{"id":77165,"date":"2016-08-15T13:41:55","date_gmt":"2016-08-15T13:41:55","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=77165"},"modified":"2016-08-15T13:43:39","modified_gmt":"2016-08-15T13:43:39","slug":"dinossauros-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/ciencias-da-natureza\/biologia\/dinossauros\/dinossauros-no-brasil","title":{"rendered":"Dinossauros no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4>Paleontologia Brasileira <\/h4>\n<p>No <strong>Brasil a Paleontologia<\/strong> se encontra em desenvolvimento      como quase todas as outras ci\u00eancias, as quais encontram-se assim por causa      do ensino escolar no pa\u00eds ser deficit\u00e1rio, dando um in\u00edcio a m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica      e intelectual dos brasileiros, onde poucos s\u00e3o os privilegiados a possuir      o ensino superior e menor ainda a quantidade dos que possuem uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o      ( Mestrado, Doutorado, PhD, etc). Essa m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica leva o brasileiro      a n\u00e3o &#8220;gostar muito&#8221; da leitura, tornando mais dif\u00edcil a transmiss\u00e3o      de conhecimentos. <\/p>\n<p>Partindo desse pressuposto, ainda podemos levar em considera\u00e7\u00e3o o fato do      estudo de seres que habitaram o Brasil h\u00e1 milhares e milh\u00f5es de anos atr\u00e1s      estar em terceiro plano no que se diz respeito ao desenvolvimento do pa\u00eds,      sendo assim a maior parte da verba do pa\u00eds vai para setores considerados de      maior import\u00e2ncia como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e sa\u00fade, indo em segundo plano      para o desenvolvimento de pesquisas, os quais atualmente est\u00e3o tamb\u00e9m priorizando      setores energ\u00e9ticos e econ\u00f4micos, tornando ent\u00e3o dispon\u00edvel pouqu\u00edssimas verbas      destinadas para setores como Paleontologia e Arqueologia. Isto se compararmos      a pa\u00edses desenvolvidos, como o EUA, Inglaterra, etc, pois h\u00e1 outros pa\u00edses      que investem menos ainda que o Brasil nessas \u00e1reas. <\/p>\n<p>Sendo ent\u00e3o este o principal problema a ser enfrentado pela Paleontologia      brasileira, a falta de recursos, o setor conta com escolas de ensino superior      muito bem aparelhadas e com \u00f3timos profissionais de qualidade internacional,      que n\u00e3o deixam em nada a desejar se comparados com os norte-americanos ou      europeus, conta tamb\u00e9m com uma flora e fauna bem diversificadas composta desde      de seres simples at\u00e9 gigantescos dinossauros saur\u00f3podes. <\/p>\n<p><strong>Onde estudar Geologia no Brasil:<\/strong><\/p>\n<p><strong>No Brasil, as principais regi\u00f5es fossil\u00edferas s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o Santa Maria ( 225 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, Tri\u00e1ssico m\u00e9dio      a superior, Bacia do Paran\u00e1, RS)<\/strong><\/p>\n<p>A Forma\u00e7\u00e3o Santa Maria \u00e9 constitu\u00edda de siltitos e sedimentos pel\u00edticos,      depositados em um ambiente com rios e lagos. Nessa regi\u00e3o foi encontrado um      dos f\u00f3sseis de dinossauros mais antigos do mundo, um Staurikosaurus, encontrado      em sedimentos de 225 milh\u00f5es de anos, onde apenas um exemplar dessa esp\u00e9cie      foi descrito at\u00e9 hoje. A Forma\u00e7\u00e3o Santa Maria \u00e9 semelhante \u00e0 algumas forma\u00e7\u00f5es      ricas em f\u00f3sseis de dinossauros da Argentina, fato que evidencia o potencial      dessa forma\u00e7\u00e3o para novas descobertas importantes.<\/p>\n<p>Recentemente, expedi\u00e7\u00f5es realizadas no Rio Grande do Sul encontraram vest\u00edgios      de outros dinossauros pertencentes ao grupo dos prossaur\u00f3podes, os quais ainda      n\u00e3o foram identificados. A Forma\u00e7\u00e3o Santa Maria \u00e9 rica em f\u00f3sseis de outros      vertebrados tais como os Dicinodontes, dos quais j\u00e1 foram encontrados quase      100 exemplares, Cinodontes, e v\u00e1rios r\u00e9pteis como, por exemplo o Prestosuchus.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o Santana (110 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s , Cret\u00e1ceo m\u00e9dio da Bacia      do Araripe, CE, PE e PI)<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 provavelmente o mais rico dep\u00f3sito de vertebrados f\u00f3sseis do Brasil,      e um dos mais importantes do mundo, chamando aten\u00e7\u00e3o pelo excelente estado      de preserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 de l\u00e1 que vem aqueles milhares de f\u00f3sseis com peixes encontrados      nas feiras e lojas por todo o Brasil (obs.: O com\u00e9rcio de f\u00f3sseis \u00e9 ilegal      !!!). Os f\u00f3sseis de dinossauros s\u00e3o raros, e est\u00e3o restritos ao Membro Romualdo      (que \u00e9 a unidade mais do topo da bacia).<\/p>\n<p><strong>Dois grupos foram descritos formalmente: <\/strong>Irritatos e Angaturama      por\u00e9m alguns pequenos exemplares ainda aguardam descri\u00e7\u00e3o. Todos pertencem      ao grupo dos Ter\u00f3podes ( Santanaraptor ). A grande atra\u00e7\u00e3o da Bacia do Araripe      \u00e9 um f\u00f3ssil encontrado em 1991, que ao ser submetido \u00e0 um microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico,      mostrou a presen\u00e7a de pele, fibras musculares e poss\u00edveis vasos sangu\u00edneos      do animal. Esse \u00e9 melhor exemplar de tecido mole preservado encontrado at\u00e9      o momento. Al\u00e9m dos dinossauros a Bacia do Araripe \u00e9 rica em f\u00f3sseis de peixes      ( Lepidotes, Araripelepidotes, Vinctifer, Rhacolepis, Lepitolepis, Enneles,      Brannerion, Dastilbe, Tharrhias, Belonostomus e Cearana ), tartarugas, crocodilianos      ( Araripesuchus ), pterossauros ( Tupuxuara, Tapejara e Anhanguera ), foramin\u00edferos,      crust\u00e1ceos, gastrop\u00f3des, ostrac\u00f3ides, bivalves e equin\u00f3ides .<\/p>\n<p><strong>Grupo Baur\u00fa ( 80 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, Cret\u00e1ceo inferior da Bacia      de Bauru, SP, MG, PR, GO e MT)<\/strong><\/p>\n<p>O Grupo Bauru \u00e9 composto pelas forma\u00e7\u00f5es Caiu\u00e1, Santo Anast\u00e1cio, S\u00e3o Jos\u00e9      do Rio Preto e Uberaba. A Bacia de Bauru \u00e9 a mais extensa sequ\u00eancia sedimentar      de idade cret\u00e1cea da Am\u00e9rica do Sul, e \u00e9 constitu\u00edda de arenitos e siltitos      depositados em ambiente fluvial. A presen\u00e7a de dinossauros carn\u00edvoros \u00e9 evidenciada      por dentes e ovos. J\u00e1 as formas herb\u00edvoras apresentam tamb\u00e9m alguns f\u00f3sseis      de ossos, que permitiram ser classificados como pertencentes \u00e0 saur\u00f3podes.      No Brasil, as formas coletadas pertencem ao grupo dos Titanossauros, os quais      tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados na Argentina. Os restos de Titanossauros correspondem      \u00e0 maior parte do material relacionado \u00e0 dinossauros encontrado no Brasil,      incluindo at\u00e9 um raro ovo. O Grupo Bauru apresenta tamb\u00e9m f\u00f3sseis de peixes,      crocodilos ( Mariliasuchus ), tartarugas e lagartos. Al\u00e9m dos f\u00f3sseis de ossos      de dinossauros, j\u00e1 foram encontrados mais de 300 dentes, 4 ovos e muitas pegadas      f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><strong>Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica ( 80 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, Cret\u00e1ceo inferior, 8      milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, Plioceno e 25 mil anos atr\u00e1s, Pleistoceno )<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 80 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, durante o per\u00edodo Cret\u00e1ceo, a Regi\u00e3o      Amaz\u00f4nica era um bra\u00e7o de mar, que surgiu com a separa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul      e da \u00c1frica, que foi mudando respectivamente com a forma\u00e7\u00e3o dos Andes, onde      foram encontrados muitos dentes de tubar\u00e3o na Serra do Moa, entre o Acre e      o Peru. H\u00e1 3 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, durante o Plioceno, surgiram animais gigantes      de regi\u00f5es pantanosas, como tartarugas e crocodilos, como a Stupendemys e      o Purussauro. A Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica foi ao poucos se transformando em cerrado      e logo foi coberta por um enorme cerrado muito parecido com a savana africana,      h\u00e1 1 milh\u00e3o de anos atr\u00e1s, a vegeta\u00e7\u00e3o era baixa e alimentava animais semelhantes      aos de hoje, por\u00e9m bem maiores. Os tatus e as tartarugas, por exemplo, tinham      o tamanho de um carro pequeno, as Pregui\u00e7as gigantescas, que ultrapassavam      os 3 metros, perambulavam pela paisagem. A regi\u00e3o de cerrado virou floresta      e surgiram ent\u00e3o animais como o toxodonte e o Mastodonte da Plan\u00edcie e h\u00e1      10 mil anos atr\u00e1s, esses animais entraram em extin\u00e7\u00e3o, muitos por causa da      transforma\u00e7\u00e3o das savanas em florestas. Alguns deles se adaptaram tanto \u00e0s      \u00e1reas abertas quanto \u00e0s arborizadas, como o tatu, a anta, a cutia e a capivara,      que ainda possuem as caracter\u00edsticas de seus antepassados.<\/p>\n<p><strong>O que eram os dinossauros? <\/strong><\/p>\n<p><b>Dinossauros<\/b> eram r\u00e9pteis representantes de dois grandes grupos, os      SAURISCHIA e os ORNITHISCHIA. A principal caracter\u00edstica que une esses grupo      \u00e9 o fato de ambos terem o acet\u00e1bulo (depress\u00e3o onde encaixa a cabe\u00e7a do f\u00eamur)      perfurado. A diferencia\u00e7\u00e3o destes dois grupos \u00e9 feita principalmente pelas      caracter\u00edsticas de sua cintura p\u00e9lvica.<\/p>\n<p><strong>Os dinossauros voavam?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Os dinossauros viveram no ambiente terrestre. Os r\u00e9pteis que voavam      eram os Pterossauros que viveram junto com os dinossauros, mas n\u00e3o eram dinossauros.      Tamb\u00e9m existiram r\u00e9pteis que viveram na \u00e1gua, na mesma \u00e9poca dos dinossauros,      como os Plesiossauros, Mosassauros e Ictiossauros (os tr\u00eas tamb\u00e9m n\u00e3o eram      dinossauros). <\/p>\n<p><strong>Em que \u00e9poca viveram os dinossauros ? <\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros viveram durante a Era Mesoz\u00f3ica (230 a 65 milh\u00f5es de anos      atr\u00e1s) tendo dominado os ambientes terrestres durante os per\u00edodos Jur\u00e1ssico      (160 a 110 milh\u00f5es de anos) e Cret\u00e1ceo (110 a 65 milh\u00f5es de anos). <\/p>\n<p><strong>Como os dinossauros desapareceram ?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Existem muitas teorias para o desaparecimento dos dinossauros, as      principais s\u00e3o as seguintes<\/strong>: <\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Meteoro: <\/strong>Um grande meteoro teria caido e ao se fragmentar,        produzido uma nuvem de poeira que impediu a passagem dos raios solares mudando        as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e tornando o ambiente ruim para os dinossauros que        assim morreram todos. <\/p>\n<p><strong>Gen\u00e9tica:<\/strong> Os dinossauros, depois de mais de 150 milh\u00f5es        de anos de exist\u00eancia com formas muito diversificadas, tornaram-se um grupo        sem possibilidades de evoluir frente as modifica\u00e7\u00f5es do planeta e, assim,        deram lugar a outras formas de vida. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>NOTA: <\/strong>Seja qual for a teoria que voc\u00ea acredite, lembre que      os dinossauros n\u00e3o morreram instantaneamente mas sua extin\u00e7\u00e3o levou alguns      milhares de anos. <\/p>\n<p>Caso voc\u00ea acredite em uma causa catastr\u00f3fica (meteoro, por exemplo), tamb\u00e9m      \u00e9 bom lembrar que, n\u00e3o apenas os dinossauros teriam sido atingidos mas a grande      maioria dos seres vivos. <\/p>\n<p>Aqueles que sobreviveram passaram ent\u00e3o a disputar os ambientes e venceu      aquele grupo que tive melhores condi\u00e7\u00f5es para tal. No caso dos dinossauros,      estes teriam sido vencidos pelos mam\u00edferos que possuiam melhores condi\u00e7\u00f5es      para a vida no ambiente que se formou ap\u00f3s o evento catastr\u00f3fico.<\/p>\n<p><strong>Qual era o maior dinossauro ? E o menor ?<\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros tiveram forma e tamanho bastante diferentes. No momento, o      maior dinossauro que se conhece \u00e9 o Seismossauro (media cerca de 45 metros      e pesava quase 100 toneladas). O menor \u00e9 o Composognathus (pouco maior que      um rato dom\u00e9stico). Note que os cientistas est\u00e3o a cada dia descobrindo novas      formas de dinossauros, assim estas informa\u00e7\u00f5es podem mudar a qualquer momento.    <\/p>\n<p><strong>Por que dizem que as aves podem ser dinossauros?<\/strong><\/p>\n<p>Devido ao fato de algumas aves serem muito parecidas em forma e estrutura      a alguns dinossauros. Existem maiores semelhan\u00e7as entre aves e dinossauros      do que entre dinossauros e outros r\u00e9pteis. Al\u00e9m disto, sabe-se que as aves      derivaram de um grupo de dinossauros, os Celurossauros.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os dinossauros que viveram no Brasil ?<\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros do Brasil ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente estudados, nossos pesquisadores      relatam a exist\u00eancia de tr\u00eas grandes grupos com diferentes caracter\u00edsticas,      reconhecidos principalmente atrav\u00e9s de seus ossos e dentes fossilizados. <\/p>\n<p><strong>As principais formas conhecidas s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<p><strong>TITANOSSAUROS<\/strong><\/p>\n<p>Grandes dinossauros Saur\u00f3podes, quadr\u00fapedes, herb\u00edvoros, pesando cerca de      10 toneladas e medindo algo em torno de 12 metros de comprimento. S\u00e3o os dinossauros      mais conhecidos no Brasil e est\u00e3o presentes em nossas bacias sedimentares      atrav\u00e9s de ossos, dentes, ovos e pegadas. <\/p>\n<p><strong>Este grupo possui duas esp\u00e9cies descritas:<\/strong> Antarctosaurus      brasiliensis e Gondwanatitan faustoi. <\/p>\n<p><strong>CARNOSSAUROS<\/strong><\/p>\n<p>Dinossauros Ter\u00f3podes, b\u00edpedes, carn\u00edvoros, pesando 2 a 3 toneladas e medindo      3 a 4 metros de altura. S\u00e3o conhecidos principalmente por dentes e pegadas.    <\/p>\n<p>Este grupo ainda n\u00e3o possui esp\u00e9cies descritas para o Brasil. <\/p>\n<p><strong>CELUROSSAUROS<\/strong><\/p>\n<p>Dinossauros Ter\u00f3podes, b\u00edpedes, carn\u00edvoros, porte menor que os Carnossauros,      pesando de 50 a 200 quilos e medindo de 0,5 a 1,5 metros. S\u00e3o reconhecidos      principalmente por pegadas. <\/p>\n<p><strong>Este grupo possui uma esp\u00e9cie descrita:<\/strong> Staurikosaurus pricei.<\/p>\n<p><strong>Existem ainda duas outras esp\u00e9cies de dinossauros ter\u00f3podes, descritas      para a regi\u00e3o da Chapada do Araripe, no Cear\u00e1, s\u00e3o<\/strong>: Angaturama limai      e Irritator challangeri, ambos da fam\u00edlia dos Espinossaur\u00eddeos.