{"id":77032,"date":"2016-08-12T12:26:58","date_gmt":"2016-08-12T12:26:58","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=77032"},"modified":"2016-08-12T12:36:50","modified_gmt":"2016-08-12T12:36:50","slug":"familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/temas-transversais\/familia","title":{"rendered":"Fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<h4>A       FAM\u00cdLIA E A EDUCA\u00c7\u00c3O PARA A INDIVIDUALIDADE NA SOCIEDADE MODERNA<\/h4>\n<p><strong>A       fam\u00edlia e a educa\u00e7\u00e3o para a individualidade na sociedade moderna<\/strong><\/p>\n<p>A       fam\u00edlia, enquanto objeto de estudos das ci\u00eancias humanas, pode ser analisada       a partir de m\u00faltiplos enfoques.<\/p>\n<p><strong>Muito       tem sido dito sobre seus diversos aspectos:<\/strong>\u00a0n\u00facleo       formador da sociedade, local de desenvolvimento humano e de constru\u00e7\u00e3o da       identidade dos indiv\u00edduos, de trocas afetivas, de atendimento das necessidades       b\u00e1sicas vitais \u00e0 exist\u00eancia humana, sejam elas biol\u00f3gicas, ps\u00edquicas e sociais,       etc. O presente artigo se organiza em torno de uma vis\u00e3o sobre a fam\u00edlia como       estrutura educacional e preparat\u00f3ria da futura individualidade que nela se       desenvolve.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia constitui o fen\u00f4meno que funda a sociedade. No decorrer da evolu\u00e7\u00e3o       hist\u00f3rica permanece como matriz do processo civilizat\u00f3rio, como condi\u00e7\u00e3o para       a humaniza\u00e7\u00e3o e para a socializa\u00e7\u00e3o das pessoas (Levi-Strauss, 1967 e Malinowsky,       1973).<\/p>\n<p><strong>Levi-Strauss       apresenta sua defini\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Designa         um grupo social possuidor de, pelo menos, tr\u00eas caracter\u00edsticas:<\/strong>\u00a01)         origem no casamento; 2) constitu\u00eddo pelo marido, pela esposa e pelos filhos         provenientes de sua uni\u00e3o, conquanto seja l\u00edcito conceber que outros parentes         possam encontrar o seu lugar pr\u00f3ximo ao n\u00facleo do grupo; 3) os membros da         fam\u00edlia est\u00e3o unidos entre si por a) la\u00e7os legais, b) direitos e obriga\u00e7\u00f5es         econ\u00f4micas, religiosas ou de outra esp\u00e9cie; c) um entrela\u00e7amento definido         de direitos e proibi\u00e7\u00f5es sexuais e d) uma quantidade variada e diversificada         de sentimentos psicol\u00f3gicos, tais como amor, afeto, respeito, medo (Levi-Strauss,         1982).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Tal       defini\u00e7\u00e3o, fundamentada principalmente no car\u00e1ter socializador da fam\u00edlia       em quase todos os seus t\u00f3picos, introduz, ao final, os conte\u00fados subjetivos,       afetivos, psicol\u00f3gicos, individuais, que respondem pela singularidade dos       indiv\u00edduos constituintes deste grupo. Considerar especificamente como a fam\u00edlia       trata desta dimens\u00e3o particular dos seus membros \u00e9 o campo de investiga\u00e7\u00e3o       de nossas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia constitui um recurso para a pessoa, nos mais diversos aspectos de       sua exist\u00eancia, estando presente como uma realidade simb\u00f3lica que proporciona       experi\u00eancias no n\u00edvel psicol\u00f3gico e social, bem como orienta\u00e7\u00f5es \u00e9ticas e       culturais. (Bronfenbrenner 1996, Winnicot 1997).<\/p>\n<p>Nela encontram-se os elementos fundamentais da identidade simb\u00f3lica do indiv\u00edduo,       verificam-se experi\u00eancias humanas b\u00e1sicas, enfim, a fam\u00edlia \u00e9 um requisito       do processo de humaniza\u00e7\u00e3o, que enra\u00edza a pessoa no tempo, atrav\u00e9s das rela\u00e7\u00f5es       de parentesco, destinadas a permanecer durante toda a exist\u00eancia. <\/p>\n<p>Por outro lado, essas rela\u00e7\u00f5es remetem a pessoa para a busca de um significado       adequado, mais profundo, para al\u00e9m das circunst\u00e2ncias dadas pela experi\u00eancia       concreta.<\/p>\n<p>A       educa\u00e7\u00e3o tem relev\u00e2ncia fundamental como elemento formador da individualidade       no contexto familiar. Ela n\u00e3o se d\u00e1 apenas em seu car\u00e1ter formal, atribu\u00eddo       atualmente \u00e0s escolas. \u00c9 no n\u00facleo familiar que a crian\u00e7a vai encontrar os       moldes fundamentais que ir\u00e3o adequar sua vis\u00e3o de si mesma e do mundo em sua       volta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia tem papel fundamental como educadora e formadora da capacidade       de simboliza\u00e7\u00e3o e de atribuir significado \u00e0s viv\u00eancias pessoais nos indiv\u00edduos       que nela se desenvolvem. O ninho familiar \u00e9 o locus no qual o indiv\u00edduo revela       suas tend\u00eancias inatas e absorve do meio os c\u00f3digos orientadores de seu desenvolvimento.     <\/p>\n<p>A individualidade necessita de espa\u00e7o para que se realize em toda a sua potencialidade.       A sociedade moderna exige indiv\u00edduos criativos, inovadores, atuantes, com       capacidade cr\u00edtica, empreendedora; tamb\u00e9m com certo grau de sensibilidade,       intui\u00e7\u00e3o e habilidade relacional, atributos que ganharam destaque nas \u00faltimas       d\u00e9cadas com os estudos sobre intelig\u00eancia emocional e a decad\u00eancia do status       social atribu\u00eddo aos tradicionais testes de QI. <\/p>\n<p>N\u00e3o basta hoje ser adaptado ao que a maioria est\u00e1 realizando. A vida caminha       para estimular o desenvolvimento do que \u00e9 \u00fanico, singular, pr\u00f3prio de cada       pessoa.<\/p>\n<p><strong>Da\u00ed       que a fun\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia deve se ampliar para atender \u00e0s necessidades simb\u00f3licas       das pessoas e as ci\u00eancias humanas surgem como o terreno no qual essas reflex\u00f5es       podem germinar:<\/strong>\u00a0destacar       o essencial papel da fam\u00edlia como locus estimulador e sinalizador da individualidade       dos seres que a formam, colaborando para a educa\u00e7\u00e3o de futuros adultos conscientes       de seu papel enquanto pessoas integradas no mundo que as cerca e que as constitui.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rico       da id\u00e9ia de individualidade na fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da id\u00e9ia de individualidade na fam\u00edlia \u00e9 conte\u00fado bem recente.       De acordo com \u00c1ries (1981), a fam\u00edlia no s\u00e9c. XVI era fundamentada na conserva\u00e7\u00e3o       e preserva\u00e7\u00e3o dos bens. A afetividade era uma fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existia como       condi\u00e7\u00e3o de constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. <\/p>\n<p>Esta existia mais em fun\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es morais organizadores da vida em sociedade.       