{"id":81217,"date":"2016-08-22T22:16:02","date_gmt":"2016-08-22T22:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=81217"},"modified":"2026-07-02T10:40:06","modified_gmt":"2026-07-02T12:40:06","slug":"coesao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/portugues\/coesao","title":{"rendered":"Coes\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><b>Coes\u00e3o \u2013 O que \u00e9<\/b><\/p>\n<p><b>Leia o texto a seguir completando mentalmente as lacunas:<\/b><\/p>\n<p>1. O papa Jo\u00e3o Paulo II disse ontem, dia de seu 77\u00ba anivers\u00e1rio, que seu desejo<br \/>\n2. \u00e9 \u201cser melhor\u201d. \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.. reuniu-se na igreja romana de Ant\u2019Attanasio com<br \/>\n3.\u00a0<strong>um grupo de crian\u00e7as, uma das quais disse<\/strong>: \u201cNo dia do meu anivers\u00e1rio<br \/>\n4. minha m\u00e3e sempre pergunta o que eu quero.E voc\u00ea, o que quer? \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<br \/>\n5.\u00a0<strong>respondeu<\/strong>: \u201cSer melhor\u201d. Outro menino perguntou a \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 que<br \/>\n6. presente gostaria de ganhar neste dia especial. \u201cA presen\u00e7a das crian\u00e7as me<br \/>\n7. basta\u201d, respondeu \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026. . Em seus anivers\u00e1rios, \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026<br \/>\n8. costuma compartilhar um grande bolo, preparado por irm\u00e3 Germana, sua<br \/>\n9. cozinheira polonesa, com seus maiores amigos, mas n\u00e3o sopra as velinhas,<br \/>\n10. pois este gesto n\u00e3o faz parte das tradi\u00e7\u00f5es de seu pa\u00eds, a Pol\u00f4nia. Os<br \/>\n11. convidados mais freq\u00fcentes a compartilhar nesse dia a mesa com\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.<br \/>\n12. no Vaticano s\u00e3o o cardeal polon\u00eas Andr\u00e9 Marie Deskur e o engenheiro<br \/>\n13. Jerzy Kluger, um amigo judeu polon\u00eas de col\u00e9gio. Com a chegada da<br \/>\n14. primavera, \u2026\u2026\u2026\u2026.. parece mais disposto. \u2026\u2026\u2026\u2026.. deve visitar o Brasil na<br \/>\n15. primeira quinzena de outubro.<\/p>\n<p><strong>Agora complete as lacunas com<\/strong><\/p>\n<p>O aniversariante<br \/>\nO Pont\u00edfice<br \/>\nJo\u00e3o Paulo II<br \/>\nO Sumo Pont\u00edfice<br \/>\nO Santo Padre<br \/>\nO Papa<\/p>\n<p>Como voc\u00ea pode constatar, a palavra \u201cpapa\u201d foi substitu\u00edda v\u00e1rias vezes pelas palavras e express\u00f5es acima indicadas. Essas substitui\u00e7\u00f5es evitam a repeti\u00e7\u00e3o pura e simples da mesma palavra e propiciam o desenvolvimento cont\u00ednuo ou o encadeamento sem\u00e2ntico do texto, na medida em que se recupera numa frase ou passagem um termo ou id\u00e9ia presente em outra.<\/p>\n<p>O pronome \u201cseu(s)\u201d (linhas 1 e 7) tamb\u00e9m recupera semanticamente a express\u00e3o \u201cpapa Jo\u00e3o Paulo II\u201d, assim como \u201ceste gesto\u201d recupera \u201csopra as velinhas\u201d; \u201cnesse dia\u201d, o \u201cdia do anivers\u00e1rio do Papa\u201d.<\/p>\n<p>Assim, um texto n\u00e3o \u00e9 uma unidade constitu\u00edda por uma soma de senten\u00e7as ou por um amontoado ca\u00f3tico de palavras e frases. Os enunciados, os segmentos do texto est\u00e3o estritamente interligados entre si; h\u00e1 conex\u00e3o entre as palavras, entre as frases, entre os par\u00e1grafos e as diferentes partes. H\u00e1 encadeamento sem\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Diz-se, pois, que um texto tem\u00a0<b>COES\u00c3O<\/b>\u00a0quando seus v\u00e1rios elementos est\u00e3o organicamente articulados entre si, quando h\u00e1 concatena\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n<p><strong>2. Mecanismos de coes\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A l\u00edngua possui amplos recursos para realizar a coes\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Eis os principais:<\/strong><\/p>\n<p><b>2.1 Coes\u00e3o por refer\u00eancia<\/b><\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II esteve em Porto Alegra.<br \/>\nAqui, ele disse que a Igreja continua a favor do celibato.<br \/>\nOnde \u201caqui\u201d retoma \u201cPorto Alegre\u201d, e \u201cele\u201d retoma \u201cJo\u00e3o Paulo II\u201d.<\/p>\n<p>Os elementos de refer\u00eancia n\u00e3o podem ser interpretados por si mesmos; remetem a outros itens do texto, necess\u00e1rios a sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o elementos de refer\u00eancia os pronomes pessoais (ele,ela, o, a, lhe, etc.), possessivos (meu, teu, seu, etc.), demonstrativos (este, esse aquele, etc.) e os adv\u00e9rbios de lugar (aqui, ali, etc.).<\/p>\n<p><b>2.2 Coes\u00e3o por elipse<\/b><\/p>\n<p><strong>Exemplo:<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II esteve em Porto Alegre. Aqui, disse que a Igreja continua a favor do celibato.<\/p>\n<p><strong>Onde = a<\/strong>\u00a0Jo\u00e3o Paulo II, ou seja, o leitor, ao ler, ao ler o segmento B, se depara com o verbo disse e, para interpretar seu sujeito, tem que voltar ao segmento A e descobrir que quem disse foi Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p><b>2.3 Coes\u00e3o lexical<\/b><\/p>\n<p><b>2.3.1 Coes\u00e3o lexical por sin\u00f4nimo<\/b>\u00a0<strong>Exemplo:<\/strong><\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo II esteve em Porto Alegre.<br \/>\nNa capital ga\u00facha, o papa disse que a Igreja continua a favor \u2026.<br \/>\nOnde \u201cPorto Alegre\u201d = \u201ccapital ga\u00facha\u201d e \u2018Jo\u00e3o Paulo II\u201d = \u201cpapa\u201d<\/p>\n<p>A coes\u00e3o lexical permite \u00e0quele que escreve manifestar sua atitude em rela\u00e7\u00e3o aos termos.<\/p>\n<p><strong>Compare as vers\u00f5es:<\/strong>\u00a0Jo\u00e3o Paulo II esteve em Porto Alegre. Aqui, Sua Santidade disse que a Igreja \u2026 Jo\u00e3o Paulo II esteve ontem em Vars\u00f3via. L\u00e1, o inimigo do comunismo afirmou \u2026 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Rui Barbosa, na sua magistral confer\u00eancia sobre Oswaldo Cruz, em 1917, nos d\u00e1 li\u00e7\u00f5es acabadas da arte da sinon\u00edmia.<\/p>\n<p><b>Santo Presente<\/b><\/p>\n<p align=\"right\">(Zero Hora, 19\/05\/1997)<\/p>\n<p><b>Para dizer febre amarela, por exemplo, empregou todas estas express\u00f5es sin\u00f4nimas:<\/b>\u00a0<b>v\u00f4mito negro, a praga amarela, estigma desastroso, cont\u00e1gio brasileiro, o mesmo flagelo, germe amar\u00edlico, a tenaz endemia, a prega, a terr\u00edvel doen\u00e7a, o cont\u00e1gio homicida, calamidade exterminada, a devoradora calamidade, a maligna enfermidade, essa desgra\u00e7a, a terr\u00edvel coveira, infec\u00e7\u00e3o xantog\u00eanica, esse contagio fatal \u2026\u00a0<\/b>nada menos que\u00a0<b>dezessete<\/b>\u00a0formas e recursos para evitar a repeti\u00e7\u00e3o enfadonha.<\/p>\n<p><b>Referindo-se aos ratos, eis a s\u00e9rie por ele excogitada<\/b>:\u00a0<b>rataria, rasteira e abjeta fam\u00edlia, esses vil\u00edssimos roedores, essa esp\u00e9cie roaz, ral\u00e9 inumer\u00e1vel, ra\u00e7a insaci\u00e1vel dos mur\u00eddeos.<\/b><\/p>\n<p><b>Mencionando o fato da morte assim resolve Rui o problema da n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o de termos<\/b>: a c\u00f3lera-m\u00f3rbus\u00a0<b>deu morte \u2026<\/b>\u00a0a peste negra\u00a0<b>roubou 25 milh\u00f5es<\/b>\u00a0de indiv\u00edduos \u00e0 Europa \u2026 dessa calamidade\u00a0<b>apenas escaparam<\/b>\u00a0um ter\u00e7o dos habitantes \u2026\u00a0<b>o n\u00famero dos sepultados excede o dos sobreviventes \u2026 de vinte mal se salvam duas pessoas \u2026<\/b>\u00a0no Hotel-Dieu\u00a0<b>expiram<\/b>\u00a0quinhentos \u2026\u00a0<b>para servirem de sepulcr\u00e1rio aos corpos<\/b>\u00a0que nos cemit\u00e9rios j\u00e1 cabem \u2026 Paris\u00a0<b>registra<\/b>\u00a0cinq\u00fcenta, Londres cem mil \u00f3bitos \u2026 A It\u00e1lia\u00a0<b>perde a metade de sua popula\u00e7\u00e3o \u2026<\/b>\u00a0vinte cinco milh\u00f5es, pelo menos,\u00a0<b>desaparecem \u2026<\/b>\u00a0se diz\u00a0<b>haver arrebatado ao g\u00eanero humano<\/b>\u00a0cem milh\u00f5es de vidas.\u00a0<b>Onze<\/b>\u00a0recursos de sinon\u00edmia num trecho de 34 linhas apenas! (LEITE, Ulhoa Cintra Marques. \u201cNovo Manual de Reda\u00e7\u00e3o e Estilo\u201d, Rio de Janeiro, 1953)<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de um nome pr\u00f3prio por um nome comum se processa muitas vezes mediante a antonom\u00e1sia. Trata-se de um recurso que expressa um atributo inconfund\u00edvel de uma pessoa, de uma divindade, de um povo, de um pa\u00eds ou de uma cidade.<\/p>\n<p><b>Veja os exemplos.<\/b><\/p>\n<p><b>Castro Alves<\/b>\u00a0\u2013 O Poeta dos Escravos<b><br \/>\nGon\u00e7alves Dias\u00a0<\/b>\u2013 O Cantor dos \u00cdndios<b><br \/>\nJos\u00e9 Bonif\u00e1cio\u00a0<\/b>\u2013 O Patriarca da Independ\u00eancia<b><br \/>\nSimon Bol\u00edvar\u00a0<\/b>\u2013 O Libertador<b><br \/>\nRui Barbosa<\/b>\u00a0\u2013 O \u00c1guia de Haia<b><br \/>\nJesus cristo\u00a0<\/b>\u2013 O Salvador, o nazareno, o Redentor<b><br \/>\n\u00c9dipo\u00a0<\/b>\u2013 O Vencedor da Esfinge<b><br \/>\n\u00c1tila<\/b>\u00a0\u2013 O Flagelo de Deus<b><br \/>\nAquiles<\/b>\u00a0\u2013 O Her\u00f3i de Tr\u00f3ia<b><br \/>\nD. Quixote \u2013<\/b>\u00a0O Cavaleiro de Triste Figura<b><br \/>\nCuba \u2013<\/b>\u00a0A P\u00e9rola das Antilhas<b><br \/>\nVeneza<\/b>\u00a0\u2013 A rainha do Adri\u00e1tico<b><br \/>\nJerusal\u00e9m<\/b>\u00a0\u2013 O Ber\u00e7o do Cristianismo<b><br \/>\nEgito<\/b>\u00a0\u2013 O Ber\u00e7o dos Fara\u00f3s\u00a0<b>\u00c1sia \u2013<\/b>\u00a0O Ber\u00e7o do G\u00eanero Humano<b><br \/>\nLe\u00f4nidas<\/b>\u00a0\u2013 O Her\u00f3i das Term\u00f3pilas\u00a0<b>S\u00f3lon\u00a0<\/b>\u2013 O Legislador de Atenas<b><br \/>\nMois\u00e9s<\/b>\u00a0\u2013 O Legislador dos Judeus<b><br \/>\nHip\u00f3crates<\/b>\u00a0\u2013 O Pai da Medicina<b><br \/>\nHer\u00f3doto<\/b>\u00a0\u2013 O Pai da Hist\u00f3ria<b><br \/>\nJos\u00e9 de Alencar\u00a0<\/b>\u2013 O Autor de Iracema<b><br \/>\nRaimundo Correa<\/b>\u00a0\u2013 O Autor de As Pombas<b><br \/>\nV\u00eanus<\/b>\u00a0\u2013 A Deusa da Beleza<\/p>\n<p><b>2.3.2 Coes\u00e3o lexical por hiper\u00f4nimoe<\/b><\/p>\n<p>Muitas vezes, neste tipo de coes\u00e3o, utilizamos sin\u00f4nimos superordenados ou hiper\u00f4nimos, isto \u00e9, palavras que correspondem ao g\u00eanero do termo a ser retomado.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>G\u00eanero<\/p>\n<p>Mesa \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00ae m\u00f3vel<br \/>\nFaca \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00ae talher<br \/>\nTerm\u00f4metro \u00ae instrumento<br \/>\nComputador \u00ae equipamento<br \/>\nEnceradeira \u00ae eletrodom\u00e9stico<\/p>\n<p><strong>Exemplo:<\/strong>\u00a0Acabamos de receber 30\u00a0<strong>term\u00f4metros cl\u00ednicos. Os instrumentos<\/strong>\u00a0dever\u00e3o ser encaminhados ao Departamento de Pediatria.<\/p>\n<p><b>2.3.3 Coes\u00e3o lexical por repeti\u00e7\u00e3o do mesmo item<\/b><\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>O papa viajou pelo Brasil.<br \/>\nO papa reuniu nas capitais grande multid\u00e3o de admiradores.<\/p>\n<p><b>2.4 Coes\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>A coes\u00e3o por substitui\u00e7\u00e3o consiste na coloca\u00e7\u00e3o de um item num lugar de outro segmento.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>O papa ajoelhou-se. As pessoas\u00a0<strong>tamb\u00e9m<\/strong>.<br \/>\nO papa \u00e9 a favor do celibato. Mas eu n\u00e3o penso\u00a0<strong>assim<\/strong>.<br \/>\nO papa ajoelhou-se. Todos fizeram\u00a0<strong>o mesmo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>3. Observa\u00e7\u00e3o de textos<\/strong><\/p>\n<p>Melhor do que teorizar sobre o assunto, com defini\u00e7\u00f5es e classifica\u00e7\u00f5es, \u00e9 OBSERVAR os textos, conforme convic\u00e7\u00e3o exposta no cap\u00edtulo \u201cComo desenvolver a compet\u00eancia textual\u201d, que embasa a proposta deste \u201cGuia de Produ\u00e7\u00e3o Textual\u201d. A melhor escola \u00e9 a leitura inteligente de textos modelares.<\/p>\n<p><b>3.1 Leia o texto a seguir completando mentalmente as lacunas.<\/b><\/p>\n<p>Uma cocheira para dois<\/p>\n<p align=\"right\">David Coimbra \u2013 (Zero Hora, 28\/3\/1996)<\/p>\n<p>Algumas pessoas t\u00eam a sensibilidade de um cavalo. S\u00e3o poucas, por\u00e9m. Nem todas demonstram tanta ternura quanto \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026. que se equilibram sobre quatro ferraduras. E \u00e0s v\u00e9speras de um grande acontecimento do mundo \u2026\u2026 , como o GP Bento Gon\u00e7alves do pr\u00f3ximo domingo, eles se tornam ainda mais dados a melindres, tais s\u00e3o os mimos que lhes dispensam cavalari\u00e7os, propriet\u00e1rios, j\u00f3queis e treinadores. \u2026\u2026\u2026.. s\u00e3o carentes. Nada pior para eles do que a solid\u00e3o. Precisam de uma companhia. Qualquer uma. Outros \u2026\u2026\u2026 , se poss\u00edvel. N\u00e3o sendo, se contentam com uma ovelha, um galo-de-briga, at\u00e9 um radinho de pilha. Em \u00faltimo caso, serve um espelho para lhes dar a ilus\u00e3o de que n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s no escuro da cocheira. O \u2026\u2026.. ingl\u00eas Dani Angeli, tr\u00eas anos de idade, se afei\u00e7oou especialmente a uma \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 que vive no Grupo de Cocheiras Cl\u00f3vis Dutra, na Vila H\u00edpica do Cristal.<\/p>\n<p>Quando \u2026\u2026\u2026\u2026 n\u00e3o est\u00e1 por perto, \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026. fica inquieto. N\u00e3o dorme sem ela. Uma noite longe da \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 significa uma noite de ins\u00f4nia, de ranger nost\u00e1lgico de dentes e patadas nervosas na forragem que lhe serve como leito. Ao raiar da manh\u00e3, o cavalari\u00e7o o encontra irreconhec\u00edvel, estressado, incapaz de enfrentar um dia de trabalho \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 e a ovelhinha dormem juntos, passeiam diariamente lado a lado e at\u00e9 quando ele viaja para disputar alguma prova fora do Estado ela precisa ir junto. Sem \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.. Dani Angeli n\u00e3o \u00e9 ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><b>3.2 Agora observe os mecanismos de coe\u00e3o.