{"id":89572,"date":"2016-12-20T07:40:21","date_gmt":"2016-12-20T09:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=89572"},"modified":"2021-08-31T11:42:58","modified_gmt":"2021-08-31T13:42:58","slug":"anarquismo-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-geral\/anarquismo-na-espanha","title":{"rendered":"Anarquismo na Espanha"},"content":{"rendered":"<p><strong>Anarquismo na Espanha &#8211; O que foi<\/strong><\/p>\n<p>Somente na Espanha o\u00a0<strong>anarquismo<\/strong>\u00a0se tornou um verdadeiro movimento de massa, lan\u00e7ando ra\u00edzes profundas no mundo do trabalho industrial e da pobreza rural.<\/p>\n<p>No mundo fora da Espanha, o anarquismo pertencia a um est\u00e1gio inicial de forma\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da classe trabalhadora, e seu poder e prest\u00edgio j\u00e1 estavam diminuindo no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A Espanha foi o \u00fanico pa\u00eds do mundo no qual as id\u00e9ias de Bakunin se concretizaram tornando-se um poder real. Foi l\u00e1 inclusive, que o anarco-sindicalismo alcan\u00e7ou seu apogeu.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de sofrimento das massas populares espanholas \u00e9 anterior a chegada de\u00a0<strong>Fanelli<\/strong>, precursor persuasivo e expressivo de tal doutrina t\u00e3o brava, calorosa e criativa.<\/p>\n<p>Por volta de 1840 o parlamento espanhol provocou uma grande revolu\u00e7\u00e3o ao confirmar o desapropriamento das terras de pequenos fazendeiros, para d\u00e1-las \u00e0 ricos cidad\u00e3os das cidades.<\/p>\n<p>Para se defender desta injusti\u00e7a os camponeses se armaram e se defenderam como puderam. A \u201cnova classe de fazendeiros\u201d desenvolveu um pequeno ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o das terras, iniciando uma intermin\u00e1vel guerra entre guerrilhas.<\/p>\n<p>Assim, os camponeses seguiram um \u201critual\u201d quase que pr\u00e9-programado. Eles mataram os guardas, sequestraram padres e funcion\u00e1rios, incendiaram igrejas, queimaram registros cadastrais e contratos de arrendamentos, aboliram o dinheiro, declararam sua independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, proclamaram comunas livres e exploraram coletivamente a terra. Por\u00e9m, tudo isso ocorreu anos antes do surgimento das id\u00e9ias libert\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em 1845, um disc\u00edpulo de Proudhon, Ram\u00f3n de La Sagra, fundou em Coru\u00f1a o jornal El Provenir que, apesar de ter sido fechado imediatamente pelas autoridades pode ser considerado o primeiro peri\u00f3dico anarquista.<\/p>\n<p>Isolada da Europa e com caracter\u00edsticas ao mesmo revolucion\u00e1rias e conservadoras a Espanha produziu um poderoso movimento anarquista.<\/p>\n<p>Antes do aparecimento dos bakunistas houve v\u00e1rias greves e tumultos em diversas regi\u00f5es da Espanha.<\/p>\n<p>Em setembro de 1868 a rainha Isabelle foi for\u00e7ada a se exilar quando come\u00e7ou imediatamente a hist\u00f3ria do ouro e do\u00a0<strong>anarquismo espanhol<\/strong>.<\/p>\n<p>Em outubro desse ano, aproveitando a agita\u00e7\u00e3o geral,\u00a0<strong>Fanelli<\/strong>\u00a0espalhou entre os jovens intelectuais e oper\u00e1rios as id\u00e9ias antiautorit\u00e1rias defendidas na I Internacional.<\/p>\n<p>Quase todos, imediatamente aderiram ao movimento, aparecendo os primeiros jornais relatando as primeiras se\u00e7\u00f5es da Internacional.<\/p>\n<p>Em 1870 foi fundada a\u00a0<strong>Federa\u00e7\u00e3o Espanhola da Internacional\u00a0<\/strong>e dois anos mais tarde, apesar das press\u00f5es do genro de Marx, os anarquistas descentralizaram as sess\u00f5es locais, que ganharam total autonomia e criaram um escrit\u00f3rio central, apenas com o intuito de fazer correspond\u00eancias e estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Depois da curta e infeliz presid\u00eancia do federalista Pi y Margall, sem a participa\u00e7\u00e3o dos anarquistas, o ex\u00e9rcito tomou o poder e suspendeu a\u00a0<strong>Federa\u00e7\u00e3o Espanhola da Internacional<\/strong>, prendeu os anarquistas, obrigando-os a se exilarem. Por\u00e9m os anarquistas continuaram na clandestinidade, atuando com relativo sucesso.<\/p>\n<p>Em 1878, com a tentativa de assassinato do rei Afonso XII a repress\u00e3o contra-atacou com viol\u00eancia, gerando greves.<\/p>\n<p>Quatro anos mais tarde um governo mais liberal legalizou as corpora\u00e7\u00f5es de oper\u00e1rios e liberou a organiza\u00e7\u00e3o Internacional Espanhola. Mesmo assim, a viol\u00eancia adotada por alguns grupos de anarquistas levou-os novamente \u00e0 clandestinidade um ano depois. Ao mesmo tempo, os anarquistas espanh\u00f3is se dividiram entre anarco-comunistas e coletivistas (adeptos de Bakunin).<\/p>\n<p>Anos mais tarde, os anarquistas tomaram a\u00a0<strong>CNT<\/strong>\u2013\u00a0<strong>Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Trabalho<\/strong>\u00a0\u2013 e evitaram a forma\u00e7\u00e3o de uma burocracia permanente dentro desta.<\/p>\n<p>Em 1924, depois de muitos incidentes e participa\u00e7\u00f5es nos movimentos oper\u00e1rios de toda a Europa, a\u00a0<strong>CNT<\/strong>\u00a0foi dissolvida por ordem de Primo de Rivera.<\/p>\n<p>Em 1927, em Val\u00eancia, representantes de diversos grupos anarquistas se uniram e fundaram a FAI- Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ib\u00e9rica- sendo uma organiza\u00e7\u00e3o clandestina e destinada \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com a queda de Primo Rivera, em 1930, todos os grupos pol\u00edticos, inclusive os anarquistas passaram a brigar pela rep\u00fablica. Mesmo com a conquista desta, os anarquistas continuaram com as greves e reivindica\u00e7\u00f5es radicais, deixando bem claro o que pretendiam. Sob o comando da FAI, eles fizeram ma s\u00e9rie de atentados, saquearam igrejas e redistribu\u00edram terras, provocando uma verdadeira reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em maio de 1936, Duruti e Garcia Oliver participaram de um congresso e Saragoza, onde se recusaram a atuar junto aos socialistas, deixando a Espanha em um estado de expectativa e agita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a revolta dos generais em julho de 1936 estourou a guerra civil. Tr\u00eas anos depois, a Espanha caiu sob a tutela de Francisco Franco.