<\/p>\n<p><strong>Mais recentemente, pesquisadores descreveram tr\u00eas novas esp\u00e9cies      de dinossauros que s\u00e3o<\/strong>: Guaibasaurus candelariensis e Saturnalia      tupiniquim (ambos do Tri\u00e1ssico do RS e Santanaraptor placidus (Cret\u00e1ceo do      CE). <\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m dos ossos e dentes, reconhecemos dinossauros por: <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>PEGADAS: <\/strong>S\u00e3o bastante comuns. No estado da Para\u00edba existem        diversas pistas e pegadas de dinossauros que s\u00e3o de longa data conhecidas        pelos cientistas. Mais recentemente (1990), foram descobertas pegadas de        dinossauros nos estados do Maranh\u00e3o, Minas Gerais e S\u00e3o Paulo. <strong><br \/>\n       OVOS: <\/strong>S\u00e3o raros, no Brasil ocorrem em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e        no Maranh\u00e3o, sua real classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda desconhecida. <strong><br \/>\n       COPR\u00d3LITOS: <\/strong>S\u00e3o os escrementos fossilizados dos dinossauros. S\u00e3o        ainda pouco conhecidos, sabe-se que existem e tenta-se determinar o grupo        de dinossauros que os teria produzido. A cada dia novos resqu\u00edcios da presen\u00e7a        dos dinossauros no Brasil s\u00e3o descobertos. As equipes do Projeto <\/p>\n<\/blockquote>\n<h4>OS DINOSSAUROS NO BRASIL<\/h4>\n<p>Continuam trabalhando para que cada vez mais possamos conhecer estas formas      de vida que habitaram nosso passado geol\u00f3gico, sempre com o objetivo maior      de desenvolver a ci\u00eancia e informar as pessoas interessados pelo tema.<\/p>\n<p><strong>Existe pesquisa com dinossauros no Brasil? <\/strong><\/p>\n<p>Embora a ocorr\u00eancia de dinossauros no Brasil seja conhecida desde o in\u00edcio      do s\u00e9culo, as pesquisas paleontol\u00f3gicas com dinossauros brasileiros foram      desenvolvidas principalmente a partir dos anos 40 pelo paleont\u00f3logo Llewellyn      Ivor Price que concentrou seus estudos na localidade de Peir\u00f3polis, Munic\u00edpio      de Uberaba, Estado de Minas Gerais e em pontos isolados do oeste do Estado      de S\u00e3o Paulo. Depois de Price tivemos um longo per\u00edodo de quase total inatividade      no &#8220;mundo dos dinossauros&#8221;, inatividade esta que somente foi interrompida      com os trabalhos de Giuseppe Leonardi, nos anos 80. A partir de 1991, tiveram      in\u00edcio as pesquisas do Projeto Dinossauros do Brasil.<\/p>\n<p><strong>No Brasil existem esqueletos de dinossauros montados nos Museus (como      ocorre em outros pa\u00edses)?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Come\u00e7am a aparecer os primeiros esqueletos de dinossauros montados em      museus brasileiros. Um exemplo \u00e9 o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, onde      existem esqueletos de dois dinossauros brasileiros montados para visita\u00e7\u00e3o      do p\u00fablico, s\u00e3o eles o Staurikosaurus pricei e o Santanaraptor placidus. Esses      dinossauros s\u00e3o pequenos pois a montagem de um esqueleto de dinossauro de      grande tamanho \u00e9 uma terefa que necessita muita pesquisa e muito dinheiro.      No momento estamos tentando obter recursos para estruturar uma nova sala no      museu onde se pretende montar um grande dinossauro..<\/p>\n<p><strong>No Brasil, onde viveram os dinossauros?<\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros provavelmente viveram por toda a \u00e1rea que hoje \u00e9 o Brasil.      Os seus f\u00f3sseis s\u00e3o descobertos onde existem rochas sedimentares com a mesma      idade dos dinossauros. <\/p>\n<p><strong>As principais \u00e1reas estudadas pelo Projeto Dinossauros do Brasil      s\u00e3o<\/strong>: Chapada do Araripe (CE); Sousa (PB); Recife (PE); Alc\u00e2ntara      e S\u00e3o Lu\u00eds(MA); Tesouro e Morro do Cambambe (MT); Prata e Peir\u00f3polis (MG);      Monte Alto, Presidente Prudente e \u00c1lvares Machado(SP); Candel\u00e1ria e Santa      Maria (RS). <\/p>\n<p><strong>Que tipo de profissional estuda dinossauros? <\/strong><\/p>\n<p>Os dinossauros, assim como os f\u00f3sseis em geral s\u00e3o estudados pelos Paleont\u00f3logos.<\/p>\n<h4 class=\"fonte\">Os dinossauros no Brasil<\/h4>\n<p>Os <b>dinossauros<\/b> ca\u00edram definitivamente no gosto popular depois que      Hollywood decidiu desloc\u00e1-los da pr\u00e9-hist\u00f3ria para as telas de cinema do mundo      inteiro. Spielberg transformou lagart\u00f5es do passado, encontrados na Am\u00e9rica      do Norte, como o Tiranossaurus rex, os velociraptors e os corpulentos dinos      herb\u00edvoros de pesco\u00e7o longo em astros de primeira grandeza, embutindo li\u00e7\u00f5es      de gen\u00e9tica, \u00e9tica e preserva\u00e7\u00e3o ambiental nos seus roteiros de Parque dos      Dinossauros e Mundo Perdido. <\/p>\n<p>Tudo bem ao gosto do cinem\u00e3o americano. Mas caso o famoso cineasta decidisse      usar animais de outras partes do mundo em seus roteiros pr\u00e9-hist\u00f3ricos, poderia      escalar tranq\u00fcilamente no elenco dinos que viveram em terras que hoje comp\u00f5em      o Brasil. Eles s\u00e3o t\u00e3o grandes e diversificados como os parentes norte-americanos,      como est\u00e3o comprovando os achados em paleontologia registrados no Brasil a      partir da d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p>Isso mesmo! Temos dinossauros em profus\u00e3o embaixo dos nossos p\u00e9s!<\/p>\n<p><strong>Confira:<\/strong><\/p>\n<p>Um dos mais novos dinossauros carn\u00edvoros gigante \u00e9 brasileiro. Com sete metros      de comprimento por quase tr\u00eas de altura, o predador brutamontes foi desenterrado      na regi\u00e3o onde hoje fica a Chapada dos Guimar\u00e3es, no Mato Grosso. Viveu ali      h\u00e1 80 milh\u00f5es de anos, durante o per\u00edodo Cret\u00e1ceo, e entrou para a lista das      maiores e mais temidas feras de todos os tempos. A fera foi apelidada de Rondon      II, numa homenagem ao Marechal C\u00e2ndido Rondon. Rondon I refere-se a um dino      herb\u00edvoro encontrado em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Ao lado de criaturas assustadoras como o Tyrannosaurus rex e do galalau argentino      Giganotossauro carolini, Rondon II era um dos gigantes que reinavam no topo      da cadeia alimentar da pr\u00e9-hist\u00f3ria. A equipe do Museu Nacional e do Departamento      Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), do Rio de Janeiro, encontrou v\u00e1rias costelas,      t\u00edbia, v\u00e9rtebras da cauda, bacia e v\u00e1rios dentes do animal, sendo dois em      excelente estado. &#8220;Sab\u00edamos que era um f\u00f3ssil importante. <\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise mais detalhada acabou mostrando que t\u00ednhamos um grande carn\u00edvoro&#8221;,      explica o paleont\u00f3logo Alexander Kellner.<\/p>\n<p>A possibilidade de exist\u00eancia de grandes carn\u00edvoros no Brasil era um mist\u00e9rio      que intrigava os paleont\u00f3logos. At\u00e9 a descoberta do animal do Mato Grosso,      a maioria dos achados referentes a carn\u00edvoros no pa\u00eds era de dentes fossilizados.<\/p>\n<p>O dinossauro brasileiro tem tra\u00e7os t\u00edpicos de outros gigantes carn\u00edvoros.      Os dentes com esmalte enrugado, que facilitavam a abertura do couro das presas,      s\u00e3o iguais aos do Giganotossauro. O formato das v\u00e9rtebras \u00e9 similar ao do      Carnotaurus, outro grande predador. &#8220;Todos s\u00e3o animais bem grandes e      pr\u00f3ximos na cadeia evolutiva&#8221;, diz Kellner.<\/p>\n<p>Mas Rondon II provavelmente n\u00e3o foi o \u00fanico grande predador que viveu no      territ\u00f3rio brasileiro na pr\u00e9-hist\u00f3ria. No Maranh\u00e3o j\u00e1 foram descobertos dezenas      de dentes de Carcharodontosaurus saharicus \u0096 outro gigante que tinha      mais de dez metros de comprimento por quatro de altura, tamb\u00e9m encontrado      na \u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>Um raptor brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Outro exemplar raro achado no Brasil foi o Santanaraptor placidus, dinossauro      carn\u00edvoro que viveu h\u00e1 100 milh\u00f5es de anos na Chapada do Araripe, uma bacia      sedimentar entre os estados do Cear\u00e1, Pernambuco e Piau\u00ed. O f\u00f3ssil despertou      interesse pela boa conserva\u00e7\u00e3o, com sinais de couro e dos m\u00fasculos petrificados      do animal, al\u00e9m de vasos sang\u00fc\u00edneos e da pele. Por isso, \u00e9 considerado o f\u00f3ssil      de dinossauro mais bem preservado do mundo. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. <\/p>\n<p>Santanaraptor foi classificado como o mais primitivo dinossauro da linhagem      dos maniraptoriformes, que ao longo da evolu\u00e7\u00e3o deu origem aos tiranossauros,      incluindo ai o famoso T. rex. A descoberta levantou a hip\u00f3tese de os tiranossauros      terem surgido no Gondwana, o grande continente que h\u00e1 150 milh\u00f5es de anos      era formado pelo que hoje \u00e9 a Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica e \u00cdndia e Ant\u00e1rtida.      O famoso T.rex , assim, teria suas origens aqui no Brasil. <\/p>\n<p>Quando paleont\u00f3logos desenterram algo do g\u00eanero \u00e9 como se acertassem na sena.      Registros de achados de tecido mole de dinossauros s\u00e3o muito raros de acontecer.      At\u00e9 o momento, poucos f\u00f3sseis com essas caracter\u00edsticas tiveram sua descoberta      anunciada pelo mundo. &#8220;\u00c9 um dos f\u00f3sseis mais importantes de todos aqueles      encontrados no pa\u00eds&#8221;, diz Kellner. <\/p>\n<p>Recentemente, a equipe do Museu Nacional trouxe \u00e0 tona outra importante informa\u00e7\u00e3o      sobre a passagem dos carn\u00edvoros pelo pa\u00eds. Ap\u00f3s submeterem as cascas de quatro      ovos de dinossauros da cole\u00e7\u00e3o do DNPM a testes histol\u00f3gicos, descobriram      que tr\u00eas deles abrigavam filhotes de esp\u00e9cies de animais carn\u00edvoros. Os ovos      apresentavam padr\u00f5es semelhantes aos encontrados em aves modernas.<\/p>\n<p><strong>Angaturama \u0096 o comedor de peixes<\/strong><\/p>\n<p>Os registros de dinossauros carn\u00edvoros no Brasil tamb\u00e9m apontam para a exist\u00eancia      de esp\u00e9cies de porte intermedi\u00e1rio. Um desses indiv\u00edduos era o Angaturama      limai. Parte de seu cr\u00e2nio foi encontrada em rochas sedimentares que se depositaram      cerca de 110 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s na Chapada do Araripe, no interior do Cear\u00e1.      Onde atualmente domina a paisagem \u00e1rida havia h\u00e1 milh\u00f5es de anos um mar, repleto      de peixes, o prato preferido do Angaturama. Eram tantos que centenas de milhares      de peixes f\u00f3sseis j\u00e1 foram coletados da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Angaturama foi classificado como uma forma brasileira do grupo de dinossauros      conhecida como Spinosauridae, tamb\u00e9m muito encontrada na \u00c1frica. Era um grupo      de carn\u00edvoros que possu\u00eda cr\u00e2nio comprido e achatado lateralmente. Outro tra\u00e7o      que diferencia o grupo de todos os outros dinossauros era a crista na parte      da frente do cr\u00e2nio. E, ao contr\u00e1rio da maioria dos carn\u00edvoros, ele possu\u00eda      narinas postadas na parte de tr\u00e1s da cabe\u00e7a, \u00e0 frente dos olhos. <\/p>\n<p>Embora tenha sido lar de dinos carn\u00edvoros, a Chapada da Araripe \u00e9 conhecida      nas rodas de paleontologia como o &#8220;Para\u00edso dos Pterossauros&#8221;. Da      regi\u00e3o j\u00e1 sa\u00edram 20 esp\u00e9cies diferentes desses animais extintos. O \u00faltimo      foi anunciado em julho passado. Trata-se do Thalassodromeus sethi, um f\u00f3ssil      raro com crista \u00f3ssea de um metro e tra\u00e7os de vasos sang\u00fc\u00edneos. <\/p>\n<p><strong>Mas aten\u00e7\u00e3o<\/strong>: pterossauros n\u00e3o s\u00e3o dinossauros. S\u00e3o apenas      uma esp\u00e9cie de primo, que viveram no mesmo per\u00edodo h\u00e1 milh\u00f5es de anos. <\/p>\n<p><strong>Gondwanatitan \u0096 um gigante herb\u00edvoro<\/strong><\/p>\n<p>Os dinos herb\u00edvoros encontrados no Brasil tamb\u00e9m eram bem crescidinhos. Pense      num caminh\u00e3o de oito metros de comprimento e carroceria de pouco mais de dois      metros de altura. Ou num bicho do tamanho de tr\u00eas elefantes e bem mais corpulento.      Pois estas eram as medidas de Gondwanatitan faustoi, descoberto no interior      de S\u00e3o Paulo. O nome homenageia o paleont\u00f3logo Fausto Cunha, do Museu Nacional      do Rio de Janeiro, que em meados da d\u00e9cada de 80 desenterrou os restos do      animal, juntamente com o pesquisador Jos\u00e9 Suarez. Gondwana foi a grande massa      de terra que, milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, na pr\u00e9-hist\u00f3ria, abrigava todos os continentes      do Hemisf\u00e9rio Sul do planeta e a \u00cdndia. Tit\u00e3s eram gigantes da mitologia grega      e \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0s dimens\u00f5es do animal.<\/p>\n<p>Os pesquisadores desenterraram mais de metade do que um dia foi o esqueleto      que sustentava o animal. Foram recuperadas 24 v\u00e9rtebras da cauda, p\u00fabis, \u00fameros,      t\u00edbias, ossos das patas traseiras, v\u00e1rias costelas, v\u00e9rtebras que davam sustenta\u00e7\u00e3o      ao longo pesco\u00e7o e v\u00e1rios outras partes do corpo. Todos os ossos pertenceram      a um mesmo animal.<\/p>\n<p>As pesquisas em Icnologia &#8211; o estudo das pegadas deixadas pelos dinossauros      &#8211; s\u00e3o outro instrumento ampliador do conhecimento sobre nossos carn\u00edvoros      e herb\u00edvoros. Em Souza, na Para\u00edba, os dinos carn\u00edvoros deixaram v\u00e1rias pistas      e pegadas. Como os grandes dentes serrilhados, suas pegadas, reconhec\u00edveis      pela caracter\u00edstica pisada com a pata de tr\u00eas dedos, s\u00e3o como impress\u00f5es digitais      deixadas no solo para mostrar que um dia eles passaram por ali. <\/p>\n<p>Por tudo isso, o cap\u00edtulo dinossauros, na pr\u00e9-hist\u00f3ria brasileira, tem tudo      para entrar nos roteiros de Hollywood.<\/p>\n<p><strong>Rondon I &#8220;renasce&#8221; da rocha<\/strong><\/p>\n<p>Um novo titanossauro descoberto no Brasil aos poucos vai saindo do jazigo      onde esteve descansando por 90 milh\u00f5es de anos, desde que morreu onde hoje      fica a cidade de Prata, em Minas Gerais. Depois de escavado, foi tirado do      solo junto com peda\u00e7os de rocha que foram recobertos com gesso e levado para      o Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Chamado de Rondon I, o animal com presum\u00edveis      15 metros de comprimento, agora est\u00e1 sendo separado das sete toneladas de      rochas onde esteve enterrado por tanto tempo. <\/p>\n<p>Liberar os ossos dos sedimentos e da pedra que se acumularam sobre o que      restou do esqueleto tem requerido um trabalho meticuloso que exige o esfor\u00e7o      de v\u00e1rios pesquisadores do Museu. <\/p>\n<p><strong>Mas tem valido a pena<\/strong>: metade do esqueleto do animal j\u00e1      foi retirado. Foram recolhidas v\u00e9rtebras do longo pesco\u00e7o e da cauda, ossos      da perna e da pata. <\/p>\n<p>Ao que tudo indica, o jazigo tamb\u00e9m esconde fragmentos do cr\u00e2nio, uma parte      geralmente d\u00edficil de ser encontrada entre os dinossauros. A marca registrada      dos titanossauros, o encaixe das v\u00e9rtebras caudais, tamb\u00e9m est\u00e1 l\u00e1. &#8220;Chegamos      a um est\u00e1gio em que podemos garantir que \u00e9 mais uma nova esp\u00e9cie encontrada      no Brasil&#8221;, diz Kellner.