{"id":59883,"date":"2016-07-07T14:38:45","date_gmt":"2016-07-07T14:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=59883"},"modified":"2016-07-07T17:34:13","modified_gmt":"2016-07-07T17:34:13","slug":"falecimento-do-jornalista-roberto-marinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/falecimento-do-jornalista-roberto-marinho","title":{"rendered":"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho"},"content":{"rendered":"<h2>06      de Agosto<\/h2>\n<p>O      carioca Roberto Marinho teve uma grande miss\u00e3o quando o pai faleceu: levar      \u00e0 frente um recent\u00edssimo jornal. Com 21 anos, assumiu o vespertino O Globo      em 1925, fundado por Irineu Marinho, apenas tr\u00eas semanas antes de sua morte.      A partir da\u00ed, contando com a ajuda do experiente jornalista Eurycles de Mattos      aprendeu cada detalhe, da oficina \u00e0 administra\u00e7\u00e3o, daquela engrenagem complexa.      ,<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert22.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><\/p>\n<p>Mesmo      sem m\u00e1quinas pr\u00f3prias \u00e0 \u00e9poca, Roberto Marinho empenhou-se desde o in\u00edcio      da reda\u00e7\u00e3o na rua Bittecourt Silva, no Rio de Janeiro, a fazer do ve\u00edculo      algo muito mais grandioso. Assim, com extrema perseveran\u00e7a, construiu passo      a passo O Globo, modernizando-o tanto em linguagem, quanto em tecnologia.<\/p>\n<p>O      jornal foi um dos primeiros a apostar em mat\u00e9rias mais abrangentes &#8211; de fatos      da comunidade at\u00e9 os acontecimentos internacionais. Era \u0093uma nova maneira      de ver o mundo\u0094, como dizia.<\/p>\n<p>Um      dos passos decisivos foi a transfer\u00eancia do jornal, em 1954, para a rua Irineu      Marinho, tamb\u00e9m no Rio, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje. O Globo j\u00e1 estava consolidado      e Roberto Marinho expandia a organiza\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00e1dio Globo, criada em 1944 e,      em 1965, \u00e0 Rede Globo de Televis\u00e3o. Ao longo dos anos, outros jornais e revistas      agregaram-se \u00e0 empresa, sendo seguidos, mais recentemente, pela TV por assinatura      e a internet.<\/p>\n<p>No      entanto, apesar de ter sido respons\u00e1vel por um conglomerado da comunica\u00e7\u00e3o,      o orgulho maior de Roberto Marinho era sua profiss\u00e3o de jornalista. Gostava      de ser conhecido assim, mesmo que a imagem de empres\u00e1rio bem sucedido se destacasse      atrav\u00e9s de seus in\u00fameros empreendimentos.<\/p>\n<p>Acima      de tudo, era um homem otimista, que transformou essa virtude em um dos grandes      trunfos para transformar em realidade seus sonhos. Um deles era o de levar      educa\u00e7\u00e3o e cultura a um n\u00famero significativo de brasileiros.<\/p>\n<p>Obcecado      pelo trabalho, apaixonado pela educa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Embora      mantivesse uma r\u00edgida rotina de trabalho, Roberto Marinho n\u00e3o deixava de lado      seu grande prazer: a arte. Gostava de obras de Honor\u00e9 de Balzac, Machado de      Assis e E\u00e7a de Queiroz, na literatura, e de Chopin e Verdi, na m\u00fasica. Apreciava      igualmente cinema e teatro, al\u00e9m de ser colecionador de quadros de artistas      brasileiros.<\/p>\n<p>Todo      este apre\u00e7o pelo conhecimento conduziu-o a um ideal nobre. Surgia, assim,      em novembro de 1977, a Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, com a meta de oferecer ao      pa\u00eds um acesso mais facilitado de assuntos culturais e educacionais, atrav\u00e9s      dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Roberto      Marinho faleceu em 2003, aos 98 anos.<\/p>\n<p>Fonte: www.frm.org.br<\/p>\n<h6>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/h6>\n<p class=\"google\">\n<h2>06      de Agosto<\/h2>\n<h2>Biografia<\/h2>\n<p>S\u00e9timo      ocupante da Cadeira 39, eleito em 22 de julho de 1993, na sucess\u00e3o de Otto      Lara Rezende e recebido pelo acad\u00eamico Josu\u00e9 Montello em 19 de outubro de      1993.<\/p>\n<p>Roberto      Marinho nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 3 de dezembro de 1904 e faleceu      em 6 de agosto de 2003 na mesma cidade. Filho do jornalista Irineu Marinho      e de D. Francisca Pisani Marinho.<\/p>\n<p>Fez      seus estudos na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos Col\u00e9gios Anglo-Brasileiro,      Paula Freitas e Aldridge.<\/p>\n<p>Com      a morte do pai, Roberto Marinho ingressou no rec\u00e9m-fundado vespertino &#8220;O      Globo&#8221;, onde exerceu as fun\u00e7\u00f5es de copy-desk, redator-chefe, secret\u00e1rio      e diretor. Teve como tesoureiro do jornal o infatig\u00e1vel jornalista Herbert      Moses, futuro presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa.<\/p>\n<p>No      final da d\u00e9cada de 1930 o jornal empenhou-se na campanha eleitoral, com simpatia      pelos candidatos da Alian\u00e7a Liberal &#8211; Get\u00falio Vargas e Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>No      per\u00edodo que se seguiu \u00e0 vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1930 o jornal manteve      uma linha de acomoda\u00e7\u00e3o com o governo.<\/p>\n<p>Em      1952 o jornalista Roberto Marinho integrou a delega\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 VII Assembl\u00e9ia      Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Presidiu      o Conselho de orienta\u00e7\u00e3o do curso de jornalismo da Pontif\u00edcia Universidade      Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro. Exerceu, tamb\u00e9m, por indica\u00e7\u00e3o governamental,      as fun\u00e7\u00f5es de Chanceler da Ordem do M\u00e9rito, de 29 de abril de 1960 a 10 de      mar\u00e7o de 1967.<\/p>\n<p>Em      1993 apresentou-se como candidato \u00e0 vaga da cadeira n\u00ba 39 da Academia Brasileira      de Letras, aberta pelo falecimento do tamb\u00e9m jornalista Otto Lara Resende,      antigo colaborador de &#8220;O Globo&#8221;.<\/p>\n<p>A      cerim\u00f4nia de posse na Academia foi realizada no dia 19 de outubro de 1993,      sendo recebido pelo acad\u00eamico Josu\u00e9 Montello.<\/p>\n<p>Na      ocasi\u00e3o declarou Roberto Marinho que devia a seu pai, Irineu Marinho, &#8220;a      forma\u00e7\u00e3o de jornalista&#8221;.