{"id":76541,"date":"2016-08-11T12:10:35","date_gmt":"2016-08-11T12:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=76541"},"modified":"2016-08-11T14:20:19","modified_gmt":"2016-08-11T14:20:19","slug":"lenda-da-cobra-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/artes-e-cultura\/folclore\/lenda-da-cobra-grande","title":{"rendered":"A Lenda da Cobra Grande"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA serpente est\u00e1 dentro do Homem, \u00e9 o intestino. Ela      tenta, trai e pune.\u201d Vitor Hugo <\/p>\n<p>Um dos mitos do Amazonas, que aparece sob diferentes fei\u00e7\u00f5es.      Ora como uma cobra preta, ora como uma cobra grande, de olhos luminosos como      dois far\u00f3is. Os caboclos anunciam sua presen\u00e7a nos rios, lagos,      igarap\u00e9s e igap\u00f3s com a mesma insist\u00eancia que os marinheiros      e pescadores da Europa acreditam no monstro de Loch-Ness. <\/p>\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, mais floreada e portentosa, criou      para o nosso mito propriedades fant\u00e1sticas: a boi\u00fana pode metamorfosear-se      em embarca\u00e7\u00e3o de vapor ou vela e ir da forma de of\u00eddio      \u00e0 navio, para mais trair e desorientar as suas v\u00edtimas. Esta      cobra, possui diferentes formas encantat\u00f3rias, conformes dados colhidos      entre a popula\u00e7\u00e3o ribeirinha. Acreditam at\u00e9, que alguns      igarap\u00e9s foram formados pela sua passagem que abre grandes sulcos nas      restingas, igap\u00f3s e em terra firme. <\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, ela toma diversos nomes: Boi\u00fana, Cobra Grande,      Cobra Norato, M\u00e3e D \u00c1gua, entre outros, mas independentemente      de seu nome, ela \u00e9 a Rainha dos rios Amaz\u00f4nicos e suas lendas      podem ter surgido em virtude do medo que provoca a serpente d \u00e1gua,      que devora o gado que mata a sede na beira dos rios.<\/p>\n<p>A Cobra-Grande ou a Boiuna, sobe os rios, entra nos igarap\u00e9s, devassa      os lagos, onde cantam a sua \u00e1rea de beijos os nen\u00fafares opalizados      pela luz do luar, transformada em majestoso, todo iluminado e fascinante,      que atrai o caboclo extasiado pela sua irradiosa apari\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diz a lenda, que Waldemar Henrique, em verso e m\u00fasica traduziu, que      uma vez por ano a Boi\u00fana sa\u00eda de seus dom\u00ednios para escolher      uma noiva entre as cunh\u00e3s da Amaz\u00f4nia. E, diante daquele enorme      vulto prateado de luar que atravessava vertiginosamente o grande rio, os paj\u00e9s      rezavam, as redes tremiam, os curumins escondiam-se chorando, enquanto um      imenso del\u00edrio de horror rebentava na mata iluminada&#8230;<\/p>\n<p> &#8220;Credo! Cruz!<\/p>\n<p>L\u00e1 vem a Cobra Grande<\/p>\n<p>L\u00e1 vem Boiuna de prata&#8230;<\/p>\n<p>A danada vem \u00e0 beira do rio<\/p>\n<p>E o vento grita alto no meio da mata!<\/p>\n<p>Credo! Cruz!<\/p>\n<\/p>\n<p>Cunhat\u00e3 ter esconde<\/p>\n<p>L\u00e1 vem a Cobra Grande<\/p>\n<p>\u00e1-\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>faz depressa uma ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>pr\u00e1 ela n\u00e3o te levar<\/p>\n<p>\u00e1-\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>A floresta tremeu quando ela saiu,<\/p>\n<p>Quem estava l\u00e1 perto, de medo fugiu<\/p>\n<p>e a Boiuna passou t\u00e3o depressa,<\/p>\n<p>Que somente um clar\u00e3o foi que se viu&#8230;<\/p>\n<p>A noiva cunhat\u00e3 est\u00e1 dormindo medrosa,<\/p>\n<p>Agarrada no punho da rede,<\/p>\n<p>E o luar faz mortalha em cima dela,<\/p>\n<p>Pela fresta quebrada da janela..