{"id":81404,"date":"2016-08-23T16:02:40","date_gmt":"2016-08-23T16:02:40","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81404"},"modified":"2026-06-09T15:40:56","modified_gmt":"2026-06-09T17:40:56","slug":"figuras-de-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/figuras-de-palavras","title":{"rendered":"Figuras de Palavras"},"content":{"rendered":"<p>As\u00a0<b>figuras de linguagem<\/b>\u00a0s\u00e3o parte integrante de qualquer idioma. Elas s\u00e3o amplamente utilizadas n\u00e3o apenas em nossa fala cotidiana, mas tamb\u00e9m em textos escritos e na literatura oral. S\u00e3o palavras ou frases usadas de maneira peculiar para produzir um efeito ret\u00f3rico. Em termos simples, \u00e9 uma frase cujo significado real \u00e9 diferente do seu significado literal.<\/p>\n<p>As<b>\u00a0figuras de linguagem<\/b>\u00a0s\u00e3o expressas por meio de v\u00e1rias t\u00e9cnicas, como met\u00e1foras, compara\u00e7\u00f5es, hip\u00e9rboles e personifica\u00e7\u00e3o. Todos n\u00f3s usamos diferentes figuras de linguagem em nossas conversas di\u00e1rias, tanto deliberadamente quanto inconscientemente.<\/p>\n<p>Uma\u00a0<b>figura de linguagem<\/b>\u00a0\u00e9 um recurso ret\u00f3rico que utiliza palavras de forma n\u00e3o literal para transmitir um significado mais profundo, intensificar a emo\u00e7\u00e3o ou criar uma imagem v\u00edvida. Ela altera o significado padr\u00e3o ou a ordem das palavras para obter um efeito estil\u00edstico.<\/p>\n<p><b>Figuras de Palavras \u2013 Tipo<\/b><\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o Simples:\u00a0<\/strong>\u00c9 a compara\u00e7\u00e3o entre dois elementos de um mesmo universo.<\/p>\n<p><strong>Exemplo:\u00a0<\/strong>Esse carro \u00e9 t\u00e3o veloz como aquele avi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o por S\u00edmile:\u00a0<\/strong>\u00c9 a compara\u00e7\u00e3o entre dois elementos de universos diferentes.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Meu pai \u00e9 bravo como um le\u00e3o.<br \/>\nAquela mulher tem a voz suave como a de um p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p><strong>Met\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma compara\u00e7\u00e3o direta, um termo substitui outro pela semelhan\u00e7a que \u00e9 resultado da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todo emprego de palavra fora do seu sentido normal, por efeito da analogia, constitui uma met\u00e1fora.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Esse homem \u00e9 uma fera!<br \/>\nA vida \u00e9 uma cartola de m\u00e1gico.<br \/>\nNo calor da discuss\u00e3o, trocaram ofensas.<br \/>\nMinha namorada \u00e9 uma gata.<\/p>\n<p><strong>Catacrese<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o emprego impr\u00f3prio de uma palavra ou express\u00e3o por falta de outra no nosso vocabul\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Boca da garrafa.<br \/>\nBanana de dinamite<\/p>\n<p><strong>Catacreses mais originais atualmente<\/strong><\/p>\n<p>Embarcarei no avi\u00e3o das onze horas. (embarcar = tomar barca)<br \/>\nComprei uma ferradura de prata. (ferradura = pe\u00e7a de ferro)<br \/>\nEu ganho uma mesada semretal. (mesada = pagamento por m\u00eas)<br \/>\nGosto de azulejo amarelo (azulejo = azul)<br \/>\nEnterrei uma agulha no dedo (enterrar = p\u00f4r debaixo da terra)<\/p>\n<p><strong>Sinestesia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma figura que resulta da fus\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es percebidas por diferentes \u00f3rg\u00e3os do sentido.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Comia o sabor vermelho da fruta.<br \/>\n(sabor = gosto, paladar) (vermelho = vis\u00e3o)<\/p>\n<p>Um \u00e1spero sabor de indiferen\u00e7a<br \/>\n(\u00e1spero = tato) (sabor = paladar)<\/p>\n<p>A luz crua da manh\u00e3 me invadia.<br \/>\n(luz = vis\u00e3o) (crua = paladar)<\/p>\n<p><strong>Antonom\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a substitui\u00e7\u00e3o de um nome pr\u00f3prio de pessoas por um outro que tenha rela\u00e7\u00e3o com suas a\u00e7\u00f5es, qualidades e caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>A rainha dos baixinhos = Xuxa<br \/>\nO rei do futebol = Pel\u00e9<br \/>\nO Criador = Deus<br \/>\nO poeta dos escravos = Castro Alves<br \/>\nA \u00e1guia de Haia = Rui Barbosa<\/p>\n<p><strong>Sin\u00e9doque<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a substitui\u00e7\u00e3o de um termo por outro, em que os sentidos destes termos t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o desigual (amplia\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>Os casos s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>A parte pelo todo ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>Aquele homem tem mil cabe\u00e7as de gado. cabe\u00e7a = parte do boi<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>Aquela madame veste um urso. urso = todo pele de urso = parte<\/p>\n<p>G\u00eanero pela esp\u00e9cie ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>Os mortais pensam e sofrem. mortais = homens<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0A esta\u00e7\u00e3o das rosas chegou. esta\u00e7\u00e3o das rosas = primavera<\/p>\n<p>Singular pelo plural ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0O brasileiro \u00e9 rom\u00e2ntico. brasileiro = todos os brasileiros<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>As chuvas chegaram. chuvas (plural) = tempo de chuva (singular)<\/p>\n<p>O determinado pelo indeterminado<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>Ele fez mil perguntas. mil = indeterminado<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria pelo objeto<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>O bronze soa chamando para a missa. bronze = mat\u00e9ria de que \u00e9 feito o sino<\/p>\n<p>O indiv\u00edduo pela classe<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Ele \u00e9 o Judas da turma. Judas = classe dos traidores<\/p>\n<p><strong>Meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a substitui\u00e7\u00e3o de um nome por outro, havendo entre eles algum relacionamento de semelhan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Os casos s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>O autor pela obra<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Gosto de ler Jorge Amado.<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>Estou escutando Beatles.