{"id":89416,"date":"2016-12-19T15:31:17","date_gmt":"2016-12-19T17:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=89416"},"modified":"2016-12-19T15:31:17","modified_gmt":"2016-12-19T17:31:17","slug":"farc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-geral\/farc","title":{"rendered":"FARC"},"content":{"rendered":"<p>As <strong>For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia, Farc, <\/strong>s\u00e3o o maior grupo rebelde da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Eles foram fundados em 1964 como o bra\u00e7o armado do Partido Comunista e seguem um ideologia marxista-leninista.<\/p>\n<p>Seus principais fundadores eram pequenos agricultores e trabalhadores rurais que se uniram para lutar contra os n\u00edveis de escalonamento de desigualdade na Col\u00f4mbia na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Enquanto as<strong> Farc<\/strong> tinham alguns grupos urbanos, eles sempre foram uma organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira predominantemente rural.<\/p>\n<p>As <strong>Farc<\/strong> foram fundadas em uma \u00e9poca de repress\u00e3o brutal contra qualquer forma de a\u00e7\u00e3o considerada subversiva.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia tem sido historicamente um pa\u00eds que sofre de elevados n\u00edveis de desigualdade, onde vastas \u00e1reas de terra s\u00e3o de propriedade de uma pequena elite.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 em parte devido ao fato de que o Estado colombiano vendeu grandes extens\u00f5es de terra a propriet\u00e1rios privados no final do s\u00e9culo 20 19 e in\u00edcio para pagar suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Alguns dos fundadores das Farc haviam estabelecido uma comunidade agr\u00edcola na regi\u00e3o de Marquetalia, na prov\u00edncia central de Tolima.<\/p>\n<p>Inspirado pela revolu\u00e7\u00e3o cubana na d\u00e9cada de 1950, eles exigiram mais direitos e controle sobre a terra.<\/p>\n<p>Mas seus ideais comunistas eram vistos como uma amea\u00e7a por grandes propriet\u00e1rios de terras e do Estado, que enviou o Ex\u00e9rcito para dissolver a comuna, ou Rep\u00fablica Marquetalia como tinha vindo a ser conhecido.<\/p>\n<p>A maioria de seus combatentes s\u00e3o de comunidades pobres, rurais e incluem homens e mulheres de todas as idades.<\/p>\n<p>Algumas das pessoas que deixaram a <strong>Farc<\/strong> falam de serem atra\u00eddos pela promessa de aventura e a gl\u00f3ria de carregar uma arma.<\/p>\n<p>Analistas acreditam que as <strong>Farc<\/strong> est\u00e3o entre os mais ricos movimentos rebeldes no mundo.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia \u00e9 um dos principais produtores de coca\u00edna e os rebeldes obt\u00e9m uma grande parte de sua renda do tr\u00e1fico de drogas ou de cobran\u00e7a &#8220;impostos&#8221; sobre aqueles que o fazem.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m t\u00eam recorrido a extors\u00e3o e seq\u00fcestro em troca de resgate para encher seus cofres.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-89417\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/farc-300x154.jpg\" alt=\"farc\" width=\"300\" height=\"154\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/farc-300x154.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/farc.jpg 404w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><br \/>\nFARC<\/strong><\/p>\n<p>Em 1964, membro do Partido Comunista Colombiano (PCC) Manuel Marulanda trabalhou com Jacobo Arenas para formar as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (ou, em espanhol, Las Fuerzas Armadas Revolucion\u00e1rios da Col\u00f4mbia, o FARC).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s dez anos de guerra civil de 1948 a 1958, conhecido como La Violencia, os membros do PCC lideraram grupos de indiv\u00edduos, que se sentiam negligenciadas pelo governo colombiano, para resolver por todo o campo e criar suas pr\u00f3prias comunidades.<\/p>\n<p>Marulanda levou um grupo a se estabelecer em Marquetalia, Tolima, com o objetivo de criar uma sociedade na qual as necessidades e preocupa\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o rural seria abordado. O grupo de Marulanda mais tarde se tornou o <strong>FARC<\/strong>.<\/p>\n<p>Em 27 de maio de 1964, os militares colombianos atacaram Marquetalia e outras comunidades vizinhas. Quarenta e oito guerrilheiros de Marulanda revidaram.