{"id":81403,"date":"2016-08-23T16:02:40","date_gmt":"2016-08-23T16:02:40","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81403"},"modified":"2026-06-09T15:37:14","modified_gmt":"2026-06-09T17:37:14","slug":"figuras-de-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/figuras-de-linguagem","title":{"rendered":"Figuras de Linguagem"},"content":{"rendered":"<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 O que \u00e9<\/b><\/p>\n<p><strong>Figuras de Linguagem\u00a0<\/strong>diz respeito \u00e0s formas conotativas das palavras.<\/p>\n<p>Recria, altera e enfatiza o significado institucionalizado delas.<\/p>\n<p>Uma\u00a0<b>figura de linguagem\u00a0<\/b>\u00e9 uma palavra ou frase que se afasta da linguagem literal para alcan\u00e7ar um efeito ret\u00f3rico ou po\u00e9tico espec\u00edfico. Ela adiciona \u00eanfase, clareza ou profundidade emocional por meio de compara\u00e7\u00f5es, exageros ou jogos de palavras criativos.<\/p>\n<p><strong>Incidindo sobre a \u00e1rea da conota\u00e7\u00e3o, as figuras dividem-se em:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Figuras de constru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0(ou de sintaxe) tem esse nome porque interferem na estrutura gramatical da frase<br \/>\n<strong>2) Figuras de palavras<\/strong>\u00a0(ou tropos) constituem-se de figuras que adquirem novo significado num contexto espec\u00edfico.<br \/>\n<strong>3) Figuras de pensamento<\/strong>, que real\u00e7am o significado das palavras ou express\u00f5es<\/p>\n<p><strong>Figuras de constru\u00e7\u00e3o (ou de sintaxe)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elipse<\/strong><\/p>\n<p>Omiss\u00e3o de um termo facilmente identific\u00e1vel. O principal efeito \u00e9 a concis\u00e3o.<br \/>\nDe mau cordo, mau ovo (De mau cordo s\u00f3 pode sair mau ovo)<\/p>\n<p><strong>Pleonasmo<\/strong><\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o de um termo ou id\u00e9ia. O efeito \u00e9 o refor\u00e7o da express\u00e3o.<br \/>\nVi-o com meus pr\u00f3prios olhos.<br \/>\nRolou pela escada abaixo.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b>A MIM s\u00f3 me restou a esperan\u00e7a de dias melhores.<\/p>\n<p><strong>Casos de pleonasmos considerados estil\u00edsticos:<\/strong><\/p>\n<p>Cam\u00f5es, em \u201cOs Lus\u00edadas\u201d, escreveu \u201cDe ambos os dous a fronte coroada\u201d. (Esta frase est\u00e1 na ordem inversa. Na ordem direta seria \u201cA fronte de ambos os dous coroada.\u201d E \u201cdous\u201d \u00e9 uma forma, hoje em desuso, equivalente a \u201cdois\u201d.<\/p>\n<p><strong>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>A palavra \u201cambos\u201d \u00e9 da mesma fam\u00edlia das palavras \u201cambivalente\u201d, \u201cambidestro\u201d, \u201camb\u00edvio\u201d (\u201cencruzilhada\u201d), \u201camb\u00edgeno\u201d (\u201cproveniente de duas esp\u00e9cies diversas\u201d) etc.<\/p>\n<p>\u201cVer com os pr\u00f3prios olhos\u201d. \u00c9 \u00f3bvio que ningu\u00e9m v\u00ea com as orelhas, nem v\u00ea com os olhos de outra pessoa. Mas essa combina\u00e7\u00e3o \u00e9 aceita justamente por ser considerada expressiva, sobretudo pela palavra \u201cpr\u00f3prios\u201d: \u201cVi com meus pr\u00f3prios olhos.\u201d<\/p>\n<p>Um outro bom exemplo de pleonasmo consagrado \u00e9 \u201cabismo sem fundo\u201d. Pouqu\u00edssimas pessoas sabem que, na origem, a palavra \u201cabismo\u201d significa \u201csem fundo\u201d. Ao p\u00e9 da letra, \u201cabismo\u201d \u00e9 \u201clugar sem fundo\u201d.<\/p>\n<p>Quando se perde a no\u00e7\u00e3o da origem de uma palavra, \u00e9 natural que ocorram ligeiras mudan\u00e7as em seu significado, o que justifica certos pleonasmos, como o de \u201cabismo sem fundo\u201d. Afinal, hoje em dia, o sentido corrente de \u201cabismo\u201d n\u00e3o \u00e9 de \u201clugar sem fundo\u201d e sim de \u201clugar muito fundo\u201d.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que existe a forma paralela \u201cabisso\u201d, hoje pouco usada. \u00c9 dela que se forma o adjetivo \u201cabissal\u201d.<\/p>\n<p><strong>Apesar de o substantivo \u201cabisso\u201d estar fora de moda, o adjetivo \u201cabissal\u201d \u00e9 mais usado que \u201cabismal\u201d:<\/strong>\u00a0\u201cA ignor\u00e2ncia dele \u00e9 abissal\/abismal.\u201d Ambas as formas s\u00e3o corretas e equivalentes.<\/p>\n<p><strong>Onomatop\u00e9ia<\/strong><\/p>\n<p>Emprego de palavras apropriadas na tentativa de se imitar o som de alguma coisa.<br \/>\nConsiste na imita\u00e7\u00e3o de um som.<br \/>\nO tique-taque do rel\u00f3gio a enervava.<\/p>\n<p>Onomatop\u00e9ia \u00e9 a palavra ou conjunto de palavras que representa um ru\u00eddo ou som.<\/p>\n<p><strong>Nas hist\u00f3rias em quadrinhos, podemos encontrar in\u00fameros exemplos de onomatop\u00e9ias<\/strong>: ` \u201cclick\u201d sobre o desenho de uma m\u00e1quina fotogr\u00e1fica; \u201ccabranch\u201d representando o barulho e uma explos\u00e3o e acompanhando o desenho de uma casa em chamas; \u201cbip! bip! bip!\u201d para o barulho do alarme que pega um ladr\u00e3o desprevenido; etc. onomatop\u00e9ia nos quadrinhos \u00e9, em geral, um recurso para melhor representar as a\u00e7\u00f5es e os fatos, expressando o ru\u00eddo que os acompanha<br \/>\nna realidade.<\/p>\n<p>Muitos os ru\u00eddos e sons representados por onomatop\u00e9ias acabam por se incorporar \u00e3 l\u00edngua.<\/p>\n<p><strong>Algumas v\u00e3o at\u00e9 motivar a cria\u00e7\u00e3o, por deriva\u00e7\u00e3o, de novas palavras:<\/strong><\/p>\n<p>o barulho do rel\u00f3gio tic-tac a \u201cvoz\u201d do gato miau!<br \/>\na \u201cvoz\u201d do galo cocoric\u00f3 a \u201cvoz\u201d dos passarinhos piu-piu<br \/>\no barulho de um apito trrrrriiiiiii<\/p>\n<p>A l\u00edngua portuguesa \u00e9 extensa, as figuras de linguagem servem somente para deixar a linguagem mais bonita e diversificada.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o conseguia dormir com o TIC-TAC do rel\u00f3gio da sala.