{"id":81554,"date":"2016-08-23T17:33:36","date_gmt":"2016-08-23T17:33:36","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81554"},"modified":"2026-07-02T09:06:18","modified_gmt":"2026-07-02T11:06:18","slug":"metodologia-de-artigo-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/metodologia-de-artigo-cientifico","title":{"rendered":"Metodologia de Artigo Cient\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p>A\u00a0<b>metodologia (ou m\u00e9todos) de um artigo cient\u00edfico<\/b>\u00a0detalha exatamente como a pesquisa foi conduzida. Seu objetivo principal \u00e9 fornecer informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e transpar\u00eancia procedimental suficientes para que outro pesquisador da mesma \u00e1rea possa replicar o estudo e verificar os resultados.<\/p>\n<p>A\u00a0<b>metodologia de um artigo cient\u00edfico<\/b>\u00a0\u00e9 o conjunto de m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e procedimentos detalhados usados para realizar a pesquisa, responder ao problema proposto e atingir os objetivos. Ela deve ser descrita no passado.<\/p>\n<p>O estilo e as propriedades da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica envolvem clareza, precis\u00e3o, comunicabilidade e consist\u00eancia, havendo uma melhor compreens\u00e3o do leitor. O conte\u00fado do artigo \u00e9 organizado de acordo com a ordem natural do tema e a organiza\u00e7\u00e3o\/hierarquiza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias mais importantes, seguidas de outras secund\u00e1rias. A utiliza\u00e7\u00e3o de normas textuais, redacionais e gr\u00e1ficas, n\u00e3o s\u00f3 padronizam o artigo cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m disciplinam e direcionam o pensamento do autor coerentemente a um objetivo determinado.<\/p>\n<p><b>ARTIGO CIENT\u00cdFICO \u2013 Orienta\u00e7\u00f5es para sua elabora\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><strong>01. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>O cientista, o grupo de pesquisa ou o estudioso, investiga, experimenta e produz constantemente conhecimentos na sua \u00e1rea de estudo e outras \u00e1reas correlatas, proporcionando rela\u00e7\u00f5es, compara\u00e7\u00f5es, refuta\u00e7\u00f5es entre conceitos e teorias, colaborando com o avan\u00e7o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Esse processo din\u00e2mico de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode dar-se a n\u00edvel regional, nacional, e principalmente mundial, exigindo do cientista dedica\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o permanente. Entre os procedimentos mais eficazes e r\u00e1pidos para a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados de uma pesquisa, ou mesmo para o debate acerca de uma teoria ou id\u00e9ia cient\u00edfica, a academia utiliza principalmente o artigo cient\u00edfico, o paper, o review, a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o resumo. S\u00e3o veiculados em publica\u00e7\u00f5es especializadas como revistas e jornais cient\u00edficos, peri\u00f3dicos, anais, etc., impressos ou eletr\u00f4nicos no mundo todo.<\/p>\n<p>Atualmente esse formato de publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 maci\u00e7amente utilizado pela maioria dos pesquisadores e grupos de pesquisa no mundo, para divulga\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e como meio para adquirir notoriedade e respeito dentro da comunidade cient\u00edfica. No entanto, observa-se um grau acentuado de dificuldade, por parte do pesquisador iniciante, na organiza\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o dos primeiros artigos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a estrutura e organiza\u00e7\u00e3o do texto, coloca\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias, utiliza\u00e7\u00e3o de certos termos, subdivis\u00e3o dos assuntos, inser\u00e7\u00e3o de cita\u00e7\u00f5es durante a elabora\u00e7\u00e3o do texto, entre outros.<\/p>\n<p>Se o texto em quest\u00e3o (com determinadas caracter\u00edsticas para ser cient\u00edfico) for o relat\u00f3rio final de uma pesquisa de campo ou laborat\u00f3rio, ter\u00e1 uma estrutura mais centrada na metodologia, na apresenta\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o dos resultados, utilizando in\u00fameros recursos estat\u00edsticos dispon\u00edveis, como tabelas e gr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Mas, muitos artigos acad\u00eamicos s\u00e3o te\u00f3ricos, e o(s) autor(es) preocupa-se mais com a sua fundamenta\u00e7\u00e3o referencial, procurando ordena-lo conforme sua linha de racioc\u00ednio e acrescentando algumas considera\u00e7\u00f5es pessoais. As dificuldades para elabora\u00e7\u00e3o de um artigo cient\u00edfico podem ser minimizadas se o autor organizar-se e estiver convencido que o trabalho deve possuir rigor cient\u00edfico. Conforme afirma Ramos et al. (2003, p.15).<\/p>\n<p>Executar uma pesquisa com rigor cient\u00edfico pressup\u00f5e que voc\u00ea escolha um tema e defina um problema para ser investigado. A defini\u00e7\u00e3o depender\u00e1 dos objetivos que se pretende alcan\u00e7ar. Nesta etapa voc\u00ea elabora um plano de trabalho e, ap\u00f3s dever\u00e1 explicitar se os objetivos foram alcan\u00e7ados, [\u2026]. \u00c9 importante apresentar a contribui\u00e7\u00e3o da pesquisa para o meio cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Nesse contexto o presente artigo tem por objetivo orientar os interessados na elabora\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos, principalmente acad\u00eamicos de gradua\u00e7\u00e3o, estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e bolsistas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, facilitando o acesso e expondo alguns conceitos e orienta\u00e7\u00f5es, dispersos na literatura acerca da elabora\u00e7\u00e3o do artigo cient\u00edfico, bem como enriquecendo aspectos sobre as finalidades do artigo, sua reda\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o conceitual, ordena\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, exposi\u00e7\u00e3o met\u00f3dica de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, bem como suas principais caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Portanto \u00e9 muito mais um texto did\u00e1tico, que pretende colaborar na aprendizagem dos cientistas que iniciam e possuem diversas d\u00favidas sobre a elabora\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o desse tipo de publica\u00e7\u00e3o. Inicialmente s\u00e3o discutidos, o conceito, as diferentes classifica\u00e7\u00f5es e os fins pelos quais s\u00e3o elaborados artigos cient\u00edficos, em diversos contextos, sendo depois analisadas as caracter\u00edsticas e organiza\u00e7\u00e3o do texto, seus componentes e o estilo redacional recomendado. A uniformiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica n\u00e3o est\u00e1 contemplada em fun\u00e7\u00e3o dos objetivos aqui propostos, e porque varia muito de acordo com as normas espec\u00edficas da institui\u00e7\u00e3o ou do org\u00e3o que realiza a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>02. O ARTIGO CIENT\u00cdFICO<\/strong><\/p>\n<p>Elaborar um artigo cient\u00edfico \u00e9, num sentido gen\u00e9rico, contribuir para o avan\u00e7o do conhecimento, para o progresso da ci\u00eancia. No in\u00edcio, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tende a aproveitar em grande medida, os saberes e conhecimentos de outros autores, ficando o texto final com um percentual elevado de id\u00e9ias extra\u00eddas de v\u00e1rias fontes (que devem ser obrigatoriamente citadas). Com o exerc\u00edcio cont\u00ednuo da pesquisa e da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, consolida-se a autoria, a criatividade e a originalidade da produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, bem como a s\u00edntese de novos saberes.