<\/b><\/p>\n<p><b>3.2.1 \u2013 Coes\u00e3o lexical por sin\u00f4nimos<\/b><\/p>\n<p><strong>Complete as lacunas com:<\/strong><\/p>\n<p>a companheira encaracolada<br \/>\na amiga lanuda<br \/>\novelhinha que substituem a palavra \u201covelha\u201d.<\/p>\n<p><strong>Complete as lacunas com:<\/strong><\/p>\n<p>puro sangue<br \/>\nesses esp\u00edritos suscet\u00edveis<br \/>\neq\u00fcino que substituem a palavra \u201ccavalo(s)\u201d.<\/p>\n<p><b>3.2.2 \u2013 Coes\u00e3o lexical por repeti\u00e7\u00e3o do mesmo item<\/b><\/p>\n<p><strong>Complete as lacunas com:<\/strong><\/p>\n<p>cavalos<br \/>\ncavalos<br \/>\nDani Angeli<\/p>\n<p>Que efeito estil\u00edstico decorre da substitui\u00e7\u00e3o de \u201covelha\u201d por \u201covelhinha\u201d, \u201ca companheira encaracolada\u201d e \u201ca amiga lanuda\u201d? Em outras palavras, que atitude o autor do texto expressa mediante tais substitui\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><b>3.2.3 \u2013 Coes\u00e3o lexical por refer\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Circule os pronomes que se referem a \u201covelha\u201d.<br \/>\nSublinhe os pronomes que se referem a \u201ccavalo\u201d.<\/p>\n<p><b>3.2.4 \u2013 Coes\u00e3o por elipse<\/b><\/p>\n<p><strong>Identifique os elipses em:<\/strong><\/p>\n<p>Precisam de uma companhia<br \/>\n\u2026 se contentam com uma ovelha \u2026<br \/>\n\u2026 n\u00e3o est\u00e3o s\u00f3s no escuro da cocheira<br \/>\nN\u00e3o dormem sem ela<br \/>\n\u2026 passeiam diariamente lado a lado<\/p>\n<p><b>3.3 Complete mentalmente as lacunas do texto a seguir<\/b><\/p>\n<p class=\"tabela\">Duas trajet\u00f3rias nada edificantes<\/p>\n<p class=\"tabela\" align=\"right\">Augusto Nunes \u2013 (Zero Hora, 11\/04\/1996)<\/p>\n<p class=\"tabela\">N\u00e3o s\u00e3o poucas as semelhan\u00e7as entre Alphonse Capone e Frnando Collor de Mello \u2013 a come\u00e7ar pelo prenome inspirado no mesmo antrop\u00f4nimo origin\u00e1rio do Latim. \u2026\u2026\u2026\u2026 nasceram em fam\u00edlias de imigrantes \u2026\u2026.. teve ascend\u00eancia italiana, o \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 descende de alem\u00e3es, \u2026 sempre apreciaram charutos, noitadas alegres, u\u00edsque, ver\u00f5es em Miami, ternos bem cortados, companhias suspeitas e largos espa\u00e7os na imprensa.<\/p>\n<p class=\"tabela\">\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 quanto \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026.. chegaram ao poder muito jovens. E dele acabaram apeados por excesso de confian\u00e7a: certos de que as asas da impunidade estariam eternamente abertas sobre seus crimes, n\u00e3o trataram com o devido zelo da remo\u00e7\u00e3o de todas as pistas.<\/p>\n<p class=\"tabela\">Mais de 60 anos depois da pris\u00e3o de Al Capone, Fernando Collor acaba de trope\u00e7ar na mesma armadilha que destruiria a carreira e a fortuna do \u2026\u2026\u2026\u2026. .<\/p>\n<p class=\"tabela\">Dono de um prontu\u00e1rio escurecido por assassinatos, seq\u00fcestros, roubos e outras viol\u00eancias, \u2026\u2026. foi trancafiado num catre pela pr\u00e1tica de um delito bisonho para um \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 do seu calibre: sonega\u00e7\u00e3o de impostos. Dono de uma folha corrida pontilhada de proezas nada edificantes, \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 enredou-se nesta semana na malha fina da Receita Federal. Depois de ter driblado acusa\u00e7\u00f5es bem mais pesadas, \u2026\u2026\u2026\u2026\u2026. ir\u00e1 para a cadeia se n\u00e3o pagar R$ 8 milh\u00f5es de impostos atrasados. Caso consiga o dinheiro, seguir\u00e1 em liberdade. Mas ter\u00e1 fornecido outra evid\u00eancia de que saiu do Pal\u00e1cio do Planalto muito mais rico do que era quando ali chegou.<\/p>\n<p><b>3.4 Agora, complete as lacunas com<\/b><\/p>\n<p>o primeiro<br \/>\no segundo<br \/>\nambos<br \/>\num e outro<br \/>\nTanto o rei do crime em Chicago<br \/>\no ex-presidente<br \/>\nCapone<br \/>\nCollor<br \/>\nlegend\u00e1rio Scarface<br \/>\ng\u00e2nster<\/p>\n<p><b>3.5 Observe, finalmente, o terceiro texto completando as lacunas com<\/b><\/p>\n<p>Ribamar<br \/>\nO autor de \u201cMarimbondos de Fogo\u201d<br \/>\nex-presidente da Rep\u00fablica<br \/>\nas beldades<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o lexical<\/strong><\/p>\n<p>Neste tipo de coes\u00e3o, usamos termos que retomam voc\u00e1bulos ou express\u00f5es que j\u00e1 ocorreram, porque existem entre eles tra\u00e7os sem\u00e2nticos semelhantes, at\u00e9 mesmo opostos. Dentro da coes\u00e3o lexical, podemos distinguir a\u00a0<strong>reitera\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>substitui\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Por reitera\u00e7\u00e3o entendemos a repeti\u00e7\u00e3o de express\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas; neste caso, existe identidade de tra\u00e7os sem\u00e2nticos. Este recurso \u00e9, em geral, bastante usado nas propagandas, com o objetivo de fazer o ouvinte\/leitor reter o nome e as qualidades do que \u00e9 anunciado. Observe, nesta propaganda da Ipiranga, quantas vezes \u00e9 repetido o nome da refinaria.<\/p>\n<p>Em 1937, quando a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0foi fundada, muitos afirmavam que seria dif\u00edcil uma refinaria brasileira dar certo.<br \/>\nQuando a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0come\u00e7ou a produzir querosene de padr\u00e3o internacional, muitos afirmavam, tamb\u00e9m, que dificilmente isso seria poss\u00edvel.<br \/>\nQuando a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0comprou as multinacionais Gulf Oil e Atlantic, muitos disseram que isso era incomum.<br \/>\nE, a cada passo que a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0deu nesses anos todos, nunca faltaram previs\u00f5es que indicavam outra dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuem poderia imaginar que a partir de uma refinaria como aquela a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0se transformaria numa das principais empresas do pa\u00eds, com 5600 postos de abastecimento anual de 5,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares?<br \/>\nE, que al\u00e9m de tudo, est\u00e1 preparada para o futuro?<br \/>\n\u00c9 que, al\u00e9m de ousadia, a\u00a0<strong>Ipiranga<\/strong>\u00a0teve sorte: a gente estava t\u00e3o ocupado trabalhando que nunca sobrou muito tempo para prestar aten\u00e7\u00e3o em profecias.<\/p>\n<p><strong>Outro exemplo:\u00a0<\/strong>A hist\u00f3ria de Porto Belo envolve invas\u00e3o de\u00a0<strong>aventureiros<\/strong>\u00a0espanh\u00f3is,\u00a0<strong>aventureiros<\/strong>\u00a0ingleses e\u00a0<strong>aventureiros<\/strong>\u00a0franceses, que procuraram portos naturais, portos seguros para proteger suas embarca\u00e7\u00f5es de tempestades. (JB, Caderno Viagem, 25\/08\/93)<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ampla, pois pode se efetuar por meio da sinon\u00edmia, da anton\u00edmia, da hiperon\u00edmia, da hipon\u00edmia. Vamos ilustrar cada um desses mecanismos por meio de exemplos.<\/p>\n<p><strong>Sinon\u00edmia<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Pelo jeito, s\u00f3 Clinton insiste no isolamento de\u00a0<strong>Cuba<\/strong>. Jo\u00e3o Paulo II decidiu visitar em janeiro a\u00a0<strong>ilha da Fantasia<\/strong>. (Revista VEJA, n\u00ba 39, outubro\/97)<br \/>\nOs termos assinalados t\u00eam o mesmo referente. Entretanto, \u00e9 preciso esclarecer que, neste caso, h\u00e1 um julgamento de valor na substitui\u00e7\u00e3o de Cuba por ilha da Fantasia, numa alus\u00e3o a lugar onde n\u00e3o h\u00e1 seriedade.<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong>\u00a0Aos 26 anos,\u00a0<strong>o zagueiro J\u00fanior Baiano<\/strong>\u00a0deu uma grande virada em\u00a0<strong>sua<\/strong>\u00a0carreira. Conhecido por suas inconseq\u00fcentes \u201ctesouras voadoras\u201d,\u00a0<strong>ele<\/strong>\u00a0passou a agir de maneira mais sensata, atitude que j\u00e1 levou at\u00e9 a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira.<br \/>\nPatr\u00edcia, a esposa, e os filhos Patr\u00edcia Caroline e Patrick s\u00e3o as maiores alegrias desse\u00a0<strong>baiano<\/strong>\u00a0nascido na cidade de Feira de Santana. \u201cEles s\u00e3o a minha raz\u00e3o de viver e lutar por coisas boas\u201d, comenta o\u00a0<strong>zagueiro<\/strong>.<br \/>\n<b>Na galeria do \u00eddolos,\u00a0<\/b><strong>J\u00fanior Baiano<\/strong><b>\u00a0coloca tr\u00eas craques<\/b>: Leandro, Mozer a Aldair. \u201cEles sabem tudo de bola, diz\u00a0<strong>o jogador<\/strong>. O zagueiro da Sele\u00e7\u00e3o s\u00f3 questiona se um dia ter\u00e1 o mesmo prest\u00edgio deles.<br \/>\nDeixando para tr\u00e1s a fase de desajustado e brig\u00e3o,\u00a0<strong>o zagueiro rubro-negro<\/strong>\u00a0agora orienta os mais jovens e aposta nesta nova gera\u00e7\u00e3o do Flamengo. (Jornal dos Sports, 24\/08\/97)<br \/>\nEste tipo de procedimento \u00e9 muito \u00fatil para evitar as constantes repeti\u00e7\u00f5es que tornam um texto cansativo e pouco atraente. Observe quantas diferentes maneiras foram empregadas para fazer alus\u00e3o \u00e0 mesma pessoa.<br \/>\n<strong>Dentro desse par\u00e1grafo, observamos ainda outros mecanismos de coes\u00e3o j\u00e1 vistos anteriormente<\/strong>:\u00a0<strong>sua, ele, o<\/strong>, que retomam o jogador J\u00fanior Baiano, e\u00a0<strong>deles<\/strong>, que retoma os\u00a0<strong>tr\u00eas craques<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>c)<\/strong>\u00a0Como uma ilha entre as pessoas que se comprimiam no abrigo do bonde, o homem mantinha-se concentrado no seu servi\u00e7o. Era especialista em colorir retrato e fazia caricatura em cinco minutos. No momento, ele retocava uma foto de\u00a0<strong>Get\u00falio Vargas<\/strong>, que mostrava um dos melhores sorrisos do\u00a0<strong>presidente morto<\/strong>. (Wander Piroli, Trabalhadores do Brasil )<\/p>\n<p><strong>d)\u00a0<\/strong>Vestia um camisol\u00e3o azul, sem cintura. Tinha cabelos longos como Jesus e barbas longas. Nos p\u00e9s cal\u00e7ava sand\u00e1lias para enfrentar o p\u00f3 das estradas e, a cabe\u00e7a, protegia-a do sol inclemente com um chapel\u00e3o de abas largas. Nas m\u00e3os levava um cajado, como os profetas, os santos, os guiadores de gente, os escolhidos, os que sabiam o caminho do c\u00e9u. Chamava os outros de \u201cmeu irm\u00e3o\u201d. Os outros chamavam-no \u201cmeu pai\u201d. Foi conhecido como\u00a0<strong>Antonio dos Mares<\/strong>, uma certa \u00e9poca, e tamb\u00e9m como Irm\u00e3o Antonio. Os mais devotos o intitulavam \u201c<strong>Bom Jesus<\/strong>\u201c, \u201c<strong>Santo Antonio<\/strong>\u201c. De batismo, era Antonio Vicente Mendes Maciel. Quando fixou sua fama, era\u00a0<strong>Ant\u00f4nio Conselheiro<\/strong>, nome com o qual conquistou os sert\u00f5es e al\u00e9m. (Revista VEJA,setembro\/97)<br \/>\nOs voc\u00e1bulos assinalados indicam a sinon\u00edmia para o nome de Ant\u00f4nio Conselheiro.Por ser um par\u00e1grafo rico em mecanismos de coes\u00e3o, vale a pena mostrar mais alguns deles. Por exemplo, o sujeito de\u00a0<strong>vestia, tinha, cal\u00e7ava, levava, chamava, foi conhecido, fixou<\/strong>\u00a0\u00e9 sempre o mesmo, isto \u00e9, Ant\u00f4nio Conselheiro, mas s\u00f3 ao final do texto esse sujeito \u00e9 esclarecido. Dizemos, ent\u00e3o, que, neste caso, houve uma refer\u00eancia por elipse.<br \/>\nChamavam-<strong>no<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>o<\/strong>\u00a0intitulavam \u2013 os pronomes obl\u00edquos\u00a0<strong>no<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>o<\/strong>\u00a0retomam a figura de Ant\u00f4nio Conselheiro. Da mesma forma, o pronome\u00a0<strong>a<\/strong>\u00a0(protegia-<strong>a<\/strong>) refere-se ao nome cabe\u00e7a, e o possessivo sua (sua fama) tem como referente o mesmo Ant\u00f4nio Conselheiro.<\/p>\n<p><strong>e)<\/strong>\u00a0Depois do ciclo Rom\u00e1rio, o Flamengo entra na era\u00a0<strong>S\u00e1vio<\/strong>. Pelo menos \u00e9 essa a inten\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>presidente Kleber Leite<\/strong>. O\u00a0<strong>dirigente<\/strong>\u00a0nega a inten\u00e7\u00e3o do clube em fazer de seu\u00a0<strong>atacante\u00a0<\/strong>uma moeda de troca. \u201cNo ano passado me ofereceram US $ 9 milh\u00f5es e mais o passe do Rom\u00e1rio pelo S\u00e1vio e eu n\u00e3o fiz neg\u00f3cio\u201d, lembrou. Segundo\u00a0<strong>Kleber<\/strong>, o\u00a0<strong>jogador\u00a0<\/strong>tem categoria suficiente para se transformar em um \u00eddolo nacional. Por falar em prata da casa,o\u00a0<strong>presidente do Flamengo<\/strong>, apoiado por Zico, vai apostar nos jovens valores do clube para o segundo semestre. Ele acha que, mantendo a base, com S\u00e1vio, J\u00fanior Baiano, Athirson, Evandro e L\u00facio, o time rubro-negro ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de chegar \u00e0s finais do Campeonato Brasileiro e Supercopa. (Jornal dos Sports, 24\/08\/97)<\/p>\n<p>As express\u00f5es assinaladas em azul se referem \u00e0 mesma pessoa. Na verdade, temos em\u00a0<strong>dirigente<\/strong>\u00a0um sin\u00f4nimo de fato, enquanto as outras substitui\u00e7\u00f5es podem ser chamadas de elipses parciais, embora todas remetam ao presidente do clube carioca. Existe igualmente sinon\u00edmia entre\u00a0<strong>S\u00e1vio<\/strong>,\u00a0<strong>atacante<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>jogador<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>f)\u00a0<\/strong>Penando para tentar reduzir a conta dos direitos e benef\u00edcios dos trabalhadores, todo governante europeu hoje em dia baba de inveja dos\u00a0<strong>Estados Unidos \u2013 o pa\u00eds do cada um por si e o governo<\/strong>, de prefer\u00eancia,\u00a0<strong>bem longe dessas quest\u00f5es<\/strong>. Pois foi justamente\u00a0<strong>na terra do vale-tudo entre patr\u00e3o e empregado<\/strong>\u00a0que 185000 filiados de um sindicato cruzaram os bra\u00e7os neste m\u00eas e pararam por quinze dias a UPS, a maior empresa de entregas terrestres do mudo . (Revista VEJA, setembro\/97)<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar de apontar que, neste exemplo, os sin\u00f4nimos escolhidos para Estados Unidos se revestem de um ju\u00edzo de valor, s\u00e3o denomina\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pejorativo.