{"id":81402,"date":"2016-08-23T16:02:40","date_gmt":"2016-08-23T16:02:40","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81402"},"modified":"2026-06-09T15:38:32","modified_gmt":"2026-06-09T17:38:32","slug":"figuras-de-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/figuras-de-construcao","title":{"rendered":"Figuras de Constru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>Figuras de Constru\u00e7\u00e3o \u2013 O que \u00e9<\/b><\/p>\n<p>Muitas figuras de linguagem est\u00e3o diretamente relacionados com tra\u00e7os sint\u00e1ticos da gram\u00e1tica (ou pode ser melhor compreendida em termos de linguagem da gram\u00e1tica convencional).<\/p>\n<p>As figuras de\u00a0<strong>sintaxe ou de constru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0dizem respeito a desvios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concord\u00e2ncia entre os termos da ora\u00e7\u00e3o, sua ordem, poss\u00edveis repeti\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Figuras de Constru\u00e7\u00e3o ou sintaxe:<\/strong>\u00a0determinam mudan\u00e7as na estrutura comum das ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Elas podem ser constru\u00eddas por:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) omiss\u00e3o:\u00a0<\/strong>ass\u00edndeto, elipse e zeugma;<br \/>\n<strong>b) repeti\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>an\u00e1fora, pleonasmo e poliss\u00edndeto;<br \/>\n<strong>c) invers\u00e3o:\u00a0<\/strong>an\u00e1strofe, hip\u00e9rbato, s\u00ednquise e hip\u00e1lage;<br \/>\n<strong>d) ruptura:\u00a0<\/strong>anacoluto;<br \/>\n<strong>e) concord\u00e2ncia ideol\u00f3gica:\u00a0<\/strong>silepse.<\/p>\n<p><strong>Portanto, s\u00e3o figuras de constru\u00e7\u00e3o ou sintaxe:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elipse<\/strong><\/p>\n<p>Omiss\u00e3o de um termo ou express\u00e3o facilmente subentendida.<\/p>\n<p>Significa, em gram\u00e1tica, omiss\u00e3o. Essa \u00e9 a palavra-chave. Quando se omite algum termo ou palavra de um enunciado, tem-se a elipse. Vale lembrar que essa omiss\u00e3o deve ser captada pelo leitor, que pode deduzi-la a partir do contexto, da situa\u00e7\u00e3o comunicativa.<\/p>\n<p>\u00c9 a omiss\u00e3o de um termo ou de uma ora\u00e7\u00e3o inteira que j\u00e1 foi dita ou escrita antes, sendo que esta omiss\u00e3o fica subentendida pelo contexto.<\/p>\n<p>Consiste na omiss\u00e3o de um termo facilmente identific\u00e1vel pelo contexto. &#8220;Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.&#8221; (omiss\u00e3o de havia)<\/p>\n<p><strong>Casos mais comuns:<\/strong><\/p>\n<p><b>a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou impl\u00edcito:\u00a0<\/b>iremos depois, comprar\u00edeis a casa?<b><br \/>\nb) substantivo \u2013<\/b>\u00a0a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracan\u00e3, no ligar de o est\u00e1dio Maracan\u00e3<b><br \/>\nc) preposi\u00e7\u00e3o \u2013<\/b><strong>\u00a0estar b\u00eabado, a camisa rota, as cal\u00e7as rasgadas, no lugar de<\/strong>: estar b\u00eabado, com a camisa rota, com as cal\u00e7as rasgadas.<b><br \/>\nd) conjun\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b>\u2013\u00a0<strong>espero voc\u00ea me entenda, no lugar de<\/strong>: espero que voc\u00ea me entenda.<b><br \/>\ne) verbo \u2013\u00a0<\/b><strong>queria mais ao filho que \u00e0 filha, no lugar de<\/strong>: queria mais o filho que queria \u00e0 filha. Em especial o verbo dizer em di\u00e1logos\u00a0<strong>\u2013 E o rapaz<\/strong>: \u2013 N\u00e3o sei de nada !, em vez de E o rapaz disse.