<\/p>\n<p>Depois do ataque, em 20 de julho 1964, os guerrilheiros de Marquetalia reuniram-se com outras comunidades, organizada e unificada no que chamaram a Primeira Confer\u00eancia Guerrilla.<\/p>\n<p>Durante esta confer\u00eancia, em que cerca de 350 guerrilheiros participaram, eles formalmente declararam-se um grupo guerrilheiro, assumindo o nome do Bloco Sul.<\/p>\n<p>O Bloco Sul chamado para a reforma agr\u00e1ria, melhores condi\u00e7\u00f5es para aqueles no campo, e prometeram defender as comunidades de seguidores no campo do governo colombiano.<\/p>\n<p>Principalmente um grupo de defesa, o Bloco Sul reuniram-se novamente maio 1966 para a sua segunda Guerrilla Confer\u00eancia e rebatizou-se as <strong>For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia, as Farc<\/strong>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da mudan\u00e7a de nome das <strong>FARC<\/strong>, a segunda confer\u00eancia marcou tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a na estrat\u00e9gia para o grupo; em vez de apenas defender a popula\u00e7\u00e3o rural de ataques do governo, as <strong>Farc<\/strong> come\u00e7aram a fornecer servi\u00e7os educacionais e m\u00e9dicas para as comunidades leais, treinando militantes para o combate, e realizar ataques.<\/p>\n<p>Em 1972, Marulanda estabeleceu campos de treino para os guerrilheiros.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos das <strong>FARC<\/strong>, para pagar os acampamentos e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sociais, as <strong>FARC<\/strong> sequestravam para o resgate, visando principalmente pol\u00edticos e elites.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de seq\u00fcestro, no final de 1970, as<strong> FARC<\/strong> come\u00e7aram o tr\u00e1fico de coca\u00edna para financiar suas atividades, uma pr\u00e1tica que facilitaram seu r\u00e1pido crescimento durante os anos 1980.<\/p>\n<p>A riqueza da <strong>FARC<\/strong> rec\u00e9m-descoberta, de seq\u00fcestros e do tr\u00e1fico de drogas, e sua presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os sociais atraiu um grande n\u00famero de novos membros que tentavam escapar dos crescentes n\u00edveis de pobreza na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Em conjunto, o aumento do lucro e novos membros marcaram o in\u00edcio do crescimento exponencial das <strong>FARC<\/strong> e aumento no poder.<\/p>\n<p>No entanto, a depend\u00eancia da <strong>FARC<\/strong> no com\u00e9rcio de drogas tamb\u00e9m prejudicou a sua reputa\u00e7\u00e3o; relat\u00f3rios sobre as FARC por parte do governo dos Estados Unidos, o governo colombiano, e fontes de not\u00edcias rapidamente come\u00e7aram a se referir ao grupo como um cartel de drogas e seus l\u00edderes como traficantes de drogas.<\/p>\n<p>Em 1982, as <strong>FARC<\/strong> celebrou sua S\u00e9tima Confer\u00eancia Guerrilla na qual mudou seu nome para as FARC-EP para Ej\u00e9rcito del Pueblo, que significa &#8220;Ex\u00e9rcito Popular&#8221;; no entanto, o governo colombiano, o governo dos Estados Unidos, e os meios de comunica\u00e7\u00e3o ainda se referem ao grupo como &#8220;as FARC.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 1982, as <strong>FARC<\/strong> e o governo colombiano, liderado pelo presidente Belisario Betancur, iniciou negocia\u00e7\u00f5es de paz para a primeira vez.<\/p>\n<p>Em maio de 1984, a um acordo, o Acordos de Uribe, foi atingido com sucesso e pediu um cessar-fogo bilateral, que durou 1984-1987. [15] pol\u00edtico colombiano Ivan Cepeda disse que o Acordos de Uribe permitiria que membros das FARC para come\u00e7ar lentamente a viver legalmente.<\/p>\n<p>Como parte do acordo, as FARC co-fundaram a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica (UP), um partido pol\u00edtico, com o Partido Comunista Colombiano (PCC) em 1985.<\/p>\n<p>A UP conseguiu o sucesso de esquerda sem precedentes nas elei\u00e7\u00f5es de 1986, assegurando 350 assentos do conselho local, 9 assentos casa, e 6 cadeiras no Senado.<\/p>\n<p>No entanto, este sucesso r\u00e1pido foi rapidamente minada por desaparecimentos for\u00e7ados e assassinatos sistem\u00e1ticos de l\u00edderes pelo paramilitares do ex\u00e9rcito, de direita e traficantes de drogas.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios mostram que, em 1988, entre 200 e 500 UP l\u00edderes, incluindo o candidato presidencial UP Jaime Pardo, foram assassinados.