<\/p>\n<p>Roberto      Marinho publicou, em 1992, um livro que recebeu o t\u00edtulo de &#8220;Uma trajet\u00f3ria      liberal&#8221;, obra que, como assinalou ent\u00e3o Josu\u00e9 Montello, \u00e9 integrada      por &#8220;textos dispersos sobre vossas experi\u00eancias e vossos testemunhos,      guardando imagens vivas de figuras como Carlos Lacerda, Tancredo Neves e Lu\u00eds      Carlos Prestes&#8221;.<\/p>\n<p>Expandindo      suas atividades, Roberto Marinho criou a Funda\u00e7\u00e3o que leva o seu nome, uma      das mais merit\u00f3rias institui\u00e7\u00f5es com que o pa\u00eds j\u00e1 contou em diversos setores      da cultura, com destaque especial no campo das Ci\u00eancias, das Artes, do Patrim\u00f4nio      Hist\u00f3rico e Art\u00edstico, da Literatura e da Hist\u00f3ria, al\u00e9m do mecenato que incluiu      substancial ajuda financeira e proporcionou a recupera\u00e7\u00e3o de tesouros amea\u00e7ados      de perecimento irremedi\u00e1vel por car\u00eancia absoluta de recursos.<\/p>\n<p>Roberto      Marinho faleceu no Rio de Janeiro no dia 6 de agosto de 2003.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.academia.org.br7<\/p>\n<h6>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/h6>\n<h4>06      de Agosto<\/h4>\n<p>Propriet\u00e1rio      do maior conglomerado de comunica\u00e7\u00e3o do Brasil e um dos maiores do mundo,      as Organiza\u00e7\u00f5es Globo, Roberto Marinho foi um dos homens mais poderosos e      influentes do pa\u00eds no s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Em      sete d\u00e9cadas de trabalho, atuou nas m\u00eddias de r\u00e1dio, televis\u00e3o, jornal, editora,      produ\u00e7\u00e3o de cinema, v\u00eddeo, internet e distribui\u00e7\u00e3o de sinal de TV paga e de      dados. Suas empresas atravessaram a virada do s\u00e9culo 21 com mais de 15 mil      funcion\u00e1rios e faturamento de aproximadamente US$ 2 bilh\u00f5es, tornando-se um      dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes.<\/p>\n<p>Filho      do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e Francisca Pisani Barros, Roberto      Pisani Marinho nasceu no Rio de Janeiro no dia 3 de dezembro de 1904 e teve      mais quatro irm\u00e3os, dois homens e duas mulheres.<\/p>\n<p>Educado      na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos col\u00e9gios Anglo-Brasileiro, Paula      Freitas e Aldridge, o empres\u00e1rio teve sua vida sempre ligada ao jornalismo.      Em 1911, seu pai fundou o jornal A Noite, o primeiro vespertino moderno no      Rio de Janeiro, que logo conquistou a lideran\u00e7a de vendas entre os vespertinos      da ent\u00e3o capital da rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>In\u00edcio      do Imp\u00e9rio Globo<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s      vender A Noite, Irineu Marinho lan\u00e7ou o jornal &#8216;O Globo&#8217;, tamb\u00e9m vespertino,      no dia 29 de julho de 1925, com uma tiragem de 33.435 exemplares. Nessa \u00e9poca,      Roberto Marinho, com 20 anos, foi trabalhar com o pai, atuando como rep\u00f3rter      e secret\u00e1rio particular.<\/p>\n<p>Apenas      21 dias depois do lan\u00e7amento do jornal, Irineu Marinho morreu de infarto enquanto      tomava banho em sua casa. Apesar da press\u00e3o da fam\u00edlia para assumir a dire\u00e7\u00e3o      do vespertino, Roberto Marinho preferiu deixar o comando da empresa nas m\u00e3os      do jornalista Euclydes de Matos, amigo de confian\u00e7a de seu pai. Enquanto isso,      continuou trabalhando como copidesque, redator chefe, secret\u00e1rio e diretor.      Somente com a morte de Euclydes de Matos \u00e9 que assumiu a dire\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico,      em 1931.<\/p>\n<p>Em      oposi\u00e7\u00e3o ao jornalismo partid\u00e1rio que ainda se praticava em outras m\u00eddias,      &#8216;O Globo&#8217; surgiu como um canal noticioso, defendendo causas populares e a      abertura do pa\u00eds ao capital estrangeiro. Apesar de o jornal ser na \u00e9poca o      principal meio de comunica\u00e7\u00e3o do grupo, o crescimento da empresa aconteceu      com a venda de hist\u00f3rias em quadrinhos norte-americanas e de empreendimentos      imobili\u00e1rios.<\/p>\n<p>No      final de 1944, o empres\u00e1rio comprou a r\u00e1dio Transmissora e lan\u00e7ou sua primeira      emissora, a r\u00e1dio Globo, que marcou o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do seu conglomerado      de m\u00eddia. Onze anos depois, ganhou a concess\u00e3o de sua primeira esta\u00e7\u00e3o de      TV.<\/p>\n<p>O      in\u00edcio das transmiss\u00f5es do novo canal foi em 1965, quando o jornalista tinha      60 anos, com o in\u00edcio das transmiss\u00f5es do Canal 4, a Globo do Rio. No ano      seguinte, o empres\u00e1rio adquiriu em S\u00e3o Paulo a TV Paulista, Canal 5, e come\u00e7ou      a formar a rede de mais de 113 emissoras entre Geradoras e Afiliadas.<\/p>\n<p><strong>Dinheiro      estrangeiro<\/strong><\/p>\n<p>Como      na \u00e9poca n\u00e3o possu\u00eda o capital necess\u00e1rio para o novo empreendimento, Marinho      se uniu ao grupo norte-americano Time-Life, para quem deu 49% de participa\u00e7\u00e3o.      O grupo trouxe investimentos estimados em US$ 25 milh\u00f5es e a tecnologias avan\u00e7adas,      que mais tarde seria transformada no chamado &#8220;Padr\u00e3o Globo de Qualidade&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar      das cr\u00edticas e at\u00e9 mesmo da cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar de inqu\u00e9rito      para investigar a parceria com o grupo americano, o que era proibido pela      constitui\u00e7\u00e3o, a Rede Globo em apenas cinco anos ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional e      se tornou l\u00edder de audi\u00eancia. Em pouco tempo, a emissora j\u00e1 obtinha mais 75%      do total de verbas publicit\u00e1rias destinadas \u00e0 m\u00eddia televis\u00e3o. Em 1977, j\u00e1      com o seu imp\u00e9rio de m\u00eddia consolidado, construiu uma funda\u00e7\u00e3o com o seu nome,      destinada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da cultura e educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao      longo de sua vida, Roberto Marinho teve grandes advers\u00e1rios, como Assis Chateaubriand,      Carlos Lacerda, Samuel Wainer e Leonel Brizola, frutos de suas conflituosas      rela\u00e7\u00f5es com o poder, o qual muitas vezes foi acusado de ser conivente, principalmente      durante o per\u00edodo da ditadura militar, per\u00edodo onde ocorreu o grande crescimento      de suas empresas.