<\/p>\n<p><strong>Como afirma Demo:<\/strong><\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria implica processo complexo e evolutivo de desenvolvimento da compet\u00eancia, que, como sempre, tamb\u00e9m come\u00e7a do come\u00e7o. Este come\u00e7o \u00e9 normalmente a c\u00f3pia. No in\u00edcio da criatividade h\u00e1 treinamento, que depois se h\u00e1 de jogar fora. A maneira mais simples de aprender, \u00e9 imitar. Todavia, este aprender que apenas imita, n\u00e3o \u00e9 aprender a aprender.<\/p>\n<p>Por isso, pode-se tamb\u00e9m dizer que a maneira mais simples de aprender a aprender, \u00e9 n\u00e3o imitar. (2002, p.29) \u00c9 necess\u00e1rio darmos os primeiros passos nesse processo de constru\u00e7\u00e3o da atitude cient\u00edfica, que \u00e9 antes de tudo uma postura cr\u00edtica, racional e intuitiva ao mesmo tempo, que provoca a seu termo, como diz Kuhn (Apud MORIN, 2002), uma s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es desracionalizantes, e por sua vez, cada uma, nova racionaliza\u00e7\u00e3o. Portanto, conhecer a natureza, a estrutura e os mecanismos b\u00e1sicos utilizados na elabora\u00e7\u00e3o de artigos, \u00e9 apropriar-se de um elemento revolucion\u00e1rio, que transforma paradigmas cient\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>2.1. Conceito e finalidade<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a UFPR (2000b), &#8220;artigos de peri\u00f3dicos s\u00e3o trabalhos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, escritos por um ou mais autores, com a finalidade de divulgar a s\u00edntese anal\u00edtica de estudos e resultados de pesquisas&#8221; (p.2).<\/p>\n<p>Consistem em publica\u00e7\u00f5es mais sint\u00e9ticas, mesmo sendo assuntos bem espec\u00edficos, com uma abordagem mais &#8220;enxuta&#8221; do tema em quest\u00e3o, apesar da relativa profundidade na sua an\u00e1lise. Possuem mais versatilidade que os livros, por exemplo, sendo facilmente public\u00e1veis em peri\u00f3dicos ou similares, atingindo simultaneamente todo o meio cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Como diz Tafner et al. (1999, p.18) &#8220;esses artigos s\u00e3o publicados, em geral, em revistas jornais ou outro peri\u00f3dico especializado que possua agilidade na divulga\u00e7\u00e3o (grifo meu)&#8221;. Por esse motivo, o artigo cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 extenso, totalizando normalmente entre 5 e 10 p\u00e1ginas, podendo alcan\u00e7ar, dependendo de v\u00e1rios fatores (\u00e1rea do conhecimento, tipo de publica\u00e7\u00e3o, natureza da pesquisa, normas do peri\u00f3dico, etc.), at\u00e9 20 p\u00e1ginas, garantindo-se em todos os casos, que a abordagem tem\u00e1tica seja o mais completa poss\u00edvel, com a exposi\u00e7\u00e3o dos procedimentos metodol\u00f3gicos e discuss\u00e3o dos resultados nas pesquisas de campo, caso seja necess\u00e1rio a repeti\u00e7\u00e3o da mesma por outros pesquisadores (LAKATOS e MARCONI, 1991; MEDEIROS, 1997; SANTOS, 2000). Al\u00e9m disso, recomenda-se uma determinada normatiza\u00e7\u00e3o para essas publica\u00e7\u00f5es, tanto na estrutura b\u00e1sica quanto na uniformiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, como tamb\u00e9m na reda\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, diferenciando-se em v\u00e1rios aspectos das monografias, disserta\u00e7\u00f5es e teses, que constituem os principais trabalhos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p><strong>Em geral, os artigos cient\u00edficos objetivam publicar e divulgar os resultados de estudos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;a)<\/strong>\u00a0originais, quando apresentam abordagens ou assuntos in\u00e9ditos;<br \/>\n<strong>b)<\/strong>\u00a0de revis\u00e3o, quando abordam, analisam ou resumem informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 publicadas&#8221; (UFPR, 2000a, p.2). Observa-se muitas vezes a utiliza\u00e7\u00e3o de ambas as situa\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o dos artigos, onde incluem-se informa\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, tais como resultados de pesquisa, juntamente com uma fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica baseada em conhecimentos publicados anteriormente por outros ou pelo mesmo autor.<\/p>\n<p><strong>Na maioria dos casos, dependendo da \u00e1rea do conhecimento e da natureza do estudo, encontram-se artigos priorizando a divulga\u00e7\u00e3o de:<\/strong><\/p>\n<p>Procedimentos e resultados de uma pesquisa cient\u00edfica (de campo)<br \/>\nAbordagem bibliogr\u00e1fica e pessoal sobre um tema<br \/>\nRelato de caso ou experi\u00eancia (profissional, comunit\u00e1ria, educacional, etc.) pessoal e\/ou grupal com fundamenta\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica<br \/>\nRevis\u00e3o bibliogr\u00e1fica de um tema, que pode ser mais superficial ou bem aprofundada, tamb\u00e9m conhecida como review.<\/p>\n<p>\u00c9 importante considerar que essas abordagens n\u00e3o se excluem, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o amplamente flex\u00edveis, assim como a pr\u00f3pria ci\u00eancia, podendo na elabora\u00e7\u00e3o do artigo cient\u00edfico, serem utilizadas de forma conjugada, desde que resguardadas as preocupa\u00e7\u00f5es relativas a cientificidade dos resultados, id\u00e9ias, abordagens e teorias, acerca dos mais diferentes temas que caracterizam o pensamento cient\u00edfico. Uma dos recursos amplamente utilizados atualmente em artigos de peri\u00f3dicos, principalmente nas ci\u00eancias humanas e sociais \u00e9, sem d\u00favida, o &#8220;relato de experi\u00eancia&#8221;, enriquecendo a fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do texto com a pr\u00f3pria viv\u00eancia profissional ou pessoal do autor, sem a formalidade de enquadrar o conte\u00fado numa metodologia de estudo de caso, que tornaria o trabalho bem mais oneroso. O relato de experi\u00eancia \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o, de maneira mais informal, e sem o rigor exigido na apresenta\u00e7\u00e3o de resultados de pesquisa, que se incorpora no texto e d\u00e1, muitas vezes, mais vida e significado para leitura do que se fosse apenas um texto anal\u00edtico. Independente do tipo ou objetivo Medeiros (1997) afirma que a elabora\u00e7\u00e3o de &#8220;um artigo cient\u00edfico exige o apoio das pr\u00f3prias id\u00e9ias em fontes reconhecidamente aceitas&#8221; (p.44). Observa-se, por exemplo, que nas Ci\u00eancias Naturais o artigo cient\u00edfico \u00e9 quase que exclusivamente utilizado para apresenta\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de resultados de pesquisas experimentais, e o review, em fun\u00e7\u00e3o do alto n\u00edvel de aprofundamento do tema e compleitude na sua abordagem, normalmente \u00e9 assinado por cientistas conhecidos tradicionalmente na \u00e1rea ou linha de pesquisa em quest\u00e3o. J\u00e1 nas Ci\u00eancias Humanas e Sociais, o artigo cient\u00edfico \u00e9 utilizado para os mais diversos fins, inclusive, sendo comum outras abordagens n\u00e3o mencionadas anteriormente.