<br \/>\n\u201cL\u00e1 vem o vaqueiro pelos atalhos, tangendo as reses para os currais. Blem\u2026 blem\u2026 blem\u2026 cantam os chocalhos dos tristes bodes patriarcais. E os guizos finos das ovelhinhas ternas d\u00edm\u2026 d\u00edm\u2026 d\u00edm\u2026\u00a0<strong>E o sino da igreja velha<\/strong>: b\u00e3o\u2026 b\u00e3o\u2026 b\u00e3o\u2026\u201d (Ascenso Ferreira)<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 ainda:\u00a0<\/strong>zeugma, poliss\u00edndeto, itera\u00e7\u00e3o (repeti\u00e7\u00e3o), an\u00e1fora, alitera\u00e7\u00e3o, hp\u00e9rbato, anacoluto, e silepse.<\/p>\n<p><strong>Figuras de palavras (ou tropos)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Met\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>Fundamenta-se numa rela\u00e7\u00e3o subjetiva, ela consiste na transfer\u00eancia de um termo para um \u00e2mbito de significa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 o seu e para isso parte de uma associa\u00e7\u00e3o afetiva, subjetiva entre dois universos. \u00c9 uma esp\u00e9cie de compara\u00e7\u00e3o abreviada, \u00e0 qual faltam elementos conectores (como, assim como, que nem, tal qual etc.)<\/p>\n<p>Murcharam-lhe (assim como murcham as flores) os entusiasmos da mocidade.<\/p>\n<p><strong>Meton\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p>Ocorre quando uma palavra \u00e9 usada para designar alguma coisa com a qual mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade ou posse.<br \/>\nConsiste na substitui\u00e7\u00e3o de um nome por outro porque entre eles existe alguma rela\u00e7\u00e3o de proximidade.<br \/>\nO est\u00e1dio (os torcedores) aplaudiu o jogador.<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>Meus olhos est\u00e3o tristes por que voc\u00ea decidiu partir.<br \/>\n(Olhos, na frase acima, \u00e9 uma meton\u00edmia. Na verdade, essa palavra, que indica uma parte do ser humano, esta sendo usada para designar o ser humano completo.)<\/p>\n<p><b>H\u00e1 ainda:<\/b>\u00a0catacrese e antonom\u00e1sia.<\/p>\n<p><strong>Figuras de pensamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00edtese<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a figura que evidencia a oposi\u00e7\u00e3o entre id\u00e9ias.<br \/>\nBuscas a vida, eu, a morte.<\/p>\n<p><strong>Hip\u00e9rbole<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 bom observar que no extremo oposto do eufemismo est\u00e1 a \u201chip\u00e9rbole\u201d. Se com aquele suavizamos, atenuamos, abrandamos, com esta aumentamos, enfatizamos, exageramos.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 uma afirma\u00e7\u00e3o exagerada para conseguir-se maior efeito estil\u00edstico.<br \/>\nChorou um rio de l\u00e1grimas.<br \/>\nToda vida se tece de mil mortes.<\/p>\n<p><strong>Eufemismo<\/strong><\/p>\n<p>O Dicion\u00e1rio \u201cHouaiss\u201d diz que \u00e9 \u201cpalavra, locu\u00e7\u00e3o ou acep\u00e7\u00e3o mais agrad\u00e1vel, de que se lan\u00e7a m\u00e3o para suavizar ou minimizar (\u2026) outra palavra, locu\u00e7\u00e3o ou acep\u00e7\u00e3o menos agrad\u00e1vel, mais grosseira\u2026\u201d. O \u201cAur\u00e9lio\u201d diz que \u00e9 \u201cato de suavizar a express\u00e3o duma id\u00e9ia substituindo a palavra ou express\u00e3o pr\u00f3pria por outra mais agrad\u00e1vel, mais polida\u201d.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Consiste no abrandamento de express\u00f5es cruas ou desagrad\u00e1veis.<br \/>\nFoi acometido pelo mal de Hansen (= contraiu lepra)<br \/>\nO h\u00e1bil pol\u00edtico tomou emprestado dinheiro dos cofres p\u00fablicos e esqueceu-se de devolver (=o h\u00e1bil pol\u00edtico roubou dinheiro)<\/p>\n<p><strong>\u00c0s vezes, a suaviza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de um jeito todo particular<\/strong>: pela nega\u00e7\u00e3o do contr\u00e1rio. Para que n\u00e3o se diga, por exemplo, que determinado indiv\u00edduo \u00e9 burro, diz-se que \u00e9 pouco inteligente, ou simplesmente que n\u00e3o \u00e9 inteligente. Esse caso, que cont\u00e9m forte dose de ironia, chama-se \u201clitotes\u201d. \u00c9 bom que se diga que com a litotes n\u00e3o necessariamente se suaviza.<\/p>\n<p><strong>Para que se diga que uma pessoa \u00e9 inteligente, pode-se dizer que n\u00e3o \u00e9 burra:<\/strong>\u00a0\u201cSeu primo n\u00e3o \u00e9 nada burro\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, a litotes \u00e9 \u201cmodo de afirma\u00e7\u00e3o por meio da nega\u00e7\u00e3o do contr\u00e1rio\u201d, como define o \u201cAur\u00e9lio\u201d.<\/p>\n<p><strong>Ironia<\/strong><\/p>\n<p>Consiste em, aproveitando-se do contexto, utilizar palavras que devem ser compreendidas no sentido oposto do que aparentam transmitir. \u00c9 um poderoso instrumento para o sarcasmo.<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>Consiste em sugerir, pela entona\u00e7\u00e3o e contexto, o contr\u00e1rio do que as palavras ou as frases exprimem, por inten\u00e7\u00e3o sarc\u00e1stica.<br \/>\nQue belo neg\u00f3cio! (= que p\u00e9ssimo neg\u00f3cio!)<br \/>\nO rapaz tem a sutileza de um elefante.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 ainda:\u00a0<\/strong>prosopop\u00e9ia, grada\u00e7\u00e3o e ap\u00f3strofe.<\/p>\n<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 Divis\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A divis\u00e3o das\u00a0<strong>figuras de linguagem<\/strong>\u00a0(em figuras de palavras, figuras de pensamentos e figuras de constru\u00e7\u00e3o) segue um crit\u00e9rio did\u00e1tico e por isso pode haver classifica\u00e7\u00f5es diferentes se procurado em v\u00e1rios autores.<\/p>\n<p>A express\u00e3o\u00a0<strong>Figuras de Estilo<\/strong>\u00a0foi criada para uni-las num todo, sem divis\u00e3o alguma.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"60%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<th bgcolor=\"#FFFFCC\">Figura de Palavras<\/th>\n<th bgcolor=\"#FFFFCC\">Figuras de Pensamentos<\/th>\n<th bgcolor=\"#FFFFCC\">Figuras de Constru\u00e7\u00e3o<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Compara\u00e7\u00e3o Simples<br \/>\nCompara\u00e7\u00e3o por S\u00edmile<br \/>\nMet\u00e1fora<br \/>\nCatacrese<br \/>\nSinestesia<br \/>\nAntonom\u00e1sia<br \/>\nSin\u00e9doque<br \/>\nMeton\u00edmia<br \/>\nOnomatop\u00e9ia<br \/>\nS\u00edmbolo (alegoria)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Ant\u00edtese<br \/>\nParadoxo<br \/>\nIronia<br \/>\nPer\u00edfrase<br \/>\nEufemismo<br \/>\nDisfemismo<br \/>\nHip\u00e9rbole<br \/>\nGrada\u00e7\u00e3o<br \/>\nProsopop\u00e9ia<br \/>\nAp\u00f3strofe<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Elipse<br \/>\nZeugma<br \/>\nPoliss\u00edndeto<br \/>\nAss\u00edndeto<br \/>\nPleonasmo<br \/>\nInvers\u00e3o ou Hip\u00e9rbato<br \/>\nAnacoluto<br \/>\nAn\u00e1fora<br \/>\nSilepse<br \/>\nAnadiplose<br \/>\nDi\u00e1cope<br \/>\nEp\u00edstrofe<br \/>\nAsson\u00e2ncia<br \/>\nAlitera\u00e7\u00e3o<br \/>\nParanom\u00e1sia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 Palavras<\/b><\/p>\n<p>S\u00e3o recursos que tornam mais expressivas as mensagens.