{"id":62716,"date":"2016-07-13T18:49:25","date_gmt":"2016-07-13T18:49:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=62716"},"modified":"2016-07-14T12:34:29","modified_gmt":"2016-07-14T12:34:29","slug":"capoeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/esportes\/capoeira","title":{"rendered":"Capoeira"},"content":{"rendered":"<h4>Hist\u00f3rico<\/h4>\n<p>A<strong> capoeira <\/strong>surgiu entre os escravos como um grito de liberdade.      Os negros da \u00c1frica, a maioria da regi\u00e3o de Angola, foram trazidos para o      Brasil para trabalhar nas lavouras de cana de a\u00e7\u00facar como m\u00e3o de obra escrava.      Segundo Menezes (1976), a vida dos negros trazidos da \u00c1frica de maneira for\u00e7ada,      brutal, consistia em trabalhar de sol a sol para os senhores portugueses que      exploravam as riquezas brasileiras desde o descobrimento. <\/p>\n<p><strong>Chegando a nova terra, (os escravos) eram repartidos entre os senhores,      marcados a ferro em brasa como gado e empilhados na sua nova moradia: <\/strong>as      pris\u00f5es infectadas das senzalas. Os colonizadores agrupavam os africanos de      diferentes tribos, com h\u00e1bitos, costumes e at\u00e9 l\u00ednguas diferentes, eliminando,      assim, o risco de rebeli\u00f5es. Os negros chegavam ao Brasil, depois de passarem      dias empilhados em navios negreiros, trazendo como \u00fanica bagagem suas tradi\u00e7\u00f5es      culturais e religiosas. O negro trouxe consigo suas dan\u00e7as e lutas guerreiras      que de muita valia veio a se tornar para os escravos fugitivos.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica, mais precisamente na regi\u00e3o de Angola, os negros lutavam com cabe\u00e7adas      e pontap\u00e9s nas chamadas &#8220;luta das zebras&#8221;, disputando as meninas      das suas tribos com a finalidade de torn\u00e1-las suas esposas. Na aus\u00eancia de      armas, os negros buscaram nas dan\u00e7as guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade      de preserva\u00e7\u00e3o da vida, surgiu a capoeira.<\/p>\n<p>Tendo como mestra a m\u00e3e natureza, notando brigas dos animais as marradas,      coices, saltos e botes, utilizando-se das manifesta\u00e7\u00f5es culturais trazidas      da \u00c1frica (como, por exemplo, brincadeiras, competi\u00e7\u00f5es etc. que l\u00e1 praticavam      em momentos cerimoniais e ritual\u00edsticos), aproveitando-se dos v\u00e3os livres      que aqui se abriam no interior das matas e capoeiras, os negros criam e praticam      uma luta de auto defesa para enfrentar o inimigo .Com o passar dos tempos,      os nossos colonizadores perceberam o poder fatal da capoeira, proibindo esta      e rotulando-a de &#8220;arte negra&#8221;, Santos (1998).<\/p>\n<p>Em 1888 foi abolida a escravatura e com isso muitos escravos foram lan\u00e7ados      nas cidades sem emprego e a capoeira foi um dos meios utilizados para a sobreviv\u00eancia.      Alguns ex- escravos passaram a ganhar a vida fazendo pequenas apresenta\u00e7\u00f5es      em pra\u00e7a p\u00fablica, por\u00e9m muitos deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear.      Os marginais brancos tamb\u00e9m aprenderam a nova luta com o conv\u00edvio mais direto      com os negros e introduziram na sua pr\u00e1tica as armas brancas. Formaram-se      verdadeiros bandos de marginais aterrorizando a popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>J\u00e1 em 1890 a capoeira foi colocada fora da lei pelo C\u00f3digo Penal      da Rep\u00fablica, que dizia:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Art. 402.<\/strong> Fazer nas ruas e pra\u00e7as p\u00fablicas exerc\u00edcios        de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denomina\u00e7\u00e3o capoeiragem;        andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma les\u00e3o        corporal, promovendo tumulto ou desordens, amea\u00e7ando pessoa certa ou incerta,        ou incutindo temor de algum mal: Pena: De pris\u00e3o cellular de dous meses        a seis mezes. (Barbieri, 1993, p.118).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo Sodr\u00e9 (1983), as puni\u00e7\u00f5es aplicadas eram reclus\u00e3o na ilha Fernando      de Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. Pessoas como o regente      Feij\u00f3, Sampaio Ferraz e o major Vidigal foram os respons\u00e1veis para manter      a ordem; tiveram pouco sucesso. <\/p>\n<p>Segundo Areias (1983), os seus chefes foram encarcerados ou exterminados.      Mas a capoeiragem continuou fazendo o seu trajeto. <\/p>\n<p>A capoeira se espalhou pelo Brasil, por\u00e9m foi nos estados da Bahia, Rio de      Janeiro e Pernambuco onde se encontravam os maiores coment\u00e1rios entre o povo      e a imprensa local. Apesar de reprimida a capoeira continuou a ser praticada      e ensinada para as gera\u00e7\u00f5es seguintes. <\/p>\n<p>Em 1929 ocorreu a quebra da Bolsa de Nova Iorque e a conseq\u00fcente crise do      capitalismo. O Brasil viveu um momento de ebuli\u00e7\u00e3o das for\u00e7as sociais. <\/p>\n<p>Com a entrada de Get\u00falio Vargas no governo do pa\u00eds, medidas foram tomadas      para angariar a simpatia popular, entre elas a libera\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es      populares. Para tal, Get\u00falio Vargas convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre      Bimba, para uma apresenta\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio do Governo.<\/p>\n<p>Temendo a populariza\u00e7\u00e3o da arte &#8211; luta, Get\u00falio Vargas permitiu a abertura      da primeira academia de capoeira, que teria um cunho folcl\u00f3rico. Ap\u00f3s essa      passagem, a capoeira perdeu suas caracter\u00edsticas de luta marginal e vadiagem,      visto que para freq\u00fcentar a academia de mestre Bimba os indiv\u00edduos eram obrigados      a ter carteira de trabalho assinada.<\/p>\n<p>Grande parte do que se sabe hoje sobre a capoeira praticada pelos escravos      foi transmitido pelas gera\u00e7\u00f5es de forma oral, visto que &#8220;&#8230;a documenta\u00e7\u00e3o      referente a \u00e9poca da escravatura foi queimada por Rui Barbosa, Ministro da      Fazenda no governo de Deodoro da Fonseca&#8221; (Sete, 1997).<\/p>\n<p>Enfim, a capoeira ganhou a popularidade estimada por Bimba, e at\u00e9 os dias      de hoje vem reunindo ad\u00e9ptos pelo pa\u00eds. <\/p>\n<h4>O significado de capoeira<\/h4>\n<p><strong>Capoeiras<\/strong> eram \u00e1reas semidesmatadas onde os escravos treinavam      seus golpes, e provavelmente veio da\u00ed o nome da luta. Seus golpes quase acrob\u00e1ticos      e com aspecto de dan\u00e7a muito contribu\u00edram para enganar os senhores de engenho,      que permitiam a pr\u00e1tica, julgando-a como uma brincadeira dos escravos. Segundo      Areias (1983), a dan\u00e7a, por sua vez, representada pela ginga, servia para      disfar\u00e7ar a luta dando-lhe um car\u00e1ter l\u00fadico e inofensivo. A capoeira serviu      por muitos anos como instrumento de luta dos escravos.O berimbau e outros      instrumentos<\/p>\n<p>As rodas de capoeira s\u00e3o ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas      dos capoeiristas. <\/p>\n<p>O berimbau, que servia para dar r\u00edtmo ao jogo, tamb\u00e9m servia para anunciar      a chegada de um feitor, ou seja, a hora de transformar a luta em dan\u00e7a. <\/p>\n<p><strong>O jogo da Capoeira \u00e9 acompanhado por instrumentos musicais, comandados      pela figura m\u00e1xima do berimbau, o qual d\u00e1 o tom e comanda o ritmo para a execu\u00e7\u00e3o      das cantigas<\/strong>: Cantos Corridos ou Ladainhas . <\/p>\n<p>Podemos encontrar em uma roda de capoeira, al\u00e9m do berimbau, pandeiro e atabaque      e, menos comumente, o agog\u00f4 e o ganz\u00e1. Atualmente n\u00e3o se concebe uma roda      de capoeira sem o toque caracter\u00edstico do berimbau, podendo no entanto, os      demais instrumentos serem dispensados, afirma Menezes (197, p.14-5). <\/p>\n<p>O berimbau dita o r\u00edtmo do jogo, \u00e9 ele que comanda o toque a ser executado.    <\/p>\n<p>A capoeira apresenta diversos toques que s\u00e3o executados de acordo com a ocasi\u00e3o.    <\/p>\n<p><strong>Dentre eles \u00e9 destacado: <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Angola: <\/strong>\u00c9 o toque de abertura, lento, onde o mestre da        roda, aquele que toca o berimbau, inicia uma ladainha &#8211; sauda\u00e7\u00e3o e os capoeiristas        ficam esperando, ao p\u00e9 do berimbau, a indica\u00e7\u00e3o para entrar na roda; o jogo        de Angola \u00e9 lento e rasteiro, servindo para os capoeiras mostrarem flexibilidade        e mal\u00edcia.<strong><br \/>\n       S\u00e3o Bento Pequeno:<\/strong> \u00c9 o toque usado em demonstra\u00e7\u00f5es, onde os golpes        s\u00e3o executados a poucos cent\u00edmetros do alvo.<strong><br \/>\n       S\u00e3o Bento Grande:<\/strong> \u00c9 o toque para jogo violento, onde se procura        atingir o outro capoeirista, que deve estar muito atento e ter muita agilidade        para n\u00e3o ser atingido. <strong><br \/>\n       Amazonas:<\/strong> toque usado na chegada de um mestre visitante; \u00e9 o hino        da Capoeira.<strong><br \/>\n       Cavalaria:<\/strong> Esse toque antes fazia parte da comunica\u00e7\u00e3o entre o        capoeira que estava de vigia e os que estavam jogando, indicando a chegada        da pol\u00edcia.<strong><br \/>\n       Iuna: <\/strong>\u00c9 o toque que procura imitar o canto dessa ave; \u00e9 usado para        o jogo entre mestres de capoeira, ou ent\u00e3o, no enterro de um deles.<strong><br \/>\n       Santa Maria: <\/strong>Toque fatalista, para jogo com navalha na m\u00e3o ou no        p\u00e9.<strong><br \/>\n       Benguela: <\/strong>Toque para jogo com pau.<strong><br \/>\n       Idalina:<\/strong> Toque para jogo de faca. <strong><br \/>\n       Barravento:<\/strong> toque para jogo r\u00e1pido, que exige grande velocidade        de rea\u00e7\u00e3o.<strong><br \/>\n       Cantos:<\/strong> <strong>Durante a roda s\u00e3o entoadas cantigas que, segundo        Areias (1983), se dividem em dois tipos:<\/strong> cantos corridos e ladainhas.      <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A diferen\u00e7a entre o canto corrido e a ladainha est\u00e1 no fato de, na ladainha,      sempre contar-se uma hist\u00f3ria, geralmente sem a resposta ou interfer\u00eancia      do coro, que participa apenas no momento que o cantador acaba a hist\u00f3ria e      entre no canto de entrada dizendo &#8220;i\u00ea vamos simbora\/ i\u00ea \u00e9 hora \u00e9 hora&#8221;      e assim por diante, at\u00e9 chegar na express\u00e3o &#8220;d\u00e1 volta ao mundo&#8221;.      J\u00e1 no canto corrido, o cantador n\u00e3o tem a preocupa\u00e7\u00e3o de contar nenhuma hist\u00f3ria,      as frases s\u00e3o ditas aleatoriamente, falando de assuntos diversos, e a participa\u00e7\u00e3o      do coro \u00e9 imediata e necess\u00e1ria desde o seu in\u00edcio. <\/p>\n<p>Durante a roda, os capoeiristas, que ficam de p\u00e9 formando a roda, acompanham      a cantoria com palmas. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o as rodas de Angola, onde os capoeiristas      ficam sentado e n\u00e3o batem palmas, s\u00f3 come\u00e7ando a cantar quando acaba a ladainha.    <\/p>\n<h4>V\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es da capoeira<\/h4>\n<p>Acredita-se que a capoeira pode e deve ser ensinada globalmente, deixando      que o educando busque a sua identifica\u00e7\u00e3o em quaisquer dessas enumera\u00e7\u00f5es      que veremos a seguir. Caber\u00e1 ao docente um papel relevante orientando e estimulando      para que o discente possa aproveitar ao m\u00e1ximo toda a sua potencialidade.<\/p>\n<p><strong>Ribeiro (1992), concebe capoeira das seguintes maneiras: <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Capoeira Luta:<\/strong> Representa a sua origem e sobreviv\u00eancia        atrav\u00e9s dos tempos, na sua forma mais natural, como instrumento de defesa        pessoal, genuinamente brasileiro. Dever\u00e1 ser ministrada com o objetivo de        combate e defesa.<strong><br \/>\n       Capoeira Dan\u00e7a e Arte:<\/strong> A Arte se faz presente atrav\u00e9s da m\u00fasica,        ritmo, canto, instrumento, express\u00e3o corporal e criatividade de movimentos.        \u00c9 tamb\u00e9m um riqu\u00edssimo tema para as artes pl\u00e1sticas, liter\u00e1rias e c\u00eanicas.        Na Dan\u00e7a, as aulas dever\u00e3o ser dirigidas no sentido de aproveitar os movimentos        da capoeira, desenvolvendo flexibilidade, agilidade, destreza, equil\u00edbrio        e coordena\u00e7\u00e3o motora, indo em busca da coreografia a da satisfa\u00e7\u00e3o pessoal.<strong><br \/>\n       Capoeira Folclore:<\/strong> \u00c9 uma express\u00e3o popular que faz parte da cultura        brasileira, e que deve ser preservada, promovendo a participa\u00e7\u00e3o dos alunos,        tanto na parte pr\u00e1tica, como na te\u00f3rica.<strong><br \/>\n       Capoeira Esporte:<\/strong> Como modalidade desportiva, institucionalizada        em 1972, pelo conselho nacional de desportos, ela mesma dever\u00e1 ter um enfoque        especial para competi\u00e7\u00e3o, estabelecendo-se treinamentos f\u00edsicos, t\u00e9cnicos        e t\u00e1ticos.<strong><br \/>\n       Capoeira Educa\u00e7\u00e3o:<\/strong> Apresenta-se como um elemento important\u00edssimo        para a forma\u00e7\u00e3o integral do aluno, desenvolvendo o f\u00edsico, o car\u00e1ter, a        personalidade e influenciando nas mudan\u00e7as de comportamento. Proporciona        ainda um auto conhecimento e uma an\u00e1lise cr\u00edtica das suas potencialidades        e limites.<strong><br \/>\n       Capoeira Lazer: <\/strong>Funciona como pr\u00e1tica n\u00e3o formal, atrav\u00e9s das &#8220;rodas&#8221;        espont\u00e2neas, realizadas nas pra\u00e7as, col\u00e9gios, universidades, festas de largo        e etc, onde h\u00e1 uma troca cultural entre os participantes.<strong><br \/>\n       Capoeira Filosofia:<\/strong> Entre muitos fundamentos, tr\u00e1s uma filosofia        de vida que prega o respeito ao pr\u00f3ximo e aos mais velhos, estes que por        sua vez possuem um grau maior de sabedoria. Muitos s\u00e3o os ad\u00e9ptos que se        engajam de corpo e alma criando dessa forma uma filosofia de vida, tendo        a capoeira como s\u00edmbolo e at\u00e9 mesmo usando-a para a sua sobreviv\u00eancia.<strong><br \/>\n       CapoeiraTerapia:<\/strong> O esporte exerce um papel fundamental no desenvolvimento        som\u00e1tico e funcional de todo indiv\u00edduo. Para o portador de defici\u00eancia,        respeitando-se as suas limita\u00e7\u00f5es e capacidades, o esporte tem import\u00e2ncia        inquestion\u00e1vel. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A capoeira vem tendo destaque muito grande, n\u00e3o s\u00f3 como esporte, mas, no      caso dos portadores de defici\u00eancia, ela atua, verdadeiramente, como terapia.    <\/p>\n<p>Considerando sempre a etapa mental, cronol\u00f3gica e motora do indiv\u00edduo, propicia      um desenvolvimento org\u00e2nico mais satisfat\u00f3rio, melhora o t\u00f4nus muscular, permite      maior agilidade, flexibilidade e amplia\u00e7\u00e3o dos movimentos. Auxilia o ajuste      postural, bem como o esquema corporal, a coordena\u00e7\u00e3o din\u00e2mica e, ainda, desenvolve      a agilidade e for\u00e7a. Vale ressaltar que a capoeira proporciona a libera\u00e7\u00e3o      de sentimentos como a agressividade e o medo, levando o ser humano a adquirir      uma condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica mais satisfat\u00f3ria e um comportamento mais socializado.<\/p>\n<h4>A Capoeira hoje<\/h4>\n<p><strong>Capoeira <\/strong>nas Academias A capoeira, antes treinada livremente      pelos escravos, \u00e9 agora treinada dentro das academias. A passagem dos campos      de mata aberta para as salas das academias n\u00e3o foi a \u00fanica modifica\u00e7\u00e3o sofrida      pela arte. Com a entrada da capoeira nas academias, algumas modifica\u00e7\u00f5es ocorreram      na capoeira dos escravos do engenho. Al\u00e9m de lugar fixo para o treinamento,      foram implantados tamb\u00e9m hor\u00e1rios para tal. Foi padronizado um uniforme que      consiste em cal\u00e7a branca (representando as cal\u00e7as de saco que os negros usavam      para a lida) e uma corda que deve ser amarrada na cintura da cal\u00e7a. Alguns      grupos que praticam a capoeira Angola utilizam-se de cal\u00e7a preta. Os capoeiras,      ou capoeiristas, agora se dividem em grupos que carregam um nome que normalmente      representa a for\u00e7a negra nos tempos da escravid\u00e3o. <\/p>\n<p>Comumente, os capoeiristas representam o grupo, ao qual participam, com o      s\u00edmbolo gravado na cal\u00e7a. Esses grupos ou associa\u00e7\u00f5es tem por objetivo expandir      a arte da capoeira pelo pa\u00eds, alguns chegando at\u00e9 a levar a nossa arte para      o exterior. A maioria dos grupos de capoeira convivem pacificamente, apesar      de cada um interpretar a capoeira de uma maneira diferente (alguns trabalham      a capoeira numa vis\u00e3o mais folcl\u00f3rica, outros a entendem mais como luta, uns      d\u00e3o maior \u00eanfase a parte esportiva, outros valorizam principalmente a educa\u00e7\u00e3o      pela capoeira). Como prova do conv\u00edvio de amizade entre os grupos, s\u00e3o realizados      periodicamente encontros entre eles, que se re\u00fanem com a finalidade de compartilhar      conhecimentos. <\/p>\n<h4>Gradua\u00e7\u00e3o e o Batizado<\/h4>\n<p>Nos tempos modernos, os capoeiras s\u00e3o graduados de acordo com os seus conhecimentos      e com o tempo de pr\u00e1tica nacapoeira. Cada gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 representada por uma      cor na corda, que \u00e9 amarrada na cal\u00e7a do capoeirista. Cada grupo designa um      conjunto de cores que ir\u00e1 representar as gradua\u00e7\u00f5es. Os indiv\u00edduos entram      para as aulas de capoeira, em seguida, come\u00e7am um treinamento. Nesse per\u00edodo      inicial eles s\u00e3o chamados de &#8220;pag\u00e3os&#8221;, ou seja, eles n\u00e3o foram ainda      batizados. <\/p>\n<p>O batizado de capoeira representa o momento em que os indiv\u00edduos recebem      a sua primeira gradua\u00e7\u00e3o pelo grupo. Nesse dia eles deixam de ser pag\u00e3os,      pois durante esse evento \u00e9 costume entre os grupos dar um apelido ao capoeirista.      O apelido \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o desde os tempos que a capoeira era considerada uma      arte marginal e os capoeiristas eram obrigados a usar codinomes para n\u00e3o serem      identificados, mediante isto, serem presos pela pol\u00edcia. O dia do batizado      \u00e9 um dia de grande import\u00e2ncia para os capoeiristas, posto que, nesse dia      realiza-se uma festa em que os novos capoeiras s\u00e3o apresentados a comunidade      capoeiristica, jogam com outras pessoas e desfrutam da oportunidade de at\u00e9      conhecerem os mestres mais antigos.<\/p>\n<h4>Capoeira x Viol\u00eancia<\/h4>\n<p>O jogo de capoeira n\u00e3o possui mais caracter\u00edsticas violentas, perdeu seu      objetivo principal do tempo da escravid\u00e3o, que era a luta pela liberdade.      Numa roda de capoeira um jogador n\u00e3o tem como finalidade acertar, ferir, lesionar      ou matar o outro jogador. O jogo de capoeira n\u00e3o passa de uma representa\u00e7\u00e3o,      simbolismo esportivo. Na realidade eles, os capoeiristas, s\u00e3o companheiros      que querem brincar de capoeira, recrear. Eventualmente acontecem quedas, que      s\u00e3o interpretadas como descuido por parte de quem caiu. Importante ressaltar      que o jogo, s\u00f3 atribui este valor recreativo dentro das academias, ou seja,      em seus pr\u00f3prios grupos. Em se tratando de rodas informais, jogos que acontecem      em parques, ruas, praias, a capoeira \u00e0s vezes, perde o seu atributo de lazer      e encarna o seu valor de capoeira &#8211; Luta.