<\/p>\n<p>O problema dos anarquistas espanh\u00f3is \u00e9 que eles n\u00e3o podiam se manter fi\u00e9is \u00e0 sua doutrina, ao mesmo tempo que participavam de uma guerra e uma constante luta pelo poder.<\/p>\n<p>Por outro lado, eles podiam acrescentar \u00e0 sua honra uma extraordin\u00e1ria experi\u00eancia na guerra civil, tendo praticado com muito sucesso a coletiviza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e realizando na pr\u00e1tica a autogest\u00e3o espanhola.<\/p>\n<p><strong>Revisionismo e a Guerra Civil Espanhola<\/strong><\/p>\n<p>Poucas mentiras e falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas tem conseguido ter uma vida t\u00e3o longa e tranq\u00fcila como o mito da \u201cher\u00f3ica CNT-FAI\u201d durante a\u00a0<strong>Guerra Civil Espanhola<\/strong>.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o da CNT-FAI como \u00fanico baluarte revolucion\u00e1rio na Espanha da d\u00e9cada de 30 tem seu espa\u00e7o consolidado na mem\u00f3ria social da esquerda por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es que este texto se prop\u00f5e a esclarecer. Entendo, assim como Bakunin, que a verdade \u00e9 revolucion\u00e1ria, logo que o compromisso de todo revolucion\u00e1rio passa pelo compromisso com a verdade.<\/p>\n<p>Desta maneira este texto se prop\u00f5e a ser um ataque frontal contra a farsa suja que mascara a atua\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria e contra-revolucion\u00e1ria da CNT-FAI durante a Guerra Civil Espanhola, trazendo a luz o verdadeiro contexto que determinou as a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es no interior do campo daqueles que reivindicavam o anarquismo na Espanha dos anos 30.<\/p>\n<p><strong>As origens do anarquismo e sua deforma\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Bakunin versus Kropotkin<\/p>\n<p>Desgra\u00e7adamente o n\u00famero daqueles pensadores s\u00e9rios que se dedicaram a investigar a hist\u00f3ria do anarquismo enquanto ideologia \u00e9 extremamente reduzido.<\/p>\n<p>A imensa maioria do que se escreveu neste sentido possui um car\u00e1ter diletante, com pouco ou nenhum compromisso com m\u00e9todos de an\u00e1lise e comprova\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1ficos, baseados apenas em formas liter\u00e1rias grandiloquentes e vazias de conte\u00fado.<\/p>\n<p>Este m\u00e9todo irrespons\u00e1vel e diletante de se escrever a hist\u00f3ria do anarquismo tem por resultado afirma\u00e7\u00f5es grotescas tais como aquelas que apontam a origem hist\u00f3rica desta ideologia ainda na \u201d pasmem! \u201d Gr\u00e9cia Antiga, quando n\u00e3o na arqui-milenar China da Antiguidade.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que se rompa definitivamente com esta maneira equivocada de se compreender a hist\u00f3ria do anarquismo at\u00e9 mesmo para ser poss\u00edvel compreender com maior clareza os contornos precisos que constituem a particularidade e a especificidade do anarquismo no interior do campo mais amplo do socialismo.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os da ci\u00eancia hist\u00f3rica tem possibilitado o esclarecimento de importantes quest\u00f5es colocadas pela sociedade de classes em que vivemos e tem francamente beneficiado o pensamento progressista contra o obscurantismo das Direitas.<\/p>\n<p>Como exemplo \u00e9 importante citar o recuo que a ci\u00eancia hist\u00f3rica imp\u00f4s aos nacionalistas reacion\u00e1rios dos mais diversos pa\u00edses ao provar que a ideia de na\u00e7\u00e3o \u00e9 socialmente constru\u00edda e al\u00e9m do mais \u00e9 um fen\u00f4meno relativamente recente, o oposto da ideia de na\u00e7\u00e3o como comunidade ancestral e anterior a todas as outras como se encontra presente no discurso dos nacionalismos rom\u00e2nticos (necessariamente reacion\u00e1rios), a\u00ed inclu\u00eddo o nazismo alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma maneira \u00e9 importante realizar a investiga\u00e7\u00e3o sobre as origens do anarquismo munidos da metodologia cient\u00edfica da historiografia. A primeira vez em que foi registrada a utiliza\u00e7\u00e3o do conceito \u201canarquia\u201d e \u201canarquista\u201d de uma maneira positivada para definir um determinado programa pol\u00edtico e seus aderentes foi com o revolucion\u00e1rio franc\u00eas Pierre-Joseph Proudhon em meados do s\u00e9culo XIX. Assim sendo, qualquer tentativa de marcar antes deste contexto hist\u00f3rico a origem do anarquismo \u00e9 um grave anacronismo, tal como definir Zumbi dos Palmares ou Tupac Amaru como anarquistas, somente por que seria conveniente aos anarquistas de hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 importante n\u00e3o esquecer que as pessoas e os povos do passado devem ser respeitados em suas escolhas concretas e a falsifica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria por conveni\u00eancia pol\u00edtica foi sempre algo acertadamente combatido nos regimes totalit\u00e1rios de toda esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Proudhon foi um intelectual oper\u00e1rio que buscou em toda sua vida servir \u00e0 luta do proletariado pela sua liberta\u00e7\u00e3o, toda sua produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica era apontada diretamente ao fim de munir os trabalhadores de um programa concreto a ser aplicado quando de sua vit\u00f3ria sobre a burguesia e de uma teoria que permitisse uma leitura adequada da realidade no contexto da luta destes mesmos trabalhadores contra esta mesma burguesia.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabe hoje que Proudhon influiu direta e pessoalmente na convers\u00e3o de Bakunin ao Socialismo Revolucion\u00e1rio. Este incans\u00e1vel militante russo provinha do campo pol\u00edtico do republicanismo radical e popular e tinha conseguido plasmar ao longo de sua vida uma complexa forma\u00e7\u00e3o intelectual e uma vasta experi\u00eancia pol\u00edtica forjada em anos de duros combates.