<\/p>\n<p>Eh! Cobra-Grande<\/p>\n<p>L\u00e1 vai ela!&#8230;&#8221; <\/p>\n<p>Em mitos e cren\u00e7as antigas, era muito comum a afirma\u00e7\u00e3o      de que as cobras buscavam as mulheres para engravid\u00e1-las e acreditava-se      tamb\u00e9m, que a partir da primeira menstrua\u00e7\u00e3o, as jovens      \u00edndias virgens estavam particularmente sujeitas a atra\u00edrem &#8220;o      amor de uma serpente&#8221;, por este motivo, elas evitavam de irem ao mato      ou a beira de um rio, quando menstruadas.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/lenda-da-cobra-grande.jpg\" alt=\"Lenda da Cobra Grande\" width=\"250\" height=\"188\" border=\"0\" title=\"A Lenda da Cobra Grande\" \/><\/p>\n<p>A Cobra Grande ou Boiuna \u00e9 vista \u00e0 noite, iluminando os remansos      dos rios com a fosforesc\u00eancia dos seus olhos constantes. Transforma-se,      muitas vezes, em um veleiro, que apresenta uma luz da vermelha \u00e0 bombordo      e outra verde \u00e0 boreste. que confunde os incautos e desce silenciosamente      a torrente dos igarap\u00e9s. A\u00ed daquele que se aproximar desta forma      enganosa, pois estar\u00e1 sujeito a ser arrebatado \u00e0s profundezas      do rio, para nunca mais retornar.<\/p>\n<p>Raul Bopp, autor de &#8220;Cobra Norato&#8221;, para quem a literatura do nosso      pa\u00eds nunca teve mist\u00e9rios, em seu poema modernista, fala-nos      da Cobra Grande: <\/p>\n<p>&#8220;Axi Cumpadre<\/p>\n<p>Arrepare uma coisa;<\/p>\n<p>L\u00e1 vem um navio<\/p>\n<p>Vem-que-vindo depressa todo aluminado<\/p>\n<p>Parece feito de prata&#8230;<\/p>\n<p>Aquilo n\u00e3o \u00e9 navio Cumpadre<\/p>\n<p>Mas os mastros&#8230;e as luises&#8230;e o casco doirado?<\/p>\n<p>Aquilo \u00e9 a Cobra Grande: Conhe\u00e7o pelo cheiro.<\/p>\n<p>Mas as velas de pano branco embojadas ao vento?<\/p>\n<p>S\u00e3o mortalhas de defuntos que eu carreguei: Conhe\u00e7o pelo cheiro.<\/p>\n<p>E aquela bujarrona bordada?<\/p>\n<p>S\u00e3o camisas de noivas da Cobra-Grande: Conhe\u00e7o pelo cheiro.<\/p>\n<p>Eh! Cumpadre<\/p>\n<p>A visage vai se sumindo pras bandas de Macap\u00e1.<\/p>\n<p>Neste sil\u00eancio de \u00e1guas assustadas<\/p>\n<p>Parece que ainda oi\u00e7o um &#8220;a\u00ed a\u00ed&#8221; se quebrando      no fundo.<\/p>\n<p>Quem ser\u00e1 desta vez a mo\u00e7a noiva que vai l\u00e1 dentro solu\u00e7ando<\/p>\n<p>Encerrada naquele bojo de prata?&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Let\u00edcia Falc\u00e3o, &#8220;nos rios Solim\u00f5es e Negro,      a Cobra Grande nasceu do cruzamento de uma mulher com uma assombra\u00e7\u00e3o      (visagem), ou de um ovo de mutum; no Acre, a entidade m\u00edtica transforma-se      numa linda mo\u00e7a, que aparece nas festas de S\u00e3o Jo\u00e3o para      seduzir os rapazes desavisados. Outra lenda diz que uma linda \u00edndia      cunh\u00e3mporanga, princesa da tribo, ao apaixonar-se pelo Rio Branco (Roraima),      foi transformada numa imensa cobra chamada Boi\u00fana, pelo enciumado Muiraquit\u00e3.