{"id":61336,"date":"2016-07-12T13:23:22","date_gmt":"2016-07-12T13:23:22","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=61336"},"modified":"2026-02-09T16:10:13","modified_gmt":"2026-02-09T18:10:13","slug":"dia-nacional-das-relacoes-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-nacional-das-relacoes-publicas","title":{"rendered":"Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p><b>02 de Dezembro<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Defini\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos autores definem Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas como sendo uma fun\u00e7\u00e3o administrativa da comunica\u00e7\u00e3o. Como defini\u00e7\u00e3o geral existe certo consenso sobre a atividade de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas estar relacionada a um planejamento estrat\u00e9gico do processo de comunica\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es. O objetivo deste planejamento seria alinhar os interesses das organiza\u00e7\u00f5es com os de seus p\u00fablicos, de modo a conseguir a boa vontade destes, despertando a credibilidade e a confian\u00e7a em seus produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entendermos o porqu\u00ea da dificuldade de conceituar &#8220;Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;, identificamos o que seja uma defini\u00e7\u00e3o a partir da constitui\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um campo que sintetiza as caracter\u00edsticas definidoras de sociedade na medida em que envolve, segundo Polistchuk e Trinta (2003, p. 63):\u00a0<\/strong>(\u2026) um ethos, que diz respeito \u00e0 atitude de quem opina ou argumenta, um logos, que se refere \u00e0 racionalidade inerente \u00e0 opini\u00e3o ou ao argumento apresentado; e um pathos, que tem a ver com a arte de tornar apaixonante o fato mesmo de opinar ou de argumentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E as\u00a0<b>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/b>\u00a0s\u00e3o uma \u00e1rea que pertence \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, pois interpretam os acontecimentos e identificam as possibilidades de resolu\u00e7\u00e3o por meio de atitudes comunicacionais. A problem\u00e1tica toda se resume em sistematizar este processo, criando um modelo definidor desta \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se depararem com a diversidade de conceitos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas conforme os diferentes autores, os estudantes da \u00e1rea veem ampliadas as dificuldades naturais para quem inicia a explora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de um campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao pesquisar as diversas defini\u00e7\u00f5es dos autores, parece-nos que ocorre certa contradi\u00e7\u00e3o entre a defini\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e a especifica\u00e7\u00e3o da atividade, com \u00eanfase na administra\u00e7\u00e3o dos relacionamentos estrat\u00e9gicos como sendo fun\u00e7\u00e3o do rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas, mas tamb\u00e9m como uma defini\u00e7\u00e3o do que pode vir a ser a \u00e1rea. Essa confus\u00e3o deve-se \u00e0 dificuldade de conciliar conceitos para exemplificar, de modo simples e conciso, o que \u00e9 a \u00e1rea, o profissional e a atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Conceituando Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habermas (2003) discute amplamente o desenvolvimento do significado e utiliza\u00e7\u00e3o dos termos &#8220;p\u00fablico&#8221; e &#8220;opini\u00e3o p\u00fablica&#8221; tanto nos aspectos hist\u00f3ricos como sociol\u00f3gicos. No processo de des-constru\u00e7\u00e3o da esfera p\u00fablica, ao comentar sua mudan\u00e7a estrutural, o autor primeiro coloca o &#8220;p\u00fablico&#8221; como sujeito da esfera p\u00fablica, portador da &#8220;opini\u00e3o p\u00fablica&#8221;, cuja fun\u00e7\u00e3o seria tornar p\u00fablico assuntos de interesse do povo, nos debates judiciais, significado que se modifica com a entrada da m\u00eddia no contexto, passando a significar um &#8220;atributo de quem desperta a opini\u00e3o p\u00fablica; public relations, nome com que s\u00e3o batizados os relacionamentos com os p\u00fablicos&#8221; (HABERMAS, 2003, p. 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para melhor conceituar a \u00e1rea, James Grunig e Todd Hunt elaboraram o que chamaram de modelos para descrever quatro tipos de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que acreditavam ser os mais usados em toda a hist\u00f3ria da \u00e1rea, tanto no aspecto te\u00f3rico quanto pr\u00e1tico da profiss\u00e3o (GRUNIG e HUNT, 1984, p. 21). Estes quatro modelos (ag\u00eancia de imprensa\/divulga\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, assim\u00e9trico e sim\u00e9trico) surgem de uma proposta para entender como s\u00e3o praticadas as Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, simplificando o estudo das teorias e das pr\u00e1ticas, possibilitando conhecer qual o modelo mais praticado pelas organiza\u00e7\u00f5es. Os quatro modelos diferem um do outro em suas finalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o primeiro quanto o segundo modelo se caracterizam por serem modelos de uma m\u00e3o, em que o retorno das informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 importante e t\u00e3o pouco necess\u00e1rio para a boa realiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Diferente destes, os modelos &#8220;assim\u00e9trico&#8221; e &#8220;sim\u00e9trico&#8221; t\u00eam como fundamento o retorno de informa\u00e7\u00f5es e por isso s\u00e3o denominados &#8220;modelos de duas m\u00e3os&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os diferentes modelos podem ser encontrados em uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o. Um elemento de extrema import\u00e2ncia para a defini\u00e7\u00e3o de qual modelo \u00e9 mais utilizado e que est\u00e1 presente nos trabalhos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 a pesquisa. Grunig e Hunt (1984, p. 24) explicam que a principal inten\u00e7\u00e3o dos que trabalham com Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 informar o p\u00fablico de maneira dirigida e, para isso, utilizam-se de pesquisas que apontem os diferenciais de cada p\u00fablico. O modelo &#8220;ag\u00eancia de imprensa\/divulga\u00e7\u00e3o&#8221; raramente utiliza a pesquisa, a n\u00e3o ser para descobrir quais informa\u00e7\u00f5es devem constar em cada meio de comunica\u00e7\u00e3o e o quanto o p\u00fablico est\u00e1 satisfeito com determinado produto ou servi\u00e7o. O modelo &#8220;informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; tamb\u00e9m utiliza a pesquisa como subs\u00eddio para formatar a comunica\u00e7\u00e3o para p\u00fablicos abrangentes e menos conhecidos. \u00c0s vezes usam a pesquisa para verificar se a informa\u00e7\u00e3o correta chegou ao destino pretendido, demonstrando que as organiza\u00e7\u00f5es que praticam esse modelo n\u00e3o t\u00eam conhecimento da amplitude da import\u00e2ncia da pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em contrapartida, os modelos de duas m\u00e3os s\u00e3o assim nomeados, pois fazem um uso extensivo de pesquisas, dos dois tipos:<\/strong>\u00a0formativa, que ajuda a planejar e determinar os objetivos; e avaliativa, que descobre se os objetivos foram alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modelo assim\u00e9trico utiliza a pesquisa formativa para descobrir quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas dos p\u00fablicos e o que eles esperam da organiza\u00e7\u00e3o, identificando pol\u00edticas e metas corporativas. Com a pesquisa avaliativa, neste modelo verifica-se o retorno das informa\u00e7\u00f5es, se a comunica\u00e7\u00e3o ocorreu da maneira como foi planejada e se o comportamento dos p\u00fablicos foi modificado depois da campanha de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas promovida (GRUNIG e HUNT, 1984, p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No modelo sim\u00e9trico, a pesquisa formativa \u00e9 usada para identificar o que os p\u00fablicos percebem da organiza\u00e7\u00e3o e determinar as conseq\u00fc\u00eancias das pol\u00edticas organizacionais para estes p\u00fablicos. Neste modelo, este tipo de pesquisa pode ser usado para a organiza\u00e7\u00e3o compreender e administrar a comunica\u00e7\u00e3o de forma a melhor atender o interesse p\u00fablico. E a pesquisa avaliativa \u00e9 usada para conhecer a compreens\u00e3o m\u00fatua entre a alta administra\u00e7\u00e3o e os p\u00fablicos atingidos pela organiza\u00e7\u00e3o (GRUNIG e HUNT, 1984, p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes quatro modelos foram desenvolvidos ap\u00f3s extensa pesquisa, a partir da qual Grunig e Hunt (1984, p.24) buscavam uma maneira mais eficaz de conduzir a comunica\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es. Mas com a amplia\u00e7\u00e3o dos estudos, estes pesquisadores percebem que definir modelos n\u00e3o bastava, e elaboram o que fica conhecido como Princ\u00edpios de Excel\u00eancia em Comunica\u00e7\u00e3o, a partir de pesquisa realizada ao longo de 10 anos, em cerca de 3000 empresas norte-americanas, que acreditamos n\u00e3o seja relevante ser descrita neste trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>As conceitua\u00e7\u00f5es brasileiras<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim\u00f5es (1995, p. 13) apresenta o mundo das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas a partir da for\u00e7a pol\u00edtica da opini\u00e3o p\u00fablica, que exerce press\u00e3o sobre as organiza\u00e7\u00f5es existentes no sistema social, estabelecendo sua defini\u00e7\u00e3o, a causa da sua exist\u00eancia, os instrumentos utilizados, dentre outros aspectos. Sim\u00f5es define a profiss\u00e3o a partir dos aspectos conceitual e operacional. A defini\u00e7\u00e3o conceitual enxerga as Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas como uma &#8220;ci\u00eancia&#8221;, na medida em que haja a preocupa\u00e7\u00e3o com um conhecimento que permita explicar, prever e controlar o exerc\u00edcio de poder entre a organiza\u00e7\u00e3o e seus p\u00fablicos (SIM\u00d5ES, 1995, p.43). A defini\u00e7\u00e3o operacional procura responder \u00e0 pergunta &#8220;como se exerce esta atividade?