<\/p>\n<p>De 1988 a 1992, entre 4.000 e 6.000 UP membros, incluindo um outro candidato presidencial, Bernardo Jaramillo, foram assassinados.<\/p>\n<p>Apesar dos acordos de paz em 1980, t\u00e1ticas e seq\u00fcestros violentos das <strong>FARC<\/strong> continuaram porque o grupo acredita que as reformas pol\u00edticas feitas pelo governo n\u00e3o eram suficientes.<\/p>\n<p>Em retalia\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia cont\u00ednua das <strong>FARC<\/strong>, ricos propriet\u00e1rios de terras, os principais alvos de seq\u00fcestros das Farc, grupos militantes formados, tais como a morte para Sequestradores (MAS) e as Autodefesas Unidas da Col\u00f4mbia (AUC). Estes grupos alinhados com os militares colombianos na d\u00e9cada de 1980 para livrar o pa\u00eds da presen\u00e7a guerrilheira. Grupos paramilitares mataram civis inocentes, mas relataram que eles eram guerrilheiros das FARC ou simpatizantes das FARC, a fim de aparecer como se eles estavam efetivamente mitigando influ\u00eancia da FARC no pa\u00eds. Paramilitares usaram estas t\u00e1ticas da d\u00e9cada de 1980 atrav\u00e9s da d\u00e9cada de 2000.<\/p>\n<p>Em 2002, \u00c1lvaro Uribe concorreu \u00e0 presid\u00eancia, e ganhou, com a promessa de que ele iria combater agressivamente a presen\u00e7a guerrilheira e a atividade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Durante a temporada eleitoral de 2002, as<strong> FARC<\/strong> sequestraram a candidata presidencial Ingrid Betancourt, aumentando a motiva\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para combater as FARC.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o das FARC<\/strong><\/p>\n<p>As <strong>FARC<\/strong> (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia) constitu\u00edram-se oficialmente com esse nome em setembro de 1966. Tratava-se, por\u00e9m, da oficializa\u00e7\u00e3o de um processo em curso havia algum tempo. J\u00e1 em 1961, o Partido Comunista Colombiano, sob cuja \u00e9gide elas se colocavam, adotou a tese da \u201ccombina\u00e7\u00e3o de todas as formas de luta\u201d, que implicava o recurso simult\u00e2neo \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica legal e \u00e0 luta armada. Essa tese definiria sua linha at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Em 1964, tem lugar o acontecimento que posteriormente ser\u00e1 apresentado por elas como fundador das FARC<\/strong>: o ataque do Ex\u00e9rcito a Marquetalia, de uma zona de \u201cautodefesa\u201d camponesa formada sob a influ\u00eancia dos comunistas no sul de Tolima. A resposta a esse ataque foi a cria\u00e7\u00e3o de diversos focos de guerrilha naquela zona e nas zonas circunvizinhas que se reuniram no mesmo ano sob a denomina\u00e7\u00e3o \u201cBloco Sul\u201d. O nascimento das FARC, portanto, n\u00e3o foi de modo algum uma improvisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na realidade, a forma\u00e7\u00e3o das FARC s\u00f3 \u00e9 intelig\u00edvel \u00e0 luz de dois dados anteriores. Por um lado, a hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia foi marcada desde 1920 por intensos conflitos agr\u00e1rios em v\u00e1rias regi\u00f5es. Criado em 1930, o Partido Comunista neles desempenhou papel consider\u00e1vel e assim obteve bases duradouras numa parte do campesinato. A nova organiza\u00e7\u00e3o, portanto, dispunha de apoios j\u00e1 antigos. Por outro lado, o que \u00e9 mais importante, a Col\u00f4mbia sa\u00eda do epis\u00f3dio de La Violencia \u2013 guerra civil que assolou o pa\u00eds a partir de 1946, provocando 200 mil mortes. Durante aqueles anos surgiram grupos armados de in\u00fameras orienta\u00e7\u00f5es, alguns muito politizados, outros menos. Entre eles, grupos comunistas que se qualificavam ora como \u201cautodefesas\u201d, ora como \u201cguerrilhas\u201d, que, enquanto combatiam o regime, frequentemente prosseguiam na luta pela terra. A problem\u00e1tica da guerrilha se insere, pois, num contexto bem diferente do de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Deve-se at\u00e9 mesmo acrescentar que a no\u00e7\u00e3o de \u201cguerrilha\u201d ali tem outra conota\u00e7\u00e3o. De meados do s\u00e9culo XIX at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o de \u201cguerrilhas\u201d fez parte do repert\u00f3rio ordin\u00e1rio dos dois partidos tradicionais em sua rivalidade pelo poder. Durante