<\/p>\n<p><strong>Subdividem-se em:<\/strong>\u00a0figuras de som, figuras de constru\u00e7\u00e3o, figuras de pensamento e figuras de palavras.<\/p>\n<p><strong>Figuras de som<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) alitera\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0consiste na repeti\u00e7\u00e3o ordenada de mesmos sons consonantais.<br \/>\n&#8220;Esperando, parada, pregada na pedra do porto.&#8221;<br \/>\n<strong>b) asson\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0consiste na repeti\u00e7\u00e3o ordenada de sons voc\u00e1licos id\u00eanticos.<br \/>\n&#8220;Sou um mulato nato no sentido lato mulato democr\u00e1tico do litoral.&#8221;<br \/>\n<strong>c) paronom\u00e1sia:\u00a0<\/strong>consiste na aproxima\u00e7\u00e3o de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos.<br \/>\n&#8220;Eu que passo, penso e pe\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Figuras de constru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) elipse:\u00a0<\/strong>consiste na omiss\u00e3o de um termo facilmente identific\u00e1vel pelo contexto.<\/p>\n<p>&#8220;Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.&#8221; (omiss\u00e3o de havia)<\/p>\n<p><strong>b) zeugma:<\/strong>\u00a0consiste na elipse de um termo que j\u00e1 apareceu antes.<\/p>\n<p>Ele prefere cinema; eu, teatro. (omiss\u00e3o de prefiro)<\/p>\n<p><strong>c) poliss\u00edndeto:\u00a0<\/strong>consiste na repeti\u00e7\u00e3o de conectivos ligando termos da ora\u00e7\u00e3o ou elementos do per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8221; E sob as ondas ritmadas<br \/>\ne sob as nuvens e os ventos<br \/>\ne sob as pontes e sob o sarcasmo<br \/>\ne sob a gosma e sob o v\u00f4mito (\u2026)&#8221;<\/p>\n<p><strong>d) invers\u00e3o:\u00a0<\/strong>consiste na mudan\u00e7a da ordem natural dos termos na frase.<\/p>\n<p>&#8220;De tudo ficou um pouco.<br \/>\nDo meu medo. Do teu asco.&#8221;<\/p>\n<p><strong>e) silepse:\u00a0<\/strong>consiste na concord\u00e2ncia n\u00e3o com o que vem expresso, mas com o que se sebentende, com o que est\u00e1 impl\u00edcito.<\/p>\n<p><strong>A silepse pode ser:<\/strong><\/p>\n<p><strong>De g\u00eanero<\/strong><br \/>\nVossa Excel\u00eancia est\u00e1 preocupado.<br \/>\n<strong>De n\u00famero<\/strong><br \/>\nOs lus\u00edadas glorificou nossa literatura.<br \/>\n<strong>De pessoa<\/strong><br \/>\n&#8220;O que me parece inexplic\u00e1vel \u00e9 que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.&#8221;<\/p>\n<p><strong>f) anacoluto:\u00a0<\/strong>consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica e depois se opta por outra.<\/p>\n<p>A vida, n\u00e3o sei realmente se ela vale alguma coisa.<\/p>\n<p><strong>g) pleonasmo:\u00a0<\/strong>consiste numa redund\u00e2ncia cuja finalidade \u00e9 refor\u00e7ar a mensagem.<\/p>\n<p>&#8220;E rir meu riso e derramar meu pranto.&#8221;<\/p>\n<p><strong>h) an\u00e1fora:<\/strong>\u00a0consiste na repeti\u00e7\u00e3o de uma mesma palavra no in\u00edcio de versos ou frases.<\/p>\n<p>&#8221; Amor \u00e9 um fogo que arde sem se ver;<br \/>\n\u00c9 ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente;<br \/>\n\u00c9 um contentamento descontente;<br \/>\n\u00c9 dor que desatina sem doer&#8221;<\/p>\n<p><strong>Figuras de pensamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) ant\u00edtese:\u00a0<\/strong>consiste na aproxima\u00e7\u00e3o de termos contr\u00e1rios, de palavras que se op\u00f5em pelo sentido.<\/p>\n<p>&#8220;Os jardins t\u00eam vida e morte.&#8221;<\/p>\n<p><strong>b) ironia:<\/strong>\u00a0\u00e9 a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito cr\u00edtico ou humor\u00edstico.<\/p>\n<p>&#8220;A excelente Dona In\u00e1cia era mestra na arte de judiar de crian\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p><strong>c) eufemismo:<\/strong>\u00a0consiste em substituir uma express\u00e3o por outra menos brusca; em s\u00edntese, procura-se suavizar alguma afirma\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ele enriqueceu por meios il\u00edcitos. (em vez de ele roubou)<\/p>\n<p><strong>d) hip\u00e9rbole:\u00a0<\/strong>trata-se de exagerar uma id\u00e9ia com finalidade enf\u00e1tica.<\/p>\n<p>Estou morrendo de sede. (em vez de estou com muita sede)<\/p>\n<p><strong>e) prosopop\u00e9ia ou personifica\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que s\u00e3o pr\u00f3prios de seres animados.<\/p>\n<p>O jardim olhava as crian\u00e7as sem dizer nada.<\/p>\n<p><strong>f) grada\u00e7\u00e3o ou cl\u00edmax:<\/strong>\u00a0\u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias em progress\u00e3o ascendente (cl\u00edmax) ou descendente (anticl\u00edmax)<\/p>\n<p>&#8220;Um cora\u00e7\u00e3o chagado de desejos<br \/>\nLatejando, batendo, restrugindo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>g) ap\u00f3strofe:<\/strong>\u00a0consiste na interpela\u00e7\u00e3o enf\u00e1tica a algu\u00e9m (ou alguma coisa personificada).<\/p>\n<p>&#8220;Senhor Deus dos desgra\u00e7ados!<br \/>\nDizei-me v\u00f3s, Senhor Deus!&#8221;<\/p>\n<p><strong>Figuras de palavras<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) met\u00e1fora: c<\/strong>onsiste em empregar um termo com significado diferente do habitual, com base numa rela\u00e7\u00e3o de similaridade entre o sentido pr\u00f3prio e o sentido figurado. A met\u00e1fora implica, pois, uma compara\u00e7\u00e3o em que o conectivo comparativo fica subentendido.<\/p>\n<p>&#8220;Meu pensamento \u00e9 um rio subterr\u00e2neo.