{"id":76225,"date":"2016-08-10T14:46:00","date_gmt":"2016-08-10T14:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=76225"},"modified":"2016-08-10T14:53:42","modified_gmt":"2016-08-10T14:53:42","slug":"folclore-verbal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/artes-e-cultura\/folclore\/folclore-verbal","title":{"rendered":"Folclore Verbal"},"content":{"rendered":"<h2>Linguagem Criptol\u00f3gica<\/h2>\n<p>A palavra \u00e9 o mais not\u00e1vel privil\u00e9gio do homem e se transmite de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, alterando-se, mas conservando o seu sentido original.<\/p>\n<p>Para que se crie una linguagem, a vida social \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>O homem \u00e9 dotado da faculdade de linguagem, isto \u00e9, da comunica\u00e7\u00e3o de seus pensamentos.<\/p>\n<p>Falando, n\u00f3s podemos fazer com que o nosso interlocutor nos entenda a mensagem. Nossa l\u00edngua tem sons caracter\u00edsticos, seus gestos e seus artif\u00edcios de linguagem. A linguagem \u00e9 exercida, principalmente, pelos sons da voz humana.<\/p>\n<p>A Linguagem Criptol\u00f3gica (Conversa Criptol\u00f3gica, Idioma Criptof\u00f4nico ou Falar em L\u00edngua) \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o popular e lembra costumes da coletividade infanto-juvenil de \u00e9pocas remotas que persistem at\u00e9 hoje. \u00c9 convencional e resulta de um pr\u00e9vio entendimento e conhecimento de seus adeptos.<\/p>\n<p>Sua fonte natural \u00e9 o povo que transmite suas experi\u00eancias, isto \u00e9, sua fonte \u00e9 folclore.<\/p>\n<p>Sua manifesta\u00e7\u00e3o primitiva \u00e9 a linguagem oral, ent\u00e3o \u00e9 evidente que n\u00e3o se possa fixar a sua origem, dizendo de onde veio ou quem a inventou. \u00c9 transmitida de boca em boca pelas criaturas. \u00c9 an\u00f4nima, pois n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m. Pertence ao povo.<\/p>\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o pouco a pouco vem instruindo, educando e disciplinando a intelig\u00eancia do homem, cerceando-lhe a imagina\u00e7\u00e3o, a ingenuidade e simplicidade, por\u00e9m, n\u00e3o lhe destr\u00f3i a fei\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica, o que nos permite encontrar a linguagem criptol\u00f3gica como extraordin\u00e1rio legado de ontem \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de hoje.<\/p>\n<p>Enquanto o povo, desejando sempre uma clareza maior, simplifica, instintivamente, a l\u00edngua que fala, sem se preocupar com a simples corre\u00e7\u00e3o; de outro lado, integrantes deste mesmo povo, procuram complic\u00e1-la, com o sentido de confundir ou tomar sigilosa a emiss\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>O \u00eaxito da linguagem criptol\u00f3gica consiste no surpreendente segredo de transformar as variantes dos fonemas, isto \u00e9, os sons reais da palavra escapam a nossa observa\u00e7\u00e3o; n\u00e3o podem ser, portanto, compreendidos pelo ouvinte destreinado. O ato complica a comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00fanico recurso empregado \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 incontest\u00e1vel esse valor.<br \/>\nCom m\u00e9todo, com aten\u00e7\u00e3o, com interesse inspirado sempre no pensamento reflexivo, este passatempo revela a crian\u00e7a e a crian\u00e7a revela-se neste passatempo.