{"id":81496,"date":"2016-08-23T16:59:25","date_gmt":"2016-08-23T16:59:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81496"},"modified":"2026-06-14T08:55:18","modified_gmt":"2026-06-14T10:55:18","slug":"sufixos-formadores-de-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/sufixos-formadores-de-palavras","title":{"rendered":"Sufixos Formadores de Palavras"},"content":{"rendered":"<p>Os\u00a0<strong>sufixos\u00a0<\/strong>n\u00e3o representa algo que n\u00e3o nos \u00e9 familiar, mas antes de adentrarmos esse assunto, torna-se necess\u00e1rio enfatizarmos acerca dos morfemas.<\/p>\n<p>Eles, por sua vez, representam unidades menores, por\u00e9m, dotadas de significado, as quais conferem sentido \u00e0s palavras, atribuindo-lhes uma carga sem\u00e2ntica (significado).<\/p>\n<p>Partindo desse princ\u00edpio, cabe ressaltar que os sufixos representam tais unidades, uma vez que se agregam ao radical, tornando-se capazes de dar-lhe novo sentido.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica, tamb\u00e9m ocorrida em fun\u00e7\u00e3o desse agregar, \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o da classe gramatical de determinadas palavras.<\/p>\n<p><strong>Partindo, pois, dessa premissa, verifiquemos alguns casos representativos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sufixos formadores de substantivos a partir do pr\u00f3prio substantivo:<\/strong><\/p>\n<p>ADA = menino &#8211; meninada<br \/>\nEIRO = sapato &#8211; sapateiro<br \/>\nAL = banana &#8211; bananal<\/p>\n<p><strong>Sufixos de valor aumentativo<\/strong><\/p>\n<p>ARRA = boca &#8211; bocarra<br \/>\nA\u00c7A = barca &#8211; barca\u00e7a<br \/>\n\u00c3O = casa &#8211; casar\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Sufixos de valor diminutivo<\/strong><\/p>\n<p>INHO = p\u00e9 &#8211; pezinho<br \/>\nISCO = chuva &#8211; chuvisco<\/p>\n<p><strong>Sufixos formadores de substantivos a partir de adjetivos<\/strong><\/p>\n<p>EZ = altivo &#8211; altivez<br \/>\nEZA = belo &#8211; beleza<br \/>\nURA = branco &#8211; brancura<\/p>\n<p><strong>Sufixos formadores de adjetivos a partir de substantivos<\/strong><\/p>\n<p>ACO = \u00c1ustria &#8211; austr\u00edaco<br \/>\nAL = causa &#8211; causal<br \/>\nEO = ferro &#8211; f\u00e9rreo<\/p>\n<p><strong>Sufixos formadores de adjetivos a partir de verbos<\/strong><\/p>\n<p>ANTE = tolerar &#8211; tolerante<br \/>\nVEL = suportar &#8211; suport\u00e1vel<br \/>\nI\u00c7O = mover &#8211; movedi\u00e7o<\/p>\n<p><strong>Sufixos formadores de substantivos a partir de verbos<\/strong><\/p>\n<p>AN\u00c7A = vingar &#8211; vingan\u00e7a<br \/>\n\u00c7\u00c3O = nomear &#8211; nomea\u00e7\u00e3o<br \/>\nDOR = traduzir &#8211; tradutor<\/p>\n<p><b>Sufixos mais Comuns \u2013 Utiliza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><strong>1. Formam substantivos de verbos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>AGENTE<\/strong><\/p>\n<p>naveg<strong>ante<\/strong><br \/>\ncombat<strong>ente<\/strong><br \/>\nped<strong>inte<\/strong><br \/>\ncontad<strong>or<\/strong><br \/>\npint<strong>or<\/strong><br \/>\nagress<strong>or<\/strong><\/p>\n<p><strong>LUGAR<\/strong><\/p>\n<p>bebe<strong>douro<\/strong><br \/>\nlabora<strong>t\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>trai<strong>\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nsua<strong>douro<\/strong><br \/>\nferi<strong>mento<\/strong><br \/>\nconcorr<strong>\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>2. Formam substantivos de adjetivos:<\/strong><\/p>\n<p>bon<strong>dade<\/strong><br \/>\ndo\u00e7<strong>ura<\/strong><br \/>\narid<strong>ez<\/strong><br \/>\nbel<strong>eza<\/strong><\/p>\n<p><strong>3. Formam adjetivos de substantivos;<\/strong><\/p>\n<p>Horror<strong>oso<\/strong><br \/>\nBarb<strong>udo<\/strong><br \/>\nhorizont<strong>al<\/strong><\/p>\n<p><strong>4. Formam verbos:<\/strong><\/p>\n<p>civil<strong>izar<\/strong><br \/>\nflor<strong>escer<\/strong><br \/>\nendur<strong>ecer<\/strong><\/p>\n<p><strong>5. Forma adv\u00e9rbios de adjetivos:<\/strong><\/p>\n<p>luxuosa<strong>mente<\/strong><\/p>\n<p><strong>6. Forma adjetivo de verbo:<\/strong><\/p>\n<p>justific\u00e1<strong>vel<\/strong><\/p>\n<p><strong>SUFIXOS FORMADORES DE PROFISS\u00d5ES EM PORTUGU\u00caS<\/strong><\/p>\n<p><strong>ISTA X -EIRO \u2013 UMA OPOSI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comparem-se as palavras abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Projetista \u2013 economista \u2013 jornalista \u2013 criminalista \u2013 anestesista \u2013 neurologista<br \/>\nLancheiro \u2013 masseiro \u2013 borracheiro \u2013 verdureiro \u2013 lixeiro \u2013 jornaleiro \u2013 enxadeiro<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 nos dois grupos um tra\u00e7o sem\u00e2ntico comum<\/strong>: o tra\u00e7o que indica &#8220;ocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;of\u00edcio&#8221;; note-se ainda a forte oposi\u00e7\u00e3o existente entre os dois conjuntos de palavras. Este fato parece enquadrar-se no discurso de Miranda (1979); essa autora afirma que, em nossa cultura, as atividades consideradas de maior prest\u00edgio social seriam designadas pelos agentivos em -ista, ao passo que as ocupa\u00e7\u00f5es menos favorecidas pelo prest\u00edgio s\u00f3cio-cultural, ou at\u00e9 mesmo marginalizadas, seriam designadas pelos agentivos em -eiro.<\/p>\n<p><strong>Miranda (1979) sugere a exist\u00eancia de uma distribui\u00e7\u00e3o complementar entre os dois grupos de agentivos denominais (por exemplo, dermatologista \/ peixeiro); esta estaria fundamentada no grau de formalidade expresso pelas duas regras. Nas palavras da autora (1979: 87)<\/strong>: &#8220;Em termos mais absolutos, as regras x-ista e x-eiro resultariam, pois, como definidoras de status. Tudo isto resultaria do tra\u00e7o de formalidade que marca apenas um dos sufixos&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00f5es do tipo &#8220;manobrista&#8221; podem ser previstas no l\u00e9xico; nas palavras de Miranda (1979:88):<\/strong><\/p>\n<p><strong>Devemos observar, ainda que tal fato n\u00e3o interfira em nossa an\u00e1lise, que a distribui\u00e7\u00e3o aqui proposta entre os agentivos -ista e -eiro n\u00e3o corresponde sempre a uma verdade por inteiro, em termos de palavras existentes:<\/strong>\u00a0h\u00e1 os engenheiros e os balconistas, em vez de *engenhistas e *balconeiros. O que nos interessa, no entanto, \u00e9 que em termos de processo produtivo tal distribui\u00e7\u00e3o vem ocorrendo entre tais regras.<\/p>\n<p>A forma &#8220;engenheiro&#8221; foge ao padr\u00e3o geral dos agentivos em -eiro, mas no caso de &#8220;engenheiro&#8221;, a palavra sofreu um alargamento sem\u00e2ntico, pois era utilizada anteriormente para designar os trabalhadores dos engenhos. E &#8220;balconista&#8221;?