&#8221;      Mas tamb\u00e9m, segundo esta autora, h\u00e1 uma vers\u00e3o em que      transforma a Cobra Grande como uma &#8220;benfeitora na navega\u00e7\u00e3o&#8221;,      cujos olhos iluminados como dois far\u00f3is, auxiliam os navegadores em      noites escuras e em meio \u00e0 tempestades.<\/p>\n<h2>A LENDA DA COBRA NORATO<\/h2>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/lenda-da-cobra-grande-2.jpg\" alt=\"Lenda da Cobra Grande\" width=\"257\" height=\"417\" border=\"0\" title=\"A Lenda da Cobra Grande\" \/><\/p>\n<p>Em uma tribo ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia, uma \u00edndia fica gr\u00e1vida      de uma Boiuna (do Tupi Mboi, cobra, e Una, prata). Seus filhos eram g\u00eameos      e vieram ao mundo na forma de duas serpentes negras. A tapuia ent\u00e3o      batizou-os com os nomes de Honorato e Maria.<\/p>\n<p>Os g\u00eameos, embora gerados no mesmo ventre, ao serem jogados no rio      e mesmo desenvolvendo-se em condi\u00e7\u00f5es semelhantes, acabam desenvolvendo      modos diferentes de conduta. Honorato era Bom, mas sua irm\u00e3 era muito      perversa. Ela alagava embarca\u00e7\u00f5es, matava n\u00e1ufragos,      atacava os pescadores e feria os peixes pequenos, tais maldosos feitos, levou      Honorato \u00e0 mat\u00e1-la. Deste modo, o bem supera o mal e Honorato      torna-se um her\u00f3i.<\/p>\n<p>Honorato, em algumas noites de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma      humana transformando-se em um lindo rapaz, que deixava as \u00e1guas e levava      uma vida normal na terra. Para que se quebrasse este encanto de Honorato,      era preciso que algu\u00e9m de muita coragem derramasse leite de mulher      na boca da enorme cobra, e fizesse um ferimento com a\u00e7o virgem na sua      cabe\u00e7a at\u00e9 sair sangue. Ningu\u00e9m tinha tamanha coragem      para enfrentar este enorme monstro. At\u00e9 que um dia um soldado de Camet\u00e1      (munic\u00edpio do Par\u00e1), conseguiu libertar Honorato desta maldi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Honorato, cobra e rapaz, nada mais \u00e9 do que a extens\u00e3o de n\u00f3s      mesmos, em nossa condi\u00e7\u00e3o de animais-transcendentais, pois por      tr\u00e1s de cada monstro, sempre h\u00e1 um her\u00f3i.<\/p>\n<p>Nesta lenda que relata a metamorfose de Honorato, visualizamos a met\u00e1fora      que retrata a vida cotidiana de um povo ribeirinho, que como homem-cobra,      oscila vivendo em meio a uma terra \u00famida ou engolido pelas cheias e      correntezas do rio. Terra e \u00c1gua, est\u00e3o na alma, nas lendas,      nos mitos e na f\u00e9 deste homem. Ser um pouco cobra e um pouco homem,      s\u00e3o s\u00edmbolos de uma mesma vida&#8230; <\/p>\n<p> Certo mesmo, \u00e9 que a Boi\u00fana ou Cobra Grande, M\u00e3e de      todas as \u00e1guas da bacia amaz\u00f4nica, soberana dos lagos e igarap\u00e9s,      das enseadas, dos furos e dos paran\u00e1s, das vertentes e desaguadouros,      nada e vigia de um extremo ao outro.<\/p>\n<p>Quando se ouve um ronco long\u00ednquo, arrepia-se at\u00e9 o \u00faltimo      fio de cabelo, pois seu uivo horripilante tem o poder de paralisar homens      e animais. Boi\u00fana entretanto, segue em sua peregrina\u00e7\u00e3o      fat\u00eddica, matando e devorando os animais, alagando as pequenas embarca\u00e7\u00f5es      e sorvendo vampiricamente a vida dos velhos.