as d\u00e9cadas seguintes, a refer\u00eancia n\u00e3o desapareceu completamente. A contesta\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica assumia facilmente a forma de guerrilhas locais. Portanto, foi bem natural que La Violencia se manifestasse pela eclos\u00e3o n\u00e3o coordenada de guerrilhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendemos, por\u00e9m, fazer da constitui\u00e7\u00e3o das FARC o coroamento desses diversos fen\u00f4menos anteriores. Essa constitui\u00e7\u00e3o ocorreu numa conjuntura espec\u00edfica, da \u00e9poca imediatamente posterior ao sucesso do movimento castrista, quando em toda a Am\u00e9rica Latina s\u00f3 ressoavam chamadas de vanguardas a tomar o poder pelas armas. Na pr\u00f3pria Col\u00f4mbia foram criadas quase simultaneamente tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es \u201cmodernas\u201d de guerrilha revolucion\u00e1ria. Para o Partido Comunista Colombiano, a forma\u00e7\u00e3o das FARC era o modo de marcar presen\u00e7a naquela vasta efervesc\u00eancia de ideias e armas.<\/p>\n<p>Os antecedentes colombianos, contudo, possibilitam compreender que os iniciadores das FARC tinham por que considerar que encontrariam terreno extremamente favor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Esses antecedentes tamb\u00e9m possibilitam aquilatar o car\u00e1ter am b\u00edguo das FARC no momento em que nasceram. Elas faziam parte da tradi\u00e7\u00e3o das \u201cguerras civis\u201d colombianas e da contesta\u00e7\u00e3o violenta da legitimidade do poder, portanto suas ra\u00edzes estavam vinculadas a um longo per\u00edodo da hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia; situavam-se na continuidade dos conflitos agr\u00e1rios, portanto, num per\u00edodo mais recente da hist\u00f3ria; remetiam \u00e0 experi\u00eancia recente de La Violencia, isto \u00e9, a uma mem\u00f3ria ime diata e, por fim, inseriam-se na experi\u00eancia contempor\u00e2nea do radicalismo revolucion\u00e1rio anti-imperialista. Logo, eram ao mesmo tempo \u201ctradicionais\u201d e \u201cmodernas\u201d. Estavam impregnadas da sociedade rural e de reivindica\u00e7\u00f5es campesinas e, ao mesmo tempo contidas na efervesc\u00eancia das concep\u00e7\u00f5es emancipadoras, mas tamb\u00e9m estavam subordinadas a um partido comunista vinculado \u00e0 vis\u00e3o \u201ccl\u00e1ssica\u201d da revolu\u00e7\u00e3o, em que o proletariado desempenha o papel principal.<\/p>\n<p><strong>Movimentos agr\u00e1rios e zonas de antigaimplanta\u00e7\u00e3o comunista<\/strong><\/p>\n<p>Na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, grande parte do territ\u00f3rio colombiano era constitu\u00edda por terras livres ou p\u00fablicas (bald\u00edas) com exce\u00e7\u00e3o de alguns setores dos Andes, nos quais o latif\u00fandio tradicional estava estabelecido ao lado de um campesinato pobre. Grande parte da his t\u00f3ria rural da Col\u00f4mbia no s\u00e9culo XX gira ao redor da ocupa\u00e7\u00e3o e da apropria\u00e7\u00e3o das terras ali situadas. O processo est\u00e1 longe de terminar, pois continua a ocorrer em certas zonas pouco povoadas, como as imensas plan\u00edcies amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>O Estado s\u00f3 excepcionalmente tentou organizar as ondas de ocupa\u00e7\u00e3o; frequentemente procedeu com atraso \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o da propriedade nas terras ocupadas. Fortalecida por sua influ\u00eancia pol\u00edtica sobre as autoridades locais ou nacionais, certa minoria conseguiu com frequ\u00eancia a atribui\u00e7\u00e3o de vastos dom\u00ednios, sem se preocupar necessariamente em torn\u00e1-los produtivos, limitando-se \u00e0 pr\u00e1tica da pecu\u00e1ria extensiva. Foi o que ocorreu em regi\u00f5es inteiras como o vale do Magdalena \u2013 principal art\u00e9ria fluvial do pa\u00eds \u2013, e os departamentos da costa do Atl\u00e2ntico. Essas regi\u00f5es nem sempre estavam desocupadas, mas os benefici\u00e1rios dessas apropria\u00e7\u00f5es n\u00e3o hesitavam em desalojar frequentemente os pequenos camponeses ali instalados que, no entanto, n\u00e3o contavam com t\u00edtulos de propriedade ou eram incapazes de faz\u00ea-los lavrar.<\/p>\n<p>Disso s\u00f3 podiam resultar conflitos e lit\u00edgios.