<\/p>\n<p>Bakunin que havia estudado profundamente a filosofia de Hegel, Kant, Fichte entre outros, al\u00e9m de ter sido oficial de artilharia do ex\u00e9rcito czarista durante a juventude, combateu nas primeiras fileiras das principais subleva\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias da Europa da d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Foi com base nesta matriz de experi\u00eancia pol\u00edtica e intelectual que Bakunin p\u00f4de sistematizar e levar \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias o programa e a teoria de Proudhon e a experi\u00eancia de luta revolucion\u00e1ria por socialismo e liberdade do proletariado europeu de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>anarquismo \u00e9 uma ideologia<\/strong>, quer dizer, \u00e9 um sistema de valores e aspira\u00e7\u00f5es articulados de maneira coerente e dial\u00e9tica. \u00c0s aspira\u00e7\u00f5es de socialismo (igualdade) e liberdade, se plasmam os valores da luta classista e da organiza\u00e7\u00e3o dando os contornos precisos daquilo que \u00e9 o anarquismo (enquanto ideia e enquanto pr\u00e1tica, indissociavelmente) e que como tudo \u00e9 produzido por homens e na hist\u00f3ria. Diferentemente dos idealistas que acreditam que os ideais pairam sobre a humanidade e conduzem os destinos desta, n\u00f3s, materialistas, sabemos que os ideais s\u00e3o produtos dos homens e refletem a experi\u00eancia material destes.<\/p>\n<p>Assim sendo \u00e9 preciso saber diferenciar a origem do anarquismo \u201d enquanto sistematiza\u00e7\u00e3o intelectual produzida por Bakunin a partir das bases legadas por Proudhon e pela pr\u00f3pria experi\u00eancia do proletariado da qual fazia parte \u201d da origem da aspira\u00e7\u00e3o humana pela liberdade ou pela igualdade.<\/p>\n<p>\u00c9 a confus\u00e3o \u201cpropositada ou n\u00e3o\u201d entre estes dois elementos que tem acarretado tantos preju\u00edzos a uma hist\u00f3ria s\u00e9ria do anarquismo.<\/p>\n<p>Bakunin no interior de seu pensamento sistematizou o anarquismo enquanto ideologia assim como construiu as bases de sua teoria, de seu programa e de sua estrat\u00e9gia. A pr\u00f3pria vida de Bakunin, na qual estava intimamente associada a pr\u00e1tica pol\u00edtica organizativa, armada e conspirativa com a produ\u00e7\u00e3o intelectual, certamente possibilitou o desenvolvimento de sua imensa obra.<\/p>\n<p>Resumidamente pode-se dizer que Bakunin sistematizou o anarquismo (ou socialismo revolucion\u00e1rio ou coletivismo revolucion\u00e1rio como chamava) como uma ideologia revolucion\u00e1ria a ser instrumentalizada por parte de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no interior das lutas do proletariado que pudesse o conduzir no sentido de uma intransigente separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia rumo \u00e0 ruptura revolucion\u00e1ria que teria por programa a aboli\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico burgu\u00eas (o Estado) e a propriedade privada, fundando uma sociedade de trabalhadores livres organizados em conselhos (ou comunas, como se chamava em sua \u00e9poca) necessariamente federados entre si gerindo a economia e o poder.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 importante perceber que no interior das formula\u00e7\u00f5es de Bakunin s\u00e3o centrais as id\u00e9ias do:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1)<\/strong>\u00a0Anti-cientificismo (defesa da ci\u00eancia mas recusa de seu papel dirigente na sociedade);<strong><br \/>\n2)<\/strong>\u00a0<strong>materialismo enquanto m\u00e9todo anal\u00edtico e pol\u00edtico (uma recusa profunda de todo \u201ceducacionismo\u201d)<\/strong>: \u201c<strong>Eu gosto muito desses socialistas burgueses que nos gritam sempre<\/strong>: \u201d Instruamos primeiro o povo e depois o emancipemos\u201d.\u00a0<strong>Pelo contr\u00e1rio n\u00f3s dizemos<\/strong>: Ele que se emancipe primeiro e se instruir\u00e1 ele pr\u00f3prio\u201d.<strong><br \/>\n3)<\/strong>\u00a0<strong>classismo (intransig\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 burguesia)<\/strong>: \u201cNenhum aparente acordo de opini\u00f5es pol\u00edticas \u00e9 suficiente para superar o antagonismo de interesses que divide a burguesia e os trabalhadores\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estas id\u00e9ias s\u00e3o indissoci\u00e1veis no processo que leva \u00e0 sistematiza\u00e7\u00e3o do anarquismo e fazem parte de um todo coerente com a pr\u00f3pria ideologia tal como Bakunin a desenvolveu.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a morte de Bakunin em 1876, inicia-se no interior do movimento oper\u00e1rio europeu, no interior mesmo da \u201cala federalista\u201d deste movimento oper\u00e1rio uma profunda revis\u00e3o te\u00f3rica e fundamentalmente pol\u00edtica daquilo que Bakunin havia sistematizado enquanto anarquismo, e esta revis\u00e3o \u201d t\u00e3o nefasta para o futuro do anarquismo \u201d inicia-se com a introdu\u00e7\u00e3o do \u201ccomunismo\u201d enquanto explica\u00e7\u00e3o \u00faltima do programa anarquista. O defensor m\u00e1ximo desta revis\u00e3o foi o Sr. Piotr Kropotkin.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento pode ser estranho que uma \u201d aparentemente\u201d m\u00ednima revis\u00e3o da sistematiza\u00e7\u00e3o de Bakunin pudesse ter conseq\u00fc\u00eancias t\u00e3o funestas para o socialismo e o conjunto do proletariado.<\/p>\n<p><strong>Bakunin havia definido que o programa do anarquismo era o coletivismo, ou seja, uma sociedade onde a propriedade seria coletiva e o direito a participa\u00e7\u00e3o no fruto da produ\u00e7\u00e3o estaria condicionada pela participa\u00e7\u00e3o nesta mesma produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u201cDe cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com seu trabalho\u201d. O fundamental aqui \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de uma sociedade de trabalhadores, onde n\u00e3o existe qualquer possibilidade de desenvolvimento de classes ociosas e onde a sociedade controla a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito de seu sistema econ\u00f4mico, n\u00e3o o deixando a merc\u00ea dos interesses privados (como no capitalismo).<\/p>\n<p><b>A ideia\u00a0do comunismo:<\/b>\u00a0De cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com suas necessidades \u00e9 plenamente desenvolvida no \u00e2mbito da chamada \u201cEscola Alem\u00e3\u201d que tem por ide\u00f3logo o Sr. Karl Marx e est\u00e1 profundamente vinculada ao conjunto das racionaliza\u00e7\u00f5es marxianas. Um dos principais respons\u00e1veis pela revis\u00e3o que introduziria o comunismo enquanto programa do anarquismo foi Carlo Cafiero, um antigo colaborador de Marx e Engels e que antes de sua morte volta a associar-se a eles. Ou seja, a origem do comunismo dos anarco-comunistas est\u00e1 em Marx.