{"id":62714,"date":"2016-07-13T18:49:24","date_gmt":"2016-07-13T18:49:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=62714"},"modified":"2016-07-14T12:35:07","modified_gmt":"2016-07-14T12:35:07","slug":"capoeira-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/esportes\/capoeira-angola","title":{"rendered":"Capoeira Angola"},"content":{"rendered":"<h4>Origem Hist\u00f3rica<\/h4>\n<p>A <strong>Capoeira Angola <\/strong>\u00e9 um dos tra\u00e7o da manifesta\u00e7\u00e3o da Africa      Bantu no Brasil. <\/p>\n<p>Ela conserva sua ess\u00eancia no N&#8217;golo, ritual de passagem a vida adulta, onde      as jovens s\u00e3o disputadas entre os jovens gurreiros das tripos e quem melhor      se sobresair cabe o direito de escolher sua esposa dentre as jovens sem o      pagamento do dote matrimonial.<\/p>\n<p>A palavra <strong>Capoeira<\/strong> \u00e9 de origem Tupi Guarani (ind\u00edgena) significa      um tipo de preparo do solo para o replantio (mato cortado rente ao solo) onde      os negros ali se encontravam para pr\u00e1tica do N&#8217;golo devido a obcess\u00e3o do regimento      escravista desenvolvia a alma f\u00edsica como instrumento de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei10.jpg\" alt=\"Capoeira Angola \" width=\"301\" height=\"264\" title=\"Capoeira Angola \" \/><\/p>\n<h4>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Capoeira Angola<\/h4>\n<p>O <strong>Capoeirista Angoleiro<\/strong> busca compor seus movimentos com      os movimentos do seu advers\u00e1rio, visando tornar o jogo coesco, como ume unidade.      O seu senso est\u00e9tico lhe direciona \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de uma sintonia eurr\u00edtmica usando      movimentos expressivos, variados e ao mesmo tempo funcionais. A movimenta\u00e7\u00e3o      dos jogadores, visivelmente inspiradas em movimentos de animais silvestres,      oferece uma grande liberdade e variedade de recursos aplic\u00e1veis \u00e0s diversas      situa\u00e7\u00f5es do jogo que se desenvolve como uma trama, com diferentes passagens.      O Capoeirista demonstra sua superioridade no espa\u00e7o da roda, levando o advers\u00e1rio      \u00e0 confus\u00e3o com perigo e a complexidade dos seus movimentos.<\/p>\n<p><strong>Naturalmente afloram dos jogadores in\u00fameras faces de temperamento      humano:<\/strong> o medo, a alegria, a raiva, o orgulho, a compaix\u00e3o, a indiferen\u00e7a      e outros sentimentos que tormentam a intriga, exigindo o controle psicol\u00f3gico      dos advers\u00e1rios num jogo de estrat\u00e9gia, em que as pe\u00e7as a serem movimentadas      s\u00e3o as partes do pr\u00f3pio corpo. Os capoeristas devem harmonizar o clima do      jogo com o momento da roda, ou seja, jogar de acordo com o toque e o retorno      que est\u00e1 sendo tocado pela orquestra, com o sentimento dos versos que est\u00e3o      sendo entoados pelo puxador e pelo c\u00f4ro.<\/p>\n<p>Sagacidade, autoconfian\u00e7a, lealdade, humildade, eleg\u00e2ncia s\u00e3o alguns dos      fatores subjetivos que qualificam o Capoeirista Angoleiro, herdadas dos antigos      praticantes do N&#8217;golo. O ser capoerista exige perfeito dom\u00ednio da cultura,      das tradi\u00e7\u00f5es e do jogo, o toque dos intrumentos e o cantos das m\u00fasicas.<\/p>\n<h4>Pastinha: o mestre da Capoeira Angola<\/h4>\n<p><strong>Vicente Ferreira Pastinha<\/strong>. Nascido em 1889, dizia n\u00e3o ter      aprendido a Capoeira em escola, mas &#8220;com a sorte&#8221;. Afinal, foi o      destino o respons\u00e1vel pela inicia\u00e7\u00e3o do pequeno Pastinha no jogo, ainda garoto.<\/p>\n<p><strong>Em depoimento prestado no ano de 1967, no Museu da Imagem e do Som,      mestre Pastinha relatou a hist\u00f3ria da sua vida:<\/strong> &#8220;Quando eu tinha      uns dez anos &#8211; eu era franzininho &#8211; um outro menino mais taludo do que eu      tornou-se meu rival. Era s\u00f3 eu sair para a rua &#8211; ir na venda fazer compra,      por exemplo &#8211; e a gente se pegava em briga. S\u00f3 sei que acabava apanhando dele,      sempre. Ent\u00e3o eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p>A vida iria dar ao moleque Pastinha a oportunidade de um aprendizado que      marcaria todos os anos da sua longa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu a uma briga      da gente. &#8216;Vem c\u00e1, meu filho&#8217;, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva      depois de apanhar. Voc\u00ea n\u00e3o pode com ele, sabe, porque ele \u00e9 maior e tem mais      idade. O tempo que voc\u00ea perde empinando raia vem aqui no meu cazu\u00e1 que vou      lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p>Come\u00e7ou ent\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o do mestre que dedicaria sua vida \u00e0 transfer\u00eancia      do legado da cultura africana a muitas gera\u00e7\u00f5es. Segundo ele, a partir deste      momento, o aprendizado se dava a cada dia, at\u00e9 que aprendeu tudo. Al\u00e9m das      t\u00e9cnicas, muito mais lhe foi ensinado por Benedito, o africano seu professor.<\/p>\n<p>&#8220;Ele costumava dizer: n\u00e3o provoque, menino, vai botando devagarinho      ele sabedor do que voc\u00ea sabe (&#8230;). Na \u00faltima vez que o menino me atacou fiz      ele sabedor com um s\u00f3 golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o      menino ficou at\u00e9 meu amigo de admira\u00e7\u00e3o e respeito (&#8230;).<\/p>\n<p>&#8216;Aos doze anos, em 1902, eu fui para a Escola de Aprendiz de Marinheiro.      L\u00e1 ensinei Capoeira para os colegas. Todos me chamavam de 110. Sa\u00ed da Marinha      com 20 anos (&#8230;). Vida dura, dif\u00edcil. Por causa de coisas de gente mo\u00e7a e      pobre, tive algumas vezes a Pol\u00edcia em cima de mim. Barulho de rua, presepada.      Quando tentavam me pegar eu lembrava de mestre Benedito e me defendia. Eles      sabiam que eu jogava Capoeira, ent\u00e3o queriam me desmoralizar na frente do      povo. Por isso, bati alguma vez em pol\u00edcia desabusado, mas por defesa de minha      moral e de meu corpo(&#8230;). Naquele tempo, de 1910 a 1920, o jogo era livre.<\/p>\n<p>&#8216;Passei a tomar conta de uma casa de jogo. Para manter a ordem. Mas, mesmo      sendo capoeirista, eu n\u00e3o me descuidava de um fac\u00e3ozinho de doze polegadas      e de dois cortes que sempre trazia comigo. Jogador profissional daquele tempo      andava sempre armado. Assim, quem estava no meio deles sem nenhuma arma bancava      o besta. Vi muita arrua\u00e7a, algum sangue, mas n\u00e3o gosto de contar casos de      briga minha. Bem, mas s\u00f3 trabalhava quando minha arte negava sustento. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do jogo trabalhei de engraxate, vendia gazeta, fiz garimpo, ajudei a      construir o porto de Salvador. Tudo passageiro, sempre quis viver de minha      arte. Minha arte \u00e9 ser pintor, artista (&#8230;).&#8221;<\/p>\n<p>O ritmo da sua vida foi alterado quando um ex-aluno o levou para apresentar      aos mestres que faziam uma roda de Capoeira tradicional, na Ladeira da Pedra,      no bairro da Gingibirra, em Salvador, no ano de 1941.<\/p>\n<p>&#8220;Na roda s\u00f3 tinha mestre. O mais mestre dos mestres era Amorzinho, um      guarda civil. No apertar da m\u00e3o me ofereceu tomar conta de uma academia. Eu      dei uma negativa, mas os mestres todos insistiram. Confirmavam que eu era      o melhor para dirigir a Academia e conservar pelo tempo a Capoeira de Angola.&#8221;<\/p>\n<p>Foi na atividade do ensino da Capoeira que Pastinha se distinguiu. Ao longo      dos anos, a compet\u00eancia maior foi demonstrada no seu talento como pensador      sobre o jogo da Capoeira e na capacidade de comunicar-se.<\/p>\n<p>&#8220;Mas tem muita hist\u00f3ria sobre o come\u00e7o da Capoeira que ningu\u00e9m sabe      se \u00e9 verdadeira ou n\u00e3o. A do jogo da zebra \u00e9 uma. Diz que em Angola, h\u00e1 muito      tempo, s\u00e9culos mesmo, fazia-se uma festa todo ano em homenagem \u00e0s meninas      que ficavam mo\u00e7as. Primeiros elas eram operadas pelos sacerdotes, ficando      igual, assim, com as mulheres casadas. Depois, enquanto o povo cantava, os      homens lutavam do jeito que fazem as zebras, dando marradas e coices. <\/p>\n<p>Os vencedores tinham como pr\u00eamio escolher as mo\u00e7as mais bonitas (&#8230;). Bem,      mas de uma coisa ningu\u00e9m duvida: foram os negros trazidos de Angola que ensinaram      Capoeira pra n\u00f3s. Pode ser at\u00e9 que fosse bem diferente dessa luta que esses      dois homens est\u00e3o mostrando agora. Me contaram que tem coisa escrita provando      isso. <\/p>\n<p>Acredito. Tudo muda. Mas a que a gente chama da Capoeira de Angola, a que      aprendi, n\u00e3o deixei mudar aqui na Academia. Essa tem pelo menos 78 anos. E      vai passar dos 100, porque meus disc\u00edpulos zelam por mim. Os olhos deles agora      s\u00e3o os meus. Eles sabem que devem continuar. Sabem que a luta serve para defender      o homem (&#8230;). Saem daqui sabendo tudo, sabendo que a luta \u00e9 muito maliciosa      e cheia de manhas. Que a gente tem de ser calmo. Que n\u00e3o \u00e9 uma luta atacante,      ela espera. Capoeirista bom tem obriga\u00e7\u00e3o de chorar no p\u00e9 do seu agressor.      