&#8221;<\/p>\n<p><strong>b) meton\u00edmia:\u00a0<\/strong>como a met\u00e1fora, consiste numa transposi\u00e7\u00e3o de significado, ou seja, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. Todavia, a transposi\u00e7\u00e3o de significados n\u00e3o \u00e9 mais feita com base em tra\u00e7os de semelhan\u00e7a, como na met\u00e1fora. A meton\u00edmia explora sempre alguma rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica entre os termos.<\/p>\n<p><strong>Observe:\u00a0<\/strong>N\u00e3o tinha teto em que se abrigasse. (teto em lugar de casa)<\/p>\n<p><strong>c) catacrese:\u00a0<\/strong>ocorre quando, por falta de um termo espec\u00edfico para designar um conceito, torna-se outro por empr\u00e9stimo. Entretanto, devido ao uso cont\u00ednuo, n\u00e3o mais se percebe que ele est\u00e1 sendo empregado em sentido figurado.<\/p>\n<p>O p\u00e9 da mesa estava quebrado.<\/p>\n<p><strong>d) antonom\u00e1sia ou per\u00edfrase:<\/strong>\u00a0<strong>consiste em substituir um nome por uma express\u00e3o que o identifique com facilidade:<\/strong><\/p>\n<p>\u2026os quatro rapazes de Liverpool (em vez de os Beatles)<\/p>\n<p><strong>e) sinestesia:<\/strong>\u00a0trata-se de mesclar, numa express\u00e3o, sensa\u00e7\u00f5es percebidas por diferentes \u00f3rg\u00e3os do sentido.<\/p>\n<p>A luz crua da madrugada invadia meu quarto.<\/p>\n<p><strong>V\u00edcios de linguagem<\/strong><\/p>\n<p>A gram\u00e1tica \u00e9 um conjunto de regras que estabelecem um determinado uso da l\u00edngua, denominado norma culta ou l\u00edngua padr\u00e3o. Acontece que as normas estabelecidas pela gram\u00e1tica normativa nem sempre s\u00e3o obedecidas pelo falante.<\/p>\n<p>Quando o falante se desvia do padr\u00e3o para alcan\u00e7ar uma maior expressividade, ocorrem as figuras de linguagem. Quando o desvio se d\u00e1 pelo n\u00e3o-conhecimento da norma culta, temos os chamados v\u00edcios de linguagem.<\/p>\n<p><strong>a) barbarismo:\u00a0<\/strong>consiste em gravar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta.<\/p>\n<p>pesquiza (em vez de pesquisa)<br \/>\nprototipo (em vez de prot\u00f3tipo)<\/p>\n<p><strong>b) solecismo:\u00a0<\/strong>consiste em desviar-se da norma culta na constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica.<\/p>\n<p>Fazem dois meses que ele n\u00e3o aparece. (em vez de faz; desvio na sintaxe de concord\u00e2ncia)<\/p>\n<p><strong>c) ambig\u00fcidade ou anfibologia: t<\/strong>rata-se de construir a frase de um modo tal que ela apresente mais de um sentido.<\/p>\n<p>O guarda deteve o suspeito em sua casa. (na casa de quem: do guarda ou do suspeito?)<\/p>\n<p><strong>d) cac\u00f3fato:\u00a0<\/strong>consiste no mau som produzido pela jun\u00e7\u00e3o de palavras.<\/p>\n<p>Paguei cinco mil reais por cada.<\/p>\n<p><strong>e) pleonasmo:\u00a0<\/strong>consiste na repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de uma id\u00e9ia.<\/p>\n<p>A brisa matinal da manh\u00e3 deixava-o satisfeito.<\/p>\n<p><strong>f) neologismo:\u00a0<\/strong>\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de palavras novas.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rio Prata, se adolescente \u00e9 aquele que est\u00e1 entre a inf\u00e2ncia e a idade adulta, envelhescente \u00e9 aquele que est\u00e1 entre a idade adulta e a velhice.<\/p>\n<p><strong>g) arca\u00edsmo:<\/strong>\u00a0consiste na utiliza\u00e7\u00e3o de palavras que j\u00e1 ca\u00edram em desuso.<\/p>\n<p>Vossa Merc\u00ea me permite falar? (em vez de voc\u00ea)<\/p>\n<p><strong>h) eco:\u00a0<\/strong>trata-se da repeti\u00e7\u00e3o de palavras terminadas pelo mesmo som.<\/p>\n<p>O menino repetente mente alegremente.<\/p>\n<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 Formas<\/b><\/p>\n<p><strong>AMBIGUIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Palavras com duplo sentido.<\/p>\n<p>Manuel Bandeira, poeta maior, escreveu um texto chamado \u201cPoema s\u00f3 para Jayme Ovalle\u201d. Para um poema cujo tema \u00e9 essencialmente a solid\u00e3o, o t\u00edtulo \u00e9 intencionalmente amb\u00edguo. No poema de Bandeira, \u201cs\u00f3\u201d pode referir-se a \u201cpoema\u201d (\u201cpoema solit\u00e1rio\u201d, por exemplo) ou a \u201cJayme Ovalle\u201d (\u201cpoema feito exclusivamente para Jayme Ovalle\u201d, por exemplo).<\/p>\n<p>\u00c9 importante tamb\u00e9m destacar o papel da pontua\u00e7\u00e3o. Compare a frase \u201cS\u00f3 voc\u00ea n\u00e3o conseguir\u00e1 a resposta\u201d com \u201cS\u00f3, voc\u00ea n\u00e3o conseguir\u00e1 a resposta\u201d. Parecem iguais. As palavras s\u00e3o as mesmas, a ordem das palavras \u00e9 a mesma, mas a v\u00edrgula faz a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na primeira, \u201cs\u00f3\u201d significa \u201capenas\u201d; na segunda, \u201csozinho\/a\u201d.<\/p>\n<p><strong>Vale lembrar a express\u00e3o \u201ca s\u00f3s\u201d, invari\u00e1vel:<\/strong>\u00a0\u201cQuero ficar a s\u00f3s\u201d; \u201cQueremos ficar a s\u00f3s\u201d; \u201cEle quer ficar a s\u00f3s\u201d; \u201cEles querem ficar a s\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o fa\u00e7a confus\u00e3o. Quando \u201cs\u00f3\u201d significa \u201csozinho\/a\u201d, varia, ou seja, tem singular e plural. Quando significa \u201csomente, apenas\u201d, n\u00e3o varia, n\u00e3o tem plural. E a express\u00e3o \u201ca s\u00f3s\u201d \u00e9 fixa, invari\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Outros exemplos de frases amb\u00edguas:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEncontrei seu diretor e resolvemos fazer uma reuni\u00e3o em seu escrit\u00f3rio \u00e0s 15h.\u201d<br \/>\n(O escrit\u00f3rio era da pessoa com quem se estava falando ou do chefe dela?)<\/p>\n<p><strong>Ao saber que um sobrinho havia levado uma mordida, minha mulher perguntou:\u00a0<\/strong>\u201cAfinal, quem mordeu o Pedro?\u201d\u00a0<strong>A resposta foi imediata<\/strong>: \u201cFoi a cachorra da namorada do Jo\u00e3o neur\u00f3tica.\u201d<br \/>\n(Quem mordeu o Pedro foi:<br \/>\n1. a cachorra, que \u00e9 neur\u00f3tica e pertence \u00e0 namorada do Jo\u00e3o?<br \/>\n2. a cachorra, que pertence \u00e0 namorada neur\u00f3tica do Jo\u00e3o?<br \/>\n3. a namorada do Jo\u00e3o, que, al\u00e9m de ser uma \u201ccachorra\u201d, \u00e9 uma<br \/>\nneur\u00f3tica?