<\/p>\n<p>A ideia do comunismo \u00e9 extremamente problem\u00e1tica pois lan\u00e7a a discuss\u00e3o sobre sua realiza\u00e7\u00e3o para o plano do absurdo. Em Marx e na tradi\u00e7\u00e3o marxista, o comunismo nada mais \u00e9 do que um elemento ret\u00f3rico que legitima a ditadura do partido \u00fanico enquanto programa a ser realizado pela revolu\u00e7\u00e3o popular, \u00e9 a chamada fase de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Entre os que fazem a revis\u00e3o do anarquismo haver\u00e3o duas linhas de interpreta\u00e7\u00e3o distintas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do comunismo:\u00a0<\/strong>Malatesta vai admitir a possibilidade de uma etapa coletivista de transi\u00e7\u00e3o ao comunismo; j\u00e1 Kropotkin, um inveterado idealista, vai entend\u00ea-lo como \u00e1pice de um processo evolutivo da humanidade.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 o n\u00facleo central de todos os problemas, desvios e deforma\u00e7\u00f5es que a ideia do comunismo traz ao revisionismo do anarquismo. No comunismo n\u00e3o h\u00e1 regula\u00e7\u00e3o social da economia, o indiv\u00edduo \u00e9 o soberano absoluto na produ\u00e7\u00e3o e na distribui\u00e7\u00e3o dos bens materiais, tudo girando em torno de sua necessidade. \u00c9 importante ficar claro que a \u201cnecessidade\u201d \u00e9 algo absolutamente subjetivo e arbitr\u00e1rio, ou seja, enquanto um homem pode ter a \u201cnecessidade\u201d de viver e consumir com simplicidade um outro pode ter a \u201cnecessidade\u201d de ter tudo a toda hora e, de acordo com o comunismo, nada pode se interpor a esta \u201cnecessidade\u201d individual j\u00e1 que ela \u00e9 o centro em torno do qual gira a pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p><strong>Tamanho absurdo encontra uma solu\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e mecanicista na teoria marxista:\u00a0<\/strong>a ditadura do Estado Popular se encarrega de condicionar moralmente as massas e de desenvolver ao infinito as for\u00e7as produtivas com vistas a atingir uma abund\u00e2ncia permanente.<\/p>\n<p>J\u00e1 com Kropotkin e seus seguidores se vai cair no educacionismo, no evolucionismo cientificista e no flerte com o liberalismo.<\/p>\n<p>Kropotkin entende que o comunismo exige um adequada prepara\u00e7\u00e3o moral das massas para que as \u201cnecessidade\u201d de uns n\u00e3o se oponham \u00e0s \u201cnecessidades\u201d dos outros e fa\u00e7am ruir esta verdadeira \u201ccidadela de anjos\u201d.<\/p>\n<p>Assim sendo, de maneira extremamente coerente, Kropotkin assume uma linha pol\u00edtica condizente com o evolucionismo biol\u00f3gico que j\u00e1 vinha sistematizando como n\u00facleo de sua elabora\u00e7\u00e3o intelectual relativa \u00e0 hist\u00f3ria das sociedades humanas. Para Kropotkin, a humanidade evolu\u00eda inexoravelmente rumo a formas elevas de apoio m\u00fatuo e neste processo evolutivo (que guardaria semelhan\u00e7as com aquele de animais sociais como as formigas e as abelhas) tendia a romper com as estruturas sociais opressivas tais como a domina\u00e7\u00e3o burguesa.<\/p>\n<p>Desta maneira caberia aos \u201canarquistas kropotkinianos\u201d agir de maneira a esclarecer e a educar intelectual e moralmente as massas no sentido de avan\u00e7ar o processo evolutivo que levaria \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do comunismo.<\/p>\n<p><strong>Assim e naturalmente Kropotkin e seus seguidores tenderam a se afastar do movimento oper\u00e1rio e se aproximar da intelectualidade burguesa no sentido de convence-la a trabalhar no sentido de educar moralmente as \u201cmassas ignorantes\u201d de prolet\u00e1rios, como afirma Kropotkin neste trecho:<\/strong>\u00a0n\u00e3o tardei em reconhecer que n\u00e3o se produziria nenhuma revolu\u00e7\u00e3o, pac\u00edfica ou violenta, enquanto as novas id\u00e9ias e o novo ideal n\u00e3o tivessem penetrado profundamente na pr\u00f3pria classe cujos privil\u00e9gios econ\u00f4micos e pol\u00edticos estavam amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Eis aqui claramente o n\u00edvel de profundidade da revis\u00e3o liderada por Kropotkin com rela\u00e7\u00e3o aos pressupostos desenvolvidos por Bakunin. Ao inv\u00e9s do anti-cientificismo de Bakunin, eis o evolucionismo biol\u00f3gico enquanto matriz te\u00f3rica. Ao inv\u00e9s do m\u00e9todo anal\u00edtico e pol\u00edtico materialista tal como formulado por Bakunin, eis o idealismo anal\u00edtico e o educacionismo enquanto pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s do classismo intransigente e revolucion\u00e1rio de Bakunin, eis a burguesia assumindo o papel de conduzir o proletariado a sua eleva\u00e7\u00e3o moral. Estas deforma\u00e7\u00f5es v\u00e3o conduzir a outras no plano pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de organiza\u00e7\u00e3o vai ser violentamente atacada pelos kropotknianos em perfeita concord\u00e2ncia com seus pressupostos te\u00f3ricos. Se a sociedade comunista \u00e9 aquela em que o indiv\u00edduo e suas \u201cnecessidade\u201d sujeitam o conjunto da sociedade, porque ent\u00e3o o indiv\u00edduo que se educa hoje moralmente para este futuro deveria \u201ccastrar-se\u201d frente a necessidades organizativas coletivas que diferem das suas individuais.<\/p>\n<p>\u00c9 destas maneira que vai ganhar f\u00f4lego um agressivo individualismo anti-organizativo entre os kropotkinianos, e \u00e9 deste meio que vai sair o resgate do liberal Max Stirner que at\u00e9 ent\u00e3o era um absoluto desconhecido autor do passado.<\/p>\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1880, o comunismo kropotkiniano vai ser francamente hegem\u00f4nico entre aqueles que reivindicam o anarquismo.<\/p>\n<p>\u00c9 desgra\u00e7adamente o avan\u00e7o do revisionismo que conseguiu obliterar e deformar a heran\u00e7a do bakuninismo.<\/p>\n<p><strong>CNT-FAI, a Guerra e a trai\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O t\u00f3pico anterior \u00e9 importante para definir com clareza em que sentido se usa aqui o conceito de revisionismo do anarquismo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio agora fazer uma an\u00e1lise atenta e minuciosa sobre o processo espanhol como se deu na realidade.