<\/p>\n<p><strong>Vida      pessoal<\/strong><\/p>\n<p>Casado      por tr\u00eas vezes, Roberto Marinho teve quatro filhos, todos frutos de seu casamento      com sua primeira esposa, Stela Marinho: Roberto Irineu, Jos\u00e9 Roberto, Jo\u00e3o      Roberto e Paulo Roberto.<\/p>\n<p>No      R\u00e9veillon de 1970, seu filho Paulo Roberto, \u00e0 \u00e9poca com 19 anos, morreu em      um acidente de carro, na regi\u00e3o dos Lagos, no Rio de Janeiro. O jornalista      tamb\u00e9m foi casado com Ruth Marinho, sua segunda mulher, e, em 1984, casou-se      com Lily de Carvalho, com quem viveu o restante de sua vida.<\/p>\n<p>Com      a idade avan\u00e7ada, em 1998, Roberto Marinho se afastou do comando das empresas      e dividiu com seus filhos o poder das Organiza\u00e7\u00f5es Globo: Roberto Irineu passou      a supervisionar a televis\u00e3o, enquanto Jo\u00e3o Roberto passou a dirigir o jornal      e Jos\u00e9 Roberto, o sistema de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>Em      1993, candidatou-se \u00e0 vaga da cadeira de n\u00famero 39 da Academia Brasileira      de Letras, que antes pertencia ao tamb\u00e9m jornalista Otto Lara Rezende, sendo      eleito no dia 22 de julho de 1993. Apesar de n\u00e3o possuir uma carreira liter\u00e1ria,      tornou-se &#8220;imortal&#8221; pelos &#8220;servi\u00e7os prestados ao r\u00e1dio e \u00e0      televis\u00e3o brasileira&#8221;, com 34 dos 37 votos dos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>O      jornalista Roberto Marinho morreu, aos 98 anos, no dia 6 de agosto de 2003.      Ele estava em sua casa, no Cosme Velho, pela manh\u00e3, quando sofreu um edema      pulmonar, provocado por uma trombose. O empres\u00e1rio foi, ent\u00e3o, internado na      Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Samaritano, em Botafogo, mas n\u00e3o      sobreviveu.<\/p>\n<p>Fonte: www.netsaber.com.br<\/p>\n<h6>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/h6>\n<h4>06      de Agosto<\/h4>\n<p>Roberto      Marinho nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 3 de dezembro de 1904 e faleceu      na mesma cidade em 06 de agosto de 2003, aos 98 anos.<\/p>\n<p>Filho      do jornalista Irineu Marinho e de D. Francisca Pisani Marinho, foi eleito      membro da Academia Brasileira de Letras em 22 de julho de 1993 e tomou posse      a 19 de outubro do referido ano, ocupando a cadeira n\u00ba 39.<\/p>\n<p>Fez      seus estudos na Escola Profissional Sousa Aguiar e nos Col\u00e9gios Anglo-Brasileiro,      Paula Freitas e Aldridge.<\/p>\n<p>Com      a morte do pai, Roberto Marinho ingressaria no rec\u00e9m-fundado vespertino &#8220;O      Globo&#8221;, onde exerceu as fun\u00e7\u00f5es de copy-desk, redator-chefe, secret\u00e1rio      e diretor.<\/p>\n<p>Teve      como tesoureiro do jornal o infatig\u00e1vel jornalista Herbert Moses, futuro presidente      da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa.<\/p>\n<p>No      final da d\u00e9cada de 1930 o jornal empenhou-se na campanha eleitoral, com simpatia      pelos candidatos da Alian\u00e7a Liberal &#8211; Get\u00falio Vargas e Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>No      per\u00edodo que se seguiu \u00e0 vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o de outubro de 1930 o jornal manteve      uma linha de acomoda\u00e7\u00e3o com o governo.<\/p>\n<p>Expandindo      suas atividades, Roberto Marinho criou a Funda\u00e7\u00e3o que leva o seu nome, uma      das mais merit\u00f3rias institui\u00e7\u00f5es com que o pa\u00eds j\u00e1 contou em diversos setores      da cultura, com destaque especial no campo das Ci\u00eancias, das Artes, do Patrim\u00f4nio      Hist\u00f3rico e Art\u00edstico, da Literatura e da Hist\u00f3ria, al\u00e9m do mecenato que inclui      substancial ajuda financeira que tem proporcionado a recupera\u00e7\u00e3o de tesouros      amea\u00e7ados de perecimento irremedi\u00e1vel por car\u00eancia absoluta de recursos.<\/p>\n<p>Faleceu,      no Rio de Janeiro, em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es de um edema pulmonar, no      dia 06 de agosto de 2003.<\/p>\n<p>Fonte: Casa      do Bruxo<\/p>\n<h6>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/h6>\n<h4>06      de Agosto<\/h4>\n<p>O      jornalista Roberto Marinho construiu uma fascinante hist\u00f3ria de transforma\u00e7\u00f5es      pessoais em idades improv\u00e1veis. Com apenas 26 anos, depois da morte do pai,      Irineu, de quem tamb\u00e9m era secret\u00e1rio, assumiu o comando da reda\u00e7\u00e3o do jornal      O Globo. Aos 61, quando muitos j\u00e1 ensaiam a aposentadoria, criou a TV Globo.      Aos 84, casou-se pela terceira vez, com Lily Monique de Carvalho, ent\u00e3o vi\u00fava      e com 67 anos. Ao longo de quase tr\u00eas quartos de s\u00e9culo de ativa participa\u00e7\u00e3o      na vida pol\u00edtica e social do Brasil, com reviravoltas numa exist\u00eancia que      nunca foi mon\u00f3tona, ajudou a mudar o pa\u00eds. Como ele mesmo definiu numa autobiografia      ainda in\u00e9dita, foi &#8216;uma vida condenada ao sucesso&#8217;. O sucesso, se n\u00e3o veio      por acaso, foi abruptamente acelerado com o s\u00fabito desaparecimento do pai,      que o for\u00e7ou a mergulhar no cotidiano de O Globo.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert23.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"305\" height=\"240\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>NO TRABALHO\u00a0<br \/>\n     Roberto Marinho com Pereira Rego na reda\u00e7\u00e3o de O Globo<\/strong><\/p>\n<p>Irineu      come\u00e7ara a carreira como revisor no Di\u00e1rio de Not\u00edcias. Fundou O Globo em      1925. Vinte e tr\u00eas dias depois, morreria de ataque card\u00edaco durante um banho.      Coube a Roberto, o mais velho dos cinco filhos de Irineu e Francisca, a dona      Chica, entrar pela min\u00fascula janela do aposento sanit\u00e1rio para encontrar o      pai estendido no ch\u00e3o. Recusou-se a aceitar o posto de diretor de reda\u00e7\u00e3o      do vespertino rec\u00e9m-criado por n\u00e3o se considerar apto a tamanha responsabilidade      com t\u00e3o pouca idade. Chica percebeu a ansiedade do primog\u00eanito. &#8216;Roberto,      vamos vender o jornal que voc\u00ea \u00e9 muito mo\u00e7o&#8217;, disse. &#8216;Vender o jornal coisa      nenhuma&#8217;, retrucou o filho. &#8216;Quem vai tomar conta do jornal sou eu.&#8217; Era preciso      antes, no entanto, aprender a toc\u00e1-lo, como patr\u00e3o e jornalista &#8211; e Roberto      Marinho colou nos passos do diretor de reda\u00e7\u00e3o, o experiente Euclydes Mattos.      