{"id":62702,"date":"2016-07-13T18:50:24","date_gmt":"2016-07-13T18:50:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=62702"},"modified":"2016-07-14T12:28:46","modified_gmt":"2016-07-14T12:28:46","slug":"arco-e-flecha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/esportes\/arco-e-flecha","title":{"rendered":"Arco e Flecha"},"content":{"rendered":"<p>O <strong>arco e flecha<\/strong> tem atra\u00eddo muito a aten\u00e7\u00e3o de jovens de      8 a 80 anos nos dias de hoje. \u00c9 fascinante ver como brilham os olhos de uma      crian\u00e7a ao ver algu\u00e9m praticando tiro com arco. Quando estou treinado em nossa      Associa\u00e7\u00e3o, s vezes chega um grupo de crian\u00e7as de oito a doze anos e ficam      de longe olhando com os seus olhinhos fixos no alvo. Quando chegamos a fazer      um bom agrupamento de flechas no alvo ficam admirados, soltando exclama\u00e7\u00f5es      pr\u00f3prias da idade. <\/p>\n<p>Mas, em face do alto custo do equipamento utilizado hoje em dia, muitos tem      optado por fabricar o seu pr\u00f3prio arco. <\/p>\n<p><strong>Mas o que tem levado muitos arqueiros a optarem pelo arco primitivo      ou mesmo nativo \u00e9 somente uma: <\/strong>satisfa\u00e7\u00e3o pessoal. H\u00e1 tamb\u00e9m o romance      do esporte fazendo com que voc\u00ea retorne \u00e0s bases do arco primitivo. \u00c9 claro      que esta modalidade \u00e9 muito mais difundida no exterior, com associa\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias      e in\u00fameros artigos e livros editados a respeito. <\/p>\n<p>Aqui no Brasil, o arco primitivo mais conhecido \u00e9 o arco do nosso \u00edndio,      o \u00edndio brasileiro, o qual tamb\u00e9m \u00e9 chamado de arco nativo. Interessante como      o estrangeiro tomou a iniciativa e estudou tais arcos. Existe at\u00e9 um livro      publicado sobre o arco do \u00edndio sul-americano, o que nada mais \u00e9 sen\u00e3o o arco      do nosso \u00edndio, o arco nativo. <\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da primeira etapa do 1\u00ba Torneio da Federa\u00e7\u00e3o Goiana de Tiro com      Arco, em mar\u00e7o\/2000, esteve aqui em Goi\u00e2nia arqueiros do Estado do Mato Grosso,      disputando a modalidade do &#8220;Arco Nativo&#8221;. \u00c9 impressionante ver aqueles      arcos atirarem aquelas flechas enormes, as quais pareciam perdizes assustadas      al\u00e7ando v\u00f4o no meio do pasto quando a gente delas se aproxima. Ali estiveram      expostas uma variedade de flechas dos \u00edndios de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, tais como Gavi\u00e3o,      Xavantes etc., as quais chamavam a aten\u00e7\u00e3o pelo esmero e beleza da sua confec\u00e7\u00e3o.      Os arcos tamb\u00e9m eram notados pela aspecto primitivo e madeira usada. <\/p>\n<p>Contudo o arco primitivo ou o arco nativo n\u00e3o se restringe somente ao arco      do \u00edndio brasileiro. Temos que nos reportar ao passado do homem moderno para      verificar que v\u00e1rios tipos de arcos foram elaborados naqueles tempos. O que      caracteriza o arco primitivo \u00e9 a sua total aus\u00eancia de material sint\u00e9tico      ou moderno na sua elabora\u00e7\u00e3o. Podemos citar aqui o famoso &#8220;longbow&#8221;      ingl\u00eas; o &#8220;flatbow&#8221; do \u00edndio norte-americano; os famosos arcos recurvos      e compostos da \u00c1sia, Cor\u00e9ia, Turquia, e mesmo Egito, os quais eram compostos      de madeira, chifre de b\u00fafalo d&#8217;\u00e1gua e &#8220;sinew&#8221; (tend\u00e3o da pata de      veados, b\u00fafalos, etc.), famosos pela durabilidade e velocidade de seus tiros,      dando especial fama aos turcos. N\u00e3o poder\u00edamos esquecer aqui dos arcos japoneses,      os quais s\u00e3o feitos de bambu e tiras de outras madeiras em seu interior e      moldados em sua forma peculiar t\u00e3o atraente. <\/p>\n<p>Muito se poderia falar sobre a origem e elabora\u00e7\u00e3o de tais arcos at\u00e9 os dias      atuais, mas a finalidade prec\u00edpua de nosso artigo \u00e9 repassar a t\u00e9cnica do      fabrico do arco primitivo, em dois modelos a escolher. Este artigo vem tamb\u00e9m      resgatar a falta do assunto em nossa l\u00edngua portuguesa, j\u00e1 que existem in\u00fameras      p\u00e1ginas na Internet esgotando exaustivamente o assunto sobre o arco primitivo.    <\/p>\n<p>Pessoalmente confeccionei tr\u00eas arcos primitivos, de Ip\u00ea Roxo, especialmente      o similar ao flatbow do \u00edndio norte-americano, por me parecer mais atraente.      Fiz um simples e outro com sinew aplicado em suas costas, o qual aumentou      substancialmente a sua for\u00e7a. No entanto, havia feito um prot\u00f3tipo com sinew      o qual em vez de fortalecer o arco, o sinew roubou metade de sua for\u00e7a. A      conclus\u00e3o que cheguei foi que o sinew usado para o &#8216;&#8221;backing&#8221; (colagem      das fibras do tend\u00e3o nas costas do arco) foi de gado confinado. Como o gado      confinado n\u00e3o faz exerc\u00edcio nenhum, a n\u00e3o ser comer, \u00e9 claro que o tend\u00e3o      do animal ser\u00e1 fraco. Todos os tr\u00eas acabaram quebrando, em face de falhas      na sua elabora\u00e7\u00e3o. Mas enquanto estavam atirando deram-me enorme satisfa\u00e7\u00e3o      n\u00e3o s\u00f3 no prazer da sua elabora\u00e7\u00e3o, como no pr\u00f3prio uso em si. <\/p>\n<p>Desnecess\u00e1rio ser\u00e1 dizer aqui o enorme trabalho despendido para a confec\u00e7\u00e3o      dos arcos. No entanto, quando voc\u00ea tem o produto finalmente acabado e faz      o primeiro tiro com ele, algo mexe com voc\u00ea. Talvez toda a nossa heran\u00e7a ancestral      venha \u00e0 tona nesse instante, quando o potencial de tal instrumento foi descoberto      e as possibilidades de se conseguir, com mais facilidade, colocar o alimento      na mesa para a mulher e os filhos, sem arriscar tanto a vida para conseguir      encher a barriga faminta. <\/p>\n<p><strong>O LONGBOW <\/strong><\/p>\n<p>O <strong>longbow<\/strong> \u00e9 o arco que mais se aproxima do \u00edndio brasileiro      pela sua forma. Contudo, aqui iremos considerar o termo &#8220;longbow&#8221;      o arco com pontas retas fabricados pelos antigos arqueiros ingleses. Este      arco tem, em geral, mais ou menos 1,70 a 1,80 m de comprimento, cujas extremidades      s\u00e3o finas, embora mais &#8220;gordas&#8221; do ponto de vista do arco flatbow.      Em suma o arco \u00e9 ligeiramente menor do que o arqueiro e sem qualquer curvatura      dr\u00e1stica nas suas l\u00e2minas. Na realidade, o que caracteriza o termo &#8220;longbow&#8221;      \u00e9 a sua apar\u00eancia e n\u00e3o os materiais com que ele foi fabricado. O arco em      causa pode ser constru\u00eddo inteiramente de madeira e coberto de materiais tais      como couro cru, ou sinew (tend\u00e3o) ou ele pode ser feito de lamina\u00e7\u00f5es de madeira,      fibra de vidro ou qualquer outra fibra sint\u00e9tica. <\/p>\n<p><strong>O FLATBOW <\/strong><\/p>\n<p>O <strong>flatbow<\/strong> \u00e9 feito menor do que o longbow e quase sempre      com as l\u00e2minas mais largas. Para entender o princ\u00edpio b\u00e1sico da madeira no      flatbow temos ver o arco atrav\u00e9s de um corte transversal. Quando fazemos um      corte transversal no arco verificamos que a sua espessura medindo das suas      costas ao seu ventre. <\/p>\n<p><strong>A pergunta \u00e9: <\/strong>de que lado \u00e9 a costa do arco e de que lado      \u00e9 a seu ventre? Bem, se voc\u00ea segurar o arco em posi\u00e7\u00e3o de tiro, com o bra\u00e7o      esticado \u00e0 sua frente, o ventre do arco estar\u00e1 voltado para a sua face e as      costas, \u00e9 claro, o lado oposto. Quando voc\u00ea puxa a corda de um arco em posi\u00e7\u00e3o      de tiro, a costa do arco \u00e9 esticada e o ventre \u00e9 comprimido. Quanto maior      \u00e9 a espessura do arco, maior \u00e9 a for\u00e7a de quebra imposta ao ventre. Muito      se pode fazer para minimizar a for\u00e7a de quebra na costa de um arco, atrav\u00e9s      de fibra de sinew, couro cru, etc., mas pouco se pode fazer em rela\u00e7\u00e3o ao      ventre do arco. Um bom bowyer (fabricante de arco) n\u00e3o ousaria em fazer um      arco de madeira com uma se\u00e7\u00e3o transversal muito grossa. Em arquearia isto      \u00e9 chamada de &#8220;stacking&#8221;, ou seja, empilhamento dos an\u00e9is de crescimento      da madeira no bra\u00e7os do arco. Os antigos longbows ingleses eram conhecidos      pelo seu elevado desenho de &#8220;stacking&#8221;. <\/p>\n<p>Por outro lado, um arco cuja se\u00e7\u00e3o transversal \u00e9 relativamente fina das costas      ao ventre pode dobrar-se substancialmente sem quebrar-se. \u00c9 o caso do flatbow.    <\/p>\n<p><strong>Exemplo:<\/strong> voc\u00ea pode dobrar substancialmente uma r\u00e9gua de      madeira, mas nem de longe poder\u00e1 dobrar um palito de dentes por causa da sua      forma arredondada. <\/p>\n<p>Ele dobrar\u00e1 somente um pouco antes de quebrar-se. O lend\u00e1rio Jay Massey,      famoso bowyer primitivista do Alaska, em seu livro The Bowyer&#8217;s Craft, menciona      que o dilema do arqueiro que se aventura em fazer uma arco de madeira \u00e9 fazer      um arco grosso, o qual \u00e9 dif\u00edcil de puxar e se puxado, poder\u00e1, talvez, quebrar      ou fazer um arco fino, que poder\u00e1 n\u00e3o ter for\u00e7a nenhuma. E, como o pr\u00f3prio      Jay recomenda, &#8220;&#8230;s\u00e3o limites dentro dos quais voc\u00ea ter\u00e1 que trabalhar&#8221;.    <\/p>\n<p><strong>E \u00e9 justamente assim que o flatbow \u00e9 feito:<\/strong> nem t\u00e3o grosso,      nem t\u00e3o fino \u0096 por\u00e9m com suas l\u00e2minas mais largas. A largura das l\u00e2minas      \u00e9 que o faz forte. <\/p>\n<p>Contudo n\u00e3o v\u00e1 fazer um arco com l\u00e2minas t\u00e3o largas que possa parecer mais      asas de um avi\u00e3o do que um arco! Voc\u00ea n\u00e3o poder\u00e1 verg\u00e1-lo. <\/p>\n<p><strong>A MADEIRA <\/strong><\/p>\n<p><strong>Os arcos primitivos europeus e norte-americanos eram e s\u00e3o ainda      confeccionados por duas esp\u00e9cies principais de madeiras obtidas das seguintes      \u00e1rvores:<\/strong> o Yew e a Osage Orange. At\u00e9 o Sassafr\u00e1s \u00e9 usado para se      fazer arcos. O Yew \u00e9 o preferido para os longbows e o Osage Orange para os      flatbows. <\/p>\n<p>Como s\u00e3o \u00e1rvores n\u00e3o cultivadas no Brasil, recomendamos tr\u00eas madeiras relativamente      f\u00e1ceis de se obter. A primeira \u00e9 o Ip\u00ea Roxo, a segunda o Pau Brasil e a terceira      \u00e9 a Aroeira (Gon\u00e7alo Alves). Esta \u00faltima me foi recomendada pessoalmente,      juntamente com o Ip\u00ea, por Mike R. Rigazio (drawknif@TheRamp.net), bowyer norte-americano.    <\/p>\n<p>O Pau Brasil \u00e9 o preferido pelos fabricantes de arco de violinos, pela sua      flexibilidade e beleza. O programa Globo Rural, da Rede Globo de Televis\u00e3o      realizou uma reportagem excelente sobre esta \u00e1rvore maravilhosa que deu origem      ao nome do nosso Pa\u00eds. <\/p>\n<p><strong>Em determinada parte da reportagem o locutor mostrou uma das utiliza\u00e7\u00f5es      do Pau Brasil pelos nossos \u00edndios:<\/strong> o arco. Foi uma pena n\u00e3o ter discorrido      mais sobre esta utiliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O Ip\u00ea Roxo \u00e9, para mim, a madeira de primeira escolha, tendo em vista ser      mais f\u00e1cil de encontrar e, sobretudo, de se trabalhar. Os \u00edndios brasileiros      utilizam muito o Pati, que \u00e9 extra\u00edda da palmeira que leva o mesmo nome. Tamb\u00e9m      utilizam o Roxinho. Bem, por n\u00e3o ter experimentado qualquer madeira extra\u00edda      da palmeira Pati, n\u00e3o poderia sugeri-la na confec\u00e7\u00e3o dos arcos deste artigo,      pela simples raz\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o do seu desempenho, que \u00e9 diferente de madeira      para madeira. Um arco confeccionado com Ip\u00ea Roxo pode ser mais forte do que      o Pati ou o Pau Brasil, ou vice-versa. At\u00e9 mesmo arcos da mesma madeira, com      as mesmas medidas, podem variar de pot\u00eancia. No entanto, caso queira experimentar,      conte-me depois como foi. <\/p>\n<p>O arco \u00e9 nada mais nada menos do que uma mola. Puxa-se a corda, o arco \u00e9      vergado. Solta-se a corda e o arco volta a posi\u00e7\u00e3o de repouso instantaneamente.      \u00c9 o princ\u00edpio da mola. Quando se faz um corte transversal em um tronco de      \u00e1rvore pode-se ver seus an\u00e9is de crescimento. Esses an\u00e9is s\u00e3o formados anualmente      e \u00e9 utilizado para se verificar a idade prov\u00e1vel da \u00e1rvore. Esses an\u00e9is s\u00e3o      mais salientes quando a \u00e1rvore sofre a a\u00e7\u00e3o dos ventos frios do inverno. Quanto      mais an\u00e9is tiver uma \u00e1rvore, mais idosa ela ser\u00e1. Quando os an\u00e9is de crescimento      crescem mais perto uns dos outros, em algumas \u00e1rvores, melhor o seu efeito      &#8220;mola&#8221;. <\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Osage Orange dos Estados Unidos. O Pau Brasil tem esta caracter\u00edstica      tamb\u00e9m. N\u00e3o t\u00e3o saliente quanto o Osage Orange, mais \u00e9 f\u00e1cil de se ver no      corte transversal. O Ip\u00ea Roxo n\u00e3o tem esta caracter\u00edstica mais saliente, mas      pode-se verificar tamb\u00e9m. Quando nos deparamos com uma \u00e1rvore adulta, devemos      ter um sentimento de respeito por aquela esp\u00e9cie vegetal. Ela poder\u00e1 ser muito      mais velha do que voc\u00ea. As vezes passo pela avenida Araguaia que passa entre      o Parque Mutirama e o Parque Botafogo, no setor central de Goi\u00e2nia, em Goi\u00e1s,      e ergo meus olhos para aquelas \u00e1rvores centen\u00e1rias que j\u00e1 estavam ali muito      antes da funda\u00e7\u00e3o da cidade, penso comigo mesmo por quanto tempo mais elas      ir\u00e3o resistir \u00e0 polui\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos que trafegam por aquela avenida e quantas      ir\u00e3o resistir a depreda\u00e7\u00e3o pela m\u00e3o do homem. <\/p>\n<p>Outro aspecto a ser levado em considera\u00e7\u00e3o na madeira a ser utilizada para      a confec\u00e7\u00e3o do arco \u00e9 o seu fator de umidade. N\u00e3o se pode fazer um arco de      madeira verde, por raz\u00f5es \u00f3bvias. Por outro lado n\u00e3o se pode fazer um arco      de madeira muito seca, pois ir\u00e1 quebrar na primeira puxada da corda, n\u00e3o importa      qu\u00e3o bem foi confeccionado. A compra de um aparelho para se medir a umidade      da madeira ser\u00e1 um bom investimento, principalmente se voc\u00ea optar por ser      um bowyer profissional (e porque n\u00e3o? Fred Bear, um dos pioneiros americanos      fabricantes de arco come\u00e7ou fabricando arcos para si e para os amigos!). Caso      n\u00e3o possa adquirir esse aparelho, a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os. Uma madeira est\u00e1      pronta para ser trabalhada se estiver seca e aquecida ao toque das m\u00e3os e      impr\u00f3pria para o trabalho se apresentar fria e \u00famida ao toque. Somente a pr\u00e1tica      lhe far\u00e1 h\u00e1bil em identificar a madeira que estiver no ponto para ser trabalhada.      