{"id":76432,"date":"2016-08-10T19:08:24","date_gmt":"2016-08-10T19:08:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=76432"},"modified":"2022-06-29T16:32:06","modified_gmt":"2022-06-29T18:32:06","slug":"saci-perere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/artes-e-cultura\/folclore\/saci-perere","title":{"rendered":"Saci-perer\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><strong>Saci-perer\u00ea &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza uma das lendas mais famosas do Brasil,\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>\u00a0\u00e9 um neg\u00e3o perneta de bon\u00e9 vermelho e cachimbo, est\u00e1 sempre pregando pe\u00e7as e pode virar um redemoinho, mas pode-se peg\u00e1-lo com uma peneira e uma garrafa.<\/p>\n<p>A lenda \u00e9 uma importa\u00e7\u00e3o portuguesa que se misturou com outra lenda dos \u00edndios Tupinamb\u00e1s, a de\u00a0<strong>Matinta Perera<\/strong>, que era uma ave de vida misteriosa, e \u00e9 dif\u00edcil determinar de onde vem o apito.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo o p\u00e1ssaro virou um menino preto, e nasceu o\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>.<\/p>\n<p>O Saci pode ter sido criado para explicar as forma\u00e7\u00f5es de pequenos redemoinhos que nossos ancestrais n\u00e3o conseguiam compreender.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea\u00a0<\/strong>\u00e9 um poderoso esp\u00edrito trapaceiro que tem prazer em causar problemas para aqueles infelizes o suficiente para cruzar seu caminho.<\/p>\n<p>A trapa\u00e7a de que o Saci \u00e9 capaz \u00e9 entorpecer as agulhas das costureiras, lan\u00e7ar v\u00e1rias maldi\u00e7\u00f5es a objetos e pessoas, perturbar a vida animal dentro da comunidade e fazer com que o leite azede e os ovos se tornem incapazes de quebrar.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>\u00a0\u00e9 conhecido por ser um metamorfo, e diz-se que assume a forma de uma Matinta Pereira, uma ra\u00e7a de p\u00e1ssaro que diz cantar can\u00e7\u00f5es melanc\u00f3licas.<\/p>\n<p>Seu chap\u00e9u \u00e9 um dispositivo m\u00e1gico, permitindo que o Saci desapare\u00e7a, reapare\u00e7a e se torne invis\u00edvel \u00e0 vontade (embora, seu chap\u00e9u, mesmo invis\u00edvel, pare\u00e7a permanecer vis\u00edvel).<\/p>\n<p>Diz-se tamb\u00e9m que carrega um odor desagrad\u00e1vel, e aqueles que o tocarem ou o pegar\u00e3o nunca ser\u00e3o capazes de remover o fedor de sua pessoa.<\/p>\n<p>A desvantagem \u00e9 que ele pode conceder um desejo para a pessoa ao pegar o chap\u00e9u.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 um esp\u00edrito muito f\u00e1cil de detectar, devido \u00e0 sua apar\u00eancia. O Saci \u00e9 descrito como um jovem de pele escura com um chap\u00e9u vermelho na cabe\u00e7a, um cachimbo na boca, buracos nas palmas das m\u00e3os e um \u00fanico e grande p\u00e9 no qual ele pula.<\/p>\n<p><strong>Saci-perer\u00ea &#8211; Origem<\/strong><\/p>\n<p>Alguns afirmam que o mito do Saci se originou na Europa do s\u00e9culo 13, mas \u00e9 mais prov\u00e1vel que seja do Yacy-yater\u00ea da mitologia tupi-guarani, uma crian\u00e7a m\u00e1gica de uma perna s\u00f3 com cabelos ruivos que enfeiti\u00e7ou as pessoas e quebrou o sil\u00eancio da floresta com seus altos gritos e assobios. No s\u00e9culo XVIII, escravos africanos eram trazidos em grande n\u00famero para o Brasil, e contavam hist\u00f3rias do Saci para divertir e assustar as crian\u00e7as. Ao longo de v\u00e1rias hist\u00f3rias contadas, muito provavelmente o cabelo ruivo dessa criatura se tornou um gorro vermelho, sua pele ficou preta e ele passou a estar sempre fumando seu cachimbo. Seu nome se transformou em v\u00e1rias formas, como Saci Taper\u00ea e S\u00e1 Pereira (um nome portugu\u00eas comum), e eventualmente\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m pode ter sido afetado pelo folclore crist\u00e3o do diabo, pois dizia-se que ele fugia das cruzes, deixando para tr\u00e1s um cheiro sulfuroso.