<\/p>\n<p><strong>Ao lado dessa forma\u00e7\u00e3o existem muitas outras que parecem contrariar o prest\u00edgio s\u00f3cio-cultural atribu\u00eddo pelo sufixo -ista; comparem-se as forma\u00e7\u00f5es em -ista abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Anatomista \u2013 patologista \u2013 cancerologista \u2013 cardiologista \u2013 dietista \u2013 endocrinologista \u2013 gastrenterologista \u2013 pneumonologista \u2013 ginecologista<br \/>\nAtacadista \u2013 motorista \u2013 postalista \u2013 calista \u2013 florista \u2013 pracista \u2013 varejista<\/p>\n<p><strong>Neste ponto, cabe uma pergunta<\/strong>: Ser\u00e1 que a mesma regra que forma, por exemplo, &#8220;endocrinologista&#8221; forma tamb\u00e9m &#8220;florista&#8221;?<\/p>\n<p>Para responder parte desta pergunta, podemos comparar o l\u00e9xico a uma grande sacola de viagem que o falante nativo carrega consigo aonde quer que v\u00e1; esta sacola \u00e9 uma perene receptora de palavras e, para cada palavra que entra nessa bolsa, h\u00e1 uma regra que subjaz a ela. Acontece que nem todas as regras s\u00e3o evidentes; muitas est\u00e3o ali esperando ser descobertas; basta, pois, que saibamos enxerg\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>Segundo Miranda (1979: 84):<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se tra\u00e7\u00e1ssemos aqui uma escala de formalidade da linguagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regras referidas na se\u00e7\u00e3o anterior, ter\u00edamos o seguinte quadro<\/strong>: em primeiro lugar, de car\u00e1ter nitidamente formal, estariam os agentivos do tipo x-o (antrop\u00f3logo); em seguida viria a regra formadora dos agentivos em -ista (neurologista), com grau menor de formalidade. Um terceiro lugar vai surgir ainda se tomamos uma nova regra formadora de agentivos denominais \u2013 trata-se da regra de adi\u00e7\u00e3o do sufixo -eiro, de car\u00e1ter nitidamente informal.<\/p>\n<p><strong>Ressalte-se que os agentivos do tipo x-o concorrem com os agentivos em -ista<\/strong>: em bi\u00f3logo\/biologista, por exemplo, o falante se utiliza muito mais da primeira, em detrimento da segunda.<\/p>\n<p>Quanto ao car\u00e1ter informal do sufixo -eiro, h\u00e1 que se notar que o elemento formativo -ariu -, que integrava os nomes em latim cl\u00e1ssico, em geral, alterou-se em -eiro ao passar para o portugu\u00eas, na \u00e9poca da constitui\u00e7\u00e3o deste idioma. Talvez esse processo de populariza\u00e7\u00e3o do sufixo tenha contribu\u00eddo para o car\u00e1ter informal da regra que o adiciona aos nomes.<\/p>\n<p><strong>Tra\u00e7os sem\u00e2nticos dos agentivos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Observe-se agora o seguinte grupo de profiss\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>Ling\u00fcista \u2013 psicoling\u00fcista \u2013 foneticista \u2013 semanticista \u2013 latinista \u2013 bacteriologista \u2013 oftalmologista \u2013 ortopedista \u2013 otorrinolaringologista \u2013 radiologista \u2013 sanitarista<\/p>\n<p>Al\u00e9m do tra\u00e7o &#8220;ocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;of\u00edcio&#8221;, as palavras t\u00eam em comum o tra\u00e7o sem\u00e2ntico [+ especialidade], bem como o elevado status social. N\u00e3o obstante o n\u00famero de forma\u00e7\u00f5es em -ista que contrariam o padr\u00e3o geral de seu grupo (por exemplo, ascensorista), uma quantidade substancial de forma\u00e7\u00f5es ratifica este padr\u00e3o. Se queremos correlacionar grau de formalidade e status social, n\u00e3o podemos perder de vista os estudos de Miranda (1979) a esse respeito; essa autora postula dois processos morfol\u00f3gicos distintos para a forma\u00e7\u00e3o dos agentivos em -ista.<\/p>\n<p><strong>Segundo Miranda (1979: 69),<\/strong><\/p>\n<p>(\u2026) Em A as formas de base das categorias adjetivo e nome [- concreto], [- comum], ap\u00f3s opera\u00e7\u00e3o de acr\u00e9scimo do sufixo, v\u00e3o ter como sa\u00edda as categorias sint\u00e1ticas de Nome ou Adjetivo, com o sentido geral de &#8220;partid\u00e1rio de x-ismo&#8221;, onde X corresponde ao sentido da base, mas numa acep\u00e7\u00e3o de &#8220;conceito&#8221;, &#8220;teoria&#8221;, etc.<\/p>\n<p>Os agentivos em B, por outro lado, t\u00eam como forma de base e output sint\u00e1tico a categoria Nome e traduzem o sentido aproximado de &#8220;especialista em X&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Os nomes de base s\u00e3o marcados pelos tra\u00e7os:\u00a0<\/strong>(A) [+ concreto] ou (B) [[- concreto] ^ [ + especialidade]].<\/p>\n<p>Podemos depreender do grupo A o paradigma x-ismo \/ x-ista, o que equivale a dizer que para uma forma\u00e7\u00e3o em x-ismo (budismo), h\u00e1 uma forma previs\u00edvel em x-ista (budista) e vice-versa.<\/p>\n<p><strong>Vejamos o que diz Said Ali (1964:243-244) a respeito dos sufixos -ismo e -ista:<\/strong><\/p>\n<p><b>-ismo<\/b>:\u00a0<b>(\u2026) serve este elemento formativo sobretudo para dar nome a doutrinas religiosas, filos\u00f3ficas, pol\u00edticas, art\u00edsticas<\/b>:\u00a0<b>(\u2026) polite\u00edsmo, budismo, (\u2026), etc.; -ista<\/b>:<b>\u00a0(\u2026) a sua primeira aplica\u00e7\u00e3o foi aos partid\u00e1rios das doutrinas e sistemas acima referidos. Este mesmo uso perdura ainda hoje para a maioria dos nomes em -ismo de forma\u00e7\u00e3o moderna<\/b>: (\u2026) budista, darwinista, positivista, materialista (\u2026), etc.<\/p>\n<p><strong>Agora registrem-se as palavras que integram o mesmo campo associativo de &#8220;doutrina&#8221; (Dicion\u00e1rio de sin\u00f4nimos e Ant\u00f4nimos e Id\u00e9ias Semelhantes, 1961: 165):<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cren\u00e7a:<\/strong>\u00a0f\u00e9, credulidade, cr\u00e9dito, confian\u00e7a, seguran\u00e7a, presun\u00e7\u00e3o, esperan\u00e7a, convic\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\nPersuas\u00e3o:\u00a0<\/strong>princ\u00edpio, certeza, opini\u00e3o, ponto de vista, concep\u00e7\u00e3o, impress\u00e3o, conclus\u00e3o.<strong><br \/>\nDoutrina:\u00a0<\/strong>dogma, artigo de f\u00e9, normas, princ\u00edpios, artigos, c\u00e2nones, evangelho, profiss\u00e3o de f\u00e9, credo, confiss\u00e3o, propaganda, prega\u00e7\u00e3o, declara\u00e7\u00e3o, enuncia\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\nCredibilidade:\u00a0<\/strong>plausibilidade, probabilidade.<strong><br \/>\nFidedigno:\u00a0<\/strong>de confian\u00e7a, digno de f\u00e9, cr\u00edvel, acreditado, satisfat\u00f3rio, insuspeito, confiante, certo, positivo, seguro, tanto quanto dois e dois s\u00e3o quatro, satisfeito, convencido, convicto.