<\/p>\n<p><strong>ANACOLUTO<\/strong><\/p>\n<p>Ruptura da ordem l\u00f3gica da frase. \u00c9 um recurso muito utilizado nos di\u00e1logos, que procuram reproduzir na escrita a l\u00edngua falada. Tamb\u00e9m permite a caracteriza\u00e7\u00e3o de estados de confus\u00e3o mental.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b>\u201cDeixe-me ver\u2026 \u00c9 necess\u00e1rio come\u00e7ar por\u2026 N\u00e3o, n\u00e3o, o melhor \u00e9 tentar novamente o que foi feito ontem.\u201d<\/p>\n<p><strong>AN\u00c1FORA<\/strong><\/p>\n<p>R epeti\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de termos ou de estruturas sint\u00e1ticas no princ\u00edpio de diferentes frases ou de membros da mesma frase. \u00c9 um recurso de \u00eanfase e coes\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Vi uma estrela t\u00e3o alta,<br \/>\nVi uma estrela t\u00e3o fria!<br \/>\nVi uma estrela luzindo<br \/>\nNa minha vida vazia.<br \/>\n(Manuel Bandeira)<\/p>\n<p><strong>ANT\u00cdTESE<\/strong><\/p>\n<p>Aproxima\u00e7\u00e3o de palavras de sentidos opostos.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b>\u00a0Na ofuscante CLARIDADE daquela manh\u00e3, pensamentos SOMBRIOS o perturbavam.<\/p>\n<p><strong>ASS\u00cdNDETO<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a coordena\u00e7\u00e3o de termos ou ora\u00e7\u00f5es sem utiliza\u00e7\u00e3o de conectivo. Esse recurso costuma imprimir lentid\u00e3o ao ritmo narrativo.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b>\u201cFoi apanhar gravetos, trouxe do chiqueiro das cabras uma bra\u00e7ada de madeira meio ru\u00edda pelo cupim, arrancou touceiras de macambira, arrumou tudo para a fogueira.\u201d (Graciliano Ramos)<\/p>\n<p><strong>CATACRESE<\/strong><\/p>\n<p>P alavra que perdeu o sentido original.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>sal\u00e1rio (= pagamento que era feito em sal)<br \/>\nsecret\u00e1ria (= m\u00f3vel em que se guardavam segredos)<br \/>\nazulejos (= ladrilhos azuis)<\/p>\n<p><strong>ELIPSE<\/strong><\/p>\n<p>O omiss\u00e3o de um ou mais termos de uma ora\u00e7\u00e3o, o qual se subentende, se presume.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Ao redor, bons pastos, boa gente, terra boa para se plantar.<br \/>\n(Omiss\u00e3o do verbo HAVER)<\/p>\n<p><strong>Na memor\u00e1vel \u201cCanto triste\u201d (m\u00fasica de Edu Lobo e letra de Vinicius de Moraes), h\u00e1 um belo exemplo de elipse:<\/strong>\u00a0\u201cOnde a minha namorada? Vai e diz a ela as minhas penas e que eu pe\u00e7o, pe\u00e7o apenas que ela lembre as nossas horas de poesia\u2026\u201d. No trecho \u201cOnde a minha namorada?\u201d, est\u00e1 subentendido um verbo (\u201cest\u00e1\u201d, \u201canda\u201d etc.). \u00c9 bom lembrar que existe um caso espec\u00edfico de elipse, que alguns preferem chamar de \u201czeugma\u201d. Trata-se da omiss\u00e3o de termo j\u00e1 citado na frase. \u00c9 o caso, por exemplo, de \u201cEle primeiro foi ao cinema, depois, ao teatro\u201d. Em \u201cdepois, ao teatro\u201d, n\u00e3o se repetiu a forma verbal \u201cfoi\u201d, expressa na primeira ora\u00e7\u00e3o (\u201cEle primeiro foi ao cinema\u201d). H\u00e1 um caso espec\u00edfico de zeugma, que ocorre quando a palavra omitida tem flex\u00e3o diferente da que se verifica no termo expresso anteriormente. \u00c9 o caso, por exemplo, de \u201cEu trabalho com fatos; voc\u00ea, com boatos\u201d. Que palavra est\u00e1 subentendida? \u00c9 a forma verbal \u201ctrabalha\u201d, flexionada na terceira pessoa do singular e deduzida de \u201ctrabalho\u201d, da primeira pessoa do singular do presente do indicativo de \u201ctrabalhar\u201d. Esse caso de zeugma \u00e9 chamado por alguns de \u201czeugma complexa\u201d (ou \u201czeugma complexo\u201d, j\u00e1 que, para alguns dicion\u00e1rios, a palavra \u201czeugma\u201d \u00e9 masculina, mas, para outros, feminina; h\u00e1 ainda os que a consideram palavra de dois g\u00eaneros, isto \u00e9, que pode ser usada indiferentemente no masculino ou no feminino).<\/p>\n<p><strong>GALICISMO ou FRANCESISMO<\/strong><\/p>\n<p>P alavra ou express\u00e3o francesa usada na l\u00edngua portuguesa ou em outra l\u00edngua qualquer.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:\u00a0<\/strong>vitrine (por vitrina, esp\u00e9cie de caixa com tampa envidra\u00e7ada, ou arm\u00e1rio com vidra\u00e7a m\u00f3vel, onde se guardam objetos expostos \u00e0 venda ou a serem vistos; fetiche (por feiti\u00e7o); gauche (por desajeitado); ter lugar (por realizar-se); fazer um passeio (por dar um passeio).<\/p>\n<p><strong>GRADA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Consiste em encadear palavras cujos significados t\u00eam efeito cumulativo.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b>Os grandes projetos de coloniza\u00e7\u00e3o resultaram em pilhas de pap\u00e9is velhos, restos de obras inacabadas, hectares de floresta devastada, milhares de fam\u00edlias abandonadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p><strong>HIBRIDISMO<\/strong><\/p>\n<p>Em l\u00edngua portuguesa, significa palavras em cuja forma\u00e7\u00e3o entram elementos de idiomas diferentes.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p><strong>\u201cBiologia\u201d \u2013 bio (vem do latim e significa vida) + logia (vem do grego e significa estudo ou ci\u00eancia):<\/strong>\u00a0ci\u00eancia que estuda a vida. Em \u201cautom\u00f3vel\u201d, por exemplo, temos o elemento grego \u201cauto\u201d associado a \u201cm\u00f3vel\u201d, que vem do latim. Em \u201csociologia\u201d, temos \u201csocio\u201d, do latim, e \u201clogia\u201d, do grego.<\/p>\n<p>Em \u201cburocracia\u201d, temos \u201cburo\u201d, do franc\u00eas \u201cbureau\u201d, que significa \u201cescrit\u00f3rio\u201d, \u201creparti\u00e7\u00e3o\u201d, e \u201ccracia\u201d, que vem do grego e significa \u201cpoder\u201d, \u201cautoridade\u201d. A burocracia nada mais \u00e9 do que o poder de quem mexe com pap\u00e9is.