{"id":81408,"date":"2016-08-23T16:02:41","date_gmt":"2016-08-23T16:02:41","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81408"},"modified":"2026-06-24T16:21:03","modified_gmt":"2026-06-24T18:21:03","slug":"sintaxe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/sintaxe","title":{"rendered":"Sintaxe"},"content":{"rendered":"<p><b>Sintaxe \u2013 O que \u00e9<\/b><\/p>\n<p>A\u00a0<b>sintaxe<\/b>\u00a0\u00e9 o conjunto de regras que governam como as palavras e frases s\u00e3o organizadas para criar senten\u00e7as bem formadas e significativas. Ela determina a ordem das palavras e a estrutura das frases. Enquanto a gram\u00e1tica \u00e9 o sistema abrangente de uma l\u00edngua, a sintaxe se refere especificamente a como os elementos da frase s\u00e3o constru\u00eddos e combinados.<\/p>\n<p>A palavra\u00a0<strong>sintaxe<\/strong>\u00a0significa, etimologicamente, &#8220;ordena\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;disposi\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;organiza\u00e7\u00e3o&#8221; e tem sido entendida como o conjunto das propriedades das estruturas que est\u00e3o subjacentes aos enunciados existentes (ou poss\u00edveis) numa dada l\u00edngua particular e a descri\u00e7\u00e3o dessas estruturas.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>sintaxe<\/strong>\u00a0\u00e9 a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre os elementos lingu\u00edsticos q ue atuam na forma\u00e7\u00e3o dos enunciados.<\/p>\n<p>Assim, a constitui\u00e7\u00e3o de frases, ora\u00e7\u00f5es e per\u00edodos, co nsiderando-se os diversos contextos em que se usa a l\u00edngua, \u00e9 o objeto de estudo dessa disc iplina. De fato, por constituir-se enquanto fen\u00f4meno que ativa a rela\u00e7\u00e3o entre os itens lingu\u00edst icos, atuando na estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos textos, a sintaxe assume, entre as diversas correntes te\u00f3ricas que se preocupam com o estudo da linguagem, uma grande import\u00e2ncia<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Sintaxe<\/strong>\u00a0compreende estudos dos processos gerativos, combinat\u00f3ros e formadores das frases nas diversas l\u00ednguas naturais. Sua origem, enquanto ramo de estudo da linguagem, remonta aos gregos. Os reflexos da tradi\u00e7\u00e3o fundada p elo fil\u00f3sofo Arist\u00f3teles podem ser apontados na divis\u00e3o da frase em sujeito e predicado , concep\u00e7\u00e3o ainda hoje evidenciada nos estudos veiculados em gram\u00e1ticas e livros did\u00e1ticos de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p><strong>Sintaxe\u00a0<\/strong>\u00e9 a teoria formal das formas lingu\u00edsticas da linguagem, isto \u00e9, trata da rela\u00e7\u00e3o dos signos com os outros signos. \u201c\u00c9 o estudo das rela\u00e7\u00f5es formais dos signos entre si\u201d, afirma Morris.<\/p>\n<p>\u00c9 o estudo das \u201cpropriedades formais das express\u00f5es e das rela\u00e7\u00f5es entre si abstraindo n\u00e3o s\u00f3 do falante, como das coisas designadas\u201d, diz-nos Carnap.<\/p>\n<p><strong>Objeto da Sintaxe<\/strong><\/p>\n<p>Estuda a coloca\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o das palavras na senten\u00e7a. Se voc\u00ea amanh\u00e3 desembarcasse em terras estrangeiras, na China, por exemplo, al\u00e9m de n\u00e3o saber o que significam as palavras dessa l\u00edngua desconhecida, n\u00e3o saberia como elas se organizam em senten\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Isto quer dizer que a Sintaxe:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ensina como usar os signos:\u00a0<\/strong>como relacion\u00e1-los independentemente do seu significado.<\/p>\n<p>Descreve as regras que h\u00e1 que dominar para se poderem fazer\/produzir\/formar frases gramaticalmente correctas, coerentes, articuladas, isto \u00e9, ligando de certa maneira as palavras com o respectivo sentido. Quem fala exerce uma actividade \u2013 acto de fala \u2013 que n\u00e3o pode ser considerada como livre em absoluto. Falar implica seleccionar palavras e combin\u00e1-las em frases, mas esta escolha \u00e9 feita tendo em conta o c\u00f3digo partilhado pela comunidade a que pertence o falante. S\u00f3 assim se pode falar de comunica\u00e7\u00e3o e de fun\u00e7\u00e3o comunicativa da linguagem.<\/p>\n<p>As regras sint\u00e1cticas evitam a constru\u00e7\u00e3o agramatical de frases; diminuem as possibilidades de deturpa\u00e7\u00e3o das mensagens; e reduzem a incerteza e a indetermina\u00e7\u00e3o da descodifica\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a entre uma frase gramatical e uma frase agramatical depende fundamentalmente da ordem, disposi\u00e7\u00e3o e combina\u00e7\u00e3o das palavras e das frases. Falar de gramaticalidade de uma frase significa que ela, quando enunciada, \u00e9 compreens\u00edvel para todos os sujeitos falantes que dominam essa l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>\u2018O fez Jo\u00e3o quadro belo um.\u2019<br \/>\n\u2018\u00c9 uma rica mulher\u2019<br \/>\n\u2018\u00c9 uma mulher rica\u2019.<br \/>\n\u2018Rica mulher!\u2019<br \/>\n\u2018O Jo\u00e3o fez um belo quadro\u2019.<br \/>\n\u2018\u00c9 mulher uma rica\u2019.<\/p>\n<p><strong>TEXTO:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA propriedade mais surpreendente de qualquer l\u00edngua natural \u00e9 a regularidade, ou seja, o facto de as palavras e as sequ\u00eancias de palavras usadas pelos falantes da l\u00edngua com objectivos de comunica\u00e7\u00e3o ou outros estarem sujeitos a regras de boa forma\u00e7\u00e3o que os falantes dessa l\u00edngua conhecem de certa maneira (ainda que possam ser incapazes de as formular explicitamente) e que qualquer indiv\u00edduo que queira falar corretamente tem de interiorizar e respeitar. \u00c9 esta regularidade entendida em todos os seus aspectos, e especialmente quando expressa atrav\u00e9s de regras expl\u00edcitas, que constitui a no\u00e7\u00e3o de gram\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p><b>Sintaxe \u2013 Teoria<\/b><\/p>\n<p><b>I. Sintaxe de Concord\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Sintaxe de Concord\u00e2ncia<\/strong>\u00a0trata das rela\u00e7\u00f5es de harmonia gramatical entre os termos da frase, rela\u00e7\u00f5es essas que envolvem g\u00eanero e n\u00famero. Quando essas rela\u00e7\u00f5es se estabelecem entre o sujeito e o verbo, elas se referem \u00e0 concord\u00e2ncia verbal. J\u00e1 as rela\u00e7\u00f5es entre nomes (determinado e determinante) dizem respeito \u00e0 concord\u00e2ncia nominal.