<\/p>\n<p><strong>Saci-perer\u00ea &#8211; Lenda<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-163146 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p8-233x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p8-233x300.jpg 233w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p8.jpg 266w\" sizes=\"(max-width: 233px) 100vw, 233px\" \/><strong>Saci-perer\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>A lenda do\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>\u00a0data do fim do s\u00e9culo XVIII. Durante a escravid\u00e3o, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crian\u00e7as com os relatos das travessuras dele.<\/p>\n<p>Seu nome no Brasil \u00e9 de origem Tupi Guarani.<\/p>\n<p>Em muitas regi\u00f5es, o Saci \u00e9 considerado um ser brincalh\u00e3o enquanto que em outros lugares ele \u00e9 visto como um ser maligno.<\/p>\n<p>\u00c9 uma crian\u00e7a, um negrinho de uma perna s\u00f3 que fuma um cachimbo e usa na cabe\u00e7a uma carapu\u00e7a vermelha que lhe d\u00e1 poderes m\u00e1gicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser.<\/p>\n<p><strong>Existem tr\u00eas tipos de Sacis:\u00a0<\/strong>O Perer\u00ea, que \u00e9 pretinho, O Trique, moreno e brincalh\u00e3o e o Sa\u00e7ur\u00e1, que tem olhos vermelhos. Ele tamb\u00e9m se transforma numa ave chamada Matiaper\u00ea, cujo assobio melanc\u00f3lico dificilmente se sabe de onde vem.<\/p>\n<p>Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tran\u00e7as nas crinas dos cavalos, etc.<\/p>\n<p>Diz a cren\u00e7a popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele n\u00e3o atravessa c\u00f3rregos nem riachos. Algu\u00e9m perseguido por ele deve jogar cordas com n\u00f3s em seu caminho, porque ele vai parar para desatar os n\u00f3s, deixando a pessoa fugir. Diz a lenda que, se algu\u00e9m jogar dentro do redemoinho um ros\u00e1rio de mato bento ou uma peneira pode captur\u00e1-lo, e se conseguir sua carapu\u00e7a, ser\u00e1 recompensado com a realiza\u00e7\u00e3o de um desejo.<\/p>\n<p><strong>Origem:<\/strong>\u00a0S\u00e9culo XVIII em Portugal, depois Minas e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sabia que existem tr\u00eas tipos de Sacis?<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Saci-perer\u00ea<\/strong>, que \u00e9 pretinho, o Trique, moreno e brincalh\u00e3o e o Sa\u00e7ur\u00e1, que tem olhos vermelhos. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, cuspir em panelas, fazer tran\u00e7as nas crinas dos cavalos, etc. Assombra ca\u00e7adores e viajantes dando-lhes assobios finos aos ouvidos.<\/p>\n<p>Diz a cren\u00e7a popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele n\u00e3o atravessa c\u00f3rregos nem riachos. Algu\u00e9m perseguido por ele deve jogar cordas com n\u00f3s em seu caminho, porque ele vai parar para desatar os n\u00f3s, deixando a pessoa fugir. Diz a lenda que, se algu\u00e9m jogar dentro do redemoinho um ros\u00e1rio de mato bento ou uma peneira pode captur\u00e1-lo, e se conseguir sua carapu\u00e7a, ser\u00e1 recompensado com a realiza\u00e7\u00e3o de um desejo.<\/p>\n<p><strong>Saci-perer\u00ea &#8211; Folclore<\/strong><\/p>\n<p>Pretinho arteiro, de olhos carburantes e barrete de rubra cor \u00e0 cabe\u00e7a, traquinando e assobiando pelas estradas em horas-mortas, a pelear, maldosamente, com suas travessuras, os animais e a tran\u00e7ar-lhes as crinas.<\/p>\n<p>Com efeito, o viajante que, no sert\u00e3o, ao cair da tarde, cochilando o seu cansa\u00e7o, as pernas lassas, ca\u00eddas sobre as espendas da sela, busca o pouso para descansar os membros doridos da jornada, ao encilhar a montaria, na manh\u00e3 seguinte, para seguir viagem, encontrar\u00e1 muitas vezes, a crina do animal emaranhadamente tran\u00e7ada.<\/p>\n<p>Atribuir\u00e1 por certo \u00e0s artes do Saci, sem indagar de uma pequenina ave do sert\u00e3o que revela o curioso caracter\u00edstico de, em procurando no dorso dos animais a alimenta\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 cara, carrapatos e outros parasitas, nunca deixam sem antes tran\u00e7\u00e1-las com o bico sedenho.