Por outro lado, se tiver o aparelho para medir a umidade da madeira, esta      dever\u00e1 estar entre 8 e 13% de umidade para poder ser trabalhada. Outra solu\u00e7\u00e3o      ser\u00e1 conseguir madeira nova e estoc\u00e1-la pelo per\u00edodo de dois anos ou mais.      Neste caso, voc\u00ea a corta em pequenas toras cortadas ao meio, sentido transversal,      semelhante ao aspecto de se rachar lenha, s\u00f3 que ser\u00e1 uma lenha maior, um      pouco maior do que o arco que deseja construir, tire sua casca e sele com      algum material vedante, tal como uma seladora, cola de sapateiro ou parafina,      os lados extremos da madeira. Isto evitar\u00e1 que rache, secando lentamente e      por igual. O ambiente de secagem dever\u00e1 ser bem ventilado e a madeira n\u00e3o      dever\u00e1 se expor ao sol diretamente. <\/p>\n<p>Outra forma de se obter uma madeira seca para se trabalhar \u00e9 construir uma      caixa de secagem, com l\u00e2mpadas para aquecimento, a qual ir\u00e1 secar rapidamente      a madeira, por\u00e9m a qualidade da madeira a ser trabalhada ser\u00e1 um pouco inferior,      segundo dizem os melhores bowyers. <\/p>\n<p>Partindo do pressuposto que voc\u00ea disp\u00f5e de uma madeira j\u00e1 seca para ser trabalhada,      deve observar os an\u00e9is de crescimento, os quais ser\u00e3o as costas do arco, que      ficar\u00e1 do lado oposto ao arqueiro quando estiver atirando. A parte externa      da madeira, respons\u00e1vel pela condu\u00e7\u00e3o da seiva da madeira n\u00e3o ser\u00e1 utilizada      por ser muito fraca. Ent\u00e3o voc\u00ea deve voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para a parte mais      interna da madeira, ou seja pr\u00f3xima ao cerne, de cor escura. <\/p>\n<p>Mike R. Rigazio recomenda que, em se tratando de madeira dura, deve-se retirar      a parte externa do tronco que est\u00e1 diretamente abaixo da casca, mais clara      e voltar-se para a parte logo abaixo, que \u00e9 mais escura, perto do cerne. Se      a madeira usada for branca, ou clara, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de se excluir tal      parte. <\/p>\n<p>Todo cuidado para com a madeira ao confeccionar o arco \u00e9 pouco. Voc\u00ea pode      danificar, desbastar errado e enfraquecer o arco. Os &#8220;n\u00f3s&#8221; que aparecem      na madeira tamb\u00e9m \u00e9 um ponto cr\u00edtico para o arco. Se o n\u00f3 da madeira ficar      na extremidade lateral da superf\u00edcie do arco, ou seja, na beirada, com certeza      o arco quebrar\u00e1. No entanto se o n\u00f3 ficar no meio da l\u00e2mina, mesmo a parte      central do n\u00f3 saindo e deixando um buraco, tem solu\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem que usar      uma furadeira e tirar fora o n\u00f3. Se o n\u00f3 da madeira for maior do que o di\u00e2metro      de um giz de escola, esque\u00e7a. N\u00e3o use a madeira. No entanto se for do di\u00e2metro      de um giz de escola ou menos, retire o n\u00f3 com a furadeira e, a seguir, confeccione      um &#8220;Dutchman plug&#8221;, ou seja um peda\u00e7o da mesma madeira, nas mesmas      dimens\u00f5es, com o anel de crescimento voltado para o lado longitudinal \u00e0 l\u00e2mina      do arco, que \u00e9 o lado mais forte do &#8220;Dutchman plug&#8221; e cole-o no      lugar com uma boa cola de madeira ou de couro. <\/p>\n<p>Embora haja caso de arcos com um buraco no lugar do n\u00f3 que tenham tido vida      longa, com o tempo, se n\u00e3o fizer este reparo, ir\u00e1 levantar pequenas lascas      de madeira em volta que logo ir\u00e1 danificar o arco. Os turcos tiravam fora      o n\u00f3 e colocavam no lugar uma pequena bucha de sinew (tend\u00e3o de animal) colada      com cola de couro. Os turcos ficaram famosos pelos arcos compostos (madeira,      sinew, cifre de b\u00fafalo d&#8217;\u00e1gua) pequenos e potentes de at\u00e9 110 libras de for\u00e7a,      que lan\u00e7avam flechas especiais at\u00e9 800 metros! <\/p>\n<p><strong>COMO FAZER <\/strong><\/p>\n<p>O material que ir\u00e1 utilizar para confeccionar o arco ser\u00e1 uma morsa grande      (n\u00ba4), guarnecida com um peda\u00e7o de tapete liso (desses que se usa para forrar      a carroceria de camionetas) de borracha ou um bom peda\u00e7o de couro para n\u00e3o      estragar a madeira ao prend\u00ea-la na morsa, fita m\u00e9trica, uma r\u00e9gua de metal,      paqu\u00edmetro (para as medidas de espessura), l\u00e1pis de marceneiro ou uma boa      caneta ponta porosa, uma machadinha bem afiada para desbastar a madeira, uma      raspadeira, uma raspilha e lixas. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode prender a madeira em um      banco comprido e sem encosto, com dois grampos de rosca chamado &#8220;sargento&#8221;      e trabalhar em cima da madeira com uma enx\u00f3. Uma grosa e uma lima redonda      tamb\u00e9m ser\u00e1 de boa valia. <\/p>\n<p><strong>Nos Estados Unidos os bowyers usam uma ferramenta muito rara por      aqui mas que \u00e9 de extrema valia:<\/strong> a &#8220;drawknife&#8221;. Consiste      em uma l\u00e2mina de a\u00e7o, com um \u00fanico fio, bem afiada, com dois cabos nas extremidades.    <\/p>\n<p>Pode-se fazer uma de forma caseira, aproveitando a folha de uma lima de 20      a 30 cm. Para fazer o fio e o lugar de se colocar o segundo cabo ser\u00e1 necess\u00e1rio      destemper\u00e1-la e depois temper\u00e1-la novamente. \u00c9 um trabalho exaustivo, por\u00e9m      de extrema valia para quem estiver disposto e quiser ser um verdadeiro bowyer.      Acho mais simples importar uma. J\u00e1 vem afiada e pronta para uso. Muito provavelmente      poder\u00e1 ser achada em lojas especializadas em ferramentas importadas de marcenaria,      em S\u00e3o Paulo &#8211; SP. <\/p>\n<p>Primeiramente voc\u00ea dever\u00e1 trabalhar as costas do arco (a parte oposta \u00e0 face      do arqueiro quando est\u00e1 atirando). <\/p>\n<p><strong>Lembre-se de duas coisas de extrema import\u00e2ncia:<\/strong> <\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>1)<\/strong> as fibras da madeira dever\u00e3o estar no sentido longitudinal        para que o arco tenha for\u00e7a e n\u00e3o se quebre facilmente. <br \/>\n<strong>2) <\/strong>os an\u00e9is de crescimento da madeira dever\u00e3o estar como        originalmente na madeira: uma sobre a outra (efeito mola). Portanto n\u00e3o        fa\u00e7a cortes transversais na pe\u00e7a escolhida para o arco. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Caso n\u00e3o tenha uma pe\u00e7a em bom tamanho para se fazer um arco, voc\u00ea poder\u00e1      improvisar, com sucesso, o que se chama de jun\u00e7\u00e3o em &#8220;cauda de peixe&#8221;,      o que \u00e9 nada mais nada menos do que a jun\u00e7\u00e3o de duas pe\u00e7as de madeira em recorte      pr\u00f3prio semelhante \u00e0 cauda de peixe, colando-as fortemente e, para refor\u00e7o,      introduzindo um pinho de metal na parte central da jun\u00e7\u00e3o. Esta jun\u00e7\u00e3o tem      dois cortes pr\u00f3prios, os quais dever\u00e3o ser efetuadas, para melhor feitio,      j\u00e1 que ser\u00e3o encaixadas entre si, em uma serra de fita. Ap\u00f3s a colagem das      pe\u00e7as de madeira uma na outra, d\u00e1-se prosseguimento ao desbaste da pe\u00e7a para      se chegar \u00e0 forma do arco. O punho dever\u00e1 estar situado justamente na jun\u00e7\u00e3o      das pe\u00e7as, e o pino de metal (o qual poder\u00e1 ser um prego destitu\u00eddo da cabe\u00e7a      e da ponta) colocado com cola somente ap\u00f3s o desbaste para se chegar ao punho.    <\/p>\n<p>Ap\u00f3s tirar a parte abaixo da casca da madeira, voc\u00ea dever\u00e1 chegar a uma forma      bem aplainada da madeira. <\/p>\n<p>O passo seguinte ser\u00e1, com um l\u00e1pis de marceneiro ou uma boa caneta ponta      porosa, marcar as medidas do arco nas costas da madeira, primeiramente tra\u00e7ando      uma linha longitudinal central. Depois marque o centro do arco no sentido      transversal e, ap\u00f3s, as medidas de desbaste at\u00e9 a ponta das l\u00e2minas onde ser\u00e1      feito o &#8220;nock&#8221; (parte onde \u00e9 encaixada a corda do arco). Com as      medidas postas nesta parte da pe\u00e7a de madeira, estar\u00e1 ent\u00e3o desenhado o arco      em si, pois unindo as medidas chega-se ao desenho do arco na pe\u00e7a. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s efetuar as marcas da medida, dever\u00e1 virar a madeira e trabalhar o ventre      do que ser\u00e1 o futuro arco. Marque o centro do futuro arco e comece a desbastar      a partir da\u00ed, uma metade de cada vez. Quando tiver chegado pr\u00f3ximo a parte      mais grossa do futuro arco \u00e9 hora de fazer as marcas das medidas de espessura.    <\/p>\n<p>Tire a madeira do suporte de sargentos ou da morsa e, aproveitando as marcas      feitas nas costas do futuro arco, marque as medidas de largura e espessura.      A partir da\u00ed, trabalhando o ventre e os lados do futuro arco, \u00e9 melhor usar      um paqu\u00edmetro, sempre auferindo as medidas para dar o caimento perfeito e      simult\u00e2neo de cada medida. O trabalho \u00e9 maior quando se faz o desbaste com      o punho do arco na pr\u00f3pria madeira (\u00e9 a parte mais espessa do arco). Se o      punho for colado ap\u00f3s, o trabalho de desbaste \u00e9 mais r\u00e1pido. Contudo, como      o punho colado \u00e9 algo mais complicado, fixaremos nossa aten\u00e7\u00e3o no punho esculpido      no pr\u00f3prio arco. <\/p>\n<p>Quando o desbaste est\u00e1 muito pr\u00f3ximo das medidas de finaliza\u00e7\u00e3o e a madeira      j\u00e1 apresentar uma forma tosca do futuro arco, \u00e9 hora de mudar para uma raspadeira      de metal ou vidro e ir, com paci\u00eancia, fazendo os desbastes at\u00e9 chegar a forma      final do arco. \u00c9 um trabalho muito especial e paciente, pois qualquer erro      nas medidas poder\u00e1 enfraquecer ou arruinar o arco. <\/p>\n<p>Com a forma tosca do arco, \u00e9 hora de se fazer um nock (lugar onde encaixa      as cordas) provis\u00f3rio e, com uma corda de nylon, em tamanho maior do que o      arco, fazer uma amarra simples nas extremidades do arco e, segurando no punho      do arco, puxe levemente a corda e verifique se ambas as l\u00e2minas est\u00e3o se curvando      por igual. <\/p>\n<p>Caso tenha disponibilidade ou tenha inten\u00e7\u00e3o de se tornar um bowyer, pode      utilizar um \u00f3timo m\u00e9todo para auferir a curvatura das l\u00e2minas. Embora simples,      requer um certo trabalho. Se tiver uma garagem, ou mesmo um c\u00f4modo onde voc\u00ea      trabalha sua oficina de hobby, e dispor de um poste de madeira ou uma pilastra,      ou mesmo a pr\u00f3pria parede do lugar, parafuse nela uma l\u00e2mina de compensado      de 1,90 m de largura por 1 m de altura e cole cartolina em toda a sua extens\u00e3o.      A seguir, risque um quadriculado de em toda a sua extens\u00e3o. Este quadriculado      poder\u00e1 ficar a seu crit\u00e9rio, dependendo do mais fiel poss\u00edvel ir\u00e1 querer averiguar      a curvatura das l\u00e2minas. Eu creio que ret\u00e2ngulos de 8&#215;4 cm \u00e9 mais do que suficiente      para o servi\u00e7o. A seguir procure o centro exato do painel e parafuse ali,      com dois parafusos tipo n\u00ba 8 de rosca soberba, um suporte no formato de um      tri\u00e2ngulo com a parte superior abaulada para assentar o punho do arco, na      2\u00aa linha do in\u00edcio superior do quadriculado. Ap\u00f3s, umas duas linhas do quadriculado,      contando debaixo para cima, na parte central do painel, alinhado com o suporte      para o arco, fixe uma pequena roldana. Lembre-se de que a fixa\u00e7\u00e3o destes dispositivos      dever\u00e1 ser bem feito para n\u00e3o danificar o painel e, \u00e9 claro, n\u00e3o acontecer      nenhum acidente, como a roldana se soltar pela a\u00e7\u00e3o da corda e vier atingir      seu rosto e, pior ainda &#8211; seus olhos. <\/p>\n<p>Com o painel pronto, ponha o arco no suporte, amarre uma corda de nylon na      corda do arco e passe a extremidade da corda pela roldana. A seguir v\u00e1 puxando      levemente e verificando a curvatura das l\u00e2minas. Se uma das l\u00e2minas do arco      n\u00e3o est\u00e1 curvando igual a outra, ou seja, uma estiver curvando mais do que      a outra, \u00e9 sinal de que a que estiver curvando menos dever\u00e1 ser mais desbastada      at\u00e9 curvarem por igual. Se isto acontecer desbaste at\u00e9 conseguir uma simetria      aceit\u00e1vel. <\/p>\n<p>Caso n\u00e3o use o painel auferidor de l\u00e2minas, o recurso \u00e9 o mencionado anteriormente,      usando as m\u00e3os para vergar levemente as l\u00e2minas com a m\u00e3o e os olhos para      discernir a simetria de curvatura. <\/p>\n<p>Com as l\u00e2minas curvando por igual, \u00e9 hora de se fazer o acabamento com uma      raspadeira de metal ou vidro, e ap\u00f3s, passando a usar uma boa lixa para finalizar.    <\/p>\n<p>Ap\u00f3s este trabalho voc\u00ea j\u00e1 tem em m\u00e3os o que se pode chamar de um arco semi-acabado.      \u00c9 hora de se colocar a corda no arco e verificar os pontos que precisam ser      mais desbastados. Ap\u00f3s este procedimento, se o arco j\u00e1 estiver bem desbastado,      dobrando as l\u00e2minas, por igual, parte-se para o trabalho de lixa. <\/p>\n<p>Comece com uma lixa de madeira grossa e finalize com uma de granula\u00e7\u00e3o fina,      a mais fina que puder encontrar. Nesta fase de acabamento o arco come\u00e7a a      apresentar-se atraente e a vontade que temos \u00e9 a de darmos uns tiros com ele.      Calma. V\u00e1 devagar. Contenha a sua vontade de puxar a corda do arco at\u00e9 o queixo      completamente, principalmente se voc\u00ea tem bra\u00e7os compridos. Lembre-se que      o padr\u00e3o internacional de puxada para arcos simples \u00e9 de 28 polegadas. <\/p>\n<p>Outra coisa de que dever\u00e1 se lembrar tamb\u00e9m que um arco sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o      nas suas costas \u00e9 um arco 80% quebrado. Assim sendo, a coisa mais sensata      a fazer \u00e9 fazer uma aplica\u00e7\u00e3o de couro cru ou sinew (fibra de tend\u00f5es) nas      costas do arco. Isto manter\u00e1 as fibras da madeira fixas na madeira enquanto      \u00e9 submetido ao &#8220;esticamento&#8221; pela puxada de tiro. Dos m\u00e9todos citados,      o que mais dar\u00e1 seguran\u00e7a ao seu arco \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de fibras de sinew. O      couro cru \u00e9 bom mas n\u00e3o t\u00e3o bom quanto o sinew. <\/p>\n<p><strong>APLICA\u00c7\u00c3O DE SINEW <\/strong><\/p>\n<p>O <strong>sinew<\/strong>, s\u00e3o fibras derivadas dos tend\u00f5es de animais ativos.      