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, a Norma Culta aceita duas op\u00e7\u00f5es de concord\u00e2ncia. Embora uma pequena minoria social e politicamente influente dite as regras do bom falar, a press\u00e3o da maioria dos falantes da L\u00edngua faz com que, ocasionalmente, essas regras sejam\u00a0 quebradas. Os escritores modernos tamb\u00e9m contribu\u00edram no combate \u00e0 radicalidade da Gram\u00e1tica Normativa, que agora chama essas &#8220;transgress\u00f5es gramaticais&#8221; de concord\u00e2ncia por atra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>II. Sintaxe de Coloca\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Sintaxe de Coloca\u00e7\u00e3o<\/strong>, tamb\u00e9m conhecida por Topon\u00edmia Pronominal, refere-se ao modo correto, segundo a Norma Culta, de posicionar as palavras na ora\u00e7\u00e3o. Essa sintaxe trata mais especificamente da posi\u00e7\u00e3o do pronome pessoal obl\u00edquo e do pronome demonstrativo &#8220;o&#8221; com rela\u00e7\u00e3o ao verbo. A defini\u00e7\u00e3o tradicional menciona essa sintaxe como a parte da Gram\u00e1tica Normativa que trata da ordem dos termos na ora\u00e7\u00e3o, e das ora\u00e7\u00f5es no per\u00edodo.<\/p>\n<p><b>III. Sintaxe de Reg\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Apresentaremos os casos principais de<strong>\u00a0reg\u00eancia<\/strong>, incluindo o emprego o emprego do acento grave.<\/p>\n<p>Geralmente, as palavras de uma ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o dependentes umas das outras, relacionam-se entre si, para formar um todo significativo. Essa rela\u00e7\u00e3o depend\u00eancia que se estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento \u00e0 outra, \u00e9 o que chamamos de reg\u00eancia.<\/p>\n<p>A rigor, somente as preposi\u00e7\u00f5es que ligam complementos a um verbo ou a um nome estabelecem rela\u00e7\u00f5es de reg\u00eancia. A reg\u00eancia, portanto, pode ser verbal ou nominal.<\/p>\n<p><strong>\u00a0A Reg\u00eancia e o Emprego do Acento Grave<\/strong><\/p>\n<p>O emprego do acento grave n\u00e3o deveria apresentar dificuldades para o estudante da L\u00edngua, mas professores inexperientes e gram\u00e1ticos incompetentes deixam de apresentar fundamentos necess\u00e1rios para o entendimento do assunto\u2026e assim complicam o que \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Vamos apresentar neste trabalho os casos em que ocorre o uso do acento grave.<\/p>\n<p>Crase \u00e9 o nome que encontraram para a fus\u00e3o de duas vogais iguais. Isso \u00e9 comum na poesia e no uso oral da L\u00edngua. &#8220;Triste e fatigada&#8221; da linguagem escrita vira &#8220;tristefatigada&#8221; na linguagem oral.\u00a0 Viu?\u00a0 Duas vogais iguais se fundiram. Na gram\u00e1tica, todavia, o acento grave s\u00f3 acontece em casos especiais de crase. Nesses casos, sempre que houver crase, essa ocorr\u00eancia tem de ser assinalada pelo acento grave. Por outro lado, n\u00e3o podemos afirmar que sempre que h\u00e1 acento grave tem de haver crase. O acento grave nem sempre indica crase.<\/p>\n<p>Gram\u00e1ticos e professores, ao lidarem com a crase, costumam incluir casos que nada t\u00eam a ver com esse fen\u00f4meno ling\u00fc\u00edstico.<\/p>\n<p><strong>Podemos resumir o emprego do acento grave em tr\u00eas casos<\/strong>: indica\u00e7\u00e3o de crase da preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<b><i>a<\/i><\/b>\u00a0com artigo\u00a0<b><i>a<\/i><\/b>, indica\u00e7\u00e3o de crase da preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<b><i>a<\/i><\/b>\u00a0com o pronome demonstrativo e indica\u00e7\u00e3o de \u00eanfase.<\/p>\n<p><strong>IV. Sintaxe do Infinitivo<\/strong><\/p>\n<p>O infinitivo pessoal pode ser flexionado ou n\u00e3o, isto \u00e9, pode ter ou n\u00e3o uma desin\u00eancia n\u00famero-pessoal ap\u00f3s a desin\u00eancia modo-temporal &#8220;R&#8221;.<\/p>\n<p><strong>No verbo cantar, por exemplo, o infinitivo pessoal n\u00e3o-flexionado \u00e9 cantar<\/strong>: &#8220;Todos come\u00e7aram a cantar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>As termina\u00e7\u00f5es verbais que v\u00e3o indicar n\u00famero e pessoa s\u00e3o:\u00a0<\/strong><b>-es, -mos, -des, -em<\/b>: &#8220;Eu os desafiei a cantaarem em ingl\u00eas&#8221;<\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe a diferen\u00e7a entre o infinitivo pessoal e o impessoal ? Se n\u00e3o sabe, pode ter problemas ao lidar com quest\u00f5es que envolvem o infinitivo. Por que n\u00e3o tratamos dessa diferen\u00e7a, antes de entrar propriamente na Sintaxe do Infinitivo ?<\/p>\n<p>O infinitivo pessoal \u00e9 uma forma verbal que indica a\u00e7\u00e3o, fato ou fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><strong>Pode ocorrer em locu\u00e7\u00f5es verbais<\/strong>: &#8220;Podemos come\u00e7ar agora.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Pode ocorrer tamb\u00e9m fora de locu\u00e7\u00e3o verbal: &#8220;<\/strong>Eu os vi passarem.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tem sempre um sujeito, embora o sujeito possa estar indeterminado: &#8220;<\/strong>Deve-se pensar no pr\u00f3ximo.&#8221;<\/p>\n<p>O infinitivo impessoal n\u00e3o \u00e9 uma forma verbal, mas uma forma derivada de um verbo. \u00c9 uma forma nominal, isto \u00e9, numa frase aparece como um nome substantivo. N\u00e3o indica a\u00e7\u00e3o nem fato, apenas nomeia a a\u00e7\u00e3o ou fato. Em &#8220;A crian\u00e7a vai dormir&#8221;, temos um fato se desenrolando. Mas em &#8220;Dormir \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 sa\u00fade&#8221;, nomeamos um a fato, sem apresent\u00e1-lo em andamento. Dormir, nesta frase, n\u00e3o \u00e9 verbo mas substantivo (= sono). N\u00e3o tem sujeito, pois \u00e9 o pr\u00f3prio sujeito do verbo ser.<\/p>\n<p><strong>Ademais, quando o infinitivo \u00e9 impessoal, aceita artigo normalmente, pois \u00e9 um substantivo<\/strong>: &#8220;O dormir \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p>Agora n\u00e3o v\u00e1 sair por a\u00ed flexionando o infinitivo em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Existem regras que, embora sejam impostas pela Norma Culta, n\u00e3o deixam de atender a uma necessidade da express\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0clareza.<\/p>\n<p><b>Sintaxe \u2013 Concord\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p><strong>\u201cCabe dez\u201d\u2026 \u201cfalta vinte\u201d\u2026 \u201csobrou trinta\u201d\u2026 \u201cas mina\u201d\u2026 \u201cteus cabelo \u00e9 da hora\u201d\u2026 \u201ceu quero vinte p\u00e3o\u201d\u2026 \u201cisso custa cinco real\u201d\u2026<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m que o brasileiro, quando fala, n\u00e3o d\u00e1 muita import\u00e2ncia \u00e0 concord\u00e2ncia. A nenhum tipo de concord\u00e2ncia! Cometer erros de concord\u00e2ncia na fala do cotidiano \u00e9 muito comum, mas no texto formal \u00e9 necess\u00e1rio que a concord\u00e2ncia esteja absolutamente rigorosa.