<\/p>\n<p>Os redemoinhos, fen\u00f4menos produzidos por desequil\u00edbrio das atmosferas, verdadeiras trombas a\u00e9reas que se formam vertiginosamente em espiral, carregando folhas secas, gravetos e areia em suas passagens, esses fen\u00f4menos consoante \u00e0 cren\u00e7a entre os caipiras, s\u00e3o produzidos pelo Saci, e se algum dotado de verdadeira f\u00e9, lan\u00e7ar sobre a tromba um ros\u00e1rio de capim, aprision\u00e1-lo-\u00e1, por certo, e se conseguir o barrete, ter\u00e1 em pr\u00eamio a ventura que aspirar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-163145 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p7-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p7-300x212.jpg 300w, https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Saci-p7.jpg 392w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><strong>Saci-perer\u00ea<\/strong><\/p>\n<p><strong>VARIANTE 1<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsta entidade matreira, traquina e das mais conhecidas \u00e9 tamb\u00e9m objeto de incont\u00e1veis e controvertidas interpreta\u00e7\u00f5es, tendo atravessado uma sucess\u00e3o de metamorfoses, sob a influ\u00eancia m\u00edstica e supersticiosa de \u00edndios (o nome \u00e9 de origem tupi-guarani), negros, brancos e mesti\u00e7os.<\/p>\n<p>Enredado em diversas lendas, em alguns rinc\u00f5es \u00e9 uma assombra\u00e7\u00e3o tenebrosa, um eufemismo do capeta, ou ainda um ser simp\u00e1tico e graciosamente assustador<\/p>\n<p>\u2013 terris\u00edvel; em outros, tem uma imagem de benfeitor \u2013 o Negrinho do Pastoreio, que encontra objetos perdidos.<\/p>\n<p>O Saci \u00e9 apresentado at\u00e9 como filho do Curupira, numa fant\u00e1stica concep\u00e7\u00e3o que, de alguma forma, pode at\u00e9 adquirir certa coer\u00eancia se tomarmos as variantes em que o Curupira e o Caipora s\u00e3o seres distintos, sendo o segundo, numa delas, uma mulher un\u00edpede que anda aos saltos.<\/p>\n<p>De acordo com a configura\u00e7\u00e3o mais popular, o Saci-Perer\u00ea \u00e9 representado por um negrinho de uma perna s\u00f3 que usa carapu\u00e7a vermelha cujo poder m\u00e1gico lhe confere a prerrogativa de ficar invis\u00edvel e de aparecer e desaparecer como fuma\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele se faz anunciar por um assobio estridente e adora fumar, ali\u00e1s essa \u00e9 uma forte caracter\u00edstica do Saci, visto que \u00e9 dif\u00edcil imagin\u00e1-lo sem seu cachimbo.<\/p>\n<p>Ah!!, e o Saci tamb\u00e9m \u00e9 daqueles fumantes que nunca trazem consigo f\u00f3sforos ou isqueiros e, por isso, sempre aterroriza os viajantes pedindo-lhes fogo.\u201d<\/p>\n<p><strong>VARIANTE 2<\/strong><\/p>\n<p>O Saci \u00e9 uma entidade muito popular no folclore Brasileiro. No fim do s\u00e9culo XVIII j\u00e1 se falava dele entre os negros, mesti\u00e7os e Tupis-guarani, de onde se origina seu nome.<\/p>\n<p>Em muitas regi\u00f5es do Brasil, o Saci \u00e9 considerado um ser muito brincalh\u00e3o, que esconde objetos da casa, assusta animais, assovia no ouvido das pessoas, desarruma cozinhas; enquanto que em outros lugares ele \u00e9 visto como uma figura mal\u00e9fica.<\/p>\n<p>\u00c9 um negrinho de uma perna s\u00f3 que fuma um cachimbo e usa na cabe\u00e7a uma carapu\u00e7a vermelha que lhe d\u00e1 poderes m\u00e1gicos, entre eles, o de aparecer e desaparecer onde desejar.<\/p>\n<p>Tem uma m\u00e3o furada e gosta de jogar objetos pequenos para o alto e deixa-los atravessa-la para pegar com a outra.<\/p>\n<p>Ele costuma assustar viajantes ou ca\u00e7adores solit\u00e1rios que se aventuram por lugares ermos nos sert\u00f5es ou matas, com um arrepiante assovio no ouvido, para em seguida aparecer numa nuvem de fuma\u00e7a pedindo fogo para seu cachimbo.<\/p>\n<p>Ele gosta de esconder brinquedos de crian\u00e7as, soltar animais dos currais, derramar sal que encontra nas cozinhas, e em noites de lua, monta um cavalo e sai campo afora em desembalada carreira fazendo grande alvoro\u00e7o.<\/p>\n<p>Diz a cren\u00e7a popular que dentro dos redemoinhos de vento \u2013 fen\u00f4meno onde uma coluna de vento rodopia levantando areia e restos de vegeta\u00e7\u00e3o e sai varrendo tudo que encontra a sua frente \u2013 existe um Saci.<\/p>\n<p>Diz ainda a tradi\u00e7\u00e3o que, se algu\u00e9m jogar dentro do pequeno ciclone um ros\u00e1rio de mato aben\u00e7oado, pode captura-lo, e se conseguir sua carapu\u00e7a, ser\u00e1 recompensado com a realiza\u00e7\u00e3o de qualquer desejo.<\/p>\n<p><strong>VARIANTE 3<\/strong><\/p>\n<p>Molequinho encapetado por arte do diabo, com apenas uma perna. Faz marmotas de toda maneira e diversidade.<\/p>\n<p>Derrama cumbucas de sal, cospe em panelas, esconde brinquedos de crian\u00e7as, solta animais de curral etc. e tal.