Ativos porque se for extra\u00eddo de animais em confinamento, tipo gado confinado,      ser\u00e3o tend\u00f5es fracos e atuar\u00e3o de forma inversa no arco, enfraquecendo-o.      A fun\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de materiais nas costas do arco, como mencionamos anteriormente,      \u00e9 evitar o arco de quebrar, tendo em vista que o auxilia a manter as fibras      da madeira nas costas do arco &#8211; as quais est\u00e3o sob tens\u00e3o quando o arco est\u00e1      em posi\u00e7\u00e3o de tiro \u0096 evitando de se levantarem. Seria mais ou menos &#8220;um      arrepiar de fibras&#8221; tal qual os cabelos do bra\u00e7o quando se est\u00e1 com frio.    <\/p>\n<p>O lend\u00e1rio Saxton Pope escreveu que quebrou v\u00e1rios arcos at\u00e9 atender o conselho      do \u00faltimo \u00edndio selvagem americano, cujo nome era Ishi, de aplicar fibras      de sinew no arco. <\/p>\n<p><strong>Mas atente para isso:<\/strong> uma simples aplica\u00e7\u00e3o de sinew ou      couro cru ou mesmo couro comum nas costas do arco n\u00e3o ir\u00e1 garantir o arco      de quebrar se voc\u00ea n\u00e3o estiver seguindo as linhas longitudinais de crescimento      na sua pe\u00e7a de madeira ao construir seu arco! <\/p>\n<p>Os tend\u00f5es do sinew mais usados s\u00e3o os da pata traseira do animal. S\u00e3o maiores      do que as das patas dianteiras e rendem mais. A l\u00f3gica \u00e9 que o animal dispensa      mais energia atrav\u00e9s de suas patas traseiras ao deslocar-se, em corrida, por      exemplo, todo o seu corpo para frente. O ideal seria usar tend\u00f5es de animais      silvestres tais como o Veado. Como a ca\u00e7a no Brasil est\u00e1 proibida, o recurso      ser\u00e1 apelar para sinew de gado. O tend\u00e3o de b\u00fafalo ser\u00e1 \u00f3timo. O tend\u00e3o que      procuramos est\u00e1 localizado na parte traseira da pata do animal, logo acima      do casco. Sua cor \u00e9 branca. N\u00e3o use quaisquer outros tend\u00f5es brancos ou amarelados      do pesco\u00e7o ou outro local em que encontre tend\u00e3o. Use somente o indicado ou      o resultado do trabalho lhe deixar\u00e1 frustado. <\/p>\n<p>De posse dos tend\u00f5es, limpe o mesmo de quaisquer resqu\u00edcios de carne ou gordura,      os quais podem arruinar os tend\u00f5es, deteriorando-os. Ap\u00f3s esta limpeza, coloque      para secar durante algumas semanas. Depois de secos ter\u00e3o uma consist\u00eancia      dura e uma apar\u00eancia de \u00e2mbar transparente, os quais dever\u00e3o ser processados      da seguinte forma para se obter as fibras. Com uma pedra de forma achatada      e um martelo de madeira, bata em cada tend\u00e3o at\u00e9 ele se desmembrar em filamentos.      O martelo de madeira \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para bater o tend\u00e3o, tendo em vista      que n\u00e3o ir\u00e1 estragar os filamentos. Ap\u00f3s malhar os tend\u00f5es, quaisquer sobras      de tecido muscular ou gordura ficar\u00e3o \u00e0 parte dos filamentos que ter\u00e3o a cor      esbranqui\u00e7ada. <\/p>\n<p>O passo seguinte ser\u00e1 obter a cola para a aplica\u00e7\u00e3o do sinew. A cola que      se deve usar \u00e9 a cola obtida do couro. N\u00e3o compre cola de couro pronta, mesmo      porque \u00e9 dific\u00edlima de se encontrar. Mas isto n\u00e3o \u00e9 problema. Voc\u00ea poder\u00e1      obt\u00ea-la, fervendo em \u00e1gua peda\u00e7os de couro de gado abatido e alguns tend\u00f5es      juntos. Poder\u00e1 usar cabe\u00e7as e caudas de peixe tamb\u00e9m. Demorar\u00e1 um pouco para      se chegar ao resultado, j\u00e1 que \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 consumir certo tempo,      mas compensa. A grossa gel\u00e9ia que sobrar no fundo da panela \u00e9 cola de couro.    <\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o do sinew n\u00e3o dever\u00e1 ser algo imediato \u00e0 confec\u00e7\u00e3o da cola de      couro. Deixe a cola secar e descansar na geladeira uns tr\u00eas dias antes de      process\u00e1-la para aplica\u00e7\u00e3o. Enquanto isto verifique se o arco est\u00e1 curvando      simetricamente, fa\u00e7a os devidos desbastes nos pontos que precisarem de ajuste.      Use sempre uma corda mais longa do que o que ir\u00e1 usar no arco quando pronto,      lembrando sempre de n\u00e3o puxar muito a corda, sen\u00e3o todo o trabalho estar\u00e1      arruinado. <\/p>\n<p>Quando tudo estiver pronto, coloque o arco em uma morsa forrada com um couro      grosso ou borracha (a borracha costuma deixar a madeira do arco manchada;      d\u00ea prefer\u00eancia ao couro grosso) com as costas voltadas para cima. Passe um      pano embebido em acetona para tirar quaisquer resqu\u00edcios de gordura. <\/p>\n<p>Misture as granula\u00e7\u00f5es de cola de couro em uma panela ou marmita velha que      tiver em casa com \u00e1gua quente e espere reconstituir a consist\u00eancia de uma      sopa m\u00e9dia, nem t\u00e3o grossa, nem t\u00e3o fina. Aque\u00e7a a cola de couro de forma      que voc\u00ea possa peg\u00e1-la confortavelmente com os dedos, o que dever\u00e1 ser uma      temperatura em torno de 48 a 54 graus cent\u00edgrados. Aten\u00e7\u00e3o! Se a cola estiver      quente demais ir\u00e1 cozinhar o sinew tornando em uma consist\u00eancia emborrachada      e ficar\u00e1 impr\u00f3pria para o uso! <\/p>\n<p>Aplique, a seguir uma camada bem liberal de cola nas costas do arco. Se puder      conseguir algum amigo para ajud\u00e1-lo nesta tarefa, ser\u00e1 muito bom, pois \u00e9 um      servi\u00e7o em que ir\u00e1 molhar ambas as m\u00e3os com a cola. <\/p>\n<p>Pegue um dos sinews desfibrados e coloque-o na cola de couro quente, mexendo-os      na cola alguns segundos at\u00e9 que fiquem de consist\u00eancia macia. Tire o sinew      da panela e, com os dedos, retire o excesso de cola. Aplique ent\u00e3o sobre o      arco partindo do centro do mesmo, na altura do punho, para as pontas. Tome      o cuidado especial de aplicar o sinew em camada grossa, mas espalhe-o bem      em camada fina sobre as costas do arco. As rebarbas poder\u00e3o ser lixadas ap\u00f3s      a secagem do sinew. Ao chegar nas pontas, envolva as pontas com um pouco de      sinew para fix\u00e1-lo bem e evitar que descole, em caso de alguma falha nessa      \u00e1rea. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s aplicada a primeira camada de sinew, pincele outra m\u00e3o de cola de couro      e, de imediato, passe a aplicar outra camada fina de sinew. Ap\u00f3s esta tarefa,      deixe o sinew aplicado descansar alguns minutos e ent\u00e3o envolva cuidadosamente      todo o arco com uma atadura. Este procedimento n\u00e3o necess\u00e1rio, contudo, faz      com que o sinew fique mais bem assentado e tenha uma melhor apar\u00eancia. <\/p>\n<p>Agora aguarde a cola de couro e o sinew secar completamente uma ou duas semanas      e aplique uma terceira camada de sinew. Se duas camadas de sinew \u00e9 o que voc\u00ea      quer ent\u00e3o aguarde o arco secar duas semanas inteiras em um local bem seco      e ventilado. <\/p>\n<p>Tendo secado o arco e o sinew por duas semanas, retire a bandagem. Se a bandagem      n\u00e3o quiser sair, lixe-a totalmente com uma lixa grossa e ponha uma corda mais      longa no arco para verificar se as l\u00e2minas est\u00e3o curvando simetricamente.      Se o arco n\u00e3o parece estar suficientemente forte, aplique outra camada de      sinew. Se estiver forte demais, retire mais madeira do ventre do arco (a parte      que fica voltada para sua face quando em posi\u00e7\u00e3o de tiro) com uma raspadeira.    <\/p>\n<p>Se o sinew estiver bem seco e as l\u00e2minas do arco estiverem curvando simetricamente,      voc\u00ea poder\u00e1 encordoar o arco e fazer, com seguran\u00e7a, o primeiro tiro. Ap\u00f3s      esta primeira s\u00e9rie de tiros o sinew sofrer\u00e1 uma certo assentamento e o arco      perder\u00e1 um pouco a sua for\u00e7a, mas n\u00e3o muito. <\/p>\n<p>Se voc\u00ea lixou o sinew nas costas do arco, voc\u00ea dever\u00e1 cobri-lo para evitar      que as fibras do sinew se levantem como cabelo arrepiado. Qualquer esp\u00e9cie      de couro fino servir\u00e1. Couro cru, couro de cobra ou mesmo de algumas esp\u00e9cies      de peixe poder\u00e1 ser aplicado. Contudo dever\u00e1 atentar para a quest\u00e3o de se      usar sempre cola de couro e esperar duas semanas para secar completamente      antes de atirar com o arco. O que se precisa deixar bem claro aqui \u00e9 que o      processo de elabora\u00e7\u00e3o do arco primitivo n\u00e3o \u00e9 algo assim industrial. \u00c9 primitivo      mesmo e como as coisas antigamente caminhavam de forma mais devagar do que      os dias hodiernos, demora certo tempo para submeter a nossa mente a um processo      lento de se fazer as coisas. <\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, eu, pessoalmente usaria o termo mais apropriado para deixar      um arco com sinew aplicado descansar:<\/strong> cura. O arco tem que curar      tal como um bom queijo.<\/p>\n<p><strong>TOQUE FINAL NO ARCO COM SINEW APLICADO <\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma parte de suma import\u00e2ncia para que o arco tenha maior durabilidade.      Como \u00e9 uma pe\u00e7a elaborada com materiais naturais e com aplica\u00e7\u00e3o de produtos      base de \u00e1gua, a umidade \u00e9 o seu maior inimigo. Os \u00edndios americanos tornavam      o arco resistente \u00e0 umidade esfregando v\u00e1rias dem\u00e3os de gordura de urso ou      outros tipos de gordura animal. Os europeus usavam o se chama de &#8220;French      polish&#8221;, que a combina\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de linha\u00e7a e goma-laca. Esta mistura      em igual parte de \u00f3leo de linha\u00e7a e goma-laca dever\u00e1 ser esfregada no arco      em mais ou menos uma d\u00fazia de vezes para se obter uma prote\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria.      Os mais modernos bowyers, apesar de arqueiros primitivos, d\u00e3o uma boa cobertura      de poliuretano. Especial cuidado dever\u00e1 ser dispensado aos nocks (lugar onde      encordoa-se o arco). <\/p>\n<p>Com o arco pronto talvez gostaria de dar um toque de classe no mesmo, cal\u00e7ando      o punho com couro. Uma vaqueta seria \u00f3timo. O couro poder\u00e1 ser colado ou,      de prefer\u00eancia, costurado, \u00e0 m\u00e3o, no punho do arco. Isto lhe dar\u00e1 uma maior      confian\u00e7a na empunhadura. A costura dever\u00e1 ser efetuada com duas agulhas e      linha de sapateiro grossa, semelhante as que usam para costurar bolas de futebol.    <\/p>\n<p><strong>APLICA\u00c7\u00c3O DE COURO CRU <\/strong><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o de couro cru segue um processo semelhante. Poderemos chamar de      couro cru para aplica\u00e7\u00e3o em arcos, n\u00e3o aquele couro de gado ou animal silvestre      seco. \u00c9 uma esp\u00e9cie de couro especial clarificado, meio transparente muito      usado para confeccionar maletas de couro de excelente qualidade. Temos informa\u00e7\u00f5es      de uso bem sucedido daqueles couros industrializados na forma daqueles ossos      grandes para cachorros fortalecerem seus dentes tentando ro\u00ea-los. <\/p>\n<p>O couro cru \u00e9 um material inerte. Inerte pois n\u00e3o ir\u00e1 adicionar, como o sinew,      for\u00e7a alguma ao arco. Poder\u00e1 at\u00e9 diminuir um pouco a for\u00e7a do arco. <\/p>\n<p><strong>A rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio da sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 somente uma:<\/strong>      ir\u00e1 manter as fibras da madeira no seu devido lugar evitando de quebrar o      arco, se, e somente se, voc\u00ea seguir o s\u00e1bio conselho de, ao desbastar a pe\u00e7a      de madeira para fazer o arco, seguir as linhas dos an\u00e9is de crescimento da      madeira. Se voc\u00ea cortou-a transversalmente ou em uma determinada parte do      arco voc\u00ea desviou de seguir esta recomenda\u00e7\u00e3o, o couro cru pouco ou nada poder\u00e1      fazer para salvar seu arco e voc\u00ea ficar\u00e1 frustado. <\/p>\n<p><strong>Portanto se voc\u00ea tem a inten\u00e7\u00e3o de fazer uma aplica\u00e7\u00e3o de couro cru      no seu arco \u0096 siga esta recomenda\u00e7\u00e3o e o mais importante:<\/strong> em      face da perda de for\u00e7a do mesmo, altere as medidas do arco para faz\u00ea-lo mais      forte. Se ficar mais forte do que voc\u00ea possa verg\u00e1-lo, \u00e9 s\u00f3 desbast\u00e1-lo no      ventre at\u00e9 chegar ao seu ponto ideal. <\/p>\n<p>Voc\u00ea precisar\u00e1 de duas tiras do couro cru cortadas um pouco mais largas do      que o seu arco e pelo menos a 50% maior do que cada l\u00e2mina. Mergulhe as tiras      em \u00e1gua morna por uma meia hora para que amole\u00e7am. Enquanto elas ficam de      molho, voc\u00ea pode ir preparando as costas de seu arco para receber a aplica\u00e7\u00e3o,      raspando e lixando com uma lixa grossa. <\/p>\n<p>Fixe ent\u00e3o o seu arco em uma morsa com a sua barriga para baixo e aplique      a cola de couro em toda extens\u00e3o de suas costas. N\u00e3o use epoxi. N\u00e3o funcionar\u00e1.    <\/p>\n<p>Use sempre cola de couro elaborada naturalmente. Aplique tamb\u00e9m uma dem\u00e3o      de cola nas tiras de couro. Fixe o couro nas costas do arco e aplique outra      dem\u00e3o de cola por cima e retire o excesso com os dedos. Semelhante \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o      com sinew, envolva o arco todo em uma bandagem larga para assentar perfeitamente      o couro nas costas do arco. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o bem lambuzada, mas necess\u00e1ria.      Os excessos de cola e couro poder\u00e3o ser lixadas depois. <\/p>\n<p><strong>Lembre-se: <\/strong>a cola de couro leva cerca de uma semana ou mais      para ficar completamente seca! <\/p>\n<p>A finaliza\u00e7\u00e3o do processo \u00e9 a mesma da aplica\u00e7\u00e3o do sinew. <\/p>\n<p><strong>A vantagem de se fazer um arco maior do que o normal \u00e9 a seguinte:<\/strong>      <strong>se o arco ficar muito fraco e n\u00e3o se puder desbastar muito o seu ventre,      voc\u00ea tem ainda uma \u00faltima alternativa<\/strong>: poder\u00e1 remover uns tr\u00eas ou      seis cent\u00edmetros das pontas. Com isto ele ficar\u00e1 mais forte. <\/p>\n<p>Outro ajuste importante que poder\u00e1 ser feito no arco \u00e9 a corre\u00e7\u00e3o da l\u00e2mina.      Se a l\u00e2mina do arco, quando o mesmo estiver encordoado, estiver virando para      um lado, deslocando a corda fora do eixo central do arco, retire um pouco      de madeira na lateral oposta. A l\u00e2mina do arco torcer\u00e1 para o lado mais fraco.      