A prioridade da fam\u00edlia era a garantia da sobreviv\u00eancia de seus membros, a       participa\u00e7\u00e3o coletiva no trabalho, a defesa da honra. Inicialmente a fam\u00edlia       existe enquanto unidade de produ\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>As trocas afetivas se faziam entre vizinhos, amigos, criados, n\u00e3o necessariamente       dentro da fam\u00edlia. A crian\u00e7a passou a ser vista como ser distinto, que necessita       de tratamento pr\u00f3prio, no s\u00e9c. XVIII. <\/p>\n<p>Antes, eram tratadas como adultos em miniatura, n\u00e3o reconhecidas em suas       necessidades espec\u00edficas, misturadas \u00e0 vida dos adultos, treinadas para adquirirem       as habilidades dos mesmos e a educa\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o dos valores se dava       na conviv\u00eancia cotidiana. <\/p>\n<p>A mortalidade infantil alta e o elevado n\u00famero de nascimentos imprimia uma       marca de quantifica\u00e7\u00e3o na prole, em detrimento do reconhecimento da singularidade       de cada filho, valor inexistente na fam\u00edlia da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A idade inicialmente era presumida. As fases de desenvolvimento humano n\u00e3o       eram bem marcadas e o per\u00edodo da inf\u00e2ncia estendia-se enquanto durasse o car\u00e1ter       de depend\u00eancia do indiv\u00edduo. <\/p>\n<p>S\u00f3 no s\u00e9c. XIX, com a urg\u00eancia da guerra e a necessidade dos jovens servirem       \u00e0 p\u00e1tria, chega-se a um marco para delimitar socialmente o final da idade       infantil e o in\u00edcio da idade adulta. Pode-se perceber um princ\u00edpio de constru\u00e7\u00e3o       de uma vis\u00e3o mais individualizada do desenvolvimento humano, deflagrado principalmente       pela conjuntura pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p>At\u00e9       o s\u00e9c. XVII a casa n\u00e3o tinha c\u00f4modos. A cama era co-habitada e as no\u00e7\u00f5es de       moralidade e sexualidade bem diferentes das que hoje s\u00e3o coletivamente aceitas.       No s\u00e9c. XVIII, os c\u00f4modos passam a conectar-se a um corredor e d\u00e1-se o despertar       da id\u00e9ia de privacidade, respeito aos espa\u00e7os alheios, no interior da casa,       paralelamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do sentimento de intimidade familiar.<\/p>\n<p><strong>\u00c9       no s\u00e9c. XVIII, ent\u00e3o, que se prepara a inclus\u00e3o do novo paradigma nas rela\u00e7\u00f5es       humanas:<\/strong>\u00a0o       reconhecimento da individualidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Com o surgimento         da escola, da privacidade, a preocupa\u00e7\u00e3o de igualdade entre os filhos, a         manuten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as junto aos pais e o sentimento de fam\u00edlia valorizado         pelas institui\u00e7\u00f5es \u0096 principalmente a Igreja \u0096 no in\u00edcio do s\u00e9c.         XVIII come\u00e7a a delinear-se a fam\u00edlia burguesa (Guimar\u00e3es, 2002: 57).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Antes do surgimento da escola, era a fam\u00edlia o local da educa\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia.       Nela eram vivenciadas as li\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o do futuro adulto       para sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade. Era tamb\u00e9m o centro do entretenimento. Com       a constitui\u00e7\u00e3o da escola essa fun\u00e7\u00e3o foi delegada. <\/p>\n<p>\u00c0 escola foi atribu\u00edda a responsabilidade fundamental na forma\u00e7\u00e3o do futuro       cidad\u00e3o, que ser\u00e1 discutida com maiores detalhes em outro t\u00f3pico mais \u00e0 frente.       A fun\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria da fam\u00edlia moderna tornou-se ent\u00e3o a estrutura\u00e7\u00e3o da       afetividade da pessoa, a matriz que serve de base para a constru\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o       da subjetividade humana.<\/p>\n<p><strong>A       Individualidade na Psicologia<\/strong><\/p>\n<p>Carl       Gustav Jung (1875-1961) foi um dos principais te\u00f3ricos da psicologia respons\u00e1veis       pela introdu\u00e7\u00e3o de um paradigma humanista nesta ci\u00eancia, revelando no conceito       de Individua\u00e7\u00e3o o pilar de sua teoria sobre a din\u00e2mica e o desenvolvimento       do psiquismo humano. Alerta para a diferen\u00e7a fundamental entre Individua\u00e7\u00e3o       e Individualismo e esclarece o que denomina por Individualidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Por individualidade,         entendo a peculiaridade e a singularidade do indiv\u00edduo em todos os seus         aspectos psicol\u00f3gicos&#8230;, tudo aquilo que de fato pertence somente a um         indiv\u00edduo e n\u00e3o a um grande grupo de indiv\u00edduos. (Jung, 1991: 390)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O       desenvolvimento da consci\u00eancia da individualidade, no entanto, n\u00e3o leva a       pessoa a separar-se do coletivo, mas sim a estimular a autonomia nas rela\u00e7\u00f5es       sociais. Quanto maior a consci\u00eancia individual (da pr\u00f3pria unicidade) maior       o envolvimento em causas coletivas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A individua\u00e7\u00e3o         \u00e9 o processo de forma\u00e7\u00e3o e particulariza\u00e7\u00e3o do ser individual e, em especial,         \u00e9 o desenvolvimento do indiv\u00edduo psicol\u00f3gico como ser distinto do conjunto,         da psicologia coletiva. \u00c9, portanto, um processo de diferencia\u00e7\u00e3o que objetiva         o desenvolvimento da personalidade individual. \u00c9 uma necessidade natural;         e uma coibi\u00e7\u00e3o dela por meio de regulamentos, preponderante ou at\u00e9 exclusivamente         de ordem coletiva, traria preju\u00edzos para a atividade vital do indiv\u00edduo&#8230;         \u00c9 \u00f3bvio que um grupo social constitu\u00eddo de indiv\u00edduos deformados n\u00e3o pode         ser uma institui\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e capaz de sobreviver por muito tempo, pois         s\u00f3 a sociedade que consegue preservar sua coes\u00e3o interna e seus valores         coletivos, num m\u00e1ximo de liberdade do indiv\u00edduo, tem direito \u00e0 vitalidade         duradoura. Uma vez que o indiv\u00edduo n\u00e3o \u00e9 um ser \u00fanico, mas pressup\u00f5e tamb\u00e9m         um relacionamento coletivo para sua exist\u00eancia, tamb\u00e9m o processo de individua\u00e7\u00e3o         n\u00e3o leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e         mais abrangente (Jung, 1991: 426)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Individuar-se \u00e9 a meta de toda pessoa. Realizar sua totalidade ps\u00edquica,       no entanto, est\u00e1 intimamente vinculado \u00e0 forma como esta individualidade atua       na sociedade na qual se desenvolve. <\/p>\n<p>A fam\u00edlia, como grupo prim\u00e1rio no qual esta individualidade vai se desenvolver,       interfere diretamente sobre a sa\u00fade ps\u00edquica de seus membros em forma\u00e7\u00e3o,       assumindo papel principal enquanto foco do mundo emocional e social, na fam\u00edlia       moderna burguesa, geralmente at\u00e9 o in\u00edcio da vida adulta.