{"id":88263,"date":"2016-12-15T14:31:54","date_gmt":"2016-12-15T16:31:54","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=88263"},"modified":"2016-12-15T14:31:54","modified_gmt":"2016-12-15T16:31:54","slug":"psicoterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/saude-e-bem-estar\/bem-estar\/psicoterapia","title":{"rendered":"Psicoterapia"},"content":{"rendered":"<p><strong>O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>psicoterapia<\/strong> \u00e9 um termo geral para o tratamento de problemas de sa\u00fade mental, falando com um psiquiatra, psic\u00f3logo ou outro profissional de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Durante a psicoterapia, voc\u00ea aprende sobre a sua condi\u00e7\u00e3o e os seus humores, sentimentos, pensamentos e comportamentos.<\/p>\n<p>A <strong>psicoterapia<\/strong> ajuda voc\u00ea a aprender a assumir o controle de sua vida e responder a situa\u00e7\u00f5es desafiadoras com habilidades de enfrentamento saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Existem muitos tipos de psicoterapia, cada um com sua pr\u00f3pria abordagem.<\/p>\n<p>O tipo de psicoterapia que \u00e9 certo para voc\u00ea depende de sua situa\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p>A <strong>psicoterapia<\/strong> tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como a terapia da conversa, aconselhamento, terapia psicossocial, ou, simplesmente, a terapia.<\/p>\n<p><strong>A psicoterapia pode ser \u00fatil no tratamento a maioria dos problemas de sa\u00fade mental, incluindo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Os transtornos de ansiedade, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), fobias, transtorno do p\u00e2nico ou transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico<br \/>\nOs transtornos de humor, como depress\u00e3o ou transtorno bipolar<br \/>\nV\u00edcios, como o alcoolismo, depend\u00eancia de drogas ou jogo compulsivo<br \/>\nOs transtornos alimentares, como anorexia ou bulimia<br \/>\nTranstornos de personalidade, como transtorno de personalidade borderline ou transtorno de personalidade dependente<br \/>\nEsquizofrenia ou outras doen\u00e7as que causam afastamento da realidade (transtornos psic\u00f3ticos)<\/p><\/blockquote>\n<p>A <strong>psicoterapia<\/strong> pode ajudar com uma s\u00e9rie de tens\u00f5es e conflitos da vida que podem afetar qualquer pessoa.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo, ele pode ajud\u00e1-lo:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Resolver conflitos com o seu parceiro ou outra pessoa em sua vida<br \/>\nAliviar a ansiedade ou estresse devido ao trabalho ou outras situa\u00e7\u00f5es<br \/>\nLidar com grandes mudan\u00e7as na vida, como o div\u00f3rcio, a morte de um ente querido ou a perda de um emprego<br \/>\nAprender a gerenciar rea\u00e7\u00f5es insalubres, tais como a raiva da estrada ou comportamento passivo-agressivo<br \/>\nSe reconciliarem com um problema de sa\u00fade f\u00edsica permanente ou graves, como diabetes, c\u00e2ncer ou de longo prazo dor (cr\u00f3nica)<br \/>\nRecuperar de abuso f\u00edsico ou sexual ou de viol\u00eancia testemunhando<br \/>\nLidar com problemas sexuais, se eles s\u00e3o devido a uma causa f\u00edsica ou psicol\u00f3gica<br \/>\nDormir melhor, se voc\u00ea tem problemas para dormir ou manter o sono (ins\u00f4nia)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em alguns casos, a <strong>psicoterapia <\/strong>pode ser t\u00e3o eficaz como medicamentos, tais como antidepressivos. No entanto, dependendo da sua situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, a psicoterapia por si s\u00f3 pode n\u00e3o ser suficiente para aliviar os sintomas de uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode precisar de medicamentos ou outros tratamentos.<\/p>\n<p><strong>Riscos<\/strong><\/p>\n<p>Geralmente, h\u00e1 pouco risco em fazer psicoterapia.<\/p>\n<p>A <strong>psicoterapia<\/strong> ir\u00e1 explorar sentimentos e experi\u00eancias dolorosas e voc\u00ea poder\u00e1 sentir-se emocionalmente desconfort\u00e1vel \u00e0s vezes. No entanto, os riscos s\u00e3o minimizados, trabalhando com um terapeuta qualificado que possa corresponder ao tipo e intensidade da terapia com as suas necessidades.<\/p>\n<p>As habilidades de enfrentamento que voc\u00ea ir\u00e1 aprender poder\u00e1 ajud\u00e1-lo a gerenciar e conquistar sentimentos negativos e medos.<\/p>\n<p><strong>Psicoterapeutas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Psicoterapeutas<\/strong> s\u00e3o profissionais de sa\u00fade mental que s\u00e3o treinados para ouvir os problemas de uma pessoa para tentar descobrir o que est\u00e1 causando-los e ajud\u00e1-los a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Bem como ouvir e discutir quest\u00f5es importantes com voc\u00ea, um psicoterapeuta pode sugerir estrat\u00e9gias para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas e, se necess\u00e1rio, ajud\u00e1-lo a mudar suas atitudes e comportamento.<\/p>\n<p>Alguns terapeutas ensinam habilidades espec\u00edficas para ajud\u00e1-lo a tolerar emo\u00e7\u00f5es dolorosas, gerenciar relacionamentos de forma mais eficaz, ou melhorar o comportamento. Voc\u00ea pode tamb\u00e9m ser incentivados a desenvolver suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um terapeuta ir\u00e1 tratar sess\u00f5es como confidenciais. Isso significa que voc\u00ea pode acreditar que suas informa\u00e7\u00f5es pessoais ou mesmo embara\u00e7osas ser\u00e1 mantido em segredo<\/p>\n<p><strong>Tipos de psicoterapia<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rios tipos diferentes de psicoterapia est\u00e3o dispon\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Esses incluem:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Psicodin\u00e2mica (psicanal\u00edtico) psicoterapia <\/strong>&#8211; um terapeuta psicanal\u00edtica vai encoraj\u00e1-lo para dizer o que est\u00e1 passando por sua mente. Isso ir\u00e1 ajud\u00e1-lo a tornar-se consciente de significados ou padr\u00f5es escondidos em o que voc\u00ea faz ou diz que pode estar contribuindo para seus problemas.