<strong><br \/>\nCrer:<\/strong>\u00a0acreditar, aceitar, ter por certo, dar f\u00e9, p\u00f4r cr\u00e9dito, dar cr\u00e9dito, assumir que, presumir, considerar, confiar em, ter confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Analisando as palavras supramencionadas, podemos perceber de pronto a for\u00e7a expressiva que h\u00e1 nelas. Note-se, inclusive, que se chamarmos &#8220;comunista&#8221; a um comunista, decerto ele n\u00e3o se sentir\u00e1 ofendido (mesmo que o nosso tom de voz expresse rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra), pois \u00e9 fiel as suas id\u00e9ias e ideologia, caso contr\u00e1rio, n\u00e3o se teria intitulado como tal. Repare-se que a carga de for\u00e7a expressiva que cada palavra deste campo associativo carrega \u00e9 extraordinariamente positiva; acrescente-se a isto a significativa por\u00e7\u00e3o de conhecimento exigida daquele que adere a tal ou qual doutrina, para que o fa\u00e7a com a consci\u00eancia que essa ades\u00e3o implica.<\/p>\n<p>\u00c9 muito estranho, por exemplo, um indiv\u00edduo que afirme categoricamente que \u00e9 budista, e n\u00e3o saiba sequer quem foi Buda, ou at\u00e9 saiba, mas desconhe\u00e7a sua filosofia de vida, princ\u00edpios e cren\u00e7as. Al\u00e9m disso, para ser partid\u00e1rio de uma doutrina ou sistema, n\u00e3o \u00e9 bastante simpatizar com este ou aquela; s\u00e3o necess\u00e1rios amplos conhecimentos e, porque n\u00e3o, um certo grau de intelectualidade ou intelig\u00eancia? Afinal, muitas dessas doutrinas e sistemas s\u00e3o de extrema complexidade e exigem que o adepto seja dotado de grande capacidade de racioc\u00ednio, saiba problematizar a realidade que o cerca, question\u00e1-la em seus alicerces e argumentar coerentemente a favor de sua ideologia.<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, n\u00e3o seria absurdo dizer que o prest\u00edgio s\u00f3cio-cultural expresso pela grande maioria dos agentivos em -ista parece advir da\u00ed ou, pelo menos, ser refor\u00e7ado por essas caracter\u00edsticas que inferimos sobre o paradigma da rela\u00e7\u00e3o x-ismo \/ x-ista. Note-se que, mesmo que postul\u00e1ssemos uma regra de neutralidade, como sugere a exist\u00eancia de manobrista \/ manobreiro, por exemplo, dificilmente apareceriam forma\u00e7\u00f5es do tipo budeiro*, esquerdeiro*, comuneiro* etc., a menos que o falante queira atribuir a tais formas um sentido pejorativo, conforme atestam forma\u00e7\u00f5es tais como sambeiro* (em lugar de sambista), noveleiro, flauteiro etc.; observe-se a\u00ed mais um uso do sufixo -eiro, qual seja o de atribuir um sentido pejorativo \u00e0s formas, quando empregado em lugar de -ista.<\/p>\n<p>Vejamos agora as forma\u00e7\u00f5es &#8220;tenista&#8221; e &#8220;alpinista&#8221; (esta n\u00e3o est\u00e1 em nosso corpus); talvez possamos depreender daqui algumas considera\u00e7\u00f5es importantes. Miranda (1979) inclui a primeira forma no grupo B, dos agentivos em -ista, e ressalta, al\u00e9m do tra\u00e7o [+ concreto] da base, que, apesar de sua inser\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o geral de seu grupo (o que faz com que o sentido geral seja mantido), h\u00e1 nesta forma uma especifica\u00e7\u00e3o de sentido, pois &#8220;tenista&#8221; n\u00e3o \u00e9 o especialista em t\u00eanis, mas o que joga t\u00eanis. Por outro lado, o alpinista \u00e9 aquele que pratica o alpinismo; pode-se notar de pronto aqui a rela\u00e7\u00e3o x-ista \/ x-ismo. N\u00e3o obstante, a forma &#8220;alpinista&#8221; n\u00e3o est\u00e1 inserta no paradigma subjacente aos agentivos do grupo A; note-se que &#8220;alpinismo&#8221; n\u00e3o \u00e9 doutrina nem sistema pol\u00edtico; portanto, a mesma regra que forma, por exemplo, &#8220;vanguardista&#8221; n\u00e3o forma &#8220;alpinista&#8221;. A menos que se descubra um poder ainda maior de generaliza\u00e7\u00e3o para as regras formadoras dos agentivos do grupo A, a forma &#8220;alpinista&#8221; dever\u00e1 ser previs\u00edvel em outro paradigma.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o &#8220;tenista&#8221; est\u00e1 inscrita no grupo B de agentivos denominais em -ista, pois o t\u00eanis, al\u00e9m de esporte, pode ser considerado uma profiss\u00e3o; h\u00e1 os tenistas profissionais que participam de torneios, inclusive internacionais, e recebem remunera\u00e7\u00e3o por isto; j\u00e1 a forma &#8220;alpinista&#8221; n\u00e3o sugere profiss\u00e3o, somente esporte ou &#8220;hobby&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Note-se, todavia, que para se praticar alpinismo, n\u00e3o \u00e9 suficiente ter vontade de:<\/strong>\u00a0h\u00e1 que se ter um instrutor; para isto, existem as escolas de alpinismo.<\/p>\n<p><strong>Um fato curioso<\/strong>: o instrutor de alpinismo, que tamb\u00e9m \u00e9 alpinista, \u00e9 um profissional e tira seu sustento de sua profiss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Esse fato nos leva a seguinte indaga\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>dever\u00edamos &#8220;dividir&#8221; em duas a forma &#8220;alpinista&#8221;? E se assim fosse, &#8220;alpinista-instrutor&#8221; poderia enquadrar-se no grupo B dos agentivos em -ista, mas e o &#8220;alpinista-aluno&#8221;? Ao par dessas quest\u00f5es, repare-se ainda a for\u00e7a expressiva da palavra &#8220;alpinista&#8221;; integram o mesmo campo associativo dessa forma\u00e7\u00e3o palavras como &#8220;for\u00e7a&#8221; e &#8220;sa\u00fade&#8221;, pois uma pessoa franzina, de complei\u00e7\u00e3o delicada e sa\u00fade prec\u00e1ria, dificilmente poder\u00e1 escalar montanhas. Dessa forma, h\u00e1 um forte sentido positivo que reveste a palavra, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pejoratividade atribu\u00edda a certas forma\u00e7\u00f5es pelo sufixo -eiro. Estas considera\u00e7\u00f5es inegavelmente refor\u00e7am a oposi\u00e7\u00e3o existente entre os sufixos -ista e -eiro.<\/p>\n<p><strong>Miranda (1979), em sua an\u00e1lise dos agentivos do grupo B, afirma que os nomes de base s\u00e3o marcados por dois tra\u00e7os, a saber<\/strong>: [+ concreto] ou [[- concreto] ^ [+ especialidade]]; al\u00e9m disso, estes agentivos revelam o sentido geral de &#8220;especialista em x&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Essa leitura sem\u00e2ntica de &#8220;especialista em x&#8221; merece algumas considera\u00e7\u00f5es; observem-se os grupos de agentivos abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Oceanografista \u2013 contabilista \u2013 cientista \u2013 traumatologista \u2013 ortodontista<br \/>\nFoguista \u2013 maquinista \u2013 faturista \u2013 linotipista \u2013 copista \u2013 marmorista \u2013 eletricista<\/p>\n<p><strong>Veja-se agora a defini\u00e7\u00e3o de &#8220;especialista&#8221;, segundo Aur\u00e9lio B. de H. Ferreira (1986: 701):<\/strong>\u00a0&#8220;(\u2026) 1. Pessoa que se consagra com particular interesse e cuidado a certo estudo. 