<\/p>\n<p>As influ\u00eancias familiares sobre a personalidade alcan\u00e7am n\u00edveis profundos.       \u00c9 a partir das bases adquiridas na vida em fam\u00edlia que o indiv\u00edduo vai construir       suas primeiras refer\u00eancias simb\u00f3licas, sua auto-imagem, sua configura\u00e7\u00e3o ps\u00edquica       com a qual iniciar\u00e1 sua vida de rela\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Logo, a import\u00e2ncia de que seja repensada a responsabilidade da fam\u00edlia para       a forma\u00e7\u00e3o do ser, adquire maior gravidade \u00e0 medida que a consci\u00eancia da individualidade       aumenta como valor na sociedade.<\/p>\n<p>O       desenvolvimento de uma personalidade consciente de si mesma e do seu papel       no meio que a constitui resulta do esfor\u00e7o empreendido no sentido de estimular       as potencialidades na dire\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de sua totalidade, com suas tend\u00eancias,       habilidades, e idiossincrasias.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A individua\u00e7\u00e3o         est\u00e1 sempre em maior ou menor oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 norma coletiva, pois \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o         e diferencia\u00e7\u00e3o do geral e forma\u00e7\u00e3o do peculiar, n\u00e3o uma peculiaridade procurada,         mas que j\u00e1 se encontra fundamentada a priori na disposi\u00e7\u00e3o natural do sujeito.         Esta oposi\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 aparente; exame mais acurado mostra que o ponto         de vista individual n\u00e3o est\u00e1 orientado contra a norma coletiva, mas apenas         de outro modo. Tamb\u00e9m o caminho individual n\u00e3o pode ser propriamente uma         oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 norma coletiva, pois, em \u00faltima an\u00e1lise, a oposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 poderia         ser uma norma antag\u00f4nica. E o caminho individual jamais \u00e9 uma norma. A norma         surge da totalidade de caminhos individuais, s\u00f3 tendo direito a existir         e atuar em prol da vida se houver caminhos individuais que, de tempos em         tempos, queiram orientar-se por ela. A norma de nada serve se tiver valor         absoluto. S\u00f3 acontece um verdadeiro conflito com a norma coletiva quando         um caminho individual \u00e9 elevado \u00e0 norma, o que \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o \u00faltima do individualismo         extremo. Esta inten\u00e7\u00e3o \u00e9 obviamente patol\u00f3gica e contr\u00e1ria \u00e0 vida. Conseq\u00fcentemente,         nada tem a ver com individua\u00e7\u00e3o que, sem d\u00favida, toma seu pr\u00f3prio caminho         lateral, mas que, por isso mesmo, precisa da norma para sua orienta\u00e7\u00e3o perante         a sociedade e para estabelecer o necess\u00e1rio relacionamento dos indiv\u00edduos         na sociedade. A individua\u00e7\u00e3o leva, pois, a uma valoriza\u00e7\u00e3o natural das normas         coletivas; mas se a orienta\u00e7\u00e3o vital for exclusivamente coletiva, a norma         \u00e9 sup\u00e9rflua, acabando-se a pr\u00f3pria moralidade. Quanto maior a regulamenta\u00e7\u00e3o         coletiva do homem, maior sua imoralidade individual. A individua\u00e7\u00e3o coincide         com o desenvolvimento da consci\u00eancia que sai de um estado primitivo de identidade.         Significa um alargamento da esfera da consci\u00eancia e da vida psicol\u00f3gica         consciente (Jung, 1991: 427).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A       educa\u00e7\u00e3o que pretende promover a individualidade precisa encontrar a flexibilidade       entre a necessidade de normas e o espa\u00e7o vital para a express\u00e3o da singularidade       dos indiv\u00edduos que aprendem.<\/p>\n<p>Alain       Touraine, afinado com as implica\u00e7\u00f5es que a modernidade e a crise da raz\u00e3o,       como uma de suas caracter\u00edsticas, trazem para a vida humana suscita questionamentos       reveladores da ang\u00fastia que permeia a defini\u00e7\u00e3o de uma individualidade nos       tempos atuais.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Como poderemos         viver juntos com nossas diferen\u00e7as, como articular os \u00eaxitos da raz\u00e3o instrumental         com a defesa cada vez mais radical das identidades pessoais e coletivas?         (Touraine, 1999).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>E       apresenta sua defini\u00e7\u00e3o de sujeito:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>O sujeito         n\u00e3o \u00e9 uma alma presente no corpo ou o esp\u00edrito dos indiv\u00edduos. Ele \u00e9 a procura,         pelo pr\u00f3prio indiv\u00edduo, das condi\u00e7\u00f5es que lhe permitam ser o ator da sua         pr\u00f3pria hist\u00f3ria. E o que motiva essa procura \u00e9 o sofrimento da divis\u00e3o         e da perda de identidade e de individua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata, para o indiv\u00edduo,         de engajar-se no servi\u00e7o de uma grande causa, mas antes de tudo de reivindicar         o seu direito \u00e0 exist\u00eancia individual. Essa reivindica\u00e7\u00e3o s\u00f3 se pode formar         onde a divis\u00e3o se faz sentir mais intensamente. E isso exclui duas situa\u00e7\u00f5es         opostas: a da exclus\u00e3o, que n\u00e3o deixa outra solu\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser a defesa comunit\u00e1ria,         e a da massifica\u00e7\u00e3o, que integra de fato o indiv\u00edduo numa ordem social hierarquizada         na medida em que a cultura de massa, nesse sentido mal denominada, est\u00e1         sempre carregada de sinais de reconhecimento do n\u00edvel social possu\u00eddo ou         almejado (Touraine, 1999).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Aprender a suportar a consci\u00eancia da divis\u00e3o e encontrar as sa\u00eddas individuais       para a crise de identidade que assola as pessoas na \u00e9poca atual \u00e9 parte fundamental       do desafio da modernidade. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais almejado, como valor m\u00e1ximo, somente       a identifica\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o ao coletivo. <\/p>\n<p>\u00c9 preciso ir al\u00e9m, e realizar a identidade singular na realidade social.       Trilhar este caminho que est\u00e1 o tempo inteiro na zona de fronteira entre o       individual e o coletivo, sem poder optar por nenhum dos dois lados exclusivamente,       e ao mesmo tempo, tendo os dois como referenciais de uma \u00fanica realidade,       \u00e9 por si s\u00f3, uma grande causa de ang\u00fastia no homem moderno.