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Eu vi coisas lindas, realmente emocionantes; ela, coisas abomin\u00e1veis, terr\u00edveis aos seus olhos. [omitiu-se o verbo ver em ela (viu) coisas abomin\u00e1veis\u2026];<br \/>\n<b>Rico, podia fazer o que quisesse [omitiu-se a ora\u00e7\u00e3o inteira:<\/b>\u00a0(<strong>Porque era<\/strong>) rico, podia fazer o que quisesse];<br \/>\nEmpreste-me essa folha [omitiu-se de papel: folha (<strong>de papel<\/strong>)];<br \/>\nTodos esperamos se fa\u00e7a justi\u00e7a [<b>omitiu-se a conjun\u00e7\u00e3o que<\/b>: esperamos (que) se fa\u00e7a justi\u00e7a]<br \/>\nSobre a mesa, apenas uma garrafa. (omiss\u00e3o do verbo haver.)<br \/>\nEsta garota veio sem pinturas, uma saia rosa, um moletom, sapatos vermelhos. (omiss\u00e3o da palavra com.)<\/p>\n<p><strong>Curiosidade:<\/strong>\u00a0<strong>Em di\u00e1logos tamb\u00e9m \u00e9 usual a elipse<\/strong>: na bilheteria de um teatro, apenas perguntamos \u201c- Quanto custa?\u201d. O contexto, a situa\u00e7\u00e3o em que foi feita a pergunta leva-nos ao termo omitido \u2013 \u201ca entrada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Zeugma<\/strong><\/p>\n<p>Omiss\u00e3o (elipse) de um termo que j\u00e1 apareceu antes. Se for verbo, pode necessitar adapta\u00e7\u00f5es de n\u00famero e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, nas or. comparativas.<\/p>\n<p>\u00c9 um tipo de elipse. Ocorre zeugma quando duas ora\u00e7\u00f5es compartilham o termo omitido. Isto \u00e9, quando o termo omitido \u00e9 o mesmo que aparece na ora\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p>\u00c9 um caso espec\u00edfico da elipse. Ocorre quando o termo omitido j\u00e1 tiver sido expresso anteriormente.<\/p>\n<p>Consiste na elipse de um termo que j\u00e1 apareceu antes. Ele prefere cinema; eu, teatro. (omiss\u00e3o de prefiro)<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Quando a flex\u00e3o do verbo omitido \u00e9 exatamente a mesma do verbo da ora\u00e7\u00e3o anterior, tem se a zeugma simples. Quando a flex\u00e3o \u00e9 diferente, tem-se a zeugma complexa.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Na terra dele s\u00f3<strong>\u00a0havia<\/strong>\u00a0mato; na minha, s\u00f3 pr\u00e9dios. [\u2026na minha, s\u00f3\u00a0<strong>(havia<\/strong>) pr\u00e9dios] Meus primos\u00a0<strong>conheciam<\/strong>\u00a0todos. Eu, poucos. [Eu (<strong>conhecia<\/strong>) poucos]<br \/>\n<strong>Alguns estudam, outros n\u00e3o, por<\/strong>: alguns estudam, outros n\u00e3o estudam.<br \/>\n\/ \u201cO meu pai era paulista \/ Meu av\u00f4, pernambucano \/ O meu bisav\u00f4, mineiro \/ Meu tatarav\u00f4, baiano.\u201d (Chico Buarque) \u2013 omiss\u00e3o de era<\/p>\n<p>O mar \u00e9 lago sereno O c\u00e9u, manto azulado (Casimiro de Abreu)<\/p>\n<p>(omiss\u00e3o no 2\u00ba verso do verbo ser.)<\/p>\n<p>Precisarei de v\u00e1rios ajudantes. De um que pinte a parede e de outros que tomem conta das refei\u00e7\u00f5es. (houve zeugma do termo ajudante e ajudantes)<br \/>\nVoc\u00ea me corta um verso, eu escrevo outro. (<b>zeugma do termo verso:<\/b>\u00a0\u201ceu escrevo outro verso.\u201d)<\/p>\n<p><strong>Poliss\u00edndeto<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o expressiva da conjun\u00e7\u00e3o coordenativa. Todo uso repetido da conjun\u00e7\u00e3o e constitui um poliss\u00edndeto.