<\/p>\n<p><strong>Anton\u00edmia<\/strong>\u00a0\u2013 \u00c9 a sele\u00e7\u00e3o de expres\u00f5es ling\u00fc\u00edsticas com tra\u00e7os sem\u00e2nticos opostos.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>Gelada no\u00a0<strong>inverno<\/strong>, a praia de Garopaba oferece no\u00a0<strong>ver\u00e3o<\/strong>\u00a0uma das mais belas paisagens catarinenses. (JB, Caderno Viagem, 25\/08\/93)<\/p>\n<p><strong>Hiperon\u00edmia e Hipon\u00edmia<\/strong>\u00a0\u2013 Por hiperon\u00edmia temos o caso em que a primeira express\u00e3o mant\u00e9m com a segunda uma rela\u00e7\u00e3o de todo-parte ou classe-elemento.<\/p>\n<p><strong>Por hipon\u00edmia designamos o caso inverso<\/strong>: a primeira express\u00e3o mant\u00e9m com a segunda uma rela\u00e7\u00e3o de parte-todo ou elemento-classe. Em outras palavras, essas substitui\u00e7\u00f5es ocorrem quando um termo mais geral \u2013 o hiper\u00f4nimo \u2013 \u00e9 substitu\u00eddo por um termo menos geral \u2013 o hip\u00f4nimo, ou vice-versa. Os exemplo ajudam a entender melhor.<\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0T\u00e3o grande quanto as\u00a0<strong>baleias<\/strong>\u00a0\u00e9 a sua discri\u00e7\u00e3o. Nunca um ser humano presenciou uma c\u00f3pula de\u00a0<strong>jubartes<\/strong>, mas sabe-se que seu intercurso \u00e9 muito r\u00e1pido, dura apenas alguns segundos. (Revista VEJA, no 30, julho\/97)<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong>\u00a0Em Abrolhos, as\u00a0<strong>jubartes<\/strong>\u00a0fazem a maior esb\u00f3rnia. Elas se re\u00fanem em grupos de tr\u00eas a oito\u00a0<strong>animais<\/strong>, sempre com uma \u00fanica f\u00eamea no comando. \u00c9 ela, por exemplo, que determina a velocidade e a dire\u00e7\u00e3o a seguir. (Idem)<\/p>\n<p><strong>c)<\/strong>\u00a0Dentre as 79 esp\u00e9cies de\u00a0<strong>cet\u00e1ceos<\/strong>, as\u00a0<strong>jubartes<\/strong>\u00a0s\u00e3o as \u00fanicas que cantam \u2013 tanto que s\u00e3o conhecidas tamb\u00e9m por \u201cbaleias cantoras\u201d. (Idem)<\/p>\n<p><strong>d)<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>renda de bilro<\/strong>\u00a0\u00e9 a mais conhecida e criativa forma de\u00a0<strong>artesanato<\/strong>\u00a0catarinense. (JB, Caderno Viagem, 25\/08\/93)<\/p>\n<p><strong>e)\u00a0<\/strong><b>O\u00a0<\/b><strong>litoral norte<\/strong><b>\u00a0de Santa Catarina tem um verdadeiro festival de localidades famosas<\/b>:\u00a0<strong>a praia de Camboriu, a ilha de S\u00e3o Francisco do Sul, a enseada do Brito<\/strong>\u00a0. (Idem)<\/p>\n<p><strong>f)<\/strong>\u00a0Dado que, entre os assentados, \u00e9 expressivo o n\u00famero de analfabetos, pode-se ter uma id\u00e9ia de quanto \u00e9 dif\u00edcil elaborar um projeto ou usar novas tecnologias. Com pouco dinheiro e escassa assist\u00eancia, eles costumam usar sementes de qualidade baixa e voltar-se para a produ\u00e7\u00e3o de consumo familiar. Mesmo entre os\u00a0<strong>instrumentos<\/strong>\u00a0de trabalho mais corriqueiros, tamb\u00e9m h\u00e1 escassez brutal, e a maioria dos assentados n\u00e3o disp\u00f5e nem mesmo de uma\u00a0<strong>p\u00e1<\/strong>\u00a0ou de uma\u00a0<strong>picareta<\/strong>. Entre eles, ainda que os sem-terra tenham escolhido a\u00a0<strong>foice<\/strong>\u00a0como um dos seus s\u00edmbolos de luta pela reforma agr\u00e1ria, o instrumento mais comum ainda \u00e9 a velha\u00a0<strong>enxada<\/strong>. (Revista VEJA, n\u00ba 29, julho\/97)<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"70%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Hiper\u00f4nimos<\/strong>\u00a0(termos mais gerais)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Hip\u00f4nimos<\/strong>\u00a0(termos mais espec\u00edficos)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">baleias animais cet\u00e1ceos artesanato litoral norte instrumentos<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">jubartes jubartes baleias renda de bilro praia, ilha, enseada p\u00e1, picareta, foice, enxada<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Vale a pena apontar tamb\u00e9m a coes\u00e3o lexical por sinon\u00edmia, entre\u00a0<strong>assentados\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>sem-terra<\/strong>\u00a0(exemplo f) e entre\u00a0<strong>jubartes<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>baleias cantoras<\/strong>\u00a0(exemplo c). Os pronomes\u00a0<strong>eles<\/strong>\u00a0(\u00a0<strong>caso reto<\/strong>\u00a0) e\u00a0<strong>se<\/strong>\u00a0(\u00a0<strong>caso obl\u00edquo<\/strong>\u00a0) s\u00e3o exemplos de coes\u00e3o gramatical referencial, pois remetem aos\u00a0<strong>assentados<\/strong>\u00a0.<\/p>\n<p><b>Coes\u00e3o Textual<\/b><\/p>\n<p>\u201cA\u00a0<strong>coes\u00e3o<\/strong>\u00a0n\u00e3o nos revela a significa\u00e7\u00e3o do texto, revela-nos a constru\u00e7\u00e3o do texto enquanto edif\u00edcio sem\u00e2ntico.\u201d<b>\u00a0\u2013M. Halliday<\/b><\/p>\n<p>A met\u00e1fora acima representa de forma bastante eficaz o sentido de coes\u00e3o, assim como as partes que comp\u00f5em a estrutura de um edif\u00edcio devem estar bem conectadas, bem \u201camarradas\u201d, as v\u00e1rias partes de uma frase devem se apresentar bem \u201camarradas\u201d, para que o texto cumpra sua fun\u00e7\u00e3o primordial ? ve\u00edculo de articula\u00e7\u00e3o entre o autor e seu leitor.<\/p>\n<p>A coes\u00e3o \u00e9 essa \u201camarra\u00e7\u00e3o\u201d entre as v\u00e1rias partes do texto, ou seja, o entrela\u00e7amento significativo entre declara\u00e7\u00f5es e senten\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Existem, em L\u00edngua Portuguesa, dois tipos de coes\u00e3o:\u00a0<\/strong>a lexical e a gramatical.<\/p>\n<p>A coes\u00e3o lexical \u00e9 obtida pelas rela\u00e7\u00f5es de sin\u00f4nimos, hiper\u00f4nimos, nomes gen\u00e9ricos e formas elididas. J\u00e1 a coes\u00e3o gramatical \u00e9 conseguida a partir do emprego adequado de artigo, pronome, adjetivo, determinados adv\u00e9rbios e express\u00f5es adverbiais, conjun\u00e7\u00f5es e numerais.<\/p>\n<p><b>Seguem alguns exemplos de coes\u00e3o:<\/b><\/p>\n<p><b>Per\u00edfrase ou antonom\u00e1sia<\/b>\u00a0\u2013 express\u00e3o que caracteriza o lugar, a coisa ou a pessoa a que se faz refer\u00eancia<b><br \/>\nExemplo:<\/b>\u00a0O Rio de Janeiro \u00e9 uma das cidades mais importantes do Brasil. A cidade maravilhosa \u00e9 conhecida mundialmente por suas belezas naturais, hospitalidade e carnaval.<\/p>\n<p><b>Nominaliza\u00e7\u00f5es\u00a0<\/b>\u2013 uso de um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente.\u00a0<strong>Tamb\u00e9m pode ocorrer o contr\u00e1rio:<\/strong>\u00a0um verbo retomar um substantivo j\u00e1 enunciado.<b><br \/>\nExemplo:<\/b>\u00a0A mo\u00e7a foi declarar-se culpada do crime. Essa declara\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o foi aceita pelo juiz respons\u00e1vel pelo caso. \/ O testemunho do rapaz desencadeou uma a\u00e7\u00e3o conjunta dos moradores para testemunhar contra o r\u00e9u.<\/p>\n<p><b>Palavras ou express\u00f5es sin\u00f4nimas ou quase sin\u00f4nimas\u00a0<\/b>\u2013 ainda que se considere a inexist\u00eancia de sin\u00f4nimos perfeitos, algumas substitui\u00e7\u00f5es favorecem a n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o de palavras.<b><br \/>\nExemplo:\u00a0<\/b>Os autom\u00f3veis colocados \u00e0 venda durante a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o obtiveram muito sucesso. Isso talvez tenha ocorrido porque os carros n\u00e3o estavam em um lugar de destaque no evento.<\/p>\n<p><b>Repeti\u00e7\u00e3o vocabular<\/b>\u2013 ainda que n\u00e3o seja o ideal, algumas vezes h\u00e1 a necessidade de repetir uma palavra, principalmente se ela representar a tem\u00e1tica central a ser abordada. Deve-se evitar ao m\u00e1ximo esse tipo de procedimento ou, ao menos, afastar as duas ocorr\u00eancias o mais poss\u00edvel, embora esse seja um dos v\u00e1rios recursos para garantir a coes\u00e3o textual.<b><br \/>\nExemlo:<\/b>\u00a0A fome \u00e9 uma mazela social que vem se agravando no mundo moderno. S\u00e3o v\u00e1rios os fatores causadores desse problema, por isso a fome tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante dos governantes mundiais.<\/p>\n<p><b>Um termo s\u00edntese\u00a0<\/b>\u2013 usa-se, eventualmente, um termo que faz uma esp\u00e9cie de resumo de v\u00e1rios outros termos precedentes, como uma retomada.<b><br \/>\nExemplo \u2013\u00a0<\/b>O pa\u00eds \u00e9 cheio de entraves burocr\u00e1ticos. \u00c9 preciso preencher uma enorme quantidade de formul\u00e1rios, que devem receber assinaturas e carimbos. Depois de tudo isso, ainda falta a emiss\u00e3o dos boletos para o pagamento banc\u00e1rio. Todas essas limita\u00e7\u00f5es acabam prejudicando as rela\u00e7\u00f5es comerciais com o Brasil.<\/p>\n<p><b>Pronomes\u00a0<\/b>\u2013 todos os tipos de pronomes podem funcionar como recurso de refer\u00eancia a termos ou express\u00f5es anteriormente empregados. Para o emprego adequado, conv\u00e9m rever os princ\u00edpios que regem o uso dos pronomes.<b><br \/>\nExemplo<\/b>\u00a0\u2013 Vitaminas fazem bem \u00e0 sa\u00fade, mas n\u00e3o devemos tom\u00e1-las sem a devida orienta\u00e7\u00e3o. \/ A institui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mais famosas da localidade. Seus funcion\u00e1rios trabalham l\u00e1 h\u00e1 anos e conhecem bem sua estrutura de funcionamento. \/ A m\u00e3e amava o filho e a filha, queria muito tanto a um quanto \u00e0 outra.<\/p>\n<p><b>Numerais\u00a0<\/b>\u2013 as express\u00f5es quantitativas, em algumas circunst\u00e2ncias, retomam dados anteriores numa rela\u00e7\u00e3o de coes\u00e3o.<b><br \/>\nExemplo<\/b>\u00a0\u2013\u00a0<strong>Foram divulgados dois avisos<\/strong>: o primeiro era para os alunos e o segundo cabia \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio. \/ As crian\u00e7as comemoravam juntas a vit\u00f3ria do time do bairro, mas duas lamentavam n\u00e3o terem sido aceitas no time campe\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Adv\u00e9rbios pronominais (classifica\u00e7\u00e3o de Rocha Lima e outros)\u00a0<\/b>\u2013 express\u00f5es adverbiais como aqui, ali, l\u00e1, acol\u00e1, a\u00ed servem como refer\u00eancia espacial para personagens e leitor.<b><br \/>\nExemplo<\/b>\u00a0\u2013 Querido primo, como v\u00e3o as coisas na sua terra \u2013 A\u00ed todos v\u00e3o bem \u2013 \/ Ele n\u00e3o podia deixar de visitar o Corcovado. L\u00e1 demorou mais de duas horas admirando as belezas do Rio.<\/p>\n<p><b>Elipse \u2013\u00a0<\/b>essa figura de linguagem consiste na omiss\u00e3o de um termo ou express\u00e3o que pode ser facilmente depreendida em seu sentido pelas refer\u00eancias do contexto.<b><br \/>\nExemplo<\/b>\u00a0\u2013 O diretor foi o primeiro a chegar \u00e0 sala. Abriu as janelas e come\u00e7ou a arrumar tudo para a assembl\u00e9ia com os acionistas.<\/p>\n<p><b>Repeti\u00e7\u00e3o de parte do nome pr\u00f3prio\u00a0<\/b>\u2013 Machado de Assis revelou-se como um dos maiores contistas da literatura brasileira. A vasta produ\u00e7\u00e3o de Machado garante a diversidade tem\u00e1tica e a oferta de variados t\u00edtulos.<\/p>\n<p><b>Meton\u00edmia<\/b>\u00a0outra figura de linguagem que \u00e9 bastante usada como elo coesivo, por substituir uma palavra por outra, fundamentada numa rela\u00e7\u00e3o de contig\u00fcidade sem\u00e2ntica.<b><br \/>\nExemplo<\/b>\u00a0\u2013 O governo tem demonstrado preocupa\u00e7\u00e3o com os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o. O Planalto n\u00e3o revelou ainda a taxa deste m\u00eas.<\/p>\n<p><b>Coes\u00e3o \u2013 T\u00e9cnicas \/ Mecanismos<\/b><\/p>\n<p>As t\u00e9cnicas ou mecanismos de\u00a0<strong>coes\u00e3o<\/strong>\u00a0t\u00eam por objetivo dar consist\u00eancia ao texto, interligando suas partes para que tenha uma unidade de sentido, evitando a repeti\u00e7\u00e3o de palavras.<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Textual &#8211; O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p><b>Existem basicamente dois mecanismos de coes\u00e3o textual:<\/b><\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o l\u00e9xica:\u00a0<\/strong>\u00c9 obtida atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es de sentido entre as palavras, ou seja, do emprego de sin\u00f4nimos.<strong><br \/>\nCoes\u00e3o gramatical:\u00a0<\/strong>\u00c9 obtida a partir do emprego de artigos, pronomes, adjetivos, adv\u00e9rbios, conjun\u00e7\u00f5es e numerais.<\/p>\n<p><b>Coes\u00e3o e Coer\u00eancia Textual<\/b><\/p>\n<p>A\u00a0<b>coes\u00e3o<\/b>, ou\u00a0<b>conectividade seq\u00fcencial<\/b>, \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o, o nexo que se estabelece entre as partes de um texto, mesmo que n\u00e3o seja aparente.<\/p>\n<p>Contribuem para esta liga\u00e7\u00e3o elementos de natureza gramatical (como os pronomes, conjun\u00e7\u00f5es, preposi\u00e7\u00f5es, categorias verbais), elementos de natureza lexical (sin\u00f4nimos, ant\u00f4nimos, repeti\u00e7\u00f5es) e mecanismos sint\u00e1ticos ( subordina\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o, ordem dos voc\u00e1bulos e ora\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>\u00c9 um dos mecanismos respons\u00e1veis pela interdepend\u00eancia sem\u00e2ntica que se instaura entre os elementos constituintes de um texto.<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es sobre o Conceito de Coes\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os autores que t\u00eam publicado estudos sobre coer\u00eancia e coes\u00e3o. Apoiados nos trabalhos de Koch (1997), Plat\u00e3o e Fiorin (1996), Su\u00e1rez Abreu (1990) e Marcuschi (1983), apresentamos algumas considera\u00e7\u00f5es sobre o conceito de coes\u00e3o com o objetivo de mostrar a presen\u00e7a e a import\u00e2ncia desse fen\u00f4meno na produ\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o dos textos.