{"id":88315,"date":"2016-12-16T11:39:30","date_gmt":"2016-12-16T13:39:30","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=88315"},"modified":"2022-02-14T13:09:51","modified_gmt":"2022-02-14T15:09:51","slug":"primeira-republica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/historia\/historia-do-brasil\/primeira-republica","title":{"rendered":"Primeira Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Primeira Rep\u00fablica &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0tem uma rep\u00fablica recente.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando o\u00a0<strong>Marechal Deodoro da Fonseca<\/strong>\u00a0liderou um golpe militar que tomou o poder longe da monarquia e estabeleceu a rep\u00fablica militar.<\/p>\n<p>O Brasil mon\u00e1rquico falhou por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es que acabou em um golpe, em 1889, quando em 15 de novembro, o\u00a0<strong>Marechal Deodoro da Fonseca<\/strong>\u00a0reuniu cerca as for\u00e7as armadas e liderou o grupo que proclamou a rep\u00fablica brasileira, para a queda da monarquia constitucional brasileira e, portanto, do imperador Dom Pedro II.<\/p>\n<p><strong>A Velha ou Primeira Rep\u00fablica &#8211; 1889-1930<\/strong><\/p>\n<p>Os fundadores da rep\u00fablica brasileira enfrentaram uma s\u00e9ria quest\u00e3o de legitimidade.<\/p>\n<p><strong>Como poderia um ato ilegal e traidor estabelecer uma ordem pol\u00edtica legal?<\/strong><\/p>\n<p>Os oficiais que se juntaram ao Marechal Deodoro da Fonseca para acabar com o imp\u00e9rio estavam violando juramentos solenes de defender o imperador e o imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O corpo de oficiais acabaria por resolver a contradi\u00e7\u00e3o vinculando seu dever e destino ao Brasil, a p\u00e1tria, e n\u00e3o a governos transit\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m disso, a rep\u00fablica nasceu por acaso:\u00a0<\/strong>Deodoro pretendia apenas substituir o gabinete, mas os republicanos o manipularam para gerar uma rep\u00fablica.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>rep\u00fablica brasileira<\/strong>\u00a0n\u00e3o era fruto espiritual das rep\u00fablicas nascidas das revolu\u00e7\u00f5es francesa ou americana, ainda que o regime brasileiro tentasse associar-se a ambas.<\/p>\n<p>A rep\u00fablica n\u00e3o tinha apoio popular suficiente para arriscar elei\u00e7\u00f5es abertas. Foi um regime nascido de um golpe de estado que se manteve pela for\u00e7a. Os republicanos nomearam Deodoro presidente (1889-91) e, ap\u00f3s uma crise financeira, nomearam o marechal-de-campo Floriano Vieira Peixoto ministro da guerra para garantir a fidelidade dos militares. De fato, o povo brasileiro foi espectador dos eventos que moldaram sua hist\u00f3ria. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, os Estados Unidos, grande parte da Europa e a vizinha Argentina expandiram o direito ao voto. O Brasil, no entanto, passou a restringir o acesso \u00e0s urnas. Em 1874, em uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 10 milh\u00f5es, a franquia era detida por cerca de 1 milh\u00e3o, mas em 1881 isso foi reduzido para 145.296.<\/p>\n<p>Essa redu\u00e7\u00e3o foi uma das raz\u00f5es pelas quais a legitimidade do imp\u00e9rio afundou, mas a rep\u00fablica n\u00e3o se moveu para corrigir a situa\u00e7\u00e3o. Em 1910, havia apenas 627.000 eleitores em uma popula\u00e7\u00e3o de 22 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao longo da d\u00e9cada de 1920, apenas entre 2,3% e 3,4% da popula\u00e7\u00e3o total votou.<\/p>\n<p>A instabilidade e a viol\u00eancia da d\u00e9cada de 1890 estavam relacionadas \u00e0 aus\u00eancia de consenso entre as elites sobre um modelo de governo; e as for\u00e7as armadas estavam divididas sobre seu status, rela\u00e7\u00e3o com o regime pol\u00edtico e objetivos institucionais.<\/p>\n<p>A falta de unidade militar e o desacordo entre as elites civis sobre o papel dos militares na sociedade explicam parcialmente por que uma ditadura militar de longo prazo n\u00e3o foi estabelecida, como queriam alguns oficiais que defendiam o positivismo (ver Gloss\u00e1rio). No entanto, os militares eram muito ativos na pol\u00edtica; no in\u00edcio da d\u00e9cada, dez dos vinte governadores estaduais eram oficiais.<\/p>\n<p>A Constituinte que elaborou a Constitui\u00e7\u00e3o de 1891 foi um campo de batalha entre aqueles que buscavam limitar o poder executivo, que era ditatorial sob o presidente Deodoro da Fonseca, e os jacobinos, autorit\u00e1rios radicais que se opunham \u00e0 oligarquia cafeeira paulista e que desejavam preservar e intensificar o poder presidencial. autoridade.<\/p>\n<p>A nova carta estabeleceu uma federa\u00e7\u00e3o governada supostamente por um presidente, um Congresso Nacional bicameral (Congresso Nacional; doravante, Congresso) e um judici\u00e1rio. No entanto, o poder real estava nas p\u00e1trias regionais e nas m\u00e3os dos potentados locais, chamados &#8220;coron\u00e9is&#8221; (coroneis; coronelismo &#8211; ver Gloss\u00e1rio). Assim, o sistema constitucional n\u00e3o funcionou como aquele documento havia previsto. Levaria at\u00e9 o final da d\u00e9cada para que uma distribui\u00e7\u00e3o informal, mas real do poder, a chamada pol\u00edtica dos governadores, tomasse forma como resultado de lutas armadas e barganhas.<\/p>\n<p>O Artigo 14 sobre os militares era particularmente importante para o futuro. Declarou o ex\u00e9rcito e a marinha como institui\u00e7\u00f5es nacionais permanentes respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da lei e da ordem e por assegurar a continuidade dos tr\u00eas poderes constitucionais. Os oficiais insistiram na declara\u00e7\u00e3o de status permanente porque temiam que as elites dissolvessem seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>As for\u00e7as armadas deveriam ser as moderadoras do sistema, e os oficiais militares eram a \u00fanica elite constitucionalmente mandatada do Brasil. O artigo tamb\u00e9m exigia que os militares fossem obedientes ao presidente, mas &#8220;dentro dos limites da lei&#8221;. Assim, as for\u00e7as armadas deveriam obedecer apenas se determinassem que uma ordem presidencial fosse legal. Estranhamente, os oficiais militares n\u00e3o estavam muito entusiasmados com a obedi\u00eancia discricion\u00e1ria, que consideravam subversiva; os pol\u00edticos civis, no entanto, queriam isso como um controle do poder presidencial. Curiosamente, as constitui\u00e7\u00f5es de 1934 e 1946 mantiveram a cl\u00e1usula discricion\u00e1ria inalterada. No entanto, a constitui\u00e7\u00e3o de 1937 do Estado Novo ditatorial, que era um regime militar em trajes civis, colocou os militares em seguran\u00e7a sob a obedi\u00eancia do presidente.