Fa\u00e7a isto com modera\u00e7\u00e3o at\u00e9 a corda voltar ao eixo central, um pouco de cada      vez e v\u00e1 checando at\u00e9 conseguir a corre\u00e7\u00e3o desejada. <\/p>\n<p><strong>A CORDA DO ARCO <\/strong><\/p>\n<p>Os antigos arqueiros ingleses e \u00edndios americanos usavam para elaborar a      corda de seus arcos o sinew torcido, couro cru, seda, e outros estranhos materiais,      at\u00e9 mesmo algumas ra\u00edzes fibrosas. O \u00edndio sul-americano tamb\u00e9m usa fibras      muito parecidas com o sisal. Hoje confeccionar uma corda para um arco primitivo      \u00e9 um trabalho extremamente cansativo (o pr\u00f3prio arco o \u00e9) e somente compensar\u00e1      palmilhar por esse caminho se voc\u00ea for extremamente fundamentalista, um purista.    <\/p>\n<p>Por outro lado \u00e9 bem mais simples optar para materiais mais modernos neste      caso, como o Dacron B50, um derivado do polyester. O material mais moderno      \u00e9 o Fast Flight. Contudo para arcos primitivos \u00e9 um aut\u00eantico destruidor de      nocks, quebrando as pontas dos arcos. <\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o seria o Kevlar. Contudo, o ideal \u00e9 voc\u00ea pedir a um amigo arqueiro      que possua um Jig (gabarito) para se confeccionar cordas para arco para, quando      aprender, voc\u00ea fazer sua pr\u00f3pria corda. Porque batemos nesta tecla? A raz\u00e3o      \u00e9 simples. Se confeccionamos um arco fraco, uma corda de poliester ser\u00e1 o      suficiente. Contudo em arcos de 35 libras de for\u00e7a em diante, este material      ser\u00e1 impr\u00f3prio para o uso, sendo esticada demais pela for\u00e7a do arco e ir\u00e1,      com certeza rebentar, e o encordoamento de arco com cordas mais grossas n\u00e3o      deixar\u00e1 voc\u00ea encaixar o nock da flecha. Portanto, nada melhor do que usarmos      uma corda confeccionada com material moderno.<\/p>\n<p>O arqueiro enche de ar os pulm\u00f5es, prende a respira\u00e7\u00e3o, olha o alvo com a      concentra\u00e7\u00e3o que o tiro requer e relaxa os dedos, liberando a flecha, que,      por sua vez, acerta o alvo com precis\u00e3o. Isto pode n\u00e3o acontecer se voc\u00ea,      um primitivista que convic\u00e7\u00e3o, ou por economia, n\u00e3o confeccionou a flecha      com carinho, de forma a ter o balan\u00e7o necess\u00e1rio para o v\u00f4o correto.<\/p>\n<p><strong>A MADEIRA <\/strong><\/p>\n<p><strong>Embora, nos dias atuais, os materiais usados para elabora\u00e7\u00e3o de flechas      estejam, de forma fant\u00e1stica, extremamente modernos, que v\u00e3o do alum\u00ednio aeron\u00e1utico      ao grafite e carbono, extremamente resistentes, sobremaneira dur\u00e1veis, iremos      nos ater ao mais simples e original elemento para a elabora\u00e7\u00e3o de nossas flechas:<\/strong>      a madeira. Isto porque o arco primitivo requer, em sua ess\u00eancia, uma flecha      que \u0093case\u0094 com sua caracter\u00edstica original. Arco de madeira \u0096      flecha de madeira. \u00c9 claro que voc\u00ea pode optar por atirar com flechas de material      moderno e a performance poder\u00e1 ser at\u00e9 melhor. Alguns tradicionalistas mais      iminentes atiram com flechas de alum\u00ednio e fazem muito bem (\u00f3timamente bem,      eu diria), como o famoso Bayron Ferguson. Mas, o elemento chave da quest\u00e3o      \u00e9 o prazer de voc\u00ea atirar uma flecha que voc\u00ea mesmo fez. E, se ela tiver uma      trajet\u00f3ria perfeita, conforme voc\u00ea espera que tenha, a satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 indescrit\u00edvel.<\/p>\n<p>No Brasil, temos v\u00e1rias madeiras pela qual voc\u00ea poder\u00e1 optar. Voc\u00ea poder\u00e1      iniciar com o Pinho de Riga, muito usado em cartelas de tecidos, e passar      pelo Cedro, Pau-Brasil (usado tamb\u00e9m na confec\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio arco) e a arom\u00e1tica      e bonita Cerejeira. Em minha experi\u00eancia, o pinho \u00e9 muito f\u00e1cil de trabalhar.      Para principiantes, \u00e9 o melhor. \u00c9 excelente para arcos de menor pot\u00eancia.      Contudo, n\u00e3o perdoa as m\u00e1s \u0093largadas\u0094 (quando voc\u00ea relaxa os dedos      para soltar a corda do arco, ao atirar). A mais tolerante e resistente, de      todas que experimentei, foi a Cerejeira. Muito cheirosa e de uma cor amarelada,      ela \u00e9 extremamente flex\u00edvel e a que mais tolerou minhas m\u00e1s largadas, quebrando      menos. <\/p>\n<p><strong>O PARADOXO<\/strong> <\/p>\n<p>Quando voc\u00ea puxa a corda do seu arco e mira o alvo, imagine uma linha que      se inicia na rabeira (nock) e vai at\u00e9 a ponta da flecha. Estendendo esta linha      imagin\u00e1ria at\u00e9 o alvo \u0096 ela passar\u00e1 \u00e0 esquerda do alvo. Veja bem, neste      caso voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um arqueiro canhoto. Se for, a linha imagin\u00e1ria passar\u00e1 \u00e0      direita do alvo. <\/p>\n<p>Arcos primitivos, principalmente o estilo longbow, n\u00e3o s\u00e3o arcos de tiro      centralizado como os arcos compostos modernos. Voc\u00ea passa a flecha ao lado      do arco e a flecha \u00e9 atirada lateralmente ao arco e n\u00e3o no centro do arco.    <\/p>\n<p><strong>\u00c9 o paradoxo: <\/strong>a flecha, ao ser atirada, come\u00e7a por ser apontada      fora da lateral do arco, flexiona como um peixe at\u00e9 sair do arco \u0096 e      voa reta em frente.<\/p>\n<p>Se a flecha n\u00e3o tiver esta flexibilidade, ela ir\u00e1 chocar-se contra a lateral      do arco e, em vez de cessar a flex\u00e3o, ela ir\u00e1 se flexionando para um lado      e para outro (ela vai para um lado, a pena tenta estabilizar e a flecha volta      para outro lado, e vice-versa) at\u00e9 o alvo, em tal impacto em forma lateral      que, ao penetrar no alvo, ir\u00e1 pender-se de tal forma para um lado e poder\u00e1      quebrar-se, em vez de apenas vibrar, tendo em vista a for\u00e7a cin\u00e9tica impetrado      pelo arco. Se n\u00e3o quebrar, ir\u00e1 ficar pendida de lado, em vez de ficar reta,      alinhada com o alvo.<\/p>\n<p><strong>AS VARETAS <\/strong><\/p>\n<p>Qualquer que seja a madeira escolhida, o importante \u00e9 voc\u00ea se certificar      se ela est\u00e1 bem seca (n\u00e3o muito seca, pois quebrar\u00e1 com facilidade), e cortada      seguindo as linhas de linhas de crescimento do tronco da madeira, como no      caso do corte para arco. Seguindo este processo, ser\u00e1 resistente e n\u00e3o emborcar\u00e1      t\u00e3o f\u00e1cil. Se a madeira estiver \u00famida, ela emborcar\u00e1 facilmente, arruinando      a flecha.<\/p>\n<p>Primeiramente, voc\u00ea precisa conhecer o tamanho das flechas que ir\u00e1 precisar.      De posse de seu arco, uma fita m\u00e9trica em polegadas (ou cent\u00edmetros), e um      amigo, segure o seu arco como se fosse atirar (n\u00e3o precisa encordoar o seu      arco), puxando a fict\u00edcia corta do arco at\u00e9 o seu queixo, ou at\u00e9 onde voc\u00ea      costuma puxar para atirar (varia de arqueiro para arqueiro) e pe\u00e7a ao amigo      para medir do punho no arco at\u00e9 os seus dedos no queixo. Adicione duas polegadas      para a ponta (ou os cent\u00edmetros correspondentes. Eu uso polegadas por pura      comodidade. \u00c9 o sistema m\u00e9trico usual no arqueirismo mundial).<\/p>\n<p>O di\u00e2metro da flecha vai depender da pot\u00eancia de seu arco. Se for um arco      muito forte, di\u00e2metro maior, \u00e9 a l\u00f3gica. Levando em conta que voc\u00ea \u00e9 iniciante      e, com certeza, o seu arco primitivo estar\u00e1 em uma pot\u00eancia entre 30 a 50      libras, o ideal \u00e9 usar uma flecha de di\u00e2metro de 5\/16 a 11\/32 polegadas. Isto      \u00e9, entre 7,93 mm a 8,73 mm de di\u00e2metro. Se usar pontas de alvo de a\u00e7o (field      points) prontas para uso, vendidas em lojas do ramo, ir\u00e3o servir, com um pouco      de adapta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Neste caso, o ideal \u00e9 saber qual o di\u00e2metro correto de suas flechas antes      compr\u00e1-las.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 voc\u00ea elaborar um Jig (gabarito). Veja bem, os termos em      ingl\u00eas s\u00e3o usados aqui para voc\u00ea ir se familiarizando com a linguagem mundial      do arco e flecha, j\u00e1 que n\u00f3s, brasileiros, estamos assimilando o know-how      milenar deles no esporte, e voc\u00ea, caso queira se enveredar pelo mundo da internet,      ir\u00e1 encontrar muita coisa &#8230;..na l\u00edngua inglesa!<\/p>\n<p>O Jig em quest\u00e3o aqui \u00e9 o de uso muito antigo, bem medieval. \u00c9 chamado, em      ingl\u00eas, de \u0093Shuting Board\u0094. Consiste em dois caibros de madeira      de cinco cent\u00edmetros de largura cada um, pelo tamanho da flecha que voc\u00ea ir\u00e1      confeccionar. Cada caibro sofrer\u00e1, em uma das extremidades, um chanfro, no      sentido longitudinal, em forma de cunha, os quais, quando ajuntados, com os      chanfros de maneira oposta entre si, ter\u00e3o uma profundidade de 6,5 cent\u00edmetros,      mais ou menos. Lan\u00e7a-se m\u00e3o de uma pequena placa de madeira cortada na forma      quadrada de 10x10x2 cent\u00edmetros e cola-se em uma das extremidades dos caibros.    <\/p>\n<p>Voc\u00ea poder\u00e1 parafusar, se quiser, n\u00e3o importa a forma de unir os caibros      e a placa de madeira. Olhando de cima, o Jig dever\u00e1 estar parecendo uma canaleta      em profundidade triangular, devido aos chanfros, com uma das extremidades      da canaleta livre e a outra tampada pela placa. A finalidade da placa \u00e9 frear      a vareta, em uma das extremidades, para aparelh\u00e1-la. <\/p>\n<p><strong>Para cilindrar uma vareta de 1,5&#215;1,5 de espessura &#8211; \u00e9 bastante simples:      <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>1)<\/strong> Ponha a vareta na canaleta<strong><br \/>\n       2) <\/strong>Aplaine uma quina da vareta com uma raspadeira (poder\u00e1 usar        at\u00e9 um caco de vidro, mas, cuidado! Lembre-se que se voc\u00ea cortar algum tend\u00e3o        dos dedos, pode dizer adeus ao arco e flecha!)<strong><br \/>\n       3)<\/strong> Vire ent\u00e3o a vareta um quarto de volta e aplaine a pr\u00f3xima quina<strong><br \/>\n       4)<\/strong> Fa\u00e7a isto novamente at\u00e9 ter 8 quinas na vareta<strong><br \/>\n       5)<\/strong> Idem at\u00e9 ter 16 quinas e assim por diante. <\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Fa\u00e7a uma averigua\u00e7\u00e3o do di\u00e2metro constantemente. Quando voc\u00ea tiver a vareta      o mais cil\u00edndrico poss\u00edvel, lixe bem a vareta. N\u00e3o se preocupe se a vareta      n\u00e3o ficou perfeitamente cil\u00edndrica. As imperfei\u00e7\u00f5es internas-esportes da madeira      afetam muito mais o v\u00f4o da flecha do que uma pequena \u00e1rea externa imperfeita.      Mas se voc\u00ea quiser uma vareta o mais pr\u00f3ximo do ideal, voc\u00ea tem mais um recurso.      Fa\u00e7a um segundo pequeno Jig que consiste em um furo, em uma pequena pe\u00e7a de      madeira de 8x3x2 cm, na medida do di\u00e2metro da flecha que voc\u00ea deseja (uma      broca de furadeira na medida certa, adquirida em uma loja pr\u00f3pria facilitar\u00e1      isto). <\/p>\n<p>A medida em que for lixando a vareta, passe a vareta pelo furo do Jig feito      e v\u00e1 checando as bordas. Onde a vareta n\u00e3o passar pelo furo, marque com um      l\u00e1pis e lixe at\u00e9 conseguir pass\u00e1-la pelo furo do Jig. Fa\u00e7a assim at\u00e9 a vareta      passar livremente pelo furo, sem impedimento e a vareta estar\u00e1 o mais pr\u00f3ximo      do ideal.<\/p>\n<p>Outro recurso para fazer varetas cil\u00edndricas de flechas \u00e9 bem mais moderno      e bem mais c\u00f4modo, mas muito mais caro. Consiste em voc\u00ea encomendar a um torneiro      mec\u00e2nico que fa\u00e7a um torno para cabides, mas com as facas apropriadas para      sua medida de di\u00e2metro de suas flechas. Adicione um bom motor el\u00e9trico e uma      bancada e pronto. Creio eu que um arqueiro primitivista ir\u00e1 pautar pela solu\u00e7\u00e3o      mais barata e recompensadora, embora mais trabalhosa.<\/p>\n<p><strong>RABEIRAS (NOCK\u0092S) <\/strong><\/p>\n<p>A rabeira (nock: atenha-se ao nome em ingl\u00eas, pois poderei us\u00e1-lo tanto um      como outro), \u00e9 o lugar onde a corda do arco assenta-se para transmitir \u00e0 flecha      a energia estocada pela \u0093mola\u0094 retesada de seus bra\u00e7os (bra\u00e7o: parte      superior e inferior de um arco, acima e abaixo do punho). Essa energia transmitida      pela corda \u00e9 que ir\u00e1 impelir a flecha. \u00c9 extremamente brusca nos arcos primitivos,      decrescendo sua for\u00e7a \u00e0 medida que a corda volta ao repouso. Nos arcos compostos      modernos, os quais usam roldanas para estocar a energia acumulada pelos bra\u00e7os      do arco, o sentido \u00e9 inverso devido ao let-off (let-off: \u00e9 a quebra brusca      de pot\u00eancia\/energia que as roldanas do arco composto concedem ao arco, diminuindo      a sua for\u00e7a em 50, 60, 65 e at\u00e9 mesmo 80% de sua pot\u00eancia total). Nesses arcos,      quando solta-se a corda, a pot\u00eancia do arco \u00e9 retomada de for\u00e7a brusca, por\u00e9m      aumentando sua velocidade gradativamente at\u00e9 o m\u00e1ximo, o que ocorre at\u00e9 finalmente      a corda encontrar-se em repouso. Assim, depreende-se que, com estes mecanismos,      se dois arcos de igual pot\u00eancia, um primitivo\/tradicional e um composto, o      arco composto lan\u00e7ar\u00e1 a flecha a uma velocidade maior, embora a pot\u00eancia seja      similar ao arco primitivo ou tradicional.<\/p>\n<p>Em face desta enorme energia transmitida \u00e0 flecha ser aplicada ao nock, este      necessita ser fortalecido, pois, do contr\u00e1rio, n\u00e3o resistir\u00e1. Se uma corda      cortar a flecha ao meio, pela sua desguarnecida rabeira, a energia que haveria      de ser transmitida \u00e0 flecha \u00e9 aplicada ao arco danificando-o, tendo a sua      corda partida, para dizer que este seria o m\u00ednimo dano prov\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 v\u00e1rias formas pelas quais se pode fortalecer o nock. No entanto,      antes de faz\u00ea-lo, como abrir o nock na vareta da flecha?<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Primeiro ponto:<\/strong> voc\u00ea precisa obedecer \u00e0s linhas de crescimento        da madeira. Isto \u00e9, lembre-se sempre de uma camada de molas uma sobre a        outra. S\u00e3o os an\u00e9is de crescimento da madeira. Cada anel, um ano de vida.        Por isto as madeiras com uma camada de linhas mais condensada umas \u00e0s outras        s\u00e3o mais fortes e resistem mais \u00e0 quebra, pois s\u00e3o mais flex\u00edveis.<strong><br \/>\n       Segundo ponto:<\/strong> se voc\u00ea cortou as varetas das flechas obedecendo        este crit\u00e9rio, como foi recomendado no princ\u00edpio, pegue uma vareta e escolha        o lado que ir\u00e1 ser a ponta e a rabeira. Escolhido o lado, observe as linhas        de crescimento da madeira. Elas dever\u00e3o parecer como v\u00e1rias camadas umas        \u00e0s outras, como especificado. Observando as camadas no sentido horizontal,        trace, com o l\u00e1pis, no sentido vertical contr\u00e1rio \u00e0s linhas, o lugar em        que ir\u00e1 abrir o nock.