<\/p>\n<p>Raymundo Moraes elucida que, nem sempre aparece como um desmedido of\u00eddio:<\/p>\n<p>&#8220;Nos quartos minguantes, quando a lua recorda um batel de prata, logo      depois das doze badaladas, a boi\u00fana reponta nos moldes bizarros de      uma galera encantada, guinda alta, velas pandas, singrando e cruzando as ba\u00edas.      O pano desse navio macabro \u00e9 feito de mil despojos f\u00fanebres.      A giba, a vela de proa, a vela grande, a bujarrona, o velacho, o traquete,      a g\u00e1vea, o joanete, a rebeca s\u00e3o camisas, v\u00e9us, len\u00e7\u00f3is,      mortalhas sambenitos remendados, costurados, cerzidos, sinistro sud\u00e1rio      de milh\u00f5es de covas; os mastros, as vergas, as caranguejas s\u00e3o      t\u00edbias, f\u00eamures, costelas de esqueletos fugidos das campas; as      borlas dos topes s\u00e3o caveiras amarelada de pecadores impenitentes;      os estais, as enx\u00e1rcias, as adri\u00e7as, os brandais s\u00e3o      cabelos de defuntos roubados por Satan\u00e1s.<\/p>\n<p>E sobre tudo isto uma linha azulada de fogo, santelmo ou f\u00e1tuo, que      recorda, ao palor morti\u00e7o de chamas fun\u00e9reas, a \u00e1rvore      da embarca\u00e7\u00e3o levantada para a fuligem escura do c\u00e9u.      Veleira, deitada na bolina sobre uma das amuras, querena ao l\u00e9u, ningu\u00e9m      a pega. Sempre das investidas arriscadas, a galera-fantasma colhe as asas      de grande ave bravia, or\u00e7a, muda de rumo e, voando com a rapidez da      h\u00e1rpia, deixa na esteira alva a espuma lampejante de enxofre luciferiano.      \u00c9 uma vis\u00e3o provinda com certeza do seio \u00edgneo de Plut\u00e3o.      Quem a v\u00ea fica cego, quem a ouve fica surdo, quem a segue fica louco.&#8221;<\/p>\n<h2>A Lenda da Cobra Grande DE S\u00c3O MIGUEL -RS<\/h2>\n<p>Esta \u00e9 uma lenda sobre a Cobra Grande contada no Rio Grande do Sul,      pois para os menos avisados, entre os mais diversos povos do mundo, podemos      encontrar lendas e mitos que envolvem diversas esp\u00e9cies de of\u00eddios.      Eis mais uma entre elas:<\/p>\n<p>Quando foi erguida em pedra a imponente catedral de S\u00e3o Miguel Arcanjo,      o mais belo dos Sete Povos das MIss\u00f5es, s\u00f3 se construiu uma      das torres, o campan\u00e1rio onde balan\u00e7ava um sino fundido em S\u00e3o      Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>O sino regulava a vida da aldeia. Todos os compromissos eram marcados pelas      badaladas, desde seis horas da manh\u00e3. Mas o sino tocava tamb\u00e9m,      repicava festivo, em momentos especiais de alegria, dobrava a finados, se      morria algu\u00e9m e tocava a rebate, nas ocasi\u00f5es de perigo. Nestas      ocasi\u00f5es, as mulheres de S\u00e3o Miguel tinham ordem de pegar as      crian\u00e7as e se reunirem todas dentro da igreja, que era um local de      pedra, mas capacitado a qualquer resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Aconteceu por\u00e9m, que a Cobra Grande, veio morar na torre de S\u00e3o      Miguel, escondendo-se nos desv\u00e3os, galerias e t\u00faneis que existiam.      