<\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o que se seguiu \u00e0 ado\u00e7\u00e3o da nova constitui\u00e7\u00e3o em 1891, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto foram eleitos presidente e vice-presidente, respectivamente, mas o primeiro obteve apenas 129 votos e o segundo 153. O primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, teve dificuldade em se ajustar \u00e0 divis\u00e3o do poder com o Congresso e, \u00e0 moda imperial, dissolveu-o em novembro de 1891, provocando rebeli\u00f5es na marinha e no Rio Grande do Sul. Para acalmar a oposi\u00e7\u00e3o, renunciou em favor do vice-presidente Peixoto (presidente em exerc\u00edcio, 1891-94). Peixoto, conhecido como o &#8220;Marechal de Ferro&#8221;, derrubou todos os governadores estaduais que haviam apoiado Deodoro, provocando viol\u00eancia em v\u00e1rias partes do pa\u00eds. Uma das mais sangrentas dessas lutas foi a guerra civil que explodiu no Rio Grande do Sul em 1893 e logo se espalhou por Santa Catarina e Paran\u00e1, opondo ex-monarquistas liberais contra republicanos. Concomitantemente, a frota na Ba\u00eda de Guanabara no Rio de Janeiro desafiou Peixoto, e a revolta naval rapidamente se vinculou \u00e0 luta no Sul. O diplomata de Peixoto em Washington, Salvador de Mendon\u00e7a, com a ajuda do empres\u00e1rio nova-iorquino Charles Flint, conseguiu montar um esquadr\u00e3o de navios com tripula\u00e7\u00f5es americanas, o que se mostrou decisivo para acabar com o impasse na Ba\u00eda de Guanabara. O governo dos Estados Unidos, interessado no com\u00e9rcio brasileiro e na sobreviv\u00eancia da rep\u00fablica, permitiu que esse esfor\u00e7o mercen\u00e1rio ocorresse e enviou v\u00e1rios cruzadores para fornecer uma escolta mal disfar\u00e7ada.<\/p>\n<p>Esta foi a primeira interven\u00e7\u00e3o americana documentada nos assuntos internos do Brasil e, significativamente, foi organizada de forma privada.<\/p>\n<p>A dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso por Deodoro da Fonseca, sua ren\u00fancia, a ascens\u00e3o de Peixoto ao poder e a eclos\u00e3o da guerra civil dividiram o corpo de oficiais e levaram \u00e0 pris\u00e3o e expuls\u00e3o de v\u00e1rios oficiais superiores.<\/p>\n<p>Embora as lutas pelo poder que produziram as lutas no Rio Grande do Sul durante 1893-95 fossem de origem local, Peixoto as nacionalizou ao se aliar ao governador republicano J\u00falio de Castilhos.<\/p>\n<p>O combate selvagem e a execu\u00e7\u00e3o de prisioneiros e simpatizantes suspeitos, no que o historiador Jos\u00e9 Maria Bello chamou de &#8220;a mais cruel das guerras civis do Brasil&#8221;, foi vergonhoso para ambos os lados.<\/p>\n<p>A defesa feroz de Peixoto da rep\u00fablica fez dele o queridinho dos jacobinos e, a partir de ent\u00e3o, um s\u00edmbolo do nacionalismo brasileiro. Em novembro de 1894, por problemas de sa\u00fade (falecido em 1895) e desuni\u00e3o dos militares, Peixoto entregou o governo a um porta-voz da elite agr\u00e1ria do caf\u00e9, o paulista Prudente Jos\u00e9 de Morais Barros, tamb\u00e9m conhecido como Prudente de Morais, o primeiro presidente civil (1894-98). Prudente de Morais negociou o fim da guerra no Sul e concedeu anistia aos rebeldes e aos oficiais expulsos.<\/p>\n<p>Ele enfraqueceu os republicanos mais convictos do ex\u00e9rcito e procurou diminuir o peso pol\u00edtico dos militares.<\/p>\n<p>Promoveu oficiais comprometidos com a cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a profissional que estaria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das autoridades nacionais, que determinariam como deveria ser empregada. Um Estado-Maior General (Estado Geral), estabelecido em 1896 segundo o modelo alem\u00e3o, viria a dar forma a este novo ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>No entanto, antes que o novo ex\u00e9rcito tomasse forma, ele foi usado em 1897 para destruir a comunidade religiosa de Canudos, no sert\u00e3o da Bahia, que os jacobinos equivocadamente pensavam ser um foco de sedi\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica. O governo do Rio de Janeiro, que via monarquistas por toda parte, lan\u00e7ou uma for\u00e7a de 9.500 homens contra uma popula\u00e7\u00e3o de talvez 30.000. Cerca de 4.193 soldados foram feridos entre julho e outubro de 1897, e os habitantes da cidade foram mortos, feitos prisioneiros ou fugiram.<\/p>\n<p>Canudos foi apagada da mesma forma que as aldeias ind\u00edgenas foram e continuam sendo apagadas.<\/p>\n<p>Embora o valor simb\u00f3lico da campanha como defesa da rep\u00fablica tenha se desvanecido \u00e0 medida que a realidade se tornava conhecida, permaneceu um poderoso alerta aos marginais (ver Gloss\u00e1rio) em todo o Brasil de que n\u00e3o lhes seria permitido desafiar a ordem hier\u00e1rquica da sociedade. Nesse sentido, Canudos foi um passo na cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de controle social na era p\u00f3s-escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Canudos afetou a cena pol\u00edtica imediatamente quando um soldado que retornava, o contraponto de uma conspira\u00e7\u00e3o jacobina de alto n\u00edvel, tentou assassinar o presidente Prudente de Morais, mas matou o ministro da Guerra, agindo assim como um catalisador para angariar apoio ao governo. O assassinato abortado possibilitou a elei\u00e7\u00e3o de Manuel Ferraz de Campos Sales (presidente, 1898-1902).<\/p>\n<p>No ex\u00e9rcito, a tentativa consolidou o dom\u00ednio de generais que se opunham a Floriano Peixoto e estavam interessados em profissionalizar a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A agita\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada de 1890 e, particularmente, Canudos suspendeu a capacidade dos militares de exercer o papel moderador que supostamente herdaram da monarquia. Em 1898, as oligarquias regionais de base rural haviam recuperado o comando do sistema pol\u00edtico. Suas pol\u00edticas fiscais refletiam a cren\u00e7a de que o Brasil era um pa\u00eds agr\u00edcola cuja for\u00e7a estava no fornecimento de caf\u00e9, borracha, a\u00e7\u00facar, tabaco e muitos recursos naturais para a Europa e a Am\u00e9rica do Norte. O Brasil produziu 75% do caf\u00e9 do mundo. Com o aumento da concorr\u00eancia, no entanto, os pre\u00e7os ca\u00edram continuamente, fazendo com que o governo desvalorizasse a moeda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 libra esterlina. Essa desvaloriza\u00e7\u00e3o for\u00e7ou o pre\u00e7o das mercadorias importadas a subir, reduzindo assim o consumo e as receitas fiscais do governo com as importa\u00e7\u00f5es. Esses d\u00e9ficits levaram \u00e0 suspens\u00e3o dos pagamentos da d\u00edvida externa, e a economia geralmente pobre causou o colapso de metade dos bancos.<\/p>\n<p>A oligarquia respondeu \u00e0 situa\u00e7\u00e3o tentando preservar sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o e limitando a ind\u00fastria e infraestrutura nacional ao necess\u00e1rio para sustentar a economia agr\u00edcola.<\/p>\n<p>A sociedade que a economia sustentava era aquela em que as elites consideravam a maioria das pessoas meramente como m\u00e3o-de-obra barata.<\/p>\n<p>As elites encorajavam a imigra\u00e7\u00e3o para manter a m\u00e3o de obra abundante e barata, embora tamb\u00e9m quisessem &#8220;embranquecer&#8221; a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Consideravam a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de pouca utilidade e potencialmente subversiva.<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico que se formou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX tinha aspectos aparentes e reais. Havia o sistema constitucional, e havia o sistema real de acordos n\u00e3o escritos (coronelismo) entre os chefes locais, os coron\u00e9is.<\/p>\n<p>O coronelismo, que defendia a autonomia do Estado, era chamado de &#8220;pol\u00edtica dos governadores&#8221;. Sob ela, as oligarquias locais escolhiam os governadores estaduais, que por sua vez escolhiam o presidente.