<br \/>\n<strong>Terapia cognitivo-comportamental (TCC) <\/strong>&#8211; uma forma de psicoterapia que examina como as cren\u00e7as e pensamentos est\u00e3o ligados ao comportamento e sentimentos. Ele ensina habilidades que treinar seu comportamento e estilo de pensamento para ajud\u00e1-lo a lidar com situa\u00e7\u00f5es estressantes.<br \/>\n<strong>A terapia anal\u00edtica cognitiva (CAT)<\/strong> &#8211; utiliza m\u00e9todos de psicoterapia psicodin\u00e2mica e CBT para trabalhar como seu comportamento causa problemas, e como melhor\u00e1-lo atrav\u00e9s de auto-ajuda e experimenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Psicoterapia interpessoal (IPT) <\/strong>&#8211; olha para a forma como uma doen\u00e7a pode ser desencadeada por eventos envolvendo rela\u00e7\u00f5es com os outros, tais como lutos, disputas ou deslocaliza\u00e7\u00e3o. Ele ajuda voc\u00ea a lidar com os sentimentos envolvidos, bem como elaborar estrat\u00e9gias de enfrentamento.<br \/>\n<strong>Terapias human\u00edsticas<\/strong> &#8211; incentiv\u00e1-lo a pensar sobre si mesmo de forma mais positiva e tem como objetivo melhorar a sua auto-consci\u00eancia.<br \/>\na fam\u00edlia e casal (sist\u00eamica) Terapia &#8211; Terapia com outros membros da sua fam\u00edlia que tem o objetivo de ajud\u00e1-lo a resolver os problemas juntos.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Alguns problemas psicol\u00f3gicos que podem ser abordados por Psicoterapia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Transtornos de Humor<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Processos depressivos<br \/>\nDepress\u00e3o reativa<br \/>\nDepress\u00e3o end\u00f3gena<br \/>\nDepress\u00e3o p\u00f3s-parto<br \/>\nDist\u00farbio Bipolar de Humor<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transtornos de Ansiedade<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Agorafobia<br \/>\nTranstorno de P\u00e2nico<br \/>\nTranstorno de Ansiedade Generalizada<br \/>\nFobia Social<br \/>\nFobias Espec\u00edficas<br \/>\nTimidez e Inseguran\u00e7a<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transtornos Alimentares<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Anorexia<br \/>\nBulimia<br \/>\nObesidade<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transtornos Obsessivos Compulsivos<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Obsess\u00f5es<br \/>\nCondutas de Rituais<br \/>\nMitomanias<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transtornos Psic\u00f3ticos<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Epis\u00f3dio Psic\u00f3tico Agudo<br \/>\nAlucina\u00e7\u00f5es<br \/>\nDel\u00edrios<br \/>\nEsquizofrenia<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Transtornos Relacionados a Subst\u00e2ncias<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u00c1lcool<br \/>\nAbuso de Anfetaminas<br \/>\nDrogadi\u00e7\u00e3o<br \/>\nTabagismo<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Problemas de Casais<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Problemas de comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\nProblemas Sexuais<br \/>\nProblemas de Relacionamento<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Retardo Mental<\/strong><\/p>\n<p><strong>Orienta\u00e7\u00e3o Vocacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Psicoterapia individual<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>Psicoterapia individual<\/strong>, normalmente \u00e9 caracterizada por uma rela\u00e7\u00e3o que prov\u00ea um contexto para o al\u00edvio do sofrimento ou disfun\u00e7\u00e3o de um cliente\/paciente por meio de v\u00e1rias estrat\u00e9gias e m\u00e9todos iniciados pelo terapeuta. Existe al\u00e9m disso, uma concord\u00e2ncia geral entre as v\u00e1rias abordagens te\u00f3ricas na Psicologia, de que a \u00eanfase na <strong>Psicoterapia<\/strong> \u00e9 a busca pela melhoria na qualidade de vida do cliente, atrav\u00e9s do autoconhecimento obtido pela investiga\u00e7\u00e3o dos significados ps\u00edquicos do material cl\u00ednico trazido pelo mesmo.<\/p>\n<p><strong>Assim, a psicoterapia tradicionalmente prev\u00ea dois objetivos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1\u00ba)<\/strong> <strong>Ajudar <\/strong>o paciente a lidar com o seu sofrimento, resolver os seus problemas, e elaborar as suas ang\u00fastias;<\/p>\n<p><strong>2\u00ba)<\/strong> Oferecer um <strong>suporte<\/strong> facilitador para o paciente dar prosseguimento ao seu processo individual de desenvolvimento pessoal, englobando como procedimento principal o autoconhecimento.<\/p><\/blockquote>\n<p>Considera-se que o objetivo de uma psicoterapia n\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de conselhos, orienta\u00e7\u00f5es sobre o que fazer ou mesmo sugest\u00f5es diretivas. Ainda que algumas vezes isso seja realizado, est\u00e1 muito longe de ser o objetivo da mesma, sendo a inefic\u00e1cia de tal empreendimento bastante conhecida nas pesquisas realizadas no campo da psicoterapia (Jung, 1957). Pelo contr\u00e1rio, o psicoterapeuta deve sempre buscar o significado ps\u00edquico do material trazido pelo paciente, ou seja, o significado do que ele fala, exprime, e at\u00e9 do que deixa de expressar.