<\/p>\n<p>Causa pelo efeito ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Sou al\u00e9rgico a cigarro. efeito = fuma\u00e7a causa = cigarro<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>Eles ganham a vida com suor. causa = trabalho efeito = suor<\/p>\n<p>O continente pelo conte\u00fado ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Bebi duas caixas de leite. continente = caixas conte\u00fado = leite<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>Passem-me a manteiga. (manteigueira) conte\u00fado = manteiga continente = manteigueira<\/p>\n<p>O lugar pelo produto<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>Vamos tomar champanha. (Vinho produzido em Champanha (Fran\u00e7a))<\/p>\n<p>O inventor pelo invento<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>Vou comprar um ford. (Ford foi o inventor do carro)<\/p>\n<p>O concreto pelo abstrato ou vice-versa<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Este aluno tem \u00f3tima cabe\u00e7a. abstrato = intelig\u00eancia concreto = cabe\u00e7a<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0A juventude brasileira \u00e9 maravilhosa. abstrato = juventude concreto = pessoas jovens<\/p>\n<p>S\u00edmbolo pela coisa simbolizada<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Ele carrega a cruz. cruz = s\u00edmbolo do cristianismo<strong><br \/>\nb)<\/strong>\u00a0O rei perdeu a coroa. coroa = s\u00edmbolo do poder, da realeza<strong><br \/>\nc)<\/strong>\u00a0Aquele homem n\u00e3o tira os chinelos. chinelos = s\u00edmbolo da pregui\u00e7a<\/p>\n<p><strong>Onomatop\u00e9ia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a figura que reproduz os sons da natureza por meio de palavras.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>O tique-taque do meu cora\u00e7\u00e3o\u2026<br \/>\nO zum-zum-zum das crian\u00e7as no pr\u00e9dio\u2026<\/p>\n<p><strong>Outros exemplos:<\/strong>\u00a0cricri, reco-reco, bem-te-vi, tchibum!, pum! pum!<\/p>\n<p><strong>S\u00edmbolo (Alegoria)<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a figura que representa um fato, uma entidade, uma cren\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Branco \u2013 significa paz, serenidade.<br \/>\nCabe\u00e7a \u2013 poder, for\u00e7a, lideran\u00e7a.<br \/>\nVerde \u2013 representa a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Figuras de palavras ou tropos ou Altera\u00e7\u00f5es Sem\u00e2nticas<\/b><\/p>\n<p><b>Figuras de Palavras &#8211; Met\u00e1fora<\/b><\/p>\n<p>Emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. \u00c9 um tipo de compara\u00e7\u00e3o impl\u00edcita, sem termo comparativo.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo.<br \/>\nEncontrei a chave do problema.<br \/>\n\/ \u201cVeja bem, nosso caso \/ \u00c9 uma porta entreaberta.\u201d (Lu\u00eds Gonzaga Junior)<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p><strong>Rocha Lima define como modalidades de met\u00e1fora<\/strong>: personifica\u00e7\u00e3o (animismo), hip\u00e9rbole, s\u00edmbolo e sinestesia. ? Personifica\u00e7\u00e3o \u2013 atribui\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, qualidades e sentimentos humanos a seres inanimados. (A lua sorri aos enamorados) ? S\u00edmbolo \u2013 nome de um ser ou coisa concreta assumindo valor convencional, abstrato. (balan\u00e7a = justi\u00e7a, D. Quixote = idealismo, c\u00e3o = fidelidade, al\u00e9m do simbolismo universal das cores) Esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas<\/p>\n<p><strong>Catacrese<\/strong><\/p>\n<p>Uso impr\u00f3prio de uma palavra ou express\u00e3o, por esquecimento ou na aus\u00eancia de termo espec\u00edfico.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha)<br \/>\n\/ \u201cDistrai-se um deles a enterrar o dedo no tornozelo inchado.\u201d \u2013 O verbo enterrar era usado primitivamente para significar apenas colocar na terra.<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>Modernamente, casos como p\u00e9 de meia e boca de forno s\u00e3o considerados met\u00e1foras viciadas. Perderam valor estil\u00edstico e se formaram gra\u00e7as \u00e0 semelhan\u00e7a de forma existente entre seres.<br \/>\nPara Rocha Lima, \u00e9 um tipo de met\u00e1fora<\/p>\n<p><strong>Meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>Substitui\u00e7\u00e3o de um nome por outro em virtude de haver entre eles associa\u00e7\u00e3o de significado.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Ler Jorge Amado (autor pela obra \u2013 livro)<br \/>\nIr ao barbeiro (o possuidor pelo possu\u00eddo, ou vice-versa \u2013 barbearia)<br \/>\nBebi dois copos de leite (continente pelo conte\u00fado \u2013 leite)<br \/>\nSer o Cristo da turma. (indiv\u00edduo pala classe \u2013 culpado)<br \/>\nCompletou dez primaveras (parte pelo todo \u2013 anos)<br \/>\nO brasileiro \u00e9 malandro (sing. pelo plural \u2013 brasileiros)<br \/>\nBrilham os cristais (mat\u00e9ria pela obra \u2013 copos).<\/p>\n<p><strong>Antonom\u00e1sia, per\u00edfrase<\/strong><\/p>\n<p>Substitui\u00e7\u00e3o de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma express\u00e3o que facilmente o identifique. Fus\u00e3o entre nome e seu aposto.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>O mestre = Jesus Cristo<br \/>\nA cidade luz = Paris<br \/>\nO rei das selvas = o le\u00e3o<br \/>\nEscritor Maldito = Lima Barreto<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Rocha Lima considera como uma varia\u00e7\u00e3o da meton\u00edmia<\/p>\n<p><strong>Sinestesia<\/strong><\/p>\n<p>Interpenetra\u00e7\u00e3o sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, gusta\u00e7\u00e3o e tato).<\/p>\n<p><b>Exemplo<\/b><\/p>\n<p>\u201cMais claro e fino do que as finas pratas \/ O som da tua voz deliciava \u2026 \/ Na dol\u00eancia velada das sonatas \/ Como um perfume a tudo perfumava. \/ Era um som feito luz, eram volatas \/ Em l\u00e2nguida espiral que iluminava \/ Brancas sonoridades de cascatas \u2026 \/ Tanta harmonia melancolizava.\u201d (Cruz e Souza)<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Para Rocha Lima, representa uma modalidade de met\u00e1fora<\/p>\n<p><strong>Anadiplose<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o de palavra ou express\u00e3o de fim de um membro de frase no come\u00e7o de outro membro de frase.<\/p>\n<p><b>Exemplo<\/b><\/p>\n<p>\u201cTodo pranto \u00e9 um coment\u00e1rio. Um coment\u00e1rio que amargamente condena os motivos dados.