<\/p>\n<p><strong>Vamos a um trecho da can\u00e7\u00e3o \u201cM\u00fasica Urbana\u201d, do Capital Inicial:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cTudo errado, mas tudo bem. Tudo quase sempre como eu sempre quis. Sai da minha frente, que agora eu quero ver. N\u00e3o me importam os seus atos, eu n\u00e3o sou mais um desesperado. Se eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea notou como o letrista fez a concord\u00e2ncia<\/strong>: \u201cn\u00e3o me importam os seus atos\u201d. Os atos n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia, portanto eles n\u00e3o importam. A concord\u00e2ncia est\u00e1 correta, o que \u00e9 exig\u00edvel ao menos na l\u00edngua formal. \u00c9 desej\u00e1vel que a gente acerte a concord\u00e2ncia no cotidiano tamb\u00e9m. Basta concordar verbo e sujeito.<\/p>\n<p><b>\u201cAtos\u201d est\u00e1 no plural, ent\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que o verbo tamb\u00e9m deve estar no plural<\/b>: \u201cimportam\u201d. Acerte a concord\u00e2ncia voc\u00ea tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>CASOS DELICADOS DE CONCORD\u00c2NCIA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s vezes a concord\u00e2ncia verbal nos prega uma pe\u00e7a. Para ilustrar, o \u201cNossa L\u00edngua Portuquesa\u201d foi at\u00e9 a rua e formulou algumas perguntas ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>\u201cPedro ou Paulo ser\u00e1 ou ser\u00e3o o pr\u00f3ximo presidente da Rep\u00fablica?\u201d<\/p>\n<p>A maioria das pessoas acerta. \u201cPedro ou Paulo ser\u00e1 \u2026\u201d. Somente um dos dois ser\u00e1 o pr\u00f3ximo presidente da Rep\u00fablica \u2013 o ou que aparece na ora\u00e7\u00e3o \u00e9 excludente, indica a exclus\u00e3o de Pedro ou de Paulo da cadeira de Presidente da Rep\u00fablica. Logo, o verbo fica no singular.<\/p>\n<p><strong>Contudo, se algu\u00e9m perguntar sobre sua prefer\u00eancia musical, a resposta poder\u00e1 ser<\/strong>: Tom ou Caetano me agradam. O ou presente nesta ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 excludente, logo o verbo assume o plural.<\/p>\n<p><strong>Outra pergunta:<\/strong><\/p>\n<p>40% dos eleitores preferiram ou preferiu 40% dos eleitores preferiram. A express\u00e3o que vem depois do percentual est\u00e1 no plural ( eleitores ) e a\u00ed n\u00e3o h\u00e1 outra op\u00e7\u00e3o.<br \/>\n40% do eleitorado preferiu ou preferiram. Muita gente acertou. O termo que vem depois do percentual \u00e9 singular, logo o verbo tamb\u00e9m fica no singular. A forma correta \u00e9 \u201c40% do eleitorado preferiu\u201d.<br \/>\n\u201c40% preferiu ou preferiram\u201d. Nesta frase n\u00e3o h\u00e1 nada depois da express\u00e3o percentual. Ent\u00e3o vale o n\u00famero 40, que \u00e9 plural. \u201c40% preferiram, 1% preferiu\u201d.<\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA COM PRONOME RELATIVO E EXPRESS\u00d5ES EXPLETIVAS<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido muita gente falar \u201cn\u00e3o foi eu\u201d. Acham que o \u201cfoi\u201d vale para qualquer caso. N\u00e3o \u00e9 bem assim. Para ilustrar essa quest\u00e3o o professor Pasquale busca refer\u00eancia na m\u00fasica \u201cFoi Deus que fez voc\u00ea\u201d, de Luiz Ramalho<strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 Foi Deus que fez o c\u00e9u\u2026 Foi Deus que fez voc\u00ea\u2026 Foi Deus\u2026\u201d \u201cFoi Deus que fez\u201d. Porque \u201cfoi\u201d? Porque Deus \u00e9 3\u00aa pessoa, Deus \u00e9 igual a \u201cele\u201d e \u201cele foi\u201d. Agora, n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel dizer \u201cEu foi\u201d. Logo, \u201cn\u00e3o foi eu\u201d est\u00e1 errado. O correto \u00e9 \u201cn\u00e3o fui eu\u201d, \u201cn\u00e3o fomos n\u00f3s\u201d. O verbo que vem depois da palavra \u201cque\u201d tamb\u00e9m deve concordar com a palavra que vem antes. Portanto, \u201cFui eu que fiz\u201d ( eu fui, eu fiz),\u201dFomos n\u00f3s que fizemos\u201d, \u201cForam eles que fizeram\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Outra coisa que voc\u00ea n\u00e3o deve confundir \u00e9 o caso da express\u00e3o expletiva \u201c\u00e9 que\u201d, que \u00e9 fixa. A canc\u00e3o \u201cS\u00f3 n\u00f3s dois\u201d, de Joaquim Pimentel, pode ilustrar muito bem.<\/p>\n<p><strong>\u201d S\u00f3 n\u00f3s dois \u00e9 que sabemos o quanto nos queremos bem S\u00f3 n\u00f3s dois \u00e9 que sabemos S\u00f3 n\u00f3s dois e mais ningu\u00e9m\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A express\u00e3o \u201c\u00e9 que\u201d \u00e9 fixa. Nunca diga \u201cS\u00e3o nessas horas que a gente percebe\u201d. O correto \u00e9 dizer \u201cNessas horas \u00e9 que a gente percebe\u201d ou \u201c\u00c9 nessas horas que a gente percebe\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 que\u201d \u00e9 uma express\u00e3o de realce, fixa e f\u00e1cil de ser percebida. Pode, tamb\u00e9m, ser eliminada.<\/p>\n<p><strong>Veja os exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 n\u00f3s dois \u00e9 que sabemos\u201d \u2013 \u201cS\u00f3 n\u00f3s dois sabemos\u201d \u201c\u00c9 nessas horas que a gente percebe\u201d \u2013 Nessas horas a gente percebe\u201d. A express\u00e3o \u201c\u00e9 que\u201d, expletiva, pode ser perfeitamente eliminada sem preju\u00edzo da estrutura frasal.<\/p>\n<p><strong>Obrigado (a) \/ Eu Mesmo (a)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEu mesma fiz essa bolsa\u201d, \u00e9 assim que se fala?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, mas \u00e9 necess\u00e1rio fazer a concord\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Quando quem fala \u00e9 homem deve dizer \u201ceu mesmo\u201d. Se for mulher, \u201ceu mesma\u201d<\/p>\n<p>Voc\u00ea, referindo-se a uma mulher, deve dizer \u201cvoc\u00ea mesma\u201d, \u201cela mesma\u201d.<\/p>\n<p>No plural e havendo pelo menos um homem, \u201cn\u00f3s mesmos\u201d. Havendo s\u00f3 mulheres \u201cn\u00f3s mesmas\u201d. A concord\u00e2ncia deve ser feita quando \u00e9 necess\u00e1rio agradecer.<\/p>\n<p>O homem diz \u201cObrigado\u201d. A mulher, \u201cobrigada\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 PROIBIDO \/ \u00c9 PROIBIDA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma pessoa vai a um edif\u00edcio comercial, a um ambiente mais formal, e v\u00ea ali uma tabuleta:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 proibido a entrada\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pouco depois, ao entrar no pr\u00e9dio ao lado, a pessoa depara-se com outra tabuleta:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u00c9 proibida a entrada\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma confus\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>O programa foi \u00e0s ruas consultar algumas pessoas e perguntou quais eram as formas corretas:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 permitido a entrada\u201d ou \u201cN\u00e3o \u00e9 permitida a entrada\u201d \u201c\u00c9 proibido a entrada\u201d ou \u201c\u00c9 proibida a entrada\u201d<\/p>\n<p>Houve empate no n\u00famero de respostas certas e erradas, o que mostra que a confus\u00e3o \u00e9 mesmo grande.