{"id":75205,"date":"2016-08-04T14:52:48","date_gmt":"2016-08-04T14:52:48","guid":{"rendered":"http:\/\/cmsportal.dalfers.com.br\/?p=75205"},"modified":"2026-07-24T17:05:47","modified_gmt":"2026-07-24T19:05:47","slug":"festa-do-divino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/curiosidades\/festa-do-divino","title":{"rendered":"Festa do Divino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Manifesta\u00e7\u00e3o religiosa e cultural importante de muitas cidades do interior do pa\u00eds, a\u00a0<b>Festa do Divino\u00a0Esp\u00edrito\u00a0Santo\u00a0<\/b>surgiu em Alenquer, Portugal, no s\u00e9culo XIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rainha Isabel de Arag\u00e3o \u2013 que se tornaria Santa Isabel \u2013 esposa do Rei Trovador Dom Dinis, mandou construir uma igreja em homenagem ao Divino, dando in\u00edcio \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es. Nas cidades onde n\u00e3o se podia contar com a presen\u00e7a da corte imperial, os devotos que participavam da festa fantasiavam-se de cortes\u00e3os, o que acabou se tornando uma tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada ano, um novo imperador \u00e9 escolhido. Em alguns lugares \u00e9 um adulto, em outros, um adolescente ou crian\u00e7a. Ele participa de todos os rituais, tentando sempre superar o desempenho de seu antecessor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Normalmente, a festa \u00e9 dividida em tr\u00eas momentos<\/b>: coroa\u00e7\u00e3o do imperador, rituais de homenagem ao Divino e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos. Seus maiores s\u00edmbolos s\u00e3o a bandeira vermelha e a pomba branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>come\u00e7ou a ser celebrada no Brasil por volta de 1765, trazida por portugueses principalmente para as \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o do ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo o pa\u00eds, observa-se pontos comuns entre as celebra\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m caracter\u00edsticas peculiares assumidas de acordo com o lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, por exemplo, incorporou elementos da cultura africana e ind\u00edgena em seus rituais, espelhando o sincretismo j\u00e1 existente no estado. J\u00e1 em Paraty, os rituais se aproximam mais de sua origem portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas as cidades, as celebra\u00e7\u00f5es contam com missas, prociss\u00f5es, novenas e, quando h\u00e1 programa\u00e7\u00e3o paralela, festa com barraquinhas e shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente \u00e9 comemorada durante as Festividades de Pentecostes \u2013 50 dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa \u2013 que acontece em maio ou junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A Festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-179354\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/festa-do-divino-1.jpg\" alt=\"Festa do Divino\" width=\"291\" height=\"252\" \/><b>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Na aus\u00eancia de documentos que registrem a origem das festas do Divino, esse assunto vem sendo bastante questionado. Apenas este comentado evento, vem sendo perpassado tradicionalmente por informa\u00e7\u00f5es oral, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No intuito de que alguma coisa seja lavrada no papel, com muita mod\u00e9stia e simplicidade que me \u00e9 peculiar, decidi por escrever sobre um pouco do que tenho guardado na mem\u00f3ria daquilo que a tradi\u00e7\u00e3o vem conduzindo atrav\u00e9s dos tempos, contado por pessoas que sempre considerei digna de respeito e credibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destas, ouvi que a\u00a0<strong>festa do Divino<\/strong>, teve sua origem em Portugal, onde seu povo essencialmente devota \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica, em cujo relato que n\u00e3o foi escrito desse que num certo tempo aquele pa\u00eds viu-se mergulhado numa situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sem precedentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as fontes produtoras, em profunda decad\u00eancia; falta de trabalhos, desemprego e o caos a amea\u00e7ar toda Portugal. Para o rei ou imperador, apesar de todos os seus esfor\u00e7os estarem sendo in\u00fateis, j\u00e1 n\u00e3o restava quase mais nada a fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Como tirar o pa\u00eds da crise?\u00a0<b>Ent\u00e3o \u00fanica tentativa lhes caberia. Apelar para a ajuda do Alt\u00edssimo<\/b>: foi o que o rei fez, e com grande sucesso para o futuro do seu reinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num domingo de Pentecostes, convocou toda a corte e seu povo, e num ato p\u00fablico religioso, colocou a sua coroa diante dos s\u00edmbolos do Divino e Sant\u00edssima Trindade entregando todo reinado; dizia que daquele momento em diante, ele, o rei seria um simples instrumento nas m\u00e3os do Divino, e o Divino seria o rei de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Rei e povo formaram um grande cortejo nos derredores palacianos com festas em honra ao novo rei<\/b>: O Divino. O que esta hist\u00f3ria conta que a partir desse ato de f\u00e9 e religiosidade, o pa\u00eds saiu da crise, seu povo prosperou e as conquistas aconteceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\">Foi desta forma que se originou as festas do Divino e que foram oficializadas as suas celebra\u00e7\u00f5es por todo o pa\u00eds, tornando-se uma tradi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria onde foram se estendendo por todas as terras de dom\u00ednio portugu\u00eas, inclusive o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como \u00e9 celebrada esta festa no Brasil<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-179355\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/festa-do-divino-2.jpg\" alt=\"Festa do Divino\" width=\"484\" height=\"274\" \/><b>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">No Brasil, devido as diversifica\u00e7\u00f5es de atividades agr\u00edcolas e cada regi\u00e3o, as festas do Divino s\u00e3o celebradas em datas diferentes. No caso da nossa Jacupiranga, que se situa na regi\u00e3o do Vale do Ribeira, que desde seus prim\u00f3rdios tinha como suporte econ\u00f4mico, o cultivo do arroz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta regi\u00e3o, a colheita deste cereal acontecia do m\u00eas de abril, aos meados do m\u00eas de junho. Era \u00e9poca em que o agricultor redobrava seus trabalhos, para n\u00e3o acontecer perdas na produ\u00e7\u00e3o. A labuta ia da madrugada at\u00e9 ao anoitecer, quando o campo j\u00e1 estava totalmente escuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do m\u00eas de