{"id":76588,"date":"2016-08-11T12:10:42","date_gmt":"2016-08-11T12:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=76588"},"modified":"2016-08-11T14:15:10","modified_gmt":"2016-08-11T14:15:10","slug":"folclore-uirapuru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/artes-e-cultura\/folclore\/folclore-uirapuru","title":{"rendered":"Folclore &#8211; Uirapuru"},"content":{"rendered":"<p>Arcada espessa de vegeta\u00e7\u00e3o encobria o igarap\u00e9. A canoa      passava exatamente sob esse t\u00fanel formado pela natureza, quando algu\u00e9m      levou o indicador aos l\u00e1bios e sussurrou:<br \/>\n     &#8211; Psiu!<br \/>\n     &#8211; Que \u00e9? \u2013 perguntou o mo\u00e7o cuja voz fora interceptada.<br \/>\n     \u2013 Psiu! \u2013 insistiram.<\/p>\n<p>De repente, em meio ao estridular e \u00e0 vozearia do passaredo, ouviu-se      como que uma escala de cinco sons l\u00edmpidos, ternos, macios, agrad\u00e1veis.      Logo ap\u00f3s a seq\u00fc\u00eancia de outras notas, vibrantes, que feriam      o ar e penetravam at\u00e9 o \u00edntimo dos seres. Nesse interim, o sil\u00eancio      emudecera tudo: calou-se o sabi\u00e1, tacitou o ara\u00e7ari, quietou-se      a aratinga.<\/p>\n<p>Afinal, com suavidade e harmonia surpreendente, variou o motivo e, em quente      modula\u00e7\u00e3o, recheou de trinados e chilreios a sonata, quer alongando      as notas plangentes e as harmonias agonizantes, quer elevando-se aos movimentos      r\u00e1pidos e gorjeios vigorosos. Ali se ouviam vozes brancas, timbres      de c\u00edmbalo e clavecino, sibilos de flautim e flajol\u00e9, do\u00e7uras      de ocarina, e o ressoar de mil tintin\u00e1bulos.<\/p>\n<p>Enquanto a embarca\u00e7\u00e3o corria \u00e0 flor das \u00e1guas,      os viajantes varriam com os olhos o verde sobrec\u00e9u que os encobria.<br \/>\n     \u2013 Todos os p\u00e1ssaros silenciaram\u2026<br \/>\n     &#8211; \u00c9 isso que acontece quando ele canta. Re\u00fanem-se em volta dele      e escutam.<br \/>\n     \u2013 Onde estaria?<br \/>\n     Deliciavam-se todos com a magia daqueles sons, daquelas harmonias.<br \/>\n     \u2013 Que animal \u00e9 esse? \u2013 inquiriu algu\u00e9m.<br \/>\n     \u2013 O uirapuru! \u2013 respondeu outra voz.<br \/>\n     \u2013 Flechado, se ele cair de peito para cima, serve ao homem como protetor      nos neg\u00f3cios e assuntos amorosos\u2026 Caso contr\u00e1rio, s\u00f3      serve \u00e0 mulher\u2026<br \/>\n     &#8211; S\u00f3 com flecha que se ca\u00e7a?<br \/>\n     &#8211; Certo. N\u00e3o pode ser ferido de outra maneira.<br \/>\n     As conversas descambaram, ent\u00e3o, para casos narrados sobre o poder      da avezinha. E depois:<br \/>\n     &#8211; Ah! Se eu tivesse um desses bichinhos!<br \/>\n     &#8211; Quem carrega o uirapuru no pesco\u00e7o ou no bolso \u00e9 um afortunado\u2026<br \/>\n     &#8211; \u00c9, carece, enquanto o paj\u00e9 tratar pela curuaruicica e pelo      carajuru. Conforme o rito secreto e especial, o uirapuru se destina a proteger      as pessoas em determinada coisa: assim, h\u00e1 uirapuru para o jogo, para      o amor, para a ca\u00e7a, para neg\u00f3cios, para viagens e para a pesca.<br \/>\n     \u2013 Depois de preparado, alguns t\u00eam cheiro adocicado e ficam irreconhec\u00edveis.      Existe muito uirapuru falsificado por a\u00ed.<br \/>\n     &#8211; Se eu possu\u00edsse um urirapuru, guardava num cofre\u2026<br \/>\n     &#8211; Muitos t\u00eam medo\u2026<br \/>\n     A palestra seguia, por\u00e9m, novo sil\u00eancio foi imposto a todos.      