<\/p>\n<p><strong>Vamos a alguns exemplos para esclarecer essa quest\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>A sopa \u00e9 boa Sopa \u00e9 bom A cerveja \u00e9 boa Cerveja \u00e9 bom<\/strong><\/p>\n<p>Quando se generaliza, quando n\u00e3o se determina, n\u00e3o se faz a concord\u00e2ncia, usa-se o masculino com valor gen\u00e9rico, com valor neutro.<\/p>\n<p><strong>Portanto:<\/strong><\/p>\n<p>Sopa \u00e9 bom \/ \u00c9 bom sopa<br \/>\nCerveja \u00e9 bom \/ \u00c9 bom cerveja<br \/>\nEntrada \u00e9 proibido \/ \u00c9 proibido entrada<br \/>\nEntrada n\u00e3o \u00e9 permitido \/ N\u00e3o \u00e9 permitido entrada<\/p>\n<p>Se n\u00e3o existe um artigo ou uma preposi\u00e7\u00e3o antes de \u201centrada\u201d, se n\u00e3o h\u00e1 nenhum determinante, o partic\u00edpio passado dos verbos \u201cproibir\u201d e permitir\u201d deve ficar no masculino. Mas, se houver algum determinante, o verbo deve, ent\u00e3o, concordar com a palavra \u201centrada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Veja as formas corretas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 proibido entrada \u00c9 proibida a entrada N\u00e3o \u00e9 permitido entrada N\u00e3o \u00e9 permitida a entrada<\/strong><\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA VERBAL<\/strong><\/p>\n<p>A Concord\u00e2ncia verbal \u00e9 algo que na linguagem do cotidiano n\u00e3o se costuma fazer. Um jornal escreveu \u201cChegou as tabelas do Mundial\u201d, as pessoas dizem \u201cAcabou as ficha\u201d, \u201cSobrou quinze\u201d, \u201cFalta dez\u201d. A M\u00fasica Popular Brasileira est\u00e1 recheada de bel\u00edssimos exemplos de como fazer concord\u00e2ncias verbais adequadas. Um exemplo est\u00e1 numa can\u00e7\u00e3o muito bonita de Paulinho da Viola, \u201cQuando bate uma saudade\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 Vibram acordes Surgem imagens Soam palavras Formam-se frases\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Nessa can\u00e7\u00e3o, Paulinho da Viola canta com muita clareza frases com os verbos colocados antes do sujeito, todas com a concord\u00e2ncia muito bem feita. Os substantivos est\u00e3o no plural, os verbos, tamb\u00e9m. Isso no nosso dia-a-dia \u00e9 raro, mas na linguagem oficial \u00e9 fundamental estabelecer a concord\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se esque\u00e7a:<\/strong>\u00a0\u201cAcabaram as fichas\u201d ou \u201cAcabaram-se as fichas\u201d, \u201cSobraram quinze\u201d , \u201cFaltam dez\u201d.<\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA VERBAL<\/strong><\/p>\n<p>Vamos falar sobre concord\u00e2ncia verbal. Vamos tratar de um caso delicado que deixa muita gente atrapalhada.<\/p>\n<p><strong>O programa foi \u00e0s ruas para ouvir a popula\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual a forma correta?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cVai fazer 5 semanas que ela foi embora.\u201d ou \u201cV\u00e3o fazer 5 semanas que ela foi embora.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>De sete pessoas ouvidas, tr\u00eas acertaram.<\/p>\n<p><strong>A forma correta \u00e9<\/strong>: \u201cVai fazer 5 semanas que ela foi embora.\u201d O verbo \u201cfazer\u201d \u00e9 um caso espec\u00edfico da nossa l\u00edngua. Quando este verbo \u00e9 usado para indicar tempo transcorrido, n\u00e3o deve ser flexionado\u2026.<\/p>\n<p><strong>Verbo \u201cfazer\u201d indicando tempo n\u00e3o \u00e9 flexionado:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cFaz dez anos\u2026\u201d \u201cFaz vinte dias\u2026\u201d \u201cFaz duas horas\u2026\u201d \u201cJ\u00e1 fazia dois meses\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando usamos o verbo fazer associado a outro verbo, e indicando tempo, este tamb\u00e9m fica no singular:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cVai fazer vinte anos\u2026\u201d \u201cDeve fazer vinte anos\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos a outro exemplo de concord\u00e2ncia, a partir da can\u00e7\u00e3o \u201cO Poeta Est\u00e1 Vivo\u201d, com o Bar\u00e3o Vermelho<\/strong>: \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o pode ser forte, seja pelo menos humana.<\/p>\n<p><strong>Quando o papa e seu rebanho chegar, n\u00e3o tenha pena<\/strong>: todo mundo \u00e9 parecido quando sente dor\u201d<\/p>\n<p><strong>Se no caso do verbo \u201cfazer\u201d muitas pessoas usam indevidamente o plural, neste exemplo ocorre o contr\u00e1rio<\/strong>: a letra usa indevidamente o verbo no singular. \u201cPapa e rebanho\u201d chegam, portanto \u201cquando o papa e seu rebanho chegarem\u201d.<\/p>\n<p>Houve, na letra da m\u00fasica, um escorreg\u00e3o na concord\u00e2ncia. Como se trata de uma regra b\u00e1sica da l\u00edngua, procure respeit\u00e1-la na fala e na escrita.<\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA DO VERBO FAZER<\/strong><\/p>\n<p>O brasileiro \u00e9 resistente ao plural. Esta \u00e9 a conclus\u00e3o do professor Pasquale. Ouve-se muito dois real, dez real\u2026<\/p>\n<p><strong>Para ilustrar o professor prop\u00f5e \u00e0 rua a seguinte quest\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFaz vinte anos que estive aqui ou fazem vinte anos que eu estive aqui\u201d. As opini\u00f5es ficam divididas.<br \/>\nO correto \u00e9 \u201d Faz vinte anos que estive aqui.\u201d<\/p>\n<p>O verbo fazer indicando tempo n\u00e3o tem sujeito.<\/p>\n<p><strong>Pode-se e deve-se dizer:<\/strong>\u00a0\u201cpassaram dez anos\u201d.<\/p>\n<p>De fato, os anos passam. Mas, nunca falar \u201d fazem dez anos \u201c.<\/p>\n<p><strong>O mesmo acontece na locu\u00e7\u00e3o verbal quando o verbo fazer \u00e9 associado a outro na indica\u00e7\u00e3o de tempo<\/strong>: \u201d J\u00e1 deve fazer vinte anos que ela foi embora \u201c.<\/p>\n<p><strong>Nunca dizer:\u00a0<\/strong>\u201cJ\u00e1 devem fazer vinte anos \u2026\u201d. Nesses casos o verbo fazer vem sempre no singular.<\/p>\n<p><strong>Outro caso \u00e9 levantado:<\/strong>\u00a0\u201cQuando conheci sua prima, eu morava l\u00e1 h\u00e1 dez anos\u201d ou \u201c\u2026 morava l\u00e1 havia dez anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>A dica \u00e9 muito simples.<\/strong>\u00a0Usando o verbo fazer a forma correta de falar \u00e9 \u201c\u2026. morava l\u00e1 fazia dez anos\u201d. Logo, \u201c\u2026 eu morava l\u00e1 havia dez anos\u201d.<\/p>\n<p>Neste caso, o verbo haver equivale a fazer, indica tempo.<\/p>\n<p><strong>Os tempos verbais tamb\u00e9m devem se casar<\/strong>: se eu morava\u2026, morava fazia \u2026, morava havia\u2026. \u00c9 assim que exige o padr\u00e3o formal da l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA DO VERBO HAVER<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHaja paci\u00eancia!