Tinha especial admira\u00e7\u00e3o pelas m\u00e1quinas de impress\u00e3o, compradas nos Estados      Unidos e que pertenceram ao Ex\u00e9rcito americano na guerra de 1917.<\/p>\n<p><strong>Depois      da morte prematura do pai, resolveu aprender a ser jornalista, antes de ser      patr\u00e3o. Colocou Euclydes de Mattos na dire\u00e7\u00e3o da reda\u00e7\u00e3o e trabalhou duro      em todas as \u00e1reas da nova empresa<\/strong><\/p>\n<p>Afeito      ao aspecto industrial de confec\u00e7\u00e3o do jornal, produziu um epis\u00f3dio ins\u00f3lito.      J\u00e1 no comando do di\u00e1rio, Roberto Marinho tentava convencer Herbet Moses, o      homem encarregado das finan\u00e7as, a comprar uma m\u00e1quina nova para O Globo. Moses      insistia: tudo corria bem, o jornal sa\u00eda da gr\u00e1fica com qualidade e velocidade      e, portanto, n\u00e3o havia motivo para adquirir novo equipamento. Roberto Marinho      n\u00e3o se convenceu. Tomou emprestada uma sala no Liceu de Artes e Of\u00edcios, em      cujo edif\u00edcio, no centro do Rio de Janeiro, funcionava a reda\u00e7\u00e3o, e ali instalou      outra m\u00e1quina, comprada sem o conhecimento de Moses, que, a cada edi\u00e7\u00e3o, desfilava      elogios \u00e0 qualidade de impress\u00e3o &#8211; como se ela pudesse ser atribu\u00edda ao maquin\u00e1rio      original. Fora a primeira grande vit\u00f3ria de Roberto, num lance de inventividade      que o acompanharia por toda a vida e que j\u00e1 o levara, em 1930, um ano antes      de assumir a reda\u00e7\u00e3o, a produzir uma not\u00edcia exclusiva. Roberto Marinho, com      m\u00e1quina fotogr\u00e1fica a tiracolo, acompanhava a movimenta\u00e7\u00e3o diante do Pal\u00e1cio      Guanabara, na queda do presidente Washington Lu\u00eds. Naquele tempo, estava prestando      servi\u00e7o militar. Sagaz, conseguiu uma imagem rara, do chefe de Estado deposto      rumo ao ex\u00edlio, ao lado do cardeal Leme. Dera seu primeiro furo. &#8216;O doutor      Roberto n\u00e3o \u00e9 empres\u00e1rio, ele \u00e9 jornalista&#8217;, disse Evandro Carlos da Andrade,      diretor de reda\u00e7\u00e3o de O Globo nos anos 70 e 80, j\u00e1 falecido, em depoimento      ao Projeto Mem\u00f3ria, da TV Globo. &#8216;Era um homem de not\u00edcia, um jornalista voltado      para a cobertura dos fatos, nunca foi afei\u00e7oado \u00e0 especula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.&#8217;<\/p>\n<p>A      falta de interesse por esse tipo de especula\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediu, por\u00e9m, que o      crescimento do jornal, e depois o nascimento e a explos\u00e3o da TV Globo, fizessem      Roberto Marinho se transformar em interlocutor contumaz de todos os principais      pol\u00edticos brasileiros do s\u00e9culo 20. Get\u00falio Vargas foi o primeiro a fascin\u00e1-lo      (e vice-versa). Com Vargas, Roberto Marinho aprendeu a caminhar em terreno      complicado &#8211; o das rela\u00e7\u00f5es entre a imprensa e o poder. Para o jornalista      Cl\u00e1udio Mello e Souza, amigo pr\u00f3ximo, &#8216;o jogo pol\u00edtico era fundamental para      a sobreviv\u00eancia do jornal nos anos 30, quando Get\u00falio controlava os di\u00e1rios      por meio de press\u00e3o de financiamento para esse ou para aquele&#8217;. A liberdade      de imprensa dependia da simpatia e do bom humor de Vargas e de seu ministro      da Fazenda, que variava sempre. A conviv\u00eancia com o caudilho ga\u00facho serviu      de curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o numa seara repleta de armadilhas. Um a um, todos      os presidentes brasileiros conviveram com Roberto Marinho (uma galeria de      fotos de Roberto Marinho com v\u00e1rios presidentes brasileiros de seu tempo acompanha      esta reportagem).<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert24.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"243\" height=\"304\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>GET\u00daLIO VARGAS\u00a0<br \/>\n     Uma fascina\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e muito aprendizado<\/strong><\/p>\n<p>Dois      personagens antag\u00f4nicos da hist\u00f3ria do Brasil o entusiasmavam &#8211; nem sempre      pela postura pol\u00edtica, e sim pela coragem at\u00e1vica em enfrentar desafios, como      se fossem espelho de si mesmo. Seus nomes: Carlos Lacerda e Lu\u00eds Carlos Prestes.      Lacerda, ainda deputado, nos anos 40 e 50, aproximou-se de Roberto Marinho      depois que este lhe abriu espa\u00e7o no Sistema Globo de R\u00e1dio. Em entrevista      ao editor de livros Jos\u00e9 M\u00e1rio Pereira, da Topbooks, Roberto Marinho relembrou      a tarde em que, numa visita ao jornal, Lacerda ficou preso no elevador, agitad\u00edssimo      com a situa\u00e7\u00e3o. Foi preciso quebrar a parede para liber\u00e1-lo e acalm\u00e1-lo. Os      dois eram, naquela \u00e9poca, muito amigos. O vaiv\u00e9m da pol\u00edtica os instalaria      em campos opostos. Lacerda, amante das diatribes, passou a atacar a Globo      e Roberto Marinho. O jornalista, irritado e ofendido, resolveu agir. Quase      nunca se exaltava, mas decidiu ir \u00e0 casa de Lacerda, na Praia do Flamengo,      para chegar \u00e0s vias de fato. Cumprimentou os seguran\u00e7as, entrou no elevador      e, l\u00e1 em cima, foi recebido pela empregada, que o convidou a entrar. Felizmente,      Lacerda tinha sa\u00eddo.<\/p>\n<p>Ele      s\u00f3 o conheceria pessoalmente em 1989, durante a elei\u00e7\u00e3o que op\u00f4s Lula e Collor      no segundo turno. Embora o jornal tivesse apoiado a legend\u00e1ria Coluna Prestes,      de 1924 a 1927, o jornalista nunca se encontrara com o l\u00edder comunista. Quando      ele morreu, Roberto Marinho n\u00e3o s\u00f3 assinou um editorial simp\u00e1tico em O Globo      como escreveu de pr\u00f3prio punho uma carta \u00e0 vi\u00fava, dona Maria.<\/p>\n<p>O      relacionamento de Roberto Marinho com os comunistas foi sempre leal. No in\u00edcio      dos anos 70, durante o regime militar inaugurado em 1964, os generais de plant\u00e3o      pediram uma lista de comunistas que trabalhavam em O Globo. Roberto Marinho      disse a um de seus interlocutores de farda verde-oliva: &#8216;Olha, vem aqui que      eu vou te dar a lista&#8217;. E deu. No mesmo dia, um comandante do Ex\u00e9rcito, indignado,      telefonou para o jornalista e esbravejou: &#8216;O senhor me mandou a folha de pagamentos&#8217;.      