<\/p>\n<p>Os populosos e pr\u00f3speros estados de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo dominaram o sistema e trocaram a presid\u00eancia entre eles por muitos anos.<\/p>\n<p>O sistema consolidou as oligarquias estatais em torno de fam\u00edlias que haviam sido membros da antiga elite mon\u00e1rquica. E para verificar as tend\u00eancias nacionalizantes do ex\u00e9rcito, essa rep\u00fablica olig\u00e1rquica e seus componentes estaduais fortaleceram a marinha e a pol\u00edcia estadual. Nos estados maiores, a pol\u00edcia estadual logo se transformou em pequenos ex\u00e9rcitos; no caso extremo de S\u00e3o Paulo, conselheiros militares franceses foram contratados ap\u00f3s 1906.<\/p>\n<p>A &#8220;pol\u00edtica dos governadores&#8221; manteve relativa paz at\u00e9 o fim da Primeira Guerra Mundial. O Brasil urbano, aquele que os estrangeiros viam dos conveses dos navios, prosperou.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o havia economia nacional integrada. Em vez disso, o Brasil tinha um agrupamento de economias regionais que exportavam seus pr\u00f3prios produtos especiais para os mercados europeu e norte-americano.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de transporte terrestre, com exce\u00e7\u00e3o dos trens de mulas, impedia a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica interna, a coes\u00e3o pol\u00edtica e a efici\u00eancia militar. As regi\u00f5es, &#8220;os Brasis&#8221; como os ingleses as chamavam, moviam-se ao seu pr\u00f3prio ritmo. O Nordeste exportou seu excedente de m\u00e3o de obra barata e viu sua influ\u00eancia pol\u00edtica diminuir \u00e0 medida que seu a\u00e7\u00facar perdia mercados estrangeiros para produtores caribenhos.<\/p>\n<p>O boom da borracha selvagem na Amaz\u00f4nia perdeu sua primazia mundial para as eficientes planta\u00e7\u00f5es coloniais do Sudeste Asi\u00e1tico depois de 1912.<\/p>\n<p>As economias de mercado de orienta\u00e7\u00e3o nacional do Sul n\u00e3o foram dram\u00e1ticas, mas seu crescimento foi constante e, na d\u00e9cada de 1920, permitiu que o Rio Grande do Sul exercesse consider\u00e1vel influ\u00eancia pol\u00edtica. aproveitar. O poder real residia nos estados cafeicultores do Sudeste (Sudeste) &#8211; S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro &#8211; que produziam a maior receita de exporta\u00e7\u00e3o. Esses tr\u00eas e o Rio Grande do Sul colheram 60% das safras do Brasil, produziram 75% de seus produtos industriais e de carne e detinham 80% de seus recursos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>Um fator que acabaria aproximando &#8220;os Brasis&#8221; foi o elevado senso de nacionalismo que se desenvolveu entre as classes m\u00e9dia e alta urbanas antes da Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Esse sentimento de nacionalismo pode ser explicado parcialmente pelo foco da elite brasileira no Rio de Janeiro como o centro de seu mundo. Embora o governo nacional fosse fraco, ainda era fonte de prest\u00edgio e clientelismo. Os projetos de saneamento do Rio e seu centro remodelado (1903-04) logo foram copiados pelas capitais e portos.<\/p>\n<p>As elites tinham motivos para pensar que o status do Brasil no mundo estava subindo. Em 1905 o arcebispo do Rio de Janeiro recebeu o primeiro cardinalato da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>O Brasil sediou a Terceira Confer\u00eancia Pan-Americana, elevou sua lega\u00e7\u00e3o de Washington a uma embaixada (1904), enviou uma not\u00e1vel delega\u00e7\u00e3o \u00e0 Segunda Confer\u00eancia de Paz de Haia (1907), ganhou a posse por arbitragem de centenas de milhares de quil\u00f4metros quadrados de territ\u00f3rio disputado, estabeleceu o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o da \u00cdndia, uniu os confins do pa\u00eds via tel\u00e9grafo e comprou dois dos maiores dreadnoughts do mundo para sua marinha. Muitos aplaudiram o escritor Afonso Celso quando afirmou que a \u00e9poca era &#8220;a aurora da nossa grandeza&#8230;<\/p>\n<p>Seremos a segunda ou a primeira pot\u00eancia do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, o entusiasmo n\u00e3o foi suficiente para vencer a resist\u00eancia dos brasileiros de todos os n\u00edveis ao servi\u00e7o militar. Quando uma Lei do Servi\u00e7o Militar Obrigat\u00f3rio foi promulgada em 1908, ela n\u00e3o foi aplicada at\u00e9 1916. O servi\u00e7o militar n\u00e3o era atraente porque os membros eram continuamente chamados a pegar em armas. Durante a presid\u00eancia do marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (1910-14), sobrinho de Deodoro da Fonseca, a turbul\u00eancia se espalhou pelo Brasil. Em 1910, marinheiros que protestavam contra puni\u00e7\u00f5es f\u00edsicas extremas na marinha apreenderam os novos encoura\u00e7ados S\u00e3o Paulo e Minas Gerais e algumas embarca\u00e7\u00f5es menores na ba\u00eda do Rio de Janeiro e amea\u00e7aram bombardear a cidade.<\/p>\n<p>Hermes da Fonseca foi obrigado a atender os rebeldes e anistia-los.<\/p>\n<p>A imagem de estabilidade nacional com que o governo anterior de Campos Sales tentou deslumbrar os banqueiros estrangeiros tamb\u00e9m foi abalada por uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es militares, conhecidas como Salva\u00e7\u00f5es, que substitu\u00edram v\u00e1rios governos estaduais. O governo nacional, um pouco contra a inclina\u00e7\u00e3o de Hermes da Fonseca, patrocinou o que equivaleu a golpes de estado contra governos estaduais em Sergipe, Pernambuco, Alagoas, Par\u00e1, Piau\u00ed, Bahia e Cear\u00e1. De forma desordenada, uma alian\u00e7a olig\u00e1rquica substituiu outra, muitas vezes com um oficial do ex\u00e9rcito no comando. No caso desastroso da Bahia, o comandante do ex\u00e9rcito local bombardeou o pal\u00e1cio do governador e os pr\u00e9dios ao redor. Em 1911, a For\u00e7a P\u00fablica (For\u00e7a P\u00fablica) e os Batalh\u00f5es Patri\u00f3ticos civis de S\u00e3o Paulo salvaram a cidade de uma interven\u00e7\u00e3o federal semelhante.<\/p>\n<p>Lutando para manter o controle do ex\u00e9rcito, Hermes da Fonseca substituiu o ministro da guerra tr\u00eas vezes em dezesseis meses e for\u00e7ou a aposentadoria de cerca de 100 coron\u00e9is e generais.<\/p>\n<p>Mas para impedi-los de se rebelar, todos foram aposentados em cargos e sal\u00e1rios mais altos. O sistema pol\u00edtico brasileiro n\u00e3o era tanto de compromisso, mas de coopta\u00e7\u00e3o. Com esse expurgo interno do ex\u00e9rcito, o Movimento Salvacionista se esgotou e a mar\u00e9 se afastou das interven\u00e7\u00f5es militares federais para substituir as oligarquias regionais dominantes em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 neutralidade ou preserva\u00e7\u00e3o do status quo.<\/p>\n<p>O movimento pode ser visto como uma tentativa confusa de reduzir a autonomia do Estado e aumentar o poder do governo central.