\u201d Todos j\u00e1 ouvimos essa express\u00e3o. Esse \u201chaja\u201d \u00e9 o verbo haver no presente do subjuntivo. Esse verbo talvez seja o mais desconhecido quanto \u00e0s suas flex\u00f5es. Muitas vezes \u00e9 usado sem que o usu\u00e1rio tenha consci\u00eancia de que o est\u00e1 usando.<\/p>\n<p>\u201cEstive aqui h\u00e1 dez anos\u201d.\u00a0<b>O \u201ch\u00e1\u201d presente na ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o verbo haver e pode ser trocado por outro verbo<\/b>: \u201cEstive aqui faz dez anos\u201d.<\/p>\n<p>Existem deslizes t\u00edpicos de quem n\u00e3o conhece as caracter\u00edsticas do verbo haver. Quando se diz \u201cH\u00e1 muitas pessoas na sala\u201d, conjuga-se o verbo haver na terceira pessoa do singular do presente do indicativo.<\/p>\n<p>Note que n\u00e3o foi feita a concord\u00e2ncia do verbo haver com a palavra pessoas. N\u00e3o se poderia dizer \u201cH\u00e3o pessoas\u201d.<\/p>\n<p>O verbo haver, quando usado com o sentido de existir, fica no singular.<\/p>\n<p><strong>Se fosse usado o verbo existir, este sim iria para o plural<\/strong>: \u201cExistem muitas pessoas na sala\u201d<\/p>\n<p>A confus\u00e3o tende a aumentar quando o verbo haver \u00e9 usado no passado ou no futuro.<\/p>\n<p><strong>Em certo trecho, a vers\u00e3o feita pelo conjunto \u201cOs incr\u00edveis\u201d da can\u00e7\u00e3o \u201cEra um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones\u201d, diz:<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u2026 N\u00e3o era belo mas, mesmo assim, havia mil garotas a fim\u2026.\u201d Nesta can\u00e7\u00e3o o verbo haver foi empregado com o sentido de existir. Logo, est\u00e1 correta a vers\u00e3o, o verbo no passado e no singular.<\/p>\n<p>No Brasil, fala-se \u201ccabe dez\u201d, \u201csobrou 30\u201d, \u201cfalta 30\u201d. Geralmente n\u00e3o se faz concord\u00e2ncia. Mas, quando n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer, erra-se. \u201cHouveram muitos acidentes naquela rodovia\u201d. Errado.<\/p>\n<p>O correto \u00e9 \u201cHouve muitos acidentes naquela rodovia\u201d. Haver\u00e1 acidentes, houve acidentes, h\u00e1 pessoas, havia pessoas, houve pessoas.<\/p>\n<p><strong>Vale repetir<\/strong>: \u201cO verbo haver quando empregado com o sentido de existir, ocorrer, acontecer, fica no singular, independentemente do tempo verbal.<\/p>\n<p><strong>CONCORD\u00c2NCIA DO VERBO SER<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cVolta pra casa\u2026 me traz na bagagem: tua viagem sou eu. Novas paisagens, destino passagem: tua tatuagem sou eu. Casa vazia, luzes acesas (s\u00f3 pra dar impress\u00e3o), cores e vozes, conversa animada (\u00e9 s\u00f3 a televis\u00e3o)\u2026\u201d \u201cSimples de Cora\u00e7\u00e3o\u201d (Engenheiros do Hawaii)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na letra dessa m\u00fasica temos dois trechos interessantes<\/strong>: \u201ctua viagem sou eu\u201d e \u201ctua tatuagem sou eu\u201d.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o interessantes porque \u00e9 relativamente pouco usual esse emprego do verbo ser. Normalmente, quando vemos, por exemplo, \u201ctua viagem\u201d, esperamos um verbo na 3\u00aa pessoa do singular, concordando com o sujeito:<\/strong>\u00a0\u201ctua viagem \u00e9;\u2026\u201d ou \u201ctua viagem foi\u2026\u201d<\/p>\n<p>Mas \u2013 por que o letrista utilizou \u201ctua viagem sou eu\u201d? Porque o verbo ser, nesse caso, est\u00e1 ligando o substantivo \u201cviagem\u201d ao pronome pessoal \u201ceu\u201d. O pronome pessoal prevalece, pelo simples motivo de que, em termos de concord\u00e2ncia verbal, a pessoa prevalece sobre o que n\u00e3o \u00e9 pessoa, sempre.<\/p>\n<p><strong>Por isso, independentemente da ordem da frase, faz-se a concord\u00e2ncia do verbo \u201cser\u201d com a pessoa, como fez de forma corret\u00edssima o pessoal dos Engenheiros do Hawaii nas duas passagens:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eu sou tua viagem. Tua viagem sou eu. Eu sou tua tatuagem. Tua tatuagem sou eu.<\/strong><\/p>\n<p><strong>ORA\u00c7\u00c3O REDUZIDA<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar em ora\u00e7\u00e3o reduzida. Com alguns exemplos muito simples podemos identific\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>\u201cQuando voc\u00ea fizer tal coisa\u2026\u201d \u201cAo fazer tal coisa\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No primeiro caso o verbo fazer est\u00e1 no futuro do subjuntivo. Voc\u00ea percebeu. No segundo, eliminamos a conjun\u00e7\u00e3o \u201cquando\u201d e n\u00e3o conjugamos o verbo fazer, deixando-o no infinitivo. Em suma, reduzimos a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Outro exemplo:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cPrecisando, telefone.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A primeira ora\u00e7\u00e3o \u201cprecisamos\u201d pode ser desdobrada.<\/p>\n<p><strong>\u201cSe precisar, telefone\u201d ou \u201cQuando precisar, telefone\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Passamos a usar as conjun\u00e7\u00f5es \u201cse\u201d ou \u201cquando\u201d.<\/p>\n<p>Quando usamos verbos no ger\u00fandio ( falando, bebendo, partindo), no infinitivo ( falar, beber, partir ) ou no partic\u00edpio ( falado, bebido, partido ), n\u00e3o se usa o elemento ( se , quando ) que introduz a ora\u00e7\u00e3o, ou seja, a conjun\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o come\u00e7a direto com o verbo. \u00c9 reduzida.<\/p>\n<p><strong>Veja o fragmento de uma letra de Caetano Veloso e Gilberto Gil:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cNo dia em que eu vim m\u2019embora \u2026 sentia apenas que a mala de couro que eu carregava embora estando forrada fedia, cheirava mal\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEstando\u201d \u00e9 ger\u00fandio e o ger\u00fandio estabelece a ora\u00e7\u00e3o reduzida. Logo, nessa letra a conjun\u00e7\u00e3o embora n\u00e3o poderia ter sido usada com o ger\u00fandio.<\/p>\n<p><strong>Ficaria assim:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 sentia apenas que a mala de couro que eu carregava, embora forrada, fedia, cheirava mal\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No caso, houve uma distra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode ser abonado pela norma culta.<\/p>\n<p><strong>Outro caso:<\/strong><\/p>\n<p>Muita gente fala \u201cIsso posto, vamos ao que interessa.\u201d Errado. Em portugu\u00eas a ora\u00e7\u00e3o reduzida come\u00e7a pelo verbo. O correto \u00e9 \u201cPosto isso, vamos ao que interessa.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o se diz \u201cA quest\u00e3o discutida, passamos ao item seguinte\u201d. Diz-se \u201cDiscutida a quest\u00e3o, passamos ao item seguinte.\u201d<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o reduzida sempre come\u00e7a com o verbo no ger\u00fandio, no partic\u00edpio ou no infinitivo.