<\/p>\n<p><strong>2.2. Organiza\u00e7\u00e3o e normatiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Assim como em todo trabalho acad\u00eamico, o artigo cient\u00edfico possui uma organiza\u00e7\u00e3o e normatiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, que pode ser apresentada da seguinte forma:<\/strong><\/p>\n<p>Estrutura b\u00e1sica<br \/>\nUniformiza\u00e7\u00e3o redacional<br \/>\nUniformiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica<\/p>\n<p>Os estudos e publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, principalmente artigos e monografias, independentes do tamanho, s\u00e3o normalmente redigidos e apresentados com v\u00e1rios aspectos da organiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e redacional semelhantes, podendo ser reconhecidos em todo o mundo cient\u00edfico. Muitos acad\u00eamicos que iniciam na elabora\u00e7\u00e3o de trabalhos de pesquisa reclamam do excesso de normas e dos detalhes minuciosos com que devem ser redigidos, considerando um demasiado apego \u00e0 forma externa, em detrimento do fundo (conte\u00fado e informa\u00e7\u00f5es), que \u00e9 essencial na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. De certa maneira deve-se concordar que as dificuldades para o iniciante em trabalhos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, sejam artigos ou outros trabalhos, s\u00e3o acrescidas em fun\u00e7\u00e3o das regras e normas recomendadas pela academia, podendo no in\u00edcio haver um certo embara\u00e7o na aten\u00e7\u00e3o e na ordena\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias. Mas como sempre acontece com o potencial humano, o exerc\u00edcio e a pr\u00e1tica continuada de determinada a\u00e7\u00e3o proporciona a destreza, que posteriormente \u00e9 transformada em ato criativo. Apesar da &#8220;flexibilidade&#8221; ser pertinente na elabora\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos, \u00e9 necess\u00e1rio que esses textos possuam certas normas, que gradualmente incorporam-se na atitude cient\u00edfica do pesquisador. Neste trabalho, em fun\u00e7\u00e3o dos objetivos propostos inicialmente, ser\u00e3o apresentados apenas os assuntos referentes a estrutura b\u00e1sica e uniformiza\u00e7\u00e3o redacional do artigo cient\u00edfico. A uniformiza\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, cujas normas variam conforme a institui\u00e7\u00e3o que publica, possui ampla abordagem na literatura relacionada a metodologia cient\u00edfica, podendo ser facilmente encontrada.<\/p>\n<p><strong>2.2.1. Estrutura b\u00e1sica<\/strong><\/p>\n<p>A estrutura b\u00e1sica do artigo cient\u00edfico \u00e9 a forma como o autor organiza os componentes do texto, da primeira a \u00faltima p\u00e1gina. \u00c9 a ordena\u00e7\u00e3o coerente dos itens e dos conte\u00fados ao longo da sua reda\u00e7\u00e3o geral. \u00c9 a maneira como estruturam-se as partes objetivas\/subjetivas, expl\u00edcitas\/impl\u00edcitas, durante a elabora\u00e7\u00e3o do texto cient\u00edfico. Em fun\u00e7\u00e3o do tamanho reduzido recomendado para o artigo cient\u00edfico, a economia e a objetividade s\u00e3o fundamentais na exposi\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, procurando manter a profundidade do tema, seja na abordagem de teorias ou id\u00e9ias, seja na an\u00e1lise de resultados de pesquisa e sua discuss\u00e3o. Nesse ponto, a elabora\u00e7\u00e3o de artigos t\u00e9cnico-cient\u00edficos \u00e9 mais complexa que outros trabalhos acad\u00eamicos, onde h\u00e1 maior liberdade na apresenta\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o do tema. No artigo cient\u00edfico, o conhecimento e o dom\u00ednio pelo autor da estrutura b\u00e1sica padr\u00e3o, \u00e9 muito importante para a elabora\u00e7\u00e3o do trabalho, sendo o mesmo composto de v\u00e1rios itens, e distribu\u00eddos em elementos pr\u00e9-textuais, elementos textuais e elementos p\u00f3s-textuais, com seus componentes subdivididos de acordo com o Quadro 1.<\/p>\n<p><strong>QUADRO 1<\/strong><\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o dos itens que comp\u00f5e o artigo cient\u00edfico em rela\u00e7\u00e3o aos elementos da estrutura b\u00e1sica:<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"40%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td><strong>Elementos<\/strong><\/td>\n<td><strong>Componentes<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td><strong>Pr\u00e9-textuais ou parte preliminar<\/strong><\/td>\n<td>T\u00edtulo<br \/>\nSubt\u00edtulo (quando for o caso)<br \/>\nAutor (es)<br \/>\nCr\u00e9dito(s) do(s) autor(es)<br \/>\nResumo<br \/>\nPalavras-chave ou descritores<br \/>\nAbstract (quando for o caso)<br \/>\nKeywords (quando for o caso)<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td><strong>Textuais ou corpo do artigo<\/strong><\/td>\n<td>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\nDesenvolvimento<br \/>\nConclus\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td><strong>P\u00f3s-textuais ou referencial<\/strong><\/td>\n<td>Refer\u00eancias<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Cada um desses elementos, e seus respectivos componentes, \u00e9 imprescind\u00edvel na composi\u00e7\u00e3o do artigo, apresentando informa\u00e7\u00f5es e dados fundamentais para a compreens\u00e3o do trabalho como um todo, sendo muito importante n\u00e3o omiti-los.