&#8221;, como \u00e9 realizado o trabalho comunicacional. Neste aspecto, Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 capaz de analisar as tend\u00eancias, prevendo as consequ\u00eancias das decis\u00f5es a serem tomadas, agindo a partir de programas planejados de comunica\u00e7\u00e3o para assessorar as tomadas de decis\u00e3o. No contexto da ci\u00eancia, Sim\u00f5es define como objetos da atividade a organiza\u00e7\u00e3o e os p\u00fablicos (SIM\u00d5ES, 1995, p.43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Kunsch (1997, p. 113), as rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas funcionam de maneira integrada \u00e0s demais \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o e, juntas, formam o que \u00e9 definido por &#8220;comunica\u00e7\u00e3o integrada&#8221;, entendida como uma interdepend\u00eancia das \u00e1reas de uma organiza\u00e7\u00e3o em termos comunicacionais para que haja excel\u00eancia no fluxo de informa\u00e7\u00f5es e relacionamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O posicionamento de Kunsch se d\u00e1 na linha de Andrade, para quem a principal (e talvez \u00fanica) fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 a responsabilidade de promover uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz dentro das organiza\u00e7\u00f5es (ANDRADE, 1983, p.97). Ao discutir a forma\u00e7\u00e3o deste profissional, este autor apresenta como problema para reconhecimento do profissional da \u00e1rea a compet\u00eancia no uso do idioma nas comunica\u00e7\u00f5es escritas, refor\u00e7ando a &#8220;teoria&#8221; de que &#8220;rp n\u00e3o escreve bem&#8221;. Como solu\u00e7\u00e3o, sugere que os rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas treinem sua capacidade de escrita e busquem sempre se aperfei\u00e7oar, uma necessidade comum \u00e0 maioria das profiss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas defini\u00e7\u00f5es deixam claras as diverg\u00eancias existentes quanto \u00e0 conceitua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas tanto no que diz respeito aos pressupostos te\u00f3ricos como quanto \u00e0 atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Conforme aponta Fran\u00e7a (2003) a maior dificuldade em conceituar a atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas surge justamente da aceita\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es originadas do meio profissionais, sem uma problematiza\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, sem a devida an\u00e1lise, pela academia, por princ\u00edpio de onde deve partir o debate cr\u00edtico sobre a ess\u00eancia da atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas\u00a0<\/strong>\u00e9 um dos profissionais da assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da empresa que cuida da imagem institucional . Ele estrutura projetos, pesquisa ou quadro econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural, analisa o mercado, desenvolve promo\u00e7\u00f5es e eventos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, ele necessita de muita habilidade comunicativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio saber falar em p\u00fablico, redigir documentos e comunicados, adaptar a linguagem ao p\u00fablico e entender de estrat\u00e9gias de marketing.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para promover uma boa imagem da empresa ou do \u00f3rg\u00e3o em que trabalha, o rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deve criar artigos, sugest\u00f5es de pauta e divulgar material para a imprensa, sempre se preocupando com a veracidade das informa\u00e7\u00f5es passadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/strong>\u00a0rastreia o notici\u00e1rio verificar alguma mat\u00e9ria ou reportagem que foi pautada pelas informa\u00e7\u00f5es que ele passou da empresa. Assim, o rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas produz relat\u00f3rios de visibilidade da empresa na imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 responsabilidade desse profissional formular pol\u00edticas de administra\u00e7\u00e3o de crises. Qualquer problema que a empresa venha a ter com a sociedade deve ser &#8220;tratado&#8221; pelo rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, de maneira que a empresa se desculpe pelo transtorno e amenize as consequ\u00eancias disso para sua imagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o exerc\u00edcio dessa ocupa\u00e7\u00e3o, o profissional deve se formar em um curso de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dom\u00ednio de, ao menos, uma l\u00edngua estrangeira \u00e9 desej\u00e1vel, pois a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a base de sua profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Conhe\u00e7a um pouco do perfil profissional e do hist\u00f3rico da data<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>2 de dezembro, \u00e9 comemorado o Dia Nacional do Profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/b>, e a Universidade Federal do Maranh\u00e3o aproveita a oportunidade para parabenizar profissionais e estudantes do curso, existente na Institui\u00e7\u00e3o desde 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A data se torna importante por ser um dia em que se trabalha a valoriza\u00e7\u00e3o desse profissional pouco reconhecido e com tamanha import\u00e2ncia para o mercado de trabalho. Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas trabalham relacionamento com diversos p\u00fablicos, com planejamento e objetivo&#8221;, comenta a coordenadora do N\u00facleo de RP e cerimonial da Institui\u00e7\u00e3o da Universidade, Raphisa Kashemyra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a coordenadora do N\u00facleo de RP da R\u00e1dio Universidade e professora do curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social, Amarilis Cardoso, a data serve para mostrar, tamb\u00e9m, o papel social que o profissional de RP exerce em seu of\u00edcio. &#8220;Esse profissional trabalha a comunica\u00e7\u00e3o em toda sua complexidade, um profissional que luta por um direito, que \u00e9 o direito de se informar e faz com que o direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o seja legitimado. Essa \u00e9 a bandeira e o norte da nossa profiss\u00e3o&#8221;, define Amarilis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7a um pouco mais do perfil do\u00a0<strong>rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem n\u00e3o sabe, o profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas atua nas organiza\u00e7\u00f5es do primeiro setor (governos), do segundo setor (empresas) e do terceiro setor (Ongs, associa\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e civis, partidos, sindicatos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessas organiza\u00e7\u00f5es, ele realiza pesquisa de opini\u00e3o, auditoria de imagem e diagn\u00f3sticos dos processos de comunica\u00e7\u00e3o. A partir dessas pesquisas, planeja as a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, assessora a administra\u00e7\u00e3o, gerencia as a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o e avalia as a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o empreendidas pelas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que 2 de dezembro \u00e9 o Dia Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2 de dezembro de l876, nasceu em Penedo, Estado de Alagoas, Eduardo Pinheiro Lobo, que foi o primeiro profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O marco inicial das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil aconteceu em S\u00e3o Paulo em 30 de janeiro de l914. Eduardo Pinheiro Lobo foi nomeado para chefiar o rec\u00e9m criado Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da empresa canadense THE S\u00c3O PAULO TRAMWAY LIGHT AND POWER Co. LIMITED, concession\u00e1ria da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do transporte coletivo na capital paulista. Na ocasi\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o da Light, sentindo a necessidade de um setor especializado para cuidar do seu relacionamento com os \u00f3rg\u00e3os da imprensa e com os poderes concedentes, desenvolveu um trabalho de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas com a imprensa, objetivando o esclarecimento da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reuni\u00e3o de 12 de dezembro de l975, o Conselho Nacional da ABRP instituiu a &#8220;Medalha Eduardo Pinheiro Lobo&#8221; destinada a premiar as pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas, nacionais ou estrangeiras, que tenham prestado relevantes servi\u00e7os \u00e0 classe dos profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. As pessoas agraciadas com a medalha s\u00e3o os senhores Jarbas Passarinho, Divaldo Suruagy, Natalino Pereira de Souza, Domingos de Ara\u00fajo da Cunha Gon\u00e7alves e C\u00e2ndido Teobaldo de Souza Andrade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>No Brasil<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">30 de janeiro de 1914! Pela primeira vez no Brasil e talvez no mundo, criava-se um departamento com a denomina\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Esta gl\u00f3ria pertence \u00e0 antiga \u201cThe Light and Power Co. Ltda.