{"id":59855,"date":"2016-07-07T14:38:33","date_gmt":"2016-07-07T14:38:33","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=59855"},"modified":"2022-10-20T09:26:48","modified_gmt":"2022-10-20T11:26:48","slug":"dia-do-falecimento-de-juscelino-kubitschek","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-do-falecimento-de-juscelino-kubitschek","title":{"rendered":"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>22 Agosto<\/h4>\n<p><strong>Juscelino Kubitschek\u00a0<\/strong>nasceu em Diamantina, Minas Gerais, no dia 12 de setembro de 1902.<\/p>\n<p>Desde os trinta e dois anos de idade se dividia entre a medicina e a carreira pol\u00edtica, mas em 1934, com sua vit\u00f3ria para deputado federal, decidiu-se pela dedica\u00e7\u00e3o ao Brasil.<\/p>\n<p>Foi nomeado para a prefeitura de Belo Horizonte em 1940 e, dez anos depois, foi eleito governador do estado de Minas, com o slogan &#8220;Energia e Transporte&#8221;.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel1.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"295\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p>Eleito presidente da rep\u00fablica em 1955 com uma diferen\u00e7a pequena de votos para Juarez T\u00e1vora (6%), JK encontrou o pa\u00eds ainda sobre tens\u00e3o de toda a quest\u00e3o pol\u00edtica que havia ocorrido com o suic\u00eddio de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>J\u00e1 em janeiro de 1956, o Levante de Jacareacanga viria comprovar a intranquilidade do pa\u00eds. In\u00fameras greves, a forte seca no Nordeste, a Revolta de Araga\u00e7as, e outras conturba\u00e7\u00f5es se seguiriam, mas foram os planos de desenvolvimento do pa\u00eds que ficaram como marca do seu governo.<\/p>\n<p>O lema &#8220;cinquenta anos em cinco&#8221;, o plano de metas, a cria\u00e7\u00e3o da Sudene, a transfer\u00eancia da capital para Bras\u00edlia, e a pol\u00edtica externa na opera\u00e7\u00e3o Pan-americana foram as caracter\u00edsticas que ficaram para a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>JK, com o objetivo de &#8220;desenvolver para sobreviver&#8221;, abriu as portas do pa\u00eds para o capital externo e enfatizou o processo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es. Saiu do poder com grande popularidade e muitas chances de reelei\u00e7\u00e3o, como muitos profetizaram.<\/p>\n<p>Mas o regime militar cassou os seus direitos e encerrou a sua carreira pol\u00edtica, partindo para a Europa em 1961.<\/p>\n<p>De volta ao Brasil em 1964, aliou-se a Carlos Lacerda e Jo\u00e3o Goulart na Frente Ampla, mas n\u00e3o obteve sucesso.<\/p>\n<p>Juscelino faleceu num acidente de carro na estrada entre Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, a 22 de agosto de 1976.<\/p>\n<h4>22 Agosto<\/h4>\n<p>RELAT\u00d3RIO FINAL DA COMISS\u00c3O ESPECIAL PARA, NO PRAZO DE 60 DIAS, ACOMPANHAR, SUBSIDIAR E DAR O NECESS\u00c1RIO APOIO INSTITUCIONAL AOS TRABALHOS DA COMISS\u00c3O EXTERNA DA C\u00c2MARA DOS DEPUTADOS DESTINADA A ESCLARECER AS CINRCUNST\u00c2NCIAS EM QUE OCORREU A MORTE DO EX-PRESIDENTE JUSCELINO KUBITSCHEK, NO ACIDENTE OCORRIDO NA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel2.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"291\" height=\"177\" \/><\/p>\n<p>(Publicado em 07\/11\/2000)<\/p>\n<p><strong>ANTECEDENTES<\/strong><\/p>\n<p>O ex-Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira faleceu em 22\/8\/76, v\u00edtima de um acidente automobil\u00edstico, no Km 165 da Rodovia Presidente Dutra, no munic\u00edpio de Rezende, localizado no Estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O carro &#8211; um opala &#8211; dirigido por seu motorista de confian\u00e7a, Geraldo Ribeiro, atravessou o canteiro divis\u00f3rio da pista, colidindo com uma carreta Scania.