{"id":60253,"date":"2016-07-11T12:55:21","date_gmt":"2016-07-11T12:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=60253"},"modified":"2016-07-11T13:18:12","modified_gmt":"2016-07-11T13:18:12","slug":"dia-da-juventude-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-da-juventude-no-brasil","title":{"rendered":"Dia da Juventude no Brasil"},"content":{"rendered":"<h4>22 de Setembro<\/h4>\n<p align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/dia-da-juventude-no-brasil-1.jpg\" alt=\"Dia da Juventude no Brasil\" title=\"Dia da Juventude no Brasil\" width=\"432\" height=\"289\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\">Vejo      na tv o que eles falam sobre o jovem n\u00e3o \u00e9 s\u00e9rio<br \/>\n     O jovem no Brasil nunca \u00e9 levado a s\u00e9rio(&#8230;)\u00a0<br \/>\n     Sempre quis falar, nunca tive chance<br \/>\n     Tudo que eu queria estava fora do meu alcance(&#8230;)<br \/>\n<strong>(Charlie Brown Junior \u0096 \u0093N\u00e3o \u00e9 s\u00e9rio\u0094 )<\/strong><\/p>\n<p>Este      trecho da m\u00fasica do grupo Charles Brown Junior traduz e denuncia o paradoxo      vivenciado pelos jovens no Brasil. Nunca as caracter\u00edsticas e valores ligados      \u00e0 juventude, como a energia e a est\u00e9tica corporal ou mesmo a busca do novo,      foram t\u00e3o louvados, num processo que poder\u00edamos chamar de \u0093juveniliza\u00e7\u00e3o\u0094      da sociedade. Mas, ao mesmo tempo, a juventude brasileira ainda n\u00e3o \u00e9 encarada      como sujeito de direitos, n\u00e3o sendo foco de pol\u00edticas p\u00fablicas que garantam      o acesso a bens materiais e culturais, al\u00e9m de espa\u00e7os e tempos onde possam      vivenciar plenamente esta fase t\u00e3o importante da vida. Al\u00e9m disso, como diz      a m\u00fasica, o jovem n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio, exprimindo a tend\u00eancia, muito comum      nas escolas e programas educativos, de n\u00e3o considerar o jovem como interlocutor      v\u00e1lido, capaz de emitir opini\u00f5es e interferir nas propostas que lhes dizem      respeito, desestimulando a sua participa\u00e7\u00e3o e o seu protagonismo.<\/p>\n<p>A      m\u00fasica tamb\u00e9m denuncia um outro fen\u00f4meno comum: a cria\u00e7\u00e3o de imagens e preconceitos      sobre a juventude contempor\u00e2nea, principalmente pelas m\u00eddias, que interferem      na nossa maneira de compreender os jovens. Uma das mais arraigadas \u00e9 a juventude      vista na sua condi\u00e7\u00e3o de transitoriedade, onde o jovem \u00e9 um \u0093vir a ser\u0094,      tendo, no futuro, na passagem para a vida adulta, o sentido das suas a\u00e7\u00f5es      no presente. Sob essa \u00f3tica, h\u00e1 uma tend\u00eancia de encarar a juventude na sua      negatividade, como o que ainda n\u00e3o se chegou a ser (SALEM,1986), negando o      presente vivido. Essa concep\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito presente na escola: em nome do      \u0093vir a ser\u0094 do aluno, traduzido no diploma e nos poss\u00edveis projetos      de futuro, tende a negar o presente vivido dos jovens como espa\u00e7o v\u00e1lido de      forma\u00e7\u00e3o, bem como as quest\u00f5es existenciais que eles exp\u00f5em, as quais s\u00e3o      bem mais amplas do que apenas o futuro. Quando imbu\u00eddos por esta concep\u00e7\u00e3o,      os projetos educativos perdem a oportunidade de dialogarem com as demandas      e necessidades reais do jovem, distanciando-se dos seus interesses do presente,      diminuindo as possibilidades de um envolvimento efetivo nas suas propostas      educativas.<\/p>\n<p>Esta      imagem convive com uma outra: a juventude vista como problema, ganhando visibilidade      quando associada ao crescimento alarmante dos \u00edndices de viol\u00eancia, ao consumo      e tr\u00e1fico de drogas ou mesmo \u00e0 expans\u00e3o da Aids e da gravidez precoce, entre      outros. N\u00e3o que estes aspectos da realidade n\u00e3o sejam importantes e estejam      demandando a\u00e7\u00f5es urgentes para serem equacionados. A quest\u00e3o \u00e9, ao conceber      o jovem de uma maneira reducionista, vendo-o apenas sob a \u00f3tica do problema,      as a\u00e7\u00f5es em prol da juventude passam a ser focadas na busca de supera\u00e7\u00e3o do      suposto \u0093problema\u0094 e, nesse sentido, voltam-se somente para os setores      juvenis considerados pela sociedade, pela escola e pela m\u00eddia como \u0093em      situa\u00e7\u00e3o de risco\u0094. Tal postura inibe o investimento em a\u00e7\u00f5es baseadas      na perspectiva dos direitos e que desencadeiem pol\u00edticas e pr\u00e1ticas que focalizam      a juventude nas suas potencialidades e possibilidades.<\/p>\n<p>Em      uma outra dire\u00e7\u00e3o, uma imagem presente \u00e9 a vis\u00e3o rom\u00e2ntica da juventude, que      aparece associada a um tempo de liberdade, de prazer, de express\u00e3o de comportamentos      ex\u00f3ticos. A essa id\u00e9ia se alia a no\u00e7\u00e3o de morat\u00f3ria, como um tempo para o      ensaio e erro, para experimenta\u00e7\u00f5es, um per\u00edodo marcado pela busca do prazer      e pela irresponsabilidade, com uma relativiza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es sobre      o comportamento juvenil. Nesta imagem, parece que o jovem n\u00e3o vivencia as      dificuldades e as dores tamb\u00e9m envolvidas nas descobertas, no confronto com      os limites dados pela hist\u00f3ria individual, pelo contexto familiar e social.      Mais recentemente, acrescenta-se uma outra tend\u00eancia em perceber o jovem reduzido      apenas ao campo da cultura, como se ele s\u00f3 expressasse a sua condi\u00e7\u00e3o juvenil      nos finais de semana ou quando envolvido em atividades culturais.<\/p>\n<p>Ao      pretendermos desenvolver um trabalho com jovens, torna-se necess\u00e1rio colocar      em quest\u00e3o estas imagens pois, quando arraigados nesses \u0093modelos\u0094      socialmente constru\u00eddos, corremos o risco de analisar os jovens de forma negativa,      enfatizando as caracter\u00edsticas que lhes faltariam para corresponder a um determinado      modelo de \u0093ser jovem\u0094, ou mesmo projetarmos nas novas gera\u00e7\u00f5es as      lembran\u00e7as, idealiza\u00e7\u00f5es e valores da juventude de uma outra \u00e9poca. Agindo      dessa forma n\u00e3o conseguimos apreender os modos pelos quais os jovens reais,      principalmente se forem das camadas populares, constroem a sua experi\u00eancia      como tais, muito menos apreender as suas demandas. Como nos lembra a antropologia,      para compreender \u00e9 necess\u00e1rio conhecer.<\/p>\n<p>Mas      o que \u00e9 ser jovem? Partimos da id\u00e9ia que a juventude \u00e9, ao mesmo tempo, uma      condi\u00e7\u00e3o social e um tipo de representa\u00e7\u00e3o. De um lado h\u00e1 um car\u00e1ter universal      dado pelas transforma\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo numa determinada faixa et\u00e1ria. De outro,      h\u00e1 diferentes constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e sociais relacionadas a esse tempo\/ciclo      da vida. De maneira geral, podemos dizer que a entrada da juventude se faz      pela fase que chamamos de adolesc\u00eancia e \u00e9 marcada por transforma\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas,      psicol\u00f3gicas e de inser\u00e7\u00e3o social. \u00c9 nesta fase que fisicamente se adquire      o poder de procriar, quando a pessoa d\u00e1 sinais de ter necessidade de menos      prote\u00e7\u00e3o por parte da fam\u00edlia, quando come\u00e7a a assumir responsabilidades,      a buscar a independ\u00eancia e a dar provas de auto-sufici\u00eancia, dentre outros      sinais corporais e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Mas,      ao mesmo tempo a constru\u00e7\u00e3o social da juventude pode se dar de forma muito      variada nas diferentes sociedades e em diferentes momentos hist\u00f3ricos. Assim,      podemos dizer que cada sociedade e cada grupo social lida e representa de      maneira diversa esse momento. Essa diversidade se concretiza nas condi\u00e7\u00f5es      sociais (classes sociais), culturais (etnias, identidades religiosas, valores),      de g\u00eanero, nas regi\u00f5es geogr\u00e1ficas, dentre outros. \u00c9 muito diferente, por      exemplo, a no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o jovem, de como vivencia esta fase e de como \u00e9      tratado em fam\u00edlias de classe m\u00e9dia ou de camadas populares, em um grande      centro urbano ou no meio rural. Nesta perspectiva n\u00e3o podemos enquadrar a      juventude em crit\u00e9rios r\u00edgidos, como uma etapa com um in\u00edcio e um fim pr\u00e9determinados,      muito menos como um momento de prepara\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 superado quando entrar      na vida adulta.<\/p>\n<p>Devemos      entender a juventude como parte de um processo mais amplo de constitui\u00e7\u00e3o      de sujeitos, mas que tem suas especificidades que marcam a vida de cada um.      A juventude constitui um momento determinado, mas que n\u00e3o se reduz a uma passagem,      assumindo uma import\u00e2ncia em si mesma. Todo esse processo \u00e9 influenciado pelo      meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que      este proporciona. Enfim, podemos dizer que n\u00e3o existe um \u00fanico modo de ser      jovem, o que nos leva a enfatizar a no\u00e7\u00e3o de juventudes, no plural, para explicitar      a diversidade de modos de ser jovem existentes. Neste sentido, \u00e9 fundamental      que cada escola ou projeto educativo busque construir, em conjunto com os      pr\u00f3prios jovens, um perfil do grupo com quem atuam, detectando quem s\u00e3o eles,      como constroem o modo de ser jovens, as suas demandas, necessidades e expectativas.<\/p>\n<p><strong>A      realidade dos jovens no Brasil: alguns aspectos<\/strong><\/p>\n<p>Para      ampliar nossa compreens\u00e3o a respeito dos jovens, vamos tra\u00e7ar um retrato da      juventude no Brasil, fazendo uma breve s\u00edntese dos indicadores sociais relacionados      a esta fase da vida. Nem sempre consideramos a import\u00e2ncia desses indicadores.      