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a vis\u00e3o de ordem e progresso brasileiros vista pela elite urbana, intelectuais e editoriais de jornais foi novamente desafiada pelo sert\u00e3o supostamente an\u00e1rquico, desta vez no Sul. Em agosto de 1914, com a aten\u00e7\u00e3o mundial voltada para a eclos\u00e3o da guerra na Europa, um conflito muito diferente eclodiu na regi\u00e3o do Contestado de Santa Catarina. Uma rebeli\u00e3o popular, tamb\u00e9m conhecida como Contestado, confrontou o sistema socioecon\u00f4mico e pol\u00edtico dominado pelos &#8220;coron\u00e9is&#8221;. Onde o Movimento Salvacionista pretendia substituir uma oligarquia por outra, os rebeldes do Contestado rejeitavam o sistema nacional e queriam refazer sua parte na realidade brasileira. Assim como em Canudos, a resposta das autoridades estaduais e federais foi pulverizar a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A economia da regi\u00e3o era baseada na pecu\u00e1ria, na coleta de erva-mate e na extra\u00e7\u00e3o de madeira. Sua estrutura social concentrava riqueza e poder nas m\u00e3os de alguns &#8220;coron\u00e9is&#8221;, em torno dos quais se agrupavam pequenos propriet\u00e1rios de terras. A maioria das fam\u00edlias vivia \u00e0 custa desses homens ou tinha t\u00edtulos de terra inst\u00e1veis.<\/p>\n<p>Uma disputa jurisdicional entre Santa Catarina e Paran\u00e1 surgiu porque cada estado emitiu t\u00edtulos para a mesma terra. A terra de ningu\u00e9m atraiu fugitivos de todo o Brasil.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo-Rio Grande do Sul e as opera\u00e7\u00f5es madeireiras e colonizadoras do capitalista estadunidense Percival Farquhar acrescentaram elementos estranhos \u00e0 mistura j\u00e1 vol\u00e1til.<\/p>\n<p>A Estrada de Ferro do Brasil e a Companhia Madeireira e Colonizadora do Sul do Brasil expulsaram os brasileiros de suas terras desapropriadas, importaram imigrantes europeus e cortaram pinheiros virgens, cedros e nogueiras. Pessoas cujas fam\u00edlias viviam na regi\u00e3o h\u00e1 um s\u00e9culo de repente viram suas terras alugadas ou vendidas a terceiros. Como se isso n\u00e3o bastasse, em 1910 a amea\u00e7a de guerra com a Argentina se aproximava, e as autoridades aceleraram a constru\u00e7\u00e3o da ferrovia e expandiram as equipes de trabalho para cerca de 8.000.<\/p>\n<p>Nesse ambiente de destrui\u00e7\u00e3o tumultuada das florestas, as tens\u00f5es sociais aumentaram com os despejos e a introdu\u00e7\u00e3o repentina de estrangeiros e tecnologia moderna. Os &#8220;coron\u00e9is&#8221; locais garantiram seus pr\u00f3prios interesses, abandonando seu paternalismo costumeiro e deixando a massa de pessoas \u00e0 deriva. O Contestado foi afligido por uma crise de identidade coletiva, que fez com que muitos se voltassem para a religi\u00e3o messi\u00e2nica como consolo.<\/p>\n<p>O povo do Contestado seguiu um curandeiro local, Miguel Lucena Boaventura, conhecido como Jos\u00e9 Maria, que logo morreu em confronto com a Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Seus seguidores se recusaram a aceitar sua morte, no entanto, e acreditavam que ele estava vivo ou ressuscitaria. Sua hist\u00f3ria misturada com a cren\u00e7a luso-brasileira na assist\u00eancia sobrenatural em tempos de desespero.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno, chamado sebastianismo, transformou a popula\u00e7\u00e3o submissa, acostumada a atuar apenas com a aprova\u00e7\u00e3o do &#8220;coronel&#8221;, em uma resoluta for\u00e7a de combate.<\/p>\n<p>Seus ataques \u00e0s ferrovias e opera\u00e7\u00f5es madeireiras e o fracasso das negocia\u00e7\u00f5es com as autoridades federais levaram a uma escalada de hostilidades em 1912 e uma campanha militar feroz que em 1915 envolveu 6.000 soldados, artilharia moderna e metralhadoras, telefones de campo e tel\u00e9grafo, e o primeiro uso de aeronaves em um conflito brasileiro. A luta se espalhou por uma ampla \u00e1rea, e os muitos redutos de cerca de 20.000 &#8220;fan\u00e1ticos&#8221;, como o ex\u00e9rcito os chamava, tornavam a supress\u00e3o lenta e dif\u00edcil e tamb\u00e9m revelavam as fraquezas dos militares. O n\u00famero de baixas era incerto, mas consider\u00e1vel, e doravante o ex\u00e9rcito manteve uma guarni\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. O Contestado foi subjugado no final de 1917.<\/p>\n<p>Os reformadores do Ex\u00e9rcito, um grupo-chave dos quais retornou do treinamento na Alemanha no final de 1913, escreveram coment\u00e1rios sobre a campanha no novo mensal militar, A Defesa Nacional.<\/p>\n<p>Consideravam o Contestado &#8220;um conflito ingl\u00f3rio que desacreditou nossas armas&#8221;. Culpavam a rep\u00fablica por sua &#8220;falta de normas pol\u00edticas elevadas, o abandono de milhares de brasileiros&#8230; segregados da sociedade nacional pela falta de instru\u00e7\u00e3o, pela escassez de meios de comunica\u00e7\u00e3o f\u00e1ceis, pela falta de energia e pela pobreza de iniciativa que, infelizmente, caracterizou as administra\u00e7\u00f5es em geral desde o tempo da monarquia\u201d. Alertaram os l\u00edderes militares de que &#8220;a li\u00e7\u00e3o do Contestado&#8221; era que a passividade do Ex\u00e9rcito em aceitar medidas pol\u00edticas mal concebidas s\u00f3 o prejudicaria &#8220;moralmente&#8221; e traria ao Brasil &#8220;as mais funer\u00e1rias consequ\u00eancias&#8221;.<\/p>\n<p>O Contestado se juntou a Canudos como um importante componente da mem\u00f3ria institucional do Ex\u00e9rcito. Os veteranos desempenharam pap\u00e9is significativos nos assuntos militares e nacionais nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Dentro de alguns anos, a cr\u00edtica reformista faria parte do pensamento que subjaz \u00e0s revoltas dos tenentes dos anos 1920, come\u00e7ando com a Revolta de Copacabana em 1922.<\/p>\n<p>O Movimento Salvacionista e o Contestado arrastaram o ex\u00e9rcito e o governo central profundamente para dentro da assuntos internos dos estados, diminuindo assim a sua cobi\u00e7ada autonomia.<\/p>\n<p>O legado da \u00e9poca de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e supress\u00e3o de dissid\u00eancias turvou a miss\u00e3o e a autoimagem do ex\u00e9rcito, mas ampliou o poder do governo central (Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>O crescente poder do Rio de Janeiro refletiu-se nas rela\u00e7\u00f5es exteriores brasileiras sob a orienta\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos, o Bar\u00e3o do Rio Branco, que atuou como ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de 1902 a 1912, sob os presidentes Francisco de Paula Rodrigues Alves (presidente interino, 1902-3; presidente, 1903-6) e Afonso Pena (1906-9), o presidente em exerc\u00edcio Nilo Pe\u00e7anha (1909-10) e o presidente Hermes da Fonseca. Sua vis\u00e3o moldou tanto as fronteiras do pa\u00eds quanto as tradi\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es exteriores brasileiras. No auge do imperialismo internacional, ele foi fundamental na negocia\u00e7\u00e3o de limites sobre os quais as grandes pot\u00eancias n\u00e3o deveriam se intrometer.<\/p>\n<p>Defendeu a reforma militar para respaldar uma diplomacia en\u00e9rgica e iniciou o processo de tirar o Brasil da \u00f3rbita brit\u00e2nica para a dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo estava recebendo metade das exporta\u00e7\u00f5es totais do Brasil em 1926, mas o Brasil ainda devia \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha mais de US$ 100 milh\u00f5es em meados da d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n<p>Os bancos brit\u00e2nicos financiaram o interc\u00e2mbio comercial internacional do pa\u00eds, e os investidores brit\u00e2nicos forneceram 53% do investimento estrangeiro total at\u00e9 1930. Mas, no final da d\u00e9cada de 1920, os bancos dos Estados Unidos detinham quase 35% da d\u00edvida externa. O objetivo de Rio Branco, perseguido por seus sucessores, era difundir a depend\u00eancia do pa\u00eds entre os poderes para que nenhum pudesse intervir sem ser controlado por outro. Os la\u00e7os comerciais e financeiros com os Estados Unidos foram aumentados \u00e0s custas brit\u00e2nicas, e estes seriam equilibrados por la\u00e7os militares com a Alemanha e depois com a Fran\u00e7a. A Fran\u00e7a continuaria por d\u00e9cadas a fornecer um modelo cultural para as elites.