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da economia cafeeira do fim do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX exacerbou ainda mais esses conflitos. Enquanto na regi\u00e3o antio-quiana essa expans\u00e3o se efetuava em grande medida com base em pequenas e m\u00e9dias propriedades rurais, o mesmo n\u00e3o ocorria em Cundi-namarca e no sul de Tolima.<\/p>\n<p><strong>L\u00e1 prevalecia a mesma din\u00e2mica, mas com modalidades ainda mais brutais:<\/strong> a forma\u00e7\u00e3o de grandes latif\u00fandios, baseada na posse frequentemente arbitr\u00e1ria da terra e nas pr\u00e1ticas de sujei\u00e7\u00e3o ou expuls\u00e3o dos numerosos camponeses que se haviam fixado ali e pretendiam cultivar caf\u00e9 por conta pr\u00f3pria. A resist\u00eancia deles traduzia-se em vigoroso movimento agr\u00e1rio. Tal movimento foi suficientemente poderoso para provocar, por volta de 1930, a desagrega\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios daqueles grandes latif\u00fandios e para incitar o governo a adotar em 1936 uma lei de reforma agr\u00e1ria que, na falta de efeitos concretos, teve um alcance simb\u00f3lico consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas tentaram cooptar essa resist\u00eancia em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio. Criaram-se ligas e sindicatos camponeses. O l\u00edder pol\u00edtico Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n, ent\u00e3o \u00e0 frente de uma dissid\u00eancia do Partido Liberal (Uni\u00f3n Nacional Izquierdista Revolucionaria \u2013 UNIR), l\u00e1 exerceu grande influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Diversos l\u00edderes camponeses regionais de orienta\u00e7\u00e3o socialista obtiveram forte prest\u00edgio. Por fim, o Partido Comunista, fundado em 1930, come\u00e7ou a ter presen\u00e7a importante, a tal ponto que aquela regi\u00e3o se converteria num de seus baluartes camponeses mais s\u00f3lidos; algumas zonas de popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, ao sul de Tolima, Huila e Cauca, que enfrentavam o mesmo problema de a\u00e7ambarcamento das terras pelos grandes propriet\u00e1rios, constitu\u00edram outro baluarte para o Partido Comunista.<\/p>\n<p>Zonas como Viot\u00e1 e Sumapaz, em Cundinamarca, como Chaparral no sul de Tolima, se tornariam famosas como centros de uma resist\u00eancia campesina orquestrada pelos pr\u00f3prios comunistas ou por dirigentes camponeses pr\u00f3ximos ao partido.<\/p>\n<p><strong>Essa resist\u00eancia, na \u00e9poca, estava longe de ser sempre revolucion\u00e1ria:<\/strong> visava ao reconhecimento dos direitos campesinos e a frear o processo de concentra\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p><strong>De 1936 a 1948, o Partido Comunista, ali\u00e1s, tinha uma linha das mais moderadas:<\/strong> em muitos aspectos, mostrava-se como uma fra\u00e7\u00e3o do Partido Liberal e, nos per\u00edodos de elei\u00e7\u00f5es, este \u00faltimo continuava carreando a simpatia de grande parte da popula\u00e7\u00e3o daquelas zonas.<\/p>\n<p>Muitas zonas marcadas pelas lutas agr\u00e1rias, por\u00e9m, forneceriam anos depois algumas das bases sociais das FARC. Para isso, contribuiriam tanto a experi\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias quanto a sociabilidade desenvolvida pelas redes comunistas.<\/p>\n<p><strong>Gait\u00e1n, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular e sua frustra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na mem\u00f3ria coletiva, contudo, um acontecimento preciso constituiu o ponto de partida dos fen\u00f4menos de viol\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o de grupos armados:<\/strong> o assassinato de Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n em 9 de abril de 1948.<\/p>\n<p>Depois de contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es camponesas nos anos 1930, a partir de 1945 Gait\u00e1n provocou uma mobiliza\u00e7\u00e3o populista sem precedentes. Afirmando situar-se al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o entre os dois partidos tradicionais, ele inflamou grandes multid\u00f5es urbanas com uma ret\u00f3rica \u201cantiolig\u00e1rquica\u201d no estilo de Per\u00f3n. Tornando-se, depois de uma derrota na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 1946, o l\u00edder indiscut\u00edvel do Partido Liberal, parecia seguro que chegaria \u00e0 presid\u00eancia em 1950. Seu assassinato provocou uma como\u00e7\u00e3o que se traduziu num motim de v\u00e1rios dias em Bogot\u00e1, conhecido