<\/p>\n<h4>Rodas<\/h4>\n<p>Os capoeiristas se cumprimentam todas as vezes que entram ou saem de uma      roda como sinal de respeito pelo companheiro. Fazem uma rever\u00eancia tamb\u00e9m      ao berimbau, pedindo e agradecendo prote\u00e7\u00e3o aos c\u00e9us. Acontece tamb\u00e9m um outro      tipo de encontro de capoeiristas chamado &#8220;roda de rua&#8221;. Essas manifesta\u00e7\u00f5es      ocorrem livremente em pra\u00e7as, ruas e praias. As rodas de rua s\u00e3o gerenciadas      por qualquer capoeirista, independendo da gradua\u00e7\u00e3o que ele carrega, e s\u00e3o      abertas para qualquer um que queira participar. Normalmente essas rodas s\u00e3o      pac\u00edficas, mas como elas s\u00e3o abertas para o p\u00fablico, alguns capoeiristas acabam      querendo resolver suas rixas com outros capoeiristas nessas rodas, afim de      demonstrar superioridade sobre qualquer aspecto.<\/p>\n<p>Para iniciar o jogo da capoeira, os capoeiristas dirigem-se para onde est\u00e3o      os instrumentistas e agacham-se ao p\u00e9 do berimbau&#8221; afirma Areias (1983,      p.96). <\/p>\n<p>Durante a roda, que \u00e9 comandada por instrumentos como o berimbau, o pandeiro      e o atabaque, s\u00e3o entoadas cantigas que tem seu refr\u00e3o repetido por todos      os participantes da roda. Quem define as m\u00fasicas e dita a velocidade do jogo      \u00e9 o tocador de berimbau. O ritmo come\u00e7a lento e termina r\u00e1pido, onde s\u00f3 os      capoeiristas mais graduados devem jogar. Depois da roda, alguns capoeiristas      optam por fazer exerc\u00edcios de for\u00e7a, como abdominais, flex\u00f5es de bra\u00e7o ou      eleva\u00e7\u00e3o em barra fixa. Outros treinam saltos acrob\u00e1ticos, ou treinam golpes      atingindo sacos de areia.<\/p>\n<p><strong>A aula <\/strong><\/p>\n<p>As aulas de capoeira s\u00e3o realizadas em sal\u00f5es abertos que podem ser espelhados      ou n\u00e3o, o que facilita aos capoeiristas a observa\u00e7\u00e3o de sua performance. As      aulas s\u00e3o normalmente ministradas por capoeiristas de gradua\u00e7\u00f5es elevadas,      superiores, a maioria deles sem nenhuma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica.    <\/p>\n<p>&#8220;Existem v\u00e1rios m\u00e9todos de ensino, e cada professor, cada academia,      cada grupo alardeia que o seu \u00e9 genuinamente original, \u00e9 o melhor&#8221; (Capoeira,      1992, p.147). <\/p>\n<p>Freq\u00fcentemente os capoeiristas acabam ministrando aulas exatamente iguais      aos que seus mestres ministram. Na verdade, de uma forma ou de outra, todos      se baseiam na &#8220;seq\u00fc\u00eancia&#8221; e na &#8220;cintura desprezada&#8221; criadas      por mestre Bimba, adicionados aos treinos sistem\u00e1ticos e repetitivos entre      duplas introduzidas pelo Grupo Senzala na d\u00e9cada de 1960. Mesmo os que praticam      e ensinam a capoeira angola, que originalmente n\u00e3o tinha m\u00e9todos de ensino,      utilizam varia\u00e7\u00f5es adaptadas desses elementos did\u00e1ticos. <\/p>\n<p>Capoeira Angola, corresponde a capoeira original dos escravos. Geralmente      encontra-se nas academias um programa de treinamento de duas ou tr\u00eas aulas      semanais, chegando a ser encontrado nas academias sede de alguns grupos, treinamentos      de segunda a s\u00e1bado.<\/p>\n<p>A dura\u00e7\u00e3o da aula varia entre quarenta e cinco minutos a uma hora e meia.      As aulas s\u00e3o divididas em quatro blocos: aquecimento; treino de golpes, quedas      e movimenta\u00e7\u00f5es individualmente; treinamento de seq\u00fc\u00eancias em dupla; roda      de capoeira. O aquecimento freq\u00fcentemente come\u00e7a com uma corrida, seguida      de seq\u00fc\u00eancias de movimentos calist\u00eanicos e um alongamento. &#8220;Se algu\u00e9m      quiser aproveitar para malhar uma abdominal, uma abertura, um alongamento      ou exerc\u00edcios de elasticidade, tudo bem, mas n\u00e3o \u00e9 esse o objetivo&#8221; (Capoeira,      1992, p.146). <\/p>\n<p>Depois do aquecimento, o segundo bloco da aula corresponde ao treinamento      dos golpes individualmente. As aulas come\u00e7am com os movimentos mais simples,      passando para os mais complexos e, posteriormente, para a combina\u00e7\u00e3o dos movimentos      sequenciados. Esses movimentos compreendem os golpes, as esquivas e as quedas.      O professor indica e executa o golpe ou a seq\u00fc\u00eancia de golpes e os alunos      os executam repetidas vezes e para ambos os lados. Durante a execu\u00e7\u00e3o dos      movimentos os alunos s\u00e3o observados e corrigidos pelo professor. Nos sal\u00f5es      com espelhos os alunos podem observar a execu\u00e7\u00e3o dos seus movimentos. <\/p>\n<p>O terceiro bloco da aula corresponde ao treinamento das seq\u00fc\u00eancias em dupla..      Nesta parte da aula os capoeiristas se encontram sujeitos a receberem os golpes      dos companheiros, por\u00e9m o risco \u00e9 menor do que durante o jogo.<\/p>\n<p>O treino em dupla se d\u00e1 em forma de seq\u00fc\u00eancias coordenadas. O professor dita      exatamente o que deve ser feito e os alunos executam. Para os iniciantes,      o professor apresenta uma seq\u00fc\u00eancia de um golpe e uma esquiva; um dos capoeiristas      executa um golpe enquanto o outro esquiva. Com o tempo de pr\u00e1tica essa seq\u00fc\u00eancia      aumenta em n\u00famero e varia\u00e7\u00f5es de golpes, associados a floreios e saltos. <\/p>\n<p>O jogo da capoeira \u00e9 o momento que o capoeirista apresenta o que ele aprendeu      durante a pr\u00e1tica. Al\u00e9m de executar os golpes num jogo com um companheiro,      entra em jogo um elemento novo, a surpresa. N\u00e3o se sabe o que o outro capoeira      vai fazer, os golpes j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais ditados pelo professor, por isso o capoeirista      deve estar preparado e atento no jogo do outro para n\u00e3o ser atingido&#8221;.    <\/p>\n<p>Fonte:  www.cdof.com.br<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<p>A pr\u00f3pria palavra j\u00e1 denuncia seu nascimento no campo entre grandes movimentos      de planta\u00e7\u00e3o de cana de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>As clareiras abertas na mata serviram de canal para a fuga dos negros em      busca de liberdade e melhor condi\u00e7\u00e3o de vida nos quilombos. <\/p>\n<p>Mas h\u00e1 quem diga que a <strong>capoeira<\/strong> \u00e9 pr\u00f3pria da cidade, onde      aquela brincadeira quase inocente das fazendas teria evolu\u00eddo para a arte      marcial. &#8220;Sem d\u00favida, ela nasceu no meio rural com a luta pela liberdade      porem a malicia (mandinga capoeiristica) \u00e9 urbana&#8221;, afirma o pesquisador      baiano Waldeloir Rego, autor de um cl\u00e1ssico sobre o assunto, ensaio s\u00f3cio-etnogr\u00e1fico      \u00e0 respeito do jogo de angola.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o podemos afirmar se a capoeira teve inicio em Salvador ou no Rio de      Janeiro ou, provavelmente, se fez ao mesmo tempo nas duas cidades, e ainda      em Recife. <\/p>\n<p><strong>Escravos negros<\/strong><\/p>\n<p>Os escravos negros come\u00e7aram a ser desembarcado no Brasil por volta de 1548      e, nos tr\u00eas s\u00e9culos seguintes, seriam predominantes do tronco ling\u00fc\u00edstico      banto, do qual faz parte a l\u00edngua Quimbundo. <\/p>\n<p><strong>Esse grupo englobava angolas, benguelas, Mo\u00e7ambique, canbindas e      congos: <\/strong>&#8220;Eram povos de pequenos reinos e com um razo\u00e1vel dom\u00ednio      de t\u00e9cnicas agr\u00edcolas e cuja grande caracter\u00edstica era possuir uma vis\u00e3o muito      pl\u00e1stica e imaginosa da vida, com grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o cultural&#8221;,      (explica o antrop\u00f3logo Oderp Serra).<\/p>\n<p>No Brasil, esses grupos \u00e9tnicos, antes rivais, se uniram pela escravid\u00e3o      formando uma cultura africana no Brasil a qual plantou bases e tradi\u00e7\u00f5es muito      fortes na cultura brasileira, na dan\u00e7a, m\u00fasica e t\u00e9cnicas de movimentos do      corpo &#8220;N\u00e3o existe na historiografia recente do Brasil, nenhum dado que      possa afirmar que a capoeira \u00e9 proveniente da \u00c1frica&#8221;.<\/p>\n<p>Com certeza ela foi desenvolvida por escravos no Brasil, portanto, a capoeira      \u00e9 leg\u00edtima e genuinamente brasileira, n\u00e3o podemos afirmar com certeza, se      a capoeira teve seu inicio no passado em Salvador, Rio de Janeiro ou Recife,      provavelmente, se fez ao mesmo tempo nestas cidades, sabe-se que a capoeira      realmente surgiu como &#8220;instrumentos de liberta\u00e7\u00e3o contra um sistema dominante      predominante opressor&#8221;.<\/p>\n<p>O homem negro na condi\u00e7\u00e3o de escravo era tratado como pe\u00e7a desse sistema      dominante, os meninos negros como moleques e as mulheres escravas com filhos      como f\u00eameas com suas crias. Os registros que determinam datas para seu surgimento      utilizam datas que variam entre 1578 e 1632. <\/p>\n<p>Dessa forma, o surgimento da capoeira se funde com a hist\u00f3ria da resist\u00eancia      dos negros no Brasil. Eis porque as maiorias dos autores que escrevem sobre      a quest\u00e3o associam o aparecimento da capoeira ao surgimento dos primeiros      quilombos; alguns chegam a se referir especificamente ao Quilombo de Palmares      (que foi o que reuniu um n\u00famero maior de pessoas, cerca de 25 a 50 mil, e      foi destru\u00eddo em 1694) como sendo o ber\u00e7o da capoeira. <\/p>\n<p>No s\u00e9culo passado, as principais cidades portu\u00e1rias brasileiras, como Salvador,      Recife e Rio de Janeiro, eram uns aglomerados de gente. <\/p>\n<p>Era comum a figura do escravo de ganho, aquele que tinha permiss\u00e3o de vender      ou prestar servi\u00e7os na rua e em troca dar uma porcentagem do dinheiro que      obtivesse ao seu senhor. Sem outra coisa a oferecer sen\u00e3o a for\u00e7a f\u00edsica para      carregar m\u00f3veis, mercadorias e dejetos, muitos fazia ponto perto do porto.      N\u00e3o demorou para que esses grupos se organizassem sob a chefia de algum valente      chamado de &#8220;capit\u00e3o&#8221; que era ex\u00edmio em capoeira.<\/p>\n<p>Segundo o historiador Carlos Eug\u00eanio L\u00edbano Soares, que examinou o registro      de pris\u00f5es de escravos do s\u00e9culo XIX, os anos entre a chegada da fam\u00edlia real,      em 1808, e a abdica\u00e7\u00e3o do primeiro imperador, em 1831, foram marcados pelo      &#8220;terror da capoeira&#8221; no Rio de Janeiro. A Bahia n\u00e3o ficava atr\u00e1s.      Salvador era um barril de p\u00f3lvora, os negros fizeram mais de trinta revolu\u00e7\u00f5es      nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>Antigos capoeiras figuram em fatos memor\u00e1veis. Mais tamb\u00e9m, diversos atos      oficiais procuram acabar com as desordens das lutas de capoeira. Uma portaria      de 16 de mar\u00e7o de 1826 do intendente geral de pol\u00edcia do Rio de Janeiro mandou      que fossem presos e imediatamente punidos com 100 a\u00e7oites os escravos encontrados      jogando a capoeira. <\/p>\n<p>Capoeiras baianos lutaram pela nossa independ\u00eancia, na boa terra de todos      os santos. <\/p>\n<p>No Rio de Janeiro em junho de 1828, capoeiras prestaram grande ajuda para      dominar os batalh\u00f5es de mercen\u00e1rios alem\u00e3es e irlandeses que, revoltados,      colocaram a popula\u00e7\u00e3o em p\u00e2nico.<\/p>\n<p>A c\u00e2mara municipal de S\u00e3o Paulo, atendendo a uma representa\u00e7\u00e3o do presidente      da prov\u00edncia, Coronel de Mil\u00edcias Rafael Tobias de Aguiar, aprovou, em 24      de Janeiro de 1833, uma postura mandando que qualquer pessoa que praticasse      a capoeira em lugar p\u00fablico, sendo livre seria presa por tr\u00eas dias e pagaria      multa de um a tr\u00eas mil r\u00e9is, sendo cativa seria presa por vinte e quatro horas      com a pena de 25 a 50 a\u00e7oites.<\/p>\n<p>O quadro de Johan Moritz Rugendas intitulado &#8220;jogar capoeira ou danse      de la guerre&#8221;, de 1835, \u00e9 considerado o primeiro registro preciso sobre      a capoeira. Neste quadro dois negros se situam em posi\u00e7\u00e3o de luta enquanto      um outro, sentado, toca um atabaque que segura com as pernas. Outros negros,      homens e mulheres, assistem \u00e0 luta (ou jogo) que se realiza.<\/p>\n<p>Em 10 de julho de 1843 faleceu no Rio o Marechal Miguel Nunes Vidigal, capoeira      ex\u00edmio e que apareceu, como o Major Vidigal, no livro &#8220;mem\u00f3rias de um      sargento de mil\u00edcias&#8221;, um dos cl\u00e1ssicos da nossa literatura.<\/p>\n<p>Ao longo do s\u00e9culo dezenove a capoeira torna-se uma n\u00edtida express\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o      vivida pelo negro no Brasil. <\/p>\n<p>As mudan\u00e7as ocorridas na economia e na pol\u00edtica do imp\u00e9rio vinham gerando      um intenso processo de desescraviza\u00e7\u00e3o. Lembremo-nos de que a Lei Eus\u00e9bio      de Queir\u00f3s, de 1850, j\u00e1 havia proibido o tr\u00e1fico negreiro para o Brasil. A      l\u00f3gica do sistema econ\u00f4mico mundial e brasileiro impunha a substitui\u00e7\u00e3o do      negro pelo trabalhador imigrante e isso gerava uma inevit\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o de      marginalidade. A capoeira floresceu dessa forma, e s\u00e3o in\u00fameros os relatos      de jornais do s\u00e9culo passado que narram as aventuras dos capoeiras (esse nome,      at\u00e9 meados deste s\u00e9culo, era utilizado para designar o lutador; a luta era      denominada capoeiragem).<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei2.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"296\" height=\"227\" title=\"Capoeira\" \/><\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, a capoeira reunia n\u00e3o s\u00f3 ex-escravos e seus filhos, mas tamb\u00e9m      figuras importantes da sociedade. Aos poucos a capoeira foi se envolvendo      com a vida pol\u00edtica e chegou a ser amplamente utilizada como arma na luta      entre as fac\u00e7\u00f5es que se enfrentavam nos tempos do imp\u00e9rio e nos prim\u00f3rdios      da rep\u00fablica, sobretudo nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Recife e      S\u00e3o Paulo. Os capoeiras eram contratados para interferir em com\u00edcios, tumultuar      elei\u00e7\u00f5es e fazer a seguran\u00e7a de figur\u00f5es da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em 1864 na Bahia, grupos de capoeiras foram desorganizados por causa da convoca\u00e7\u00e3o      para a guerra do Paraguai, que tiveram uma participa\u00e7\u00e3o ativa lutando contra      os mercen\u00e1rios (soldados estrangeiros contratados para guerra), que se rebelaram      e foram recha\u00e7ados pelos capoeiras. E ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o de 1888, como sabemos,      o fim do regime escravocrata n\u00e3o significou a aceita\u00e7\u00e3o imediata da comunidade      negra na vida social. <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, v\u00e1rios aspectos da cultura afro-brasileira sofreram violenta      repress\u00e3o, como a capoeira no Rio de Janeiro em todo o Brasil e principalmente      no nordeste. <\/p>\n<p><strong>Talvez o caso da capoeira seja o mais evidente:<\/strong> essa forma      de rebeldia, que j\u00e1 havia sido utilizada como arma de luta em in\u00fameras fugas      durante a escravid\u00e3o, tornou-se um s\u00edmbolo da resist\u00eancia do negro \u00e0 domina\u00e7\u00e3o.    <\/p>\n<p><strong>Assim, o Governo Republicano, instaurado em 1889, deu continuidade      a essa pol\u00edtica e associou diretamente a capoeira \u00e0 criminalidade, como consta      do decreto 847 de 11 de outubro de 1890, com o t\u00edtulo &#8220;Dos Vadios e Capoeiras&#8221;:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>ARTIGO 402 &#8211;<\/strong> <strong>Fazer nas ruas ou pra\u00e7as p\u00fablicas        exerc\u00edcios de destreza corporal conhecidos pela denomina\u00e7\u00e3o de capoeiragem:<\/strong>        pena de dois a seis meses de reclus\u00e3o. <strong><br \/>\n       PAR\u00c1GRAFO \u00daNICO &#8211; <\/strong>\u00c9 considerada circunstancia agravante pertencer        o capoeira a alguma banda ou malta. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Aos chefes, ou cabe\u00e7as, impor-se-\u00e1 a pena em dobro. Na capital paulista,      mar\u00e7o de 1892, alguns &#8220;morcegos&#8221; (pra\u00e7as de uma pol\u00edcia fardada      da \u00e9poca ) maltrataram soldados do ex\u00e9rcito recentemente recrutados. <\/p>\n<p>Doendo-se pelos companheiros, soldados capoeiras promoveram violentos dist\u00farbios      na cidade. Por ocasi\u00e3o da revolta da armada, setembro de 1893, lutaram entre      si grupos de pra\u00e7as capoeiras do ex\u00e9rcito e da marinha. Em 1907, surge a primeira      tentativa de institui\u00e7\u00e3o de uma &#8220;gin\u00e1stica brasileira&#8221; com o t\u00edtulo      &#8220;O Guia da Capoeira&#8221; cujo autor, um oficial do ex\u00e9rcito que julgou      prudente n\u00e3o revelar o nome pelos preconceitos ent\u00e3o existentes &#8211; ocultou-se      sob as iniciais O.D.C. <\/p>\n<p>Em 1908 toda capoeiragem vibrou com a vit\u00f3ria do &#8220;Moleque C\u00edriaco&#8221;      sobre o Conde Koma, oficial superior da marinha de guerra do Jap\u00e3o e campe\u00e3o      de jiu-jitsu considerado invenc\u00edvel. Ciriaco, com um violent\u00edssimo rabo-de-arraia      na cabe\u00e7a do campe\u00e3o nip\u00f4nico, lan\u00e7ou-o por cima de duas fileiras de cadeiras,      desacordando e com forte hemorragia nasal. Anos mais tarde, um marinheiro      do encoura\u00e7ado S\u00e3o Paulo, ancorado no porto de Nova York, envolveu-se em briga      de rua e derrubou, um por um, oito vigorosos policias conseguindo fugir para      bordo do seu navio, onde declarou n\u00e3o ter necessitado fazer uso da sardinha      ( navalha ) para o golpe decisivo do corta-jaca ( navalha na barriga ). <\/p>\n<p>A luta brasileira, portanto, come\u00e7ou a ser tratada como esporte nacional      e surgiram os primeiros estudos sobre sua utiliza\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo de defesa      pessoal e gin\u00e1stica. Em 1928, Annibal Burlamaqui p\u00fablica &#8220;Gymnastica      Nacional&#8221; (Capoeiragem ) Methodizada e Regrada, e em 1945, Inezil Pena      Marinho, especialista em educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, p\u00fablica &#8220;Subs\u00eddio para o Estudo      da Metodologia do Treinamento da Capoeiragem&#8221;. <\/p>\n<h4><strong>Verdadeira capoeira<\/strong><\/h4>\n<p>Bimba e Pastinha s\u00e3o consideradas os maiores nomes da hist\u00f3ria da capoeira      em todo mundo. <\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a Regional gerou uma grande pol\u00eamica no ambiente      da capoeira, uma vez que muitos entenderam as inova\u00e7\u00f5es de Mestre Bimba como      sendo uma descaracteriza\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es da luta. Iniciou-se, nos anos 30,      um debate que dura at\u00e9 hoje sobre o que \u00e9 a &#8220;verdadeira capoeira&#8221;      e que modifica\u00e7\u00f5es podem ser introduzidas sem desrespeitar os princ\u00edpios e      tradi\u00e7\u00f5es da luta. <\/p>\n<p>Com Mestre Bimba a capoeira come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o institucional na sociedade.    <\/p>\n<p>O mestre teve apoio dos estudantes universit\u00e1rios de Salvador que contribu\u00edram      para a sistematiza\u00e7\u00e3o de suas id\u00e9ias e para a formula\u00e7\u00e3o de seu m\u00e9todo de      ensino. <\/p>\n<p>Bimba fundou a primeira academia de capoeira em 1932 ( Centro de Cultura      F\u00edsica e Luta Regional da Bahia ), ensinou capoeira em quart\u00e9is e chegou apresentar      uma roda de capoeira para o presidente Get\u00falio Vargas, em 1953.<\/p>\n<p><strong>Na hist\u00f3ria dos esfor\u00e7os pelo reconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria dos esfor\u00e7os pelo reconhecimento da Capoeira como esporte ou      luta nacional de origem \u00e9tnico brasileira, h\u00e1 um verdadeiro calend\u00e1rio.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Em 1907, apareceu um trabalho, cujo autor se ocultou sob as iniciais O.D.C.        (Ofere\u00e7o, Dedico e Consagro), intitulado O Guia da Capoeira ou Gin\u00e1stica        Brasileira.<br \/>\n       Em 1928, Annibal Burlamaqui assina Gin\u00e1stica Nacional (Capoeiragem) Metodizada        e Regrada.<br \/>\n       Em 1932, funda\u00e7\u00e3o do Centro de Cultura F\u00edsica e Capoeira Regional, do Mestre        Bimba.<br \/>\n       Em 1937, registro oficial do Centro de Cultura F\u00edsica e Capoeira Regional.<br \/>\n       Em 1942, foi feito um inqu\u00e9rito pela Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica do Minist\u00e9rio        da Marinha, consultando sobre os melhores elementos para a instala\u00e7\u00e3o de        um m\u00e9todo de ensino da Capoeira.<br \/>\n       Em 1945, Inezil Penna Marinho lan\u00e7a o livro Subs\u00eddios Para o Estudo da Metodologia        do Treinamento da Capoeiragem.<br \/>\n       Em 1960, Lamartine Pereira da Costa, ent\u00e3o oficial da Marinha, diplomado        em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pela E.E.F.E e instrutor chefe dos cursos da <strong>Escola        de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da Marinha, CEM-RJ, lan\u00e7a um livro que se tornou cl\u00e1ssico:<\/strong>        Capoeiragem &#8211; A Arte da Defesa Pessoal Brasileira.<br \/>\n       Em 1968, Waldeloir Rego lan\u00e7a o livro Capoeira Angola &#8211; Ensaio S\u00f3cio-Etnogr\u00e1fico,        considerado um dos mais completos sobre Capoeira.<br \/>\n       Em 01 de janeiro de 1973, entra em vigor o Regulamento T\u00e9cnico da Capoeira,        oficializando a Capoeira como o ESPORTE NACIONAL BRASILEIRO.<br \/>\n       Em 27 de outubro de 1973 \u00e9 registrada varias associa\u00e7\u00f5es de capoeira no        rio de janeiro.<br \/>\n       Em 14 de julho de 1974 \u00e9 fundada a Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Capoeira (FPC).<br \/>\n       Em 17 de maio de 1984 \u00e9 fundada a liga de capoeira cordel vermelho em Minas        Gerais<br \/>\n       Em 20 de julho de 1984 \u00e9 fundada a Federa\u00e7\u00e3o de Capoeira do Estado do Rio        de Janeiro (FCERJ).<br \/>\n       Em 21 de abril de 1989 \u00e9 fundada a Liga Niteroiense de Capoeira (LINC).<br \/>\n       Em 23 de outubro de 1992 \u00e9 fundada a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Capoeira        (CBC).<br \/>\n       Em 13 de maio de 1995 \u00e9 fundada a Federa\u00e7\u00e3o de Capoeira Desportiva do Estado        do Rio de Janeiro (FCDRJ).<br \/>\n       Em 03 de junho de 1995 \u00e9 fundada a Liga Carioca de Capoeira.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei3.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"240\" height=\"362\" title=\"Capoeira\" \/><\/p>\n<h4><strong>Gradua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Sistema oficial de gradua\u00e7\u00e3o, idealizado desde <strong>1972<\/strong><\/p>\n<p>O sistema oficial de gradua\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 existe desde 1972, foi idealizado      pelos grandes mestres do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Bahia. Tem sua fundamenta\u00e7\u00e3o      nas cores da Bandeira Nacional, estabelecida de forma l\u00f3gica, sendo a primeira      cor o verde, depois o amarelo e o azul. A cor branca s\u00f3 entra no n\u00edvel de      mestre. <\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia da import\u00e2ncia da fundamenta\u00e7\u00e3o desta gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 que como a      Capoeira \u00e9 um esporte genuinamente nacional, nada mais justo e patri\u00f3tico      do que estabelecer as cores nacionais para se graduar. <\/p>\n<p>A id\u00e9ia da regulamenta\u00e7\u00e3o da Capoeira surgiu no II Simp\u00f3sio Sobre Capoeira,      realizado em 1969, em Campo dos Afonsos &#8211; RJ, com a presen\u00e7a de pessoas de      renome e mestres de Capoeira, principalmente dos estados do Rio de Janeiro,      da Bahia e de S\u00e3o Paulo. <\/p>\n<p>A princ\u00edpio, a proposta do Simp\u00f3sio era definir e unificar a Capoeira sem      que a mesma sofresse qualquer tipo de perda relativa \u00e0s suas tradi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>A partir da\u00ed, ficou decidido que a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Pugilismo organizaria      o projeto atrav\u00e9s de sugest\u00f5es e trabalhos de pessoas envolvidas com a Capoeira.<\/p>\n<p>Finalmente, em 26 de dezembro de 1972, o Regulamento T\u00e9cnico da Capoeira      foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desportos. <\/p>\n<p><strong>O texto do Regulamento T\u00e9cnico foi revisto e atualizado pela Assessoria      de Capoeira da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Pugilismo atrav\u00e9s de in\u00fameros congressos      t\u00e9cnicos, at\u00e9 chegar a atual edi\u00e7\u00e3o, que considera os seguintes itens:<\/strong>      gradua\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e caracter\u00edstica dos cord\u00e9is de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Regulamento T\u00e9cnico oficial da Capoeira elaborado em 26 de dezembro de 1972<\/p>\n<p><strong>N\u00edvel do aluno<\/strong><\/p>\n<p><strong>As gradua\u00e7\u00f5es do Regulamento T\u00e9cnico da Capoeira de 26 de dezembro      de 1972 s\u00e3o as seguintes por est\u00e1gios:<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00edvel de aluno<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>1\u00ba Est\u00e1gio &#8211; <\/strong>Cordel verde<br \/>\n<strong>2\u00ba Est\u00e1gio &#8211;<\/strong> Cordel verde-amarelo<br \/>\n<strong>3\u00ba Est\u00e1gio &#8211;<\/strong> Cordel amarelo<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>N\u00edvel do instrutor<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>4\u00ba Est\u00e1gio &#8211;<\/strong> Cordel amarelo-azul<br \/>\n<strong>5\u00ba Est\u00e1gio &#8211; <\/strong>Cordel azul (formado)<br \/>\n<strong>6\u00ba Est\u00e1gio &#8211;<\/strong> Cordel verde-amarelo-azul (Contramestre)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>N\u00edvel de mestre<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Mestre 1\u00ba Grau &#8211;<\/strong> Cordel branco-verde<br \/>\n<strong>Mestre 2\u00ba Grau &#8211;<\/strong> Cordel branco-amarelo<br \/>\n<strong>Mestre 3\u00ba Grau &#8211; <\/strong>Cordel branco-azul<br \/>\n<strong>Mestre 4\u00ba Grau &#8211;<\/strong> Cordel branco<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Obs os n\u00edveis de gradua\u00e7\u00e3o de mestre foram adotados pelo conselho nacional      de desporto da confedera\u00e7\u00e3o brasileira de pugilismo para melhor organiza\u00e7\u00e3o      dos capoeiristas na \u00e9poca em que foi elaborado Regulamentos T\u00e9cnico oficial      da Capoeira, ficando livre a escolha de cada grupo referente \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o de      mestre.<\/p>\n<p><strong>Nota: <\/strong>A liga Brasileira da capoeira cordel vermelho tem      seu sistema de gradua\u00e7\u00e3o com base nas dez bandeiras arvoradas em solo Brasileiro<\/p>\n<h4><strong>Vestu\u00e1rio<\/strong><\/h4>\n<p><strong>O vestu\u00e1rio do capoeirista para intervir em qualquer competi\u00e7\u00e3o oficial,      consiste em:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>a) <\/strong>cal\u00e7a branca, em helanca ou brim ou tecido similar,        cuja bainha alcance o tornozelo, atada \u00e0 cintura pelo cordel indicativo        da classe a que pertence o atleta. \u00c9 proibido o uso de cal\u00e7a de outra cor        que n\u00e3o seja branca e bem assim o uso de cintos, bolsos, fivelas etc.;<strong><br \/>\n       b)<\/strong> o capoeirista vestir\u00e1 camisa branca de malha, tendo estampado        no peito o escudo de sua entidade;<strong><br \/>\n       c)<\/strong> nas competi\u00e7\u00f5es individuais e por equipes, o atleta deve participar        das lutas sem o cordel de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Caracter\u00edsticas dos cord\u00e9is de classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>O cordel de classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 confeccionado com o fio de seda chamado rabo        de rato ou similar.<br \/>\n       O seu preparo consta de um tran\u00e7ado de nove fios, ou seja, tr\u00eas grupos de        tr\u00eas fios. Faltando 10cm. Para as extremidades do cordel, ser\u00e3o dadas tr\u00eas        la\u00e7adas. <br \/>\n       Como acabamento e amarra\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 dado um n\u00f3 em cada fio.<br \/>\n       O cordel ser\u00e1 colocado na cal\u00e7a do capoeirista, transpondo as passadeiras,        de maneira que seja dado o n\u00f3 no lado direito da cintura e que fiquem pendentes        as duas pontas do cordel.<br \/>\n       Os cord\u00e9is nas cores verde, amarelo, azul e branco ser\u00e3o constitu\u00eddos por        nove fios da mesma cor.<br \/>\n       Os cord\u00e9is verde-amarelo, amarelo-azul, branco-verde, branco-amarelo e branco-azul        ser\u00e3o confeccionados com seis fios da primeira cor e tr\u00eas da segunda.<br \/>\n       O cordel verde-amarelo-azul contar\u00e1 de tr\u00eas fios de cada cor.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei4.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"245\" height=\"327\" title=\"Capoeira\" \/><\/p>\n<p>Fonte:  www.capoeiratorino.it<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<p>Existem v\u00e1rias hist\u00f3rias e lendas sobre a origem da <strong>Capoeira<\/strong>,      mas nenhuma delas tem a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para sua confirma\u00e7\u00e3o, pois      logo ap\u00f3s Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica no governo de Deodoro da Fonseca, todos      os documentos referentes a escravid\u00e3o no Brasil foram destru\u00eddos com a desculpa      dos republicanos de que queriam apagar essa vergonha da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<p>Com in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, os portugueses viram no trabalho escravo um instrumento      para o desenvolvimento desejado por eles. Tentaram, no come\u00e7o, escravizar      e explorar o trabalho dos ind\u00edgenas que aqui j\u00e1 viviam, mas as caracter\u00edsticas      f\u00edsicas e culturais, somadas \u00e0 resist\u00eancia ao trabalho cativo por parte dos      \u00edndios, acabou n\u00e3o dando o resultado esperado, e a sa\u00edda encontrada pelos      colonizadores foi a escravid\u00e3o negra, o tr\u00e1fico de homens negros, trazidos      do continente africano para o in\u00edcio de grande saga que marcou a sociedade      brasileira.<\/p>\n<p>Ao iniciar-se o tr\u00e1fico de escravos para a Am\u00e9rica, dos negros aprisionados      na \u00c1frica das mais variadas ra\u00e7as que eram trazidos e vendidos para o trabalho      for\u00e7ado em regime de completa escravid\u00e3o, e entre elas encontramos os G\u00eages,      Nag\u00f4s e Hauras, que se confundem com os bantu, procedentes em sua maior parte      de Angola, do Congo, de Benguela, de Cambinda, de Mossamedes que foram trazidos      contra sua vontade mas, naturalmente, trouxeram sua cultura, sua viv\u00eancia      e, com ela, a semente da liberdade que nunca morreu, mesmo na terra marcada      pelos horrores da escravid\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>E que chegavam no Brasil atraves dos tr\u00eas maiores centros de importa\u00e7\u00e3o      da mercadoria negra:<\/strong> Recife, Salvador e Rio de Janeiro e eram destribuidos      atraves das lavoura, aos encargos dom\u00e9sticos dos senhores brancos e ao trabalho      nas minas, e para tornar o negro escravo os escravistas suprimiam sua cultura,      sua alma e torturavam. pois somente se interessavam pelo corpo e sua for\u00e7a      de trabalho. por\u00e9m esta situa\u00e7\u00e3o desumana a que foi submetido o negro, n\u00e3o      foi suficiente para suprimir sua condi\u00e7\u00e3o de ser inteiro, de corpo e alma.    <\/p>\n<p>\u00c9 essa cultura era guardada no corpo, na mente, na viv\u00eancia hist\u00f3rica do      povo e transmitida h\u00e1 s\u00e9culos atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es e que se manifestava-se      por interm\u00e9dio da m\u00fasica, da dan\u00e7a, da comida, da filosofia e da religi\u00e3o,      e como o negro nunca deixou de praticar sua cultura, era comum, durante o      per\u00edodo da escravid\u00e3o, que se juntassem grupos de homens e mulheres para a      cantoria, para a dan\u00e7a e mesmo para o culto aos orix\u00e1s que tamb\u00e9m s\u00e3o saudados      com ritmos e cantos.<\/p>\n<p>E neste per\u00edodo e que nasce a capoeira, e segundo alguns autores, criada      pelos escravos do grupo Bant\u00fa-Angoleses e Gongoleses, e nasceu conjugado aos      movimentos de dan\u00e7as, os encontros festivos ou m\u00edsticos e passaram tamb\u00e9m      a ser mais uma oportunidade para a sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>J\u00e1 que esses encontros, principalmente os festivos, n\u00e3o eram reprimidos pelos      donos de escravos, assim a Capoeira ganhou o acompanhamento de cantos e ritmos      que acabaram incorporados eram os dispon\u00edveis e j\u00e1 conhecidos pelo negro com      destaque para o berimbau, o atabaque e o agog\u00f4.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei5.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"474\" height=\"167\" title=\"Capoeira\" \/><\/p>\n<p>Mas foi o berimbau que ficou como uma esp\u00e9cie de s\u00edmbolo da Capoeira, desta      forma, o berimbau e considerado o mestre dos mestres na Capoeira, ganhou import\u00e2ncia      nas lutas pelas suas possibilidades r\u00edtmicas e sonoras, ganhou a fun\u00e7\u00e3o de      comandar o jogo da capoeira com seus diferentes toques. Ent\u00e3o, ao som dos      instrumentos, palmas e cantorias, o negro recriava o seu universo cultural,      cultivava o seu misticismo, alegrava-se ou lamentava-se e ainda se preparava      para a luta, e no momento em que os feitores e capatazes passavam ao lado      da festan\u00e7a eles acreditavam ser apenas um encontro para a &#8220;dan\u00e7a de      Angola&#8221;, que recebia esse nome em fun\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o africana que mais cedeu      negros para o tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p>E no momento em que eles se afastavam, os negros intensificava-se o treinamento      e aparelhava-se cada vez mais para lutar, mesmo que um feitor parasse e ficasse      admirando a dan\u00e7a, dificilmente compreenderia que aqueles movimentos, executados      com leveza dos felinos e com a pl\u00e1stica de um bailarino, pudesse trazer, no      seu conjunto, poderosos golpes desequilibrantes, traumatizantes e r\u00e1pidos,      e como nenhum povo vive eternamente sob o jogo da escravid\u00e3o sem se revoltar,      com o negro no Brasil n\u00e3o foi diferente, pois suas primeiras rea\u00e7\u00f5es contra      o cativeiro foram as fugas e as revoltas individuais e desorganizadas.<\/p>\n<p>Com o tempo, sentiu a necessidade de organizar sua resist\u00eancia contra o opressor      e passou a planejar as fugas e a pensar as formas de luta que travaria para      se libertar e para isto utilizaram a capeira, e \u00e9 de aceita\u00e7\u00e3o geral a hip\u00f3tese      do jogo de agilidade corporal ter sido o instrumento utilizado pelos escravos      fugitivos na defesa contra seus perseguidores, representados pela figura do      capit\u00e3o do mato.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei6.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"231\" height=\"273\" title=\"Capoeira\" \/><\/p>\n<p><strong>E foi no mato que se travava a luta decisiva, e foi desse tipo de      mato &#8211; a capoeira &#8211; onde os negros buscavam ref\u00fagio e ofereciam resist\u00eancia      aos perseguidores, que surgiu tamb\u00e9m a pol\u00eamica que por longo tempo consumiu      em debates intermin\u00e1veis in\u00fameros intelectuais que defenderam a teorias quanto      \u00e0 origem da express\u00e3o capoeira estabelecida na l\u00edngua tupy como aquela de      onde procederia a vernaculiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> ca\u00e1-pu\u00eara (ca\u00e1 = mato; pu\u00eara =      que j\u00e1 foi) resultaria nos brasileirismos capu\u00edra, capo\u00eara e capoeira.<\/p>\n<p>Fonte:  www.segal1945.hpg.ig.com.br<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<h4>Hist\u00f3ria da Capoeira <\/h4>\n<p>O Brasil a partir do s\u00e9culo XVI foi palco de uma das maiores viol\u00eancias contra      um povo. Mais de dois milh\u00f5es de negros foram trazidos da \u00c1frica, pelos colonizadores      portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-a\u00e7\u00facar. Tribos      inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes      galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro      foram os portos finais da maior parte desse tr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, os negros n\u00e3o aceitaram pacificamente      o cativeiro; a hist\u00f3ria brasileira est\u00e1 cheia de epis\u00f3dios onde os escravos      se rebelaram contra a humilhante situa\u00e7\u00e3o em que se encontravam. Uma das formas      dessa resist\u00eancia foi o quilombo; comunidades organizadas pelos negros fugitivos,      em locais de dif\u00edcil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior      desses quilombos estabeleceu-se em Pernambuco no s\u00e9culo XVII, numa regi\u00e3o      conhecida como Palmares. Uma esp\u00e9cie de Estado africano foi formado. Distribu\u00eddo      em pequenas povoa\u00e7\u00f5es chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no \u00e1pice      encontrava-se o rei Ganga-Zumbi, Palmares pode ter sido o ber\u00e7o das primeiras      manifesta\u00e7\u00f5es da Capoeira.<\/p>\n<p>Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros      ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para      n\u00e3o levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados \u00e0s cantorias      e m\u00fasicas africanas para que parecessem uma dan\u00e7a. Assim, como no Candombl\u00e9,      cercada de segredos, a Capoeira pode se desenvolver como forma de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Do campo para a cidade a Capoeira ganhou a mal\u00edcia dos escravos de &#8216;ganho&#8217;      e dos frequentadores da zona portu\u00e1ria. Na cidade de Salvador, capoeiristas      organizados em bandos provocavam arrua\u00e7as nas festas populares e refor\u00e7avam      o car\u00e1ter marginal da luta. Durante d\u00e9cadas a Capoeira foi proibida no Brasil.      A libera\u00e7\u00e3o da sua pr\u00e1tica deu-se apenas na d\u00e9cada de 30, quando uma varia\u00e7\u00e3o      da Capoeira (mais para o esporte do que manifesta\u00e7\u00e3o cultural) foi apresentada      ao ent\u00e3o presidente, Get\u00falio Vargas. De l\u00e1 para c\u00e1 a Capoeira Angola aperfei\u00e7oou-se      na Bahia mantendo fidelidade \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, gra\u00e7as principalmente ao seu grande      guru, Mestre Pastinha , que jogou Capoeira at\u00e9 os 79 anos, formando gera\u00e7\u00f5es      de angoleiros . <\/p>\n<h4><strong>Elementos da Capoeira Angola <\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei7.