<\/p>\n<p>Os pr\u00e9-adolescentes, os adolescentes e mesmo alguns adultos participam do Falar em L\u00edngua, porque adentra-lhes a alma, captando-lhes as rea\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E um tipo de arg\u00f4 (l\u00edngua completamente adulterada, pois as \u201cpalavras\u201d t\u00eam sentido s\u00f3 compreens\u00edvel pelos que as usam ou t\u00eam interesse em conhec\u00ea-las). S\u00f3 os iniciados s\u00e3o capazes de pratic\u00e1-la, pois criam-se novos sons no sistema.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa de ser um ato de comunica\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 algu\u00e9m que transmite a mensagem: o Emissor, e algu\u00e9m que recebe essa mensagem e a compreende: o Receptor; os quais obedecem a regras certas, pr\u00e9-estabelecidas, para essa linguagem fechada.<\/p>\n<p>O papel do curioso \u00e9 observar os fatos de linguagem para descobri-los, somente ouvindo quem fala, pois para consolidar os conhecimentos adquiridos, sem treino, s\u00f3 h\u00e1 o meio de ouvir freq\u00fcentemente os que falam, isto \u00e9, dependendo da intelig\u00eancia, do racioc\u00ednio e da observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe um rico material de observa\u00e7\u00e3o no que diz respeito a linguagem criptol\u00f3gica, com embara\u00e7os (sons intermedi\u00e1rios articulados antes, depois ou no meio das s\u00edlabas da. palavra que gera esse ex\u00f3tico linguajar).<\/p>\n<p>Vejamos o assunto sob a luz de exemplos colhidos com o intuito de esclarecer o mecanismo das mudan\u00e7as fon\u00e9ticas.<\/p>\n<p>A linguagem criptol\u00f3gica \u00e9 uma arte e uma t\u00e9cnica. Arte, porque estabelece os preceitos de uma a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. T\u00e9cnica, porque racionaliza os preceitos desta arte. Apresenta v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, das quais apontamos:<\/p>\n<p><b>a) Preparadora &#8211; <\/b>coordena no\u00e7\u00f5es principais, totalizando particularidades que s\u00e3o necess\u00e1rias para a comunica\u00e7\u00e3o. Prepara o falante para receber a instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>b) Motivadora &#8211;<\/b> desperta entre os falantes o interesse pelo assunto. Apresenta a experi\u00eancia.<\/p>\n<p><b>c) Disciplinadora &#8211;<\/b> alerta os falantes, chama-lhes a aten\u00e7\u00e3o para o assunto.<\/p>\n<p><b>d) Reflexiva <\/b>&#8211; leva a raciocinar e refletir sobre o assunto. Esclarece d\u00favidas.<\/p>\n<p><b>e) Diagnosticadora &#8211;<\/b> apura se os talantes est\u00e3o ou n\u00e3o preparados para a conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>f) Recapituladora <\/b>&#8211; encoraja as atividades dos falantes. Orienta a forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos. Toca nos pontos fundamentais j\u00e1 tratados.<\/p>\n<p><b>g) Aplicadora &#8211;<\/b> usa a teoria nos exerc\u00edcios pr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A aprendizagem deste divertimento popular, depende, sobretudo, da associa\u00e7\u00e3o de novos est\u00edmulos sensitivos, com padr\u00f5es de mem\u00f3ria que existem anteriormente.<\/p>\n<p><b> Apresenta algumas vantagens:<\/b><\/p>\n<p>Prende a aten\u00e7\u00e3o e desperta o interesse dos que a falam. Aproxima as amizades. Torna o assunto movimentado e alegre. Distrai. Educa a aten\u00e7\u00e3o. Toma a comunica\u00e7\u00e3o secreta. Exerce o autocontrole. Desenvolve um sistema de treinar a mem\u00f3ria. \u00c9 anal\u00edtica e exige mem\u00f3ria auditiva, vocal ou f\u00f4nica, desenvolvendo a facilidade, tenacidade e exatid\u00e3o. Vence dificuldades. Consolida os conhecimentos adquiridos. Forma o h\u00e1bito de falar e ouvir.