Contudo, um maior conhecimento dos dados estat\u00edsticos que dizem respeito \u00e0      realidade juvenil brasileira poder\u00e1 nos revelar aspectos importantes da situa\u00e7\u00e3o      desse segmento em setores importantes como emprego, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a      p\u00fablica e cultura. Esse conhecimento poder\u00e1 ampliar o nosso olhar diante da      realidade do jovem no Brasil e, quem sabe, ajudar\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de uma maior      solidariedade e responsabilidade dos educadores e do poder p\u00fablico diante      dessa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo      o Censo 2000, a popula\u00e7\u00e3o jovem, compreendida na faixa de 15 a 24 anos3, \u00e9      de cerca de 33 milh\u00f5es, correspondendo a 21% da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds. Deste      total, a grande maioria (80%) vive nas \u00e1reas urbanas, que em grande medida      n\u00e3o possuem os equipamentos sociais necess\u00e1rios para suprir suas m\u00faltiplas      necessidades de desenvolvimento. Em termos educacionais, a taxa de escolariza\u00e7\u00e3o      varia conforme os grupos de idade. Assim, entre os jovens de 15 a 17 anos,      78,8% estavam matriculados nas escolas no ano 2000. Mas esta taxa vai decrescendo      no avan\u00e7ar da idade: entre os jovens de 18 e 19 anos a taxa cai para 50,3%      e entre aqueles de 20 a 24 anos apenas 26,5% estavam estudando, uma das taxas      mais baixas da Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>O      mesmo Censo 2000 que apontou a extens\u00e3o do acesso \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o para um      maior contingente de jovens, revelou tamb\u00e9m dados preocupantes sobre o atraso      escolar no ensino p\u00fablico. Segundo o levantamento, s\u00f3 na faixa et\u00e1ria de 15      a 17 anos, mais da metade dos jovens que estudavam (52%) estavam matriculados      no ensino fundamental, que deveria ser terminado aos 14 anos. Mesmo com a      melhora relativa nos \u00edndices de escolaridade, a grande maioria dos jovens      n\u00e3o consegue chegar ao Ensino M\u00e9dio e ao Superior.<\/p>\n<p>Se      considerarmos outras vari\u00e1veis como cor da pele e origem urbana ou rural do      jovem verifica-se um quadro muito intenso de desigualdades entre os jovens.      Assim, dentre os estudantes que vivem situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o social (fam\u00edlias      que vivem com at\u00e9 \u00bd sal\u00e1rio m\u00ednimo), 69,2% s\u00e3o negros e pardos. A Pnad (Pesquisa      Nacional por Amostragem de Domic\u00edlio) de 1999 nos mostra que, no grupo de      11 a 17 anos de idade, o percentual de adolescentes negros que n\u00e3o conclu\u00edram      a 4a s\u00e9rie do ensino fundamental foi de 37,5%, enquanto entre os brancos essa      taxa foi de 17,1%. As mesmas disparidades podem ser observadas por situa\u00e7\u00e3o      de domic\u00edlio, pois 44,2% dos jovens que vivem nas \u00e1reas urbanas s\u00e3o estudantes      e apenas 28,3% daqueles que est\u00e3o na zona rural est\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o (DADOS      DE 1995).<\/p>\n<p>Uma      pesquisa realizada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada), sobre      \u0093desigualdade racial no Brasil; evolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida na d\u00e9cada      de 90\u0094, revela dados importantes sobre a situa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico\/racial da juventude      brasileira e seu processo de escolariza\u00e7\u00e3o. Esse estudo atesta a exist\u00eancia      de uma grande desigualdade racial entre jovens negros e brancos na educa\u00e7\u00e3o.      Segundo o IPEA, a escolaridade m\u00e9dia de um jovem negro com 25 anos de idade      gira em torno de 6,1 anos de estudo; um jovem branco da mesma idade tem cerca      de 8,4 anos de estudo. O diferencial \u00e9 de 2,3 anos de estudo. A intensidade      dessa discrimina\u00e7\u00e3o racial, expressa em termos de escolaridade formal dos      jovens e adultos brasileiros, \u00e9 extremamente alta, sobretudo se lembramos      que trata-se de 2,3 anos de diferen\u00e7a em uma sociedade cuja escolaridade m\u00e9dia      dos adultos gira em torno de 6 anos.<\/p>\n<p>Apesar      de reconhecer que a escolaridade m\u00e9dia dos brancos e dos negros tem aumentado      de forma cont\u00ednua ao longo do s\u00e9culo XX, os dados de tal pesquisa n\u00e3o deixam      de ser alarmantes, quando se comparam as condi\u00e7\u00f5es e a trajet\u00f3ria escolar      de jovens negros e brancos. Um jovem branco de 25 anos tem, em m\u00e9dia, mais      2,3 anos de estudo que um jovem negro da mesma idade e essa intensidade da      discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e9 a mesma vivida pelos pais desses jovens e a mesma observada      pelos seus av\u00f3s. Nesse sentido, apesar de a escolaridade m\u00e9dia de ambas as      ra\u00e7as ter crescido ao longo do s\u00e9culo, o padr\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o racial expresso      pelo diferencial de anos de escolaridade entre brancos e negros mant\u00e9m-se      absolutamente est\u00e1vel entre as gera\u00e7\u00f5es. O padr\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o racial      observado em nossa sociedade padece de uma in\u00e9rcia hist\u00f3rica. N\u00e3o h\u00e1 como      negar a urg\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que interfiram e apresentem mudan\u00e7as      nesse quadro!<\/p>\n<p>A      realidade do ensino superior \u00e9 ainda mais desoladora. Em 1999, 89% dos jovens      brancos entre 18 e 25 anos n\u00e3o haviam ingressado na universidade. Os jovens      negros nessa mesma faixa de idade, por sua vez, praticamente n\u00e3o disp\u00f5em do      direito ao acesso ao ensino superior, na medida em que 98% deles n\u00e3o ingressaram      na universidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o      podemos esquecer tamb\u00e9m dos mecanismos perversos intra\/extra escolares que      ora expulsam ou incorporam de modo prec\u00e1rio os jovens, acentuando as enormes      distor\u00e7\u00f5es escolares entre idade e s\u00e9rie e baixos n\u00edveis de conclus\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o      obrigat\u00f3ria (apenas 24,8% tem o equivalente ao ensino fundamental e mais).<\/p>\n<p>Mas      \u00e9 tamb\u00e9m imposs\u00edvel analisar a juventude brasileira se n\u00e3o for considerado      o mundo do trabalho, pois os dados de 95 demonstram que 65% dos jovens entre      15-24 anos estavam exercendo algum tipo de ocupa\u00e7\u00e3o. A maioria estava empregada      na zona rural, seguida pelo setor de servi\u00e7os, com\u00e9rcio e em quarto lugar      pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Os indicadores sociais que medem a desocupa\u00e7\u00e3o      da for\u00e7a de trabalho sugerem que a principal responsabilidade pela concentra\u00e7\u00e3o      de renda pode ser atribu\u00edda ao desemprego. No que se refere \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o      et\u00e1ria do desemprego, as piores taxas de desocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o encontradas no segmento      populacional juvenil. Os desempregados somavam nesse mesmo ano 2,1 milh\u00f5es,      cerca de 47,6% do total da PEA. Entre 1986 e 1996 o emprego assalariado foi      reduzido em 23,8%, considerando a popula\u00e7\u00e3o de 10 a 24 anos, Assim, para cada      10 jovens ocupados, 4 s\u00e3o aut\u00f4nomos, 6 s\u00e3o assalariados (4 sem carteira e      apenas 2 com carteira assinada).<\/p>\n<p>Em      termos gerais, podemos dizer que as portas do 1\u00ba emprego foram fechadas para      os jovens brasileiros, em especial aquela maioria de baixa escolaridade oriunda      dos estratos populares. O sentimento de fracasso que acompanha o jovem que      procura trabalho remunerado e n\u00e3o consegue representa uma porta aberta para      a frustra\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo e tamb\u00e9m a possibilidade do ganho pela via do crime<\/p>\n<p><strong>A      mortalidade entre jovens no Brasil \u0096 a epidemia dos homic\u00eddios<\/strong><\/p>\n<p>As      estat\u00edsticas indicam que o Brasil ocupa o terceiro lugar no mundo naquilo      que se refere ao assassinato de jovens entre 15 e 24 anos, segundo estudo      da UNESCO divulgado em agosto de 2000 e denominado Mapa da Viol\u00eancia III.      O Rio de Janeiro se tornou a terceira capital brasileira mais perigosa para      a vida de jovens na faixa et\u00e1ria entre 15 e 24 anos. De 1989 a 1998, o percentual      de jovens mortos por homic\u00eddios no Rio subiu 217,3%. Segundo informa\u00e7\u00f5es do      Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, no Brasil, as taxas de mortalidade entre homens de 15      a 24 anos s\u00e3o quase 50% maiores que as dos Estados Unidos e 100% maiores que      as registradas no Canad\u00e1, na Fran\u00e7a ou na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Os      n\u00fameros excedem aqueles relativos a pa\u00edses em situa\u00e7\u00e3o de guerra declarada.      O tr\u00e1fico e o consumo de drogas contribui fortemente para a participa\u00e7\u00e3o de      jovens brasileiros no ciclo perverso de homic\u00eddios quer sejam como agressores      ou como v\u00edtimas da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Os      traficantes de drogas encontram nos jovens das \u00e1reas populares urbanas uma      m\u00e3o-de-obra barata e dispon\u00edvel para seus empreendimentos que se situam no      contexto de uma rede a\u00e7\u00f5es criminosas que envolvem tamb\u00e9m o roubo, os jogos      de azar, a explora\u00e7\u00e3o sexual, a extors\u00e3o e o com\u00e9rcio ilegal de armas.<\/p>\n<p>Assim,      para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o jovem brasileira &#8211; seus setores empobrecidos      &#8211; os n\u00edveis de escolaridade s\u00e3o bastante baixos, o trabalho prec\u00e1rio ou o      desemprego s\u00e3o realidades cotidianas, observando-se poucas perspectivas de      vida diante do incremento da viol\u00eancia nas \u00e1reas urbanas metropolitanas, sobretudo      os homic\u00eddios. Estes indicadores sociais constituem-se numa forte evid\u00eancia      para a confirma\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de que as juventudes n\u00e3o s\u00e3o apenas muitas, mas      s\u00e3o, fundamentalmente, constitu\u00eddas por m\u00faltiplas dimens\u00f5es existenciais que      condicionam o leque de oportunidades da viv\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o juvenil. A situa\u00e7\u00e3o      dessas diferentes parcelas de jovens se v\u00ea agravada pelo encolhimento do Estado      na esfera p\u00fablica, que n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es por meio de pol\u00edticas que contemplem      a juventude, o que gera uma privatiza\u00e7\u00e3o e despolitiza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de      vida. Neste contexto, as fam\u00edlias se v\u00eaem cada vez mais responsabilizadas      por garantir a reprodu\u00e7\u00e3o dos seus membros, n\u00e3o contando com quem as possa      ajudar a se ajudar\u0094.