Est\u00e1 chorando, mas os olhos e o esp\u00edrito est\u00e3o ativos. <\/p>\n<p>Capoeirista n\u00e3o gosta de abra\u00e7o e aperto de m\u00e3o. Melhor desconfiar sempre      das delicadezas. Capoeirista n\u00e3o dobra uma esquina de peito aberto. Tem de      tomar dois ou tr\u00eas passos \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita para observar o inimigo.      N\u00e3o entra pela porta de uma casa onde tem corredor escuro. Ou tem com o que      alumiar os esconderijos da sombra ou n\u00e3o entra. Se est\u00e1 na rua e v\u00ea que est\u00e1      sendo olhado, disfar\u00e7a, se volta rasteiro e repara de novo no camarada. Bem,      se est\u00e1 olhando ainda, \u00e9 inimigo e o capoeirista se prepara para o que der      e vier (&#8230;).&#8221;<\/p>\n<p>Os conceitos do mestre Pastinha formaram seguidores em todo o pa\u00eds. A originalidade      do m\u00e9todo de ensino, a pr\u00e1tica do jogo enquanto express\u00e3o art\u00edstica formaram      uma escola que privilegia o trabalho f\u00edsico e mental para que o talento se      expanda em criatividade.<\/p>\n<p>&#8220;Capoeira de Angola s\u00f3 pode ser ensinada sem for\u00e7ar a naturalidade da      pessoa, o neg\u00f3cio \u00e9 aproveitar os gestos livres e pr\u00f3prios de cada qual. Ningu\u00e9m      luta do meu jeito mas no jeito deles h\u00e1 toda a sabedoria que aprendi. Cada      um \u00e9 cada um (&#8230;). N\u00e3o se pode esquecer do berimbau. Berimbau \u00e9 o primitivo      mestre. Ensina pelo som. D\u00e1 vibra\u00e7\u00e3o e ginga ao corpo da gente. O conjunto      da percuss\u00e3o com o berimbau n\u00e3o \u00e9 arranjo moderno n\u00e3o, \u00e9 coisa dos princ\u00edpios.    <\/p>\n<p>Bom capoeirista, al\u00e9m de jogar, deve saber tocar berimbau e cantar. E jogar      precisa ser jogado sem sujar a roupa, sem tocar no ch\u00e3o com o corpo. Quando      eu jogo, at\u00e9 pensam que o velho est\u00e1 b\u00eabado, porque fico todo mole e desengon\u00e7ado,      parecendo que vou cair. Mas ningu\u00e9m ainda me botou no ch\u00e3o, nem vai botar      (&#8230;)&#8221;<\/p>\n<p>Vicente Ferreira Pastinha se calou no ano de 1981. Durante d\u00e9cadas dedicou-se      ao ensino da Capoeira. Mesmo completamente cego, n\u00e3o deixava seus disc\u00edpulos.      E continua vivo nos capoeiras, nas rodas, nas cantigas, no jogo.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo o que eu penso da Capoeira, um dia escrevi naquele quadro que      est\u00e1 na porta da Academia. Em cima, s\u00f3 estas tr\u00eas palavras: Angola, capoeira,      m\u00e3e. E embaixo, o pensamento: &#8216;Mandinga de escravo em \u00e2nsia de liberdade,      seu princ\u00edpio n\u00e3o tem m\u00e9todo e seu fim \u00e9 inconceb\u00edvel ao mais s\u00e1bio capoeirista&#8217;<\/p>\n<p>Fonte:  capoeira_regional.vilabol.uol.com.br<\/p>\n<h6>Capoeira Angola <\/h6>\n<p class=\"google\">\n<p>H\u00e1 uma grande controv\u00e9rsia em torno da <strong>Capoeira Angola<\/strong>,      o que faz com que este seja um dos mais dif\u00edceis, sen\u00e3o o mais dif\u00edcil tema      para se discutir na capoeira. Muitos capoeiristas ainda acreditam que a Angola      \u00e9 simplesmente uma capoeira jogada mais lentamente, menos agressiva e com      golpes mais baixos, com maior utiliza\u00e7\u00e3o do apoio das m\u00e3os no ch\u00e3o. Outros      explicam que ela cont\u00e9m o que h\u00e1 de essencial da filosofia da capoeira. <\/p>\n<p>H\u00e1 ainda aqueles que, mais radicais, chegam a afirmar que a Capoeira Angola      foi completamente superada na hist\u00f3ria dessa arte-luta pelas t\u00e9cnicas mais      modernas, que seriam mais eficientes e adequadas aos tempos atuais, dizendo      que \u00e9 mero saudosismo querer recuperar as tradi\u00e7\u00f5es da Angola. <\/p>\n<p><strong>Para que se possa compreender a quest\u00e3o, algumas perguntas devem      ser respondidas:<\/strong> A Angola \u00e9 um &#8220;estilo&#8221; de capoeira, da      mesma forma que h\u00e1 v\u00e1rios estilos de carat\u00ea, com t\u00e9cnicas bastante distintas      entre si? Todo capoeirista deve optar entre ser um &#8220;angoleiro&#8221; ou      um praticante da Capoeira Regional, criada por Mestre Bimba por volta de 1930?      Seria poss\u00edvel jogar a Capoeira Angola de maneira id\u00eantica \u00e0quela jogada pelos      velhos mestres, que tiveram o seu auge no come\u00e7o deste s\u00e9culo? E, ainda: \u00e9      poss\u00edvel, nos dias de hoje, tra\u00e7ar uma rigorosa separa\u00e7\u00e3o entre as principais      escolas da capoeira, Angola e Regional? <\/p>\n<p>De uma maneira geral, a Angola \u00e9 vista como a capoeira antiga, anterior \u00e0      cria\u00e7\u00e3o da Capoeira Regional. Dessa forma, a distin\u00e7\u00e3o Angola\/Regional \u00e9 muitas      vezes entendida como uma separa\u00e7\u00e3o nestes termos: capoeira &#8220;antiga&#8221;\/capoeira      &#8220;moderna&#8221;. <\/p>\n<p>No entanto, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim, uma vez que n\u00e3o houve simplesmente      uma supera\u00e7\u00e3o da Angola pela Regional. Al\u00e9m disso, defender hoje em dia a      pr\u00e1tica da Capoeira Angola n\u00e3o \u00e9 apenas querer voltar ao passado, mas buscar      na capoeira uma vis\u00e3o de mundo que questionou, desde o princ\u00edpio, o conceito      de efici\u00eancia e diversos padr\u00f5es da cultura urbano-ocidental. Quando a Regional      surgiu, j\u00e1 existia uma tradi\u00e7\u00e3o consolidada na capoeira, principalmente nas      rodas de rua do Rio de Janeiro e da Bahia. <\/p>\n<p>Depoimentos obtidos junto aos velhos mestres da capoeira da Bahia lembram      nomes important\u00edssimos na hist\u00f3ria da luta, como Tra\u00edra, Cobrinha Verde, On\u00e7a      Preta, Piv\u00f4, Nag\u00e9, Samuel Preto, Daniel Noronha, Geraldo Chapeleiro, Totonho      de Mar\u00e9, Juvenal, Can\u00e1rio Pardo, Aberr\u00ea, Livino, Ant\u00f4nio Diabo, Bilusca, Cabelo      Bom e outros.<\/p>\n<p>S\u00e3o in\u00fameras as cantigas que lembram os nomes e as proezas destes capoeiristas,      mantendo-os vivos na mem\u00f3ria coletiva da capoeira. Um capoeirista de grande      destaque entre os que defendiam a escola tradicional foi Mestre Waldemar da      Liberdade, falecido em 1990. <\/p>\n<p>Em 1940, Mestre Waldemar j\u00e1 conduzia a roda de capoeira que viria a ser o      mais importante ponto de encontro dos capoeiristas de Salvador, aos domingos,      na Liberdade. Infelizmente, na sua velhice Mestre Waldemar n\u00e3o teve o reconhecimento      que merecia, e n\u00e3o foram muitos os capoeiristas mais jovens que tiveram a      honra de conhec\u00ea-lo e ouvi-lo contar suas hist\u00f3rias. Morreu na pobreza, como      outros capoeiristas c\u00e9lebres, como Mestre Pastinha. <\/p>\n<p>Alguns dos frequentadores das famosas rodas de capoeira tradicional de Salvador      ainda d\u00e3o sua contribui\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento desta arte-luta, ministrando      cursos, palestras e, em alguns casos, apesar da avan\u00e7ada idade, ensinando      capoeira regularmente em institui\u00e7\u00f5es, principalmente em Salvador, e alguns      no exterior. <\/p>\n<p>Conforme foi salientado anteriormente, com o aparecimento de Mestre Bimba,      iniciou-se a divis\u00e3o do universo da capoeira em duas partes, em que uns se      voltaram para a preserva\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es e outros procuraram desenvolver      uma capoeira mais r\u00e1pida e direcionada para o combate. <\/p>\n<p>Como nos informaram os velhos mestres da capoeira baiana, a express\u00e3o Capoeira      Angola ou Capoeira de Angola somente surgiu ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Regional, com      o objetivo de se estabelecer uma designa\u00e7\u00e3o