89586"},"modified":"2021-09-01T09:31:37","modified_gmt":"2021-09-01T11:31:37","slug":"anarquismo-na-italia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-geral\/anarquismo-na-italia","title":{"rendered":"Anarquismo na It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Anarquismo na It\u00e1lia &#8211; O que foi<\/strong><\/p>\n<p>Os sucessores de Malatesta, assistiram pasmados ao enfraquecimento do anarquismo italiano depois da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Depois do fracasso da reconstru\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>USI<\/strong>\u2013\u00a0<strong>Uni\u00e3o Sindical Italiana<\/strong>\u2013 as discuss\u00f5es passaram a ser apenas de n\u00edvel ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O tradicional humanismo anarquista influenciou e organizou os anarquistas s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suas preocupa\u00e7\u00f5es quanto as perdas do anarco-sindicalismo, que estava perdendo espa\u00e7o na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, para o reformismo. Este reformismo foi marcado por lutas dispersas sem nenhum conte\u00fado radical ou realmente revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pouco antes do ano de 1965, os antarquistas italianos fundaram a\u00a0<strong>FAI<\/strong>\u2013\u00a0<strong>Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Italiana<\/strong>-, que tentou fazer um pacto de federa\u00e7\u00f5es com os humanitaristas, anarco-comunistas e os sindicalistas. Em 1968 a\u00a0<strong>FAI<\/strong>\u00a0sofreu divis\u00f5es internas, das quais sa\u00edram os\u00a0<strong>Grupos de Iniciativa An\u00e1rquica<\/strong>\u2013\u00a0<strong>GIA<\/strong>-, que eram pequenos grupos pacifistas, que defendiam a autonomia pessoal e era contra qualquer participa\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os do sistema, inclusive nos sindicatos.<\/p>\n<p>Outra divis\u00e3o gerou os\u00a0<strong>GAF<\/strong>\u2013\u00a0<strong>Grupos Anarquistas Federados<\/strong>-, que duraram at\u00e9 1971 e tentaram criar uma \u201cbase te\u00f3rica para os grupos de afinidade\u201d.<\/p>\n<p>Outra corrente formada destas cis\u00f5es foi a dos comunistas libert\u00e1rios ou anarco-comunistas que tinham com plataforma a organiza\u00e7\u00e3o elaborada pelos russos exilados na Fran\u00e7a. Aliados a outros grupos anarco-comunistas, formados fora da\u00a0<strong>FAI<\/strong>\u00a0eles formaram n\u00facleos de defesa sindical em cidades e f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Os anarco-sindicalistas s\u00e3o at\u00e9 hoje fortes na regi\u00e3o da Toscana e trabalham para reconstruir uma oposi\u00e7\u00e3o sindical revolucion\u00e1ria dentro dos sindicatos considerados reformistas.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o destas correntes da FAI foi em 1977, com o movimento estudantil.<\/p>\n<p><strong>Eles defenderam a autonomia nas f\u00e1bricas e escolas, apoiaram o feminismo, os grevistas e os marginalizados em geral:<\/strong>\u00a0presos, homossexuais, ecologistas, etc..<\/p>\n<p>Em setembro deste mesmo ano se reuniram mais de 40.000 jovens em um congresso em Bolonha. Eles dormiram em pra\u00e7as, comeram atrav\u00e9s das cooperativas agr\u00e1rias, levaram jogos e esportes por toda a cidade e denunciaram a viol\u00eancia policial.<\/p>\n<p>Desde o s\u00e9culo passado que a It\u00e1lia tem caracter\u00edsticas muito particulares quanto aos seus movimentos libert\u00e1rios. O primeiro peri\u00f3dico italiano, o \u201cII Prolet\u00e1rio\u201d era prodhoniano, apesar deste ter pouca influ\u00eancia posteriormente.<\/p>\n<p>Mas um dos l\u00edderes do \u201cRissorgimento\u201d, Carlos Pisacane, foi quem difundiu as id\u00e9ias e teorias de Proudhon, tendo nitidamente um car\u00e1ter libert\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Fraternidade Internacional de Bakunin marcou simultaneamente o surgimento do anarquismo na It\u00e1lia e seu internacionalismo.