<\/p>\n<p>Salvo os casos de gravidade, pr\u00f3prios de especialistas e psiquiatras, os exerc\u00edcios freq\u00fcentes da conversa criptol\u00f3gica servem de terap\u00eautica na corre\u00e7\u00e3o de algumas anomalias da linguagem &#8211; comunica\u00e7\u00e3o, como algumas perturba\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito graves:<\/p>\n<p><b>A) Dislalia: <\/b>articula\u00e7\u00e3o imperfeita por defici\u00eancia de estrutura nos nervos gl\u00f3ssicos.<\/p>\n<p><b>B) Mogilalia: <\/b>dificuldade de articula\u00e7\u00e3o de muitos sons, por falta do dom\u00ednio dos \u00f3rg\u00e3os perif\u00e9ricos da palavra:<\/p>\n<p><b>-gamacismo<\/b> (dificuldade de pronunciar fonemas constritivos : C, G e X = cs);<\/p>\n<p><b>-sigmatismo<\/b> (dificuldade na pronuncia\u00e7\u00e3o do S);<\/p>\n<p><b>-rotacismo<\/b> (dificuldade de pronuncia\u00e7\u00e3o do R)<\/p>\n<p><b>-Lambdacismo<\/b> (dificuldade de pronuncia\u00e7\u00e3o do L).<\/p>\n<p><b>C) Bradilalia:<\/b> articula\u00e7\u00e3o lenta e defeituosa da palavra.<\/p>\n<p><b>D) Bradiartria: <\/b>Articula\u00e7\u00e3o lenta e defeituosa da s\u00edlaba.<\/p>\n<h2>Retomemos ao Assunto<\/h2>\n<p>O sigilo produz-se quando o som interposto \u00e0s s\u00edlabas torna confusa a compreens\u00e3o do voc\u00e1bulo. Esta compreens\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel apenas por um esfor\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o. A causa das transforma\u00e7\u00f5es do som da palavra reside nas modifica\u00e7\u00f5es impostas (determinadas) pela intercala\u00e7\u00e3o do voc\u00e1bulo &#8211; obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>Quando pronunciamos uma palavra, com os sons partitivos da s\u00edlaba, produz-se a abertura de um caminho para a classe de fatores que v\u00eam perturbar a regularidade da prola\u00e7\u00e3o dessa palavra.<\/p>\n<p>Estas altera\u00e7\u00f5es constituem variantes extrafonol\u00f3gicas de uma cadeia sonora vocabular e somente, com dificuldade, se atinge o sistema fonol\u00f3gico da l\u00edngua, pois se perde o reflexo e a generaliza\u00e7\u00e3o, na consci\u00eancia social, da palavra emitida.<\/p>\n<p>A altera\u00e7\u00e3o vai interessar somente \u00e0s pessoas que fizeram os treinos, que descobriram o segredo. Pode-se comparar ao idioleto &#8211; linguagem especial, fechada, de um grupo, ou melhor, de at\u00e9 somente duas pessoas.<\/p>\n<p>Assim sendo, a l\u00edngua passar\u00e1 a um est\u00e1gio monossil\u00e1bico. A palavra se produzir\u00e1 completamente pela elimina\u00e7\u00e3o dos voc\u00e1bulos &#8211; dificuldade, na maioria dos casos artificiais, com rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es n\u00e3o constitu\u00eddas de voc\u00e1bulos onomatopaicos, tornando-se o som da voz pelo signo dos sons da natureza, com variedades caprichosas de uma l\u00edngua inteiramente \u201cestranha\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se, pois, afirmar que sob a influ\u00eancia da intromiss\u00e3o de voc\u00e1bulos &#8211; chave, s\u00f3 atrav\u00e9s de maiores estor\u00e7os para organizar esse tipo de l\u00edngua, pode a pessoa aprender os seus segredos.<\/p>\n<p>O som que se intercala, apresenta dificuldade de pron\u00fancia para o emissor (o codificador) e tamb\u00e9m para o recebedor (o decodificador).<\/p>\n<p>Com isto h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores que perturbam a marcha normal da comunica\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 palavras que n\u00e3o sofrem altera\u00e7\u00f5es. Passam a exce\u00e7\u00f5es. Nelas est\u00e3o as part\u00edculas, palavras monossil\u00e1bicas da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Se o que \u00e9 emitido pelo sujeito falante for compreendido por um interlocutor, constatamos um ato de comunica\u00e7\u00e3o pela l\u00edngua (secreta), pois equivale a uma a\u00e7\u00e3o e \u00e9 um ato da linguagem individual; o circuito ling\u00fc\u00edstico estabelecido entre o sujeito falante e o interlocutor, n\u00e3o deixa de representar, para eles, uma institui\u00e7\u00e3o social: uma l\u00edngua.