O uirapuru retomava o canto e, agora, bem em cima da canoa, que parecia paralizar      a marcha. S\u00fabito, estacou a sonata. Ouviu-se, sim, um forte silvo de      flecha lan\u00e7ada de arco certeiro. Num instante, no meio do barco, inerte,      jazia ca\u00eddo l\u00e1 da altura verdejante, o mago cantor do bosque.      Fora o barqueiro que o fizera todos se voltaram contra o autor da fa\u00e7anha\u2026<br \/>\n     &#8211; Um crime matar um p\u00e1ssaro como esse!<br \/>\n     Mas, logo se lembraram de sua for\u00e7a sobrenatural, e calaram-se. Naquela      luta entre humanidade e supersti\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m, entretanto,      tivera o cuidado de verificar de que modo ele havia tombado ao fundo do barco.      Tomou-o o mo\u00e7o e guardou-o no sambur\u00e1.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a, que a tudo assistira, n\u00e3o partilhara da revolta contra      o barqueiro; pelo contr\u00e1rio, aproximou-se dele, em seguida. A sua est\u00f3ria      era semelhante. Ela amava esse mo\u00e7o, mas este se apaixonara por outra,      que, ali\u00e1s, n\u00e3o o queria.<br \/>\n     \u2013 Cinco vint\u00e9ns pela ca\u00e7a? \u2013 disse a jovem apaixonada.<br \/>\n     \u2013 Nem todo o dinheiro do mundo! \u2013 exclamou o canoeiro.<br \/>\n     \u2013 Pois bem, tu bem sabes que eu o quero: hei de trabalhar de sol a sol,      ganhar muito dinheiro, e comprar um uirapuru. Depois, h\u00e1s de sofrer      na alma a paix\u00e3o incompreendida\u2026<\/p>\n<p>Por isso, se voc\u00ea ama e n\u00e3o \u00e9 correspondido, ou se n\u00e3o      v\u00e3o bem os neg\u00f3cios, trate de possuir logo um uirapuru, que      ele d\u00e1 sorte e traz a felicidade no amor.<br \/>\n     Como descobri-lo? \u00c9 f\u00e1cil: quando o uirapuru come\u00e7a a      cantar, o passaredo, estatelado e silente, se p\u00f5e \u00e0 roda a escutar\u2026<br \/>\n     E Tup\u00e3, o grande deus, se quer sil\u00eancio na mata, ordena que o      m\u00e1gico p\u00e1ssaro desate a melodiosa voz\u2026.<\/p>\n<p>Fonte: ifolclore.vilabol.uol.com.br<\/p>\n<h6>Uirapuru<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<p> Um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Como n\u00e3o      poderia se aproximar dela, pediu \u00e0 Tup\u00e3 que o transformasse      em um p\u00e1ssaro. Tup\u00e3 transformou-o em um p\u00e1ssaro vermelho      telha, que \u00e0 noite cantava para sua amada. Por\u00e9m foi o cacique      que notou seu canto. Ficou t\u00e3o fascinado que perseguiu o p\u00e1ssaro      para prend\u00ea-lo. O Uirapuru v\u00f4ou para a floresta e o cacique se      perdeu. \u00c0 noite, o Uirapuru voltou e cantou para sua amada. Canta sempre,      esperando que um dia ela descubra o seu canto e o seu encanto. \u00c9 por      isso que o Uirapuru \u00e9 considerado um amuleto destinado a proporcionar      felicidade nos neg\u00f3cios e no amor.<\/p>\n<p> Dizem que no Sul do Brasil, havia uma tribo de \u00edndios, cujo cacique      era amado por duas mo\u00e7as muito bonitas. N\u00e3o sabendo qual escolher,      o jovem cacique prometeu casar-se com aquela que tivesse melhor pontaria.      Aceita a prova as duas \u00edndias atiraram as flechas, mas s\u00f3 uma      acertou o alvo. Essa casou-se com o chefe da tribo. A outra, chamada Oribici,      chorou tanto que suas l\u00e1grimas formaram uma fonte e um c\u00f3rrego.      Pediu ela a Tup\u00e3 que a transformasse num passarinho para poder visitar      o cacique sem ser reconhecida. Tup\u00e3 fez a sua vontade. Mas verificando      que o cacique amava a sua esposa, Oribici resolveu abandonar aqueles lugares.      