<strong><br \/>\n       Terceiro ponto:<\/strong> Com a linha para o nock marcado na vareta, pegue        tr\u00eas ceguetas (l\u00e2minas de serra 18 ou 24 para cortar metais) e prenda-as        juntas com uma fita adesiva. Elas abrir\u00e3o um corte de 3\/32\u0094, aproximadamente,        na vareta. Antes, marque a profundidade, com um l\u00e1pis, de aproximadamente        3\/8\u0094. Voc\u00ea pode optar por ter um nock mais profundo nas suas flechas,        garantindo que n\u00e3o v\u00e3o escapulir da corda.<strong><br \/>\n       Quarto ponto:<\/strong> Prenda a vareta em uma bancada de servi\u00e7o ou em uma        mesa de cozinha, com um sargento (clamp), daqueles usados em marcenarias.        Tenha o especial cuidado para que os sargentos n\u00e3o danifiquem a vareta,        t\u00e3o cuidadosamente elaborada. Cubra-a com um peda\u00e7o de couro ou borracha        macia, antes de prend\u00ea-la com o sargento. Se voc\u00ea tiver uma morsa, tudo        bem. Os cuidados para n\u00e3o danificar a vareta s\u00e3o os mesmos.<strong><br \/>\n       Quinto ponto: <\/strong>Com as tr\u00eas serras atadas com fita adesiva (aquelas        usadas para tapar buracos em t\u00eanis dos filhos adolescentes s\u00e3o \u00f3timas!)        fa\u00e7a, cautelosamente, o corte do nock, em medidas laterais iguais (ponha        as serras em cima da vareta e, centralizando, risque com o l\u00e1pis de um lado        e do outro) para n\u00e3o fazer um lado do nock mais fino que o outro, at\u00e9 a        profundidade desejada. Fa\u00e7a isto com as varetas restantes. <strong>Dica<\/strong>:        treine antes em uma vareta que foi descartada, para voc\u00ea sentir-se seguro        e n\u00e3o prejudicar todo o trabalho nas varetas.<strong><br \/>\n       Sexto ponto:<\/strong> Com a abertura do nock pronto, de posse de uma lima        tamanho m\u00e9dio, voc\u00ea passa ent\u00e3o a dar o acabamento nas bordas da madeira,        no fundo do corte, aplainando bem. Feito isto, com uma lixa de granula\u00e7\u00e3o        fina finalize o servi\u00e7o.<strong><br \/>\n       S\u00e9timo ponto: <\/strong>O ponto mais fraco de um nock n\u00e3o refor\u00e7ado \u00e9 o leito,        onde a corda faz o contato com a vareta. Se o nock falha \u00e9 no leito que        ele racha. Portanto \u00e9 de extrema import\u00e2ncia voc\u00ea refor\u00e7ar o nock. H\u00e1 v\u00e1rias        maneiras de refor\u00e7ar o nock, mas a mais simples \u00e9 voc\u00ea passar uma linha        de espessura duas vezes mais grossa do que uma linha de costura, de prefer\u00eancia        aquelas usadas em confec\u00e7\u00e3o de estofados de carros. Primeiramente enrole,        de forma sim\u00e9trica (n\u00e3o fa\u00e7a um novelo de l\u00e3, enrole cada volta corretamente)        a base do nock para firmar a linha. Depois passe a linha no leito do nock        e de cada lado, simetricamente, at\u00e9 voc\u00ea sentir que est\u00e1 firme e apresentando        bem \u00e0 vista. Des\u00e7a simetricamente cerca um cent\u00edmetro e meio e fixe a ponta        com uma fita adesiva.<strong><br \/>\n       Oitavo ponto:<\/strong> Prepare uma cola ep\u00f3xi de secagem r\u00e1pida, tipo 5        minutos e aplique sobre a linha, cobrindo toda sua extens\u00e3o. A finalidade        \u00e9 fixar n\u00e3o s\u00f3 a ponta da linha, mas proteger todo o enrolamento. Pronto.        Voc\u00ea agora disp\u00f5e de um nock dur\u00e1vel. Agindo assim, voc\u00ea vai notar que a        flecha pode at\u00e9 quebrar, estragar, perder as penas \u0096 antes de estragar        o nock.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Existem outras formas de se refor\u00e7ar os nocks, usando, inclusive a t\u00e9cnica      de se fazer uma cunha de madeira dura e inserir na ponta da vareta antes de      fazer o nock. \u00c9 trabalhoso, mas eficaz. A forma anterior \u00e9 mais f\u00e1cil de se      fazer.<\/p>\n<p><strong>ENDIREITAMENTO DA VARETA <\/strong><\/p>\n<p>Um dos maiores problemas encontrados por aqueles que usam flechas de madeira      \u00e9 a facilidade com que elas se entortam com a a\u00e7\u00e3o do tempo e umidade. Isto      pode ser resolvido com alguns cuidados, os quais o arqueiro primitivista deve      prestar especial aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem duas maneiras de endireitar uma boa vareta de flecha. A forma mais      primitiva poss\u00edvel, consiste em voc\u00ea acender uma chama no fog\u00e3o de cozinha,      ou qualquer outra forma de se obter uma chama segura e sobrep\u00f4-la, a uma dist\u00e2ncia      que n\u00e3o chamusque a madeira da vareta. Com o esquentamento, as fibras da madeira      tornam-se male\u00e1veis, apropriadas para voc\u00ea endireitar. O trabalho \u00e9 todo feito      no \u0093olh\u00f4metro\u0094, pois voc\u00ea submete o local torto da vareta ao calor      e aplica uma for\u00e7a regular naquele lugar, tomando cuidado para n\u00e3o quebr\u00e1-la.      Fazendo assim, a madeira assumir\u00e1 uma forma retil\u00ednea.<\/p>\n<p>Outra forma de se endireitar uma vareta torta \u00e9 voc\u00ea confeccionar um gancho      de metal, n\u00e3o ferroso, na forma e tamanho de um gancho de cabides e inseri-lo      em um cabo de madeira. De posse de uma vareta torta, marque o ponto mais torto      da vareta com um l\u00e1pis, vire a parte torta para cima e, com o gancho \u0096      esfregue-o, friccionando rapidamente para obter calor e for\u00e7ando-a para baixo      simultaneamente. Aos poucos voc\u00ea notar\u00e1 que o calor obtido pela fric\u00e7\u00e3o do      gancho na madeira e a press\u00e3o no sentido antag\u00f4nico \u00e0 parte torta &#8211; ir\u00e1 tornando      a vareta reta.<\/p>\n<p>Com suas varetas prontas, uma d\u00fazia mais ou menos, voc\u00ea desejar\u00e1 mant\u00ea-las      protegidas da umidade, impedindo que elas entortem novamente. Voc\u00ea tem um      caminho seguro a trilhar para obter este resultado. N\u00e3o perca tempo passando      leo de peroba ou qualquer outro \u00f3leo nas varetas. O melhor caminho \u00e9 voc\u00ea      usar uma seladora de boa qualidade, destas que se compram em lojas para marcenarias.      Uma boa esfregada de acetona para tirar a gordura superficial da madeira e      mais umas duas dem\u00e3os de seladora, acompanhadas de uma boa lixada far\u00e3o com      as varetas fiquem protegidas contra a umidade. Os americanos usam um conteiner      cheio de seladora, no qual deixam as varetas imersas por 12 a 24 horas e as      retiram para secar. \u00c9 claro que a imers\u00e3o dar\u00e1 total garantia contra umidade.      Eu, pessoalmente, usei a primeira op\u00e7\u00e3o sem maiores problemas com umidade.      Se uma das flechas, devido ao tempo, teimava em entortar-se, eu simplesmente      esquentava-a ao fogo e a desentortava. Estava pronta para ser usada.<\/p>\n<p><strong>PONTAS <\/strong><\/p>\n<p>Hoje temos v\u00e1rios tipos de pontas, para alvo est\u00e1tico, \u00e0 venda em lojas de      materiais para arco e flecha, nacional e estrangeiras. Voc\u00ea pode mandar faz\u00ea-las      em um torneiro mec\u00e2nico ou adquiri-las prontas. Os primitivos arqueiros usavam      do osso ao metal. Todas funcionando muito bem, com algumas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea ir\u00e1 querer uma durabilidade maior nas pontas de treino, ser\u00e1 bom      comprar as \u0093field points\u0094 para suas flechas. Caso voc\u00ea quebre alguma      flecha, poder\u00e1 retir\u00e1-las da vareta esquentando a ponta no fogo e puxando      com um alicate. Cole-as sempre com Araldite.<\/p>\n<p><strong>As pontas de treino tem uma vantagem:<\/strong> voc\u00ea pode aproveit\u00e1-las      para fazer pontas de ca\u00e7a. O processo \u00e9 simples. Primeiramente voc\u00ea necessita      de encontrar aquelas tiras de a\u00e7o grossas que as firmas que vendem tubos de      irriga\u00e7\u00e3o e canaliza\u00e7\u00e3o de grosso calibre, a usam para transport\u00e1-las. As      molas de portas de a\u00e7o s\u00e3o invi\u00e1veis. S\u00e3o extremamente endurecidas para a      finalidade que se prop\u00f5em e n\u00e3o h\u00e1 serra que as serre sem primeiro destemperar.<\/p>\n<p>Serre, ent\u00e3o, com uma cegueta para metal, as tiras de a\u00e7o em tamanhos 5 ou      6 cent\u00edmetros. Desenhe, com uma caneta para retroprojetores, uma ponta triangular      em cada peda\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Note bem<\/strong>: n\u00e3o \u00e9 apenas desenhar a forma triangular na pe\u00e7a.      Me\u00e7a com a r\u00e9gua o centro, marque, tire uma linha central, das extremidades      inferiores da pe\u00e7a trace duas retas at\u00e9 o centro marcado na parte superior      e pronto. Mantenha sempre as medidas, as quais podem variar dependendo do      tamanho da ponta. Coloque, a seguir, a pe\u00e7a em uma morsa e com uma lima d\u00ea      o ponto de inicio para a cegueta e serre seguindo as linhas das extremidades      desenhadas. Voc\u00ea ter\u00e1, ap\u00f3s o corte, uma pe\u00e7a triangular de 3&#215;5 cm (as medidas      variam com o tamanho da ponta que desejar). Separe de lado e fa\u00e7a o mesmo      com as outras pe\u00e7as. <\/p>\n<p>Passo seguinte \u00e9 voc\u00ea dar o primeiro desbaste para o futuro afiamento.<\/p>\n<p><strong>Dica: <\/strong>Para melhor travamento da l\u00e2mina na ponta de treino,      fa\u00e7a, na base da l\u00e2mina, um rebaixamento na medida um pouco maior que a largura      maior da ponta de treino, ou seja, a base que vai \u0093vestida\u0094 na vareta.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tiver todas as pontas prontas \u00e9 hora de trabalhar a ponta de      treino. Prenda uma ponta de treino na morsa de forma que a morsa n\u00e3o danifique      a parte oca da ponta. Com uma lima, desbaste um pouco a ponta de treino. A      seguir d\u00ea um pique, com a lima, na ponta desbastada, para abrir caminho para      a cegueta. Pegue a cegueta e, com cuidado, abra a ponta de treino o suficiente      para encaixar a l\u00e2mina de a\u00e7o. <\/p>\n<p><strong>Note bem:<\/strong> a parte que voc\u00ea ir\u00e1 abrir na ponta de treino      \u00e9 a parte densa e n\u00e3o a parte oca onde encaixa a vareta da flecha! Lembre-se      de manter o corte reto, pois se voc\u00ea n\u00e3o tiver m\u00e3o firme e manter uma trajet\u00f3ria      reta com a cegueta, a l\u00e2mina n\u00e3o se assentar\u00e1 direito e ficar\u00e1 inutilizada      para o tiro.<\/p>\n<p>Possivelmente voc\u00ea ter\u00e1 que usar umas duas ceguetas juntas para que haja      espa\u00e7o suficiente para encaixar a l\u00e2mina. Isto feito, encaixe a l\u00e2mina e estando      tudo de acordo com a especifica\u00e7\u00e3o, retire a l\u00e2mina e fure com uma furadeira      el\u00e9trica um pequeno furo, da grossura de um prego fino de, no m\u00e1ximo, 2 mm      de espessura, na ponta de treino chanfrada. Vaze de um lado a outro. Pegue      a l\u00e2mina novamente e insira na ponta de treino. Assente ela de forma que n\u00e3o      penda para direita ou para a esquerda. A seguir, fure a l\u00e2mina atrav\u00e9s dos      orif\u00edcios da ponta de treino na qual ela est\u00e1 assentada. Para finalizar, com      um peda\u00e7o de prego cortado no tamanho certo, insira no buraco travando a l\u00e2mina      na ponta de treino e uma pequena bigorna ou peda\u00e7o de ferro pr\u00f3prio para esta      finalidade e martele em ambas as extremidades do peda\u00e7o de prego, rebitando-o.      Desbaste com a lima ou no esmeril se ficou muito saliente. <\/p>\n<p>Com a ponta pronta, \u00e9 s\u00f3 afiar. Essas l\u00e2minas j\u00e1 vem zincadas e n\u00e3o precisa      temperar para endurec\u00ea-las, pois sua dureza \u00e9 suficiente para ca\u00e7a. S\u00f3 certifique-se      de que a l\u00e2mina est\u00e1 perfeitamente em \u00e2ngulo reto com a ponta de treino para      que a flecha n\u00e3o se desvie da trajet\u00f3ria. Voc\u00ea sabe, a ponta de ca\u00e7a \u00e9, na      realidade uma pequena asa delta. Qualquer defeito na asa\/l\u00e2mina, haver\u00e1 planeio      e desvio de trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>Afie suas pontas como voc\u00ea afia uma faca de ca\u00e7a. Existem, no mercado estrangeiro,      alguns artefatos espec\u00edficos para afia\u00e7\u00e3o de l\u00e2minas de pontas de ca\u00e7a. <\/p>\n<p>Infelizmente, em nosso pa\u00eds, ainda n\u00e3o h\u00e1 fabricantes para esta artefato,      pela \u00f3bvia raz\u00e3o de que o esporte (ca\u00e7a), em tese, n\u00e3o existe aqui.<\/p>\n<p>Vale aqui uma pequena observa\u00e7\u00e3o. Assisti, pesarosamente, um document\u00e1rio      sobre algumas tribos ind\u00edgenas nacionais e constatei que estavam ca\u00e7ando com      rev\u00f3lver e espingarda. Ao ver aquilo, senti um peso muito grande ao notar      que os povos est\u00e3o fazendo viagens inversas entre si, no que tange ao uso      de armas para ca\u00e7ar. As facilidades da arma de fogo cativam os \u00edndios. Isto      significa que a cultura ind\u00edgena, no futuro, estar\u00e1 restrita somente \u00e0 algumas      dan\u00e7as. Se quisermos arcos e flechas ind\u00edgenas aut\u00eanticos, pr\u00f3prias para a      ca\u00e7a, teremos que busc\u00e1-los junto aos \u00edndios Ianom\u00e2nis, do contr\u00e1rio s\u00f3 teremos      arcos e flechas confeccionados, para turistas, pelos Caraj\u00e1s e Xavantes. Tive      oportunidade de ver bons arcos e flechas elaborados pelos \u00edndios Gavi\u00f5es e      Sui\u00e1s. Ser\u00e1 que esta arte sobreviver\u00e1? Enquanto o \u00edndio busca a arma de fogo      \u0096 os civilizados buscam o arco e flecha para ca\u00e7ar.<\/p>\n<p><strong>PENAS <\/strong><\/p>\n<p><strong>As penas s\u00e3o colocadas nas flechas por uma boa raz\u00e3o:<\/strong> estabilizar      a flecha em v\u00f4o. Se as penas s\u00e3o colocadas de forma paralela \u00e0 vareta, a flecha      voar\u00e1 reta. Se voc\u00ea aplicar \u00e0s penas um ligeiro \u00e2ngulo, a flecha ir\u00e1 girar      em seu eixo longitudinal . Isto dar\u00e1 \u00e0 flecha uma trajet\u00f3ria mais acurada,      mas, tamb\u00e9m, ir\u00e1 gerar mais turbul\u00eancia. As penas com ligeiro \u00e2ngulo s\u00e3o melhores      para pequenas dist\u00e2ncias de tiros. Penas muito grandes e com \u00e2ngulo aplicado      \u00e9 impr\u00f3prio para longas dist\u00e2ncias, pois far\u00e1 com que a flecha fique sujeita      a\u00e7\u00e3o de ventos e turbul\u00eancias. Por outro lado, flechas equipadas com pontas      de ca\u00e7a exigem penas de 4 ou 5 polegadas para serem estabilizadas. <\/p>\n<p>Penas s\u00e3o o melhor material de se usar nas flechas. Os \u00edndios pigmeus, na      \u00c1frica, s\u00e3o t\u00e3o simples em seu material que usam simplesmente uma folha dobrada      encaixada em um rasgo na madeira da flecha. Isto porque suas flechas s\u00e3o atiradas      a uma dist\u00e2ncia muito curta e s\u00e3o, pelo seu pequeno tamanho, envenenadas,      para que surja o efeito mort\u00edfero.