<\/p>\n<p>Nas horas altas da noite, monta em cavalo e se larga campo a fora em carreiras desabridas.<\/p>\n<p>Assombra ca\u00e7adores e viajantes, dando-lhes aqueles assovios finos aos ouvidos.<\/p>\n<p>Sempre fumando em cachimbo e com um barrete vermelho na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Tem uma m\u00e3o furada e gosta de brincar correndo e jogando uma brasa ou qualquer objeto para cima e fazendo-o passar pelo buraco da m\u00e3o e aparando com a outra.<\/p>\n<p><strong>VARIANTE 4<\/strong><\/p>\n<p>Moleque negro, de uma perna s\u00f3, usa barrete vermelho e fuma um pito de barro. Segundo a crendice popular, a sua for\u00e7a est\u00e1 no barrete, quem conseguir apanhar e esconder a carapu\u00e7a vermelha de um saci, far\u00e1 dele seu escravo por toda vida.<\/p>\n<p>Esp\u00edrito brincalh\u00e3o, pode aparecer em qualquer parte, diverte-se praticando pequenas e inofensivas artes. N\u00e3o h\u00e1 peraltice que n\u00e3o apronte.<\/p>\n<p>Tem as m\u00e3os furadas no centro e seu maior prazer \u00e9 brincar com uma brasa acesa que faz passar de uma para outra m\u00e3o pelos furinhos das palmas.<\/p>\n<p>De acordo com a lenda n\u00e3o apenas um, mas v\u00e1rios s\u00e3o os Sacis que habitam as matas, escondem-se durante o dia e \u00e0 noite reunem-se em bando, para melhor planejarem as artes que far\u00e3o durante a noite.<\/p>\n<p><strong>Vers\u00e3o de Monteiro Lobato<\/strong><\/p>\n<p>Tio Barnab\u00e9 era um negro de mais de oitenta anos que morava no rancho coberto de sap\u00e9 l\u00e1 junto da ponte. Pedrinho n\u00e3o disse nada a ningu\u00e9m e foi v\u00ea-lo. Encontrou-o sentado, com o p\u00e9 direito num toco de pau, \u00e0 porta de sua casinha, aquentando o sol.<\/p>\n<p>\u2013 Tio Barnab\u00e9, eu vivo querendo saber duma coisa e ningu\u00e9m me conta direito. Sobre o saci. Ser\u00e1 mesmo que existe saci?<\/p>\n<p><strong>O negro deu uma risada gostosa e, depois de encher de fumo picado o velho pito, come\u00e7ou a falar:<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Pois, seu Pedrinho, saci \u00e9 uma coisa que eu juro que ex\u00e9ste. Gente da cidade n\u00e3o acredita \u2013 mas ex\u00e9ste. A primeira vez que vi saci eu tinha assim a sua idade. Isso foi no tempo da escravid\u00e3o, na fazenda do Passo Fundo, do defunto major Teot\u00f4nio, pai desse coronel Teodorico, compadre de sua av\u00f3 dona Benta. Foi l\u00e1 que vi o primeiro saci. Depois disso, quantos e quantos!\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Conte, ent\u00e3o, direitinho, o que \u00e9 saci. Bem tia Nast\u00e1cia me disse que o senhor sabia, que o senhor sabe tudo\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Como n\u00e3o hei de saber tudo, menino, se j\u00e1 tenho mais de oitenta anos? Quem muito v\u00e9ve muito sabe\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o conte. Que \u00e9, afinal de contas, o tal saci? E o negro contou tudo direitinho.<\/p>\n<p>\u2013 O saci \u2013 come\u00e7ou ele \u2013 \u00e9 um diabinho de uma perna s\u00f3 que anda solto pelo mundo, armando reina\u00e7\u00f5es de toda sorte e atropelando quanta criatura existe. Traz sempre na boca um pitinho aceso, e na cabe\u00e7a uma carapu\u00e7a vermelha. A for\u00e7a dele est\u00e1 na carapu\u00e7a, como a for\u00e7a de Sans\u00e3o estava nos cabelos.<\/p>\n<p>Quem consegue tomar e esconder a carapu\u00e7a de um saci fica por toda a vida senhor de um pequeno escravo.<\/p>\n<p>\u2013 Mas que reina\u00e7\u00f5es ele faz? \u2013 indagou o menino.<\/p>\n<p>\u2013 Quantas pode \u2013 respondeu o negro.<\/p>\n<p>\u2013 Azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embara\u00e7a os novelos de linha, faz o dedal das costureiras cair nos buracos. Bota moscas na sopa, queima o feij\u00e3o que est\u00e1 no fogo, gora os ovos das ninhadas. Quando encontra um prego, vira ele de ponta pra riba para que espete o p\u00e9 do primeiro que passa. Tudo que numa casa acontece de ruim \u00e9 sempre arte do saci. N\u00e3o contente com isso, tamb\u00e9m atormenta os cachorros, atropela as galinhas e persegue os cavalos no pasto, chupando o sangue deles. O saci n\u00e3o faz maldade grande, mas n\u00e3o h\u00e1 maldade pequenina que n\u00e3o fa\u00e7a. Disse Tio Barnab\u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 E a gente consegue ver o saci?