<\/p>\n<p>Nesse      sentido, se desejamos trabalhar ou se j\u00e1 trabalhamos com a juventude faz-se      necess\u00e1rio um conhecimento mais ampliado e mais profundo sobre a condi\u00e7\u00e3o      juvenil brasileira. Veremos que o nosso trabalho extrapola o cotidiano propriamente      dito e que o mundo adulto tem uma responsabilidade social para com a nossa      juventude. Essa compreens\u00e3o poder\u00e1 reorientar nossas imagens, vis\u00f5es e forma      de lidar com os jovens com os quais convivemos.<\/p>\n<p><strong>OS      JOVENS E A CONSTRU\u00c7\u00c3O DE IDENTIDADES<\/strong><\/p>\n<p>A      viv\u00eancia da juventude, desde a adolesc\u00eancia, tende a ser caracterizada por      experimenta\u00e7\u00f5es em todas as dimens\u00f5es da vida subjetiva e social, possibilitando      novas viv\u00eancias, sensa\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es que trazem conhecimento sobre si mesmos      e do mundo, fazendo desta fase da vida o momento por excel\u00eancia do exerc\u00edcio      de inser\u00e7\u00e3o social. Por\u00e9m, como j\u00e1 vimos, n\u00e3o existe um padr\u00e3o \u00fanico e cada      jovem pode vivenciar esta fase de forma pr\u00f3pria, de acordo com as suas especificidades      pessoais e o contexto social onde se insere.<\/p>\n<p>Apesar      das especificidades, existem tend\u00eancias que se reiteram. Na nossa cultura,      a primeira fase da juventude- a adolesc\u00eancia &#8211; as mudan\u00e7as corporais s\u00e3o acompanhadas      de questionamentos sobre a nova imagem, provocando temor, ang\u00fastia e, dentro      da ambival\u00eancia caracter\u00edstica dessa fase, alegrias pela descoberta de novas      emo\u00e7\u00f5es. Novas rela\u00e7\u00f5es come\u00e7am a se estabelecer entre os sexos, num per\u00edodo      de novas experimenta\u00e7\u00f5es de sua capacidade de atrair e ser atra\u00eddo, mais dif\u00edcil      para uns, mais f\u00e1cil para outros, lidando com as novas possibilidades de relacionamentos      e com as descobertas sexuais. Em todo este processo lidam com as oscila\u00e7\u00f5es      constantes, querendo e temendo ser independentes, querendo ser adultos e ao      mesmo tempo crian\u00e7as, querendo namorar e brincar. Este per\u00edodo tamb\u00e9m \u00e9 marcado      por novas possibilidades de compreens\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Estas      novas possibilidades que s\u00e3o descortinadas provocam deslumbramento, mas tamb\u00e9m      assustam. O jovem torna-se capaz de refletir sobre a dimens\u00e3o individual e      social e de se ver como um indiv\u00edduo que dela participa, recebendo e exercendo      influ\u00eancias. Essa fase da vida pode ser crucial para que o jovem possa se      desenvolver plenamente como adulto e cidad\u00e3o, sendo necess\u00e1rios tempos, espa\u00e7os      e rela\u00e7\u00f5es de qualidade que possibilitem a cada um experimentar e desenvolver      todas as suas potencialidades.<\/p>\n<p>\u00c9      nesse processo, permeado de descobertas, emo\u00e7\u00f5es, ambival\u00eancias e conflitos,      que o jovem se defronta com a pergunta: \u0093quem sou eu?\u0094 e passa a      lidar com a quest\u00e3o da identidade.<\/p>\n<p>Para      refletir sobre a quest\u00e3o da \u0093identidade\u0094 entre os jovens, a primeira      tarefa \u00e9 superar a id\u00e9ia de que existe um eu interior natural, separado do      mundo exterior, como se este fosse uma m\u00e1scara ou capa colocada pela sociedade      sobre o n\u00facleo interno com o qual j\u00e1 nascemos. Ao contr\u00e1rio, a identidade      \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que cada um de n\u00f3s vai fazendo por meio das rela\u00e7\u00f5es que      estabelece com o mundo e com os outros, a partir do grupo social a que pertence,      do contexto familiar, das experi\u00eancias individuais, e de acordo com os valores,      id\u00e9ias e normas que organizam sua vis\u00e3o de mundo. Mas nem sempre foi assim      e nem \u00e9 assim em todas as sociedades.<\/p>\n<p>A      Antropologia nos ensina que nas sociedades simples a passagem da inf\u00e2ncia      para a juventude se dava (e ainda se d\u00e1) atrav\u00e9s dos chamados ritos de passagem.      Eram e s\u00e3o provas dif\u00edceis, nas quais tanto o menino quanto a menina tinham      de provar que podiam assumir uma nova uma identidade social, definindo assim      a passagem para o mundo adulto. Eram provas quase sempre duras, dolorosas:      os meninos tinham que mostrar que sabiam usar armas, reconhecer plantas e      animais, a sentir medo e a experimentar as dificuldades de sobreviv\u00eancia.      As meninas, por sua parte, tinham que mostrar que estavam familiarizadas com      os segredos da gesta\u00e7\u00e3o da vida. Eram a partir dessas provas que eles podiam      dizer: sou membro deste coletivo, perten\u00e7o a este grupo, sou tal pessoa. Ou      seja, assumiam uma determinada identidade. Mas uma identidade que era dada      de fora, respondida pelos outros, pela fam\u00edlia, pela comunidade.<\/p>\n<p>A      modernidade elaborou uma outra concep\u00e7\u00e3o, baseada na id\u00e9ia do sujeito cartesiano,      do indiv\u00edduo. Vem da\u00ed a id\u00e9ia da identidade vista como ess\u00eancia, natural ao      indiv\u00edduo, este visto como totalmente separado da sociedade. J\u00e1 nas sociedades      industriais, a identidade j\u00e1 \u00e9 vista como resultado de uma intera\u00e7\u00e3o com o      meio social. O indiv\u00edduo ainda tem um n\u00facleo ou ess\u00eancia interior que \u00e9 o      seu \u0093eu real\u0094 mas que \u00e9 formado e modificado em di\u00e1logo continuo      com os mundos culturais exteriores e as identidades que esses mundos oferecem.<\/p>\n<p>Podemos      constatar isso ainda entre n\u00f3s, por exemplo, na rela\u00e7\u00e3o que as sociedades      ocidentais mant\u00eam com a idade cronol\u00f3gica. Nessas sociedades, existe uma categoriza\u00e7\u00e3o      r\u00edgida entre as etapas da vida. Assim, o que a sociedade \u0093permite\u0094      ou concorda que seja feito por um jovem nem sempre se d\u00e1 da mesma forma para      um adulto de 30 anos ou um idoso de 70. Mais do que ter uma idade, pertencemos      a uma idade, nos situando em grupos socialmente definidos. A sociedade classifica      e espera determinados comportamentos dos indiv\u00edduos de acordo com o momento\/ciclo      da vida em que estes se encontram. Nesse sentido, constroem-se opini\u00f5es sobre      o que \u00e9 considerado aceit\u00e1vel ou rid\u00edculo para as diversas categorias de idade.      Significa dizer que ainda existe entre n\u00f3s uma imposi\u00e7\u00e3o de uma identidade      em fun\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros socialmente estabelecidos: \u00e9 indicado quem se pode      ser, o que pode fazer e o que \u00e9 permitido ou n\u00e3o em tal ou qual idade.<\/p>\n<p>Mas      na contemporaneidade vivemos num momento de transforma\u00e7\u00f5es globais profundas      que v\u00eam afetar as realidades mais pr\u00f3ximas e tamb\u00e9m a intimidade do Eu. Vivemos      numa sociedade planetarizada, na qual as transforma\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o cada vez      mais frequentes e intensas, numa outra rela\u00e7\u00e3o com o tempo e o espa\u00e7o. Uma      sociedade na qual o eixo fundamental \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es,      e especialmente um tipo particular de informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a imagem. Por meio      da intensifica\u00e7\u00e3o da velocidade das informa\u00e7\u00f5es, os jovens entram em contato      e de alguma forma interagem com as dimens\u00f5es locais e globais, que determinam-se      mutuamente, mesclando singularidades e universalidades, tendo acesso a diferentes      modos de ser, a diferentes modos de viver, a diferentes modelos sociais que      terminam interferindo nos processos identit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Neste      contexto, a fonte da identidade est\u00e1 cada vez mais centrada nos indiv\u00edduos,      que vem adquirindo a capacidade aut\u00f4noma de definir-se como tais, construindo      sua identidade como algo que n\u00e3o est\u00e1 dado e que n\u00e3o vem de uma vez para sempre.      S\u00e3o as refer\u00eancias socioculturais, locais e globais, o campo de escolhas que      se apresentam ao individuo, e dessa forma, amplia-se a esfera da liberdade      pessoal e o exerc\u00edcio da decis\u00e3o volunt\u00e1ria. A resposta \u00e0 pergunta: \u0093quem      sou eu?\u0094 n\u00e3o est\u00e1 dada: ela deve ser constru\u00edda. A identidade \u00e9 vivenciada      assim, como uma a\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tanto como uma situa\u00e7\u00e3o: \u00e9 o indiv\u00edduo que constr\u00f3i      a sua consist\u00eancia e seu reconhecimento, no interior dos limites postos pelo      ambiente e pelas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>A      constru\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9 antes de tudo um processo relacional, ou seja,      um indiv\u00edduo s\u00f3 toma consci\u00eancia de si na rela\u00e7\u00e3o com o Outro. Ningu\u00e9m pode      construir a sua identidade independentemente da identifica\u00e7\u00e3o que os outros      possuem a seu respeito, num processo intersubjetivo onde \u0093eu sou para      voc\u00ea o que voc\u00ea \u00e9 para mim\u0094. \u00c9 uma intera\u00e7\u00e3o social, o que aponta para      a import\u00e2ncia do pertencimento grupal e das suas rela\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias para      o refor\u00e7o e garantia da identidade individual. N\u00e3o nos sentimos ligados aos      outros apenas pelo fato de existirem interesses comuns mas, sobretudo, porque      esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para reconhecer o sentido do que fazemos, podendo nos afirmar      como sujeitos das nossas a\u00e7\u00f5es. Fica evidente, como iremos ver mais adiante,      a import\u00e2ncia do grupo de amigos, das esferas culturais, da escola, das atividades      de lazer, entre outros, como espa\u00e7os que podem contribuir na constru\u00e7\u00e3o de      identidades positivas. Para isso, \u00e9 fundamental entender quais as esferas      da vida que se tornam significativas para o jovem, bem como compreender o      significado de cada uma delas na constru\u00e7\u00e3o da sua auto-imagem.