\u201d, concession\u00e1ria da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do transporte coletivo na capital paulista, conhecida durante muitos anos como \u201cLight\u201d, uma companhia canadense estabelecida no Brasil no S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o da Light, sentindo a necessidade de um setor especializado para cuidar do seu relacionamento com os \u00f3rg\u00e3os da imprensa e com os poderes concedentes, no sentido de desenvolver um trabalho de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas com a imprensa, objetivou o esclarecimento da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o desse Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas foi entregue ao engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo, nascido em 2 de dezembro de 1876, na cidade de Penedo (Alagoas). Durante dezenove anos, o engenheiro Lobo exerceu as fun\u00e7\u00f5es de diretor de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da \u201cLight\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 1973, o professor Teobaldo de Andrade perguntava:<\/strong>\u00a0\u201cPor que n\u00e3o considerar esse pioneiro o &#8220;Pai das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil&#8221;?\u201d A Lei n\u00ba 7.197, de 14 junho de 1984, instituiu o \u201cDia da Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas\u201d, quando foi declarado Patrono das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas Eduardo Pinheiro Lobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reuni\u00e3o do ent\u00e3o Conselho Nacional da ABRP, em 13 de dezembro de 1975, em S\u00e3o Paulo, foi institu\u00edda a \u201cMedalha Eduardo Pinheiro Lobo\u201d, destinada a premiar as pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas, nacionais ou estrangeiras, que tenham relevantes servi\u00e7os prestados \u00e0 classe dos Profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No campo governamental, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o do aparecimento de um servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 indicada pela reorganiza\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Publicidade Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio da Agricultura e sua transforma\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Decreto-Lei n\u00ba 2.094, de 28 de mar\u00e7o de 1940).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas em nosso pa\u00eds, destaca-se a contribui\u00e7\u00e3o do grupo liderado pelo professor M\u00e1rio Wagner Vieira da Cunha, do Instituto de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo, quando foram realizadas, em 1949, v\u00e1rias confer\u00eancias sobre Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e suas correla\u00e7\u00f5es com a propaganda e as ci\u00eancias sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em 1949, na cidade do Rio de Janeiro, o DASP promoveu o chamado \u201cCurso de Rela\u00e7\u00f5es com o P\u00fablico\u201d, tendo como professores Ibany da Cunha Ribeiro e Di\u00f3genes Bittencourt Monteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1953, a Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, na cidade do Rio de Janeiro, realizou o 1o. Curso de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas sob a reg\u00eancia do professor Carlson, e posteriormente foram ministrados outros, por Harwood Childs, da Universidade de Princeton, uma das maiores autoridades, especialmente no que se refere \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em S\u00e3o Paulo, o primeiro servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, com esse t\u00edtulo, deu-se em 1954, no Departamento de \u00c1guas e Esgotos, com a denomina\u00e7\u00e3o de Se\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 1955, pelo Decreto no. 25.112 de novembro foram criados os Setores de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas nas Secretarias de Estado e \u00d3rg\u00e3os diretamente subordinados ao Governador, em decorr\u00eancia desse decreto, o antigo DEA promoveu um Semin\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas para os ocupantes dos cargos de redator do Servi\u00e7o P\u00fablico (julho de 1956), que contou com a participa\u00e7\u00e3o dos professores:<\/strong>\u00a0Neville Shepherd, May Nunes de Souza, Juarez Brand\u00e3o Lopes, Benedito Silva, Florindo Villa Alvarez e outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo semestre de 1959, foi institu\u00edda a disciplina de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas Governamentais no Curso de Administra\u00e7\u00e3o Geral no ent\u00e3o DEA. Em 1960 foi instalado o primeiro curso regular de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, \u201cCurso Especial de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas\u201d e, em 1964, o curso foi transformado em Curso de Forma\u00e7\u00e3o em Grau M\u00e9dio, com tr\u00eas n\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Estado do Rio de Janeiro, o primeiro Servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, na \u00e1rea governamental, foi criado pela Prefeitura de Niter\u00f3i, gra\u00e7as ao trabalho de No\u00e9 Matos Cunha, em 1957.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>COMUNICA\u00c7\u00c3O &#8211; RELA\u00c7\u00d5ES P\u00daBLICAS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cen\u00e1rio Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a entre a coloniza\u00e7\u00e3o das duas Am\u00e9ricas reflete, como n\u00e3o podia deixar de ser, a distin\u00e7\u00e3o entre as filosofias que nortearam seus respectivos desenvolvimentos. Leva-se em conta tamb\u00e9m a varia\u00e7\u00e3o de motivos que levaram seus habitantes a constitu\u00edrem as respectivas sociedades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante notar que, enquanto no Brasil se desarticulava o ensino, nos Estados Unidos j\u00e1, h\u00e1 muito, havia sido instalada a primeira impressora e a imprensa estava prestes a entrar na \u00e1rea dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa. E, ainda, que o incremento da profiss\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas se deu longe dos moldes e intensidade com que eram feitos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1872, a capital da prov\u00edncia n\u00e3o contava com mais de 23.000 habitantes. O refluxo dos imigrantes, originalmente encaminhados apenas para as lavouras de caf\u00e9, aumenta consideravelmente a popula\u00e7\u00e3o das cidades, chamando sobre si a aten\u00e7\u00e3o dos importadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes, tendo em vista as novas tarifas protecionistas, estabelecidas por Alves Branco para produtos importados e percebendo o potencial do crescente mercado urbano, paradoxalmente, inauguram aqui a era industrial, esclarece SCHULTEN (1982,p. 63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bastante modesto seu in\u00edcio, a atividade fabril intensifica-se rapidamente, conquistando a cidade de S\u00e3o Paulo o nome de maior centro industrial do pa\u00eds. As greves s\u00e3o deflagradas, no Brasil, os protestos se faziam na maior parte contra os atrasos de pagamentos e as despedidas em massa durante as crises. Fiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de engenho e da fazenda, o empres\u00e1rio brasileiro considerava o oper\u00e1rio um ser socialmente inferior, sem capacidade de participar das decis\u00f5es que afetassem seu pr\u00f3prio destino (SAENS apud SCHULTEN,1986) e, certamente, n\u00e3o um parceiro de di\u00e1logo como pretendido pelas Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atitude dos empres\u00e1rios torna-se elitista e autorit\u00e1ria, mentalidade que exclui a possibilidade, de um di\u00e1logo entre todos, a n\u00e3o ser os bons homens que encabe\u00e7am os destinos de suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em 1876, na cidade alagoana de Penedo, \u00e0s margens do mais brasileiros dos rios nacionais &#8211; o Rio S\u00e3o Francisco. Eduardo Pinheiro Lobo foi aluno do Col\u00e9gio Militar do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em virtude da revolta armada, em 1896, aos seus 19 anos de idade, segue para a Inglaterra para estudar engenharia . Voltou para o Brasil, erradicado-se em S\u00e3o Paulo, onde constituiu, fam\u00edlia ao casar-se com Ema Schwob Lobo, com quem teve seis filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhou em algumas ind\u00fastrias, ingressando na Light em 1906. Nesta empresa, como competente funcion\u00e1rio, logo se destacou, alcan\u00e7ando posi\u00e7\u00f5es de relevo gra\u00e7as ao dinamismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GURGEL (1985,p.14) refor\u00e7a que as Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas chegam ao Brasil, a 30 de Janeiro, com a cria\u00e7\u00e3o do departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na &#8220;The S\u00e3o Paulo Tramway Light and Power Co&#8221;. Sendo este, o primeiro servi\u00e7o regular de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas a funcionar no pa\u00eds. Acrescenta, ainda, que seus padr\u00f5es eram Canadenses e Norte-americanos e seus regulamentos s\u00e3o Ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto, de fato, ainda o \u00e9. Constata-se que o servi\u00e7o atualmente, disp\u00f5e de 250 mil metros lineares de documenta\u00e7\u00e3o a respeito da empresa, com relat\u00f3rios todos redigidos em Ingl\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na Am\u00e9rica do Sul tem seu marco hist\u00f3rico no Brasil, em 1914, quando a dire\u00e7\u00e3o da antiga &#8220;The San Paulo Tramway Light and Power Company Limited&#8221;, hoje Eletropaulo, criou o departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Na ordem de servi\u00e7o que criava o departamento e a designa\u00e7\u00e3o de Eduardo Pinheiro Lobo para diretor, estavam tra\u00e7ados os objetivos das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e o aparecimento do primeiro diretor de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil, acrescenta THOMAZI (1986,p.26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo deste setor era dar informa\u00e7\u00f5es ao p\u00fablico e coube ao engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo dirigir o Departamento, onde ficou por 19 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WEY (1986,p.34) considera que, apesar de constar como marco inicial das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil, a cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da The S\u00e3o Paulo Tramway Light and Power Co, em 1914, foi a partir de meados dos anos 50 que as atividades se profissionalizaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Pinheiro Lobo faleceu em 1933 e conduziu seus trabalhos com esp\u00edrito de um verdadeiro homem de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. No exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es na Light, desenvolveu um trabalho para manuten\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de um relacionamento eficiente com a impressa e seus diversos p\u00fablicos. Assumiu em seu cargo de Superitendente de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, diante das pesquisas realizadas na funda\u00e7\u00e3o de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico da Light. Consta hoje nos arquivos das cartas da Inspetoria Geral da Empresa, o nome de Dr. Antonio Carlos Cardoso sucessor de Eduardo Pinheiro Lobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Departamento tinha, como atribui\u00e7\u00f5es cuidar dos neg\u00f3cios da Light com as autoridades estaduais e municipais, administrar passes escolares concedidos pela companhia aos estudantes e, ainda, outros assuntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa \u00e9poca dif\u00edcil para a empresa, durante a seca que assolava S\u00e3o Paulo, procurou sempre a transpar\u00eancia e o esclarecimento \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois, devido ao aumento de energia el\u00e9trica que absorvia a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de suas duas usinas durante a estiagem, estava a Light no fim de seus recursos, quando conseguiu receber energia extra de uma usina em Sorocaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reservat\u00f3rio de regulariza\u00e7\u00e3o alimentado de uma usina da Parna\u00edba, no rio Tiet\u00ea, estava com o n\u00edvel baixo e o suprimento recebido em Sorocaba, constituiu um al\u00edvio normalizando a situa\u00e7\u00e3o, como se ver\u00e1 mais adiante. Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o de energia, a Light desfrutou de elevado prest\u00edgio, gra\u00e7as ao seu eficiente servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. A empresa n\u00e3o foi condenada pela redu\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um servi\u00e7o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas bem planejado e executado eficientemente, a Light soube harmonizar os interesses diversos da empresa e do p\u00fablico, facilitando a coopera\u00e7\u00e3o e a credibilidade entre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A repercuss\u00e3o deste trabalho teve ecos importantes, que ficaram para sempre marcados na hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo, em 1941, a Companhia Sider\u00fargica Nacional, durante a Segunda Guerra Mundial, foi implantada no Brasil. \u00c9 nela que, dez anos mais tarde, Sylla M. Chave instalaria o que viria a ser o primeiro departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas verdadeiramente nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo esta mesma influ\u00eancia pioneira, a Escola Brasileira de Administra\u00e7\u00e3o, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, promove, em 1953, um curso de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, ministrado por Eric Carlson, difundindo o interesse pela causa de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas que o legado de Eduardo Pinheiro Lobo suscitara em toda a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo, em 1967, funda o curso de gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, quando j\u00e1 havia uma ampla compreens\u00e3o sobre a necessidade de sistematiza\u00e7\u00e3o desse conhecimento espec\u00edfico, tendo em vista o crescente fasc\u00ednio que as t\u00e9cnicas de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas suscitavam nas classes empresariais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posteriormente, os cursos profissionalizantes se proliferaram por v\u00e1rios estados brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda sob a influ\u00eancia das id\u00e9ias de Eduardo Pinheiro Lobo, em 21 de Julho de 1954, foi fundada a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. E em 11 de Dezembro de 1967, era sancionada a Lei n\u00b0 5.377, disciplinando a profiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas brasileiras, cujo regulamento foi complementado pelo decreto n \u00b0 63.283, de 26 de Dezembro de 1968. A profiss\u00e3o passou, assim, a ser oficial. E logo mais tarde em 1972, o Conselho Federal dos Profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas aprovava o &#8220;C\u00f3digo de \u00c9tica&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura extraordin\u00e1ria de Eduardo Pinheiro Lobo deveria perpetuar-se na mem\u00f3ria de todos os brasileiros, em particular dos habitantes da cidade de Penedo por ser o ber\u00e7o de Eduardo Pinheiro Lobo; e S\u00e3o Paulo, por ter sido o primeiro estado a utilizar-se da express\u00e3o e da profiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, deixando, assim, um ensinamento para as institui\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, privadas ou p\u00fablicas, acad\u00eamicas ou n\u00e3o, no que diz respeito ao reconhecimento do trabalho dos pioneiros da Comunica\u00e7\u00e3o Social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Erick Martorano da Silva, t\u00e9cnico em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, juntamente com o incentivo do professor Natalino Pereira de Souza, reconhece o valor e enaltece o trabalho realizado na Light por Eduardo Pinheiro Lobo na Obra Um s\u00edmbolo de Pioneirismo das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (s.d.). Este trabalho foi realizado como registro hist\u00f3rico da cria\u00e7\u00e3o &#8220;Medalha M\u00e9rito Eduardo Pinheiro Lobo&#8221;, pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Se\u00e7\u00e3o Regional de Pernambuco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de sua import\u00e2ncia, o livro teve uma edi\u00e7\u00e3o artesanal, em 1979, com divulga\u00e7\u00e3o restrita. Ainda assim, \u00e9 o \u00fanico estudo mais sistematizado sobre o pioneiro das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, reunindo uma s\u00e9rie de documentos relacionados ao personagem estudado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Revista RP Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas em Revista, de n\u00famero 30, publicado em S\u00e3o Paulo, em 1974, apresenta capa com foto e a manchete EDUARDO PINHEIRO LOBO:<\/strong>\u00a0PIONEIRO DE RP NO BRASIL. No interior da publica\u00e7\u00e3o, encontra-se uma breve mat\u00e9ria com apresenta\u00e7\u00e3o de Eduardo Pinheiro Lobo e coment\u00e1rios a respeito da import\u00e2ncia de sua atua\u00e7\u00e3o para a atividade profissional mencionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na edi\u00e7\u00e3o de n\u00famero 55, a mesma revista registra a homenagem a esse pioneiro feita no IV Congresso Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, apresentando o documento de cria\u00e7\u00e3o do departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na Light, em 1914, e a transcri\u00e7\u00e3o