<\/p>\n<p><strong>Repetindo:\u00a0<\/strong>o processo pelo qual se formam palavras pela uni\u00e3o de elementos de l\u00ednguas diferentes chama-se \u201chibridismo\u201d. S\u00e3o tamb\u00e9m h\u00edbridas palavras como \u201ctelevis\u00e3o\u201d (soma do grego \u201ctele\u201d, que significa \u201clonge\u201d, \u201cdistante\u201d, com \u201cvis\u00e3o\u201d, que vem do latim); \u201cabreugrafia\u201d (que vem de \u201cAbreu\u201d, sobrenome do m\u00e9dico brasileiro que criou determinado processo radiosc\u00f3pico, e \u201cgrafia\u201d, elemento grego, que significa \u201cdescri\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cescrita\u201d); \u201cpitangueira\u201d (soma de \u201cpitanga\u201d, que vem do tupi, com o sufixo latino \u201ceiro\/a\u201d); \u201csamb\u00f3dromo\u201d, que re\u00fane \u201csamba\u201d, de origem africana, e \u201cdromo\u201d, do grego (\u201clugar em que se corre\u201d). Quando se pensa que \u201csamb\u00f3dromo\u201d \u00e9 formada por um elemento africano e outro grego, mas s\u00f3 faz sentido no portugu\u00eas do Brasil, entende-se por que l\u00edngua e cultura s\u00e3o elementos indissoci\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>HIP\u00c9RBATO<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a invers\u00e3o da ordem natural das palavras.<\/p>\n<p><b>Exemplo<\/b><\/p>\n<p>\u201cDe tudo, ao meu amor serei atento antes\u201d (ordem indireta ou inversa)<br \/>\nEm vez de \u201cSerei atento ao meu amor antes de tudo\u201d (ordem direta)<\/p>\n<p><strong>MET\u00c1FORA<\/strong><\/p>\n<p>Palavra empregada fora de seu sentido real, literal, denotativo.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Eliana n\u00e3o SE DOBROU \u00e0s desculpas do namorado que a deixou esperando por uma hora.<br \/>\nOntem \u00e0 noite choveu CANIVETES!<\/p>\n<p><strong>Na base de toda met\u00e1fora est\u00e1 um processo comparativo:<\/strong><\/p>\n<p>Senti a seda do seu rosto em meus dedos.<br \/>\n(Seda, na frase acima, \u00e9 uma met\u00e1fora. Por tr\u00e1s do uso dessa palavra para indicar uma pele extremamente agrad\u00e1vel ao tato, h\u00e1 v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es de compara\u00e7\u00e3o: a pele descrita \u00e9 t\u00e3o agrad\u00e1vel ao tato quanto a seda; a pele descrita \u00e9 uma verdadeira seda; a pele descrita pode ser chamada seda.)<\/p>\n<p><strong>PER\u00cdFRASE<\/strong><\/p>\n<p>Uso de um dos atributos de um ser ou coisa que servir\u00e1 para indic\u00e1-lo.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Na floresta, todos sabem quem \u00e9 o REI DOS ANIMAIS.<br \/>\n(REI DOS ANIMAIS = LE\u00c3O)<\/p>\n<p>A CIDADE MARAVILHOSA torce para um dia sediar os Jogos Ol\u00edmpicos. (CIDADE MARAVILHOSA = RIO DE JANEIRO)<\/p>\n<p><strong>POLISSEMIA<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a propriedade que tem a mesma palavra de assumir significados diferentes.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>L\u00facia bateu a porta. (fechou)<br \/>\nRoberto bateu o carro. (trombou)<br \/>\nMeu cora\u00e7\u00e3o bate r\u00e1pido. (pulsa)<\/p>\n<p><strong>Em uma propaganda da Bradesco Seguros de autom\u00f3veis vemos, na foto, um pincel de barbeiro, usado para espalhar o creme de barbear no rosto do cliente, e a legenda<\/strong>: \u201cEsta cidade est\u00e1 cheia de barbeiros\u201d (alus\u00e3o aos maus motoristas)<\/p>\n<p><strong>POLISS\u00cdNDETO<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o uso repetido da conjun\u00e7\u00e3o (do conectivo), entre elementos coordenados. Esse recurso costuma acelerar o ritmo narrativo.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>\u201cO amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.\u201d<br \/>\n(Machado de Assis)<\/p>\n<p>\u201cNo aconchego<br \/>\nDo claustro, na paci\u00eancia e no sossego<br \/>\nTrabalhe, e teima, e lima, e sofre, e sua!\u201d<br \/>\n(Olavo Bilac)<\/p>\n<p><strong>PROSOPOP\u00c9IA ou PERSONIFICA\u00c7\u00c3O (ou ainda METAGOGE)<\/strong><\/p>\n<p>Consiste em atribuir caracter\u00edsticas de seres animados a seres inanimados ou caracter\u00edsticas humanas a seres n\u00e3o-humanos.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>\u201cA floresta gesticulava nervosamente diante do lago que a devorava. O ip\u00ea acenava- lhe brandamente, chamando-o para casa.\u201d<br \/>\nAs estrelas sorriem quando voc\u00ea tamb\u00e9m sorri.<\/p>\n<p><strong>SILEPSE<\/strong><\/p>\n<p>Figura pela qual a concord\u00e2ncia das palavras se faz de acordo com o sentido, e n\u00e3o segundo as regras da sintaxe. A Silepse pode ser de pessoa, n\u00famero ou g\u00eanero.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros somos roubados todos os dias.\u201d Quem diz ou escreve a frase dessa forma p\u00f5e o verbo na primeira pessoa do plural para deixar claro que \u00e9 brasileiro e \u00e9 roubado. Nessa frase, por exemplo, a concord\u00e2ncia n\u00e3o foi feita com \u201cos brasileiros\u201d, mas com o sentido, com a id\u00e9ia que se quer enfatizar. \u00c9 claro que teria sido poss\u00edvel empregar a forma \u201cs\u00e3o\u201d (\u201cOs brasileiros s\u00e3o roubados\u2026\u201d), no entanto, o enfoque mudaria completamente.<\/p>\n<p>No exemplo anterior, ocorre silepse de pessoa, j\u00e1 que se trocou a terceira pessoa pela primeira.<\/p>\n<p><strong>A de n\u00famero ocorre quando se troca o singular pelo plural (ou vice-versa), como se v\u00ea neste exemplo<\/strong>: \u201cA turma chegou cedo, mas, depois que foi dado o aviso de que o professor se atrasaria, desistiram de esperar e foram embora\u201ddesistiram\u201d e \u201cforam\u201d se referem ao termo \u201cturma\u201d, mas n\u00e3o concordam com a forma dessa palavra (singular), e \u201c. Nessa frase, as formas verbais sim com a id\u00e9ia contida em seu significado (\u201calunos\u201d, no caso).\u00a0<strong>A silepse de n\u00famero \u00e9 comum com o vocativo representado por coletivo, seguido de verbo no pluralverbo (\u201cvenham\u201d) n\u00e3o concorda com a palavra \u201cturma\u201d, mas com sua id\u00e9ia.