diferente entre esta e a capoeira      tradicional, j\u00e1 amplamente difundida. At\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o se fazia necess\u00e1ria a      diferencia\u00e7\u00e3o, e o jogo se chamava simplesmente capoeira. <\/p>\n<p>Sabemos que o trabalho desenvolvido por Mestre Bimba mudou os rumos da capoeira,      no entanto, muitos foram os capoeiristas que se preocuparam em mostrar que      a Angola n\u00e3o precisaria sofrer modifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, pois j\u00e1 continha elementos      para uma eficaz defesa pessoal. Ap\u00f3s o surgimento da Regional, portanto, iniciou-se      uma polariza\u00e7\u00e3o na capoeira baiana, opondo angoleiros e disc\u00edpulos de Mestre      Bimba. A cis\u00e3o ficou mais intensa a partir da funda\u00e7\u00e3o, em 1941, do Centro      Esportivo de Capoeira Angola em Salvador, sob a lideran\u00e7a daquele que \u00e9 reconhecido      como o mais importante representante desta escola, o Mestre Pastinha (Vicente      Ferreira Pastinha, 1889-1981). <\/p>\n<p>O escritor Jorge Amado descreveu este capoeirista como &#8220;um mulato pequeno,      de assombrosa agilidade, de resist\u00eancia incomum. (&#8230;) Os advers\u00e1rios sucedem-se,      um jovem, outro jovem, mais outro jovem, disc\u00edpulos ou colegas de Pastinha,      e ele os vence a todos e jamais se cansa, jamais perde o f\u00f4lego&#8221; (Jorge      Amado, Bahia de Todos os Santos, 1966:209). <\/p>\n<p>Talvez pelo fato de a Capoeira Regional ter se expandido amplamente pelo      Brasil, principalmente como uma modalidade de luta, passou-se a difundir a      id\u00e9ia de que a Angola n\u00e3o dispunha de recursos para o enfrentamento, afirmando-se      ainda que as antigas rodas de capoeira, anteriores a Mestre Bimba, n\u00e3o apresentavam      situa\u00e7\u00f5es reais de combate. Por\u00e9m, os velhos mestres fazem quest\u00e3o de afirmar      que estes ocorriam de uma forma diferente da atual, em que os lutadores se      valiam mais da agilidade e da mal\u00edcia &#8211; ou da &#8220;mandinga&#8221;, como se      diz na capoeira &#8211; do que da for\u00e7a propriamente dita. <\/p>\n<p>Mestre Pastinha, em seu livro Capoeira Angola, afirma que &#8220;sem d\u00favida,      a Capoeira Angola se assemelha a uma graciosa dan\u00e7a onde a &#8216;ginga&#8217; maliciosa      mostra a extraordin\u00e1ria flexibilidade dos capoeiristas.<\/p>\n<p>Mas, Capoeira Angola \u00e9, antes de tudo, luta e luta violenta&#8221; (Pastinha,1964:28).      Sendo uma pr\u00e1tica comum no cotidiano dos anos 30, a capoeira n\u00e3o exigia de      seus praticantes nenhuma indument\u00e1ria especial. O praticante entrava no jogo      cal\u00e7ado e com a roupa do dia-a-dia. Nas rodas mais tradicionais, aos domingos,      alguns dos capoeiristas mais destacados faziam quest\u00e3o de se apresentar trajando      refinados ternos de linho branco, como era comum at\u00e9 meados deste s\u00e9culo.    <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante observar que tradicionalmente o ensino da antiga      Capoeira Angola ocorria de maneira vivencial, isto \u00e9, de forma espont\u00e2nea,      sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica. Os mais novos aprendiam com os capoeiristas      mais experimentados diretamente, com a participa\u00e7\u00e3o na roda.<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 em 1932 tenha sido fundada por Mestre Bimba a primeira academia      de capoeira, o aprendizado informal desta arte-luta nas ruas das cidades brasileiras      predominou at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 50. Atualmente, a maior parte dos capoeiristas      refere-se \u00e0 Angola como uma das formas de se jogar a capoeira, n\u00e3o propriamente      como um estilo metodizado de capoeira. <\/p>\n<p>Para os n\u00e3o iniciados nesta luta, \u00e9 importante lembrar que a velocidade e      outras caracter\u00edsticas do jogo da capoeira est\u00e3o diretamente relacionados      com o tipo de &#8220;toque&#8221; executado pelo berimbau. Entre v\u00e1rios outros,      existe aquele denominado toque de Angola, que tem a caracter\u00edstica de ser      lento e compassado. Dessa forma, &#8220;jogar Angola&#8221; consiste, na maioria      dos casos, em jogar capoeira ao som do toque de Angola. <\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio, no entanto, vem mudando, com a enorme prolifera\u00e7\u00e3o de escolas      de capoeira Angola, que realizam um s\u00e9rio trabalho de recupera\u00e7\u00e3o dos fundamentos      dessa modalidade. Dessa forma, a maior parte das academias e associa\u00e7\u00f5es de      capoeira do Brasil, ao realizarem suas rodas, t\u00eam o h\u00e1bito de dedicar algum      tempo ao jogo de Angola, que nem sempre corresponde \u00e0quilo que os antigos      capoeiristas denominavam Capoeira Angola. <\/p>\n<p>Atualmente, o jogo de Angola caracteriza-se por uma grande utiliza\u00e7\u00e3o das      m\u00e3os como apoio no ch\u00e3o, e pela execu\u00e7\u00e3o de golpes de pouca efici\u00eancia combativa,      mais baixos e mais lentos, realizados com um maior efeito est\u00e9tico pela explora\u00e7\u00e3o      do equil\u00edbrio e da flexibilidade do capoeirista. <\/p>\n<p>De fato, seria tarefa muito dif\u00edcil reproduzir detalhadamente as movimenta\u00e7\u00f5es      e os rituais da antiga capoeira, mesmo porque ela, como qualquer institui\u00e7\u00e3o      cultural, tem sofrido modifica\u00e7\u00f5es ao longo de sua hist\u00f3ria. No entanto, estamos      vivendo, h\u00e1 alguns anos, uma intensa preocupa\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o do saber ancestral      da capoeira, atrav\u00e9s do contato com os velhos mestres. <\/p>\n<p>Este fato demonstra uma saud\u00e1vel preocupa\u00e7\u00e3o da comunidade da capoeira com      a preserva\u00e7\u00e3o de suas ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Afinal, se recordarmos que a capoeira,      como arte-luta que \u00e9, engloba um universo muito mais amplo que simplesmente      as t\u00e9cnicas de luta, veremos a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que podem ser obtidas      junto aos antigos capoeiristas, que vivenciaram in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es interessantes      ao longo de muitos anos de pr\u00e1tica e ensino da arte-luta. <\/p>\n<p><strong>Acreditamos que algumas das mais relevantes caracter\u00edsticas da Angola      a serem recuperadas para os dias de hoje s\u00e3o:<\/strong> a continuidade de jogo,      em que os capoeiristas procuram explorar ao m\u00e1ximo a movimenta\u00e7\u00e3o evitando      interrup\u00e7\u00f5es na din\u00e2mica do jogo; a import\u00e2ncia das esquivas, fundamentais      na Angola, em que o capoeirista evita ao m\u00e1ximo o bloqueio dos movimentos      do advers\u00e1rio, procurando trabalhar dentro dos golpes, aproveitando-se dos      desequil\u00edbrios e falhas na guarda do outro; a capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o,      t\u00edpica dos angoleiros, que sabiam que os golpes e outras t\u00e9cnicas treinadas      no dia-a-dia s\u00e3o um ponto de partida para a luta, mas precisam sempre ser      moldadas r\u00e1pida e criativamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do momento; a valoriza\u00e7\u00e3o do ritual,      que cont\u00e9m um enorme universo de informa\u00e7\u00f5es sobre o passado de nossa arte-luta      e que consiste em um grande patrim\u00f4nio cultural.<\/p>\n<p>A antiga capoeira marcava-se por um grande respeito aos rituais tradicionais,      diferentemente do que ocorre nos dias de hoje. Atualmente, s\u00e3o raras as academias      que adotam a denomina\u00e7\u00e3o de Angola ou Regional para a capoeira que \u00e9 ali praticada.      E, entre as que se identificam como Capoeira Regional, poucas demonstram efetivamente      rela\u00e7\u00e3o direta com o trabalho desenvolvido por Mestre Bimba. <\/p>\n<p>Na verdade, os mestres e professores de capoeira afirmam jogar e ensinar      uma forma mista, que concilia elementos da Angola tradicional com as inova\u00e7\u00f5es      introduzidas por Mestre Bimba. De fato, como afirmamos anteriormente, delimitar      a separa\u00e7\u00e3o entre essas duas escolas da capoeira \u00e9 algo muito dif\u00edcil hoje      em dia, e h\u00e1 muitos anos sabe-se que a tend\u00eancia \u00e9 que a capoeira incorpore      as caracter\u00edsticas dessas duas escolas. No entanto, \u00e9 fundamental que os capoeiristas      conhe\u00e7am a sua hist\u00f3ria, para que possam desenvolver sua luta de maneira consciente.    <\/p>\n<p>A Capoeira Angola e a Capoeira Regional est\u00e3o fortemente impregnadas de conte\u00fado      hist\u00f3rico, e n\u00e3o se excluem. Completam-se e fazem parte de um mesmo universo      cultural.<\/p>\n<p>Fonte:  www.cdof.com.br<\/p>\n<h6>Capoeira Angola <\/h6>\n<h4>Hist\u00f3ria da Capoeira Angola no Brasil<\/h4>\n<p><strong>Capoeira<\/strong> \u00e9 uma palavra de origem tupi que significa a vegeta\u00e7\u00e3o      que nasce ap\u00f3s a derrubada de uma floresta. <\/p>\n<p>No Brasil-Col\u00f4nia, este nome foi tamb\u00e9m dado ao &#8220;Jogo de Angola&#8221;      que aparecia nas fazendas e cidades, desde que aqui foram trazidos escravizados      os primeiros grupos de africanos de origem banto.<\/p>\n<p>A Capoeira praticada nas senzalas, ruas e quilombos foi vista como uma amea\u00e7a      pelos governantes, que assim estabeleceram, em 1821, medidas de repress\u00e3o      \u00e0 capoeiragem, incluindo castigos f\u00edsicos e pris\u00e3o. <\/p>\n<p>As medidas policiais contra a Capoeira s\u00f3 deixaram de vigorar a partir da      d\u00e9cada de 1930, mas isto n\u00e3o significou que fosse plenamente aceita e que      seus praticantes tivessem a simpatia da sociedade brasileira.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/ccapoei11.jpg\" alt=\"Capoeira Angola \" width=\"233\" height=\"340\" title=\"Capoeira Angola \" \/><br \/>\n     Caryb\u00e9, Capoeira, 1981<\/strong><\/p>\n<p>O &#8220;Jogo de Angola&#8221; n\u00e3o foi aceito como uma forma de express\u00e3o corporal      de indiv\u00edduos e grupos, em sua maioria africanos e afro-descendentes, organizados,      pensantes e vigorosos. Foi transformado em folclore, com diminui\u00e7\u00e3o de seu      significado grupal para os participantes, e depois em esporte ou arte marcial.      Mas a forma n\u00e3o-esportiva da Capoeira tamb\u00e9m permaneceu, ligada a grupos de      Capoeira Angola. <\/p>\n<p>Assim, dois ramos da Capoeira surgiram na d\u00e9cada de 1940 e se distinguiram      mais efetivamente a partir dos anos 70. Ocorreu, por um lado, a organiza\u00e7\u00e3o      da capoeira esportiva (Capoeira Regional) como arte marcial, e, por outro      lado, a mobiliza\u00e7\u00e3o de grupos de resist\u00eancia cultural afro-baiana, que perceberam      nos poucos grupos angoleiros a manuten\u00e7\u00e3o dos elementos da capoeira trazidos      pelos africanos de origem banto.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>Ros\u00e2ngela Costa Ara\u00fajo. Sou disc\u00edpulo que aprende, meu mestre me deu li\u00e7\u00e3o:      tradi\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o entre os angoleiros bahianos (anos 80 e 90). Disserta\u00e7\u00e3o      (Mestrado). S\u00e3o Paulo: Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/USP, 1999.<\/p>\n<p>Fonte:  www.nzinga.org.br<\/p>\n<h6>Capoeira Angola <\/h6>\n<h4>Capoeira e suas Hist\u00f3rias <\/h4>\n<h4><strong>Origem da Capoeira<\/strong><\/h4>\n<p>O jogo foi criado aqui mesmo no Brasil pelos escravos do grupo Bant\u00fa-Angoleses      e Gongoleses. Desenvolveu-se como luta de revide. Como resposta aos desmandos,      amea\u00e7as e surras do feitor, apenas a for\u00e7a e a capacidade f\u00edsica. Bra\u00e7os e      pernas; m\u00e3o e p\u00e9; a cabe\u00e7a, o cotovelo, os joelhos e os ombros, eram suas      armas.<\/p>\n<p>Segundo o professor Gerhard Kubik, da Universidade de Viena, \u00c1ustria, antrop\u00f3logo      e especislista em assuntos africanos, n\u00e3o encontrou qualquer manifesta\u00e7\u00e3o      semelhante \u00e0 Capoeira, que entre n\u00f3s se faz acompanhado com o berimbau, chegando      a considerar a express\u00e3o &#8220;Capoeira Angola&#8221; uma cria\u00e7\u00e3o brasileira,      sem qualquer conota\u00e7\u00e3o cultural com a \u00c1frica.<\/p>\n<p><strong>O nome Capoeira \u00e9 de origem Tupi. Significa &#8220;mato ralo&#8221;      de pequenos arbustos:<\/strong> lugar preferido dos negros, para o jogo. E      Zumbi um negro guerreiro, do Quilombo dos Palmares, \u00e9 condiderado o primeiro      mestre.<\/p>\n<p>Rainha da mal\u00edcia e do disfar\u00e7e a Capoeira criou a dan\u00e7a. Dan\u00e7a inocente,      coisa de escravo, n\u00e3o iria merecer aten\u00e7\u00e3o do capataz, do patr\u00e3o nem da pol\u00edcia,      que perseguiam os capoeiras em certas partes da hist\u00f3ria do Brasil. Se a base      do jogo \u00e9 a nega\u00e7a, a chave do desenvolvimento \u00e9 a mal\u00edcia. <\/p>\n<p>A &#8220;mal\u00edcia&#8221; n\u00e3o depende da for\u00e7a, agilidade, coragem ou forma f\u00edsica.      Temos que voltar cinquenta anos &#8211; ao per\u00edodo de ouro da tradicional capoeira      de angola &#8211; para melhor entender o assunto. Naquela \u00e9poca o que interessava      era esta &#8220;mal\u00edcia&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Os golpes e as quedas tamb\u00e9m existiam, mas eram muito menos importantes:<\/strong>      com um golpe ou uma queda pode se resolver um jogo dentro de uma academia,      mas na roda da malandragem, nas ruas e nas madrugadas o jogador tinha consci\u00eancia      de que poderia resolver muscularmente uma disputa, mas no m\u00eas seguinte o adsvers\u00e1rio      talvez o esperasse de emboscada num canto escuro&#8230; uma navalhada na jugular      e morria-se sem entender o que tinha acontecido. Por isto o &#8220;angoleiro&#8221;      &#8211; praticante da tradicional capoeira angola &#8211; ,ligado diretamente \u00e0 vida e      n\u00e3o ao mundo fict\u00edcio de uma academia, sabia que o essencial n\u00e3o era um conhecimento      t\u00e9cnico de golpes, mas uma certa ast\u00facia que o ajudaria a trafegar nas mais      diversas situa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>A capoeira de ent\u00e3o era uma &#8220;escola da vida&#8221;, uma imita\u00e7\u00e3o da selva      que \u00e9 este mundo, um teatro m\u00e1gico no qual eram reproduzidas situa\u00e7\u00f5es e trocas      de energias que acontecem e tornam a acontecer. Da\u00ed existirem o &#8220;floreio&#8221;,      as &#8220;chamadas para o passo-a-dois&#8221;, a &#8220;volta-ao-mundo&#8221;      e muitos outros elementos ritualizados que proporcionavam a oportunidade de      &#8211; dentro do jogo &#8211; aparecerem situa\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que aconteciam na vida      real entre as pessoas. E,no jogo, o capoeirista aprendia a lidar com estas      situa\u00e7\u00f5es segundo o fundamento e a filosofia da capoeira, cuja pedra chave      \u00e9 justamente a &#8220;m\u00e1licia. <\/p>\n<p>Hoje em dia todos praticam Capoeira, jovens e adultos, homens e mulheres      e espera-se que no futuro seja aceita pela sociedade pois, \u00e9 um esporte genuinamente      nacional. <\/p>\n<h4><strong>Besouro Mangang\u00e1 <\/strong><\/h4>\n<p>A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo Tio      Al\u00edpio nutria grande admira\u00e7\u00e3o pelo filho de Jo\u00e3o Grosso e Maria Haifa. Era      o menino Manuel Henrique que, desde cedo aprendeu, com o Mestre Al\u00edpio, os      segredos da Capoeira na Rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o,      sendo &#8220;batizado&#8221; como &#8220;Besouro Mangang\u00e1&#8221; por causa da      sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era para tal.<\/p>\n<p>Negro forte e de esp\u00edrito aventureiro, nunca trabalhou em lugar fixo nem      teve profiss\u00e3o definida.<\/p>\n<p>Quando os advers\u00e1rios eram muitos e a vantagem da briga pendia para o outro      lado, &#8220;Besouro&#8221; sempre dava um jeito, desaparecia. A cren\u00e7a de que      tinha poderes sobrenaturais veio logo, confirmando por motivo de ter ele sempre      que carregar um &#8220;patu\u00e1&#8221;. De trem, a cavalo ou a p\u00e9, embrenhando-se      no matagal, Besouro, dependendo das circunst\u00e2ncias, saia de Santo Amaro para      Maracangalha, ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. <\/p>\n<p>Certa feita, quem conta \u00e9 o seu primo e aluno Cobrinha Verde, sem trabalho,      foi a Usina Col\u00f4nia (hoje Santa Eliza) em Santo Amaro, conseguindo coloca\u00e7\u00e3o.    <\/p>\n<p>Uma semana depois, no dia do pagamento, o patr\u00e3o, como fazia com os outros      empregados, disse-lhe que o sal\u00e1rio havia &#8220;quebrado&#8221; para S\u00e3o Caetano.    <\/p>\n<p><strong>Isto \u00e9:<\/strong> n\u00e3o pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestar      era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Besouro, entretanto, esperou      que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a c\u00e9lebre frase, foi      segurado pelo cavanhaque e for\u00e7ado a pagar, depois de tremenda surra. <\/p>\n<p>Misto de vingador e desordeiro, Besouro n\u00e3o gostava de policiais e sempre      se envolvia em complica\u00e7\u00f5es com os milicianos e n\u00e3o era raro tomava-lhes as      armas, conduzindo-os at\u00e9 o quartel. Certa feita obrigou um soldado a beber      grande quantidade de cacha\u00e7a. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz,      um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente \u00e0 caserna,      comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo Jos\u00e9 Costa, que      incontinente designou 10 pra\u00e7as para conduzir o homem preso morto ou vivo.<\/p>\n<p>Pressentindo a aproxima\u00e7\u00e3o dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se      na cruz existente no largo, abriu os bra\u00e7os e disse que n\u00e3o se entregava.    <\/p>\n<p>Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no ch\u00e3o. O cabo Jos\u00e9 chegou-se      e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro ent\u00e3o ergueu-se, mandou      que o comandante levantasse as m\u00e3os, ordenou que todos os soldados fossem      e cantou os seguintes versos: L\u00e1 atiraram na cruz\/ eu de mim n\u00e3o sei\/ se acaso      fui eu mesmo\/ ela mesmo me perdoe\/ Besouro caiu no ch\u00e3o fez que estava deitado\/      A pol\u00edcia\/ ele atirou no soldado\/ v\u00e3o brigar com caranguejos\/ que \u00e9 bicho      que n\u00e3o tem sangue\/ Pol\u00edcia se briga\/ vamos pr\u00e1 dentro do mangue.<\/p>\n<p>As brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos      contra os proprit\u00e1rios de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se na      Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi com      ele \u00e0s vias de fato, sendo ent\u00e3o marcado para morrer.<\/p>\n<p>Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo pr\u00f3prio Besouro, que Matilde n\u00e3o      sabia ler nem escrever, uma carta para um seu amigo, administrador da Usina      Maracangalha, para que liquidasse o portador. O destinat\u00e1rio com rara frieza      mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte. Pela manh\u00e3, logo      cedo, foi buscar a resposta, sendo ent\u00e3o cercado por cerca de 40 soldados,      que incontinente fizeram fogo, sem contudo atingir o alvo. Um homem entretanto,      conhecido por Eus\u00e9bio de Quibaca, quando notou que Besouro tentava afastar-se      gingando o corpo, chegou-se sorrateiramente e desferiu-lhe violento golpe      com uma faca de ticum.<\/p>\n<p>Manuel Henrique, o Besouro Mangang\u00e1, morreu jovem, com 27 anos, em 1924,      restando ainda dois dos seus alunosL Rafael Alves Fran\u00e7a, Mestre Cobrinha      Verde e Siri de Mangue.<\/p>\n<p>Hoje, Besouro \u00e9 s\u00edmbolo da Capoeira em todo o territ\u00f3rio baiano, sobretudo      pela sua bravura e lealdade com que sempre comportou com rela\u00e7\u00e3o aos fracos      e perseguidos pelos fazendeiros e policiais.<\/p>\n<p>Fonte:  www.angelfire.com<\/p>\n<h6>Capoeira Angola <\/h6>\n<p><strong>Capoeira Angola<\/strong>, manifesta\u00e7\u00e3o cultural afro-brasileira,      de import\u00e2ncia hist\u00f3rica, cultural e art\u00edstica, que alcan\u00e7ou reconhecimento      internacional. <\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e persist\u00eancia dos seus mestres e praticantes, ela      superou as limita\u00e7\u00f5es do preconceito, desenvolvendo sua potencialidade construtiva      enquanto produto hist\u00f3rico brasileiro, mem\u00f3ria e identidade cultural, em permanente      desenvolvimento.<\/p>\n<p>Dentro do universo complexo da capoeira, a particularidade da Capoeira Angola      \u00e9 ser tradicional, remontando \u00e0 resist\u00eancia dos escravos africanos do s\u00e9culo      XIX na luta pela liberdade. Ganhou este nome como forma de diferencia\u00e7\u00e3o das      variantes que surgiram ao longo do tempo, como foi o caso da Capoeira Regional,      criada pelo Mestre Bimba na d\u00e9cada de 30, na Bahia.<\/p>\n<p>Mestres de express\u00e3o na capoeira afirmam que a Capoeira Angola \u00e9 na realidade      uma rica express\u00e3o art\u00edstica, mistura de luta, dan\u00e7a, ritual, teatralidade,      m\u00fasica e jogo. A conjun\u00e7\u00e3o de todos esses elementos gera um produto que n\u00e3o      pode ser classificado atendendo apenas a uma \u00fanica destas facetas, sob pena      de perder sua originalidade como arte.<\/p>\n<p>Os v\u00e1rios elementos que envolvem a pr\u00e1tica da Capoeira Angola se complementam      segundo uma vis\u00e3o do ser humano integral, interligando seus componentes ps\u00edquicos,      sociais, f\u00edsicos e espirituais. Ensina a disciplina, propondo a aten\u00e7\u00e3o, a      dedica\u00e7\u00e3o e o compromisso do indiv\u00edduo consigo mesmo e com seu grupo. <\/p>\n<p>Aprimora o respeito e a toler\u00e2ncia mediante a conviv\u00eancia com os outros.      E, como conseq\u00fc\u00eancia, desenvolve o equil\u00edbrio e a consci\u00eancia corporal do      ser enquanto elemento integrante do todo social, que dialoga com seu meio      e constr\u00f3i seu pr\u00f3prio bem-estar. Por isso, a Capoeira Angola representa uma      pr\u00e1tica de alegria, express\u00e3o, criatividade e sa\u00fade. Como uma atividade que      integra todos esses aspectos ao comportamento, ajudando a projetar tais valores      na vida, estimulando a inclus\u00e3o social do indiv\u00edduo e o sentido de comunidade.<\/p>\n<p>Frente \u00e0 complexidade dos problemas existentes da nossa sociedade, as iniciativas      particulares que intercedam na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es, mesmo que de modo restrito,      devem ser incentivadas. <\/p>\n<p>A Capoeira Angola, ent\u00e3o, como uma atividade de a\u00e7\u00e3o social na medida em      que une seus aspectos pertinentes, mencionados a uma preocupa\u00e7\u00e3o por valorizar      a identidade brasileira, e a auto-estima, leva o corpo social a resistir \u00e0      degrada\u00e7\u00e3o da acomoda\u00e7\u00e3o ou da viol\u00eancia. Por essa raz\u00e3o, a filosofia e a      pr\u00e1tica da Capoeira Angola, como disciplina, sa\u00fade, conviv\u00eancia, respeito      e inclus\u00e3o social, devem ser divulgadas e expandidas, incorporando-se ao cotidiano      das pessoas como meio de educa\u00e7\u00e3o e lazer. Capoeira movimento nacional de      promo\u00e7\u00e3o da cultura brasileira, confirma sua inser\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio nacional      como refer\u00eancia de confian\u00e7a na for\u00e7a das nossas manifesta\u00e7\u00f5es culturais mais      elementares. <\/p>\n<p>Hoje em dia, a Capoeira Angola existe pela resist\u00eancia dos seus mestres na      pr\u00e1tica da atividade e na manuten\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o oral que constitui o universo      das suas ladainhas e corridos.<\/p>\n<p><strong>Izabel Jasinski.<\/strong><\/p>\n<p>Fonte:  www.meninodearembepe.org<\/p>\n<h6>Capoeira Angola <\/h6>\n<h4>O APRENDIZADO DA GINGA NA RODA DE ANGOLA<\/h4>\n<p>Quando observamos capoeiristas em atividade destacamos um movimento de corpo      caracter\u00edstico desta tradicional pr\u00e1tica comumente denominado de ginga. <\/p>\n<p>Para jogar capoeira devemos estar sempre gingando. Neste trabalho pretendemos      discutir o aprendizado da ginga, extraindo da\u00ed os sentidos que a tradi\u00e7\u00e3o      viva da capoeira vem dando a esta pr\u00e1tica. Dito deste modo o problema \u00e9 apresentado      de modo amplo, generalizado e bastante vago. Nesse sentido, vamos procurar      circunscrever o m\u00e1ximo o lugar de onde falamos, pois n\u00e3o queremos falar da      ginga em geral de uma capoeira em geral, mas dos sentidos da ginga dentro      do movimento que a partir da primeira metade do s\u00e9culo vinte na Bahia veio      a se chamar de Capoeira Angola. Para tanto utilizaremos alguns relatos dos      mestres de hoje e de outrora a respeito da ginga e de seu aprendizado, alguns      textos te\u00f3ricos em psicologia, antropologia e filosofia que possam nos ajudar      no entendimento do aprendizado da ginga, assim como a experi\u00eancia que venho      tendo como aprendiz de capoeira angola a cerca de seis anos. Nossa pretens\u00e3o      n\u00e3o \u00e9 atrav\u00e9s deste lugar singular e espec\u00edfico do qual nos aproximamos, extrair      da\u00ed uma teoria geral da aprendizagem ou da ginga na capoeira. Entendemos que      com essa aproxima\u00e7\u00e3o singular e caracter\u00edstica das pr\u00e1ticas de aprendizado      da ginga na capoeira angola podemos justamente evitar as tend\u00eancias generalistas      que perpassam as teorias da aprendizagem.