junho, quando a safra j\u00e1 estava totalmente recolhida nos celeiros, e pronto para a comercializa\u00e7\u00e3o, era o tempo de comemorar e festejar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ai, se pode dar algumas explica\u00e7\u00f5es sobre o porqu\u00ea, destas festas se realizarem nos dias 29 e 30 de junho, dia dos Ap\u00f3stolos, Pedro e Paulo, na \u00e9poca, dia santificado pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sobejamente sabido, que as festas do Divino propriamente dita por este Brasil afora, teve a sua origem em Portugal conforme relata-se no cap\u00edtulo inicial do pequeno hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil uma col\u00f4nia pertencente a Portugal, seus e colonizadores trouxeram estas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A medida em que as ocupa\u00e7\u00f5es iam se sucedendo pelos portugueses que iniciou-se pelas faixas litor\u00e2neas, onde povoados, vilas e mais tarde cidades, a cada ano a implantaram como celebra\u00e7\u00e3o de maior import\u00e2ncia, a\u00a0<strong>festa do Divino<\/strong>. Adentrando a explora\u00e7\u00e3o do interior da nossa terra, na medida em que as cidades iam se formando, as festividades em louvor ao Divino tamb\u00e9m ganharam espa\u00e7o, sempre com mais brilho e express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu conte\u00fado de\u00a0<strong>festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/strong>, traz a recorda\u00e7\u00e3o da descida do Esp\u00edrito Santo, sobre os ap\u00f3stolos junto com Maria, M\u00e3e de Jesus no cen\u00e1culo de Jerusal\u00e9m, que aconteceu cinq\u00fcenta dias passada a P\u00e1scoa dos judeus; da\u00ed o nome Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja cat\u00f3lica, guardi\u00e3 destes mist\u00e9rios a celebra com muita devo\u00e7\u00e3o e muita f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A festa do Divino na outrora Jacupiranga<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Revela-nos a tradi\u00e7\u00e3o, que as festas do Divino Esp\u00edrito Santo e Sant\u00edssima Trindade fora introduzida na primitiva Botujuru, hoje cidade de Jacupiranga, pelo portugu\u00eas Ant\u00f4nio Pinto Leite de Magalh\u00e3es Mesquita cujo personagem \u00e9 explicitada na hist\u00f3ria desta cidade; quanto a data desta introdu\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria n\u00e3o nos d\u00e1 uma indica\u00e7\u00e3o precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos a informa\u00e7\u00e3o que nos idos tempos estas festividades ocupavam tr\u00eas dias, e eram realizadas com grandes pompas. No dia 28 de junho, era solenemente aberta as festividades com o trajeto da banda de m\u00fasica, as bandeiras e roj\u00f5es, que saia da casa do festeiro do ano anterior, indo at\u00e9 a resid\u00eancia do festeiro novo assim dito, at\u00e9 a Igreja. No final realizava-se a primeira novena e logo ap\u00f3s os leil\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dia 29 de junho, dedicado ao Divino, nos trajetos ou prociss\u00f5es deste dia, saia \u00e0 frente, o festeiro, ladeado das bandeiras vermelha; no dia 30 de junho, dedicada \u00e0 Sant\u00edssima Trindade, saia \u00e0 frente a esposa do festeiro ladeada com bandeiras branca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era na missa do dia 30 que se dava o sorteio para os festeiros do ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A festa do Divino e os preparativos<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Anualmente realizavam-se as festividades do Divino Esp\u00edrito Santo e Sant\u00edssima Trindade \u2013 era a grande festa, ansiosamente esperada por todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a sua realiza\u00e7\u00e3o a contento contava-se com um longo tempo de prepara\u00e7\u00e3o, tendo como principais itens, a sa\u00edda das bandeiras para as zonas rurais que tinha a finalidade de angariar donativos.<b>\u00a0Havia o dia fixo para este acontecimento<\/b>: o dia 1\u00ba de maio de cada ano, com uma longa maratona a se cumprir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamavam-na a cada grupo de bandeira de &#8220;tripula\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta &#8220;tripula\u00e7\u00e3o&#8221; era composta de um alferes assim chamado; essa pessoa era quem comandava o restante do grupo. Este era quem recebia a bandeira; fazia parte ainda dos seus apetrechos um pequeno ba\u00fa met\u00e1lico, um caderno e um l\u00e1pis para as anota\u00e7\u00f5es das receitas e despesas durante todo o percurso, e fazer as remessas \u00e0 casa do festeiro. Al\u00e9m do alferes, faziam parte da &#8220;tripula\u00e7\u00e3o&#8221;, o foli\u00e3o com a viola que entoava m tocador de rabeca, dois meninos; um com a caixa de percuss\u00e3o e outro com um tri\u00e2ngulo.\u00a0<b>Ambos com as vozes graves e agudas entoavam os finais dos versos do foli\u00e3o com o<\/b>: \u00f4\u00f4\u00f4\u00f4i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazia tamb\u00e9m parte da &#8220;tripula\u00e7\u00e3o&#8221; uma pessoa que a chamavam de camarada. Este era dado o trabalho de recolher as doa\u00e7\u00f5es e fazer o transporte at\u00e9 a resid\u00eancia do festeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos produtos arrecadados, os aptos a assar iam para a mesa dos leil\u00f5es no dia das festas; outros produtos eram vendido no com\u00e9rcio local, cuja renda revertia-se ao pagamento das demais despesas que obviamente as tinha. O restante era repassado para a pessoa respons\u00e1vel na manuten\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grupos que formavam as bandeiras cumpriam uma maratona de aproximadamente 45 dias. Ao retornaram \u00e0 cidade, as bandeiras eram recebidas pela comunidade paroquial, com muita festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da chegada das bandeiras, festeiro e povo entravam pesados nos preparativos, para os grandes dias das celebra\u00e7\u00f5es com o in\u00edcio da novena.