{"id":77030,"date":"2016-08-12T12:27:00","date_gmt":"2016-08-12T12:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=77030"},"modified":"2016-08-12T12:40:37","modified_gmt":"2016-08-12T12:40:37","slug":"cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/temas-transversais\/cidadania","title":{"rendered":"Cidadania"},"content":{"rendered":"<p><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O       E CIDADANIA:<\/strong>\u00a0<strong>caminhos       e descaminhos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Este       trabalho aborda parte dos resultados da pesquisa de mestrado intitulada PCN       de Hist\u00f3ria na sala de aula:<\/strong>\u00a0caminhos       e descaminhos para a constru\u00e7\u00e3o da cidadania; trabalho este que se encontra       em desenvolvimento, e que consiste na an\u00e1lise dos Par\u00e2metros Curriculares       Nacionais (PCN\u0092s), especificamente o de Hist\u00f3ria e os Temas Transversais,       al\u00e9m do estudo acerca do conceito de cidadania presente neste documento. Outro       objetivo da pesquisa \u00e9 verificar se o PCN de Hist\u00f3ria influenciou na vis\u00e3o       e na pr\u00e1tica tanto dos educadores (professores de Hist\u00f3ria, dire\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o)       quanto dos alunos e das alunas, sobre a cidadania.<\/p>\n<p>A       pesquisa est\u00e1 sendo sido realizada numa Escola Estadual de tempo integral       localizada na cidade de Mar\u00edlia\/SP, mais especificamente no terceiro e quarto       ciclo (de 5\u00aa \u00e0 8\u00aa s\u00e9ries). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia tem sido utilizada uma       abordagem de estudo de caso etnogr\u00e1fico, por considerar esta a melhor maneira       de realizar uma an\u00e1lise profunda e ampla que leve em conta o contexto escolar.<\/p>\n<p><strong>O       estudo est\u00e1 sendo realizado atrav\u00e9s de:<\/strong>\u00a0pesquisa       bibliogr\u00e1fica; an\u00e1lise de documentos elaborados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o       (MEC), tais como, os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais e a Lei de Diretrizes       e Bases al\u00e9m da an\u00e1lise do Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola; de entrevistas       com os\/as professores\/as, dire\u00e7\u00e3o, coordena\u00e7\u00e3o e alunos\/as e, ainda, observa\u00e7\u00e3o       do cotidiano escolar.<\/p>\n<p><strong>Par\u00e2metros       Curriculares Nacionais: algumas considera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1980, o Brasil passou por um processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o       o que contribuiu para que emergisse na educa\u00e7\u00e3o novos enfoques que privilegiavam       os direitos sociais, gra\u00e7as a um amplo debate sobre a necessidade de reformas       dos curr\u00edculos, que focalizavam a expans\u00e3o da cidadania e o aprofundamento       da democracia. <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dessa d\u00e9cada em diante, o Brasil passa por uma onda reformista       voltada para o ajuste econ\u00f4mico, e que ganhou grande for\u00e7a no governo de Fernando       Henrique Cardoso, segundo apontam Unbehaum e Viana (2004). O reflexo destas       reformas faz-se presente no processo de elabora\u00e7\u00e3o e na nova LDB promulgada,       o mesmo se observa com rela\u00e7\u00e3o ao Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o e com os Par\u00e2metros       Curriculares Nacionais.<\/p>\n<p>Dentro       deste contexto surgem os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais, no intuito de       estabelecer um referencial nacional para o Ensino Fundamental, cuja fun\u00e7\u00e3o       seria n\u00e3o s\u00f3 garantir uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade, mas tamb\u00e9m \u0093[&#8230;] orientar       e garantir a coer\u00eancia dos investimentos no sistema educacional, socializando       discuss\u00f5es, pesquisas e recomenda\u00e7\u00f5es [&#8230;]\u0094 (BRASIL, 1997, p.13). Os       PCN\u0092s demonstrariam n\u00e3o s\u00f3 as discuss\u00f5es internas sobre a educa\u00e7\u00e3o, mas       tamb\u00e9m os acordos internacionais assumidos pelo pa\u00eds, como os que ocorreram       na Conferencia Mundial de Educa\u00e7\u00e3o para Todos em 1990, em que o pa\u00eds participou.<\/p>\n<p>A       produ\u00e7\u00e3o dos PCN\u0092s pelo MEC encaixa-se no conjunto de atitudes e estrat\u00e9gias       do Estado brasileiro, que demonstram a reforma do Estado no campo educacional.       Tais reformas atendiam, de um lado aos anseios n\u00e3o s\u00f3 dos movimentos sociais,       como da sociedade brasileira, pela amplia\u00e7\u00e3o de vagas nas escolas e pela qualidade       na educa\u00e7\u00e3o no sentido da democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, por outro       lado, no sentido a atender \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es organizacionais do capitalismo.<\/p>\n<p>Segundo       Jacomeli (2004), os PCN\u0092s n\u00e3o s\u00f3 prop\u00f5em um modelo curricular, como tamb\u00e9m       apontam concep\u00e7\u00f5es de ensino e de aprendizagem baseado em um modelo que chamam       de construtivismo, a partir do momento em que detecta os poss\u00edveis motivos       do fracasso escolar e aponta como solu\u00e7\u00e3o a necessidade de se buscar novas       rela\u00e7\u00f5es entre ensino e aprendizagem.<\/p>\n<p>No       entanto, cabe destacar que, apesar das cr\u00edticas sobre os PCN\u0092s, os mesmos       s\u00e3o apenas referencias, ou seja, [&#8230;] s\u00e3o abertos e flex\u00edveis, uma vez que,       por sua natureza, exigem adapta\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo de uma       Secret\u00e1ria ou de uma escola (BRASIL, 1997, p. 37), o que demonstra o respeito       n\u00e3o s\u00f3 pelas caracter\u00edsticas de cada escola (como p\u00fablico, aspectos regionais,       entre tantos outros que permeiam a escola), mas tamb\u00e9m ao trabalho do (a)       professor (a), ao n\u00e3o levar ao enrijecimento e \u00e0 mera tecniza\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta       breve considera\u00e7\u00e3o sobre os PCN\u0092s foi poss\u00edvel observar a import\u00e2ncia       de se contextualizar este documento, j\u00e1 que s\u00e3o \u0093frutos de determinados       momentos hist\u00f3ricos e, por isso, expressam valores e costumes da sociedade       ou, mais especificamente de um segmento social e cultural dominante\u0094       (UNBEHAUM e VIANA, 2004, p.81). Este processo hist\u00f3rico contribuiu para que       o termo cidadania tornasse-se um termo recorrente, n\u00e3o s\u00f3 nos discursos oficiais       sobre as finalidades da educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m nos discursos dos professores.       Estes discursos, assim como a pol\u00edtica educacional, acabam por impor \u00e0 escola       a forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, disseminam a id\u00e9ia de que a escola deve contribuir       para a forma\u00e7\u00e3o de alunos cr\u00edticos e conscientes do seu papel social.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o       e cidadania<\/strong><\/p>\n<p>Ao       abordar o conceito de cidadania, cumpre compreend\u00ea-lo como um conceito hist\u00f3rico,       j\u00e1 que a cidadania modifica-se conforme o tempo e o espa\u00e7o como observam Pinsky       e Pinsky (2003). Ser cidad\u00e3o no Brasil n\u00e3o \u00e9 o mesmo que em outro Estado-nacional,       pois direitos s\u00e3o adquiridos conforme a necessidade e a luta de distintos       grupos sociais em distintas sociedades e tempos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Considerando       o car\u00e1ter hist\u00f3rico da cidadania, abordar-se-\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e       a mesma, assim como os poss\u00edveis desafios. J\u00e1 que n\u00e3o cabe pensar apenas nas       possibilidades de escolariza\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o, mas tamb\u00e9m no risco de se negar       a cidadania para os que n\u00e3o receberam o conhecimento institucionalizado. Como       observa Arroyo (2007, p.36), a rela\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e a sua atua\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o       de cidad\u00e3os, vem da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o na sociedade moderna.