<\/p>\n<h4>Novas esp\u00e9cies de ovos e de dinossauros descritos no Brasil podem ser exclusivos<\/h4>\n<p>A bi\u00f3loga Claudia Maria Magalh\u00e3es Ribeiro descreveu, pela primeira vez, um      ovo de dinossauro encontrado no Brasil, em n\u00edvel de g\u00eanero, e descobriu que      o esp\u00e9cime pertence a um g\u00eanero diferente dos achados j\u00e1 relatados dentro      da fam\u00edlia pesquisada e relacionados a descobertas feitas na Argentina, Espanha,      Fran\u00e7a, \u00cdndia e Rom\u00eania. Al\u00e9m disso, o ovo \u00e9 tamb\u00e9m diferente de outros relatados      na literatura espec\u00edfica para ovos fossilizados, o que implica, necessariamente,      em outra esp\u00e9cie. Em pesquisa distinta, o paleont\u00f3logo Rodrigo Santucci descreveu      quatro esp\u00e9cies brasileiras, igualmente diferentes das j\u00e1 conhecidas de titanossauros,      dinossauros gigantes e herb\u00edvoros que viveram n\u00e3o s\u00f3 aqui, mas tamb\u00e9m na Argentina,      Fran\u00e7a, Espanha, Inglaterra, Rom\u00eania, \u00cdndia, \u00c1frica, Madagascar e na Am\u00e9rica      do Norte. <\/p>\n<p>O trabalho de Claudia resultou na defesa de sua tese de doutorado, pelo departamento      de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), h\u00e1 pouco mais      de vinte dias. Mas n\u00e3o acabou a\u00ed. H\u00e1 parte do material, analisado por ela,      ainda n\u00e3o classificado. Mesmo o que foi coletado e j\u00e1 identificado, um ovo      encontrado em Peir\u00f3polis (Uberaba\/MG), em 99, j\u00e1 tem nome cient\u00edfico e que      ser\u00e1 publicado em breve, entretanto, nomear uma nova esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 algo simples,      como leigos poderiam presumir. \u00c9 um trabalho que requer anos de estudo detalhado.<\/p>\n<p>Encontrado quase inteiro, o ovo que Claudia analisou estava tamb\u00e9m muito      bem preservado, o que colaborou para a classifica\u00e7\u00e3o, segundo ela. &#8220;Os      processos envolvidos na preserva\u00e7\u00e3o do material foram muito favor\u00e1veis. O      material deve ter sido recoberto rapidamente&#8221;, explica. Menos da metade      de outro ovo, esse achado em 93, e diversos fragmentos de casca de ovos foram      estudados e classificados juntamente com o esp\u00e9cime de Peir\u00f3polis, trabalho      que ela publicar\u00e1 tamb\u00e9m este ano.<\/p>\n<p>Rodrigo Santucci est\u00e1 igualmente com seu trabalho por concluir. Depois de      identificar tr\u00eas outras esp\u00e9cies de titanossauros, cujo material f\u00f3ssil foi      encontrado tamb\u00e9m em Peir\u00f3polis, ele ainda precisa terminar a descri\u00e7\u00e3o dos      bichos e batiz\u00e1-los. &#8220;O normal \u00e9 que o nome evoque alguma particularidade      do local onde o animal foi encontrado, ou que tenha a ver com a unidade geol\u00f3gica,      ou alguma caracter\u00edstica do pr\u00f3prio f\u00f3ssil, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quanto parece&#8221;,      explica. \u00c9 tarefa, segundo ele, que consumir\u00e1 praticamente o primeiro semestre      deste ano. Ele mostrou as conclus\u00f5es sobre as tr\u00eas novas esp\u00e9cies ao defender      sua tese de mestrado em janeiro \u00faltimo, pelo departamento de Geologia Aplicada      da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O material estudado refere-se a      v\u00e9rtebras de cauda e v\u00e9rtebras dorsais e de fragmentos do \u00edleo, osso da bacia.<\/p>\n<p>Ovos e esqueletos fossilizados, como \u00e9 o caso do estudo de Claudia e Rodrigo,      respectivamente, obrigam ao desenvolvimento de metodologias de estudo diferenciadas.      Mas ambas as pesquisas apresentam algo em comum entre si e entre praticamente      tudo o que \u00e9 objeto da paleontologia, pois retratam parte dos animais e dos      vest\u00edgios f\u00f3sseis que pertenceram a uma \u00e9poca remota, e que ficaram preservados      nas rochas. S\u00e3o estudos que, embora respondam a muitas quest\u00f5es, suscitam      tantas outras.<\/p>\n<p>Para Claudia, o fato de ter ocorrido no Brasil o ovo de um saur\u00f3pode, esse      grande grupo ao qual pertenciam os titanossauros, diferentemente de outros      ovos j\u00e1 descritos, pode indicar que aqui viveram esp\u00e9cies muito particulares      desses animais e por que n\u00e3o dizer end\u00eamicas. &#8220;Pela idade do material      e por tratar-se de um novo g\u00eanero, isto corrobora o fato de que \u00e9 um ovo diferente      de outros j\u00e1 encontrados no mundo&#8221;, diz. Mas essa \u00e9 uma pergunta que      pede muitos outros estudos, inclusive com a colabora\u00e7\u00e3o da geologia. <\/p>\n<p>A hip\u00f3tese levantada pela pesquisadora serve de indaga\u00e7\u00e3o e aponta uma reflex\u00e3o      cient\u00edfica. Ela acredita que ser\u00e1 fact\u00edvel buscar uma resposta para a ocorr\u00eancia,      no Brasil, de outras esp\u00e9cies novas tanto de ovos, como de animais que viveram      no Cret\u00e1ceo, per\u00edodo geol\u00f3gico que corresponde ao intervalo entre 144 milh\u00f5es      e 65 milh\u00f5es de anos. \u00c9 o \u00faltimo da Era Mesoz\u00f3ica, que come\u00e7ou com o Tri\u00e1ssico,      e esse sucedido pelo Jur\u00e1ssico. H\u00e1 90 milh\u00f5es de anos n\u00e3o havia mais contato      entre a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul, por exemplo. &#8220;Talvez possamos comprovar      um dia que os titanossauros encontrados aqui sejam \u00fanicos, j\u00e1 que a idade      dos dinossauros desse grupo coincide com a \u00e9poca ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o. Eles podem      ter se desenvolvido, num ambiente distinto, a partir da\u00ed&#8221;, especula.<\/p>\n<p>Apesar de ter descrito tr\u00eas novas esp\u00e9cies de titanossauros, Santucci acredita      que pode haver semelhan\u00e7a com outros j\u00e1 conhecidos e que n\u00e3o haveria bem um      endemismo, ou seja, ocorr\u00eancia \u00fanica em determinado lugar. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 como      comparar classifica\u00e7\u00e3o de ovo com classifica\u00e7\u00e3o de osso&#8221;, argumenta.      Na sua opini\u00e3o, talvez at\u00e9 haja endemismo, tanto que ele mesmo encontrou esp\u00e9cies      novas. O fato \u00e9 que existem outras ocorr\u00eancias na mesma regi\u00e3o que s\u00e3o muito      parecidas com titanossauros argentinos.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a rela\u00e7\u00e3o entre a ocorr\u00eancia de titanossauros, grupo no qual      se especializou, e sua distribui\u00e7\u00e3o com a separa\u00e7\u00e3o dos continentes que Santucci      escolheu como tema de sua tese de doutorado. Nos estudos anteriores, ele mapeou      a ocorr\u00eancia do grupo em terras brasileiras. <\/p>\n<p><strong>Agora ele busca respostas para uma s\u00e9rie de indaga\u00e7\u00f5es j\u00e1 tra\u00e7adas,      tais como<\/strong>: Por que eles ocorrem em determinadas \u00e1reas mais abundantemente?    <\/p>\n<p>Houve contato com as esp\u00e9cies cujos f\u00f3sseis foram encontrados na Argentina,      no Uruguai e at\u00e9 no Chile? De onde vieram os titanossauros encontrados no      Brasil, passaram pelo Maranh\u00e3o quando a \u00c1frica ainda estava unida, nesse ponto,      ao Brasil? Os dinossauros encontrados na Argentina se deslocaram do Norte      do Brasil? <\/p>\n<p>Mas o principal mist\u00e9rio para ele \u00e9 em que continente, afinal, surgiram os      titanossauros e qual deles est\u00e1 na base da \u00e1rvore evolutiva. No final do Jur\u00e1ssico,      por exemplo, conforme relata Santucci, viveram os titanossauriformes, grupo      de grande porte que ocorreu na Am\u00e9rica do Norte e na Tanz\u00e2nia, no qual est\u00e3o      inclu\u00eddos os titanossauros. Os titanossauriformes mais antigos, at\u00e9 o momento,      relata, s\u00e3o os Braquiossauros. &#8220;Talvez seja o grupo mais pr\u00f3ximo&#8221;,      observa. O estudo requer muitas investiga\u00e7\u00f5es e Santucci est\u00e1 ciente de que      ter\u00e1 que lan\u00e7ar m\u00e3o da geologia para chegar a essas respostas. &#8220;Os f\u00f3sseis      de titanossauros geralmente n\u00e3o s\u00e3o bons indicadores de idade geol\u00f3gica, por      isso \u00e9 preciso usar outros recursos como microf\u00f3sseis. Usarei tamb\u00e9m as rochas      para verificar a evid\u00eancia da separa\u00e7\u00e3o continental, ou seja, para dar uma      estimativa de quando isso realmente ocorreu&#8221;, explica. (Lana Cristina)    <\/p>\n<h4>Estudo de ovos f\u00f3sseis \u00e9 feito pela primeira vez no pa\u00eds <\/h4>\n<p>Entre os m\u00e9ritos do estudo de Claudia Maria Magalh\u00e3es Ribeiro destacam-se      a especializa\u00e7\u00e3o, o ineditismo e a exclusividade de seu trabalho. Ela \u00e9 a      primeira e \u00fanica pesquisadora, da \u00e1rea da paleontologia, que se dedica ao      estudo de ovos f\u00f3sseis, especificamente de dinossauros e crocodilomorfos.      Esses \u00faltimos, eram animais com forma semelhante a de crocodilos atuais. O      orientador de sua tese de doutorado, defendida no m\u00eas passado, o paleont\u00f3logo      Ismar de Souza Carvalho, classifica o trabalho como a primeira metodologia      clara e aplicada para descri\u00e7\u00e3o de ovos f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>&#8220;O trabalho em si \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o, porque antes s\u00f3 existiam relatos      da ocorr\u00eancia desse tipo de material. Agora, com o estudo da Claudia, tem-se      um resultado cient\u00edfico&#8221;, avaliou. Numa an\u00e1lise mais ampla, Carvalho      considera tamb\u00e9m importante o fato do ovo descrito ser do final do Cret\u00e1ceo,      per\u00edodo geol\u00f3gico ao final do qual desapareceram os dinossauros, porque \u00e9      o registro de vida e n\u00e3o s\u00f3 de morte, como \u00e9 feito normalmente na paleontologia.      &#8220;Embora n\u00e3o houvesse restos embrion\u00e1rios, o estudo dela \u00e9 um documento      de vida, e isso prova uma din\u00e2mica relacionada ao comportamento dos animais,      porque afinal Claudia provou que os ovos eclodiram. Responde muito tamb\u00e9m      sobre os aspectos da ecologia da \u00e9poca&#8221;, analisou.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo Luiz Carlos Borges Ribeiro tamb\u00e9m comemora o trabalho realizado      por Claudia, que \u00e9 bi\u00f3loga por forma\u00e7\u00e3o, mas que desde o mestrado encaminhou      sua especializa\u00e7\u00e3o para o campo da paleontologia. Ele \u00e9 diretor do Centro      de Pesquisas Paleontol\u00f3gicas Llewellyn Ivor Price, que fica em Peir\u00f3polis,      bairro de Uberaba, cidade do Tri\u00e2ngulo Mineiro. O material analisado por Claudia      pertence ao acervo do centro de pesquisas, que \u00e9 tamb\u00e9m um museu paleontol\u00f3gico.      &#8220;Fortalece o trabalho do museu, afinal o material foi coletado na regi\u00e3o      de Uberaba&#8221;, disse. O centro pertence \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Ensino      Superior (Fumesu), ligada \u00e0 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o de Uberaba. &#8220;\u00c9 um centro      avan\u00e7ado de pesquisas da faculdade&#8221;, explica Ribeiro, que \u00e9 seu diretor.<\/p>\n<p>Dos seis ovos de dinossauros achados no Brasil, apenas os dois que foram      objeto da tese de Claudia t\u00eam agora uma descri\u00e7\u00e3o. Os outros quatro est\u00e3o      no Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), a quem coube historicamente      a responsabilidade pela cataloga\u00e7\u00e3o de materiais f\u00f3sseis no pa\u00eds. &#8220;Um      material desse sem descri\u00e7\u00e3o \u00e9 perda de informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para o Brasil      e para o mundo&#8221;, lamentou Luiz Carlo Ribeiro. Um dos ovos que est\u00e1 no      DNPM foi o primeiro coletado no Brasil, pelo paleont\u00f3logo que d\u00e1 o nome ao      centro de pesquisa de Peir\u00f3polis. A despeito do nome estrangeiro, Price era      brasileiro e coletou diversos f\u00f3sseis no pa\u00eds, principalmente nas d\u00e9cadas      de 40, 50 e 60. <\/p>\n<p>Ele encontrou o ovo em 1946, \u00e9poca em que eram raros os achados do material      pelo mundo todo. Esse, ali\u00e1s, foi o primeiro ovo encontrado na Am\u00e9rica do      Sul, fato estabelecido de maneira formal por Claudia Ribeiro em sua tese.      Em 1951, Price publicou sua descoberta e relacionou o ovo aos dinossauros      saur\u00f3podes. <\/p>\n<p>Uma de suas principais fontes de consulta foi o trabalho de 1947, do Abade      Lapparent, que descrevia ovos achados pr\u00f3ximos a f\u00f3sseis de Hypselosaurus.      &#8220;A descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o continha o refinamento das feitas hoje em dia, mas deu      uma pista ao Price&#8221;, conta o ge\u00f3logo Francisco Jos\u00e9 Corr\u00eaa Martins, da      UFRJ e tamb\u00e9m professor de hist\u00f3ria da Escola Preparat\u00f3ria de Cadetes do Ex\u00e9rcito,      em Campinas (SP). Price tinha a informa\u00e7\u00e3o de que o material relatado por      Lapparent era de um saur\u00f3pode herb\u00edvoro, da fam\u00edlia titanossauridae. Os ovos      estudado pelo franc\u00eas, encontrados na regi\u00e3o Sul da Fran\u00e7a, tinham at\u00e9 30      cent\u00edmetros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o de Price, que tinha em suas m\u00e3os um ovo de 15 a 18 cent\u00edmetros,      foi a de que o material lembrava muito aqueles relacionados ao Hypselosaurus,      mas que, pelo tamanho de fato n\u00e3o o era. Al\u00e9m disso, n\u00e3o havia material f\u00f3ssil      dessa esp\u00e9cie no Brasil. E, como na regi\u00e3o de Peir\u00f3polis ele pr\u00f3prio havia      encontrado f\u00f3sseis de titanossauros, estabeleceu ent\u00e3o a real liga\u00e7\u00e3o entre      os dados. &#8220;Mais de duas mil pe\u00e7as foram coletadas na \u00e9poca em que as      escava\u00e7\u00f5es eram chefiadas por ele&#8221;, relata Martins. &#8220;Price foi um      pesquisador extraordin\u00e1rio, um paleont\u00f3logo de &#8220;m\u00e3o cheia&#8221;, que      teve a perspic\u00e1cia de dizer que o ovo parecia com o daquela esp\u00e9cie francesa      j\u00e1 descrita, mas que n\u00e3o iria classific\u00e1-lo como, relacionando-o ao grupo      dos saur\u00f3podes e, possivelmente, da fam\u00edlia dos titanossauros. Ele fez isso      imaginando que futuras descobertas ou descri\u00e7\u00f5es apoiariam suas assertivas.      Passado mais de meio s\u00e9culo, comprovou-se que ele estava certo&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Price \u00e9 mestre para a maioria dos paleont\u00f3logos brasileiros, tanto que Claudia      dedicou sua tese de doutorado \u00e0 sua mem\u00f3ria. Ela ainda est\u00e1 com o material      analisado, mas, em breve, deve devolv\u00ea-lo ao museu de Peir\u00f3polis. O bairro      vive da cultura dos dinossauros. Diversos moradores trabalham na coleta de      material f\u00f3ssil. O pr\u00f3prio Centro de Pesquisas nasceu de uma esp\u00e9cie de levante      popular contra pedreiras existentes no local e que incomodavam a vizinhan\u00e7a.      N\u00e3o bastasse isso, destru\u00edam o s\u00edtio fossil\u00edfero. A prefeitura embargou a      atividade extrativa e, hoje, os ex-empregados vivem da coleta de ossadas e      ovos f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O ovo descrito por Claudia foi encontrado em 99 e est\u00e1 quase inteiro, medindo      entre 15 a 18 cent\u00edmetros. O ovo n\u00e3o tinha restos embrion\u00e1rios, mas ela sabe      que eclodiu, em raz\u00e3o das estruturas internas da casca, detalhe que representa      informa\u00e7\u00e3o preciosa para outros estudos paleontol\u00f3gicos. Os grandes herb\u00edvoros      que eram os saur\u00f3podes titanossauros mediam at\u00e9 15 metros da cabe\u00e7a \u00e0 cauda,      tinham 5 metros de altura e pesavam cerca de 15 toneladas. Eles viveram entre      160 milh\u00f5es e 65 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, tendo sido encontrados f\u00f3sseis desses      animais na Europa, na \u00c1sia, na Am\u00e9rica do Norte, na \u00c1frica (especificamente      em Madagascar) e na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia a qual pertence o ovo descrito pela bi\u00f3loga, por exemplo, a Megaloolithidae,      foi estabelecida a partir de ovos do final do Cret\u00e1ceo Superior (entre 70      e 65 milh\u00f5es de anos), encontrados em camadas sedimentares da Bacia de Aix-en-Provence,      na Fran\u00e7a. Depois de determinar a fam\u00edlia, baseada na descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica      de outros trabalhos, Cla\u00fadia buscou o relato dos g\u00eaneros pertencentes a ele.      &#8220;S\u00e3o tr\u00eas g\u00eaneros descritos para a Megaloolithidae, dentre o material      do mundo todo, mas o ovo que eu estudei n\u00e3o se encaixa na descri\u00e7\u00e3o de nenhum      deles&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O segundo ovo que estudou em sua tese tamb\u00e9m ganhou descri\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9      poss\u00edvel dizer se \u00e9 do mesmo g\u00eanero. O material encontrado em Ponte Alta,      a leste de Uberaba (MG), em 1993, tem menos da metade das cascas preservadas,      o que dificultou o estudo. &#8220;Ele tem caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas semelhantes      ao de 99, mas ainda n\u00e3o sei dizer se se trata de uma nova esp\u00e9cie&#8221;, comenta.      Ap\u00f3s estudar a forma\u00e7\u00e3o da casca de todo material e os aspectos relacionados      \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o (estudos tafon\u00f4micos), Claudia os relacionou aos dinossauros      saur\u00f3podes e, provavelmente, de titanossauros j\u00e1 que esses animais ocorreram      em abund\u00e2ncia na regi\u00e3o de Uberaba, fato comprovado pela exist\u00eancia de grande      quantidade de f\u00f3sseis relacionados a esse grupo, ali. (Lana Cristina) <\/p>\n<h4>Patag\u00f4nia argentina foi \u00e1rea de postura de dinossauros no per\u00edodo Cret\u00e1ceo    <\/h4>\n<p>Os achados de ovos na Am\u00e9rica do Sul estavam restritos a ocorr\u00eancias pontuais,      quando em 1998, um grupo de ge\u00f3logos argentinos, em trabalho de campo, na      prov\u00edncia de Neuqu\u00e9n, encontrou uma extensa \u00e1rea com ninhos de dinossauros.      Segundo a bi\u00f3loga Claudia Ribeiro, at\u00e9 1980, as ocorr\u00eancias de ovos com restos      embrion\u00e1rios eram praticamente inexistentes. H\u00e1 refer\u00eancias de material desse      tipo nos Estados Unidos, na \u00cdndia e na Mong\u00f3lia.<\/p>\n<p>Tudo muda com o achado dos pesquisadores argentinos. Depois que uma roda      de um dos ve\u00edculos utilizados no trabalho de pesquisa geol\u00f3gica afundou, em      uma plan\u00edcie \u00e1rida e seca, eles se depararam com algo realmente inesperado.      O local, uma \u00e1rea de 3 Km\u00b2, estava cheio de ovos e cascas de ovos, que depois      se verificou serem de dinossauros e que representaria uma \u00e1rea de postura.      Os ovos estavam pr\u00f3ximos a um vulc\u00e3o extinto em Auca Mahuida, na parte leste      da pr\u00e9-cordilheira andina, no noroeste da Patag\u00f4nia argentina.<\/p>\n<p>&#8220;A quantidade de ovos, cascas e embri\u00f5es encontrados mostra que houve      a ocorr\u00eancia de um fen\u00f4meno natural repentino&#8221;, conta o ge\u00f3logo Francisco      Jos\u00e9 Corr\u00eaa Martins.<strong> &#8220;Podem ter acontecido duas coisas<\/strong>:      a \u00e1rea de nidifica\u00e7\u00e3o foi recoberta pela inunda\u00e7\u00e3o causada por antigos rios      que por ali passavam ou talvez aquele vulc\u00e3o estivesse ativo na \u00e9poca e, ao      entrar em erup\u00e7\u00e3o, poderia ter derretido a neve perto de seu cume que, ao      descer as encostas, transformou-se em lama, sepultando a plan\u00edcie&#8221;, adiciona.<\/p>\n<p>Como os ritos de acasalamento, postura e eclos\u00e3o s\u00e3o influenciados pelo clima,      ou seja, pelas esta\u00e7\u00f5es, o achado argentino pode trazer muitas respostas sobre      a ecologia do per\u00edodo Cret\u00e1ceo e tamb\u00e9m sobre o comportamento desses animais.      Martins vislumbra mais que isso. Para ele, junto com achados paleontol\u00f3gicos      da Am\u00e9rica do Sul, como os do Uruguai, Chile e Brasil, entre outros, o material      encontrado em Auca Mahuida pode ajudar na compreens\u00e3o de como os dinossauros      evolu\u00edram ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o dos continentes e, mais amplamente, sobre como      ocorreu a pr\u00f3pria separa\u00e7\u00e3o dos continentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 207 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, a Terra era uma gigantesca massa uniforme,      que agregava todos os continentes conhecidos hoje, chamada Pang\u00e9ia. Nessa      \u00e9poca, a Pang\u00e9ia come\u00e7ou a se fragmentar, dando origem a duas superf\u00edcies      terrestres, a Laur\u00e1sia, situada mais ao hemisf\u00e9rio Norte e o Gondwana, localizada      mais ao hemisf\u00e9rio Sul. A primeira era formada pelo que hoje \u00e9 a Europa, a      Am\u00e9rica do Norte e a \u00c1sia e a segunda era formada pela \u00cdndia, Austr\u00e1lia, \u00c1frica,      Am\u00e9rica do Sul e Ant\u00e1rtica. Entre 150 milh\u00f5es e 144 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s,      Laur\u00e1sia e Gondwana n\u00e3o eram mais ligadas.<\/p>\n<p>A separa\u00e7\u00e3o continental continuou ocorrendo. A \u00cdndia, por exemplo, conforme      relato de Martins, era ent\u00e3o um sub-continente a deriva, migrando na altura      da ilha de Madagascar, por volta de 65 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. &#8220;Era como      se fosse uma grande jangada de pedra, como se fosse um continente isolado      no qual, certamente, os animais se reproduziam&#8221;, compara. Essa rela\u00e7\u00e3o      entre separa\u00e7\u00e3o continental e reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, feita por ele, serve      para uma reflex\u00e3o pessoal e pertinente. No momento da primeira divis\u00e3o da      Pang\u00e9ia, n\u00e3o havia os dinossauros e sim r\u00e9pteis primitivos que deram origem      a esses gigantescos animais. &#8220;Embora eles possam ter tido uma origem      comum, eles foram evoluindo, assim, distintamente, pelos continentes&#8221;,      especula. <\/p>\n<p>O grande carn\u00edvoro Tiranossauros Rex, por exemplo, que \u00e9 encontrado s\u00f3 na      Am\u00e9rica do Norte, n\u00e3o est\u00e1 mais sozinho na escala evolutiva. H\u00e1 outros ter\u00f3podes      carn\u00edvoros, que tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados inclusive no Brasil, como os carnossauros.      Para explicar a tese de que bichos semelhantes encontrados em continentes,      unidos em outra era geol\u00f3gica, podem ter o mesmo ancestral, Martins enumera      outros exemplos. N\u00e3o h\u00e1 registro, por exemplo, do Iguanodon, um ornit\u00f3pode      herb\u00edvoro, na \u00cdndia ou no Brasil, que antes da separa\u00e7\u00e3o total pertenciam      ao Gondwana. O Iguanodon s\u00f3 foi encontrado at\u00e9 hoje na Am\u00e9rica do Norte e      na Europa, continentes que pertenciam \u00e0 Laur\u00e1sia.<\/p>\n<p>O mesossauro, um esp\u00e9cime r\u00e9ptil primitivo de h\u00e1bitos terrestre, mas que      vivia sempre pr\u00f3ximo a corpos d&#8217;\u00e1gua porque se alimentava de peixes no final      da era Paleoz\u00f3ica (que durou at\u00e9 250 milh\u00f5es de anos), por exemplo, \u00e9 encontrado      no Brasil, especialmente em \u00e1reas dos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. F\u00f3sseis      do bicho tamb\u00e9m foram achados na \u00c1frica. &#8220;Era um animal que tinha pouca      amplitude de deslocamento, como os tei\u00fas dos dias de hoje e, no entanto, foi      encontrado em regi\u00f5es do Brasil e \u00c1frica, o que me leva a crer que essas partes      da Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1frica, onde se encontram os f\u00f3sseis de mesossauros,      j\u00e1 estiveram unidas um dia&#8221;, observa. At\u00e9 no reino vegetal, h\u00e1 exemplo      enumerado pelo ge\u00f3logo. Uma planta da era Paleoz\u00f3ica, do per\u00edodo Carbon\u00edfero,      a glossopteris, s\u00f3 existe em trechos de continentes que pertenceram \u00e0 Gondwana.<\/p>\n<p>Na lista de semelhan\u00e7as, h\u00e1 ainda dois dinossauros descritos e achados no      Brasil. O Aeolosaurus (pronuncia-se elossauros) e o Antarctosauros brasiliensis,      por exemplo, foram identificados com base em material encontrado na Argentina.      Para Martins, o Gondwanatitan faustoi, identificado em S\u00e3o Paulo, \u00e9 uma sinon\u00edmia      (mesma esp\u00e9cie com nome diferente) do Aeolosaurus, identificado por pesquisadores      da Unesp, em Peir\u00f3polis (Uberaba, MG). &#8220;Em se tratando de \u00e1reas intracontinentais,      \u00e9 poss\u00edvel ter ocorrido um interc\u00e2mbio de fauna entre o que hoje s\u00e3o os dois      pa\u00edses. Talvez as regi\u00f5es que constituem as atuais prov\u00edncias de Neuqu\u00e9n e      Rio Negro, do lado argentino, e as cercanias de Uberaba, pelo lado brasileiro,      por exemplo, tivessem na \u00e9poca desses animais paleobiotas independentes, com      barreiras entre elas, como um grande rio ou lago que, podendo ser sazonais,      poderiam permitir assim a troca&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Todas essas an\u00e1lises levam a uma conclus\u00e3o anteriormente citada. S\u00e3o muitas      perguntas sem respostas. Mas o fato \u00e9 que, concordando com outros tantos especialistas      da \u00e1rea, Martins tamb\u00e9m pensa que h\u00e1 muito estudo geol\u00f3gico por fazer, como      o estabelecimento das colunas estratigr\u00e1ficas, data\u00e7\u00e3o de rochas, identifica\u00e7\u00e3o      das biotas que existiam na \u00e9poca etc. Al\u00e9m disso, h\u00e1 muito material f\u00f3ssil      para estudo paleontol\u00f3gico, sem descri\u00e7\u00e3o, no Mato Grosso, onde as coletas      s\u00e3o incipientes, e mesmo em S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, locais onde h\u00e1 mais      estudos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>O estudo, concordam ge\u00f3logos e paleont\u00f3logos, \u00e9 fundamental n\u00e3o s\u00f3 para registrar      o passado, mas porque traz a reboque informa\u00e7\u00f5es \u00fateis n\u00e3o s\u00f3 no presente,      mas sobretudo no futuro, inclusive de cunho econ\u00f4mico. Ao estudar as rochas,      ainda que em fun\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis ali existentes, os especialistas podem, por      exemplo, determinar a ocorr\u00eancia de minerais energ\u00e9ticos, de jazidas de materiais      para constru\u00e7\u00e3o, ou se a regi\u00e3o \u00e9 adequada do ponto de vista geol\u00f3gico para      uso habitacional ou agr\u00edcola. Enfim, abastecendo a sociedade de informa\u00e7\u00f5es      que podem ajud\u00e1-la nas decis\u00f5es que precisa tomar. <\/p>\n<h4>Expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em busca de dinossauros ser\u00e1 filmada para a televis\u00e3o    <\/h4>\n<p>Resgatar a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da Terra nesse pequeno peda\u00e7o do continente      chamado Brasil, e registr\u00e1-lo, \u00e9 como se pode resumir o trabalho de uma equipe      de 30 pessoas, formada por paleont\u00f3logos, cinegrafistas, produtores, motoristas,      que come\u00e7a na pr\u00f3xima 5\u00aa feira, dia 25. <\/p>\n<p>A tarefa durar\u00e1 pouco mais de um m\u00eas e foi batizada de &#8220;Em busca dos      dinossauros&#8221;, uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica por tr\u00eas s\u00edtios geol\u00f3gicos nacionais      onde h\u00e1 registro da passagem desses grandes r\u00e9pteis, idealizado pelo Departamento      de Paleontologia do Museu Nacional do Rio. A parte log\u00edstica do projeto est\u00e1      por conta da Fogo-F\u00e1tuo Expedi\u00e7\u00f5es, que tem experi\u00eancia em viagens de longa      dist\u00e2ncia, e a filmagem ser\u00e1 feita pelo Centro de Cultura, Informa\u00e7\u00e3o e Meio      Ambiente (Cima), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental ligada \u00e0 empresa de produ\u00e7\u00e3o      cinematogr\u00e1fica Total Filmes. O custo deve chegar a R$ 600 mil e ser\u00e1 dividido      entre os parceiros privados do projeto. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que pesquisadores sabem da exist\u00eancia de marcas de dinossauros      no Brasil. O primeiro registro \u00e9 da d\u00e9cada de 20, feito pelo engenheiro de      minas brasileiro, Luciano Jacques de Moraes, quando trabalhava para o Departamento      Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs). Ele encontrou duas pegadas na bacia      do rio do Peixe, em Sousa, Para\u00edba, onde hoje h\u00e1 um parque tem\u00e1tico, em cujo      museu pode-se ver reconstitui\u00e7\u00f5es dos dinossauros que teriam vivido ali. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria se prolongou, passando pelo paleont\u00f3logo Llewelly Ivor Price e      o ge\u00f3logo brasileiro Di\u00f3genes de Almeida Campos, at\u00e9 que entrou para a cole\u00e7\u00e3o      de pesquisas sobre dinossauros do padre Giuseppe Leonardi. A partir de 79      e durante boa parte da d\u00e9cada de 80, Leonardi estudou exaustivamente as pegadas,      at\u00e9 construir r\u00e9plicas dos principais de seus donos. A ele se deve grande      parte do que se sabe hoje sobre os s\u00edtios geol\u00f3gicos de Sousa. S\u00e3o 22 no total,      incluindo as bacias de Sousa e Uira\u00fana-Brejo das Freiras, com mais de 395      indiv\u00edduos dinossaurianos. Podem haver outros s\u00edtios, avalia o paleont\u00f3logo      Ismar de Souza Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).      Atualmente, Leonardi se encontra na Austr\u00e1lia atr\u00e1s de outras pegadas, que      se sup\u00f5em de dinossauros. <\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o passar\u00e1 por Sousa, para o registro cinematogr\u00e1fico das pegadas,      mas os paleont\u00f3logos aproveitam a visita para buscar outros registros. O coordenador      da viagem, o paleont\u00f3logo S\u00e9rgio Alex de Azevedo, explica que a regi\u00e3o \u00e9 a      melhor do pa\u00eds para observar esse tipo de f\u00f3ssil, chamado pelos pesquisadores      de icnof\u00f3sseis, que s\u00e3o pegadas e pistas. <\/p>\n<p>O primeiro s\u00edtio a ser visitado ser\u00e1 a Chapada do Araripe, em Santana do      Cariri (CE), pr\u00f3ximo aos munic\u00edpios de Crato e Juazeiro do Norte. Essa forma\u00e7\u00e3o      fossil\u00edfera inclui trechos do Cear\u00e1, Piau\u00ed e Pernambuco, mas a maioria dos      f\u00f3sseis descritos \u00e9 do Cear\u00e1. H\u00e1 registro de f\u00f3sseis de vegetais, animais      invertebrados, peixes, anf\u00edbios, lagartos, crocodilos, quel\u00f4nios, al\u00e9m de      dinossauros e pterossauros, que s\u00e3o outra fam\u00edlia de grandes r\u00e9pteis. <\/p>\n<p>H\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o curiosa sobre Santana do Cariri que, ao chegar no meio      cient\u00edfico, intrigou os pesquisadores. At\u00e9 os anos 60, acreditava-se que as      rochas ali encontradas datavam do per\u00edodo devoniano da era paleoz\u00f3ica, com      cerca de 350 milh\u00f5es de anos. Com as pesquisas desenvolvidas desde ent\u00e3o e      a descoberta de f\u00f3sseis, como os conchostr\u00e1ceos, descobriu-se que a Forma\u00e7\u00e3o      de Santana \u00e9 do Cret\u00e1ceo, muito mais jovem, com cerca de 110 milh\u00f5es de anos.      O Cret\u00e1ceo \u00e9 o \u00faltimo per\u00edodo da era Mesoz\u00f3ica, quando viveram dinossauros      e pterossauros. Foi nesse per\u00edodo que os dinossauros se extinguiram. Pteurossauros      eram grandes r\u00e9pteis voadores, de outra fam\u00edlia, quase confundidos com dinossauros.      