2. Pessoa que se dedica a um ramo de sua profiss\u00e3o. 3. Pessoa que tem habilidade ou pr\u00e1tica especial em determinada coisa. (\u2026)&#8221;.<\/p>\n<p>Se tomarmos a acep\u00e7\u00e3o 3 da defini\u00e7\u00e3o supra, poderemos tranq\u00fcilamente igualar os dois grupos de agentivos; esta acep\u00e7\u00e3o pode inclusive abarcar formas como &#8220;leiloeiro&#8221;, &#8220;toureiro&#8221;, &#8220;tintureiro&#8221; etc.; afinal, as profiss\u00f5es de leiloeiro, toureiro, tintureiro e muitas outras em -eiro, em diferentes graus, exigem habilidade e pr\u00e1tica especial; imagine-se, por exemplo, um leiloeiro que n\u00e3o tivesse uma habilidade toda especial em lidar com o p\u00fablico e, por conseguinte, &#8220;vender o seu peixe&#8221;?<\/p>\n<p><strong>Mas a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim; se compararmos os agentivos dos dois grupos acima, veremos que h\u00e1 um certo distanciamento entre eles, distanciamento este que se aprofundar\u00e1 se compararmos ambos os grupos com os dois que seguem:<\/strong><\/p>\n<p>Carroceiro \u2013 leiteiro \u2013 lavadeira \u2013 cesteiro \u2013 boiadeiro \u2013 porteiro \u2013 vaqueiro<br \/>\nAscensorista \u2013 florista \u2013 recepcionista \u2013 balconista \u2013 droguista \u2013 telefonista \u2013 calista<\/p>\n<p>Para facilitar, vamos chamar de grupo 1 o encabe\u00e7ado pela forma\u00e7\u00e3o &#8220;oceanografista&#8221;, de grupo 2 o que se inicia pela forma\u00e7\u00e3o &#8220;foguista&#8221;, de grupo 3 o das forma\u00e7\u00f5es em -eiro e finalmente, de grupo 4 o que come\u00e7a com a forma &#8220;ascensorista&#8221;.<\/p>\n<p>O grupo 1 inscreve profiss\u00f5es que requerem, no m\u00ednimo, um curso universit\u00e1rio; incluam-se neste rol, entre outras, as especialidades m\u00e9dicas que, em sua esmagadora maioria, t\u00eam os agentivos correspondentes em -ista.<\/p>\n<p>J\u00e1 os agentivos do grupo 2, al\u00e9m da enorme defasagem de status em rela\u00e7\u00e3o ao grupo 1, n\u00e3o exigem curso universit\u00e1rio, necessitam, sim, de uma t\u00e9cnica que pode, ou n\u00e3o, ser adquirida por meio de um curso t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Dessa forma, comparando os grupos 1 e 2 de agentivos em -ista, n\u00e3o se pode negar a presen\u00e7a do tra\u00e7o [+ especialista], mas tamb\u00e9m h\u00e1 que se reconhecer a exist\u00eancia de graus de especialidade, fato este que, embora n\u00e3o interfira no sentido geral expresso pelos agentivos em -ista (do grupo B de Miranda), deveria ser formalizado. Note-se que isto sugere uma extens\u00e3o da regra formadora desses agentivos, pois, efetivamente, h\u00e1 especifica\u00e7\u00f5es de sentido reveladas por in\u00fameras forma\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o podemos fechar os olhos para elas.<\/p>\n<p>O grupo 3, por seu turno, se quisermos falar em termos do tra\u00e7o [+ especialista], est\u00e1 bastante distanciado dos grupos 1 e 2; diria at\u00e9 que h\u00e1 um enorme abismo entre eles. De imediato, podemos notar que \u00e9 inconteste a inexist\u00eancia do tra\u00e7o [+especialista]; ao contr\u00e1rio, estas forma\u00e7\u00f5es parecem revelar o tra\u00e7o [+ manual] e n\u00e3o ser\u00e1 preciso dizer que, em termos de prest\u00edgio s\u00f3cio-cultural, t\u00eam pouco ou nenhum. Ressalte-se que as forma\u00e7\u00f5es &#8220;boiadeiro&#8221; e &#8220;vaqueiro&#8221; talvez sejam mais valorizadas nas \u00e1reas rurais se conjugadas, por exemplo, a &#8220;fazendeiro&#8221; (que, referentemente ao status, foge ao padr\u00e3o geral de seu grupo).<\/p>\n<p>Os agentivos listados no grupo 4 fogem completamente ao padr\u00e3o geral estabelecido pelo grupo B de Miranda (1979), tanto em termos de status como em rela\u00e7\u00e3o ao sentido geral de &#8220;especialista em x&#8221;.<\/p>\n<p>Com base nas conclus\u00f5es de Miranda (1979), Pauliukonis (1981) formula uma nova regra \u2013 a terceira \u2013 para a forma\u00e7\u00e3o dos agentivos em -ista que abarca n\u00e3o s\u00f3 os do grupo 4, mas tamb\u00e9m v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p><strong>Esta regra foi assim formulada: certos nomes de profiss\u00f5es podem ser substantivos ou adjetivos predicativos, formados pelo acr\u00e9scimo do sufixo -ista a uma base nominal, pertencente \u00e0 classe mais ou menos concreta e mant\u00eam o tra\u00e7o sem\u00e2ntico de:<\/strong>\u00a0&#8220;receptor, atendente, que trabalha com o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s citar os exemplos pertinentes, a autora afirma ainda que s\u00e3o formadas tamb\u00e9m por esta regra &#8220;(\u2026) de um modo geral, profiss\u00f5es que apresentam um tra\u00e7o de &#8220;performance&#8221; perante o p\u00fablico:<\/strong>\u00a0artistas em geral, pugilistas, humoristas, equilibristas, malabaristas, trapezistas etc.&#8221;.<\/p>\n<p>Tais profiss\u00f5es n\u00e3o possuem como marcante o tra\u00e7o &#8220;especialidade&#8221; e nem possibilitam a rela\u00e7\u00e3o -ista \/ -ismo. Trata-se, todavia, de um padr\u00e3o lexical bastante produtivo que registra a rela\u00e7\u00e3o tranpar\u00eancia sem\u00e2ntica \/ produtividade, pois o sentido \u00e9 definido sem ambig\u00fcidade pelos falantes.<\/p>\n<p><strong>Como vimos, n\u00e3o entram no esquema proposto pelas duas regras de Miranda (1979); conclu\u00edmos ent\u00e3o tratar-se de mais uma regra de forma\u00e7\u00e3o de palavras, cuja an\u00e1lise estrutural indica que esses nomes em -ista s\u00e3o nomes de profiss\u00f5es com os tra\u00e7os de:<\/strong>\u00a0&#8220;servir, receber pessoas, atender, falar para o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>Essa nova regra de forma\u00e7\u00e3o de agentivos em -ista cobre um n\u00famero significativo de formas que, de outro jeito, estariam a descoberto; esse fato \u00e9 corroborado pela ineg\u00e1vel produtividade do padr\u00e3o lexical envolvido. Aqui, por\u00e9m, h\u00e1 algumas considera\u00e7\u00f5es que podem ser depreendidas, \u00e0 medida que examinamos algumas das forma\u00e7\u00f5es do grupo 4 e outras j\u00e1 citadas pela autora, \u00e0 luz desta nova regra.