<\/p>\n<p><strong>2.2.1.1. Elementos pr\u00e9 &#8211; textuais<\/strong><\/p>\n<p>Os elementos pr\u00e9-textuais, tamb\u00e9m chamados de parte preliminar ou ante-texto, comp\u00f5e-se das informa\u00e7\u00f5es iniciais necess\u00e1rias para uma melhor caracteriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento da origem e autoria do trabalho, descrevendo tamb\u00e9m, sucinta e objetivamente, algumas informa\u00e7\u00f5es importantes para os interessados numa an\u00e1lise mais detalhada do tema (t\u00edtulo, resumo, palavras-chave). O t\u00edtulo do artigo cient\u00edfico deve ser redigido com exatid\u00e3o, revelando objetivamente o que o restante do texto est\u00e1 trazendo. Apesar da especificidade que deve ter, n\u00e3o deve ser longo a ponto de tornar-se confuso, utilizando-se tanto quanto poss\u00edvel de termos simples, numa ordem em que a abordagem tem\u00e1tica principal seja facilmente captada. O sub-t\u00edtulo \u00e9 opcional e deve complementar o t\u00edtulo com informa\u00e7\u00f5es relevantes, necess\u00e1rias, somente quando for para melhorar a compreens\u00e3o do tema. T\u00edtulo e sub-t\u00edtulo s\u00e3o portas de entrada do artigo cient\u00edfico; \u00e9 por onde a leitura come\u00e7a, assim como o interesse pelo texto. Por isso deve ser estrat\u00e9gico, elaborado ap\u00f3s o autor j\u00e1 ter avan\u00e7ado em boa parte da reda\u00e7\u00e3o final, estando com bastante seguran\u00e7a sobre a abordagem e o direcionamento que deu ao tema. Deve ser uma composi\u00e7\u00e3o de originalidade e coer\u00eancia, que certamente provocar\u00e1 o interesse pela leitura. Ap\u00f3s, o nome do autor vai imediatamente seguido dos cr\u00e9ditos, constituindo-se do nome da institui\u00e7\u00e3o onde leciona ou trabalha e da sua titula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m podem ser citados outros dados relevantes, ficando isto a crit\u00e9rio do autor ou da institui\u00e7\u00e3o que publica. Quando \u00e9 mais de um autor, normalmente o primeiro nome \u00e9 o autor principal, ou 1\u00b0 autor, sendo sempre citado ou referenciado afrente dos demais. O resumo indica brevemente os principais assuntos abordados no artigo cient\u00edfico, iniciando com os objetivos do trabalho, metodologia e an\u00e1lise de resultados (nas pesquisas de campo) ou id\u00e9ias principais, encerrando com breves considera\u00e7\u00f5es finais do pesquisador. Deve-se evitar qualquer tipo de cita\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica. A Norma Brasileira Registrada (NBR) 6028, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas (1987), possui uma normatiza\u00e7\u00e3o completa para a elabora\u00e7\u00e3o de resumos. Em seguida, s\u00e3o relacionadas de 3 a 6 palavras-chave que expressem as id\u00e9ias centrais do texto, podendo ser termos simples e compostos, ou express\u00f5es caracter\u00edsticas. A preocupa\u00e7\u00e3o do autor na escolha dos termos mais apropriados, deve-se ao fato dos leitores identificarem prontamente o tema principal do artigo lendo o resumo e palavras-chave. No levantamento bibliogr\u00e1fico feito atrav\u00e9s de softwares especializados ou pela internet, utilizam-se em grande escala esses dois elementos pr\u00e9-textuais. Quando o artigo cient\u00edfico \u00e9 publicado, em revistas ou peri\u00f3dicos especializados de grande penetra\u00e7\u00e3o nos centros cient\u00edficos, inclui-se na parte preliminar o abstract e key-words, que s\u00e3o o resumo e as palavras-chave traduzido para o idioma ingl\u00eas.<\/p>\n<p><strong>2.2.1.2. &#8211; Elementos textuais<\/strong><\/p>\n<p>Considerada a parte principal do artigo cient\u00edfico, comp\u00f5e-se do texto propriamente dito, sendo a etapa onde &#8220;o assunto \u00e9 apresentado e desenvolvido&#8221; (UFPR, 2000a, p.27) e por esse motivo \u00e9 chamado corpo do trabalho. Como em qualquer outro trabalho acad\u00eamico, os elementos textuais subdividem-se em introdu\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e conclus\u00e3o ou considera\u00e7\u00f5es finais, sendo redigidos de acordo com algumas regras gerais, que promovem maior clareza e melhor apresenta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es contidas no texto. Na introdu\u00e7\u00e3o o tema \u00e9 apresentado de maneira gen\u00e9rica, &#8220;como um todo, sem detalhes&#8221; (UFPR, 2000a, p.28), numa abordagem que posicione bem o assunto em rela\u00e7\u00e3o aos conhecimentos atuais, inclusive a recentes pesquisas, sendo abordadas com maior profundidade nas etapas seguintes do artigo. \u00c9 nessa parte que o autor indica a finalidade do tema, destacando a relev\u00e2ncia e a natureza do problema, apresentando os objetivos e os argumentos principais que justificam o trabalho. &#8220;Trata-se do elemento explicativo do autor para o leitor&#8221; (UFPR, 2000a, p.28).<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o deve criar uma expectativa positiva e o interesse do leitor para a continua\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise de todo artigo. Em alguns textos, o final da introdu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 utilizado pelo autor para explicar a seq\u00fc\u00eancia dos assuntos que ser\u00e3o abordados no corpo do trabalho. O elemento textual chamado desenvolvimento \u00e9 a parte principal do artigo cient\u00edfico, caracterizado pelo aprofundamento e an\u00e1lise pormenorizada dos aspectos conceituais mais importantes do assunto. \u00c9 onde s\u00e3o amplamente debatidas as id\u00e9ias e teorias que sustentam o tema (fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica), apresentados os procedimentos metodol\u00f3gicos e an\u00e1lise dos resultados em pesquisas de campo, relatos de casos, etc. Conforme a UFPR (2000b, p.27) &#8220;o desenvolvimento ou corpo, como parte principal e mais extensa do artigo, visa expor as principais id\u00e9ias. \u00c9 [\u2026] a fundamenta\u00e7\u00e3o l\u00f3gica do trabalho&#8221;. O autor deve ter amplo dom\u00ednio sobre o tema abordado, pois quanto maior for o conhecimento a respeito, tanto mais estruturado e completo (dir-se-\u00e1 &#8220;amadurecido&#8221;) ser\u00e1 o texto. De acordo com Bastos et al. (2000) organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado deve possuir uma ordem seq\u00fcencial progressiva, em fun\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica inerente a qualquer assunto, que uma vez detectada, determina a ordem a ser adotada. Muitas vezes pode ser utilizada a subdivis\u00e3o do tema em se\u00e7\u00f5es e subse\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O desenvolvimento ou parte principal do artigo, nas pesquisas de campo, \u00e9 onde s\u00e3o detalhados itens como<\/strong>: tipo de pesquisa, popula\u00e7\u00e3o e amostragem, instrumenta\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica para coleta de dados, tratamento estat\u00edstico, an\u00e1lise dos resultados, entre outros, podendo ser enriquecido com gr\u00e1ficos, tabelas e figuras. O t\u00edtulo dessa se\u00e7\u00e3o, quando for utilizado, n\u00e3o deve estampar a palavra &#8220;desenvolvimento&#8221; nem &#8220;corpo do trabalho&#8221;, sendo escolhido um t\u00edtulo geral que englobe todo o tema abordado na se\u00e7\u00e3o, e subdividido conforme a necessidade.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 parcial e a \u00faltima parte dos elementos textuais de um artigo, e deve guardar propor\u00e7\u00f5es de tamanho e conte\u00fado conforme a magnitude do trabalho apresentado, sem os &#8220;del\u00edrios conclusivos&#8221; comuns dos iniciantes, nem os freq\u00fcentes exageros na linguagem determin\u00edstica. Comumente chamado de &#8220;Considera\u00e7\u00f5es finais&#8221;, em fun\u00e7\u00e3o da maior flexibilidade do pr\u00f3prio termo, esse item deve limitar-se a explicar brevemente as id\u00e9ias que predominaram no texto como um todo, sem muitas pol\u00eamicas ou controv\u00e9rsias, incluindo, no caso das pesquisas de campo, as principais considera\u00e7\u00f5es decorrentes da an\u00e1lise dos resultados. O autor pode nessa parte, conforme o tipo e objetivo da pesquisa, incluir no texto algumas recomenda\u00e7\u00f5es gerais acerca de novos estudos, sensibilizar os leitores sobre fatos importantes, sugerir decis\u00f5es urgentes ou pr\u00e1ticas mais coerentes de pessoas ou grupos, etc. Como lembram Tafner et al. (1999) a conclus\u00e3o &#8220;deve explicitar as contribui\u00e7\u00f5es que o trabalho alcan\u00e7ou, [\u2026] deve limitar-se a um resumo sintetizado da argumenta\u00e7\u00e3o desenvolvida no corpo do trabalho, [\u2026] devem estar todas fundamentadas nos resultados obtidos na pesquisa&#8221; (p.46). Sugere-se que cada componente dos elementos textuais em um artigo cient\u00edfico tenham um tamanho proporcional em rela\u00e7\u00e3o ao todo, conforme explicitado na Tabela 1.