<\/p>\n<blockquote>\n<p>O sujeito         \u00e9 o desejo do indiv\u00edduo de ser um ator. A subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 o desejo de individua\u00e7\u00e3o,         e esse processo pode desenvolver-se apenas se existir uma interface entre         o mundo da instrumentalidade e o da identidade (Touraine, 1999).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o,       Ideologia e fatores econ\u00f4micos<\/strong><\/p>\n<p>Torna-se dif\u00edcil entender a fam\u00edlia fora do contexto social que lhe d\u00e1 forma.       A fam\u00edlia moderna segue os padr\u00f5es da burguesia, nascida pelos impositivos       das altera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais do s\u00e9c. XVIII. A educa\u00e7\u00e3o enquanto       pr\u00e1tica segue tamb\u00e9m as influ\u00eancias da ideologia social na qual se insere       e n\u00e3o est\u00e1 isenta de adaptar-se aos instrumentos de domina\u00e7\u00e3o veiculados subliminarmente.     <\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o geralmente est\u00e1 a servi\u00e7o da ideologia da sociedade da qual \u00e9       parte, e visa preparar os indiv\u00edduos para a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades da mesma.       A educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica social, realiza e reproduz ideologia dominante, e       est\u00e1 vinculada a uma ordena\u00e7\u00e3o social. Seria ingenuidade pensar pr\u00e1ticas educativas       desvinculadas da estrutura\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia, com a revolu\u00e7\u00e3o industrial e o capitalismo, deixa de ser unidade       de produ\u00e7\u00e3o para tornar-se unidade de consumo. No capitalismo o discurso \u00e9       democr\u00e1tico, mas n\u00e3o h\u00e1 acesso ao bem produzido. O que se d\u00e1, na realidade       \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o do homem frente ao produto. A m\u00e1quina come\u00e7a a engolir o homem.<\/p>\n<p><strong>Surgem       ent\u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimento \u00e3o dois sistemas principais de educa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0um       voltado para a concep\u00e7\u00e3o, que visa formar os que ir\u00e3o ter acesso de saber,       retirados da elite social; e outro voltado para a executreinadas para repetir       pr\u00e1ticas \u00e7\u00e3o, que visa reproduzir a capacidade t\u00e9cnica, formando pessoas necesscen\u00e1rio       para dicotomizar o \u00e1rias ao funcionamento na m\u00e1quina social, destinado \u00e0 massa       da popula\u00e7\u00e3o. O contexto da aliena\u00e7\u00e3o vai configurando o homem. (Guimar\u00e3es,       2002)<\/p>\n<p><strong>Na       sociedade moderna percebe-se a ideologia subliminar presente na educa\u00e7\u00e3o,       a servi\u00e7o do sistema social e financeiro:<\/strong>\u00a0formar       consumidores.<\/p>\n<p>O       mercado regula as rela\u00e7\u00f5es sociais, pol\u00edticas, e tamb\u00e9m, as pr\u00e1ticas educacionais.       A forma\u00e7\u00e3o do sujeito \u00e9 preterida em vista do imperativo de torn\u00e1-lo um bom       consumidor, garantia da manuten\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es econ\u00f4micos vigentes.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Nosso verdadeiro         ponto de apoio n\u00e3o \u00e9 a esperan\u00e7a, mas o sofrimento da divis\u00e3o. Como o universo         da objetiva\u00e7\u00e3o e das t\u00e9cnicas se degrada em puro mercado, ao passo que o         universo das identidades culturais se encerra na obsess\u00e3o comunit\u00e1ria, o         ser particular, o indiv\u00edduo, cada um ou cada uma de n\u00f3s, sofre ao se ver         dividido\/a, sentindo o seu mundo vivencial t\u00e3o desintegrado como a ordem         institucional ou a pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o do mundo. J\u00e1 n\u00e3o sabemos quem somos.         A nossa patologia principal teve sua origem por longo tempo no peso repressivo         que as proibi\u00e7\u00f5es, as leis exerciam sobre n\u00f3s; vivemos uma patologia \u00e0s         avessas, a da imposs\u00edvel forma\u00e7\u00e3o de um eu, afogado na cultura de massa         ou encerrado em comunidades autorit\u00e1ria (Touraine, 1999).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Fam\u00edlia       e Ideologia e fatores econ\u00f4micos<\/strong><\/p>\n<p>De       acordo com o materialismo hist\u00f3rico, o fator decisivo na hist\u00f3ria \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o       e a reprodu\u00e7\u00e3o da vida imediata.<\/p>\n<p><strong>Estes       s\u00e3o de dois tipos:\u00a0<\/strong>de       um lado, a produ\u00e7\u00e3o de meios de exist\u00eancia, de produtos aliment\u00edcios, habita\u00e7\u00e3o       e instrumentos necess\u00e1rios para tudo isso; de outro lado, a produ\u00e7\u00e3o do homem       mesmo, a continua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><strong>A       ordem social em que vivem os homens de determinada \u00e9poca ou determinado pa\u00eds       est\u00e1 condicionada por essas duas esp\u00e9cies de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0pelo       grau de desenvolvimento do trabalho, de um lado, e da fam\u00edlia, de outro.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Em sua         origem, a palavra fam\u00edlia n\u00e3o significa o ideal \u0096 mistura de sentimentalismo         e dissens\u00f5es dom\u00e9sticas \u0096 do filisteu de nossa \u00e9poca; a princ\u00edpio,         entre os romanos, n\u00e3o se aplicava sequer ao par de c\u00f4njuges e aos seus filhos,         mas somente aos escravos. Famulus quer dizer escravo e fam\u00edlia \u00e9 o conjunto         dos escravos pertencentes a um mesmo homem. Nos tempos de Gaio, a fam\u00edlia,         isto \u00e9 heran\u00e7a era transmitida por testamento. A express\u00e3o foi inventada         pelos romanos para designar um novo organismo social, cujo chefe mantinha         sob seu poder a mulher, os filhos e certo n\u00famero de escravos, com o p\u00e1trio         poder romano e o direito de vida e morte sobre todos eles (Engels, 1987:         61).<\/p>\n<p>A fam\u00edlia         moderna cont\u00e9m em germe, n\u00e3o apenas a escravid\u00e3o como tamb\u00e9m a servid\u00e3o,         pois desde o come\u00e7o, est\u00e1 relacionada com os servi\u00e7os da agricultura. Encerra,         em miniatura, todos os antagonismos que se desenvolvem, mais adiante, na         sociedade e em seu Estado (Engels, 1987: 62)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A an\u00e1lise da origem do voc\u00e1bulo \u0093fam\u00edlia\u0094 revela que as inst\u00e2ncias       de domina\u00e7\u00e3o e poder e as necessidades econ\u00f4mica e de sobreviv\u00eancia do grupo       foram os seus reais fundamentos, o que balizou sua denomina\u00e7\u00e3o enquanto c\u00e9lula       social. <\/p>\n<p>A afetividade e a individualidade s\u00e3o conquistas muito recentes na sociedade       como um todo e est\u00e3o sendo introduzidas na fam\u00edlia com a modernidade, que       a tem pressionado com a substitui\u00e7\u00e3o dos valores tradicionais que a mantiveram       t\u00e3o est\u00e1vel no passado, por valores fundamentados no reconhecimento e considera\u00e7\u00e3o       da subjetividade, no presente. <\/p>\n<p>Esta pode ser uma abordagem esclarecedora para compreender os estremecimentos       dos la\u00e7os familiares no s\u00e9c XX. <\/p>\n<p>A fam\u00edlia era est\u00e1vel mais por valores que a aprisionavam a uma conjuntura       social exigente do que pela exist\u00eancia em seu seio dos valores idealizados,       que s\u00f3 recentemente foram percebidos enquanto realidades ps\u00edquicas, id\u00e9ia       que vai de encontro ao ponto de vista de algumas linhas filos\u00f3ficas e teol\u00f3gicas       que defendem a fam\u00edlia como n\u00facleo idealizado, amea\u00e7ado pelas altera\u00e7\u00f5es impostas       pela modernidade.