<\/p>\n<p><strong>A       partir do momento, em que \u0093essa interpreta\u00e7\u00e3o tentou criar a imagem de       que o conv\u00edvio social girava basicamente em torno desses p\u00f3los:<\/strong>\u00a0liberdade       \u0096 escravid\u00e3o, civiliza\u00e7\u00e3o \u0096 barb\u00e1rie, rep\u00fablica \u0096 absolutismo,       racionalidade \u0096 irracionalidade, saber \u0096 ignor\u00e2ncia, modernidade       \u0096 tradi\u00e7\u00e3o\u0094.<\/p>\n<p>Contudo,       a quest\u00e3o torna-se mais complexa ao considerarmos a rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica       e neoliberalismo e o mal-estar que se estabeleceu com esta rela\u00e7\u00e3o. Por fim       e n\u00e3o menos importante o que seria formar os cidad\u00e3os cr\u00edticos, conscientes       e independentes na sociedade atual globalizada e marcada pelo projeto neoliberal?<\/p>\n<p>Ao       considerarmos a economia cl\u00e1ssica do s\u00e9culo XVIII, percebe-se uma proposta       que enfoca a constru\u00e7\u00e3o de uma cidadania passiva, pois n\u00e3o interessa, naquele       momento, a forma\u00e7\u00e3o do sujeito pol\u00edtico, mas apenas a adequa\u00e7\u00e3o do trabalhador       aos meios de produ\u00e7\u00e3o, conforme observa Gohn (2005, p.59), neste pensamento       pol\u00edtico, \u0093[&#8230;] somente os propriet\u00e1rios podiam ser cidad\u00e3os, na dimens\u00e3o       pedag\u00f3gica desse mesmo pensamento, somente os bons podem ser cidad\u00e3o\u0094.<\/p>\n<p>Para       romper com esta vis\u00e3o educativa voltada para o emudecimento das tens\u00f5es entre       classes, cabe pensar na cidadania, mas n\u00e3o somente nela, como tamb\u00e9m no processo       de forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o ativo, que consista em pensar no sujeito enquanto ser       pol\u00edtico e na sua rela\u00e7\u00e3o com o Estado, para que a rela\u00e7\u00e3o sociedade-estado       seja vista como um \u0093[&#8230;] campo de direitos da cidadania e oportunidades       de conviv\u00eancia, como espa\u00e7o de afirma\u00e7\u00e3o de uma polis (NOGUEIRA, 2002, p.       19)\u0094.<\/p>\n<p>Romper       com a l\u00f3gica neoliberal e constituir um ser pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil,       diante da desconstru\u00e7\u00e3o que a pol\u00edtica vem sofrendo. Para observar as novas       configura\u00e7\u00f5es presentes na sociedade, basta atentar-se para o mal-estar presente       quando o assunto \u00e9 pol\u00edtica e as suas possibilidades. A este respeito, Nogueira       (2002, p. 22) aponta, que \u0093a id\u00e9ia de que a pol\u00edtica \u00e9 um dado negativo       e de que o Estado \u00e9 a inst\u00e2ncia do n\u00e3o desej\u00e1vel encontra um fort\u00edssimo estimulo       neste pensamento [&#8230;]\u0094.<\/p>\n<p>Sendo       assim, Nogueira (2002, p.28), baseando-se em Gramsci prop\u00f5e pensar \u0093numa       \u0091escola \u00fanica inicial de cultura geral, humanista, formativa que equilibre       de modo justo o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente [&#8230;]       e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual\u0092\u0094, escola       esta que lan\u00e7aria os (as) jovens para a conviv\u00eancia e o desenvolvimento das       atividades sociais. E que busque uma nova concep\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria que valorize       os exclu\u00eddos e que mostre as lutas cotidianas e as suas possibilidades.<\/p>\n<p>Em       pa\u00edses como o Brasil, em que a desigualdade n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 presente, como maltrata       boa parte da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem acesso ao m\u00ednimo para a sua sobreviv\u00eancia,       pensar o processo de constitui\u00e7\u00e3o de cidadania consiste em pensar em novos       espa\u00e7os de conviv\u00eancia e intera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque pensar em construir a cidadania       e o (a) cidad\u00e3o(\u00e3) apenas no \u00e2mbito educativo, \u00e9 limitar a discuss\u00e3o de forma       preconceituosa, al\u00e9m de conceber uma id\u00e9ia de cidadania que favorece a exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo       Arroyo (2007, p. 38), na pr\u00e1tica pol\u00edtica persiste uma concep\u00e7\u00e3o em que liberdade,       participa\u00e7\u00e3o e cidadania, devem ser concedidas conforme o amadurecimento do       homem e da mulher, que seria estabelecido pela sua escolariza\u00e7\u00e3o, \u0093j\u00e1       que as camadas populares ainda s\u00e3o consideradas b\u00e1rbaras demais, por n\u00e3o estarem       educadas para o uso racional da liberdade e da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u0094.<\/p>\n<p>Para       Arroyo (2007, p. 78), uma possibilidade de potencializar a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o       e cidadania, \u00e9 desvendar como se deu a sua constru\u00e7\u00e3o social assim como seus       antagonismos, al\u00e9m de levar a perceber os ideais da pol\u00edtica vigente e tamb\u00e9m       a sua constru\u00e7\u00e3o no tempo hist\u00f3rico. Por fim, compreender a racionalidade       popular e a sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, reconhecendo assim, a sua for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o,       ou seja, \u0093[&#8230;] o pr\u00f3prio processo pol\u00edtico-pedag\u00f3gico de constru\u00e7\u00e3o       da identidade popular que se d\u00e1 no confronto povo-Estado. \u00c9 a\u00ed que a democracia       avan\u00e7a e se constr\u00f3i\u0094.<\/p>\n<p>A       rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e cidadania, n\u00e3o se mostra fechada e est\u00e1tica, mas       um processo aberto e din\u00e2mico que se constr\u00f3i cotidianamente, atrav\u00e9s n\u00e3o       s\u00f3 do consenso, mas tamb\u00e9m das tens\u00f5es di\u00e1rias, que permitem o avan\u00e7o das       mudan\u00e7as. Neste sentido, focar o cotidiano escolar torna-se um meio riqu\u00edssimo       para compreender as transgress\u00f5es das ordens impostas, a readapta\u00e7\u00e3o das normas       ou at\u00e9 mesmo os processos de consentimento. Diante da complexidade existente       na escola, ou melhor, em seu mundo social, cabe fazer um pequeno recorte do       que foi observado at\u00e9 o momento, na escola pesquisada.<\/p>\n<p><strong>O       COTIDIANO ESCOLAR<\/strong><\/p>\n<p>Durante       o ano de 2008, passei a ter presen\u00e7a constante na escola em que estou pesquisando,       para que pudesse realizar a minha observa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 das aulas de Hist\u00f3ria,       mas tamb\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es sociais entre atores educativos e alunos no intuito       de desvendar a escola.<\/p>\n<p>Na       observa\u00e7\u00e3o do cotidiano escolar, deparei-me com uma situa\u00e7\u00e3o inusitada, a       partir do momento em que pude observar a implementa\u00e7\u00e3o na escola, da Nova       Proposta Pedag\u00f3gica do Estado de S\u00e3o Paulo. Contudo, este processo n\u00e3o se       deu por predile\u00e7\u00e3o dos atores educativos, mas como a professora de Hist\u00f3ria,       me relatou a Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo adotou uma nova       pol\u00edtica, que consistia numa Nova Proposta Curricular, que estava sendo imposta       a escola. A professora durante a observa\u00e7\u00e3o demonstrou por diversas vezes,       preocupa\u00e7\u00e3o com a nova pol\u00edtica adotada pela Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado       de S\u00e3o Paulo a partir do momento em que os (as) professores (as) s\u00e3o obrigados       a seguir o conte\u00fado determinado pela nova proposta, levando, desta forma,       a um engessamento da pr\u00e1tica do professor na sala de aula.