<\/p>\n<p>Podemos      dizer, enfim, que a identidade \u00e9, antes de tudo, constru\u00edda em um processo      de aprendizagem, o que implica no amadurecimento da capacidade de integrar      o passado, o presente e o futuro e tamb\u00e9m articular a unidade e a continuidade      de uma biografia individual.<\/p>\n<p>Mas      a identidade n\u00e3o pode ser pensada apenas na sua dimens\u00e3o de auto-imagem individual      ou grupal, como delineadora de indiv\u00edduos e grupos. N\u00e3o \u00e9 apenas a pergunta      &#8220;quem sou eu?&#8221; que os jovens procuram responder enquanto experimentam      express\u00f5es de identidade, mas tamb\u00e9m &#8220;para onde vou?&#8221;. A identidade      individual e coletiva de alguma forma interfere na inven\u00e7\u00e3o de caminhos e      dire\u00e7\u00f5es de vida, a partir do presente, nos limites dados pela estrutura social.<\/p>\n<p>Partimos      da id\u00e9ia de que todos os jovens possuem projetos, uma orienta\u00e7\u00e3o, fruto de      escolhas racionais, conscientes, ancoradas em avalia\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es de realidade.      Os projetos podem ser individuais e\/ou coletivos; podem ser mais amplos ou      restritos, com elabora\u00e7\u00f5es a curto ou m\u00e9dio prazo, dependendo do campo de      possibilidades. Quer dizer, dependem do contexto s\u00f3cio- econ\u00f4mico- cultural      concreto no qual cada jovem se encontra inserido, e que circunscreve suas      possibilidades de experi\u00eancias. O projeto possui uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, transformando-se      na medida do amadurecimento dos pr\u00f3prios jovens e\/ou mudan\u00e7as no campo de      possibilidades.<\/p>\n<p>Um      projeto se realiza na jun\u00e7\u00e3o de duas vari\u00e1veis. De um lado, quanto mais o      jovem se conhece, experimenta as suas potencialidades individuais, descobre      o seu gosto, aquilo que sente prazer em fazer maior a sua capacidade de elaborar      o seu projeto. Por outro lado, quanto mais ele conhece a realidade onde ele      se insere, as possibilidades abertas pelo sistema na \u00e1rea onde queira atuar,      maior as suas chances de implementar de fato o seu projeto. As duas vari\u00e1veis      demandam espa\u00e7os e tempos de experimenta\u00e7\u00e3o de si mesmo e uma a\u00e7\u00e3o educativa      que o possa orientar. Assim como a identidade, a elabora\u00e7\u00e3o de um projeto      de vida tamb\u00e9m \u00e9 fruto de um processo de aprendizagem. Cabe nos perguntar:      em que medida nossas a\u00e7\u00f5es educativas est\u00e3o contribuindo para que os jovens      possam se conhecer melhor, conhecer os limites e as possibilidades do seu      meio social e assim melhor se capacitarem para elaborar os seus projetos?<\/p>\n<p>Na      sociedade atual tanto a constru\u00e7\u00e3o da identidade quanto a elabora\u00e7\u00e3o de projetos      \u00e9 um desafio para cada um de n\u00f3s, mas de forma mais candente ainda para os      jovens. Vamos comentar alguns deles.<\/p>\n<p>Um      primeiro aspecto a ressaltar \u00e9 que os jovens s\u00e3o aqueles que mais sentem os      efeitos da amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e1s informa\u00e7\u00f5es, do crescimento dos est\u00edmulos      e oportunidades para a a\u00e7\u00e3o individual, tanto reais quanto simb\u00f3licas. De      um lado porque s\u00e3o mais receptivos \u00e0 dimens\u00e3o simb\u00f3lica e porque s\u00e3o os destinat\u00e1rios      de todo um fluxo de mensagens da industria cultural que nutre e amplia este      imagin\u00e1rio. Assim experimentam uma amplia\u00e7\u00e3o dos campos cognitivo e emocional:      tudo se pode conhecer, tudo se pode provar. Experimentam a reversibilidade      de escolhas e decis\u00f5es: tudo \u00e9 pass\u00edvel de mudan\u00e7a e vivenciam a amplia\u00e7\u00e3o      das experi\u00eancias simb\u00f3licas: tudo pode ser imaginado.<\/p>\n<p>Mas      este processo se d\u00e1 num contexto de amplia\u00e7\u00e3o das incertezas, diante do qual      a sociedade n\u00e3o d\u00e1 refer\u00eancias para o jovem construir sua pr\u00f3pria identidade.      Est\u00e1 cada vez mais dilu\u00edda as fronteiras et\u00e1rias e o jovem n\u00e3o conta com sinais      externos que lhe indiquem as poss\u00edveis mudan\u00e7as. Assim \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil      para ele construir sua identidade porque tem de tomar a si mesmo como medida      frente \u00e0s mudan\u00e7as obrigat\u00f3rias. Ou seja, ele se depara com o problema do      limite.<\/p>\n<p>Os      jovens n\u00e3o contam mais com os rituais, como os ritos de passagem por exemplo,      e cada vez menos est\u00e1 presente a autoridade paterna, a lei. S\u00e3o estes momentos      que possibilitavam tirar o jovem do sonho infantil da onipot\u00eancia e os confrontava      de alguma forma com a poderosa experi\u00eancia da dor e do sofrimento, inclusive      com a possibilidade da morte. Ou seja, \u00e9 a experi\u00eancia do limite que amadurece.      A falta de limite, a ilus\u00e3o de que tudo \u00e9 poss\u00edvel est\u00e1 presente no consumismo      desenfreado, nas a\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia ou no consumo de drogas: Este \u00e9 um modo      de perpetuar a necessidade onipotente de bem estar, eliminando a carga de      ter de enfrentar a si mesmo como limite.<\/p>\n<p>Diante      deste desafio, a escola bem como os diversos espa\u00e7os educativos tem um papel      fundamental. N\u00e3o podemos esquecer que estes espa\u00e7os possibilitam, entre outras      coisas, a conviv\u00eancia com a diversidade, onde os jovens tem a possibilidade      de descobrirem-se diferentes dos outros, e principalmente aprender a conviver      respeitando estas diferen\u00e7as. \u00c9 na rela\u00e7\u00e3o com o outro que aprendemos a reconhecer      as nossas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o nos bastamos a n\u00f3s mesmos e de que      a diferen\u00e7a nos enriquece. Cabe ao mundo adulto criar espa\u00e7os e situa\u00e7\u00f5es      atrav\u00e9s dos quais os jovens possam se defrontar com seus pr\u00f3prios limites.<\/p>\n<p>Somado      a isso, n\u00e3o podemos esquecer de uma outra tarefa fundamental dos espa\u00e7os educativos      para jovens que \u00e9 a aprendizagem da escolha. Como vimos, no contexto atual      cada um \u00e9 chamado a escolher, a decidir continuamente, fazendo desta a\u00e7\u00e3o      uma condi\u00e7\u00e3o para a sobreviv\u00eancia social. E a escolha tamb\u00e9m \u00e9 objeto de aprendizagem:      aprendemos a escolher assim como aprendemos a assumir a responsabilidade pelas      nossas escolhas. Um e outro se aprendem fazendo, errando, refletindo sobre      os erros. N\u00e3o podemos esquecer que a escolha e a responsabilidade por ela      bem como o reconhecimento dos limites s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos      aut\u00f4nomos. Cabe perguntar: onde nossos jovens est\u00e3o exercitando, aprendendo      a escolher? Em que medida nossas a\u00e7\u00f5es educativas v\u00eam privilegiando a forma\u00e7\u00e3o      de jovens aut\u00f4nomos?<\/p>\n<p>Finalmente,      queremos ressaltar um outro desafio que est\u00e1 posto para os jovens, principalmente      para os jovens pobres. As demandas de constru\u00e7\u00e3o de identidades aut\u00f4nomas      bem como a amplia\u00e7\u00e3o de possibilidades leva a um efeito perverso que pode      ser caracterizada como uma nova desigualdade social. Al\u00e9m dos jovens pobres      se verem privados da materialidade do trabalho, do acesso \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais      de vivenciarem a sua condi\u00e7\u00e3o juvenil, defrontam tamb\u00e9m com a desigualdade      no acesso aos recursos para sua aut-realiza\u00e7\u00e3o. Surge assim uma nova desigualdade      que assume a forma de priva\u00e7\u00e3o cultural, de acesso a experi\u00eancias que lhes      possibilitem auto-conhecer-se e descobrir seus pr\u00f3prios potenciais. Retoma-se      aqui a import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas para garantir a todos os jovens      as possibilidades de vivenciarem a juventude como uma fase de direitos, onde      possam construir identidades positivas e projetos que afirmem sua dignidade.<\/p>\n<p><strong>AS      NOVAS POSSIBILIDADES DE PARTICIPA\u00c7\u00c3O JUVENIL<\/strong><\/p>\n<p>Uma      dimens\u00e3o inovadora constatada em v\u00e1rias pesquisas sobre a juventude contempor\u00e2nea      \u00e9 o alargamento dos interesses e pr\u00e1ticas coletivas juvenis, com \u00eanfase na      import\u00e2ncia da esfera cultural que cria formas pr\u00f3prias de sociabilidade,      de pr\u00e1ticas coletivas e de interesses comuns, principalmente em torno dos      diferentes estilos musicais.<\/p>\n<p>O      mundo da cultura aparece como um espa\u00e7o privilegiado de pr\u00e1ticas, representa\u00e7\u00f5es,      s\u00edmbolos e rituais no qual os jovens buscam demarcar uma identidade juvenil.      Longe dos olhares dos pais, professores ou patr\u00f5es, assumem um papel de protagonistas,      atuando de alguma forma sobre o seu meio, construindo um determinado olhar      sobre si mesmos e sobre o mundo que os cerca. Nesse contexto, a m\u00fasica \u00e9 a      atividade que mais os envolve e os mobiliza. Muitos deles deixam de ser simples      fruidores e passam tamb\u00e9m a ser produtores, formando grupos musicais das mais      diversas tend\u00eancias, compondo, apresentando-se em festas e eventos, criando      novas formas de utilizar os recursos culturais da sociedade atual al\u00e9m da      l\u00f3gica estreita do mercado.