da palestra proferida por Jos\u00e9 Grandjean dos Santos Pinto, sob o t\u00edtulo A FIGURA E OBRA DE EDUARDO PINHEIRO LOBO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor do artigo foi assistente de ger\u00eancia de Publicidade e Divulga\u00e7\u00e3o e de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Light &#8211; Servi\u00e7os de Eletricidade S. A, em S\u00e3o Paulo, tendo sido, portanto, contempor\u00e2neo do personagem estudado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas revistas s\u00e3o encontradas na Casa do Penedo, uma entidade de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da cidade alagoana de Penedo. Esta institui\u00e7\u00e3o preserva tamb\u00e9m algumas fotos e documentos do pioneiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 diante de todos estes fatores e autores que intercambiam id\u00e9ias a respeito do pioneirismo das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil tais com, Roberto de Paula Leite, C\u00e2ndido Teobaldo de Souza Andrade, Sylla M. Chaves ( apud Samuel H. Jameson), Cic\u00edlia Krohling Peruzzo, Margarida Maria Krohling Kunsch, Hebe Wey, J.B. Serra Gurgel, Maria Stella Thomazi, Helga Iracema Schulten, entre muitos outros, que buscam sob esta constru\u00e7\u00e3o de pensamento salientar a contribui\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do primeiro departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na Light, tendo a frente, como diretor, o engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo, considerado Patrono das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil:<\/b>\u00a0retrospectiva e aspectos relevantes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no contexto da sociedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PENSAR AS\u00a0<strong>RELA\u00c7\u00d5ES P\u00daBLICAS\u00a0<\/strong>no Brasil nos leva a relembrar alguns fatos marcantes que se destacam na sua trajet\u00f3ria no pa\u00eds. Um dos primeiros aspectos a considerar diz respeito \u00e0 necessidade de levarmos em conta a vincula\u00e7\u00e3o desta e de qualquer \u00e1rea do conhecimento e do mercado profissional com o contexto e a conjuntura vivida pela na\u00e7\u00e3o brasileira em diferentes momentos, per\u00edodos e d\u00e9cadas. Conforme nos ensina Chanlat (1996, p. 49), Os contextos s\u00e3o os modos de leitura da situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o as estruturas de interpreta\u00e7\u00e3o, os esquemas cognitivos que cada pessoa possui e utiliza para compreender os acontecimentos que ocorrem e em particular o que nos interessa. Portanto, a hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria neutra, est\u00e1 atrelada a uma conjuntura nacional, que, por conseguinte, sofre todas as influ\u00eancias, tanto social quanto global.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma breve retrospectiva que faremos a seguir, veremos que \u00e9 justamente nos per\u00edodos democr\u00e1ticos vividos pela sociedade brasileira que a \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas encontra maiores possibilidades para sua alavancagem e florescimento. Esta perspectiva \u00e9 bastante presente na trajet\u00f3ria da vida do Prof. Walter Ramos Poyares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Retrospectiva e os fatos que fizeram a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgimento e o pioneirismo da Lighth, em 1914 &#8211; Cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, tendo como chefe Eduardo Pinheiro Lobo &#8211; &#8220;patrono da profiss\u00e3o&#8221;. Experi\u00eancia que, apesar de pioneira, foi isolada, n\u00e3o ocorrendo maior crescimento nas tr\u00eas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e9cadas de 1940-1950<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1946 &#8211; Democracia no pa\u00eds.<br \/>\nPol\u00edtica industrial desenvolvimentista &#8211; Get\u00falio Vargas,<br \/>\nProcesso de industrializa\u00e7\u00e3o e a vinda das empresas multinacionais &#8211; Juscelino Kubitschek de Oliveira.<br \/>\nDesenvolvimento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; m\u00eddia impressa e eletr\u00f4nica.<br \/>\nAg\u00eancia de Publicidade e Propaganda &#8211; crescimento do setor e os primeiros Departamentos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<br \/>\n<strong>Institutos de Pesquisas:\u00a0<\/strong>IBOPE e MARPLAN &#8211; estudos de audi\u00eancia para conhecer os efeitos dos an\u00fancios. As pesquisas eram voltadas para os interesses comerciais para subsidiar as decis\u00f5es das empresas anunciantes.<br \/>\nGrupo de Estudos no Instituto de administra\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e da Univerisdade de S\u00e3o Paulo (USP) &#8211; primeiros cursos especializados com conferencistas estrangeiros &#8211; Eric Carlson.<br \/>\n<strong>Cria\u00e7\u00e3o da Companhia Sider\u00fargica Nacional:\u00a0<\/strong>1951 &#8211; primeiro departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas com caracter\u00edsticas de Identidade Nacional.<br \/>\n<strong>Primeira empresa de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e Propaganda:<\/strong>\u00a010\/10\/52 &#8211; In\u00e1cio Penteado da Silva Teles e Romildo Fernandes &#8211; Cia. Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e Propaganda.<br \/>\n<strong>Funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (ABRP):<\/strong>\u00a01954 &#8211; Surgem os primeiros e efetivos departamentos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas nas empresas multinacionais e nas ag\u00eancias de Publicidade e Propaganda; o Jornalismo Empresarial come\u00e7a a ganhar for\u00e7as; surgem os boletins e os house organs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e9cada de 1960<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conjuntura pol\u00edtica e a ditadura militar a partir de 1964 e as influ\u00eancias negativas para o reconhecimento social das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<br \/>\n<b>Papel das Assessorias de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica &#8211; Assessoria Especial de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (AERP)<\/b>: 1968 &#8211; Propaganda ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil demonstra que de fato houve tal influ\u00eancia. Bastaria citar a cria\u00e7\u00e3o de departamentos e a publica\u00e7\u00e3o de guias e manuais dessa \u00e1rea nos minist\u00e9rios das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O brasilianista Thomas Skidmore (1988, p. 221) afirma:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens do coronel Costa transformarem a AERP, que n\u00e3o conseguira decolar no governo Costa e Silva, na opera\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas mais profissional que o Brasil j\u00e1 vira. Uma equipe de jornalistas, psic\u00f3logos e soci\u00f3logos decidia sobre os temas e o enfoque geral, depois contratava ag\u00eancias de propaganda para produzir document\u00e1rios para TV e cinema, juntamente com mat\u00e9rias para os jornais.\u00a0<b>Certas frases de efeito davam bem a medida da filosofia que embasava a AERP:<\/b>\u00a0&#8220;Voc\u00ea constr\u00f3i o Brasil&#8221;; &#8220;Ningu\u00e9m segura este Pa\u00eds !&#8221;; &#8220;Brasil, conte comigo!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo de 116 spots contratados com 24 ag\u00eancias de propaganda mostrou que oitenta por cento exaltavam a import\u00e2ncia do trabalho, o valor da educa\u00e7\u00e3o e o papel construtivo das for\u00e7as armadas. As mensagens, nas palavras do coronel Octavio, a fortalecer &#8220;uma saud\u00e1vel mentalidade de seguran\u00e7a nacional&#8221;, que \u00e9 indispens\u00e1vel para a defesa da democracia e para a garantia do esfor\u00e7o coletivo com vistas ao desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos que a atua\u00e7\u00e3o agressiva dessa assessoria contribuiu para formar um conceito negativo da ess\u00eancia das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas junto a formadores e multiplicadores de opini\u00e3o, num per\u00edodo t\u00e3o conturbado da vida nacional. Justamente nos meios intelectuais, art\u00edsticos, sindicais e da m\u00eddia \u00e9 que a atividade da AERP passou a ser vista como suspeita e enganosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pesquisa que fizemos, houve quase um consenso na afirma\u00e7\u00e3o de que essa interfer\u00eancia do regime militar, tanto nos anos 60 (por meio da AERP) como nos anos 70 e 80 (por meio da AIRP &#8211; Assessoria de Imprensa e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, da ARP Assessoria de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e da SECOM &#8211; Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social), cria equ\u00edvocos sobre o papel das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre muitos outros depoimentos obtidos, dois s\u00e3o bastante ilustrativos:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os militares que atuaram em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na \u00e1rea do Governo, por terem acesso direto e privilegiado aos dirigentes de empresas, passaram a estes a id\u00e9ia de que a fun\u00e7\u00e3o representaria um &#8220;poder oculto&#8221; dentro de suas organiza\u00e7\u00f5es. E tanto se a louvou que ela viria a banalizar-se, num desgaste sem precedente