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"160\" height=\"229\" title=\"Capoeira\" \/><br \/>\n     Mestre Pastinha <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 dizia o Mestre Pastinha, &#8220;Capoeira Angola \u00e9, antes de tudo, luta      e luta violenta.&#8221; Mas atualmente a Capoeira \u00e9 normalmente praticada como      um esporte ou simplesmente folclore para perservar as tradi\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>\u00c9 claro que entre os praticantes s\u00e9rios, em seus treinos, os golpes s\u00e3o apenas      simulados e a Capoeira torna-se um exerc\u00edcio f\u00edsico e mental. A viol\u00eancia      dos seus golpes, no entanto, n\u00e3o deixa espa\u00e7o para meio termo; ou joga-se      Capoeira &#8216;para valer&#8217;, com as suas s\u00e9rias consequ\u00eancias ou apenas simula-se      um jogo. A possibilidade de enquadr\u00e1-la em regras esportivas \u00e9 inexistente;      quem assim o faz est\u00e1 sendo leviano ou n\u00e3o conhece de fato a Capoeira. <\/p>\n<h4><strong>Os Golpes <\/strong><\/h4>\n<p>A Capoeira Angola tem um n\u00famero relativamente pequeno de golpes que podem,      no entanto, atingir uma harmoniosa complexidade atrav\u00e9s de suas varia\u00e7\u00f5es.      Assim como a m\u00fasica tem apenas sete notas .<\/p>\n<p><strong>Os seus principais golpes s\u00e3o:<\/strong> Cabe\u00e7ada, Rasteira, Rabo      de Arraia, Chapa de Frente, Chapa de Costas, Meia Lua e Cutilada de M\u00e3o. <\/p>\n<h4><strong>A M\u00fasica<\/strong><\/h4>\n<p>A <strong>Capoeira<\/strong> \u00e9 a \u00fanica modalidade de luta marcial que se faz      acompanhada por instrumentos musicais. Isso deve-se basicamente \u00e0s suas origens      entre os escravos, que dessa forma disfar\u00e7avam a pr\u00e1tica da luta numa esp\u00e9cie      de dan\u00e7a, enganando os senhores de engenho e os capit\u00e3es-do-mato. No in\u00edcio      esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores. Posteriormente      foi introduzido o Berimbau (foto), instrumento composto de uma haste tensionada      por um arame, tendo por caixa de resson\u00e2ncia uma caba\u00e7a cortada. O som \u00e9 obtido      percutindo-se uma haste no arame; pode-se variar o som abafando-se o som da      caba\u00e7a e (ou) encostando uma moeda de cobre no arame; complementa o instrumento      o caxixi, uma cestinha de vime com sementes secas no seu interior.<\/p>\n<p>O Berimbau, um instrumento usado inicialmente por vendedores ambulantes para      atrair fregueses, tornou-se instrumento s\u00edmbolo da Capoeira, conduzindo o      jogo com o seu timbre peculiar. Os ritmos s\u00e3o em compasso bin\u00e1rio e os andamentos      &#8211; lento, moderado e r\u00e1pido s\u00e3o indicados pelos toques do Berimbau. Entre os      mais conhecidos est\u00e3o o S\u00e3o Bento Grande, o S\u00e3o Bento Pequeno (mais r\u00e1pido),      Angola, Santa Maria, o toque de Cavalaria (que servia para avisar a chegada      da pol\u00edcia), o Amazonas e o Iuna.<\/p>\n<p><strong>Numa roda de angoleiros o conjunto r\u00edtmico completo \u00e9 composto por<\/strong>:      tr\u00eas berimbaus (um grave &#8211; Gunga; um m\u00e9dio e um agudo &#8211; Viola); dois pandeiros;      um reco-reco; um agog\u00f4 e um atabaque. A parte musical tem ainda ladainhas      que s\u00e3o cantadas e repetidas em coro por todos na roda. Um bom capoeirista      tem obriga\u00e7\u00e3o de saber tocar e cantar os temas da Capoeira. <\/p>\n<p><strong>O Jogo <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Capoeira \u00e9 um di\u00e1logo de corpos, eu ven\u00e7o quando o meu parceiro n\u00e3o      tem mais respostas para as minhas perguntas&#8221; &#8211; Mestre Moraes. O jogo      da Capoeira na forma amistosa, ou seja, na roda \u00e9 verdadeiramente um di\u00e1logo      de corpos. Dois capoeiristas se benzem ao p\u00e9 do Berimbau e iniciam um lento      bal\u00e9 de perguntas e respostas corporais, at\u00e9 que um terceiro &#8216;compre o jogo&#8217;      e assim desenvolve-se sucessivamente at\u00e9 que todos entrem na roda. <\/p>\n<p><strong>A Mal\u00edcia <\/strong><\/p>\n<p>Elemento b\u00e1sico da Capoeira Angola, a mal\u00edcia ou mandinga a torna ainda mais      perigosa. Essa malandragem que faz que vai e n\u00e3o vai, retira-se e volta rapidamente;      essa ginga de corpo que engana o advers\u00e1rio, faz o diferencial da Capoeira      em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras artes marciais. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica que n\u00e3o se      aprende apenas treinando. <\/p>\n<p><strong>Mestres<\/strong><\/p>\n<p>Vicente Ferreira Pastinha (1889-1982) &#8211; Mestre Pastinha, &#8220;mestre da      Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civiliza\u00e7\u00e3o, homem      do povo com toda a sua picardia, \u00e9 um dos seus ilustres, um de seus ob\u00e1s,      de seus chefes. \u00c9 o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem&#8230;&#8221;      Jorge Amado. Baiano de Salvador, do Pelourinho, Pastinha foi o grande mestre      da Capoeira Angola, aperfei\u00e7oando a arte centen\u00e1ria dos escravos. Ele organizou      uma escola, estabeleceu um m\u00e9todo de ensino com base nas antigas tradi\u00e7\u00f5es      e ainda escreveu o primeiro livro do g\u00eanero, onde exp\u00f5e a sua concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.      Foi com o Mestre Pastinha que foram instituidas as cores amarelo e preto para      o uniforme dos angoleiros e a constitui\u00e7\u00e3o da bateria composta por tr\u00eas berimbaus,      dois pandeiros, um atabaque, um reco-reco e um agog\u00f4. &#8220;Capoeira \u00e9 tudo      o que a boca come&#8221;, dizia ele na sua singular filosofia. Formou capoeiristas      como Jo\u00e3o Grande, Jo\u00e3o Pequeno, Curi\u00f3 e tantos outros. <\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei8.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"191\" height=\"232\" title=\"Capoeira\" \/><br \/>\n     Ant\u00f4nio Carlos Moraes <br \/>\n     Mestre Cai\u00e7ara <\/strong><\/p>\n<p>Uma das lendas da Capoeira; sua hist\u00f3ria mais parece tirada de livros de      fic\u00e7\u00e3o. Numa \u00e9poca em que o Pelourinho n\u00e3o tinha o glamour de hoje, Mestre      Cai\u00e7ara ditava as regras num territ\u00f3rio de prostitutas e cafet\u00f5es; de traficantes      e malandros. Todos tinham que pedir a sua ben\u00e7\u00e3o. Gravou um dos principais      discos da Capoeira Angola onde exemplifica os diversos toques de berimbau,      al\u00e9m de cantar ladainhas e sambas de roda. Faleceu em agosto de 1997. <\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Pereira dos Santos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mestre Jo\u00e3o Pequeno<\/strong><\/p>\n<p>Aluno do Mestre Pastinha e um dos mais antigos e importantes mestres da Capoeira      Angola em atividade. Pela academia do Mestre Jo\u00e3o Pequeno, no Centro Hist\u00f3rico      de Salvador, passaram alguns dos principais angoleiros da nova gera\u00e7\u00e3o. \u00c9      poss\u00edvel v\u00ea-lo quase todas as noites jogando e ensinando a tradicional arte      da Capoeira. Academia de Capoeira Angola de Mestre Jo\u00e3o Pequeno Centro de      Cultura Popular Forte de Santo Ant\u00f4nio &#8211; Santo Ant\u00f4nio al\u00e9m do Carmo Salvador      &#8211; Bahia <\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei9.jpg\" alt=\"Capoeira\" width=\"186\" height=\"258\" title=\"Capoeira\" \/><br \/>\n     Jo\u00e3o Oliveira dos Santos <br \/>\n     Mestre Jo\u00e3o Grande <\/strong><\/p>\n<p>Phd Honoris Causa. Um dos principais d\u00edscipulos do mestre Pastinha. Por mais      de 40 anos o Mestre Jo\u00e3o Grande tem praticado e ensinado Capoeira Angola.      Ele viajou para \u00c1frica, Europa e Am\u00e9rica do Norte, onde ensina atualmente,      em sua academia na cidade de New York. De l\u00e1 ele continua mantendo o interc\u00e2mbio      com a Bahia e acompanhando a movimenta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Capoeira      Angola. <\/p>\n<p>Fonte:  www.abrasoffa.org.br<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<h4>De arte negra a esporte branco <\/h4>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A <strong>Capoeira<\/strong>, chamada hoje de &#8220;o esporte brasileiro&#8221;,      ou &#8220;a arte marcial brasileira&#8221;, \u00e9, na realidade, uma rica express\u00e3o      art\u00edstica (mistura de luta e dan\u00e7a) que faz parte do patrim\u00f4nio cultural afro-brasileiro.      Depois de sofrer duras persegui\u00e7\u00f5es, chega ao Brasil, na primeira metade do      nosso s\u00e9culo, sob a forma de Capoeira Angola. \u00c9 a partir desta forma inicial      que o famoso Mestre Bimba cria outra variante, a chamada Capoeira Regional,      forma que hoje se expande por todo o Brasil, chegando at\u00e9 a outros pa\u00edses.    <\/p>\n<p>O presente trabalho prop\u00f5e oito caracter\u00edsticas que, de acordo com o nosso      crit\u00e9rio, definem a Capoeira tradicional (Angola) como uma forma art\u00edstica      \u00fanica, cria\u00e7\u00e3o afro-brasileira que reflete fielmente as pautas do grupo \u00e9tnico      do qual surge. Como chega at\u00e9 n\u00f3s, tem aspectos de dan\u00e7a, luta, jogo, m\u00fasica,      ritual e m\u00edmica A conjun\u00e7\u00e3o de todos esses elementos gera um produto que n\u00e3o      pode ser classificado atendendo apenas a uma \u00fanica dessas facetas, sob pena      de perder sua originalidade como arte. <\/p>\n<p>Com base nessas caracter\u00edsticas, apresentaremos um r\u00e1pido panorama do desenvolvimento      hist\u00f3rico dessa arte, desde a terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo at\u00e9 nossos dias. <\/p>\n<p>A partir do surgimento da Capoeira Regional, descreveremos as transforma\u00e7\u00f5es      que se v\u00e3o produzindo &#8211; tanto nas pr\u00e1ticas como na pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3 do que      \u00e9 a Capoeira, \u00e0 medida que esta se expande para outros grupos sociais e horizontes      geogr\u00e1ficos. Essas transforma\u00e7\u00f5es, segundo acreditamos, n\u00e3o escapam \u00e0 influ\u00eancia      da peculiar estrutura\u00e7\u00e3o de classes da sociedade brasileira e, neste sentido,      s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0s que sofreram a religi\u00e3o afro-brasileira com o surgimento      da Umbanda. <\/p>\n<p>Essas duas express\u00f5es da cultura popular negra, a religi\u00e3o e esse singular      jogo\/luta\/dan\u00e7a, para serem legitimadas e integradas ao sistema, precisam      perder v\u00e1rias das caracter\u00edsticas que lhes s\u00e3o pr\u00f3prias, em virtude de sua      origem \u00e9tnica, para adquirirem outros tra\u00e7os que as tornem mais aceit\u00e1veis      aos olhos das classes dominantes. Podemos ent\u00e3o interpretar o aparecimento      da Capoeira Regional como um &#8220;embranquecimento&#8221; da Capoeira tradicional      (Angola), seguindo um esquema semelhante ao proposto por Ortiz (1978) para      a Umbanda. <\/p>\n<p>Nossa an\u00e1lise baseia-se principalmente em observa\u00e7\u00f5es feitas em 1983, 1985,      1986 e 1987 (um total de oito meses) nas academias de Capoeira Angola mais      importantes da Bahia e em visitas a academias de Capoeira Regional na Bahia,      S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Los Angeles, S\u00e3o Francisco, Nova Iorque e Buenos      Aires (1). <\/p>\n<p>Estas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o complementadas com a bibliografia relativa ao assunto      e com nosso aprendizado de Capoeira Angola com o Mestre Jo\u00e3o Pequeno, na Bahia,      nos anos citados, e de Capoeira Regional, desde 1982, principalmente nos Estados      Unidos e em Buenos Aires (2). <\/p>\n<h4><strong>A Capoeira como arte<\/strong><\/h4>\n<p><strong>As oito caracter\u00edsticas que, segundo nossa maneira de ver, diferenciam      a Capoeira Angola e a definem como arte s\u00e3o as seguintes:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Mal\u00edcia:<\/strong> Quase todos os autores (e praticantes) s\u00e3o un\u00e2nimes      em admitir que este \u00e9 um dos &#8220;fundamentos&#8221; da Capoeira &#8211; a habilidade      de surpreender o advers\u00e1rio, de &#8220;fechar-se&#8221; e evitar ser apanhado      de surpresa pelo outro. O bom capoeirista est\u00e1 sempre &#8220;fechado&#8221;      e sabe que a qualquer movimento seu corresponder\u00e1 um equivalente do advers\u00e1rio,      exigindo que esteja preparado at\u00e9 para os mais inesperados.<\/p>\n<p>A picardia no jogo \u00e9 admirada (e desfrutada) pelo p\u00fablico e pelo pr\u00f3prio      advers\u00e1rio. O &#8220;angoleiro&#8221; distrai seu rival, brinca com ele, engana-o,      mostrando-se desprotegido, para ser atacado justamente onde deseja e, assim,      lan\u00e7ar seu contra-ataque com mais efic\u00e1cia. <\/p>\n<p><strong>2) Complementa\u00e7\u00e3o:<\/strong> Os dois jogadores ficam atentos aos movimentos      um do outro e sempre se deslocam, atacam ou se defendem em fun\u00e7\u00e3o do que fizer      o advers\u00e1rio, ou para provocar determinado movimento deste. Joga-se sempre      perto do rival e respondendo a seus movimentos atrav\u00e9s de ataques, defesas      e contra-ataques. <\/p>\n<p>Os capoeiristas n\u00e3o devem entrar em choque direto, porque assim a harmonia      do jogo ser\u00e1 rompida. \u00c9 preciso contribuir para criar essa harmonia desenvolvendo      o pr\u00f3prio jogo, mas deixando que o advers\u00e1rio possa fazer o seu pr\u00f3prio \u00c9      preciso jogar e deixar jogar. <\/p>\n<p><strong>3) Jogo baixo:<\/strong> O jogo de Angola tem movimentos predominantemente      (mas n\u00e3o apenas) baixos. Isto significa que, embora grande parte dos movimentos      requeira que ambas as m\u00e3os estejam apoiadas no ch\u00e3o, as pernadas s\u00e3o, em geral,      de pouca altura, e as posi\u00e7\u00f5es de guarda (com as quais se espera o movimento      do rival e se prepara o pr\u00f3prio) exigem que as pernas estejam flexionadas      e o tronco e a cintura a baixa altura. <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do estere\u00f3tipo, Angola tamb\u00e9m se joga de p\u00e9, mas as pernadas      s\u00e3o baixas. Embora predomine o jogo a baixa altura, os movimentos de p\u00e9 e      em posi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias (que permitem passar de um plano alto para outro,      baixo) t\u00eam import\u00e2ncia quase equivalente, j\u00e1 que esta altern\u00e2ncia possibilita      maior quantidade de movimentos e d\u00e1 uma din\u00e2mica especial ao jogo. <\/p>\n<p><strong>4) Aus\u00eancia de viol\u00eancia:<\/strong> Na Capoeira Angola, os jogos,      em geral; s\u00e3o exatamente isso &#8211; jogos. Pretende-se, sim, atingir o advers\u00e1rio      com alguns golpes, evitar que ele nos alcance, mas na Angola bem feita, jogada      por mestres e alunos adiantados, a luta (no sentido de atingir o advers\u00e1rio)      est\u00e1 sempre inseparavelmente misturada com o jogo. Esta par\u00f3dia de um combate      traz prazer, diverte tanto os que jogam como os que observam. Isto se verifica      nos corpos descontra\u00eddos e nos rostos sorridentes dos jogadores, e no prazer      desfrutado por quem observa. Freq\u00fcentemente, quem \u00e9 (apesar de todos os esfor\u00e7os      em contr\u00e1rio) atingido por algum golpe sorri e se diverte com essa picardia      de seu advers\u00e1rio, que conseguiu penetrar suas defesas. <strong>Certa vez,      Canjiquinha, um dos mestres da velha guarda baiana, como coment\u00e1rio apreciativo      sobre um dos melhores angoleiros da nova gera\u00e7\u00e3o, declarou: <\/strong>&#8220;Ele      joga rindo o tempo todo&#8221;. Esta atitude descontra\u00edda tamb\u00e9m \u00e9 observada      na dura\u00e7\u00e3o dos jogos, muito mais longos do que os da Regional. <\/p>\n<p>Apesar disso, n\u00e3o se deve incorrer no equ\u00edvoco freq\u00fcente de considerar a      Capoeira Angola apenas um jogo. \u00c9 um jogo sim, mas apenas a partir do momento      em que ambos os jogadores, respeitando a tradi\u00e7\u00e3o, decidem divertir-se dentro      de uma roda. A viola\u00e7\u00e3o deste acordo t\u00e1cito por algum dos advers\u00e1rios pode      fazer com que o jogo se transforme em luta. <strong>Citando o Mestre Jo\u00e3o      Pequeno, o mais antigo angoleiro dos que ainda ensinam esta arte:<\/strong>      &#8220;A Capoeira \u00e9 brincadeira, a Capoeira \u00e9 festa, \u00e9 alegria mas, na hora      exata, ela \u00e9 defesa&#8221;.<\/p>\n<p>Sem os golpes espetaculares da Capoeira Regional, o angoleiro desde o in\u00edcio      aprende a fechar-se, a n\u00e3o deixar resqu\u00edcios de seus movimentos e a atacar      no momento certo. Um bom angoleiro \u00e9 muito dif\u00edcil de agarrar e aproveitar\u00e1      a m\u00ednima falha ou vacila\u00e7\u00e3o de seu advers\u00e1rio para atingi-lo. <\/p>\n<p><strong>5) Movimentos bonitos: <\/strong>Este \u00e9 um dos elementos mais importantes      da Capoeira Angola, e dos menos entendidos. Nesta mistura indissol\u00favel de      luta e jogo, o elemento est\u00e9tico adquire grande import\u00e2ncia. Mas \u00e9 uma est\u00e9tica      pr\u00f3pria, que surge de um contexto \u00e9tnico determinado (o afro-brasileiro) e      que, por isso, n\u00e3o \u00e9 bem compreendido e se transforma rapidamente (para n\u00e3o      dizer se perde) quando essa forma art\u00edstica se desloca para outros segmentos      sociais que n\u00e3o a compartilham. <\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica se soma \u00e0s anteriores, e, embora o angoleiro procure      fazer movimentos bonitos, por causa da import\u00e2ncia da mal\u00edcia, da complementa\u00e7\u00e3o      e uni\u00e3o de jogo e luta, nunca, ou quase nunca, os far\u00e1 pela beleza em si.      Os movimentos, embora sempre bonitos, servem como defesa para o deslocamento      ou, ainda, para o ataque, e s\u00e3o respostas a movimentos dos advers\u00e1rios. \u00c9      dif\u00edcil ver um angoleiro ficar desprotegido por fazer um movimento belo. Ele      o far\u00e1, mas de forma tal a ficar protegido ou a levar seu advers\u00e1rio a pensar      que est\u00e1. A\u00ed inventar\u00e1 um contra-ataque fulminante. Tampouco interromper\u00e1n      o fluir do jogo para fazer alguma pirueta que n\u00e3o seja exigida. <\/p>\n<p>\u00c9 importante a id\u00e9ia de uma est\u00e9tica pr\u00f3pria, porque este \u00e9 um dos aspectos      da Capoeira que mais est\u00e1 se perdendo com a incorpora\u00e7\u00e3o de elementos e modelos      provenientes das artes marciais e\/ou da gin\u00e1stica esportiva. Assim, se a t\u00e9cnica      da Capoeira Regional requer ou enfatiza os movimentos altos, retos, estilizados,      a beleza particular da Capoeira Angola reside em movimentos encolhidos, fechados,      para dar pouco espa\u00e7o ao advers\u00e1rio, mas com um perfeito controle do corpo,      para desarm\u00e1-los ou transform\u00e1-los segundo o momento o exija. A express\u00e3o      do rosto, a gestualidade das m\u00e3os e bra\u00e7os, a ginga mais dan\u00e7ada e, freq\u00fcentemente,      quase substitu\u00edda por passos do bailado de outras manifesta\u00e7\u00f5es negras, a      cad\u00eancia geral dos movimentos &#8211; tudo isso \u00e9 parte importante dessa est\u00e9tica      (quase imposs\u00edvel de descrever adequadamente por escrito), que reflete fielmente      sua origem social e cultural. <\/p>\n<p><strong>6 ) M\u00fasica lenta:<\/strong> A Capoeira Angola \u00e9 cadenciada e se realiza      com um ritmo lento, em compara\u00e7\u00e3o com o de outras variantes. \u00c9 um jogo de      dom\u00ednio do corpo, mas tamb\u00e9m da mente. Num bom aprendizado, os movimentos      de um jogo s\u00e3o esmiu\u00e7ados e as v\u00e1rias possibilidades de a\u00e7\u00e3o estudadas, como      num jogo de xadrez. A descontra\u00e7\u00e3o do corpo e os movimentos lentos permitem      que os jogos de Angola sejam muito mais demorados que os da Regional. <\/p>\n<p><strong>7) Import\u00e2ncia do ritual: <\/strong>A Capoeira \u00e9 um jogo com regras      n\u00e3o escritas mas que, assim mesmo, est\u00e3o presentes e regem seu desenrolar.      