<\/p>\n<p>Se      na d\u00e9cada de 60 falar em juventude era referir-se aos jovens estudantes de      classe m\u00e9dia e ao movimento estudantil, a partir dos anos 90 implica incorporar      os jovens das camadas populares e a diversidade dos estilos e express\u00f5es culturais      existentes, protagonizada pelos punks, darks, roqueiros, clubers, rappers,      funkeiros etc. Mas tamb\u00e9m pelo grafite, pelo break, pela dan\u00e7a afro ou mesmo      pelos in\u00fameros grupos de teatro espalhados nos bairros e nas escolas. Muitos      desses grupos culturais apresentam propostas de interven\u00e7\u00e3o social, como os      rappers, desenvolvendo a\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias em seus bairros de origem.<\/p>\n<p>A      centralidade da dimens\u00e3o da cultura na vida dos jovens, aliada ao lazer, \u00e9      confirmada na pesquisa nacional \u0093Juventude, cultura e cidadania\u0094      realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo em 1999. Nas respostas sobre o que fazem      do tempo livre, os jovens ressaltam a predomin\u00e2ncia de atividades de divers\u00e3o,      de passeio, de frui\u00e7\u00e3o de bens da ind\u00fastria cultural e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o      de massa, em contraste com baixos graus de frui\u00e7\u00e3o de formas de cultura erudita      ou n\u00e3o industrializada (como museus, teatro, exposi\u00e7\u00f5es, espet\u00e1culos de dan\u00e7a      etc). \u00c9 importante notar o expressivo contingente de jovens que conhecem e      acompanham as atividades de outros jovens e\/ou se auto-organizam em grupos      ligados a atividades culturais e de lazer. Afirmam conhecer algum \u0093grupo      cultural jovem no seu bairro ou comunidade\u0094 56% dos jovens entrevistados,      sobretudo grupos de m\u00fasica (33%), mas tamb\u00e9m de dan\u00e7a (15%), patins ou skate      (13%), de teatro (12%), de ciclistas (11%), pichadores (11%), grafiteiros      (9%) e de r\u00e1dios comunit\u00e1rias (5%), entre outros menos freq\u00fcentes. S\u00e3o membros      de algum grupo dessa natureza 11% dos jovens, e n\u00e3o s\u00e3o membros, mas participam      de suas atividades (como espectadores ou acompanhantes) outros 6%. Esse quadro      indica que as dimens\u00f5es do consumo e da produ\u00e7\u00e3o culturais t\u00eam se apresentado      como espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o de sentidos existenciais da juventude, proporcionando      tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o de novas identidades coletivas.<\/p>\n<p>Mas      n\u00e3o significa dizer que a juventude n\u00e3o apresente outras formas de interesse      e pr\u00e1ticas coletivas. Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, os jovens tomaram as ruas      em v\u00e1rios momentos, tomando parte ativa em decis\u00f5es nacionais como a campanha      pelas Diretas J\u00e1 e o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Al\u00e9m      dessas mobiliza\u00e7\u00f5es, em v\u00e1rios momentos grupos juvenis, mais ou menos numerosos,      vieram a p\u00fablico pelos mais diferentes motivos, desde a demanda por passes      livres de \u00f4nibus at\u00e9 quest\u00f5es mais gerais como o rep\u00fadio do acordo com a Associa\u00e7\u00e3o      do Livre Com\u00e9rcio (ALCA). Grande parte dessas mobiliza\u00e7\u00f5es ocorreu com significativa      independ\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es juvenis tradicionais e sempre tiveram um car\u00e1ter      descont\u00ednuo, onde os momentos de visibilidade foram sucedidos por momentos      de lat\u00eancia, n\u00e3o sendo vistas como express\u00f5es v\u00e1lidas de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Outras      modalidades de a\u00e7\u00f5es coletivas surgem como as associa\u00e7\u00f5es em torno de atividades      volunt\u00e1rias, comunit\u00e1rias ou de solidariedade. As formas de mobiliza\u00e7\u00e3o e      organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o as mais diversas, acontecendo desde campanhas pontuais como      aquelas que recolhem alimentos contra a fome ou mobiliza\u00e7\u00f5es em torno da qualidade      de vida e do meio ambiente at\u00e9 mesmo o surgimento de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais      (ONGs) criadas e geridas por jovens, com a\u00e7\u00f5es mais cont\u00ednuas em diferentes      dire\u00e7\u00f5es. Chama a aten\u00e7\u00e3o o car\u00e1ter local dessas a\u00e7\u00f5es, articulando-se a partir      dos espa\u00e7os de moradia e de quest\u00f5es relacionadas com a urbanidade, elevando      a cidade como espa\u00e7o e tema preferencial da participa\u00e7\u00e3o juvenil.<\/p>\n<p>Nestas      a\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel perceber uma motiva\u00e7\u00e3o de parcelas da juventude pelo agir,      indo al\u00e9m da mera denuncia ou cr\u00edtica, apontando um caminho em dire\u00e7\u00e3o ao      Outro, acompanhada pela id\u00e9ia de responsabilidade e solidariedade. Nestas      a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, mesmo que ocorrendo de forma fragmentada e inst\u00e1vel, parece      haver uma antecipa\u00e7\u00e3o da utopia, anunciando hoje, de forma prof\u00e9tica, uma      outra possibilidade da vida em conjunto. Inverte assim a l\u00f3gica dominante      instrumental, recusando a racionalidade do c\u00e1lculo, da efici\u00eancia da t\u00e9cnica,      da rela\u00e7\u00e3o r\u00edgida entre meios e fins que se op\u00f5e \u00e0 gratuidade do Dom.<\/p>\n<p><strong>Os      grupos musicais e seus m\u00faltiplos significados.<\/strong><\/p>\n<p>As      pesquisas t\u00eam apontado que os grupos musicais, principalmente os constitu\u00eddos      por jovens pobres, articulados em torno dos mais diversos estilos, s\u00e3o exemplos      significativos das novas formas de agrega\u00e7\u00e3o juvenil.<\/p>\n<p>Tomando      como exemplos os estudos realizados em torno desses grupos musicais, com \u00eanfase      nos estilos rap e funk, podemos constatar uma multiplicidade de significados      que estes passam a desempenhar junto aos jovens pobres. Um primeiro aspecto      diz respeito ao exerc\u00edcio da criatividade. Os estilos musicais tendem a possibilitar      que os jovens se introduzam na cena p\u00fablica para al\u00e9m da figura do espectador      passivo, colocando-se como criadores ativos, contra todos os limites de um      contexto social que lhes nega a condi\u00e7\u00e3o de criadores. Dessa forma, as experi\u00eancias      nos grupos musicais assumem um valor em si, como exerc\u00edcio das potencialidades      humanas. As m\u00fasicas que criam, os shows que fazem, os eventos culturais dos      quais participam aparecem como forma de afirma\u00e7\u00e3o pessoal, al\u00e9m do reconhecimento      no meio em que vivem, contribuindo para o refor\u00e7o da auto-estima. Ao mesmo      tempo, por meio da produ\u00e7\u00e3o cultural que realizam, principalmente o rap e      seu car\u00e1ter de den\u00fancia, coloca em pauta no cen\u00e1rio social o lugar do pobre.<\/p>\n<p>O      outro aspecto diz respeito \u00e0 dimens\u00e3o da escolha. Os estilos musicais se colocam      como um dos poucos espa\u00e7os onde os jovens podem exercer o direito a escolhas,      elaborando modos de vida distintos e ampliando o leque das experi\u00eancias vividas.      Como vimos anteriormente, essa dimens\u00e3o se torna mais importante quando levamos      em conta que \u00e9 o exerc\u00edcio da escolha, junto com a responsabilidade das decis\u00f5es      tomadas, uma das condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o da autonomia.<\/p>\n<p>Outra      dimens\u00e3o presente nesses espa\u00e7os e tempos de sociabilidade \u00e9 a alternativa      que os estilos musicais proporcionam de viv\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o juvenil. Para      a maioria desses jovens, os estilos funcionam como um rito de passagem para      a juventude, fornecendo elementos simb\u00f3licos, expressos na roupa, no visual      ou na dan\u00e7a, para a elabora\u00e7\u00e3o de uma identidade juvenil. Esses estilos musicais      s\u00e3o refer\u00eancias para a escolha dos amigos, bem como para as formas de ocupa\u00e7\u00e3o      do tempo livre, em duas dimens\u00f5es constitutivas da condi\u00e7\u00e3o juvenil: o grupo      de pares e o tempo de lazer. A conviv\u00eancia continuada em grupos, ou mesmo      em dupla, possibilita a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a, a aprendizagem de      rela\u00e7\u00f5es coletivas, servindo tamb\u00e9m de espelho para a constru\u00e7\u00e3o de identidades      individuais. Assim, os grupos de estilos tamb\u00e9m s\u00e3o grupos de atitudes compartilhadas<\/p>\n<p>Os      jovens enfatizam que a ades\u00e3o aos estilos gera uma amplia\u00e7\u00e3o dos circuitos      e redes de trocas, evidenciando que os estilos musicais, bem como os grupos      de produ\u00e7\u00e3o cultural se constituam como produtores de sociabilidades. A din\u00e2mica      das rela\u00e7\u00f5es existentes, o exerc\u00edcio da raz\u00e3o comunicativa, a exist\u00eancia da      confian\u00e7a, a gratuidade das rela\u00e7\u00f5es, sem outro sentido que n\u00e3o a pr\u00f3pria      rela\u00e7\u00e3o, s\u00e3o aspectos que apontam para a centralidade da sociabilidade no      processo de constru\u00e7\u00e3o social desses jovens. Nesse sentido, os estilos podem      ser vistos como respostas poss\u00edveis \u00e0 despersonaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do      sistema social, possibilitando rela\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias e a riqueza da descoberta      e do encontro com os outros.<\/p>\n<p>A      observa\u00e7\u00e3o dessa realidade permite compreender que, de forma geral, os grupos      de produ\u00e7\u00e3o cultural, mesmo com abrang\u00eancias diferenciadas, podem significar      uma refer\u00eancia na elabora\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o juvenil, contribuindo      de alguma forma para dar um sentido \u00e0 vida de cada um, num contexto onde se      v\u00eaem relegados a uma vida sem sentido. Ao mesmo tempo, pode possibilitar a      muitos jovens uma amplia\u00e7\u00e3o significativa do campo de possibilidades, abrindo      espa\u00e7os para sonharem com outras alternativas de vida que n\u00e3o aquelas restritas      oferecidas pela sociedade. Querem ser reconhecidos, querem uma visibilidade,      querem ser algu\u00e9m num contexto que os torna invis\u00edveis, ningu\u00e9m na multid\u00e3o.      