<\/p>\n<p><strong>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O combativo povo espanhol estava agrupado em volta de uma enorme organiza\u00e7\u00e3o anarco-sindicalista chamada Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Trabalho (CNT).<\/p>\n<p>Esta organiza\u00e7\u00e3o reunia em seus sindicatos um milh\u00e3o de trabalhadores, e defendia a derrubada do governo e o fim do capitalismo para que os trabalhadores pudessem controlar a economia e a pol\u00edtica fazendo reinar a igualdade e a justi\u00e7a. Desde 1910 a CNT vinha lutando bravamente contra a burguesia e seus governos e resistindo contra a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Na CNT estavam os melhores filhos e filhas do povo espanhol, oper\u00e1rios e camponeses que n\u00e3o aceitavam a vida de humilha\u00e7\u00f5es e mis\u00e9rias imposta pelos poderosos. Gente humilde, pobre e trabalhadora que n\u00e3o corria de uma luta justa pelos seus direitos e sua dignidade. Sonhavam com uma sociedade onde ningu\u00e9m viveria do trabalho de ningu\u00e9m e o trabalhador receberia o fruto do seu trabalho.<\/p>\n<p>E por este sonho lutavam.<\/p>\n<p>Por esta dignidade popular a CNT foi sempre o alvo do \u00f3dio da burguesia. Diversas vezes foi considerada uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa e colocada fora da lei.<\/p>\n<p>E diversas vezes os trabalhadores continuaram se organizando clandestinamente. Os militantes da CNT sofreram pris\u00e3o, tortura, assassinato, mas sempre souberam responder com a firmeza necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nunca houve uma grave repress\u00e3o ou uma matan\u00e7a de trabalhadores neste per\u00edodo que n\u00e3o tivesse uma pronta resposta. Pol\u00edticos, empres\u00e1rios, generais, pistoleiros, todos aqueles que se envolviam na repress\u00e3o contra o povo viravam alvo da justi\u00e7a popular e muitos deles encontraram uma bala ou uma bomba vingadora para reparar o povo pelos seus filhos e filhas presos, torturados ou assassinados.<\/p>\n<p>Nos per\u00edodos de maior repress\u00e3o, os oper\u00e1rios iam para o trabalho com a arma em uma m\u00e3o e a ferramenta na outra.<\/p>\n<p>Os patr\u00f5es pagavam pistoleiros para matar os trabalhadores organizados na CNT em pleno local de trabalho. Muitos companheiros foram covardemente assassinados por esta alian\u00e7a entre patr\u00f5es, governos e o crime organizado que eles criaram.<\/p>\n<p>Quando caiu o rei em 1931, os trabalhadores da CNT passaram a enfrentar a repress\u00e3o do governo do Partido Socialista, partido de traidores do povo.<\/p>\n<p>Neste momento a CNT era uma organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 provada por d\u00e9cadas de luta e era muito poderosa pois contava com o apoio e a participa\u00e7\u00e3o da massa dos trabalhadores espanh\u00f3is. Assim, ela n\u00e3o aceitou esta situa\u00e7\u00e3o e continuou avan\u00e7ando a luta pela liberta\u00e7\u00e3o completa dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Os mais ferrenhos inimigos do povo<\/strong>: patr\u00f5es, militares e a c\u00fapula da Igreja Cat\u00f3lica espanhola, tamb\u00e9m n\u00e3o estavam satisfeitos com a nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles queriam a volta do rei queriam esmagar de vez os trabalhadores organizados e principalmente a CNT.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo a classe dominante vai assistir o aumento enorme das greves e ocupa\u00e7\u00f5es de terra e vai tremer de pavor com a possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Os privilegiados tramaram e em 1936 botaram os militares nas ruas para derrubar o governo do Partido Socialista, esmagar a CNT e imp\u00f4r uma ditadura fascista para acorrentar os trabalhadores.<\/p>\n<p>O povo reagiu e teve in\u00edcio a Guerra Civil Espanhola, mas antes de falar nela, vamos falar de Buenaventura Durruti.<\/p>\n<p><strong>Buenaventura Durruti<\/strong><\/p>\n<p>Buenaventura Durruti, ou simplesmente Durruti, foi o revolucion\u00e1rio que melhor representou o povo espanhol em sua luta por justi\u00e7a e liberdade.<\/p>\n<p>Viveu uma vida de completa entrega a sua causa e morreu combatendo junto aos trabalhadores contra a opress\u00e3o. De tantas lutas, sua vida parece ter sido mais longa do que realmente foi.<\/p>\n<p>Desde bem jovem, ainda na adolesc\u00eancia, come\u00e7ou a militar no movimento oper\u00e1rio. De fam\u00edlia muito pobre, Durruti desde cedo se tornou um anarquista, combatente do povo pela liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como oper\u00e1rio e anarquista, Durruti nunca aceitou a explora\u00e7\u00e3o de seu povo e desenvolveu um profundo \u00f3dio pelos opressores e inimigos dos pobres.<\/p>\n<p>Durruti revelou-se um homem bravo e destemido e esteve sempre onde a causa da liberta\u00e7\u00e3o popular exigia sua presen\u00e7a. Organizando greves, promovendo reuni\u00f5es, libertando companheiros da pris\u00e3o, fazendo justi\u00e7a contra os opressores. Durruti foi na CNT um dos seus principais homens de a\u00e7\u00e3o e em 1927 ajudou a fundar a Federa\u00e7\u00e3o Anarquista Ib\u00e9rica (FAI) que devia manter a linha revolucion\u00e1ria anarquista da CNT.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, a FAI se organizava em grupos clandestinos que eram os respons\u00e1veis por fazer as tarefas que n\u00e3o podia ser feitas \u00e0s claras. Puni\u00e7\u00e3o contra patr\u00f5es e repressores, liberta\u00e7\u00e3o de presos, expropria\u00e7\u00e3o de dinheiro para a luta revolucion\u00e1ria e etc\u2026<\/p>\n<p>Durruti com seu grupo \u201cOs Solid\u00e1rios\u201d da FAI percorreu a Europa e a Am\u00e9rica Latina ainda na d\u00e9cada de 1920 para contribiur para a luta na Espanha. Desde Cuba at\u00e9 a Argentina,<\/p>\n<p>Durruti e seus companheiros souberam tomar de volta para os trabalhadores a riqueza roubada pelos grandes banqueiros e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Grandes a\u00e7\u00f5es foram organizadas em todo o continente latino-americano, tomando o dinheiro de grandes bancos e companhias e enviando para financiar a luta da CNT na Espanha.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 Espanha, Durruti iria continuar sua luta sem tr\u00e9guas contra a burguesia e pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>Durante a Guerra Civil Espanhola vai se destacar como o principal s\u00edmbolo dos oper\u00e1rios revolucion\u00e1rios anarquistas de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ele foi um dos membros do Comit\u00ea de Defesa da CNT que preparou a resist\u00eancia ao golpe militar fascista e barrou o avan\u00e7o dos inimigos do povo.