<\/p>\n<p>Em 1941 Vicente Pastinha funda em Salvador, junto a outros importantes capoeiristas      do seu tempo, o CECA (Centro esportivo de capoeira angola) imbu\u00eddo da necessidade      de resistir \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es modernizantes que a capoeira vinha sofrendo      naquele tempo. Pastinha funda o CECA no intuito de se adequar \u00e0s novas necessidades      da pr\u00e1tica da capoeira sem perder o contato com suas ra\u00edzes tradicionais (Da\u00ed      o nome Angola, de onde uma grande parte dos escravos veio). <\/p>\n<p>Mesmo aceitando alguns aspectos desta moderniza\u00e7\u00e3o da capoeira, como a cria\u00e7\u00e3o      de um espa\u00e7o social, com sede, regulamento e hierarquias para a pr\u00e1tica e      o ensino da capoeira angola, Pastinha busca manter vivo os aspectos primordiais      da capoeira m\u00e3e. A rua enquanto lugar do cultivo da capoeira antiga sede lugar      a prolifera\u00e7\u00e3o dos grupos e escolas de capoeira. A escola de Pastinha gera      frutos e hoje v\u00e1rios grupos de capoeira angola reivindica sua filia\u00e7\u00e3o. Atualmente      quem quer aprender a capoeira angola normalmente procura tais grupos, passando      a freq\u00fcentar esses espa\u00e7os regularmente, onde lhe s\u00e3o passados os saberes      desta pr\u00e1tica tradicional da cultura brasileira.<\/p>\n<p>Segundo Pastinha a \u0093escola\u0094 da capoeira angola deve preservar importantes      aspectos da capoeira m\u00e3e evitando cair nas formaliza\u00e7\u00f5es das escolas tradicionais.    <\/p>\n<p>Dentre estas formas de resist\u00eancia Frede Abreu destaca o modo singular da      transmiss\u00e3o da capoeira, que \u00e9 o \u0093aprendizado de oitiva\u0094, ou seja      sem m\u00e9todo ou pedagogia formal (Abreu, 1999). O mestre baseado em sua experi\u00eancia      e em sua observa\u00e7\u00e3o vai criando ou se aproveitando de situa\u00e7\u00f5es criadas para      inserir o aprendiz na tradi\u00e7\u00e3o da capoeira, para tanto a conviv\u00eancia pr\u00f3xima      entre aprendiz e mestre \u00e9 fundamental. Para Muniz Sodr\u00e9 (2002) o mestre de      capoeira n\u00e3o ensina o seu disc\u00edpulo no sentido tradicional da pedagogia ocidental,      onde os conceitos s\u00e3o passados de modo met\u00f3dico e formal. Segundo Sodr\u00e9 o      mestre \u0093(&#8230;) criava as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem formando a roda da      capoeira e assistindo a ela. Era um processo sem qualquer intelectualiza\u00e7\u00e3o,      como no Zen, em que se buscava um reflexo corporal, comandado n\u00e3o pelo c\u00e9rebro,      mas por alguma coisa resultante da sua integra\u00e7\u00e3o com o corpo\u0094. Esta      maneira encarnada em que o mestre e o aprendiz vivem a experi\u00eancia do aprendizado      sem formar princ\u00edpios ou m\u00e9todos generalistas \u00e9 fundamental para resistir      \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o da capoeira angola. <\/p>\n<p><strong>Sobre este tema nos fala Mestre Pastinha:<\/strong> \u0093Capoeira      Angola s\u00f3 pode ser ensinada sem for\u00e7ar a naturalidade da pessoa, o neg\u00f3cio      \u00e9 aproveitar os gestos livres e pr\u00f3prios de cada qual. Ningu\u00e9m luta do meu      jeito, mas no deles h\u00e1 toda a sabedoria que aprendi. Cada um \u00e9 cada um\u0094      (Pastinha 1967). Buscamos, nesse sentido, evitar que o nosso trabalho caia      nas armadilhas acad\u00eamicas dos discursos vazios e desencarnados das formas      gerais. N\u00e3o \u00e9 nosso intuito usar as experi\u00eancias do aprendizado da ginga da      capoeira angola como casos particulares de uma teoria geral da aprendizagem,      mas encontrar nesta pr\u00e1tica viva e tradicional alguns sentidos do aprendizado      da ginga que possam fazer quest\u00f5es para nossas pr\u00e1ticas de aprendizado.<\/p>\n<p>Feitas essas considera\u00e7\u00f5es iniciais tentaremos descrever e discutir alguns      poss\u00edveis sentidos do aprendizado da ginga na capoeira angola. Logo no in\u00edcio      o aprendiz \u00e9 apresentado para os tr\u00eas componentes b\u00e1sicos da capoeira (os      movimentos do corpo, os cantos, os instrumentos e seus toques). O iniciante      \u00e9 convidado a participar do treino sem que a ele seja d\u00e3o um tratamento diferenciado.      N\u00e3o h\u00e1 nos treinos da capoeira angola um lugar espec\u00edfico para principiantes.    <\/p>\n<p>Ele j\u00e1 entra e passa a conviver junto aos outros, participando deste ent\u00e3o      das atividades do grupo. Quanto ao aprendizado dos movimentos corporais do      jogo de angola, destaca-se a ginga. Um movimento de deslocamento, para frente      e para tr\u00e1s, das pernas e dos bra\u00e7os que se alternam inversamente de modo      que, quando a perna esquerda esta na frente o bra\u00e7o direito deve estar tamb\u00e9m      \u00e0 frente pr\u00f3ximo ao rosto e vice versa. O aprendiz \u00e9 levado a repetir exaustivamente      este movimento, procurando imitar o professor. Junto \u00e0 ginga vamos sendo apresentados      a outros movimentos do jogo de angola, o a\u00fa, o role, o rabo de arraia, a meia      lua, a esquiva, a negativa, formando s\u00e9ries consecutivas. Vamos aprendendo      que a ginga \u00e9 um dos movimentos principais, j\u00e1 que \u00e9 dela que se iniciam os      demais movimentos, assim como esses tamb\u00e9m devem se encerrar nela. Iniciar      e encerrar devem ser aqui compreendidos como estados provis\u00f3rios de experi\u00eancias      de treino, pois o jogo da capoeira pressup\u00f5e uma continuidade do movimento,      dispostas numa circularidade onde o come\u00e7o e o fim ficam dif\u00edceis de serem      identificados. Mas podemos dizer que a ginga \u00e9 o movimento de manter o jogo      sempre em movimento. Ou seja o angoleiro quando n\u00e3o est\u00e1 realizando os golpes      de defesa e ataque deve estar necessariamente gingando. A tal movimenta\u00e7\u00e3o      cont\u00ednua da ginga \u00e9 que os demais movimentos devem se encaixar. Quanto mais      cont\u00ednua e imediata forem a movimenta\u00e7\u00e3o da ginga e dos outros movimentos      maior a destreza do jogador. Cada aprendiz \u0093de oitiva\u0094 vai encontrando,      auxiliado pelo mestre e pelos demais companheiros, o tempo de seu aprendizado      encarnado da ginga. Nossos mestres nos indicam o tempo todo \u00e0 necessidade      de soltar a ginga de modo que os movimentos ganhem uma suave continuidade.      Para tanto os mestres de angola criam situa\u00e7\u00f5es de jogo, seja com um companheiro      nos treinos ou melhor ainda nas rodas. <\/p>\n<p>Numa s\u00e9rie de aulas-espet\u00e1culos ministradas em todo o Brasil, o m\u00fasico, dan\u00e7arino      e cantor Ant\u00f4nio N\u00f3brega usam uma defini\u00e7\u00e3o bastante interessante para o movimento      da ginga na capoeira, apontando para uma caracter\u00edstica paradoxal. N\u00f3brega      come\u00e7a dizendo que nas dan\u00e7as cl\u00e1ssicas europ\u00e9ias, o bailarino busca um estado      de equilibra\u00e7\u00e3o em que o movimento se realiza respeitando os eixos horizontais      e verticais. Nestes movimentos o que se busca \u00e9 o equil\u00edbrio perfeito, suave      e preciso, quase geom\u00e9trico. O desequil\u00edbrio torna-se fatal para o bailarino,      propiciando geralmente uma queda ou a deseleg\u00e2ncia do movimento. Para Ant\u00f4nio      N\u00f3brega a capoeira e algumas outras manifesta\u00e7\u00f5es corporais brasileiras, como      o frevo, se caracteriza por um estado paradoxal que ele chamou de equil\u00edbrio      prec\u00e1rio. Estado onde o limite da estabilidade do equil\u00edbrio ou a instabilidade      do desequil\u00edbrio est\u00e3o paradoxalmente presentes no movimento. Este movimento      que atravessa zonas de equil\u00edbrio prec\u00e1rio, lembra bastante o movimento de      um b\u00eabado que d\u00e1 a estranha sensa\u00e7\u00e3o a um observador de estar sempre prestes      a cair, mas consegue inexplicavelmente se reequilibrar e assim novamente se      desequilibrar, numa estranho movimento indeterminado e surpreendente. O observador      fica ent\u00e3o perplexo pois n\u00e3o consegue ter a certeza do pr\u00f3ximo movimento do      b\u00eabado. \u0093E jogar precisa ser jogado sem sujar a roupa, sem tocar o ch\u00e3o      com o corpo. Quando eu jogo, at\u00e9 pensam que o velho esta b\u00eabado, porque fico      todo mole e desengon\u00e7ado, parecendo que vou cair. Mas ningu\u00e9m ainda me botou      no ch\u00e3o, nem vai botar.