<\/p>\n<p>Ao       analisar o material enviado \u00e0s escolas pela Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, pude perceber       que em rela\u00e7\u00e3o ao ensino de Hist\u00f3ria o conte\u00fado segue uma estrutura linear,       n\u00e3o sendo permitido aos professores fugirem do que \u00e9 determinado, do que deve       ser trabalhado durante os bimestres, o que demonstra o engessamento do curr\u00edculo       e da autonomia do professor e da professora.<\/p>\n<p>Outra       quest\u00e3o que venho focando na observa\u00e7\u00e3o \u00e9 a postura da escola em rela\u00e7\u00e3o a       democracia, no intuito de compreender como a escola caminha no sentido a estabelecer-se       enquanto um espa\u00e7o de defesa e pr\u00e1tica da democracia. Sendo assim, observo       uma quest\u00e3o essencial para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola democr\u00e1tica, ou seja,       como a escola caminha no intuito a garantir a participa\u00e7\u00e3o na tomada de decis\u00f5es       nas diversas esferas presentes na escola.<\/p>\n<p>O       relato aqui exposto \u00e9 apenas um recorte do que venho observando at\u00e9 o momento,       das tens\u00f5es geradas na escola, que demonstram os reflexos das quest\u00f5es econ\u00f4micas,       sociais e pol\u00edticas que se abatem tanto sobre os atores educativos como sobre       os alunos e que influenciam n\u00e3o s\u00f3 a forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o e da cidad\u00e3, mas       tamb\u00e9m nas possibilidades do ensino de Hist\u00f3ria e a sua rela\u00e7\u00e3o com os PCN\u0092s.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Como       a pesquisa encontra-se em desenvolvimento, o trabalho aqui se torna uma reflex\u00e3o       dos questionamentos, d\u00favidas e hip\u00f3teses que v\u00eam surgindo ao longo desta pesquisa.       Na breve an\u00e1lise dos PCN\u0092s foi poss\u00edvel constatar as contradi\u00e7\u00f5es presentes       no seu processo de elabora\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que este documento n\u00e3o s\u00f3 manifesta os acordos       internacionais assinados pelo Brasil e que refletem a pol\u00edtica neoliberal,       como tamb\u00e9m o poder de reivindica\u00e7\u00e3o dos movimentos populares, o que contribuiu       para o reconhecimento da diversidade e necessidades, em termos de direitos,       presentes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sendo       assim, torna-se riqu\u00edssimo adentrar a escola, no intuito de desvendar o seu       cotidiano e ampliar o entendimento de algumas quest\u00f5es, como a participa\u00e7\u00e3o       da comunidade na escola, o processo de implanta\u00e7\u00e3o da Nova Proposta Curricular       no Estado de S\u00e3o Paulo, como tamb\u00e9m contribu\u00edram para novos caminhos a serem       tomados, ao lan\u00e7ar um olhar sobre a Nova Proposta Curricular, a partir do       momento em que os PCN\u0092s foram colocados de lado para que a escola seguisse       a Nova Proposta Pedag\u00f3gica que tem contribu\u00eddo para a tecniza\u00e7\u00e3o do professor       e para um retrocesso da escola, no que concerne a uma escola democr\u00e1tica e       cidad\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Rodrigo       Biagini Costa<\/strong><\/p>\n<p><strong>T\u00e2nia       Suely A. Marcelino Brabo<\/strong><\/p>\n<p><strong>Referenciais       bibliogr\u00e1ficos<\/strong><\/p>\n<p>ARROYO, Miguel       G. Educa\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da cidadania. In: BUFFA, Ester; ARROYO, MIGUEL G.;       NOSELLA, Paolo. Educa\u00e7\u00e3o e cidadania: quem educa o cidad\u00e3o?. 13\u00aa ed. S\u00e3o Paulo,       Cortez, 2007. BRASIL. Secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Fundamental. Par\u00e2metros Curriculares       Nacionais:introdu\u00e7\u00e3o aos par\u00e2metros curriculares nacionais. Bras\u00edlia: MEC\/SEF,       1997. GOHN, Maria da Gl\u00f3ria. Movimentos sociais e Educa\u00e7\u00e3o. 6\u00aa ed. revista       \u0096 S\u00e3o Paulo; Cortez, 2005. JACOMELI, Mara Regina Martins. Dos estudos       sociais aos temas transversais: uma abordagem hist\u00f3rica dos fundamentos te\u00f3ricos       das pol\u00edticas educacionais brasileiras (1971-2000). Campinas\/ SP, 2004. Tese.       Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas\/ Unicamp\/ SP, 2004.       NOGUEIRA, Marco Aur\u00e9lio. Administrar e dirigir: algumas quest\u00f5es sobre a escola       educa\u00e7\u00e3o e a cidadania. In: MACHADO, L. M; FERREIRA, Naura S. C. Pol\u00edtica       e gest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o: dois olhares. Rio de Janeiro: DP&amp;, 2002. (p. 17       \u0096 32). PINSKY, Carla Bassanezzi; PINSKY, Jaime (org). Hist\u00f3ria da cidadania.       S\u00e3o Paulo: Contexto,2003.<\/p>\n<h4><strong>O que \u00e9 cidadania?<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Cidadania<\/strong>\u00a0envolve       a desempenhar um papel ativo na sociedade.<\/p>\n<p>Os       cidad\u00e3os s\u00e3o membros de um estado ou de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cidadania       \u00e9 o processo de ser esse membro. \u00c9 assim que fazemos o trabalho da sociedade,       em conjunto.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o       para a cidadania d\u00e1 \u00e0s pessoas o conhecimento e as habilidades para compreender,       questionar e interagir com os principais pilares da nossa democracia:<\/strong>\u00a0pol\u00edtica,       da economia e da lei.<\/p>\n<p><strong>Por       que \u00e9 importante?<\/strong><\/p>\n<p>Sociedade       pertence a todos n\u00f3s. O que colocar nele cria o que sair dela.<\/p>\n<p>Na       Funda\u00e7\u00e3o Cidadania, acreditamos que a sociedade \u00e9 melhor quando todos n\u00f3s       juntar-se dentro Isto \u00e9, quando todos n\u00f3s trazer nossa energia e julgamento       para ele.<\/p>\n<p>Isso       ajuda a torn\u00e1-la mais justa e inclusiva. Ele suporta uma democracia em que       as pessoas participam e pertencem.<\/p>\n<p>Mas       isso significa que todos n\u00f3s precisamos de bastante\u00a0<strong>conhecimento,       habilidades<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>confian\u00e7a<\/strong>\u00a0para       participar de forma eficaz.<\/p>\n<p>Queremos       que todos sintam que pertencem. E n\u00f3s queremos que todos sintam que podem       impulsionar a mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A       Comiss\u00e3o Europeia diz que a cidadania ativa \u00e9:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;A         participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil, da comunidade e \/ ou a vida pol\u00edtica, caracterizada         pelo respeito m\u00fatuo e n\u00e3o-viol\u00eancia e no respeito dos direitos humanos e         da democracia&#8221; (Hoskins, 2006).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ent\u00e3o,       vamos tornar isso uma realidade. Vamos ajudar as pessoas a se tornarem cidad\u00e3os       eficazes. O custo \u00e9 muito maior se n\u00e3o o fizermos.<\/p>\n<h4>Onde       devemos fazer isso?<\/h4>\n<p>Em       muitos lugares. Mas, no m\u00ednimo, por meio de\u00a0<b>educa\u00e7\u00e3o       para a cidadania nas escolas.<\/b><\/p>\n<p>Escolas       nos preparar para viver em sociedade. E, no Reino Unido, todos n\u00f3s temos a       chance de ir para a escola.