<\/p>\n<p>Consiste na repeti\u00e7\u00e3o de conectivos ligando termos da ora\u00e7\u00e3o ou elementos do per\u00edodo. &#8220;E sob as ondas ritmadas e sob as nuvens e os ventos e sob as pontes e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o v\u00f4mito (\u2026)&#8221;<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>V\u00e3o chegando as burguesinhas pobres, e as crian\u00e7as das burguesinhas ricas, e as mulheres do povo, e as lavadeiras (Manuel Bandeira)<br \/>\nE o menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata, e abusa de toda paci\u00eancia nossa deste mundo!<\/p>\n<p><strong>Ass\u00edndeto<\/strong><\/p>\n<p>Vem do grego, syndeton, que significa conjun\u00e7\u00e3o. \u00c9 a aus\u00eancia de conjun\u00e7\u00f5es coordenativas (aquelas que ligam ora\u00e7\u00f5es ou termos coordenados, independentes) no encadeamento dos enunciados.<\/p>\n<p>\u00c9 a inexist\u00eancia de conectivo (conjun\u00e7\u00e3o) para criar um efeito de nivelamento e simultaneidade entre os detalhes apreendidos. Toda omiss\u00e3o da conjun\u00e7\u00e3o e constitui um ass\u00edndeto.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Ela me olhava, lavava, olhava novamente, espirrava, voltava a trabalhar (n\u00e3o apareceu conjun\u00e7\u00e3o alguma para ligar as ora\u00e7\u00f5es).<br \/>\nEu nunca tive gl\u00f3ria, amores, dinheiro, perd\u00e3o (n\u00e3o apareceu conjun\u00e7\u00e3o alguma para ligar os termos que complementam o verbo ter).<br \/>\nN\u00e3o sopra o vento; n\u00e3o gemem as vagas; n\u00e3o murmuram os rios.<br \/>\nO musicista foi ao clube, tocou seu instrumento, agradou, foi embora.<br \/>\nFomos, vimos o lugar, comentamos com o porteiro, sa\u00edmos sem dizer nada.<\/p>\n<p><strong>Pleonasmo<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma repeti\u00e7\u00e3o que envolve uma redund\u00e2ncia, isto \u00e9, repeti\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria que ocorre para dar \u00eanfase.<\/p>\n<p>\u00c9 a reitera\u00e7\u00e3o, a repeti\u00e7\u00e3o, o refor\u00e7o de uma id\u00e9ia j\u00e1 expressa por alguma palavra, termo ou express\u00e3o. \u00c9 reconhecido como figura de sintaxe quando utilizado com fins estil\u00edsticos, como a \u00eanfase intencional a uma id\u00e9ia; sendo resultado da ignor\u00e2ncia ou do descuido do usu\u00e1rio da l\u00edngua, \u00e9 considerado como um v\u00edcio de linguagem (<strong>pleonasmo vicioso<\/strong>).<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Vamos sair fora! (se \u00e9 sair, obviamente \u00e9 para fora)<br \/>\nQue tal subir l\u00e1 em cima e tomar um bom vinho? (se \u00e9 subir, obviamente \u00e9 para cima)<br \/>\n\u201cEu nasci h\u00e1 dez mil anos atr\u00e1s\u201d (se \u00e9 h\u00e1, s\u00f3 pode ser atr\u00e1s)<br \/>\nEssa empresa tem o monop\u00f3lio exclusivo da banana (se \u00e9 monop\u00f3lio, obviamente \u00e9 exclusivo)<br \/>\nA mim, voc\u00ea n\u00e3o me engana (o verbo enganar tem dois complementos \u2013 a mim e me; eis um caso de objeto pleon\u00e1stico)<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:<\/b><\/p>\n<p>O pleonasmo vicioso (\u201centrar para dentro\u201d, \u201csubir para cima\u201d) \u00e9 um defeito de linguagem.<\/p>\n<p>Um recurso liter\u00e1rio bastante difundido \u00e9 o ep\u00edteto de natureza, que n\u00e3o deve ser considerado como um pleonasmo vicioso. Serve, por fins estil\u00edsticos, para refor\u00e7ar uma caracter\u00edstica que j\u00e1 \u00e9 natural ao ser.\u00a0<strong>Exemplos<\/strong>: c\u00e9u azul, pedra dura, chuva molhada.