<\/p>\n<p>Quando na d\u00favida sobre o que fazer nesse ou naquele momento da terapia, o psic\u00f3logo deve sempre lembrar de retomar a procura pelo significado atribu\u00eddo pelo paciente para o seus processos pessoais expressos e impl\u00edcitos. Pode ent\u00e3o <strong>questionar<\/strong>, <strong>contestar<\/strong>,<strong>interpretar<\/strong>, <strong>dialogar<\/strong>, tendo como pano de fundo sempre esse pressuposto de busca dos significados ps\u00edquicos do paciente.<\/p>\n<p>Paralelamente, sabe-se que mesmo na implementa\u00e7\u00e3o de procedimentos padronizados, freq\u00fcentes em um processo psicoterapeutico, um processo rec\u00edproco de adapta\u00e7\u00e3o social deve ser concorrente. Sobre isso voltarei mais tarde.<\/p>\n<p>Um dos principais fatores considerados em qualquer processo psicoterap\u00eautico, como fundamental, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre cliente e terapeuta enquanto indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Tanto que Jung (1957) definiu a psicoterapia como um tipo de procedimento dial\u00e9tico, ou seja, como um di\u00e1logo ou discuss\u00e3o entre duas pessoas. Segundo o autor, a dial\u00e9tica era a arte da conversa\u00e7\u00e3o entre os antigos fil\u00f3sofos, mas no sentido aqui empregado, a dial\u00e9tica adquire o significado de m\u00e9todo para produzir novas s\u00ednteses. Jung enfatizou que a psicoterapia n\u00e3o \u00e9 um m\u00e9todo simples e evidente, como se queira a princ\u00edpio. A maneira, mais moderna de formular a rela\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica, entre terapeuta e paciente, segundo Jung, \u00e9 a de observar que uma das pessoas sendo um sistema ps\u00edquico atua sobre a outra pessoa, entrando em intera\u00e7\u00e3o com o outro sistema ps\u00edquico, num encontro alqu\u00edmico de duas almas, onde ambos saem transformados ap\u00f3s o encontro terap\u00eautico. Esta concep\u00e7\u00e3o se distanciaria bastante das no\u00e7\u00f5es iniciais da hist\u00f3ria da psicoterapia, segundo a qual esta seria um m\u00e9todo aplic\u00e1vel de maneira estereotipada por qualquer pessoa, para obter um efeito desejado.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, Jung em fun\u00e7\u00e3o de suas inclina\u00e7\u00f5es fenomenol\u00f3gicas, prescrevia uma certa necessidade do terapeuta renunciar ao apego \u00e0 t\u00e9cnica e seus pressupostos particulares, deixando de lado qualquer sentimento prepotente de onipot\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao saber psicol\u00f3gico da subjetividade do outro, para poder se abrir ao car\u00e1ter dial\u00e9tico do momento terap\u00eautico. Enfatizava que mais importante que a t\u00e9cnica, \u00e9 o processo de desenvolvimento pessoal do pr\u00f3prio terapeuta, como ferramenta de trabalho terap\u00eautico. Nas palavras de Jung, unilateralmente, o terapeuta n\u00e3o \u00e9 mais um sujeito ativo, mas vivencia junto com o cliente, um processo evolutivo individual. Afeta e \u00e9 afetado pelo self terap\u00eautico, e todo o cuidado com a sua pr\u00f3pria sa\u00fade ps\u00edquica \u00e9 fundamental, o que complexifica sobremaneira o seu trabalho. Considera-se que o psic\u00f3logo s\u00f3 pode auxiliar o seu cliente, at\u00e9 o limite de seu pr\u00f3prio desenvolvimento pessoal; a rigor, n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de ir al\u00e9m de sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se justificando qualquer arrog\u00e2ncia por parte do profissional, relacionada a sentimentos de onipot\u00eancia, com a suposi\u00e7\u00e3o da posse do saber \u201cinquestion\u00e1vel\u201d, por si mesmo. A vis\u00e3o junguiana amplia e fornece maior dinamismo aos conceitos psicanal\u00edticos de transfer\u00eancia e contra-transfer\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o paciente-cliente; a humildade como par\u00e2metro \u00e9tico e construtivo para a condu\u00e7\u00e3o da psicoterapia, ser\u00e1 um postulado concordante tanto com a vis\u00e3o junguiana quanto com a Psicologia Esp\u00edrita.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca de Jung, outro te\u00f3rico \u2013 Carl Rogers \u2013 fundador da Abordagem Centrada no Cliente e da Psicologia Humanista tornou um tru\u00edsmo referir-se \u00e0s caracter\u00edsticas positivas de um terapeuta como \u201cinteresse genu\u00edno, calor humano e compreens\u00e3o emp\u00e1tica\u201d e \u00e0 presen\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, de um clima de \u201ccongru\u00eancia, vis\u00e3o incondicional positiva e empatia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Considero esses tr\u00eas par\u00e2metros propostos por Rogers &#8211; a congru\u00eancia, a vis\u00e3o incondicional positiva, e a empatia &#8211; como fundamentais, por isso vou discorrer mais um pouco sobre eles aqui:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>1. <strong>A congru\u00eancia<\/strong> diz respeito \u00e0 capacidade do terapeuta ser ele mesmo na sua rela\u00e7\u00e3o com o cliente. Diz respeito \u00e0 sua autenticidade humana, sem deixar de assumir o seu papel t\u00e9cnico e profissional perante o cliente\/paciente. Implica numa atitude eticamente honesta e genu\u00edna frente ao outro, e como tal, \u00e9 o resultado do grau de autoconhecimento e confian\u00e7a que o terapeuta possui sobre si mesmo. O terapeuta passa a ser, portanto, \u201ccongruente\u201d, ou seja, coerente consigo mesmo, sendo as suas atitudes espontaneamente ajustadas \u00e0 sua configura\u00e7\u00e3o \u00e9tica pessoal.