\u201d<\/p>\n<p><b>Figuras de Palavras \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Figuras que est\u00e3o relacionadas com a mudan\u00e7a de sentido das palavras.<\/p>\n<p>As\u00a0<strong>figuras de palavra<\/strong>\u00a0consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o figuras de palavras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0compara\u00e7\u00e3o<strong><br \/>\nb)\u00a0<\/strong>met\u00e1fora<strong><br \/>\nc)\u00a0<\/strong>meton\u00edmia<strong><br \/>\nd)\u00a0<\/strong>sin\u00e9doque<strong><br \/>\ne)\u00a0<\/strong>catacrese<strong><br \/>\nf)<\/strong>\u00a0sinestesia<strong><br \/>\ng)\u00a0<\/strong>antonom\u00e1sia<strong><br \/>\nh)<\/strong>\u00a0alegoria<\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a compara\u00e7\u00e3o direta de qualifica\u00e7\u00f5es entre seres, com o uso do conectivo comparativo (como, assim como, bem como, tal qual, etc.).<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Minha irm\u00e3 \u00e9 bondosa como um anjo (existe uma rela\u00e7\u00e3o de qualifica\u00e7\u00f5es entre a irm\u00e3 e o anjo; houve, pois, uma compara\u00e7\u00e3o, que se estabeleceu por meio do conectivo como)<br \/>\nAge o neto tal quais os av\u00f3s (existe uma semelhan\u00e7a de a\u00e7\u00f5es entre o neto e os av\u00f3s; houve, pois, uma compara\u00e7\u00e3o, que se estabeleceu por meio do conectivo tal quais)<\/p>\n<p><strong>Met\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>Assim como a compara\u00e7\u00e3o, consiste numa rela\u00e7\u00e3o de semelhan\u00e7a de qualifica\u00e7\u00f5es. \u00c9, por\u00e9m, mais sutil e exige muita aten\u00e7\u00e3o do leitor para ser captada, porque dispensa os conectivos que aparecem na compara\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mecanismo pelo qual se toma \u201cemprestada\u201d a caracter\u00edstica de um ser utilizando esse pr\u00f3prio ser como caracter\u00edstica. Cabe ao receptor da mensagem saber qual \u00e9 a caracter\u00edstica em comum dos dois seres. Constitui uma das mais importantes e freq\u00fcentes figuras de linguagem, sendo muito utilizada tanto na poesia quanto na prosa.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Minha irm\u00e3 \u00e9 um anjo (existe uma rela\u00e7\u00e3o de qualifica\u00e7\u00f5es entre a irm\u00e3 e o anjo; como n\u00e3o houve um conectivo que estabelecesse a rela\u00e7\u00e3o comparativa, chama-se a essa compara\u00e7\u00e3o mental de met\u00e1fora. A palavra anjo n\u00e3o est\u00e1 sendo utilizada em seu sentido original; foi tomada como uma qualifica\u00e7\u00e3o. Cabe ao receptor saber que a caracter\u00edstica em comum entre os dois seres \u00e9 a bondade)<\/p>\n<p>Tenho que viajar muito. S\u00e3o os ossos do of\u00edcio (que caracter\u00edsticas em comum t\u00eam o ato de viajar muito e os ossos?<strong>\u00a0\u00c9 simples<\/strong>: viajar muito \u00e9 uma das exig\u00eancias, uma das partes que comp\u00f5em o trabalho do emissor dessa mensagem; os ossos s\u00e3o algumas das partes que comp\u00f5em os corpos de alguns seres vivos. Houve a transfer\u00eancia do sentido de componente, algo necess\u00e1rio, da palavra ossos para o ato de viajar. Cabe ao receptor decodificar essa transfer\u00eancia)<\/p>\n<p><strong>Meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a utiliza\u00e7\u00e3o de uma palavra por outra.<\/p>\n<p><strong>Essas palavras mant\u00eam-se relacionadas de v\u00e1rias formas:<\/strong><\/p>\n<p><strong>O autor pela obra:\u00a0<\/strong>Voc\u00ea j\u00e1 leu Cam\u00f5es (algum livro de Cam\u00f5es)?<br \/>\n<strong>O efeito pela causa:<\/strong>\u00a0O rapaz encomendou a pr\u00f3pria morte (algo que causaria a sua pr\u00f3pria morte)<br \/>\n<strong>O instrumento pela pessoa que dele se utiliza<\/strong>: J\u00falio sem d\u00favida \u00e9 um excelente garfo (J\u00falio come muito; o garfo \u00e9 um dos instrumentos utilizados para comer)<br \/>\n<strong>O recipiente (continente) pelo conte\u00fado<\/strong>: Jonas j\u00e1 bebeu duas garrafas de u\u00edsque (ele bebeu, na verdade, o conte\u00fado de duas garrafas de u\u00edsque); Os Estados Unidos assistem ao espet\u00e1culo das elei\u00e7\u00f5es (as pessoas que moram nos Estados Unidos assistem\u2026)<br \/>\n<strong>O s\u00edmbolo pela coisa significada<\/strong>: O povo aplaudiu as medidas tomadas pela Coroa (a coroa, nessa acep\u00e7\u00e3o, \u00e9 s\u00edmbolo da monarquia, do rei).<br \/>\n<strong>O lugar pelo produto<\/strong>: Todos gostam de um bom madeira (o vinho produzido na Ilha de Madeira).<br \/>\n<strong>A parte pelo todo<\/strong>: Havia v\u00e1rias pernas se entreolhando no \u00f4nibus (na verdade, eram as pessoas, que t\u00eam as pernas, que se entreolhavam).<br \/>\n<strong>O abstrato pelo concreto<\/strong>: A juventude de ontem n\u00e3o pensa como a de antigamente (Os jovens de hoje\u2026)<br \/>\n<strong>O singular pelo plural<\/strong>: O paulista adora trabalhar (Os paulistas\u2026)<br \/>\n<strong>A esp\u00e9cie ou classe pelo indiv\u00edduo<\/strong>: \u201cAndai como filhos da luz\u201d, recomenda-nos o Ap\u00f3stolo [referindo-se a S\u00e3o Paulo, que foi um dos ap\u00f3stolos (esp\u00e9cie, classe)]\u00a0<strong>O indiv\u00edduo pela esp\u00e9cie ou classe<\/strong>: Camila \u00e9, como diz sua tia, uma judas [judas (indiv\u00edduo) foi o mais conhecido traidor (esp\u00e9cie, classe) da hist\u00f3ria]\u00a0<strong>A qualidade pela esp\u00e9cie<\/strong>: Os acad\u00eamicos est\u00e3o reunidos (em vez de os membros da academia\u2026)<br \/>\n<strong>A mat\u00e9ria pelo objeto<\/strong>: Voc\u00ea tem fogo (isqueiro)?<\/p>\n<p><strong>Sinestesia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a figura que proporciona a ilus\u00e3o de mistura de percep\u00e7\u00f5es, mistura de sentidos.<\/p>\n<p><b>Exemplos:\u00a0<\/b>Voc\u00ea gosta de cheiro-verde [como um cheiro (olfato) pode ser verde (vis\u00e3o)] Que voz aveludada Renata tem [como um som (audi\u00e7\u00e3o) pode ser aveludado (tato)].<\/p>\n<p><strong>Per\u00edfrase (ou antonom\u00e1sia)<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma esp\u00e9cie de apelido que se confere aos seres, valorizando algum de seus feitos ou atributos. Ressalte-se que se consideram per\u00edfrases somente os \u201capelidos\u201d de valor expressivo, nacionalmente relevantes e conhecidos.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Gosto muito da obra do Poeta dos Escravos (antonom\u00e1sia para Castro Alves).<br \/>\nO Rei do Futebol j\u00e1 fez mais de mil golos (antonom\u00e1sia para Edson Arantes do Nascimento).