<\/p>\n<p>Engels       continua suas considera\u00e7\u00f5es analisando as implica\u00e7\u00f5es da monogamia. A fam\u00edlia       monog\u00e2mica baseia-se no predom\u00ednio do homem; sua finalidade expressa \u00e9 a de       procriar filhos cuja paternidade seja indiscut\u00edvel; e exige-se essa paternidade       indiscut\u00edvel porque os filhos, na qualidade de herdeiros diretos, entrar\u00e3o,       um dia, na posse dos bens do pai.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A monogamia         n\u00e3o aparece na hist\u00f3ria, portanto, absolutamente, como uma reconcilia\u00e7\u00e3o         entre o homem e a mulher e, menos ainda, como a forma mais elevada de matrim\u00f4nio.         Pelo contr\u00e1rio, ela surge sob a forma de escraviza\u00e7\u00e3o de um sexo pelo outro,         como proclama\u00e7\u00e3o de um conflito entre os sexos, ignorado, at\u00e9 ent\u00e3o, na         pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A primeira         divis\u00e3o de trabalho \u00e9 a que se fez entre o homem e a mulher para a procria\u00e7\u00e3o         dos filhos. O primeiro antagonismo de classes que apareceu na hist\u00f3ria coincide         com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia;         e a primeira opress\u00e3o de classes, com a opress\u00e3o do sexo feminino pelo masculino         (Engels, 1987: 70)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Marx       e Engels introduzem o aspecto hist\u00f3rico e econ\u00f4mico na an\u00e1lise da fam\u00edlia.       De acordo com as coloca\u00e7\u00f5es de \u00c0ries, constata-se que o grande m\u00f3vel para       a forma\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias no passado eram as necessidades de sobreviv\u00eancia,       defesa do patrim\u00f4nio, garantia das for\u00e7as de trabalho, enfim, a afetividade       \u00e9 realmente uma conquista bastante recente. Sendo assim, pode-se refletir       sobre as reais causas da estabilidade das fam\u00edlias do passado.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1       setores de estudos que afirmam ter sido a modernidade desagregadora das bases       s\u00f3lidas da fam\u00edlia do passado:<\/strong>\u00a0valores,       tradi\u00e7\u00e3o, amor, etc&#8230;<\/p>\n<p>Pode-se       notar, entretanto, que as bases repousavam sobre fundamentos bem mais pr\u00e1ticos       e menos nobres, numa escala \u00e9tica de valores.<\/p>\n<p><strong>A       modernidade vem retirar as alian\u00e7as familiares do jugo das rela\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o,       de depend\u00eancia e afirmar novos valores:<\/strong>afetividade, respeito \u00e0 individualidades,       ao direito do outro, a busca de realiza\u00e7\u00e3o individual na fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o,       modernidade e individualidade<\/strong><\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, desde o surgimento de suas primeiras sistematiza\u00e7\u00f5es       no s\u00e9c. XVIII, passou por v\u00e1rios est\u00e1gios. Inicialmente marcada por uma vis\u00e3o       positivista, propunha modelos que colocava o mestre como par\u00e2metro do conhecimento       a ser seguido e o saber como conte\u00fado que deveria ser transmitido do professor       para o aluno. <\/p>\n<p>Este teria sempre postura passiva diante do conhecimento, cabendo ao mestre       determinar o objeto de estudo, a forma de transmiti-lo e validar a aprendizagem       do aluno (Durkheim, 1978).<\/p>\n<p>Muitos m\u00e9todos educacionais se sucederam e tiveram sua validade na \u00e9poca       devida, at\u00e9 a chegada do s\u00e9c. XX, com a renova\u00e7\u00e3o educacional apresentada       pela proposta de Paulo Freire. Este educador desenvolveu uma filosofia e uma       pr\u00e1tica educacionais que visam adequar a educa\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade s\u00f3cio-cultural       dos indiv\u00edduos. <\/p>\n<p>Destacou que o ensino deve levar em conta o contexto cultural dos alunos,       deve partir de significantes pr\u00f3prios do meio no qual est\u00e1 inserido, e com       isso, estimular a capacidade de avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e constru\u00e7\u00e3o do conhecimento,       de cada pessoa que aprende. Estabelece ent\u00e3o o conceito de conscientiza\u00e7\u00e3o       e suas implica\u00e7\u00f5es no aprendizado.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A conscientiza\u00e7\u00e3o         implica, pois, que ultrapassemos a esfera espont\u00e2nea de apreens\u00e3o da realidade,         para chegarmos a uma esfera cr\u00edtica na qual a realidade se d\u00e1 como objeto         cognosc\u00edvel e na qual o homem assume uma posi\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Quanto         mais conscientiza\u00e7\u00e3o, mais se \u0093des-vela\u0094 a realidade, mais se         penetra na ess\u00eancia fenom\u00eanica do objeto, frente ao qual nos encontramos         para analis\u00e1-lo. Por esta mesma raz\u00e3o, a conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o consiste em         \u0093estar frente \u00e0 realidade\u0094 assumindo uma posi\u00e7\u00e3o falsamente intelectual.         A conscientiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode existir fora da \u0093pr\u00e1xis\u0094, ou melhor,         sem o ato-reflex\u00e3o. Esta unidade dial\u00e9tica constitui de maneira permanente,         o modo de ser ou de transformar o mundo que caracteriza o homem.<\/p>\n<p>Por isso         mesmo, a conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um compromisso hist\u00f3rico. \u00c9 tamb\u00e9m consci\u00eancia         hist\u00f3rica: \u00e9 inser\u00e7\u00e3o cr\u00edtica na hist\u00f3ria, implica que os homens assumam         o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo. Exige que os homens criem         sua exist\u00eancia com um material que a vida lhes oferece&#8230;<\/p>\n<p>A conscientiza\u00e7\u00e3o         n\u00e3o est\u00e1 baseada sobre a consci\u00eancia, de um lado, e o mundo, de outro; por         outra parte, n\u00e3o pretende uma separa\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, est\u00e1 baseada na rela\u00e7\u00e3o         consci\u00eancia-mundo (Freire, 1979).