<\/p>\n<p>Na       escola, aprendemos sobre outras coisas importantes, tais como hist\u00f3ria, linguagem       e matem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Isto       \u00e9, para que possamos sobreviver, prosperar e contribuir para a sociedade:<\/strong>\u00a0ser       que em nossa vida profissional ou em nossas vidas sociais.<\/p>\n<p><strong>O       que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o para a cidadania?<\/strong><\/p>\n<p>Queremos       que os jovens deixam a escola ou faculdade com uma compreens\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es       pol\u00edticas, jur\u00eddicas e econ\u00f4micas da sociedade adulta, e com a consci\u00eancia       social e moral para prosperar nele.<\/p>\n<p>Educa\u00e7\u00e3o       para a cidadania \u00e9 de cerca de capacitar as pessoas para tomar suas pr\u00f3prias       decis\u00f5es e assumir a responsabilidade por suas pr\u00f3prias vidas e suas comunidades.<\/p>\n<p>&#8220;A       cidadania \u00e9 mais do que um assunto. Caso ensinou bem e adaptados \u00e0s necessidades       locais, suas habilidades e valores v\u00e3o melhorar a vida democr\u00e1tica para todos       n\u00f3s, tanto os direitos e responsabilidades, begninning na escola e irradiando       para fora.&#8221; Bernard Crick, National Curriculum Cidadania, 1999<\/p>\n<p>N\u00e3o       se trata de tentar encaixar todos no mesmo molde, ou sobre a cria\u00e7\u00e3o de &#8220;modelo&#8221;       ou &#8220;bons&#8221; cidad\u00e3os.<\/p>\n<h4>Por       que ensinar cidadania ?<\/h4>\n<p>H\u00e1       elementos de educa\u00e7\u00e3o para a cidadania em diversos assuntos &#8211; como o Ingl\u00eas,       hist\u00f3ria e matem\u00e1tica -, bem como nos resultados SMSC de uma escola.<\/p>\n<p>Mas       a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania \u00e9 mais do que isso.<\/p>\n<p>As       democracias precisam de cidad\u00e3os ativos, informados e respons\u00e1veis, os cidad\u00e3os       que est\u00e3o dispostos e capazes de assumir a responsabilidade para si e para       as suas comunidades e contribuir para o processo pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>As       democracias dependem de cidad\u00e3os que, entre outras coisas, s\u00e3o os seguintes:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>conscientes         de seus direitos e responsabilidades como cidad\u00e3os;<\/p>\n<p>informado         sobre o mundo social e pol\u00edtico;<\/p>\n<p>preocupado         com o bem-estar dos outros;<\/p>\n<p>articular         as suas opini\u00f5es e argumentos;<\/p>\n<p>capazes         de ter uma influ\u00eancia sobre o mundo;<\/p>\n<p>ativos         em suas comunidades;<\/p>\n<p>respons\u00e1veis         na forma como eles agem como cidad\u00e3os.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Essas       capacidades n\u00e3o desenvolvem nu. Eles t\u00eam que ser aprendido. Apesar de uma       certa quantidade de\u00a0<strong>cidadania<\/strong>\u00a0pode       ser captado atrav\u00e9s da experi\u00eancia comum, em casa ou no trabalho, pode nunca       por si s\u00f3, suficiente para equipar os cidad\u00e3os para o tipo de papel ativo       exigido deles na sociedade complexa e diversificada de hoje.<\/p>\n<p>Se       os cidad\u00e3os est\u00e3o a tornar-se realmente envolvidos na vida p\u00fablica e neg\u00f3cios,       \u00e9 necess\u00e1ria uma abordagem mais expl\u00edcita a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania.<\/p>\n<p><strong>Esta       abordagem deve ser:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Inclusive:<\/strong>\u00a0um         direito de todos os jovens, independentemente da sua capacidade ou de fundo;<\/p>\n<p><strong>Pervasive:<\/strong>\u00a0N\u00e3o         limitado a escolas mas uma parte integrante de toda a educa\u00e7\u00e3o para os jovens;<\/p>\n<p><strong>Ao         longo da vida:<\/strong>\u00a0Continuando         ao longo da vida.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E,       como\u00a0<strong>a vida democr\u00e1tica<\/strong>\u00a0aponta,       a cidadania \u00e9 o\u00a0<strong>\u00fanico       assunto<\/strong>\u00a0no curr\u00edculo       nacional, que ensina sobre a maneira como\u00a0<strong>a       democracia, a pol\u00edtica,<\/strong>\u00a0a\u00a0<strong>economia<\/strong>\u00a0eo       trabalho\u00a0<strong>direito.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cidadania       quest\u00f5es s\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Verdadeiro:<\/strong>\u00a0realmente         afetar a vida das pessoas;<\/p>\n<p><strong>t\u00f3pica:<\/strong>\u00a0corrente         hoje em dia;<\/p>\n<p><strong>\u00e0s         vezes sens\u00edvel:<\/strong>\u00a0pode         afetar as pessoas em um n\u00edvel pessoal, especialmente quando a fam\u00edlia ou         amigos est\u00e3o envolvidos;<\/p>\n<p><strong>muitas         vezes controversa:<\/strong>\u00a0as         pessoas discordam e ter opini\u00f5es fortes sobre eles;<\/p>\n<p><strong>em         \u00faltima inst\u00e2ncia moral:<\/strong>\u00a0se         relacionam com o que as pessoas acham que \u00e9 certo ou errado, bom ou ruim,         importante ou sem import\u00e2ncia na sociedade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Como       se beneficiar jovens?<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Ela         ajuda-los a desenvolver a\u00a0<strong>auto-confian\u00e7a<\/strong>\u00a0e         lidar com sucesso com as mudan\u00e7as de vida e desafios significativos, tais         como ass\u00e9dio moral e discrimina\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p><strong>D\u00e1-lhes         uma voz:<\/strong>\u00a0na vida         de suas escolas, nas comunidades e na sociedade em geral;<\/p>\n<p>Que         lhes permite\u00a0<strong>fazer         uma contribui\u00e7\u00e3o positiva<\/strong>\u00a0ao         desenvolver o conhecimento ea experi\u00eancia necess\u00e1rios para reivindicar seus         direitos e entender suas responsabilidades e preparando-os para os desafios         e as oportunidades da vida adulta e profissional.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Quem       mais se beneficiar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cidadania<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m       traz benef\u00edcios para as escolas, outras organiza\u00e7\u00f5es de ensino e para a sociedade       em geral.<\/p>\n<p>Para       as escolas e outras organiza\u00e7\u00f5es educacionais, ajuda a produzir alunos motivados       e respons\u00e1veis, que se relacionam positivamente para o outro, para o pessoal       e para a comunidade envolvente. Para a sociedade, ajuda a criar uma cidadania       ativa e respons\u00e1vel, disposta a participar na vida da na\u00e7\u00e3o e do mundo em       geral e desempenhar o seu papel no processo democr\u00e1tico.<\/p>\n<h4>Quais       s\u00e3o seus elementos essenciais?<\/h4>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o       para a cidadania envolve uma ampla gama de diferentes elementos de aprendizagem,       incluindo:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Conhecimento         e compreens\u00e3o:<\/strong>\u00a0<strong>Sobre         temas como:<\/strong>\u00a0leis         e regras, o processo democr\u00e1tico, a m\u00eddia, direitos humanos, diversidade,         dinheiro e da economia, do desenvolvimento sustent\u00e1vel e do mundo como uma         comunidade global, e sobre conceitos como democracia, justi\u00e7a, igualdade,         liberdade, autoridade e do Estado de direito;<\/p>\n<p><strong>Habilidades         e aptid\u00f5es:<\/strong>\u00a0pensamento         cr\u00edtico, an\u00e1lise de informa\u00e7\u00f5es, expressar opini\u00f5es, participando de discuss\u00f5es         e debates, negocia\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e participando de a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria;<\/p>\n<p><strong>Valores         e disposi\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0o         respeito pela justi\u00e7a, da democracia e do Estado de Direito, abertura, toler\u00e2ncia,         coragem de defender um ponto de vista e uma vontade de: ouvir, trabalhar         e levantar-se para os outros.