\u00a0<b>Al\u00e9m dos preparativos das festas, o povo em geral tamb\u00e9m preparava-se com muito esmero nas suas indument\u00e1rias:<\/b>\u00a0roupas novas, sapatos, chap\u00e9us e agasalhos; pois, nessa \u00e9poca o frio sempre foi rigoroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As costureiras e alfaiates trabalhavam dia e noite sem parar, para atender a demanda, porque na noite do dia 28, j\u00e1 come\u00e7avam as festas, com rezas roj\u00f5es e trajeto com a banda musical, conduzindo o festeiro e a festeira do ano anterior at\u00e9 a casa do novo festeiro, com as bandeiras vermelha, s\u00edmbolo do Divino, e as bandeiras branca, s\u00edmbolo da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 frente do cortejo seguia o imperador do ano que passou, conduzindo a coroa maior, atr\u00e1s vai a imperatriz que \u00e9 a esposa do imperador conduzindo a coroa menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O cortejo dirige-se \u00e0 igreja matriz, onde se realiza a transfer\u00eancia das coroas<\/b>:\u00a0<b>festeiros anteriores e atuais se ajoelham diante do padre celebrante<\/b>:\u00a0<b>o padre toma a coroa das m\u00e3os do festeiro anterior<\/b>: e, num gesto a coloca sobre a cabe\u00e7a, para depois fazer o mesmo com o festeiro atual, onde lhe faz a entrada da coroa; o mesmo fazendo com a imperatriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade toda engalanada anuncia que a festa j\u00e1 come\u00e7ou. O povo todo, obrigatoriamente, veste-se com seus melhores trajes e os homens com seus ternos e gravatas, costume este que hoje se dispensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A comunidade toda envolvida na festa do divino<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Em \u00e9poca n\u00e3o muito remota, quando ainda n\u00e3o havia estradas de rodagem nas zonas rurais, o povo se locomovia a p\u00e9 ou a cavalo por trilhas transpondo lugares escabrosos e perigosos, para se chegar \u00e0 cidade. De determinados pontos, s vezes demorava mais de um dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto motivava os moradores da cidade ceder abrigo nas suas casas durante os dias das festas. Nesses dias, a cidade ficava toda tomada de povo, e barulhenta. As festas eram ocasi\u00f5es prop\u00edcias para fazerem seus casamentos e batizados; e, onde se arranjavam novos compadres e afilhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ai oferecia-se mesas um pouco diferenciadas daquelas que se ofereciam nos s\u00edtios<\/b>: bolos mais confeitados, sem faltar a t\u00edpica broinha do s\u00edtio, sempre regadas com vinhos, a bebida preferida para essas festas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um per\u00edodo de interrup\u00e7\u00f5es nas tradicionais Festa do Divino<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Nos finais da d\u00e9cada de 1960, as tradicionais festas do Divino que se realizavam nos dias dos ap\u00f3stolos S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, passou por um per\u00edodo de interrup\u00e7\u00e3o. Foi quando assumiu a dire\u00e7\u00e3o da Par\u00f3quia o Padre Pedro Djalma V. dos Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia transcorrido algum tempo da realiza\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, quando interpreta\u00e7\u00f5es diversas pairavam sobre a dire\u00e7\u00e3o da Igreja, no tocante a algumas mudan\u00e7as nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o logo o padre assumiu a Par\u00f3quia, a popula\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, viu-se tomada por algumas surpresas. Dentre outras, as mudan\u00e7as das festas do Divino costumeiramente celebrado no dia 29 de junho, para o Domingo de Pentecostes. Foi um \u201cDeus nos acuda!\u201d Muitos questionamentos sobre esse fato; sem qualquer alternativa foi aceit\u00e1-la; pois argumentava o Padre que era uma ordem superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aconteceu a primeira\u00a0<strong>festa do Divino\u00a0<\/strong>no Domingo de Pentecostes, que come\u00e7ou com uma grande frustra\u00e7\u00e3o da comunidade cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A festa com a missa das 10:00 horas n\u00e3o passou de uma simples missa dominical; a prociss\u00e3o da tarde com reduzido n\u00fameros de fi\u00e9is:<\/b> alguns &#8220;gatos pingados&#8221;, no linguajar da g\u00edria popular.<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">No dia 29 de junho foram chegando pessoas de outras cidades muito acostumadas com a festa. Da\u00ed suas decep\u00e7\u00f5es e as cr\u00edticas, reclamando sobres estas mudan\u00e7as, julgando a popula\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, que n\u00e3o deixavam de sentirem-se mergulhadas nesse constrangimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o tempo em que o Padre permaneceu na par\u00f3quia, as festas do Divino foram perdendo todo aquele brilho que passou a restar somente saudades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Uma festa para S\u00e3o Pedro Preencher a lacuna<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">O ocorrido com as mudan\u00e7as nas festas do Divino deu espa\u00e7os para muitas conversa\u00e7\u00f5es entre paroquianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o, que algumas pessoas integrantes de um grupo de Curshilistas atuantes na \u00e9poca, tomaram a decis\u00e3o de promover uma festa a S\u00e3o Pedro no dia 29 de junho para preencher o vazio deixado pela\u00a0<strong>festa do Divino<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Essas pessoas foram<\/b>:\u00a0<b>Angelo L\u00facio da Motta, Guilherme Gimenes, Cin\u00e9sio Primo de Almeida e Ant\u00f4nio Zanon; somaram-se tamb\u00e9m a este pequeno grupo, algumas senhoras da Irmandade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus<\/b>: Eremita M. Abu-Yaghi, Nat\u00e1lia Lima Macedo, Maria Jos\u00e9 O. Lima (dona Z\u00e9za), An\u00e9sia M. Pasquini \u2013 esta irmandade tamb\u00e9m extinta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Elaborada a programa\u00e7\u00e3o da festa, faltava algo importante<\/b>: a imagem de S\u00e3o Pedro, pois a Par\u00f3quia n\u00e3o a possu\u00eda. Ao saber que numa comunidade de uma par\u00f3quia vizinha existia a imagem, este grupo de senhoras para l\u00e1 se dirigiram e conseguiram emprest\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os trabalhos destes grupos, a nova festa obteve sucesso; a missa e a prociss\u00e3o foi muito bonita, com empolga\u00e7\u00f5es surpreendentes dando \u00e0 cidade aquela conota\u00e7\u00e3o festiva que o tempo tinha deixado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Voltando naquilo que fora a tradi\u00e7\u00e3o:<\/b>\u00a0A festa do Divino<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\"><b>Decorrendo os meados da d\u00e9cada de 1970, com a chegada de outro padre para a dire\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia, ocorrem algumas inova\u00e7\u00f5es no que diz respeito s celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e festivas<\/b>: o Padre Bras\u00edlio Alves de Assis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo p\u00e1roco, buscando informar-se melhor sobre os calend\u00e1rios das festas religiosas da comunidade pode sentir que mudan\u00e7as bruscas ocorreram dentro de um per\u00edodo n\u00e3o muito remoto. Inteirado sobre esses acontecimentos onde as festas do Divino atravessaram d\u00e9cadas marcando tradi\u00e7\u00f5es, e, quando desde os prim\u00f3rdios se realizavam pelos dias 29 e 30 de junho; este, junto a comunidade decidiu retom\u00e1-la para a sua data primitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contando