A resposta foi r\u00e1pida: &#8216;U\u00e9, mas quem tem de descobrir os comunistas s\u00e3o voc\u00eas,      est\u00e3o a\u00ed todos os funcion\u00e1rios do jornal&#8217;. Em outro epis\u00f3dio semelhante, em      1965, durante o governo do general Castello Branco, o ministro da Justi\u00e7a,      Juracy Magalh\u00e3es, chamou os donos dos jornais para dizer como queria que a      imprensa se comportasse e entregou \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de O Globo uma lista com 64 nomes      de profissionais que deveriam ser afastados do copidesque do jornal, o departamento      em que os textos recebiam tratamento final. As autoridades acreditavam que      os militantes de esquerda se infiltravam preferencialmente nesse momento da      linha de montagem do jornalismo e, por mais rid\u00edcula que fosse essa informa\u00e7\u00e3o,      tinham-na como verdadeira. Na reuni\u00e3o com o ministro, quase todos ficaram      calados ou disseram &#8216;sim&#8217;. Roberto Marinho preferiu o &#8216;n\u00e3o&#8217;. Recusou-se a      entregar as cabe\u00e7as e soltou uma frase, hoje antol\u00f3gica: &#8216;Ministro, o senhor      faz uma coisa, voc\u00eas cuidam dos seus comunistas, que eu cuido dos nossos l\u00e1      do Globo&#8217;.<\/p>\n<p>Durante      os governos militares, segundo depoimento de profissionais que trabalhavam      no jornal e na TV, Roberto Marinho aos poucos percebeu que a Globo estava      exageradamente vinculada ao regime. Disse Evandro Carlos de Andrade no depoimento      ao Projeto Mem\u00f3ria: &#8216;Ele foi se decepcionando progressivamente, mas havia      o engajamento do jornal e essas coisas n\u00e3o se mudam da \u00e1gua para o vinho&#8217;.      A mudan\u00e7a de postura de O Globo, comandada por Evandro, teve grande incentivo      de Roberto Marinho. Ele sabia que era preciso mudar, e mudava nos detalhes.      Em 1974, no dia em que Ernesto Geisel tomou posse como presidente da Rep\u00fablica,      Roberto Marinho telefonou para a reda\u00e7\u00e3o. Queria conversar com o chefe de      plant\u00e3o, respons\u00e1vel pelo fechamento da edi\u00e7\u00e3o. A manchete que ele mesmo sugeria      n\u00e3o cabia no espa\u00e7o abaixo das fotos de Geisel, empossado, e de M\u00e9dici, em      seu derradeiro ato no governo. Roberto Marinho n\u00e3o vacilou, e com uma \u00fanica      frase definiu os novos caminhos: &#8216;Bota o M\u00e9dici pequenininho&#8217;.<\/p>\n<p><strong>Por      apegar-se a pessoas, e n\u00e3o \u00e0s transit\u00f3rias conjunturas pol\u00edticas, contratava      profissionais sem pensar em suas prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas<\/strong><\/p>\n<p>R\u00e1pido      nas decis\u00f5es, tomava as iniciativas quase no faro. Para um de seus filhos,      Jos\u00e9 Roberto Marinho, sua grande qualidade sempre foi a de entender as pessoas,      de radiograf\u00e1-las com velocidade rara. &#8216;Ele percebe as pessoas nas suas qualidades,      nos seus defeitos, no seu temperamento, numa rapidez impressionante&#8217;, disse      Jos\u00e9 Roberto. Por apegar-se a pessoas, e n\u00e3o a conjunturas pol\u00edticas que podiam      &#8211; e costumavam &#8211; ser transit\u00f3rias, Roberto Marinho contratava profissionais      independentemente do lado em que estivessem em outros momentos. Inimigos not\u00f3rios      trabalharam em O Globo com a anu\u00eancia, e muitas vezes com a palavra final,      do pr\u00f3prio jornalista. O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 o de Franklin de Oliveira,      que se notabilizou como secret\u00e1rio particular de Leonel Brizola. No in\u00edcio      dos anos 60, como voltaria a ser nos 80, o ent\u00e3o governador do Rio Grande      do Sul era o mais empedernido dos advers\u00e1rios pol\u00edticos de O Globo &#8211; e Franklin      \u00e9 quem escrevia alguns dos textos mais virulentos contra Roberto Marinho.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert25.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"311\" height=\"176\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>HOMEM DO MUNO\u00a0<br \/>\n     Em visita ao Brasil, Fidel Castro conversa com Roberto Marinho<\/strong><\/p>\n<p>&#8216;O      doutor Roberto tinha erisipela quando pensava nele&#8217;, conta o publicit\u00e1rio      Mauro Salles. &#8216;Houve o golpe de 64 e Franklin de Oliveira ficou desempregado,      veio do Rio Grande do Sul para o Rio, e em tr\u00eas ou quatro meses estava sem      dinheiro, n\u00e3o sabia o que fazer.&#8217; Por sugest\u00e3o de Antonio Olyntho, hoje na      Academia Brasileira de Letras, o nome de Franklin de Oliveira foi sugerido      como editorialista a Mauro Salles, ent\u00e3o um dos chefes do jornal. Com boas      refer\u00eancias a respeito do car\u00e1ter de Franklin, e de sua ferina intelig\u00eancia,      Roberto Marinho mandou contrat\u00e1-lo no mesmo dia. Conquistara um inimigo. Ganhara      um imenso problema com o governo. Durante uma das in\u00fameras Comiss\u00f5es de Inqu\u00e9rito      Militares que assolavam o pa\u00eds na segunda metade dos anos 60, os donos de      jornal foram convocados a comparecer ao Minist\u00e9rio da Guerra. Uma vez mais      as autoridades mostravam-se preocupadas com uma suposta infiltra\u00e7\u00e3o de esquerda      na imprensa. Um dos generais iniciou uma catilin\u00e1ria: &#8216;A revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode      admitir que entrem nos jornais figuras infiltradas que s\u00e3o da revanche&#8217;. Referia-se      a Franklin de Oliveira. Olhava para Roberto Marinho, que se levantou para      dizer: &#8216;General, eu n\u00e3o vim aqui para ouvir isto e quero lhe esclarecer que      O Globo contratou gente que serviu ao regime anterior, de Jo\u00e3o Goulart, e      vai continuar contratando, e eu n\u00e3o tenho nenhuma satisfa\u00e7\u00e3o a lhe dar, e      boa tarde&#8217;. Levantou-se, foi embora e assim terminou a reuni\u00e3o. &#8216;As pessoas      que n\u00e3o passaram pelo processo do regime militar n\u00e3o imaginam o que isso representava      de coragem, hombridade e dignidade humana&#8217;, lembrou Mauro Salles, em depoimento      gravado pelo Projeto Mem\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Na      capa, as fotos de Geisel, empossado, e de M\u00e9dici, em seu \u00faltimo ato de governo.      