<\/p>\n<p><strong>As d\u00favidas surgidas quanto ao acidente centram-se essencialmente nos seguintes fatos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>1 &#8211;<\/strong>\u00a0<strong>Contradi\u00e7\u00f5es constantes no processo referente \u00e0 morte do ex-Presidente, dentre as quais podem ser destacadas:\u00a0<\/strong>afirma\u00e7\u00e3o de que o \u00f4nibus da empresa Cometa havia batido no opala, provocando o desastre, baseada em depoimentos conflitantes e sem uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada; utiliza\u00e7\u00e3o de instituto particular para fazer as per\u00edcias, com mudan\u00e7a de peritos; aus\u00eancia de material fotogr\u00e1fico, que foi ocultado.<\/p>\n<p><strong>2 &#8211; Dois epis\u00f3dios, que revelaram publicamente o inc\u00f4modo sentido pelas autoridades que comandavam o Pa\u00eds, \u00e0 \u00e9poca, com a presen\u00e7a de Juscelino Kubitschek, que, diga-se de passagem, nunca perdeu a popularidade e o amor do cidad\u00e3o comum, a saber:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>a) a torre de Bras\u00edlia proibiu o pouso de um avi\u00e3o que sobrevoava a Capital, com pane por falta de combust\u00edvel, uma vez que o ex-Presidente estava a bordo da aeronave;<\/strong><\/p>\n<p><strong>b) o caso Parasar, divulgado por revista de circula\u00e7\u00e3o nacional, contendo den\u00fancia de um militar de atentado contra a vida do ex-Presidente.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>3 &#8211;\u00a0<\/strong>Juscelino Kubitschek sentia-se amea\u00e7ado de morte, conforme in\u00fameros depoimentos a pessoas mais pr\u00f3ximas a ele, inclusive escritos, tendo convic\u00e7\u00e3o absoluta de ter o telefone grampeado.<\/p>\n<p><strong>4 &#8211;<\/strong>\u00a0Quinze dias antes de sua morte, correu o Pa\u00eds um boato de que o ex- Presidente havia morrido em acidente de carro. A C\u00e2mara dos Deputados criou, em 14\/6\/2000, comiss\u00e3o externa para investigar as circunst\u00e2ncias da morte do ex-Presidente.<\/p>\n<p><strong>Duas linhas de trabalho foram estabelecidas:<\/strong>\u00a0uma, material, ligada diretamente s circunst\u00e2ncias que vitimaram o ex-Presidente, buscando determinar se o acidente teve causas naturais ou se teria sido provocado; a segunda, uma investiga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, hist\u00f3rico-ideol\u00f3gica, partindo dos sinais da chamada Opera\u00e7\u00e3o Condor.<\/p>\n<p>Essa opera\u00e7\u00e3o, apoiada pelas ditaduras militares do continente, teria sido respons\u00e1vel por persegui\u00e7\u00f5es e atentados contra opositores dos governos militares latino-americanos na d\u00e9cada de 70, suspeitando-se da exist\u00eancia de uma conspira\u00e7\u00e3o no Cone Sul e na Am\u00e9rica Latina para impedir a ascens\u00e3o ou o regresso dos l\u00edderes exclu\u00eddos, como seria o caso de Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<p>A Assembl\u00e9ia Legislativa de Minas, como n\u00e3o poderia deixar de ser, imediatamente criou, nesta Casa, comiss\u00e3o especial, com o objetivo de acompanhar e oferecer subs\u00eddios \u00e0quela Comiss\u00e3o Externa da C\u00e2mara dos Deputados. Juscelino Kubitschek de Oliveira, nascido em Diamantina, m\u00e9dico em Belo Horizonte, iniciou sua carreira pol\u00edtica sendo eleito Deputado Federal por Minas Gerais.