<\/p>\n<p><strong>Se analisarmos atentamente as forma\u00e7\u00f5es do grupo 4, vamos perceber de imediato algo parecido com os graus de especialidade sugeridos ao compararmos os grupos 1 e 2; vejamos:<\/strong>\u00a0os tra\u00e7os estabelecidos pela autora realmente procedem e, de posse deles, podemos condens\u00e1-los em um \u00fanico tra\u00e7o, qual seja o &#8220;relacionamento com o p\u00fablico&#8221;; se considerarmos um grau maior de abstra\u00e7\u00e3o depreendido desse tra\u00e7o, diremos pura e simplesmente que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. E \u00e9 justamente a\u00ed que est\u00e1 o ponto-chave, j\u00e1 que h\u00e1 formas e formas de se relacionar com o p\u00fablico; por outras palavras, h\u00e1 diferentes modos de rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Vamos comparar, por exemplo, o balconista com o ascensorista:<\/strong>\u00a0o primeiro dirige-se ao p\u00fablico com muito mais freq\u00fc\u00eancia do que o segundo; a forma de se dirigir tamb\u00e9m \u00e9 completamente diferente, pois o trabalho do ascensorista \u00e9 muito mais mec\u00e2nico, ali\u00e1s, \u00e9 quase autom\u00e1tico, tanto que seria o caso de questionarmos se este agentivo poderia realmente enquadrar-se nessa nova regra. N\u00e3o obstante, se compararmos um elevador com ascensorista e outro sem este profissional, perceberemos que a regra realmente subjaz \u00e0 forma\u00e7\u00e3o desse agentivo; basta pensarmos que elevadores que t\u00eam ascensorista, principalmente os autom\u00e1ticos ou os n\u00e3o equipados adequadamente, oferecem uma seguran\u00e7a muito maior e, precisamente a\u00ed, podemos visualizar o j\u00e1 mencionado tra\u00e7o; portanto, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o; diferente, mas h\u00e1. Dessa forma, n\u00e3o \u00e9 o elevador que oferece a seguran\u00e7a, mas a pessoa que est\u00e1 habilitada para manej\u00e1-lo, inclusive nas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Observe-se ainda que at\u00e9 a simpatia ou o humor alterado do balconista ser\u00e3o muito mais percept\u00edveis ao p\u00fablico do que estes mesmos comportamentos por parte do ascensorista. Esse fato igualmente decorre da forma diferente de se relacionar.<\/p>\n<p>Por outro lado, os profissionais que trabalham no circo (malabaristas, trapezistas etc.), j\u00e1 mencionados pela autora, indiscutivelmente apresentam-se para o p\u00fablico, mas geralmente n\u00e3o se comunicam com este e, muitas vezes, at\u00e9 mesmo o &#8220;muito obrigado&#8221; resume-se a um movimento de cabe\u00e7a. O comentarista e o radialista falam para pessoas que n\u00e3o v\u00eaem e n\u00e3o ouvem. No caso do radialista, se um ouvinte liga para a r\u00e1dio, h\u00e1 um momento de comunica\u00e7\u00e3o bilateral, mas n\u00e3o \u00e9, por exemplo, como a telefonista que, na grande maioria das vezes, n\u00e3o v\u00ea, mas ouve todo o tempo aquele que necessita de seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Por todas essas diferen\u00e7as, talvez fosse interessante que as especifica\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas de cada regra contivessem um n\u00famero maior de tra\u00e7os. Vamos explicitar isto por meio da an\u00e1lise de mais um tra\u00e7o, qual seja o tra\u00e7o &#8220;manual&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Veja-se primeiramente a defini\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Aur\u00e9lio (1986: 1084)<\/strong>:<\/p>\n<p>&#8220;(\u2026)\u00a0<b>1. Relativo a m\u00e3o:<\/b>\u00a0habilidade manual.<br \/>\n<b>2. feito com as m\u00e3os<\/b>: trabalho manual.<b><br \/>\n3. Que \u00e9 manobrado ou acionado com as m\u00e3os<\/b>: m\u00e1quina manual. (\u2026)&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Se tom\u00e1ssemos a acep\u00e7\u00e3o 1 da defini\u00e7\u00e3o supramencionada para representar o tra\u00e7o, muito possivelmente, ter\u00edamos problemas, pois o tra\u00e7o assim delimitado praticamente iguala um cirurgi\u00e3o-dentista a um sapateiro, por exemplo, pois ambos trabalham a maior parte do tempo (sen\u00e3o quase todo) com as m\u00e3os e mais:\u00a0<\/strong>ambos necessitam de habilidade manual para os tipos de trabalho que executam; acrescente-se ainda que, de um modo geral, todos os tipos de profiss\u00e3o fazem uso das m\u00e3os em grau maior ou menor e tamb\u00e9m de formas diferentes.<\/p>\n<p><strong>De posse desses dados, vamos observar um fato interessante; veja-se a lista de agentivos que segue:<\/strong><\/p>\n<p>Luveiro \u2013 confeiteiro \u2013 copeiro \u2013 doceiro \u2013 pasteleiro \u2013 salsicheiro \u2013 cozinheiro \u2013 chapeleiro \u2013 motorista \u2013 trapezista \u2013 malabarista \u2013 gasista \u2013 m\u00e9dico-legista<\/p>\n<p>Se nos guiarmos pela acep\u00e7\u00e3o 1 da defini\u00e7\u00e3o de &#8220;manual&#8221;, diremos sem medo de errar que todos os agentivos desta lista exibem esse tra\u00e7o e o m\u00e9dico-legista mais do que todos, pois seu trabalho exige grande habilidade manual. Dessa forma, um \u00fanico tra\u00e7o praticamente iguala todos esses agentivos, que s\u00e3o formados por regras distintas entre si. Por outro lado, se elegermos um outro tra\u00e7o, por exemplo, &#8220;intelectual&#8221; e conjugarmos esse tra\u00e7o ao &#8220;manual&#8221;, teremos duas especifica\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas para a mesma regra, fato este que al\u00e9m de n\u00e3o interferir no poder de generaliza\u00e7\u00e3o da regra, delimita mais precisamente as especifica\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas de cada profiss\u00e3o, pois a presen\u00e7a desses dois tra\u00e7os juntos eliminar\u00e1, um a um, todos os agentivos listados, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de &#8220;m\u00e9dico-legista&#8221;, pois n\u00e3o podemos atribuir o tra\u00e7o &#8220;intelectual&#8221; aos demais agentivos da lista. Da mesma forma, se comparamos, por exemplo, endocrinologista \/ desenhista \/ taxidermista, o sentido geral de &#8220;especialista em x&#8221; est\u00e1 mantido, mas note-se aqui tr\u00eas grada\u00e7\u00f5es diferentes de especialidade; se elegermos os tra\u00e7os &#8220;curso universit\u00e1rio&#8221; e &#8220;curso t\u00e9cnico&#8221;, por exemplo, o endocrinologista teria como um de seus tra\u00e7os o de &#8220;curso universit\u00e1rio&#8221;; o desenhista poderia ter qualquer um dos dois e o taxidermista n\u00e3o teria nenhum desses (pelo menos, nunca ouvi falar em &#8220;curso t\u00e9cnico de taxidermia&#8221;).<\/p>\n<p>Para esclarecer melhor o que est\u00e1 sendo sugerido, vamos comparar os tra\u00e7os &#8220;especialista&#8221; e &#8220;penetr\u00e1vel&#8221;. H\u00e1 oposi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o graduais e \u00e9 justamente esse tipo de oposi\u00e7\u00e3o que vai nos interessar no momento.