<\/p>\n<p>Pelo estabelecimento de uma norma adotada pelos sujeitos falantes do grupo ensaiado, passa da linguagem individual \u00e0 l\u00edngua, e serve para um grupo de pessoas se comunicar.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que o receptor compreenda o c\u00f3digo usado pelo emissor, pois haver\u00e1 efetivamente comunica\u00e7\u00e3o se os dois conhecerem o mesmo c\u00f3digo, isto \u00e9, \u00e9 preciso que eles usem a mesma linguagem secreta, para a transmiss\u00e3o de mensagens e de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se ouvirmos algu\u00e9m conversar numa l\u00edngua que n\u00e3o entendemos, somos capazes de perceber os significantes, isto \u00e9, os sons que a pessoa emite, por\u00e9m, n\u00e3o conseguimos associ\u00e1-los a nenhum significado. Podemos combinar de modo pessoal o material ling\u00fc\u00edstico e dessa forma, criar a fala. Por outro lado, se houver algu\u00e9m ouvindo aquela transmiss\u00e3o criptol\u00f3gica, mas que n\u00e3o conhe\u00e7a o c\u00f3digo, poder\u00e1 perceber alguma coisa, mas n\u00e3o poder\u00e1 decifrar a mensagem, pois n\u00e3o \u00e9 capaz de relacionar os sons a nenhum significado.<\/p>\n<p>Como \u201ccoisas\u201d de crian\u00e7as e jovens, \u00e9 um divertimento que se caracteriza pela vivacidade e parece misterioso. Utilizada como l\u00edngua secreta e com extraordin\u00e1ria rapidez, maior \u00e9 o desafio \u00e0 perplexidade dos circunstantes.<\/p>\n<p>Depois de haver aprendido, racionalmente, toda a parte b\u00e1sica dos truques, o participante assenhorar-se-\u00e1 dos pormenores e das particularidades, formando um bom alicerce, e isto servir\u00e1 para a combina\u00e7\u00e3o de brinquedos, recrea\u00e7\u00e3o e distra\u00e7\u00f5es: jogar bola, nadar, ca\u00e7ar, pescar ou, ainda, para marcar encontro de rua aos namorados.<\/p>\n<p>Apresenta algumas desvantagens: \u00e9 cansativa, enervante. Irrita os adultos, principalmente os mais idosos, que se aborrecem por desconhecerem os segredos dessa comunica\u00e7\u00e3o verbal.<\/p>\n<p>Hoje os tempos est\u00e3o mudando. Poucas s\u00e3o as pessoas que ainda cultivam o passatempo da comunica\u00e7\u00e3o criptol\u00f3gica, porque precisam instruir-se, realizando ensaios. E a crian\u00e7ada s\u00f3 quer moleza.<\/p>\n<p>Por: Prof\u00ba Jos\u00e9 Santa\u2019anna<\/p>\n<h2>Folclore Visual Urbano<\/h2>\n<p>O nosso mundo novo vive sob o signo das comunica\u00e7\u00f5es. Urge que a renova\u00e7\u00e3o se realize em todos os aspectos. N\u00e3o h\u00e1 tempo para mensagens complicadas que exigem um trabalho moroso de decodifica\u00e7\u00e3o. Qualquer usu\u00e1rio da l\u00edngua comunica e se faz entender. Isto significa que, de um modo geral, todos usamos do mesmo c\u00f3digo ao enviar nossas mensagens.