E Conchostr\u00e1ceos foram crust\u00e1ceos que possu\u00edam duas conchas e surgiram durante      o cret\u00e1ceo. <\/p>\n<p>O \u00faltimo s\u00edtio a ser visitado pelos aventureiros-cientistas est\u00e1 no Maranh\u00e3o.      \u00c9 a Laje do Coringa, na Ilha do Cajual, pr\u00f3xima \u00e0 cidade de Alc\u00e2ntara. De      acordo com Marcos Didonet, diretor do Cima, a hist\u00f3rica cidade de Alc\u00e2ntara      ser\u00e1 objeto das filmagens. &#8220;Vamos retratar durante toda a viagem os an\u00f4nimos      que fazem o Brasil, suas hist\u00f3rias, costumes e sua cultura&#8221;, conta. <\/p>\n<p>Assim, as bel\u00edssimas paisagens que desabrocharem diante das c\u00e2maras ser\u00e3o      tamb\u00e9m registradas. Em Alc\u00e2ntara, a equipe ter\u00e1 o apoio da Aeron\u00e1utica, que      administra o centro brasileiro de lan\u00e7amento de foguetes. O pessoal do Cima      pretende filmar ainda os ninhais de p\u00e1ssaros Guar\u00e1, que ficam nas Ilhas Maranhenses      e um ex-quilombo, da comunidade de Santana do Cariri. <\/p>\n<p>Didonet afirma que recebeu algumas propostas de TVs abertas e fechadas para      transmitir o document\u00e1rio de 50 minutos que retratar\u00e1 a expedi\u00e7\u00e3o dos paleont\u00f3logos.      Ele, no entanto, n\u00e3o revela quem o procurou. &#8220;Como n\u00e3o fechamos com ningu\u00e9m,      n\u00e3o posso adiantar quem s\u00e3o os interessados&#8221;, justifica. H\u00e1 pelo menos      seis meses, sua equipe realiza outras viagens, mais curtas, para contatar      pessoas que trabalham nas localidades a serem visitadas. Dessa fase pr\u00e9-expedi\u00e7\u00e3o,      saiu uma fita de demonstra\u00e7\u00e3o de cinco minutos do document\u00e1rio educativo e      outra resumindo a viagem em si, com dura\u00e7\u00e3o de dez minutos. <\/p>\n<p>O Cima atua h\u00e1 14 anos em projetos de educa\u00e7\u00e3o ambiental e a Total Filmes      j\u00e1 participou de produ\u00e7\u00f5es como o registro do Festival de Cinema do Rio e      na parceria com empresas cinematogr\u00e1ficas estrangeiras, como as norte-americanas      Columbia Pictures e Fox. Al\u00e9m do material em v\u00eddeo, o grupo produzir\u00e1 cinco      livros infantis, onde o dinossauro ser\u00e1 o protagonista, mostrado em situa\u00e7\u00f5es      que simulam como era sua vida, seus h\u00e1bitos e sua rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente.    <\/p>\n<p>Para S\u00e9rgio Alex de Azevedo, que coordenar\u00e1 os trabalhos cient\u00edficos, o document\u00e1rio      \u00e9 uma forma de ampliar as informa\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico sobre o est\u00e1gio atual da      paleontologia brasileira, e disseminar esses estudos nas salas de aula, seja      de ensino fundamental ou m\u00e9dio. &#8220;\u00c9 preciso levar ao conhecimento do p\u00fablico      o fato da exist\u00eancia dos dinossauros no Brasil e, como h\u00e1 um interesse natural      para o tema, pode haver tamb\u00e9m uma influ\u00eancia na fixa\u00e7\u00e3o do conhecimento na      \u00e1rea de ci\u00eancias, tendo como condutores os dinossauros&#8221;, observa o paleont\u00f3logo.<\/p>\n<h4>O pa\u00eds tem oito esp\u00e9cies de dinossauros e pterossauros descritas<\/h4>\n<p>As descobertas mais surpreendentes de ossadas de dinossauros, desde que o      termo foi usado pela primeira vez no s\u00e9culo XIX, certamente foram registradas      nos \u00faltimos anos, no Brasil e na Argentina. Foi no Rio Grande do Sul, por      exemplo, que pesquisadores ingleses encontraram parte dos ossos de um dos      dinossauros mais primitivos do mundo, o Staurikosaurus pricei. Foi a primeira      vez que se nomeou um dinossauro brasileiro. Hoje, s\u00e3o oito esp\u00e9cies formalmente      descritas. <\/p>\n<p>Isso foi nos anos 60, mas desde a d\u00e9cada de 50 pesquisadores alem\u00e3es estudavam      a possibilidade do Brasil ter em suas rochas sedimentares restos de ossos      de dinossauros, termo comum que designa a fam\u00edlia dinossauria, descrita pela      primeira vez em 1842, pelo paleont\u00f3logo ingl\u00eas Richard Owen. O termo dinossauro,      empregado largamente para outras fam\u00edlias de grandes r\u00e9pteis como os pterossauros,      significa &#8220;lagartos terr\u00edveis&#8221; em grego e nomeou um grupo especial      de animais at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos. <\/p>\n<p>Depois, na d\u00e9cada de 70, dois ge\u00f3logos brasileiros (Arid e Vizotto) encontraram      ossadas do Antarctosaurus brasiliensis, em S\u00e3o Paulo. H\u00e1 uma quebra nas descobertas      de ossadas, ou talvez, na descri\u00e7\u00f5es dos animais, retomadas a partir dos anos      90. Foi quando paleont\u00f3logos encontraram os espinossaur\u00eddeos Irritator e Angaturama,      no Cear\u00e1, e o Gondwanatitan faustoi, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>Ainda do Cear\u00e1, h\u00e1 um dinossauro ter\u00f3pode, considerado um parente distante      do Tiranosaurus rex. \u00c9 o Santanaraptor placidus, um animal b\u00edpede, carn\u00edvoro      e extremamente r\u00e1pido na locomo\u00e7\u00e3o. Uma reconstitui\u00e7\u00e3o desse dinossauro est\u00e1      exposta no Museu de Ci\u00eancias da Terra, do Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o      Mineral (DPNM), no Rio de Janeiro. Pela sequ\u00eancia de descobertas, vem o Staurikosaurus,      de 1970, o Antarctosaurus, de 1971, o Irritator challengeri (descrito em 96      por pesquisadores na Inglaterra), e o Angaturama limai, tamb\u00e9m de 1996. Os      quatro restantes foram todos achados em 1999, o Guaibasaurus candelarai, o      Gondwana faustoi, o Saturnalia tupiniquim e o Santanaraptor. <\/p>\n<p>Para o paleont\u00f3logo Di\u00f3genes de Almeida Campos, do DNPM, as descobertas feitas      no Brasil, bem como as na Argentina, ajudam a entender como era a fauna no      hemisf\u00e9rio Sul, em eras geol\u00f3gicas. &#8220;Passamos a dispor de dados diferentes      daqueles apresentados por pesquisadores do hemisf\u00e9rio Norte, trazendo assim      um novo quadro para a pesquisa geol\u00f3gica&#8221;, avalia. <\/p>\n<p>Em 1970, ele come\u00e7ou a fazer prospec\u00e7\u00f5es em Santana do Cariri, a servi\u00e7o      do DNPM, com o objetivo de reunir o material coletado em museu e, assim, preservar      os f\u00f3sseis e o local onde eles afloravam. &#8220;\u00c9 ir\u00f4nico porque se n\u00e3o escavar      n\u00e3o acha o f\u00f3ssil, mas o lugar vai ficando um pouco desfigurado com as escava\u00e7\u00f5es&#8221;,      observa. <\/p>\n<p>Vest\u00edgios de seres foram encontrados por ele, at\u00e9 que em 85 Campos descreveu      o que chama de um tipo de primo do peixe, o pterossauro Anhanguera. Algumas      pe\u00e7as desse animal est\u00e3o expostas no Museu de Paleontologia da Universidade      Regional do Cariri, que tem um acervo de mais de 750 pe\u00e7as de f\u00f3sseis coletados      na regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Depois, com seu aluno de doutorado Alex Kellner, ele descreveu outros dois      pterossauros, o Tapejara e o Tupuxuara. H\u00e1 tr\u00eas anos, foi descrito o Tapejara      imperator animal de porte m\u00e9dio que tinha uma enorme crista, maior at\u00e9 que      ele mesmo. &#8220;\u00c9 preciso aprofundar os estudos, n\u00e3o se sabe, por exemplo,      para que servia esse adere\u00e7o, se para seduzir a f\u00eamea ou para outro fim&#8221;,      explica. <\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m Di\u00f3genes Campos quem encontrou o Angaturama, especificamente a      parte anterior do cr\u00e2nio e dentes. Um detalhe que se abstraiu dessa descoberta      foi a dieta desse espinossaur\u00eddeo, que devia comer somente peixe e, por isso,      devia viver perto de um lago salgado e raso. Angaturama quer dizer, na linguagem      ind\u00edgena, companheiro de viagem. Outro indiv\u00edduo de um grupo raro entre os      dinossauros, encontrado por ele, foi o Baryonyx que significa unha pesada.      Essa fam\u00edlia tamb\u00e9m comia peixes e \u00e9 rara porque n\u00e3o tem os dentes serrilhados,      como \u00e9 comum nos dinossauros. <\/p>\n<p>Para Campos, \u00e9 preciso buscar mais e mais f\u00f3sseis de dinossauros no Brasil      e estud\u00e1-los. &#8220;Cada descoberta, traz mais luz sobre a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o      da vida&#8221;, justifica. Hoje, junto com outros paleont\u00f3logos, ele descreve      um dinossauro encontrado h\u00e1 30 anos por Price, em Mato Grosso, na Chapada      dos Guimar\u00e3es. O animal n\u00e3o fora descrito ainda por falta de dados suficientes,      mas com achados recentes na Argentina, os pesquisadores brasileiros obtiveram      elementos para a tarefa. Campos acredita ter a descri\u00e7\u00e3o pronta ainda este      ano. <\/p>\n<p>Ele considera o Brasil um lugar extremamente rico para a pesquisa paleontol\u00f3gica,      especificamente, sobre os grandes r\u00e9pteis, porque s\u00f3 aqui foi encontrado tecido      mole dos dinossauros. &#8220;Isso permitir\u00e1 a an\u00e1lise dos tecidos, para entendermos      a anatomia mole do animal, descrever os vasos sang\u00fc\u00edneos, saber como era sua      temperatura corporal&#8221;, completa.<\/p>\n<h4>Brasil \u00e9 rico em f\u00f3sseis de dinossauros<\/h4>\n<p>O f\u00f3ssil \u00e9 a \u00fanica forma de se comprovar a exist\u00eancia de algum animal em      outras eras j\u00e1 que, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 o resto ou vest\u00edgio de seres org\u00e2nicos      que deixaram suas impress\u00f5es nas rochas da crosta terrestre. Assim, em locais      onde h\u00e1 rochas sedimentares com a mesma idade dos dinossauros \u00e9 poss\u00edvel encontrar      f\u00f3sseis desses r\u00e9pteis. <\/p>\n<p>Para auxiliar o posicionamento temporal das rochas e f\u00f3sseis, pode ser feita      uma data\u00e7\u00e3o baseada na an\u00e1lise do p\u00f3len ou de esporos(estruturas reprodutivas      de fungos) fossilizados. <\/p>\n<p>O Brasil, por apresentar grandes bacias sedimentares, \u00e9 considerado um pa\u00eds      de razo\u00e1vel patrim\u00f4nio f\u00f3ssil. H\u00e1 s\u00edtios paleontol\u00f3gicos de norte a sul, alguns      descobertos h\u00e1 quase cem anos e outros mais recentes. O paleont\u00f3go Ismar de      Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio      de Janeiro descobriu, entre os anos de 91 e 92 nas praias ao norte da ilha      de S\u00e3o Lu\u00eds e na Praia da Baronesa, perto de Alc\u00e2ntara, Maranh\u00e3o, pegadas      de dinossauros. <\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m no Maranh\u00e3o que se localiza a maior ocorr\u00eancia aflorante de f\u00f3sseis      de dinossauros no Brasil, a &#8220;Laje do Coringa&#8221;, que fica na costa      oeste da Ilha do Cajual, na ba\u00eda de S\u00e3o Marcos, perto de S\u00e3o Lu\u00eds. Ela foi      descoberta em 1994 pelo ge\u00f3logo Francisco Jos\u00e9 Corr\u00eaa Martins, da UFRJ e Minist\u00e9rio      do Ex\u00e9rcito, atrav\u00e9s da an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite e fotografias a\u00e9reas.      O trabalho de Corr\u00eaa Martins resultou em um mapa geol\u00f3gico detalhado da regi\u00e3o,      que vem sendo utilizado por outros pesquisadores. <\/p>\n<p>No Acre, h\u00e1 registro de f\u00f3sseis de um crocodilo gigante. Em S\u00e3o Paulo, h\u00e1      v\u00e1rias localidades como Monte Alto, Mar\u00edlia, Presidente Prudente e \u00c1lvares      Machado. S\u00e3o s\u00edtios registrados na bacia do Paran\u00e1. Bem perto desses munic\u00edpios,      est\u00e1 o s\u00edtio de Peir\u00f3polis (MG), cidade a 25 Km de Uberaba, no Tri\u00e2ngulo Mineiro.      L\u00e1, h\u00e1 um museu tem\u00e1tico exclusivo de dinossauros, cuja atividade agrega o      trabalho de quase 300 moradores. <\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da cidade \u00e9 t\u00e3o interessante quanto o pr\u00f3prio museu. H\u00e1 mais de      20 anos, a atividade econ\u00f4mica que imperava era a explora\u00e7\u00e3o de calc\u00e1reo.      As pedreiras traziam grande preju\u00edzo ambiental, como a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e      a densa quantidade de poeira em suspens\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o tentou, por v\u00e1rias      vezes, sem sucesso, a paralisa\u00e7\u00e3o da pedreira. Eles se juntaram, unidos numa      associa\u00e7\u00e3o de moradores, a uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental ambiental e propuseram      \u00e0 prefeitura que se fosse encontrado um f\u00f3ssil (j\u00e1 se tinha not\u00edcia da descoberta      de ossadas), a pedreira encerraria suas atividades. Foi preciso, no entanto,      que um juiz, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, embargasse a atividade. <\/p>\n<p>A prefeitura investiu na constru\u00e7\u00e3o do museu e no treinamento de funcion\u00e1rios.      A atividade cresceu de tal forma que est\u00e1 ligada \u00e0 cooperativas de doces e      guloseimas, envolvendo 300 empregos diretos e indiretos. &#8220;O retorno financeiro      da visita\u00e7\u00e3o \u00e9 maior&#8221;, registra Ismar de Souza Carvalho. \u00c9 de Peir\u00f3polis      a \u00fanica ocorr\u00eancia de ovos de dinossauros fossilizados, de ter\u00f3podes. O paleont\u00f3logo      lista ainda Monte Alto, em S\u00e3o Paulo, cidade de 10 mil habitantes que tamb\u00e9m      tem um museu tem\u00e1tico. &#8220;O museu tem uma visita\u00e7\u00e3o de duas mil pessoas      por m\u00eas e um trabalho educativo muito interessante&#8221;. <\/p>\n<p>Especialista em Cret\u00e1ceo, Ismar Carvalho considera os dep\u00f3sitos fossil\u00edferos      de Crato, no Cear\u00e1, extremamente ricos em f\u00f3sseis desse per\u00edodo. &#8220;Os      melhores afloramentos do cret\u00e1ceo provavelmente estejam no Cariri&#8221;, postula.      H\u00e1 em Santana do Cariri um dos mais modernos museus de f\u00f3sseis, segundo sua      avalia\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 750 pe\u00e7as de f\u00f3sseis de dinossauros, pterossauros, insetos,      flores, plantas e aranhas. A concep\u00e7\u00e3o \u00e9 de Maria Elisa Costa, filha do arquiteto      L\u00facio Costa, e de Marcelo Suzuki. <\/p>\n<p>Outro s\u00edtio destacado pelo pesquisador \u00e9 o de Mata, no Rio Grande do Sul,      munic\u00edpio pr\u00f3ximo a Santa Maria. Ali, est\u00e1 um dos maiores dep\u00f3sitos de floresta      petrificada, que durante uma \u00e9poca esteve comprometido devido \u00e0 atividade      intensa de mineradoras na regi\u00e3o. No local, um padre, hoje com quase 90 anos      de idade, o italiano Daniel Cargnin, foi o respons\u00e1vel pela preserva\u00e7\u00e3o dos      f\u00f3sseis. &#8220;Ele brigou com todo mundo at\u00e9 que as mineradoras foram saindo      e ainda conseguiu que se preservasse uma grande \u00e1rea&#8221;, conta Ismar. <\/p>\n<p>H\u00e1 bons dep\u00f3sitos de copr\u00f3litos, que s\u00e3o fezes f\u00f3sseis, em Uberaba, Monte      Alto e Mar\u00edlia. Esse material \u00e9 uma boa fonte de pesquisa sobre os h\u00e1bitos      alimentares dos animais a que pertenceram e, conseq\u00fcentemente, d\u00e3o pistas      sobre a cadeia alimentar (ou seja, que organismo servia de alimento para outro).    <\/p>\n<p>Ainda no Nordeste, Ismar destaca o imenso s\u00edtio paleontol\u00f3gico, que engloba      as bacias de Sousa, Uira\u00fana, Brejo-da-Freira, Pombal (PB), e Cedro e Araripe      (CE). \u00c9 a maior ocorr\u00eancia de pegadas de dinossauros, com milhares de pegadas      j\u00e1 mapeadas, embora nem todas descritas. Em Sousa, foi fundado em julho de      1998 o Parque Vale dos Dinossauros que, desde ent\u00e3o, j\u00e1 recebeu 45 mil pessoas,      segundo seu coordenador, Robson de Ara\u00fajo Marques. <\/p>\n<p>H\u00e1 um museu no parque, com material educativo e algumas r\u00e9plicas de dinossauros.      