com apoio irrestrito da comunidade, na sua pr\u00f3xima celebra\u00e7\u00e3o festiva, procurou dar \u00eanfase a este ato quase ficando ao esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Bras\u00edlio saiu \u00e0 procura de foli\u00f5es e, encontrando com Ant\u00f4nio Gald\u00eancio e Fausto Groth, com estes conseguiu, embora a princ\u00edpio sem muito est\u00edmulo, como aquelas folias de d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anunciados como foli\u00f5es do Divino, estes aguardavam pelos convites feitos por moradores, quando levando as bandeiras visitavam as fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes tipos de folias duraram por alguns anos, quando os foli\u00f5es foram acometidos pela doen\u00e7a e mais tarde \u00e0 morte. N\u00e3o encontrando substituto, este ciclo foi encerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O retorno das bandeiras<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Animados grupos da comunidade urbana inteligentemente se organizam para manter as festas do Divino sempre bela e atraente. \u00c9 quando v\u00e3o ao encontro das comunidades rurais com orquestrados grupos e bandeiras, para visit\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As comunidades rurais j\u00e1 as esperam, e recebem com muita devo\u00e7\u00e3o, um sentimento religioso herdado dos seus ancestrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na chegada \u00e0s comunidades, realiza-se na capela um ato religioso com a bandeira do Divino. Ai o animador do grupo pronuncia sobre a leitura do Evangelho do dia e fazendo referencia as festas. Na comunidade, \u00e9 deixada a bandeira, que fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que desejarem cada uma em sua resid\u00eancia por dia, quando a mesma dever\u00e1 retorn\u00e1-la \u00e0 Matriz no dia 20 de junho, dia da primeira novena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas comunidades rurais, \u00e9 oferecida \u00e0 caravana o delicioso caf\u00e9, bem a moda sertaneja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa para o retorno das bandeiras \u00e9 de muita anima\u00e7\u00e3o; pois a\u00ed, \u00e9 quando o povo da comunidade dever\u00e1 retribuir as manifesta\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">de carinho, recebido nas comunidades rurais e as suas preciosas colabora\u00e7\u00f5es materiais, necess\u00e1rias para a festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 20 de junho, in\u00edcio da novena, as comunidades rurais e urbanas, empunhando as bandeiras, adentra em prociss\u00e3o no recinto da Igreja, cumprindo todo o ritual festivo, num entusi\u00e1stico ato de confraterniza\u00e7\u00e3o, encerra a chegada das bandeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>De gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o a tradi\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\">Ao compararmos ao p\u00e9 da hist\u00f3ria, o caminhar dos tempos, e ao chegar atualidade, percebemos que os extremos se contrastam, em circunst\u00e2ncias das situa\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas de cada \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante ainda \u00e9 imaginarmos que as festas do Divino veio atravessando per\u00edodos dif\u00edceis, mas no seu bojo jamais deixou de apresentar o seu tradicional brilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Sobre as situa\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas, algo a deparar. A princ\u00edpio, a monocultura arrozeira, predominava em toda a regi\u00e3o<\/b>: era o sistema do trabalhador rural, lavrando a sua pr\u00f3pria terra, em regime de economia familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a introdu\u00e7\u00e3o de outros tipos de agricultura, surgiram duas categorias de trabalhadores, aonde veio mudar radicalmente todo o sistema de produ\u00e7\u00e3o. O empregador e o assalariado; este a grande for\u00e7a de trabalho no campo. A categoria de trabalhadores assalariado passou a submeter-se a ordens patronais, com folga somente nos dias de suas compras, em dia determinado pelo patr\u00e3o. Face \u00e0s novas estruturas de trabalho no campo, o trabalhador viu-se tolhido de sua liberdade de decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras inova\u00e7\u00f5es regionais que trouxeram tamb\u00e9m grandes transforma\u00e7\u00f5es foram s rodovias pavimentadas e as vicinais que revolucionou todo o sistema de transportes; os de cargas e de passageiros, e eliminou de vez os antigos sistemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme se relata no in\u00edcio, o impressionante \u00e9 que as tradi\u00e7\u00f5es festivas do Divino, embora passado por rev\u00e9s, jamais se apagou na alma desta gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><b>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo &#8211; S\u00edmbolo<\/b><\/p>\n<p class=\"r\" style=\"text-align: justify;\" align=\"center\">A\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>comemora a descida do Esp\u00edrito Santo sobre os ap\u00f3stolos de Cristo e acontece 50 dias ap\u00f3s o Domingo de P\u00e1scoa, o que corresponde ao Pentecostes do calend\u00e1rio oficial cat\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu principal s\u00edmbolo \u00e9 uma pomba branca, que representa o Divino Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa foi trazida para o Brasil pelos portugueses no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era t\u00e3o popular que, em 1822, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva escolheu para dom Pedro I o t\u00edtulo de imperador do Brasil, porque o povo estava mais acostumado com o nome imperador (do Divino) do que o de rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas cidades, o ponto alto da festa \u00e9 a coroa\u00e7\u00e3o do imperador, quando s\u00e3o usadas roupas luxuosas, feitas de veludo e cetim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dependendo da regi\u00e3o, os folguedos mais comuns da festa s\u00e3o as cavalhadas, os mo\u00e7ambiques e as congadas. H\u00e1 tamb\u00e9m dan\u00e7as, como o cururu, o jongo e o fandango.