<\/p>\n<p>Atualmente, mais do que nunca, a l\u00edngua tomou-se um elemento vivo, din\u00e2mico, sujeita, portanto, \u00e0s influ\u00eancias internas e externas que ocorrem em seu processo evolutivo. A fala, comunica\u00e7\u00e3o oral, sempre aparece antes da l\u00edngua, comunica\u00e7\u00e3o escrita e normativa. Por isso, recebe, diretamente, a marca de seu usu\u00e1rio. Nesse sentido, explica-se o fato de muitos desses falantes criarem um c\u00f3digo pr\u00f3prio para sua comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos anos 60, at\u00e9 os dias de hoje, assistimos a uma renova\u00e7\u00e3o em defesa de uma comunica\u00e7\u00e3o mais livre. Sem falar dos c\u00f3digos n\u00e3o verbais, como senhas e gestos de profundo valor semi\u00f3tico, contamos com um vocabul\u00e1rio pr\u00f3prio, constitu\u00eddo de interessant\u00edssimas palavras. Essas pertencem a determinado grupo e como tal funciona comunicativamente entre os indiv\u00edduos que ao grupo pertencem.<\/p>\n<p>Por outro lado, parece que a \u00e2nsia de liberdade em seu sentido mais amplo transparece no modo de comunicarmos. As palavras saem de suas classifica\u00e7\u00f5es normais, seguindo uma trajet\u00f3ria completamente livre. J\u00f3ia, legal, transa, \u00e9 meu!, t\u00f4 numa boa, qual \u00e9 a tua?, Pode crer!, Faz parte!, Certo mano!, Maneiro!, Fala s\u00e9rio!, Pagar mico!, E a\u00ed!, Qual\u00e9!, s\u00e3o exemplos t\u00edpicos de que rebelamos contra os &#8220;-ismos&#8221; que a cultura tradicional tenta impor-nos. Mas, os neologismos s\u00e3o justific\u00e1veis, se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que eles s\u00e3o conseq\u00fc\u00eancia do choque entre os &#8220;-ismos&#8221; de um lado e o individualismo, de outro. Ai a situa\u00e7\u00e3o se agrava, para a l\u00edngua \u00e9 claro. Ela \u00e9 unidade e por isso deve ser preservada.<\/p>\n<p>O nominalismo \u00e9 v\u00e1lido, desde que empregado em contextos onde falante e ouvinte possuam seus c\u00f3digos pr\u00e9-estabelecidos.<\/p>\n<p>Reconhecemos na explos\u00e3o dos visuais colocados nos p\u00e1ra-brisas e p\u00e1ra-choques dos carros, o nosso folclore urbano. Essencialmente, estamos diante de linguagem, se compararmos com aquela dos p\u00e1ra-choques de caminh\u00f5es. A \u00fanica diferen\u00e7a se d\u00e1 por uma quest\u00e3o de espa\u00e7o: no p\u00e1ra-choque ou no p\u00e1ra-brisa, a mesma filosofia, o mesmo desejo de explicar as coisas e o mundo.<\/p>\n<p><b>Temas como: <\/b>20 ver, 100 destino, 80 \u00e7\u00e3o, 100 dinheiro; K-pet\u00e3o, K-cetada; Batida, s\u00f3 de pinga com lim\u00e3o; Hei de vencer, mesmo sendo professor; Bramalogia; Corintiologia; Mulherologia; Estou rezando 1\/3 para achar 1\/2 de levar voc\u00ea a \u00bc; e mais recentemente: Xiqui no \u00fartimo; Aqui s\u00f3 entra avi\u00e3o; s\u00e3o exemplos v\u00e1lidos, se entendermos que os limites do regional, em seu n\u00edvel mais profundo, tangenciam o pensar de outros seres exclu\u00eddos do contexto cultural civilizado. Ou, que nesses indiv\u00edduos predomina a fun\u00e7\u00e3o imaginativa que reveste ou afasta o real, gerando a interpreta\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica.<\/p>\n<p><b>Concluindo: <\/b>um grupo tem necessidade de criar um c\u00f3digo ou c\u00f3digos para se comunicar. O perigo est\u00e1 no fato de n\u00e3o se respeitar a unidade ling\u00fc\u00edstica. Faz-se necess\u00e1ria uma distin\u00e7\u00e3o entre a comunica\u00e7\u00e3o oral e a l\u00edngua escrita. Cabe aos meios de divulga\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o de massa policiar a norma culta brasileira. Os ataques \u00e0 g\u00edria e aos neologismos n\u00e3o levam a nada. Tamb\u00e9m n\u00e3o se trata de tomar partido daqueles que entendem comunica\u00e7\u00e3o, a partir de modelos cl\u00e1ssicos e r\u00edgidos, distantes da realidade ling\u00fc\u00edstica. O mais v\u00e1lido \u00e9 adotarmos a id\u00e9ia de escolher entre os modelos liter\u00e1rios contempor\u00e2neos aqueles que mais satisfa\u00e7am as nossas exig\u00eancias atuais. Essa sim, parece-nos seja uma tomada de posi\u00e7\u00e3o coerente, uma vez que recoloca a norma culta como um processo din\u00e2mico e historicamente condicionado. Tem mais n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<h2>Os Epit\u00e1fios<\/h2>\n<p>Epit\u00e1fios s\u00e3o os escritos sobre as lousas tumulares. O termo, origin\u00e1rio do grego, \u00e9 assim formado: EPI, prefixo que designa posi\u00e7\u00e3o superior e TAFOS, radical que significa t\u00famulo.