<\/p>\n<p>Para flechas bem tradicionais, o ideal \u00e9 usarmos penas de pato, ganso ou,      melhor ainda, de peru. <\/p>\n<p><strong>Uma regra precisa ser observada:<\/strong> use penas somente de uma      das asas. Asa direita ou asa esquerda. Jamais use penas das duas asas em uma      mesma flecha. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nem mesmo entre uma flecha e outra. Se voc\u00ea tem um jogo de flechas,      use todas elas de uma asa s\u00f3. Penas das duas asas em flechas s\u00e3o incompat\u00edveis      entre si. Se voc\u00ea comprar penas importadas, \u00e9 f\u00e1cil checar se s\u00e3o todas de      asa esquerda ou asa direita. As superf\u00edcies superiores e inferiores diferem      entre si. Se n\u00e3o forem exatamente iguais, descarte.<\/p>\n<p>Como um bom primitivista, voc\u00ea est\u00e1 de posse de um bom n\u00famero de penas esquerdas      ou direitas, retiradas de algum ganso ou peru descuidado, sem que ele tenha      notado. Voc\u00ea pode, ent\u00e3o, optar por dois m\u00e9todos para separar as metades de      cada pena.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>M\u00e9todo 1:<\/strong> Pegue uma pena pela sua extremidade fina e,        com os dedos indicadores e polegares voc\u00ea puxa de forma que uma parte descarta        da outra parte em duas metades. Descarte a metade inferior.<strong><br \/>\n       M\u00e9todo 2:<\/strong> Pegue uma pena e prenda-a, pela parte de maior superf\u00edcie,        em duas metades de madeiras lisas e bem retas em uma morsa, ficando a superf\u00edcie        inferior para fora da morsa. Com um estilete voc\u00ea corta um pequeno peda\u00e7o        da ponta dura da pena e corte fora, com o estilete, a partir da parte seccionada        da ponta, a parte inferior da pena.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s separadas as metades, voc\u00ea tem que preparar a base das penas para que      elas tenham uma base bem plaina e aceite o assentamento, com a cola, na flecha.      Isto se consegue lixando, com uma lixa fina a base at\u00e9 que fique corretamente      plaina, sem imperfei\u00e7\u00f5es de corte. Se voc\u00ea a firmar, como no m\u00e9todo 2, na      morsa, para lixar, o servi\u00e7o ficar\u00e1 mais f\u00e1cil e r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Isto feito, voc\u00ea dever\u00e1 cort\u00e1-las no tamanho e desenho desejado. H\u00e1 uma gama      muito grande de desenhos de penas. Mas, a op\u00e7\u00e3o por desenhos simples ou mesmo      o aspecto natural \u00e9 desej\u00e1vel, em face da aus\u00eancia de artefatos para essa      finalidade. Os ingleses usavam o desenho muito parecido com os estabilizadores      antigos de foguetes, ou seja, come\u00e7a bem afilado, em um \u00e2ngulo agudo, e s\u00f3.      Os \u00edndios americanos usavam o aspecto natural da pena, com a altura da superf\u00edcie      superior igual do in\u00edcio ao fim.<\/p>\n<p>Para fixar as penas voc\u00ea ter\u00e1 que usar de muita paci\u00eancia, pois a fixa\u00e7\u00e3o      correta das mesmas compensar\u00e1 sobremaneira o trabalho. Nada mais bonito do      que uma flecha voando perfeita ao alvo. Quando conseguir esta performance      voc\u00ea se lembrar\u00e1 destas palavras&#8230;.<\/p>\n<p>Depois de muito apanhar, desenvolvi um m\u00e9todo simples para fixar as penas.      No entanto, voc\u00ea, mesmo assim, precisar\u00e1 de um prendedor do tipo usado em      pranchetas de anota\u00e7\u00f5es, ou um desses prendedores de trabalhos de escola,      daqueles que s\u00e3o inseridos na margem esquerda de todo o conjunto do trabalho.      Estes prendedores tem a faculdade de serem bem leves e prender a flecha de      forma que deixa somente a base de fora.<\/p>\n<p><strong>FIXA\u00c7\u00c3O DAS PENAS <\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 precisar de um cola tudo universal. \u00c9 semelhante aos cola tubos      pvc, por\u00e9m de consist\u00eancia mais grossa. O melhor deles \u00e9 o da 3M. Sua consist\u00eancia      \u00e9 el\u00e1stica ao secar, n\u00e3o sai com \u00e1gua e \u00e9, aqui no Brasil, a melhor para colar      penas. <\/p>\n<p><strong>Material <\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>a)<\/strong> 2 barbantes finos ou linha grossa, cor branca<strong><br \/>\n       b) <\/strong>caneta ponta porosa<strong><br \/>\n       c) <\/strong>uma pequena r\u00e9gua para medidas em cent\u00edmetros<strong><br \/>\n       d) <\/strong>cola 3M (cola tudo universal)<strong><br \/>\n       e)<\/strong> prendedor para as penas (no tamanho das penas)<strong><br \/>\n       f)<\/strong> rel\u00f3gio<strong><br \/>\n       g) <\/strong>morsa (para prender a vareta)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Passo 1 <\/strong><\/p>\n<p>Limpe bem a \u00e1rea de suas flechas, onde ir\u00e1 colocar as penas, com um pano      e acetona. Gorduras s\u00e3o inimigas de colas. Se uma colagem saiu mal feita e      descolou penas, e a cola \u00e9 nova, creia, voc\u00ea deixou gordura no local.<\/p>\n<p><strong>Passo 2 <\/strong><\/p>\n<p>A primeira pena que voc\u00ea ir\u00e1 colar ser\u00e1 a pena guia. Pode ser de outra cor      ou com uma marca sua, feita com tinta de caneta, para identific\u00e1-la na hora      de por a flecha na corda. A pena guia \u00e9 colocada em um \u00e2ngulo de 90 graus      em rela\u00e7\u00e3o ao eixo do nock, aberto para receber a corda. Ela ficar\u00e1, quando      voc\u00ea for atirar, paralelamente aos seus l\u00e1bios, se a sua \u00e2ncora de puxada      da corda for junto ao canto da boca. Me\u00e7a, portanto, com a r\u00e9gua, uns 2,5      cm &#8211; a partir da ponta do nock e marque ali um ponto com a caneta.<\/p>\n<p><strong>Passo 3<\/strong><\/p>\n<p>A partir do ponto marcado, me\u00e7a a medida da pena. Marque o ponto.<\/p>\n<p><strong>Passo 4<\/strong><\/p>\n<p>Coloque agora a vareta marcada (marca para cima) em uma morsa para voc\u00ea melhor      trabalhar a pe\u00e7a. N\u00e3o v\u00e1 danificar a vareta na morsa. Prenda-a com um peda\u00e7o      de couro ou borracha macia.<\/p>\n<p><strong>Passo 5<\/strong><\/p>\n<p>Nos pontos marcados pela caneta ponta porosa, amarre agora os barbantes.      Um em cada ponto marcado. N\u00e3o d\u00ea n\u00f3 cego. De um la\u00e7o tipo la\u00e7o de presentes,      pois voc\u00ea ir\u00e1 aproveitar as marcas efetuadas no barbante para as outras flechas.<\/p>\n<p><strong>Passo 6<\/strong><\/p>\n<p>Com a caneta ponta porosa (as usadas em transpar\u00eancias de retroprojetores      s\u00e3o \u00f3timas) marque no barbante o local da pena guia. Ficar\u00e1 na lateral esquerda      do nock, bem centralizada. Fa\u00e7a o mesmo com o barbante n\u00ba 2. Pronto. Este      ser\u00e1 o ponto de partida para voc\u00ea marcar os outros pontos.<\/p>\n<p><strong>Passo 7<\/strong><\/p>\n<p>Para marcar o 2\u00ba ponto, pegue como base a ponta extrema direita superior      do nock direito. <strong>Note bem:<\/strong> n\u00e3o \u00e9 o centro da lateral direita      do nock, sen\u00e3o ficar\u00e1 igual \u00e0 pena guia. Ele \u00e9 no cantinho acima. Se voc\u00ea      pegar um transferidor escolar e o colocar deitado na base do nock, com o zero      grau ou 360\u00ba na marca da pena guia, a pr\u00f3xima pena estar\u00e1 a um \u00e2ngulo de 120\u00ba      e assim por diante. As penas estar\u00e3o distantes uma da outra todas em \u00e2ngulos      de 120\u00ba. Com a r\u00e9gua partindo dessa extremidade, marque o 2\u00ba ponto no barbante      n\u00ba1 (\u00e9 o barbante que est\u00e1 amarrado pr\u00f3ximo ao nock). Fa\u00e7a o mesmo, com a      r\u00e9gua como auxiliar, no barbante n\u00ba 2.<\/p>\n<p><strong>Passo 8<\/strong><\/p>\n<p>Marque, finalmente, o 3\u00ba ponto para fixa\u00e7\u00e3o da terceira pena no barbante      n\u00ba1, tendo como base a ponta extrema direita inferior do nock direito. Fa\u00e7a      o mesmo no barbante n\u00ba2.<\/p>\n<p><strong>Passo 9<\/strong><\/p>\n<p>Feito isto, voc\u00ea ter\u00e1 refer\u00eancias para as extremidades das penas. Pegue ent\u00e3o      o prendedor e introduza uma pena nele, deixando a base de fora. Limpe, com      acetona, a gordura da base onde ir\u00e1 passar a cola.<\/p>\n<p><strong>Passo 10<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea \u00e9 destro, segure o prendedor com a pena, na m\u00e3o esquerda e, com a      direita, firme o bico do tubo de cola na base traseira da pena e passe a cola,      levemente e em quantidade pequena, da traseira da pena em dire\u00e7\u00e3o da ponta.      Qualquer excesso de cola aqui \u00e9 prejudicial. Fa\u00e7a isto com cuidado.<\/p>\n<p><strong>Passo 11<\/strong><\/p>\n<p>Agora, com as duas m\u00e3os, segure o prendedor com firmeza e cuidado e, a seguir,      coloque-o nas refer\u00eancias 1 e 2 da pena guia da vareta da flecha e conte 5      minutos no rel\u00f3gio sem se mexer. Pronto. Retire o prendedor simplesmente puxando      para o lado direito e ele se soltara da pena guia que estar\u00e1 colada.<\/p>\n<p><strong>Passo 12<\/strong><\/p>\n<p>Afrouxe a morsa e vire a vareta da flecha na posi\u00e7\u00e3o superior das pr\u00f3ximas      refer\u00eancias e repita o processo.<\/p>\n<p><strong>Passo 13<\/strong><\/p>\n<p>Terminada a fixa\u00e7\u00e3o das penas, retire a vareta da morsa e desamarre os barbantes.      Pegue o tubo de cola e coloque uma gotinha pequena nas pontas e traseiras      das penas. Isto evitar\u00e1 que as pontas se levantem, desprendendo-se por qualquer      motivo. Agora cheque se est\u00e3o bem colocadas, se n\u00e3o ficaram com a base levantada      ao meio, etc. Se um local n\u00e3o foi cola suficiente, coloque ali uma gota fina      de cola.<\/p>\n<p>Completada toda a opera\u00e7\u00e3o, disponha-as sobre a mesa e observe as simetrias.      Este \u00e9 o momento em que o cora\u00e7\u00e3o pulsa mais forte e uma satisfa\u00e7\u00e3o, sem par,      toma conta de voc\u00ea. Aquela sensa\u00e7\u00e3o de auto-sufici\u00eancia n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esmore\u00e7a diante de todo o trabalho de coloca\u00e7\u00e3o das penas. \u00c9 de suma      import\u00e2ncia voc\u00ea se esmerar na fixa\u00e7\u00e3o das penas, pois todo o trabalho ser\u00e1      recompensado quando voc\u00ea for atirar com elas. Um grito de guerra bem alto      ser\u00e1 o m\u00ednimo que voc\u00ea far\u00e1 ao ver o v\u00f4o perfeito de suas flechas. Talvez      voc\u00ea entoe um canto de guerra dos \u00edndios americanos, em retribui\u00e7\u00e3o ao seu      milenar conhecimento a n\u00f3s, pobres civilizados&#8230;..<\/p>\n<p><strong>Uma pequena observa\u00e7\u00e3o:<\/strong> Outro m\u00e9todo, talvez mais simples      para a marca\u00e7\u00e3o da fixa\u00e7\u00e3o das penas consiste em antes de fazer os nocks (rabeiras),      voc\u00ea marcar os \u00e2ngulos de 120\u00ba na vareta. <\/p>\n<p><strong>Caso voc\u00ea queira dar um sentido helicoidal nas penas, para que ela      gire a flecha no seu eixo longitudinal, o sistema \u00e9 simples:<\/strong> quando      amarrar o barbante n\u00ba2, n\u00e3o o fa\u00e7a apertado.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando as marcas de 120\u00ba estiverem sido marcadas no mesmo, d\u00ea um pequeno      giro de 1 ou 2 mil\u00edmetros no barbante (n\u00e3o mais que isto, pois voc\u00ea precisaria      de um prendedor curvo para fixar as penas). As pontas das penas, quando fixadas,      estar\u00e3o levemente giradas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suas traseiras. <\/p>\n<p><strong>Mas lembre-se: <\/strong>jamais gire o barbante no sentido inverso      ao sentido natural das penas! Gire no sentido natural das penas de asa direita      ou penas de asa esquerda.<\/p>\n<p>Que suas flechas encontrem o alvo&#8230;..sempre! <\/p>\n<p>Fonte:  www.geocities.com<\/p>\n<h6>Arco e Flecha<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>A descoberta do <strong>Arco<\/strong> n\u00e3o tem data precisa, mas pinturas      em cavernas e outros achados arqueol\u00f3gicos comprovam sua utiliza\u00e7\u00e3o desde      o Per\u00edodo Paleol\u00edtico, Idade da Pedra Lascada.<\/p>\n<p>Foi uma das descobertas mais importantes do homem, compar\u00e1vel a descoberta      e utiliza\u00e7\u00e3o do fogo, da linguagem e da roda.<\/p>\n<p>Os Ass\u00edrios e Babil\u00f4nios usaram com sucesso o Arco e Flecha em guerras de      3.000 a 539 A.C. <\/p>\n<p>Os Eg\u00edpcios tamb\u00e9m fizeram hist\u00f3ria com arqueiros em charretes. <\/p>\n<p>Um Arco foi encontrado na tumba de Tutankhamon, assim como detalhes em ouro,      mostrando o Arco e Flecha, nos seus pertences.<\/p>\n<p>Os Mong\u00f3is, com seu l\u00edder e grande conquistador Genghis Khan, foram o terror      de seu tempo. O segredo de seu sucesso era, al\u00e9m da grandiosa cavalaria, a      habilidade com flechas incendi\u00e1rias (com fogo).<\/p>\n<p>Usado como arma de guerra, ca\u00e7a e pesca, com a descoberta da p\u00f3lvora, grupos      de arqueiros, nobres, reis e rainhas, unidos pela mesma paix\u00e3o, passando a      ter o Arco e Flecha como lazer e at\u00e9 culto religioso, faziam desafios de habilidades      e acabaram transformando-o em esporte, que a partir de 1900 em Paris, Fran\u00e7a,      passou a fazer parte dos Jogos Ol\u00edmpicos, oficialmente, permanecendo no programa      ol\u00edmpico at\u00e9 os Jogos Ol\u00edmpicos da Antu\u00e9rpia, 1920, com exce\u00e7\u00e3o de 1912, em      Estocolmo.<\/p>\n<p>O Tiro com Arco voltou ao programa ol\u00edmpico em Munique, 1972, e, em 1988,      nos Jogos Ol\u00edmpicos de Seul, passou a ter a disputa por equipes.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Tiro com Arco (FITA) foi fundada em 1931, mesmo      ano do primeiro Campeonato Mundial.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses ainda mant\u00e9m em suas for\u00e7as armadas um grupo de arqueiros treinados.    <\/p>\n<p>Na Guerra do Vietn\u00e3, novamente o Arco foi utilizado. Como arma silenciosa,      teve seu valor por dificultar a localiza\u00e7\u00e3o do atirador (arqueiro).<\/p>\n<p>Esporte interativo praticado por toda a fam\u00edlia, sem limites de idade, com      jovens dos 8 aos 80 anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o requer muita for\u00e7a, n\u00e3o interferindo na feminilidade da mulher.<\/p>\n<p>Trabalha a musculatura das costas, ajudando na postura.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, usado desde os guerreiros samurais, at\u00e9 hoje estudado como arte      Zen para o desenvolvimento do ser humano (Kyudo). Citado tamb\u00e9m no livro &#8220;A      Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen&#8221;. Al\u00e9m do milenar Yabusame, arqueiro      a cavalo.