<\/p>\n<p>Seu primeiros camaradas foram Guiseppe Fanelli, veterano franc\u00eas de 1848, sendo quem praticamente fez nascer o anarquismo na Espanha, j\u00e1 que foi o representante da ala antiautorit\u00e1ria da I Internacional; Severino Friscia, m\u00e9dico homeopata de grande import\u00e2ncia na Fraternidade; Carlos Gambuzzi, advogado \u00edntimo de Bakunin, fiel colaborador e amante da mulher deste; e Alberto Tucci, um napolitano membro da c\u00fapula internacional da Fraternidade.<\/p>\n<p>Apartir de 1869, o anarquismo passou a influenciar muito a It\u00e1lia, no in\u00edcio apenas no centro e mais tarde por toda a pen\u00ednsula. Em 1871 houve a ades\u00e3o de muitos membros, entre eles Malatesta, Carlo Cafiero, Carmello Palladino, todos com mais ou menos 20 anos e com grande disposi\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria. Com o crescimento da Internacional, Bakunin teve maior apoio contra Marx e Angels.<\/p>\n<p>O maior centro\u00a0<strong>anarquista<\/strong>\u00a0foi a Romagna, sobre a reg\u00eancia de Andr\u00e9a Costa.<\/p>\n<p>Em 1873, o governo reprimiu e prendeu muitos membros de um congresso em Bolonha. Durante o ano seguinte os internacionalistas contaram com 30.000 membros da causa.<\/p>\n<p>Dois anos depois Carlos Cafiero e Malatesta partiram para o campo aberto propondo a \u201cpropaganda pela a\u00e7\u00e3o\u201d como t\u00e1tica para os anarquistas de todo o mundo.<\/p>\n<p>Esta doutrina dominou os atos anarquistas europeus at\u00e9 1890.<\/p>\n<p>Conforme explicitou Andr\u00e9a Costa a a\u00e7\u00e3o violenta era necess\u00e1rio no pa\u00eds para iluminar o novo ideal entre os velhos camaradas que j\u00e1 estavam desanimados.<\/p>\n<p>Eles criaram organiza\u00e7\u00f5es secretas e revoltas violentas em v\u00e1rios locais, mas todas fracassaram.<\/p>\n<p>Isto resultou em muitas pris\u00f5es que acabaram cessando o anarquismo apesar da simpatia popular para com este movimento, principalmente no reinado Vittorio Emanuele.<\/p>\n<p>Aos poucos os italianos esqueceram o coletivismo de Bakunin e passam ao anarco-comunismo.<\/p>\n<p><strong>Ao mesmo tempo come\u00e7aram os atos de viol\u00eancia:\u00a0<\/strong>um cozinheiro tentou espancar o novo Rei Umberto; no dia seguinte uma bomba matou quatro pessoas num cortejo real em Floren\u00e7a; dois dias mais tarde outra bomba foi detonada em Piza. Neste mesmo ano, 1878, intensificaram-se os atentados, mortes e pris\u00f5es anarquistas.<\/p>\n<p>Andrea Costa abandonou a causa, se elegeu para a c\u00e2mara dos deputado e ajudou na funda\u00e7\u00e3o do Partido Socialista Italiano.<\/p>\n<p>Carlos Cafiero, em 1882, convocou os anarquistas para uma entrada em massa na social-democracia. O proletariado italiano passou a apoiar o socialismo parlamentar, reduzindo os anarquistas \u00e0 minoria. Estes, sobreviveram gra\u00e7as s atividades incess\u00e1veis de Saverio Merlino e Malatesta. Como em toda Europa, no come\u00e7o do s\u00e9culo a It\u00e1lia sofreu o renascimento das a\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias com o anarco-sindicalismo.<\/p>\n<p><strong>Anarquismo na It\u00e1lia &#8211; Movimento social<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-156965 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Anarqu9-300x188.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Anarqu9-300x188.