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Estou vendo terra com meus pr\u00f3prios olhos!!!<br \/>\nA mim ningu\u00e9m me engana.<\/p>\n<p><strong>Invers\u00e3o ou Hip\u00e9rbato<\/strong><\/p>\n<p>Altera\u00e7\u00e3o ou invers\u00e3o da ordem direta dos termos na ora\u00e7\u00e3o, ou das ora\u00e7\u00f5es no per\u00edodo. S\u00e3o determinadas por \u00eanfase e podem at\u00e9 gerar anacolutos.<\/p>\n<p>Consiste na mudan\u00e7a da ordem natural dos termos na frase. &#8220;De tudo ficou um pouco. Do meu medo. Do teu asco.&#8221;<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00f5es:<\/b><\/p>\n<p>Bechara denomina esta figura antecipa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe a invers\u00e3o for violenta, comprometendo o sentido drasticamente, Rocha Lima e Celso Cunha denominam-na s\u00ednquise<br \/>\nRL considera an\u00e1strofe um tipo de hip\u00e9rbato<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p><strong>Morreu o presidente, por<\/strong>: O presidente morreu.<br \/>\nDan\u00e7a, \u00e0 noite, o casal de apaixonados no clube.\u00a0<strong>Ordem direta<\/strong>: O casal de apaixonados dan\u00e7a no clube \u00e0 noite.<br \/>\nAves, Desisti de ter!\u00a0<strong>Ordem direta<\/strong>: Desisti de ter aves !<\/p>\n<p><strong>Anacoluto<\/strong><\/p>\n<p>Termo solto na frase, quebrando a estrutura\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Normalmente, inicia-se uma determinada constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica e depois se opta por outra.<\/p>\n<p>Toda falta de nexo sint\u00e1tico entre o princ\u00edpio da frase e o seu fim provoca um anacoluto. Ocorre geralmente quando o sujeito fica sem predicado e quando se usa um verbo no infinitivo, com sua repeti\u00e7\u00e3o no meio da frase.<\/p>\n<p>Consiste em deixar um termo solto na frase. Normalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica e depois se opta por outra. A vida, n\u00e3o sei realmente se ela vale alguma coisa.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Eu, parece-me que vou desmaiar. \/ Minha vida, tudo n\u00e3o passa de alguns anos sem import\u00e2ncia (sujeito sem predicado) \/ Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as rela\u00e7\u00f5es entre termos da ora\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Eu parece que estou ficando zonzo.<br \/>\nMorrer, todo o mundo vai morrer.<\/p>\n<p><strong>Silepse<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a concord\u00e2ncia com a id\u00e9ia, e n\u00e3o com a palavra escrita.<\/p>\n<p>\u00c9 uma figura de sintaxe e ocorre quando a concord\u00e2ncia \u00e9 feita pelo sentido e n\u00e3o pela forma gramatical, como a pr\u00f3pria etimologia da palavra explica.<\/p>\n<p>Podemos ter silepse de n\u00famero, de g\u00eanero e de pessoa.<\/p>\n<p>Consiste na concord\u00e2ncia n\u00e3o com o que vem expresso, mas com o que se sebentende, com o que est\u00e1 impl\u00edcito.<\/p>\n<p><strong>Existem tr\u00eas tipos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a) de g\u00eanero (masc x fem):<\/strong>\u00a0S\u00e3o Paulo continua polu\u00edda (= a cidade de S\u00e3o Paulo). V. S\u00aa \u00e9 lisonjeiro<strong><br \/>\nb) de n\u00famero (sing x pl):<\/strong>\u00a0Os Sert\u00f5es contra a Guerra de Canudos (= o livro de Euclides da Cunha). O casal n\u00e3o veio, estavam ocupados.