para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento na d\u00e9cada de 60, como na de 70, ocorreu de uma pr\u00e1xis de conv\u00edvio um tanto suspeito com o regime vigente. O crescimento das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas deu-se principalmente em raz\u00e3o de dois fatos. Um, o de que a atividade era de interesse dos militares, a ponto de v\u00e1rios gerentes de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em grandes organiza\u00e7\u00f5es, na \u00e9poca, terem sido militares. Outro, o de que a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas adotada a partir da gest\u00e3o do General M\u00e9dici virou um paradigma para todo o servi\u00e7o p\u00fablico e se reproduziu at\u00e9 mesmo em algumas grandes empresas. Deriva da\u00ed a grande expans\u00e3o desse mercado para os jornalistas, que passaram a ser contratados para a produ\u00e7\u00e3o de trabalhos de nossa \u00e1rea. Isso levou a uma grande crise entre os profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. (Kunsch, 1997, p. 27)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV Congresso Mundial de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Rio de Janeiro &#8211; 10 a 14 de outubro de 1967. Walter Ramos Poyares participou como membro da comiss\u00e3o organizadora e conferencista do painel &#8220;Forma\u00e7\u00e3o Profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o &#8211; Lei 5.377 de 11 de setembro de 1967, sob a \u00e9gide do AI n\u00ba 5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00ba Curso Superior Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas Escola de Comunica\u00e7\u00f5es Culturais da USP &#8211; hoje ECA\/USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornalismo Empresarial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Editores de Jornais e Revistas de Empresas (ABERJE):<\/strong>\u00a01967;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Surgimento da Programa\u00e7\u00e3o e Assessoria Editorial (PROAL):<\/strong>\u00a01968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta mesma d\u00e9cada, em 1961, Poyares criou e foi diretor do curso, em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, de Opini\u00e3o P\u00fablica e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e9cada de 1970<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atua\u00e7\u00e3o das Assessorias de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no governo federal:<\/strong>\u00a0Assessoria Executiva de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (AERP), Assessoria de Imprensa e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (AIRP), Assessoria de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas (ARP) e Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social (SECOM);<br \/>\nPropaganda ideol\u00f3gica e aproveitamento de fatos pol\u00edticos relevantes.<br \/>\nProlifera\u00e7\u00e3o das escolas de comunica\u00e7\u00e3o e surgimento de novos cursos.<br \/>\nAcomoda\u00e7\u00e3o e euforia injustificada da categoria com a regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e9cada de 1980<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abertura pol\u00edtica e transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica:<\/strong>\u00a0grandes transforma\u00e7\u00f5es no campo acad\u00eamico e nas organiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nCria\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Opini\u00e3o P\u00fablica &#8211; CONRERP SP\/PR.<br \/>\nCampanha de valoriza\u00e7\u00e3o profissional e o VI Congresso Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas em 1982 &#8211; Bras\u00edlia, DF.<br \/>\n<strong>Plano de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Rodhia:<\/strong>\u00a01985.<br \/>\nNovas configura\u00e7\u00f5es e terminologias dos Departamentos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o Social.<br \/>\nA dimens\u00e3o comunit\u00e1ria &#8211; as primeiras experi\u00eancias nas universidades.<br \/>\nA ABERJE e suas mudan\u00e7as Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o Empresarial no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>D\u00e9cada de 1990<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transforma\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas mundiais e o fen\u00f4meno da globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; o repensar a profiss\u00e3o.<br \/>\nInternacionaliza\u00e7\u00e3o das empresas e assessorias de comunica\u00e7\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Assessorias de imprensa se transformam em assessorias de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTerceiriza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de Comunica\u00e7\u00e3o Empresarial e as possibilidades ampliadas para as Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<br \/>\nA import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito corporativo\/institucional &#8211; O mercado e o papel das assessorias de comunica\u00e7\u00e3o, de imprensa e de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<br \/>\nAs iniciativas do Conselho Federal do Profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e do Conselho Regional dos Profissionais de RP &#8211; de s\u00e3o Paulo e Paran\u00e1 &#8211; Parlamento Nacional para revis\u00e3o da regulamenta\u00e7\u00e3o de profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Documento:<\/strong>\u00a0&#8220;Conclus\u00f5es do Parlamento Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>In\u00edcio do Terceiro Mil\u00eanio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na sociedade contempor\u00e2nea:<\/strong>\u00a0desafios e exig\u00eancias;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fortalecimento e consolida\u00e7\u00e3o da \u00e1rea tanto no n\u00edvel acad\u00eamico e no mercado profissional. Crescimento de novos cursos.<br \/>\nEst\u00e1gio avan\u00e7ado do mercado da Comunica\u00e7\u00e3o Organizacional no Brasil e novas exig\u00eancias para uma crescente profissionaliza\u00e7\u00e3o e, pelas suas peculiaridades, cabe \u00e0s Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas gerenciar essa comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Estado democr\u00e1tico. Nos regimes totalit\u00e1rios n\u00e3o h\u00e1 lugar para a pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nova postura das organiza\u00e7\u00f5es frente \u00e0 sociedade, aos p\u00fablicos e \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica. Presta\u00e7\u00e3o de contas e responsabilidade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste contexto, o Prof. Walter Ramos Poyares, no seu livro Imagem p\u00fablica:<\/strong>\u00a0gl\u00f3ria para uns e ru\u00edna para os outros (1998), alerta para qual deve ser o papel das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e sua contribui\u00e7\u00e3o para a cidadania e a democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclama \u00e0 participa\u00e7\u00e3o ativa:\u00a0<\/strong>A forma\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia participativa, traduzida na constitui\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de entidades diversas, implica convocar os profissionais da mobiliza\u00e7\u00e3o social, conceito mais amplo da especializa\u00e7\u00e3o profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. J\u00e1 se foi o tempo em que Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas serviam de biombo para candidatos a socialites. (Poyares, 1998, p. 171)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A globaliza\u00e7\u00e3o, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a complexidade contempor\u00e2nea ir\u00e3o exigir cada vez mais das organiza\u00e7\u00f5es, mas sem perder a perspectiva de sua dimens\u00e3o social e do cultivo dos valores democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Professor Walter Ramos Poyares, ao defender esses valores democr\u00e1ticos e um Brasil com menos desigualdades sociais, prop\u00f5e que, Em muitos casos, os profissionais de RP poderiam agir como verdadeiros ombudsmen, canalizando a vontade do povo em causas por seu bem-estar. Tudo isso, por\u00e9m, deveria obedecer \u00e0 metodologia mais moderna de comunica\u00e7\u00e3o, pesquisa, avalia\u00e7\u00e3o, usando equipamento informatizado. Reconhe\u00e7o que h\u00e1 v\u00e1rios problemas a examinar na montagem de mecanismos de a\u00e7\u00e3o pelos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o e RP. A meta a perseguir \u00e9 o reequilibro da sociedade, a redu\u00e7\u00e3o dessas disparatadas diferen\u00e7as e desn\u00edveis. Refazendo-se o tecido social, estabiliza-se a democracia. Permitem os companheiros que este profissional de longa viv\u00eancia e algum acervo de realiza\u00e7\u00f5es os convoque para a miss\u00e3o de despertar a consci\u00eancia de cidadania e combater a deteriora\u00e7\u00e3o crescente do car\u00e1ter nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos suportar mais a imagem de um pa\u00eds de espertos, corruptos e ladravazes.\u00a0<b>Os profissionais de RP s\u00e3o compreens\u00e3o e podem, nessa qualidade, arregimentar para recoser esse tecido, em mil partes rompido, e atrav\u00e9s de milhares de pequenos movimentos ou organiza\u00e7\u00f5es trabalhar fecundamente para a transforma\u00e7\u00e3o em realidade dos fundamentos que definem o regime democr\u00e1tico brasileiro de direito<\/b>: I. a soberania; II. A cidadania; III. A dignidade da pessoa humana; IV. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V. o pluralismo pol\u00edtico. (Poyares, 1998, p. 175-176)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil:\u00a0<\/b>a teoriza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas:<\/b>\u00a0teoria versus pr\u00e1tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este trabalho teve como objetivo abordar a teoriza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica da atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil, a partir da an\u00e1lise das disserta\u00e7\u00f5es mestrado e teses de doutorado defendidas nos Programas de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes, da Universidade de S\u00e3o Paulo e da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. A escolha destas institui\u00e7\u00f5es se deu pelo pioneirismo da USP na institui\u00e7\u00e3o do curso de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, pela proximidade f\u00edsica com a Metodista e pela tradi\u00e7\u00e3o dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das duas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diversos autores discutem sobre a \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e, historicamente, os aspectos pr\u00e1ticos s\u00e3o preferidos aos te\u00f3ricos, refor\u00e7ando as defici\u00eancias apontadas por Andrade (1983), entre elas a utiliza\u00e7\u00e3o de assessoria de imprensa para a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, sem existir planejamento e a\u00e7\u00f5es integradas com os demais setores da empresa, o que provoca o reconhecimento da atividade &#8220;apenas&#8221; como uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, dificultando sua consolida\u00e7\u00e3o como campo de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2006, a profiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas completou cem anos de uma exist\u00eancia marcada por acontecimentos hist\u00f3ricos, como a luta pelo fim da ditadura nos pa\u00edses latinos (d\u00e9cada de 1960) e o in\u00edcio da chamada &#8220;nova democracia&#8221;. O estudo destes cem anos nos ajuda a entender como a profiss\u00e3o se criou e se firmou mundialmente. Ao conhecer o &#8220;nascimento&#8221; de uma carreira temos mais par\u00e2metros para analisarmos melhor como o seu crescimento e mudan\u00e7as podem ser \u00fateis para o desenvolvimento futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3ria das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No inicio do s\u00e9culo XX, enquanto a Europa est\u00e1 em guerra, a situa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses da periferia \u00e9 de desenvolvimento e crescimento, para o que \u00e9 necess\u00e1rio a estrutura\u00e7\u00e3o dos sistemas de energia e transporte. \u00c9 neste contexto que vem para o Brasil, em 1914, a empresa &#8220;The Light and Power Co&#8221;. Uma vez instalada, a empresa, que tinha padr\u00f5es de trabalho e modo de produ\u00e7\u00e3o canadenses e norte-americanos, sentiu a necessidade de criar um departamento de comunica\u00e7\u00e3o que auxiliasse na adequa\u00e7\u00e3o dos procedimentos comunicacionais \u00e0 cultura brasileira, buscando a cria\u00e7\u00e3o de uma imagem positiva junto a este seu &#8220;novo&#8221; p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um departamento de comunica\u00e7\u00e3o instalado nas pr\u00f3prias depend\u00eancias significava uma preocupa\u00e7\u00e3o a mais com todas as pessoas afetadas pelo trabalho da empresa e demonstrava que ela acompanhava os acontecimentos e a eventual repercuss\u00e3o junto \u00e0 empresa. Neste sentido, o objetivo do departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Light, que ficou sob a tutela do engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo por 19 anos, era somente informar o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta \u00e9poca, come\u00e7o do s\u00e9culo XX, as empresas come\u00e7am a identificar a necessidade de serem bem vistas pela sociedade, em especial pelas institui\u00e7\u00f5es governamentais, por acionistas e pelos potenciais consumidores, percebendo a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de uma identidade e imagem organizacional. Em 1914, foi institu\u00eddo o &#8220;Dia Nacional do Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221; pela lei n\u00ba 7197, um poss\u00edvel reflexo do trabalho de comunica\u00e7\u00e3o viabilizado pela Light and Power ou ainda do desenvolvimento da informa\u00e7\u00e3o institucional, trabalhada Eduardo Pinheiro Lobo, que foi declarado Patrono das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e, em 1975, pai das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1952, surge a primeira ag\u00eancia brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, a &#8220;Companhia Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;. Esta empresa prestava servi\u00e7os especializados de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, estudos de forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o p\u00fablica e propaganda, sob a dire\u00e7\u00e3o de Romildo Fernandes e Jorge Ign\u00e1cio Penteado da Silva Telles. A Companhia mais tarde passaria a se chamar &#8211; Assessoria Nacional de Comunica\u00e7\u00e3o Ltda (GURGEL, 1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente na d\u00e9cada de 1960 surgem os primeiros cursos regulares de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, em resposta a uma demanda de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fasc\u00ednio que as t\u00e9cnicas de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas exerciam nas classes empresariais fez com que a Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo, em 1966, pensasse o primeiro o curso de gradua\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, que come\u00e7ou a funcionar no ano seguinte. Neste mesmo ano, era sancionada a lei n\u00ba 5.377 que regulamentava a profiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1968, a General Motors do Brasil criou o Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, que realizou uma experi\u00eancia pioneira encaminhando uma carta de apresenta\u00e7\u00e3o do departamento rec\u00e9m-criado aos funcion\u00e1rios. Nesta apresenta\u00e7\u00e3o, era solicitada a colabora\u00e7\u00e3o dos mesmos para o aprimoramento da comunica\u00e7\u00e3o dentro da empresa. Esta solicita\u00e7\u00e3o s\u00f3 conseguiu seis respostas, o que levou ao desenvolvimento de um trabalho de esclarecimento com a utiliza\u00e7\u00e3o de um Manual de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre san\u00e7\u00f5es e decretos de lei que determinavam, por exemplo, a separa\u00e7\u00e3o da atividade de Assessoria de Imprensa e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, o Prof. C\u00e2ndido Teobaldo de Souza Andrade lan\u00e7ava o livro &#8220;Dicion\u00e1rio Profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e Comunica\u00e7\u00e3o&#8221; pela Editora Saraiva. Este livro representou uma das primeiras publica\u00e7\u00f5es nacionais da \u00e1rea, servindo como um guia aos profissionais que pouco conheciam os conceitos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros anos da d\u00e9cada de 1980, o pa\u00eds se encontrava em processo de abertura pol\u00edtica. A sociedade busca a autoconfian\u00e7a e j\u00e1 n\u00e3o aceita a subordina\u00e7\u00e3o (TEIXEIRA, 2002). Come\u00e7a ent\u00e3o o resgate da import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o como instrumento na gest\u00e3o de empresas, por\u00e9m n\u00e3o mais como uma atividade dividida em setores como rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, assessoria de imprensa e propaganda institucional. No aspecto conceitual, a preocupa\u00e7\u00e3o se concentrava em definir os aspectos operacionais da atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um acontecimento marcante para a \u00e1rea na d\u00e9cada de 1990 foi a realiza\u00e7\u00e3o do Parlamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, um encontro anual realizado de 1992 a 1997 envolvendo profissionais de todas as partes do pa\u00eds. O Parlamento possibilitou aos profissionais a manifesta\u00e7\u00e3o de d\u00favidas e insatisfa\u00e7\u00f5es acerca da profiss\u00e3o e promoveu uma reflex\u00e3o sobre a atividade, uma readequa\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o aos novos tempos e \u00e0s novas exig\u00eancias do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Parlamento resultou um documento no qual os profissionais definem novas fun\u00e7\u00f5es e atividades espec\u00edficas de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. A partir destas defini\u00e7\u00f5es, o Parlamento cumpriu, em parte, o objetivo de democratizar a atividade e tornar a comunica\u00e7\u00e3o um fator estrat\u00e9gico fundamental para a sobreviv\u00eancia da profiss\u00e3o no mercado. Mas mesmo assim, as reflex\u00f5es continuam no \u00e2mbito da pr\u00e1tica e para que uma \u00e1rea seja definida como campo cient\u00edfico \u00e9 preciso que exista um arcabou\u00e7o te\u00f3rico que fundamente as pr\u00e1ticas estabelecidas. Tendo isso em vista, \u00e9 que, neste trabalho partimos da apresenta\u00e7\u00e3o das teorias de uso mais freq\u00fcente na forma\u00e7\u00e3o do profissional desta \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lei N\u00ba 7.197, de 14 de junho de l985 Institui o &#8220;O Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fa\u00e7o saber que o Congresso Nacional decretou, o Presidente da Rep\u00fablica nos termos do 2\u00ba do art. 59, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sancionou, e eu, Lomanto J\u00fanior, 1\u00ba Vice-Presidente do Senado Federal, no exerc\u00edcio da Presid\u00eancia, nos termos do 5\u00ba do art. 59 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, promulgo a seguinte Lei<\/b>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 1\u00ba &#8211; Fica institu\u00eddo o dia dois de dezembro como o &#8220;Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 2\u00ba &#8211; Na data estabelecida no artigo anterior, as associa\u00e7\u00f5es e entidades ligadas \u00e0 atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas far\u00e3o, em todo o Pa\u00eds, promo\u00e7\u00f5es que de qualquer modo assinalem e festejem o transcurso da efem\u00e9ride.