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe uma oposi\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria entre os graus de penetrabilidade da mat\u00e9ria, ao contr\u00e1rio, h\u00e1 uma grada\u00e7\u00e3o que pode ser assim explicitada:<\/strong>\u00a0<b>[1p] = [1 penetr\u00e1vel], [2p] = [2 penetr\u00e1vel] e [3p] = [3 penetr\u00e1vel]; vejam-se os exemplos que seguem<\/b>: com base nesta classifica\u00e7\u00e3o, o oxig\u00eanio \u00e9 [1p], o leite \u00e9 [2p], uma caneta \u00e9 [3p] e uma subst\u00e2ncia qualquer \u00e9 [p], o que equivale a dizer que a subst\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 necessariamente s\u00f3lida, l\u00edquida ou gasosa. Temos, pois, tr\u00eas graus de penetrabilidade para a mat\u00e9ria. Agora, podemos retornar ao tra\u00e7o &#8220;especialista em x&#8221;; da mesma forma que o tra\u00e7o &#8220;penetr\u00e1vel&#8221;, h\u00e1 uma grada\u00e7\u00e3o no tra\u00e7o &#8220;especialista&#8221; para os agentivos em -ista formados pela regra da qual se depreende este tra\u00e7o como sentido geral para esses agentivos, conforme podemos perceber nos exemplos dados. Assim, hipoteticamente, poder\u00edamos atribuir o grau 1 para &#8220;curso universit\u00e1rio&#8221; (= 1E) e 2 para &#8220;curso t\u00e9cnico&#8221; (= 2E); note-se que &#8220;E&#8221; = &#8220;Especialista&#8221;. Dessa forma, endocrinologista seria [1E], desenhista seria [E], ou seja, n\u00e3o necessariamente &#8220;curso universit\u00e1rio&#8221; ou &#8220;curso t\u00e9cnico&#8221; e para taxidermista teria que se criar uma outra especifica\u00e7\u00e3o e atribuir um grau a esta que poderia ser, por exemplo, [3E]. Para os agentivos em -eiro ter\u00edamos [$], que significa &#8220;aus\u00eancia do tra\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>Particularmente, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s profiss\u00f5es, temos um campo vasto e fecundo; o SENAI, por exemplo, \u00e9 uma verdadeira &#8220;caixa de surpresas&#8221; para a descoberta de novos tra\u00e7os, pois oferece fartura de cursos profissionalizantes r\u00e1pidos (dura\u00e7\u00e3o de alguns meses); al\u00e9m disso, h\u00e1 programas preparat\u00f3rios de m\u00e3o-de-obra, de forma que muitos tra\u00e7os para os agentivos em -eiro poderiam ser assim descobertos. Para agentivos em -ista, tra\u00e7os do tipo &#8220;curso universit\u00e1rio com especializa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;curso universit\u00e1rio sem especializa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;curso t\u00e9cnico&#8221; (qualquer um com dura\u00e7\u00e3o de cerca de 3 anos) seriam mais adequados. Para os agentivos em -eiro, tra\u00e7os do tipo &#8220;curso profissionalizante&#8221; (com dura\u00e7\u00e3o de alguns meses), &#8220;preparat\u00f3rio de m\u00e3o-de-obra&#8221; e &#8220;aprendizagem de campo&#8221; (no pr\u00f3prio emprego), igualmente, seriam mais apropriados; curiosamente, o sema hipot\u00e9tico &#8220;curso profissionalizante&#8221; poderia servir para alguns agentivos em -ista (taxidermista?). Desnecess\u00e1rio dizer que todos estes semas obedeceriam a uma escala de grada\u00e7\u00e3o, conforme sugerido anteriormente.<\/p>\n<p><strong>Vamos agora retornar ao tra\u00e7o &#8220;manual&#8221;, pois h\u00e1 um ponto importante a ser ressaltado<\/strong>: a defini\u00e7\u00e3o operacional. As defini\u00e7\u00f5es dicionarizadas nem sempre refletem a intui\u00e7\u00e3o dos falantes; Pauliukonis (1981: 8) afirma que os agentivos em -eiro designam &#8220;profiss\u00f5es ligadas a atividades manuais, bra\u00e7ais&#8221;; observe-se que esta caracteriza\u00e7\u00e3o contrasta com a acep\u00e7\u00e3o 1 da defini\u00e7\u00e3o de &#8220;manual&#8221; extra\u00edda do Aur\u00e9lio (1986). Se defin\u00edssemos o tra\u00e7o &#8220;manual&#8221; como &#8220;atividade bra\u00e7al&#8221;, logicamente o cirurgi\u00e3o-dentista n\u00e3o mais teria este tra\u00e7o. Repare-se a\u00ed a import\u00e2ncia de definirmos operacionalmente cada tra\u00e7o; por outras palavras, operacionalizar um tra\u00e7o significa defini-lo e delimit\u00e1-lo com a maior precis\u00e3o que se possa alcan\u00e7ar (lembremo-nos de que estamos lidando com muitos tra\u00e7os subjetivos).<\/p>\n<p><strong>O tra\u00e7o \ufffdmanual\ufffd assim definido (atividade bra\u00e7al) n\u00e3o pode ser conjugado ao tra\u00e7o &#8220;intelectual&#8221; e, com isto, retornamos \u00e0 nossa velha e conhecida oposi\u00e7\u00e3o &#8220;-ista x -eiro&#8221;. Vejamos o que nos diz Miranda (1979: 88) a respeito das par\u00e1frases para cada um destes sufixos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Existe uma outra possibilidade de an\u00e1lise para tais regras<\/strong>: seria a de atribuir a -ista uma agentividade [+ intelectual] e a -eiro uma agentividade [- intelectual], ou seja, enquanto as formas em -ista seriam cobertas pela par\u00e1frase &#8220;especialista em x&#8221;, a par\u00e1frase para as formas em -eiro teria que ser algo como &#8220;que faz algo em rela\u00e7\u00e3o a x&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Vejam-se os pares abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Vidracista \/ vidraceiro; florista \/ floreiro; manobrista \/ manobreiro; cartazista \/ cartazeiro; marmorista \/ marmor\u00e1rio; fazendista \/ fazendeiro<\/p>\n<p>Nestes pares, n\u00e3o basta dizer que temos estruturas lexicais compostas de base + afixo; tamb\u00e9m n\u00e3o podemos afirmar que h\u00e1 uma uniformidade de sentido em cada conjunto de agentivos somente porque cada conjunto \u00e9 formado por um mesmo sufixo; ao contr\u00e1rio, h\u00e1 muitas diferen\u00e7as aqui, muitas perguntas a serem feitas e poucas respostas. Em princ\u00edpio, o \u00fanico par que parece refletir a oposi\u00e7\u00e3o -ista x -eiro \u00e9 &#8220;cartazista \/ cartazeiro&#8221;.<\/p>\n<p>Os pares &#8220;manobrista \/ manobreiro&#8221; e &#8220;florista \/ floreiro&#8221; t\u00eam formas sin\u00f4nimas (segundo o Aur\u00e9lio, 1986), mas, n\u00e3o obstante, os agentivos do primeiro par parecem ser usados indistintamente, ao passo que no segundo par a norma consagrou somente o primeiro agentivo do par.<\/p>\n<p><strong>E a\u00ed est\u00e1 a primeira pergunta sem resposta:<\/strong>\u00a0a que se deve esse fato? J\u00e1 o par &#8220;fazendista \/ fazendeiro&#8221; nos oferece duas forma\u00e7\u00f5es que s\u00f3 t\u00eam em comum a base (e, mesmo assim, na forma, porque aqui temos &#8220;fazenda&#8221; em duas acep\u00e7\u00f5es distintas); por outras palavras, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da forma da base, n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada em comum entre os dois agentivos do par; no entanto, estes designam duas ocupa\u00e7\u00f5es de status, respectivamente, nas \u00e1reas urbana e rural. O par &#8220;mamorista \/ marmor\u00e1rio&#8221; revela agentivos dados como sin\u00f4nimos pelo dicion\u00e1rio; apesar disso, n\u00e3o posso afirmar se estas formas s\u00e3o usadas indistintamente ou n\u00e3o; minha intui\u00e7\u00e3o de falante pouco ou nada me diz a esse respeito. Finalmente o par &#8220;vidracista \/ vidraceiro&#8221; mostra agentivos que designam ocupa\u00e7\u00f5es distintas, mas que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o significado da base; um sema que poderia ser atribu\u00eddo ao primeiro agentivo deste par seria [+ arte]; este poderia ser mais um tra\u00e7o para diversas ocupa\u00e7\u00f5es; logicamente, dentro do que foi sugerido aqui, com rela\u00e7\u00e3o a um maior n\u00famero de especifica\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas para cada regra.