<strong><br \/>\nc) de pessoa<\/strong>: Os brasileiros somos otimistas (3\u00aa pess \u2013 os brasileiros, mas quem fala ou escreve tamb\u00e9m participa do processo verbal)<\/p>\n<p><strong>A silepse pode ser:<\/strong><\/p>\n<p>De g\u00eanero Vossa Excel\u00eancia est\u00e1 preocupado.<br \/>\nDe n\u00famero Os lus\u00edadas glorificou nossa literatura.<br \/>\nDe pessoa &#8220;O que me parece inexplic\u00e1vel \u00e9 que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.&#8221;<\/p>\n<p><strong>a) Silepse de n\u00famero:\u00a0<\/strong>O caso mais comum ocorre quando o sujeito \u00e9 um coletivo ou uma palavra que, apesar de estar no singular, indica mais de um ser.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO povo lhe pediram que se chamasse Regedor.\u201d (Fern\u00e3o Lopes) povo = singular pediram = plural<br \/>\n\u201c\u2026e o casal esqueceram que havia mundo.\u201d (M\u00e1rio de Andrade) casal = singular esqueceram = plural<br \/>\nO quarteto cantaram velhos sucessos. quarteto = singular cantaram = plural<\/p>\n<p><strong>b) Silepse de g\u00eanero:\u00a0<\/strong>Os casos mais comuns s\u00e3o os de predicativos que concordam com a id\u00e9ia que est\u00e1 impl\u00edcita, e n\u00e3o com a forma gramatical.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 muito fria. (fria concorda com a palavra cidade)<br \/>\nFulano \u00e9 um crian\u00e7a. Fulano = masculino crian\u00e7a = feminino<br \/>\nVossa Alteza \u00e9 muito bondoso. Vossa Alteza = feminino bondoso = masculino<\/p>\n<p><strong>c) Silepse de pessoa:<\/strong>\u00a0Ocorre principalmente quando o sujeito expresso aparece na terceira pessoa e o verbo na primeira pessoa do plural; a id\u00e9ia \u00e9 que o narrador integra o sujeito.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins p\u00fablico. cariocas = 3\u00aa pessoa somos = 1\u00aa pessoa<br \/>\nOs jogadores somos incompetentes jogadores = 3\u00aa pessoa somos = 1\u00aa pessoa<\/p>\n<p><strong>Di\u00e1cope (Epizeuxe)<\/strong><\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o seguida de uma mesma palavra, podendo, de acordo com alguns te\u00f3ricos, haver voc\u00e1bulos entre elas.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Saia, saia j\u00e1 daqui, n\u00e3o quero v\u00ea-lo mais\u2026<br \/>\nLargue, vamos, largue esse v\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Ep\u00edstrofe<\/strong><\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o da mesma palavra ou express\u00f5es no final de cada ora\u00e7\u00e3o ou verso.<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>No mundo, as id\u00e9ias s\u00e3o perigosas. Na vida, as vontades s\u00e3o perigosas.<\/p>\n<p><strong>Asson\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o de vogais na mesma frase.<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>\u201cSou um mulato nato no sentido lato mulato democr\u00e1tico do litoral\u201d (Caetano Veloso \u2013 Ara\u00e7\u00e1 Azul)<\/p>\n<p><strong>Alitera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 toda repeti\u00e7\u00e3o de consoantes ou de s\u00edlabas em um verso ou uma frase.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>O rato roeu a roupa da rainha rapidamente, Roque?<br \/>\nVozes veladas, veludosas vozes, v\u00f3rtices vorazes\u2026<\/p>\n<p><strong>Paranom\u00e1sia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o encontro de palavras com sons quase id\u00eanticos, mas de significados diversos.<\/p>\n<p><b>Exemplo:<\/b><\/p>\n<p>Foi feito o corte para manter a corte.