<\/p>\n<p>Koch (1997) conceitua a coes\u00e3o como \u201co fen\u00f4meno que diz respeito ao modo como os elementos ling\u00fc\u00edsticos presentes na superf\u00edcie textual se encontram interligados, por meio de recursos tamb\u00e9m ling\u00fc\u00edsticos, formando seq\u00fc\u00eancias veiculadoras de sentido.\u201d Para Plat\u00e3o e Fiorin (1996), a coes\u00e3o textual \u201c\u00e9 a liga\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o, a conex\u00e3o entre as palavras, express\u00f5es ou frases do texto.\u201d A coes\u00e3o \u00e9, segundo Su\u00e1rez Abreu (1990), \u201co encadeamento sem\u00e2ntico que produz a textualidade; trata-se de uma maneira de recuperar, em uma senten\u00e7a B, um termo presente em uma senten\u00e7a A.\u201d<\/p>\n<p><strong>Da\u00ed a necessidade de haver concord\u00e2ncia entre o termo da senten\u00e7a A e o termo que o retoma na senten\u00e7a B. Finalmente, Marcuschi (1983) assim define os fatores de coes\u00e3o:\u00a0<\/strong>\u201cs\u00e3o aqueles que d\u00e3o conta da seq\u00fcencia\u00e7\u00e3o superficial do texto, isto \u00e9, os mecanismos formais de uma l\u00edngua que permitem estabelecer, entre os elementos ling\u00fc\u00edsticos do texto, rela\u00e7\u00f5es de sentido.\u201d<\/p>\n<p>A coes\u00e3o pode ser observada tanto em enunciados mais simples quanto em enunciados mais complexos.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong><\/p>\n<p><b>1)\u00a0<\/b><strong>Mulheres de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es\u00a0<\/strong>enfrentam o preconceito e revelam\u00a0<strong>suas<\/strong>\u00a0experi\u00eancias.<br \/>\n<b>2)<\/b>\u00a0<strong>Elas<\/strong>\u00a0resolveram falar. Quebrando o muro de sil\u00eancio,\u00a0<strong>oito dezenas de mulheres<\/strong>\u00a0decidiram contar como aconteceu\u00a0<strong>o fato que<\/strong>\u00a0marcou sua vida.<br \/>\n<b>3)<\/b>\u00a0Do alto de\u00a0<strong>sua<\/strong>\u00a0ignor\u00e2ncia,\u00a0<strong>os seres humanos<\/strong>\u00a0costumam achar que dominam a terra e todos os outros seres vivos.<\/p>\n<p>Nesses exemplos, temos os pronomes\u00a0<strong>suas\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>que<\/strong>\u00a0retomando<strong>\u00a0mulheres de tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>o fato<\/strong>, respectivamente; os pronomes\u00a0<strong>elas<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>sua<\/strong>\u00a0antecipam\u00a0<strong>oito dezenas de mulheres<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>os seres humanos<\/strong>, respectivamente. Estes s\u00e3o apenas alguns mecanismos de coes\u00e3o, mas existem muitos outros, como veremos mais adiante.<\/p>\n<p><strong>Vejamos agora a coes\u00e3o num per\u00edodo mais complexo:<\/strong><\/p>\n<p>Os amigos que me restam s\u00e3o da data mais recente; todos os amigos foram estudar a geologia dos campos-santos. Quanto \u00e0s amigas, algumas datam de quinze anos, outras de menos, e quase todas cr\u00eaem na mocidade. Duas ou tr\u00eas fariam crer nela aos outros, mas a l\u00edngua que falam obriga muita vez a consultar os dicion\u00e1rios, e tal freq\u00fc\u00eancia \u00e9 cansativa.\u00a0<strong>(Machado de Assis, Dom Casmurro)<\/strong><\/p>\n<p>Observemos os elementos de coes\u00e3o presentes neste texto.<\/p>\n<p>No primeiro per\u00edodo, temos o pronome<strong>\u00a0que<\/strong>\u00a0remetendo a\u00a0<strong>amigos<\/strong>, que \u00e9 o sujeito dos verbos\u00a0<strong>restam<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0s\u00e3o<\/strong>, da\u00ed a concord\u00e2ncia, em pessoa e n\u00famero, entre eles.<\/p>\n<p>Do mesmo modo,\u00a0<strong>amigos<\/strong>\u00a0\u00e9 o sujeito de\u00a0<strong>foram<\/strong>, na ora\u00e7\u00e3o seguinte;<strong>\u00a0todos<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>os<\/strong>\u00a0se relacionam a\u00a0<strong>amigos.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 no segundo per\u00edodo, em que o autor discorre sobre as amigas, os pronomes\u00a0<strong>algumas, outras, todas<\/strong>\u00a0remetem a<strong>\u00a0amigas<\/strong>; os numerais\u00a0<strong>duas, tr\u00eas\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m remetem a\u00a0<strong>amigas<\/strong>, que, por sua vez, \u00e9 o sujeito de\u00a0<strong>datam, cr\u00eaem, fariam, falam; nela<\/strong>\u00a0retoma a express\u00e3o\u00a0<strong>na mocidade<\/strong>, evitando sua repeti\u00e7\u00e3o; que representa a l\u00edngua. E, para retomar\u00a0<strong>muita vez,<\/strong>\u00a0o autor usou a express\u00e3o sin\u00f4nima\u00a0<strong>tal freq\u00fc\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Esses fatos representam mecanismos de coes\u00e3o, assinalando rela\u00e7\u00f5es entre os voc\u00e1bulos do texto. Outros mecanismos marcam a rela\u00e7\u00e3o de sentido entre os enunciados. Assim, os voc\u00e1bulos\u00a0<strong>mas<\/strong>\u00a0( mas a l\u00edngua que falam ),\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0( e quase todos cr\u00eaem na mocidae, e tal freq\u00fc\u00eancia \u00e9 cansativa ) assinalam rela\u00e7\u00e3o de contraste ou de oposi\u00e7\u00e3o e de adi\u00e7\u00e3o de argumentos ou id\u00e9ias, respectivamente. Dessa maneira, por meio dos elementos de coes\u00e3o, o texto vai sendo \u201ctecido\u201d, vai sendo constru\u00eddo.<\/p>\n<p>A respeito do conceito de coes\u00e3o, autores como Halliday e Hasan (1976), em obra cl\u00e1ssica sobre coes\u00e3o textual, que tem servido de base para grande n\u00famero de estudos sobre o assunto, afirmam que a coes\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente, para que se crie um texto. Na verdade, para que um conjunto de voc\u00e1bulos, express\u00f5es, frases seja considerado um texto, \u00e9 preciso haver rela\u00e7\u00f5es de sentido entra essas unidades (coer\u00eancia) e um encadeamento linear das unidades ling\u00fc\u00edsticas presentes no texto (coes\u00e3o). Mas essa afirmativa n\u00e3o \u00e9 categ\u00f3rica nem definitiva, por algumas raz\u00f5es. Uma delas \u00e9 que podemos ter conjuntos ling\u00fc\u00edsticos destitu\u00eddos de elos coesivos que, no entanto, s\u00e3o considerados textos porque s\u00e3o coerentes, isto \u00e9, apresentam uma continuidade sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Um outro bom exemplo da possibilidade de haver texto, porque h\u00e1 coer\u00eancia, sem elos coesivos explicitados ling\u00fcisticamente, \u00e9 o texto do escritor cearense Mino, em que s\u00f3 existem verbos.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Como se conjuga um empres\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou-se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abra\u00e7ou. Beijou. Saiu. Entrou. Cumprimentou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cumprimentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu. Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Conferiu. Vendeu. Vendeu. Ganhou. Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Depositou. Depositou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou. Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. Lesou. Demitiu. Convocou. Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou. Saiu. Chegou. Despiu-se. Abra\u00e7ou. Deitou-se. Mexeu. Gemeu. Fungou. Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Presenteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. Justificou-se. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocupou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Temeu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se \u2026<\/p>\n<p>Neste texto, a coer\u00eancia \u00e9 depreendida da seq\u00fc\u00eancia ordenada dos verbos com os quais o autor mostra o dia-a-dia de um empres\u00e1rio. Verbos como lesou, burlou, explorou, safou-se \u2026 transmitem um julgamento de valor do autor do texto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 figura de um empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Podemos constatar que \u201d Como se conjuga um empres\u00e1rio \u201d n\u00e3o precisou de elementos coesivos para ser considerado um texto. Por outro lado, elos coesivos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir a coer\u00eancia de um texto.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 o caso do exemplo a seguir:\u00a0<\/strong>As janelas da casa foram pintadas de azul, mas os pedreiros est\u00e3o almo\u00e7ando. A \u00e1gua da piscina parece limpa, entretanto foi tratada com cloro. A vista que tenho da casa \u00e9 muito agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Finalizando, vale dizer que, embora a coes\u00e3o n\u00e3o seja condi\u00e7\u00e3o suficiente para que enunciados se constituam em textos, s\u00e3o os elementos coesivos que d\u00e3o a eles maior legibilidade e evidenciam as rela\u00e7\u00f5es entre seus diversos componentes. A coer\u00eancia em textos did\u00e1ticos, expositivos, jornal\u00edsticos depende da utiliza\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de elementos coesores.<\/p>\n<p><strong>Mecanismos de Coes\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o variadas as maneiras como os diversos autores descrevem e classificam os mecanismos de coes\u00e3o. Consideramos que \u00e9 necess\u00e1rio perceber como esses mecanismos est\u00e3o presentes no texto (quando est\u00e3o) e de que maneira contribuem para sua tecitura, sua organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Mira Mateus (1983), \u201ctodos os processos de seq\u00fcencializa\u00e7\u00e3o que asseguram (ou tornam recuper\u00e1vel) uma liga\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica significativa entre os elementos que ocorrem na superf\u00edcie textual podem ser encarados como instrumentos de coes\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Esses instrumentos se organizam da seguinte forma:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\" align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-178350\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/tema.h10.gif\" alt=\"Coes\u00e3o\" width=\"464\" height=\"250\" \/><\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Gramatical<\/strong><\/p>\n<p>Faz-se por meio das concord\u00e2ncias nominais e verbais, da ordem dos voc\u00e1bulos, dos conectores, dos pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e obl\u00edquos), pronomes possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, relativos, diversos tipos de numerais, adv\u00e9rbios (aqui, ali, l\u00e1, a\u00ed), artigos definidos, de express\u00f5es de valor temporal.<\/p>\n<p>De acordo com o quadro antes apresentado, passamos a ver separadamente cada um dos tipos de conex\u00e3o gramatical, a saber, fr\u00e1sica, interfr\u00e1sica, temporal e referencial.<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Fr\u00e1sica<\/strong>\u00a0\u2013 este tipo de coes\u00e3o estabelece uma liga\u00e7\u00e3o significativa entre os componentes da frase, com base na concord\u00e2ncia entre o nome e seus determinantes, entre o sujeito e o verbo, entre o sujeito e seus predicadores, na ordem dos voc\u00e1bulos na ora\u00e7\u00e3o, na reg\u00eancia nominal e verbal.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1)\u00a0<\/strong>Florian\u00f3polis tem praias para todos os gostos, desertas, agitadas, com ondas, sem ondas, r\u00fasticas, sofisticadas.<\/p>\n<p><strong>Concord\u00e2ncia Nominal<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"320\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><b>praias<\/b><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">desertas, agitadas, r\u00fasticas, sofisticadas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><b>(subst.)<\/b><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(adjetivos)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"350\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><b>todos<\/b><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><b>os<\/b><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><b>gostos<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(pron.)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(artigo)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(substantivo)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>Concord\u00e2ncia Verbal<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"320\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><b>Florian\u00f3polis<\/b><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><b>tem<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(sujeito)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">(verbo)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>2)\u00a0<\/strong>A voz de Elza Soares \u00e9 um patrim\u00f4nio da m\u00fasica brasileira. Rascante, oclusiva, suingada, \u00e9 algo que poucas cantoras, no mundo inteiro, t\u00eam.<\/p>\n<p><strong>Concord\u00e2ncia Nominal:\u00a0<\/strong>voz rascante, oclusiva, suingada poucas cantoras m\u00fasica brasileira mundo inteiro<\/p>\n<p><strong>Concord\u00e2ncia Verbal:\u00a0<\/strong>voz \u00e9 cantoras t\u00eam\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com respeito \u00e0\u00a0<strong>ordem dos voc\u00e1bulos na ora\u00e7\u00e3o<\/strong>, deslocamentos de voc\u00e1bulos ou express\u00f5es dentro da ora\u00e7\u00e3o podem levar a diferentes interpreta\u00e7\u00f5es de um mesmo enunciado.<\/p>\n<p><strong>Observe estas frases:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0O bar\u00e3o admirava a bailarina que dan\u00e7ava com um olhar l\u00e2nguido.<\/p>\n<p>A express\u00e3o com um olhar l\u00e2nguido , devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o em que foi colocada, causa ambig\u00fcidade, pois tanto pode se referir ao bar\u00e3o como \u00e0 bailarina. Para deixar claro um ou outro sentido, \u00e9 preciso alterar a ordem dos voc\u00e1bulos.