<\/p>\n<p>Pode-se afirmar que as escritas tumulares s\u00e3o um grande livro. Livro constitu\u00eddo de alfabeto e escrita pr\u00f3prios, nascido e registrado pela espontaneidade de linguagem rica e viva no plano de comunica\u00e7\u00e3o humana. O estado de esp\u00edrito que revela, cont\u00e9m uma sabedoria surpreendente de que somos espectadores.<\/p>\n<p>Percorrendo os t\u00famulos, e lendo essas escritas, descobrimos uma simplicidade descontra\u00edda do saber popular.<\/p>\n<p>Essas inscri\u00e7\u00f5es tumulares constituem elogios f\u00fanebres e aparecem em prosa ou em verso (geralmente, quadra). Referem-se ao amor, \u00e0 saudade, \u00e0 esperan\u00e7a, ao consolo, \u00e0 tristeza ou \u00e0 revolta.<\/p>\n<p>Exemplos dos t\u00famulos de crian\u00e7as:<\/p>\n<p>Adeus, querido filhinho,<br \/>\nQue partiu com tenra idade,<br \/>\nLevando ao c\u00e9u a esperan\u00e7a,<br \/>\nDeixando, em n\u00f3s, a saudade.<\/p>\n<p>Candura, gra\u00e7a, inoc\u00eancia,<br \/>\nRefugiaram-se aqui.<br \/>\nTerra, n\u00e3o peses sobre ela,<br \/>\nPois n\u00e3o pesou sobre ti.<\/p>\n<p>Aqui jazem os meus ossos,<br \/>\nNeste campo de igualdade,<br \/>\nPara onde vir\u00e3o os vossos,<br \/>\nQuando Deus tiver vontade.<\/p>\n<p>Por ser muito boazinha<br \/>\nN\u00e3o p\u00f4de morar aqui,<br \/>\nFoi ficar com os anjinhos<br \/>\nDeus a levou para si.<\/p>\n<p>E este outro de t\u00famulo de adulto:<\/p>\n<p>Eu que nunca um s\u00f3 momento,<br \/>\nSenti paix\u00e3o pelo ouro,<br \/>\nHoje por causa da morte,<br \/>\nGuardo enterrado um tesouro.<br \/>\n(Do filho \u00e0 m\u00e3e)<\/p>\n<p>\u201cLina,<br \/>\nDorme tranq\u00fcila no teu g\u00e9lido leito<br \/>\nDorme o teu \u00faltimo e derradeiro sonno<br \/>\nAnjo de candura e bondade<br \/>\nMas n\u00e3o te esque\u00e7as de teus paes<br \/>\nQue te dedicaram a mais<br \/>\npura e sincera das amizades.<br \/>\nFallecida em 6-8-1916<br \/>\nCom um anno de edade.&#8221;<\/p>\n<p>Este trabalho envolve alguns aspectos mais representativos dos epit\u00e1fios, recolhidos no Cemit\u00e9rio Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, de Ol\u00edmpia-SP<\/p>\n<p>\u201cDorme Ida, nosso thezoro<br \/>\nQue ao clar\u00e3o do triste luar,<br \/>\nOs anjos das asas douro<br \/>\nDo c\u00e9u te venh\u00e3o embalar.<br \/>\nFallecida &#8211; 19-6-1916<br \/>\nCom 21 meses de edade<br \/>\nSaudades de seus Paes\u201d.<\/p>\n<p>\u201cRuth:<br \/>\nAnjo de candura e inoc\u00eancia<br \/>\nDorme tranquilla em teu g\u00e9lido leito,<br \/>\nmas n\u00e3o te esque\u00e7as de teus Paes<br \/>\ne irm\u00e3os inconsol\u00e1veis.<br \/>\nNascida em 7-10-1924<br \/>\nMorta em 6-2-1926\u201d<\/p>\n<p>\u201cAo inesquec\u00edvel anjinho<br \/>\nDe que valeu meu orgulho<br \/>\nde seres filho meu<br \/>\nPois Deus tamb\u00e9m cobi\u00e7ou-te<br \/>\nLevando-te para o c\u00e9u.<br \/>\nO teu apelido anjinho<br \/>\nEra ornado a ti<br \/>\nFoste um verdadeiro anjo<br \/>\nN\u00e3o eras mesmo daqui.<br \/>\nDe m\u00e3o a saudade<br \/>\nE a mais intensa e pura<br \/>\nS\u00f3 desaparecer\u00e1 um dia<br \/>\nUnindo-nos \u00e0 sepultura.<br \/>\nSua m\u00e3e.<br \/>\nB.O.N.