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 3\u00ba \u2013 \u00c9 declarado Patrono das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Eduardo Pinheiro Lobo, nascido em Penedo, Estado de Alagoas, em l876, e falecido em S\u00e3o Paulo, a 15 de fevereiro de l933.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 4\u00ba \u2013 Esta Lei entra em vigor na data da sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 5\u00ba \u2013 Revogam-se as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SENADOR LOMANTO J\u00daNIOR<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1\u00ba Vice-Presidente, no exerc\u00edcio da Presid\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que 2 de Dezembro \u00e9 o &#8220;Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas?&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2 de dezembro de l876, nasceu em Penedo, Estado de Alagoas, Eduardo Pinheiro Lobo, que foi o primeiro profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O marco inicial das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas no Brasil aconteceu em S\u00e3o Paulo em 30 de janeiro de l914.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Pinheiro Lobo foi nomeado para chefiar o rec\u00e9m criado Departamento de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da empresa canadense THE S\u00c3O PAULO TRAMWAY LIGHT AND POWER Co. LIMITED, concession\u00e1ria da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do transporte coletivo na capital paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ocasi\u00e3o a dire\u00e7\u00e3o da Light, sentindo a necessidade de um setor especializado para cuidar do seu relacionamento com os \u00f3rg\u00e3os da imprensa e com os poderes concedentes, desenvolveu um trabalho de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas com a imprensa, objetivando o esclarecimento da opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em reuni\u00e3o de 12 de dezembro de l975, o Conselho Nacional da ABRP instituiu a &#8220;Medalha Eduardo Pinheiro Lobo&#8221; destinada a premiar as pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas, nacionais ou estrangeiras, que tenham prestado relevantes servi\u00e7os \u00e0 classe dos profissionais de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas agraciadas com a Medalha s\u00e3o os senhores Jarbas Passarinho, Divaldo Suruagy, Natalino Pereira de Souza, Domingos de Ara\u00fajo da Cunha Gon\u00e7alves e C\u00e2ndido Teobaldo de Souza Andrade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>LEI N\u00ba 7197 QUE INSTITUIU O DIA NACIONAL DE RELA\u00c7\u00d5ES P\u00daBLICAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professor Doutor F\u00e1bio Fran\u00e7a conta a hist\u00f3ria sobre a Lei n\u00ba 7197 que institui o Dia Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Institui\u00e7\u00e3o e significa\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o do &#8220;Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221; nasceu dentro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas por iniciativa do professor C\u00e2ndido Teobaldo de Souza Andrade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema, juntamente com a elei\u00e7\u00e3o do engenheiro Eduardo Pinheiro Lobo como Patrono das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, foi debatido no congresso da ABRP de 1976, realizado em Alagoas, nas cidades de Macei\u00f3 e Penedo, terra natal de Pinheiro Lobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Pinheiro Lobo, nasceu em 02\/12\/1914, por isso denominou-se o dia nacional das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, por ter sido um grande colaborador para a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor do Projeto de Lei da C\u00e2mara N. 75, de 1980, foi o deputado por Alagoas, e s\u00f3cio da ABRP, Divaldo Suruagy. A tramita\u00e7\u00e3o do projeto ocorreu de 1983 a 1984, quando foi transformado em norma jur\u00eddica n. 7197 e promulgado seu texto integral no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, em 14 de junho de 1984, p\u00e1gina 8601, Coluna 1, sob a denomina\u00e7\u00e3o de Lei n\u00ba 7197, que Institui o &#8220;Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas&#8221;, assinado pelo Senador Lomanto J\u00fanior, 1\u00ba Vice-Presidente, no exerc\u00edcio da Presid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diz a lei:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Art. 1\u00ba \u2013 Fica institu\u00eddo o dia dois de dezembro como o \u201cDia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Art. 2\u00ba \u2013 Na data estabelecida no artigo anterior, as associa\u00e7\u00f5es e entidades ligadas \u00e0 atividade de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas far\u00e3o, em todo o Pa\u00eds, promo\u00e7\u00f5es que de qualquer modo assinalem e festejem o transcurso da efem\u00e9ride<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interessante observar que a iniciativa de se criar esse dia aconteceu no limiar da redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, o que prova a perspic\u00e1cia e a preocupa\u00e7\u00e3o dos dirigentes da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas daquela \u00e9poca em revitalizar e legitimar a atividade, que foi, praticamente, sufocada durante 20 anos pelo regime militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz, portanto, 23 anos que a ABRP se preocupou em criar o Dia Nacional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, convicta de que a comemora\u00e7\u00e3o desta data viria fortalecer a atividade, valoriz\u00e1-la e dar-lhe a necess\u00e1ria visibilidade p\u00fablica por meio de promo\u00e7\u00f5es oficiais que deveriam ser desenvolvidas pelas entidades a ela ligadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viria ainda intensificar a uni\u00e3o dos profissionais em torno de um objetivo comum &#8211; afirmar de maneira positiva a import\u00e2ncia e o papel das rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aceno ao retorno gradual, mas efetivo, do regime democr\u00e1tico deu novo \u00e2nimo \u00e0s rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, tanto pela expans\u00e3o da atividade no meio acad\u00eamico, como pela cria\u00e7\u00e3o de consultorias e ag\u00eancias, que passaram a oferecer livremente \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es os seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde esta \u00e9poca, a ABRP e os seus associados passaram a celebrar o dia dois de dezembro com orgulho e entusiasmo por meio de encontros, semanas, semin\u00e1rios e outros eventos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o era somar for\u00e7as, unir e n\u00e3o dispersar. Aproveitar a data para promover as rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nas organiza\u00e7\u00f5es e na sociedade como uma atividade capaz de contribuir, pela uni\u00e3o e o trabalho de seus profissionais, para a consolida\u00e7\u00e3o da nova sociedade que surgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse esp\u00edrito de uni\u00e3o corporativa \u00e9 o que deveria ter persistido at\u00e9 o presente para dar credibilidade e legitimidade ao exerc\u00edcio pleno da atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dia Nacional das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u00e9 o dia dois de dezembro, conforme diz a lei. Seguindo a recomenda\u00e7\u00e3o legal, hoje \u00e9 tamb\u00e9m comemorado e apoiado pelo Sistema Conferp\/Conrerps e pelo Sindicato da categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas entidades querem que seus associados unam-se em prol de uma mesma causa, dos mesmos objetivos para que as rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sejam cada vez mais reconhecidas e praticadas pelos empres\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0UFGNet\/ www.ufma.br\/www.portal-rp.com.br\/www.usp.br\/www.sinprorp.org.br\/www.conrerp.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>02 de Dezembro Defini\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas Diversos autores definem Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas como sendo uma fun\u00e7\u00e3o administrativa da comunica\u00e7\u00e3o. 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