<\/p>\n<p><strong>TABELA 1 \ufffd Proporcionalidade de cada elemento textual em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho total do corpo ou parte principal do artigo cient\u00edfico:<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"40%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<td align=\"center\"><strong>n.\u00ba<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Elemento Textual<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Propor\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>01<\/td>\n<td>Introdu\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>2 a 3\/10<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>02<\/td>\n<td>Desenvolvimento<\/td>\n<td>6 a 7\/10<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td>03<\/td>\n<td>Conclus\u00e3o ou Considera\u00e7\u00f5es finais<\/td>\n<td>1\/2 a 1\/10<\/td>\n<\/tr>\n<tr bgcolor=\"#FFFFFF\">\n<td><\/td>\n<td align=\"center\"><strong>Total<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\"><strong>10\/10<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>2.2.1.3. Elementos p\u00f3s &#8211; textuais<\/strong><\/p>\n<p>Na elabora\u00e7\u00e3o de qualquer trabalho acad\u00eamico, os elementos p\u00f3s-textuais, compreendem aqueles componentes que completam e enriquecem o trabalho, sendo alguns opcionais, variando de acordo com a necessidade.<\/p>\n<p><strong>Entre eles destacam-se:\u00a0<\/strong>Refer\u00eancias, \u00cdndice remissivo, Gloss\u00e1rio, Bibliografia de apoio ou recomendada, Ap\u00eandices, Anexos, etc. No artigo cient\u00edfico utiliza-se obrigatoriamente a Refer\u00eancia, que consiste no &#8220;conjunto padronizado de elementos que permitem a identifica\u00e7\u00e3o de um documento no todo ou em parte&#8221; (UFPR, 2000a, p.37). Com maior freq\u00fc\u00eancia \u00e9 utilizada a lista de refer\u00eancias por ordem alfab\u00e9tica (sistema alfab\u00e9tico) no final do artigo, onde s\u00e3o apresentados todos os documentos citados pelo autor. Menos comum, tamb\u00e9m pode-se optar pela nota\u00e7\u00e3o num\u00e9rica, que utiliza predominantemente as notas de rodap\u00e9 na pr\u00f3pria p\u00e1gina onde o documento foi citado. Existem normas para utiliza\u00e7\u00e3o de ambas, disciplinadas pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas &#8211; ABNT, e periodicamente atualizadas.<\/p>\n<p><strong>2.2.2. Uniformiza\u00e7\u00e3o redacional<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.2.2.1. Organiza\u00e7\u00e3o do texto cient\u00edfico<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Considerada por muitos uma etapa extremamente dif\u00edcil, vale lembrar que, para escrever textos t\u00e9cnicos, segue-se basicamente o mesmo racioc\u00ednio utilizado para sua leitura.&#8221; (SANTOS, 2000, p.89) Da mesma forma como se faz o fichamento e o esquema na leitura t\u00e9cnica, a grande maioria dos pesquisadores e estudiosos que elaboram textos cient\u00edficos, utilizam-se previamente de um planejamento ou esquema (esqueleto) montado a partir de leituras, observa\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es, atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas apropriadas, como o fichamento, as listas de assuntos, o brainstorming. A organiza\u00e7\u00e3o coerente desse plano de conte\u00fados deve respeitar os objetivos do trabalho e a ordena\u00e7\u00e3o natural do tema, pois dessa forma, conforme afirma Medeiros (1997) n\u00e3o se repetem id\u00e9ias e nem deixa-se nada importante de lado. &#8220;A reda\u00e7\u00e3o inicia-se pela &#8220;limpeza&#8221; (sele\u00e7\u00e3o) dos dados; segue-se a organiza\u00e7\u00e3o dos blocos de id\u00e9ias; faz-se a hierarquiza\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias importantes. Agora as informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o prontas para serem redigidas.- (SANTOS, 2000, p.91) Sugerindo a utiliza\u00e7\u00e3o de outros recursos, principalmente eletr\u00f4nicos, na reda\u00e7\u00e3o do texto cient\u00edfico, M\u00e1ttar Neto (2002) sugere que n\u00e3o seja realizada a etapa inicial de livre associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, como no brainstorming, mas sim utilizado o sum\u00e1rio nos processadores de textos no computador (Microsoft Word, por exemplo), evitando o caos na fase inicial da reda\u00e7\u00e3o. [\u2026] m\u00e9todo do sum\u00e1rio tende a preservar tanto a possibilidade da livre associa\u00e7\u00e3o quanto da ordena\u00e7\u00e3o, do come\u00e7o ao final da reda\u00e7\u00e3o do texto. Do nosso ponto de vista, o caos deve estar pr\u00e9-ordenado, desde o in\u00edcio, e, com o sum\u00e1rio, o espa\u00e7o para o caos fica preservado, at\u00e9 o final do processo [\u2026]. (M\u00c1TTAR NETO, 2002, p.175) Qualquer conte\u00fado que se queira divulgar por interm\u00e9dio de um artigo cient\u00edfico, seja o resultado de uma pesquisa, uma teoria, uma revis\u00e3o, etc., possui um certo grau de dificuldade, em fun\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o pequeno para o desenvolvimento das id\u00e9ias. Por isso, Medeiros (2000) sugere que a apresenta\u00e7\u00e3o do texto deve ser clara, concisa, objetiva; a linguagem correta, precisa, coerente, simples, evitando-se adjetivos in\u00fateis, repeti\u00e7\u00f5es, rodeios, explica\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>2.2.2.2. Reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica<\/strong><\/p>\n<p>O estilo da reda\u00e7\u00e3o utilizada em artigos cient\u00edficos \u00e9 chamado t\u00e9cnico-cient\u00edfico, &#8220;diferindo do utilizado em outros tipos de composi\u00e7\u00e3o, como a liter\u00e1ria, a jornal\u00edstica, a publicit\u00e1ria&#8221; (UFPR, 2000c, p.1). Com caracter\u00edsticas e normas espec\u00edficas, o estilo da reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica possui certos princ\u00edpios b\u00e1sicos, universais, apresentados em diversas obras, principalmente textos de metodologia cient\u00edfica, que colaboram para o desempenho eficiente da reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Com fins did\u00e1ticos, ser\u00e1 apresentado em forma de quadro explicativo, as principais informa\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios b\u00e1sicos sobre o estilo da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfico, baseando-se em tr\u00eas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas que tratam do tema.