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A       forma mais eficaz de aprendizagem em educa\u00e7\u00e3o para a cidadania \u00e9:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>ativo:<\/strong>\u00a0enfatiza         o aprender fazendo;<\/p>\n<p><strong>interativa:<\/strong>\u00a0utiliza         discuss\u00e3o e debate;<\/p>\n<p><strong>relevante:<\/strong>\u00a0centra-se         em quest\u00f5es da vida real enfrentados pelos jovens e para a sociedade;<\/p>\n<p><strong>cr\u00edtico:<\/strong>\u00a0incentiva         os jovens a pensar por si mesmos;<\/p>\n<p><strong>colaborativa:<\/strong>\u00a0emprega         o trabalho em grupo e aprendizagem cooperativa;<\/p>\n<p><strong>participativa:<\/strong>\u00a0d\u00e1         aos jovens uma palavra a dizer na sua pr\u00f3pria aprendizagem.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>EDUCA\u00c7\u00c3O,         POL\u00cdTICA, CIDADANIA, GEST\u00c3O:<\/strong>\u00a0A         CONSTRU\u00c7\u00c3O DE NOVOS OLHARES SABORES E SABERES<\/p>\n<p><strong>TEM\u00c1TICA:\u00a0<\/strong>POL\u00cdTICAS         E GEST\u00c3O EDUCACIONAL<\/p>\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p>A         globaliza\u00e7\u00e3o exige reestrutura\u00e7\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o das formas de produ\u00e7\u00e3o         e do trabalho para que as empresas possam se integrar na competitividade         do mercado mundial, dessa forma, a aprendizagem \u00e9 o resultado de um processo         de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento por um sujeito ativo, autor que elabora e         testa suas hip\u00f3teses juntamente com o professor, que media esse processo.<\/p>\n<p>Nessa         escola o importante \u00e9 desenvolver, com qualidade e compet\u00eancia, o conhecimento         que leve a pensar.<\/p>\n<p>A         participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o da escola se d\u00e1 de forma variada, a ado\u00e7\u00e3o de um         estilo participativo de gest\u00e3o da escola constitui uma forma concreta de         contribuir para o desenvolvimento da democracia na escola e na sociedade.<\/p>\n<p>Associados         \u00e0 id\u00e9ia de democracia institucional na escola est\u00e3o temas como descentraliza\u00e7\u00e3o,         autonomia, participa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o democr\u00e1tica e cidadania.<\/p>\n<p><strong>Cidadania\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m         \u00e9 um processo de luta, conquistas e perdas. Exercer cidadania n\u00e3o \u00e9 uma         d\u00e1diva, \u00e9 conquista, \u00e9 ser \u00edntegro, n\u00e3o se deixar corromper. \u00c9 o exerc\u00edcio         dos direitos e deveres. Muitas vezes, falhas s\u00e3o detectadas na condu\u00e7\u00e3o         da educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, quando se deixa de desenvolver e valorizar         na crian\u00e7a a sensibilidade de ver o mundo, a alegria de ter amigos e a capacidade         de doa\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o pr\u00e9-requisitos para a forma\u00e7\u00e3o do ser consciente e participativo         numa sociedade.<\/p>\n<p>A         escola tem que ser consciente de seus m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e integrar pessoas,         que al\u00e9m de estarem comprometidas com a educa\u00e7\u00e3o, se permitam a ousar, experimentar,         investigar, criar&#8230; construir e mediar.<\/p>\n<p>Cabe         \u00e0 educa\u00e7\u00e3o um comprometimento de sua a\u00e7\u00e3o, investindo nas for\u00e7as construtivas         de que faz da educa\u00e7\u00e3o uma media\u00e7\u00e3o para a cidadania. \u00c9 preciso construir         uma humanidade renovada, num procedimento cont\u00ednuo de supera\u00e7\u00e3o da in\u00e9rcia,         de valoriza\u00e7\u00e3o do ser humano e de desmascaramento das imposi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais         adotadas sem reflex\u00e3o da sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A         educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um constante desafio!<\/p>\n<p>O         mundo contempor\u00e2neo apresenta mudan\u00e7as que afetam todos os setores da sociedade,         inclusive a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Atualmente         passamos pela chamada Terceira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, a revolu\u00e7\u00e3o da microeletr\u00f4nica         e da inform\u00e1tica. Nela, o mundo se sustenta na cria\u00e7\u00e3o, processamento e         transmiss\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. A globaliza\u00e7\u00e3o exige reestrutura\u00e7\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o         das formas de produ\u00e7\u00e3o e do trabalho para que as empresas possam se integrar         na competitividade do mercado mundial.<\/p>\n<p>Dessa         forma, a aprendizagem \u00e9 o resultado de um processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento         por um sujeito ativo, autor que elabora e testa suas hip\u00f3teses juntamente         com o professor, que media esse processo, onde se observam categorias como         &#8220;transforma\u00e7\u00e3o, compromisso social, conscientiza\u00e7\u00e3o, totalidade, cr\u00edtica         social&#8221;. (DAUSTER, 1996, p. 79). Nessa escola o importante \u00e9 desenvolver,         com qualidade e compet\u00eancia, o conhecimento que leve a pensar.<\/p>\n<p>O         professor lan\u00e7a aos alunos um &#8220;olhar relativizador, buscando entend\u00ealos         na positividade de seu universo cultural e n\u00e3o restrito a indicadores de         sua priva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os         efeitos epistemol\u00f3gicos deste olhar conduzem a uma vis\u00e3o contextualizada         do fen\u00f4meno educativo, a uma valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade e da heterogeneidade         cultural e a questionamentos sobre posturas etnoc\u00eantricas que contrariam         a pedagogia&#8221;. (DAUSTER, 1996, p. 82).<\/p>\n<p>A         participa\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o da escola pode dar-se numa gama variada de possibilidades,         quer no grau de integra\u00e7\u00e3o dos grupos envolvidos quer no grau de participa\u00e7\u00e3o         de cada um destes grupos. Pais e professores podem possuir o poder de co-gest\u00e3o,         mas aos alunos pode ser concedido apenas o poder de consulta. A ado\u00e7\u00e3o de         um estilo participativo de gest\u00e3o da escola constitui uma forma concreta         de contribuir para o desenvolvimento da democracia na escola e na sociedade.         Um aprofundamento desta \u00faltima tem\u00e1tica, dos obst\u00e1culos para sua implementa\u00e7\u00e3o         e dos benef\u00edcios de sua ado\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feito a seguir.<\/p>\n<p>A         gest\u00e3o democratizada sente a necessidade da presen\u00e7a do l\u00edder, do mediador,         articulador das rela\u00e7\u00f5es inter-subjetivas, das vontades e dos conflitos.         Os agentes devem ser cidad\u00e3os plenos para que possam romper as amarras da         servid\u00e3o \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e participarem nos processos de tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Associados         \u00e0 id\u00e9ia de democracia institucional na escola est\u00e3o temas como descentraliza\u00e7\u00e3o,         autonomia, participa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o democr\u00e1tica e cidadania.