<\/p>\n<p>O bar\u00e3o, com um olhar l\u00e2nguido, admirava a bailarina que dan\u00e7ava. O bar\u00e3o admirava a bailarina que, com um olhar l\u00e2nguido, dan\u00e7ava.<\/p>\n<p><strong>b)\u00a0<\/strong>A moto em que ele estava passeando lentamente saiu da estrada..<\/p>\n<p><strong>A an\u00e1lise deste per\u00edodo mostra que ele \u00e9 formado de duas ora\u00e7\u00f5es<\/strong>: A moto saiu da estrada e em que ele estava passeando . A qual das duas, no entanto, se liga o adv\u00e9rbio lentamente ? Da forma como foi colocado, pode se ligar a qualquer uma das ora\u00e7\u00f5es. Para evitar a ambig\u00fcidade, recorremos a uma mudan\u00e7a na ordem dos voc\u00e1bulos.<\/p>\n<p><strong>Poder\u00edamos ter, ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>A moto em que lentamente ele estava passeando saiu da estrada. A moto em que ele estava passeando saiu lentamente da estrada.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0<strong>reg\u00eancia verbal<\/strong>, a coes\u00e3o pode ficar prejudicada se n\u00e3o forem tomados alguns cuidados. H\u00e1 verbos que mudam de sentido conforme a reg\u00eancia, isto \u00e9, conforme a rela\u00e7\u00e3o que estabelecem com o seu complemento.<\/p>\n<p>Por exemplo, o verbo assistir \u00e9 usado com a preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>a<\/strong>\u00a0quando significa\u00a0<strong>ser espectador, estar presente, presenciar<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Exemplo:\u00a0<\/strong>A cidade inteira assistiu ao desfile das escolas de samba. Entretanto, na linguagem coloquial, este verbo \u00e9 usado sem a preposi\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Por isso, com freq\u00fc\u00eancia, temos frases como:<\/strong>\u00a0Ainda n\u00e3o assisti o filme que foi premiado no festival . Ou A pe\u00e7a que assisti ontem foi muito bem montada (ao inv\u00e9s de a que assisti).<\/p>\n<p>No sentido de\u00a0<strong>acompanhar, ajudar, prestar assist\u00eancia, socorrer<\/strong>, usa-se com proposi\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Observe:<\/strong>\u00a0O m\u00e9dico\u00a0<strong>assistiu ao<\/strong>\u00a0doente durante toda a noite.Os Anjos do Asfalto\u00a0<strong>assistiram as<\/strong>\u00a0v\u00edtimas do acidente.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0\u00a0<strong>reg\u00eancia nominal<\/strong>, h\u00e1 tamb\u00e9m casos em que os enunciados podem se prestar a mais de uma interpreta\u00e7\u00e3o. Se dissermos A liquida\u00e7\u00e3o da Mesbla foi realizada no fim do ver\u00e3o , podemos entender que a Mesbla foi liquidada , foi vendida ou que a Mesbla promoveu uma liquida\u00e7\u00e3o de seus produtos . Isso acontece porque o nome liquida\u00e7\u00e3o est\u00e1 acompanhado de um outro termo ( da Mesbla ).<\/p>\n<p><strong>Dependendo do sentido que queremos dar \u00e0 frase, podemos reescrev\u00ea-la de duas maneiras:\u00a0<\/strong>A Mesbla foi liquidada no fim do ver\u00e3o. A Mesbla promoveu uma liquida\u00e7\u00e3o no fim do ver\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Interfr\u00e1sica<\/strong>\u00a0\u2013 designa os variados tipos de interdepend\u00eancia sem\u00e2ntica existente entre as frases na superf\u00edcie textual. Essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o expressas pelos. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, usar o conector adequado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que queremos expressar.<\/p>\n<p><strong>Seguem exemplos dos diferentes tipos de conectores que podemos empregar:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0As baleias que acabam de chegar ao Brasil sa\u00edram da Ant\u00e1rtida h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas. No banco de Abrolhos, uma faixa com cerca de 500 quil\u00f4metros de \u00e1gua rasa e c\u00e1lida, entre o Esp\u00edrito Santo\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0a Bahia, as baleias encontram as condi\u00e7\u00f5es ideais\u00a0<strong>para<\/strong>\u00a0acasalar, parir\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0amamentar. As primeiras a chegar s\u00e3o as m\u00e3es, que ainda amamentam os filhotes nascidos h\u00e1 um ano.\u00a0<b>Elas t\u00eam pressa,\u00a0<\/b><strong>porque<\/strong><b>\u00a0\u00e9 dif\u00edcil conciliar amamenta\u00e7\u00e3o\u00a0<\/b><strong>e<\/strong><b>\u00a0viagem,\u00a0<\/b><strong>j\u00e1 que<\/strong><b>\u00a0um filhote tem necessidade de mamar cerca de 100 litros de leite por dia\u00a0<\/b><strong>para<\/strong><b>\u00a0atingir a m\u00e9dia ideal de aumento de peso<\/b>: 35 quilos por semana.\u00a0<strong>Depois<\/strong>, v\u00eam os machos, as f\u00eameas sem filhote\u00a0<strong>e<\/strong>,\u00a0<strong>por \u00faltimo<\/strong>, as gr\u00e1vidas. Ao todo, s\u00e3o cerca de 1000 baleias que chegam a Abrolhos todos os anos.\u00a0<strong>J\u00e1<\/strong>\u00a0foram dezenas de milhares na \u00e9poca do descobrimento,\u00a0<strong>quando\u00a0<\/strong>estacionavam em v\u00e1rios pontos da costa brasileira. Em 1576, Pero de Magalh\u00e3es G\u00e2ndavo registrou ter visto centenas delas na ba\u00eda de Guanabara. (Revista VEJA, no 30, julho\/97)<br \/>\n<strong>b)<\/strong>\u00a0<strong>Como<\/strong>\u00a0suas gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias s\u00e3o internas, ela espirra o leite na \u00e1gua. (idem)<br \/>\n<strong>c)<\/strong>\u00a0<strong>Ao longo dos meses, por\u00e9m<\/strong>, a m\u00fasica vai sofrendo pequenas mudan\u00e7as,\u00a0<strong>at\u00e9 que, depois de cinco anos<\/strong>, \u00e9 completamente diferente da original. (idem)<br \/>\n<strong>d)\u00a0<\/strong>A baleia vem devagar, afunda a cabe\u00e7a, ergue o corpanzil em forma de arco e desaparece um instante. Sua cauda,\u00a0<strong>ent\u00e3o<\/strong>, ressurge gloriosa sobre a \u00e1gua\u00a0<strong>como<\/strong>\u00a0se fosse uma enorme borboleta molhada. A coreografia dura segundos,\u00a0<strong>por\u00e9m t\u00e3o<\/strong>\u00a0grande \u00e9 a baleia\u00a0<strong>que<\/strong>\u00a0parece um bal\u00e9 em c\u00e2mara lenta. (idem)<br \/>\n<strong>e) T\u00e3o<\/strong>\u00a0grande\u00a0<strong>quanto<\/strong>\u00a0as baleias \u00e9 a sua discri\u00e7\u00e3o. Nunca um ser humano presenciou uma c\u00f3pula de jubartes, mas sabe-se que seu intercurso \u00e9 muito r\u00e1pido, dura apenas alguns segundos. (idem)<br \/>\n<strong>f)\u00a0<\/strong>A jubarte \u00e9 engenhosa na hora de se alimentar.\u00a0<strong>Como<\/strong>\u00a0sua comida costuma ficar na superf\u00edcie, ela mergulha\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0nada em volta dos peixes, soltando bolhas de \u00e1gua. Ao subir, as bolhas concentram o alimento num c\u00edrculo.\u00a0<strong>Em seguida<\/strong>, a baleia abocanha tudo, elimina a \u00e1gua pelo canto da boca\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0usa a l\u00edngua como uma canaleta\u00a0<strong>a fim de<\/strong>\u00a0jogar o que interessa goela adentro. (idem)<br \/>\n<strong>g)\u00a0<\/strong>V\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es estrangeiras foram traduzidas,\u00a0<strong>embora<\/strong>\u00a0muitas vezes valha a pena comprar a vers\u00e3o original. (idem)<br \/>\n<strong>h)<\/strong>\u00a0Como guia de Paris, o livro \u00e9 um embuste. N\u00e3o espere,\u00a0<strong>portanto<\/strong>, descobrir atrav\u00e9s dele o hor\u00e1rio de funcionamento dos museus. A autora faz uma lista dos lugares onde o turista pode comprar roupas, \u00f3culos, sapatos, discos, livros,\u00a0<strong>no entanto<\/strong>, n\u00e3o fornece as faixas de pre\u00e7o das lojas. (idem)<br \/>\n<strong>i) Se<\/strong>\u00a0j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel espantar a chicotadas os vendilh\u00f5es do templo, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 integr\u00e1-los \u00e0 paisagem da f\u00e9. (\u2026) As cr\u00edticas v\u00eam\u00a0<strong>n\u00e3o s\u00f3<\/strong>\u00a0dos vendilh\u00f5es amea\u00e7ados de ficar de fora,\u00a0<strong>mas tamb\u00e9m<\/strong>\u00a0das pessoas que freq\u00fcentam o interior do templo\u00a0<strong>para<\/strong>\u00a0exercer a mais leg\u00edtima de suas fun\u00e7\u00f5es, a ora\u00e7\u00e3o. (Revista VEJA, no 27, julho\/97)<br \/>\n<strong>j) Na verdade<\/strong>, muitos habitantes de Aparecida est\u00e3o entre a cruz e a caixa registradora. Vivem a d\u00favida de preservar a pureza da Casa de Deus\u00a0<strong>ou<\/strong>\u00a0apoiar um empreendimento que pode trazer benesses materiais. (idem)<br \/>\n<strong>l)<\/strong>\u00a0A Igreja e a prefeitura estimam que o shopping deve gerar\u00a0<strong>pelo menos<\/strong>\u00a01000 empregos. (idem)<br \/>\n<strong>m)\u00a0<\/strong>Aparentemente boa, a infraestrutura da Bas\u00edlica se transforma em p\u00f3 em outubro,\u00a0<strong>por exemplo<\/strong>, quando num \u00fanico fim de semana surgem 300 mil fi\u00e9is. (idem)<br \/>\n<strong>n)<\/strong>\u00a0O shopping da f\u00e9\u00a0<strong>tamb\u00e9m<\/strong>\u00a0contar\u00e1 com um centro de eventos com palco girat\u00f3rio. (idem)<\/p>\n<p><strong>Conectores:<\/strong><\/p>\n<p><strong>e<\/strong>\u00a0(exemplos a,d,f) \u2013 liga termos ou argumentos.<br \/>\n<strong>porque<\/strong>\u00a0(exemplo a),\u00a0<strong>j\u00e1 que<\/strong>\u00a0(exemplo a),\u00a0<strong>como<\/strong>\u00a0(exemplos b, f) \u2013 introduzem uma explica\u00e7\u00e3o ou justificativa.<br \/>\n<strong>para<\/strong>\u00a0(exemplos a, i),\u00a0<strong>a fim de<\/strong>\u00a0(exemplo f) \u2013 indicam uma finalidade.<br \/>\n<strong>por\u00e9m<\/strong>\u00a0(exemplos c, d),\u00a0<strong>mas<\/strong>\u00a0(e) ,\u00a0<strong>embora<\/strong>\u00a0(g) ,\u00a0<strong>no entanto<\/strong>\u00a0(h) \u2013 indicam uma contraposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>como<\/strong>\u00a0(exemplo d) ,\u00a0<strong>t\u00e3o \u2026 que<\/strong>\u00a0(exemplo d),\u00a0<strong>t\u00e3o \u2026 quanto<\/strong>\u00a0(exemplo e) \u2013 indicam uma compara\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>portanto<\/strong>\u00a0(h) \u2013 evidencia uma conclus\u00e3o.<br \/>\n<strong>Depois<\/strong>\u00a0(a) ,\u00a0<strong>por \u00faltimo<\/strong>\u00a0(a),\u00a0<strong>quando<\/strong>\u00a0(a),\u00a0<strong>j\u00e1<\/strong>\u00a0(a),\u00a0<strong>ao longo dos meses<\/strong>\u00a0(c),\u00a0<strong>depois de cinco anos<\/strong>\u00a0(c),\u00a0<strong>em seguida<\/strong>\u00a0(f),\u00a0<strong>at\u00e9 que<\/strong>\u00a0(c) \u2013 servem para explicar a ordem dos fatos, para encadear os acontecimentos.<br \/>\n<strong>ent\u00e3o<\/strong>\u00a0(d) \u2013 operador que serve para dar continuidade ao texto.<br \/>\n<strong>se<\/strong>\u00a0(exemplo i) \u2013 indica uma forma de condicionar uma proposi\u00e7\u00e3o a outra.<br \/>\n<strong>n\u00e3o s\u00f3\u2026mas tamb\u00e9m<\/strong>\u00a0(exemplo i) \u2013 serve para mostrar uma soma de argumentos.<br \/>\n<strong>na verdade<\/strong>\u00a0(exemplo j) \u2013 expressa uma generaliza\u00e7\u00e3o, uma amplifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>ou<\/strong>\u00a0(exemplo j) \u2013 apresenta um disjun\u00e7\u00e3o argumentativa, uma alternativa.<br \/>\n<strong>por exemplo<\/strong>\u00a0(exemplo m) \u2013 serve para especificar o que foi dito antes.<br \/>\n<strong>tamb\u00e9m<\/strong>\u00a0(exemplo n) \u2013 operador para refor\u00e7ar mais um argumento apresentado.<\/p>\n<p>Ainda dentro da coes\u00e3o interfr\u00e1sica, existe o processo de justaposi\u00e7\u00e3o, em que a coes\u00e3o se d\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o da seq\u00fc\u00eancia do texto, da ordem em que as informa\u00e7\u00f5es, as proposi\u00e7\u00f5es, os argumentos v\u00e3o sendo apresentados. Quando isto acontece, ainda que os operadores n\u00e3o tenham sido explicitados, eles s\u00e3o depreendidos da rela\u00e7\u00e3o que est\u00e1 impl\u00edcita entre as partes da frase.<\/p>\n<p><strong>O trecho abaixo \u00e9 um exemplo de justaposi\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p>Foi em cabar\u00e9s e mesas de bar que Di Cavalcanti fez amigos, conquistou mulheres, foi apresentado a medalh\u00f5es das artes e da pol\u00edtica. Nos anos 20, trocou o Rio por longas temporadas em S\u00e3o Paulo; em seguida foi para Paris. Acabou conhecendo Picasso, Matisse e Braque nos caf\u00e9s de Montparnasse. Di Cavalcanti era irreverente demais e calculista de menos em rela\u00e7\u00e3o aos famosos e poderosos. Quando se irritava com algu\u00e9m, n\u00e3o media palavras. Teve um inimigo na vida. O tamb\u00e9m pintor C\u00e2ndido Portinari. A briga entre ambos come\u00e7ou nos anos 40. Jamais se reconciliaram. Portinari n\u00e3o tocava publicamente no nome de Di. (Revista VEJA, no 37,setembro\/97)<\/p>\n<p><strong>H\u00e1, neste trecho, apenas uma coes\u00e3o interfr\u00e1sica explicitada<\/strong>: trata-se da ora\u00e7\u00e3o \u201cQuando se irritava com algu\u00e9m, n\u00e3o media palavras\u201d. Os demais poss\u00edveis conectores s\u00e3o indicados por ponto e ponto-e-v\u00edrgula.<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Temporal<\/strong>\u00a0\u2013 uma seq\u00fc\u00eancia s\u00f3 se apresenta coesa e coerente quando a ordem dos enunciados estiver de acordo com aquilo que sabemos ser poss\u00edvel de ocorrer no universo a que o texto se refere, ou no qual o texto se insere. Se essa ordena\u00e7\u00e3o temporal n\u00e3o satisfizer essas condi\u00e7\u00f5es, o texto apresentar\u00e1 problemas no seu sentido. A coes\u00e3o temporal \u00e9 assegurada pelo emprego adequado dos tempos verbais, obedecendo a uma seq\u00fc\u00eancia plaus\u00edvel, ao uso de adv\u00e9rbios que ajudam a situar o leitor no tempo (s\u00e3o, de certa forma, os conectores temporais).<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p>A dita Era da Televis\u00e3o \u00e9, relativamente, nova. Embora os princ\u00edpios t\u00e9cnicos de base sobre os quais repousa a transmiss\u00e3o televisual j\u00e1 estivessem em experimenta\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>entre 1908 e 1914<\/strong>, nos Estados Unidos, no decorrer de pesquisas sobre a amplifica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, somente\u00a0<strong>na d\u00e9cada de vinte<\/strong>\u00a0chegou-se ao tubo cat\u00f3dico, principal pe\u00e7a do aparelho de tev\u00ea.