<\/p>\n<p>Os anos Rio Branco foram a base do que ficou conhecido como a tradi\u00e7\u00e3o do Itamaraty (nome do pr\u00e9dio que abrigava o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Rio de Janeiro), mas nem todos os governos entenderam seu prop\u00f3sito. Alguns confundiram seus aspectos t\u00e1ticos &#8211; depend\u00eancia de empr\u00e9stimos e investimentos estrangeiros, pan-americanismo e alian\u00e7a com os Estados Unidos &#8211; com sua subst\u00e2ncia essencial, a busca pela independ\u00eancia e grandeza nacional.<\/p>\n<p>A Primeira Guerra Mundial encontrou o Brasil com quase metade de seu ex\u00e9rcito empenhado no Contestado. A guerra na Europa foi traum\u00e1tica para o ex\u00e9rcito, que ent\u00e3o iniciava uma reorganiza\u00e7\u00e3o sob a influ\u00eancia de trinta e dois oficiais que haviam retornado recentemente do servi\u00e7o nas unidades do ex\u00e9rcito alem\u00e3o. Uma miss\u00e3o militar alem\u00e3 era esperada, mas a press\u00e3o de S\u00e3o Paulo e de Paris resultou em um contrato de miss\u00e3o com a Fran\u00e7a. A economia, a decis\u00e3o de Washington de entrar na guerra e os ataques de submarinos alem\u00e3es a navios mercantes brasileiros puxaram o Brasil para o conflito do lado aliado. Os militares se mobilizaram, mas os generais, sentindo-se excessivamente comprometidos e mal preparados, recusaram-se a enviar tropas para a Europa.<\/p>\n<p>O pan-americanismo forneceu alguma sa\u00edda para as pretens\u00f5es de status internacional do Brasil, mas o per\u00edodo entre as guerras mundiais muitas vezes fez com que sua vizinha Argentina suspeitasse de melhorias inofensivas nas for\u00e7as armadas brasileiras. O servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio do Brasil, sua constru\u00e7\u00e3o de novos quart\u00e9is, suas compras de armas modernas e seus contratos para uma miss\u00e3o militar francesa e uma miss\u00e3o naval dos Estados Unidos foram vistos por oficiais militares em Buenos Aires como amea\u00e7adores.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes brasileiros queriam que seu pa\u00eds fosse considerado o mais poderoso da Am\u00e9rica do Sul, mas entendiam que o p\u00fablico n\u00e3o aceitaria, e a Constitui\u00e7\u00e3o proibia, uma guerra de agress\u00e3o. Independentemente do que pensassem os argentinos, os militares n\u00e3o estavam preparados para travar uma guerra estrangeira.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o entre Argentina e Brasil e as manobras por maior influ\u00eancia no Paraguai e no Uruguai s\u00e3o caracter\u00edsticas de suas rela\u00e7\u00f5es desde a Guerra da Tr\u00edplice Alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Os anos entre guerras no Brasil viram um aumento na agita\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e0 medida que a economia se expandia, a industrializa\u00e7\u00e3o e a urbaniza\u00e7\u00e3o se intensificavam e os imigrantes aflu\u00edam para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A superprodu\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 na virada do s\u00e9culo provocou programas de subs\u00eddios nos n\u00edveis estadual e nacional que ajudaram os fazendeiros, mas n\u00e3o conseguiram impedir o decl\u00ednio da capacidade da economia de pagar pelos produtos manufaturados importados. A ind\u00fastria local come\u00e7ou a preencher a lacuna.<\/p>\n<p>A Primeira Guerra Mundial restringiu ainda mais o com\u00e9rcio e a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira aumentou substancialmente.<\/p>\n<p>O governo enfatizou a necessidade de maior independ\u00eancia industrial dos produtores estrangeiros e estimulou a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es, principalmente em t\u00eaxteis. Muitas das f\u00e1bricas eram pequenas, com uma m\u00e9dia de vinte e um trabalhadores. Em 1920, cerca de um milh\u00e3o de trabalhadores urbanos concentravam-se no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O Brasil estava apenas come\u00e7ando a desenvolver sua base industrial, mas ainda era um pa\u00eds principalmente agr\u00edcola com 6,3 milh\u00f5es de pessoas trabalhando no solo.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores urbanos eram ruins. Habita\u00e7\u00e3o, transporte, esgoto e abastecimento de \u00e1gua ficaram muito atr\u00e1s do r\u00e1pido crescimento populacional e produziram s\u00e9rios problemas de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>As campanhas de limpeza no in\u00edcio do s\u00e9culo atingiram a alta incid\u00eancia de febre amarela, mal\u00e1ria e var\u00edola nos portos do Rio de Janeiro, Santos e Nordeste. Os centros das cidades ficaram mais seguros, mas os trabalhadores que se amontoaram em s\u00f3rdidos &#8220;corti\u00e7os&#8221; e favelas sofreram todo tipo de doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os governos federal e estadual subsidiaram a imigra\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia, Portugal, Espanha, Alemanha e Jap\u00e3o para fornecer trabalhadores para as planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9. No entanto, muitos imigrantes logo fugiram das condi\u00e7\u00f5es adversas no campo para melhores oportunidades nas cidades. Eles inundaram os grupos de trabalhadores, tornando dif\u00edcil para os sindicatos for\u00e7ar os donos das f\u00e1bricas a pagar melhores sal\u00e1rios. As mulheres, que eram a maioria dos trabalhadores nas ind\u00fastrias t\u00eaxtil e de vestu\u00e1rio, eram frequentemente ativas na organiza\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de f\u00e1brica para reivindicar melhores condi\u00e7\u00f5es, liberdade de abuso sexual e sal\u00e1rios mais altos. Greves ocorreram em 1903, 1906 e 1912, e em 1917 eclodiram greves gerais no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Recife, Santos e Porto Alegre.<\/p>\n<p>Como a mentalidade dos industriais estava enraizada na era da escravid\u00e3o e enfatizava seu bem-estar sobre o da comunidade e porque funcionavam com uma pequena margem de lucro, eles tendiam a demitir trabalhadores por greve ou filia\u00e7\u00e3o a sindicatos. Os industriais tamb\u00e9m colocaram encrenqueiros na lista negra, empregaram bandidos armados para manter o controle dentro e fora das f\u00e1bricas e pediram ao governo que reprimisse qualquer sinal de organiza\u00e7\u00e3o trabalhista. N\u00e3o houve grandes massacres de grevistas, como ocorreu no M\u00e9xico e no Chile, mas a viol\u00eancia f\u00edsica foi marcante.<\/p>\n<p>Alguns defensores da reforma foram ouvidos. Por exemplo, nacionalistas econ\u00f4micos como Roberto Simonsen defendiam melhores incentivos salariais para evitar que trabalhadores individuais se sindicalizassem.