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Dentro desta perspectiva, est\u00e1 aqui apresentada uma proposta de educa\u00e7\u00e3o       que ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento da individualidade humana,       capacita os alunos para adquirirem o olhar cr\u00edtico necess\u00e1rio para uma atua\u00e7\u00e3o       din\u00e2mica e construtiva no mundo. <\/p>\n<p>Sabemos que a aplicabilidade irrestrita destes fundamentos encontra at\u00e9 hoje       s\u00e9rias limita\u00e7\u00f5es na sociedade brasileira. Por\u00e9m continua atual e propiciadora       de elementos para embasar discuss\u00f5es prof\u00edcuas sobre o destino da educa\u00e7\u00e3o       no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apresento       ent\u00e3o o que Freire designou de \u0093Id\u00e9ias-For\u00e7a\u0094, ou seja, os pressupostos       fundamentais da sua teoria educativa que tem como conceito central a conscientiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Para ser         v\u00e1lida, toda educa\u00e7\u00e3o, toda a\u00e7\u00e3o educativa deve necessariamente estar precedida         de uma reflex\u00e3o sobre o homem e de uma an\u00e1lise do meio de vida concreto         do homem concreto a quem devemos educar (ou melhor, a quem queremos ajudar         a educar-se); O homem chega a ser sujeito por uma reflex\u00e3o sobre sua situa\u00e7\u00e3o,         sobre seu ambiente concreto; Na medida em que o homem, integrado em seu         contexto, reflete sobre este contexto e se compromete, constr\u00f3i a si mesmo         e chega a ser sujeito; Na medida em que o homem, integrando-se nas condi\u00e7\u00f5es         de seu contexto de vida, reflete sobre elas e leva respostas aos desafios         que lhe apresentam, cria cultura; N\u00e3o s\u00f3 por suas rela\u00e7\u00f5es e por suas respostas         o homem \u00e9 criador de cultura, ele \u00e9 tamb\u00e9m \u0093fazedor\u0094 da hist\u00f3ria.         Na medida em que o ser humano cria e decide, as \u00e9pocas v\u00e3o se formando e         reformando; \u00c9 preciso que a educa\u00e7\u00e3o esteja \u0096 em seu conte\u00fado, em seus         programas e em seus m\u00e9todos \u0096 adaptada ao fim que se persegue: permitir         ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo,         estabelecer com os outros homens rela\u00e7\u00f5es de reciprocidade, fazer a cultura         e a hist\u00f3ria. (Freire, 1979).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Estes s\u00e3o os preceitos b\u00e1sicos que tem orientado algumas escolas nas suas       pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Cabe ent\u00e3o pensar que no interior do n\u00facleo familiar       a individualidade tamb\u00e9m precisa ter o seu espa\u00e7o de desenvolvimento sadio.       Uma sociedade que se prop\u00f5e a pensar modelos educacionais que estimulem a       forma\u00e7\u00e3o de um sujeito interfere diretamente sobre os modos de rela\u00e7\u00e3o intra-familiares.     <\/p>\n<p>A sociedade, entendida como fundamentada num conjunto de fam\u00edlias que a constitui,       molda e \u00e9 moldada pelas rela\u00e7\u00f5es que se d\u00e3o na fam\u00edlia. <\/p>\n<p>A fam\u00edlia, enquanto grupo educativo, est\u00e1 sendo impulsionada, diante das       altera\u00e7\u00f5es da modernidade, ao respeito e ao est\u00edmulo da capacidade cr\u00edtica       e do aprendizado de seus membros. As propostas de Freire podem e devem se       adequar tamb\u00e9m a esta fam\u00edlia que pretende ser educadora.<\/p>\n<p><strong>Vis\u00e3o       sist\u00eamica da vida em sociedade<\/strong><\/p>\n<p>Em paralelo \u00e0s profundas inova\u00e7\u00f5es que a crise da racionalidade e da instrumentalidade       introduziu na vis\u00e3o do sujeito moderno, come\u00e7ou-se a perceber na ci\u00eancia o       nascimento de um novo paradigma para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e para a compreens\u00e3o       da vida. <\/p>\n<p>Capra, desde a d\u00e9cada de 70, dedica-se a apresentar uma proposta de ci\u00eancia       hol\u00edstica, deixando para tr\u00e1s os c\u00e2nones cartesianos que balizaram toda a       produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no s\u00e9c.XX. <\/p>\n<p>Em seu mais recente livro, demonstra a teoria da complexidade e o dinamismo       de redes como fundamento da vida biol\u00f3gica, mental e social. A vis\u00e3o sist\u00eamica       da vida em sociedade vem substituir antigas dicotomias entre o ser e o mundo,       entendendo ambos como dimens\u00f5es diferentes de uma mesma realidade, na qual       todos os elementos est\u00e3o em intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. <\/p>\n<p>O homem produz o meio ao mesmo tempo em que \u00e9 por ele modificado. Individualidade       e coletivamente s\u00e3o formas de manifesta\u00e7\u00e3o de uma mesma unidade.<\/p>\n<p>Cita       Giddens e sua teoria da estrutura\u00e7\u00e3o, como proposta atual para o entendimento       deste processo na sociedade. Afirma que a conduta estrat\u00e9gica das pessoas       se baseia em grande medida no modo pelo qual elas interpretam o seu ambiente;       as intui\u00e7\u00f5es fenomenol\u00f3gicas subjetivas devem ser levadas a s\u00e9rio para que       possamos compreender a conduta humana.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o         entre as estruturas sociais e a atividade humana tem car\u00e1ter c\u00edclico. As         estruturas sociais s\u00e3o a um s\u00f3 tempo a pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o e o resultado inadvertido         da atividade dos indiv\u00edduos. As pessoas usam-se delas para dedicar-se a         suas pr\u00e1ticas sociais cotidianas e, assim fazendo, n\u00e3o podem sen\u00e3o reproduzir         inadvertidamente essas mesmas estruturas. Assim as estruturas sociais nos         permitem interagir e, ao mesmo tempo, s\u00e3o reproduzidas pelas nossas intera\u00e7\u00f5es         (Capra, 2002: 90).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Habermas,       outro te\u00f3rico da vis\u00e3o sist\u00eamica, em paralelo aos estudos de Giddens, prop\u00f5e       sua teoria da a\u00e7\u00e3o comunicativa, revelando o quanto a constru\u00e7\u00e3o do sujeito       e da sociedade s\u00e3o processos simult\u00e2neos e din\u00e2micos.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u00c9 o maior         entre os atuais adeptos da teoria cr\u00edtica, a teoria social de base marxista.         N\u00e3o querem apenas explicar o mundo. Sua tarefa \u00e9 de descobrir as condi\u00e7\u00f5es         estruturais que determinam a a\u00e7\u00e3o humana e ajudar os seres humanos a transcender         essas condi\u00e7\u00f5es. A teoria cr\u00edtica tem por objeto de estudo o poder e por         objetivo a emancipa\u00e7\u00e3o. Como Giddens, Habermas reconhece que os entendimentos         propiciados pela hermen\u00eautica t\u00eam profunda rela\u00e7\u00e3o com o funcionamento do         mundo social, uma vez que os indiv\u00edduos atribuem um determinado significado         ao seu ambiente e agem de acordo com essa atribui\u00e7\u00e3o. Ressalta, por\u00e9m, que         as interpreta\u00e7\u00f5es individuais baseiam-se num conjunto de pressupostos impl\u00edcitos         fornecidos pela hist\u00f3ria e pela tradi\u00e7\u00e3o, e afirma que isso significa que         nem todos os pressupostos s\u00e3o igualmente v\u00e1lidos. Segundo ele, os cientistas         sociais devem avaliar criticamente as diversas tradi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e descobrir         de que maneira elas se ligam \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de poder. A emancipa\u00e7\u00e3o acontece         sempre que as pessoas s\u00e3o capazes de superar certas restri\u00e7\u00f5es do passado,         provocadas pelas distor\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o (Capra, 2002, 91).