<\/p>\n<p>Prefeito de Belo Horizonte, concretizou obras das mais significativas. Eleito Governador de Minas, incrementou passos fundamentais para o Estado, tendo baseado sua administra\u00e7\u00e3o no bin\u00f4mio energia e transporte. Portanto, antes de ser o gigante inesquec\u00edvel \u00e0 frente da Na\u00e7\u00e3o foi ele o mineiro apaixonado pelas Gerais.<\/p>\n<p>Assim, no momento em que as circunst\u00e2ncias de sua morte s\u00e3o investigadas, \u00e9 imprescind\u00edvel o empenho dos parlamentares mineiros, contribuindo com todos os recursos poss\u00edveis, para a busca do restabelecimento daquela verdade hist\u00f3rica. DEPOIMENTOS NA COMISS\u00c3O A Comiss\u00e3o Especial da Assembl\u00e9ia Legislativa ouviu os Srs. Deputado Federal Osm\u00e2nio Pereira, relator da Comiss\u00e3o Externa da C\u00e2mara dos Deputados, Serafim Melo Jardim, secret\u00e1rio particular de Juscelino Kubitschek, e Alberto Carlos de Minas, perito e professor de criminal\u00edstica que vem estudando o caso.<\/p>\n<p>Registre-se que houve impossibilidade da presen\u00e7a do Sr. Josias Nunes de Oliveira, motorista do \u00f4nibus da Cometa, para prestar esclarecimentos junto Comiss\u00e3o, em virtude de seu estado de sa\u00fade bastante delicado.<\/p>\n<p>O depoimento do motorista do \u00f4nibus seria da mais alta relev\u00e2ncia para o esclarecimento do caso.<\/p>\n<p><strong>No entanto, tendo sido indiciado como o causador da morte de Juscelino Kubitschek e de seu motorista Geraldo Ribeiro, sendo, imediatamente, considerado culpado pela opini\u00e3o p\u00fablica, apesar das falhas constantes do processo, Josias Nunes de Oliveira ficou emocionalmente abalado, sofrendo todas as consequ\u00eancias disto:<\/strong>\u00a0separou-se da esposa, perdeu o emprego, chegando a se transformar em catador de papel em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Depoimento do Sr. Serafim Melo Jardim O Sr. Serafim Melo Jardim foi secret\u00e1rio particular de Juscelino Kubitschek, conviveu com o ex-Presidente por nove anos e manteve conv\u00edvio de amizade com a vi\u00fava, D. Sarah Kubitschek, e sua filha, M\u00e1rcia, de cuja campanha pra Deputado Federal foi coordenador.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 Presidente da Casa de Juscelino, em Diamantina, e faz quest\u00e3o de enfatizar que tem como objetivo manter viva a imagem do ex- Presidente e ver esclarecida a verdade sobre a sua morte.<\/p>\n<p>Em extenso e detalhado depoimento, procurou demonstrar as contradi\u00e7\u00f5es e falhas do processo, apresentando documentos colhidos e reunidos em livro j\u00e1 publicado e dando seu testemunho quanto a acontecimentos presenciados.<\/p>\n<p>Segundo o depoimento de Jardim, o aspecto mais conflitante do processo refere-se ao depoimento de 9 dos 33 passageiros do \u00f4nibus, os \u00fanicos ouvidos e que n\u00e3o fazem nenhuma refer\u00eancia \u00e0 colis\u00e3o do \u00f4nibus com o Opala.<\/p>\n<p>Todos dizem que o carro estava, aproximadamente, 10m \u00e0 frente. Corroborando a incongru\u00eancia, apresentou o voto do relator Lisandro de Lima, do Tribunal de Al\u00e7ada, que assegura ser imposs\u00edvel, pelas leis da F\u00edsica, a ocorr\u00eancia descrita no laudo.<\/p>\n<p>Na parte da reuni\u00e3o destinada a debates, o Sr. Serafim Jardim foi questionado quanto \u00e0 reabertura do processo &#8211; em especial, sobre o motivo por que, somente 20 anos depois, tomou-se a decis\u00e3o de fazer a den\u00fancia e, em consequ\u00eancia, os levantamentos que agora s\u00e3o levados avante.