<\/p>\n<p>Durruti organizou e liderou uma coluna de trabalhadores revolucion\u00e1rios que foram para o campo de batalha enfrentar os militares fascistas para impedir seu avan\u00e7o e fazer triunfar a causa dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Na cidade de Madri quando ela foi atacada pelos militares fascistas, Durruti e sua coluna estavam a postos e nesta cidade, no dia 20 de novembro de 1936, Durruti tombou com um tiro nas costas em condi\u00e7\u00f5es at\u00e9 hoje inexplicadas.<\/p>\n<p>O funeral de Durruti reuniu centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Camaradas que rendiam sua \u00faltima homenagem ao guerreiro da justi\u00e7a e da liberdade.<\/p>\n<p><strong>CNT-FAI: da gl\u00f3ria \u00e0 trai\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em 18 de julho de 1936 os oficiais das for\u00e7as armadas espanholas, juntamente com os grupos pol\u00edticos de direita, iniciaram um levante contra o governo de esquerda reformista republicano.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o coordenada pelos exploradores do povo encontrou a resist\u00eancia imediata das massas de trabalhadores.<\/p>\n<p>Na maior parte das regi\u00f5es espanholas, o povo pobre se armou com tudo o que podia, inclusive invadindo os quart\u00e9is do Ex\u00e9rcito, e derrotou os fascistas.<\/p>\n<p>Os trabalhadores mostraram que n\u00e3o iam se entregar e que iam lutar at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias contra os patr\u00f5es e os opressores.<\/p>\n<p>A CNT-FAI organizava a grande maioria dos trabalhadores que foram para as ruas derrotar os militares e barrar o golpe fascista. Os trabalhadores, armados e controlando as principais regi\u00f5es do pa\u00eds, viram naquele momento a oportunidade de tomar posse total da economia e da pol\u00edtica nacional. Era a hora de ganhar a guerra contra o General Franco e construir o Poder Popular e o socialismo.<\/p>\n<p>Da CNT-FAI o povo esperava que viessem as orienta\u00e7\u00f5es corretas que iam permitir a vit\u00f3ria na guerra contra os fascistas e a tomada da economia e da pol\u00edtica pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>Acontece que grande foi a surpresa de todos quando os l\u00edderes da CNT-FAI se recusaram a tomar as f\u00e1bricas e colocar os trabalhadores no poder.<\/p>\n<p>Os partidos dos burgueses democratas e reformistas que estavam no governo e tinham se negado a entregar armas para o povo na luta contra os militares, foram mantidos no poder pelos l\u00edderes da CNT-FAI.<\/p>\n<p>Mesmo estando na luta por mais de vinte anos, enfrentando todas as persegui\u00e7\u00f5es e combatendo toda a classe dominante, a CNT-FAI n\u00e3o tinha uma teoria e um programa claro para conduzir a vit\u00f3ria do povo contra os patr\u00f5es e seu governo.<\/p>\n<p>Quando os l\u00edderes desta organiza\u00e7\u00e3o se viram de cara com as chances de derrotar de vez a burguesia, a falta desta teoria e deste programa fez com que tremessem. Esta falte de um programa claro, falta esta produzida pelas debilidades impostas pelo revisionismo reinante, j\u00e1 haviam se manifestado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 30 na colabora\u00e7\u00e3o com os republicanos em 31.<\/p>\n<p>A CNT-FAI contava com mais de um milh\u00e3o de filiados, tinha o apoio da imensa maioria dos trabalhadores do pa\u00eds, o povo estava armado e queria a vit\u00f3ria contra a burguesia, mas mesmo assim os l\u00edderes da CNT-FAI recuaram traindo a causa da justi\u00e7a e da liberdade.<\/p>\n<p>Com medo de uma invas\u00e3o imperialista da Inglaterra, os l\u00edderes da CNT-FAI aceitaram que os burgueses reformistas ficassem no poder e deixaram a propriedade privada nas m\u00e3os da classe dominante. Pior que isto, entraram para o governo dos burgueses nomeando quatro ministros. O povo ia para a frente de batalha combater os fascistas e trabalhava nas f\u00e1bricas e nos campos para sustentar a guerra contra os inimigos do povo, enquanto os burgueses continuavam explorando o trabalho do pobre e vivendo no luxo das cidades.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de entrar no governo republicano dos burgueses reformistas, a CNT-FAI come\u00e7ou a frear o povo e participar da sangrenta repress\u00e3o contra-revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os ministros e l\u00edderes desta organiza\u00e7\u00e3o falavam para o povo trabalhar sem descanso, respeitar a propriedade dos burgueses e aceitar a autoridade do governo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ordenava agora que as mil\u00edcias de trabalhadores que tinham se organizado para combater os fascistas e garantir a vit\u00f3ria do povo, deviam obedecer o governo e n\u00e3o construir osocialismo.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da CNT-FAI neste momento completavam a trai\u00e7\u00e3o ao povo espanhol e se colocava lado a lado com os burgueses contra os interesses da classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico governo que ofereceu ajuda para o governo espanhol dos burgueses reformistas foi a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>A Alemanha de Hitler e a It\u00e1lia de Mussolini estavam apoiando os militares fascistas do General Franco com homens e armas na guerra civil que ficava cada dia mais violenta. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1936 nem lembrava mais os dias da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 quando pela primeira vez os trabalhadores derrubaram a burguesia e tomaram conta do poder.<\/p>\n<p>Debaixo da ditadura de Stalin a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica n\u00e3o pensava mais em apoiar a revolu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores mundo afora. Agora o que o governo de Stalin queria era ficar bem com a Inglaterra, a Fran\u00e7a e os Estados Unidos. Tudo pela conviv\u00eancia pac\u00edfica entre o pa\u00eds socialista e os pa\u00edses capitalistas. Por isto, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica queria mostrar que era confi\u00e1vel para os capitalistas e n\u00e3o \u00eda apoiar nenhuma revolu\u00e7\u00e3o na Espanha.