como Bogotazo, durante o qual houve centenas de mortos e o centro hist\u00f3rico da cidade foi em grande parte destru\u00eddo. Na prov\u00edncia, o choque manifestou-se na implanta\u00e7\u00e3o mais ou menos fugaz de \u201cjuntas revolucion\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p>A apar\u00eancia irresist\u00edvel do movimento populista semeara nas elites o medo dos dois partidos. O motim deu-lhes mais ainda a impress\u00e3o de terem descoberto o rosto da \u201cbarb\u00e1rie popular\u201d. As massas, por sua vez, n\u00e3o duvidavam de que a \u201coligarquia\u201d era respons\u00e1vel pelo assassinato. O medo de uns e a frustra\u00e7\u00e3o de outros s\u00f3 acentuaram o clima de polariza\u00e7\u00e3o social. Esse clima seria o pano de fundo para fen\u00f4menos de viol\u00eancia. A repress\u00e3o abateu-se sobre os sindicatos e outras organiza\u00e7\u00f5es urbanas formados a partir de 1930, que foram definitivamente destru\u00eddos. Na aus\u00eancia de um l\u00edder que assumisse o lugar de Gait\u00e1n, a mobiliza\u00e7\u00e3o populista se desmantelou. O Partido Conservador aliou-se a um dirigente, Laureano G\u00f3mez, admirador de Franco e feroz detrator da democracia liberal. Levado \u00e0 presid\u00eancia em 1950, seu projeto era instaurar um Estado corporativista e, para al\u00e9m disso, uma ordem social baseada num catolicismo fundamentalista.<\/p>\n<p>Destru\u00edda nas cidades, a contesta\u00e7\u00e3o transferiu-se para a regi\u00e3o rural na forma de diversos grupos armados. Ali\u00e1s, no Programa Agr\u00e1riodivulgado em 1964, os guerrilheiros que formariam o n\u00facleo das FARC afirmavam que \u201co movimento revolucion\u00e1rio\u201d decorria dos acontecimentos de 1948.<\/p>\n<p>Se o 9 de abril continua sendo uma data m\u00edtica, \u00e9 porque para muitos colombianos ela marca o momento de guinada, em que a moderniza\u00e7\u00e3o iniciada havia duas d\u00e9cadas foi interrompida, e uma hist\u00f3ria que parecia marcada pelo selo do progresso passou a parecer marcada pelo fracasso e pela regress\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A experi\u00eancia de La Violencia<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo que \u00e9 chamado La Violencia constitui na realidade, mais que o assassinato de Gait\u00e1n, \u00e9 a experi\u00eancia que alimenta a mem\u00f3ria coletiva de muitos colombianos. Isso n\u00e3o chega a ser espantoso, porque o conjunto de fen\u00f4menos que a caracterizaram durante cerca de quinze anos se fecha com um saldo de 200 mil mortos, in\u00fameras migra\u00e7\u00f5es populacionais e, sobretudo, atrocidades compar\u00e1veis \u00e0s da Guerra Civil Espanhola.<\/p>\n<p>Trata-se realmente de um conjunto de fen\u00f4menos. O antagonismo pol\u00edtico entre conservadores e liberais foi a princ\u00edpio seu desencadeador \u2014 isso antes mesmo da morte de Gait\u00e1n \u2014 e continuar\u00e1 a ser um de seus motores ao longo do epis\u00f3dio. A partir de 1948-1950, associaram-se a esse fato a dimens\u00e3o da contesta\u00e7\u00e3o social, por um lado, e da rea\u00e7\u00e3o das classes dirigentes, por outro. \u00c0 medida que a viol\u00eancia se generalizava em muitas zonas rurais, os conflitos agr\u00e1rios cresciam e a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros grupos guerrilheiros comunistas foi uma de suas manifesta\u00e7\u00f5es. Na \u00faltima fase, houve a justaposi\u00e7\u00e3o de uma resist\u00eancia agr\u00e1ria frequentemente radicalizada, de um banditismo social de dimens\u00f5es in\u00e9ditas e da a\u00e7\u00e3o de aproveitadores de diversos setores para acumular bens, rendimentos e influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Em muitos aspectos, La Violencia foi uma guerra civil, pois, por um motivo ou outro, toda a popula\u00e7\u00e3o se envolveu no conflito entre os dois partidos.<\/p>\n<p><strong>No entanto, foi uma guerra civil fragmentada, sem fronts precisos<\/strong>: sem d\u00favida a repress\u00e3o realizada pelo regime conservador, pela pol\u00edcia e pelo Ex\u00e9rcito lhe deu um m\u00ednimo de unidade, mas ela se refratou por teatros dispersos, em alguns departamentos e povoados rurais. As atrocidades que lhe deram especificidade decorreram em grande par te das rela\u00e7\u00f5es de proximidade. \u00c9 verdade que, tamb\u00e9m nesse caso, o fanatismo ligado \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias conferiu certa coer\u00eancia aos confrontos, com os conservadores brandindo as imagens da Virgem e de Cristo-Rei em seus massacres, os liberais destruindo, em contrapartida, v\u00e1rios s\u00edmbolos religiosos, enquanto o furor no ataque aos corpos, sua crucifica\u00e7\u00e3o e o modo como eram despeda\u00e7ados consti tu\u00edam encena\u00e7\u00f5es de sacril\u00e9gio das rela\u00e7\u00f5es com o sagrado.