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Anarqu9.jpg 497w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Anarquismo na It\u00e1lia<\/strong><\/p>\n<p>Os historiadores freq\u00fcentemente retratam o\u00a0<strong>anarquismo italiano<\/strong>\u00a0como um movimento social marginal que estava condenado a sucumbir \u00e0s suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, uma vez que a sociedade italiana se modernizou. Desafiando tais interpreta\u00e7\u00f5es convencionais, Nunzio Pernicone fornece um tratamento simp\u00e1tico, mas cr\u00edtico do anarquismo italiano que tra\u00e7a a ascens\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio do movimento de 1864 a 1892. Com base na pesquisa de arquivo original, seu livro descreve os anarquistas como revolucion\u00e1rios \u00fanicos e fascinantes que foram um componente importante da esquerda socialista italiana ao longo do s\u00e9culo XIX e al\u00e9m.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>anarquismo na It\u00e1lia<\/strong>\u00a0surgiu sob a influ\u00eancia do revolucion\u00e1rio russo Bakunin, triunfou sobre o marxismo como a forma dominante do socialismo italiano inicial e suplantou o Mazzinianismo como a vanguarda revolucion\u00e1ria da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Depois de formar uma federa\u00e7\u00e3o nacional da Internacional Anti-Autorit\u00e1ria em 1872, os anarquistas italianos tentaram v\u00e1rias insurrei\u00e7\u00f5es, mas sua organiza\u00e7\u00e3o foi suprimida. Na d\u00e9cada de 1880, o movimento se tornou atomizado, ideologicamente extremo e cada vez mais isolado das massas. Seu l\u00edder principal, Errico Malatesta, tentou repetidamente revitalizar os anarquistas como uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria, mas a dissens\u00e3o interna e a repress\u00e3o governamental sufocaram todo ressurgimento e mergulharam o movimento em decl\u00ednio. Mesmo ap\u00f3s sua exclus\u00e3o do Partido Socialista Italiano em 1892, os anarquistas permaneceram um elemento intermitentemente ativo e influente na esquerda socialista italiana. Como tal, eles continuaram a ser temidos e perseguidos por todos os governos italianos.<\/p>\n<p><strong>Anarquismo na It\u00e1lia &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os anarquistas nas ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas na It\u00e1lia<\/strong><\/p>\n<p>Ao final da primeira guerra mundial ocorreu uma radicaliza\u00e7\u00e3o massiva em toda Europa e no resto do mundo. Houve uma explos\u00e3o de afilia\u00e7\u00f5es nos sindicatos, greves, manifesta\u00e7\u00f5es e toda classe de agita\u00e7\u00e3o alcan\u00e7aram grandes n\u00edveis. Isto se deveu em parte \u00e0 guerra, em parte ao aparente \u00eaxito da revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da Europa, as ideias anarquistas se tornaram mais populares e as uni\u00f5es anarcosindicalistas aumentaram de tamanho. Na Gran Bretanha, por exemplo, se produziu o movimento das ligas sindicais e as greves de Clydeside, na Alemanha o auge do sindicalismo industrial, e na Espanha um grande crescimento na anarcosndicalista CNT. Desafortunadamente, tamb\u00e9m houve grande crescimento nos partidos democrata-social e comunista.<\/p>\n<p>Em agosto de 1920, houveram greves de ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas na Italia, como resposta aos baixos sal\u00e1rios e ao endurecimento patronal.<\/p>\n<p>Estas greves come\u00e7aram nas f\u00e1bricas de engenharia e imediatamente se estenderam s ferrovias, transportes rodovi\u00e1rios, e outras industrias, e os camponeses tomaram a terra. Os grevistas, contudo, fizeram algo mais que ocupar os locais de trabalho, puseram parte deles em regime de auto-gest\u00e3o. Dali a pouco 500 mil grevistas estavam trabalhando, produzindo para eles mesmos.<\/p>\n<p><strong>Errico Malatesta, que tomou parte nestes \u00eaxitos, escreveu:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os trabalhadores conclu\u00edram que o momento estava maduro para a tomada de uma vez por todas dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Se armaram para sua pr\u00f3pria defesa \u2026 e come\u00e7aram a organizar a produ\u00e7\u00e3o por sua pr\u00f3pria conta \u2026 O direito de propriedade foi de fato abolido &#8230; era um novo regime, uma nova forma de vida social que surgia. E o governo ficou \u00e0 parte ao sentir-se impotente para oferecer oposi\u00e7\u00e3o.