<br \/>\nTu gostas da Terra da Garoa (antonom\u00e1sia para cidade de S\u00e3o Paulo)?<br \/>\nEis a terra do ouro verde (antonom\u00e1sia para caf\u00e9)<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Note que somente as antonom\u00e1sias referentes a nomes pr\u00f3prios t\u00eam iniciais mai\u00fasculas.<\/p>\n<p><b>FIGURAS DE LINGUAGEM SEM\u00c2NTICAS<\/b><\/p>\n<p><strong>TIPOS FIGURAS DE PALAVRAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00edmile ou compara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consiste numa compara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita, com a presen\u00e7a do elemento comparativo<\/strong>: como, tal qual, igual a, feito, que nem (coloquial), etc., entre duas palavras ou express\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Ela \u00e9 bela como uma flor.<strong><br \/>\n<\/strong>Ele \u00e9 esperto feito uma raposa.<strong><br \/>\n<\/strong>Ele \u00e9 magro que nem um cani\u00e7o.<strong><br \/>\n<\/strong>O menino manteve-se firme, tal qual uma rocha.<\/p>\n<p><strong>Met\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>Consiste numa compara\u00e7\u00e3o impl\u00edcita, numa rela\u00e7\u00e3o de similaridade, entre duas palavras ou express\u00f5es.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma flor.<br \/>\nEle \u00e9 uma raposa.<br \/>\nSomente a Ingratid\u00e3o \ufffd essa pantera \ufffd<br \/>\nFoi tua companheira insepar\u00e1vel (Augusto dos Anjos)<\/p>\n<p><strong>Meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>Consiste numa compara\u00e7\u00e3o parcial impl\u00edcita, numa rela\u00e7\u00e3o de contig\u00fcidade ou aproxima\u00e7\u00e3o, entre o significado de uma palavra ou express\u00e3o e uma parte do significado, ou um significado associado ao, de outra palavra ou express\u00e3o.<\/p>\n<p>Pode compreender rela\u00e7\u00f5es de parte-todo, caracter\u00edsticas, localiza\u00e7\u00e3o, continente-conte\u00fado, causa-efeito, etc.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Beber um Porto.<br \/>\nSer v\u00edtima do latif\u00fandio.<br \/>\nDeixar de ser um Jo\u00e3o.<br \/>\nSua beleza \u00e9 um avi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sin\u00e9doque<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um tipo de meton\u00edmia centrado na id\u00e9ia de inclus\u00e3o, normalmente baseado na rela\u00e7\u00e3o parte-todo.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Conseguir um teto e um pouco de p\u00e3o.<br \/>\nLutar pela crian\u00e7a e pelo velho.<br \/>\nTomar uma Brahma.<br \/>\nComprar uma gilete.<\/p>\n<p><strong>Catacrese<\/strong><\/p>\n<p>Consiste no emprego de um termo figurado por falta de outro termo mais apropriado. \u00c9 um tipo de meton\u00edmia ou met\u00e1fora que, de t\u00e3o usada, j\u00e1 deixou de ser considerada como tal pelos falantes.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>A perna da mesa<br \/>\nO dente de alho.<br \/>\nO p\u00e9 de feij\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Per\u00edfrase<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na substitui\u00e7\u00e3o de um termo por uma express\u00e3o que o descreva.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>A capital do Brasil.<br \/>\nA cidade maravilhosa.<br \/>\nQuando a indesejada das gentes (= morte) vier.<\/p>\n<p><strong>Antonom\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p>Um tipo especial de per\u00edfrase que consiste na substitui\u00e7\u00e3o de um nome pr\u00f3prio por um nome comum, ou vice-versa, ou ainda pela denomina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m por meio de suas caracter\u00edsticas principais ou por fatos marcantes de sua vida.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>O Poeta dos Escravos.<br \/>\nA Redentora.<br \/>\nEle \u00e9 um D. Juan.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00edtese<\/strong><\/p>\n<p>Quando uma id\u00e9ia se op\u00f5e a outra, sem impedi-la nem torn\u00e1-la absurda. As id\u00e9ias em si podem ser diametralmente opostas e at\u00e9 excludentes.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Estava mais morto do que vivo.<br \/>\nDe repente, do riso fez-se o pranto.<br \/>\nQue o casebre onde morava<br \/>\nEra a mans\u00e3o do patr\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Paradoxo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a ant\u00edtese extremada, em que duas id\u00e9ias que se excluem s\u00e3o apresentadas como ocorrendo ao mesmo tempo e no mesmo contexto, o que gera uma situa\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, uma id\u00e9ia absurda.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Amor \u00e9 ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente.<br \/>\n\u00c9 um contentamento descontente.<br \/>\nQuer abrir a porta<br \/>\nN\u00e3o existe porta.<\/p>\n<p><strong>Litotes<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na afirma\u00e7\u00e3o de alguma coisa pela nega\u00e7\u00e3o do seu contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 feia a pequerrucha. (= \u00e9 bonita)<br \/>\nEle n\u00e3o era nada bobo. (= era esperto)<br \/>\nEla n\u00e3o era nenhuma miss Brasil. (= era feia)<\/p>\n<p><strong>Ant\u00edfrase<\/strong><\/p>\n<p>Consiste em se afirmar exatamente o contr\u00e1rio do que se quer dizer; geralmente \u00e9 um tipo de ironia.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Chegou cedo, heim! (para algu\u00e9m atrasado)<br \/>\nMuito bonito, seu Fulano! (quando algu\u00e9m acabou de cometer um erro ou disparate)<br \/>\nCoisinha linda! (para uma pessoa muito feia)<\/p>\n<p><strong>Ironia<\/strong><\/p>\n<p>Figura de linguagem na qual aquilo que se diz n\u00e3o corresponde exatamente ao que se quer dizer, com intuito jocoso, c\u00f4mico ou cr\u00edtico.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Oba, jil\u00f3 de novo!<br \/>\nComo escritor, ele \u00e9 um \u00f3timo guitarrista!<br \/>\nPosso tentar o pneumot\u00f3rax, doutor?<br \/>\nN\u00e3o, s\u00f3 resta cantar um tango argentino!<\/p>\n<p><strong>Sarcasmo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o nome que se d\u00e1 \u00e0 ironia usada com intuito ofensivo, agressivo ou mal\u00e9volo.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>T\u00e1 linda de vermelho, parecendo um caqui.<br \/>\nNossa, como ela \u00e9 inteligente. Sabe at\u00e9 ler!<br \/>\nEle tem dentes lindos, todos tr\u00eas!