Quando o sino tocava a rebate e a igreja se enchia de m\u00e3es e filhos,      ela simplesmente engolia uma crian\u00e7a mais afastada do grupo, enla\u00e7ando      a v\u00edtima com seus an\u00e9is e a comia calmamente nos escuros de      sua morada. E, mesmo quando n\u00e3o havia rebate, ela mesma la\u00e7ava      o sino com a cola e tocava a vontade, at\u00e9 reunir as mulheres e as crian\u00e7as      \u00e0 sua total disposi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Mas tendo o &#8220;olho maior que a barriga&#8221;, que de tanto comer crian\u00e7as      \u00edndias, engordou muito e um dia arrebentou, atirando gordura para tudo      quando foi lado. E foi toda esta gordura que pintou de escura e tornou mal-cheirosa      todas as paredes da galeria da torre de S\u00e3o Miguel&#8230;<\/p>\n<p>Esta lenda foi contada pela primeira vez por Luiz Carlos Barbosa Lessa em      seu livro &#8220;O Boi das Aspas de Ouro&#8221;.<\/p>\n<p>Todas as serpentes tanto de mar como de \u00e1gua doce, representam as      correntes tel\u00faricas nefastas \u00e0 vida, que s\u00e3o tem\u00edveis      em suas c\u00f3leras, que provocam o furor dos oceanos e o desencadeamento      da tempestade. <\/p>\n<p>A serpente \u00e9 feita a imagem das divindades dos oceanos, um ser arcaico      e fundamentalmente inumano. Na cosmog\u00eanese grega, segundo a Teogonia      de Hes\u00edodo, ela \u00e9 o pr\u00f3prio &#8220;Oceano&#8221;, assim      como tamb\u00e9m, representa o esp\u00edrito de todas as \u00e1guas.      Muitos rios da Gr\u00e9cia e da \u00c1sia Menos t\u00eam o nome de Ophis      (serpente). Na mitologia grega, Aquel\u00f4o (o maior rio da Antiga Gr\u00e9cia),      certa vez se metamorfoseou em serpente para enfrentar H\u00e9rcules. E quem      j\u00e1 n\u00e3o ouviu dizer que um rio se serpenteia?<\/p>\n<h2>BOI\u00daNA, A DEUSA LUNAR <\/h2>\n<p>As cobras e serpentes sempre foram associadas \u00e0 lua. A serpente possui      o poder da auto-renova\u00e7\u00e3o, por causa da sua habilidade de trocar      a pele. A lua, tamb\u00e9m se renova a cada vinte oito dias, depois de sua      morte aparente (lua escura). Esse car\u00e1ter renovador tanto da lua quanto      da serpente, deu origem \u00e0s cren\u00e7as de imortalidade tanto de      uma quanto de outra.<\/p>\n<p>Mas a serpente \u00e9 associada ainda a lua por uma outra raz\u00e3o:      viver em fendas e buracos escuros da terra. Viver em uma regi\u00e3o subterr\u00e2nea      \u00e9 estar em contato com o submundo e com restos mortais. Aqui est\u00e1      a raz\u00e3o pela qual galera-fantasma da Cobra Grande era constru\u00edda      com vestes e ossos de pessoas mortas.<\/p>\n<p>A fase escura da lua tamb\u00e9m tem tudo a ver com o submundo e suas for\u00e7as      ct\u00f4nicas e, nesse aspecto, muitas divindades podem aparecer na forma      de cobras. H\u00e9cate, enquanto Deusa da Lua Escura, tinha cobras em seus      cabelos e dizia-se que Isthar era coberta de escamas de cobra.<\/p>\n<p>Boi\u00fana ou Cobra Grande, como Deusa da Lua, desperta nossa consci\u00eancia      lunar. A consci\u00eancia lunar envolve padr\u00f5es arquet\u00edpicos      que s\u00e3o nossa heran\u00e7a humana como seres sensitivos e est\u00e1      enraizada na sensa\u00e7\u00e3o natural. Sua presen\u00e7a \u00e9      atestada sempre que tivermos pesadelos e sonhos ruins, ou quando estamos muito      ansiosos a respeito da pr\u00f3pria via e \u00e0 merc\u00ea de for\u00e7as      sinistras, escuras e