\u00a0<strong>Ap\u00f3s v\u00e1rias experi\u00eancias por sociedades eletr\u00f4nicas<\/strong>, tiveram in\u00edcio,\u00a0<strong>em 1939<\/strong>, as transmiss\u00f5es regulares entre Nova Iorque e Chicago \u2013 mas quase n\u00e3o havia aparelhos particulares. A\u00a0<strong>guerra<\/strong>\u00a0imp\u00f4s um hiato \u00e0s experi\u00eancias. A ascens\u00e3o vertiginosa do novo ve\u00edculo deu-se\u00a0<strong>ap\u00f3s 1945<\/strong>. No Brasil, a despeito de algumas experi\u00eancias pioneiras de laborat\u00f3rio (Roquete Pinto chegou a interessar-se pela transmiss\u00e3o da imagem), a tev\u00ea s\u00f3 foi mesmo implantada\u00a0<strong>em setembro de 1950<\/strong>, com a inaugura\u00e7\u00e3o do Canal 3 (TV Tupi), por Assis Chateaubriand.\u00a0<strong>Nesse mesmo ano<\/strong>, nos Estados Unidos, j\u00e1 havia cerca de cem esta\u00e7\u00f5es, servindo a doze milh\u00f5es de aparelhos. Existem\u00a0<strong>hoje<\/strong>\u00a0mais de 50 canais em funcionamento, em todo o territ\u00f3rio brasileiro, e perto de 4 milh\u00f5es de aparelhos receptores. [dados de 1971] (Muniz Sodr\u00e9, A comunica\u00e7\u00e3o do grotesco)<\/p>\n<p><strong>Temos, neste par\u00e1grafo, a presenta\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria da televis\u00e3o no Brasil, e o que contribui para a clareza desta trajet\u00f3ria \u00e9 a seq\u00fc\u00eancia coerente das datas:\u00a0<\/strong>entre 1908 e 1914, na d\u00e9cada de vinte, em 1939, Ap\u00f3s v\u00e1rias experi\u00eancias por sociedades eletr\u00f4nicas, (\u00e9poca da) guerra, ap\u00f3s 1945, em setembro de 1950, nesse mesmo ano, hoje.<\/p>\n<p><strong>Embora o assunto neste t\u00f3pico seja a coes\u00e3o temporal, vale a pena mostrar tamb\u00e9m a ordena\u00e7\u00e3o espacial que acompanha as diversas \u00e9pocas apontadas no par\u00e1grafo<\/strong>: nos Estados Unidos, entre Nova Iorque e Chicago, no Brasil, em todo o territ\u00f3rio brasileiro .<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o Referencial<\/strong>\u00a0\u2013 neste tipo de coes\u00e3o, um componente da superf\u00edcie textual faz refer\u00eancia a outro componente, que, \u00e9 claro, j\u00e1 ocorreu antes. Para esta refer\u00eancia s\u00e3o largamente empregados os pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e obl\u00edquos), pronomes possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, relativos, diversos tipos de numerais, adv\u00e9rbios (aqui, ali, l\u00e1, a\u00ed), artigos.<\/p>\n<p><strong>Exemplos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)<\/strong>\u00a0Durante o per\u00edodo da amamenta\u00e7\u00e3o, a\u00a0<strong>m\u00e3e<\/strong>\u00a0ensina os segredos da sobreviv\u00eancia ao\u00a0<strong>filhote<\/strong>\u00a0e \u00e9 arremedada por\u00a0<strong>ele<\/strong>. A\u00a0<strong>baleiona<\/strong>\u00a0salta, o filhote\u00a0<strong>a<\/strong>\u00a0imita.\u00a0<strong>Ela<\/strong>\u00a0bate a cauda,\u00a0<strong>ele<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m\u00a0<strong>o\u00a0<\/strong>faz. (Revista VEJA, no 30,julho\/97)\u00a0<strong>ela, a<\/strong>\u00a0\u2013 retomam o termo baleiona, que, por sua vez, substitui o voc\u00e1bulo\u00a0<strong>m\u00e3e<\/strong>.\u00a0<strong>ele<\/strong>\u00a0\u2013 retoma o termo\u00a0<strong>filhote<\/strong>\u00a0ele tamb\u00e9m\u00a0<strong>o<\/strong>\u00a0faz \u2013\u00a0<strong>o<\/strong>\u00a0retoma as a\u00e7\u00f5es de saltar, bater, que a m\u00e3e pratica.<\/p>\n<p><strong>b)<\/strong>\u00a0Madre Teresa de Calcut\u00e1,\u00a0<strong>que<\/strong>\u00a0em 1979 ganhou o Pr\u00eamio Nobel da Paz por\u00a0<strong>seu<\/strong>\u00a0trabalho com os destitu\u00eddos do mundo, estava triste na semana passada. Perdera uma amiga, a princesa Diana. Al\u00e9m disso,\u00a0<strong>seus<\/strong>\u00a0problemas de sa\u00fade agravaram-se. Instalada em uma cadeira de rodas,\u00a0<strong>ela<\/strong>\u00a0mantinha-se, como sempre, na ativa. J\u00e1 que n\u00e3o podia ir a Londres, pretendia participar, no s\u00e1bado, de um ato em mem\u00f3ria da princesa, em Calcut\u00e1, onde morava h\u00e1 quase setenta anos. Na noite de sexta-feira,\u00a0<strong>seu<\/strong>\u00a0m\u00e9dico foi chamado \u00e0s pressas. N\u00e3o adiantou. Aos 87 anos, Madre Teresa perdeu a batalha entre\u00a0<strong>seu<\/strong>\u00a0organismo debilitado e fr\u00e1gil e\u00a0<strong>sua<\/strong>\u00a0vontade de ferro e morreu v\u00edtima de ataque card\u00edaco. O Papa Jo\u00e3o Paulo II declarou-se \u201csentido e entristecido\u201d. Madre Teresa e o papa tinham grande afinidade. (Revista VEJA, n\u00ba 36, setembro\/97)<\/p>\n<p><strong>que, seu, seus, ela, sua<\/strong>\u00a0referem-se a Madre Teresa.\u00a0<strong>princesa<\/strong>\u00a0retoma a express\u00e3o princesa Diana.\u00a0<strong>papa<\/strong>\u00a0retoma a express\u00e3o Papa Jo\u00e3o Paulo II.\u00a0<strong>onde<\/strong>\u00a0refere-se \u00e0 cidade de Calcut\u00e1.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros elementos de coes\u00e3o, como\u00a0<strong>Al\u00e9m disso, j\u00e1 que<\/strong>\u00a0, que introduzem, respectivamente, um acr\u00e9scimo ao que j\u00e1 fora dito e uma justificativa.<\/p>\n<p><strong>c)<\/strong>\u00a0Em Abrolhos, as jubartes fazem a maior esb\u00f3rnia.\u00a0<strong>Elas<\/strong>\u00a0se re\u00fanem em grupos de tr\u00eas a oito animais, sempre com uma \u00fanica\u00a0<strong>f\u00eamea<\/strong>\u00a0no comando. \u00c9\u00a0<strong>ela<\/strong>, por exemplo, que determina a velocidade e a dire\u00e7\u00e3o a seguir. Os machos v\u00e3o atr\u00e1s, na expectativa de ver se a f\u00eamea cai na rede, com o perd\u00e3o do trocadilho,e aceita copular. Como h\u00e1 mais machos que\u00a0<strong>f\u00eameas<\/strong>,\u00a0<strong>elas<\/strong>\u00a0copulam com v\u00e1rios\u00a0<strong>deles<\/strong>\u00a0para ter certeza de que engravidar\u00e3o. (Revista VEJA, no 30, julho\/97)<\/p>\n<p>Neste exemplo, ocorre um tipo bastante comum de refer\u00eancia \u2013\u00a0<strong>a anaf\u00f3rica<\/strong>. Os pronomes elas (que retoma jubartes ), ela (que retoma f\u00eamea ), elas (que se refere a f\u00eameas ) e deles (que se refere a machos ) ocorrem\u00a0<strong>depois<\/strong>\u00a0dos nomes que representam.<\/p>\n<p><strong>d)<\/strong>\u00a0<strong>Ele<\/strong>\u00a0foi o \u00fanico sobrevivente do acidente que matou a princesa, mas o\u00a0<strong>guarda-costas<\/strong>\u00a0n\u00e3o se lembra de nada. (Revista VEJA, no 37, setembro\/97)<\/p>\n<p><strong>e)<\/strong>\u00a0<strong>Elas<\/strong>\u00a0est\u00e3o divididas entre a cria\u00e7\u00e3o dos filhos e o desenvolvimento profissional, por isso, muitas vezes, as\u00a0<strong>mulheres<\/strong>\u00a0precisam fazer escolhas dif\u00edceis. (Revista VEJA, no 30, julho\/97)<\/p>\n<p>Nas letras\u00a0<strong>d<\/strong>,\u00a0<strong>e<\/strong>\u00a0temos o que se chama uma refer\u00eancia\u00a0<strong>cataf\u00f3rica<\/strong>. Isto acontece porque os pronomes\u00a0<strong>Ele<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Elas<\/strong>, que se referem, respectivamente a\u00a0<strong>guarda-costas<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>mulheres<\/strong>\u00a0aparecem\u00a0<strong>antes<\/strong>\u00a0do nome que retomam.<\/p>\n<p><strong>f)<\/strong>\u00a0A expedi\u00e7\u00e3o de Vasco da Gama reunia o melhor que Portugal podia oferecer em tecnologia n\u00e1utica. Dispunha das mais avan\u00e7adas cartas de navega\u00e7\u00e3o e levava pilotos experientes. (Revista VEJA, no 27, julho\/97)<\/p>\n<p>Temos neste per\u00edodo uma refer\u00eancia por elipse. O sujeito dos verbos\u00a0<strong>dispunha<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>levava<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0<strong>A expedi\u00e7\u00e3o de Vasco da Gama<\/strong>, que n\u00e3o \u00e9 retomada pelo pronome correspondente ela, mas por elipse, isto \u00e9, a concord\u00e2ncia do verbo \u2013 3\u00aa pessoa do singular do pret\u00e9rito imperfeito do indicativo \u2013 \u00e9 que indica a refer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Existe ainda a possibilidade de uma id\u00e9ia inteira ser retomada por um pronome, como acontece nas frases a seguir:<\/strong><\/p>\n<p><strong>a)\u00a0<\/strong>Todos os detalhes sobre a vida das jubartes s\u00e3o resultado de anos de observa\u00e7\u00e3o de pesquisadores apaixonados pelo objeto de estudo. Trabalhos como\u00a0<strong>esse<\/strong>\u00a0v\u00eam alcan\u00e7ando bons resultados. (Revista VEJA, no 30, julho\/97)<\/p>\n<p>O pronome\u00a0<strong>esse<\/strong>\u00a0retoma toda a seq\u00fc\u00eancia anterior.<\/p>\n<p><strong>b)\u00a0<\/strong>Se ningu\u00e9m tomar uma provid\u00eancia, haver\u00e1 um desastre sem precedentes na Amaz\u00f4nia brasileira. Ainda h\u00e1 tempo de evit\u00e1-<strong>lo<\/strong>. (Revista VEJA, junho\/97)<\/p>\n<p>O pronome\u00a0<strong>lo<\/strong>\u00a0se refere ao\u00a0<strong>desastre sem precedentes<\/strong>\u00a0citado antes.<\/p>\n<p><strong>c)\u00a0<\/strong>A lei \u00e9 um absurdo do come\u00e7o ao fim.\u00a0<strong>Primeiro<\/strong>, porque permite aos moradores da superquadra isolar uma\u00a0<strong>\u00e1rea p\u00fablica<\/strong>, n\u00e3o permitindo que os demais habitantes transitem por\u00a0<strong>ali<\/strong>.\u00a0<strong>Segundo<\/strong>, o projeto n\u00e3o repassa aos moradores o custo\u00a0<strong>disso<\/strong>,\u00a0<strong>ou seja<\/strong>, a responsabilidade pela coleta de lixo, pelos servi\u00e7os de \u00e1gua e luz e pela instala\u00e7\u00e3o de telefones.\u00a0<strong>Pelo contr\u00e1rio<\/strong>, a taxa de limpeza p\u00fablica seria reduzida para os moradores.\u00a0<strong>Al\u00e9m disso<\/strong>, a aprova\u00e7\u00e3o do texto foi obtida mediante emprego de argumentos falsos. (Revista VEJA, julho\/97)<\/p>\n<p>Este texto apresenta diferentes tipo de elementos de coes\u00e3o.\u00a0<strong>ali\u00a0<\/strong>\u2013 faz refer\u00eancia a\u00a0<strong>\u00e1rea p\u00fablica<\/strong>\u00a0, anteriormente citada.\u00a0<strong>disso\u00a0<\/strong>\u2013 retoma o que \u00e9 considerado um absurdo dentro da nova lei. Ao mesmo tempo,\u00a0<strong>disso<\/strong>\u00a0\u00e9 explicado a partir do operador\u00a0<strong>ou seja<\/strong>\u00a0.\u00a0<strong>ou seja, pelo contr\u00e1rio\u00a0<\/strong>\u2013 conectores que introduzem uma retifica\u00e7\u00e3o, uma corre\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Al\u00e9m disso\u00a0<\/strong>\u2013 conector que tem por fun\u00e7\u00e3o acrescentar mais um argumento ao que est\u00e1 sendo discutido.\u00a0<strong>Primeiro\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>Segundo\u00a0<\/strong>\u2013 estes conectores indicam a ordem dos argumentos, dos assuntos.<\/p>\n<p><strong>Coes\u00e3o de um Texto \u2013 Caracter\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p><strong>De que consiste a Coes\u00e3o de um Texto?<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0<b>coes\u00e3o<\/b>\u00a0resulta da rela\u00e7\u00e3o harmoniosa entre os pensamentos e as id\u00e9ias apresentadas em um texto sobre um determinado assunto, ou seja, refere-se \u00e0 seq\u00fc\u00eancia ordenada das opini\u00f5es ou fatos expostos; est\u00e1 ligada \u00e0 inteligibilidade do texto em uma situa\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que o coment\u00e1rio cr\u00edtico se realize como um texto predominantemente argumentativo, ele dever\u00e1 apresentar uma estrutura espec\u00edfica, em que exista uma rela\u00e7\u00e3o entre argumentos e uma dada conclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O exemplo que segue exp\u00f5e tal caracter\u00edstica:<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que necessita bastante de pessoas honestas no poder, para que possa emergir como uma das grandes pot\u00eancias mundiais. Se forem resolvidos os problemas de ordem pol\u00edtico-social, as camadas mais pobres ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de usufruir tudo que essa na\u00e7\u00e3o tem para lhes oferecer.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1ria, tamb\u00e9m, a presen\u00e7a de determinados tipos de frases, como os mais adequados para a argumenta\u00e7\u00e3o, tais como asser\u00e7\u00e3o ou a interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Identificamos isso no exemplo que segue. Vale destacar que nunca \u00e9 usado o imperativo.<\/p>\n<p>&#8220;Por v\u00e1rios anos, manteve-se o sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pedofilia no meio sacerdotal, tudo isso era reprimido simbolicamente, com transfer\u00eancia para outra par\u00f3quia, tratamento psicol\u00f3gico ou pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. Tal neglig\u00eancia pode ter causado certo est\u00edmulo ao agravamento do problema. Entre os direitos, um nos considerados mais importantes \u00e9 o do voto. O esc\u00e2ndalo dos padres ped\u00f3filos fez tremer as bases do sistema em voga na Igreja Cat\u00f3lica. O que pode ter acontecido?&#8221;<\/p>\n<p>Apontamos, ainda, que o g\u00eanero coment\u00e1rio cr\u00edtico dever\u00e1 ser escrito no dialeto padr\u00e3o (l\u00edngua culta), atendendo \u00e0s regras socialmente estabelecidas para o uso da l\u00edngua materna. Sendo assim, vale destacar que, dentre as compet\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 produ\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero, \u00e9 imprescind\u00edvel ao aluno-produtor desenvolver sua compet\u00eancia ling\u00fc\u00edstica.<\/p>\n<p>A coes\u00e3o \u00e9 decorrente de rela\u00e7\u00f5es de sentido que se operam entre elementos do texto. \u00c0s vezes, a interpreta\u00e7\u00e3o de um termo depende da interpreta\u00e7\u00e3o de outro ao qual se faz refer\u00eancia, ou seja, a significa\u00e7\u00e3o de uma palavra vai pressupor a de outra.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo, se nos depar\u00e1ssemos com a seguinte frase:<\/strong>\u00a0L\u00e1 era poss\u00edvel adquiri-las a um pre\u00e7o relativamente baixo.<\/p>\n<p><strong>Certamente, perguntar\u00edamos:\u00a0<\/strong>l\u00e1 onde?