<\/p>\n<p><strong>Alus\u00e3o ou cita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando um autor se vale de trechos, imagens ou personagens de um outro autor para a confec\u00e7\u00e3o de sua obra.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>E quando escutar um samba-can\u00e7\u00e3o<br \/>\nAssim como Eu preciso aprender a ser s\u00f3<\/p>\n<p><strong>Reagir e ouvir o cora\u00e7\u00e3o responder:<\/strong><\/p>\n<p>Eu preciso aprender a s\u00f3 ser<\/p>\n<p>Elementar, meu caro aluno!<\/p>\n<p><strong>Clich\u00ea ou frase-feita<\/strong><\/p>\n<p>Consiste no uso de uma express\u00e3o popular de uso geral dentro da obra de um autor.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Quem tudo quer, tudo perde.<br \/>\nPouco com Deus \u00e9 muito.<br \/>\nMais vale um p\u00e1ssaro na m\u00e3o do que dois voando.<\/p>\n<p><strong>Par\u00f3dia<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na modifica\u00e7\u00e3o de trecho ou obra de um outro autor, ou ainda de um clich\u00ea, com intuito jocoso, c\u00f4mico ou cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre o charme e o &#8220;funk&#8221;?<\/p>\n<p>Um \u00e9 de analfabeto, outro de ignorante.<\/p>\n<p>\u00c1gua mole em pedra dura, tanto bate at\u00e9 que a \u00e1gua desiste.<br \/>\n\u00d3 p\u00e1tria amada, em d\u00f3lares atada,<\/p>\n<p>Salve-se, salve-se.<\/p>\n<p><strong>Ambig\u00fcidade<\/strong><\/p>\n<p>Figura de linguagem em que um determinado trecho pode ser interpretado de duas ou mais maneiras diferentes, por efeito da anfibologia ou do uso de polissemias ou hom\u00f4nimos. A ambig\u00fcidade muitas vezes \u00e9 um v\u00edcio de linguagem, mas tamb\u00e9m pode ser um valioso recurso estil\u00edstico, na medida em que ela abre o texto para duas ou mais interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>M\u00e1rcio foi \u00e0 casa de Pedro e beijou sua mulher.<br \/>\nA m\u00e3e da aniversariante deu bolo.<br \/>\nSou a favor do Vale do Para\u00edba. Afinal, j\u00e1 temos o vale-transporte, o vale-idoso, por que n\u00e3o favorecer nossos irm\u00e3os do Nordeste? (resposta do Vestibular)<br \/>\nEu sou, eu fui, eu vou! (Raul Seixas)<\/p>\n<p><strong>Reitera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando se repete uma id\u00e9ia, quer por meio de um sin\u00f4nimo ou express\u00e3o sin\u00f4nima, quer por meio de uma palavra cujo significado esteja de alguma forma associado ao significado da primeira palavra ou express\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Era uma mulher fina, uma verdadeira dama.<br \/>\nN\u00e3o suba nessa \u00e1rvore. Voc\u00ea pode cair do galho.<br \/>\nEra uma v\u00edtima do imperialismo. O latif\u00fandio o sugava, roubava-lhe tudo que tinha.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>N\u00e3o confundir a reitera\u00e7\u00e3o, de grande valor estil\u00edstico, com a itera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a simples repeti\u00e7\u00e3o de uma palavra ou sua repeti\u00e7\u00e3o por meio de um pronome-c\u00f3pia, geralmente sem qualquer valor estil\u00edstico.<\/p>\n<p><b>Grada\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Muitas vezes, a reitera\u00e7\u00e3o se ordena numa escala de grandeza ou de intensidade, constituindo uma grada\u00e7\u00e3o, que pode ser ascendente (do menos para o mais) ou descendente (do mais para o menos).<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Estava pobre, quebrado, miser\u00e1vel.<br \/>\nA mulher, linda na obscuridade, revelou-se bonitinha, apenas simp\u00e1tica na claridade.<br \/>\nCasa, cidade, na\u00e7\u00e3o (Ferreira Gullar)<\/p>\n<p><strong>Pleonasmo<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, por meio de um sin\u00f4nimo ou express\u00e3o sin\u00f4nima, de uma id\u00e9ia j\u00e1 expressa de maneira completa.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Palavras de baixo cal\u00e3o.<br \/>\nEste filme \u00e9 baseado em fatos reais.<br \/>\nHouve diverg\u00eancias de opini\u00f5es e controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p><strong>Tautologia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um tipo de pleonasmo exagerado, extremamente \u00f3bvio, que chega a causar espanto em quem escuta. Ao contr\u00e1rio do pleonasmo puro e simples, a tautologia pode ter grande valor estil\u00edstico, na medida em que op\u00f5e o que \u00e9 ao que deveria ou poderia ser.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Os mortos n\u00e3o est\u00e3o vivos.<br \/>\nA Lapa vai voltar a ser a Lapa.<br \/>\nA conclus\u00e3o deve concluir.<\/p>\n<p><strong>Prosopop\u00e9ia<\/strong><\/p>\n<p>Quando um ser inanimado \u00e9 representado como um animal ou quando um ser inanimado ou um animal \u00e9 representado como um ser humano. No primeiro caso, a prosopop\u00e9ia \u00e9 chamada de animismo (exemplos 101 e 102) e no segundo caso, de personifica\u00e7\u00e3o ou antropomorfiza\u00e7\u00e3o exemplos 103 e 104).<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>O vento rugia.<br \/>\nMeu cachorro me sorriu latindo.<br \/>\nO Lobo Mau e os Tr\u00eas Porquinhos.<\/p>\n<p><strong>Animaliza\u00e7\u00e3o ou zoomorfismo<\/strong><\/p>\n<p>Quando um ser humano \u00e9 descrito como se assemelhando a um animal, pelas suas caracter\u00edsticas, fun\u00e7\u00f5es, apar\u00eancia f\u00edsica, etc. Muito usado na fic\u00e7\u00e3o mais moderna.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Um homem vai devagar<br \/>\nUm cachorro vai devagar<\/p>\n<p>Um burro vai devagar (Drummond)<\/p>\n<p>Da\u00ed a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomera\u00e7\u00e3o tumultuosa de machos e f\u00eameas. (. . .) via-se-lhes a tostada nudez dos bra\u00e7os e do pesco\u00e7o, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses n\u00e3o se preocupavam em n\u00e3o molhar o p\u00ealo, ao contr\u00e1rio metiam a cabe\u00e7a bem debaixo da \u00e1gua e esfregavam com for\u00e7a as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da m\u00e3o. (Alu\u00edso Azevedo)<\/p>\n<p><strong>Alegoria<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na representa\u00e7\u00e3o de um conceito abstrato como um ser concreto e animado, uma imagem de grande valor pict\u00f3rico, geralmente humana.