<\/p>\n<p><strong>USO DA PALAVRA ONDE<\/strong><\/p>\n<p>O professor Pasquale fala de um assunto que \u00e9 muito comum em abordagens oficiais da l\u00edngua, o uso da palavra onde.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 chamada a aten\u00e7\u00e3o para dois pontos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1\u00ba-\u00a0<\/strong>A palavra onde indica lugar, lugar f\u00edsico e, portanto, n\u00e3o deve ser usada em situa\u00e7\u00f5es em que a id\u00e9ia de lugar n\u00e3o esteja presente.<br \/>\n<strong>2\u00ba-\u00a0<\/strong>N\u00e3o se deve confundir onde com aonde. O a da palavra aonde \u00e9 a preposi\u00e7\u00e3o a que se acrescenta e que indica movimento, destino. O aonde s\u00f3 pode ser usado quando na express\u00e3o existir a id\u00e9ia de destino.\u00a0<strong>Ex:\u00a0<\/strong>Ir a algum lugar.<\/p>\n<p>Chegar a algum lugar.<br \/>\nLevar algu\u00e9m a algum lugar.<br \/>\nDirigir-se a algum lugar.<br \/>\nN\u00e3o se pode usar aonde com o verbo morar.<\/p>\n<p><strong>Ex:\u00a0<\/strong>Aonde voc\u00ea mora? Errado. O certo \u00e9 \u201cOnde voc\u00ea mora ?\u201d\/ \u201cEm que lugar voc\u00ea mora?\u201d H\u00e1 muita confus\u00e3o entre aonde e onde.<\/p>\n<p><strong>Um exemplo \u00e9 uma letra de Belchior, \u201cDivina Com\u00e9dia Humana\u201d, na qual ele diz:<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u2026. viver a Divina Com\u00e9dia Humana onde nada \u00e9 eterno\u2026.\u201d Em \u201c\u2026 viver a Divina Com\u00e9dia Humana \u2026\u201d n\u00e3o existe a id\u00e9ia de lugar. \u00c9, apenas, uma situa\u00e7\u00e3o que seria vivida. Nela, na Divina Com\u00e9dia Humana, nada \u00e9 eterno.<\/p>\n<p>Portanto, o correto seria n\u00e3o usar a palavra onde substituindo-a por \u201cem que\u201d ou \u201cna qual\u201d.<\/p>\n<p>O autor preferiu usar essa forma do dia-a-dia, mas n\u00e3o admiss\u00edvel pela norma culta.<\/p>\n<p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>N\u00e3o se pode usar a palavra onde para ligar id\u00e9ias que n\u00e3o guardem entre si a rela\u00e7\u00e3o de lugar. Diga \u201cA rua onde mora\u201d, \u201cA cidade onde vive\u201d<\/p>\n<p><strong>ONDE\/AONDE<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOnde\u201d ou \u201caonde\u201d? Muitas pessoas algum dia tiveram essa d\u00favida. E nem vale muito a pena tentarmos esclarec\u00ea-la por meio dos textos liter\u00e1rios, porque n\u00e3o \u00e9 incomum que at\u00e9 mesmo os grandes escritores utilizem as express\u00f5es de modo diferente do que \u00e9 pregado pela gram\u00e1tica normativa.<\/p>\n<p><strong>Preste aten\u00e7\u00e3o no trecho desta can\u00e7\u00e3o, \u201cDomingo\u201d, gravada pelos Tit\u00e3s:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 n\u00e3o \u00e9 Sexta-Feira Santa, nem um outro feriado, e antes que eu esque\u00e7a aonde estou, antes que eu esque\u00e7a aonde estou, aonde estou com a cabe\u00e7a?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<b>Aonde eu estou\u201d ou \u201conde estou\u201d? Para esta pergunta, a resposta seria<\/b>: \u201cEstou em tal lugar\u201d, sem a preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d. E as gram\u00e1ticas ensinam que, n\u00e3o havendo a preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d, n\u00e3o h\u00e1 motivo para usar \u201caonde\u201d.<\/p>\n<p><strong>Assim, a forma correta na letra da can\u00e7\u00e3o seria:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 e antes que eu esque\u00e7a onde estou, antes que eu esque\u00e7a onde estou, onde estou com a cabe\u00e7a?\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vamos a outro exemplo, a can\u00e7\u00e3o \u201cOnde voc\u00ea mora\u201d, gravada pelo grupo Cidade Negra:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201c\u2026 Voc\u00ea vai chegar em casa, eu quero abrir a porta. Aonde voc\u00ea mora, aonde voc\u00ea foi morar, aonde foi? N\u00e3o quero estar de fora\u2026 Aonde est\u00e1 voc\u00ea?\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Quem vai, vai a algum lugar. Portanto, a express\u00e3o correta nesse caso \u00e9 \u201caonde\u201d. Aonde voc\u00ea foi?<\/p>\n<p>Mas quem mora, mora em algum lugar. Quem est\u00e1, est\u00e1 em algum lugar.<\/p>\n<p><strong>Nesse caso, a express\u00e3o correta \u00e9 \u201conde\u201d:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Onde voc\u00ea mora? Onde voc\u00ea foi morar? Onde est\u00e1 voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Veja agora este trecho da can\u00e7\u00e3o \u201cBete Balan\u00e7o\u201d, gravada pelo Bar\u00e3o Vermelho:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cPode seguir a tua estrela, o teu brinquedo de star, fantasiando um segredo, o ponto aonde quer chegar\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ensinam as gram\u00e1ticas que, na l\u00edngua culta, o verbo \u201cchegar\u201d rege a preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d. Quem chega, chega a algum lugar. A preposi\u00e7\u00e3o \u00e9 usada quando queremos indicar movimento, deslocamento.<\/p>\n<p><strong>Portanto, a letra da m\u00fasica est\u00e1 correta:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O ponto aonde voc\u00ea quer chegar. Eu chego ao cinema pontualmente. Eu chego a S\u00e3o Paulo \u00e0 noite. Eu chego a Bras\u00edlia amanh\u00e3.<\/strong><\/p>\n<p>Na linguagem coloquial, no entanto, \u00e9 muito comum vermos constru\u00e7\u00f5es como \u201ceu cheguei em S\u00e3o Paulo\u201d, \u201ceu cheguei no cinema\u201d. N\u00e3o h\u00e1 grandes problemas em trocar \u201conde\u201d por \u201caonde\u201d na l\u00edngua do dia-a-dia ou em versos de letras musicais populares, dos quais fazem parte o ritmo, a melodia e outros fatores.<\/p>\n<p><strong>Mas, pela norma culta, num texto formal, use \u201caonde\u201d sempre que houver a preposi\u00e7\u00e3o \u201ca\u201d indicando movimento:<\/strong><\/p>\n<p><strong>PONTUA\u00c7\u00c3O \u2013 V\u00cdRGULA<\/strong><\/p>\n<p>Como usar a v\u00edrgula? Seu uso est\u00e1 relacionado \u00e0 respira\u00e7\u00e3o? N\u00e3o.<\/p>\n<p>A v\u00edrgula depende da estrutura sint\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s pessoas, na rua, foi sugerida uma quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pediu-se que colocassem v\u00edrgulas no seguinte texto<\/strong>: \u201cO diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos declarou que n\u00e3o haver\u00e1 demiss\u00f5es neste m\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>A maioria acertou. N\u00e3o h\u00e1 v\u00edrgula.<\/p>\n<p>\u201cO diretor de Recursos Humanos da Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos\u201d \u00e9 o sujeito do verbo declarar. Foi ele, o diretor, que declarou.<\/p>\n<p>Entre sujeito e verbo n\u00e3o h\u00e1 v\u00edrgula.<\/p>\n<p>Depois, \u201d \u2026que n\u00e3o haver\u00e1 demiss\u00f5es neste m\u00eas.