<\/p>\n<p><strong>Bastos et al. (2000) estruturam os princ\u00edpios b\u00e1sicos da uniformiza\u00e7\u00e3o redacional em quatro itens indispens\u00e1veis:<\/strong>\u00a0&#8220;clareza, precis\u00e3o, comunicabilidade e consist\u00eancia&#8221; (p.15).<\/p>\n<p><strong>QUADRO 2 &#8211; Descri\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica segundo Bastos et al.(2000):<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"40%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"127\">Caracter\u00edstica<\/th>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"472\">\n<p align=\"center\">Descri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"127\"><strong>Clareza<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"472\">-n\u00e3o deixa margem a interpreta\u00e7\u00f5es diversas;&nbsp;<\/p>\n<p>-n\u00e3o utiliza linguagem rebuscada, termos desnecess\u00e1rios ou amb\u00edguos;<\/p>\n<p>-evita falta de ordem na apresenta\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"127\"><strong>Precis\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"472\">-cada palavra traduz exatamente o que o autor\u00a0 transmite;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"127\"><strong>Comunicabilidade<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"472\">-abordagem direta e simples dos assuntos;&nbsp;<\/p>\n<p>-l\u00f3gica e continuidade no desenvolvimento das id\u00e9ias;<\/p>\n<p>-uso correto do pronome relativo \u201cque\u201d;<\/p>\n<p>-uso criterioso da pontua\u00e7\u00e3o;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"127\"><strong>Consist\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"472\">-de express\u00e3o gramatical \u2013 \u00e9 violada quando, por ex., numa enumera\u00e7\u00e3o de 3 itens, o 1\u00b0 \u00e9 substantivo, o 2\u00ba uma frase e o 3\u00ba um per\u00edodo completo;&nbsp;<\/p>\n<p>-de categoria \u2013 equil\u00edbrio existente nas se\u00e7\u00f5es de um cap\u00edtulo ou subse\u00e7\u00f5es de uma se\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>-de seq\u00fc\u00eancia \u2013 ordem na apresenta\u00e7\u00e3o de cap\u00edtulos, se\u00e7\u00f5es e subse\u00e7\u00f5es do trabalho;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A UFPR (2000c) descreve as caracter\u00edsticas da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica em diversos princ\u00edpios b\u00e1sicos, sendo os principais apresentados no Quadro 3.<\/p>\n<p><strong>QUADRO 3<\/strong><\/p>\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica segundo UFPR(2000c)<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"40%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"128\">Caracter\u00edstica<\/th>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"471\">\n<p align=\"center\">Descri\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"128\"><strong>Objetividade e coer\u00eancia<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"471\">-abordagem simples e direta do tema;&nbsp;<\/p>\n<p>-seq\u00fc\u00eancia l\u00f3gica e ordenada de id\u00e9ias;<\/p>\n<p>-coer\u00eancia e progress\u00e3o na apresenta\u00e7\u00e3o do tema conforme objetivo proposto;<\/p>\n<p>-conte\u00fado apoiado em dados e provas, n\u00e3o opinativo;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"128\"><strong>Clareza e precis\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"471\">-evita coment\u00e1rios irrelevantes e redundantes;&nbsp;<\/p>\n<p>-vocabul\u00e1rio preciso (evita linguagem rebuscada e prolixa);<\/p>\n<p>-nomenclatura aceita no meio cient\u00edfico;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"128\"><strong>Imparcialidade<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"471\">-evita id\u00e9ias pr\u00e9-concebidas;&nbsp;<\/p>\n<p>-n\u00e3o faz prevalecer seu ponto de vista;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"128\"><strong>Uniformidade<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"471\">-uniformidade ao longo de todo texto (tratamento, pessoa gramatical, n\u00fameros, abreviaturas, siglas, t\u00edtulos de se\u00e7\u00f5es);<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"128\" height=\"34\"><strong>Conjuga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"471\">-uso preferencial da forma impessoal dos verbos;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Santos (2000) estabelece o estilo e as propriedades da reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, enumerando v\u00e1rias caracter\u00edsticas importantes para cada tipo, sendo os principais apresentados no Quadro 4.<\/p>\n<p><strong>QUADRO 4<\/strong><\/p>\n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica segundo Santos(2000)<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"40%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"99\">Tipo<\/th>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"123\">Caracter\u00edstica<\/th>\n<th valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"376\">Descri\u00e7\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"99\">Estilo da reda\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"123\">Brevidade Concretude \u00a0 Consist\u00eancia Impessoalidade \u00a0 Precis\u00e3o \u00a0 Simplicidade<\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"376\">-afirmativas compactas e claras;<br \/>\n\u2013 evita substantivos abstratos e senten\u00e7as vagas;<br \/>\n\u2013 usa termos correntes e aceitos;<br \/>\n\u2013 vis\u00e3o objetiva dos fatos, sem envolvimento pessoal;<br \/>\n\u2013 usa linguagem precisa (correspond\u00eancia entre a linguagem e o fato comunicado);<br \/>\n\u2013 texto sem complica\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es longas;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"99\">Propriedades do texto<\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"123\">Clareza Coer\u00eancia Dire\u00e7\u00e3o \u00a0 Objetividade Seletividade<\/td>\n<td align=\"center\" valign=\"top\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"376\">\u2013 reda\u00e7\u00e3o clara, compreendida na 1\u00aa leitura;<br \/>\n\u2013 as partes do texto s\u00e3o interligadas;<br \/>\n\u2013 indica o caminho que vai seguir (unidade de pensamento);<br \/>\n\u2013 imparcialidade na reda\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u2013 prioriza conte\u00fados importantes;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>03. CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n<p>O artigo cient\u00edfico, assim como outros tipos de trabalhos acad\u00eamicos, abordam temas te\u00f3ricos de pesquisa, revis\u00f5es bibliogr\u00e1ficas, pesquisas de campo, e tem a finalidade de comunicar ao mundo cient\u00edfico os conhecimentos elaborados a partir dos crit\u00e9rios da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o de qualquer artigo deve respeitar uma organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, constitu\u00edda de uma estrutura b\u00e1sica, uma uniformiza\u00e7\u00e3o redacional e uma gr\u00e1fica, que somadas formam o conjunto de normas recomendadas para este tipo de publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estrutura b\u00e1sica do artigo cient\u00edfico \u00e9 composta dos elementos pr\u00e9-textuais, textuais e p\u00f3s-textuais, subdivididos em v\u00e1rios componentes e contendo informa\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis para o entendimento do tema, da sua fundamenta\u00e7\u00e3o e da autoria do trabalho.