<\/p>\n<p>O convidado esclareceu que somente tomou a decis\u00e3o de pedir a reabertura do caso Juscelino ap\u00f3s o falecimento de D. Sarah &#8211; que acreditava que a morte do marido n\u00e3o tinha sido acidental, mas resolvera calar-se, temendo dificuldades pol\u00edticas para a filha. Disse que, se, em 1996, com o advogado Paulo Castelo Branco e Alberto Carlos de Minas, n\u00e3o tivessem tentado a reabertura do caso JK, ningu\u00e9m questionaria a morte do ex-Presidente, pois o processo estaria esquecido para sempre.<\/p>\n<p>Depoimento do Sr. Alberto Carlos de Minas O perito, professor de Criminal\u00edstica Geral, com amplo curr\u00edculo, que inclui est\u00e1gio na pol\u00edcia francesa, relatou sua indigna\u00e7\u00e3o com as incoer\u00eancias e a inconsist\u00eancia das per\u00edcias realizadas.<\/p>\n<p>Ressaltou sete itens preponderantes, discorrendo sobre cada um deles.<\/p>\n<p><strong>Como evid\u00eancia, apontou o fato de terem sido feitos dois laudos:\u00a0<\/strong>um no dia 22, que nada diz.<\/p>\n<p>E um segundo, no dia 23, chamado de complementar, com informa\u00e7\u00f5es especificadas, determinando o motorista da Via\u00e7\u00e3o Cometa como respons\u00e1vel pelo acidente.<\/p>\n<p>Ressaltou a quest\u00e3o da exuma\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver de Geraldo Ribeiro, quando contestou v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es dos legistas. Na fase de debates, especificou, ainda, diversos outros aspectos t\u00e9cnicos. Depoimento do Deputado Osm\u00e2nio Pereira O ilustre Deputado Osm\u00e2nio Pereira fez um relato das atividades j\u00e1 desenvolvidas pela Comiss\u00e3o da C\u00e2mara do Deputados, informando que j\u00e1 h\u00e1 um farto material, com, aproximadamente, 1.300 p\u00e1ginas de laudos, processos e documentos.<\/p>\n<p>Esclareceu que a Comiss\u00e3o foi a S\u00e3o Paulo, fez o mesmo trajeto que o ex-Presidente percorreu at\u00e9 o momento do acidente, as mesmas paradas e procurou ouvir familiares das pessoas que teriam estado com ele e que prestaram importantes informa\u00e7\u00f5es Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 vertente ideol\u00f3gica da investiga\u00e7\u00e3o, explicou que a busca est\u00e1 sendo feita para verificar quem teria interesse na morte de Juscelino Kubitschek. Para que sejam esgotadas todas as possibilidades, a Comiss\u00e3o ir\u00e1 ao Chile, visando obter maiores informa\u00e7\u00f5es sobre a Opera\u00e7\u00e3o Condor, por meio de contatos com a Suprema Corte, com lideran\u00e7as n\u00e3o governamentais ligadas \u00e0s quest\u00f5es dos direitos humanos, al\u00e9m dos parlamentares chilenos.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o investiga, tamb\u00e9m, o Gen. Contreras &#8211; hoje cumprindo pris\u00e3o domiciliar, que teria estado em S\u00e3o Paulo poucos meses antes da morte do ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Finalmente, o Deputado ressaltou a import\u00e2ncia da colabora\u00e7\u00e3o dos parlamentares mineiros, por meio de uma Comiss\u00e3o Especial da Assembl\u00e9ia Legislativa de Minas, para reconstituir a verdade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Quanto ao acidente em si, apesar de muitos fatos obscuros e controvertidos, n\u00e3o h\u00e1 provas de que tenha sido provocado. Quanto ao aspecto pol\u00edtico, ainda h\u00e1 muito o que descobrir. O ex-Presidente Juscelino Kubitschek teve uma trajet\u00f3ria pol\u00edtica voltada para o desenvolvimento, para a afirma\u00e7\u00e3o da capacidade brasileira de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Eleito Presidente da Rep\u00fablica, imediatamente p\u00f4s em a\u00e7\u00e3o um fabuloso plano de metas, que foi bem resumido no \u0093slogan\u0094:\u00a0<\/strong>50 anos em 5.