\u201d<\/p>\n<p>Como a seq\u00fc\u00eancia est\u00e1 na ordem direta, n\u00e3o h\u00e1 por que colocar v\u00edrgula.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0s vezes, v\u00edrgula pode decidir o sentido do texto.<\/p>\n<p>O professor Pasquale fala da sua participa\u00e3o no Programa J\u00f4 Soares, quando pediu a ele que escrevesse um telegrama.<\/p>\n<p>Ir\u00e1s voltar\u00e1s n\u00e3o morrer\u00e1s<\/p>\n<p>Dependendo do sentido que se quer dar, ocorre a pontua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ir\u00e1s. Voltar\u00e1s. N\u00e3o morrer\u00e1s.<\/p>\n<p>Ir\u00e1s. Voltar\u00e1s? N\u00e3o. Morrer\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Resumo:\u00a0<\/strong>No primeiro caso n\u00e3o h\u00e1 por que usar a v\u00edrgula. O texto est\u00e1 na ordem direta e em seq\u00fc\u00eancias diretas n\u00e3o se usa pontua\u00e7\u00e3o. No caso do telegrama pontua-se de acordo com aquilo que se quer dizer. A pontua\u00e7\u00e3o decide o sentido.ir a \/ dirigir-se a \/ levar a \/ chegar a<\/p>\n<p><strong>PRONOME RELATIVO PRECEDIDO DE PREPOSI\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Esse m\u00f3dulo trata do uso do pronome relativo QUE . Em certos casos ele deve ser acompanhado da preposi\u00e7\u00e3o EM , como no caso da letra da m\u00fasica \u201cGOSTAVA TANTO DE VOC\u00ca\u201d (Edson Trindade).<\/p>\n<p><strong>Tim Maia canta: \u201c\u2026Pensei at\u00e9 em me mudar, lugar qualquer que n\u00e3o exista o pensamento em voc\u00ea \u2026\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leila Pinheiro corrige e canta:\u00a0<\/strong>\u201c\u2026 lugar qualquer em que n\u00e3o exista o pensamento em voc\u00ea \u2026\u201d Leila Pinheiro tem raz\u00e3o. Afinal,, se esse pensamento existe em algum lugar, o correto seria dizer \u201clugar qualquer em que n\u00e3o exista o pensamento em voc\u00ea\u201d. Trata-se do emprego da preposi\u00e7\u00e3o com o pronome relativo \u201cque\u201d.<\/p>\n<p>Na linguagem do dia-a-dia essa preposi\u00e7\u00e3o desaparece. \u00c9 comum as pessoas dizerem \u201cA empresa que eu trabalho\u201d. Se eu trabalho em algum lugar, deverei dizer \u201cA empresa em que trabalho\u201d.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 pouco tempo foi exibido na televis\u00e3o um an\u00fancio cujo texto dizia:\u00a0<\/strong>\u201c\u2026 a marca que o mundo confia.\u201d<\/p>\n<p>Acontece que, \u201cquem confia, confia em\u201d.<strong>\u00a0Logo, o correto seria dizer<\/strong>: \u201c\u2026 a marca em que o mundo confia.\u201d<\/p>\n<p>As pessoas falam \u201cA rua que eu moro\u201d, \u201cOs pa\u00edses que eu fui\u201d, \u201cA comida que eu mais gosto\u201d. O correto seria dizer \u201cA rua em que moro\u201d, \u201cOs pa\u00edses a que fui\u201d, \u201cA comida de que mais gosto\u201d.<\/p>\n<p>O problema tamb\u00e9m est\u00e1 presente em uma letra da dupla Roberto e Erasmo Carlos, \u201cEmo\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 s\u00e3o tantas j\u00e1 vividas s\u00e3o momentos que eu n\u00e3o me esqueci\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Se eu me esqueci, eu me esqueci de<br \/>\nQuem esquece, esquece algo<br \/>\nQuem se esquece, esquece-se de algo<br \/>\nLogo, o correto seria \u201cs\u00e3o momentos de que n\u00e3o me esqueci.\u201d<br \/>\nPode-se, tamb\u00e9m, eliminar a preposi\u00e7\u00e3o de e o pronome me.<\/p>\n<p><strong>Ficaria \u201cs\u00e3o momentos que eu n\u00e3o esqueci\u201d Em um jornal de grande circula\u00e7\u00e3o o texto de uma campanha afirmava:<\/strong>\u00a0\u201cA gente nunca esquece do anivers\u00e1rio de um amigo..\u201d<\/p>\n<p><strong>O correto seria:<\/strong>\u00a0\u201cA gente nunca esquece o anivers\u00e1rio de um amigo\u201d ou \u201cA gente nunca se esquece do anivers\u00e1rio de um amigo.\u201d<\/p>\n<p>Vale o mesmo esquema para o verbo lembrar.<\/p>\n<p>Quem lembra, lembra algo<\/p>\n<p>Quem se lembra, lembra-se de algo<\/p>\n<p><strong>Ex<\/strong>: Eu n\u00e3o lembro o seu nome.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o me lembro do seu nome.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea pode notar, esses erros de reg\u00eancia s\u00e3o muito comuns. \u00c9 necess\u00e1rio redobrar a aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o comet\u00ea-los mais.<\/p>\n<p><strong>REG\u00caNCIA VERBAL<\/strong><\/p>\n<p>Reg\u00eancia \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que se verifica entre as palavras.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo:<\/strong>\u00a0quem gosta, gosta de alguma coisa. Assim, o verbo \u201cgostar\u201d rege a preposi\u00e7\u00e3o \u201cde\u201d. Existe, entre o verbo e a preposi\u00e7\u00e3o, um mecanismo, uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reg\u00eancia se ocupa de estudar essa rela\u00e7\u00e3o entre as palavras. Na l\u00edngua falada, no entanto, reg\u00eancia \u00e9 algo que se aprende intuitivamente. Ningu\u00e9m precisou ensinar para n\u00f3s que quem gosta, gosta de algu\u00e9m. Ou que quem concorda, concorda com alguma coisa. Ou que quem confia, confia em algo. E assim por diante.<\/p>\n<p>A l\u00edngua culta, por seu lado, tem suas regras de reg\u00eancia, que levam em conta o significado do verbo. Um verbo com mais de um sentido, por exemplo, pode ter duas reg\u00eancias diferentes.<\/p>\n<p><strong>Vamos ver o que acontece na can\u00e7\u00e3o \u201cO Nome Dela\u201d, gravada pelo goleiro Ronaldo &amp; Os Impedidos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cEu n\u00e3o lembro nem do lugar ela me diz que eu paguei o jantar ela me diz que eu prometi o mundo eu n\u00e3o me lembro de nenhum segundo\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>As gram\u00e1ticas dizem que quem lembra, lembra alguma coisa. E que quem se lembra, lembra-se de alguma coisa.<\/p>\n<p>Quem lembra,<br \/>\nlembra algo<br \/>\nQuem se lembra,<br \/>\nlembra-se de algo.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que essa regra na l\u00edngua efetiva vale sempre? Vamos ver o que acontece na can\u00e7\u00e3o \u201cLembra de Mim\u201d, cantada por Ivan Lins.<\/p>\n<p><strong>A letra \u00e9 de V\u00edtor Martins: \u201cLembra de mim dos beijos que escrevi nos muros a giz Os mais bonitos continuam opor l\u00e1 documentando que algu\u00e9m foi feliz Lembra de mim n\u00f3s dois nas ruas provocando os casais\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a gram\u00e1tica normativa, o t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o e a letra estariam errados. Deveria ser \u201cLembra-se de mim\u2026\u201d<\/p>\n<p>Acontece que no dia-a-dia as pessoas n\u00e3o falam assim, com todo esse rigor, com essa consci\u00eancia do sistema de reg\u00eancia. Dessa forma, n\u00f3s podemos dizer \u201clembra de mim\u201d, sem problema. A l\u00edngua falada permite essas licen\u00e7as, e a poesia musical tamb\u00e9m, j\u00e1 que n\u00e3o deixa de ser um tipo de l\u00edngua oral. Mas na hora de escrever, de adotar outro padr\u00e3o, \u00e9 conveniente obedecermos \u00e0quilo que est\u00e1 nos livros de reg\u00eancia. No texto formal, lembra-se de mim \u00e9 o exig\u00edvel, \u00e9 o correto.