<\/p>\n<p><b>Figuras de Constru\u00e7\u00e3o \u2013 Frase<\/b><\/p>\n<p><strong>Figuras de sintaxe<\/strong><\/p>\n<p>Figuras pelas quais a constru\u00e7\u00e3o da frase se afasta, de algum modo, do modelo de uma estrutura gramatical, para dar destaque significativo, como processo estil\u00edstico, a algum membro da frase.<\/p>\n<p><strong>An\u00e1fora<\/strong><\/p>\n<p>An\u00e1fora \u00e9 a figura sint\u00e1tica que consiste na repeti\u00e7\u00e3o da mesma palavra ou constru\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de v\u00e1rias ora\u00e7\u00f5es, per\u00edodos ou versos.<\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o de uma mesma palavra no in\u00edcio de versos ou frases.<\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o em final de versos ou frases \u00e9 ep\u00edstrofe; repeti\u00e7\u00e3o no in\u00edcio e no fim ser\u00e1 s\u00edmploce. Classifica\u00e7\u00f5es propostas por Rocha Lima.<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:<\/b><\/p>\n<p>\u201cGrande no pensamento, grande na a\u00e7\u00e3o, grande na gl\u00f3ria, grande no infort\u00fanio, ele morreu desconhecido e s\u00f3.\u201d (Rocha Lima)<br \/>\n\u201cAmor \u00e9 um fogo que arde sem se ver; \u00c9 ferida que d\u00f3i e n\u00e3o se sente; \u00e9 um contentamento descontente E dor que desatina sem doer. \u201d (Cam\u00f5es) `<br \/>\n\u201cTudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere.\u201d (Vieira)<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>\u201cOlha a voz que me resta \/ Olha a veia que salta \/ Olha a gota que falta \/ Pro desfecho que falta \/ Por favor.\u201d (Chico Buarque)<\/p>\n<p><strong>An\u00e1strofe<\/strong><\/p>\n<p>Anteposi\u00e7\u00e3o, em express\u00f5es nominais, do termo regido de preposi\u00e7\u00e3o ao termo regente.<\/p>\n<p>\u00c9 a invers\u00e3o entre termo determinante (aquele que determina, constitu\u00eddo de preposi\u00e7\u00e3o + substantivo) e o determinado, que passa a vir depois do determinante.<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Para Rocha Lima \u00e9 um tipo de hip\u00e9rbato<\/p>\n<p><strong>Exemplos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDa morte o manto lutuoso vos cobre a todos.\u201d, por: O manto lutuoso da morte vos cobre a todos.<br \/>\nDa igreja estava ela na frente [a ordem natural seria Ela estava na frente da igreja; Da igreja \u00e9 o termo determinante, que, na an\u00e1strofe, veio antes do determinado (frente)] Aqueles rapazes, sim, por dinheiro s\u00e3o muito \u00e1vidos [a ordem natural seria Aqueles rapazes, sim, s\u00e3o muito \u00e1vidos por dinheiro; Por dinheiro \u00e9 o termo determinante, que, na an\u00e1strofe, veio antes do determinado (\u00e1vido)]<\/p>\n<p><strong>S\u00ednquise<\/strong><\/p>\n<p>Essa palavra vem do grego (s\u00fdgchysis) e significa confus\u00e3o. \u00c9 a invers\u00e3o muito violenta na ordem natural dos termos, de modo que a sua compreens\u00e3o seja seriamente prejudicada. Consiste, segundo alguns autores, em um v\u00edcio de linguagem, e n\u00e3o em uma figura de sintaxe com fins estil\u00edsticos.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>\u201cOuviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas de um povo her\u00f3ico o brado retumbante\u201d (<b>ordem natural<\/b>: As margens pl\u00e1cidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo her\u00f3ico)<br \/>\nDa verdade aquelas pessoas todas muito honestas voc\u00ea pode acreditar que sabiam (<b>ordem natural<\/b>: Voc\u00ea pode acreditar que todas aquelas pessoas, muito honestas, sabiam da verdade).