<\/p>\n<p>Adquirir o qu\u00ea? O sentido dessas palavras pressup\u00f5e a exist\u00eancia de outras \u00e0s quais devem estar se referindo. Entretanto, se a frase fosse &#8220;Naquela feira, havia muitas blusas vindas diretamente de Nova Iorque. L\u00e1 era poss\u00edvel adquiri-las a um pre\u00e7o relativamente baixo&#8221;, com certeza n\u00e3o encontrar\u00edamos nenhum problema para a compreens\u00e3o das id\u00e9ias. O sentido do adv\u00e9rbio l\u00e1 e da forma pronominal -las fica claro, pois eles guardam \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com outros termos da frase (<b>l\u00e1<\/b>: naquela feira; &#8211;<b>las<\/b>: as blusas). Assim, podemos dizer que essas palavras funcionam, na frase acima, como elementos de coes\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios fatores podem acarretar a falta de coes\u00e3o textual, como as reg\u00eancias incorretas, concord\u00e2ncia incorreta, ambig\u00fcidades, frases inacabadas, emprego incorreto de pronomes e muitas outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Exemplos<\/b><\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma pessoa onde sempre procurou fazer o melhor para os outros. (que)<br \/>\nFazem cinco anos que estamos casados, mas n\u00e3o se damos bem. (Faz; nos)<br \/>\nHouveram muitos problemas naquele jogo e eles precisavam o apoio do p\u00fablico. (houve; do)<br \/>\nMarcos encontrou uma obra na biblioteca que estava mal conservada. (<b>A frase \u00e9 amb\u00edgua<\/b>: quem estava mal conservada? A obra ou a biblioteca?)<\/p>\n<p><strong>Para tornar uma frase coesa, bastaria escrev\u00ea-la assim:<\/strong>\u00a0Marcos encontrou uma obra que estava mal conservada na biblioteca.<\/p>\n<p>Para perceber a aus\u00eancia de coes\u00e3o num texto que produzimos, a melhor atitude \u00e9 l\u00ea-lo atentamente, sempre procurando estabelecer as rela\u00e7\u00f5es entre as palavras que forma as ora\u00e7\u00f5es, as ora\u00e7\u00f5es que formam os per\u00edodos e, finalmente, entre os v\u00e1rios per\u00edodos ou partes que formam o texto.<\/p>\n<p><b>Coes\u00e3o e Coer\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Uma das propriedades que distingue um texto de um amontoado de palavras ou frases \u00e9 o relacionamento existente entre si.<\/p>\n<p><strong>De que trata, ent\u00e3o, a coes\u00e3o textual?<\/strong><\/p>\n<p>Da liga\u00e7\u00e3o, da rela\u00e7\u00e3o, da conex\u00e3o entre as palavras de um texto, atrav\u00e9s de elementos formais, que assinalam o v\u00ednculo entre os seus componentes.<\/p>\n<p>Uma das modalidades de coes\u00e3o \u00e9 a remiss\u00e3o. E a coes\u00e3o pode desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de (re)ativa\u00e7\u00e3o do referente. A reativa\u00e7\u00e3o do referente no texto \u00e9 realizada por meio da referencia\u00e7\u00e3o anaf\u00f3rica ou cataf\u00f3rica, formando-se cadeias coesivas mais ou menos longas.<\/p>\n<p>A remiss\u00e3o anaf\u00f3rica (para tr\u00e1s) realiza-se por meio de pronomes pessoais de 3\u00aa pessoa (retos e obl\u00edquos) e os demais pronomes; tamb\u00e9m por numerais, adv\u00e9rbios e artigos.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b>Andr\u00e9 e Pedro s\u00e3o fan\u00e1ticos torcedores de futebol. Apesar disso, s\u00e3o diferentes. Este n\u00e3o briga com quem torce para outro time; aquele o faz.<\/p>\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O termo isso retoma o predicado s\u00e3o fan\u00e1ticos torcedores de futebol; este recupera a palavra Pedro; aquele , o termo Andr\u00e9; o faz, o predicado briga com quem torce para o outro time &#8211; s\u00e3o anaf\u00f3ricos.<\/p>\n<p>A remiss\u00e3o cataf\u00f3rica (para a frente) realiza-se preferencialmente atrav\u00e9s de pronomes demonstrativos ou indefinidos neutros, ou de nomes gen\u00e9ricos, mas tamb\u00e9m por meio das demais esp\u00e9cies de pronomes, de adv\u00e9rbios e de numerais.<\/p>\n<p><b>Exemplo:\u00a0<\/b><strong>Qualquer que tivesse sido seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profiss\u00e3o e passara pesadamente a ensinar no curso prim\u00e1rio<\/strong>: era tudo o que sab\u00edamos dele, o professor, gordo e silencioso, de ombros contra\u00eddos.<\/p>\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O pronome possessivo seu e o pronome pessoal reto ele antecipam a express\u00e3o o professor &#8211; s\u00e3o cataf\u00f3ricos.<\/p>\n<p>De que trata a coer\u00eancia textual ? Da rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre as diversas partes do texto, criando uma unidade de sentido. Est\u00e1, portanto, ligada ao entendimento, \u00e0 possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o daquilo que se ouve ou l\u00ea.<\/p>\n<p><b>Coer\u00eancia e Coes\u00e3o Textuais<\/b><\/p>\n<p>Conceitos nucleares da lingu\u00edstica textual, que dizem respeito a dois fatores de garantia e preserva\u00e7\u00e3o da textualidade. Coer\u00eancia \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o em conjunto dos elementos formativos de um texto; a coes\u00e3o \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o consistente desses elementos. Estas duas defini\u00e7\u00f5es literais n\u00e3o contemplam todas as possibilidades de significa\u00e7\u00e3o destas duas opera\u00e7\u00f5es essencias na constru\u00e7\u00e3o de um texto e nem sequer d\u00e3o conta dos problemas que se levantam na contamina\u00e7\u00e3o entre ambas. As defini\u00e7\u00f5es apresentadas constituem apenas princ\u00edpios b\u00e1sicos de reconhecimento das duas opera\u00e7\u00f5es (note-se que o fato de designarmos a coer\u00eancia e a coes\u00e3o como opera\u00e7\u00f5es pode ser inclusive refut\u00e1vel). A distin\u00e7\u00e3o entre estas duas opera\u00e7\u00f5es ou fatores de textualidade est\u00e1 ainda em discuss\u00e3o quer na teoria do texto quer na lingu\u00edstica textual.<\/p>\n<p>Entre os autores que apenas se referem a um dos aspectos, sem qualquer distin\u00e7\u00e3o, est\u00e3o Halliday e Hasan, que, em Cohesion in English (1976), defendem ser a coes\u00e3o entre as frases o fator determinante de um texto enquanto tal; \u00e9 a coes\u00e3o que permite chegar \u00e0 textura (aquilo que permite distinguir um texto de um n\u00e3o-texto); a coes\u00e3o obt\u00e9m-se em grande parte a partir da gram\u00e1tica e tamb\u00e9m a partir do l\u00e9xico.<\/p>\n<p><strong>Por outro lado, autores como Beaugrande e Dressler apresentam um ponto de vista que partilhamos:<\/strong>\u00a0coer\u00eancia e coes\u00e3o s\u00e3o n\u00edveis distintos de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>A coes\u00e3o diz respeito ao modo como ligamos os elementos textuais numa sequ\u00eancia; a coer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas que permitem a uni\u00e3o dos elementos textuais.<\/p>\n<p>A coer\u00eancia de um texto \u00e9 facilmente deduzida por um falante de uma l\u00edngua, quando n\u00e3o encontra sentido l\u00f3gico entre as proposi\u00e7\u00f5es de um enunciado oral ou escrito. \u00c9 a compet\u00eancia lingu\u00edstica, tomada em sentido lato, que permite a esse falante reconhecer de imediato a coer\u00eancia de um discurso.<\/p>\n<p><strong>A compet\u00eancia lingu\u00edstica combina-se com a compet\u00eancia textual para possibilitar certas opera\u00e7\u00f5es simples ou complexas da escrita liter\u00e1ria ou n\u00e3o liter\u00e1ria:<\/strong>\u00a0um resumo, uma par\u00e1frase, uma disserta\u00e7\u00e3o a partir de um tema dado, um coment\u00e1rio a um texto liter\u00e1rio, etc.<\/p>\n<p><strong>Coer\u00eancia e coes\u00e3o<\/strong>\u00a0s\u00e3o fen\u00f4menos distintos porque podem ocorrer numa sequ\u00eancia coesiva de fatos isolados que, combinados entre si, n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para formar um texto. A coes\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e suficiente para constituir um texto.<\/p>\n<p><strong>No exemplo:<\/strong><\/p>\n<p><b>(1)<\/b><\/p>\n<p>A Joana n\u00e3o estuda nesta Escola.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o sabe qual \u00e9 a Escola mais antiga da cidade.<\/p>\n<p>Esta Escola tem um jardim.<\/p>\n<p>A Escola n\u00e3o tem laborat\u00f3rio de l\u00ednguas.<\/p>\n<p>o termo lexical \u201cEscola\u201d \u00e9 comum a todas as frases e o nome \u201cJoana\u201d est\u00e1 pronominalizado, contudo, tal n\u00e3o \u00e9 suficiente para formar um texto, uma vez que n\u00e3o possu\u00edmos as rela\u00e7\u00f5es de sentido que unificam a sequ\u00eancia, apesar da coes\u00e3o individual das frases encadeadas (mas divorciadas semanticamente).<\/p>\n<p>Pode ocorrer um texto sem coes\u00e3o interna, mas a sua textualidade n\u00e3o deixa de se manifestar ao n\u00edvel da coer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Seja o seguinte exemplo:<\/strong><\/p>\n<p><b>(2)<\/b><\/p>\n<p>O Paulo estuda Ingl\u00eas.<\/p>\n<p>A Elisa vai todas as tardes trabalhar no Instituto.<\/p>\n<p>A Sandra teve 16 valores no teste de Matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Todos os meus filhos s\u00e3o estudiosos.<\/p>\n<p>Este exemplo mostra-nos que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio retomar elementos de enunciados anteriores para conseguir coer\u00eancia textual entre as frases. Al\u00e9m disso, a coer\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 apenas na sucess\u00e3o linear dos enunciados mas numa ordena\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica. Em (2), o \u00faltimo enunciado reduz os anteriores a um denominador comum e recupera a unidade.<\/p>\n<p>A coer\u00eancia n\u00e3o \u00e9 independente do contexto no qual o texto est\u00e1 inscrito, isto \u00e9, n\u00e3o podemos ignorar fatores como o autor, o leitor, o espa\u00e7o, a hist\u00f3ria, o tempo, etc.<\/p>\n<p><strong>O exemplo seguinte:<\/strong><\/p>\n<p><b>(3)<\/b>\u00a0O velho abutre alisa as suas penas.<\/p>\n<p><strong>\u00e9 um verso de Sophia de Mello Breyner Andresen que s\u00f3 pode ser compreendido uma vez contextualizado (pertence ao conjunto \u201cAs Grades\u201d, in Livro Sexto, 1962):\u00a0<\/strong>o \u201cvelho abutre\u201d \u00e9 uma met\u00e1fora subtil para designar o ditador fascista Salazar. N\u00e3o \u00e9 o conhecimento da l\u00edngua que nos permite saber isto mas o conhecimento da cultura portuguesa.<\/p>\n<p><strong>A coes\u00e3o textual pode conseguir-se mediante quatro procedimentos gramaticais elementares, sem querermos avan\u00e7ar aqui com um modelo universal mas apenas definir opera\u00e7\u00f5es fundamentais:<\/strong><\/p>\n<p><strong>i. Substitui\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0<strong>quando uma palavra ou express\u00e3o substitui outras anteriores<\/strong>:<\/p>\n<p><b>(4)\u00a0<\/b>O Rui foi ao cinema. Ele n\u00e3o gostou do filme.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 ii. Reitera\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0<strong>quando se repetem formas no texto<\/strong>:<\/p>\n<p><b>(5)<\/b>\u00a0\u2013 \u00abE um beijo?! E um beijo do seu filhinho?!\u00bb \u2013 Quando dar\u00e1 beijos o meu menino?!<\/p>\n<p>(Fialho de Almeida)<\/p>\n<p>A reitera\u00e7\u00e3o pode ser lexical (\u201cE um beijo\u201d) ou sem\u00e2ntica (\u201cfilhinho\u201d\/\u201dmenino\u201d).<\/p>\n<p><strong>\u00a0 iii. Conjun\u00e7\u00e3o :<\/strong>\u00a0<strong>quando uma palavra, express\u00e3o ou ora\u00e7\u00e3o se relaciona com outras antecedentes por meio de conectores gramaticais<\/strong>:<\/p>\n<p><b>(6)\u00a0<\/b>O c\u00e3o da Teresa desapareceu. A partir da\u00ed , n\u00e3o mais se sentiu segura.<\/p>\n<p><b>\u00a0 (7)<\/b>\u00a0A partir do momento em que o seu c\u00e3o desapareceu, a Teresa n\u00e3o mais se sentiu segura.<\/p>\n<p><strong>\u00a0 iv. Concord\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0<b>quando se obt\u00e9m uma sequ\u00eancia gramaticalmente l\u00f3gica, em que todos os elementos concordam entre si (tempos e modos verbais correlacionados; reg\u00eancias verbais corretas, g\u00eanero gramatical corretamente atribu\u00eddo, coordena\u00e7\u00e3o e subordina\u00e7\u00e3o entre ora\u00e7\u00f5es):<\/b><\/p>\n<p><b>(8)<\/b>\u00a0Cheguei, vi e venci.<\/p>\n<p><b>(9)<\/b>\u00a0Primeiro vou lavar os dentes e depois vou para a cama.<\/p>\n<p><b>(10)<\/b>\u00a0Espero que o teste corra bem.<\/p>\n<p><b>\u00a0(11)<\/b>\u00a0Esperava que o teste tivesse corrido bem.<\/p>\n<p><b>(12)<\/b>\u00a0Estava muito cansado, porque trabalhei at\u00e9 tarde.<\/p>\n<p><strong>De notar que os v\u00e1rios modelos te\u00f3ricos sobre coes\u00e3o textual prev\u00eaem uma rede mais complexa de procedimentos, muitos deles coincidentes e redundantes<\/strong>:\u00a0<b>Halliday e Hasan (1976), prop\u00f5em cinco procedimentos<\/b>:<b>\u00a0a refer\u00eancia, a substitui\u00e7\u00e3o, a elipse, a conjun\u00e7\u00e3o e o l\u00e9xico; Marcushi (1983) prop\u00f5e quatro fatores<\/b>:\u00a0<b>repetidores, substituidores, sequenciadores e moduladores; F\u00e1vero (1995) prop\u00f5e tr\u00eas tipos<\/b>: referencial, recorrencial e sequencial.<\/p>\n<p>A coer\u00eancia de um texto depende da continuidade de sentidos entre os elementos descritos e inscritos no texto. A fronteira entre um texto coerente e um texto incoerente depende em exclusivo da compet\u00eancia textual do leitor\/alocut\u00e1rio para decidir sobre essa continuidade fundamental que deve presidir \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um enunciado. A coer\u00eancia e a incoer\u00eancia revelam-se n\u00e3o direta e superficialmente no texto mas indiretamente por a\u00e7\u00e3o da leitura\/audi\u00e7\u00e3o desse texto. As condi\u00e7\u00f5es em que esta leitura\/audi\u00e7\u00e3o ocorre e o contexto de que depende o enunciado determinam tamb\u00e9m o n\u00edvel de coer\u00eancia reconhecido.<\/p>\n<p>O estudo dial\u00e9ctico da literariedade \u2013 liter\u00e1rio versus n\u00e3o liter\u00e1rio \u2013 \u00e9 acompanhado pelos mesmos problemas da defini\u00e7\u00e3o da coer\u00eancia e da coes\u00e3o de um texto.\u00a0<strong>Seja dado o seguinte exemplo:<\/strong><\/p>\n<p><b>(13)<\/b>\u00a0<b>!<\/b>\u00a0<b>Experimenta falar pela minha boca, assoar-te pelo meu nariz\u2026<\/b><\/p>\n<p>Este texto poder\u00e1 ser considerado liter\u00e1rio? Em caso afirmativo, como definir a sua literariedade? Poderemos dizer que \u00e9 coerente? Poderemos dizer que \u00e9 coeso?