No caso da Angola, o conhecimento dessas regras (que regem um n\u00famero de aspectos      muito mais diversificado do que em outras variantes) \u00e9 muito importante. N\u00e3o      se pode ser bom angoleiro quando n\u00e3o se sabe direito quando sair do p\u00e9 do      berimbau, que gestos invocando prote\u00e7\u00e3o se realizam antes disso, ou como se      faz adequadamente uma &#8220;pedida de a\u00fa&#8221;. A infra\u00e7\u00e3o a estas regras      provocar\u00e1 gestos de desaprova\u00e7\u00e3o entre os assistentes, ou o infrator ser\u00e1      ridicularizado. Como no Candombl\u00e9, no qual saber que cantiga cantar no momento      adequado demonstra conhecimento, &#8220;estar por dentro&#8221; desta manifesta\u00e7\u00e3o      da cultura popular, assim tamb\u00e9m acontece com a Capoeira. A correta aprecia\u00e7\u00e3o      do que est\u00e1 acontecendo num jogo e de como atuar com rela\u00e7\u00e3o a isto tamb\u00e9m      \u00e9 motivo de orgulho e prest\u00edgio dentro do grupo. <\/p>\n<p><strong>8) Teatratidade:<\/strong> Este \u00e9 outro aspecto geralmente relegado      quando se fala de Capoeira. Na pr\u00e1tica, cada vez mais \u00e9 deixado de lado como      coisa do passado, pr\u00f3prio da Capoeira classificada como &#8220;folclore&#8221;.<\/p>\n<p>No entanto, as express\u00f5es do rosto, os movimentos das m\u00e3os, fingindo medo,      distra\u00e7\u00e3o, alegria, conviidando o advers\u00e1rio a jogar ou distraindo sua aten\u00e7\u00e3o;      a maneira como certas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o gestualizadas; tudo isso faz parte da ess\u00eancia      da Capoeira Angola. <\/p>\n<p>Assim, desde antes do in\u00edcio do jogo propriamente dito, ao p\u00e9 do berimbau,      um dos jogadores pode cantar uma ladainha, expressando sua posi\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o      ao mundo, da roda ou de seu advers\u00e1rio. Se este n\u00e3o responde com outra, alusiva      \u00e0 sua mensagem, ent\u00e3o se passar\u00e1 ao canto de entrada, durante o qual se far\u00e1      sinais com gestos em dire\u00e7\u00e3o ao alto (ao cantar &#8220;Viva meu Deus\u0094),      ao mestre (&#8220;Viva meu Mestre&#8221;), ao advers\u00e1rio (&#8220;\u00e9 mandingueiro&#8221;,      ou &#8220;sabe jogar&#8221;), para os lados (&#8220;joga aqui pra c\u00e1&#8221;) ou      em torno (&#8220;pelo mundo afora&#8221;). Em seguida, o rival ser\u00e1 convidado      a sair e come\u00e7ar\u00e1 o jogo propriamente dito. Ao come\u00e7ar o canto de entrada,      tamb\u00e9m podem ser feitos gestos que invocam a prote\u00e7\u00e3o divina (sinal da cruz,      tra\u00e7ar o signo de Salom\u00e3o &#8211; estrela de seis pontas &#8211; no ch\u00e3o, juntar as m\u00e3os,      olhando para o alto) para o jogo que se realizar\u00e1. D\u00e1-se a m\u00e3o ao advers\u00e1rio      e este \u00e9 convidado (ao terminar o canto de entrada e come\u00e7arem as cantigas)      a jogar. Isto n\u00e3o \u00e9 feito necessariamente sempre assim, mas se a inten\u00e7\u00e3o      \u00e9 jogar como se deve, ser\u00e3o respeitadas v\u00e1rias dessas formas. <\/p>\n<p>Em seguida, durante o jogo, as express\u00f5es do rosto, os gestos das m\u00e3os, convidam      o oponente a jogar, distraem sua aten\u00e7\u00e3o, fingem medo e surpresa ante os movimentos      dele, alegria ante o prazer de jogar. Um golpe recebido, atrav\u00e9s da &#8220;dramatiza\u00e7\u00e3o&#8221;      adequada, pode ser incorporado ao fluir do jogo e demonstrar\u00e1 que quem o recebeu      o fez com picardia, com o verdadeiro esp\u00edrito de um angoleiro, que sabe que      coisas assim acontecem na vida e as aceita como algo natural.<\/p>\n<p> Esta dramatiza\u00e7\u00e3o do fato pode tamb\u00e9m servir como disfarce para o pr\u00f3ximo      golpe que se lan\u00e7ar\u00e1. <\/p>\n<p><strong>A Capoeira tradicional \u00e9 como um &#8220;teatro m\u00e1gico&#8221;, como      bem a define Nestor Capoeira (1985, p109):<\/strong> uma &#8220;escola para      a vida&#8221; que, reproduzindo metaforicamente as situa\u00e7\u00f5es que o jogador      pode encontrar na realidade, prepara-o para melhor encar\u00e1-las. <\/p>\n<p>Dessa teatraliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m podem participar todos os que assistem \u00e0 roda,      n\u00e3o apenas quem joga naquele momento. Como os cantos podem ser iniciados por      qualquer um dos participantes, \u00e0s vezes, atrav\u00e9s destes, ser\u00e1 feita refer\u00eancia      (em geral brincalhona) ao que est\u00e1 acontecendo dentro da roda.<\/p>\n<p>Essas oito qualidades, segundo acreditamos, s\u00e3o as que caracterizam a Capoeira      Angola atual. S\u00e3o, portanto, tamb\u00e9m, representativas de como era a Capoeira      existente antes de se criar o estilo da Capoeira Regional. Embora a Capoeira      Angola tamb\u00e9m tenha se modificado com a passagem do tempo, conversas com velhos      mestres e o jogo de quem, com 60 anos ou mais, ainda a pratica nos d\u00e3o a demonstra\u00e7\u00e3o      de que a Angola atual conserva muito da tradicional. <\/p>\n<p>A Capoeira \u00e9, insistimos, uma forma art\u00edstica complexa, um jogo-luta, uma      dan\u00e7a-ritual-teatro, fruto da cria\u00e7\u00e3o coletiva de um grupo social determinado      &#8211; no caso, as camadas populares negras do Brasil. Como tal, deve refletir      as caracter\u00edsticas mais gerais do grupo do qual surge. Isto se v\u00ea claramente      na \u00eanfase que se d\u00e1, na Capoeira, \u00e0 mal\u00edcia e \u00e0 picardia. <\/p>\n<p>Estar sempre atento, para aproveitar a menor oportunidade e tirar vantagem      (e evitar ser v\u00edtima disso), s\u00e3o tra\u00e7os pr\u00f3prios de quem deve esmerar-se na      arte de sobreviver com os magros recursos a seu alcance, tra\u00e7os que se observam      ainda hoje nas atitudes cotidianas dos setores populares baianos. A picardia      se expressa tanto no samba como na Capoeira, na conquista de uma mulher como      nos brincalh\u00f5es duelos verbais, t\u00e3o peculiares a este setor. \u00c9 um estilo \u00e9tnico      pr\u00f3prio (Kochman, 1981) que se reflete nas diversas modalidades da cultura      grupal. <\/p>\n<p>O que acontece quando uma arte que reflete as caracter\u00edsticas culturais de      um grupo come\u00e7a a estender-se para fora dele, chegando a outras camadas sociais      e a diversos contextos geogr\u00e1ficos? Tem; for\u00e7osamente, de mudar. Mas a mudan\u00e7a,      embora inevit\u00e1vel, quando se trata de qualquer manifesta\u00e7\u00e3o social e cultural      (para uma cr\u00edtica pormenorizada das vis\u00f5es est\u00e1ticas de outros aspectos da      cultura afro-brasileira, neste caso o Candombl\u00e9, ver Frigerio, 1983), tamb\u00e9m      vai expressar as assim\u00e9tricas rela\u00e7\u00f5es de poder existentes na sociedade. Quem      tem maior poder econ\u00f4mico e social poder\u00e1 com maior facilidade influir no      processo de mudan\u00e7a, impondo seus valores e vis\u00f5es de mundo. <\/p>\n<p>Ainda considerando os fatores sociais como condicionadores de todo o processo      de mudan\u00e7a, ao analisar a transforma\u00e7\u00e3o da Capoeira n\u00e3o se pode perder de      vista a influ\u00eancia que um homem teve sobre esse processo. Idolatrado pelos      praticantes da Capoeira Regional, menosprezado ou ignorado pelos angoleiros,      toda a evolu\u00e7\u00e3o posterior da arte tem como ponto de refer\u00eancia inevit\u00e1vel      o Mestre Bimba.<\/p>\n<h4><strong>A Capoeira como luta <\/strong><\/h4>\n<p><strong>Todos os autores que j\u00e1 escreveram sobre Capoeira (Rego, 1968; Moura,      1980; Almeida, 1981 e 1986; Capoeira, 1981 e 1985; Areias, 1983), ao falarem      de Mestre Bimba, s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que: <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>1)<\/strong> Bimba era um capoeirista consumado, praticante de Angola        (\u00fanica variante existente na \u00e9poca). <strong><br \/>\n       2)<\/strong> Achando que essa modalidade deixava &#8220;muito a desejar em        termos de luta&#8221; (Itapoan, 1982, p. 14), criou um novo estilo, que chamou        de &#8220;Luta Regional Baiana&#8221; (Rego, 1968, p. 269) e que logo passaria        a ser conhecido como Capoeira Regional. <strong><br \/>\n       3) <\/strong>Foi o primeiro Mestre a abrir uma escola (academia) de Capoeira,        em 1932. Seu &#8220;Centro de Cultura F\u00edsica e Capoeira Regional&#8221; foi        tamb\u00e9m a primeira escola de Capoeira reconhecida oficialmente pelo governo,        em 1937. <strong><br \/>\n       4)<\/strong> Acredita-se, tamb\u00e9m, que ele foi o primeiro Mestre a desenvolver        uma metodologia de ensino. <strong>Os alunos aprendiam um determinado n\u00famero        de li\u00e7\u00f5es e distinguiam-se tr\u00eas n\u00edveis de praticantes: <\/strong>\u0093iniciantes\u0094,        &#8220;formados&#8221; e &#8220;formados especializados&#8221; (Capoeira, 1985,        p. 95). Introduziu, ainda, suas oito famosas &#8220;seq\u00fc\u00eancias&#8221;, combina\u00e7\u00f5es        programadas de ataque e defesa praticadas, todas elas, por seus alunos,        que, ainda hoje, utilizam amplamente seus ensinamentos <strong><br \/>\n       5)<\/strong> <strong>Outra caracter\u00edstica peculiar a sua escola, e que ter\u00e1        importantes conseq\u00fc\u00eancias para o futuro desenvolvimento da Capoeira, \u00e9 que        um setor majorit\u00e1rio (ou pelo menos importante, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 estimativas        exatas) de seus alunos pertencia \u00e0 classe m\u00e9dia e alta baiana:<\/strong>        &#8220;seus disc\u00edpulos variam desde o homem do povo at\u00e9 pol\u00edticos, ex-chefes        de Estado, doutores, artistas e intelectuais&#8221; (Rego, 1968, p. 283).        Segundo Mestre Acordeon, ex-aluno seu, &#8220;a maior-parte dos capoeiristas        de Mestre Bimba estudava em col\u00e9gios e universidades&#8221; (Almeida, 1981,        p.45). <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esse fato traz conseq\u00fc\u00eancias diversas. Segundo a maioria dos autores (Rego,      1968, p. 361; Areias, 1983, p. 68; Capoeira, 1985, p. 111; Almeida, 1981,      p. 40), \u00e9 gra\u00e7as a isso que a Capoeira come\u00e7a a ganhar mais aceita\u00e7\u00e3o social,      deixando de ser considerada como algo praticado por desqualificados marginais      e passando a ser vista como uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural do povo baiano. Em 1937      (Areias, 1983, p. 67), a escola de Bimba, primeiro grupo de Capoeira a realizar      uma apresenta\u00e7\u00e3o no pal\u00e1cio do governo baiano, \u00e9 reconhecida oficialmente.      Com o passar dos anos, o Mestre realiza v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es perante diversas      autoridades, e em 1953 apresenta-se para o Presidente Get\u00falio Vargas. <\/p>\n<p>Outras conseq\u00fc\u00eancias da irrup\u00e7\u00e3o de jovens dos setores acomodados baianos      na pr\u00e1tica da Capoeira s\u00e3o menos positivas. Segundo Areias (1983, p. 69),      o fato de que a academia era freq\u00fcentada por membros da burguesia acarreta      uma aliena\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao meio que deu origem \u00e0 arte (algo parecido, embora      sem precisar exatamente a escola, sugere Rego, 1968, p. 290), j\u00e1 que &#8220;uma      das medidas adotadas (&#8230;) foi a de aceitar apenas alunos que tivessem carteira      profissional assinada, ou que fossem estudantes ou tivessem alguma outra ocupa\u00e7\u00e3o      reconhecida (&#8230;)&#8221; (Areias, 1983, p. 69), para evitar a aflu\u00eancia de      &#8220;maus elementos&#8221;. Com a mesma finalidade, &#8220;era proibido ao      aluno freq\u00fcentar e participar das rodas de Capoeira Angola e das rodas de      rua&#8221; (Areias, 1983, p. 69). <\/p>\n<p><strong>Segundo Mestre Gato, capoeirista antigo: <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Formou-se um grupo de alunos brancos em torno de Bimba que, de certa      maneira, at\u00e9 mandavam. Bimba, apesar de ser um homem excepcional, era ignorante.    <\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que os negros tinham muito poucas oportunidades de ir para a      academia de Bimba aprender Regional. N\u00e3o estou dizendo que n\u00e3o havia negros      praticando Regional, mas, mas para seis negros, havia seiscentos brancos,      enquanto em Angola 80% eram negros&#8221; (Capoeira, 1985, p. 162). <\/p>\n<p>Com Bimba, ent\u00e3o, a Capoeira come\u00e7a a sofrer uma transforma\u00e7\u00e3o acelerada.      Com ele, deixa de ser brincadeira, vadia\u00e7\u00e3o, para ser uma luta propriamente      dita. Bimba era um tem\u00edvel lutador e talvez fosse sua fama que atra\u00edsse os      jovens da burguesia. <\/p>\n<p><strong>A Capoeira de Bimba elimina ou reduz a \u00eanfase nos efeitos cerimoniais,      rituais e l\u00fadicos da Capoeira Angola e incorpora novos elementos de luta que,      at\u00e9 aquele momento, eram-lhe estranhos:<\/strong> agarramentos, defesas contra      estes e certos golpes novos. N\u00e3o se sabe ao certo a origem desses novos movimentos.      Segundo o que pr\u00f3prio Bimba disse a Rego (1968, p. 33), ele &#8220;se valeu      de golpes de batuque (..) assim como de detalhes da coreografia do maculel\u00ea      (&#8230;) al\u00e9m dos golpes da luta greco-romana, jiu-jitsu, jud\u00f4 e savate (&#8230;)&#8221;.      A influ\u00eancia do batuque chegara at\u00e9 ele atrav\u00e9s de seu pai, consumado praticante      dessa arte popular. <strong>A verdadeira influ\u00eancia das lutas orientais e      europ\u00e9ias na Regional de Bimba \u00e9 objeto de discuss\u00e3o: <\/strong>Carneiro (1975,      p. 14) a enfatiza; seus ex-alunos a negam (Itapoan, 1982) ou minimizam (Almeida,      1981, p. 42); outros autores, como Rego (1968, p. 269) ou Areias (1985, pp.      67 e 70), registram-na, mas n\u00e3o a destacam.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, a partir de Bimba, na d\u00e9cada de 30, a Capoeira sofre uma grande      transforma\u00e7\u00e3o. Enfatizam-se os aspectos de luta, s\u00e3o acrescentados novos movimentos,      aparece um grupo importante de praticantes das classes m\u00e9dias e altas e a      Capoeira come\u00e7a a ser praticada dentro da legalidade. <\/p>\n<h4><strong>A Capoeira como &#8220;folclore&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p>Come\u00e7a, assim, o que poder\u00edamos denominar de processo de legitima\u00e7\u00e3o social      da Capoeira, j\u00e1 que ela n\u00e3o \u00e9 mais considerada uma pr\u00e1tica de marginais, mas      come\u00e7a a ser valorizada como luta e tamb\u00e9m como uma tradi\u00e7\u00e3o cultural baiana.    <\/p>\n<p>Come\u00e7a, tamb\u00e9m, no entanto, junto com a legitima\u00e7\u00e3o, o processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o      (para usar um voc\u00e1bulo popular entre os angoleiros) da Capoeira. Sua pr\u00e1tica      diminui no ambiente que lhe deu origem, a rua e as festas de largo, para evitar      associa\u00e7\u00f5es com o meio popular, com seu passado turvo, e passa-se a pratic\u00e1-la      em recintos fechados, escolas que servem como meio de vida para os mestres.    <\/p>\n<p>Um dos fatores que mais contribuem para sua descaracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 (Rego, 1968,      p. 361) o pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o municipal de turismo da Bahia. Este programa freq\u00fcentes      apresenta\u00e7\u00f5es para turistas, e as academias come\u00e7am a disputar entre os favores      da entidade, acrescentando ingredientes diferentes (samba de roda, pilh\u00e9rias      etc.) a suas apresenta\u00e7\u00f5es, a fim de torn\u00e1-las mais agrad\u00e1veis para o turista.    <\/p>\n<p>Assim a Capoeira se &#8220;folcloriza&#8221;. Em vez de se impor como uma manifesta\u00e7\u00e3o      cultural popular, com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, apresenta-se uma imagem adulterada      da mesma, procurando o que mais impressione e agrade o turista. <\/p>\n<h4><strong>A capoeira como esporte<\/strong><\/h4>\n<p>Na d\u00e9cada de 60, a Bahia continuava sendo o centro nevr\u00e1lgico da Capoeira.      Mas, por essa \u00e9poca, muitos Mestres, atra\u00eddos pelas possibilidades econ\u00f4micas      do Sul, come\u00e7aram a emigrar para o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A Capoeira,      aos poucos, espalhava-se pelo Brasil inteiro. <\/p>\n<p>Fora de seu contexto geogr\u00e1fico e social, distante de suas ra\u00edzes negras      e baianas, a Capoeira j\u00e1 n\u00e3o pode ser praticada como uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica      espont\u00e2nea, e tampouco estereotipada como folclore. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser uma      luta ao estilo de Bimba, que desafiava &#8220;qualquer lutador, de qualquer      luta, a enfrent\u00e1-lo com sua Regional&#8221; (Itapoan, 1982, p. 16) e que treinava      esquivando-se de pedras jogadas por seus alunos e de navalhas suspensas por      um fio (Itapoan, 1982, p 39). <\/p>\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o a ganhar popularidade a id\u00e9ia de que, devidamente regulamentada,      a Capoeira poderia ganhar um lugar junto \u00e0s artes marciais orientais, j\u00e1 aceitas      pela sociedade brasileira. Passaria, assim, a ser &#8220;a arte marcial brasileira&#8221;,      uma luta esportiva com competi\u00e7\u00f5es regulamentadas. <\/p>\n<p>Surgem, assim, em fins da d\u00e9cada de sessenta, os primeiros campeonatos e      tentativas de regulamenta\u00e7\u00e3o da Capoeira. Em 1968 e 1969, realizam-se, numa      base da For\u00e7a A\u00e9rea, no Rio de Janeiro, o primeiro e o segundo simp\u00f3sios brasileiros      de Capoeira. Neles, tentou-se &#8220;criar uma \u00fanica nomenclatura para os golpes,      um \u00fanico sistema de gradua\u00e7\u00e3o de alunos, crit\u00e9rios para gradua\u00e7\u00e3o de Mestres,      tudo com a inten\u00e7\u00e3o de fundar federa\u00e7\u00f5es de Capoeira (&#8230;) e transform\u00e1-la      no \u0091esporte nacional\u0092\u0094 (Capoeira, 1985, p. 132). Naquela mesma      \u00e9poca, realizam-se na Bahia os primeiros campeonatos de Capoeira. <\/p>\n<p>Em 1972, a Capoeira \u00e9 declarada &#8220;esporte&#8221; pelo Conselho Nacional      de Desportos, e sua pr\u00e1tica, como tal, \u00e9 regulamentada oficialmente, atrav\u00e9s      da Confedera\u00e7\u00e3o brasileira de Pugilismo. Em 1974, \u00e9 criada a primeira Federa\u00e7\u00e3o      de Capoeira em S\u00e3o Paulo, e em 1984, a segunda, no Rio de Janeiro. Falta ainda      surgir outra, num terceiro estado, para que se possa criar a Confedera\u00e7\u00e3o      Nacional de Capoeira, livrando-a da tutela do pugilismo. Em meados da d\u00e9cada      de 70 realizam-se tamb\u00e9m os primeiros campeonatos nacionais de Capoeira. <\/p>\n<p>Esse desenvolvimento da Capoeira\/esporte acarreta v\u00e1rias conseq\u00fc\u00eancias para      a pr\u00e1tica e a concep\u00e7\u00e3o vigente quanto a esta atividade. <\/p>\n<p><strong>Entre elas, destacamos: <\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Uma crescente burocratiza\u00e7\u00e3o: <\/strong>A Capoeira, para poder      ser considerada esporte, tem de ser competitiva e regulamentada (Capoeira,      1985, p. 147), tornando-se necess\u00e1rio, portanto, que existam associa\u00e7\u00f5es,      federa\u00e7\u00f5es e uma confedera\u00e7\u00e3o que, agrupando-as, consagre um regulamento \u00fanico      para a competi\u00e7\u00e3o, o ensino da atividade e os crit\u00e9rios de gradua\u00e7\u00e3o de Mestres.      