E voou para o Norte do Brasil, indo parar nas matas da Amaz\u00f4nia. Para      consol\u00e1-la, Tup\u00e3 deu-lhe um canto melodioso. Assim canta para      esquecer as suas m\u00e1goas, e os outros p\u00e1ssaros quando encontram      o uirapuru, ficam calados para ouvir as suas notas maravilhosas. Por causa      de seu canto belo, chamam de professor de canto dos p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p> Um p\u00e1ssaro de plumas vermelhas e canto perfeito foi atingido por      uma flecha de uma donzela apaixonada e se transformou num forte e belo guerreiro.      Muito enciumado, um feio e aleijado feiticeiro tocou uma linda m\u00fasica      em sua flauta encantada e fez com que o jovem desaparecesse. Desde ent\u00e3o,      s\u00f3 restou a bela voz do guerreiro na mata. \u00c9 muito dif\u00edcil      conseguir ver o uirapuru, mas com freq\u00fc\u00eancia seu canto perfeito      \u00e9 ouvido. Essa lenda inspirou o poema sinf\u00f4nico &#8220;Uirapuru&#8221;      de Villa-Lobos (1917), baseado em material do folclore coletado em viagens      pelo interior do Brasil.<\/p>\n<p> Reis e rainhas cobi\u00e7am uma pena ou um peda\u00e7o do ninho do uirapuru,      tidos como precioso talism\u00e3. O homem que tiver uma pena, diz a lenda,      ser\u00e1 irresist\u00edvel \u00e0s mulheres e ter\u00e1 sorte nos      neg\u00f3cios. A mulher que conseguir um peda\u00e7o do ninho ter\u00e1      o amado fiel e apaixonado por toda a vida. O felizardo que ouvir o canto deve      fazer um pedido e este ser\u00e1 prontamente realizado.<\/p>\n<p> Em Manaus e em algumas regi\u00f5es do Norte do Brasil, a popula\u00e7\u00e3o      acredita que ter um uirapuru empalhado na gaveta traz sorte na vida e no amor.      Enterrado na soleira da porta de um bar, atrai fregueses. Quem ouvir o canto      e fizer um pedido, o ver\u00e1 realizado.<\/p>\n<p>Fonte: pt.fantasia.wikia.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uirapuru, Regi\u00e3o Norte, Lendas, Mitos,Folclore, Animal, Ave, Cren\u00e7as, Hist\u00f3ria, Uirapuru<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[344],"tags":[],"class_list":["post-76588","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-folclore"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Folclore - Uirapuru, Regi\u00e3o Norte, Lendas e Mitos Folclore - Uirapuru<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Folclore - Uirapuru, Regi\u00e3o Norte, Lendas, Mitos, Animal, Ave, Cren\u00e7as, Hist\u00f3ria, Folclore - Uirapuru\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Folclore - Uirapuru, Regi\u00e3o Norte, Lendas e Mitos Folclore - Uirapuru\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Folclore - Uirapuru, Regi\u00e3o Norte, Lendas, Mitos, Animal, Ave, Cren\u00e7as, Hist\u00f3ria, Folclore - Uirapuru\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/artes-e-cultura\/folclore\/folclore-uirapuru\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Portal-S%c3%a3o-Francisco-230719150302226\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2016-08-11T12:10:42+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2016-08-11T14:15:10+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"6 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/artes-e-cultura\\\/folclore\\\/folclore-uirapuru#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/artes-e-cultura\\\/folclore\\\/folclore-uirapuru\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisconovo\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/a2983caad62d5e66c056b66748c8d859\"},\"headline\":\"Folclore &#8211; 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