<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento do texto no artigo cient\u00edfico requer a defini\u00e7\u00e3o e o entendimento exato do tema e sua ordena\u00e7\u00e3o natural, a organiza\u00e7\u00e3o e a hierarquiza\u00e7\u00e3o interna das id\u00e9ias principais e secund\u00e1rias, e a compreens\u00e3o acerca da necessidade de uma linguagem simples e concisa devido ao tamanho pequeno recomendado para o artigo.<\/p>\n<p>A reda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica desenvolvida no texto do artigo possui caracter\u00edsticas de estilo e propriedade pr\u00f3prias, como clareza, precis\u00e3o, comunicabilidade e consist\u00eancia, possibilitando a compreens\u00e3o exata e objetiva por parte do leitor e a economia de espa\u00e7o, sem perder a qualidade na comunica\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de normas e diretrizes para elabora\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos, al\u00e9m de padronizar o formato geral e a organiza\u00e7\u00e3o do texto, s\u00e3o fundamentais para constru\u00e7\u00e3o gradativa do pensamento cient\u00edfico do autor, estabelecendo par\u00e2metros individuais seguros na abordagem e an\u00e1lise de temas e problemas cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Este artigo foi elaborado para orientar acad\u00eamicos e iniciantes na atividade de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, refor\u00e7ando conceitos e pressupostos cient\u00edficos, propondo normas j\u00e1 de dom\u00ednio da ci\u00eancia e organizando alguns procedimentos utilizados na reda\u00e7\u00e3o de textos t\u00e9cnico-cient\u00edficos.\u00a0<strong>Gilberto J.W.Teixeira<\/strong><\/p>\n<p><b>MANUAL B\u00c1SICO PARA ELABORA\u00c7\u00c3O DE ARTIGO CIENT\u00cdFICO<\/b><\/p>\n<p>O artigo \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica, em forma de relat\u00f3rio escrito, dos resultados de investiga\u00e7\u00f5es ou estudos realizados a respeito de uma quest\u00e3o.\u00a0 O objetivo fundamental de um artigo \u00e9 o de ser um meio r\u00e1pido e sucinto de divulgar e tornar conhecidos, atrav\u00e9s de sua publica\u00e7\u00e3o em peri\u00f3dicos especializados, a d\u00favida investigada, o referencial te\u00f3rico utilizado (as teorias que serviam de base para orientar a pesquisa), a metodologia empregada, os resultados alcan\u00e7ados e as principais dificuldades encontradas no processo de investiga\u00e7\u00e3o ou na an\u00e1lise de uma quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Assim, os problemas abordados nos artigos podem ser os mais diversos:<\/strong>\u00a0podem fazer parte quer de quest\u00f5es que historicamente s\u00e3o polemizadas, quer de problemas te\u00f3ricos ou pr\u00e1ticos novos.<\/p>\n<p>Para a elabora\u00e7\u00e3o do artigo cient\u00edfico, \u00e9 necess\u00e1rio seguir orienta\u00e7\u00f5es conforme adapta\u00e7\u00e3o das Normas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas T\u00e9cnicas para Trabalhos Acad\u00eamicos NBR`s 6022\/1994, 6023\/2002 e 10520\/2002.<\/p>\n<p><strong>1.\u00a0<\/strong>Fonte Arial<\/p>\n<p><strong>2. Papel formato A4:\u00a0<\/strong>210mm X 297mm.<\/p>\n<p><strong>3. Margens<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.1\u00a0<\/strong>Superior 3cm<strong><br \/>\n3.2\u00a0<\/strong>Inferior 2cm<strong><br \/>\n3.3\u00a0<\/strong>Esquerda 3cm<strong><br \/>\n3.4<\/strong>\u00a0Direita 2cm<\/p>\n<p><strong>4. Espacejamento:\u00a0<\/strong>entre linhas e entre par\u00e1grafos \u00e9 1,5<\/p>\n<p><strong>5. Par\u00e1grafos:\u00a0<\/strong>justificados<\/p>\n<p><strong>6. Numera\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas:\u00a0<\/strong>no canto superior direito iniciando na introdu\u00e7\u00e3o do trabalho<\/p>\n<p><strong>7. Estruturas de par\u00e1grafos:\u00a0<\/strong>iniciar sempre o par\u00e1grafo com uma tabula\u00e7\u00e3o para indicar o in\u00edcio (apor um recuo no come\u00e7o do par\u00e1grafo).<\/p>\n<p><strong>8. Tamanho da fonte<\/strong><\/p>\n<p><strong>8.1\u00a0<\/strong>No t\u00edtulo do artigo (em letras mai\u00fasculas) = 12<strong><br \/>\n8.2<\/strong>\u00a0No nome do(s) autor(es) = 10;<strong><br \/>\n8.3<\/strong>\u00a0Na titula\u00e7\u00e3o (nota de rodap\u00e9) 10;<strong><br \/>\n8.4\u00a0<\/strong>No resumo = 10;<strong><br \/>\n8.5<\/strong>\u00a0Nas palavras-chave = 12;<strong><br \/>\n8.6<\/strong>\u00a0Na reda\u00e7\u00e3o do texto (introdu\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e conclus\u00e3o) = 12;<strong><br \/>\n8.7<\/strong>\u00a0Nas cita\u00e7\u00f5es longas = 10<strong><br \/>\n8.8<\/strong>\u00a0Nas refer\u00eancias = 12.<\/p>\n<p><strong>9. Cita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>9.1<\/strong>\u00a0Destacar a fonte em negrito it\u00e1lico, quando cita\u00e7\u00e3o breve de at\u00e9 tr\u00eas linhas no mesmo par\u00e1grafo;<strong><br \/>\n9.2\u00a0<\/strong>Utilizar um recuo maior do par\u00e1grafo, quando cita\u00e7\u00e3o longa, com tamanho da fonte 10, aplicar espa\u00e7o simples no par\u00e1grafo (n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio negrito nem it\u00e1lico) no par\u00e1grafo;<strong><br \/>\n9.3\u00a0<\/strong>Atentar para NBR 10520\/2002;<strong><br \/>\n9.4<\/strong>\u00a0Apor o sobrenome do autor, ano da publica\u00e7\u00e3o da obra e n\u00famero da p\u00e1gina.<\/p>\n<p><strong>T\u00edtulo do Artigo (Modelo de estrutura)<\/strong><\/p>\n<p>(APOR O NOME DO TEMA ABORDADO; CENTRALIZADO EM LETRAS MAI\u00daSCULAS; TAMANHO DA FONTE 12)<\/p>\n<p><strong>Apor dois espa\u00e7os 1,5<br \/>\nResumo:\u00a0<\/strong>elaborar um resumo para convidar o leitor para a leitura do artigo, um par\u00e1grafo estruturado de cinco a dez linhas, sobre o tema indicando os objetivos do estudo desenvolvido com espa\u00e7o entre linha simples; tamanho da fonte 10; com par\u00e1grafo justificado.<\/p>\n<p><strong>Apor dois espa\u00e7os 1,5<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: escolher entre tr\u00eas e cinco palavras importantes sobre o tema que foi desenvolvido, e apor como palavras-chave do artigo (fonte 12; espa\u00e7o entre linhas 1,5; par\u00e1grafo justificado).<\/p>\n<p><strong>Apor dois espa\u00e7os 1,5<\/strong><\/p>\n<p>Iniciar a reda\u00e7\u00e3o sobre o tema com estrutura\u00e7\u00e3o de par\u00e1grafos, introdu\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e conclus\u00e3o de forma clara e ortograficamente correta. (tamanho da fonte 12; espa\u00e7o entre linhas 1,5; par\u00e1grafos justificado).<\/p>\n<p><strong>Apor dois espa\u00e7os 1,5<\/strong><\/p>\n<p>Iniciar em ordem alfab\u00e9tica as Refer\u00eancias, conforme modelo e adapta\u00e7\u00e3o da NBR 6023\/2002.<br \/>\nO artigo \u00e9 uma pequena parcela de um saber maior, cuja finalidade, de um modo geral, \u00e9 tornar p\u00fablica parte de um trabalho de pesquisa que se est\u00e1 realizando.