<\/p>\n<p><strong>Contudo a maioria desses atos ocorreu em teatros locais e foi obra de habitantes de localidades vizinhas<\/strong>: medo, \u00f3dio e desejo de vingan\u00e7a eram os sentimentos que os incitavam a recorrer a tais atos de destrui\u00e7\u00e3o rec\u00edproca.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que surgiram in\u00fameros grupos armados. Por um lado, os grupos conservadores, assassinos pagos por pol\u00edticos conservadores, entre os quais aqueles que seriam conhecidos com o nome de p\u00e1jaros (p\u00e1ssaros) no departamento de Valle del Cauca e em outros departamentos produtores de caf\u00e9. Por outro, as guerrilhas formadas em quase todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>As mais importantes dessas guerrilhas eram as formadas em nome do Partido Liberal. Surgiram em diversas zonas do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Entre elas, as organizadas nos Llanos orientais<\/strong>: algumas vezes, entraram em confronto direto com o Ex\u00e9rcito e chegaram a dominar a regi\u00e3o. Sua reputa\u00e7\u00e3o decorria sobretudo do fato de que em 1952 promulgaram \u201cleis\u201d dos Llanos referentes ao estatuto da propriedade da terra. As guerrilhas \u201ccomunistas\u201d s\u00f3 aos poucos se distinguiram delas. O pr\u00f3prio Manuel Marulanda come\u00e7ou a carreira numa guerrilha liberal do sul de Tolima, antes de juntar-se \u00e0s guerrilhas comunistas.<\/p>\n<p>Estas \u00faltimas, ali\u00e1s, tinham poucas rela\u00e7\u00f5es com a dire\u00e7\u00e3o do Partido Comunista como tal, partido muito fraco que, ademais, perdera cr\u00e9dito por conduzir durante muito tempo uma campanha contra Gait\u00e1n, que ele considerava fascistizante.<\/p>\n<p>As guerrilhas formaram-se espontaneamente naquelas zonas marcadas pelos conflitos agr\u00e1rios antigos e j\u00e1 impregnadas pela sociabilidade comunista. O partido estava longe de nelas depositar confian\u00e7a cega. Durante um congresso realizado em 1952, ele estimou que \u201ca extens\u00e3o e o alcance da luta de guerrilhas foram exagerados por elementos aventureiros\u201d, e que a Col\u00f4mbia ainda estava longe de uma \u201csitua\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d. Era um modo de tentar lembrar sua supremacia sobre os focos de guerrilha camponesa.<\/p>\n<p>A multiplica\u00e7\u00e3o das guerrilhas de diversas tend\u00eancias comprova, em todo caso, a import\u00e2ncia da resist\u00eancia ao regime. No entanto, ficaram como iniciativas principalmente locais, e n\u00e3o chegaram a uma coordena\u00e7\u00e3o de conjunto, a despeito de algumas tentativas nesse sentido. Em 1952, os comunistas organizaram a chamada Confer\u00eancia de Boyac\u00e1 para superar essa dispers\u00e3o, mas ela reuniu poucos grupos e n\u00e3o teve repercuss\u00e3o. De resto, entre comunistas e liberais as tens\u00f5es eram cada vez mais agudas. Eram percept\u00edveis j\u00e1 em 1951 e se acentuaram depois, at\u00e9 darem ensejo a confrontos prolongados entre os grupos liberais, denominados como limpios (puros) e os grupos comunistas, denominados comunes (comunas).<\/p>\n<p>Os guerrilheiros ligados ao Partido Liberal, por\u00e9m, proclamavam-se \u201crevolucion\u00e1rios\u201d quase com a mesma frequ\u00eancia que os comunistas. O termo conservou a acep\u00e7\u00e3o que tinha no s\u00e9culo XIX, a derrubada pelas armas do regime estabelecido. Para a maioria dos combatentes, o objetivo era p\u00f4r fim ao governo de Laureano G\u00f3mez; e os que visavam realmente a uma transforma\u00e7\u00e3o das estruturas sociais eram minoria, inclusive nas fileiras comunistas. Prova disso \u00e9 que em 1953, quando, impelido pela maioria das elites dos dois partidos tradicionais e por opini\u00e3o quase un\u00e2nime, o general Rojas Pinilla tomou o poder e ofereceu anistia aos guerrilheiros. Quase a totalidade deles decidiu pela desmobiliza\u00e7\u00e3o, ainda que muitos, especialmente os comunistas, conservassem suas armas. Se o conflito se reacendeu