Querem ter um lugar na cidade, usufru\u00ed-la, e transformar o espa\u00e7o urbano em      valor de uso. Enfim, eles querem ser jovens e cidad\u00e3os, com direito a viver      plenamente a sua juventude. Este parece ser um aspecto central: pelos grupos      de produ\u00e7\u00e3o cultural, os jovens est\u00e3o reivindicando o direito \u00e0 cidade e \u00e0      juventude.<\/p>\n<p>Por      outro lado, n\u00e3o podemos esquecer que a produ\u00e7\u00e3o cultural desses grupos, em      sua maioria, se mostra fr\u00e1gil e marcada pela precariedade e pelo amadorismo.      \u00c9 interessante perceber que, se o mundo da cultura se mostra um espa\u00e7o mais      democr\u00e1tico para esses jovens constru\u00edrem um estilo pr\u00f3prio, o mesmo n\u00e3o acontece      quando eles passam a pretender disputar um nicho pr\u00f3prio e sobreviver das      atividades culturais. As barreiras s\u00e3o muitas, entre elas o acesso restrito      aos bens materiais e simb\u00f3licos e a falta de espa\u00e7os que possibilite um conhecimento      mais amplo e profissionalizado do funcionamento do mercado cultural. As escolas      p\u00fablicas pouco ou nada investem na forma\u00e7\u00e3o cultural, e quase n\u00e3o existem      nas cidades institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na \u00e1rea cultural que possibilitem o acesso      aos conhecimentos espec\u00edficos da \u00e1rea. Ao mesmo tempo os jovens pobres se      v\u00eaem obrigados a se dividirem entre o tempo do trabalho e o tempo das atividades      culturais, dificultando o investimento no pr\u00f3prio aprimoramento cultural.      Vivenciam um dilema: est\u00e3o motivados com a produ\u00e7\u00e3o cultural, sonham em poder      dedicar-se integralmente a tais atividades, mas no cotidiano precisam investir      boa parte do seu tempo em empregos ou bicos que garantam a sua sobreviv\u00eancia,      e mesmo assim quando os t\u00eam. Esses jovens conseguem manter uma cena cultural      viva e de alguma forma atuante, o fazem da forma que podem, de acordo com      os recursos materiais e simb\u00f3licos a que t\u00eam acesso.<\/p>\n<p>Dessa      forma, os grupos musicais e seus m\u00faltiplos significados apresentam-se como      espa\u00e7os e possibilidades de participa\u00e7\u00e3o juvenil. Mas n\u00e3o s\u00f3. A juventude      tamb\u00e9m se encontra e reencontra no espa\u00e7o das artes pl\u00e1sticas e artes c\u00eanicas,      nos movimentos culturais, no esporte e atividades de lazer. S\u00e3o dimens\u00f5es      da cultura que possibilitam a troca, o di\u00e1logo, a conviv\u00eancia coletiva e a      elabora\u00e7\u00e3o de projetos e que precisam ser estimuladas pela escola e contempladas      nas pol\u00edticas p\u00fablicas para a juventude.<\/p>\n<p>V\u00e1rios      projetos sociais voltados para a juventude t\u00eam explorado a potencialidade      juvenil por meio dessas dimens\u00f5es culturais, constituindo-se em espa\u00e7os socializadores      e formativos para os jovens. S\u00e3o nesses espa\u00e7os que os jovens se d\u00e3o a conhecer      e conhecem uns aos outros, tomam consci\u00eancia dos dilemas da sua condi\u00e7\u00e3o juvenil      e podem explorar suas potencialidades. Implementar pr\u00e1ticas e pol\u00edticas para      a juventude que valorize e estimule as m\u00faltiplas dimens\u00f5es culturais e art\u00edsticas,      estimulando-as e dando-lhes condi\u00e7\u00f5es materiais e financeiras de se expandirem      \u00e9 uma tarefa dos educadores e do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Concluindo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>A      constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica n\u00e3o pode desconsiderar os desafios      e dilemas vividos pelos diferentes sujeitos sociais nos seus ciclos da vida.      Esse desafio est\u00e1 colocado para os jovens e para o mundo adulto. Estamos desafiados      a incrementarmos ainda mais as pol\u00edticas sociais de car\u00e1ter universal e de      construirmos pol\u00edticas espec\u00edficas voltados para segmentos juvenis, grupos      \u00e9tnico\/raciais e setores marginalizados na sociedade.<\/p>\n<p>Os      indicadores sociais e os dados estat\u00edsticos apontados nesse texto revelam      n\u00e3o s\u00f3 uma imensa diversidade presente na condi\u00e7\u00e3o juvenil como, tamb\u00e9m, o      processo de desigualdade que incide sobre os jovens de acordo com de sua origem      social, g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia.<\/p>\n<p>Se      reconhecemos que as sociedades tamb\u00e9m se constroem na diversidade, n\u00e3o podemos      esquecer essa importante dimens\u00e3o do humano nos momentos de implementa\u00e7\u00e3o      de pol\u00edticas p\u00fablicas. Um dos desafios colocados pela juventude para os\/as      educadores\/as e formuladores de pol\u00edticas \u00e9: como construir pol\u00edticas e pr\u00e1ticas      que visem a igualdade social e ao mesmo tempo contemplem a diversidade do      mundo juvenil?<\/p>\n<p>Se      compreendemos que vivemos em meio a diferente formas de ser jovem e temos      diante de n\u00f3s juventudes, no plural, n\u00e3o podemos pensar que somente a implementa\u00e7\u00e3o      de uma pol\u00edtica social de car\u00e1ter universal, voltada para a juventude, contemplar\u00e1      por si s\u00f3 as especificidades desses sujeitos. Por isso, fazem-se necess\u00e1rios      a elabora\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos mais precisos, o conhecimento das diversas condi\u00e7\u00f5es      juvenis, a socializa\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas positivas existentes e o desenvolvimento      de uma maior responsabilidade e sensibilidade para com esses sujeitos sociais      nos seus processos de forma\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias      bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>ABRAMO, Helena.      Cenas juvenis; punks e darks no espet\u00e1culo urbano. S\u00e3o Paulo: Escrita, 1994.<br \/>\n     _____________.Considera\u00e7\u00f5es sobre a tematiza\u00e7\u00e3o social da juventude no Brasil.      Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, ANPED, n5\/6, 1997.<br \/>\n     ALVAREZ, Sonia; AGNINO, Evelina, ESCOBAR, Arturo. Cultura e Pol\u00edtica nos movimentos      sociais Latino-Americanos. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2001.<br \/>\n     ARA\u00daJO, Herton Elley. A mortalidade entre os jovens adultos brasileiros \u0096      por qu\u00ea e quais morrem mais? Caxambu: XI Encontro Nacional de Estudos Populacionais      da ABEP, 1998, 1911- 1928.<br \/>\n     \u00c1RIES, Philipe. Hist\u00f3ria social da crian\u00e7a e da fam\u00edlia. Rio de Janeiro. Editora      Guanabara. 1981<br \/>\n     CARRANO, Paulo C\u00e9sar Rodrigues. Os jovens e a cidade. Rio de Janeiro: Relume      Dumar\u00e1, 2002.<br \/>\n     _____________. Juventudes: as identidades s\u00e3o m\u00faltiplas. Revista Movimento.      Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/UFF. Rio de Janeiro. DP&amp;A 2000<br \/>\n     _____________ &amp; DAYRELL, J. Jovens no Brasil: dif\u00edceis trajet\u00f3rias de      fim de s\u00e9culo e promessas de outro mundo. 2002(internet: www.uff.br\/obsjovem      )<br \/>\n     CASTEL, Robert. As armadilhas da exclus\u00e3o. 1995, (mimeo).<br \/>\n     CECHETTO, F\u00e1tima Regina. Galeras funk cariocas; o baile e a rixa. Rio de Janeiro:      UERJ\/Departamento de Ci\u00eancias Sociais, 1997. (Disserta\u00e7\u00e3o, Mestrado)<br \/>\n     DAYRELL, Juarez Juventude e escola. In: SPOSITO, Marilia. Estado do conhecimento:      juventude. Bras\u00edlia: INEP. 2000.<br \/>\n     ____________. Juventude, grupos de estilo e identidade. Educa\u00e7\u00e3o em Revista.      Belo Horizonte, n. 30, p. 25-39, dez. 1999.<br \/>\n     ____________. A m\u00fasica entra em cena: o funk e o rap na socializa\u00e7\u00e3o da juventude      em Belo Horizonte. S\u00e3o Paulo: Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o(Tese, Doutorado).2001<br \/>\n     ______________. O rap e o funk na socializa\u00e7\u00e3o da juventude. Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa.      S\u00e3o Paulo, v.28,n.1,pp.117-136, jan.-julho 2002<br \/>\n     _______________. Cultura e identidades juveniles. Ultima D\u00e9cada. Vina Del      Mar, Chile. Ano 11, n. 18, pp. 69-92. abril de 2003<br \/>\n     FEIXA, Carlos. De j\u00f3venes, bandas e tribus. Barcelona: Ariel, 1998.<br \/>\n     FORACHI, Marialice. A juventude na sociedade moderna. S\u00e3o Paulo: Pioneira,      1971.<br \/>\n     GOMES, Nilma Lino. Os jovens rappers e a escola: a constru\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia.      Anped, 1996. (Mimeo),<br \/>\n     __________________. Diversidade cultural e juventude. In: ANDRADE, M\u00e1rcia      Selpa de. DIAS, Julice e ANDRADE, S\u00f4nia Regina de. Anais do III Congresso      Nacional de Reorienta\u00e7\u00e3o Curricular. Blumenau: Edifurb,2002<br \/>\n     GUIMAR\u00c3ES, Maria Elo\u00edsa. Escola, galeras e narcotr\u00e1fico. Rio de Janeiro: PUC-RJ\/Departamento      de Educa\u00e7\u00e3o, 1995. (Tese, Doutorado).<br \/>\n     HENRIQUES, Ricardo. Desigualdade racial no Brasil: evolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es      de vida na d\u00e9cada de 90. Rio de Janeiro: IPEA, 2001.<br \/>\n     HERSCHMANN, Micael. O funk e o hip hop invadem a cena. Rio de Janeiro: Editora      UFRJ, 2000.<br \/>\n     ____________. (Org.). Abalando os anos 90: funk e hip hop, globaliza\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia      e estilo cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.<br \/>\n     IBGE. Censo 2000. Internet. www.ibge.gov.br.<br \/>\n     _______. Popula\u00e7\u00e3o jovem no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE\/Departamento de Popula\u00e7\u00e3o      e indicadores sociais. Rio de Janeiro: IBGE, 1999.<br \/>\n     KEMP, Kenia. Grupos de estilo jovens; o rock underground e as pr\u00e1ticas (contra)      culturais dos grupos &#8220;punk&#8221; e &#8220;trash&#8221; em S\u00e3o Paulo. S\u00e3o      Paulo: Departamento de Antropologia da UNICAMP, 1993. (Disserta\u00e7\u00e3o, Mestrado)<br \/>\n     MADEIRA, Felicia Reicher &amp; RODRIGUES, Eliana Monteiro. Recado dos jovens:      mais qualifica\u00e7\u00e3o. In: Jovens acontecendo na trilha das pol\u00edticas p\u00fablicas.      