<\/p>\n<p>\u2013 Como n\u00e3o? Eu, por exemplo, ja vi muitos. Ainda no m\u00eas passado andou por aqui um saci mexendo comigo \u2013 por sinal lhe dei uma li\u00e7\u00e3o de mestre\u2026- Como foi? Conte\u2026Tio Barnab\u00e9 contou.<\/p>\n<p>\u2013 Tinha anoitecido e eu estava sozinho em casa, rezando minhas rezas. Rezei, e depois me deu vontade de comer pipoca. Fui ali no fumeiro e escolhi uma espiga de milho bem seca. Debulhei o milho numa ca\u00e7arola, pus a ca\u00e7arola no fogo e vim para este canto pitar fumo pro pito. Nisto ouvi no terreiro um barulhinho que n\u00e3o me engana. \u201cVai ver que \u00e9 saci!\u201d \u2013 pensei comigo. E era mesmo.<\/p>\n<p>Dali a pouco um saci preto que nem carv\u00e3o, de carapu\u00e7a vermelha e pitinho na boca, apareceu na janela. Eu imediatamente me encolhi no meu canto e fingi que estava dormindo.<\/p>\n<p>Ele espiou de um lado e de outro e por fim pulou pra dentro. Veio vindo, chegou pertinho de mim, escutou os meus roncos e convenceu-se de que eu estava mesmo dormindo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o come\u00e7ou a reinar na casa. Remexeu tudo, que nem mulher velha, sempre farejando o ar com o seu narizinho muito aceso. Nisto o milho come\u00e7ou a chiar na ca\u00e7arola e ele dirigiu-se para o fog\u00e3o.<\/p>\n<p>Ficou de c\u00f3coras no cabo da ca\u00e7arola, fazendo micagens. Estava \u201crezando\u201d o milho, como se diz. E adeus pipoca! Cada gr\u00e3o que o saci reza n\u00e3o rebenta mais, vira piru\u00e1.<\/p>\n<p>\u2013 Dali saiu para bulir numa ninhada de ovos que a minha carij\u00f3 cal\u00e7uda estava chocando num balaio velho, naquele canto. A pobre galinha quase que morreu de susto. Fez cr\u00f3, cr\u00f3, cr\u00f3\u2026 e voou do ninho feito uma louca, mais arrepiada que um ouri\u00e7o-cacheiro.<\/p>\n<p><strong>Resultado:<\/strong>\u00a0o saci rezou os ovos e todos goraram.<\/p>\n<p>\u2013 Em seguida p\u00f4s-se a procurar o meu pito de barro. Achou o pito naquela mesa, p\u00f4s uma brasinha dentro e paque, paque, paque\u2026 tirou justamente sete fuma\u00e7adas. O saci gosta muito do n\u00famero sete.<\/p>\n<p>\u2013\u00a0<strong>Eu disse c\u00e1 comigo<\/strong>: \u201cDeixe estar, coisa-ruinzinho, que eu ainda apronto uma boa para voc\u00ea. Voc\u00ea h\u00e1 de voltar outro dia e eu te curo\u201d.<\/p>\n<p>\u2013 E assim aconteceu. Depois de muito virar e mexer, o sacizinho foi embora e eu fiquei armando o meu plano para assim que ele voltasse.<\/p>\n<p>\u2013 E voltou? \u2013 inquiriu Pedrinho.<\/p>\n<p>\u2013 Como n\u00e3o? Na sexta-feira seguinte apareceu aqui outra vez \u00e0s mesmas horas. Espiou da janela, ouviu os meus roncos fingidos, pulou para dentro. Remexeu em tudo, como da primeira vez, e depois foi atr\u00e1s do pito que eu tinha guardado no mesmo lugar. P\u00f4s o pito na boca e foi ao fog\u00e3o buscar uma brasinha, que trouxe dan\u00e7ando nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 verdade que ele tem as m\u00e3os furadas?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9, sim. Tem as m\u00e3os furadinhas bem no centro da palma; quando carrega brasa, vem brincando com ela, fazendo ela passar de uma para o outra m\u00e3o pelo furo. Trouxe a brasa, p\u00f4s a brasa no pito e sentou-se de pernas cruzadas para fumar com todo o seu sossego.<\/p>\n<p>\u2013 Como? \u2013 exclamou Pedrinho arregalando os olhos.<\/p>\n<p>\u2013 Como cruzou as pernas, se saci tem uma perna s\u00f3?<\/p>\n<p>\u2013 Ah, menino, mec\u00ea n\u00e3o imagina como saci \u00e9 arteiro\u2026 Tem uma perna s\u00f3, sim, mas quando quer cruza as pernas como se tivesse duas! S\u00e3o coisas que s\u00f3 ele entende e ningu\u00e9m pode explicar. Cruzou as pernas e come\u00e7ou a tirar umas baforadas, uma atr\u00e1s da outra, muito satisfeito da vida. Mas de repente, puf! aquele estouro e aquela fumaceira!\u2026 O saci deu tamanho pinote que foi parar l\u00e1 longe, e saiu ventando pela janela fora.Pedrinho fez cara de quem n\u00e3o entende.<\/p>\n<p>\u2013 Mas que puf foi esse? \u2013 perguntou.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o estou entendendo\u2026 \u00c9 que eu tinha socado p\u00f3lvora no fundo do pito \u2013 exclamou Tio Barnab\u00e9, dando uma risada gostosa.