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 1920, a Igreja Cat\u00f3lica Romana, como parte de seu esfor\u00e7o para reviver seu status, organizou os Jovens Trabalhadores Cat\u00f3licos e pregou o exemplo da Sagrada Fam\u00edlia aceitando &#8220;a vontade da Provid\u00eancia, na dor e na felicidade&#8221;. Em 1930, sociedades eclesi\u00e1sticas, institui\u00e7\u00f5es de caridade privadas, clubes recreativos patrocinados por f\u00e1bricas e ag\u00eancias governamentais lutaram por mais controle sobre as organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores e o tempo de lazer.<\/p>\n<p>Durante a\u00a0<strong>Rep\u00fablica Velha<\/strong>, o Brasil mudou a um ritmo assustador. \u00c0 medida que sua popula\u00e7\u00e3o aumentou 162% entre 1890 e 1930, tornou-se mais urbanizada e industrializada, e seu sistema pol\u00edtico foi estendido al\u00e9m da toler\u00e2ncia. A preocupa\u00e7\u00e3o com o ressurgimento da atividade trabalhista no final da d\u00e9cada de 1920 foi um dos fatores que levaram ao colapso da Rep\u00fablica Velha em 1930 e \u00e0 consequente mudan\u00e7a significativa na pol\u00edtica trabalhista e social.<\/p>\n<p><strong>A Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica &#8211; 1889<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-88316 size-full\" title=\"Primeira Rep\u00fablica\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/primeira-republica.jpg\" alt=\"Primeira Rep\u00fablica\" width=\"438\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/primeira-republica.jpg 438w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/primeira-republica-300x160.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/primeira-republica-310x165.jpg 310w\" sizes=\"(max-width: 438px) 100vw, 438px\" \/><\/strong><strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong>15 de novembro \u2013 Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>Em 15 de novembro de 1889, o\u00a0<strong>Marechal Deodoro da Fonseca<\/strong>\u00a0liderou o grupo que proclamou a rep\u00fablica brasileira, tornando-se o primeiro presidente do pa\u00eds j\u00e1 teve.<\/p>\n<p>As prov\u00edncias se tornaram estados e ganhou autonomia pol\u00edtica para tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O Brasil \u00e9 oficialmente dividido em cinco regi\u00f5es:<\/strong>\u00a0Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00f5es brasileiras<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul e o quinto maior do mundo, com uma \u00e1rea de 8,515,767 km\u00b2.<\/p>\n<p><strong>O pa\u00eds est\u00e1 dividido em 26 estados e no Distrito Federal. Durante o s\u00e9culo 20, o Brasil foi dividido pelo IBGE em tr\u00eas \u00e1reas diferentes:<\/strong>\u00a0as mesorregi\u00f5es, microrregi\u00f5es e as macro-regi\u00f5es.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o macro-regi\u00e3o \u00e9 a divis\u00e3o oficial adotada pelo governo brasileiro. Diferentemente da meso-regi\u00e3o e micro-regi\u00e3o, este tipo de divis\u00e3o \u00e9 uma regionaliza\u00e7\u00e3o administrativa e cient\u00edfica que obedece aos limites das fronteiras entre os estados brasileiros.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 composto por cinco macro-regi\u00f5es:\u00a0<\/strong>Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Eles foram criados de acordo com semelhan\u00e7as f\u00edsicas, pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><strong>Norte<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>regi\u00e3o Norte<\/strong>\u00a0\u00e9 a maior regi\u00e3o do Brasil, que faz fronteira com seis pa\u00edses sul-americanos diferentes.<\/p>\n<blockquote><p>Amazonas (EM)<br \/>\nRoraima (RR)<br \/>\nAmap\u00e1 (AP)<br \/>\nPar\u00e1 (Par\u00e1)<br \/>\nTocantins (TO)<br \/>\nRond\u00f4nia (RO)<br \/>\nAcre (AC)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Nordeste<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nordeste<\/strong>\u00a0\u00e9 a regi\u00e3o brasileira com o maior litoral do pa\u00eds, o que torna a regi\u00e3o muito atraente para os turistas de todo o mundo. Eles s\u00e3o uma fonte muito importante de renda para o Nordeste, milhares de turistas brasileiros e estrangeiros visitam o Nordeste anualmente em busca de belas praias, paisagens e sol.<\/p>\n<blockquote><p>Maranh\u00e3o (MA)<br \/>\nPiau\u00ed (PI)<br \/>\nCear\u00e1 (CE)<br \/>\nRio Grande do Norte (RN)<br \/>\nPernambuco (PE)<br \/>\nPara\u00edba (PB)<br \/>\nSergipe (SE)<br \/>\nAlagoas (AL)<br \/>\nBahia (BA)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Centro-Oeste<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Centro-Oeste<\/strong>\u00a0\u00e9 a segunda maior regi\u00e3o do Brasil pela \u00e1rea, mas em termos de popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a que menos povoada.<\/p>\n<p>\u00c9 a \u00fanica regi\u00e3o que tem fronteiras com todas as outras regi\u00f5es do Brasil e tamb\u00e9m com outros pa\u00edses. \u00c9 por isso que bases militares foram constru\u00eddas no passado, a fim de defender as fronteiras brasileiras.<\/p>\n<p>As fronteiras e a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia ajudou a povoar esta regi\u00e3o interior.<\/p>\n<blockquote><p>Mato Grosso (MT)<br \/>\nMato Grosso do Sul (MS)<br \/>\nGoi\u00e1s (GO)<br \/>\nDistrito Federal (DF)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Sudeste<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Sudeste<\/strong>\u00a0\u00e9 o centro vital do pa\u00eds, onde as maiores cidades, a maior densidade populacional, os maiores dep\u00f3sitos de min\u00e9rio de ferro, as maiores centrais hidroel\u00e9tricas, a maior rede ferrovi\u00e1ria e os melhores portos est\u00e3o concentrados. \u00c9 a regi\u00e3o industrial, comercial e financeiro mais importante do Brasil, empregando 70% da classe trabalhadora brasileira.<\/p>\n<blockquote><p>S\u00e3o Paulo (SP)<br \/>\nRio de Janeiro (RJ)<br \/>\nEsp\u00edrito Santo (ES)<br \/>\nMinas Gerais (MG)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Sul<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Sul\u00a0<\/strong>pode ser a menor \u00e1rea do territ\u00f3rio brasileiro, mas sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 duas vezes maior que o n\u00famero de habitantes das regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Com um desenvolvimento relativamente igual nos setores prim\u00e1rio, secund\u00e1rio e superior, esta popula\u00e7\u00e3o apresenta as maiores taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o registrados no Brasil, o que explica o desenvolvimento social e cultural da regi\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Paran\u00e1 (PR)<br \/>\nRio Grande do Sul (RS)<br \/>\nSanta Catarina (SC)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Brasil \u2013 A Primeira Rep\u00fablica 1889 a 1930<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159695 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Primei16-300x220.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Primei16-300x220.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/Primei16.jpg 498w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Primeira Rep\u00fablica ou Rep\u00fablica Velha<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro per\u00edodo republicano no Brasil, tamb\u00e9m chamado de Primeira Rep\u00fablica, e durou de 1889 a 1930. Foi controlado pelas oligarquias agr\u00e1rias de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, ligadas \u00e0 cultura cafeeira.