<\/p>\n<p>J\u00e1 havia sugerido anteriormente uma poss\u00edvel regra de neutralidade subjacente a certos agentivos para explicar o uso indistinto de certas forma\u00e7\u00f5es que t\u00eam a mesma base, sufixos diferentes e s\u00e3o dadas como sin\u00f4nimas; pergunto-me agora se a eufonia n\u00e3o seria tamb\u00e9m respons\u00e1vel (entre outros poss\u00edveis fatores) pela escolha de uma forma em detrimento de outra; a forma\u00e7\u00e3o &#8220;floreiro&#8221;, embora dicionarizada, soa mal aos meus ouvidos (repare-se que este agentivo n\u00e3o foi consagrado pela norma); por outro lado, quando imagino &#8220;gaseiro&#8221;* em lugar de &#8220;gasista&#8221;, penso em &#8220;fabricante de gaze&#8221; (note-se que, em l\u00edngua escrita, a forma teria que ser &#8220;gazeiro&#8221;*).<\/p>\n<p><strong>Observem-se os grupos abaixo:<\/strong><\/p>\n<p>Peixista* \/ peixeiro ; balconeiro* \/ balconista; massageiro* \/ massagista; tinturista* \/ tintureiro; livrista* \/ livreiro; telefoneiro* \/ telefonista; engenhista*\/ engenheiro; eletriceiro*\/ eletricista; modeiro* \/ modista; cozinhista* \/ cozinheiro; cambeiro* \/ cambista; sapatista* \/ sapateiro; recepcioneiro* \/ recepcionista; barbista* \/ barbeiro<\/p>\n<p>Os agentivos marcados por um asterisco s\u00e3o forma\u00e7\u00f5es estranhas aos nossos olhos e ouvidos; eu diria at\u00e9 mesmo que algumas delas parecem atribuir uma forte pejoratividade ao &#8220;profissional&#8221; supostamente designado.<\/p>\n<p>Parece-me que a eufonia, de certa forma, reflete o gosto do falante por tudo aquilo que \u00e9 bom e belo para os seus sentidos. Talvez a\u00ed, tenhamos mais um caminho para nos enveredar nessas pesquisas.<\/p>\n<p><strong>Vamos agora retornar ao sufixo -eiro e sua extraordin\u00e1ria produtividade. Nas palavras de Said Ali (1964: 242):<\/strong><\/p>\n<p>Nem sempre se tira o nome de pessoa diretamente do nome do objeto ou objetos materiais em que se ocupa. Pode filiar-se tamb\u00e9m a nomes de of\u00edcios em -aria, como marceneiro, serralheiro que se prendem aos voc\u00e1bulos marcenaria, serralharia. Pode tamb\u00e9m ser um termo introduzido do estrangeiro, como joalheiro.<\/p>\n<p>Esse trecho de Said Ali servir\u00e1 de base para expressar meu pensamento. Vejamos; quando Miranda (1979) fala da rela\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica geral x-ista \/ x-ismo e dos agentivos em -ista que se incluem nesta rela\u00e7\u00e3o, cita Bas\u00edlio (1991: 74) e ressalta que essa autora, atenta aos diversos tipos de rela\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica, descreve esse tipo de rela\u00e7\u00e3o lexical; esta descri\u00e7\u00e3o se d\u00e1 do seguinte modo: (b) [xy] \u00df\u00e0 [xw]; (b) &#8220;Expressa a rela\u00e7\u00e3o entre duas entradas lexicais formadas por duas RFPs. sistematicamente relacionadas&#8221;.<\/p>\n<p>Miranda (1979:79), com base nessa descri\u00e7\u00e3o, afirma que dada uma forma em x-ista pode-se prever a forma correspondente em x-ismo e vice-versa.\u00a0<b>Afirma ainda que:<\/b><\/p>\n<p>(\u2026) \u2013 o de verificar em que medida uma compreens\u00e3o maior dos diferentes tipos de rela\u00e7\u00f5es paradigm\u00e1ticas do l\u00e9xico poderia contribuir na an\u00e1lise dos fen\u00f4menos relativos \u00e0 produtividade lexical.<br \/>\n(\u2026) a rela\u00e7\u00e3o paradigma \/ produtividade, sugerida por Bas\u00edlio, aparece como um fator essencial na determina\u00e7\u00e3o da produtividade das regras morfol\u00f3gicas aqui descritas.<\/p>\n<p>Os agentivos em -eiro t\u00eam base nominal e, entre suas formas, as que nos interessam t\u00eam sua produtividade marcada basicamente pelos tra\u00e7os [+ humano], [+ concreto] e [- formal].<\/p>\n<p><strong>Tomando por base estes agentivos e unindo \u00e0s de Miranda as palavras de Said Ali, vamos chegar aos seguintes resultados:<\/strong><\/p>\n<p><strong>A) Nome do objeto &gt; nome de pessoa<\/strong>: livro &gt; livreiro; sapato &gt; sapateiro; peixe &gt; peixeiro; sorvete &gt; sorveteiro\u2026 x &gt; x-eiro<br \/>\n<strong>B) Nome de pessoa &lt; &gt; nome de of\u00edcio<\/strong>: sapateiro &lt; &gt; sapataria; livreiro &lt; &gt; livraria; pasteleiro &lt; &gt; pastelaria; peixeiro &lt; &gt; peixaria; padeiro &lt; &gt; padaria; queijeiro &lt; &gt; queijaria; seleiro &lt; &gt; selaria; vidraceiro &lt; &gt; vidra\u00e7aria\u2026 x-eiro &lt; &gt; x-aria<\/p>\n<p><strong>Vamos agora analisar (A) e (B); (A) nos revela uma regra de forma\u00e7\u00e3o de agentivos em -eiro<\/strong>: dada uma base nominal (livro), basta que adicionemos a ela o sufixo -eiro e est\u00e1 formado o agentivo que traduz o sentido geral &#8220;que faz algo em rela\u00e7\u00e3o a x&#8221;; de (B) podemos depreender uma rela\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica geral do tipo x-eiro \/ x-aria; note-se que a entrada lexical x-aria traduz o sentido geral de &#8220;lugar onde se faz ou se vende x&#8221;. Os agentivos em -eiro listados em (B), entre outros, incluem-se nesta rela\u00e7\u00e3o; al\u00e9m disso, dada uma forma em x-eiro (marceneiro) pode-se prever a forma correspondente em x-aria (marcenaria) e vice-versa.<\/p>\n<p>Observe-se que temos neste paradigma duas regras bastante produtivas, fato este que confirma as an\u00e1lises de Bas\u00edlio a respeito da rela\u00e7\u00e3o paradigma \/ produtividade. Deve-se notar, todavia, que muitas forma\u00e7\u00f5es n\u00e3o se incluem neste paradigma; veja-se, por exemplo, &#8220;alfaiataria&#8221; \/ &#8220;alfaiate&#8221; (e n\u00e3o &#8220;alfaiateiro&#8221;*); al\u00e9m disso, h\u00e1 forma\u00e7\u00f5es em -aria que n\u00e3o traduzem o sentido geral j\u00e1 mencionado (&#8220;portaria&#8221;, &#8220;engenharia&#8221;); estas sugerem que, independentemente da rela\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica x-eiro \/ x-aria, existe na l\u00edngua uma (ou mais) regra que adiciona -aria a bases, sem que isto implique uma inser\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o x-eiro \/ x-aria.