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Pode-se concluir que o entendimento sobre a individualidade e suas intera\u00e7\u00f5es       na fam\u00edlia e na sociedade exige considera\u00e7\u00f5es amplas. <\/p>\n<p>A vis\u00e3o sist\u00eamica sinaliza uma alternativa para a compreens\u00e3o da realidade       de forma mais completa do que as tentativas encontradas no passado. <\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar um ideal de educa\u00e7\u00e3o que estimule o desenvolvimento da singularidade       de cada ser, seja na fam\u00edlia ou na escola, deve-se levar em conta todos os       fatores citados neste trabalho introdut\u00f3rio.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as sociais e as car\u00eancias de recursos b\u00e1sicos para a sobreviv\u00eancia       em nosso pa\u00eds s\u00e3o dificultadores diretos para que tais id\u00e9ias possam beneficiar       a massa da popula\u00e7\u00e3o. Primeiramente, \u00e9 preciso resolver tais quest\u00f5es sociais       e s\u00f3 depois se pode oferecer o \u0093luxo\u0094 de ter uma individualidade       \u00e0s pessoas que sofrem pela exclus\u00e3o. <\/p>\n<p>Portanto, igualar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para as fam\u00edlias caracterizadas por       car\u00eancias extremas e estimular o desenvolvimento das potencialidades individuais       para aquelas que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de realizar uma melhor qualidade de vida, \u00e9       a id\u00e9ia que vem fundamentar a necessidade de uma vis\u00e3o educacional diferenciada,       apropriada \u00e0s necessidades de cada pessoa, tendo sempre em vista a realiza\u00e7\u00e3o       da totalidade do ser na vida em sociedade.<\/p>\n<p><strong>S\u00edlzen       Cerqueira Furtado<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias       Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0RIES,       Philippe. Hist\u00f3ria social da crian\u00e7a e da fam\u00edlia. Rio de Janeiro: LTC, 1981.<br \/>\n      BRONFENBRENNER, Urie. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais       e planejados. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1996.<br \/>\n      CAPRA, Fritjof. As conex\u00f5es ocultas. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2002.<br \/>\n      DURKHEIM, Emile. Educa\u00e7\u00e3o e sociologia. S\u00e3o Paulo: Melhoramentos, 1978.<br \/>\n      ENGELS, Frederich. A origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado.       S\u00e3o Paulo: Zahar, 1973.<br \/>\n      FREIRE, Paulo. Conscientiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cortez, 1979.<br \/>\n      GUIMAR\u00c3ES, Elias Lins. Fam\u00edlia e a din\u00e2mica da socializa\u00e7\u00e3o. In: Veritati,       ano II, n\u00ba 2, UCSAL, 2002.<br \/>\n      JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicol\u00f3gicos. Obras completas, VOL. VI. Petr\u00f3polis:       Vozes, 1991.<br \/>\n      LEVI-STRAUSS, C. As estruturas elementares do parentesco. Petr\u00f3polis: Vozes,       1982.<br \/>\n      MLINOWSKI, B. Sexo e repress\u00e3o na sociedade selvagem. Petr\u00f3polis: Vozes, 1973.<br \/>\n      TOURAINE, Alain. Poderemos viver juntos? Iguais e diferentes. Petr\u00f3polis:       Vozes, 1999.<br \/>\n      WINNICOT, D. W. A fam\u00edlia e o desenvolvimento individual. S\u00e3o Paulo: Martins       Fontes, 1997.<\/p>\n<h4>Sa\u00fade       da Fam\u00edlia<\/h4>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es mais antigas de nossa sociedade. Em cada       per\u00edodo hist\u00f3rico da nossa civiliza\u00e7\u00e3o encontramos a fam\u00edlia estruturada de       uma determinada maneira. <\/p>\n<p>As configura\u00e7\u00f5es familiares obedecem \u00e0s mudan\u00e7as de paradigmas s\u00f3cio-culturais       de cada \u00e9poca hist\u00f3rica, fato este que acarreta modifica\u00e7\u00f5es em sua estrutura.       A exemplo do matriarcado que se fez necess\u00e1rio na Antig\u00fcidade e Idade M\u00e9dia,       devido a aus\u00eancia prolongada dos homens, pertencentes em sua grande maioria       ao servi\u00e7o militar. <\/p>\n<p>Com a estabilidade e demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios conquistados, na Idade Moderna       e Contempor\u00e2nea, presenciamos a ascens\u00e3o gradativa do patriarcado.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia \u00e9 um n\u00facleo de conviv\u00eancia unido por la\u00e7os afetivos. Pode ser um       centro de refer\u00eancia, onde se busca e se vivencia o amor, ou um mero alojamento.     <\/p>\n<p>A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 algo que nos \u00e9 dado de uma vez por todas, mas nos \u00e9 dada       como uma semente que necessita de cuidados constantes para crescer e desenvolver-se.<\/p>\n<p>\u00c9       preciso trabalh\u00e1-la e cultiv\u00e1-la constantemente.<\/p>\n<p><strong>Transcende       a qualquer partido pol\u00edtico, sociedade, associa\u00e7\u00e3o ou a qualquer outro g\u00eanero       de agrupamento humano:<\/strong>\u00a0ela       \u00e9 constitu\u00edda por rela\u00e7\u00f5es de amor! Na origem de tudo, h\u00e1 um amor conjugal       que chama a vida a participar desse amor. \u00c9 na fam\u00edlia que os filhos desenvolver\u00e3o       sua personalidade, crescer\u00e3o, encontrar\u00e3o o sentido de sua exist\u00eancia e amadurecer\u00e3o.<\/p>\n<p>Representa       um grupos social onde os comportamentos de um membro afetam e influenciam       os outros membros. \u00c9 um grupo de pessoas ligadas por descend\u00eancia a partir       de um ancestral comum, matrim\u00f3nio ou ado\u00e7\u00e3o; e unida por m\u00faltiplos la\u00e7os capazes       de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Fun\u00e7\u00e3o       da Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Em       todas as fam\u00edlias, independentemente da sociedade, cada membro ocupa determinada       posi\u00e7\u00e3o ou tem determinado estatuto, como por exemplo, marido, mulher, filho       ou irm\u00e3o, sendo orientados por pap\u00e9is.<\/p>\n<p>O       papel da fam\u00edlia est\u00e1vel \u00e9 oferecer um campo de treinamento seguro, onde as       crian\u00e7as possam aprender a ser mais humanas, a amar, a formar sua personalidade       \u00fanica, a desenvolver sua auto-imagem e a relacionar-se com a sociedade da       qual e para qual nascem.