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As festas do Divino s\u00e3o comuns em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mais famosas acontecem em Piren\u00f3polis ( GO ), Parati (RJ), S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga, Mogi das Cruzes e Tiet\u00ea (SP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>Festa do Divino<\/strong>, uma das mais importantes da Igreja Cat\u00f3lica e, da cidade de Paraty, celebra a descida do Esp\u00edrito Santo sobre os disc\u00edpulos de Jesus no dia de Pentecostes. No calend\u00e1rio lit\u00fargico, o dia de Pentecostes vem 50 dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a era colonial, essa festa veio se transformando num evento de rara beleza, com apresenta\u00e7\u00e3o de folia, bando precat\u00f3rio, Ladainhas da novena, Missas cantadas, leil\u00e3o de prendas, dan\u00e7as t\u00edpicas, distribui\u00e7\u00e3o de doces para as crian\u00e7as, coroa\u00e7\u00e3o do imperador, grande almo\u00e7o que acontece na v\u00e9spera do grande dia de Pentecostes, para todos os participantes da festa, entre outros atos que refor\u00e7am nas pessoas sentimentos como o amor ao pr\u00f3ximo e a solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>festa do Divino\u00a0<\/strong>em Paraty requer um enorme e incans\u00e1vel esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o, que mobilizando a comunidade de alto a baixo e cidades vizinhas, que nos apoiam e ajudam para que t\u00e3o importante festa aconte\u00e7a com brilhantismo e grande express\u00e3o de f\u00e9. Ela \u00e9 uma rel\u00edquia do Brasil antigo, por sua autenticidade e beleza, preservando assim, tradi\u00e7\u00f5es e valores. \u00c9 por isso que a arquitetura e as festas populares que Paraty t\u00e3o bem guardou da era colonial s\u00e3o hoje seu maior patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Um pouco da hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crer no Esp\u00edrito Santo \u00e9 crer na for\u00e7a enviada sobre n\u00f3s e anunciada por Jesus. Nunca o Esp\u00edrito Santo faltou \u00e0 comunidade, embora nem sempre os crist\u00e3os tenham tomado consci\u00eancia de sua presen\u00e7a e de sua necessidade. Muitas vezes o Esp\u00edrito Santo foi esquecido, mas ele atua no sil\u00eancio e nos cora\u00e7\u00f5es de cada um que se abre ao amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo \u00e9 silenciosa, din\u00e2mica, \u00e9 fermento que nos surpreende e nos faz dizer e fazer coisas que nem imaginamos e pensamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pentecostes foi chamado pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II de &#8220;a nova primavera do Esp\u00edrito Santo&#8221;. A igreja \u00e9 um jardim e nele v\u00e3o surgindo novas flores que s\u00e3o as novas comunidades crist\u00e3s. Toda comunidade que surge, que se renova ou que desaparece \u00e9 por obra do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ent\u00e3o busquemos viver em Esp\u00edrito e verdade e, confiantes, pe\u00e7amos:<\/b>\u00a0&#8220;Inunda-nos Senhor com teu Esp\u00edrito&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada no in\u00edcio do s\u00e9culo XIV, em Portugal, pela rainha D. Izabel, a\u00a0<strong>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo\u00a0<\/strong>foi introduzida no Brasil pelos colonizadores no s\u00e9culo XIV e \u00e9 celebrada no sul fluminense desde o s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 17:00h do domingo acontece uma festiva prociss\u00e3o, que percorre as ruas da cidade levando em triunfo o s\u00edmbolo do Divino Esp\u00edrito Santo acompanhado do Imperador, sua Corte, Banda de M\u00fasica, Folia do Divino e Coral da Par\u00f3quia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 noite, em frente \u00e0 Igreja Matriz, realiza-se um leil\u00e3o de prendas arrecadadas durante o ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O levantamento do Mastro, realizado pelo festeiro, que \u00e9 um membro da comunidade escolhido no t\u00e9rmino da Festa anterior, significa que a partir daquele momento, o Santo est\u00e1 presente e que vai acontecer uma festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade de Paraty conseguiu, nestes quatro s\u00e9culos, preservar sua tradi\u00e7\u00e3o religiosa e folcl\u00f3rica, festejando e homenageando a terceira pessoa da Sant\u00edssima Trindade, o Esp\u00edrito Santo, com a magia de seus rituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bandeira da esmola, arrecada fundos para a realiza\u00e7\u00e3o da Festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cinq\u00fcenta dias ap\u00f3s o Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o as comemora\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>come\u00e7am, dando in\u00edcio a 10 dias de grande devo\u00e7\u00e3o religiosa e alegria profana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por promessa ou devo\u00e7\u00e3o, os cat\u00f3licos portando bandeiras vermelhas com o s\u00edmbolo do Divino Esp\u00edrito Santo \u2013 uma pombinha branca \u2013 percorrem todos os bairros da cidade, visitando resid\u00eancias e tendo como patrocinadores de cada noite os moradores ou as entidades de cada bairro, saindo, ent\u00e3o, em prociss\u00e3o das casas at\u00e9 a Igreja Matriz, onde s\u00e3o celebradas, durante nove dias, as ladainhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As prociss\u00f5es saem \u00e0s ruas diariamente, sempre portando bandeiras e demonstrando a f\u00e9 dos seus seguidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios \u00e9 decorada com esmero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Domingo, \u00faltimo dia da Festa, dia de Pentecostes, homenageia o Esp\u00edrito Santo, que apareceu aos ap\u00f3stolos de Cristo em forma de l\u00ednguas de fogo, cinq\u00fcenta dias ap\u00f3s a Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s 9:00h., uma festiva prociss\u00e3o sai da casa do Festeiro conduzindo o Imperador, seus Vassalos e Guarda de Honra, transladando pelas ruas da cidade o s\u00edmbolo do Divino Esp\u00edrito Santo at\u00e9 a Igreja Matriz, onde \u00e0s 10:00h., \u00e9 celebrada Missa Solene comemorativa ao Dia de Pentecostes, presidida pelo bispo da regi\u00e3o. Durante a cerim\u00f4nia, jovens recebem o Sacramento da Confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo s\u00e1bado da\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>\u00e9 um dia especial, come\u00e7a bem cedinho com os festeiros providenciando uma distribui\u00e7\u00e3o de alimentos aos mais carentes da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, sai da casa do Festeiro, uma prociss\u00e3o com as Bandeiras acompanhada da Banda de M\u00fasica e da Folia do Divino, em Bando Precat\u00f3rio pelas ruas da cidade, arrecadando dinheiro para as despesas da festa, que s\u00e3o muitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, \u00e0s 19:30h., \u00e9 realizada a \u00faltima ladainha encerrando a novena. Logo depois \u00e9 celebrada Missa na Igreja Matriz.<b>\u00a0Findos os atos religiosos, tem in\u00edcio outra cerim\u00f4nia tradicional da\u00a0<\/b><strong>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo\u00a0<\/strong><b>de Paraty, preservada pela comunidade<\/b>: A coroa\u00e7\u00e3o do Imperador do Divino Esp\u00edrito Santo.