O p\u00fablico visita as pegadas em passarelas suspensas, constru\u00eddas para que      ningu\u00e9m pise na \u00e1rea fossilizada. &#8220;Recebemos visitas at\u00e9 de estrangeiros&#8221;,      conta Robson de Ara\u00fajo. <\/p>\n<p>\u00c9 na Ilha do Cajual, onde fica a Laje do Coringa, no entanto, onde est\u00e1 a      maior concentra\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis de dinossauros por metro quadrado. &#8220;H\u00e1      tantos f\u00f3sseis que quase n\u00e3o existe rocha, \u00e9 quase tudo camada de areia e      ossos&#8221;, conta Ismar Carvalho. A superf\u00edcie de exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de, no m\u00e1ximo      quatro quil\u00f4metros, segundo avalia\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo, no entanto, os pesquisadores      t\u00eam retirado toneladas de f\u00f3sseis. <\/p>\n<p>Santana do Cariri, Sousa, Monte Alto, Peir\u00f3polis. Cidades pequenas, fora      do centro detentor de conhecimento. Ismar v\u00ea com entusiasmo essa caracter\u00edstica      positiva da evolu\u00e7\u00e3o da paleontologia no Brasil. &#8220;\u00c9 uma a\u00e7\u00e3o peculiar      essa a de descentralizar a deten\u00e7\u00e3o do conhecimento, que sai dos grandes centros      urbanos e vai para o interior&#8221;, observa. <\/p>\n<p>Devido \u00e0 import\u00e2ncia cient\u00edfica das jazidas fossil\u00edferas, h\u00e1 um grupo de      pesquisadores preocupados com sua preserva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 cerca de dois anos, formaram      a Comiss\u00e3o Brasileira de S\u00edtios Geol\u00f3gicos e Paleobiol\u00f3gicos (Sigep), que      deve encaminhar ainda este ano uma lista com os s\u00edtios nacionais que poderiam      se candidatar ao t\u00edtulo de patrim\u00f4nio mundial, dado pela Unesco (ag\u00eancia da      ONU para educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e cultura). <\/p>\n<p>Segundo Di\u00f3genes de Almeida Campos, que preside a comiss\u00e3o, ainda este ano      ser\u00e1 publicado um livro com 70 s\u00edtios. A obra trar\u00e1 fotos, m\u00e9todos usados      para preserva\u00e7\u00e3o, descri\u00e7\u00e3o suscinta do s\u00edtio e o que representa na hist\u00f3ria      da evolu\u00e7\u00e3o da Terra, al\u00e9m de quais crit\u00e9rios s\u00e3o adotados para que seja caracterizado      como s\u00edtio geol\u00f3gico. <\/p>\n<p>O objetivo, com o livro, \u00e9 chamar aten\u00e7\u00e3o das autoridades para a import\u00e2ncia      da preserva\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios. &#8220;Conserv\u00e1-los \u00e9 fundamental devido ao interesse      cient\u00edfico e at\u00e9 mesmo tur\u00edstico. Afinal, muitos se tornam ponto de visita\u00e7\u00e3o      e \u00e9 preciso que as pessoas saibam fazer o turismo cient\u00edfico com cuidado&#8221;,      observa Di\u00f3genes Campos. At\u00e9 hoje, o t\u00edtulo de Patrim\u00f4nio Mundial s\u00f3 foi dado      ao Pantanal, enquanto ecossistema de \u00e1reas inundadas e as Cataratas do Igua\u00e7u,      devido seu valor ambiental. <\/p>\n<h4>F\u00f3sseis ajudam no conhecimento do ambiente das diversas eras <\/h4>\n<p>O legado mais rico dos f\u00f3sseis encontrados por pesquisadores no mundo inteiro      talvez seja entender como foi o meio ambiente em eras passadas e, assim, como      viviam esses animais, de que se alimentavam, quais eram seus h\u00e1bitos. \u00c9 poss\u00edvel      ter uma id\u00e9ia de tudo o que a geologia e paleontologia, que s\u00e3o ci\u00eancias irm\u00e3s,      j\u00e1 descobriram s\u00f3 pelo n\u00famero de esp\u00e9cies de dinossauros descritas desde que      Owen usou o termo pela primeira vez em 1842. S\u00e3o mais de mil, pelos f\u00f3sseis      achados por todo o globo. <\/p>\n<p>O estudo das eras geol\u00f3gicas, por exemplo, \u00e9 feito pela geologia. As eras      s\u00e3o cada fase de amadurecimento da Terra e foram divididas de acordo com sua      evolu\u00e7\u00e3o desde seu nascimento. Hoje, acredita-se que a Terra exista h\u00e1 4,570      milh\u00f5es de anos e \u00e0 primeira fase do desenvolvimento denominou-se era pr\u00e9-cambriana,      que durou at\u00e9 570 milh\u00f5es de anos. Em seguida, veio a era paleoz\u00f3ica, que      termina em 289 milh\u00f5es de anos. <\/p>\n<p>A era em que nasceram, viveram e morreram os dinossauros foi a mesoz\u00f3ica.      Dividida em tr\u00eas per\u00edodos, o tri\u00e1ssico, o jurr\u00e1ssico e o cret\u00e1ceo, foi neste      \u00faltimo que surgiram alguns vegetais importantes como as flores. De acordo      com Ismar de Souza Carvalho, especializado no Cret\u00e1ceo, o surgimento de flores,      por exemplo, pode estar associado com a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros. &#8220;H\u00e1      uma corrente que prega isso. Com as flores, que fugiam da dieta dos dinossauros,      eles morreram de fome&#8221;, conta. <\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os que dizem que houve uma explos\u00e3o de insetos por causa das flores      e isso teria desestabilizado o meio ambiente. Outro grupo da geologia acha      que a extin\u00e7\u00e3o dos grandes r\u00e9pteis est\u00e1 associada a grandes transforma\u00e7\u00f5es      ecol\u00f3gicas e ambientais, o que \u00e9 refutado por outros que n\u00e3o acreditam que      s\u00f3 se extinguiriam os dinossauros nesse contexto. Os primeiros cr\u00eaem que,      com a forma\u00e7\u00e3o do Oceano Atl\u00e2ntico, no per\u00edodo cret\u00e1ceo, os dinossauros n\u00e3o      sobreviveram \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es de umidade. A umidade n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel ao desenvolvimento      de r\u00e9pteis. <\/p>\n<p>\u00c9 que, antes disso, a Terra era uma massa continental s\u00f3, chamada Pang\u00e9ia.      Ao fim da era Paleoz\u00f3ica, a Pang\u00e9ia se dividiu em duas superf\u00edcies terrestres,      a Laur\u00e1sia, que seria o hemisf\u00e9rio Norte e a Gondwana, que seria o hemisf\u00e9rio      Sul. Na interpreta\u00e7\u00e3o de Ismar Carvalho, essa divis\u00e3o talvez explique por      que o Rio Grande do Sul tem exemplares dos dinossauros mais primitivos. <\/p>\n<p>Antes da divis\u00e3o, os ancestrais desses dinossauros primitivos poderiam ter      vivido ali, porque era na por\u00e7\u00e3o Sul da Pang\u00e9ia onde havia a condi\u00e7\u00e3o de umidade      mais in\u00f3spita. &#8220;O Rio Grande do Sul, que est\u00e1 no contexto do hemisf\u00e9rio      Sul, no meio dessa massa continental gigantesca, pode ser hoje a regi\u00e3o onde      habitaram ent\u00e3o os dinos mais antigos&#8221;, pressup\u00f5e. <\/p>\n<p>Mestre e doutor em geologia, Ismar Carvalho se especializou, em 16 anos de      estudos, nos ecossistemas terrestres do Cret\u00e1ceo, especificamente num intervalo      entre 140 milh\u00f5es e 100 milh\u00f5es de anos. &#8220;Alguns grupos f\u00f3sseis s\u00e3o excelentes      indicadores dos ecossistemas e tamb\u00e9m microf\u00f3sseis associados com pegadas&#8221;.      Ele estudou por v\u00e1rios anos as pegadas de Sousa, na Para\u00edba, e explica que      ali dificilmente haver\u00e1 ossadas de dinossauros. &#8220;As condi\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o      de ossos e dentes s\u00e3o bem diferentes para o modo de preserva\u00e7\u00e3o das pegadas&#8221;,      explica. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Carvalho destaca a import\u00e2ncia econ\u00f4mica da paleontologia. &#8220;\u00c9      datando rochas e descobrindo f\u00f3sseis que \u00e9 poss\u00edvel descobrir onde est\u00e3o os      extratos geradores de \u00f3leo e g\u00e1s, por exemplo&#8221;, observa. A vertente econ\u00f4mica      est\u00e1 presente ainda na ind\u00fastria cultural, com a produ\u00e7\u00e3o de filmes, livros      e camisetas, cujo mote s\u00e3o dinossauros e outras descobertas da ci\u00eancia que      suscitem a simpatia do p\u00fablico. <\/p>\n<p>O forte apelo popular dos dinossauros \u00e9 para Carvalho a prova da necessidade      que o homem tem de entender de onde veio e por que est\u00e1 aqui. &#8220;Todos      se perguntam por que os dinossauros foram extintos e n\u00e3o outros animais. Estar\u00edamos      pass\u00edveis de sermos extintos caso ocorresse o mesmo evento ambiental que devastou      os dinossauros da Terra?&#8221; <\/p>\n<p>As perguntas s\u00e3o muitas e a ci\u00eancia ainda n\u00e3o tem todas as respostas, embora      os estudos sejam abundantes. E o Brasil tem forte potencial para explicar      muito. <\/p>\n<p>Isso porque 3\/4 de seu territ\u00f3rio \u00e9 ocupado por f\u00f3sseis. &#8220;H\u00e1 muito o      que descobrir ainda&#8221;, diz Di\u00f3genes de Almeida Campos que, em estudo publicado      numa revista cient\u00edfica, lamenta o limitado n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es sobre dinossauros,      por exemplo. <\/p>\n<p>Para ele, o problema maior \u00e9 a escassez ou quase aus\u00eancia de recursos para      estudos que englobam a coleta de f\u00f3sseis. Outros fatores colaboram, um \u00e9 que      a maioria dos s\u00edtios est\u00e1 coberta por extensa vegeta\u00e7\u00e3o, e outro \u00e9 que h\u00e1      poucos paleontologistas que se dedicam ao estudo de vertebrados. <\/p>\n<p>O curso de paleontologia n\u00e3o existe na gradua\u00e7\u00e3o. A \u00e1rea est\u00e1 associada aos      cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em geologia, com atua\u00e7\u00e3o em paleontologia. <\/p>\n<p><strong>A defini\u00e7\u00e3o de paleontologia, segundo o Dicion\u00e1rio Brasileiro de      Ci\u00eancias Ambientais (Thex, 1999), \u00e9:<\/strong> &#8220;ci\u00eancia que estuda os      seres vivos que existiram nos diversos per\u00edodos da hist\u00f3ria da Terra. Gra\u00e7as      \u00e0 paleontologia, os ge\u00f3logos puderam definir e caracterizar as mudan\u00e7as na      coluna geol\u00f3gica. A determina\u00e7\u00e3o da idade dos terrenos pode ser feita com      relativa seguran\u00e7a, quando baseada em dados fornecidos pela paleontologia.      Os f\u00f3sseis, encontrados em certos dep\u00f3sitos, s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento      dessa ci\u00eancia&#8221;. <\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), h\u00e1, no m\u00e1ximo,      30 paleont\u00f3logos no pa\u00eds. Eles s\u00e3o de grupos que surgiram da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o      das universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Vale do Rio dos      Sinos (Unisinos), tamb\u00e9m no Rio Grande do Sul, na Federal do Rio de Janeiro      (UFRJ), cujos paleont\u00f3logos trabalham junto ao Museu Nacional, na Estadual      do Rio de Janeiro (UERJ), no Instituto de Geoci\u00eancias da USP e tamb\u00e9m o grupo      do campus da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp), em Rio Claro. <\/p>\n<p>Segundo Ant\u00f4nio Carlos Sequeira, vice-presidente da SBP, haver\u00e1 um congresso      de paleontologia ainda este ano, no qual a t\u00f4nica das discuss\u00f5es ser\u00e1 os paleovertebrados.      &#8220;A maioria das universidades hoje se dedica ao estudo de macroinvertebrados,      mas creio que os vertebrados sejam um grupo em expans\u00e3o no Brasil&#8221;, avalia      o pesquisador. (Lana Cristina)<\/p>\n<h4>Nos per\u00edodos Jur\u00e1ssico e Cret\u00e1ceo dinossauros preferiam S\u00e3o Paulo<\/h4>\n<p>A regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m uma das mais f\u00e9rteis em achados f\u00f3sseis.      Pelo que as descobertas revelam, a \u00e1rea que hoje corresponde ao Sudeste e      a parte inferior do Centro Oeste, desde o per\u00edodo jur\u00e1ssico, era uma regi\u00e3o      com grande ocorr\u00eancia de dinossauros. Nessa por\u00e7\u00e3o, que corresponde a bacia      do rio Paran\u00e1, o Grupo Bauru e a Forma\u00e7\u00e3o Botucatu se destacam como regi\u00f5es      ricas em achados paleontol\u00f3gicos. <\/p>\n<p>Uma outra esp\u00e9cie de dinossauro, encontrada no Grupo Bauru, deve ser anunciada      m\u00eas que vem por pesquisadores do Departamento de Geoci\u00eancias da Universidade      Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro. &#8220;\u00c9 um titanossauro, saur\u00f3pode,      herb\u00edvoro, pesco\u00e7udo, com cerca de 15 metros de comprimento e entre 4 e 5      metros de altura&#8221;, informa Reinaldo Jos\u00e9 Bertini, paleont\u00f3logo que coordena      os estudos do departamento. <\/p>\n<p>Para se chegar a essa configura\u00e7\u00e3o do animal, os pesquisadores precisaram      de apenas seis v\u00e9rtebras da cauda, tudo o que restou do animal. Segundo Bertini,      esse material possui uma &#8220;assinatura caracter\u00edstica&#8221; que permite      deduzir como era todo o dinossauro. Os maiores animais terrestres j\u00e1 identificados      no planeta eram do grupo dos saur\u00f3podes. As principais caracter\u00edsticas desses      herb\u00edvoros eram a cauda e o pesco\u00e7o longos e um corpo avantajado de v\u00e1rias      toneladas. <\/p>\n<p>Os f\u00f3sseis desse dinossauro n\u00e3o s\u00e3o descoberta recente. Estavam depositados      no Museu de Geologia do Parque da \u00c1gua Branca, em S\u00e3o Paulo, desde 1959, quando      foram encontrados, durante a constru\u00e7\u00e3o de uma ferrovia no noroeste paulista.    <\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pela descoberta foi o ge\u00f3logo Rodrigo Santucci que, estudando      f\u00f3sseis para sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, deparou-se com aquele material diferente      de tudo j\u00e1 descrito no pa\u00eds e na Argentina. Essa conclus\u00e3o refor\u00e7a a tese      de endemismo das esp\u00e9cies encontradas no Grupo Bauru, ou seja, que elas s\u00f3      ocorrem al\u00ed. &#8220;Os dinossauros paulistas e triangulinos apresentavam algumas      semelhan\u00e7as com os argentinos do Cret\u00e1ceo Superior. Mas havia algum endemismo      na fauna, ou seja, formas exclusivas de S\u00e3o Paulo e Tri\u00e2ngulo Mineiro&#8221;,      explica Bertini. <\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses para a exist\u00eancia de esp\u00e9cies particulares era a diferencia\u00e7\u00e3o      clim\u00e1tica do Grupo Bauru, mais seco, provocando um &#8220;stress&#8221; ambiental      e gerando um relativo nanismo nos animais. Os f\u00f3sseis do Grupo Bauru datam      do Cret\u00e1ceo Superior e t\u00eam idade entre 70 milh\u00f5es e 65 milh\u00f5es de anos. Essa      \u00e1rea \u00e9 um conjunto de terrenos sedimentares que abrange al\u00e9m do oeste paulista      e do Tri\u00e2ngulo Mineiro, o sul de Goi\u00e1s e o leste de Mato Grosso. <\/p>\n<p>Outro achado revelador do Grupo Bauru s\u00e3o os dentes de deinonicossauros.      F\u00f3sseis desse tipo s\u00e3o prospectados na regi\u00e3o h\u00e1 muito tempo, entretanto a      falta de osso n\u00e3o permitia a classifica\u00e7\u00e3o dos animais. Com um microsc\u00f3pio      eletr\u00f4nico, a equipe de Rio Claro, verificou que os dentes de deinonicossauros      t\u00eam bordas serrilhadas, semelhantes \u00e0s dos tem\u00edveis e carn\u00edvoros velocirraptores      (aqueles que o cineasta norte-americano Steven Spielberg colocou correndo      atr\u00e1s das crian\u00e7as no filme Parques dos Dinossauros). <\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, animais desse tipo s\u00f3 eram encontrados na Am\u00e9rica do Norte. &#8220;Esse      material n\u00e3o \u00e9 suficiente para determinar grupos e descrever esp\u00e9cies mas      \u00e9 poss\u00edvel dizer que os deinonicossauros eram b\u00edpedes carn\u00edvoros, providos      de cauda longa, com at\u00e9 dois metros de altura e mais de tr\u00eas metros de comprimento&#8221;,      informa Bertini. A presen\u00e7a deles na Am\u00e9rica do Sul comprova que houve alguma      forma de troca bi\u00f3tica e, portanto, liga\u00e7\u00e3o continental entre as am\u00e9ricas      do Sul e do Norte ao final do Cret\u00e1ceo. <\/p>\n<p>F\u00f3sseis de carnossauros, na forma de fragmentos cranianos e dentes, tamb\u00e9m      s\u00e3o encontrados no Grupo Bauru. Esses, eram dinossauros b\u00edpedes, carn\u00edvoros      e eventualmente necr\u00f3fagos, com cabe\u00e7a grande, patas posteriores musculosas      e cauda robusta e longa de at\u00e9 sete metros de altura e doze metros de comprimento.      