Numa \u00fanica frase, ele definiu os novos caminhos: &#8221;Bota o M\u00e9dici pequenininho&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Epis\u00f3dios      como o da contrata\u00e7\u00e3o de Franklin de Oliveira, de campo ideol\u00f3gico oposto      ao de Roberto Marinho, contratado por suas qualidades profissionais e pessoais,      foram comuns na vida do criador da TV Globo. Quando circulou a not\u00edcia de      que o colunista Paulo Francis estava negociando sua ida para O Globo, uma      secret\u00e1ria apressou-se a lembr\u00e1-lo das duras refer\u00eancias a ele e a suas empresas      no Pasquim. Roberto Marinho n\u00e3o se incomodou e autorizou a contrata\u00e7\u00e3o. Francis      faleceu em 4 de fevereiro de 1997. No dia 7, segundo relato do editor Jos\u00e9      M\u00e1rio Pereira, ao saber que o corpo j\u00e1 estava no Rio, Roberto Marinho chegou      ao Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista antes da fam\u00edlia. Numa sala reservada, onde      se preparam os corpos, ficou diante do caix\u00e3o, calado. De volta ao carro,      evitou conversar com a imprensa, mas comentou com um secret\u00e1rio que o acompanhava:      &#8216;Que pena, era um rapaz ainda muito novo&#8217;. Paulo Francis tinha 65 anos.<\/p>\n<p>Com      o passar dos anos, \u00e9 evidente, a longevidade de Roberto Marinho tornou-se      lenda. Por ter atravessado o s\u00e9culo XX e invadido o XXI, ele mesmo gostava      de se vangloriar da for\u00e7a f\u00edsica e da capacidade intelectual. N\u00e3o se furtava      a cultivar hist\u00f3rias que soavam como anedotas, mas de alguma forma ajudavam      a definir sua personalidade. Uma das hist\u00f3rias mais conhecidas, e nunca comprovadas,      algumas vezes narrada pelo pr\u00f3prio jornalista, com sorriso nos l\u00e1bios, refere-se      a uma tartaruga que quiseram lhe dar de presente. Ao receber o animal, o acariciou      e perguntou quanto tempo um bicho daqueles vive, em m\u00e9dia. A resposta: &#8216;Uns      200, doutor Roberto&#8217;. Ele ent\u00e3o teria replicado: &#8216;N\u00e3o quero, n\u00e3o. A gente      se afei\u00e7oa ao bichinho, e \u00e9 uma tristeza quando morre&#8217;. Os 98 anos de Roberto      Marinho contaram uma parcela da hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<h4>O      PRECURSOR DO IMP\u00c9RIO<\/h4>\n<p>Irineu      Marinho botou O Globo nas ruas em 1925 e inscreveu seu nome entre os grandes      empreendedores do seu tempo<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert26.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"311\" height=\"158\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>O COME\u00c7O DE TUDO Irineu Marinho, o primeiro \u00e0 esquerda, reunido com      a equipe que preparava o lan\u00e7amento de O Globo<\/strong><\/p>\n<p>Irineu      Marinho Coelho de Barros iniciou aquele que seria o maior imp\u00e9rio de comunica\u00e7\u00e3o      do Brasil com 25 contos de r\u00e9is. O dinheiro nem era dele, mas tomado emprestado      para criar com amigos o primeiro vespertino carioca, A Noite, em 1911. As      bobinas de papel foram compradas com dinheiro arrecadado, mas em menos de      um ano a empresa j\u00e1 tinha equipamentos novos e era um sucesso editorial. Catorze      anos depois, Irineu botava a primeira edi\u00e7\u00e3o de O Globo nas ruas, na tarde      ensolarada de 29 de julho de 1925. Estampava reportagens sobre a explora\u00e7\u00e3o      da borracha e o aumento do n\u00famero de carros no Rio de Janeiro. N\u00e3o viveu o      suficiente para assistir ao triunfo do jornal. Nem acompanhou o avan\u00e7o da      Coluna Prestes e a fuga do presidente Washington Lu\u00eds do Pal\u00e1cio Guanabara.      Menos de um m\u00eas depois do lan\u00e7amento do di\u00e1rio carioca, Irineu tombou v\u00edtima      de um infarto na banheira de sua casa. Tinha 49 anos. O suficiente para dar      ao pa\u00eds um jornalismo mais arrojado na diagrama\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas e na valoriza\u00e7\u00e3o      das hist\u00f3rias do cotidiano. E para legar ao filho mais velho, Roberto, n\u00e3o      s\u00f3 a coragem de sonhar, mas a ousadia de fazer.<\/p>\n<p>De      fam\u00edlia modesta, o primeiro Marinho a fazer hist\u00f3ria no pa\u00eds nasceu em Niter\u00f3i,      em 19 de junho de 1876. A voca\u00e7\u00e3o para a imprensa surgiu ainda na adolesc\u00eancia,      ao editar com um colega o jornal manuscrito da escola. Em 1891, iniciou a      carreira jornal\u00edstica como revisor do jornal Di\u00e1rio de Not\u00edcias, do Rio de      Janeiro. Mais tarde transferiu-se para A Not\u00edcia, uma das publica\u00e7\u00f5es mais      importantes naquele per\u00edodo. Trabalhou com os nomes mais ilustres de seu tempo,      como Olavo Bilac, Arthur Azevedo, Em\u00edlio de Menezes e Pedro Rabelo. Passou      pela Gazeta da Tarde, por A Tribuna, no qual se revelou um grande rep\u00f3rter,      e pela Gazeta de Not\u00edcias.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert27.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"210\" height=\"311\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>CORAGEM E TRABALHO De fam\u00edlia modesta, Irineu come\u00e7ou a vida como      revisor<\/strong><\/p>\n<p>Em      1903 casou-se com dona Francisca Pisani, uma descendente de italianos. Tiveram      seis filhos: Roberto, Helo\u00edsa, Ricardo, Hilda, Helena (falecida com 1 ano      de idade) e Rog\u00e9rio. Irineu mostrou aos herdeiros o valor do trabalho &#8211; ele      s\u00f3 deixava a reda\u00e7\u00e3o depois de 15 horas de batente. Tamb\u00e9m os ensinou a levar      a vida com eleg\u00e2ncia. Costumava dizer a eles que uma das melhores formas de      recuperar o humor era ler trechos de Pickwick Papers, de Charles Dickens.<\/p>\n<p>Fonte: editora.globo.com<\/p>\n<h6>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/h6>\n<h4>06      de Agosto<\/h4>\n<p><strong>Interrompemos      nossa programa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Morre      aos 98 anos o empres\u00e1rio de comunica\u00e7\u00f5es Roberto Marinho, que durante 78 anos      comandou as Organiza\u00e7\u00f5es Globo e fez de sua TV uma poderosa fonte de influ\u00eancia      cultural e for\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/robert28.jpg\" alt=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" width=\"252\" height=\"304\" title=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho\" \/><br \/>\n<strong>Roberto Marinho nos est\u00fadios da Globo: 74% dos televisores sintonizados      no hor\u00e1rio nobre<\/strong><\/p>\n<p>O      jornalista e empreendedor Roberto Marinho, morto na quarta-feira passada,      aos 98 anos, v\u00edtima de embolia pulmonar, foi durante um longo per\u00edodo da hist\u00f3ria      brasileira um dos homens mais poderosos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em      1965, ao inaugurar a TV Globo, Marinho, que j\u00e1 amealhara consider\u00e1vel prest\u00edgio      com sua paix\u00e3o, o jornal O Globo, tornou-se ainda mais influente.