<\/p>\n<p>2. <strong>A vis\u00e3o incondicional positiva <\/strong>diz respeito \u00e0 capacidade do terapeuta aceitar o paciente como ele \u00e9. Para tal, o psic\u00f3logo precisa estar dispon\u00edvel para refletir sobre os seus pr\u00f3prios preconceitos, ou pr\u00e9-julgamentos. Acredito que um dos maiores inimigos de um psic\u00f3logo em sua atua\u00e7\u00e3o cl\u00ednica s\u00e3o os seus pr\u00f3prios preconceitos, de forma que (ainda que possa parecer radical), acredito que um \u201cpsic\u00f3logo preconceituoso\u201d na verdade est\u00e1 atuando na profiss\u00e3o errada. Em outros termos, quero dizer com isso, que caso o psic\u00f3logo n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es de avaliar e refletir constantemente sobre o seu pr\u00f3prio sistema de valores, ent\u00e3o, ele n\u00e3o pode exercer legitimamente a profiss\u00e3o cl\u00ednica dentro da psicologia, pois seu poder de atua\u00e7\u00e3o terap\u00eautico ser\u00e1 fundamentalmente nulo. Paralelamente, o terapeuta precisa realizar um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o de si mesmo, num processo pessoal de autoconhecimento e progresso pessoal.<\/p>\n<p>3. A <strong>empatia<\/strong>, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro, numa posi\u00e7\u00e3o que permita compreender as suas emo\u00e7\u00f5es, id\u00e9ias, sentimentos, ang\u00fastias e sofrimentos, bem como tamb\u00e9m suas alegrias e realiza\u00e7\u00f5es, sem por\u00e9m se confundir com o outro. Ou seja, h\u00e1 necessidade de se estabelecer um \u201cv\u00ednculo de resson\u00e2ncia emp\u00e1tica\u201d para que haja uma sintonia relacional entre terapeuta e paciente, por\u00e9m o terapeuta deve tamb\u00e9m saber manter um certo distanciamento providencial para n\u00e3o se \u201ccontaminar\u201d com a ang\u00fastia do paciente, correndo assim o risco de prejudicar o car\u00e1ter terap\u00eautico da rela\u00e7\u00e3o. O psicanalista argentino Jos\u00e9 Bleger denominava tal opera\u00e7\u00e3o de \u201cdissocia\u00e7\u00e3o instrumental\u201d, conceito que sugere que o terapeuta deve se envolver com a problem\u00e1tica do paciente at\u00e9 o limite que permita uma compreens\u00e3o emp\u00e1tica da mesma, e simultaneamente precisa manter um certo distanciamento (ou seja, uma dissocia\u00e7\u00e3o, uma separa\u00e7\u00e3o ou cis\u00e3o) relativo que lhe possibilite trabalhar instrumentalmente (ou seja, transformando a rela\u00e7\u00e3o num instrumento humano de trabalho ps\u00edquico) com o material cl\u00ednico trazido pelo paciente, sem se \u201ccontaminar\u201d emocionalmente com o mesmo. Certamente surge a quest\u00e3o, \u201ccomo saber at\u00e9 onde posso me envolver, e at\u00e9 onde devo me distanciar instrumentalmente dos conte\u00fados do paciente?\u201d A resposta \u00e9 que o psic\u00f3logo s\u00f3 consegue atingir adequadamente o campo da dissocia\u00e7\u00e3o instrumental, com o desenvolvimento do seu processo pessoal, pois com o autoconhecimento, o psic\u00f3logo pode aprender a identificar os seus <strong>vieses perceptivos<\/strong>, tornando-se mais objetivo, sem desconsiderar a sua subjetividade \u2013 tanto que Bleger afirmava que \u201ca objetividade \u00e9 atingida na subjetividade\u201d, ou seja, quando a subjetividade e inclu\u00edda e aprimorada com o autoconhecimento, \u00e9 que o indiv\u00edduo se torna mais objetivo, e n\u00e3o quando a subjetividade \u00e9 exclu\u00edda, como prop\u00f5e modelos mais mecanicistas (e logicamente, mais ultrapassados) de se fazer ci\u00eancia. Ao conhecer os seus vieses pessoais, o psic\u00f3logo pode se instrumentalizar para discernir at\u00e9 onde pode se envolver na problem\u00e1tica do paciente e onde deve se distanciar. Ele tem tamb\u00e9m como diferenciar at\u00e9 que ponto um determinado julgamento que realize diz respeito efetivamente ao paciente, e at\u00e9 que ponto diz respeito a si mesmo, separando uma coisa da outra. No seu processo de desenvolvimento pessoal, essa discrimina\u00e7\u00e3o ocorre natural e espontaneamente para o terapeuta, e do ponto de vista t\u00e9cnico, o psic\u00f3logo conta ainda, com o recurso da Supervis\u00e3o, postulada inicialmente por Freud e Jung, como necess\u00e1rias para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o cl\u00ednica. Por tudo isso, o psic\u00f3logo que realiza uma atividade cl\u00ednica, precisa regularmente estar envolvido num processo de An\u00e1lise Individual em contexto psicoterap\u00eautico, com outro profissional da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Por outro lado, o psic\u00f3logo humanista Rollo May (1982) salienta que a empatia bem-sucedida pode resultar num processo de comunica\u00e7\u00e3o <strong>telep\u00e1tica<\/strong>, tal como tem sido estudado, por exemplo, pela parapsicologia. Isso se evidencia em casos cl\u00ednicos em que o paciente tem a sensa\u00e7\u00e3o de que o psic\u00f3logo quase consegue adivinhar os seus pensamentos, realizando observa\u00e7\u00f5es pertinentes e funcionais, antes mesmo que o paciente exponha completamente suas quest\u00f5es para o terapeuta. Como diria Jung, embora seja raro tal grau de comunica\u00e7\u00e3o de inconsciente para inconsciente (ou de Alma para Alma), tal pode ocorrer. Evidentemente, a Psicologia Esp\u00edrita, possui no conhecimento do perisp\u00edrito, a explica\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno, por\u00e9m, discorrer sobre tal ultrapassaria o objetivo dessa resenha. Rollo May, ainda associa a <strong>empatia<\/strong>, com o conceito de <strong>amor terap\u00eautico<\/strong>, como ser\u00e1 debatido brevemente.<\/p><\/blockquote>\n<p>Estas tr\u00eas atitudes \u2013 congru\u00eancia, aceita\u00e7\u00e3o incondicional positiva, empatia \u2013 se tornaram t\u00e3o generalizadas, que se estenderam a todas as outras abordagens te\u00f3ricas em psicologia, sem exce\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo a abordagem comportamental, precisou sair do exagerado tecnicismo de sua atitude inicial como ci\u00eancia, buscando modelos cl\u00ednicos de atua\u00e7\u00e3o cada vez mais humanistas, e coerentes a um contexto cl\u00ednico, adotando tamb\u00e9m essas atitudes b\u00e1sicas propostas por Rogers.