<\/p>\n<p>\u2013 A p\u00f3lvora explodiu justamente quando ele estava tirando a fuma\u00e7ada n\u00famero sete, e o saci, com a cara toda sapecada, raspou-se para nunca mais voltar.<\/p>\n<p>\u2013 Que pena! \u2013 exclamou Pedrinho. \u2013 Tanta vontade que eu tinha de conhecer esse saci\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Mas n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 saci no mundo, menino. Esse l\u00e1 se foi e nunca mais aparece por estas bandas, mas quantos outros n\u00e3o andam por a\u00ed? Ainda na semana passada apareceu um no pasto do seu Quincas Teixeira. E chupou o sangue daquela \u00e9gua baia que tem uma estrela na testa.<\/p>\n<p>\u2013 Como \u00e9 que ele chupa o sangue dos animais?<\/p>\n<p>\u2013 Muito bem. Faz um estribo na crina, isto \u00e9, d\u00e1 uma la\u00e7ada na crina do animal de modo que possa enfiar o p\u00e9 e manter-se em posi\u00e7\u00e3o de ferrar os dentes numa das veias do pesco\u00e7o e chupar o sangue, como fazem os morcegos. O pobre animal assusta-se e sai pelos campos na disparada, correndo at\u00e9 n\u00e3o poder mais. O \u00fanico meio de evitar isso \u00e9 botar bentinho no pesco\u00e7o dos animais.<\/p>\n<p>\u2013 Bentinho \u00e9 bom?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 um porrete. Dando com cruz ou bentinho pela frente, saci fede enxofre e foge com botas-de-sete-l\u00e9guas.<\/p>\n<p>******<\/p>\n<p>N\u00e3o impressionado ficou Pedrinho com esta conversa que dali por diante s\u00f3 pensava em saci, e at\u00e9 come\u00e7ou a enxergar saci por toda parte.<\/p>\n<p><strong>Dona Benta ca\u00e7oou, dizendo:<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Cuidado! J\u00e1 vi contar a hist\u00f3ria de um menino que de tanto pensar em saci acabou virando saci\u2026 Pedrinho n\u00e3o fez caso da hist\u00f3ria, e um dia, enchendo-se de coragem, resolveu pegar um. Foi de novo em procura do tio Barnab\u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 Estou resolvido a pegar um saci \u2013 disse ele \u2013 e quero que o senhor me ensine o melhor meio. Tio Barnab\u00e9 riu-se daquela valentia.<\/p>\n<p>\u2013 Gosto de ver um menino assim. Bem mostra que \u00e9 neto do defunto sinh\u00f4 velho, um homem que n\u00e3o tinha medo nem de mula-sem-cabe\u00e7a. H\u00e1 muitos jeitos de pegar saci, mas o melhor \u00e9 o de peneira. Arranja-se uma peneira de cruzeta\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Peneira de cruzeta? \u2013 interrompeu o menino \u2013 Que \u00e9 isso?<\/p>\n<p>\u2013 Nunca reparou que certas peneiras t\u00eam duas taquaras mais largas que se cruzam bem no meio e servem para refor\u00e7o? Olhe aqui \u2013 e tio Barnab\u00e9 mostrou ao menino uma das tais peneiras que estava ali num canto. \u2013 Pois bem, arranja-se uma peneira destas e fica-se esperando um dia de vento bem forte, em que haja rodamoinho de poeira e folhas secas. Chegada essa ocasi\u00e3o, vai-se com todo o cuidado para o rodamoinho e z\u00e1s! \u2013 joga-se a peneira em cima. Em todos os rodamoinhos h\u00e1 saci dentro, porque fazer rodamoinhos \u00e9 justamente a principal ocupa\u00e7\u00e3o dos sacis neste mundo.<\/p>\n<p>\u2013 E depois?<\/p>\n<p>\u2013 Depois, se a peneira foi bem atirada e o saci ficou preso, \u00e9 s\u00f3 dar um jeito de botar ele dentro de uma garrafa e arrolhar muito bem. N\u00e3o esquecer de riscar uma cruzinha na rolha, porque o que prende o saci na garrafa n\u00e3o \u00e9 a rolha e sim a cruzinha riscada nela. \u00c9 preciso ainda tomar a carapucinha dele e a esconder bem escondida. Saci sem carapu\u00e7a \u00e9 como cachimbo sem fumo. Eu j\u00e1 tive um saci na garrafa, que me prestava muitos bons servi\u00e7os. Mas veio aqui um dia aquela mulatinha sapeca que mora na casa do compadre Basti\u00e3o e tanto lidou com a garrafa que a quebrou. Bateu logo um cheirinho de enxofre. O perneta pulou em cima da sua carapu\u00e7a, que estava ali naquele prego, e \u201cat\u00e9 logo, tio Barnab\u00e9!\u201d<\/p>\n<p>Depois de tudo ouvir com a maior aten\u00e7\u00e3o, Pedrinho voltou para casa decidido a pegar um saci, custasse o que custasse. Contou o seu projeto a Narizinho e longamente discutiu com ela sobre o que faria no caso de escravizar um daqueles terr\u00edveis capetinhas. Depois de arranjar uma boa peneira de cruzeta, ficou \u00e0 espera do dia de S\u00e3o Bartolomeu, que \u00e9 o mais ventoso do ano.