<\/p>\n<p>De 1889 a 1894, o Brasil foi dominado pelos setores militares envolvidos diretamente na proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Chefe do governo provis\u00f3rio, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu a Presid\u00eancia em 1891.<\/p>\n<p>Desfavorecido pela oposi\u00e7\u00e3o do Congresso \u00e0 sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, Deodoro renunciou em novembro do mesmo ano. Seu vice, Floriano Peixoto, assumiu o governo e usou o apoio popular para radicalizar a luta contra os monarquistas.<\/p>\n<p><strong>Presid\u00eancia civil<\/strong><\/p>\n<p>Republicano hist\u00f3rico, Prudente de Moraes, que governou entre 1894 e 1898, inaugurou a fase dos governos civis e a sucess\u00e3o de presidentes eleitos pelo Partido Republicano Paulista (PRP) \u2013 Campos Salles (gravura ao lado) (de 1898 a 1902) e Rodrigues Alves (1902 a 1906) \u2013 e pelo Partido Republicano Mineiro (PRM) \u2013 Afonso Pena (1906 a 1909) e Wenceslau Braz (1914 a 1918). Formado pelas oligarquias paulista, mineira e fluminense, o n\u00facleo central do republicanismo controlou as elei\u00e7\u00f5es, fez presidentes e dominou o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica dos governadores<\/strong><\/p>\n<p><strong>Com a inten\u00e7\u00e3o de garantir o dom\u00ednio das grandes oligarquias sobre a rep\u00fablica, o paulista Campos Salles montou um esquema de poder que ficou conhecido como \u201cpol\u00edtica dos governadores\u201d:<\/strong>\u00a0o presidente da Rep\u00fablica dava suporte aos candidatos oficiais nas disputas estaduais e os governadores apoiavam seu indicado nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Para dar certo, o plano dependeu do poder dos coron\u00e9is sobre o eleitorado local e do controle da Comiss\u00e3o de Verifica\u00e7\u00e3o de Poderes do Congresso Nacional, respons\u00e1vel pelos resultados eleitorais finais e pela diploma\u00e7\u00e3o dos eleitos.<\/p>\n<p><strong>Caf\u00e9-com-leite<\/strong><\/p>\n<p>Com a pol\u00edtica econ\u00f4mica voltada \u00e0 cafeicultura e os governadores garantindo a sustenta\u00e7\u00e3o das oligarquias regionais, implantou-se a rep\u00fablica do caf\u00e9-com-leite \u2013 alus\u00e3o \u00e0 alian\u00e7a que alternou paulistas e mineiros no poder. Nem o governo do marechal Hermes da Fonseca (1910 a 1914), dominado pelo senador ga\u00facho Pinheiro Machado e seu programa de \u201csalva\u00e7\u00f5es militares\u201d, abalou a alian\u00e7a. Na verdade, as salva\u00e7\u00f5es n\u00e3o passavam de interven\u00e7\u00f5es do governo federal nos estados (Bahia, Alagoas, Pernambuco, Cear\u00e1) para substituir as oligarquias de oposi\u00e7\u00e3o por grupos pol\u00edticos aliados ao poder central.<\/p>\n<p><strong>Divis\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras rachaduras nessa estrutura aparecem no final da d\u00e9cada de 1910. Em 1918, o paulista Rodrigues Alves \u00e9 eleito para suceder o mineiro Venceslau Br\u00e1s. Rodrigues Alves morre antes da posse, e paulistas e mineiros n\u00e3o chegam a um acordo para sua substitui\u00e7\u00e3o. Lan\u00e7am, ent\u00e3o, o paraibano Epit\u00e1cio Pessoa, que governa de 1919 a 1922. Seu sucessor \u00e9 o mineiro Artur Bernardes (1922 a 1926), que n\u00e3o tem a unanimidade de paulistas e mineiros. Bernardes desperta uma oposi\u00e7\u00e3o militar que desemboca nas revoltas tenentistas, tendo de governar sob estado de s\u00edtio. O paulista Washington Lu\u00eds (1926 a 1930) tamb\u00e9m assume a Presid\u00eancia sem a sustenta\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as de seu estado. Enfrenta o endividamento interno e externo do pa\u00eds, a retra\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e, a partir de 1929, os problemas provocados pela crise econ\u00f4mica mundial.<\/p>\n<p><strong>Alian\u00e7a Liberal<\/strong><\/p>\n<p>Pela pol\u00edtica do caf\u00e9-com-leite, cabe ao PRM indicar o candidato \u00e0 sucess\u00e3o de Washington Lu\u00eds. O partido j\u00e1 tem um nome, o do governador de Minas Gerais, Ant\u00f4nio Carlos. Sustentado pelo PRP, o presidente lan\u00e7a o nome de J\u00falio Prestes, governador de S\u00e3o Paulo. O gesto rompe o acordo das oligarquias paulista e mineira. Com o apoio do Rio Grande do Sul e da Para\u00edba, o PRM comp\u00f5e a Alian\u00e7a Liberal, que parte para a disputa tendo o ga\u00facho Get\u00falio Vargas como candidato a presidente e o paraibano Jo\u00e3o Pessoa, a vice. Em abril de 1930, a chapa de J\u00falio Prestes vence a elei\u00e7\u00e3o. Inconformados, os aliancistas provocam a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, que p\u00f5e fim \u00e0 Rep\u00fablica Velha.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00fablica Velha &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Durante muito tempo a fase inicial da Rep\u00fablica brasileira foi chamada de \u201cRep\u00fablica Velha\u201d.<\/p>\n<p>O termo nasceu ap\u00f3s 1930, quando um movimento liderado por Get\u00falio Vargas derrubou os grupos pol\u00edticos e sociais que ent\u00e3o comandavam o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os novos governantes definiram seu tempo como \u201cRep\u00fablica Nova\u201d e trataram o per\u00edodo anterior como \u201cvelho\u201d, \u201cultrapassado\u201d, \u201cencerrado\u201d.<\/p>\n<p>Outra express\u00e3o usada pra designar os primeiros tempos republicanos no Brasil \u00e9 \u201cRep\u00fablica Olig\u00e1rquica\u201d. Esse termo enfatiza o fato de que o poder, naquele per\u00edodo, se concentrava nas m\u00e3os das oligarquias estaduais, ou seja, das poderosas fam\u00edlias latifundi\u00e1rias.<\/p>\n<p><b>O NASCIMENTO DE NOSSA REP\u00daBLICA<\/b><\/p>\n<p>No dia 15 de novembro de 1889, a rep\u00fablica foi proclamada no Brasil.<\/p>\n<p>Deposto, Pedro II e sua fam\u00edlia foram obrigados a partir para o ex\u00edlio em Portugal.<\/p>\n<p>O pa\u00eds passava pela primeira grande mudan\u00e7a de forma de governo desde a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Os republicanos estavam divididos em v\u00e1rios grupos.<\/p>\n<p>Alguns, como o advogado Silva Jardim, propunham transforma\u00e7\u00f5es mais radicais, com a abertura de espa\u00e7os na pol\u00edtica para a atua\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Outros, como o jornalista Quintino Bocaiuva, defendiam mudan\u00e7as mais moderadas e limites para a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade.<\/p>\n<p>Existia tamb\u00e9m um terceiro grupo, composto de positivistas liderados por Benjamim Constant, que eram partid\u00e1rios da instaura\u00e7\u00e3o de uma \u201cditadura republicana\u201d controlada por militares. No embate entre esses grupos, prevaleceu a modera\u00e7\u00e3o e o interesse em manter a ordem social vigente. Os militares, que lideraram a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica, assumiram o comando do governo provis\u00f3rio, institu\u00eddo ap\u00f3s a queda da monarquia.<\/p>\n<p><b>O GOVERNO DEODORO DA FONSECA<\/b><\/p>\n<p>A chefia do governo provis\u00f3rio foi assumida pelo marechal Deodoro da Fonseca, um dos l\u00edderes da proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica.<\/p>\n<p>O novo governo era composto de representantes das v\u00e1rias tend\u00eancias republicanas, com exce\u00e7\u00e3o dos radicais. Ele dissolveu as Assembleias Provinciais e as C\u00e2maras Municipais e destituiu os presidentes de prov\u00edncias (governadores da \u00e9poca). Iniciava-se o processo de reorganiza\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico, que n\u00e3o impediu o dom\u00ednio das oligarquias locais, mas assegurou sua obedi\u00eancia ao novo regime.<\/p>\n<p>O novo governo convocou elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Constituinte, que elaborou um projeto constitucional. Em fevereiro de 1891, nascia a primeira Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil Republicano. A Assembleia, transformada em Congresso Nacional, tamb\u00e9m escolheu, por elei\u00e7\u00e3o indireta, Deodoro da Fonseca como presidente constitucional e o marechal Floriano Peixoto como vice.<\/p>\n<p>A forte centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas m\u00e3os do presidente, por\u00e9m, desagradou os setores olig\u00e1rquicos regionais, que defendiam maior autonomia para os estados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, exigiam uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa na defini\u00e7\u00e3o dos rumos econ\u00f4micos do Brasil, que, desde 1890, vivia uma profunda crise financeira, conhecida com Encilhamento.<\/p>\n<p>As dificuldades pol\u00edticas levaram Deodoro a dissolver o Congresso e a defender reformas constitucionais que lhe assegurassem maiores poderes, o que desagradou ainda mais os opositores do governo. Pressionado, Deodoro acabou renunciando \u00e0 presid\u00eancia em novembro de 1891.<\/p>\n<p><b>A REP\u00daBLICA SE CONSOLIDA<\/b><\/p>\n<p>Floriano Peixoto assumiu a presid\u00eancia em 1891 e se esfor\u00e7ou para controlar a infla\u00e7\u00e3o e recuperar a economia.<\/p>\n<p>Apesar de as novas medidas n\u00e3o terem resolvido a crise econ\u00f4mica, algumas delas levaram o governo a obter algum apoio popular, sobretudo entre trabalhadores pobres da capital federal.<\/p>\n<p>O controle dos pre\u00e7os dos alugueis e de alguns alimentos e a isen\u00e7\u00e3o de impostos nas vendas de carne, por exemplo, atenuaram os protestos populares contra a nascente rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Floriano consolidou o regime republicano por meio da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e do comando rigoroso das for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p><strong>Ele enfrentou as duas principais manifesta\u00e7\u00f5es do per\u00edodo<\/strong>: a Revolta da Armada e a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista. Nos dois casos, a repress\u00e3o foi violenta e o governo republicano mostrou sua disposi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o tolerar mobiliza\u00e7\u00f5es oposicionistas.<\/p>\n<p>A Revolta da Armada explodiu em setembro de 1893. Os oficiais da marinha do Rio de Janeiro recusaram o dom\u00ednio do ex\u00e9rcito e a limitada participa\u00e7\u00e3o da armada na pol\u00edtica brasileira. Insatisfeitos, eles se rebelaram e exigiram novas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os conflitos se prolongaram at\u00e9 mar\u00e7o de 1894 e inclu\u00edram o bombardeio da cidade do Rio de Janeiro pelos encoura\u00e7ados da marinha. A Revolu\u00e7\u00e3o Federalista estourou no Rio Grande do Sul, em 1893.<\/p>\n<p>Os combates foram travados entre republicanos partid\u00e1rios de Floriano Peixoto, que defendiam o presidencialismo e a forte centraliza\u00e7\u00e3o e federalistas, defensores de um Estado parlamentarista menos centralizado.<\/p>\n<p>As lutas se estenderam pelo Rio Grande do Sul e atingiram os estados de Santa Catarina e Paran\u00e1. A revolta foi derrotada pelo governo, em 1895, deixando um saldo de aproximadamente 10 mil mortos.<\/p>\n<p><b>POL\u00cdTICA DOS GOVERNADORES<\/b><\/p>\n<p>Em 1894, Prudente de Moraes ganhou as elei\u00e7\u00f5es pelo Partido Republicano Federal, tornando-se o primeiro presidente civil do Brasil.<\/p>\n<p>A principal alian\u00e7a ocorria entre os setores olig\u00e1rquicos mineiro e paulista.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, grande produtor de caf\u00e9, era a principal for\u00e7a econ\u00f4mica do pa\u00eds. J\u00e1 Minas Gerais, produtor de leite, era o estado com o maior n\u00famero de eleitores. Por esse motivo, muitos historiadores usaram a express\u00e3o \u201cpol\u00edtica do caf\u00e9 com leite\u201d para definir o per\u00edodo.<\/p>\n<p>Embora essa associa\u00e7\u00e3o entre as elites dos dois estados tenha sido fundamental, \u00e9 equivocada a ideia de que mineiros e paulistas se alternavam na presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas primeiros presidentes civis, por exemplo, foram paulistas, mas teve presidente ga\u00facho, paraibano e at\u00e9 fluminense, embora este tenha feito toda sua carreira pol\u00edtica em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Apesar de os pol\u00edticos e os cafeicultores do estado de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais terem forte influ\u00eancia pol\u00edtica durante a Primeira Rep\u00fablica, os acordos olig\u00e1rquicos n\u00e3o se resumiam ao \u201ccaf\u00e9 com leite\u201d. Pelo contr\u00e1rio, havia muitas diverg\u00eancias internas, e representantes de outros estados tamb\u00e9m governavam.<\/p>\n<p>O principal exemplo desse jogo pol\u00edtico foi chamada de pol\u00edtica dos governadores.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica dos governadores ou pol\u00edtica dos estados, arquitetada por Campos Salles, foi um sistema de alian\u00e7as entre o governo federal e os governos estaduais, estes \u00faltimos controlados pelas oligarquias locais.<\/p>\n<p>O governo federal procurava n\u00e3o interferir nas disputas locais e atribu\u00eda aos presidentes dos estados (governadores) a defini\u00e7\u00e3o de seus representantes no Congresso. Tais representantes eram escolhidos em elei\u00e7\u00f5es diretas, quase sempre fraudulentas, e se comprometiam a apoiar a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Verifica\u00e7\u00e3o de Poderes, controlada por pessoas ligadas ao presidente e encarregada de diplomar os deputados eleitos (validar a elei\u00e7\u00e3o), impedia que eventuais candidatos da oposi\u00e7\u00e3o chegassem ao Congresso. Por meio desses acordos, o governo central ganhava for\u00e7a, neutralizava os parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o e garantia a manuten\u00e7\u00e3o do controle pol\u00edtico local pelas oligarquias estaduais.<\/p>\n<p>O sistema articulava os diferentes estados da Uni\u00e3o; por\u00e9m, os estados economicamente mais fortes tinham mais peso nas decis\u00f5es. Dessa forma, apesar de n\u00e3o ter havido nenhum presidente de S\u00e3o Paulo por vinte anos, a oligarquia paulista manteve-se hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0thebrazilbusiness.com\/Enciclop\u00e9dia do Brasil\/countrystudies.us<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeira Rep\u00fablica &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil O\u00a0Brasil\u00a0tem uma rep\u00fablica recente. Tudo come\u00e7ou quando o\u00a0Marechal Deodoro da Fonseca\u00a0liderou um golpe militar que tomou o poder longe da monarquia e estabeleceu a rep\u00fablica militar. 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