j\u00e1 em 1955 com as guerrilhas comunistas, foi porque o general Rojas Pinilla se mostrou decidido a liquidar as zonas de autodefesa por elas constitu\u00eddas nos feudos comunistas e a mobiliza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria decorrente. Come\u00e7ou assim uma nova fase de guerra que atingiu mais uma vez o sul de Tolima e o sul de Cundinamarca. Essa fase foi marcada por a\u00e7\u00f5es muito duras do Ex\u00e9rcito, cujos bombardeios atingiam os civis. Deu ensejo \u00e0quilo que se tornaria fato recorrente, a migra\u00e7\u00e3o de habitantes para zonas de ref\u00fagio sob a \u00e9gide das guerrilhas. Nesse sentido, ela foi ainda mais determinante que a fase anterior para fortalecer entre certos setores do campesinato o sentimento de que s\u00f3 as guerrilhas comunistas eram capazes de lhes dar prote\u00e7\u00e3o perante as elites dirigentes, pol\u00edticos e grandes propriet\u00e1rios, que recusavam qual quer ideia de mudan\u00e7a no campo e sempre se mostravam prontos a recorrer \u00e0 for\u00e7a para obter a submiss\u00e3o dos que reivindicavam tal mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>O ataque \u00e0s zonas de autodefesa comunistas e a resist\u00eancia da resposta n\u00e3o foram os \u00fanicos componentes dessa nova fase de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, a viol\u00eancia tamb\u00e9m afetara as zonas cafeeiras mais recentes, situadas mais a leste, ao norte do Valle del Cauca, em Caldas e no sul de Antioquia. Ali, as guerrilhas haviam conquistado menor amplitude, mas os antagonismos pol\u00edticos se combinavam a fatores econ\u00f4micos associados \u00e0 capta\u00e7\u00e3o dos rendimentos do caf\u00e9, provocando tamb\u00e9m muitas atrocidades. Na nova fase, somou-se o surto de um banditismo meio social, meio pol\u00edtico, \u00e0s vezes subordinado aos dirigentes locais, \u00e0s vezes independente, mas que se manteria e semearia terror durante muito tempo. Grande n\u00famero de antigos grupos conservadores e liberais fazia parte dele, os quais eram movidos mui tas vezes pe lo desejo de vingan\u00e7a. Seus crimes, mas \u00e0s vezes tamb\u00e9m seu comportamento de rebeldes sociais, valeram a alguns de seus chefes fama regional e at\u00e9 nacional. Essa \u00faltima fase prolongou-se at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, quando os dois partidos conclu\u00edram um acordo de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia do banditismo e dos atos de vingan\u00e7a na \u00faltima fase da viol\u00eancia n\u00e3o manifesta a degrada\u00e7\u00e3o do conflito pol\u00edtico inicial<\/strong>: para come\u00e7ar, este se manifestou por meio de uma mistura de a\u00e7\u00f5es heter\u00f3clitas e fragmentadas. O Estado, especialmente no governo de Laureano G\u00f3mez, estava plenamente implicado nisso, mas a privatiza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia por interm\u00e9dio de grupos locais opostos foi o que provocou sua refra\u00e7\u00e3o na sociedade.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar novamente o que fez de La Violencia um fen\u00f4meno de conjunto. Em primeiro lugar, sua atrocidade. Foi uma sucess\u00e3o de atrocidades, que, em raz\u00e3o do papel da religi\u00e3o, frequentemente tiveram cunho de sacril\u00e9gio. Isso ficaria na mem\u00f3ria de muitos colombianos.<\/p>\n<p>Quanto ao resto, a \u201cviol\u00eancia\u201d \u00e9, antes de tudo, uma soma de acontecimentos dispersos, a desenrolar-se em microespa\u00e7os. Por isso, ela n\u00e3o \u00e9 facilmente pass\u00edvel de narra\u00e7\u00e3o numa hist\u00f3ria global. As experi\u00eancias individuais s\u00f3 parcial e dificilmente se inserem numa hist\u00f3ria coletiva que n\u00e3o atende a um crit\u00e9rio geral \u201camigo-inimigo\u201d nem a referenciais temporais precisos. Al\u00e9m de mem\u00f3ria das atrocidades, logo se tem aquilo que passa a ser a mem\u00f3ria de um fen\u00f4meno quase sem hist\u00f3ria, sem origem e sem fim. Em suma, um fen\u00f4meno traum\u00e1tico fadado \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.bbc.com\/web.stanford.edu\/www.plataformademocratica.org<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia, Farc, s\u00e3o o maior grupo rebelde da Col\u00f4mbia. Eles foram fundados em 1964 como o bra\u00e7o armado do Partido Comunista e seguem um ideologia marxista-leninista. 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