<\/p>\n<p><b>Deriva\u00e7\u00e3o e Composi\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Os prefixos e\u00a0<strong>sulfixos<\/strong>, diz o autor t\u00eam significa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e constituem um grupo de voc\u00e1bulos que podem ser unidos a outras palavras<\/p>\n<p>Muitos autores divergem, dizendo que os casos de prefixa\u00e7\u00e3o s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es, outros dizem que \u00e9 deriva\u00e7\u00e3o, o autor em seu livro intitulado Gram\u00e1tica Rocha Lima, usou o segundo crit\u00e9rio para fazer a descri\u00e7\u00e3o da deriva\u00e7\u00e3o e da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deriva\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo pelo qual uma palavra passa a ter uma significa\u00e7\u00e3o diferente a anterior quando lhe s\u00e3o acrescidos elementos denominados prefixos e sulfixos, que ir\u00e3o alterar o sentido original.<\/p>\n<p>Os\u00a0<strong>sulfixos ou prefixos<\/strong>\u00a0recebem sua nomenclatura conforme sua localiza\u00e7\u00e3o na palavra. Se estiverem no in\u00edcio das palavras ser\u00e3o prefixos,ex. reagir, e quando se situarem no fim ser\u00e3o sulfixos, ex.magoado.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o trata-se de um fen\u00f4meno que consiste na uni\u00e3o de uma ou mais palavras, essas uni\u00f5es ir\u00e3o consistir na forma\u00e7\u00e3o de uma nova palavra com um significado diferente, na palavra c\u00eastab\u00e1sica ocorre o fen\u00f4meno da composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As palavras para se formar localizam-se em &#8220;Quadros&#8221; e segundo esta afirma\u00e7\u00e3o o autor as dividiu em prefixal, sufixal, parassint\u00e9tica regressiva, Composi\u00e7\u00e3o por justaposi\u00e7\u00e3o ou por aglutina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As palavras que se formam atrav\u00e9s do fen\u00f4meno denominado composi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o aquelas que derivam de mais de um radical.<\/p>\n<p>Os prefixos e sulfixos t\u00eam a capacidade de alterar substantivos, verbos, adjetivos, transformando a palavra parcial ou completamente.<\/p>\n<p>A deriva\u00e7\u00e3o pode ser prefixal, sufixal,parassint\u00e9tica, regressiva e impr\u00f3pria.<\/p>\n<p>A deriva\u00e7\u00e3o prefixal faz-se pelo acr\u00e9scimo de um prefixo \u00e0 palavra primitiva. Isso resulta em alguma altera\u00e7\u00e3o no sentido do radical. ap\u00f3s o acr\u00e9scimo do prefixo des a palavra primitiva fazer, tem-se a palavra derivada desfazer. O efeito sem\u00e2ntico dessa pr\u00e9fixa\u00e7\u00e3o \u00e9 o de negar o conte\u00fado sem\u00e2ntico do verbo fazer, pois o prefixo des traduz a id\u00e9ia geral de nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Exemplos semelhantes:\u00a0<\/strong>desmontar, desconsiderar, desaparecer.<\/p>\n<p>Deriva\u00e7\u00e3o sufixal faz-se pelo acr\u00e9scimo de um sufixo \u00e0 palavra primitiva. Isso produz alguma altera\u00e7\u00e3o no sentido do radical, os sufixos podem ser classificados em nominais , verbais e adverbiais, de acordo com o resultado do processo de deriva\u00e7\u00e3o, em termos de filia\u00e7\u00e3o \u00e0s classes de palavras da l\u00edngua. S\u00e3o nominais os sufixos que derivam substantivos e adjetivos; s\u00e3o verbais os sufixos que derivam verbos.<\/p>\n<p>\u00c9 adverbial o sufixo que deriva adv\u00e9rbios.<\/p>\n<p><strong>Sufixos nominais juntam-se a radicais para derivar substantivo ou adjetivo<\/strong>:\u00a0<b>boiada, papelada, bananada temporada, folhagem, aprendizagem , gritaria exemplos daforma\u00e7\u00e3o de substantivos a partir de adjetivos:<\/b>\u00a0crueldade, altivez, beleza, alegria, velhice, do\u00e7ura<\/p>\n<p><strong>Sufixos verbais:\u00a0<\/strong>cabecear, gotejar, dedilhar.<\/p>\n<p><strong>Sufixo adverbial em portugu\u00eas existe apenas um \u00fanico sufixo que deriva adv\u00e9rbios de adjetivos \u00e9 o sufixo mente<\/strong>: verdadeiramente, dificilmente, rapidamente.<\/p>\n<p>Outros processos de deriva\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos processos de forma\u00e7\u00e3o de palavras pelo acr\u00e9scimo de prefixo e sufixo, existem outras formas de deriva\u00e7\u00e3o, na L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n<p><strong>Deriva\u00e7\u00e3o parassint\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Temos um caso de deriva\u00e7\u00e3o parassint\u00e9tica sempre que a um determinado radical agregam-se, simultaneamente , um prefixo e um sufixo:<\/strong><\/p>\n<p>enraivecer , aportuguesar, expatriar, desalmado. Esses s\u00e3o exemplos de parass\u00edntese, porque a deriva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita por etapas, n\u00e3o existem na l\u00edngua, as seguintes formas, nas quais entra apenas o sufixo ou o prefixo em quest\u00e3o: enraiva ou enraivecer, aportugu\u00eas ou aportuguesar, exp\u00e1tria ou padrear, desalma ou almado. O acr\u00e9scimo desses sufixos e prefixos aos radicais em quest\u00e3o deve ocorrer simultaneamente da afixa\u00e7\u00e3o que constitui a parass\u00edntese.<\/p>\n<p><strong>Deriva\u00e7\u00e3o regressiva<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ocorre quando a forma derivada apresenta uma redu\u00e7\u00e3o em sua forma fonol\u00f3gica com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma da palavra primitiva<\/strong>: abalo de abalar, busca de buscar, resgate de resgatar, choro de chorar. \u00c9 o processo de deriva\u00e7\u00e3o regressiva que produz os chamados substantivos adverbiais, que s\u00e3o substantivos derivados a partir de verbos , pela elimina\u00e7\u00e3o da desin\u00eancia verbal (vogal tem\u00e1tica + morfema de modo-tempo de infinitivo) e acr\u00e9scimo das vogais tem\u00e1ticas nominais a, o ou e, ao radical verbal.<\/p>\n<p><strong>Deriva\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 quando uma palavra muda de classe gramatical sem que sua forma original seja modificada, transformar qualquer palavra em substantivo pela anteposi\u00e7\u00e3o do artigo \u00e9 um exemplo de deriva\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria<\/p>\n<p><strong>Exemplo:\u00a0<\/strong>N\u00e3o adimito um n\u00e3o vindo de voc\u00ea ( adv\u00e9rbio + substantivo).<\/p>\n<p><strong>Outros casos de mudan\u00e7a de classe que podem ser vistos como exemplo da deriva\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria; substantivos pr\u00f3prios = substantivos comuns quixote , damasco:<\/strong><\/p>\n<p>substantivo comum = substantivos pr\u00f3prios Oliveira, Madeira, Carneiro<br \/>\n<strong>substantivo comum = adjetivos<\/strong>: monstro, burro<br \/>\nsubstantivos= adjetivos = verbos= interjei\u00e7\u00f5es viva! bravo!<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/br.geocities.com\/www.graudez.com.br\/www.brazilianportugues.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os\u00a0sufixos\u00a0n\u00e3o representa algo que n\u00e3o nos \u00e9 familiar, mas antes de adentrarmos esse assunto, torna-se necess\u00e1rio enfatizarmos acerca dos morfemas. 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