irracionais. Seu movimento sempre \u00e9 &#8220;para      baixo&#8221;, rumo ao subterr\u00e2neo, visando a \u00e9tica da auto-aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 a consci\u00eancia lunar que faz o elo m\u00e3e-beb\u00ea, unindo-os      incondicionalmente, emocionalmente, primitivamente e absolutamente. \u00c9      a lei da natureza que preserva a vida e defende nossos sentimentos mais \u00edntimos      de vincula\u00e7\u00e3o afetiva. Basicamente, a consci\u00eancia lunar      defende a lei e a norma da natureza e lembra a todos do v\u00ednculo afetivo      de apego e de uma correta postura nesses relacionamentos. Ao sairmos da linha,      fatalmente trope\u00e7aremos em sonhos horr\u00edveis ou instalam-nos      medos irracionais de fracassos e at\u00e9 pode aparecer um tique nervoso      delator.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia lunar \u00e9 dizer &#8220;n\u00e3o&#8221;      ao nosso ego, se esse se afastar dos v\u00ednculos com a terra ou de nossa      linhagem antepassada. <\/p>\n<p>\u00c9 a consci\u00eancia lunar que fala em nosso \u00edntimo quando      nossa conduta de torna transgressora, pois ela extrai o fator moral de instintos      de teor material. A natureza conversa atrav\u00e9s do aspecto lunar da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia lunar \u00e9 o lado escuro da lua e as puni\u00e7\u00f5es      de uma consci\u00eancia pesada.<\/p>\n<p>As LENDAS da Cobra Grande ou Boiuna nos fazem lembrar a luta entre a vida      e a morte, insepar\u00e1veis uma da outra&#8230;<\/p>\n<p>O mito da serpente, simboliza a vida que corre como um rio, espalhando a      exuber\u00e2ncia e a abund\u00e2ncia da M\u00e3e-Terra, gr\u00e1vida      de energia c\u00f3smica, pulsando incessantemente, alimentando-se da morte      para gerar mais vida&#8230;<\/p>\n<p>Fonte: www.rosanevolpatto.trd.br<\/p>\n<h6>A Lenda da Cobra Grande<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<h2> Cobra Grande ou Boi\u00fana <\/h2>\n<p>A lenda da cobra Honorato ou Norato \u00e9 uma das mais conhecidas sobre      cobra grande (ou boi\u00fana) na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Conta-se      que uma \u00edndia engravidou da Boi\u00fana e teve duas crian\u00e7as:      uma menina que se chamou de Maria e um menino chamado de Honorato. Para que      ningu\u00e9m soubesse da gravidez, a m\u00e3e tentou matar os rec\u00e9m-nascidos      jogando-os no rio. Mas eles n\u00e3o morreram e nas \u00e1guas foram se      criando como cobras. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, desde a inf\u00e2ncia os dois irm\u00e3os j\u00e1 demonstravam      a grande diferen\u00e7a de comportamento entre eles. Maria era m\u00e1,      fazia de tudo para prejudicar os pescadores e ribeirinhos. Afundava barcos      e fazia com que seus tripulantes morressem afogados. Enquanto seu irm\u00e3o,      Honorato, era meigo e bondoso. Quando sabia que Maria ir atacar algum barco,      tentava salvar a tripula\u00e7\u00e3o. Isso s\u00f3 fazia com que ela      o odiasse mais ainda. At\u00e9 que um dia os irm\u00e3os travaram uma      briga decisiva onde Maria morreu tendo antes cegado o irm\u00e3o.