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o Stalin decidiu apoiar o governo dos burgueses reformistas espanh\u00f3is com medo que os nazistas alem\u00e3es se fortalecessem com a vit\u00f3ria do General Franco. Ent\u00e3o, atrav\u00e9s do Partido Comunista Espanhol (PCE) que ele controlava, Stalin apoiava a luta contra os fascistas mas combatia tamb\u00e9m todos os revolucion\u00e1rios espanh\u00f3is que queriam botar os trabalhadores no controle do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo sendo um partido bem pequeno no come\u00e7o, o PCE foi crescendo com o apoio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica at\u00e9 passar a controlar o governo dos burgueses reformistas.<\/p>\n<p>Tudo isto com a permiss\u00e3o dos l\u00edderes da CNT-FAI que controlavam as massas nas ruas e podiam ter dado outra dire\u00e7\u00e3o para o rumo das coisas.<\/p>\n<p>Stalin tinha implantado uma ditadura terrorista na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica contra todos aqueles que discordavam de sua opini\u00e3o, principalmente os revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Agora ele estava fazendo a mesma coisa na Espanha atrav\u00e9s do Partido Comunista Espanhol e do governo dos burgueses reformistas que ele controlava.<\/p>\n<p><strong>Surgem os Amigos de Durruti<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da trai\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes da CNT-FAI, a maioria dos militantes de base desta organiza\u00e7\u00e3o continuavam sendo trabalhadores revolucion\u00e1rios sinceros, mas que estavam desorientados pela situa\u00e7\u00e3o e pelo posicionamento dos l\u00edderes. Eram os oper\u00e1rios e camponeses da CNT-FAI que estavam nos campos de batalha combatendo os fascistas, controlando as f\u00e1bricas e as fazendas que iam sendo coletivizadas mesmo contra os l\u00edderes, e impondo a justi\u00e7a popular contra traidores e inimigos camuflados nas \u00e1reas sob controle.<\/p>\n<p>Estes oper\u00e1rios e camponeses de base da CNT-FAI estavam dando a vida nesta luta que eles acreditavam que \u00eda levar \u00e0 vit\u00f3ria sobre os opressores do povo.<\/p>\n<p>Mas a maioria n\u00e3o percebia que estava sendo tra\u00edda pelos seus pr\u00f3prios l\u00edderes. Acreditavam na mentira de que era preciso ganhar a guerra primeiro para depois fazer a revolu\u00e7\u00e3o. Enquanto os burgueses reformistas, os stalinistas e a burocracia da CNT-FAI no governo combatiam a revolu\u00e7\u00e3o e sabotavam a guerra.<\/p>\n<p>Com medo dos trabalhadores revolucion\u00e1rios o governo n\u00e3o entregava armas para os combatentes na frente de batalha e deixavam os fascistas irem ganhando a guerra.<\/p>\n<p>Neste momento, em mar\u00e7o de 1937, \u00e9 que surgem os Amigos de Durruti.<\/p>\n<p>Este grupo formado por militantes anarquistas da CNT-FAI que n\u00e3o aceitavam o governo dos burgueses reformistas e nem a obedi\u00eancia das mil\u00edcias a este governo de patr\u00f5es, chegou a ter mais de quatro mil membros.Eles eram camponeses, oper\u00e1rios, intelectuais e milicianos que queriam fazer a revolu\u00e7\u00e3o para ganhar a guerra, porque s\u00f3 os trabalhadores tinham interesse em derrotar a burguesia e construir o socialismo.<\/p>\n<p>Os Amigos de Durruti acusaram a trai\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes da CNT-FAI. Apontaram corretamente que os stalinistas e os burgueses reformistas eram inimigos dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Chamaram os trabalhadores para a luta e levantaram as armas contra a tentativa de desarmar o povo em maio de 1937.<\/p>\n<p>Os Amigos de Durruti formularam um programa claro e correto para levar \u00e0 vit\u00f3ria do Poder Popular e no meio do povo sustentaram este programa revolucion\u00e1rio contra toda trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os Amigos de Durruti foram perseguidos, censurados, presos e muitos assassinados por ordem dos pr\u00f3prios l\u00edderes da CNT-FAI.<\/p>\n<p>Foram odiados pelos burgueses porque nunca esqueceram sua condi\u00e7\u00e3o de trabalhadores e nunca esqueceram a causa da igualdade e da liberdade. Nunca se deixaram enganar pelas tenta\u00e7\u00f5es dos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Sempre confiaram nas for\u00e7as do povo organizado e s\u00f3 nelas. Mostraram para o povo que todo burgu\u00eas era seu inimigo, fosse ele fascista ou reformista. Levantaram alto a bandeira anarquista da revolu\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Um dos principais l\u00edderes dos Amigos de Durruti foi Jaime Balius. Este foi um companheiro de ferro que lutou sem descanso at\u00e9 o fim pela causa do povo.<\/p>\n<p>Era deficiente f\u00edsico e por isto se dedicou fanaticamente a escrever as verdades que o povo precisava saber. Tamb\u00e9m n\u00e3o fugia da frente de luta, e foi ele quem amargou as piores penas de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Jaime Balius e os Amigos de Durruti vivem em nossa mem\u00f3ria e devemos fazer com que vivam em nossa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mesmo com toda sua atividade os Amigos de Durruti se viram derrotados pelos traidores e inimigos do povo. Seus principais l\u00edderes foram presos ou mortos pelo pr\u00f3prio governo dos reformistas burgueses, stalinistas e l\u00edderes da CNT-FAI. Mas sua verdade foi vitoriosa e seu ensinamento fica at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Em 1939 os fascista derrotam finalmente o governo dos reformistas burgueses. Esta derrota condenou o povo espanhol a um per\u00edodo de terror de 40 anos.<\/p>\n<p>Muitos milhares de trabalhadores morreram combatendo pela sua liberta\u00e7\u00e3o, e tra\u00eddos, morreram tamb\u00e9m nas m\u00e3os dos fascistas. Somente o Poder Popular faria o povo ganhar a guerra contra os burgueses, essa foi a mensagem dos Amigos de Durruti. Nenhuma confian\u00e7a na burguesia e nos seus governos.