<\/p>\n<p>Concentra\u00e7\u00e3o, Respira\u00e7\u00e3o, Postura e Relaxamento. <\/p>\n<p>O Arco tamb\u00e9m inspira romance e poesia. Est\u00f3rias ou hist\u00f3ria, quem nunca      pensou ou ouviu falar do Cupido, de Robin Hood, Guilherme Tell e da for\u00e7a      de um signo como o de Sagit\u00e1rio. <\/p>\n<h4>O arco e flecha no Brasil <\/h4>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, aqui no Brasil, o <strong>Arco e Flecha<\/strong>, ou      <strong>Tiro com Arco<\/strong> numa denomina\u00e7\u00e3o mais correta, \u00e9 praticado      principalmente como esporte e lazer, j\u00e1 que a ca\u00e7a \u00e9 proibida, no que estamos      de pleno acordo.<\/p>\n<p>No esporte \u00e9 regido pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Tiro com Arco e pelas      Federa\u00e7\u00f5es dos Estados filiados, sendo a maior a de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Seguindo regras da FITA (Federation Internationale de Tir a L\u0092Arc),      temos tr\u00eas tipos de competi\u00e7\u00f5es:<\/strong> Outdoor, Indoor e Field; e <strong>3      categorias de tiro<\/strong>: Arco Recurvo com Mira, Recurvo sem Mira e Arco      Composto com Mira, temos outra categoria ainda n\u00e3o reconhecida pela FITA que      \u00e9 a de Arco Composto sem Mira, al\u00e9m das divis\u00f5es por sexo e idade.<\/p>\n<p>O Campeonato Outdoor \u00e9 realizado em campo aberto e plano, como um campo de      futebol. Dependendo da categoria de tiro, as dist\u00e2ncias dos alvos variam,      sendo de 90, 70, 50 e 30 metros nas categorias com Mira Masculino e 70, 60,      50 e 30 m. na com Mira Feminino e nas sem Mira. S\u00e3o disparados 144 tiros (flechas)      v\u00e1lidos, sendo 36 tiros em cada dist\u00e2ncia, em s\u00e9ries de 6 flechas nas duas      maiores dist\u00e2ncias e de 3 flechas nas duas menores.<\/p>\n<p>O Indoor \u00e9 realizado em lugares fechados, como um gin\u00e1sio coberto. A dist\u00e2ncia      \u00e9 de 18 metros, onde s\u00e3o disparados 60 tiros em dois rounds de 30 tiros, em      s\u00e9ries de 3 flechas.<\/p>\n<p>O Field \u00e9 realizado em lugar aberto mas em terreno irregular, com morros,      rios ou lagos e \u00e1rvores, simulando uma situa\u00e7\u00e3o de ca\u00e7a. S\u00e3o v\u00e1rios alvos,      variando as dist\u00e2ncias entre 5 e 60 metros. S\u00e3o feitos dois rounds, sendo      que no primeiro as dist\u00e2ncias n\u00e3o s\u00e3o conhecidas (s\u00f3 se saber\u00e1 no segundo),      em s\u00e9rie de 3 flechas em cada alvo.<\/p>\n<p>O arco Recurvo, \u00e9 parecido com aqueles antigos arcos longos, conhecidos como      Longbow, como os que aparecem nos filmes, mas com as extremidades das l\u00e2minas      recurvadas. Tamb\u00e9m \u00e9 chamado Arco Ol\u00edmpico por ser o \u00fanico aceito nas Olimp\u00edadas.<\/p>\n<p>O arco Composto utiliza um sistema de roldanas e cabos que auxiliam o ato      de &#8220;puxar&#8221; a corda e armazenar energia para disparar a flecha. Muito      usado para ca\u00e7a (infelizmente) at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n<p>O Brasil tenta seu &#8220;lugar ao sol&#8221; frente aos outros pa\u00edses em termos      de Campeonatos Mundiais e Olimp\u00edadas. <\/p>\n<p><strong>A de 96, em Atlanta, ficamos de fora e os motivos s\u00e3o muitos, n\u00e3o      s\u00e3o desculpas, mas para se ter id\u00e9ia:<\/strong> aqui n\u00f3s temos cerca de 300      atletas (arqueiros) atuantes, enquanto que nos Estados Unidos s\u00e3o mais de      1 milh\u00e3o; aqui precisamos importar equipamento analisando em cat\u00e1logos e o      dos colegas, l\u00e1 fora, al\u00e9m das v\u00e1rias lojas, os fabricantes p\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o      dos melhores atletas todo material para testes, treinamento e competi\u00e7\u00e3o;      em outros pa\u00edses, o esporte amador em geral tem maior apoio, patroc\u00ednio e      pr\u00eamios em dinheiro, podendo um atleta viver do esporte e para o esporte,      enquanto que aqui, normalmente \u00e9 preciso ter uma profiss\u00e3o para auto-sustento,      o que toma a maior parte do dia e impede certos cursos e viagens para treinos      e competi\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>Precisamos crescer, divulgar e difundir este Esporte t\u00e3o pouco conhecido      da maioria dos brasileiros. <\/p>\n<h4>MODALIDADES E EQUIPAMENTOS<\/h4>\n<p><strong>Modalidades<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>Outdoor<br \/>\n       Indoor<br \/>\n       Field<br \/>\n       Ski-archery (esqui)<br \/>\n       Clout<br \/>\n       Flight <\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Existem duas modalidades de Arco aceitos pela FITA:<\/strong> o Arco      Recurvo e o Arco Composto.<\/p>\n<p><strong>O Arco Recurvo ou Ol\u00edmpico <\/strong>\u00e9 um arco cujo principio de funcionamento      corresponde aos arcos tradicionais utilizados desde os tempos antigos \u00e9 constitu\u00eddo      basicamente por uma empunhadura, um par de l\u00e2minas e uma corda, obviamente      completados por modernos acess\u00f3rios hoje existentes no mercado, tais como      al\u00e7as de mira, estabilizadores frontais e laterais, bot\u00f5es de press\u00e3o, cliclers      e outros.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m conhecido como arco ol\u00edmpico, por ser o equipamento usado      para as disputas Ol\u00edmpicas, nada mais \u00e9 do que uma evolu\u00e7\u00e3o do arco tradicional      assumindo alguns aparatos, tais como:<\/strong> al\u00e7a de mira, estabilizadores,      materiais de ponta, que propicionam um rendimento mais apurado para dist\u00e2ncias      longas. <\/p>\n<p>Como o anterior, tem uma s\u00f3 corda presa diretamente as extremidades. Tem      seu nome devido ao tipo de l\u00e2minas, que s\u00e3o curvadas. Podem ser inteiri\u00e7os      ou desmont\u00e1veis.<\/p>\n<p>Seu design fornece grande velocidade \u00e0 flecha. O equipamento de cada arqueiro      tem caracter\u00edsticas pessoais, portanto, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia a compra      correta de material, obedecendo a envergadura e for\u00e7a de cada atleta.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/arco-e17.jpg\" alt=\"Arco e Flecha\" width=\"66\" height=\"296\" title=\"Arco e Flecha\" \/><strong><br \/>\n     Arco Recurvo ou Ol\u00edmpico<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Arco Composto <\/strong>foi inventado por um Norte Americano h\u00e1      aproximadamente 20 anos, tendo um principio de funcionamento diferente do      Arco recurvo, utilizando-se de um sistema de roldanas que trabalha as l\u00e2minas      e reduz em torno de 60% da pot\u00eancia da puxada, transmitindo a energia a flecha      no ato do Tiro. <\/p>\n<p>Foi concebido inicialmente para ser utilizado na ca\u00e7a esportiva por permitir      o uso de grandes pot\u00eancias, acima de 60 libras, possibilitando que a flecha      alcance velocidade maiores e grande poder de penetra\u00e7\u00e3o, sendo utilizado na      ca\u00e7a de grandes animais como b\u00fafalos, elefantes, ursos e alces. etc.<\/p>\n<p>Este arco criou um novo conceito no tiro com arco. Ao contr\u00e1rio do que se      imagina, o arco composto j\u00e1 era desenvolvido nos anos 40. Com seu conceito      absolutamente revolucion\u00e1rio, demorou cerca de 30 anos at\u00e9 ser realmente aceito      e incorporado ao esporte em \u00e2mbito internacional.<\/p>\n<p>Recebe este nome por apresentar um conjunto de cabos e roldanas exc\u00eantricas      que permitem ao arqueiro mais conforto ao disparar.<\/p>\n<p>Apresenta grande evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, como o uso de roldanas que multiplicam      a pot\u00eancia do disparo, miras telesc\u00f3picas que aproximam a imagem do alvo de      4 a 12 vezes, assim como gatilhos disparadores.<\/p>\n<p>Os arcos modernos muito se assemelham a equipamentos futuristas, mas nem      por isso tiram a sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel do disparo de uma flecha. Muitos se      enganam acreditando que o arco composto oferece um n\u00edvel de facilidade maior      que os demais. Em realidade para se tornar um arqueiro de ponta \u00e9 necess\u00e1rio      total dedica\u00e7\u00e3o, tal qual o recurvo ou o tradicional.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/arco-e18.jpg\" alt=\"Arco e Flecha\" width=\"111\" height=\"333\" title=\"Arco e Flecha\" \/><strong><br \/>\n     Arco Composto<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente ambos tipos de arcos s\u00e3o considerados esportivos e a FITA promove      campeonatos mundiais das duas modalidades, sendo as \u00fanicas exce\u00e7\u00f5es os Jogos      Ol\u00edmpicos e os Jogos Pan-americanos onde o Arco Composto ainda n\u00e3o foi introduzido,      por ser de utiliza\u00e7\u00e3o mais recente.<\/p>\n<h4>Tipos de competi\u00e7\u00f5es <\/h4>\n<p><strong>Campeonato Outdoor: <\/strong><\/p>\n<p>Mais tradicional e principal forma de competi\u00e7\u00e3o internacional, \u00e9 realizado      com disparos \u00e0 longas dist\u00e2ncias. <\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Masculino:<\/strong> 90, 70, 50 e 30 metros <strong><br \/>\n       Feminino:<\/strong> 70, 60, 50 e 30 metros <\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Campeonato Indoor: <\/strong><\/p>\n<p>Competi\u00e7\u00e3o realizada em ambientes fechados, \u00e0 dist\u00e2ncia de 18 metros, tem      sua origem nos pa\u00edses de inverno r\u00edgido, onde \u00e0 pratica do esporte ficava      suspensa por grandes per\u00edodos. <\/p>\n<p><strong>Campeonato Field:<\/strong><\/p>\n<p>Caracteriza-se por ser um torneio em campo aberto, nas mais adversas condi\u00e7\u00f5es      poss\u00edveis, levando em conta relevo, vegeta\u00e7\u00e3o, dificuldades naturais, etc;      com dist\u00e2ncias variando de 5 \u00e0 65 metros, sendo estas conhecidas ou n\u00e3o. <\/p>\n<h4>REGULAMENTO DO ESPORTE<\/h4>\n<blockquote>\n<p>As competi\u00e7\u00f5es oficiais obedecem ao regulamento internacional da FITA e        podem ser Outdoor e Indoor.<br \/>\n       As provas Outdoor, s\u00e3o realizadas em campo aberto onde s\u00e3o atiradas 36 flechas        em cada dist\u00e2ncia, totalizando 144 flechas por torneio, sendo 90\/70\/50 e        30 metros para os homens, 70\/60\/50 e 30 metros para as mulheres, num tempo        de 4 minutos para cada 6 flechas atiradas nas dist\u00e2ncias maiores e 2 minutos        para cada 3 flechas nas dist\u00e2ncias menores. O campe\u00e3o do torneio ser\u00e1 o        arqueiro que fizer o maior pontua\u00e7\u00e3o na soma das 4 dist\u00e2ncias.<br \/>\n       As provas Indoor s\u00e3o realizadas em ambiente fechado (gin\u00e1sios, galp\u00f5es etc.)        e consistem em duas s\u00e9ries de 30 flechas totalizando 60 flechas, atiradas        de 3 em 3 em um tempo de 2 minutos para cada 3 flechas em alvos colocados        \u00e0 18 metros. O campe\u00e3o ser\u00e1 o arqueiro que alcan\u00e7ar maior pontua\u00e7\u00e3o no total        das 60 flechas.<br \/>\n       Nos Jogos Ol\u00edmpicos, visando o interesse de transmiss\u00e3o pela m\u00eddia, a competi\u00e7\u00e3o        foi resumida em um combate eliminat\u00f3rio homem a homem entre os 64 melhores        arqueiros do mundo, sendo a prova disputada na dist\u00e2ncia de 70 metros. Estes        arqueiros s\u00e3o escolhidos atrav\u00e9s de sua classifica\u00e7\u00e3o nos Campeonatos Mundiais        Outdoor e das Seletivas Continentais.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Fonte:  www.netesporte.com\/www.geocities.com\/www.portaldoarcoeflecha.com.br<\/p>\n<h6>Arco e Flecha<\/h6>\n<p>Os seres humanos v\u00eam utilizando o <strong>Arco e Flecha <\/strong>desde o      in\u00edcio dos tempos, para ca\u00e7ar, guerrear e, nos tempos modernos, como esporte.      Pontas de flecha de pedra com mais de 50.000 anos de idade t\u00eam sido encontradas      na \u00c1frica e o arco-e-flecha foi utilizado praticamente por todas as sociedades      na Terra. Houve muitas ocasi\u00f5es nas quais o arco-e-flecha mudou o rumo da      hist\u00f3ria. Poucos esportes Ol\u00edmpicos podem exibir essa grande heran\u00e7a!<\/p>\n<p>Os arcos primitivos provavelmente eram curtos, utilizados para a ca\u00e7a nas      florestas. Os arcos eram utilizados dessa forma pelos \u00edndios americanos, e      na Europa e \u00c1sia. Os eg\u00edpcios foram os primeiros a desenvolver arcos compostos      (feitos de v\u00e1rios materiais diferentes), esticando intestinos de carneiros      para fabricar a corda do arco. Os arqueiros eg\u00edpcios se deslocavam sobre carruagens      e deve ter sido uma vis\u00e3o espantosa quando eles corriam atrav\u00e9s dos desertos,      nos flancos dos ex\u00e9rcitos inimigos.<\/p>\n<p>An\u00edbal utilizou arqueiros montados em cavalos a partir de 260 AC, \u00e0 medida      que expandia seu imp\u00e9rio. Os chineses desenvolveram bestas (arcos montados      horizontalmente e operados como uma pistola) e os ex\u00e9rcitos e imperadores      da China aprenderam a manejar o arco-e-flecha (voc\u00ea pode ver tropas armadas      com bestas no ex\u00e9rcito de terracota em Xi An). Os habitantes da P\u00e1rtia no      Ir\u00e3 e Afeganist\u00e3o podiam atirar flechas sobre seus cavalos enquanto escapavam      dos ex\u00e9rcitos que se aproximavam (&#8216;Um tiro de P\u00e1rtia (A Parthian shot)&#8217; que      provavelmente se tornou &#8216;Um tiro de sa\u00edda (A parting shot)&#8217; no idioma ingl\u00eas,      significando um ato, gesto ou coment\u00e1rio mordaz feito na partida ou sa\u00edda      para outro lugar).<\/p>\n<p>Entretanto, h\u00e1 outros ex\u00e9rcitos que ficaram na hist\u00f3ria pelo seu uso do arco-e-flecha.      A partir da Hungria, \u00c1tila o Huno conduzia seus vastos ex\u00e9rcitos em todas      as dire\u00e7\u00f5es, forjando um imenso imp\u00e9rio que se estendia do Reno ao Mar C\u00e1spio.      A utiliza\u00e7\u00e3o de arcos compostos foi crucial em muitas de suas vit\u00f3rias. <\/p>\n<p>Possivelmente, os arqueiros mais famosos na hist\u00f3ria foram os Mong\u00f3is. Em      1208 DC, Genghis Khan conduziu suas hordas a partir das plan\u00edcies da Mong\u00f3lia,      construindo um imp\u00e9rio vasto e sangrento. Os mong\u00f3is eram excelentes cavaleiros,      podendo ficar de p\u00e9 sobre os estribos e disparar flechas em todas as dire\u00e7\u00f5es.    <\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o imp\u00e9rio mongol se estendia desde a \u00c1ustria at\u00e9 a S\u00edria, R\u00fassia,      Vietn\u00e3 e China.<\/p>\n<h4>HIST\u00d3RIA &#8211; ANTIGUIDADE<\/h4>\n<p>Podemos precisar a data de origem de todos os esportes conhecidos nos tempos      modernos e antigos, mas como o arqueirismo isso n\u00e3o aconteceu pois todas as      informa\u00e7\u00f5es que possu\u00edmos se perdem nas origens mais remotas da civiliza\u00e7\u00e3o      humana. Pesquisas feitas em restos arqueol\u00f3gicos tran\u00e7ando-se a presen\u00e7a de      Carbono 14, informam a presen\u00e7a do arqueirismo cerca de 25.000 anos atr\u00e1s,      t\u00e3o antigo portanto como as mais remotas manifesta\u00e7\u00f5es de civiliza\u00e7\u00e3o, e a      descoberta dessa arma formid\u00e1vel pelo homem primitivo assegurou a sua sobreviv\u00eancia      , permitindo ca\u00e7ar, e a se defender ou atacar outros grupos hostis, nas guerras      tribais de outrora.