Tudo isso conduz a uma burocratiza\u00e7\u00e3o crescente e a uma submiss\u00e3o do esporte\/luta      \u00e0 pol\u00edtica oficial, j\u00e1 que as federa\u00e7\u00f5es dependem, em \u00faltima inst\u00e2ncia, do      Conselho Nacional de Desportos. <\/p>\n<p>Os torneios, a regulamenta\u00e7\u00e3o e as federa\u00e7\u00f5es provocaram uma grande controv\u00e9rsia      nos \u00faltimos 15 anos. Os torneios tiveram bastante aceita\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o      de federa\u00e7\u00f5es. Em grande parte, os capoeiristas n\u00e3o est\u00e3o filiados \u00e0s duas      existentes, por n\u00e3o estarem de acordo com o direito que elas se arrogam de      deter o monop\u00f3lio da fiscaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica. Como toda atividade de origem      popular, n\u00e3o codificada, existem diferentes concep\u00e7\u00f5es em torno do que ela      \u00e9 e de como deve ser praticada e ensinada. Zelosos de sua individualidade      -que a tradi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria arte fomenta -, os Mestres n\u00e3o querem ser controlados      por uma federa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><strong>2) A incorpora\u00e7\u00e3o de elementos das artes marciais orientais:<\/strong>      A capoeira \u00e9 definida globalmente como esporte mas, por suas caracter\u00edsticas,      \u00e9 considerada uma luta. O uso predominante das pernas faz com que, dentro      das lutas\/esportes, seja equiparada \u00e0s artes marciais orientais, mais do que      ao boxe ou \u00e0 luta greco-romana, por exemplo. Assim, \u00e9 considerada a &#8220;arte      marcial brasileira&#8221;. Esta defini\u00e7\u00e3o \u00e9 vantajosa, j\u00e1 que apela n\u00e3o apenas      para o nacionalismo mas tamb\u00e9m para a legitimidade que s outras artes marciais      conseguiram. <strong>Ao tom\u00e1-las como modelo (consciente ou n\u00e3o) a ser imitado,      a Capoeira incorpora elementos que as caracterizam: <\/strong>o uniforme branco,      a pr\u00e1tica de p\u00e9s descal\u00e7os, o uso de cord\u00f5es para classificar diferentes etapas      do aprendizado, a atitude s\u00e9ria e marcial durante os treinos, a sauda\u00e7\u00e3o ritual      (em posi\u00e7\u00e3o marcial) no in\u00edcio e no fim da aula. Tamb\u00e9m foram acrescentados      pontap\u00e9s e golpes de m\u00e3o que, tradicionalmente, n\u00e3o existiam na Capoeira,      modificou-se a execu\u00e7\u00e3o de certos golpes que j\u00e1 existiam, tornando-os &#8220;mais      t\u00e9cnicos&#8221; (portanto, mais parecidos com os do karat\u00ea), introduziram-se      t\u00e9cnicas de &#8220;defesa pessoal&#8221; e, \u00e0s vezes, at\u00e9 s\u00e3o utilizadas &#8220;guardas&#8221;      com n\u00edtida influ\u00eancia oriental durante os jogos e pr\u00e1ticas. <\/p>\n<p>Os torneios tamb\u00e9m parecem estruturados dentro desse modelo, com quatro ju\u00edzes,      bandeiras para anunciar as faltas de cada praticante etc. \u00c9 mantido o uso      do berimbau durante a competi\u00e7\u00e3o, mas com uma fun\u00e7\u00e3o meramente simb\u00f3lica,      j\u00e1 que parece n\u00e3o ter a menor influ\u00eancia sobre o jogo (que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um jogo,      mas sim uma luta, com contato). <\/p>\n<p>A \u0093arte marcial brasileira\u0094, ent\u00e3o, para gozar do prest\u00edgio das      outras artes marciais mais bem-sucedidas, precisa ser cada vez menos brasileira,      perdendo suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e incorporando outras que lhe s\u00e3o alheias.      Influi tamb\u00e9m, neste processo, o fato de que os mais fervorosos defensores      da Capoeira\/esporte s\u00e3o professores de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e\/ou especialistas      em alguma arte marcial oriental. Este curr\u00edculo e esta influ\u00eancia s\u00e3o claramente      observados numa recente publica\u00e7\u00e3o de difus\u00e3o maci\u00e7a sobre Capoeira (Pinatti      e Oliveira Silva, 1984, cap. II), apresentando v\u00e1rias t\u00e9cnicas (especialmente      pp. 14-24 e 50-65) que poderiam ter sido tiradas, foto por foto, de um livro      de karat\u00ea. <\/p>\n<p><strong>3) Uma coopta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica e pol\u00edtica da arte pelo sistema:<\/strong>      As ra\u00edzes populares, negras e contraculturais da Capoeira se perdem para dar      lugar a uma Capoeira que &#8220;\u00e9 sin\u00f4nimo de educa\u00e7\u00e3o, cultura, civismo e      sa\u00fade&#8221; (Pinatti e Oliveira Silva, 1984, II: Regulamento de Competi\u00e7\u00e3o,      p. 3). Segundo esta vis\u00e3o, a pr\u00e1tica da Capoeira, \u0093al\u00e9m de divers\u00e3o,      relax para quem apratica, ajuda a desenvolver o poder da vontade, a cultivar      a cortesia, e patrocina a modera\u00e7\u00e3o da linguagem, coopera com a forma\u00e7\u00e3o do      car\u00e1ter (&#8230;) (Senna, 1980, p13). <\/p>\n<p>Este apelo extremado ao civismo se v\u00ea complementado por uma crescente intromiss\u00e3o      do militar na pr\u00e1tica do esporte\/luta. Isto se nota, por exemplo no uso compulsivo      do uniforme (que deve estar \u0093bem dobrado, passado e limpo&#8221;); na      postura marcial do &#8220;Salve&#8221;; na r\u00edgida hierarquiza\u00e7\u00e3o que se imp\u00f5e      com o uso dos cord\u00f5es; nas exalta\u00e7\u00f5es da ordem m\u00e1xima, disciplina r\u00edgida e      respeito absoluto, a serem mantidos dentro fora do Templo de Capoeira\u0094      (Senna, 1980, p.19, grifo nosso).<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 aspectos menos formais ou inocentes dentro dessa intromiss\u00e3o do      marcial na Capoeira:<\/strong> o desenvolvimeto da Capoeira\/arte marcial brasileira      se produz durante os anos da \u00faltima ditadura militar; as primeiras tentativas      de homogeneiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas e regras (simp\u00f3sios de 1968 e 1969) foram patrocinados      pela For\u00e7a A\u00e9rea; uma das primeiras tentativas de regulamenta\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o      de Capoeira prov\u00e9m de um mestre que a ensina no Col\u00e9gio Militar. Dirigentes      das federa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foram acusados de tentar integrar a Capoeira (para conseguir      alcan\u00e7ar sua legitima\u00e7\u00e3o e em troca de d\u00e1divas diversas) \u00e0 ideologia pol\u00edtica      da ditadura militar que dominou o Brasil de 1964 a 1985 (Areias, 1983, p.      77; Capoeira, 1985, p. 155). <\/p>\n<p><strong>4) Concep\u00e7\u00f5es evolucionistas subjacentes:<\/strong> Para certo setor      dos praticantes, essa evolu\u00e7\u00e3o da Capoeira de luta &#8220;folcl\u00f3rica&#8221;      a arte marcial\/esporte, \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o natural, necess\u00e1ria: &#8220;Em todas      as partes do globo, cada povo possui um m\u00e9todo mais ou menos elaborado de      combater &#8211; autodefesa (&#8230;) que vai fazendo evoluir o progresso da civiliza\u00e7\u00e3o      (&#8230;) &#8221; ( Senna, 1980, p. 11). <\/p>\n<p>Segundo essa vis\u00e3o, a partir dessa modalidade de luta popular, que se desenvolveu      de forma emp\u00edrica &#8211; portanto considerada &#8220;inexata&#8221;, &#8220;ing\u00eanua&#8221;      -, chega-se ao que muitas vezes \u00e9 denominado de &#8220;Capoeira objetiva&#8221;.      Nesta, supostamente, atrav\u00e9s do estudo dos movimentos e do conhecimento cient\u00edfico      que possu\u00edmos do corpo humano, seriam alcan\u00e7ados movimentos e t\u00e9cnicas com      um grau m\u00e1ximo de efici\u00eancia. O saber popular negro, &#8220;primitivo&#8221;,      deve assim ser substitu\u00eddo pelo conhecimento &#8220;cient\u00edfico&#8221; (n\u00e3o esque\u00e7amos      de que muitos dos novos Mestres s\u00e3o professores de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica) que possuem      as classes m\u00e9dias, brancas. <\/p>\n<p>&#8220;A Capoeira \u00e9 executada e praticada de forma emp\u00edrica, intuitiva e perigosa.      Seus participantes n\u00e3o se d\u00e3o conta de que, racionalizada e com um m\u00e9todo      adequado, muitos seriam os resultados sociais, f\u00edsicos e espirituais com que      ela poderia contribuir decisivamente para a forma\u00e7\u00e3o do elemento humano (&#8230;)      Alcancemos o caminho da codifica\u00e7\u00e3o da Capoeira como esporte e conseguiremos      a posi\u00e7\u00e3o a que chegaram todas as formas naturais de defesa pessoal de v\u00e1rios      povos, as chamadas Artes Marciais, que passaram pelas mesmas fases de marginaliza\u00e7\u00e3o,      lendas, cren\u00e7as, fanatismo etc.&#8221; (Senna, 1980, p. 14). <\/p>\n<p><strong>Essa concep\u00e7\u00e3o evolucionista (e tacitamente racista) est\u00e1 graficamente      expressa em Capoeira: <\/strong>A Arte Marcial Brasileira, publica\u00e7\u00e3o de grande      tiragem, escrita com a assessoria de dirigentes da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Capoeira.      O primeiro volume (Pinatti e Oliveira Silva, 1984, cap. I) consta de duas      partes: Capoeira\/Cultura e Capoeira\/Esporte. Na apresenta\u00e7\u00e3o da primeira,      aparecem quatro capoeiristas negros e o professor, branco. Os capoeiristas      negros ilustram aqui as formas como se entra no jogo (as &#8220;regras&#8221;      n\u00e3o escritas), os movimentos b\u00e1sicos e os &#8220;movimentos em desuso&#8221;      (que, parecem ignor\u00e1-lo, t\u00eam ainda plena vig\u00eancia nas academias Angola de      Salvador). A segunda parte, Capoeira\/Esporte, est\u00e1 ilustrada por oito capoeiristas      brancos, que mostram as formas de aquecimento (contribui\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica)      e os movimentos de cintura solta (agarramentos e quedas) desenvolvidos por      Bimba. A mensagem \u00e9 muito clara: a Capoeira como cultura pertence aos negros      (e aqui s\u00f3 entram os movimentos b\u00e1sicos, e outros j\u00e1 em desuso) e a Capoeira      como esporte (com t\u00e9cnicas mais complexas e assessoria da educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica      &#8211; o pr\u00e9-aquecimento) pertence aos brancos. Seguindo esta linha, o segundo      volume (Pinatti e Oliveira Silva, 1984, cap. II) desenvolve movimentos de      ataque e defesa (luta) que s\u00e3o ilustrados por sete capoeiristas brancos e      um mulato (o professor). Desses oito capoeiristas, seis s\u00e3o professores de      educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, confirmando a intromiss\u00e3o de uma disciplina na outra. <\/p>\n<p><strong>Essa vers\u00e3o da passagem da Capoeira, de cultura negra, para esporte      branco \u00e9 basicamente correta, faltando mencionar o fato de que se realiza      uma valora\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica:<\/strong> a Capoeira como cultura \u00e9 igualada ao &#8220;folclore&#8221;      e este, estereotipado, como algo pitoresco, est\u00e1tico, do passado. Por isso      se pergunta, na mesma publica\u00e7\u00e3o: &#8220;Ser\u00e1 que [a Capoeira] sobreviver\u00e1      e se massificar\u00e1 como manifesta\u00e7\u00e3o exclusivamente folcl\u00f3rica? Quantas \u0091academias\u0092      de folclore se conhecem?&#8221; (A. Ghiberti em Pinatti e Oliveira Silva, 1984,      cap. I, p. 65). A Capoeira, para estes autores, s\u00f3 pode sobreviver regulamentada      como esporte, ou seja, obedecendo \u00e0s pautas da classe dominante. Esta aprecia\u00e7\u00e3o      \u00e9 mascarada como algo necess\u00e1rio, que est\u00e1 &#8220;na natureza das coisas&#8221;.    <\/p>\n<h4><strong>Tend\u00eancias atuais da Capoeira<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Qual a influ\u00eancia desse desenvolvimento da Capoeira esporte\/arte      marcial sobre os elementos que, segundo propusemos no in\u00edcio deste trabalho,      caracterizam a Capoeira como arte original? <\/strong><\/p>\n<p><strong>1) Mal\u00edcia: <\/strong>Este \u00e9 um dos aspectos que a Capoeira atual      mais perdeu. Quanto a isto, os velhos Mestres, na maioria, s\u00e3o un\u00e2nimes (Capoeira,      1985, pp. 166-8) em ressaltar que, agora, a \u00eanfase recai na velocidade, na      for\u00e7a e nos movimentos acrob\u00e1ticos, em detrimento da burla e da picardia.      Somente depois de v\u00e1rios anos de pr\u00e1tica, e de ac\u00famulo de experi\u00eancia, \u00e9 que      os capoeiristas que praticam esta modalidade adquirem algo da mal\u00edcia. Nas      academias de Angola existentes, os alunos desenvolvem esta qualidade desde      o princ\u00edpio. <\/p>\n<p><strong>2) Complementa\u00e7\u00e3o: <\/strong>A sincroniza\u00e7\u00e3o, o fluir do jogo e o      est\u00edmulo-resposta da Capoeira tradicional tampouco s\u00e3o enfatizados nos jogos.      A tend\u00eancia \u00e9 jogar mais afastado, seja por causa da maior rapidez dos movimentos,      e pelo fato de estes serem mais espetaculares, seja pela crescente introdu\u00e7\u00e3o      de movimentos acrob\u00e1ticos no jogo. J\u00e1 estes, embora lhe proporcionem a caracter\u00edstica      de ser um jogo muito vistoso, quebram totalmente a complementa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que,      em geral, n\u00e3o s\u00e3o feitos como resposta a um movimento do advers\u00e1rio, mas sim      para o pr\u00f3prio brilho. Na forma mais extremada, encontramos dois praticantes      que exibem juntos, mas individualmente, sua destreza f\u00edsica, em vez de jogarem      um com o outro. <\/p>\n<p><strong>3) Jogo baixo:<\/strong> Embora n\u00e3o se possa falar, atualmente, de      jogo baixo propriamente dito, sem d\u00favida existe algo que ainda caracteriza      e diferencia a Capoeira de outras artes marciais &#8211; o uso freq\u00fcente de ataques      e defesas realizados abaixando-se at\u00e9 o ch\u00e3o. <\/p>\n<p>Provavelmente, no entanto (e sem querer), a maior &#8220;descaracteriza\u00e7\u00e3o&#8221;      (para empregar o termo popular entre os angoleiros baianos) da Capoeira tradicional      se d\u00e1, justamente, quando praticantes claramente acostumados com a Regional      fazem jogos de Angola &#8211; fazem-no respondendo ao estere\u00f3tipo vigente de que      o jogo de Angola \u00e9 algo lindo, por\u00e9m &#8220;passado&#8221;, sem vig\u00eancia ou      valor como luta, e tamb\u00e9m sem saber como este jogo realmente \u00e9. Jogam lento,      mas todo o tempo abaixados (ignorando, como dissemos no in\u00edcio, que Angola      utiliza movimentos de p\u00e9 e em posi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias), e o que fazem, basicamente,      s\u00e3o movimentos de destreza f\u00edsica pr\u00f3ximos do ch\u00e3o, sem buscar maior complementa\u00e7\u00e3o      com o advers\u00e1rio ou considerar que, na realidade, deveriam tamb\u00e9m estar lutando.      De modo geral, quando h\u00e1 roda, come\u00e7a-se com o jogo de Angola, lento, &#8220;um      jogo&#8221; (ou seja, sem maior import\u00e2ncia), e logo se passa para a Capoeira      &#8220;a s\u00e9rio&#8221;, a Regional. <\/p>\n<p><strong>4) Aus\u00eancia de viol\u00eancia: <\/strong>A \u00eanfase na luta e a Capoeira      identificada exclusivamente como arte marcial, em detrimento dos outros aspectos,      faz com que a viol\u00eancia esteja cada vez mais presente nos jogos. J\u00e1 n\u00e3o se      joga &#8220;com&#8221; um advers\u00e1rio, mas &#8220;contra&#8221; ele. <\/p>\n<p><strong>5) Movimentos bonitos: <\/strong>A est\u00e9tica continua sendo importante      e prossegue a busca de beleza nos movimentos, mas a concep\u00e7\u00e3o de beleza que      se tem \u00e9 totalmente diferente. A beleza que se busca nos movimentos corresponde,      como dissemos no in\u00edcio deste trabalho, a uma est\u00e9tica diferente. O modelo      a imitar, com as pernadas, \u00e9 o das artes marciais orientais e, no aspecto      acrob\u00e1tico, o da gin\u00e1stica esportiva. <\/p>\n<p>H\u00e1, al\u00e9m disso, uma \u00eanfase nos movimentos bonitos pela beleza em si, desprovidos      de qualquer inten\u00e7\u00e3o de deslocamento, ataque ou defesa. Isto n\u00e3o acontece      com a Capoeira Angola, na qual todos os movimentos, por mais que se pretenda      torn\u00e1-los bonitos, t\u00eam um objetivo. A pirueta bonita, mas sem outro prop\u00f3sito      que n\u00e3o seja o visual, ajuda a quebrar a complementa\u00e7\u00e3o do jogo. <\/p>\n<p><strong>6) M\u00fasica lenta: <\/strong>Utilizam-se (ou deveriam ser utilizados,      j\u00e1 que isto nem sempre \u00e9 respeiado) diferentes ritmos para diferentes tipos      de jogo. A Regional, no entanto, caracteriza-se por seus ritmos r\u00e1pidos.<\/p>\n<p><strong>7) Import\u00e2ncia do ritual: <\/strong>Embora em menor quantidade que      na Capoeira tradicional, continuam existindo regras n\u00e3o escritas para o correto      desempenho do jogo. H\u00e1, no entanto, certos aspectos que poder\u00edamos classificar      como ritual\u00edsticos que raras vezes s\u00e3o vistos fora das academias de Angola      (como o denominado &#8220;pedida de a\u00fa&#8221;, ou &#8220;chamada de Angola&#8221;),      e tamb\u00e9m gestos rituais pr\u00f3prios da Capoeira tradicional que, talvez por desconhecimento,      m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o ou, ainda, reinterpreta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o substitu\u00eddos por outros.      Como exemplo, observamos que est\u00e1 bastante disseminado no Sul o costume de      &#8220;pedir a ben\u00e7a do berimbau&#8221;, que consiste em levar a m\u00e3o at\u00e9 o extremo      inferior do berimbau e, em seguida, fazer o sinal da cruz, antes de partir      para o jogo. Isto substitui todos os gestos que, no mesmo momento, realiza      o angoleiro, invocando prote\u00e7\u00e3o (trazer o signo de Salom\u00e3o etc.). No Sul,      tamb\u00e9m, toca-se o ch\u00e3o em frente ao berimbau, imediatamente depois de concluir      o jogo, costume que tampouco se observa na Capoeira tradicional. <\/p>\n<p><strong>8) Teatralidade:<\/strong> Este \u00e9 o aspecto que mais se perdeu. O      teatral, o pantom\u00ednico, na Capoeira, sempre esteve misturado com o ritual,      e sobretudo com a mal\u00edcia, que o sustenta e lhe d\u00e1 sentido. \u00c9 por mal\u00edcia      que sai da teatraliza\u00e7\u00e3o, enganoso e inesperado, o ataque certeiro. Reduzida      a parte ritual (que s\u00f3 tem import\u00e2ncia no in\u00edcio do jogo e quase n\u00e3o aparece      durante este), tirada a \u00eanfase da mal\u00edcia e valorizada a luta em si, a teatraliza\u00e7\u00e3o      quase desaparece. <\/p>\n<p>As afirma\u00e7\u00f5es que fizemos sobre o que acontece com as caracter\u00edsticas originais      s\u00f3 podem ser consideradas como um reflexo das tend\u00eancias gerais na pr\u00e1tica      da Capoeira. Como j\u00e1 mencionamos, esta ainda \u00e9 uma atividade que exprime a      individualidade de cada Mestre e de cada praticante Por isso \u00e9 que n\u00e3o vingaram      as tentativas de homogeneiza\u00e7\u00e3o de sua pr\u00e1tica. <\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas se mant\u00eam, em graus diferentes, nas diversas academias.      Mesmo dentro de cada uma pode haver varia\u00e7\u00f5es, de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo.    <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es de acordo com o tipo de jogo que se adote (devemos lembrar      que h\u00e1 diferentes toques de berimbau, que correspondem a distintas formas      de jogo) e do contexto em que \u00e9 realizado (roda fechada, roda aberta, apresenta\u00e7\u00e3o,      torneio etc.). <\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, diferen\u00e7as zonais. Na Bahia, por exemplo, por ter sido o epicentro      do desenvolvimento da Capoeira, sempre estar\u00e3o presentes, por mais que se      enfatize o aspecto da luta, a mal\u00edcia e a teatraliza\u00e7\u00e3o. No Sul, os movimentos      estar\u00e3o mais pr\u00f3ximos das artes marciais e da gin\u00e1stica. <\/p>\n<p><strong>Academias &#8220;mais tradicionais&#8221; e &#8220;menos tradicionais&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Se \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma classifica\u00e7\u00e3o r\u00edgida das academias, o mais acertado,      ent\u00e3o, seria defender a exist\u00eancia de um continuum unindo dois p\u00f3los ideais,      entre os quais poder\u00edamos classific\u00e1-las ou situ\u00e1-las de acordo com a medida      em que a Capoeira praticada por elas conserva as caracter\u00edsticas apontadas      por n\u00f3s como tradicionais. Um esquema parecido \u00e9 proposto por Ortiz (1978,      p. 88) ao analisar a transforma\u00e7\u00e3o sofrida pelas religi\u00f5es afro-brasileiras,      em especial com o surgimento da Umbanda. <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, existir\u00e1 um p\u00f3lo &#8220;mais tradicional&#8221;, em que a Capoeira praticada      conservaria em maior medida as oito caracter\u00edsticas propostas como t\u00edpicas      da Capoeira tradicional; e outro, &#8220;menos tradicional&#8221;, em que estas      caracter\u00edsticas estariam pouco presentes (pouca mal\u00edcia, pouca complementa\u00e7\u00e3o,      \u00eanfase na luta, viol\u00eancia, movimentos bonitos segundo a est\u00e9tica branca, pouca      ritualiza\u00e7\u00e3o e teatraliza\u00e7\u00e3o etc). <\/p>\n<p>Vimo-nos quase tentados a chamar a um dos p\u00f3los de Capoeira Angola e ao outro      de Capoeira Regional. Mas, como s\u00f3 existem rar\u00edssimas academias de Angola      no Brasil, e como a Capoeira Regional passou a ser a capoeira neste pa\u00eds,      pareceu-nos mais adequada a nomenclatura finalmente proposta. Fica entendido      que as academias de Angola estariam situadas no extremo &#8220;mais tradicional&#8221;      da tipologia. Isto n\u00e3o impede que uma academia, por mais que seja de Regional,      embora respeite as caracter\u00edsticas desta, tamb\u00e9m se aproxime do outro p\u00f3lo.      Por exemplo, as opini\u00f5es de Mestre Atanilo (um dos disc\u00edpulos mais antigos      de Bimba) sobre a Capoeira atual (Capoeira, 1985, pp. 168-169) poderiam ter      sido subscritas por qualquer angoleiro. Depoimentos recolhidos em Salvador      demonstram tamb\u00e9m que as pr\u00e1ticas de Bimba eram muito mais parecidas com as      de Angola do que as atuais. <\/p>\n<p>Seria interessante verificar, como prop\u00f5e Ortiz para sua tipologia (Ortiz,      1968, p. 88), se tamb\u00e9m n\u00e3o poderia a nossa ser relacionada com as diferen\u00e7as      de classe existentes na sociedade, ou seja, se as academias &#8220;mais tradicionais&#8221;      s\u00e3o mais freq\u00fcentadas pelas classes mais populares e as &#8220;menos tradicionais&#8221;      pelas classes m\u00e9dias e, &#8220;na medida em que a linha de classe coincida      com a linha de cor&#8221; (Ortiz, 1978, p. 89), verificar se os negros tendem      a freq\u00fcentar mais o primeiro tipo de academia. Seguramente, haveria tamb\u00e9m      uma diferencia\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica: as academias da Bahia podem ser situadas mais      perto do p\u00f3lo &#8220;mais tradicional&#8221; e as de S\u00e3o Paulo do oposto. <\/p>\n<p>Essa tipologia n\u00e3o pretende ser valorativa, implicando, de alguma forma,      que as academias &#8220;menos tradicionais&#8221; sejam piores do que as &#8220;tradicionais.&#8221;      \u00c9 certo, no entanto, que a Capoeira praticada nas primeiras perdeu v\u00e1rias      das caracter\u00edsticas que a configuravam como forma art\u00edstica pr\u00f3pria de um      povo, o afro-brasileiro.<\/p>\n<p>Este fato se agrava quando se justifica esta perda como algo natural e necess\u00e1rio      para a evolu\u00e7\u00e3o desta arte, quando se prop\u00f5e como &#8220;natural&#8221; o desenvolvimento      da Capoeira de &#8220;luta ing\u00eanua&#8221;, &#8220;folcl\u00f3rica,&#8221; (negra) para      &#8220;arte marcial\/esporte&#8221;, &#8220;objetiva&#8221; (branca). Ao proceder-se      assim, mascara-se a rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica de poder existente na sociedade e      se justifica (mediante uma ideologia racista e evolucionista) a apropria\u00e7\u00e3o      da arte de um grupo \u00e9tnico por outro e a mutila\u00e7\u00e3o e perda da mem\u00f3ria e da      identidade desse grupo. <\/p>\n<p><strong>Umbanda e Capoeira regional: dois desenvolvimentos paralelos? <\/strong><\/p>\n<p>Depois de esbo\u00e7ar um breve panorama do desenvolvimento da Capoeira em nosso      s\u00e9culo, e de assinalar os condicionamentos sociais que influ\u00edram nesse desenvolvimento,      acreditamos que uma compara\u00e7\u00e3o com a evolu\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es afro-brasileiras      (especialmente com o surgimento da Umbanda) pode ser altamente instrutiva.      Sem tentar equiparar exatamente a Umbanda com a Capoeira Regional, h\u00e1 certos      paralelismos \u00f3bvios no desenvolvimento de ambas, demonstrando que as mesmas      for\u00e7as sociais foram acionadas nos dois casos, principalmente o impulso para      um &#8220;embranquecimento&#8221; das express\u00f5es culturais negras. <\/p>\n<p>Como afirmamos anteriormente, n\u00e3o pretendemos negar a essas novas manifesta\u00e7\u00f5es      mesti\u00e7as sua import\u00e2ncia ou valor, j\u00e1 que sua ampla aceita\u00e7\u00e3o popular mostra      que, al\u00e9m dos interesses de classe que possam ter causado seu aparecimento      (ou ter influ\u00eddo neste), constituem, atualmente, manifesta\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas      da cultura popular brasileira. No entanto, sustentamos que t\u00eam, efetivamente      (ou lhes s\u00e3o conferidas), conota\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, quando s\u00e3o utilizadas para      monopolizar a legitimidade na \u00e1rea que lhes diz respeito, ou s\u00e3o apresentadas      como meta \u00e0 qual, inevitavelmente, devem aspirar as express\u00f5es negras que      lhes deram origem (por exemplo, quando se clama que a Umbanda \u00e9 religi\u00e3o e      o Candombl\u00e9, ou qualquer variante ortodoxa, \u00e9 supersti\u00e7\u00e3o, ou que a Capoeira      Regional \u00e9 uma arte marcial e a Capoeira mais tradicional &#8220;apenas&#8221;      folclore). <\/p>\n<p>Nossa an\u00e1lise dever\u00e1, for\u00e7osamente, ser superficial, mas acreditamos que      pode proporcionar pistas interessantes a serem aprofundadas em trabalhos posteriores.    <\/p>\n<p>As religi\u00f5es afro-brasileiras, durante o fim do s\u00e9culo passado e parte da      metade deste, foram perseguidas e reprimidas pela pol\u00edcia. Isto se devia ao      fato de que o uso de tambores, as dan\u00e7as, os transes, os sacrif\u00edcios de animais,      a \u00eanfase em melhorar a vida dos adeptos atrav\u00e9s de meios sobrenaturais (adivinha\u00e7\u00e3o,      oferendas, trabalhos) eram todos elementos que caracterizavam a religiosidade      africana, mas n\u00e3o coincidiam com a vis\u00e3o dominante, branca e cat\u00f3lica do que      deveria ser uma religi\u00e3o. Seus praticantes, negros e pertencentes \u00e0s camadas      sociais mais baixas, desprovidos de poder pol\u00edtico, n\u00e3o podiam opor argumentos      \u00e0 vis\u00e3o racista que os considerava, junto com suas manifesta\u00e7\u00f5es culturais,      um estigma do qual a sociedade brasileira deveria livrar-se para &#8220;progredir&#8221;.    <\/p>\n<p>Durante a segunda metade do s\u00e9culo passado, o Espiritismo de Allan Kardec      se populariza na sociedade brasileira. Nas classes baixas, mistura-se com      as pr\u00e1ticas afro-brasileiras, influindo enormemente sobre elas. Surge assim      a Macumba carioca, o Candombl\u00e9 de Caboclos baiano etc. Nas classes m\u00e9dias,      imp\u00f5e-se uma vers\u00e3o mais ortodoxa do Kardecismo. <\/p>\n<p>Durante meados da d\u00e9cada de 20, um grupo de homens de classe m\u00e9dia, brancos,      de proced\u00eancia esp\u00edrita, insatisfeitos com o que consideravam uma \u00eanfase desproporcional      dada aos aspectos doutrin\u00e1rio e intelectual por parte do Kardecismo, come\u00e7am      a freq\u00fcentar os centros afro-brasileiros da periferia. Somando \u00e0 sua bagagem      esp\u00edrita uma \u00eanfase no utilit\u00e1rio e em diferentes aspectos do colorido ritual      desses centros, criam uma nova religi\u00e3o que denominam Umbanda (Brown, 1977,      p. 33). Esta &#8220;Umbanda Branca,&#8221;, ou &#8220;Pura&#8221;, como \u00e9 apresentada,      elimina elementos de origem africana desses centros: sacrif\u00edcios de animais,      oferendas materiais, tambores, dan\u00e7as. Estes aspectos, aos quais consideravam      &#8220;primitivos&#8221;, chocavam-se com seus valores de classe m\u00e9dia. <\/p>\n<p>Esse grupo, a partir de uma casa m\u00e3e, come\u00e7a a fundar outros centros e, em      1939, cria a primeira Federa\u00e7\u00e3o de Umbanda, com o objetivo de proteger seus      filiados contra a persegui\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia. Em 1941, realizam o Primeiro Congresso      de Espiritismo de Umbanda, no qual propuseram-se a codificar o ritual e a      ideologia umbandistas e deram sua vers\u00e3o da origem da mesma, remontando \u00e0s      antigas civiliza\u00e7\u00f5es da \u00edndia ou do Egito (e n\u00e3o da \u00c1frica, porque, aqui,      na opini\u00e3o deles, os grupos s\u00f3 possu\u00edam uma cultura &#8220;rudimentar&#8221;)      (Brown, 1977, p. 34). <\/p>\n<p>Essa religi\u00e3o, j\u00e1 &#8220;brasileira&#8221; e expurgada do &#8220;afro&#8221;,      durante certo tempo v\u00ea-se restrita, majoritariamente, a n\u00facleos de classe      m\u00e9dia. <\/p>\n<p>A queda do regime de Vargas possibilita uma acelera\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e da      difus\u00e3o da nova religi\u00e3o, atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Multiplicam-se      as federa\u00e7\u00f5es e os l\u00edderes de classe m\u00e9dia, com sua Umbanda Branca, conseguem      maior prest\u00edgio e legitimidade para a religi\u00e3o. Este fato, al\u00e9m de sua influ\u00eancia      ante pol\u00edticos locais e a pol\u00edcia, fazem com que v\u00e1rios centros de menor n\u00edvel      s\u00f3cio-econ\u00f4mico e com ra\u00edzes africanas mais fortes entrem em sua esfera de      influ\u00eancia, em troca de favores pol\u00edticos. Por sua vez, os l\u00edderes dessas      federa\u00e7\u00f5es de classe m\u00e9dia t\u00eam de flexibilizar um pouco sua defini\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o,      para permitir o ingresso destes centros de classe baixa que, por seu grande      n\u00famero, formavam uma clientela pol\u00edtica not\u00e1vel. Para finalidades da d\u00e9cada      de 50, pol\u00edticos umbandistas conquistam cargos de vereadores e tamb\u00e9m de deputados      estaduais. <\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 60, esses l\u00edderes umbandistas de classe m\u00e9dia j\u00e1 haviam obtido      &#8220;uma posi\u00e7\u00e3o de consider\u00e1vel influ\u00eancia sobre o crescimento da Umbanda      no Rio (&#8230;) dominavam a apresenta\u00e7\u00e3o da Umbanda ao p\u00fablico em geral e o processo      de sua legitima\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o dentro da sociedade brasileira (&#8230;)&#8221;      (Brown, 1977, p. 39). Embora n\u00e3o conseguissem unificar os rituais e a ideologia      de todos os centros do Rio, sua concep\u00e7\u00e3o cresceu por todo o Brasil e teve      &#8220;um efeito nivelador sobre as tradi\u00e7\u00f5es regionais de muitas cidades,      influenciando-as na dire\u00e7\u00e3o de uma religi\u00e3o nacional mais uniforme&#8221; (Brown,      1977, p. 40). <\/p>\n<p>A ditadura militar que se estabelece em 1964 \u00e9 ben\u00e9vola com essa nova religi\u00e3o,      que considera um poss\u00edvel meio de controle pol\u00edtico. &#8220;Os militares, rapidamente,      tornam-se muito mais vis\u00edveis e numerosos, como l\u00edderes de centros e federa\u00e7\u00f5es      de Umbanda&#8221; (Brown, 1985, p. 35). \u00c9 sob o governo militar que o registro      dos templos passa da jurisdi\u00e7\u00e3o policial \u00e0 civil, a Umbanda \u00e9 reconhecida      como religi\u00e3o no censo oficial e muitos de seus feriados religiosos s\u00e3o incorporados      aos calend\u00e1rios p\u00fablicos (Brown, 1985, p. 35). <\/p>\n<p>Assim, a Umbanda, como variante &#8220;mais branca&#8221; (Ortiz, 1978) da      religiosidade afro-brasileira, acomoda-se bem aos valores sociais vigentes      e \u00e9 integrada ao sistema e legitimada. Por esta raz\u00e3o, expande-se nos diferentes      n\u00edveis sociais e em todas as \u00e1reas geogr\u00e1ficas, influindo fortemente, ainda,      nas outras variantes da religi\u00e3o afro, tanto as mais sincr\u00e9ticas (Batuque      do Par\u00e1, Pajelan\u00e7a) como as mais ortodoxas (Candombl\u00e9 da Bahia, Xang\u00f4 de Recife,      Batuque de Porto Alegre). <\/p>\n<p>N\u00e3o existe, por\u00e9m, uma \u00fanica Umbanda apenas. A Umbanda branca, influencia,      como dissemos, os centros mais africanizados, mas n\u00e3o chega a impor completamente      sua ideologia e ritual. Por isso \u00e9 que, a partir de Ortiz (1978), reconhece-se,      em geral, que se pode agrupar os templos de Umbanda ao longo de um continuum      que vai desde os &#8220;menos ocidentalizados&#8221; (os que conservam v\u00e1rios      tra\u00e7os africanos, como tambores, sacrif\u00edcios etc.) at\u00e9 os &#8220;mais ocidentalizados&#8221;,      que prescindem desses elementos e adotam uma pr\u00e1tica mais parecida com a do      espiritismo.<\/p>\n<p><strong>Comparando o desenvolvimento de ambas as express\u00f5es populares (a      Umbanda e a em 1972 Capoeira Regional), que paralelismos podem ser estabelecidos?<\/strong><\/p>\n<p>Em ambos os casos, havia uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural de origem africana, praticada      majoritariamente por setores sociais mais baixos, nos quais predomina a gente      de cor (Capoeira tradicional, Macumba e Candombl\u00e9). Estas pr\u00e1ticas eram estigmatizadas      e perseguidas em virtude de sua origem \u00e9tnica e social. <\/p>\n<p>Num determinado momento, um grupo de homens das classes mais acomodadas interessa-se      por essas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Assim, em meados da d\u00e9cada de 20, um grupo      de &#8220;kardecistas insatisfeitos&#8221; toma elementos dos centros afro-brasileiros      e cria a Umbanda. Em meados da d\u00e9cada de 30, Mestre Bimba, negro, cria a Capoeira      Regional, a partir da tradicional.Sua \u00eanfase na luta, em detrimento de outros      elementos culturais, faz com que sua academia passe a ser freq\u00fcentada, na      maioria, por brancos da classe m\u00e9dia. <\/p>\n<p>Essas novas variantes, purgadas de v\u00e1rios de seus elementos negros (a Umbanda      n\u00e3o utiliza sacrif\u00edcios nem tambores; a Capoeira Regional tira a \u00eanfase do      jogo, do ritual e da teatralidade) e praticadas por indiv\u00edduos com maior prest\u00edgio      e poder social, v\u00e3o aos poucos legitimando-se (cria-se a primeira Federa\u00e7\u00e3o      de Umbanda, em 1939, e a academia de Bimba \u00e9 reconhecida oficialmente em 1937).    <\/p>\n<p>O processo \u00e9 lento mas, em fins da d\u00e9cada de 50, a Umbanda expande-se para      v\u00e1rios outros estados, cria no Rio v\u00e1rias federa\u00e7\u00f5es e elege os primeiros      pol\u00edticos umbandistas. A Capoeira ainda \u00e9 explorada como &#8220;folclore&#8221;      na Bahia, mas tamb\u00e9m ganha, como m\u00e9todo de luta, cada vez mais adeptos nas      classes m\u00e9dias. Come\u00e7a a emigra\u00e7\u00e3o de capoeiristas que v\u00e3o ensinar Capoeira      Regional em outros estados. <\/p>\n<p>Em fins da d\u00e9cada de 60, a Umbanda expande-se nacionalmente. Sua heterogeneidade      ritual e ideol\u00f3gica n\u00e3o impede que seja praticada em quase todo o Brasil e      que conceitos seus se infiltrem at\u00e9 nas variantes religiosas regionais mais      ortodoxas. O governo militar a favorece como forma de aumentar seu consenso      na popula\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a For\u00e7a A\u00e9rea da \u00e9poca fomenta simp\u00f3sios para      homogeneizar a pr\u00e1tica da Capoeira. Realizam-se os primeiros torneios e se      come\u00e7a a visualiz\u00e1-la, como esporte. Assim, o governo a reconhece oficialmente      em 1972.<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 70 e os anos que se seguiram, a Umbanda se fez presente      no Brasil inteiro e tornou-se &#8220;a religi\u00e3o brasileira&#8221;. A Capoeira      Regional (que, por causa do \u00ednfimo n\u00famero de academias que ainda praticam      Angola, passou a ser a Capoeira) torna-se a &#8220;arte marcial brasileira&#8221;      e \u00e9 praticada no Brasil inteiro. Ambas as variantes, com as transforma\u00e7\u00f5es      sofridas, tendo sido renegados os elementos negros que inicialmente as caracterizavam,      s\u00e3o integradas ao sistema e legitimadas. O estigma, no entanto, n\u00e3o foi completamente      eliminado. Uma crescente burocracia, atrav\u00e9s de federa\u00e7\u00f5es cujos dirigentes      s\u00e3o, em geral, brancos, tenta regulamentar e depurar ainda mais essas variantes.      Mas estas, embora modificadas, ainda t\u00eam em seus praticantes individuais grande      parte do car\u00e1ter popular que lhes deu origem e resistem a encaixar-se nos      r\u00edgidos moldes que lhes imp\u00f5e o sistema. <\/p>\n<p><strong>ALEJANDRO FRIGERIO <\/strong><\/p>\n<p><strong>Bibliografia <\/strong><\/p>\n<p>AUMEIRA, B\u00edra. (1981), Capoeira: A Brazilian Art Form: 1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o,      Palo Alto, Sun Wave. <br \/>\n     ____. (1986), Capoeira: A Brazilian Art Form. 2.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, modificada, Berkeley,      North Atlantic Books. <br \/>\n     AREIAS, Almir das (1983), O que \u00e9 Capoeira. S\u00e3o Paulo, Brasiliense. <br \/>\n     BROWN, Diana. (1977), &#8220;O Papel Hist\u00f3rico da Classe M\u00e9dia na Umbanda&#8221;.      Religi\u00e3o e Sociedade, 1 (1)\/31-32. <br \/>\n     ____. (1985), &#8220;Uma Hist\u00f3ria da Umbanda no Rio&#8221;. Cadernos do ISER;      n \u00b0 18\/9-42. <br \/>\n     CAPOEIRA, Nestor. (1981), O Pequeno Manual do Jogador de Capoeira. S\u00e3o Paulo,      Ground. <br \/>\n     ____. (1985), Galo j\u00e1 Cantou: Capoeira para Iniciados. Rio de Janeiro, Arte      Hoje. <br \/>\n     CARNEIRO, Edison. (1975), &#8220;Capoeira&#8221;. Cadernos do Folclore, n \u00b0      1. <br \/>\n     D&#8217;AQUINO, Iria. (1983), Capoeira: Strategies for Status, Power and Identity      Tese de Doutoramento, Departamento de Antropologia da Universidade de- Illinois.<br \/>\n     FRIGERIO, Alejandro. (1983), The Search for Africa: Proustian Nostalgia in.Afro-Brazilian      Studies. Tese de Mestrado, Universidade da Calif\u00f3rnia, Los Angeles. <br \/>\n     ITAPOAN, Mestre (Raimundo de Almeida). (1982), Bimba: Perfil do Mestre. Salvador,      Centro Editorial e Did\u00e1tico da UFBA. <br \/>\n     KOCHMAN, Thomas. (1981), Black and White Styles in Conflict. Chicago, University      of Chicago Press. <br \/>\n     LEWIS, John Lowell. (1986), Semeiotic and Social Discourse in Brazilian Capoeira.      