<\/p>\n<p>Custou a chegar esse dia, tal era a sua impaci\u00eancia, mas afinal chegou, e desde muito cedo, Pedrinho foi postar-se no terreiro, de peneira em punho, \u00e0 espera de rodamoinhos. N\u00e3o esperou muito tempo. Um forte rodamoinho formou-se no pasto e veio caminhando para o terreiro.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 hora! \u2013 disse Narizinho. \u2013 Aquele que vem vindo est\u00e1 com muito jeito de ter saci dentro.Pedrinho foi se aproximando p\u00e9 ante p\u00e9 e de repente, z\u00e1s! \u2013 jogou a peneira em cima.<\/p>\n<p>\u2013 Peguei! \u2013 gritou no auge da emo\u00e7\u00e3o, debru\u00e7ando-se com todo o peso do corpo sobre a peneira emborcada.<\/p>\n<p>\u2013 Peguei o saci!\u2026A menina correu a ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u2013 Peguei o saci! \u2013 repetiu o menino vitoriosamente.<\/p>\n<p>\u2013 Corra, Narizinho, e traga-me aquela garrafa escura que deixei na varanda. Depressa! A menina foi num p\u00e9 e voltou noutro.<\/p>\n<p>\u2013 Enfie a garrafa dentro da peneira \u2013 ordenou Pedrinho \u2013 enquanto eu cerco os lados. Assim! Isso!\u2026<\/p>\n<p>A menina fez como ele mandava e com muito jeito a garrafa foi introduzida dentro da peneira.<\/p>\n<p>\u2013 Agora tire do meu bolso a rolha que tem uma cruz riscada em cima \u2013 continuou Pedrinho. \u2013 Essa mesma. D\u00ea c\u00e1.<\/p>\n<p>Pela informa\u00e7\u00e3o do tio Barnab\u00e9, logo que a gente p\u00f5e a garrafa dentro da peneira o saci por si mesmo entra dentro dela, porque, como todos os filhos das trevas, tem a tend\u00eancia de procurar sempre o lado mais escuro.<\/p>\n<p>De modo que Pedrinho o mais que tinha a fazer era arrolhar a garrafa e erguer a peneira. Assim fez, e foi com o ar de vit\u00f3ria de quem houvesse conquistado um imp\u00e9rio que levantou no ar a garrafa para examin\u00e1-la contra a luz.<\/p>\n<p>Mas a garrafa estava t\u00e3o vazia como antes. Nem sombra do saci dentro\u2026A menina deu-lhe uma vaia e Pedrinho, muito desapontado, foi contar o caso ao tio Barnab\u00e9.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 assim mesmo \u2013 explicou o negro velho. \u2013 Saci na garrafa \u00e9 invis\u00edvel. A gente s\u00f3 sabe que ele est\u00e1 l\u00e1 dentro quando a gente cai na modorra. Num dia bem quente, quando os olhos da gente come\u00e7am a piscar de sono, o saci pega a tomar forma, at\u00e9 que fica perfeitamente vis\u00edvel. \u00c9 desse momento em diante que a gente faz dele o que quer. Guarde a garrafa bem fechada, que garanto que o saci est\u00e1 dentro dela. Pedrinho voltou para casa orgulhos\u00edssimo com a sua fa\u00e7anha.<\/p>\n<p>\u2013 O saci est\u00e1 aqui dentro, sim \u2013 disse ele a Narizinho. \u2013 Mas est\u00e1 invis\u00edvel, como me explicou tio Barnab\u00e9. Para a gente ver o capetinha \u00e9 preciso cair na modorra \u2013 e repetiu as palavras que o negro lhe dissera.Quem n\u00e3o gostou da brincadeira foi a pobre tia Nast\u00e1cia. Como tinha um medo horr\u00edvel de tudo quanto era mist\u00e9rio, nunca mais chegou nem na porta do quarto de Pedrinho.<\/p>\n<p>\u2013 Deus me livre de entrar num quarto onde h\u00e1 garrafa de saci dentro! Credo! Nem sei como dona Benta consente semelhante coisa em sua casa. N\u00e3o parece ato de crist\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><strong>Vers\u00e3o de Regina Lacerda<\/strong><\/p>\n<p>Por aquele tempo o saci andava desesperado. Tinham-lhe surrupiado a caba\u00e7a de mandinga. O moleque, extremamente irritado, vagueava pelos fund\u00f5es de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Pai Z\u00e9, saindo um dia \u00e0 cata dumas ra\u00edzes de mandioca castela que Sinh\u00e1-dona lhe pedira, topou com ele nos grot\u00f5es da ro\u00e7a.<\/p>\n<p>O preto, abandonando a enxada e de queixo ca\u00eddo, olhava pasmado o negrinho que lhe fazia caretas e trejeitos, a saltar no seu \u00fanico p\u00e9, e fungando terrivelmente.<\/p>\n<p>\u2013 Vanc\u00ea quer alguma coisa? \u2013 perguntou pai Z\u00e9 admirado, vendo agora o moleque rodopiar como o pi\u00e3o de ioi\u00f4.