Bras\u00edlia: CNPD, 1998. V.2, p. 427-496.<br \/>\n     ____________. (et al.) Mapeando a situa\u00e7\u00e3o do adolescente no Brasil. S\u00e3o Paulo:      Funda\u00e7\u00e3o SEADE, texto mimeo. 1997.<br \/>\n     MARQUES, Maria Om\u00e9lia da Silveira. Escola noturna e os jovens. Revista Brasileita      de Educa\u00e7\u00e3o. Juventude e Contemporaneidade. S\u00e3o Paulo: Anped, n. 5\/6, 1997.<br \/>\n     MARTINS, Jos\u00e9 de Souza. Exclus\u00e3o social e a nova desigualdade. S\u00e3o Paulo:      Paulus,1997.<br \/>\n     MELUCCI, A. Altri codici. Bologna: Il Mulino, 1984.<br \/>\n     ____________. e FABBRINI, Anna. L&#8217;et\u00e0 dell&#8217;oro: adolescenti tra sogno ed esperienza.      Milano: Feltrinelli.1992.<br \/>\n     ____________. Il gioco dell&#8217;io; il cambiamento di s\u00e8 in una societ\u00e0 global.      Milano: Feltrinelli,1996.<br \/>\n     ____________. L&#8217;invenzione del presente: movimenti sociali nelle societ\u00e0 complesse.      Bologna: Il Mulino, 1991.<br \/>\n     ____________. Passagio d&#8217;epoca; il futuro \u00e9 adesso. Milano: Feltrinelli, 1994.<br \/>\n     PAIS, Jos\u00e9 Machado. Culturas juvenis. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda,      1993.<br \/>\n     PERALVA, Angelina. Juveniza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e ang\u00fastia da morte. ANPED, 1996      (mimeo.).<br \/>\n     ____________. O jovem como modelo cultural. Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o.      S\u00e3o Paulo, ANPED, n 5\/6, 1997B.<br \/>\n     ____________. Viol\u00eancia e risco na sociedade contempor\u00e2nea. ANPED. 1997A (mimeo.).<br \/>\n     POCHMANN, Marcio. Emprego e desemprego juvenil no Brasil: as transforma\u00e7\u00f5es      nos anos 1990. In: Juventude, Educa\u00e7\u00e3o e Sociedade. Osmar F\u00e1vero, Paulo Carrano      e Sonia M. Rummert (organizadores.) Movimento, Revista da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o      da Universidade Federal Fluminense. Rio de Janeiro: DP&amp;A, n.1, maio de      2000, 52-72.<br \/>\n     _________________. A inser\u00e7\u00e3o ocupacional e o empregos dos jovens. S\u00e3o Paulo:      Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do Trabalho, 1998.<br \/>\n     RUA, Maria das Gra\u00e7as. As pol\u00edticas p\u00fablicas e a juventude nos anos 90. In      Jovens acontecendo na trilha das pol\u00edticas p\u00fablicas. Bras\u00edlia, CNPD, 1998.<br \/>\n     SALEM, T\u00e2nia. Filhos do Milagre, Ci\u00eancia Hoje, v. 5, n. 25, SBPC, 1986.<br \/>\n     SANSONE, Livio. Funk baiano; uma vers\u00e3o local de um fen\u00f4meno global? In: HERSCHMANN,      Micael (Org). Abalando os anos 90; funk e hip hop: globaliza\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia      e estilo cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.<br \/>\n     SILVA, Jos\u00e9 Carlos Gomes. Rap na cidade de S\u00e3o Paulo: m\u00fasica, etnicidade e      experi\u00eancia urbana. Campinas: Departamento de Ci\u00eancias Sociais do Instituto      de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da UNICAMP. 1998. (Tese, Doutorado em Ci\u00eancias      Sociais)<br \/>\n     SPOSITO, Mar\u00edlia P. A sociabilidade juvenil e a rua; novos conflitos e a\u00e7\u00e3o      coletiva na cidade. Tempo Social. Revista Sociologia da USP. S\u00e3o Paulo, v.5      n. 1 e 2, p.161-178, 1993.<br \/>\n     ____________. Algumas hip\u00f3teses sobre as rela\u00e7\u00f5es entre movimentos sociais,      juventude e educa\u00e7\u00e3o. Texto apresentado na ANPED, 1999 (mimeo.).<br \/>\n     ____________. Considera\u00e7\u00f5es sobre a tematiza\u00e7\u00e3o social da juventude no Brasil.      Revista Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o. Juventude e Contemporaneidade, S\u00e3o Paulo,      Anped, n. 5\/6,1997.<br \/>\n     ____________. Educa\u00e7\u00e3o e juventude. Educa\u00e7\u00e3o em Revista. Belo Horizonte: FAE\/UFMG,      n. 29, 1999.<br \/>\n     ________________. Pol\u00edticas metropolitanas de juventude: projeto tem\u00e1tico.      S\u00e3o Paulo, 2002, mimeo.<br \/>\n     ________________ (org.). Juventude e Escolariza\u00e7\u00e3o \u0096 Estado do Conhecimento      (1984-1998). Bras\u00edlia, DF: INEP, 2002.<br \/>\n     TELLA, Marco Aur\u00e9lio Paz. Atitude, arte, cultura e autoconhecimento; o rap      como voz da periferia. S\u00e3o Paulo: Departamento de Ci\u00eancias Sociais da PUC-SP,      2000. (Disserta\u00e7\u00e3o, Mestrado).<br \/>\n     VENTURI, Gustavo e ABRAMO, Helena. Candidatos a cidad\u00e3os. IN: Um ano de juventude.      C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo. Mimeo. 2001<br \/>\n     VIANNA, Hermano. O mundo funk carioca. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1987.<br \/>\n     ____________. (Org.) Galeras cariocas; territ\u00f3rios de conflitos e encontros      culturais. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1997.<br \/>\n     ZALUAR, Alba. A ilus\u00e3o dos jovens e o crime organizado. Revista Comunica\u00e7\u00e3o      e Pol\u00edtica, v. 1, n. 2, p. 231-250, dez. 1994 mar. 1995.<br \/>\n     ____________. Gangues, galeras e quadrilhas: globaliza\u00e7\u00e3o, juventude e viol\u00eancia.      In: VIANNA, Hermano. Galeras cariocas, territ\u00f3rios de conflitos e encontros      culturais. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1997.<\/p>\n<p>Fonte:       www.fae.ufmg.br<\/p>\n<h6>Dia da Juventude no Brasil<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<h4>22      de Setembro<\/h4>\n<p><strong>POR      UMA HIST\u00d3RIA DA JUVENTUDE BRASILEIRA<\/strong><\/p>\n<p>No      poema \u0093Metamorfoses\u0094 o poeta romano Ov\u00eddio compara as fases da vida      humana com as esta\u00e7\u00f5es do ano. Para ele, a inf\u00e2ncia \u00e9 semelhante \u00e0 primavera,      nessa fase \u0093tudo floresce, o f\u00e9rtil campo resplandece com o colorido      das flores, mas ainda falta vigor \u00e0s folhas\u0094; a juventude \u00e9 o ver\u00e3o,      \u0093quadra mais forte e vigorosa que \u00e9 a robusta mocidade, fecunda e ardente\u0094.      O outono que \u00e9 a quadra da maturidade, o meio-termo entre o jovem e o velho\u0094,      passado o outono, vem enfim o inverno que \u00e9 o \u0093velho tr\u00f4pego, cujos cabelos      ou ca\u00edram como as folhas das \u00e1rvores, ou, os que restaram, est\u00e3o brancos como      a neve dos caminhos.\u0094<\/p>\n<p>\u0093O      ver\u00e3o escolhido por Ov\u00eddio para simbolizar a juventude representa bem essa      fase da vida humana que \u00e9 realmente \u0093fecunda e ardente\u0094. O ver\u00e3o      \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o das tempestades, das altas temperaturas, ora \u00e9 o Sol, ora \u00e9 a      chuva. Na juventude tamb\u00e9m \u00e9 assim, acontece tempestade de emo\u00e7\u00f5es, as paix\u00f5es      s\u00e3o mais ardentes e os sentimentos sofrem constantes oscila\u00e7\u00f5es. \u0093S\u00e3o      momentos de crise, individual e coletiva, mas tamb\u00e9m de compromisso entusi\u00e1stico      e sem reservas: e, no fundo, n\u00e3o vamos encontrar os jovens na linha de frente      das revoltas e das revolu\u00e7\u00f5es\u0094?\u0094 (LEVI &amp; SCHMITT, 1996;12)<\/p>\n<p>Ao      discutir sobre a tematiza\u00e7\u00e3o social da juventude no Brasil, a soci\u00f3loga Helena      W. Abramo (1997; 25) destaca o crescimento de estudos desenvolvidos sobre      o tema nas universidades e a aten\u00e7\u00e3o conferida aos jovens nos \u00faltimos anos      por parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, das institui\u00e7\u00f5es governamentais      e n\u00e3o governamentais. No entanto, a maioria desses estudos tem sido desenvolvidos      nos campos da Sociologia, Psicologia, Pedagogia e Antropologia. A Hist\u00f3ria      pouco tem trabalhado o tema.<\/p>\n<p>A      Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Professores Universit\u00e1rios de Hist\u00f3ria (ANPUH) lan\u00e7ou      em 1995 um cat\u00e1logo (CAPELATO: 1995) em tr\u00eas volumes, contendo a produ\u00e7\u00e3o      hist\u00f3rica do Brasil relativa \u00e0s disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e doutorado defendidas      entre 1985 e 1994 junto aos 191 Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria. Nele,      encontramos apenas dois trabalhos sobre a juventude.<\/p>\n<p>Em      \u0093Hist\u00f3ria dos Jovens: da antiguidade \u00e0 era moderna\u0094 e \u0093Hist\u00f3ria      dos Jovens: a \u00e9poca contempor\u00e2nea\u0094, ambos publicados em 1996, os autores      Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt re\u00fanem pela primeira vez uma colet\u00e2nea      de ensaios que versam sobre a juventude do ponto de vista hist\u00f3rico. A hist\u00f3ria      da juventude para os autores \u0093se configura como um terreno privilegiado      de experimenta\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica\u0094 (1996, p. 10).<\/p>\n<p>Por      tratar-se de um objeto relativamente novo para os historiadores, algumas considera\u00e7\u00f5es      tecidas pelos autores s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para aqueles que desejam      pisar nesse \u0093terreno\u0094 e se aventurar nessa \u0093experimenta\u00e7\u00e3o      historiogr\u00e1fica\u0094. Os historiadores n\u00e3o devem perder de vista que a juventude      \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social e cultural, \u0093em nenhum lugar, em nenhum momento      da hist\u00f3ria, a juventude poderia ser definida segundo crit\u00e9rios exclusivamente      biol\u00f3gicos ou jur\u00eddicos. Sempre e em todos os lugares, ela \u00e9 investida tamb\u00e9m      de outros valores\u0094 (LEVI &amp; SCMITT, 1996:14). \u00c9 importante ainda destacar      outros aspectos, como a quest\u00e3o da transitoriedade, n\u00e3o se \u00e9 jovem, se est\u00e1      jovem, \u0093pertencer \u00e0 determinada faixa et\u00e1ria \u0097 e \u00e0 juventude de      modo particular \u0097 representa para cada indiv\u00edduo uma condi\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria.      Mais apropriadamente, os indiv\u00edduos n\u00e3o pertencem a grupos et\u00e1rios, eles os      atravessam\u0094 (op cit; 08-09). A desigualdade entre as classes sociais      e a diferen\u00e7a entre os sexos tamb\u00e9m n\u00e3o devem ser esquecidas.