<\/p>\n<p>A      emissora campe\u00e3 de audi\u00eancia no pa\u00eds encarna a s\u00edntese da capacidade empreendedora      de Roberto Marinho e da equipe que ele montou, prestigiou e remunerou com      generosidade reconhecida. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que a Rede Globo \u00e9 uma esp\u00e9cie      de Hollywood brasileira.<\/p>\n<p>Suas      novelas e s\u00e9ries especiais tiveram papel fundamental na homogeneiza\u00e7\u00e3o da      cultura de massas no Brasil, pa\u00eds em que 90% dos lares t\u00eam pelo menos um televisor.      A cria\u00e7\u00e3o de Roberto Marinho tirou da telenovela a pecha de programa\u00e7\u00e3o de      baixo n\u00edvel, promovendo-a muitas vezes a dramaturgia de impacto e prest\u00edgio      internacional, exportada para 130 pa\u00edses. A Globo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do conglomerado      de comunica\u00e7\u00e3o que re\u00fane tr\u00eas jornais, r\u00e1dios, gr\u00e1fica, gravadoras e canais      de TV paga, internet e uma editora de revistas e livros. A Rede Globo produz      4.420 horas de programa\u00e7\u00e3o por ano, faturou 2,5 bilh\u00f5es de reais em 2002 e      \u00e9 a quarta colocada no ranking mundial de TVs. No hor\u00e1rio nobre, 74% dos televisores      ligados no Brasil est\u00e3o sintonizados na emissora. Sua central de produ\u00e7\u00f5es,      o Projac, no Rio de Janeiro, ocupa um terreno de 1,3 milh\u00e3o de metros quadrados,      fabrica cen\u00e1rios, figurinos, cidades inteiras.<\/p>\n<p>Marinho      conseguiu sua primeira concess\u00e3o de TV em 1957, no governo de Juscelino Kubitschek.      Na \u00e9poca, quem dava as cartas das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil era o mitol\u00f3gico      Assis Chateaubriand, o homem que criou os Di\u00e1rios Associados e colocou no      ar a TV Tupi, inaugurando a era da televis\u00e3o no pa\u00eds. Foi no processo de constru\u00e7\u00e3o      da Globo que o empres\u00e1rio se instalou nas altas esferas do poder do pa\u00eds.      Logo no primeiro governo militar, foi ele o emiss\u00e1rio do presidente Castello      Branco para convidar Juracy Magalh\u00e3es a ocupar o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Poucos      anos mais tarde, o mesmo Juracy Magalh\u00e3es ouviria, calado, a resposta de Marinho      a seu pedido para que demitisse os jornalistas militantes de esquerda. &#8220;O      senhor cuida dos seus comunistas. Dos meus, cuido eu&#8221;, reagiu. O pin\u00e1culo      de sua influ\u00eancia pol\u00edtica ocorreu, sem d\u00favida, durante o governo Sarney.      Candidatos ao Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es e ao da Fazenda chegaram a ser sabatinados      por Marinho, a pedido de Sarney, antes de ser efetivados no cargo. Em 1988,      logo depois da demiss\u00e3o de Bresser Pereira do Minist\u00e9rio da Fazenda, Marinho      foi convidado para um almo\u00e7o com o presidente Jos\u00e9 Sarney. O presidente o      consultou sobre a sucess\u00e3o. Ele sugeriu um nome, que n\u00e3o vingou. Sarney solicitou      ao empres\u00e1rio que recebesse Mailson da N\u00f3brega. Ap\u00f3s o encontro, satisfeito      com o que ouvira, Marinho telefonou ao presidente, que lhe pediu para anunciar      o novo ministro na TV Globo. Mailson s\u00f3 foi comunicado da escolha depois.<\/p>\n<p>Conservador      na pol\u00edtica, liberal na economia, Marinho fazia com que seus ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o      sempre tomassem posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica alinhada com seu pensamento e harmonizada      com seus interesses. N\u00e3o se deixou dominar pelo mito confort\u00e1vel da imparcialidade      na imprensa. Preferiu o risco de tomar partido, o que fazia de modo transparente.      Roberto Marinho se cercou de pessoas que pensavam como ele ou que, mesmo n\u00e3o      tendo afinidades ideol\u00f3gicas com o chefe, agiam de modo a n\u00e3o contrari\u00e1-lo.      Como toda organiza\u00e7\u00e3o de cultura fortemente nuclear, a Rede Globo reagia mais      lentamente \u00e0s mudan\u00e7as. Ficou muitas vezes para tr\u00e1s quando os ventos sopraram      mais forte na sociedade brasileira. Sua demora em come\u00e7ar a noticiar os megacom\u00edcios      pelas elei\u00e7\u00f5es diretas nas capitais brasileiras em 1984 arranhou a imagem      da emissora. A Globo noticiou o com\u00edcio da Pra\u00e7a da S\u00e9, o marco inaugural      do movimento, como se fosse parte das comemora\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo.      Em compensa\u00e7\u00e3o, derrotada a emenda pelas elei\u00e7\u00f5es diretas, dedicou-se \u00e0 articula\u00e7\u00e3o      da candidatura de Tancredo Neves no Col\u00e9gio Eleitoral, contra Paulo Maluf.      Em 1989, apoiou a candidatura de Fernando Collor de Mello contra Luiz In\u00e1cio      Lula da Silva. Na ocasi\u00e3o, a Globo levou ao ar a pol\u00eamica edi\u00e7\u00e3o do debate      entre os candidatos, que \u00e9 apontada como a p\u00e1 de cal na primeira candidatura      de Lula. Tr\u00eas anos depois, caudat\u00e1ria da indigna\u00e7\u00e3o popular, rendeu-se com      atraso ao crescimento da campanha pelo impeachment.<\/p>\n<p>&#8220;Ele      acreditava realmente que a imprensa \u00e9 o quarto poder&#8221;, lembra o advogado      carioca Jorge Serpa, seu amigo por mais de quarenta anos. Mais do que isso,      por\u00e9m, gostava de exercer o poder. Sua \u00fanica cr\u00edtica a Castello Branco, que      considerava o maior presidente que o Brasil j\u00e1 teve, era exatamente por n\u00e3o      compartilhar do mesmo gosto. &#8220;Ele n\u00e3o gostava de usar o poder. E poder      a gente tem de usar para que n\u00e3o se esque\u00e7am que a gente o tem&#8221;, disse      certa vez a um colaborador. A m\u00e1xima era exercida cotidianamente. Tanto em      seus contatos com os governos quanto dentro de suas empresas. Nas Organiza\u00e7\u00f5es      Globo, o &#8220;doutor Roberto&#8221;, como era chamado por todos os funcion\u00e1rios,      mesmo os mais graduados, exerceu o comando com m\u00e3o-de-ferro.