<\/p>\n<p>Os comportamentalistas entendem por\u00e9m, que tais atitudes, de um ponto de vista operacional, na verdade constituem algo como \u201ccomportamentos verbais positivamente refor\u00e7adores executados precisamente nos momentos funcionais do discurso do paciente\u201d; ou seja, consideram que quando o paciente diz algo positivo ou construtivo para a sua evolu\u00e7\u00e3o pessoal e de seus problemas, o psic\u00f3logo ao demonstrar uma atitude de apoio ou de aprova\u00e7\u00e3o (como um elogio, por exemplo) logo ap\u00f3s tal explana\u00e7\u00e3o, \u201crefor\u00e7a positivamente\u201d o comportamento operacionalmente eficaz do paciente. Essa seria para os behavioristas, por exemplo, a <strong>descri\u00e7\u00e3o<\/strong>operacional da empatia (mas n\u00e3o a sua explica\u00e7\u00e3o, e muito menos, o seu car\u00e1ter essencial). Por\u00e9m, devemos ter em mente, que ainda que tal descri\u00e7\u00e3o seja \u201cparcialmente\u201d pertinente, isso n\u00e3o anula a legitimidade do car\u00e1ter afetivo, da espontaneidade e do investimento emocional que o terapeuta deposita no seu esfor\u00e7o de \u201cempatizar\u201d com a ang\u00fastia e com a personalidade do paciente. Al\u00e9m disso, o jogo da resson\u00e2ncia emp\u00e1tica envolve muito mais do que essa mera descri\u00e7\u00e3o aparente pode expressar, especialmente se levarmos em conta os aspectos psicodin\u00e2micos, intraps\u00edquicos e interps\u00edquicos envolvidos na rela\u00e7\u00e3o paciente e terapeuta.<\/p>\n<p>O Espiritismo muito tem a contribuir para a compreens\u00e3o de todos esse fatores pessoais do psicoterapeuta no \u201cSelf Cl\u00ednico\u201d. O Espiritismo chamar\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o para os elementos da constitui\u00e7\u00e3o moral e \u00e9tica, bem como para o est\u00e1gio de desenvolvimento espiritual do psic\u00f3logo. A Psicologia Esp\u00edrita considera como conceitos intercambi\u00e1veis, termos tais como \u201cdesenvolvimento ps\u00edquico\u201d, \u201cdesenvolvimento espiritual\u201d e \u201cdesenvolvimento \u00e9tico, moral e pessoal\u201d, processos todos que se completam naturalmente \u00e0 medida que h\u00e1 um incremento no processo de autoconhecimento, tanto em n\u00edvel intelectual ou cognitivo, mas tamb\u00e9m em n\u00edvel material, emocional e espiritual (aqui, no sentido mais profundo dos aspectos conscientes e inconscientes do Self).<\/p>\n<p>Nesse contexto, podemos inserir o importante papel do \u201c<strong>amor terap\u00eautico<\/strong>\u201d no momento cl\u00ednico. O papel do Amor, em seu sentido amplo, no contexto terap\u00eautico foi citado por uma s\u00e9rie de psic\u00f3logos de renome. Um deles foi Norberto Keppe, o fundador da Psican\u00e1lise Integral ou Trilogia Anal\u00edtica, uma abordagem transpessoal em psican\u00e1lise, com fortes influ\u00eancias da metaf\u00edsica e de v\u00e1rias escolas te\u00f3ricas esot\u00e9ricas. Esse autor prop\u00f5e ser o Amor o maior poder curativo, a ess\u00eancia \u00edntima do homem e de Deus, e o maior poder do Universo.<\/p>\n<p>O poder do amor tamb\u00e9m foi salientado pelo psic\u00f3logo crist\u00e3o-humanista-existencialista Rollo May (1982), que afirmou ser imposs\u00edvel conhecer-se outra pessoa sem que a amemos, no sentido mais amplo da palavra. Salientou que essa situa\u00e7\u00e3o significa que ambas as pessoas ser\u00e3o transformadas pela pr\u00f3pria identifica\u00e7\u00e3o resultante do amor. O amor \u2013 segundo Rollo May \u2013 possui uma for\u00e7a psicol\u00f3gica fabulosa. \u00c9 a for\u00e7a mais poderosa dispon\u00edvel no campo da influencia\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da personalidade.<\/p>\n<p>Complementarmente, o Espiritismo considera que quando Jesus exp\u00f4s seus ensinamentos sobre elementos significativos do comportamento humano, ele trouxe \u00e0 tona elementos da arquetipia ps\u00edquica, mostrando que o amor e seus derivados n\u00e3o s\u00e3o apenas abstra\u00e7\u00f5es da cultura humana, mas for\u00e7as que comp\u00f5em o Universo, pass\u00edvel at\u00e9 mesmo de um estudo microf\u00edsico de sua din\u00e2mica e funcionamento. \u00c9 ent\u00e3o, envolvido nesse trabalho que <strong>o terapeuta Esp\u00edrita deve se colocar como cientista do amor, pesquisador da paz e trabalhador de Deus<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Em outro plano, Rollo May (1982) ainda enfatizou como aspectos fundamentais da personalidade (ou Alma) humana:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>1) o livre-arb\u00edtrio;<\/p>\n<p>2) o desenvolvimento da individualidade;<\/p>\n<p>3) a capacidade de integra\u00e7\u00e3o social;<\/p>\n<p>4) e a viv\u00eancia da religiosidade como possibilidade criadora atrav\u00e9s de movimentos de tens\u00e3o criativos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Enquanto tais, Rollo May exp\u00f5e esses 4 aspectos como par\u00e2metros principais que deveriam conduzir qualquer processo terap\u00eautico. Vamos entender melhor, esses quatro aspectos.<\/p>\n<p><strong>1\u00ba) O livre arb\u00edtrio:<\/strong> Rollo May era um psic\u00f3logo humanista, crist\u00e3o e existencialista. Como todo existencialista (filosofia que em termos gerais, defende que o ser humano possui o potencial de auto-regula\u00e7\u00e3o para construir a sua exist\u00eancia \u2013 da\u00ed o nome \u201cexistencialismo\u201d), ele enfatizava a necessidade do indiv\u00edduo ser estimulado a se apropriar da pr\u00f3pria vida, desenvolvendo a autonomia e o livre-arb\u00edtrio, com a clarifica\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do autoconhecimento.