Tese de Doutoramento, Departamento de Antropologia, Universidade de Washington.      <br \/>\n     MOURA, Jair. (1980), &#8220;Capoeiragem: Arte e Malandragem\u0094. Cadernos      de Cultura, n.\u00ba2. <br \/>\n     ORTIZ, Renato. (1978), A Morte Branca do Feiticeiro Negro. Petr\u00f3polis, Vozes.      <br \/>\n     PINATTI, Djanir e OLIVEIRA SILVA, Gladson de. (1984), Capoeira: A Arte Marcial      do Brasil. 2 vols., S\u00e3o Paulo, Editora Tr\u00eas. <br \/>\n     REGO, Waldeloir. (1968), Capoeira Angola: Ensaio S\u00f3cio-Etnogr\u00e1fico. Salvador,      Ed. Itapo\u00e3. <br \/>\n     SENNA, Carlos. (1980), &#8220;Capoeira, Arte Marcial Brasileira&#8221;. Cadernos      de Cultura, n \u00b0 1. <\/p>\n<p>Fonte:  www.anpocs.org.br<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<h4>Vantagens <\/h4>\n<blockquote>\n<p>Oferece condicionamento f\u00edsico para o sistema cardio-vascular e para todos        os grupos musculares.<br \/>\n       Desenvolve a for\u00e7a, a elasticidade, o equil\u00edbrio, o ritmo e a coordena\u00e7\u00e3o        motora.<br \/>\n       \u00c9 uma atividade l\u00fadica.<br \/>\n       Por ser um esporte praticado por pessoas muito diferentes, incentiva a toler\u00e2ncia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4>Riscos<\/h4>\n<p>O risco de se praticar a capoeira est\u00e1 relacionado, principalmente, com a      qualifica\u00e7\u00e3o do professor. Um professor bem qualificado tem condi\u00e7\u00f5es de coordenar      um trabalho com pouco desgaste f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>Per\u00edodo m\u00ednimo para fazer efeito<\/strong><\/p>\n<p>O aprendizado dos movimentos depende muito da pessoa que pratica a capoeira.      Quanto aos efeitos f\u00edsicos, podem ser sentidos rapidamente, pois trata-de      de um esporte muito completo.<\/p>\n<p><strong>Gasto cal\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p>Em uma aula movimentada, pode chegar a 1000kcal\/h.<\/p>\n<p><strong>Quem deve fazer <\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica \u00e9 indicada para pessoas de todas as idades, mas, para crian\u00e7as,      deve ser desenvolvido um trabalho espec\u00edfico. Para garantir a efic\u00e1cia do      exerc\u00edcio, \u00e9 fundamental fazer uma avalia\u00e7\u00e3o f\u00edsica preliminar, e informar      ao professor sobre o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p><strong>Dicas da especialista<\/strong><\/p>\n<p>O que mais afasta as pessoas da capoeira \u00e9 a timidez, o medo da exposi\u00e7\u00e3o.      Mas \u00e9 preciso que as pessoas entendam que a primeira coisa que aprendemos      na capoeira \u00e9 o jeito certo de cair &#8211; e, depois, de levantar.<\/p>\n<p><strong>Paulo Renato Herm\u00f3genes <\/strong><\/p>\n<p>Fonte:  www.saudenarede.com.br<\/p>\n<h6>Capoeira<\/h6>\n<h4><strong>Gradua\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p><strong>O sistema hier\u00e1rquico montado pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional Brasileira      de Capoeira(CNBC), com a combina\u00e7\u00e3o das cores da bandeira do Brasil s\u00e3o: <\/strong><\/p>\n<p><strong>Iniciantes<\/strong><\/p>\n<table width=\"72%\" border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" bgcolor=\"#000000\">\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"18%\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>1\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" width=\"32%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno iniciante\n<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"50%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">sem cordao<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>2\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno batizado\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">verde<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>3\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno graduado\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">amarelo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>4\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno graduado\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">azul<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>5\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno intermedi\u00e1rio\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">verde\/amarelo<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>6\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno adiantado\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">verde\/azul<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>7\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno estagi\u00e1rio\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">amarelo\/azul<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>8\u00b0. Est\u00e1gio <\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">aluno formado <\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">verde\/amarelo\/azul <\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p><strong>Instrutores<\/strong><\/p>\n<table width=\"72%\" border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" bgcolor=\"#000000\">\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"18%\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>9\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" width=\"32%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Monitor<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"50%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">verde\/branco<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>10\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Professor<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">amarelo\/branco<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>11\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Contra-Mestre\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">azul\/branco<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>12\u00b0. Est\u00e1gio<\/strong>            <\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Mestre <\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">branco <\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p><strong>Superiores e Mestres<\/strong><\/p>\n<table width=\"72%\" border=\"0\" cellpadding=\"0\" cellspacing=\"1\" bgcolor=\"#000000\">\n<tr>\n<td align=\"center\" width=\"18%\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>13\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" width=\"32%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Mestre Aspirante\n<\/td>\n<td align=\"center\" width=\"50%\" bgcolor=\"#FFFFFF\">branco\/bronze\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>14\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Mestre Efetivo\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">branco\/prata\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>15\u00b0. Est\u00e1gio<br \/>\n<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Mestre de Honra\n<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">branco\/ouro\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>16\u00b0. Est\u00e1gio<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">Mestr\u00edssimo <\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">ouro <\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<h4><strong>Golpes<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Podemos dividir os golpes da capoeira em tr\u00eas categorias, ou seja,      em tr\u00eas grupos:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Golpes Traumatizantes<br \/>\n       Golpes Desequilibrantes<br \/>\n       Golpes Mortais<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Golpes Traumatizantes<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>B\u00ean\u00e7\u00e3o <br \/>\n       Chapa <br \/>\n       Martelo <br \/>\n       Queixada <br \/>\n       Meia-lua de frente <br \/>\n       Armada <br \/>\n       Meia-lua solta <br \/>\n       Meia-lua de compasso <br \/>\n       Rabo de arraia <br \/>\n       Chapa Girat\u00f3ria <br \/>\n       Parafuso <br \/>\n       Gancho <br \/>\n       Martelo rodado <br \/>\n       Chapa rodada <br \/>\n       Ponteira <br \/>\n       Cutilada <br \/>\n       Galopante <br \/>\n       Joelhada <br \/>\n       Cabe\u00e7ada <br \/>\n       Chap\u00e9u de couro <br \/>\n       Eclipse <br \/>\n       V\u00f4o de morcego <br \/>\n       Godeme <br \/>\n       Giro de Costas <br \/>\n       Espor\u00e3o <br \/>\n       Martelo de ch\u00e3o <br \/>\n       Chapa de costas <\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Golpes Desequilibrantes<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Vingativa <br \/>\n       Banda de costas <br \/>\n       Arrast\u00e3o <br \/>\n       Boca de cal\u00e7a <br \/>\n       Rasteira <br \/>\n       Banda <br \/>\n       Tesoura de costas <br \/>\n       Tesoura de Frente <br \/>\n       Tesoura em uma perna <br \/>\n       Banda tran\u00e7ada <br \/>\n       Apanhada <br \/>\n       Bal\u00e3o de lado <br \/>\n       Crucifixo <br \/>\n       Dentinho <br \/>\n       Arqueado <br \/>\n       Baianada <br \/>\n       Bal\u00e3o cinturado <br \/>\n       Gravata baixa <br \/>\n       Rasteira de m\u00e3o <br \/>\n       Gravata alta <br \/>\n       Tesoura em ambas as pernas <\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Golpes Mortais <\/strong><\/p>\n<p>Os que podemos chamar de golpes mortais s\u00e3o todos estes e mais alguns que      por ventura apare\u00e7am, pois h\u00e1 uma infinidade de golpes na capoeira. Para que      um golpe destes seja mortal, basta que ele seja aplicado com maldade em pontos      vitais ou mais sens\u00edveis do corpo, como as t\u00eamporas, a nuca, o mediano da      coluna vertebral, o est\u00f4mago, os pulm\u00f5es, o f\u00edgado e outros pontos do abdomem      ou da cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Se mal aplicados, estes golpes ou qualquer outro golpe de capoeira poder\u00e1      ser mortal ou deixar inv\u00e1lido o capoeirista desatento.<\/p>\n<p>Exemplo de um golpe mortal \u00e9 a PONTEIRA, que se for aplicada com maldade      e for\u00e7a na altura do est\u00f4mago, causa uma hemorragia imediata, sem muito o      que se fazer para socorrer a v\u00edtima. Outro golpe que pode ser fatal e imediato      \u00e9 o MARTELO CINTURADO que acerta, na maioria das vezes, as costelas do advers\u00e1rio      no rumo do ba\u00e7o. Quando acontece um ataque destes, pouco h\u00e1 de se fazer. Geralmente      a v\u00edtima morre no meio da roda ou at\u00e9 mesmo pode ser atirada para fora da      roda, tendo al\u00e9m do traumatismo fatal no ba\u00e7o, fraturas m\u00faltiplas devido \u00e0      queda.<\/p>\n<h4>Termos Utilizados nas Rodas de Capoeira<\/h4>\n<blockquote>\n<p><strong>Abad\u00e1: <\/strong>Camisol\u00e3o comprido e folgado usado pelos nag\u00f4s,        semelhante ao traje nacional de Nig\u00e9ria. Na Capoeira Abada significa a roupa        ou o uniforme do Capoeirista.<strong><br \/>\n       Amazonas: <\/strong>Toque de Berimbau.<strong><br \/>\n       Angola: <\/strong>Nome de um pa\u00eds africano; um estilo tradicional de capoeira,        a primeira capoeira, a mae da capoeira.<strong><br \/>\n       Apelido: <\/strong>Nome de Guerra dado para um jogador no curso dele treinamento,        \u00e0s vezes como separa de uma inicia\u00e7\u00e3o do batizado. Como exemplo temos Mestre        \u0093Bimba\u0094, Mestre \u0093Pastinha\u0094, Mestre \u0093Itapoan\u0094,        etc<strong><br \/>\n       Aviso: <\/strong>Toque de berimbau usado para avisar a chegada do capit\u00e3o-do-mato,        feitor ou pol\u00edcia.<strong><br \/>\n       Ax\u00e9: <\/strong>\u00c9 a boa energia que orix\u00e1 d\u00e1 ou nega.<strong><br \/>\n       Barravento: Termo n\u00e1utico:<\/strong> &#8220;ladode onde sopra o vento&#8221;.        designa tamb\u00e9m o ato de uma perder o equil\u00edbrio do corpo, como se sentisse        uma ligeira tontura. Nome em que se d\u00e1 a um toque lit\u00fargico, nos camdombl\u00e9s        de &#8220;na\u00e7\u00e3o&#8221; Angola. \u00c9, tamb\u00e9m, designativo de um golpe.<strong><br \/>\n       Batizado: <\/strong>A cerim\u00f4nia de inicia\u00e7\u00e3o do capoeira; batismo, onde ele        faz o seu primeiro jogo oficial jogando com um profsso; evento em que os        alunos recebem corda e trocam gradua\u00e7\u00e3o na capoeira, isso ao toque do berimbau.<strong><br \/>\n       Batuque: <\/strong>Jogo semelhante \u00e0 capoeira onde dois oponentes de p\u00e9,        um defronte para o outro, d\u00e3o pernadas, um no outro, cada um tentando derrubar        o advers\u00e1rio; o pai de mestre Bimba era capi\u00e3o de batuque; foi a jun\u00e7\u00e3o        do batuque com a angola que Bimba Criou a regional.<strong><br \/>\n       Bimba: <\/strong>Mestre de capoeira do passado que criou a capoeira regional;        foi um dos capoeiras mais importantes de todos os tempos.<strong><br \/>\n       Biriba: <\/strong>Madeira da qual \u00e9 feita o berimbau.<strong><br \/>\n       Caba\u00e7a: <\/strong>Utilizado como o resonator no berimbau.<strong><br \/>\n       Capit\u00e3o-do-Mato: <\/strong>Indiv\u00edduo que se dedica \u00e0 captura dos escravos        fugidos. <strong><br \/>\n       Capoeira: <\/strong>Jogo atl\u00e9tico, constitu\u00eddo por um sistema de ataque e        defesa, de car\u00e1ter individual e origem folcl\u00f3rica genuinamente brasileira,        surgido entre os escravos bantos, procedentes de Angola, no Brasil Col\u00f4nia,        e que, apesar de intensamente perseguido at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9c.        XX, sobreviveu \u00e0 repress\u00e3o e atualmente se amplia e se institucionaliza        como pratica desportiva regulamentada.<strong><br \/>\n       Capoeira de Angola: <\/strong>Capoeira que surgiu na \u00e9poca da escravid\u00e3o.        Possui ritmo lento, trabalha com a ginga e mal\u00edcia dos jogadores.<strong><br \/>\n       Capoeira Regional: <\/strong>Capoeira mais defensiva, onde os movimentos        s\u00e3o mais r\u00e1pidos, h\u00e1 a introdu\u00e7\u00e3o de golpes de outras lutas e o jogador        est\u00e1 quase sempre de p\u00e9. Tem car\u00e1ter desportivo, \u00e9 praticada com m\u00e9todo,        exerc\u00edcios f\u00edsicos, possui regras e pode ser praticada em campeonatos.<strong><br \/>\n       Capoeirista: <\/strong>Um jogador de capoeira<strong><br \/>\n       Cavalaria: <\/strong>Toque de berimbau usado na d\u00e9cada de 20 para avisar        a chegada do esquadr\u00e3o de cavalaria do tem\u00edvel delegado de Pol\u00edcia Pedrito        (Pedro de Azevedo Gordilho) que teve sua a\u00e7\u00e3o contra os adeptos do candombl\u00e9        e da capoeira no per\u00edodo de 1920 a 1927.<strong><br \/>\n       Caxixi: <\/strong>Saquinho de palha, provido de alga, que o tocador de berimbau        segura juntamente com a vareta com que tange o instrumento.<strong><br \/>\n       Chamada dos Capoeiras: <\/strong>Toque de berimbau avisando os capoeiristas        que a roda est\u00e1 se formando.<strong><br \/>\n       Cintura Desprezada: <\/strong>Jogo de bal\u00e3o, ou seja, todos os movimentos        em que o capoeirista arremessa seu advers\u00e1rio para o ch\u00e3o.<strong><br \/>\n       Contragolpe: <\/strong>Contra ataque; para responder para uma iniciativa.<strong><br \/>\n       Contramestre: <\/strong>Um instrutor trabalhando sob orienta\u00e7\u00e3o de um mestre        em uma academia.<strong><br \/>\n       Corda: <\/strong>Corda feita de l\u00e3 ou de nylon, que o capoeirista usa amarrada        na cintura identificando sua gradua\u00e7\u00e3o na capoeira ou no seu grupo. No Brasil        n\u00e3o h\u00e1 uma homogeneidade entre os grupos de capoeira na forma de graduar        os alunos.<strong><br \/>\n       D\u00e1 Volta ao Mundo: <\/strong>Geralmete quando o capoeira vai ao ch\u00e3o ou esta        muito cansado ou alguem compra e ele quer fazer um jogo duro, o capoeira        faz um sinal e da uma &#8220;volta ao mundo&#8221;, ou seja, uma volta na        roda sempre no sentido anti-horario, onde para agachado no p\u00e9 do berimbau        e come\u00e7a a jogar de novo.<strong><br \/>\n       Defesa: <\/strong>Movimento defensivo ou resposta de movimento<strong><br \/>\n       Desequilibrante: <\/strong>Movimento que desequilibra, derruba o advers\u00e1rio.<strong><br \/>\n       Disc\u00edpulo: <\/strong>Disc\u00edpulo, estudante de um mestre do capoeira<strong><br \/>\n       Dobr\u00e3o: <\/strong>Moeda utilizada para tocar o berimbau<strong><br \/>\n       Esquiva: <\/strong>Movimento de defesa em que o indiv\u00edduo flexiona uma perna        e estende a outra para a frente encaixando o p\u00e9 por tr\u00e1s do calcanhar do        advers\u00e1rio, inclinando o corpo para o lado da perna flexionada, dando as        costas para o golpe, sempre saindo ou se afastando deste.<strong><br \/>\n       Formatura: <\/strong>Cerim\u00f4nia de formatura para um novo mestre do capoeira<strong><br \/>\n       Ginga: <\/strong>Balan\u00e7o do corpo de um lado para outro, ritmado, que exprime        cad\u00eancia ao jogo; o movimento do capoeira fundamental.<strong><br \/>\n       Golpe: <\/strong>Greve ou sopro; atacando movimento.<strong><br \/>\n       Graduado: <\/strong>\u00c9 o estagio onde o capoeira j\u00e1 tem um certo dom\u00ednio da        capoeira e j\u00e1 est\u00e1 preparado para dar aulas.<strong><br \/>\n       Gr\u00e3o-Mestre: <\/strong>O mais alto n\u00edvel que um capoeira pode chegar; dom\u00ednio        total da capoeira; existe poucos com este titulo.<strong><br \/>\n       I\u00ea: <\/strong>Interjei\u00e7\u00e3o que na capoeira significa sil\u00eancio e aten\u00e7\u00e3o; interjei\u00e7\u00e3o        usada para interromper o jogo de capoeira na roda ou para substituir os        jogadores; corrutela de \u00ea! Uso exclusivo das cantigas de capoeira; .<strong><br \/>\n       Iuna: <\/strong>Toque de berimbau sem canto criado por mestre Bimba, jogado        por alunos mais avan\u00e7ados onde predomina os floreios na roda, \u00e9 o &#8220;jogo        bonito de se ver&#8221;.<strong><br \/>\n       Jogo: <\/strong>A roda de capoeira; os movimentos que os dois capoeiristas        fazem, um com ataque e o outro se defendendo e contra-atacando.<strong><br \/>\n       Maculel\u00ea: <\/strong>Misto de dan\u00e7a de bast\u00f5es, de Santo Amaro, remanescente        dos antigos cucumbis, incorporada \u00e0 capoeira e demonstrada em apresenta\u00e7\u00f5es        e cerim\u00f4nias de batismo; dan\u00e7a guerreira.<strong><br \/>\n       Mestre: <\/strong>O capoeira mais com o n\u00edvel mais elevado de todos, \u00e9 o        professor, \u00e9 o que cria novas t\u00e9cnicas e ensina a todos os alunos.<strong><br \/>\n       Pastinha: <\/strong>Mestre de capoeira muito famoso e um dos mais importantes,        pois foi ele que &#8220;criou&#8221; a capoeira angola, que \u00e9 a base de toda        a capoeira, ele pegou aquela capoeira de rua e deu objetivos e fundamentos        passando a ensinar em academias.<strong><br \/>\n       P\u00e9 do Berimbau: <\/strong>Posi\u00e7\u00e3o em frente ao berimbau<strong><br \/>\n       Roda: <\/strong>C\u00edrculo formado por capoeiristas onde duas pessoas, ao centro,        jogam capoeira, sendo substituidas por outras ao decorrer do jogo, enquanto        as pessoas que est\u00e3o em volta batem palmas e respondem ao coro cantado e        tocado por capoeiristas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Fonte:  www.micropic.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capoeira, Golpes, Origem, Rodas, Hist\u00f3ria, Brasil, Jogos, Regras, Luta, Arte, Esporte, M\u00fasica, Instrumentos, O que \u00e9, 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