<\/p>\n<p> Assim, as \u00e1guas da Amaz\u00f4nia e seus habitantes ficaram livres      da maldade de Maria. E Honorato seguiu seu caminho solit\u00e1rio. Sem ter      quem combater, Honorato entendeu que seu fado j\u00e1 havia sido cumprido      at\u00e9 demais e resolveu pedir para ser transformado em humano novamente.      Para isso, precisava que algu\u00e9m tivesse a coragem de derramar &#8220;leite      de peito&#8221; (leite de alguma parturiente) em sua enorme boca em uma noite      de luar. Depois de jogar o leite a pessoa teria que provocar um sangramento      na enorme cabe\u00e7a de Honorato para que a transforma\u00e7\u00e3o      tivesse fim. <\/p>\n<p>Foram muitas as tentativas, mas ningu\u00e9m conseguia ter tanta coragem.      At\u00e9 que um soldado de Camet\u00e1, munic\u00edpio do interior do      Par\u00e1, conseguiu reunir coragem para fazer a simpatia. Foi ele quem      deu a Honorato a oportunidade de se ver livre para sempre daquela cruel maldi\u00e7\u00e3o      de viver sozinho como cobra. Em agradecimento, Honorato virou soldado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Mas A Lenda da Cobra Grande originou v\u00e1rias outras hist\u00f3rias.      Uma delas, do estado de Roraima, tem como cen\u00e1rio o famoso rio Branco.      Conta-se que a cunh\u00e3 poranga (\u00edndia mais bela da tribo) apaixonou-se      pelo rio Branco e, por isso, Muiraquit\u00e3 ficou com ci\u00fame. Para      se vingar, Muiraquit\u00e3 transformou a bela \u00edndia na imensa cobra      que todos passaram a chamar de Boi\u00fana. Como ela era tinha um bom cora\u00e7\u00e3o,      passou a ter a fun\u00e7\u00e3o de proteger as \u00e1guas de seu amado      rio Branco. <\/p>\n<p>Existem ainda algumas cren\u00e7as que buscam explicar a exist\u00eancia      de cobras grandes na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Acredita-se, por exemplo,      que quando uma mulher engravida de uma visagem a crian\u00e7a fruto desse      terr\u00edvel cruzamento est\u00e1 predestinada a ser uma cobra grande.      Essa cren\u00e7a \u00e9 bastante comum entre as popula\u00e7\u00f5es      que habitam as margens dos rios Solim\u00f5es e Negro, no Amazonas. H\u00e1      ainda quem acredite que a cobra grande pode nascer de um ovo de mutum. Existe      ainda outra vers\u00e3o, mais comum no estado do Acre, sobre uma cobra grande      que parece ser a vers\u00e3o feminina do boto. Segundo essa lenda, a cobra      grande se transforma numa bela morena nas noites de luar do m\u00eas de junho      para seduzir os homens durante os arraiais de festas juninas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os que contam que a cobra grande pode algumas vezes parecer      um navio para assustar os ribeirinhos. Refletindo o luar, suas enormes escamas      parecem l\u00e2mpadas de um navio todo iluminado. Mas quando o &#8220;navio&#8221;      chega mais perto \u00e9 poss\u00edvel ver que na verdade \u00e9 uma      cobra grande querendo dar o bote.<\/p>\n<p>Em Bel\u00e9m, h\u00e1 uma velha cren\u00e7a de que existe uma cobra      grande adormecida embaixo de parte da cidade, sendo que sua cabe\u00e7a      estaria sob o altar-mor da Bas\u00edlica de Nazar\u00e9 e o final da cauda      debaixo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Outros j\u00e1 dizem que a      tal cobra grande est\u00e1 com a cabe\u00e7a debaixo da Igreja da S\u00e9,      a Catedral Metropolitana de Bel\u00e9m, e sua cauda debaixo da Bas\u00edlica      de Nazar\u00e9. <\/p>\n<p>Os mais antigos dizem que se algum dia a cobra acordar ou mesmo tentar se      mexer, a cidade toda poder\u00e1 desabar. Por isso, em 1970 quando houve      um tremor de terra na capital paraense falava-se que era a tal cobra que havia      apenas se mexido. Os mais folcl\u00f3ricos iam mais longe: &#8220;imagine      se ela se acorda e tenta sair de l\u00e1!