<\/p>\n<p>Tamanha      intimidade com os militares deu margem a uma simplifica\u00e7\u00e3o recorrente, que      atribui o crescimento exponencial do grupo empresarial de Roberto Marinho      nos anos 60 e 70 exclusivamente \u00e0 proximidade de seu comandante com os governos      militares. Seria imposs\u00edvel levar a cabo tal fa\u00e7anha sem a vis\u00e3o estrat\u00e9gica      que lhe permitiu lan\u00e7ar as bases da Rede Globo. Seus irm\u00e3os Rog\u00e9rio e Ricardo,      s\u00f3cios no jornal e na r\u00e1dio, negaram-se a acompanh\u00e1-lo. Roberto Marinho partiu      sozinho para a empreitada. Para viabilizar o investimento, fez um acordo com      o grupo americano Time-Life, pelo qual conseguiu receber 4 milh\u00f5es de d\u00f3lares      e, de quebra, lhe rendeu a instala\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito,      resultado de uma campanha movida pelo j\u00e1 decadente Assis Chateaubriand.<\/p>\n<p>A      associa\u00e7\u00e3o com os americanos pode ser encarada como capacidade de antecipar      alguns comportamentos t\u00edpicos da economia globalizada que se tornaria realidade      d\u00e9cadas mais tarde. O ocaso de Chateaubriand e a ascens\u00e3o de Roberto Marinho,      ali\u00e1s, retratam a transi\u00e7\u00e3o de um Brasil rec\u00e9m-urbanizado e industrializado      para um pa\u00eds moderno e crescentemente inserido no capitalismo mundial. A preocupa\u00e7\u00e3o      de Marinho era com a profissionaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu achava que tudo quanto se      fazia de televis\u00e3o era meio amolecado. As pessoas n\u00e3o tinham convic\u00e7\u00e3o de      que aquilo era poss\u00edvel&#8221;, dizia. Para fazer a TV Globo, contratou Walter      Clark, ent\u00e3o o mais importante executivo da nascente televis\u00e3o brasileira.      Dois anos depois, integrou ao comando da emissora Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Oliveira      Sobrinho, o Boni, formando a dupla respons\u00e1vel por uma programa\u00e7\u00e3o de qualidade      reconhecida em todo o mundo. Roberto Marinho deixa com seus tr\u00eas filhos \u0096      Roberto Irineu, Jo\u00e3o Roberto e Jos\u00e9 Roberto .\u0096 o comando do imp\u00e9rio que      construiu. Deixa tamb\u00e9m a tarefa de superar as dificuldades financeiras surgidas      nos \u00faltimos anos que levaram a Globopar, holding do grupo, a reescalonar uma      d\u00edvida de 1,5 bilh\u00e3o de d\u00f3lares em 2002.<\/p>\n<p>\u00c9      mais um desafio numa hist\u00f3ria iniciada pelo empres\u00e1rio que constou at\u00e9 o ano      passado no ranking da revista americana Forbes como um dos seis homens mais      ricos do Brasil. N\u00e3o foi sempre assim. Roberto Marinho nasceu no Est\u00e1cio,      um bairro de classe m\u00e9dia baixa na Zona Norte do Rio de Janeiro. Sua vida      tem outros ingredientes de cinema, al\u00e9m da saga da ascens\u00e3o social. Em 1925,      quando seu pai, o jornalista Irineu Marinho, morreu apenas tr\u00eas semanas ap\u00f3s      fundar O Globo, Marinho considerou que n\u00e3o tinha ainda maturidade para assumir      o comando da publica\u00e7\u00e3o. Foi trabalhar na reda\u00e7\u00e3o. S\u00f3 seis anos depois tomou      a frente da empresa. A rotina de trabalho de mais de doze horas por dia n\u00e3o      o impediu de aproveitar a efervesc\u00eancia do Rio de Janeiro das d\u00e9cadas de 20      e 30. Quando solteiro, mantinha no bairro da Urca, onde funcionava o famoso      cassino de mesmo nome, uma cobertura que vivia repleta de amigos e vedetes.      S\u00f3 aos 40 anos se casou pela primeira vez, com Stella, m\u00e3e de seus filhos,      de quem se separou quase trinta anos depois para se casar com Ruth Albuquerque.      Aos 84 anos, retomou com Lily de Carvalho um encantamento interrompido cinq\u00fcenta      anos antes, quando a ent\u00e3o exuberante miss Fran\u00e7a se casou com um rival, Hor\u00e1cio      de Carvalho Junior, dono do Di\u00e1rio Carioca. Roberto Marinho a reencontrou      vi\u00fava em 1988. Quatro meses depois ele se separou de Ruth e prop\u00f4s casamento      a Lily.<\/p>\n<p>A      partir da d\u00e9cada de 90, Marinho cuidou pessoalmente de sua sucess\u00e3o tratando      de dividir com seus filhos o comando das Organiza\u00e7\u00f5es Globo. Mas n\u00e3o se retirou      de cena, sempre preocupado em manter-se informado sobre tudo o que se passava      em suas empresas. Teve um grande momento de consagra\u00e7\u00e3o em 1993, ao ser eleito      para a Academia Brasileira de Letras. Dono de excelente forma f\u00edsica, praticou      pesca submarina at\u00e9 quase os 80 anos, e s\u00f3 largou a equita\u00e7\u00e3o um pouco depois,      quando durante uma competi\u00e7\u00e3o caiu do cavalo e fraturou onze costelas.<\/p>\n<p>O      empres\u00e1rio costumava dizer que vivia muito ocupado para pensar na morte. Talvez      por isso n\u00e3o tenha levado \u00e0 frente o projeto de escrever suas mem\u00f3rias, previamente      batizadas por ele de &#8220;Condenado ao \u00eaxito&#8221;. A exatid\u00e3o do t\u00edtulo      p\u00f4de ser conferida na quinta-feira. Compareceram ao vel\u00f3rio e ao enterro de      Roberto Marinho mais de 3.000 pessoas, entre populares e mandat\u00e1rios. Estiveram      presentes o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, os ex-presidentes Fernando      Henrique Cardoso e Jos\u00e9 Sarney, cinco governadores, seis ministros de Estado,      os presidentes do Senado e da C\u00e2mara, quase todos os empres\u00e1rios, pol\u00edticos      e artistas de alguma relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio nacional, al\u00e9m de advers\u00e1rios pol\u00edticos      hist\u00f3ricos, como o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola. Morreu      como viveu. Cercado por poderosos.<\/p>\n<p>Fonte: veja.abril.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho, Dia, Biografia, Hist\u00f3ria, Quem Foi, Rede Globo, Funda\u00e7\u00f5es, Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[300],"tags":[],"class_list":["post-59883","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-calendario-comemorativo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Falecimento do Jornalista Roberto Marinho, Dia Falecimento do Jornalista Roberto Marinho<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Falecimento do Jornalista Roberto Marinho, Dia, Biografia, Hist\u00f3ria, Quem Foi, Rede Globo, 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