\u201d [Vida e Ideas p.134].<\/p><\/blockquote>\n<p>Durante esta \u00e9poca a Union Sindicalista Italiana (USI) cresceu at\u00e9 chegar a quase um milh\u00e3o de membros e a influencia da Union Anarquista Italiana (UAI) com seus 20 mil membros cresceu em propor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo nos conta o rep\u00f3rter marxista gal\u00eas Gwyn A. Williams \u201cos anarquistas e os sindicalistas revolucion\u00e1rios constitu\u00edam o grupo mais revolucion\u00e1rio da esquerda \u2026<\/p>\n<p>O tra\u00e7o mais saliente na hist\u00f3ria do anarquismo e sindicalismo em 1919-1920 foi o r\u00e1pido crescimento \u2026<\/p>\n<p>Os sindicalistas sobretudo captaram a opini\u00e3o da classe obreira militante que o movimento socialista inutilmente tratava de captar.\u201d [Proletarian Order, pp. 194-195].<\/p>\n<p>Daniel Guerin d\u00e1 um bom resumo da extens\u00e3o do movimento, \u201ca dire\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas \u2026 se efetuava por meio de comit\u00eas de trabalhadores t\u00e9cnicos e administrativos. A auto-gest\u00e3o se expandiu \u2026<\/p>\n<p>A auto-gest\u00e3o emitiu seu pr\u00f3prio dinheiro \u2026 Se requeria estrita auto-disciplina \u2026 [e] uma estreita solidariedade se estabeleceu entre as f\u00e1bricas \u2026 [onde] as minas e o carv\u00e3o se colocavam em um fundo comum e se repartiam equitativamente\u201d [Anarchism, p.109].<\/p>\n<p>Sobre as f\u00e1bricas ocupadas tremulava \u201cum bosque de bandeiras negras e vermelhas\u201d posto que \u201co conselho do movimento de Turin era essencialmente anarcosindicalista\u201d [Williams, op. cit., p.241, p.193].<\/p>\n<p>Os trabalhadores ferrovi\u00e1rios se negaram a transportar tropas, os trabalhadores entraram em greve contra as consignas das associa\u00e7\u00f5es reformistas e os camponeses ocuparam a terra. Tais atividades eram \u201cj\u00e1 diretamente guiadas ou indiretamente inspiradas pelos anarco sindicalistas\u201d [ibid., p. 193]<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, depois de quatro semanas de ocupa\u00e7\u00e3o os trabalhadores decidiram abandonar as f\u00e1bricas. Isto devido \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do partido socialista e aos sindicatos reformistas.<\/p>\n<p>Se opuseram ao movimento e negociaram com o estado por uma volta \u00e0 \u201cnormalidade\u201d em troca da promessa de aumentar legalmente o controle pelos trabalhadores, em associa\u00e7\u00e3o com os chefes.<\/p>\n<p>Esta promessa n\u00e3o se manteve.<\/p>\n<p>A falta de organiza\u00e7\u00f5es inter-f\u00e1brica independentes fez que os trabalhadores dependessem dos burocratas dos sindicatos para obter informa\u00e7\u00f5es sobre o que se passava em outras cidades, e usaram esse poder para isolar as f\u00e1bricas e as cidades entre s\u00ed. Isto desembocou em uma volta ao trabalho, \u201capesar da oposi\u00e7\u00e3o de anarquistas individualmente dispersos por todas as f\u00e1bricas\u201d [Malatesta, op. cit., p.136].<\/p>\n<p>A confedera\u00e7\u00e3o local de uni\u00f5es sindicais n\u00e3o podia proporcionar a infraestrutura necess\u00e1ria para um movimento de ocupa\u00e7\u00e3o totalmente coordenado, posto que os sindicatos reformistas se negavam a colaborar com elas; embora os anarquistas constitu\u00edssem uma grande maioria, se viram impedidos por uma minoria reformista.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo da historia italiana explica o crescimento do fascismo na It\u00e1lia. Como indica Tobias Abse, \u201co auge do fascismo na It\u00e1lia n\u00e3o pode desprender-se dos sucessos do bi\u00eanio vermelho, os dois anos vermelhos de 1919 e 1920, que lhe precederam. O fascismo foi uma preven\u00e7\u00e3o contra-revolucionaria \u2026 lan\u00e7ado como resultado da fracassada revolu\u00e7\u00e3o\u201d [\u201cThe Rise of Fascism in an Industrial City\u201d p. 54, en Rethinking Italian Fascism, pp.52-81].