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>uma caveira com uma foice &#8211; alegoria da morte<br \/>\numa mulher vendada com uma espada numa m\u00e3o e uma balan\u00e7a na outra \ufffd alegoria da justi\u00e7a<br \/>\nPapai Noel &#8211; alegoria do Natal<\/p>\n<p><strong>Sinestesia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consiste na associa\u00e7\u00e3o de palavras referentes a dois sentidos distintos<\/strong>: audi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o, vis\u00e3o e tato, tato e paladar, paladar e olfato, etc.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Sentiu um toque doce.<br \/>\nEra uma vis\u00e3o amarga.<br \/>\nEle tinha uma voz sombria.<\/p>\n<p><strong>Eufemismo<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na substitui\u00e7\u00e3o de um termo desagrad\u00e1vel ou inaceit\u00e1vel por um termo mais agrad\u00e1vel ou aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Ele n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s. (= morreu)<br \/>\nJ\u00e1 era um senhor. (= velho)<br \/>\nEra pouco chegado a higiene. (= sujo)<\/p>\n<p><strong>Disfemismo<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do eufemismo, consiste na intensifica\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter desagrad\u00e1vel ou pejorativo de um express\u00e3o, substituindo-a por outra mais ofensiva ou humilhante.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>rolha-de-po\u00e7o (= pessoa gorda)<br \/>\npintor-de-rodap\u00e9 (= pessoa baixa)<\/p>\n<p><strong>Hip\u00e9rbole<\/strong><\/p>\n<p>Consiste no exagero ao se afirmar alguma coisa, com intuito emocional ou de \u00eanfase.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Subi mais de mil e oitocentas colinas.<br \/>\nChorar um rio de l\u00e1grimas.<\/p>\n<p><strong>Hip\u00e1lage<\/strong><\/p>\n<p>Recurso sint\u00e1tico-sem\u00e2ntico que consiste em atribuir a um ser ou coisa uma a\u00e7\u00e3o ou qualidade que pertence a outro ser ou outra coisa presente ou subentendido no texto.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>a buzina impaciente do carro (o motorista \u00e9 que \u00e9 impaciente, n\u00e3o o carro ou a buzina)<br \/>\nas vizinhas das janelas fofoqueiras (s\u00e3o as vizinhas que s\u00e3o fofoqueiras, n\u00e3o as janelas)<br \/>\no v\u00f4o negro dos urubus (s\u00e3o os urubus que s\u00e3o negros, n\u00e3o seu v\u00f4o)<\/p>\n<p><b>Compara\u00e7\u00e3o simples<\/b><\/p>\n<p><b>Compara\u00e7\u00e3o simples<\/b>\u00a0e uma compara\u00e7\u00e3o entre dois elementos de um mesmo universo.<\/p>\n<p>E muito comum compararmos as coisas que nos rodeiam. Freq\u00fcentemente dizemos que tal coisa e melhor que outra, que fulano e mais simp\u00e1tico do que beltrano assim por diante. Comparar e uma forma de organizar nossas experi\u00eancias no mundo. Sempre que temos que escolher alguma coisa, fazemos uma compara\u00e7\u00e3o antes tomar a decis\u00e3o. E essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 feita muitas vezes sem que percebamos. Por exemplo, quando vamos a um restaurante. No card\u00e1pio, temos agrupados as bebidas, pratos, as sobremesas. Olhamos o grupo das bebidas, comparamos e escolhemos a que mais nos agrada; o mesmo acontece em rela\u00e7\u00e3o aos pratos e as sobremesas. E para escolher, utilizamos os nossos crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Se temos pouco dinheiro, o crit\u00e9rio ser\u00e1 o pre\u00e7o. Se estivermos com muita fome, provavelmente escolheremos o prato pelo seu tamanho.<\/p>\n<p><strong>Pensamos deste modo:<\/strong><\/p>\n<p>Macarr\u00e3o \u00e9 mais barato do que carne. Ent\u00e3o, e vou pedir macarr\u00e3o. Nesse caso comparamos o macarr\u00e3o \u00e0 carne, utilizando o crit\u00e9rio pre\u00e7o<\/p>\n<p>Um prato de macarr\u00e3o vai matar mais a minha fome o que um prato de carne. Comparamos o macarr\u00e3o \u00e0 carne , utilizando o crit\u00e9rio que mata mais a fome.<\/p>\n<p><strong>Em ambos os casos, estamos comparando elementos de um mesmo universo\u00a0<\/strong>: tanto o macarr\u00e3o quanto a carne s\u00e3o comidas.<\/p>\n<p><strong>Observe outras compara\u00e7\u00f5es entre elementos de mesmo universo:\u00a0<\/strong>Este time joga melhor do que aquele. Um fusca \u00e9 menos espa\u00e7oso do que um Opala. Cristina \u00eb t\u00e3o estudiosa quanto Paula. O meu caderno tem mais p\u00e1ginas do que o seu<\/p>\n<p><strong>COMPARA\u00c7\u00c1O METAF\u00d3RICA (OU S\u00ccMILE)<\/strong><\/p>\n<p><b>Compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica ou s\u00edmile<\/b>\u00a0\u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o entre dois elementos de universos diferentes.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong><\/p>\n<p>Esta crian\u00e7a \u00e9 forte como um touro. Nesse caso, estamos comparando a crian\u00e7a a um touro, dois elementos de universos bastante diferentes. Aproximamos esses elementos porque \u201cenxergamos\u201d uma caracter\u00edstica comum a ambos, ou seja, a for\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Veja mais exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>A casa dela \u00e9 escura como a noite. Associamos a casa \u00e0 noite porque ambas s\u00e3o escuras. O rem\u00e9dio que eu tomo \u00e9 ruim feito o diabo.<\/p>\n<p>O rem\u00e9dio que eu tomo \u00e9 ruim feito diabo.\u00a0<strong>Associamos o rem\u00e9dio ao diabo porque atribu\u00edmos uma carater\u00edstica comum a eles<\/strong>: a ruindade.<\/p>\n<p>Ele chorou que nem um condenado. Associamos o modo como ele chorou com o modo como imaginamos que choraria um condenado. Observe que em todas essas compara\u00e7\u00f5es h\u00e1 sempre palavras ou express\u00f5es que estabelecem a rela\u00e7\u00e3o entre termos comparados.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o os conectivos comparativos:\u00a0<\/strong>como, feito, que nem, assim como, tal, tal qual, qual, etc.<\/p>\n<p>As compara\u00e7\u00f5es apresentadas anteriormente s\u00e3o chamadas compara\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas, pois elas dependem mui to do sujeito que as enuncia \u2013 da sua sensibilidade, do s estado de esp\u00edrito, da sua experi\u00eancia, etc .<\/p>\n<p><b>Met\u00e1fora<\/b><\/p>\n<p>Met\u00e1fora \u00e9 a figura de palavra em que um termo substitui outro em vista de uma rela\u00e7\u00e3o de semelhan\u00e7a entre os elementos que esses termos designam. Essa semelhan\u00e7a \u00e9 resultado da imagina\u00e7\u00e3o, da subjetividade de quem cria a met\u00e1fora. A met\u00e1fora tamb\u00e9m pode ser entendida como uma compara\u00e7\u00e3o abreviada, em que o conectivo comparativo n\u00e3o est\u00e1 expresso, mas subentendido.