<\/p>\n<p><strong>Prolepse (ou antecipa\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p>Deslocamento do termo de uma ora\u00e7\u00e3o para a ora\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>O Ministro do Planejamento dizem que vai pedir demiss\u00e3o [o sujeito da ora\u00e7\u00e3o vai pedir demiss\u00e3o (o Ministro do Planejamento) foi deslocado para antes da ora\u00e7\u00e3o principal (dizem)] Essas frutas parece que n\u00e3o prestam [o sujeito da ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o prestam (Essas frutas) foi deslocado para antes da ora\u00e7\u00e3o principal (parece)]<\/p>\n<p><strong>Poliss\u00edndeto<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o contr\u00e1rio do ass\u00edndeto. \u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o das conjun\u00e7\u00f5es coordenativas (principalmente as aditivas e e nem), com o fim de incutir no discurso a no\u00e7\u00e3o de movimento, rapidez e ritmo.<\/p>\n<p><b>Exemplos:<\/b><\/p>\n<p>Ela me olhava, e lavava, e olhava novamente, e espirrava, e voltava a trabalhar (foi repetida a conjun\u00e7\u00e3o coordenativa aditiva e).<br \/>\nEu nunca tive gl\u00f3ria, nem amores, nem dinheiro, nem perd\u00e3o (foi repetida a conjun\u00e7\u00e3o coordenativa aditiva<\/p>\n<p><strong>Figuras de cria\u00e7\u00e3o ou (figuras de sintaxe)<\/strong><\/p>\n<p>A gram\u00e1tica normativa, partindo de aspectos l\u00f3gicos e gerais observados na l\u00edngua culta, aponta princ\u00edpios que presidem \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia ou interdepend\u00eancia e de ordem das palavras na frase. Ensina-nos, entretanto, que aqueles aspectos l\u00f3gicos e gerais n\u00e3o s\u00e3o exclusivos; ocasionalmente, outros fatores podem influir e, em fun\u00e7\u00e3o deles, a concord\u00e2ncia, a reg\u00eancia ou a coloca\u00e7\u00e3o (planos em que se faz o estudo da estrutura da frase) apresentam-se, \u00e0s vezes, alteradas. Tais altera\u00e7\u00f5es denominam-se\u00a0<strong>figuras de constru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m chamadas de\u00a0<strong>figuras sint\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 considerada como figura de constru\u00e7\u00e3o a \u201cInvers\u00e3o\u201d, aonde ocorre a mudan\u00e7a da ordem direta dos termos na frase (sujeito + predicado + complementos).<\/p>\n<p><strong>Exs.<\/strong>:\u201dOuviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas De um povo heroico o brado retumbante\u201d (Hino Nacional Brasileiro) (<b>ordem direta<\/b>: As margens do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.)<\/p>\n<p><strong>Antecipa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Antecipa\u00e7\u00e3o de termo ou express\u00e3o, como recurso enf\u00e1tico. Pode gerar anacoluto.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Joana creio que veio aqui hoje. O tempo parece que vai piorar<\/p>\n<p><b>Observa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/b>Celso Cunha denomina-a prolepse.<\/p>\n<p><b>Figuras sint\u00e1ticas ou de constru\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>As<strong>\u00a0figuras sint\u00e1ticas ou de constru\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0dizem respeito a desvios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concord\u00e2ncia entre os termos da ora\u00e7\u00e3o e \u00e3 ordem em que estes termos aparecem, ou ainda a poss\u00edveis repeti\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es e termos.