\u0094 (Pastinha, 1967) A ginga na capoeira \u00e9 portanto,      segundo N\u00f3brega, um movimento em equil\u00edbrio prec\u00e1rio. E aqui gostar\u00edamos de      focar esta estranha situa\u00e7\u00e3o do movimento da ginga. Como vimos acima jogar      capoeira \u00e9 manter a continuidade dos movimentos, mas se esses movimentos cont\u00ednuos      se automatizarem num mecanismo cego e repetitivo o advers\u00e1rio pode antecip\u00e1-los      e neutraliz\u00e1-los. Como manter a continuidade imediata de movimentos sem reduzi-los      a um automatismo que seria fatal num jogo como a capoeira? Talvez analisando      melhor a no\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio prec\u00e1rio possamos nos aproximar de poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o      para essa pergunta. Essas zonas de equil\u00edbrio prec\u00e1rio da ginga permitem determinadas      paradas ou hesita\u00e7\u00f5es do movimento que servem para falsear a continuidade      deste, como que abrindo perspectivas de bifurca\u00e7\u00f5es que surpreendam o advers\u00e1rio      sem que o movimento perca sua continuidade. Abrem-se inusitadas zonas de indetermina\u00e7\u00e3o,      ou pequenas interrup\u00e7\u00f5es desequilibrantes que dificultam a antecipa\u00e7\u00e3o dos      movimentos seguintes. <\/p>\n<p>Vamos aos poucos nos encontrando com a incr\u00edvel e paradoxal situa\u00e7\u00e3o do movimento      da ginga, numa continuidade com pequenas hesita\u00e7\u00f5es ou falsos desequil\u00edbrios      que abrem o movimento para uma continua\u00e7\u00e3o inesperada. De algum modo nosso      corpo vai cultivando uma aten\u00e7\u00e3o ao tempo desse estranho movimento. Movimento      extensivo aberto a bifurca\u00e7\u00f5es temporais. Quem j\u00e1 viu dois bons angoleiros      jogando deve ter se surpreendido com o entrela\u00e7ar dos corpos numa pl\u00e1stica      de dobras ao infinito, j\u00e1 que os golpes n\u00e3o interrompem definitivamente o      movimento (em momento nenhum podemos segurar o movimento). A estrat\u00e9gia tanto      de defesa quanto de ataque n\u00e3o \u00e9 interromper o movimento mas aproveit\u00e1-lo      a seu favor, sem abrir demais sua guarda. O aprendiz da ginga imerso nesse      estranho e paradoxal movimento deve portanto cultivar uma experi\u00eancia corporal      atenta \u00e0s dobras dos paradoxos, da continuidade descontinua, da abertura fechada,      do equil\u00edbrio prec\u00e1rio, do se mostrar dissimulando. Esse saber encarnado que      os treinamentos oferecem a oportunidade de ser cultivado n\u00e3o pode ser nem      intelectualizado, nem automatizado. O que afasta a possibilidade de reduzir      o aprendizado da ginga a uma aquisi\u00e7\u00e3o de habilidades corporais que se adequariam      ao ambiente da capoeira, nem muito menos a representa\u00e7\u00f5es mentais que guiariam      o nosso corpo segundo estrat\u00e9gias intelectuais. N\u00e3o se trata do movimento      autom\u00e1tico de um corpo mec\u00e2nico nem de um movimento guiado por uma mente intencional.      Sobre o corpo do angoleiro nos lembra Pastinha: &#8220;Amigos o corpo \u00e9 um      grande systema de raz\u00e3o, por detraz de nosssos pensamentos acha-se um Snr.      poderoso, um sabio desconhecido;&#8230; (pastinha in Decanio, 1997)&#8221;<\/p>\n<p>O aprendiz da ginga tamb\u00e9m vai se deparando no conv\u00edvio da capoeira com outros      sentidos que a no\u00e7\u00e3o de ginga traz embutido na pr\u00e1tica do jogo de angola.      A capoeira \u00e9 uma pr\u00e1tica f\u00edsica mas n\u00e3o \u00e9 apenas isso, ela tamb\u00e9m \u00e9 uma luta      e a ginga tamb\u00e9m deve ser entendida como um movimento de resist\u00eancia guerreira.      C\u00e2mara Cascudo (2001) ap\u00f3s uma viagem \u00e0 \u00c1frica, onde ele buscou os relatos      orais da cultura africana e suas sintonias com os aqui existentes escreve      o livro intitulado \u0093Made in \u00c1frica\u0094. Num dos cap\u00edtulos deste livro      cujo titulo \u00e9 \u0093A Rainha Jinga no Brasil\u0094, cascudo apresenta atrav\u00e9s      da mem\u00f3ria oral dos africanos a hist\u00f3ria da rainha Jinga que viveu em Angola      por volta do fim do s\u00e9culo XVI e in\u00edcio do XVII. \u0093(&#8230;) uma soberana      aut\u00eantica, na legitimidade de todas as tradi\u00e7\u00f5es africanas, luxo, armas, festins,      invas\u00f5es de fronteiras, massacres de suspeitos, consolida\u00e7\u00e3o militar.\u0094      (Idem) Guerreira contumaz Jinga \u00e9 lembrada por suas habilidades de resistir      ao julgo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa em Angola. \u0093Rendeu-se v\u00e1rias vezes.      Ficava serena, gentil, concordadora, at\u00e9 que brilhasse a hora da rea\u00e7\u00e3o. Erguia      o bra\u00e7o de comando e os batalh\u00f5es negros atiravam-se contra os portugueses\u0094      (idem pg &#8230;). Mas a frente de seu texto Cascudo nos mostra como hoje nas      tradi\u00e7\u00f5es brasileira uma das \u00fanicas rainhas africanas que permanece na mem\u00f3ria      do povo \u00e9 a rainha Jinga. A guerreira que n\u00e3o se mostra inteiramente, que      n\u00e3o se deixa ser plenamente identificada pelo inimigo que \u00e9 sempre surpreendido.    <\/p>\n<p>Exemplo de uma guerra de resist\u00eancia, que alterna a viol\u00eancia dos combates      com momentos de diplomacia e sedu\u00e7\u00e3o ao colonizador. O movimento da ginga      na capoeira talvez traga tamb\u00e9m estas caracter\u00edsticas. Numa luta em campo      aberto (capoeir\u00e3o) onde seu corpo \u00e9 sua arma tanto de defesa quanto de ataque,      a ginga apresenta-se como um movimento de espreita e dissimula\u00e7\u00e3o sem poder      se esconder numa tocaia. De novo observamos o car\u00e1ter paradoxal dessa luta.      O lutador deve seduzir o oponente, oferecendo facilidades, abrindo suas guardas,      criando armadilhas para que este tenha a sensa\u00e7\u00e3o da facilidade do golpe.      O advers\u00e1rio certo de sua vit\u00f3ria sempre \u00e9 um oponente mas f\u00e1cil de ser derrotado,      j\u00e1 que displicente ataca sem se defender. A ginga astuta n\u00e3o s\u00f3 se defende      mas nessa defesa abre a estrat\u00e9gia do ataque. Do mesmo modo o ataque proveniente      de um angoleiro deve considerar tamb\u00e9m a defesa. Atacar e defender n\u00e3o s\u00e3o      aqui dois movimentos isolados mas que jogam juntos numa circularidade paradoxal.      Nessa luta defender \u00e9 atacar e atacar \u00e9 defender. Mas talvez o mais importante      seja a surpresa do golpe, pois o aspecto defensivo do ataque \u00e9 sempre dissimulado      assim como o aspecto ofensivo da defesa. Mas uma vez a capoeira angola penetra      os seus movimentos numa zona de indetermina\u00e7\u00e3o, onde os movimentos de ataque      e defesa sempre agem de modo dissimulado. O angoleiro \u00e9 ensinado por seu mestre      a soltar sua ginga para que ela seja bem manhosa, malandra, mandingada. <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u0093Depois que os n\u00eagos se achou ser forte com sua armas manhosa, tornou-se        dificil para os cabos do mato por as m\u00e3os nos n\u00eagos, porque? Escorregavam        mesmo que quiabo, eles aplicavam truque no proprio corpo.\u0094 (pastinha        in Decanio, 1997)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mas se a ginga deve ser compreendida como uma atividade f\u00edsica e uma luta,      devemos ampliar estes sentidos incorporando alguns aspectos est\u00e9ticos fundamentais      ao jogo de angola. Cada angoleiro \u00e9 levado a expressar movimentos floreados.      Todo capoeira \u00e9 um exibicionista, quando pode realiza floreios por pura plasticidade      est\u00e9tica. Mas este aspecto l\u00fadico e brincalh\u00e3o tamb\u00e9m tem outros sentidos      al\u00e9m da beleza do movimento, servindo como uma destacada artimanha de combate.      O capoeira bate rindo, ou melhor usa o riso como estrat\u00e9gia para chatear ou      tirar a aten\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio. Um oponente desequilibrado emocionalmente ou      desatento \u00e9 presa f\u00e1cil. A malandragem \u00e9 uma h\u00e1bil \u0093arma est\u00e9tica\u0094.      