<\/p>\n<p>Para Rollo May, <strong>um dos pressupostos b\u00e1sicos em toda psicoterapia \u00e9 o de que o paciente deve, mais cedo ou mais tarde, aceitar a responsabilidade por si mesmo<\/strong>. Assim, o autor afirma que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o de qualquer trabalho de aconselhamento psicol\u00f3gico, levar o aconselhando a aceitar a responsabilidade pela dire\u00e7\u00e3o e pelos resultados de sua vida. O aconselhador, para isso, deve mostrar-lhe como s\u00e3o profundas as ra\u00edzes da decis\u00e3o e como toda a experi\u00eancia passada e as for\u00e7as do inconsciente devem ser avaliadas. Mas, ao final de tudo, deve ajudar o aconselhando a aperfei\u00e7oar e usar seu potencial de liberdade.<\/p>\n<p>Como existencialista, Rollo May enfatizava a autonomia para a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Como crist\u00e3o, enfatizava o livre-arb\u00edtrio. E como humanista, enfatizava a valoriza\u00e7\u00e3o dos potenciais humanos.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba) Individualidade na personalidade: <\/strong>o autor considera que outro <strong>pressuposto b\u00e1sico de qualquer psicoterapia \u00e9 o princ\u00edpio de que o paciente deve mais cedo ou mais tarde conseguir identificar e aceitar o seu pr\u00f3prio jeito peculiar de ser<\/strong>. Rollo May prop\u00f5e que esse princ\u00edpio seria um dos principais legados deixados por Jung, e conclui que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do terapeuta auxiliar seu paciente a achar seu self verdadeiro, e ent\u00e3o, ajud\u00e1-lo a ter coragem de ser esse self.<\/p>\n<p><strong>3\u00ba) Integra\u00e7\u00e3o social: <\/strong>j\u00e1 foi dito nessa resenha, que <strong>em qualquer processo psicoterapeutico, um processo rec\u00edproco de adapta\u00e7\u00e3o social deve ser concorrente<\/strong>. <strong>Rollo May acredita que isso ocorre naturalmente com o desenvolvimento dos dois processos anteriores<\/strong>: a liberdade e a individualidade na personalidade. Ou seja, \u00e0 medida que o indiv\u00edduo se torna mais aut\u00f4nomo, e se aceita (e portanto, se ama mais, e ao mesmo tempo, elabora uma adequada reflex\u00e3o sobre as suas potencialidades e limita\u00e7\u00f5es), naturalmente ele se adapta melhor \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Rollo May, da mesma maneira que o psicanalista argentino Pich\u00f3n-Rivi\u00e8re, enfatizava a <strong>adapta\u00e7\u00e3o ativa<\/strong> \u00e0 sociedade e \u00e0 realidade, contrapondo-a \u00e0 <strong>adapta\u00e7\u00e3o passiva<\/strong>, que inclusive pode ser patol\u00f3gica. Na adapta\u00e7\u00e3o passiva, o indiv\u00edduo cede a um conformismo alienante, podendo chegar, em n\u00edvel patol\u00f3gico, a cristalizar padr\u00f5es de conduta compulsivos, no qual o indiv\u00edduo sente que \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cv\u00edtima do destino\u201d ao inv\u00e9s de assumir a sua parcela de responsabilidade em seus pr\u00f3prios conflitos, ou em seu padr\u00e3o de destino. O indiv\u00edduo, aqui, \u201csedimenta a sua adapta\u00e7\u00e3o social\u201d simplesmente assimilando valores sociais, sem realizar qualquer questionamento cr\u00edtico da pertin\u00eancia ou n\u00e3o de tais valores. H\u00e1 apenas uma aceita\u00e7\u00e3o passiva, e nenhuma inspira\u00e7\u00e3o transformadora.<\/p>\n<p>Na adapta\u00e7\u00e3o ativa, o indiv\u00edduo \u00e9 capaz de se adaptar criativamente \u00e0 realidade e \u00e0 sociedade, promovendo a\u00e7\u00f5es transformadoras num ritmo aceit\u00e1vel para a capacidade de assimila\u00e7\u00e3o do meio social circundante. O indiv\u00edduo sai da mera reprodu\u00e7\u00e3o da moral social vigente, passando para reflex\u00e3o \u00e9tica construtiva dos mesmos aspectos morais.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da Psicologia do Esp\u00edrito, um outro autor chamado Leopold Szondi, designava a adapta\u00e7\u00e3o passiva como \u201cdestino coercitivo ou compulsivo\u201d e a adapta\u00e7\u00e3o ativa como \u201cdestino de livre-escolha\u201d (Zilli, 2001).<\/p>\n<p>Rollo May, ainda, trouxe as contribui\u00e7\u00f5es da Psicologia Individual de Alfred Adler, que procurava demonstrar que o sentimento de inferioridade patol\u00f3gico \u00e9 um grande obst\u00e1culo \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o social. Por tr\u00e1s desse tipo de sentimento de inferioridade, se encontra a \u201cvontade de poder e domina\u00e7\u00e3o\u201d, bem como a \u201cnecessidade de prest\u00edgio\u201d em n\u00edvel exorbitante.<\/p>\n<p>Assim, Rollo May conclui que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do aconselhamento psicol\u00f3gico auxiliar o aconselhando a aceitar com alegria a sua responsabilidade social, dar-lhe a coragem necess\u00e1ria para livra-lo da tirania de seu sentimento de inferioridade e ajuda-lo a dirigir seus esfor\u00e7os para fins socialmente construtivos.