<\/p>\n<p><strong>Assim       sendo, os seus pap\u00e9is familiares variam muito, apresentando quatro fun\u00e7\u00f5es       elementares:<\/strong>\u00a0sexual,       reprodutiva, econ\u00f4mica e educativa, as quais seriam pr\u00e9-requisitos para a       sobreviv\u00eancia de qualquer sociedade.<\/p>\n<p><strong>Entretanto,       a fam\u00edlia exerce suas fun\u00e7\u00f5es, de forma ampliada, em sete \u00e1reas b\u00e1sicas:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8211; Econ\u00f4mica<br \/>\n        &#8211; Dom\u00e9stica<br \/>\n        &#8211; Recrea\u00e7\u00e3o<br \/>\n        &#8211; Socializa\u00e7\u00e3o<br \/>\n        &#8211; Auto-identidade<br \/>\n        &#8211; Afei\u00e7\u00e3o<br \/>\n        &#8211; Educacional<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Modelos       de Fami\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Na       Idade Moderna o grupo familiar era estruturado em fun\u00e7\u00e3o da preserva\u00e7\u00e3o do       patrim\u00f4nio herdado. O lar tinha como fun\u00e7\u00e3o a prote\u00e7\u00e3o contra a amea\u00e7a externa,       e era um lugar p\u00fablico e pol\u00edtico. J\u00e1 em nossa \u00e9poca o grupo familiar se estrutura       em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de conviver e do desejo ou inten\u00e7\u00e3o de procriar.       O lar passa a ter uma fun\u00e7\u00e3o de prover seguran\u00e7a f\u00edsica e psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia antiga os filhos tinham sua educa\u00e7\u00e3o intermediada entre a fam\u00edlia       e o Estado. Em Esparta os filhos eram retirados de suas fam\u00edlia com apenas       7 anos de idade e passadas \u00e0 tutela do Estado, que treinava os homens para       os servi\u00e7os militares e as mulheres para as fun\u00e7\u00f5es da maternidade. <\/p>\n<p>Priorizava-se o culto da beleza, motivo, talvez, do porque utilizavam-se       da pr\u00e1tica da Exclus\u00e3o Social daquelas crian\u00e7as que nasciam com defici\u00eancias       f\u00edsicas. Nos tempos feudais predominava a linhagem como centralizadora da       vida familiar. <\/p>\n<p>Os filhos eram submetidos mesmo adultos a autoridade paterna, e \u00e0queles que       apresentavam qualquer defici\u00eancia f\u00edsica, mental ou era portador de alguma       doen\u00e7a cr\u00f4nica eram segregados socialmente.<\/p>\n<p>A Idade Moderna caracterizava-se pelo modelo de fam\u00edlia aristocr\u00e1tica, onde       as crian\u00e7as eram tratadas pelos pais como pequenos animais dom\u00e9sticos, e n\u00e3o       como objeto de afei\u00e7\u00e3o materna ou paterna. <\/p>\n<p>Na fam\u00edlia camponesa, a m\u00e3e era tida como o modelo de autoridade e tinha       Deus e o p\u00e1roco como representantes da autoridade. A fam\u00edlia Burguesa do s\u00e9culo       XIX tem os pais como modelo de identifica\u00e7\u00e3o e a autoridade era parental.     <\/p>\n<p>Na fam\u00edlia Oper\u00e1ria do mesmo s\u00e9culo, o modelo de autoridade era o patriarcal,       tendo o patr\u00e3o como ponto de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1       na fam\u00edlia contempor\u00e2nea os filhos s\u00e3o vistos como deposit\u00e1rios das expectativas       parentais e a autoridade \u00e9 compartilhada pelo pai e pela m\u00e3e. Existe a preocupa\u00e7\u00e3o       social de integrar a pessoa portadora de defici\u00eancia f\u00edsica ou mental, ou       o doente cr\u00f4nico na fam\u00edlia e sociedade.<\/p>\n<p><strong>Estrutura       Familiar<\/strong><\/p>\n<p>A       fam\u00edlia assume uma estrutura caracter\u00edstica, composta por um conjunto de indiv\u00edduos       em posi\u00e7\u00f5es socialmente reconhecidas e com uma intera\u00e7\u00e3o regular socialmente       aprovada. As estruturas familiares se diferem, de cultura para cultura, quanto       a sua din\u00e2mica interna.<\/p>\n<p>A       tradicional \u00e9 a fam\u00edlia numerosa, centrada na autoridade do patriarca, mais       comum at\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo passado. A base da fam\u00edlia fica restrita       apenas entre os pais e filhos, mas todo o entorno familiar (av\u00f3s, tios, primos,       etc.); e as rela\u00e7\u00f5es baseadas em conceitos morais e autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia pode assumir uma estrutura nuclear ou conjugal, que consiste num homem,       numa mulher e nos seus filhos, biol\u00f3gicos ou adotados, habitando num ambiente       familiar comum. A estrutura nuclear tem uma grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o.       A fam\u00edlia nuclear, ou psicol\u00f3gica, surgiu a partir da metade do s\u00e9culo XX,       fundamentada basicamente em pai, m\u00e3e e poucos filhos. As rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o       t\u00e3o autorit\u00e1rias, e o conceito de fam\u00edlia engloba um n\u00facleo mais caseiro.<\/p>\n<p>H\u00e1       fam\u00edlia monoparenteral, com estrutura de pais \u00fanicos. Isso decorre de uma       varia\u00e7\u00e3o da estrutura nuclear tradicional devido a fen\u00f4menos sociais, como       o div\u00f3rcio, \u00f3bito, abandono de lar, ilegitimidade ou ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as por       uma s\u00f3 pessoa.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia extensa ou consang\u00fc\u00ednea \u00e9 uma estrutura mais ampla, que consiste na       fam\u00edlia nuclear acrescida dos parentes diretos ou colaterais, existindo uma       extens\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre pais e filhos para av\u00f3s, pais e netos.<\/p>\n<p>Outras       estruturas familiares surgiram, como as fam\u00edlias alternativas, que englobam       fam\u00edlias comunit\u00e1rias e fam\u00edlias homossexuais. Nas fam\u00edlias comunit\u00e1rias o       papel dos pais \u00e9 descentralizado, cabendo a todos os membros adultos a responsabilidade       com as crian\u00e7as. Nas fam\u00edlias homossexuais existe uma liga\u00e7\u00e3o conjugal ou       marital entre duas pessoas do mesmo sexo, que podem incluir crian\u00e7as adotadas       ou filhos biol\u00f3gicos de um ou ambos os parceiros.<\/p>\n<p>A       fam\u00edlia p\u00f3s-moderna surgiu mais atualmente, e n\u00e3o exige regras b\u00e1sicas de       parentesco. Filhos morando com s\u00f3 um dos pais (devido ao div\u00f3rcio), casais       sem filhos, uni\u00f5es homossexuais, etc. Para alguns, n\u00e3o \u00e9 um estilo de fam\u00edlia,       mas justamente a falta de um &#8220;estilo&#8221; pr\u00e9-determindo.<\/p>\n<p><strong>Sandra Oliveira<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: www.clinicapsique.com\/www.dompedrosegundo.edu.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia, Fun\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria, Defini\u00e7\u00e3o, Papel, Educa\u00e7\u00e3o, Ideologia, Fatores, Forma\u00e7\u00e3o, Vis\u00e3o, O que \u00e9, Fam\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[346],"tags":[],"class_list":["post-77032","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-temas-transversais"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the 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