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve lembrar que o estudo dos termos da ora\u00e7\u00e3o , das rela\u00e7\u00f5es existentes entre as diversas palavras que formam uma ora\u00e7\u00e3o e \/ ou um per\u00edodo \u00e9 chamado an\u00e1lise sint\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 constru\u00edda segundo a estrutura b\u00e1sica do portugu\u00eas<\/strong>: sujeito + predicado.<\/p>\n<p><strong>Todos os termos essenciais \u2013 sujeito, verbo, complementos \u2013 aparecem na ora\u00e7\u00e3o e est\u00e3o na ordem direta (primeiro vem o sujeito \u201cela\u201d , seguido do verbo \u201cdeu\u201d e de seus complementos:<\/strong>\u00a0\u201cdinheiro\u201d , objeto direto, e \u201caos rapazes\u201d, objeto indireto).<\/p>\n<p><strong>A mesma id\u00e9ia pode, no entanto, ser comunicada d outras formas<\/strong>: basta que se altere a ordem dos termos ora\u00e7\u00e3o, ou se repita ou se elimine alguns termos.<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o completa e na ordem direta destacam e enfatizam alguns aspectos da informa\u00e7\u00e3o que se quer passar. Essas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o, portanto, expressivas. Elas demonstram possibilidade de cada indiv\u00edduo transmitir uma mesma id\u00e9ia de formas diferentes.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e2 concord\u00e2ncia nominal e verbal, realizada segundo as normas gramaticais, ocorre o mesmo<\/strong>: os desvios podem ser expressivamente considerados.<\/p>\n<p><b>Poliss\u00edndeto<\/b><\/p>\n<p>Poliss\u00edndeto \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o expressiva da conjun\u00e7\u00e3o coordenativa.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong><\/p>\n<p>\u201cV\u00e3o chegando as burguesinhas pobres e as crian\u00e7as das burguesinhas ricas e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza\u201d<br \/>\nE eu, e voc\u00ea, e todos aqueles que acreditavam na nossa luta assumimos publicamente o compromisso.<\/p>\n<p><b>Hip\u00e9rbato ou invers\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Hip\u00e9rbato ou invers\u00e3o \u00e9 a figura sint\u00e1tica que consiste na invers\u00e3o da ordem natural e direta dos termas da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Observe<\/b><\/p>\n<p><b>\u201cPasseiam, \u00e0 tarde, as belas na Avenida.\u201d<\/b>\u00a0<b>(Carlos Drummond de Andrade)<\/b><\/p>\n<p>( = As belas passeiam na Avenida \u00e0 carde.)<\/p>\n<p><b>\u201cPassarinho, desisti de ter.\u201d (Rubem Braga)<\/b><\/p>\n<p>( = Desisti de ter passarinho.)<\/p>\n<p><b>\u201cNada pode a m\u00e1quina inventar das coisas.\u201d (Carlos Drummond de Andrade)<\/b><\/p>\n<p>( = A m\u00e1quina nada pode inventar das coisas.)<\/p>\n<p><b>\u201cEnquanto manda as ninfas amorosas grinal nas cabe\u00e7as p\u00f4r de rosas. \u201c(Cam\u00f5es)<\/b><\/p>\n<p>( = Enquanto manda as ninfas amorosas p\u00f4r grinaldas de nas cabe\u00e7as. )<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.graudez.com.br\/www.tradutorweb.com.br\/geocities.yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Figuras de Constru\u00e7\u00e3o \u2013 O que \u00e9 Muitas figuras de linguagem est\u00e3o diretamente relacionados com tra\u00e7os sint\u00e1ticos da gram\u00e1tica (ou pode ser melhor compreendida em termos de linguagem da gram\u00e1tica convencional). 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