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica (ou s\u00edmile), um elemento A \u00e9 comparado a um elemento B atrav\u00e9s de um conectivo comparativo (como, assim como, que nem, qual, feito etc. ).<\/p>\n<p><strong>Muitas vezes a compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica traz expressa no pr\u00f3prio enunciado a qualidade comum aos dois elementos:<\/strong><\/p>\n<p>Esta crian\u00e7a \u00e9 forte como um touro . elemento A qualidade comum conectivo elemento B<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 na met\u00e1fora, a qualidade comum e o conectivo comparativo n\u00e3o s\u00e3o expressos e a semelhan\u00e7a entre os elementos A e B passa a ser puramente mental<\/strong>: Do ponto de vista l\u00f3gico, a crian\u00e7a \u00e9 uma crian\u00e7a, e um touro \u00e9 um touro. Uma crian\u00e7a jamais ser\u00e1 um touro. Mas a crian\u00e7a \u00e9 teria a sua for\u00e7a comparada \u00e1 de um touro.<\/p>\n<p><strong>Veja o exemplo:\u00a0<\/strong>\u201cO tempo \u00e9 uma cadeira ao sol, e nada mais\u201d(Carlos Drummond de Andrade)<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o do tempo a uma cadeira ao sol \u00e9 puramente subjetiva. Cabe ao leitor completar o sentido de tal associa\u00e7\u00e3o, a partir da sua sensibilidade, da sua experi\u00eancia. Essa met\u00e1fora, portanto, pode ser compreendida das mais diferentes formas. Isso n\u00e3o quer dizer que ela possa ser interpretada de qualquer jeito, mas que a compreens\u00e3o dela \u00e9 flex\u00edvel, ampla.<\/p>\n<p><strong>Observe a transforma\u00e7\u00e3o de compara\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas (ou s\u00edmiles) em met\u00e1foras:<\/strong><\/p>\n<p>O Sr. Vivaldo \u00e9 esperto como uma raposa. (compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica)<br \/>\nO Sr. Vivaldo \u00e9 uma raposa. (met\u00e1fora)<br \/>\nA vida \u00e9 fugaz como chuva de ver\u00e3o. (compara\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica)<br \/>\nA vida \u00e9 chuva de ver\u00e3o. (met\u00e1fora)<\/p>\n<p>Nesse \u00faltimo exemplo, o elemento A (as mangueiras est\u00e1 sendo comparado ao elemento B (intermin\u00e1veis serpentes), pois h\u00e1 uma semelhan\u00e7a no modo como ambos se p\u00f5em em rela\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o. Os galhos da mangueira, por serem baixos e tortuosos, lembram intermin\u00e1veis serpentes<\/p>\n<p><strong>Na linguagem cotidiana, deparamo-nos com in\u00fameras express\u00f5es como:\u00a0<\/strong>cheque-borracha cheque-caub\u00f3i voto-camar\u00e3o manga-espada manga-cora\u00e7\u00e3o-de-boi<\/p>\n<p>Nos exemplos j\u00e1 vistos, fica bastante claro o porqu\u00ea exist\u00eancia de met\u00e1foras. Diante de fatos e coisas novas, que n\u00e3o fazem parte da sua experi\u00eancia, o homem tem a tend\u00eancia de associar esses fatos e essas coisas a outros fatos e coisas que ele j\u00e1 conhece. Em vez de criar um novo nome para o peixe, ele o associa um objeto da sua experi\u00eancia (espada) e passa a denomin\u00e1-lo peixe-espada. O mesmo acontece com peixe-boi, peixe-zebra, peixe-pedra, etc. (Se quiser fazer uma experi\u00eancia, abra o dicion\u00e1rio na palavra \u201cpeixe\u201d e ver\u00e1 quantas express\u00f5es s\u00e3o formadas a parti desse processo . ) Muitos verbos tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados no sentido metaf\u00f3rico. Quando dizemos que determinada pessoa \u201c\u00e9 dif\u00edcil de engolir\u201d, n\u00e3o estamos cogitando a possibilidade de colocar essa pessoa est\u00f4mago adentro. Associamos o ato de engolir (ingerir algo, colocar algo para dentro) ao ato de aceitar, suportar, ag\u00fcentar, em suma, conviver.<\/p>\n<p><strong>Alguns outros exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>A vergonha queimava-lhe o rosto. As suas palavras cortaram o sil\u00eancio. O rel\u00f3gio pingava as horas, uma a uma, vagarosa mente. Ela se levantou e fuzilou-me com o olhar. Meu cora\u00e7\u00e3o ruminava o \u00f3dio.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, vimos apenas casos de palavras que assumiam um sentido metaf\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>No entanto, existem express\u00f5es inteiras (e at\u00e9 textos inteiros) que t\u00eam sentido metaf\u00f3rico, como:<\/strong><\/p>\n<p>ter o rei na barriga<br \/>\nser orgulhoso, metido saltar de banda<br \/>\ncair fora, omitir-se p\u00f4r minhocas na cabe\u00e7a<br \/>\npensar em bobagens , pensar em tolices<br \/>\ndar um sorriso amarelo<br \/>\nsorrir sem gra\u00e7a tudo azul<br \/>\ntudo bem ir para o olho da rua<br \/>\nser despedido, ser mandado embora<\/p>\n<p>Como se pode perceber, a met\u00e1fora afasta-se do racioc\u00ednio l\u00f3gico, objetivo. A associa\u00e7\u00e3o depende da subjetividade de quem cria a met\u00e1fora, estabelecendo uma outra l\u00f3gica, a l\u00f3gica da sensibilidade.<\/p>\n<p><strong>CATACRESE<\/strong><\/p>\n<p>Catacrese \u00e9 um tipo especial de met\u00e1fora. A catacrese n\u00e3o \u00e9 mais a express\u00e3o subjetiva de um indiv\u00edduo, mas j\u00e1 foi incorporada por todos os falantes da l\u00edngua, passando a ser uma met\u00e1fora corriqueira e, portanto, pouco original.<\/p>\n<p><strong>Observe:\u00a0<\/strong>\u201cUm beijo seria uma borboleta afogada em m\u00e1rmore.\u201d (Cec\u00edlia Meireles)<\/p>\n<p>A primeira frase causa-nos estranheza, espanto. A associa\u00e7\u00e3o que se faz entre um beijo e uma borboleta afoga da em m\u00e1rmore \u00e9 original e est\u00e1 diretamente relacionada sensibilidade do sujeito que criou tal frase. Todos deve concordar que poucas pessoas fariam tal associa\u00e7\u00e3o. Trata se de uma met\u00e1fora original. J\u00e1 na segunda frase, relacionamos diretamente a e press\u00e3o \u201cp\u00e9 a p\u00e1gina\u201d \u00e0 parte inferior da p\u00e1gina. Mas , pensarmos bem, uma p\u00e1gina n\u00e3o tem p\u00e9. Houve uma associa\u00e7\u00e3o entre o p\u00e9 (parte inferior do corpo humano) e parte inferior da p\u00e1gina, da\u00ed a express\u00e3o \u201cp\u00e9 da p\u00e1gina\u201d. Esta met\u00e1fora j\u00e1 foi incorporada pela l\u00edngua, perdeu s car\u00e1ter inovador, original e transformou-se numa met\u00e1fora comum, morta, que n\u00e3o mais causa estranheza. Em outras palavras, transformou-se numa catacrese.