<\/p>\n<p><strong>4\u00ba) Tens\u00e3o religiosa:<\/strong> para Rollo May, a tens\u00e3o religiosa, \u00e9 um elemento inerente \u00e0 personalidade humana. O ser humano precisa, segundo esse autor, continuamente procurar o melhor ajuste criativo entre as tens\u00f5es de sua natureza material e espiritual, ou humana e divina, a primeira marcada pela imperfei\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o, e a segunda pelo potencial de perfei\u00e7\u00e3o e progresso ilimitado. Quando o ser humano n\u00e3o consegue realizar o melhor ajuste poss\u00edvel a partir de sua compara\u00e7\u00e3o particular daquilo que seu lado humano (imperfeito, limitado) diz que ele \u00e9, e aquilo que seu potencial divino (de perfei\u00e7\u00e3o e progresso infinito) diz que ele deveria ser, surge <strong>um sentimento de culpa exagerado<\/strong>, que transforma a tens\u00e3o religiosa que deveria ser construtiva, em algo patol\u00f3gico, dogmatizante, unilateral, e cristalizado. Mas, quando o indiv\u00edduo se aceita como \u00e9, pensa de forma aut\u00f4noma, e se adapta construtivamente \u00e0 realidade, ent\u00e3o, o ser humano, limitado em sua natureza material, reencontra o potencial divino que possui em seu interior. Reencontra o seu Deus interior, na fagulha de centelha divina individualizada em sua psique, Alma e Esp\u00edrito. Na terminologia junguiana, o indiv\u00edduo restabelece a liga\u00e7\u00e3o entre o ego e o Self, em seu processo de individua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, conclui Rollo May, \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do aconselhador e terapeuta auxiliar o aconselhando a livrar-se do sentimento de culpa doentio, ao mesmo tempo que o ajuda a aceitar e afirmar corajosamente a tens\u00e3o religiosa inerente \u00e0 sua natureza.<\/p>\n<p>Para finalizar esse pequeno apanhado de considera\u00e7\u00f5es sobre a psicoterapia, ser\u00e3o discorridos algumas das contribui\u00e7\u00f5es da psicologia comportamental e da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando pela <strong>abordagem comportamental<\/strong>, observamos que alguns de seus pesquisadores tem oferecido diversas contribui\u00e7\u00f5es para o questionamento sobre as possibilidades de integra\u00e7\u00e3o entre as diversas escolas te\u00f3ricas da psicologia, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de psicoterapia, sua teoria e pr\u00e1tica. Isso \u00e9 pouco conhecido entre a maioria dos profissionais de Psicologia, por\u00e9m algumas escolas behavioristas discorrem inclusive, sobre a quest\u00e3o do \u201c<strong>ecletismo t\u00e9cnico<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Algumas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o oferecidas, por exemplo, por Rang\u00e9 (1995), que afirma que em todo processo psicoterapeutico, independente da escola te\u00f3rica utilizada, devem estar presentes os seguintes processos t\u00e9cnicos e humanos:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1. <\/strong>A experimenta\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es;<strong><br \/>\n2.<\/strong> A experi\u00eancia emocional corretiva;<strong><br \/>\n3.<\/strong> A expans\u00e3o da vis\u00e3o de mundo dos pacientes;<strong><br \/>\n4.<\/strong> O exame de conflitos;<strong><br \/>\n5. <\/strong>O aumento nas expectativas positivas;<strong><br \/>\n6.<\/strong> A influ\u00eancia social;<strong><br \/>\n7.<\/strong> O incentivo \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de novas habilidades.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Rang\u00e9 (1995) ainda classifica que as principais interven\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e humanas que o psic\u00f3logo pode empregar na sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, em qualquer escola te\u00f3rica psicol\u00f3gica, para possibilitar a presen\u00e7a desses processos, s\u00e3o as seguintes:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1. <\/strong>O manejo da empatia, e a presen\u00e7a de calor humano e compreens\u00e3o;<strong><br \/>\n2. <\/strong>A express\u00e3o de apoio ao paciente;<strong><br \/>\n3. <\/strong>A presen\u00e7a de graus moderados de diretividade e controle;<strong><br \/>\n4.<\/strong> A realiza\u00e7\u00e3o de questionamentos;<strong><br \/>\n5.<\/strong> Clarifica\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o do enquadre;<strong><br \/>\n6.<\/strong> O uso da interpreta\u00e7\u00e3o<strong><br \/>\n7.<\/strong> O emprego moderado de confronta\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica;<strong><br \/>\n8. O manejo das capacidades comunicativas do terapeuta, entre elas:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a<\/strong>. O seu grau de responsividade;<strong><br \/>\nb.<\/strong> Sua imediaticidade verbal;<strong><br \/>\nc.<\/strong> O uso criterioso, por\u00e9m espont\u00e2neo, de humor, etc.<\/p><\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<p>Por fim, falta discorrermos sobre algumas contribui\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise. Embora poucos saibam, Pich\u00f3n-Rivi\u00e9re foi o autor que conseguiu interagir diversos campos de conhecimento cient\u00edfico e filos\u00f3fico com a psican\u00e1lise, resultando numa abordagem t\u00e3o profunda e atual quanto a de seu contempor\u00e2neo distante, Carl Gustav Jung, com a diferen\u00e7a que enquanto a psicologia psicanal\u00edtica de Pich\u00f3n enfatiza a dimens\u00e3o psicossocial do ser humano, a abordagem junguiana enfatiza a dimens\u00e3o transpessoal ou espiritual.<\/p>\n<p>Pich\u00f3n conseguiu interagir a psican\u00e1lise com influ\u00eancias da psicologia comportamental, da fenomenologia e da sociologia. Jos\u00e9 Bleger, seu disc\u00edpulo, conseguiu expandir esse movimento para as outras abordagens te\u00f3ricas em psicologia. Ambos se valeram de um pensamento dial\u00e9tico (pensamento que cria s\u00ednteses atrav\u00e9s de movimentos progressivos de intera\u00e7\u00e3o reflexiva entre conceitos aparentemente opostos \u2013 \u00e9 uma forma sistem\u00e1tica de racioc\u00ednio que elabora a uni\u00e3o crescente e din\u00e2mica entre tese e ant\u00edtese gerando novas s\u00ednteses, e \u00e9 comum apenas a algumas formas muito elaboradas de intelig\u00eancia na ci\u00eancia, ou individualidades mais amadurecidas). Apenas a dimens\u00e3o transpessoal n\u00e3o foi adequadamente considerada por esse autores, o que ir\u00e1 ocorrer na mesma \u00e9poca, na obra de Jung, que al\u00e9m do mesmo pensamento dial\u00e9tico, valeu-se complementarmente de uma orienta\u00e7\u00e3o mais hol\u00edstica e espiritualizada.