<\/p>\n<p>Durante a \u00e9poca da ocupa\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas Malatesta sustentou que \u201cSe n\u00e3o a levarmos at\u00e9 ao final, pagaremos com l\u00e1grimas de sangue pelo medo que agora provocamos na burguesia\u201d. Sucessos posteriores o confirmaram, quando os capitalistas e os ricos donos da terra apoiaram aos fascistas para ensinar \u00e0 classe trabalhadora qual era seu lugar.<\/p>\n<p>Todavia, inclusive nos mais obscuros dias do terror fascista, os anarquistas resistiram s for\u00e7as do totalitarismo. \u201cN\u00e3o \u00e9 casualidade que a mais forte resist\u00eancia da classe trabalhadora ao fascismo ocorreu em \u2026 os povos e cidades em que havia uma forte tradi\u00e7\u00e3o anarquista, sindicalista ou anarcosindicalista\u201d [Tobias Abse, Op. Cit., p.56].<\/p>\n<p>Os anarquistas participaram, e muitas vezes organizaram se\u00e7\u00f5es do Arditi del Popolo, uma organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria dedicada \u00e0 auto defesa dos interesses dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Os Arditi del Popolo organizaram e alentaram a resist\u00eancia operaria aos esquadr\u00f5es fascistas, derrotando muitas vezes contingentes superiores em numero de fascistas.<\/p>\n<p>Os Arditi foram os maiores defensores de uma frente oper\u00e1ria unida, revolucionaria contra o fascismo na Italia, como sugeriu Malatesta e a UAI. Sem embargo, os partidos socialista e comunista se retiraram da organiza\u00e7\u00e3o, os socialistas firmando um \u201cPacto de Pacifica\u00e7\u00e3o\u201d com os fascistas.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes dos socialistas autorit\u00e1rios preferiram a derrota e o fascismo ao risco de que seus seguidores se \u201cinfetassem\u201d de anarquismo.<\/p>\n<p>Inclusive depois da cria\u00e7\u00e3o do estado fascista, os anarquistas ofereceram resist\u00eancia dentro e fora da It\u00e1lia. Muitos italianos, anarquistas e n\u00e3o anarquistas, viajaram \u00e0 Espanha para resistir a Franco em 1936.<\/p>\n<p>Durante a segunda guerra mundial, os anarquistas jogaram um papel importante no movimento partisano italiano.<\/p>\n<p>O fato do movimento antifascista estar dominado por elementos anticapitalistas levou os EEUU e o Reino Unido a colocar conhecidos fascistas em posi\u00e7\u00f5es governamentais nas localidades que \u201clibertavam\u201d (muitas delas j\u00e1 haviam sido tomadas pelos partisanos, resultando que as tropas aliadas \u201clibertavam\u201d o povo de seus pr\u00f3prios habitantes!).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de surpreender que os anarquistas fossem os mais consistentes e triunfantes opositores ao fascismo. Os dois movimentos n\u00e3o poderiam estar mais aparte, o primeiro pelo estadismo totalit\u00e1rio a servi\u00e7o do capitalismo enquanto que o outro era por uma sociedade livre, n\u00e3o-capitalista. Nem tampouco surpreende que quando seus privil\u00e9gios e poder estavam em perigo, os capitalistas e os donos da terra se voltavam ao fascismo para que os salvasse. Este processo \u00e9 muito comum na historia (tr\u00eas exemplos, It\u00e1lia, Alemanha e Chile).<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.nodo50.org\/dwardmac.pitzer.edu\/www.jstor.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anarquismo na It\u00e1lia &#8211; O que foi Os sucessores de Malatesta, assistiram pasmados ao enfraquecimento do anarquismo italiano depois da Segunda Guerra Mundial. Depois do fracasso da reconstru\u00e7\u00e3o da\u00a0USI\u2013\u00a0Uni\u00e3o Sindical Italiana\u2013 as discuss\u00f5es passaram a ser apenas de n\u00edvel ideol\u00f3gico. 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