<br \/>\nS\u00e3o pequenos estudos, por\u00e9m completos, que tratam de uma quest\u00e3o verdadeiramente cient\u00edfica, mas que n\u00e3o se constituem em mat\u00e9ria para um livro.<\/p>\n<p><b>Estrutura do Artigo<\/b><\/p>\n<p><strong>1. PRELIMINARES<\/strong><\/p>\n<p>Cabe\u00e7alho &#8211; T\u00edtulo (subt\u00edtulo) do trabalho<br \/>\nAutor(es)<br \/>\nCr\u00e9dito dos autores (forma\u00e7\u00e3o, outras publica\u00e7\u00f5es)<\/p>\n<p><strong>2.\u00a0<\/strong>RESUMO DO TEXTO<\/p>\n<p><strong>3.\u00a0<\/strong>PALAVRAS-CHAVE<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong>\u00a0CORPO DO ARTIGO<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong>\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o do assunto, objetivos, metodologia<br \/>\n<strong>Corpo do Artigo<\/strong>\u00a0&#8211; texto, exposi\u00e7\u00e3o, explica\u00e7\u00e3o e demonstra\u00e7\u00e3o do material; avalia\u00e7\u00e3o dos resultados<br \/>\n<strong>Conclus\u00f5es e coment\u00e1rios &#8211;<\/strong>\u00a0dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica<\/p>\n<p><strong>5. PARTE REFERENCIAL<\/strong><\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas Ap\u00eandices ou anexos<\/p>\n<p><strong>Obs.<\/strong>\u00a0O Artigo Cient\u00edfico requisitado pelo curso de Psican\u00e1lise \u00e0 Dist\u00e2ncia do CAEEP deve conter entre 3 a 4 p\u00e1ginas, no m\u00e1ximo. Deve ser redigido em fonte arial 12.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><b>D&#8217;ONOFRIO, Salvatore. Metodologia do trabalho intelectual. 2a.ed. S\u00e3o Paulo:<\/b>\u00a0Atlas, 2000. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade.<\/p>\n<p><b>Fundamentos de metodologia cient\u00edfica. 4a. ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2001 SANTOS, Ant\u00f4nio Raimundo dos. Metodologia cient\u00edfica<\/b>:\u00a0<b>a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. 4a.. ed. Rio de Janeiro<\/b>: DP&amp;A, 2001<\/p>\n<p><strong>Finalidade de um Artigo Cient\u00edfico<\/strong><\/p>\n<p>Comunicar os resultados de pesquisas, id\u00e9ias e debates de uma maneira clara, concisa e fidedigna.<br \/>\nServir de medida da produtividade (qualitativa e quantitativa) individual dos autores e das intitui\u00e7\u00f5es a qual servem.<br \/>\nServir de medida nas decis\u00f5es referentes a contrata\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o e estabilidade no emprego.<br \/>\n\u00c9 um bom ve\u00edculo para clarificar e depurar suas id\u00e9ias.<br \/>\nUm artigo reflete a an\u00e1lise de um dado assunto, num certo per\u00edodo de tempo.<br \/>\nServe de meio de comunica\u00e7\u00e3o e de interc\u00e2mbio de id\u00e9ias entre cientistas da sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<br \/>\nLevar os resultados do teste de uma hip\u00f3tese, provar uma teoria (tese, trabalho cient\u00edfico).<br \/>\nRegistrar, transmitir algumas observa\u00e7\u00f5es originais.<br \/>\nServir para rever o estado de um dado campo de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>ARTIGOS DE PERI\u00d3DICO<\/strong><\/p>\n<p>Artigos de peri\u00f3dico s\u00e3o trabalhos t\u00e9cnico-cient\u00edficos, escritos por um ou mais autores, com a finalidade de divulgar a s\u00edntese anal\u00edtica de estudos e resultados de pesquisas. Formam a se\u00e7\u00e3o principal em peri\u00f3dicos especializados e devem seguir as normas editoriais do peri\u00f3dico a que se destinam.<\/p>\n<p><strong>Os artigos podem ser de dois tipos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>originais, quando apresentam abordagens ou assuntos in\u00e9ditos;<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0de revis\u00e3o, quando abordam, analisam ou resumem informa\u00e7\u00f5es j\u00e1 publicadas.<\/p>\n<p><strong>ESTRUTURA<\/strong><\/p>\n<p>A estrutura de um artigo de peri\u00f3dico \u00e9 composta de elementos pr\u00e9-textuais, elementos textuais e elementos p\u00f3s-textuais.<\/p>\n<p><strong>1. ELEMENTOS PR\u00c9-TEXTUAIS<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1 Cabe\u00e7alho<\/strong><\/p>\n<p><strong>O cabe\u00e7alho \u00e9 composto de:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0t\u00edtulo do artigo, que deve ser centralizado e em negrito;<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>nome do(s) autor(es), com alinhamento \u00e0 direita;<strong><br \/>\nc)<\/strong>\u00a0breve curr\u00edculo do(s) autor(es), a crit\u00e9rio do editor, que pode aparecer no cabe\u00e7alho ou em nota de rodap\u00e9.<\/p>\n<p><strong>1.2 Agradecimentos<\/strong><\/p>\n<p>Agradecimentos s\u00e3o men\u00e7\u00f5es que o autor faz a pessoas ou institui\u00e7\u00f5es das quais eventualmente recebeu apoio e que concorreram de maneira relevante para o desenvolvimento do trabalho. Os agradecimentos aparecem em nota de rodap\u00e9 na primeira p\u00e1gina do artigo ou no final deste.<\/p>\n<p><strong>1.3 Resumo<\/strong><\/p>\n<p>Resumo \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o concisa do texto, destacando seus aspectos de maior relev\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Na elabora\u00e7\u00e3o do resumo, deve-se:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>apresentar o resumo precedendo o texto, e escrito na mesma l\u00edngua deste;<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0incluir obrigatoriamente um resumo em potugu\u00eas, no caso de artigos em l\u00edngua estrangeira publicados em peri\u00f3dicos brasileiros;<strong><br \/>\nc)\u00a0<\/strong>redigir em um \u00fanico par\u00e1grafo, em entrelinhamento menor, sem recuo de par\u00e1grafo;<strong><br \/>\nd)<\/strong>\u00a0redigir com frases completas e n\u00e3o com seq\u00fc\u00eancia de t\u00edtulos;<strong><br \/>\ne)\u00a0<\/strong>empregar termos geralmente aceitos e n\u00e3o apenas os de uso particular;<strong><br \/>\nf)\u00a0<\/strong>expressar na primeira frase do resumo o assunto tratado, situando-o no tempo e no espa\u00e7o, caso o t\u00edtulo do artigo n\u00e3o seja suficientemente expl\u00edcito;<strong><br \/>\ng)<\/strong>\u00a0dar prefer\u00eancia ao uso da terceira pessoa do singular;<strong><br \/>\nh)\u00a0<\/strong>evitar o uso de cita\u00e7\u00f5es bibliogr\u00e1ficas;<strong><br \/>\ni)\u00a0<\/strong>ressaltar os objetivos, os m\u00e9todos, os resultados e as conclus\u00f5es do trabalho;<strong><br \/>\nl)\u00a0<\/strong>elaborar o resumo com, no m\u00e1ximo, 250 palavras.<\/p>\n<p>O resumo \u00e9 denominado abstract, em ingl\u00eas, resumen, em espanhol, r\u00e9sum\u00e9, em franc\u00eas, riassunto, em italiano e Zusammenfassung em alem\u00e3o. N\u00e3o deve ser confundido com o sum\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.serprofessoruniversitario.pro.br\/www.inf.ufsc.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0metodologia (ou m\u00e9todos) de um artigo cient\u00edfico\u00a0detalha exatamente como a pesquisa foi conduzida. Seu objetivo principal \u00e9 fornecer informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e transpar\u00eancia procedimental suficientes para que outro pesquisador da mesma \u00e1rea possa replicar o estudo e verificar os resultados. 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