<\/p>\n<p>Atualmente         muito se fala em cidadania que nas palavras de Marshall (1967, p. 76)<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u0093(&#8230;)           a cidadania \u00e9 um \u0091status\u0092 concedido \u00e0queles que s\u00e3o membros           integrais de uma comunidade. Todos aqueles que possuem o \u0091status\u0092           s\u00e3o iguais com respeito aos direitos e obriga\u00e7\u00f5es pertinentes ao \u0091status\u0092.           N\u00e3o h\u00e1 nenhum princ\u00edpio universal que determine o que estes direitos e           obriga\u00e7\u00f5es ser\u00e3o, mas, as sociedades nas quais a cidadania \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o           em desenvolvimento criam uma imagem de uma cidadania ideal em rela\u00e7\u00e3o           \u00e0 qual o sucesso pode ser medido e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual a aspira\u00e7\u00e3o pode           ser dirigida. A insist\u00eancia em seguir o caminho assim determinado equivale           a uma insist\u00eancia por medida efetiva de igualdade, um enriquecimento da           mat\u00e9ria-prima do \u0091status\u0092 e um aumento no n\u00famero daqueles a           quem \u00e9 conferido o \u0091status\u0092. A classe social, por outro lado,           \u00e9 um sistema de desigualdade. E esta tamb\u00e9m, como a cidadania, pode estar           baseada num conjunto de id\u00e9ias, cren\u00e7as e valores. \u00c9, portanto, compreens\u00edvel           que se espere que o impacto da cidadania sobre a classe social tomasse           a forma de um conflito entre princ\u00edpios opostos\u0094.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Cidadania         tamb\u00e9m \u00e9 um processo de luta, conquistas e perdas. Exercer cidadania n\u00e3o         \u00e9 uma d\u00e1diva, \u00e9 conquista, \u00e9 ser \u00edntegro, n\u00e3o se deixar corromper. \u00c9 o exerc\u00edcio         dos direitos e deveres. Muitas vezes, falhas s\u00e3o detectadas na condu\u00e7\u00e3o         da educa\u00e7\u00e3o para a cidadania, quando se deixa de desenvolver e valorizar         na crian\u00e7a a sensibilidade de ver o mundo, a alegria de ter amigos e a capacidade         de doa\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o pr\u00e9-requisitos para a forma\u00e7\u00e3o do ser consciente e participativo         numa sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o         se pode perder a oportunidade de interagir, pois, a todo momento, se percebem         alunos perdidos no seu papel de crian\u00e7a e pessoa. Alunos, que s\u00e3o frutos         de uma gera\u00e7\u00e3o que experimentou a repress\u00e3o da sociedade e familiar.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Etimologicamente,           cidadania vem de \u0093cidade\u0094. Cidade vem de civitas, para os antigos           romanos, significando a sociedade pol\u00edtica. A cidadania \u00e9 a a\u00e7\u00e3o pela           qual algu\u00e9m se torna civil, habitante de uma cidade, e passa a fazer parte           de uma civiliza\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o grega, o conceito de cidadania           ligava-se intimamente ao de cidade. As cidades gregas formavam uma organiza\u00e7\u00e3o           de pessoas \u0093cidad\u00e3os\u0094, unidos por uma mesma hist\u00f3ria em torno           do culto ao deus espec\u00edfico de cada localidade. (MACHADO, 1998, p. 1-3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Pais         que abrem os caminhos de seus filhos sem lhes dar as devidas dire\u00e7\u00f5es, sem         encontrar a medida certa entre o &#8220;sim&#8221; e o &#8220;n\u00e3o&#8221;. A         escola fica sobrecarregada, pois est\u00e1 sempre precisando rever com seus alunos         conceitos que antes eram fundamentais na fam\u00edlia e que hoje deixaram de         ser valorizados.<\/p>\n<p>Esses         cidad\u00e3os mirins precisam experimentar o gosto da \u00e9tica e cidadania, da autoridade         sem autoritarismo, pois, a crian\u00e7a, como ser em forma\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o possui         determinados conhecimentos e capacidades que a habilite a gerir sozinha         sua vida.<\/p>\n<p>A         escola tem que ser consciente de seus m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e integrar pessoas,         que al\u00e9m de estarem comprometidas com a educa\u00e7\u00e3o, se permitam a ousar, experimentar,         investigar, criar&#8230; construir e mediar.<\/p>\n<p>Cabe         \u00e0 educa\u00e7\u00e3o um comprometimento de sua a\u00e7\u00e3o, investindo nas for\u00e7as construtivas         de que faz da educa\u00e7\u00e3o uma media\u00e7\u00e3o para a cidadania. \u00c9 preciso construir         uma humanidade renovada, em um procedimento cont\u00ednuo de supera\u00e7\u00e3o da in\u00e9rcia,         de valoriza\u00e7\u00e3o do ser humano e de desmascaramento das imposi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais         adotadas sem reflex\u00e3o da sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A         educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um constante desafio. Formar a cidadania \u00e9 vencer esse grande         desafio. O aluno experimenta no ambiente escolar, como primeiro grupo social         ap\u00f3s a fam\u00edlia, o contato consigo e com o meio social. Formar cidad\u00e3o \u00e9         formar um ser humano respons\u00e1vel por seus atos, \u00e9 formar um aluno, um colaborador,         um chefe, um pai, um ser humano consciente de seus direitos, mas, disposto         a cumprir seu papel dentro da sociedade do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A         tarefa educacional \u00e9 \u00e1rdua, mas, \u00e9 fundamental dentro da vida em sociedade.         Se a escola formar cidad\u00e3os, significa ter cumprido o seu papel. A presen\u00e7a         da escola s\u00f3 se justifica se for uma das formas de constru\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00f5es         em busca de condi\u00e7\u00f5es de trabalho, da sociabilidade e da cultura simb\u00f3lica.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Cidad\u00e3o           deriva de civis, palavra latina de dois g\u00eaneros que designa os habitantes           das cidades, por\u00e9m n\u00e3o qualquer habitante, mas somente aqueles que tiveram           direitos, os que participavam das atividades pol\u00edticas. Civitas, civitatis           referia-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3o. Similarmente, a palavra pol\u00edtico adv\u00e9m           da palavra grega p\u00f3lis, que tamb\u00e9m significava cidade. Na Gr\u00e9cia antiga           os habitantes das cidades dividiam-se em pol\u00edticos e idiotas; os primeiros           participavam da vida da p\u00f3lis e os segundos n\u00e3o, sendo que o sentido de           idiota, na \u00e9poca, traduzia o oposto da palavra pol\u00edtico. (MACHADO, 1998,           p. 1-3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O         respeito ao aluno deve ser a t\u00f4nica, eles n\u00e3o s\u00e3o cobaias metodol\u00f3gicas,         e sim, agentes de mudan\u00e7as. Levar o aluno a olhar o mundo de forma questionadora         \u00e9 o grande desafio da educa\u00e7\u00e3o. A escola precisa de professores acordados         para viver o 3\u00ba mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Para         tanto \u00e9 preciso vencer desafios, ousar mais, pois vivemos momentos de profundas         mudan\u00e7as. \u00c9 preciso estar atentos a esses novos tempos atualizar teorias,         propor novas pr\u00e1ticas, e para isto, faz-se necess\u00e1ria \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do educador         historicamente situado, consciente de seu papel capaz de gerar formas de         interven\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o da realidade educacional.