<\/p>\n<p>A      biologia divide a juventude em duas fases: a pr\u00e9-adolesc\u00eancia (de 10 a 14anos)      e a adolesc\u00eancia (de 15 a 19 anos). Para a Sociologia, a juventude come\u00e7a      aos 15 e termina aos 24 anos. Estas ci\u00eancias t\u00eam j\u00e1 definido o limite certo      do per\u00edodo em que come\u00e7a e termina a juventude, o que n\u00e3o ocorre na Hist\u00f3ria.      O historiador precisa definir o que \u00e9 ser jovem, conforme o per\u00edodo e a sociedade      estudados. Tempo, espa\u00e7o e cultura s\u00e3o essenciais para a compreens\u00e3o do sentido      de Juventude em hist\u00f3ria, pois \u0093essa \u00e9poca da vida, n\u00e3o pode ser delimitada      com clareza por quantifica\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas nem por defini\u00e7\u00f5es de tipo jur\u00eddico,      e \u00e9 por isso que nos parece substancialmente in\u00fatil tentar identificar e estabelecer      como fizeram outros, limites muito n\u00edtidos\u0094 (op cit. 08-09).<\/p>\n<p>Para      estudar os novos objetos da hist\u00f3ria, faz-se necess\u00e1rio repensar os conceitos,      as categorias, as fontes e os m\u00e9todos de investiga\u00e7\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o, utilizados.      Assim, o cinema, a m\u00fasica, a propaganda, a pintura, a charge, a foto, o panfleto,      a poesia, o teatro, constituem fontes valiosas. Cabe ao historiador valer-se      de toda a sua criatividade, utilizando essas fontes.<\/p>\n<p>Metamorfose.      Eis a palavra chave quando se trata de historiografia do s\u00e9culo XX. As mudan\u00e7as      ocorridas na escrita da hist\u00f3ria nas ultimas d\u00e9cadas, sobretudo a partir dos      anos 1970 e 1980, per\u00edodo em que culminou com uma explos\u00e3o dos m\u00e9todos, dos      campos, dos canteiros e dos objetos da hist\u00f3ria, produzindo assim, uma verdadeira      revolu\u00e7\u00e3o no modo de fazer e de pensar a hist\u00f3ria. A rea\u00e7\u00e3o contra o paradigma      tradicional internacionalizou-se permitindo o desenvolvimento de estudos sobre      tem\u00e1ticas e grupos sociais at\u00e9 ent\u00e3o exclu\u00eddos, como os prisioneiros, os imigrantes,      os soldados, os homossexuais, as mulheres, as crian\u00e7as, os escravos e tamb\u00e9m      os jovens. Enfim, abriu-se um leque de possibilidades. O homem comum ganhou      um papel que de fato e de direito sempre foi seu: protagonista da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em      1974, Jacques Le Goff e Pierre Nora organizam na Fran\u00e7a uma s\u00e9rie de livros      com tr\u00eas volumes2 para discutir os novos caminhos da hist\u00f3ria. No primeiro      volume \u00e9 colocada a quest\u00e3o dos \u0093novos problemas\u0094 da hist\u00f3ria; no      segundo discute-se as novas abordagens; e no terceiro abordam os \u0093novos      objetos da hist\u00f3ria\u0094, os jovens, juntamente com o clima, o inconsciente,      o mito, as mentalidades, a l\u00edngua, o livro, o corpo, a cozinha, a opini\u00e3o      p\u00fablica, o filme e a festa, que aparecem como um desses novos objetos de investiga\u00e7\u00e3o      hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>De      modo geral, os estudos sobre a juventude no Brasil privilegiam as manifesta\u00e7\u00f5es      juvenis partindo da d\u00e9cada de 1950 em diante. Em cada uma delas, a juventude      aparece caracterizada de uma forma. Por exemplo, na d\u00e9cada de 1950 \u0097      chamada de \u0093anos dourados\u0094 \u0097 a juventude ficou conhecida como      \u0093rebeldes sem causa\u0094 ou \u0093juventude transviada\u0094; na d\u00e9cada      de 1960 \u0097 \u0093os anos rebeldes\u0094 \u0097 \u00e9 tida como revolucion\u00e1ria;      na d\u00e9cada de 1990, fala-se de uma \u0093gera\u00e7\u00e3o shopping center\u0094.<\/p>\n<p>A      partir da d\u00e9cada de 1950, vive-se um momento de expressiva ascens\u00e3o jovem      que tem in\u00edcio nos Estados Unidos, principalmente, entre as classes m\u00e9dia      e alta. \u0093A cultura juvenil tornou-se dominante nas economias de mercado      desenvolvidas,\u0094 (HOBSBAWM, 1995, p. 320). \u00c9 tecida uma identidade pr\u00f3pria      em torno dessa fase da vida humana, jamais vista na hist\u00f3ria. Come\u00e7ava a constituir-se      uma consci\u00eancia et\u00e1ria que acentuaria a oposi\u00e7\u00e3o entre os grupos jovens e      os n\u00e3o jovens. Um jovem nascido em Salvador em 1944, chamado Raul Santos Seixas,      s\u00f3cio do f\u00e3-clube \u0093Elvis Rock Club\u0094 aos 16 anos, define bem essa      constru\u00e7\u00e3o de identidade jovem: \u0093antes a garotada n\u00e3o era garotada, seguia      o padr\u00e3o do adulto, aquela imita\u00e7\u00e3o do homenzinho, sem identidade\u0094. Naquela      \u00e9poca, diz Raul: \u0093Eu senti que ia ser uma revolu\u00e7\u00e3o incr\u00edvel. Na \u00e9poca      eu pensava que os jovens iam conquistar o mundo\u0094(CARRANO, 2001, p. 33).<\/p>\n<p>H\u00e1      \u00e9pocas na hist\u00f3ria em que as mudan\u00e7as parecem ocorrer com maior velocidade.      A segunda metade do s\u00e9culo XX foi uma dessas \u00e9pocas. Ao analisar o s\u00e9culo      XX, Hobsbawm (1995; 24) destaca que uma das maiores transforma\u00e7\u00f5es; em certos      aspectos a mais perturbadora \u0096 fora a \u0093desintegra\u00e7\u00e3o de velhos padr\u00f5es      de relacionamento social humano, e, com ela, ali\u00e1s a quebra dos elos entre      as gera\u00e7\u00f5es, quer dizer, entre passado e presente\u0094. Essa quebra de elos      entre as gera\u00e7\u00f5es \u00e9 sentida por Euli Tortorelli, nascida em 1941 e que vivenciou      essas transforma\u00e7\u00f5es \u0093(&#8230;) da gera\u00e7\u00e3o da minha v\u00f3 para minha m\u00e3e quase      n\u00e3o houve mudan\u00e7as&#8230; um per\u00edodo que foi muito devagar, transforma\u00e7\u00e3o quase      n\u00e3o houve. Agora da minha gera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 pros meus filhos, foi um salto muito      alto (&#8230;)\u00943.<\/p>\n<p>\u00c9      preciso que haja estudos consistentes que procurem ver a juventude brasileira      al\u00e9m desses r\u00f3tulos, uma vez que estes tendem a encobrir muitos outros aspectos.      Hegel diz que \u0093se voc\u00ea chama de criminoso algu\u00e9m que cometeu um crime,      voc\u00ea ignora todos aspectos de sua personalidade ou de sua vida que n\u00e3o s\u00e3o      criminosos.\u0094 (apud CARRANO, 2000; 17). Essa proposi\u00e7\u00e3o que se aplica      em rela\u00e7\u00e3o aos indiv\u00edduos tamb\u00e9m serve de li\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria. Quando chamamos      a juventude dos anos 1990 de \u0093gera\u00e7\u00e3o shopping center\u0094 ignoramos      as suas v\u00e1rias outras facetas.<\/p>\n<p>Os      caminhos do fazer historiogr\u00e1fico s\u00e3o m\u00faltiplos. O cen\u00e1rio \u00e9 de otimismo,      os debates s\u00e3o fecundos e necess\u00e1rios. \u00c9 preciso que n\u00e3o se tenha medo de      ousar, criar, inovar e experimentar.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1.      Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade      Federal de Goi\u00e1s (UFGO), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade      Federal do Paran\u00e1 (UFPR), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade      Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal do Rio de Janeiro      (UFRJ), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Vale      do Rio dos Sinos (UNINOS\/RS), Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro      (PUC\/RJ), Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC\/RS),      Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC\/SP), Universidade de Bras\u00edlia      (UnB), Universidade Federal de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista      (UNESP\/FRANCA), Universidade Estadual Paulista (UNESP\/ASSIS), Universidade      Federal da Bahia (UFBA) e Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>2.      LE GOFF, Jacques &amp; NORA, Pierre. Hist\u00f3ria: novos problemas. 4a ed. Rio      de Janeiro: Francisco Alves, 1995.<\/p>\n<p>3.      Entrevista de Euli Fernandes Tortorelli, em 25\/02\/2002.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS      BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>ABRAMO, Helena.      W. Considera\u00e7\u00f5es sobre a tematiza\u00e7\u00e3o social da juventude no Brasil. Revista      Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: ANPED, n\u00famero especial n. 5-6, p.25-36,      1997.<br \/>\n     CARRANO, Paulo C\u00e9sar Rodrigues. Juventudes: as identidades s\u00e3o m\u00faltiplas.      Movimento: Revista da Faculdade de educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal Fluminense,      Niter\u00f3i-RJ: n. 01, p.11-27, maio de 2000.<br \/>\n     HOBSBAWM, Eric. J. A era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX (1914-1991). 2a ed.      Trad. de Marcos Santarrita. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1995.<br \/>\n     LE GOFF, Jacques &amp; NORA, Pierre (orgs). Hist\u00f3ria: novos objetos. 4a ed.      Trad. de Terezinha Marinho. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1995.<br \/>\n     LEVI, Giovanni &amp; SCHMITT, Jean-Claude (orgs). Hist\u00f3ria dos jovens I: da      antiguidade a era moderna. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.<br \/>\n     ______________________ (orgs). Hist\u00f3ria dos jovens II: a \u00e9poca contempor\u00e2nea      . S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1996.<\/p>\n<p>Fonte:       www.proec.ufg.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia da Juventude no Brasil, Jovens, Hist\u00f3ria, Sociedade, Educa\u00e7\u00e3o, Cultura, Trabalho, Sa\u00fade, Seguran\u00e7a, Emprego, Lazer, Dia da Juventude no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[300],"tags":[],"class_list":["post-60253","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-calendario-comemorativo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Dia da Juventude no Brasil, Jovens, Hist\u00f3ria Dia da Juventude no Brasil<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Dia da Juventude no Brasil, Jovens, Hist\u00f3ria, Sociedade, 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