<\/p>\n<p>\u2013 Olha negro, \u2013 respondeu o saci,<\/p>\n<p>\u2013\u00a0<strong>vanc\u00ea gosta de s\u00e1 Quirina, aquela mulata de sust\u00e2ncia<\/strong>: pois eu lhe dou a mandinga com que ela h\u00e1 de ficar enrabichada, se vanc\u00ea me arranj\u00e1 uma caba\u00e7a que perdi.<\/p>\n<p>Pai Z\u00e9, louco de contentamento, prometeu. A caba\u00e7a, ele sabia-o, fora amoitada pelo Benedito Galego, um caboclo sacudido que, cansado das malandrices do moleque, a tinha roubado das grimpas do jatob\u00e1 grande, l\u00e1 nas ro\u00e7as do ribeir\u00e3o.<\/p>\n<p>Pai Z\u00e9 fora uns do que o tinham aconselhado, para obstar que o saci, como era de sue costume quando incomodado, tornasse a levantar as \u00e1rvores da derrubada que o Benedito fizera nessas terras.<\/p>\n<p>Arrastando as alpercatas de couro cru pelas terras de s\u00f4 feitor, pai Z\u00e9 capengava satisfeito e inchado com a promessa do Saci.<\/p>\n<p>Desde Santo Ant\u00f4nio que ele rondava s\u00e1 Quirina, procurando sempre ocasi\u00e3o de lhe mostrar que apesar dos seus sessenta e cinco anos e meio, um olho de menos e falta de dente na boca, n\u00e3o era negro para se desprezar assim por um canto, n\u00e3o, que sust\u00e2ncia ainda ele ainda tinha no peito para ag\u00fcentar com a mulata e mais a trouxa de s\u00e1 Quit\u00e9ria, sua mulher, se ele tinha!<\/p>\n<p>Mas a cafuza era dura de gente convencer. Toda a eloq\u00fc\u00eancia que ele penosamente engendrara em seu bestunto de africano e que lhe tinha despejado pela festa de S\u00e3o Pedro, n\u00e3o teve outro resultado sen\u00e3o a fuga da roxa quando o encontrava.<\/p>\n<p>Mas agora, gaguejava o preto, eu lhe amostro, \u2013 que o saci \u00e9 mesmo bicho bom pra deitar um feiti\u00e7o.<\/p>\n<p>Com a rica d\u00e1diva dum quartilho de cacha\u00e7a e meia-m\u00e3o do seu fumo pixu\u00e1, pai Z\u00e9 alcan\u00e7ou do galego a caba\u00e7a desejada.<\/p>\n<p>S\u00e1 Quit\u00e9ria, por\u00e9m, n\u00e3o via com bons olhos o af\u00e3 de seu velho pela posse da milonga. E ela tamb\u00e9m deitar quebrando, se sabia!<\/p>\n<p>\u2013 Perguntassem a bruxa de nh\u00e1 Benta, que desde as v\u00e9speras de reis estava entrevada na trempe do jirau e n\u00e3o era zarolho e cambaio do seu homem que a enganasse.<\/p>\n<p>Por isso a velha ciumenta estava de tocaia, desejosa por saber de seu intento. L\u00e1 ia pai Z\u00e9, arrastando novamente as alpercatas de couro cru pelas terras de s\u00f4 feitor, \u00e0 entrevista do saci. Atr\u00e1s dele, sorrateira, l\u00e1 ia tamb\u00e9m s\u00e1 Quit\u00e9ria.<\/p>\n<p>O negro chegou aos grot\u00f5es e chamou pelo saci, que de pronto apareceu.<\/p>\n<p>-Toma l\u00e1 a sua caba\u00e7a de mandinga, seu saci, e d\u00e1-me c\u00e1 o feiti\u00e7o pra s\u00e1 Quirina.<\/p>\n<p><strong>O moleque desbarretou-se, tirou uma pitada grossa da cumbuca, fungou, e entregando o resto a pai Z\u00e9, disse<\/strong>: \u201cD\u00e1-lhe a cheirar esta pitada, que a crioula \u00e9 sua escrava\u201d.<\/p>\n<p>E desapareceu, fungando, pulando no seu \u00fanico p\u00e9, nos grot\u00f5es e covoadas da ro\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAh, negro velho dos infernos, que conheci a tua tram\u00f3ia\u201d, gritou s\u00e1 Quit\u00e9ria furiosa, saindo do bambuzal e segurando-o pelo papo.<\/p>\n<p>E, na luta do casal, l\u00e1 se foi o feiti\u00e7o que o pobre pai Z\u00e9 adquirira com o sacrif\u00edcio dum quartilho de cacha\u00e7a, e a meia m\u00e3o do seu bom fumo pixu\u00e1.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, nunca mais houve paz no casal, que se devorava \u00e0s pancadas; e pai Z\u00e9 arrenegava sem descanso o maldito que introduzira a disc\u00f3rdia no seu rancho.<\/p>\n<p>Porque, o ioi\u00f4, concluiu o preto velho que me contava essa hist\u00f3ria, a todo aquele que viu e falou com o saci, acontece sempre uma desgra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.boredpanda.com\/mythus-fandom-com\/educaterra.terra.com.br\/ifolclore.vilabol.uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Saci-perer\u00ea, Lendas E Mitos Do Folclore, O Saci-perer\u00ea<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[344],"tags":[],"class_list":["post-76432","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-folclore"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - 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