<\/p>\n<p>\u00c9         preciso que cada professor lute pelo resgate de seu papel social, descobrindo         o que o faz ser diferente e mostrando para a sociedade, que a educa\u00e7\u00e3o sempre         foi mola mestra para o desenvolvimento de um pa\u00eds.<\/p>\n<p>Faz-se         necess\u00e1ria a profissionaliza\u00e7\u00e3o continuada do professor, pois isso envolve         compreender a flexibilidade, a informa\u00e7\u00e3o, a desburocratiza\u00e7\u00e3o, a interdisciplinariedade,         a valoriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica das formas passageiras, a competitividade que numa         perspectiva cr\u00edtica, hist\u00f3rica, concebe-se em tr\u00eas dimens\u00f5es, a qualidade         formal, a qualidade pol\u00edtica e a qualidade cultural.<\/p>\n<p><strong>\u0093Mudar         \u00e9 dif\u00edcil, mas \u00e9 poss\u00edvel\u0094, Freire, (2000, p. 102), de acordo com as         palavras do mesmo autor:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Da\u00ed           ent\u00e3o, que nossa presen\u00e7a no mundo, implicando escolha e decis\u00e3o, n\u00e3o           seja uma presen\u00e7a neutra. A capacidade de observar, de comparar, de avaliar           para, decidindo, escolher, com o que, intervindo na vida da cidade, exercendo           nossa cidadania, se exige ent\u00e3o como uma compet\u00eancia fundamental. Se a           minha n\u00e3o \u00e9 presen\u00e7a neutra na hist\u00f3ria, devo assumir criticamente quanto           poss\u00edvel mud\u00e1-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda           a possibilidade que tenha para n\u00e3o apenas falar de minha utopia, mas para           participar de pr\u00e1ticas com ela coerentes. (&#8230;) E \u00e9 na condi\u00e7\u00e3o de seres           transformadores que percebemos que nossa possibilidade de nos adaptar           n\u00e3o esgota em n\u00f3s o nosso estar no mundo. \u00c9 porque podemos transformar           o mundo que estamos com ele e com os outros. (2000, p. 33)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Escola         e professor se misturam e formam um conjunto de pessoas envolvidas no processo         social e que est\u00e3o a favor da constru\u00e7\u00e3o da cidadania com valores determinantes.<\/p>\n<p>As         estrat\u00e9gias individuais e coletivas de constru\u00e7\u00e3o de uma identidade social         est\u00e3o estreitamente ligadas a estrat\u00e9gias residenciais, pois se concretizam         na participa\u00e7\u00e3o ativa na vida pol\u00edtica e associativa local. \u00c9 a\u00ed que a escola         adquire uma import\u00e2ncia fundamental na forma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Na articula\u00e7\u00e3o         de cada escola p\u00fablica com a realidade local est\u00e1 presente toda essa rede         de rela\u00e7\u00f5es \u0097 com as diretrizes nacionais, com as orienta\u00e7\u00f5es de cunho         estadual ou municipal e, sobretudo, com as pol\u00edticas de atendimento, que         revelam at\u00e9 que ponto se prioriza o ensino fundamental, no pa\u00eds e no local.<\/p>\n<p>Ao         discutir as responsabilidades e fronteiras da escola, a destacam como transmissora         de um patrim\u00f4nio cultural, considerando especialmente que, na sociedade         moderna, a fam\u00edlia nuclear n\u00e3o instala uma cultura comum de um grupo de         adultos, mas ao contr\u00e1rio, acaba por supervalorizar a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Observam-se         duas tarefas contradit\u00f3rias da escola:<\/strong>\u00a0preservar         a continuidade da sociedade \u0097 e, portanto, das hierarquias e estratifica\u00e7\u00f5es         sociais \u0097, e garantir a igualdade de todos no acesso \u00e0 cultura e aos         saberes sociais, correndo o risco de amea\u00e7ar assim a pr\u00f3pria estabilidade         social para cuja preserva\u00e7\u00e3o ela pretende contribuir.<\/p>\n<p>Assim         concebida \u0097 com a dupla miss\u00e3o de coes\u00e3o social e de garantia do acesso         de todos, ao saber valorizado pela sociedade \u0097, a escola torna-se um         potencial portador de mudan\u00e7as. Os indiv\u00edduos se constroem no social, mas         a\u00ed se constroem no curso de sua hist\u00f3ria, como sujeitos singulares. O meio         constitui o universo de significa\u00e7\u00f5es a partir das quais o sujeito constituir\u00e1         seu mundo. Sem d\u00favida, a escola desempenha um papel importante na constru\u00e7\u00e3o         dessa teia de significa\u00e7\u00f5es. A escola \u00e9, como aponta Rodriguez (1995, p.37),         o primeiro espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica da crian\u00e7a. Segundo a autora, \u00e9 a primeira         institui\u00e7\u00e3o da sociedade em que a crian\u00e7a atua autonomamente como ser individual         e social. Durante a vida escolar, a crian\u00e7a forma suas primeiras id\u00e9ias         acerca da sociedade \u00e0 qual pertence. Assim, como espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o         para a vida das novas gera\u00e7\u00f5es, a escola \u00e9, por excel\u00eancia, o espa\u00e7o de         constru\u00e7\u00e3o de significados sobre o mundo \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Com         o fen\u00f4meno da industrializa\u00e7\u00e3o, a qualifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do trabalho visava         \u00e0 produ\u00e7\u00e3o na qual o trabalhador executava tarefas, sem refletir sobre as         mesmas. Nesse contexto, a educa\u00e7\u00e3o visava treinar indiv\u00edduos que fossem         moldados a fim de corresponder a tais demandas.<\/p>\n<p>Os         sistemas educacionais organizam-se de acordo com as defini\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia.         Conforme o paradigma mecanicista, &#8220;entende-se por ci\u00eancia (conhecimento)         atividade humana que descreve e explica os diferentes campos da realidade,         cuidando de descobrir as leis que ordenam o mundo, o que implica numa atitude         contemplativa, tendo como objetivo fundamental \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de teorias&#8221;.         (AGUERRONDO, 1996, p. 72).<\/p>\n<p>A         aprendizagem se opera atrav\u00e9s do processo est\u00edmulo-resposta, com um sujeito         passivo, visto como uma \u0093tabula rasa\u0094, domesticado, que recebe         grande quantidade de informa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do saber pronto e definitivo, transmitido         pelo professor.<\/p>\n<p><strong>Neste         modelo de educa\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es consistem em oposi\u00e7\u00f5es entre o educador e         o educando:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;o           educador sabe, os educandos n\u00e3o sabem; o educador pensa, o educando \u00e9           pensado; o educador tem a palavra, o educando tem a escuta; o educador           opta, prescreve, programa, disserta, em suma, \u00e9 sujeito da a\u00e7\u00e3o, enquanto           o educando \u00e9 subordinado, submetido e objeto, em rela\u00e7\u00e3o ao ato educacional&#8221;.           (DAUSTER, 1996, p. 76).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>J\u00e1         o conceito de escola democr\u00e1tica, formadora de cidad\u00e3os atuantes na sociedade,         \u00e9 estabelecido no contexto da d\u00e9cada de 1980 onde as pol\u00edticas p\u00fablicas         educacionais est\u00e3o voltadas para a quest\u00e3o da universaliza\u00e7\u00e3o, com eq\u00fcidade         da escola p\u00fablica.<\/p>\n<p>Essa         \u0093nova escola\u0094 procura constituir-se pela constru\u00e7\u00e3o da sua autonomia         e democracia. Isso &#8220;requer a reconstru\u00e7\u00e3o dos paradigmas de gest\u00e3o         para al\u00e9m da cidadania positivista, fundada na concep\u00e7\u00e3o iluminista que         estabelece a rela\u00e7\u00e3o linear sujeito-objeto&#8221;. (BORDIGNON, 1997. p. 17).