\u00a0<b>Vestidos em traje de gala da \u00e9poca do Imp\u00e9rio, meninos, escolhidos pelo Festeiro, acompanham o Imperador, formando sua corte<\/b>: s\u00e3o os Vassalos e a Guarda de Honra do Imperador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o Imperador presidir as festividades da tarde do s\u00e1bado, \u00e9 montado o Imp\u00e9rio do Divino \u2013 um palanque luxuoso com trono para o Imperador e bancos para seus Vassalos que, sentados, assistem \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o das dan\u00e7as t\u00edpicas da regi\u00e3o, outra preciosidade das tradi\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas que ainda perduram em Paraty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos \u00faltimos momentos da festa \u00e9 a passagem da Bandeira para o pr\u00f3ximo Festeiro, cerim\u00f4nia que conta com a participa\u00e7\u00e3o dos Foli\u00f5es do Divino e a presen\u00e7a do Imperador e da Corte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Paraty, a\u00a0<strong>Festa do Divino\u00a0<\/strong>foi se transformando, se adaptando realidade local, mas conservando sempre suas caracter\u00edsticas religiosas de agradecimentos e promessas e tamb\u00e9m preservando seu aspecto pag\u00e3o de recrea\u00e7\u00e3o e divertimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo\u00a0<\/strong>de Paraty \u00e9 a mais tradicional do pa\u00eds, apesar da a\u00e7\u00e3o transformadora do tempo e da integra\u00e7\u00e3o da cidade e de seus habitantes com a cultura dos grandes centros do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma grande queima de fogos de artif\u00edcio p\u00f5e um ponto final nas comemora\u00e7\u00f5es da\u00a0<strong>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo\u00a0<\/strong>de Paraty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><b>COROA\u00c7\u00c3O DO IMPERADOR<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consta que a\u00a0<strong>festa do Divino Esp\u00edrito Santo<\/strong>, como se conhece em Paraty, foi criada pela Rainha Dona Isabel de Portugal, no ano de 1296, quando convidou o clero, nobreza e povo para assistirem a Missa de Pentecostes. Naquela ocasi\u00e3o, dentre os pobres que estavam presentes cerim\u00f4nia, convidou-se o mais pobre para ocupar o lugar do rei, no trono, na capela-mor.\u00a0<b>Ali o pobre ajoelhou-se e o bispo colocou-lhe sobre a cabe\u00e7a a coroa real, enquanto o povo cantava o hino<\/b>: \u201cVinde Esp\u00edrito Criador\u201d. Depois das solenidades, foi oferecido um bom almo\u00e7o a todos, servido pela rainha e pelos nobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos seguintes, com autoriza\u00e7\u00e3o do rei, mandou-se fazer coroas iguais coroa do rei e em toda Portugal e col\u00f4nias, passou a se fazer, no dia de Pentecostes, cerim\u00f4nias iguais a que ali havia acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Este ato que se repete, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, mant\u00e9m este mesmo significado<\/b>: \u201cAlgu\u00e9m \u00e9 escolhido no meio do povo, para ser o imperador. N\u00e3o precisa ser rico, nem letrado. Depois da cora\u00e7\u00e3o, ele exerce suas fun\u00e7\u00f5es imperiais para mostrar que, qualquer um de n\u00f3s pode, por mais humilde, simples e pobre, exercer em sua comunidade uma lideran\u00e7a que possa conduzir este povo a uma vida melhor, mais justa, mais digna e crist\u00e3! \u00c9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de que podemos, dentro da comunidade em que vivemos, liderar e conduzir o povo de Deus \u00e0 conviv\u00eancia fraternal que Jesus pregou ao longo de sua doutrina\u00e7\u00e3o e que o Divino Esp\u00edrito Santo confirmou ao descer sobre os Ap\u00f3stolos, na Festa de Pentecostes, como nos contam os Atos dos Ap\u00f3stolos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O munic\u00edpio de S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada no Vale do Para\u00edba Paulista, pr\u00f3xima ao litoral norte e a cidade de Taubat\u00e9, S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga \u00e9 um reduto da hist\u00f3ria e da cultura popular brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundada em 1769, sempre teve a sua economia relacionada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. A\u00e7\u00facar, cereais, fumo e gado eram as atividades de maior destaque. No entanto, a maior delas e de grande import\u00e2ncia foi o caf\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9poca deixou suas marcas nos v\u00e1rios casar\u00f5es espalhados por toda a cidade (sobretudo na Pra\u00e7a Oswaldo Cruz, que possui este nome em homenagem ao filho nobre luziense) e tamb\u00e9m nas grandes e hist\u00f3ricas fazendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a beleza arquitet\u00f4nica e a riqueza das tradi\u00e7\u00f5es e da cultura s\u00e3o os elementos que destacam o munic\u00edpio no cen\u00e1rio nacional. Dentro desta din\u00e2mica a religiosidade e o folclore, expressos sobretudo nas festas populares (onde a\u00a0<strong>Festa do Divino Esp\u00edrito Santo <\/strong>\u00e9 a maior representa\u00e7\u00e3o) s\u00e3o tra\u00e7os que fortalecem a identidade local e com isto arrebatam a cada ano um maior n\u00famero de turistas (entre pesquisadores, jornalistas, estudantes, amantes da cultura popular, devotos e curiosos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A Festa do Divino de S\u00e3o Luis do Paraitinga<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>festa do divino Esp\u00edrito Santo\u00a0<\/strong>\u00e9 uma comemora\u00e7\u00e3o da religiosidade popular brasileira. No munic\u00edpio de S\u00e3o Luis do Paraitinga, no Vale do Para\u00edba Paulista, ela \u00e9 a mais tradicional, importante e um grande reduto da cultura caipira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma festividade anual, com data m\u00f3vel por ser celebrada quarenta dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00e1roco da cidade (em 2003), Alaor dos Santos, diz que &#8220;a festa em louvor ao Divino \u00e9 a maior demonstra\u00e7\u00e3o de f\u00e9 da popula\u00e7\u00e3o local, e acreditam veramente nele como sendo quem d\u00e1 vida a Igreja&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta tradi\u00e7\u00e3o, incorporada dos portugueses, em S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga, teve in\u00edcio no come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, mas os moradores relatam que existe uma divis\u00e3o na hist\u00f3ria dos festejos. De acordo com tais relatos, no per\u00edodo de 1912 \u00e0 1941, a festa esteve &#8220;fracassada&#8221;, devido a falta de apoio da Igreja. Depois deste per\u00edodo ela recome\u00e7ou, foi ganhando for\u00e7a e popularizando-se. Hoje ela \u00e9 uma das maiores da regi\u00e3o, arrebatando turistas dos mais variadas localidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os visitantes que participam da festa s\u00e3o de perfis variados, indo desde