<\/p>\n<p>Sabemos que na psican\u00e1lise existem muitas abordagens te\u00f3ricas, al\u00e9m da freudiana, tal como as abordagens de Lacan, Klein, Winnicott, etc. Entretanto, Pich\u00f3n, entre outros autores modernos, caracteriza que o que unifica todas as abordagens te\u00f3ricas em psican\u00e1lise \u00e9 a escuta interpretativa ou hermen\u00eautica dos discursos do inconsciente, na fala do paciente, no contexto da rela\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia. Ou seja, o que unifica e caracteriza todas as abordagens da psican\u00e1lise \u00e9 (1) a escuta do material do inconsciente (2) que se d\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o transferencial. <strong>Inconsciente<\/strong> e <strong>Transfer\u00eancia<\/strong>, s\u00e3o os dois conceitos que demarcam o campo da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Freud (1914) por sua vez, tamb\u00e9m enfatizou a import\u00e2ncia dos conceitos de <strong>defesa<\/strong> e <strong>resist\u00eancia<\/strong> afirmando que \u201cQualquer linha de investiga\u00e7\u00e3o que reconhe\u00e7a a transfer\u00eancia e a resist\u00eancia e os tome como ponto de partida de seu trabalho tem o direito de chamar-se psican\u00e1lise, mesmo que chegue a resultados diferentes dos meus\u201d.<\/p>\n<p><strong>Nesse sentido, Lowenkron (1993), discorrendo sobre o que ele chama de \u201cPsican\u00e1lise Breve\u201d, apresenta tr\u00eas sentidos para o termo psicoterapia:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>1)<\/strong> Em sentido amplo, para o autor, \u201cpsicoterapia\u201d se refere a qualquer m\u00e9todo de tratamento que utilize meios psicol\u00f3gicos, mais precisamente, a rela\u00e7\u00e3o entre o terapeuta e o doente, desde a sugest\u00e3o at\u00e9 a psican\u00e1lise;<strong><br \/>\n2)<\/strong> Num sentido mais restrito, \u201cpsicoterapia\u201d \u00e9 entendida apenas como t\u00e9cnica sugestiva e \u00e9 contraposta \u00e0 psican\u00e1lise, que se caracteriza em fun\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o do conflito inconsciente e, mais particularmente, da an\u00e1lise da transfer\u00eancia, ou seja, a psican\u00e1lise se diferenciando qualitativamente das psicoterapias;<strong><br \/>\n3)<\/strong> Numa terceira acep\u00e7\u00e3o, pode-se entender uma forma de psicoterapia que se baseia nos princ\u00edpios te\u00f3ricos e t\u00e9cnicos da psican\u00e1lise, sem, todavia, realizar as condi\u00e7\u00f5es de um tratamento psicanal\u00edtico standard. Considerada neste \u00faltimo sentido, a psicoterapia se diferencia da psican\u00e1lise quantitativamente, deslocando-se numa linha cont\u00ednua. <strong>Como tal \u00e9 designada na literatura especializada por meio de diversos nomes, como: <\/strong>psicoterapia din\u00e2mica, de insight, de orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, expressiva, intensiva e explorat\u00f3ria.<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim, \u00e9 na terceira acep\u00e7\u00e3o de psicoterapia fornecida pelo autor que se situariam o conceito e a pr\u00e1tica do que se poderia chamar de \u201cPsican\u00e1lise Breve\u201d ou ainda, \u201cPsicoterapia Psicanal\u00edtica de Tempo Delimitado\u201d, por ser entre as tr\u00eas acep\u00e7\u00f5es, a que permite o manejo instrumental do enquadre psicol\u00f3gico, na sua rela\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal (em contraposi\u00e7\u00e3o ao modelo standard da chamada \u201cPsican\u00e1lise ortodoxa\u201d).<\/p>\n<p>A segunda acep\u00e7\u00e3o exposta para psicoterapia, ou seja, enquanto t\u00e9cnica sugestiva (e basicamente diretiva), tanto por parte do autor, como entre quase todos os pesquisadores expressivos no campo da psicoterapia breve e outras modalidades (tanto cl\u00e1ssicas como inovadoras) de psicoterapia, \u00e9 uma acep\u00e7\u00e3o quase unanimemente descartada.<\/p>\n<p><strong>Para citar apenas dois autores que assim se expressam e concordam nesse ponto, posso citar Rollo May (1982) e C. G. Jung (1957), sendo que esse \u00faltimo assim se expressa em rela\u00e7\u00e3o a terapia por sugest\u00e3o (ou diretiva): <\/strong>\u201cN\u00e3o quero negar que, ocasionalmente, um conselho possa ser ben\u00e9fico, mas a psicoterapia moderna \u00e9 por ele caracterizada, mais ou menos como a<strong>cirurgia moderna<\/strong>, pela <strong>atadura<\/strong>\u201d (grifos meus). Especialmente no caso de individualidades complicadas e de n\u00edvel intelectual elevado, Jung dizia \u201cnada se consegue atrav\u00e9s de conselhos benevolentes, sugest\u00f5es, ou tentativas de convert\u00ea-las para este ou aquele sistema\u201d. Conclui o autor, dessa forma, que a \u201csugest\u00e3o\u201d decididamente n\u00e3o constitui a ess\u00eancia da psicoterapia, que hoje conta com <strong>todo um m\u00e9todo cient\u00edfico para a sua sofistica\u00e7\u00e3o e aprimoramento<\/strong>. Por esse e outros motivos, um bom psic\u00f3logo cl\u00ednico que queira realmente executar o seu trabalho de maneira conscienciosa e eficaz, precisa investir muito em sua forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (cursos, supervis\u00e3o, congressos, etc) e humana (an\u00e1lise, desenvolvimento pessoal, etc).<\/p>\n<p><span class=\"fonte\">Fonte: <\/span>www.mayoclinic.org\/br.geocities.com\/www.nhs.uk<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 A psicoterapia \u00e9 um termo geral para o tratamento de problemas de sa\u00fade mental, falando com um psiquiatra, psic\u00f3logo ou outro profissional de sa\u00fade mental. Durante a psicoterapia, voc\u00ea aprende sobre a sua condi\u00e7\u00e3o e os seus humores, sentimentos, pensamentos e comportamentos. 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