Como n\u00e3o s\u00f3 os dinos interessam aos paleont\u00f3logos, restos de peixes (cerca      de seis grupos diferentes),testudinos (tartarugas), crocodilomorfos, lacert\u00edlios      (lagartos), of\u00eddios (serpentes) e mam\u00edferos (alguns dos mais antigos do pa\u00eds)      s\u00e3o prospectados no Grupo Bauru. <\/p>\n<p>Na Forma\u00e7\u00e3o Botucatu s\u00e3o encontrados os \u00fanicos registros de dinossauros brasileiros      do per\u00edodo jur\u00e1ssico. No centro do estado de S\u00e3o Paulo existem dep\u00f3sitos de      arenitos e\u00f3licos de colora\u00e7\u00e3o avermelhada, que cobriam um grande deserto,      onde est\u00e3o gravadas pegadas de celurossauros e ornit\u00f3podos cuja idade seria      entre 180 milh\u00f5es e 150 milh\u00f5es de anos. N\u00e3o h\u00e1 f\u00f3sseis de dinossauros na      Forma\u00e7\u00e3o Botucatu, apenas pegadas, fato atribu\u00eddo ao ambiente deserto. <\/p>\n<p>As primeiras descobertas na Forma\u00e7\u00e3o Botucatu datam de 1911, quando o engenheiro      de minas Joviano Pacheco descobriu em uma laje de pavimenta\u00e7\u00e3o de uma cal\u00e7ada      da cidade de S\u00e3o Carlos uma pista de tetr\u00e1pode. A origem dessa laje era uma      pedreira pr\u00f3xima a Araraquara. Por sinal, o cal\u00e7amento das cidades na regi\u00e3o      de Araraquara \u00e9 rico em icnof\u00f3sseis. <\/p>\n<p>Conta-se que em 1976, viajando pelo interior paulista, o padre italiano Giuseppe      Leonardi, o mesmo que havia pesquisado as pegadas de dinossauros em Sousa      (PB), identificou nas lajes usadas para cal\u00e7amento da cidade de Araraquara      pegadas de r\u00e9pteis. N\u00e3o conseguindo sensibilizar o prefeito quanto a import\u00e2ncia      da descoberta, o padre retirou, a revelia, algumas lajes e levou-as para o      Departamento Nacional da Produ\u00e7\u00e3o Mineral, no Rio de Janeiro, onde est\u00e3o at\u00e9      hoje. Estudos mostraram que o padre tinha raz\u00e3o, as pegadas tinham 180 milh\u00f5es      de anos. <\/p>\n<p>Das esp\u00e9cies com pegadas identificadas, os celurossauros s\u00e3o descritos como      b\u00edpedes, carn\u00edvoros, com pesco\u00e7o flex\u00edvel e cauda longa, medindo entre 60      cent\u00edmetros e 1,5 metros de altura, e entre um e 2,5 metros de comprimento.      Os ornit\u00f3podos podiam ser b\u00edpedes ou quadr\u00fapedes, com cauda relativamente      longa, a altura variava entre 1,8 e quatro metros e o comprimento entre 2,5      e seis metros. <\/p>\n<p>Os dinossauros do cret\u00e1ceo superior, encontrados no Grupo Bauru, talvez foram      os \u00faltimos a habitar a regi\u00e3o que hoje corresponde ao territ\u00f3rio nacional.      A extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros, h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos, marca o fim do per\u00edodo      cret\u00e1ceo. A teoria mais aceita para explicar a extin\u00e7\u00e3o desse animais \u00e9 a      queda de um meteoro na Terra. A cratera de Chicxulub, no M\u00e9xico, com di\u00e2metro      de 200 quil\u00f4metros, \u00e9 apontada como ponto de colis\u00e3o desse aster\u00f3ide, que      pelo tamanho da cratera gerada tinha um di\u00e2metro de 10 quil\u00f4metros. O impacto      dessa explos\u00e3o teria lan\u00e7ado toneladas de cascalho e poeira no ar e provocado      erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas o que criou uma densa nuvem de fuma\u00e7a que bloqueava a      luz do sol, causando a morte dos animais por inani\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havendo plantas,      n\u00e3o havia alimento para os herb\u00edvoros; sem os herb\u00edvoros, os carn\u00edvoros n\u00e3o      tinham o que comer. <\/p>\n<h4>Dinossauros surgiram no sul da Am\u00e9rica do Sul<\/h4>\n<p>Os f\u00f3sseis de dinossauros mais antigos j\u00e1 identificados no mundo foram encontrados      na regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul, e no noroeste da Argentina, na regi\u00e3o      da Patag\u00f4nia. Os esqueletos desses animais datam do per\u00edodo tri\u00e1ssico e t\u00eam      mais de 220 milh\u00f5es de anos. Essas descobertas levantam a hip\u00f3tese de que      os dinossauros tenham surgido na Am\u00e9rica do Sul e se espalhado pelo resto      do mundo. Vale lembrar que, durante o Tri\u00e1ssico, havia apenas uma grande massa      continental, a Pang\u00e9ia, que se concentrava na linha do Equador, com pouca      varia\u00e7\u00e3o de temperatura. <\/p>\n<p>Pelo menos quatro esp\u00e9cies de dinossauros j\u00e1 foram descritas de f\u00f3sseis retirados      no Rio Grande do Sul. As forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas de Sanga do Cabral, Santa Maria      e Caturrita, todas no estado, est\u00e3o assentadas em rochas sedimentares do Tri\u00e1ssico,      ricas em f\u00f3sseis de r\u00e9pteis, entre eles os dinossauros. O habitat desses animais      era composto por con\u00edferas (pinheiros) de at\u00e9 30 metros, samambaias e o solo      era forrado por vegeta\u00e7\u00e3o rasteira. Havia tamb\u00e9m boa oferta de \u00e1gua, com v\u00e1rios      rios e lagos. <\/p>\n<p>Um das esp\u00e9cies que viveu durante esse per\u00edodo foi descoberta recentemente.      Trata-se de um dinossauro pequeno, prossaur\u00f3pode (um dos primeiros tipos de      dinossauros a surgir na Terra), de um metro, com 228 milh\u00f5es de anos. O animal,      ainda sem nome, foi encontrado no ano passado, em Agudo, a 250 quil\u00f4metros      de Porto Alegre. A descoberta coube ao paleont\u00f3logo Jorge Ferigolo, respons\u00e1vel      pelo Museu de Ci\u00eancias Naturais, da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do      Sul. <\/p>\n<p>Foram achadas v\u00e9rtebras, f\u00eamures, dentes e peda\u00e7os de mand\u00edbulas, pertencentes      a cerca de 20 indiv\u00edduos. Pela an\u00e1lise da ossada, Ferigolo acredita que essa      esp\u00e9cie era herb\u00edvora e complementava sua dieta com insetos. A estrutura corporal      leve, com ossos longos e ocos, indica, ainda, que esses dinos eram \u00e1geis para      fugir dos predadores. \u00c9 prov\u00e1vel que esses animais serviam de alimento para      esp\u00e9cies carn\u00edvoras, entre os fragmentos foi encontrado um dente de carn\u00edvoro.    <\/p>\n<p>Uma particularidade desse pequenino antepassado dos grandes dinossauros \u00e9      que ele provavelmente pertence aos ornitisquios, uma das grandes subdivis\u00f5es      da ordem dos dinossauros. &#8220;Esse \u00e9 possivelmente o mais importante ornitisquio      j\u00e1 encontrado, porque \u00e9 o mais completo do Tri\u00e1ssico&#8221;, afirma Ferigolo.      Os outros dinossauros desse per\u00edodo, encontrados no pa\u00eds, pertencem ao grupo      dos saurisquios. O herb\u00edvoro Triceratops \u00e9 o \u00fanico dino origin\u00e1rio do grupo      dos ornitisquios. Dos saurisquios evolu\u00edram tanto herb\u00edvoros como o Apatosauro,      quanto carn\u00edvoros como o Tyranosaurus rex. <\/p>\n<p>Outra importante descoberta foi feita em 1998, por um grupo de profissionais      do Laborat\u00f3rio de Paleontologia do Museu de Ci\u00eancias e Tecnologias da Pontif\u00edcia      Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Durante uma expedi\u00e7\u00e3o      que visava \u00e0 coleta de f\u00f3sseis de r\u00e9pteis e peixes eles se depararam com ossos      de um animal diferente de tudo o que conheciam. Posteriormente denominado      de Saturnalia tupiniquim, essa esp\u00e9cie media aproximadamente um metro, tamb\u00e9m      eram esguios e \u00e1geis. Max Langer, um dos palent\u00f3logos respons\u00e1veis pela descoberta      est\u00e1 na Universidade de Bristol, Reino Unido, estudando a esp\u00e9cie em busca      de mais detalhes. <\/p>\n<p>Na equipe da PUCRS que encontrou o Saturnalia estava a pesquisadora Maria      Cl\u00e1udia Malabarba, cuja especialidade s\u00e3o os f\u00f3sseis de peixes. Antes do Tri\u00e1ssico,      a regi\u00e3o de Santa Maria foi primeiro um oceano e depois um lago que h\u00e1 250      milh\u00f5es de ano secou deixando restos de v\u00e1rios r\u00e9pteis aqu\u00e1ticos. <\/p>\n<p>Diferente dos dinossauros, como explica Maria Cl\u00e1udia, &#8220;os peixes que      povoam os mares e rios atualmente est\u00e3o na mesma linha evolutiva dos peixes      do Tri\u00e1ssico. Como o ambiente era diferente ao dos dinos eles n\u00e3o foram extintos&#8221;.      Os f\u00f3sseis de peixes do Tr\u00edassico ga\u00facho est\u00e3o depositados em sedimentos de      maior profundidade, por isso \u00e9 grande a possibilidade de se encontrar fragmentos      de outras esp\u00e9cies quando das escava\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>O primeiro dinossauro encontrado no RS foi um Staurikosaurus pricei, coletado      na regi\u00e3o de Santa Maria, em 1936. A ossada desse animal est\u00e1 no Museu de      Zoologia Comparada de Harvard, nos Estado Unidos. Os animais dessa esp\u00e9cie,      tamb\u00e9m do Tri\u00e1ssico, n\u00e3o chegavam a dois metros de comprimento e eram carn\u00edvoros.      Tamb\u00e9m j\u00e1 foram prospectados fragmentos de cinodontes, parentes distantes      dos mam\u00edferos, com denti\u00e7\u00e3o evolu\u00edda, apresentando caninos, molares e incisivos.<\/p>\n<p>Dinossauros do Tri\u00e1ssico tamb\u00e9m j\u00e1 foram encontrados na Alemanha e na \u00c1frica      do Sul, essas esp\u00e9cies possu\u00edam semelhan\u00e7as com seus contempor\u00e2neos sul-americanos.      Entretanto, os pesquisadores brasileiros s\u00e3o quase un\u00e2nimes em propor o sul      da Am\u00e9rica do Sul como ber\u00e7o dos dinossauros. &#8220;As descobertas realizadas      nas forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas ga\u00fachas e aquelas que certamente ser\u00e3o feitas em      breve, colocam como certa a origem dos dinossauros no sul da Am\u00e9rica do Sul&#8221;,      arrisca o paleont\u00f3logo Fernando Abdala da PUCRS.<\/p>\n<h4>Expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8220;Em Busca dos Dinossauros&#8221; chega ao Maranh\u00e3o<\/h4>\n<p>Os pesquisadores da expedi\u00e7\u00e3o &#8220;Em Busca dos Dinossauros&#8221;, do Museu      Nacional do Rio, institui\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro      (UFRJ), chegam hoje \u00e0 Ilha do Cajual, no Maranh\u00e3o, um dos locais onde h\u00e1 maior      abund\u00e2ncia de vest\u00edgios desse grande r\u00e9ptil e de outros f\u00f3sseis, no Brasil.    <\/p>\n<p>Antes de seguir para a ilha, onde v\u00e3o realizar trabalho de coleta sob supervis\u00e3o      do grupo de Paleontologia da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA), S\u00e9rgio      Alex de Azevedo, coordenador da expedi\u00e7\u00e3o, Alexander Kellner e Luciana Carvalho      concederam entrevista \u00e0 imprensa, em S\u00e3o Lu\u00eds, e aos jornalistas que acompanham      a viagem, para esclarecer a pol\u00eamica gerada sobre a \u00e9tica do grupo do Museu      Nacional na condu\u00e7\u00e3o dos trabalhos. <\/p>\n<p>Na semana passada, o chefe do laborat\u00f3rio de Paleontologia, ligado ao Departamento      de Biologia da UFMA, professor Manuel Medeiros, distribuiu nota \u00e0 imprensa      de todo o pa\u00eds na qual mostra indigna\u00e7\u00e3o com a conduta dos pesquisadores do      Rio, que ele considerou anti-\u00e9tica. <\/p>\n<p>Segundo ele, S\u00e9rgio Alex divulgou a informa\u00e7\u00e3o de que um membro da equipe      do Museu Nacional teria descoberto a Ilha do Cajual &#8211; que fica pr\u00f3xima a S\u00e3o      Lu\u00eds e a Alc\u00e2ntara &#8211; como importante s\u00edtio fossil\u00edfero. Ele disse tamb\u00e9m que      Alex estaria promovendo a expedi\u00e7\u00e3o para identificar cinco novas esp\u00e9cies      de dinossauros, cujos ossos j\u00e1 teriam sido coletados por sua equipe. Medeiros      e seus alunos realizam pesquisas e coletam material na ilha h\u00e1 pelo menos      seis anos. <\/p>\n<p>Segundo a nota de Medeiros, os paleont\u00f3logos da expedi\u00e7\u00e3o estariam interessados      em se apoderar dos f\u00f3sseis da ilha, indiscriminadamente, e teriam anunciado      que retirariam a Laje do Coringa, onde se concentram os f\u00f3sseis, para incorpor\u00e1-la      ao acervo do Museu Nacional. &#8220;O material f\u00f3ssil in\u00e9dito encontrado nessa      expedi\u00e7\u00e3o deve ficar no Maranh\u00e3o&#8221;, defende Medeiros. <\/p>\n<p>Para ele, outro fator denuncia a inten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores da expedi\u00e7\u00e3o      de se apropriarem das descobertas alheias. &#8220;Por que eles escolheram s\u00edtios      paleontol\u00f3gicos s\u00f3 do Nordeste e n\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Uberaba, Mato Grosso, onde      realizam pesquisas ou mesmo no Rio Grande do Sul, onde h\u00e1 registros dos dinossauros      mais antigos?&#8221;, questiona Medeiros. <\/p>\n<p>Na entrevista, S\u00e9rgio Alex mostrou documentos e fitas de v\u00eddeo, com entrevistas      concedidas \u00e0 imprensa desde que a expedi\u00e7\u00e3o foi divulgada, no ano passado.    <\/p>\n<p>Com esse material, ele procura deixar claro que nunca pretendeu criar pol\u00eamica.      Em entrevista ao Servi\u00e7o de Ci\u00eancia, Tecnologia e Meio Ambiente, da Ag\u00eancia      Brasil, ele j\u00e1 havia adiantado, no dia em que a equipe chegou a S\u00e3o Lu\u00eds (quarta-feira      14), que teria provas de que tudo n\u00e3o passa de um mal-entendido. &#8220;\u00c9 tamb\u00e9m      algo pr\u00f3prio da natureza humana&#8221;, disse, referindo-se ao \u00edmpeto de Manuel      Medeiros de defender a pesquisa local. <\/p>\n<p>O principal documento apresentado pelo coordenador da expedi\u00e7\u00e3o foi o termo      de conduta, assinado entre autoridades locais do Maranh\u00e3o, como o governo      do estado, a prefeitura de S\u00e3o Lu\u00eds, bem como a UFMA e o Museu Nacional, al\u00e9m      da Fogo F\u00e1tuo Expedi\u00e7\u00f5es, respons\u00e1vel pela log\u00edstica da viagem e o grupo Centro      de Cultura, Informa\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente (Cima), que filma a expedi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Alex afirma ainda que nunca atribuiu a descoberta da Laje do Coringa a membros      do Museu Nacional. A Laje do Coringa tem cerca de 1 quil\u00f4metro de comprimento      e 600 metros de largura e foi encontrada pelo ge\u00f3logo Francisco Correa Martins,      quando desenvolvia sua tese de mestrado pela UFRJ, em 1994. <\/p>\n<p>O termo determina que cabe ao grupo da UFMA a triagem do material coletado      pelos paleont\u00f3logos do Museu Nacional e que ser\u00e1 permitida a retirada de um      peda\u00e7o da laje para exposi\u00e7\u00e3o no museu. &#8220;At\u00e9 o tamanho da laje foi motivo      de pol\u00eamica. J\u00e1 ouvi falar em toneladas ou que ir\u00edamos lev\u00e1-la inteira para      o Rio de Janeiro&#8221;, conta Alex. O pesquisador ressalta que, pelo termo,      pode ser retirado um peda\u00e7o de 2m x 2m para o museu e outro do mesmo tamanho      para o arquivo do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da UFMA. <\/p>\n<p>Quanto ao fato de o roteiro de viagem incluir s\u00f3 s\u00edtios do Nordeste, Alex      justifica que os f\u00f3sseis dessas localidades s\u00e3o mais vis\u00edveis ao p\u00fablico leigo      e, para efeito de document\u00e1rio televisivo, seriam mais pl\u00e1sticos. &#8220;Os      f\u00f3sseis que encontramos em Minas ou S\u00e3o Paulo, s\u00f3 depois de identificados      e expostos em museus \u00e9 que s\u00e3o plasticamente mais vis\u00edveis&#8221;, justifica.    <\/p>\n<p>Pol\u00eamicas \u00e0 parte, a expedi\u00e7\u00e3o continua e est\u00e1 sendo filmada para ser tema      de document\u00e1rio produzido pelo Cima, que o vender\u00e1 a uma emissora de televis\u00e3o.      Os pesquisadores sa\u00edram do Rio de Janeiro no dia 3, passaram por Crato, no      Cear\u00e1, onde foram ao s\u00edtio fossil\u00edfero da Chapada do Araripe, um dos mais      ricos em f\u00f3sseis do per\u00eddo cret\u00e1ceo, com idade de 65 milh\u00f5es anos. No dia      9, a equipe passou por Sousa, na Para\u00edba, o maior s\u00edtio de pegadas de dinossauros      do pa\u00eds, localizado nas bacias Sousa, Uira\u00fana e Brejo das Freiras, que abriga      o Parque Vale dos Dinossauros. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do registro dos f\u00f3sseis encontrados nos s\u00edtios visitados, a equipe est\u00e1      registrando hist\u00f3rias da popula\u00e7\u00e3o local e da cultura da regi\u00e3o, para compor      o document\u00e1rio. &#8220;At\u00e9 porque um document\u00e1rio s\u00f3 com descobertas paleontol\u00f3gicas      seria muito chato&#8221;, explica Alex. <\/p>\n<p>Luiz Fernando Dias Duarte, diretor do Museu Nacional, disse que est\u00e1 atento      aos rumores levantados sobre a viagem dos pesquisadores da institui\u00e7\u00e3o. &#8220;Estou      ciente de que houve tens\u00f5es que eu n\u00e3o posso ajuizar, mas posso concluir que      isso \u00e9 pr\u00f3prio das rela\u00e7\u00f5es humanas, n\u00e3o h\u00e1 como regular por lei&#8221;, comenta.      Dias Duarte disse ainda que, ao t\u00e9rmino da expedi\u00e7\u00e3o &#8211; o retorno est\u00e1 previsto      para 2 de mar\u00e7o, segundo Alex &#8211; ser\u00e1 marcada uma reuni\u00e3o para esclarecer as      nuances da pol\u00eamica. Al\u00e9m disso, a Sociedade Brasileira de Paleontologia ser\u00e1      convocada para liderar um debate em torno da institui\u00e7\u00e3o de um C\u00f3digo de \u00c9tica      da pesquisa paleontol\u00f3gica. <\/p>\n<p>Dias Duarte faz quest\u00e3o de ressaltar, no entanto, que sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 pelo      equil\u00edbrio entre a particulariza\u00e7\u00e3o e a universaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. &#8220;Ou      seja, deve haver respeito, parceria e solidariedade entre os diversos grupos      de pesquisa e a preserva\u00e7\u00e3o das descobertas em benef\u00edcio das comunidades locais.      Mas tamb\u00e9m n\u00e3o se deve, jamais, limitar o car\u00e1ter universalista da ci\u00eancia,      que foi o primeiro produto globalizado da cultura universal&#8221;, postula.      (Lana Cristina) <\/p>\n<h4>Expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica exp\u00f5e crise entre pesquisadores <\/h4>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8220;Em Busca dos Dinossauros&#8221; chega ao fim      desta semana com saldo negativo. Ap\u00f3s vinte dias de viagem pelo Cear\u00e1, Para\u00edba      e Maranh\u00e3o, procurando vest\u00edgios desses enormes r\u00e9pteis que viveram at\u00e9 65      milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, sobraram declara\u00e7\u00f5es desencontradas, acusa\u00e7\u00f5es e mal-entendidos.      Al\u00e9m disso, ficou claro que h\u00e1 uma crise entre pesquisadores do setor de paleovertebrados      do Museu Nacional do Rio, que organizaram a expedi\u00e7\u00e3o, e pesquisadores do      Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e      do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).    <\/p>\n<p>O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, \u00e9 ligado \u00e0 UFRJ. O campus      da universidade fica na Ilha do Fund\u00e3o. A localidade dos dois remete outros      pesquisadores a apelidarem a disputa de QuintaxFund\u00e3o. A crise, dizem paleont\u00f3logos      que preferem n\u00e3o se identificar, \u00e9 antiga e existe h\u00e1 cerca de 10 anos. Ela      come\u00e7ou com pol\u00eamica criada sobre a autoria de alguns estudos ligados a f\u00f3sseis      brasileiros. <\/p>\n<p>Agora, com a expedi\u00e7\u00e3o &#8211; que visa ao registro de imagens para produ\u00e7\u00e3o de      um document\u00e1rio que ser\u00e1 vendido para uma emissora de TV (n\u00e3o se sabe se aberta      ou fechada) &#8211; veio \u00e0 tona n\u00e3o s\u00f3 o &#8220;racha&#8221; na paleontologia, mas      tamb\u00e9m a necessidade de determinar oficialmente, os limites da atua\u00e7\u00e3o do      pesquisador na coleta de f\u00f3sseis. Ou seja, a cria\u00e7\u00e3o de uma conduta \u00e9tica      que, presumivelmente, os cientistas j\u00e1 teriam decorada. <\/p>\n<p>O diretor do Museu Nacional, Luiz Fernando Dias Duarte, disse que convocar\u00e1      uma reuni\u00e3o entre os pesquisadores da expedi\u00e7\u00e3o e a Sociedade Brasileira de      Paleontologia (SBP) para esclarecer a crise gerada durante a expedi\u00e7\u00e3o e fomentar      o debate sobre o estabelecimento de um c\u00f3digo de \u00e9tica. &#8220;Do ponto de      vista informal, defendo um equil\u00edbrio entre o particularismo e a universaliza\u00e7\u00e3o      da ci\u00eancia&#8221;, afirmou Dias Duarte, referindo-se \u00e0 pol\u00eamica sobre a retirada      de f\u00f3sseis dos s\u00edtios visitados pela expedi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A querela, na verdade, se restringiu a um dos s\u00edtios visitados, a Laje do      Coringa, no Maranh\u00e3o. Esse \u00e9 certamente o s\u00edtio paleontol\u00f3gico com mais ocorr\u00eancias      f\u00f3sseis do pa\u00eds. Ossos, dentes e vegetais fossilizados &#8211; ou seja, cristalizados      pela a\u00e7\u00e3o do tempo e dos sedimentos que se sobrepuseram a eles &#8211; afloram praticamente      a olho nu. A laje tem 1,5 Km de comprimento e 600 metros de largura, fica      na Ilha do Cajual, a 20 quil\u00f4metros de S\u00e3o Lu\u00eds. <\/p>\n<p>S\u00f3 se chega \u00e0 ilha de catamar\u00e3, saindo da capital ou de Alc\u00e2ntara. Os pesquisadores      do Museu Nacional, sob a coordena\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo S\u00e9rgio Alex de Azevedo,      programaram a visita ao s\u00edtio para o final da viagem. Mas antes firmaram termo      de compromisso, assinado pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e \u00f3rg\u00e3os      do estado, no qual ficou estabelecido limites para a coleta de f\u00f3sseis. <\/p>\n<p>Pelo termo, o controle da prospec\u00e7\u00e3o ficou a cargo do Laborat\u00f3rio de Paleontologia,      do departamento de Biologia da UFMA, especificamente sob a coordena\u00e7\u00e3o de      Manuel Alfredo de Medeiros. \u00c9 ele quem coordena o laborat\u00f3rio e estudos feitos      por alunos do departamento na Laje do Coringa. Medeiros conclui em mar\u00e7o tese      de doutorado, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), cujo      objeto de estudo s\u00e3o f\u00f3sseis de esp\u00e9cies de dinossauros, peixes, crocodilos      e troncos petrificados, encontrados por ele desde 1997. <\/p>\n<p>Outro item do termo de conduta \u00e9 a autoriza\u00e7\u00e3o para retirada de um peda\u00e7o      da laje, de 2m x 2m, para integrar o acervo do Museu Nacional. Houve declara\u00e7\u00f5es      de S\u00e9rgio Alex na imprensa que levaram os pesquisadores da UFMA acreditarem      que ele levaria toda laje. A quest\u00e3o da retirada foi ponto de disc\u00f3rdia ainda      porque, segundo nota divulgada por Medeiros, Alex e sua equipe teriam feito      visitas \u00e0 ilha do Cajual, no passado, sem avisar. Isso contrariou o &#8220;acordo      de \u00e9tica&#8221; que existe entre pesquisadores da \u00e1rea, pelo qual as coletas      fora do territ\u00f3rio de atua\u00e7\u00e3o s\u00e3o feitas em parceria com os estudiosos locais.    <\/p>\n<p>O pr\u00f3prio diretor do Museu Nacional defende a parceria. &#8220;Deve haver      respeito, parceria e solidariedade entre pesquisadores&#8221;, disse. Dias      Duarte afirmou tamb\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 desatento aos rumores levantados acerca      da expedi\u00e7\u00e3o, mas preferiu n\u00e3o se pronunciar a respeito. &#8220;Sei que houve      tens\u00f5es, mas n\u00e3o posso ajuizar. Isso \u00e9 pr\u00f3prio das rela\u00e7\u00f5es humanas e n\u00e3o      pode ser regulamentado por lei, decreto ou algo assim&#8221;. O diretor, no      entanto, se furtou a defender diretamente seus pares ou, muito menos a acus\u00e1-los.    <\/p>\n<p>A equipe da UFMA se indignou por n\u00e3o ter sido citada pelos pesquisadores      da expedi\u00e7\u00e3o, quando falaram sobre os estudos em andamento na ilha e tamb\u00e9m      porque teria ficado subentendido que a Laje do Coringa seria uma descoberta      de paleont\u00f3logos do Museu Nacional. Alex se defende e garante que jamais declarou      algo nesse sentido. Medeiros o acusa de dissimula\u00e7\u00e3o nas afirma\u00e7\u00f5es sobre      as descobertas. &#8220;Ele disse que estava atr\u00e1s de cinco dinossauros na Laje      e que teria encontrado um espinossauro no Maranh\u00e3o, quando n\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;,      ataca Medeiros. &#8220;Nunca disse que descobrimos a laje e, al\u00e9m do mais,      comuniquei ao professor Manuel todas minhas visitas \u00e0 ilha, algumas na volta.      H\u00e1 pessoas dizendo que vamos nos apossar cientificamente do lugar e n\u00e3o \u00e9      verdade&#8221;, defende-se Alex. <\/p>\n<p>Por precau\u00e7\u00e3o, a equipe da UFMA montou guarda duas semanas antes da expedi\u00e7\u00e3o      do Museu Nacional chegar \u00e0 Ilha do Cajual. Al\u00e9m disso, solicitou ao Ex\u00e9rcito      a presen\u00e7a do autor da descoberta da Laje do Coringa, o professor de hist\u00f3ria      e ge\u00f3logo Francisco Jos\u00e9 Corr\u00eaa Martins. Foi ele quem encontrou a laje, primeiro      em imagens de sat\u00e9lite cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais      (Inpe) e, depois &#8220;in loco&#8221;, em 1994. &#8220;Fui verificar fei\u00e7\u00f5es      que me pareciam estranhas nas imagens e encontrei uma quantidade nunca imaginada      de f\u00f3sseis num mesmo lugar&#8221;, conta. <\/p>\n<p>Martins \u00e9 professor na Escola de Preparat\u00f3ria de Cadetes do Ex\u00e9rcito, em      Campinas. Ele chegou \u00e0 ilha na sexta-feira e se encontrou com a equipe do      Museu Nacional, no domingo. Segundo o professor, havia um clima tenso no local.      A equipe da UFMA havia sido retirada da base da ONG Amavida, que tamb\u00e9m atua      realizando estudos na ilha. Pesquisadores e alunos tiveram que se transferir      para uma comunidade no interior da ilha, a mais de 3 Km de dist\u00e2ncia. No seu      lugar, foram hospedados os componentes da expedi\u00e7\u00e3o do Rio. <\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m desses acontecimentos e outros procedimentos lament\u00e1veis, considero      um absurdo que eles (os membros do Museu Nacional e seus associados) realizem      uma expedi\u00e7\u00e3o &#8220;apote\u00f3tica e cinematogr\u00e1fica&#8221;, que n\u00e3o tem nenhum      contato com a realidade da pesquisa acad\u00eamica, como pretendiam retratar. Por      exemplo, contrataram cozinheiros uniformizados para prepararem suas refei\u00e7\u00f5es      na ilha, com mordomias tais como cafezinho, doces e tudo o mais. E ve\u00edculos      Land Rover para &#8220;locomo\u00e7\u00e3o&#8221;! Numa ilha em que as pessoas t\u00eam poucos      recursos para sobreviver e, em um pa\u00eds como o nosso, onde as institui\u00e7\u00f5es      de pesquisa t\u00eam que justificar os parcos financiamentos que recebem, \u00e9 uma      afronta tamanho distanciamento com a realidade. Ci\u00eancias de campo como a Paleontologia,      a Geologia, a Biologia, a Geografia, entre outras, s\u00e3o realizadas por meio      de kombi ou outros ve\u00edculos comuns, com a comida poss\u00edvel de ser feita ou      obtida no meio do mato. Pesquisa n\u00e3o \u00e9 nada daquilo que a expedi\u00e7\u00e3o &#8220;Em      busca dos dinossauros&#8221; fez!&#8221;, desabafa Martins. <\/p>\n<p>Ainda segundo relato do professor, reinava um clima de des\u00e2nimo entre o pessoal      do Museu Nacional, que saiu da ilha nesta sexta, antes do Carnaval, por n\u00e3o      ter conseguido utilizar o trator que retiraria o peda\u00e7o da laje. E que, ao      usarem um dos Land Rover para realizar tal tarefa, acabaram por quebr\u00e1-la      em v\u00e1rios peda\u00e7os, fracassando no intento da retirada. <\/p>\n<p>Para Martins, a quest\u00e3o do respeito \u00e0s localidades onde est\u00e3o os s\u00edtios \u00e9      fundamental. &#8220;Temos sim que estabelecer um c\u00f3digo de \u00e9tica e conduta      cient\u00edfica para que fique claro na pesquisa o que \u00e9 permitido fazer ou, do      contr\u00e1rio, \u00e9 preciso come\u00e7ar uma profunda discuss\u00e3o sobre como se faz pesquisa      nesse pa\u00eds&#8221;. Ele defende que seja rediscutido o papel do Departamento      Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM), a quem cabe a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos s\u00edtios      fossil\u00edferos e arqueol\u00f3gicos nacionais. &#8220;O DNPM tem poucos paleont\u00f3logos      e o pa\u00eds \u00e9 grande&#8221;, justifica.<\/p>\n<h4>Integridade intelectual<\/h4>\n<p>Al\u00e9m da visita \u00e0 Ilha do Cajual, a expedi\u00e7\u00e3o &#8220;Em busca dos dinossauros&#8221;      esteve em Crato (CE), para registrar imagens do s\u00edtio fossil\u00edfero de Santana      do Cariri, que fica na Chapada do Araripe. A reitora da Universidade Regional      do Cariri (Urca), Violeta Arraes, tamb\u00e9m se interessou em assinar termo de      conduta semelhante ao que foi estabelecido com a UFMA e providenciou o documento      quando a expedi\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava no local. &#8220;Ela veio ao Rio para resolver      outros assuntos e aproveitou para tratar deste tamb\u00e9m&#8221;, conta Dias Duarte.      No meio da viagem, eles foram ainda \u00e0 Sousa (PB), o maior s\u00edtio de pegadas      de dinossauros do Brasil. <\/p>\n<p>Para o presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) e pesquisador      do departamento de Geologia da UFRJ, Ismar de Souza Carvalho, todo patrim\u00f4nio      f\u00f3ssil deve ser revertido em prol da pr\u00f3pria comunidade no qual est\u00e1 inserido.      &#8220;Al\u00e9m disso, o cr\u00e9dito de qualquer trabalho deve ser dado a quem o desenvolveu.      \u00c9 uma quest\u00e3o de integridade intelectual&#8221;, opina. Ismar disse que o boletim      da SBP, referente aos meses de maio a julho, trar\u00e1 as coloca\u00e7\u00f5es das partes      envolvidas na crise aberta pela expedi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Fonte:  www.avph.hpg.ig.com.br\/acd.ufrj.br\/www.museudavida.fiocruz.br\/virtualbooks.terra.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dinossauros no Brasil, Paleontologia, Regi\u00f5es, F\u00f3sseis, Brasileiro, Grupos, Dinos, Esp\u00e9cies, Locais, Descoberta, Caracter\u00edsticas, Dinossauros no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[349],"tags":[],"class_list":["post-77165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dinossauros"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ 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