\u00a0<\/strong>: \u201cTurma, turma, venham\u201d. De novo, o<\/p>\n<p>A silepse \u00e9 de g\u00eanero quando se troca o masculino pelo feminino (ou vice-versa). Em \u201cS\u00e3o Paulo est\u00e1 assustad\u00edssima com a brutalidade\u201d, exemplo cl\u00e1ssico, o adjetivo \u201cassustad\u00edssima\u201d, no feminino, n\u00e3o concorda com \u201cS\u00e3o Paulo\u201d, nome de santo, masculino, mas com \u201ccidade\u201d, palavra que n\u00e3o foi dita ou escrita. O mesmo processo se d\u00e1 quando se diz \u201cPorto Alegre \u00e9 linda\u201d. \u201cPorto\u201d \u00e9 palavra masculina, mas a concord\u00e2ncia de \u201clinda\u201d tamb\u00e9m se d\u00e1 com \u201ccidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>Em certos casos, ocorrem, simultaneamente, a silepse de g\u00eanero e a de n\u00famero, como se v\u00ea neste exemplo, transcrito do \u201cDicion\u00e1rio Houaiss\u201d<\/strong>: \u201cQue ser\u00e1 de n\u00f3s, com a bandidagem podendo andar soltos por a\u00ed\u201d. Na frase, o adjetivo \u201csoltos\u201d n\u00e3o concorda com a forma singular e feminina da palavra \u201cbandidagem\u201d, mas com sua id\u00e9ia (\u201cos bandidos\u201d).<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>\u00c9 bom lembrar que a Silepse tamb\u00e9m \u00e9 chamada de \u201cconcord\u00e2ncia ideol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<p><strong>SINESTESIA<\/strong><\/p>\n<p>A proxima\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Naquele momento, sentiu um CHEIRO VERMELHO de \u00f3dio.<br \/>\n(CHEIRO, olfato \u2013 VERMELHO, vis\u00e3o)<\/p>\n<p><strong>ZEUGMA<\/strong><\/p>\n<p>O miss\u00e3o de um ou mais elementos de uma ora\u00e7\u00e3o, mas que j\u00e1 foram mencionados em outra.<\/p>\n<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 Palavras e Frases<\/b><\/p>\n<p>Praticamente todas as situa\u00e7\u00f5es de nossa vida, temos a disposi\u00e7\u00e3o palavras e express\u00f5es que traduzem as nossas sensa\u00e7\u00f5es emo\u00e7\u00f5es. Mas nem sempre utilizamos as mesmas palavras express\u00f5es em todas as situa\u00e7\u00f5es que vivemos.<\/p>\n<p>Para as situa\u00e7\u00f5es comuns, corriqueiras, temos um determinado n\u00famero de palavras e express\u00f5es que traduzem muito bem aquilo que queremos comunicar. Elas vem automaticamente a nossa cabe\u00e7a e s\u00e3o facilmente entendidas por todos.<\/p>\n<p>Mas existem situa\u00e7\u00f5es em que essas palavras e frases corriqueiras n\u00e3o conseguem traduzir com exatid\u00e3o aquilo que estamos sentindo.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s desse modo de dizer, diferente do comum procuramos enfatizar a nossas sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As<strong>\u00a0figuras de linguagem<\/strong>\u00a0servem exatamente para expressar aquilo que linguagem comum, falada, escrita e aceita por todos n\u00e3o consegue expressar satisfatoriamente. S\u00e3o uma forma do homem assimilar e expressar experi\u00eancias diferentes, desconhecidas e novas. Por isso elas revelam muito da sensibilidade de quem produz, forma como cada indiv\u00edduo encara as suas experi\u00eancias no mundo.<\/p>\n<p><strong>Figuras de linguagem<\/strong><\/p>\n<p>Palavra ou grupo de palavras utilizadas para dar \u00eanfase a uma id\u00e9ia ou sentimento.<\/p>\n<p><strong>As mais difundidas, s\u00e3o as seguintes:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Figuras de Palavras (TROPOS)<\/strong><\/p>\n<p>As figuras de palavras consistem no emprego de um termo em um sentido diferente daquele em que esse termo \u00e9 convencionalmente empregado.<\/p>\n<p>Por exemplo, convencionalmente, o termo \u201cporta designa\u201d uma pe\u00e7a de madeira ou que gira sob dobradi\u00e7as que tem a fun\u00e7\u00e3o ao de fechar m\u00f3veis, autom\u00f3veis e constru\u00e7\u00f5es, etc. .<\/p>\n<p><strong>Mas quando dizemos:<\/strong>\u00a0\u201cFulano n\u00e3o entende nada. \u201cEle \u00e9 uma porta\u201d , o termo \u201cporta\u201d n\u00e3o se referindo aquela pe\u00e7a de madeira ou de metal.<\/p>\n<p>Nesse caso, a palavra porta esta sendo utilizada num sentido diferente do convencional, para definir a dificuldade compreens\u00e3o, a burrice do Fulano.<\/p>\n<p><strong>Outro exemplo<\/strong>: \u201d a porta dos sentimentos\u201d . \u00c9 claro que a palavra tamb\u00e9m. neste caso, n\u00e3o esta sendo utilizada no seu sentido convencional. \u201cErrar a porta\u201d , nesta frase, sugere um ganho, uma desilus\u00e3o. Nesses dois casos termos figuras de palavras.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos tamb\u00e9m em que um termo, que originalmente designa alguma coisa especifica, tem seu sentido ampliado, passando a designar algo gen\u00e9rico. Temos exemplo do \u201cDanone\u201d. O nome do produto \u00e9 iogurte; Danone \u00e9 a marca do iogurte produzido por um determinada fabricante. Mas a marca foi identificada de tal forma com o produto que, em vez de dizermos \u201cVou comprar um iogurte\u201d, freq\u00fcentemente dizemos \u201cVou comprar um danone\u201d , mesmo quando o iogurte que compramos \u00e9 de uma outra marca (Chambourcy, Pauli, Batavo, etc.). A palavra \u201cDanone\u201d , que designava um tipo de iogurte, teve seu significado ampliado e passou a designar o produto de uma forma geral.<\/p>\n<p>As figuras de palavras podem ser utilizadas tanto para tornar mais expressivo aquilo que queremos comunicar quanto para suprir a falta de um termo adequado que designe alguma coisa. Al\u00e9m disso, elas fazem com que a l\u00edngua se torne mais econ\u00f4mica, uma vez que uma \u00fanica palavra, dependendo do contexto, pode assumir os mais diferentes significados.<\/p>\n<p><strong>FIGURAS DE SOM OU DE HARMONIA<\/strong><\/p>\n<p>Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando h\u00e1 repeti\u00e7\u00e3o de sons ao longo de uma ora\u00e7\u00e3o ou texto, ou ainda quando<br \/>\nse procura \u201cimitar\u201d os barulhos e sons produzidos pelas coisas ou seres.<\/p>\n<p><strong>ALITERA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Alitera\u00e7\u00e3o \u00e9 a figura de som provocada pela incid\u00eancia reiterada de algumas consoantes ou fonemas consonantes.<\/p>\n<p>\u201cQue um Fraco Rei Faz Fraca a forte gente! \u201c<\/p>\n<p>A letra de Caetano Veloso para a m\u00fasica `Pipoca moderna\u2019 \u00e9 constru\u00edda toda a partir de alitera\u00e7\u00f5es sobre os fonemas \/ n \/ e \/ p \/ .<\/p>\n<p><strong>Leia em voz alta para perceber o efeito sonoro criado por essas alitera\u00e7\u00f5es:<\/strong><\/p>\n<p>e era Nada de Nem Noite de Nego N\u00e3o e era N\u00ea de Nunca mais<br \/>\ne era Noite de N\u00ea Nunca de Nada mais e era Nem de Negro N\u00e3o<br \/>\nPor\u00e9m Parece que a golpes de P\u00ea de P\u00e9 de P\u00e3o<br \/>\nde Parecer Poder<br \/>\n(e era N\u00e3o de Nada Nem)<\/p>\n<p>Aqui, as alitera\u00e7\u00f5es marcam fortemente o ritmo ocorrerem a intervalos regulares. Esses intervalos n\u00e3o s\u00e3o, cada verso, nunca maiores que duas s\u00edlabas.