<\/p>\n<p><strong>O mesmo processo ocorreu nas seguintes express\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>P\u00e9 de mesa Cabe\u00e7a de alfinete Tronco telef\u00f4nico<br \/>\nP\u00e9 de cadeira bra\u00e7o de cadeira \u00e1rvore geneal\u00f3gica<br \/>\nP\u00e9 de cama bra\u00e7o de mar ma\u00e7\u00e3 do rosto<br \/>\nP\u00e9 de montanha cabelo de milho folha de papel<br \/>\nP\u00e9 de laranja barriga da perna dente de alho<\/p>\n<p><strong>Uma curiosidade:\u00a0<\/strong>A palavra \u201cazulejo\u201d originalmente servia para designar ladrilhos de cor azul. Hoje, essa palavra perdeu a sua id\u00e9ia de azul e passou a designar ladrilhos de qualquer cor. Tanto que dizemos azulejos brancos, amarelos, azuis, verdes, etc.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 uma outra caracter\u00edstica da catacrese:<\/strong>\u00a0as palavras perdem o seu sentido original e<\/p>\n<p>Procure prestar aten\u00e7\u00e3o ao grande n\u00famero de catacreses que utilizamos no dia-a- dia.<\/p>\n<p><strong>SINESTESIA<\/strong><\/p>\n<p>Sinestesia \u00e9 outro tipo de met\u00e1fora. Consiste em aproximar, na mesma express\u00e3o, sensa\u00e7\u00f5es percebidas por diferentes \u00f3rg\u00e3os dos sentidos. Como na met\u00e1fora, trata-se de relacionar elementos de universos diferentes.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong><\/p>\n<p>Uma melodia azul tomou conta d\u00e1 sala. Sensa\u00e7\u00e3o auditiva e Visual<br \/>\nA sua voz \u00e1spera intimidava a plat\u00e9ia. sensa\u00e7\u00e3o auditiva t\u00e1til<br \/>\nSenti saudades amargas. sentimento sensa\u00e7\u00e3o gustativa<br \/>\nEsse perfume tem um cheiro doce. sensa\u00e7\u00e3o olfativa e gustativa<\/p>\n<p><strong>METON\u00cdMIA<\/strong><\/p>\n<p>Meton\u00edmia \u00e9 a figura de palavra que consiste na substitui\u00e7\u00e3o de um termo por outro, em que a rela\u00e7\u00e3o entre os elementos que esses termos designam n\u00e3o depende exclusivamente do indiv\u00edduo, mas da liga\u00e7\u00e3o objetiva que esses elementos mant\u00eam na realidade.<\/p>\n<p>Na meton\u00edmia, um termo substitui outro n\u00e3o porque a nossa sensibilidade estabele\u00e7a uma rela\u00e7\u00e3o de semelhan\u00e7a entre os elementos que esses termos designam (caso da met\u00e1fora), mas porque esses elementos t\u00eam, de fato, uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia. Dizemos que, na meton\u00edmia, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de contiguidade entre sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui. Contig\u00fcidade significa \u201cproximidade\u201d, \u201cvizinhan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Se \u00e0 id\u00e9ia de morte associamos a id\u00e9ia de palidez ,\u00e9 porque h\u00e1 urna rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre elas. O rosto do morto \u00e9 p\u00e1lido; portanto a morte causa palidez.<\/p>\n<p>A palidez \u00e9 um efeito da morte. N\u00e3o se trata de uma aproxima\u00e7\u00e3o de termos de universos distantes, mas de termos vizinhos, cont\u00edguos. Lembre-se de que na met\u00e1fora a substitui\u00e7\u00e3o de um termo por outro se d\u00e1 por um processo interno, intuitivo, estritamente dependente do sujeito que realiza a substitui\u00e7\u00e3o. Na meton\u00edmia, o processo \u00e9 externo, pois a rela\u00e7\u00e3o entre aquilo que os termos significam \u00e9 verific\u00e1vel na realidade externa ao sujeito que estabelece tal rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Exemplos de meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>Sou al\u00e9rgico a cigarro. O cigarro \u00e9 a causa, a fuma\u00e7a \u00e9 o efeito. Pode-se ser al\u00e9rgico a fuma\u00e7a, mas n\u00e3o ao cigarro.<\/p>\n<p>Muitos pintores, embora famosos, n\u00e3o conseguem viver da pintura. \u201cPintura\u201d, aqui, est\u00e1 sendo utilizada no lugar de \u201cquadros\u201d, o produto da pintura; h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, portanto.<\/p>\n<p>Ele ganha a vida com o suor. O suor \u00e9 o efeito; o trabalho, a causa.<\/p>\n<p>Os cabelos brancos chegaram antes do esperado. Os cabelos brancos s\u00e3o o efeito, a velhice \u00e9 a causa.<\/p>\n<p><strong>Conhecemos muitos s\u00edmbolos que n\u00e3o deixam de ser modalidades da meton\u00edmia, como:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a cruz:<\/strong>\u00a0o cristianismo<br \/>\n<strong>a espada:<\/strong>\u00a0o poder militar<br \/>\n<strong>o cetro:\u00a0<\/strong>o poder mon\u00e1rquico, a autoridade<br \/>\n<strong>a coroa:<\/strong>\u00a0o poder mon\u00e1rquico, a realeza<br \/>\n<strong>os chinelos:<\/strong>\u00a0o \u00f3cio, o conforto<br \/>\n<strong>a m\u00e1scara:<\/strong>\u00a0a falsidade, a dissimula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><b>Sin\u00e9doque<\/b><\/p>\n<p>Sin\u00e9doque \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o de um termo por outro, em que os sentidos desses termos t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o desigual. Na sin\u00e9doque h\u00e1 uma amplia\u00e7\u00e3o ou uma redu\u00e7\u00e3o do sentido usual de uma palavra.<\/p>\n<p><strong>Compare os dois enunciados:<\/strong><\/p>\n<p>Comer o p\u00e3o com o suor do rosto.<br \/>\nComer o alimento com o trabalho do corpo.<\/p>\n<p>Observe que \u201cp\u00e3o\u201d substitui \u201calimento\u201d \u201csuor\u201d substitui \u201ctrabalho\u201d e \u201crosto\u201d substitui corpo.<\/p>\n<p><strong>Observe outros exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para viver sem um teto . N\u00e3o d\u00e1 para viver sem uma casa.<\/p>\n<p>Esse animal n\u00e3o pode ficar solto no pasto. Esse cavalo n\u00e3o pode ficar solto no pasto. (referindo-se a um cavalo) \u201cAnimal\u201d \u00e9 uma totalidade, incluindo vaca jacar\u00e9. cobra. Etc\u2026 Neste caso, \u201canimal\u201d (geral) est\u00e1 substituindo \u201ccavalo\u201d (particular); o todo substitui a parte.<\/p>\n<p>Fulano de tal mandou prender todo mundo. \u201cHomem\u201d substitui uma pessoa determinada; \u201chomem\u201d \u00eb uma categoria geral que substitui um indiv\u00edduo especifico.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.graudez.com.br\/geocities.yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As\u00a0figuras de linguagem\u00a0s\u00e3o parte integrante de qualquer idioma. Elas s\u00e3o amplamente utilizadas n\u00e3o apenas em nossa fala cotidiana, mas tamb\u00e9m em textos escritos e na literatura oral. S\u00e3o palavras ou frases usadas de maneira peculiar para produzir um efeito ret\u00f3rico. Em termos simples, \u00e9 uma frase cujo significado real \u00e9 diferente do seu significado literal. 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