pessoas que conviveram com esta manifesta\u00e7\u00e3o quando crian\u00e7as, outros tantos pela f\u00e9, at\u00e9 curiosos, jornalistas e estudantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos atr\u00e1s, quando o transporte era dif\u00edcil, os moradores da zona rural vinham com uma semana de anteced\u00eancia para a cidade. O mercado municipal servia de abrigo para estas pessoas, que por sua vez passavam a colaborar com a festa. Desde a primeira sexta-feira dos festejos at\u00e9 o domingo, o ponto alto das comemora\u00e7\u00f5es, era servido o afogado (comida t\u00edpica do Vale do Para\u00edba, que vem a ser a carne bovina cozida com caldo, servida com farinha de mandioca e arroz). Era esta a base da alimenta\u00e7\u00e3o dos moradores rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, este prato continua a ser servido gratuitamente a popula\u00e7\u00e3o, mas agora somente nos dois s\u00e1bados que se fazem as comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O festeiro \u00e9 quem organiza e coordena o evento. Sempre unidos em grupo, onde a tarefas s\u00e3o divididas, eles s\u00e3o escolhidos por meio de um sorteio realizado logo ap\u00f3s o t\u00e9rmino de uma festa. Os concorrente s\u00e3o normalmente pessoas que se oferecem, ou que fizeram alguma promessa e ou nomeados pelo p\u00e1roco. Durante o ano que se segue fica ao encargo dos festeiros, esmolar pelos bairros dos munic\u00edpios e pelas cidades vizinhas, as prendas que possibilitar\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o dos festejos. Para os moradores entrevistados, o sucesso das comemora\u00e7\u00f5es, como eles pr\u00f3prios dizem, &#8220;a festa \u00e9 boa&#8221; quando \u00e9 organizada por festeiros e n\u00e3o pela pr\u00f3pria Igreja diretamente. De acordo com eles, todos ajudam neste caso, por que sabem, que ser\u00e1 promovida uma grande festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo m\u00eas, que antecede ao evento, o trabalho para dar conta dos preparativos se intensificam. A programa\u00e7\u00e3o, composta pela novena mais o dia da festa, carrega consigo v\u00e1rias outras realiza\u00e7\u00f5es que necessitam de uma organiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Dona Didi, moradora e uma das pessoas mais conhecidas da cidade, \u00e9 quem comanda e orienta em boa parte destes preparativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Domingo da Festa \u00e9 o ponto alto das comemora\u00e7\u00f5es, e tem in\u00edcio com alvorada pela banda de m\u00fasica centen\u00e1ria da cidade, pelas ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Imp\u00e9rio, uma sala de ora\u00e7\u00e3o e sil\u00eancio, \u00e9 o ponto de maior concentra\u00e7\u00e3o durante as comemora\u00e7\u00f5es. \u00c9 neste local onde os fi\u00e9is, moradores e visitantes d\u00e3o as suas maiores demonstra\u00e7\u00f5es de f\u00e9 ao Divino Esp\u00edrito Santo. Todo ano um dos propriet\u00e1rios dos casar\u00f5es, pr\u00f3ximo a pra\u00e7a Osvaldo Cruz, cede a sua propriedade para que seja feita esta sala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os dias da novena, as bandeiras do Divino Esp\u00edrito Santo saem em prociss\u00e3o do Imp\u00e9rio e v\u00e3o para a Igreja Matriz, para que se realizem as rezas e a missa. O cortejo mais solene \u00e9 realizado no Domingo da festa, o qual os festeiros carregam as bandeiras, e o rei e a rainha, o cetro e a coroa, para a celebra\u00e7\u00e3o das dez horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bandeira do Divino \u00e9 um dos maiores s\u00edmbolos de devo\u00e7\u00e3o. Durante a festa \u00e9 comum ver pessoas emocionarem-se ao poder toc\u00e1-la. Nas fitas dependuradas, os devotos fazem um n\u00f3 e um pedido. Alguns amarram fotografias e ou medidas de bra\u00e7os, pernas, cabe\u00e7as, ou seja, de membros enfermos que pedem para serem curados. Os portadores das bandeiras tem muito respeito a esta a\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Nenhum n\u00f3 ou objeto \u00e9 tirado das fitas, eles esperam que elas se encham para poderem deposit\u00e1-las no quarto de milagres no Santu\u00e1rio da Padroeira do Brasil, no munic\u00edpio de Aparecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga, nos dias da festa, \u00e9 toda enfeitada com as bandeiras do Divino. Os moradores a penduram nas janelas e portas das casas e com\u00e9rcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao meio dia do Domingo, o dia da festa, grupos folcl\u00f3ricos de mo\u00e7ambique e congada levam em prociss\u00e3o o mastro do Divino, da Igreja Matriz, S\u00e3o Lu\u00eds de Tolosa, at\u00e9 a Igreja do Ros\u00e1rio, que fica no alto de uma ladeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios grupos folcl\u00f3ricos (da cidade, da regi\u00e3o e at\u00e9 da capital paulista) re\u00fanem-se na festa em louvor ao Divino Esp\u00edrito Santo e ou para difundir a sua manifesta\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dan\u00e7a da fita ou tran\u00e7a fita \u00e9 uma dan\u00e7a europ\u00e9ia, onde os camponeses celebravam a chegada da primavera e pediam uma boa colheita. Cortavam uma tronca de \u00e1rvore, enfeitavam-o com fitas coloridas e dan\u00e7avam a sua volta reverenciando um Deus da Natureza. Portanto, uma dan\u00e7a desvinculada da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica em suas origens, mas que ao ser trazida pelos imigrantes foi incorporada, em muitos dos casos, aos festejos religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga, Dona Didi conta que veio de Paraty e logo j\u00e1 foi introduzida na\u00a0<strong>Festa do Divino<\/strong>. Isto h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s e de forma sucessiva que se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o no festejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A congada e o mo\u00e7ambique s\u00e3o duas outras manifesta\u00e7\u00f5es que se apresentam no dia da festa. S\u00e3o v\u00e1rios grupos com caracter\u00edsticas diferentes que dan\u00e7am e cantam simultaneamente na Pra\u00e7a Oswaldo Cruz. Os dois tem tra\u00e7os semelhantes como por exemplo, a rever\u00eancia que fazem a S\u00e3o Benedito e Nossa Senhora do Ros\u00e1rio. Distinguem-se pelo fato dos mo\u00e7ambiqueiros usarem guizos amarrados nos tornozelos e bast\u00f5es que usam ao dan\u00e7ar. Os congueiros apoiam-se mais nos cantos e versos, compostos em v\u00e1rias ocasi\u00f5es no momento da dan\u00e7a (por isso, os participantes destacam a fun\u00e7\u00e3o de mestre da congada como se suma import\u00e2ncia, pois \u00e9 ele quem dita o verso).