<\/p>\n<p>A         gest\u00e3o democratizada sente a necessidade da presen\u00e7a do l\u00edder, do mediador,         articulador das rela\u00e7\u00f5es intersubjetivas, das vontades e dos conflitos.         Os agentes devem ser cidad\u00e3os plenos para que possam romper as amarras da         servid\u00e3o \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e participarem nos processos de tomada de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes         das rotinas administrativas s\u00e3o definidos os rumos, tra\u00e7ados os objetivos,         estabelecidas as diretrizes estrat\u00e9gicas numa constru\u00e7\u00e3o coletiva, estruturada         na compet\u00eancia t\u00e9cnica e nas responsabilidades.<\/p>\n<p>Nessa         administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie, mas respeito ao sujeito \u00fanico que         constr\u00f3i singularmente seu conhecimento. Dessa forma n\u00e3o h\u00e1 lugar para a         medi\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o. O processo de percep\u00e7\u00e3o da realidade, da constru\u00e7\u00e3o         do saber deve constituir-se em um espa\u00e7o aberto para a fundamenta\u00e7\u00e3o da         democracia, logo a cidadania plena.<\/p>\n<p>O         homem interpreta o mundo e interage com a realidade f\u00edsica e social em que         est\u00e1 inserido a partir de valores, representa\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o culturalmente         assimilados.<\/p>\n<p>A         educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mais pode ser vista como a mera transmiss\u00e3o de conhecimentos         e valores, como a padroniza\u00e7\u00e3o de comportamentos ou disciplina externa.         A escola n\u00e3o mais \u00e9 concebida como uma m\u00e1quina de reprodu\u00e7\u00e3o de valores         e padr\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o. \u00c9, sobretudo, um laborat\u00f3rio de gest\u00e3o educacional         e de ensino aprendizagem onde conhecimentos, valores e rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o constantemente         reconstru\u00eddos, um processo de transforma\u00e7\u00e3o para acompanhar um mundo globalizado         em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>A         educa\u00e7\u00e3o brasileira tem um grande desafio pela frente:\u00a0<\/strong>o         de se transformar num p\u00f3lo irradiador de cidadania e de viv\u00eancia social         democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A         escola de hoje forma os cidad\u00e3os de amanh\u00e3. N\u00e3o querendo dizer que as crian\u00e7as         n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3s, mas que elas ser\u00e3o os condutores sociais do amanh\u00e3.<\/p>\n<p>A         democracia, como ela \u00e9 entendida hoje, pressup\u00f5e a participa\u00e7\u00e3o de todos.         Estamos retirando, mais uma vez, da democracia grega, as li\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s         das quais estamos reconstruindo nossa pr\u00f3pria democracia.<\/p>\n<p>Na         democracia grega, o cidad\u00e3o, assim como hoje, votava para escolher os pol\u00edticos         e dirigentes. Mas sua participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encerrava a\u00ed. Ele votava tamb\u00e9m,         diretamente, nas quest\u00f5es relevantes relacionadas a polis. Os gregos tinham         entranhado em sua civiliza\u00e7\u00e3o a cultura da participa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta eleger         os pol\u00edticos e esperar que eles, apenas pelo fato de terem sido eleitos,         fa\u00e7am alguma coisa por n\u00f3s.<\/p>\n<p>A         cultura da participa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e cidad\u00e3os conscientes de seus direitos         e deveres. Pessoas imbu\u00eddas de esp\u00edrito cr\u00edtico e solid\u00e1rio, participantes,         questionadoras, trabalhadoras, prontas para se manifestarem contra qualquer         ato autorit\u00e1rio, prontas para ajudar a seu semelhante, preparadas para colaborar         com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor para todos.<\/p>\n<p>Estes         t\u00eam que conviver respeitando seu semelhante para poderem ser respeitados.         Trata-se de promover a igualdade na diferen\u00e7a. O ideal de antropol\u00f3gico,         dentre outros. A escola est\u00e1 inserida em uma sociedade e este fato n\u00e3o pode         ser desconsiderado.<\/p>\n<p>Todas         as mudan\u00e7as refletem no cotidiano da escola, onde a mudan\u00e7a de paradigma         em educa\u00e7\u00e3o passa pelo que se entende por educa\u00e7\u00e3o e conhecimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Na           era do conhecimento, a pedagogia tornou-se a ci\u00eancia mais importante porque           ela objetiva promover a aprendizagem. A era do conhecimento \u00e9 tamb\u00e9m a           era da sociedade aprendente: todos tornam-se aprendizes e diante de aparentes           chegadas \u00e9 sempre necess\u00e1rio retornar a caminhada. (GADOTTI, 2000, P.           45).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>STEIDEL,         Rejane<\/strong><\/p>\n<p><strong>VICENTINE,         Claudia<\/strong><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS         BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>AGUERRONDO,         I. &#8220;Argentina, 1995: Uma Transforma\u00e7\u00e3o Educacional em Marcha&#8221;.         In: &#8211; LINDINGER, Mar\u00edlia Miranda (coordena\u00e7\u00e3o), Pol\u00edticas P\u00fablicas de Qualidade         na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Bras\u00edlia: CONSED; UNICEF, 1996. BONAMIGO, R. I.H. Cidadania:         considera\u00e7\u00f5es e possibilidades. Porto Alegre: Dacasa, 2000. BORDIGNON, G.         &#8220;Paradigmas na Gest\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o: Algumas Reflex\u00f5es&#8221;. In: Cadernos         Linhas Cr\u00edticas, 1997. DAUSTER, T. &#8220;Navegando contra a corrente? O         educador, o antrop\u00f3logo e o relativismo&#8221;. In: BRAND\u00c3O, Zaia (organiza\u00e7\u00e3o),         A crise dos paradigmas e a educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Cotez. 1996. FREIRE, P.         Pedagogia da indigna\u00e7\u00e3o: cartas pedag\u00f3gicas e outros escritos. S\u00e3o Paulo:         Unesp, 2000. GADOTTI, M. Pedagogia da terra. Petr\u00f3polis: Vozes, 2000. MACHADO,         J. N. O brasileiro como cidad\u00e3o. In: Folha de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo, 30 nov.         1998. MARSHALL, T. H. Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro:         Zahar, 1967. RODRIGUEZ, M. A escola: primeiro espa\u00e7o de atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica         da crian\u00e7a. In: TORO, J.B., WERNECK, N. (eds.) Mobiliza\u00e7\u00e3o social: um modo         de construir a democracia e a participa\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia: UNICEF, no prelo.<\/p>\n<p>Fonte: www.faac.unesp.br\/citizenshipfoundation.org.uk\/www.pucpr.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidadania, Papel, Cidad\u00e3o, Estudo, O que \u00e9, Sociedade, Import\u00e2ncia, PCN, Escola, Debate, Tema, Educa\u00e7\u00e3o, Cidadania<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[346],"tags":[],"class_list":["post-77030","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-temas-transversais"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Cidadania, Papel, Cidad\u00e3o, Estudo, O que \u00e9 Cidadania<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Cidadania, Papel, Cidad\u00e3o, Estudo, O que \u00e9, Sociedade, Import\u00e2ncia, PCN, 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