<\/p>\n<p><strong>A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o ocorre no verso ` `por\u00e9m parece que a golpes de p\u00ea\u201d onde o intervalo maior acentua a mudan\u00e7a do fonema te ma:\u00a0<\/strong>a partir desse verso e nos dois que se seguem a alitera\u00e7\u00e3o recair\u00e1 sobre o fonema \/ p \/ .<\/p>\n<p><strong>ASSON\u00c2NCIA<\/strong><\/p>\n<p>Asson\u00e2ncia \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o de vogais e de s\u00edlabas semelhantes, mas n\u00e3o id\u00eanticas.<\/p>\n<p><strong>Observe:\u00a0<\/strong>\u201cSou Ana, da cama da cana, fulana, bacana Sou Ana de Amsterdaim\u201d. (Chico Buarque de Holanda)<\/p>\n<p><strong>O segmento -ana aparece repetido cinco vezes ao longo dos tr\u00eas versos<\/strong>: \u00e0s vezes, \u201cAna\u201d \u00e9 um segmento aut\u00f4nomo, uma palavra; outras, -ana aparece repetido no interior de outras palavras (em cana, fulana, bacana) . Se voc\u00ea. ler o. trecho em voz alta, vai perceber que -ama (de cama) e n primeiro -am de Amsterdam (perceba que o segundo -arri \u00e9 urna grafia do fonema nasal \/ \u00e3 \/ , enquanto no primeiro pronunciamos o m) s\u00e3o sons muito pr\u00f3ximos ao do segmento -ana.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a essa repeti\u00e7\u00e3o de segmentos com sons semelhantes, em v\u00e1rias palavras de um mesmo texto, que chamamos asson\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Mas a asson\u00e2ncia pode ainda ser obtida pela repeti\u00e7\u00e3o de uma vogal:<\/strong><\/p>\n<p><strong>PARONOMASIA<\/strong><\/p>\n<p>Paronom\u00e1sia \u00e9 a figura de som que consiste no emprego de palavras par\u00f4nimas, ou seja, palavras semelhantes no som, por\u00e9m com significa\u00e7\u00f5es diversas.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cHouve aquele tempo\u2026<\/p>\n<p>(E agora, que a chuva chora, ouve aquele tempo! )\u201d.<br \/>\n(Ribeiro Couto)<\/p>\n<p><strong>Os termos \u201chouve\u201d (verbo haver) e \u201couve\u201d (verbo ouvir) coincidem do ponto de vista sonoro, embora se grafem e formas diferentes e tenham significados diversos. !~ coincid\u00eancia sonora cria uma tens\u00e3o sem\u00e2ntica na poesia:.<\/strong>\u00a0ela da novas significa\u00e7\u00f5es \u00e0 rela\u00e7\u00e3o dos tempos presente e passado .<\/p>\n<p><b>Figuras de Linguagem \u2013 L\u00edngua Portuguesa<\/b><\/p>\n<p><strong>Figuras de linguagem\u00a0<\/strong>s\u00e3o estrat\u00e9gias liter\u00e1rias que um escritor pode aplicar em determinado texto com o objetivo de fazer um efeito determinado na interpreta\u00e7\u00e3o do leitor, s\u00e3o formas de express\u00e3o que caracterizam formas globais no texto.<\/p>\n<p>Elas podem se relacionar com aspectos sem\u00e2nticos, fonol\u00f3gicos ou sint\u00e1ticos das palavras afetadas.<\/p>\n<p>Observando o di\u00e1logo entre dois amigos, percebi duas figuras de linguagem constantes no nosso vocabul\u00e1rio, (nomes fict\u00edcios).<\/p>\n<p><b>Jo\u00e3o:\u00a0<\/b>Antes de ir na casa da Paulinha, tive que subir l\u00e1 em cima do telhado para arrumar a antena para minha m\u00e3e.<br \/>\n<b>Marcos:<\/b>\u00a0Toda vez que voc\u00ea vai sair, voc\u00ea tem que arrumar a tal da antena da mam\u00e3e, j\u00e1 foram mais de um milh\u00e3o de vezes, incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Podemos perceber na conversa do Jo\u00e3o e Marcos, duas figuras de linguagem muito utilizadas, a primeira foi o pleonasmo \u201ctive que subir l\u00e1 em cima\u201d.<\/p>\n<p>Quem sobe, logicamente foi para cima, pois \u00e9 imposs\u00edvel subir para baixo.<\/p>\n<p><strong>O Pleonasmo possui essa caracter\u00edstica, trata-se de id\u00e9ias j\u00e1 ditas e que s\u00e3o novamente \u201cditas ou confirmadas\u201d, s\u00e3o expressas por id\u00e9ias iguais, exemplo:\u00a0<\/strong>Subir para cima, descer l\u00e1 em baixo, Vi com os meus pr\u00f3prios olhos.<\/p>\n<p><strong>Podemos perceber tamb\u00e9m na conversa, a segunda figura de linguagem, que \u00e9 a hip\u00e9rbole<\/strong>: \u201cj\u00e1 foram mais de um milh\u00e3o de vezes\u201d.<\/p>\n<p>Ocorre a hip\u00e9rbole quando h\u00e1 um exagero na id\u00e9ia expressa, de modo a acentuar de forma dram\u00e1tica aquilo que se quer dizer, transmitindo uma imagem inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>BomBril, a esponja de a\u00e7o com mil e uma utilidades.<br \/>\nJ\u00e1 te avisei mais de mil vezes.<br \/>\nRios te correr\u00e3o dos olhos, se chorares! (Olavo Bilac).<\/p>\n<p><strong>As principais figuras de Palavras s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Alegoria<br \/>\nAnt\u00edfrase<br \/>\nMet\u00e1fora<br \/>\nMeton\u00edmia ou Sin\u00e9doque<br \/>\nCompara\u00e7\u00e3o simples<br \/>\nCompara\u00e7\u00e3o por s\u00edmile<br \/>\nHip\u00e1lage<br \/>\nIronia<br \/>\nSarcasmo<br \/>\nCatacrese<br \/>\nSinestesia<br \/>\nAntonom\u00e1sia<br \/>\nMetalepse<br \/>\nOnomatop\u00e9ia<br \/>\nAnt\u00edtese<br \/>\nParadoxo<br \/>\nPer\u00edfrase<br \/>\nEufemismo<br \/>\nDisfemismo<br \/>\nHip\u00e9rbole<br \/>\nGrada\u00e7\u00e3o<br \/>\nProsopop\u00e9ia ou Personifica\u00e7\u00e3o<br \/>\nAp\u00f3strofe<\/p>\n<p><strong>As Principais figuras de Constru\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Analepse (oposto de prolepse)<br \/>\nAnacoluto<br \/>\nAnadiplose<br \/>\nAn\u00e1fora<br \/>\nAss\u00edndeto<br \/>\nAlitera\u00e7\u00e3o<br \/>\nAsson\u00e2ncia<br \/>\nCl\u00edmax<br \/>\nDi\u00e1cope<br \/>\nEp\u00edstrofe<br \/>\nEpiz\u00eauxis<br \/>\nInvers\u00e3o ou Hip\u00e9rbato<br \/>\nElipse<br \/>\nParanom\u00e1sia<br \/>\nPleonasmo<br \/>\nPoliss\u00edndeto<br \/>\nProlepse (oposto de analepse)<br \/>\nSilepse<br \/>\nZeugma<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/br.geocities.com\/intervox.nce.ufrj.br\/www.graudez.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Figuras de Linguagem \u2013 O que \u00e9 Figuras de Linguagem\u00a0diz respeito \u00e0s formas conotativas das palavras. 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