<\/p>\n<p><strong>REG\u00caNCIA VERBAL II<\/strong><\/p>\n<p>Reg\u00eancia, em gram\u00e1tica, \u00e9 o conjunto de rela\u00e7\u00f5es que existem entre as palavras.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo:<\/strong>\u00a0quem gosta, gosta de algu\u00e9m. O verbo \u201cgostar\u201d rege a preposi\u00e7\u00e3o \u201cde\u201d. N\u00f3s aprendemos a reg\u00eancia naturalmente, no dia-a-dia. S\u00f3 que a gram\u00e1tica, muitas vezes, estabelece formas diferentes das que utilizamos na linguagem cotidiana. Costumamos, por exemplo, dizer que chegamos em algum lugar, quando a norma culta indica que chegamos a algum lugar.<\/p>\n<p><strong>INCORRETO:<\/strong>\u00a0\u201cA caravana chegou hoje em Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p><strong>CORRETO:<\/strong>\u00a0\u201cA caravana chegou hoje a Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>Da mesma forma, o correto \u00e9 dizer \u201cchegou a Manaus\u201d, \u201cchegou ao Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o verbo \u201cesquecer\u201d.<\/p>\n<p><strong>Vamos ver o trecho da can\u00e7\u00e3o \u201cAs Can\u00e7\u00f5es que voc\u00ea Fez pra mim\u201d, de Roberto e Erasmo Carlos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou, tanta coisa que somente entre n\u00f3s dois ficou\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito comum que se fale \u201cesqueceu de tanta coisa\u201d, mas quem esquece, esquece algo. Quem se esquece, esquece-se de algo.<\/p>\n<p><strong>Portanto, as formas corretas s\u00e3o: \u201cEsqueceu tanta coisa.\u201d \u201cEsqueceu-se de tanta coisa.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A mesma coisa vale para o verbo \u201clembrar\u201d.<\/p>\n<p><strong>Vamos ver um trecho da can\u00e7\u00e3o \u201cTempo Perdido\u201d, gravada por Paulo Ricardo: \u201c\u2026Temos todo o tempo do mundo. Todos os dias, antes de dormir, lembro e esque\u00e7o como foi o dia, sempre em frente, n\u00e3o temos tempo a perder\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O uso est\u00e1 correto. Poderia ser tamb\u00e9m \u201cLembro-me e esque\u00e7o-me de como foi\u2026\u201d<\/p>\n<p>Quem lembra, lembra algo.<\/p>\n<p>Quem se lembra, lembra-se de algo.<\/p>\n<p><strong>COLOCA\u00c7\u00c3O PRONOMINAL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Discute-se na letra da m\u00fasica \u2013 \u201d EU SEI QUE VOU TE AMAR \u201c( Tom Jobim e Viv\u00edcius de Moraes ) a melhor coloca\u00e7\u00e3o do promome TE no trecho: \u201cEu sei que vou te amar Por toda minha vida eu vou te amar \u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O correto seria que o pronome viesse ap\u00f3s a conjun\u00e7\u00e3o integrante que, j\u00e1 que esta conjun\u00e7\u00e3o \u00e9 palavra atrativa.<\/p>\n<p><strong>Ficaria :<\/strong>\u00a0Eu sei que te vou amar.<\/p>\n<p>A outra forma \u00e9 colocar o pronome TE ap\u00f3s o verbo.<\/p>\n<p><strong>Ficaria:<\/strong>\u00a0Eu sei que vou amar-te .<\/p>\n<p><strong>No entanto, o professor Pasquale acha que ficaria estranho Tom Jobim e Vin\u00edcius cantarem: \u201cEu sei que te vou amar Por toda a minha vida Eu sei que vou amar-te \u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na coloca\u00e7\u00e3o do pronome muitas vezes vale a eufonia apesar de a eufonia apesar de a norma culta nem sempre abonar essas formas.<\/p>\n<p><strong>COLOCA\u00c7\u00c3O PRONOMINAL 2<\/strong><\/p>\n<p><strong>Este assunto foi tratado mais de uma vez no programa<\/strong>: a coloca\u00e7\u00e3o dos pronomes obl\u00edquos \u00e1tonos em rela\u00e7\u00e3o aos verbos.<\/p>\n<p><strong>Pronomes obl\u00edquos \u00e1tonos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>ME \u2013 TE \u2013 SE \u2013 LHE \u2013 LHES \u2013 O \u2013 A \u2013 OS \u2013 AS \u2013 NOS \u2013 VOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aqui no Brasil, muitas vezes o professor diz ao aluno<\/strong>: \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar a frase com o pronome me\u201d.<\/p>\n<p><strong>E, se o aluno escreve na reda\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u201cMe disseram que\u2026\u201d, leva uma bronca do professor, que n\u00e3o explica ao aluno de onde vem essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que a l\u00edngua portuguesa \u201coficial\u201d, isto \u00e9, o portugu\u00eas de Portugal, n\u00e3o aceita o pronome no in\u00edcio da frase. Eles falam \u201cDisseram-me\u2026\u201d. O problema \u00e9 que essa coloca\u00e7\u00e3o pronominal n\u00e3o tem nada a ver com a nossa maneira de falar, a nossa sonoridade. N\u00f3s temos a nossa maneira de usar o pronome, e n\u00e3o h\u00e1 por que lutar contra isso.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 como na can\u00e7\u00e3o \u201cVento Ventania\u201d, do grupo Biqu\u00edni Cavad\u00e3o: \u201cVento, ventania, me leve para as bordas do c\u00e9u, pois vou puxar as barbas de Deus. Vento, ventania, me leve pra onde nasce a chuva, pra l\u00e1 de onde o vento faz a curva, me deixe cavalgar nos seus desatinos, nas revoadas, redemoinhos\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O mesmo grupo tem outra can\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 um bom exemplo da nossa maneira de colocar os pronomes na frase. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cTimidez\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cToda vez que te olho, crio um romance. Te persigo mudo todos os instantes. Falo pouco, pois n\u00e3o sou de dar indiretas. Me arrependo do que digo em frases incertas\u2026\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Em portugu\u00eas de Portugal isso n\u00e3o poderia ser assim. Precisaria ser \u201cLeve-me\u201d, \u201cDeixe-me\u201d, \u201cPersigo-te\u201d, \u201cArrependo-me\u201d e assim por diante.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que a nossa forma de usar os pronomes, no come\u00e7o da frase, est\u00e1 oficialmente errada. No cotidiano, com os amigos, na vida di\u00e1ria, podemos falar \u00e0 nossa maneira. Mas numa prova de portugu\u00eas, num vestibular, num concurso, devemos escrever o pronome sempre depois do verbo.<\/p>\n<p>Console-se, s\u00e3o coisas da nossa l\u00edngua portuguesa\u2026<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/br.geocities.com\/www.graudez.com.br\/www.angelfire.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sintaxe \u2013 O que \u00e9 A\u00a0sintaxe\u00a0\u00e9 o conjunto de regras que governam como as palavras e frases s\u00e3o organizadas para criar senten\u00e7as bem formadas e significativas. Ela determina a ordem das palavras e a estrutura das frases. 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