<\/p>\n<p>Podemos afirmar sem medo de erro, que somente a descoberta do fogo se ombreou      em import\u00e2ncia com a do arqueirismo, permitindo a ascens\u00e3o da esp\u00e9cie humana      na superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n<h4>Da Antig\u00fcidade at\u00e9 a Idade M\u00e9dia<\/h4>\n<p>Do per\u00edodo que compreende desde os tempos b\u00edblicos at\u00e9 o s\u00e9culo XVI, encontramos      in\u00fameras refer\u00eancias escritas sobre o arqueirismo, por\u00e9m a maioria delas encarando-se      sob o ponto de vista da sua utilidade como arma de guerra, nada especializada      sobre esportes , a n\u00e3o ser alguns informes sobre os jugos ol\u00edmpicos gregos,      a festividades eg\u00edpcias, ass\u00edrias, babil\u00f4nicas e depois os jogos romanos no      Coliseu. <\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo que vai at\u00e9 o final da Idade M\u00e9dia, o poder de uma na\u00e7\u00e3o, tanto      de conquista como de defesa dependia inteiramente do valor e destreza de seus      arqueiros infantes ou montados, e os epis\u00f3dios hist\u00f3ricos que conhecemos desde      os nossos estudos infantis sobre Hist\u00f3ria Geral nos esclarecem tal fato. Temos      tamb\u00e9m as lendas gregas est\u00e1ticas sobre seus her\u00f3is arqueiros. <\/p>\n<p>Na Europa, Inglaterra \u00e9 que tem a primazia do desenvolvimento do arqueirismo,      o c\u00e9lebre &#8220;arco-longo&#8221; ingl\u00eas e as flechas bem emplumadas para precis\u00e3o      do tiro escreveram p\u00e1ginas memor\u00e1veis nas batalhas e asseguraram a grandeza      da Gr\u00e3 Bretanha, batalhas tais como Crecy, Poitiers e Agincourt, e foi tamb\u00e9mo      poder dos arqueiros dos bar\u00f5es ingleses que for\u00e7aram ao Rei Jo\u00e3o a assinatura      da Magna Carta. <\/p>\n<p><strong>Foi na Inglaterra que se escreveu o primeiro livro sobre o ensinamento      da arte do arqueirismo:<\/strong> &#8220;TOXOPHILUS&#8221; de Robert Ascham,      o qual era instrutor da Rainha Elizabeth, isto em 1545. Apesar do seu texto      em ingl\u00eas arcaico, o seu conte\u00fado \u00e9 atual, n\u00e3o difere em nada do que se tem      escrito modernamente. <\/p>\n<p>Os antigos reis ingleses baixaram \u00e9ditos obrigando a todos os jovens ingleses      a terem arcos e um n\u00famero obrigat\u00f3rio de flechas sempre a m\u00e3o. Isto criava      uma esp\u00e9cie de mil\u00edcia nacional sempre armada de prontid\u00e3o, contra as repetidas      invas\u00f5es dos vikings, normandos, etc&#8230; e para que o interesse sobre o arqueirismo      permanecesse aceso, eram promovidos v\u00e1rios torneios nacionais e regionais      nos contatos ingleses e os vencedores recebiam honras de her\u00f3is nacionais      e favores de realeza, inclusive bons pr\u00eamios em dinheiro, e a guerra das duas      rosas marcou o \u00e1pice da fama do arqueirismo como principal arma de guerra.      A descoberta da p\u00f3lvora e a introdu\u00e7\u00e3o das armas de fogo, tornaram ent\u00e3o obsoleto      para a guerra. <\/p>\n<h4>Da Renascen\u00e7a at\u00e9 a Era Moderna<\/h4>\n<p>Apesar de substitu\u00eddo como arma de guerra, o arqueirismo entretanto continuou,      principalmente na Inglaterra, como um esporte, tanto de interesse popular      como da aristocracia. N\u00e3o existem competi\u00e7\u00f5es, considerava-se um ato de eleg\u00e2ncia      e de educa\u00e7\u00e3o aprimorada saber-se atirar uma flecha de maneira correta. <\/p>\n<p><strong>Os ingleses praticavam com o arqueirismo, um jogo que intitulavam      de ROVER (passeio) o qual desenrolava da seguinte maneira: <\/strong>1 grupo      de arqueiros sa\u00eda atrav\u00e9s de um bosque ou de um relvado e um deles indicava      um obst\u00e1culo qualquer do local como o primeiro alvo (uma \u00e1rvore, uma moita,      etc&#8230;) e em seguida todos atiravam no mesmo. O que chegasse perto da marca      escolhida era proclamado capit\u00e3o do grupo e escolha o alvo seguinte. Este      ROVER GAME incrementou o gosto pelo arqueirismo e fez notar a necessidade      de competi\u00e7\u00f5es organizadas, pois tudo aquilo que \u00e9 esporte depende desse ponto      fundamental. Em fins do s\u00e9culo XVIII fundou-se a REAL SOCIEDADE DE TOXOPHILLIA      e em 1844 aconteceu o 1\u00ba campeonato Ingl\u00eas de Arqueirismo. Modernamente o      arqueirismo ingl\u00eas \u00e9 controlado pela GRAND NATIONAL ACRCHERY SOCIETY, na regi\u00e3o      de Essex. <\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica o arqueirismo foi introduzido nos E.U.A. por um grupo de entusiastas      em 1828, os quais criaram ao ARQUEIROS UNIDOS DE FILAD\u00c9LFIA, que competiram      regularmente durante 20 anos, at\u00e9 se desencadear a Guerra Civil. Em 1879 fundou-se      a NATIONAL ARCHERY ASSOCIATION (N.A.A) e realizou-se o 1\u00ba campeonato estadunidense      neste mesmo ano, e desde essa \u00e9poca nunca pararam as competi\u00e7\u00f5es durante os      anos de guerra as competi\u00e7\u00f5es eram realizadas por correspond\u00eancia (MAIL MATCH).    <\/p>\n<p>A partir de 1930 as competi\u00e7\u00f5es nos E.U.A. se estenderam de costa a costa,      e o aparecimento de novos arcos e materiais para as flechas, a pre\u00e7os e facilidade      mais acess\u00edveis aos esportistas, e nos dias de hoje acredita-se que existam      mais arqueiros praticantes do que em todas hordas de Gengis Kahn, ou nos efetivos      dos ex\u00e9rcitos europeus. Surgiram publica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas especializadas, tais      como as revistas BOW AND ARROW e THE ARCHERY &#8216; S MAGAZINE. <\/p>\n<p>Em 1940 a ca\u00e7a com arco e flecha foi legalizada em alguns estados americanos      o que abriu um campo novo para milhares de novos praticantes que n\u00e3o se interessavam      pelo tipo de competi\u00e7\u00e3o ao alvo e ent\u00e3o foi fundada a NATIONAL FIELD ARCHERY      ASSOCIATION (N.A.F.A.) que realizou o seu primeiro campeonato em 1946. Por      outro lado os arqueiros profissionais organizaram a PROFESSIONAL ARCHERS ASSOCIATION      (P.A.A.) e os fabricantes de equipamento fundaram a ARCHERY MANUFACTURES ORGANIZATION      (A.M.O.) esta \u00faltima \u00e9 que financia as despesas de viagens das equipes americanas      ao exterior. Na Europa, ber\u00e7o do arqueirismo esportivo, o esporte evoluiu      tamb\u00e9m de maneira grandiosa e em 1930 criou-se ent\u00e3o o organismo internacional      denominado FEDERATION INTERNATIONALE DE TIR L&#8217;ARC, conhecida pela sua sigla      FITA. Antes disto o arqueirismo j\u00e1 tinha considerado esporte ol\u00edmpico em 1908      e 1920, e agora novamente em 1972 e 1976, depois de consider\u00e1veis esfor\u00e7os      desenvolvidos pelos pa\u00edses interessados. <\/p>\n<p>Foi grande a modifica\u00e7\u00e3o do panorama t\u00e9cnico no Brasil, desde a introdu\u00e7\u00e3o      do arqueirismo at\u00e9 os dias de hoje. Os arcos primitivos foram de madeira,      muitos deles feitos de ir\u00ed (ou air\u00ed) uma madeira fibrosa de palmeira, muito      el\u00e1stica, e esses arcos adaptados de arcos ind\u00edgenas at\u00e9 hoje os encontramos      em clubes servindo de material para os novatos. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as flechas, elaboradamente feitas \u00e0 m\u00e3o, e empenadas com penas de      peru, tingidas ou n\u00e3o, at\u00e9 hoje prestam bons servi\u00e7os \u00e0s classes menores (infantis      e juvenis) ou para aprendizado de adultos. <\/p>\n<p>A seguir aparecem os arcos de a\u00e7o, que marcaram \u00e9poca e muitos recordes,      eram de fabrica\u00e7\u00e3o sueca (SEFAB), ou ent\u00e3o ingleses da marca APOLLO. Acompanhando      esta nova conquista vieram os outros complementos tais como flechas de tubo      de a\u00e7o (SEFAB e PATHFINDER) , flechas de alum\u00ednio temperado marca EASTON e      finalmente as flechas de carbono-alum\u00ednio tamb\u00e9m da marca EASTON .<\/p>\n<p>Essas flechas de uma qualidade insuper\u00e1vel, altamente resistentes, hoje dominam      as prefer\u00eancias dos arqueiros, devido \u00e0 precis\u00e3o do seu v\u00f4o, resultado de      um equil\u00edbrio quase perfeito.<\/p>\n<p>Os arcos modernos s\u00e3o todos laminados de fibra de vidro madeira e carbono      com o corpo em alum\u00ednio e magn\u00e9sio, evolu\u00edram do LONGBOW (arco longo e reto)      para o deflexo e depois para o deflexo-reflexo, onde o limbo ou parte flex\u00edvel      \u00e9 caprichosamente recurvo em duas curvas que trabalham em oposi\u00e7\u00e3o, conferindo      uma resposta el\u00e1stica inexced\u00edvel no tiro. Mais modernos ainda s\u00e3o os arcos      compostos, surgidos em 1969.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os acess\u00f3rios indispens\u00e1veis sofreram evolu\u00e7\u00e3o, as cordas para os      arcos, antigamente feitas laboriosamente com linha crua encerada, ou de linho,      foram substitu\u00eddas por um novo material sint\u00e9tico, o fio de FAST FLIGHT, um      poliester inextens\u00edvel.. Os aparelhos de pontaria sofreram melhoras consider\u00e1veis,      existindo at\u00e9 miras telesc\u00f3picas e el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Os alvos, laboriosamente pintados \u00e0 m\u00e3o, hoje j\u00e1 s\u00e3o impressos.<\/p>\n<h4>O arco como esporte <\/h4>\n<p>A primeira competi\u00e7\u00e3o organizada de arco e flecha que se tem registro ocorreu      em Finsbury, Inglaterra em 1583 e contou com 3000 participantes! <\/p>\n<p>Durante a Guerra dos 30 anos (1618-1648), ficou claro que o arco como arma      de guerra pertencia ao passado, devido \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o das armas de fogo. Desde      ent\u00e3o o tiro com arco tem se desenvolvido como esporte e lazer.<\/p>\n<h4>A hist\u00f3ria do arco no Brasil<\/h4>\n<p><strong>Os prim\u00f3rdios do arco e da flecha<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>tiro com arco<\/strong> \u00e9 uma das artes mais antigas e que ainda      continua sendo praticada. A hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o do arco e flecha no mundo      nos remete \u00e0 hist\u00f3ria da pr\u00f3pria ra\u00e7a humana. <\/p>\n<p>Alguns historiadores acreditam que o arco e flecha \u00e9 uma das tr\u00eas mais importantes      inven\u00e7\u00f5es da Humanidade, junto com a descoberta do fogo e o desenvolvimento      da linguagem. <\/p>\n<p>No in\u00edcio, paus e pedras eram as \u00fanicas armas do homem contra predadores      maiores, mais fortes e mais r\u00e1pidos. Mas, armado com arco e flecha, o Homem      subitamente se tornou o mais eficiente ca\u00e7ador na Terra, capaz de atirar em      sua presa com precis\u00e3o de uma dist\u00e2ncia segura. O arco e flecha deu aos homens      maior prote\u00e7\u00e3o, uma dieta rica em prote\u00ednas, e tamb\u00e9m um suprimento mais abundante      de materiais crus como ossos, tend\u00f5es e peles, dos quais os primeiros humanos      dependiam.<\/p>\n<p>Primitivas pinturas de cavernas, tais como as descobertas no leste da Espanha,      provam que o homem j\u00e1 ca\u00e7ava com arco e flecha h\u00e1 pelo menos 12.000 anos.    <\/p>\n<p>Antigas pontas de flecha encontradas em Bir-El-Atir, na Tun\u00edsia, datam de      mais longe ainda, algo como 40 mil anos atr\u00e1s. Evidencias de arcos tem sido      encontradas em todas as partes do mundo, inclusive na Austr\u00e1lia, onde inicialmente      se pensou que o arco n\u00e3o teria sido usado.<\/p>\n<h4>O arco atrav\u00e9s dos tempos<\/h4>\n<p>Apesar do arco e flecha datar da Idade da Pedra, os primeiros registros hist\u00f3ricos      indicam que os Eg\u00edpcios o utilizaram 5000 anos AC com prop\u00f3sitos de ca\u00e7a e      como arma de guerra.<\/p>\n<p>Em 1200 AC, os Ass\u00edrios constru\u00edram arcos mais recurvados e menores, aumentando      a potencia de tiro e facilitando o uso quando montados em cavalos.<\/p>\n<p>Na China, o arco data da dinastia Shang (1766-1027 AC). Durante a dinastia      Zhou (Chou) (1027-256 BC), os nobres da corte promoviam campeonatos de arco      e flecha acompanhados de m\u00fasica e elegantes sauda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, uma de suas artes marciais originalmente conhecida como kyujutsu      (a arte do arco), e atualmente conhecida como kyudo (caminho do arco), continua      sendo praticado at\u00e9 hoje nos mesmos padr\u00f5es de seus ancestrais. Depois de      um ritual de movimentos, o arqueiro se dirige para a linha de tiro e atira      num alvo de 36 cm de di\u00e2metro colocado num banco de areia e encoberto, a uma      distancia de 28 metros. O arco tem 2,21 metros de comprimento e \u00e9 constru\u00eddo      com l\u00e2minas de bambu e madeira.<\/p>\n<p>No per\u00edodo Greco-Romano, o arco era usado mais para ca\u00e7a do que para guerra.      Tanto os Gregos quanto os Romanos usaram os Cretoneanos como arqueiros. <\/p>\n<p>Os Romanos eram considerados arqueiros de segunda categoria, pois puxavam      o arco at\u00e9 o peito e n\u00e3o usavam a puxada longa at\u00e9 a face, o que d\u00e1 mais precis\u00e3o      ao tiro. Desta forma os seus oponentes sempre apresentavam maior habilidade      no tiro com arco.<\/p>\n<p>Os Parthians (ancestrais dos povos Asi\u00e1ticos) por exemplo, foram cavaleiros      que desenvolveram a habilidade de rotacionar sobre a sela e efetuar o tiro      com arco para tr\u00e1s, em pleno galope. A superioridade dos equipamentos e das      t\u00e9cnicas dos orientais continuou por s\u00e9culos, e at\u00e9 hoje os atletas koreanos      t\u00eam atua\u00e7\u00e3o marcante nos Jogos Ol\u00edmpicos.<\/p>\n<p>Para os nativos Americanos o arco foi um instrumento de subsist\u00eancia e de      sobreviv\u00eancia durante os per\u00edodos de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estudos recentes no Brasil mostraram o perfil verdadeiro dos Bandeirantes.      Eram mesti\u00e7os que utilizavam o arco e flecha como arma nas suas jornadas pela      conquista de terras e ouro.<\/p>\n<p>Fonte:  www.manualdearqueiria.kit.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arco e Flecha, Tiro, Hist\u00f3ria, Esporte, Brasil, Equipamentos, Tipos, Modalidades, Arqueiros, Artes, Caracter\u00edstica, T\u00e9cnicas, Arco e Flecha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[305],"tags":[],"class_list":["post-62702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-esportes"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Arco e Flecha, Tiro, Hist\u00f3ria Arco e Flecha<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Arco e Flecha, Tiro, Hist\u00f3ria, Esporte, 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