Aqui tamb\u00e9m encontramos o aspecto paradoxal que parece permear o aprendizado      da ginga. O aprendiz n\u00e3o pode confundir manha ou floreio com distra\u00e7\u00e3o ou      desaten\u00e7\u00e3o. Ela leva com certeza para um afrouxamento das tens\u00f5es de uma aten\u00e7\u00e3o      focada que o calor de uma luta pode nos levar. Relaxar e distender parecem      ser fundamentais para que o capoeira consiga vadiar na roda de angola, sem      contudo chegar a um n\u00edvel de desaten\u00e7\u00e3o. A brincadeira na ginga da capoeira      deve levar-nos a um estado de aten\u00e7\u00e3o distra\u00edda, de disponibilidade ao movimento,      de sensibiliza\u00e7\u00e3o as surpresas do jogo. De novo podemos destacar a inadequada      considera\u00e7\u00e3o da ginga como um movimento cont\u00ednuo e autom\u00e1tico, pois o seu      aprendizado deve considerar a sensibiliza\u00e7\u00e3o de uma aten\u00e7\u00e3o distra\u00edda.<\/p>\n<p>Nessa est\u00e9tica da ginga n\u00e3o podemos esquecer a quest\u00e3o r\u00edtmica. <\/p>\n<p><strong>Sobre isto nos diz Pastinha: <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u0093N\u00e3o se pode esquecer do berimbau. Berimbau \u00e9 o primitivo mestre.        Ensina pelo som. D\u00e1 vibra\u00e7\u00e3o e ginga ao corpo da gente (&#8230;) Bom capoeirista,        al\u00e9m de jogar, deve saber tocar berimbau e saber cantar.\u0094 (Pastinha,        1967)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A ginga pulsa no ritmo da orquestra. Munis Sodr\u00e9 (1998) mostra que o ritmo      da capoeira assim como o do samba funciona atrav\u00e9s da \u0093s\u00edncope\u0094,      definida por ele como a batida que falta, uma aus\u00eancia no compasso de uma      batida fraca que leva a outra forte. Tal aus\u00eancia leva o corpo a complet\u00e1-la      com o movimento. Nesse sentido o ritmo da orquestra leva o aprendiz a uma      sintonia r\u00edtmica-corporal. Aprender a gingar \u00e9 necessariamente mergulhar nos      sons da capoeira, deixar com que eles marquem nossos movimentos, mais uma      vez devemos desenvolver uma sensibiliza\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. <\/p>\n<p>Bom, at\u00e9 aqui destacamos os m\u00faltiplos sentidos da ginga de angola, movimento      atl\u00e9tico, luta, arte, vadia\u00e7\u00e3o, dan\u00e7a, ritmo, jogo &#8230; e que todos esses aspectos      possuem em seu cerne uma circularidade paradoxal que n\u00e3o nos permite dar uma      defini\u00e7\u00e3o acabada e plena. Pois se nos treinos muitas vezes somos apresentados      a estes sentidos separadamente, \u00e9 na roda que tais aspectos tem a oportunidade      propicia de serem experimentados conjuntamente. A roda, espa\u00e7o circular onde      os capoeiristas se re\u00fanem. <\/p>\n<p><strong>\u00c9 aqui que podemos destacar um outro e importante sentido para o      aprendizado da ginga:<\/strong> o car\u00e1ter ritual\u00edstico e m\u00e1gico da capoeira      angola. A roda, neste sentido encarna toda a tradi\u00e7\u00e3o viva da capoeira. <\/p>\n<p>E se at\u00e9 aqui voc\u00ea conseguiu, enquanto aprendiz, ficar de fora dos sentidos      do gingar, se colocando na posi\u00e7\u00e3o reflexiva de um observador de si, a experi\u00eancia      e a for\u00e7a da roda lhe oferece a oportunidade de finalmente penetrar na experi\u00eancia      rica e \u0093quente\u0094 da capoeira. Elementos de mist\u00e9rio, risos, malandragem,      mandinga, sons, &#8230; v\u00e3o \u0093exigindo\u0094 do aprendiz um posicionamento      encarnado. \u00c0 atividade f\u00edsica e suas habilidades espec\u00edficas v\u00e3o se incorporando      outros elementos, e com eles novas formas de engajamento e de emo\u00e7\u00e3o. O capoeirista      \u00e9 \u0093levado\u0094 a deslocar sua aten\u00e7\u00e3o, do como se comportar para o estar      atento ao esp\u00edrito do jogo, liberando-se do sensorio-motor e expandindo-o,      abrindo-se ao plano dos sentidos numa experi\u00eancia encarnada, a qual enseja      o enra\u00edzamento e a surpresa \u0096 acontecer com o acontecimento. Numa roda      em Niter\u00f3i, anos atr\u00e1s, por exemplo, espantava a alguns principiantes como      o Mestre Moraes podia ao mesmo tempo jogar e ouvir detalhes dos instrumentos      da orquestra, numa atitude totalmente encarnada e plena de sentido. Para isso,      \u00e9 preciso dispor-se a uma sensibiliza\u00e7\u00e3o, deixando-se afetar por aquilo que      faz acolhendo seus efeitos sobre si. H\u00e1 uma for\u00e7a afetiva na capoeira, e essa      \u00e9 sua dimens\u00e3o n\u00e3o recognitiva ou impessoal, imediaticidade da experi\u00eancia      concreta e afetiva. Essa for\u00e7a afetiva produz, no aprendiz, uma sensibiliza\u00e7\u00e3o      que engaja, pratica-se pela experi\u00eancia afetiva de praticar. \u00c9 pelo engajamento      que o aprendizado ocorre.<\/p>\n<p>Tudo isto respeitando o inacabamento que acima nos referimos, mantendo sempre      uma onda de mist\u00e9rio de segredo, que atravessa o aprendizado da ginga. <\/p>\n<p><strong>Sobre isto nos fala Pedro Abib:<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u0093 Roda enquanto rito de passagem, traz elementos importantes da cosmologia        africana, como certos saberes ou segredos, guardados pelo mestre, que v\u00e3o        sendo revelados aos poucos, conforme o iniciante vai encontrando o amadurecimento        necess\u00e1rio para poder ter acesso a esses conhecimentos.\u0094 (Abib, 2000)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Presente em todos os momentos nesse aprendizado o mestre atua, mas, nem sempre      sua atua\u00e7\u00e3o ou presen\u00e7a \u00e9 percebida. Ciente de que o \u0093esp\u00edrito da capoeira\u0094,      enquanto uma experi\u00eancia viva \u00e9 onde se aprende, o mestre muitas vezes atua      garantindo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que o \u0093ax\u00e9\u0094 possa acontecer.      Sem garantias de que esse \u0093esp\u00edrito\u0094 se presentifique, interv\u00e9m      como uma esp\u00e9cie de maestro da orquestra. Atua como um provocador, instigando      quando a \u0093ax\u00e9\u0094 ainda n\u00e3o aconteceu. \u00c9 importante distinguirmos o      provocador daquele que se julga sabedor. O esp\u00edrito da capoeira n\u00e3o pertence      a ningu\u00e9m, nem mesmo a um mestre. O que podemos fazer \u00e9 iniciar o ritual e      permanecermos atentos, abertos \u00e0 experi\u00eancia. Tal como um surfista ou um piloto      de asa delta, que aproveita as ondas e os ventos, o capoeirista tamb\u00e9m \u00e9 levado      pelas ondas da roda.<\/p>\n<p><strong>Johnny Menezes Alvarez<\/strong><\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>ABIB, Pedro Rodolpho Jungers; CASTRO, Lu\u00eds Vitor; SOBRINHO, Jos\u00e9 Sant\u0092anna.      Capoeira e os diversos aprendizados no espa\u00e7o escolar. Revista Motriviv\u00eancia      n\u00ba 14, ano XI, Florian\u00f3polis: ed da UFSC, 2000<br \/>\n     ABREU, Frederico Jos\u00e9 de. Bimba \u00e9 Bamba: a capoeira no Ringue. Salvador: Instituto      Jair Moura, 1999.<br \/>\n     CASCUDO, Lu\u00eds da C\u00e2mara. Made in \u00c1frica (pesquisas e notas). 5\u00aa ed. S\u00e3o Paulo:      Global, 2001<br \/>\n     DECANIO FILHO, A. A heran\u00e7a de Pastinha. Editora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica do texto; revis\u00e3o;      cria\u00e7\u00e3o e arte final da capa: Angelo A. Decanio Filho. 2a Edi\u00e7\u00e3o: com dicion\u00e1rio      dialetal, 1997.<br \/>\n     SODR\u00c9, Muniz. Mestre Bimba: corpo de mandinga. Rio de Janeiro: Manati, 2002<br \/>\n     _______. Samba, o dono do corpo. 2\u00aa ed. Rio de janeiro: Mauad, 1998.<br \/>\n     PASTINHA, Mestre. Revista Realidade \u0096 fevereiro de 1967 \u0096 editora      abril<\/p>\n<p>Fonte:  www.geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capoeira Angola, Hist\u00f3ria, Brasil, Origem, Escravos, Mestre, Jogadores, Movimentos, \u00c1frica, M\u00fasicas, Ritual, Ginga, O que \u00e9, Capoeira Angola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[305],"tags":[],"class_list":["post-62714","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-esportes"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Capoeira Angola, Hist\u00f3ria, Brasil, Origem Capoeira Angola<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Capoeira Angola, Hist\u00f3ria, Brasil, Origem, Escravos, Mestre, Jogadores, 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