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nojento como hoje ainda, quase 70 anos depois destes epis\u00f3dios, a imensa maioria do chamado \u201cmovimento anarquista\u201d ou \u201ccampo libert\u00e1rio\u201d ainda sustenta a defesa de uma supostas \u201cCNT revolucion\u00e1ria\u201d na Guerra Civil Espanhola. Personagens como Garcia Oliver, Abad de Santillan, Frederica de Montseny, ou seja, os burocratas e ministros da CNT no governo burgu\u00eas e contra-revolucion\u00e1rio da Rep\u00fablica, s\u00e3o reverenciados e louvados e aqueles que se levantam para denunciar os crimes reacion\u00e1rios da CNT-FAI na Espanha s\u00e3o desqualificados sem a menor argumenta\u00e7\u00e3o coerente. De duas uma, ou a imensa maioria do \u201cmovimento anarquista\u201d e do \u201ccampo libert\u00e1rio\u201d est\u00e1 profundamente mal-informado sobre os eventos da Guerra Civil Espanhola, ou transformaram-se em convictos contra-revolucion\u00e1rios como a pr\u00f3pria burocracia cenetista da d\u00e9cada de 30.<\/p>\n<p>A primeira hip\u00f3tese \u00e9 muito plaus\u00edvel j\u00e1 que um manto de mentiras recobre a hist\u00f3ria da Guerra Civil Espanhola.<\/p>\n<p>A tese da CNT-FAI no ex\u00edlio segundo a qual estas organiza\u00e7\u00f5es sustentaram uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria contra os traidores stalinistas alcan\u00e7ou enorme sucesso. Mesmo o cinema, como demonstra o filme \u201cTerra e Liberdade\u201d defende esta tese ( \u00e9 bom lembrar que o POUM tamb\u00e9m colaborou com os burgueses e stalinistas contra-revolucion\u00e1rios). Mas al\u00e9m da mentira cenetista existe a mentira stalinista, que foi a vers\u00e3o oficial da hist\u00f3ria marxista durante o per\u00edodo da guerra fria, segundo a qual a CNT-FAI enquanto organiza\u00e7\u00e3o \u201cultra-esquerdista\u201d teria for\u00e7ado a coletiviza\u00e7\u00e3o das terras camponesas querendo avan\u00e7ar artificialmente a revolu\u00e7\u00e3o, o que teria passado o campesinato para o lado de Franco e determinado a derrota do governo republicano.<\/p>\n<p>Curiosamente, a mentira cenetista e a mentira stalinista convergem no que diz respeito a afirmar o papel revolucion\u00e1rio da CNT-FAI durante a guerra.<\/p>\n<p>Sabemos que as coletiviza\u00e7\u00f5es foram feitas pelos pr\u00f3prios camponeses contra a burocracia da CNT-FAI no governo dos stalinistas e que depois todos os setores do governo reprimiram e suprimiram as coletiviza\u00e7\u00f5es camponesas no processo contra-revolucion\u00e1rio. Al\u00e9m destas, existe a mentira trotskista segundo a qual o papel da CNT-FAI na Guerra Civil Espanhola encarna perfeitamente o anarquismo desde Bakunin e os Amigos de Durruti teriam tido uma outra pol\u00edtica (anti-colaboracionista) porque estavam controlados pelos pr\u00f3prios trotskistas. Aqui a mentira trotskista tamb\u00e9m est\u00e1 de acordo com a mentira cenetista, para quem os Amigos de Durruti eram uma infiltra\u00e7\u00e3o trotskista no meio do \u201canarquismo\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, os AMIGOS DE DURRUTI, foram a express\u00e3o dos elementos fundamentais do classismo bakuninista, representaram uma tentativa (ainda presa aos equ\u00edvocos do anarco-sindicalismo) anarquista de buscar um programa e uma teoria revolucion\u00e1ria que j\u00e1 estavam delineadas em Bakunin. Os que na \u00e9poca chamavam os Amigos de Durruti de \u201cmarxistas\u201d e \u201cautorit\u00e1rios\u201d como se n\u00e3o estivessem em um governo burgu\u00eas irmanados a stalinistas s\u00e3o os mesmos que chamam os bakuninistas de hoje de \u201cmarxistas\u201d e \u201cautorit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental buscar a verdade sobre a CNT-FAI e a Guerra Civil Espanhola porque s\u00e3o muitos os que conhecem a hist\u00f3ria dentro do chamado \u201cmovimento anarquista\u201d e a camuflam, escondem e omitem para n\u00e3o romper a \u201csanta unidade\u201d do \u201cMovimento\u201d e n\u00e3o deixar cair o castelo de cartas sustentado por mentiras.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 ilustrativo o debate que tem ocorrido recentemente na Espanha diante do livro \u201cLa Revoluci\u00f3n Traicionada<\/strong>: La verdadera historia de Jaime Balius e los Amigos de Durruti\u201d, onde not\u00f3rios revisionistas defendem abertamente a posi\u00e7\u00e3o contra-revolucion\u00e1ria da CNT-FAI durante a Guerra Civil Espanhola. Entendo que o debate sobre esta tema \u00e9 hoje o \u201cx\u201d da quest\u00e3o na separa\u00e7\u00e3o entre anarquistas e revisionistas e os ocultadores da verdade ter\u00e3o que mostrar a cara.<\/p>\n<p>O elemento principal desta discuss\u00e3o est\u00e1 no fato de que o papel desempenhado pela CNT-FAI na Guerra Civil Espanhola n\u00e3o se deve a trai\u00e7\u00f5es pessoais, ou pelo menos n\u00e3o se deve principalmente a isto, mas sim tem suas ra\u00edzes no revisionismo que se inicia ainda no final do s\u00e9culo XIX. O idealismo de Kropotkin levava, como levou, a uma aproxima\u00e7\u00e3o com a burguesia e n\u00e3o se pode esquecer que este idealismo levou Kropotkin a apoiar o Czar na I Guerra Mundial (porque a Entente simbolizaria os \u201cideais mais avan\u00e7ados\u201d na guerra), e a apoiar o governo de Kerenski contra os soviets revolucion\u00e1rios russos em 1917. N\u00e3o por acaso Kropotkin estava na mesma posi\u00e7\u00e3o, em ambos os casos, da social-democracia reformista marxista.<\/p>\n<p>Entendo que a posi\u00e7\u00e3o de \u201csocial-democracia libert\u00e1ria\u201d que a CNT-FAI vai assumir na Guerra Civil Espanhola est\u00e1 perfeitamente de acordo com a tradi\u00e7\u00e3o do revisionismo legada por Kropotkin. \u201cSem teoria revolucion\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o\u201d, est\u00e1 frase defendida pelos Amigos de Durruti em 1937 \u00e9 extremamente verdadeira e a teoria revolucion\u00e1ria dos anarquista tem suas bases desenvolvidas em Bakunin.<\/p>\n<p>\u00c9 at\u00e9 admiss\u00edvel que revolucion\u00e1rios anarquistas n\u00e3o conhe\u00e7am esta base (como os pr\u00f3prios Amigos de Durruti n\u00e3o conheciam) e fiquem tateando no escuro, mas aqueles que conscientemente tentam dar a id\u00e9ia de que o pensamento de Bakunin, Kropotkin e outros s\u00e3o convergentes ou que a diferen\u00e7a entre estes pensamentos n\u00e3o \u00e9 importante s\u00e3o verdadeiros inimigos do anarquismo e da verdade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.historytoday.com\/www.midiaindependente.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anarquismo na Espanha &#8211; O que foi Somente na Espanha o\u00a0anarquismo\u00a0se tornou um verdadeiro movimento de massa, lan\u00e7ando ra\u00edzes profundas no mundo do trabalho industrial e da pobreza rural. 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