<br \/>\nNascido em 7-4-1945<br \/>\nFalecido em 1-11-1947\u201d.<\/p>\n<p>\u201cE.S.A.<br \/>\nAs tuas excelsas virtudes<br \/>\nContribuam para que sejas eleito de Deus!<br \/>\nO bem que semeastes na terra<br \/>\nSe transforme em profus\u00e3o<br \/>\nDe gra\u00e7a para tua vida suprema!<br \/>\nAmparai na desventura<br \/>\nE consolai no sofrimento<br \/>\nOs que n\u00e3o te esquecer\u00e3o<br \/>\nEsposa e Filhos<br \/>\n8-7-1938\u201d.<\/p>\n<p>Dair<br \/>\nAnjo de ternura,<br \/>\nO ideal inesquec\u00edvel de seus paes<br \/>\nDorme tranquilla&#8230;<br \/>\nQue o teu ber\u00e7o seja embalado<br \/>\nPelos bravos de MORPHEU,<br \/>\nAureolado pelos anjos,<br \/>\nEspargindo bra\u00e7adas de flores<br \/>\nSobre o teu solit\u00e1rio leito.<br \/>\nFallecida em 3 de janeiro de<br \/>\n1917 com 6 meses de edade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui jaz os restos mortais do jovem A.S.<br \/>\nBarbaramente assassinado<br \/>\nno dia 18 de agosto de 1928.<br \/>\nSaudades de seus paes&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cDorme Dalva tranq\u00fcila<br \/>\nno teu g\u00e9lido e teu \u00faltimo<br \/>\ne derradeiro sonno<br \/>\nmas n\u00e3o te esque\u00e7as de<br \/>\nteus paes e irm\u00e3os.<br \/>\nNascida em 14-4-1924<br \/>\nMorta em 4-1t-1924\u201d.<\/p>\n<p>\u201cM. de C.<br \/>\nNascida em 30-3-1920<br \/>\nMorta em 19-7-1954<br \/>\nSaudades de meus irm\u00e3os<br \/>\ne sobrinhos com saudade parti<br \/>\npara um novo mundo.<br \/>\nDeixei aos meus uma dor profunda<br \/>\nsomente a f\u00e9 podem servir de<br \/>\nlenitivo Jesus Querido,<br \/>\nDae-me o descanso e a luz eterna&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui dorme o sono eterno<br \/>\nM.A.R.<br \/>\nMorta em 23-12-1944<br \/>\nCom 38 anos<br \/>\nAmparai na desventura e<br \/>\nconsolai no sofrimento os que<br \/>\nnunca te esqueceram esposo,<br \/>\nfilhos e parentes<br \/>\nSaudades&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;V.M.J.<br \/>\nNascida em :10-11-1890<br \/>\nMorta em 28-3-1945<br \/>\nA Ela as l\u00e1grimas sentidas<br \/>\nBrotadas do fundo dos<br \/>\ncora\u00e7\u00f5es de seus filhos, irm\u00e3os,<br \/>\ngenros, nora, netos,<br \/>\nparentes e amigos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui jaz<br \/>\nos restos mortais de A.P.<br \/>\nFalecida no dia 7-6-1929<br \/>\nCom 87 annos de idade<br \/>\nsaudades de seus filhos<br \/>\ngenros e netos.<br \/>\nDorme, querida m\u00e3i<br \/>\no sonno da eternidade<br \/>\ndeixas-tes teus filhos<br \/>\ncom a dor da saudade<br \/>\norai por n\u00f3s&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Anjos<br \/>\nSe da mans\u00e3o celeste<br \/>\n\u00e9 permitido ver as pessoas<br \/>\nqueridas aqui na terra<br \/>\nfixaes em nossos olhos<br \/>\ne iluminai os nossos passos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Pais queridos<br \/>\nDorme em paz<br \/>\nEmbalado na solid\u00e3o<br \/>\nAt\u00e9 Jesus te chamar<br \/>\nPara a celestial mans\u00e3o.<br \/>\nT\u00famulo de L.M. &#8211; (1932)<br \/>\nB.M. &#8211; (1943)&#8221;.<\/p>\n<p>De qualquer modo, em qualquer uma dessas ocorr\u00eancias, o que sobressai e predomina \u00e9 a \u00edndole instrutiva do progresso sint\u00e9tico de nossa gente.<\/p>\n<p>Prof\u00ba Ant\u00f4nio Calixto<\/p>\n<p>Fonte: ifolclore.vilabol.uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folclore Verbal, Hist\u00f3ria, Origem, O que \u00e9, Linguagem Criptol\u00f3gica, Comunica\u00e7\u00e3o, Cultura, Modos, Vantagens, Brasil, Folclore 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