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitas lendas sobre as origens destas manifesta\u00e7\u00f5es, uma delas (que o mestre de congada, Ant\u00f4nio dos Santos) diz que quem a criou foi S\u00e3o Benedito. Este santo teria ido at\u00e9 o c\u00e9u e trazido doze negros, com ao quais formou o mo\u00e7ambique que originou a congada. No entanto, estudos dizem que a congada veio do s\u00e9culo XVI por ocasi\u00e3o da guerra entre o Imp\u00e9rio Congo e Portugal. Desde ent\u00e3o, a folia passou a demonstrar a resist\u00eancia dos negros sobre os portugueses. No Brasil, ela era uma forma de express\u00e3o dos escravos. J\u00e1 o mo\u00e7ambique, os pesquisadores apontam uma poss\u00edvel origem africana, mas, n\u00e3o foi trazida pelos escravos e sim ajudou na catequese dos \u00edndios, como fator de recrea\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra manifesta\u00e7\u00e3o que mistura dan\u00e7a, hist\u00f3ria e m\u00fasica que est\u00e1 presente na festa \u00e9 a Caiap\u00f3. Dan\u00e7a de origem ind\u00edgena, com tra\u00e7os da cultura portuguesa, que conta a hist\u00f3ria do ataque e morte de um menino \u00edndio (curumim em tupi guarani) por um homem branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o representa os \u00edndios em torno do garoto, pedindo ao paj\u00e9 que ressuscite o pequeno. O grupo da pr\u00f3pria cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Paraitinga, \u00e9 composto quase que na sua totalidade por jovens, participantes tamb\u00e9m da capoeira apresentada logo ap\u00f3s esta dan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os bonec\u00f5es Maria Ang\u00fa e Jo\u00e3o Paulino s\u00e3o duas figuras tradicionais da cidade que tem sua exist\u00eancia ligada a festa em quest\u00e3o. Conta-se que h\u00e1 mais de um s\u00e9culo havia um morador portugu\u00eas que percebendo a falta de atrativos para as crian\u00e7as na festa, fez um casal de bonec\u00f5es gigantes. Um deles passou a ter o seu nome e o outro, como ele era casado com Maria, famosa por fazer past\u00e9is de angu, passou a ser Maria Angu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pau de sebo \u00e9 outro costume da festa. S\u00e3o postos dois deste, um grande para os adultos e outro menor para as crian\u00e7as. No momento, desta competi\u00e7\u00e3o (normalmente feita por volta das duas da tarde) as aten\u00e7\u00f5es voltam-se todas para esta pr\u00e1tica, sendo que os espectadores torcem e vibram com os concorrentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prociss\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica s\u00e3o o ponto alto das comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Realizada no final da tarde de Domingo a caminhada de f\u00e9 pelas ruas da cidade \u00e9 divida em alas. Na frente, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o, segue a cruz procissional, depois as crian\u00e7as da cruzada eucar\u00edstica, os coroinhas levando incenso, a Congrega\u00e7\u00e3o Mariana feminina e masculina, o apostolado da ora\u00e7\u00e3o, o p\u00e1roco com o santo lenho, por fim a banda. Ao centro vai os andores, de Nossa Senhora, de S\u00e3o Benedito e do Divino Esp\u00edrito Santo, junto a eles segue as damas de honra, os anjos, os pajens, o rei e a rainha. Os anjos possuem roupas em cores variadas, combinando com a cor do andor que est\u00e3o prestando honras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, a celebra\u00e7\u00e3o da missa fecha os festejos com a consagra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, que conta com a presen\u00e7a de moradores e visitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O processo de Comunica\u00e7\u00e3o\/S\u00edmbolos e Signos<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a\u00a0<strong>festa do divino\u00a0<\/strong>em S\u00e3o Luis do Paraitinga \u00e9 um ato popular que faz parte das manifesta\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas e tem suas caracter\u00edsticas comunicacionais, para a an\u00e1lise foi necess\u00e1rio conhecer o processo de comunica\u00e7\u00e3o e seus ingredientes.\u00a0<b>De acordo com David Berlo, a palavra processo \u00e9\u00a0<\/b>: &#8220;Quando chamamos algo de processo, queremos dizer tamb\u00e9m que n\u00e3o tem um come\u00e7o, um fim, uma sequ\u00eancia fixa dos eventos. N\u00e3o \u00e9 uma coisa est\u00e1tica, parada.(\u2026)Os ingredientes do processo agem um sobre o outro.&#8221;(BERLO, 1999, p.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O processo de comunica\u00e7\u00e3o de acordo com o modelo de Berlo possui seis ingredientes sendo<\/b>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>1)<\/b>\u00a0fonte,<br \/>\n<b>2)\u00a0<\/b>codificador,<br \/>\n<b>3)<\/b>\u00a0mensagem,<br \/>\n<b>4)<\/b>\u00a0canal,<br \/>\n<b>5)<\/b>\u00a0decodificador,<br \/>\n<b>6)<\/b>\u00a0receptor.\u00a0<b>No presente trabalho fizemos uma an\u00e1lise sobre a mensagem que \u00e9 definido como:\u00a0<\/b>&#8220;produto f\u00edsico real do codificador-fonte, ou seja, quando falamos, o discurso \u00e9 a mensagem. Se escrevemos, a escrita \u00e9 a mensagem. Ao pintarmos, a pintura \u00e9 a mensagem.Quando gesticulamos, os movimentos dos bra\u00e7os, as express\u00f5es do rosto s\u00e3o mensagem.&#8221; (BERLO, 1982,p.60)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo menos tr\u00eas fatores comp\u00f5em a mensagem, o c\u00f3digo, o conte\u00fado e o tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um c\u00f3digo pode ser entendido como qualquer grupo de s\u00edmbolos capaz de ser estruturado de maneira a ter uma significa\u00e7\u00e3o para algu\u00e9m.&#8221;(1982,p.63) Ao analisar a comunica\u00e7\u00e3o de outros, devemos nos concentrar a aten\u00e7\u00e3o no conjunto de s\u00edmbolos (o c\u00f3digo) que a fonte usou para produzir a mensagem. Para estudar ou analisar um conjunto de s\u00edmbolos passamos pela semi\u00f3tica. &#8220;O nome semi\u00f3tica vem da raiz grega semeion, que quer dizer signo. Semi\u00f3tica \u00e9 a ci\u00eancia dos signos&#8221;. (\u2026) &#8220;A semi\u00f3tica \u00e9 a ci\u00eancia geral de todas as linguagens&#8221;.(SANTAELLA, 1983,p.8) De acordo com Peirce &#8220;um signo intenta representar, em parte pelo menos, um objeto que \u00e9,portanto, um certo sentido, a causa ou determinante do signo, mesmo se o signo representar seu objeto falsamente.&#8221; (SANTAELLA,1983,p.58) Na\u00a0<strong>festa do divino\u00a0<\/strong>em S\u00e3o Luis do Paraitinga foi poss\u00edvel identificar v\u00e1rios s\u00edmbolos e signos que fazem parte do processo de comunica\u00e7\u00e3o da festa.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.ufpi.br\/ www.aceja.com.br\/www.superzap.com\/www.igrejaparati.com.br\/encipecom.metodista.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta\u00e7\u00e3o religiosa e cultural importante de muitas cidades do interior do pa\u00eds, a\u00a0Festa do Divino\u00a0Esp\u00edrito\u00a0Santo\u00a0surgiu em Alenquer, Portugal, no s\u00e9culo XIV. 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