\u00a0<b>Se o texto estiver assinado por um autor reconhecido por uma comunidade interpretativa como escritor (o que significa invariavelmente<\/b>:\u00a0<b>criador de textos liter\u00e1rios ), tal circunst\u00e2ncia pode afetar o nosso ju\u00edzo sobre a literariedade, a coer\u00eancia e a coes\u00e3o deste texto? Tal quest\u00e3o \u00e9 equivalente a estoutra<\/b>: At\u00e9 que ponto a identifica\u00e7\u00e3o autoral de um texto pode influenciar a determina\u00e7\u00e3o ou reconhecimento da sua literariedade, da sua coer\u00eancia ou da sua coes\u00e3o?<\/p>\n<p>A primeira rea\u00e7\u00e3o de um leitor comum \u00e9 a de n\u00e3o reconhecer qualquer elemento espec\u00edfico que permita concluir tratar-se de um texto liter\u00e1rio, mesmo que seja poss\u00edvel reconhecer nele coes\u00e3o (o enunciado est\u00e1 constru\u00eddo linearmente e respeita todas as regras gramaticais de conex\u00e3o). O que nos faz duvidar da literariedade (e da textualidade) deste \u201ctexto\u201d \u00e9 a sua aparente falta de sentido na rela\u00e7\u00e3o entre o sinal gr\u00e1fico de exclama\u00e7\u00e3o, centralizado como um t\u00edtulo, e o enunciado subjetivo. De certeza, muitos resistir\u00e3o inclusive \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de tal texto como um texto e dir\u00e3o tratar-se de uma \u201caberra\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica\u201d, um \u201ccapricho sem\u00e2ntico\u201d, uma \u201cconstru\u00e7\u00e3o acidental de palavras e sinais\u201d, ou qualquer outra coisa semelhante. Um leitor mais exigente poder\u00e1 argumentar que tal constru\u00e7\u00e3o \u00e9 de fato um texto liter\u00e1rio, cuja literariedade e textualidade est\u00e3o associadas combina\u00e7\u00e3o intencional entre um signo gr\u00e1fico e signos lingu\u00edsticos, com o objetivo de produzir uma rela\u00e7\u00e3o significativa simb\u00f3lica \u2013 existir\u00e1, portanto, uma certa coer\u00eancia. A explicita\u00e7\u00e3o de tal rela\u00e7\u00e3o significativa variar\u00e1 naturalmente de leitor para leitor, conforme a sensibilidade liter\u00e1ria de cada um. Neste segundo caso, em que se procura uma significa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria para uma constru\u00e7\u00e3o aparentemente n\u00e3o liter\u00e1ria, dificilmente poder\u00edamos defender a pretensa literariedade e a textualidade com argumentos l\u00f3gicos para todos os leitores, o que nos leva a concluir que o que faz a literariedade e a textualidade de um texto \u00e9 em primeiro lugar o reconhecimento geral dessa propriedade por toda uma comunidade interpretativa. A coer\u00eancia do texto, ou seja, a nega\u00e7\u00e3o de poder ser considerado um absurdo, segue o mesmo crit\u00e9rio de aceita\u00e7\u00e3o. Contudo, mesmo esta regra, que parece satisfat\u00f3ria, est\u00e1 sujeita a excep\u00e7\u00f5es inc\u00f4modas. Seja o exemplo, entre muitos outros, do poema \u201cOde mar\u00edtima\u201d de \u00c1lvaro de Campos. Quando foi publicado pela primeira vez no Orpheu 2 (1915), produziu esc\u00e2ndalo na comunidade interpretativa da \u00e9poca, n\u00e3o sendo reconhecido como texto liter\u00e1rio mas como pura \u201cpornografia\u201d, \u201caliena\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cliteratura de manic\u00f4mio\u201d e outros ep\u00edtetos do g\u00eanero \u2013 todos apontando a falta de coer\u00eancia do texto e n\u00e3o certamente a sua falta de coes\u00e3o. Todas as obras art\u00edsticas de vanguarda respeitam de alguma forma a exig\u00eancia de provoca\u00e7\u00e3o, que quase invariavelmente redunda em an\u00e1tema. Isto significa que o princ\u00edpio de aceita\u00e7\u00e3o universal da literariedade, da textualidade e da coer\u00eancia de um texto est\u00e1 sujeito tamb\u00e9m a um certo livre-arb\u00edtrio. Todas as declara\u00e7\u00f5es de guerra \u00e0 sintaxe tradicional que as literaturas de vanguarda costumam fazer s\u00e3o, logicamente, guerras \u00e0 coes\u00e3o gramatical dos textos liter\u00e1rios de vanguarda. Contudo, n\u00e3o deixam de ser liter\u00e1rios por essa falta de coes\u00e3o, uma vez que a sua literariedade e a sua textualidade se conquista ao n\u00edvel da coer\u00eancia.<\/p>\n<p>Poder\u00e1 a revela\u00e7\u00e3o da identidade autoral do texto (13) em particular levar a uma outra conclus\u00e3o? Se eu tivesse apresentado o texto como um poema do autor surrealista Alexandre O\u2019Neill, que pertence s\u00e9rie \u201cDivertimento com sinais ortogr\u00e1ficos\u201d, in Abandono Vigiado (1960), algu\u00e9m duvidaria por um momento que se tratava n\u00e3o s\u00f3 de um texto coerente como de um texto liter\u00e1rio? O que nos pode dizer o t\u00edtulo \u201cDivertimento com sinais ortogr\u00e1ficos\u201d? O fato de o autor intitular a sua cria\u00e7\u00e3o como\u00a0<b>\u201cDivertimento\u201d inspira-nos uma nova pista para o reconhecimento da literariedade e da coer\u00eancia textual<\/b>: um texto ser\u00e1 liter\u00e1rio se contiver sinais, sugest\u00f5es ou elementos que revelem o gozo (no sentido da lacaniana jouissance ) que o seu autor experimentou ao cri\u00e1-lo. A cria\u00e7\u00e3o de um texto liter\u00e1rio \u00e9 a mais er\u00f3tica de todas as cria\u00e7\u00f5es textuais. A coer\u00eancia de certos textos-limite s\u00f3 pode ser avaliada por este lado. Mas ser\u00e1 que um texto n\u00e3o liter\u00e1rio n\u00e3o pode arrastar consigo sinais de gozo de quem o criou? Roland Barthes admitiu\u00a0 em \u201cTheory of the Text\u201d (artigo inicialmente publicado em Encyclopaedia Universalis , 1973), que qualquer texto \u201ctextual\u201d conduz pela sua ess\u00eancia criativa \u00e0 jouissance do autor, seja liter\u00e1rio ou n\u00e3o, isto \u00e9, conduz necessariamente n\u00e3o s\u00f3 a um prazer de escrita como a pr\u00f3pria escrita ou texto produzido \u00e9 uma esp\u00e9cie de cl\u00edmax sexual \u2013 um t\u00eaxtase . Se reduz\u00edssemos este princ\u00edpio de textualidade e decid\u00edssemos que qualquer tentativa de levar o erotismo criativo da escrita para al\u00e9m de certos limites significa entrar de imediato no limiar do liter\u00e1rio (=textualmente coerente), ent\u00e3o teremos encontrado um crit\u00e9rio de defini\u00e7\u00e3o da literariedade e da textualidade. Do texto que seja resultado de um t\u00eaxtase , diremos ser liter\u00e1rio; mas tamb\u00e9m que \u00e9 poss\u00edvel medir macrotextualmente o seu n\u00edvel de coer\u00eancia a partir dessa descoberta.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio do t\u00eaxtase textual est\u00e1 naturalmente sujeito ao livre-arb\u00edtrio do leitor, como o est\u00e1 a detec\u00e7\u00e3o do grau de coer\u00eancia textual. Ora, a teoria liter\u00e1ria distingue-se das ci\u00eancias exatas precisamente porque \u00e9 intrinsicamente inexata, dispensando o enunciado de leis universais de resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<b>\u00a0Em teoria liter\u00e1ria, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer<\/b>: \u201cTenho a solu\u00e7\u00e3o para este problema.\u201d Todas as solu\u00e7\u00f5es definitivas s\u00e3o absolutamente discut\u00edveis, portanto, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es definitivas, tal como n\u00e3o h\u00e1 leitores peritos. Todo o texto liter\u00e1rio, enquanto cemit\u00e9rio de sentidos mortos-vivos, \u00e9 uma amea\u00e7a constante para o leitor que se julgue perito nesse texto. N\u00e3o h\u00e1 equa\u00e7\u00f5es que permitam concluir com exatid\u00e3o a coer\u00eancia textual. N\u00e3o esquecer ainda que qualquer texto pode resistir \u00e0 tentativa de controlar a sua organiza\u00e7\u00e3o interna, isto \u00e9, pode resistir a qualquer delimita\u00e7\u00e3o do seu n\u00edvel de coer\u00eancia. Nisto se distingue da coes\u00e3o, que possui um grau de resist\u00eancia menor. A coer\u00eancia est\u00e1 mais sujeita \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do que a coes\u00e3o. Se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar uma taxonomia textual, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sistematizar processos de resolu\u00e7\u00e3o hermen\u00eautica, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel determinar regras gramaticais de coes\u00e3o e sistematizar processos de constru\u00e7\u00e3o textual.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da lingu\u00edstica textual, podemos discutir os conceitos de coes\u00e3o e sobretudo o de coer\u00eancia no \u00e2mbito da textualidade puramente liter\u00e1ria, por exemplo, na constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa. Tradicionalmente, todas as formas naturais (para distinguir das formas subversivas de vanguarda) de literatura ambicionam a produ\u00e7\u00e3o de textos coesos e coerentes, por exemplo, no caso do romance, com personagens integradas linearmente numa narrativa, com uma intriga de progress\u00e3o gradual controlada por uma determinada l\u00f3gica, com a\u00e7\u00f5es interligadas numa sintaxe cont\u00ednua, com interven\u00e7\u00f5es do narrador em momentos decisivos, etc. Por outro lado, nunca ficar\u00e1 claro que todas as formas de anti-literatura possam ser desprovidas de coes\u00e3o e de coer\u00eancia. As experi\u00eancias textuais que tendam a contrariar as conven\u00e7\u00f5es de escrita e\/ou at\u00e9 mesmo as regras da gram\u00e1tica tradicional tamb\u00e9m podem distinguir-se por uma forte coes\u00e3o ou coer\u00eancia dos seus elementos.<\/p>\n<p><b>Sejam os dois textos:<\/b><\/p>\n<p><b>(14)<\/b><\/p>\n<p>A fome alastrava. A esta\u00e7\u00e3o fria acossava os homens, os coelhos do mato, os morcegos, e fechava-os nas tocas. As \u00e1rvores ficavam nuas, as grandes chuvas voltavam. (Carlos de Oliveira, Casa na Duna )<\/p>\n<p><b>(15)<\/b><\/p>\n<p><b>dezembro 9 soaram de fora os passos pesados da dona descendo um bater depois hesitante na porta a voz dela hesitante<\/b>: ent\u00e3o o senhor n\u00e3o vai votar? N\u00e3o n\u00e3o vou talvez logo \u00e0 tarde estou ainda deitado. no quarto de janelas fechadas com riscos de luz das frestas na parede a l\u00e2mpada apagada desde a v\u00e9spera am\u00e1vamos possessos de amor um do outro.<\/p>\n<p>(Almeida Faria, Rumor Branco)<\/p>\n<p>Nenhum leitor ter\u00e1 dificuldade em reconhecer a coes\u00e3o textual de (14), com os seus elementos l\u00e9xico-gramaticais devidamente postos numa sequ\u00eancia l\u00f3gica, e a coer\u00eancia das ideias comunicadas num cont\u00ednuo narrativo convencional. Numa primeira leitura, o texto (15) oferece resist\u00eancia a ser considerado um texto, a ser considerado um texto coeso, a ser considerado um texto coerente. Este texto \u00e9 uma forma de anti-literatura, cuja coes\u00e3o e coer\u00eancia dependem em exclusivo da capacidade de abstra\u00e7\u00e3o do leitor para poder ser entendido. Se come\u00e7\u00e1mos por dizer que um falante necessita de possuir uma compet\u00eancia textual e uma compet\u00eancia lingu\u00edstica para reconhecer a coer\u00eancia e a coes\u00e3o de um enunciado escrito ou oral, tamb\u00e9m \u00e9 leg\u00edtimo exigir uma compet\u00eancia liter\u00e1ria e cultural ao leitor que quiser interpretar um texto anti-liter\u00e1rio ( n\u00e3o liter\u00e1rio) ou de textualidade liter\u00e1ria n\u00e3o convencional.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o \u00e9 de desprezar o conceito de coer\u00eancia dentro da filosofia, nomeadamente no \u00e2mbito das especula\u00e7\u00f5es sobre a verdade, que ocuparam pensadores como Espinoza, Leibniz, Hegel , Bradley, Neurath ou Hempel, cada um defendendo abordagens diferentes entre si, mas todos estudando o crit\u00e9rio da verdade a partir do conceito de coer\u00eancia. Bohdan Chwedenczuk (1996: p.335) resume assim as principais proposi\u00e7\u00f5es que os te\u00f3ricos da coer\u00eancia discutem:<\/b><\/p>\n<p><b>1)<\/b>\u00a0a coer\u00eancia \u00e9 o crit\u00e9rio da verdade;<br \/>\n<b>2)<\/b>\u00a0a coer\u00eancia \u00e9 uma propriedade essencial do mundo;<br \/>\n<b>3)\u00a0<\/b>a verdade s\u00f3 pode ser definida em termos de coer\u00eancia. Ora, se n\u00e3o h\u00e1 filosofia sem a coer\u00eancia de ju\u00edzos, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 teoria nem cr\u00edtica liter\u00e1ria, ou qualquer ci\u00eancia que pretenda alcan\u00e7ar alguma forma de conhecimento. Em termos de textualidade convencional, um texto necessita da mesma coer\u00eancia de ju\u00edzos para formar sentido e poder constituir-se como texto leg\u00edvel. Esta coer\u00eancia pode ser aceite como crit\u00e9rio geral de textualidade como \u00e9 aceite na avalia\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica da veracidade dos ju\u00edzos. O te\u00f3rico da literatura s\u00f3 n\u00e3o precisa de concordar (ou de provar) que o mundo seja igualmente coerente \u2013 tarefa das cren\u00e7as ontol\u00f3gicas na coer\u00eancia. Ao contr\u00e1rio da matem\u00e1tica, por exemplo, a literatura n\u00e3o \u00e9 uma rede de verdades que consideramos verdadeiras porque \u00e9 poss\u00edvel provar objetivamente que s\u00e3o coerentes com outras verdades \u2013 em literatura, uma verdade n\u00e3o implica necessariamente outra verdade, tal s\u00f3 deve ser poss\u00edvel e l\u00f3gico\u00a0 ao n\u00edvel da textualidade pura, que exclui certos problemas epistemol\u00f3gicos como a indetermina\u00e7\u00e3o ou a indecidibilidade, verdadeiros inimigos da coer\u00eancia, n\u00e3o da literatura. Por tudo isto, a coer\u00eancia como crit\u00e9rio de textualidade s\u00f3 faz sentido se buscarmos uma determinada ordem sistem\u00e1tica num texto, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 desordem que proporciona a ilegibilidade, cuja aceita\u00e7\u00e3o depender\u00e1 sempre da posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do leitor.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.graudez.com.br\/aplicweb.feevale.br\/acd.ufrj.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coes\u00e3o \u2013 O que \u00e9 Leia o texto a seguir completando mentalmente as lacunas: 1. 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