&#8221;.<\/p>\n<p>O folclorista Walcyr Monteiro conta, ap\u00f3s d\u00e9cadas de estudo      sobre manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas da Amaz\u00f4nia, que      em Barcarena (PA) existe o lugar conhecido como &#8220;Buraco da Cobra Grande&#8221;,      considerado atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica do local.<\/p>\n<p>Fonte: www.amazonia.com.br<\/p>\n<h6>A Lenda da Cobra Grande<\/h6>\n<p>\u00c9 um rapaz, Honorato, que se encanta numa serpente.<\/p>\n<p>Por vezes, solta a carapa\u00e7a, que o cobre, e mete-se em festa.<\/p>\n<p>De madrugada, por\u00e9m, volta ao supl\u00edcio.<\/p>\n<p>Aparece no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Fonte: ifolclore.vilabol.uol.com.br<\/p>\n<h6>A Lenda da Cobra Grande<\/h6>\n<p>\u00c9 uma das mais conhecidas lendas do folclore amaz\u00f4nico. Conta      a lenda que em numa tribo ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia, uma \u00edndia,      gr\u00e1vida da Boi\u00fana (Cobra-grande, Sucuri), deu \u00e0 luz a      duas crian\u00e7as g\u00eameas que na verdade eram Cobras. Um menino, que      recebeu o nome de Honorato ou Nonato, e uma menina, chamada de Maria. Para      ficar livre dos filhos, a m\u00e3e jogou as duas crian\u00e7as no rio.      L\u00e1 no rio eles, como Cobras, se criaram. Honorato era Bom, mas sua      irm\u00e3 era muito perversa. Prejudicava os outros animais e tamb\u00e9m      \u00e0s pessoas. <\/p>\n<p>Eram tantas as maldades praticadas por ela que Honorato acabou por mat\u00e1-la      para p\u00f4r fim \u00e0s suas perversidades. Honorato, em algumas noites      de luar, perdia o seu encanto e adquiria a forma humana transformando-se em      um belo rapaz, deixando as \u00e1guas para levar uma vida normal na terra.    <\/p>\n<p> Para que se quebrasse o encanto de Honorato era preciso que algu\u00e9m      tivesse muita coragem para derramar leite na boca da enorme cobra, e fazer      um ferimento na cabe\u00e7a at\u00e9 sair sangue. Ningu\u00e9m tinha      coragem de enfrentar o enorme monstro. <\/p>\n<p> At\u00e9 que um dia um soldado de Camet\u00e1 (munic\u00edpio do Par\u00e1)      conseguiu libertar Honorato da maldi\u00e7\u00e3o. Ele deixou de ser cobra      d&#8217;\u00e1gua para viver na terra com sua fam\u00edlia. <\/p>\n<p><b>Origem: <\/b>Mito da regi\u00e3o Norte do Brasil, Par\u00e1 e Amazonas.<\/p>\n<p>Fonte: www.arteducacao.pro.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lenda da Cobra Grande, Lendas e Mitos do Folclore, A Lenda da Cobra Grande<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[344],"tags":[],"class_list":["post-76541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-folclore"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A Lenda da Cobra Grande, Lendas e Mitos do Folclore A Lenda da Cobra Grande<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Lenda da Cobra Grande, Lendas e Mitos do 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