<\/p>\n<p><strong>Est\u00f3ico na resist\u00eancia aos arremessos do medo, da incompreens\u00e3o, do derrotismo, Juscelino Kubitschek, homem s\u00edntese, comp\u00eandio de energias, possibilitou que sonhos se transformassem em realidade, mas, antes de tudo, p\u00f4s por terra a imagem da figura at\u00e9 ent\u00e3o estabelecida para o brasileiro:\u00a0<\/strong>um pigmeu, acocorado no litoral ou perdido no cen\u00e1rio imenso de uma natureza hostil e intrat\u00e1vel, que nunca lograria vencer.<\/p>\n<p>Quando Bernardo Sai\u00e3o tombou debaixo da \u00faltima \u00e1rvore que desimpediu o tra\u00e7ado da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia, quando os \u0093candangos\u0094 possibilitaram que as moles de cimento e a\u00e7o de Bras\u00edlia surgissem no descampado do sert\u00e3o bruto e des\u00e9rtico, quando adveio o resultado da determina\u00e7\u00e3o e da coragem dos homens da na\u00e7\u00e3o &#8211; tudo arrancado do nosso g\u00eanio criador &#8211; Oscar Niemeyer, L\u00facio Costa, Burle Max e tantos outros, houve a afirma\u00e7\u00e3o de uma brasilidade real, vigorosa e admir\u00e1vel, perante o mundo.<\/p>\n<p>Prov\u00e1vamos que poder\u00edamos ser muito mais do que simples copiadores, respirando unicamente o cosmopolitismo, vivendo dos seus v\u00edcios e das suas descaracteriza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia custara uma quota de sacrif\u00edcio para cada cidad\u00e3o, em decorr\u00eancia dos gastos necess\u00e1rios \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o. Mas a iniciativa trazia, indubitavelmente agregadas as consequ\u00eancias geossociais e geopol\u00edticas da independ\u00eancia, que s\u00f3 a certeza da capacidade realizadora pode trazer, com uma acelera\u00e7\u00e3o rumo ao progresso sem chances de retrocesso.<\/p>\n<p>Essa realidade hist\u00f3rica demonstra qu\u00e3o poderosa pode ser a afirma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro, orientado por l\u00edderes natos e aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>O mandato de JK encerrou-se em 1961. Em 1965, pretendia candidatar-se novamente, para dar continuidade a id\u00e9ias e ideais, que tanto impulsionaram o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>No entanto, em junho de 1964 teve seus direitos pol\u00edticos cassados pelo regime militar. O que aconteceria se, efetivada a abertura democr\u00e1tica, o velho l\u00edder voltasse a ser candidato?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o foi poss\u00edvel \u00e0 comiss\u00e3o apresentar fatos conclusivos, trazer \u00e0 tona todas essas indaga\u00e7\u00f5es j\u00e1 \u00e9 um passo importante, na busca da reconstru\u00e7\u00e3o dos acontecimentos hist\u00f3rico-pol\u00edticos de Minas e do Brasil, com vistas \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o dos valores democr\u00e1ticos.<\/p>\n<h4>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/h4>\n<p>O que se recomenda, neste momento, al\u00e9m do apoio aos Deputados Federais em suas investiga\u00e7\u00f5es e do acompanhamento das atividades da Comiss\u00e3o Externa da C\u00e2mara dos Deputados, \u00e9 que todos os representantes do povo mineiro estejam atentos a quaisquer fatos que possam contribuir para esclarecer aquele infausto acontecimento, na busca incessante da verdade.<\/p>\n<p>Sala das Reuni\u00f5es, 31 de outubro de 2000. Ben\u00e9 Guedes, Presidente &#8211; M\u00e1rcio Kangussu, relator &#8211; Luiz Tadeu Leite. &#8211; Publique-se para os fins do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 114 do Regimento Interno.<\/p>\n<h4>22 Agosto<\/h4>\n<h4>Juscelino Kubitschek<\/h4>\n<p>Presidente do Brasil eleito por voto popular, natural de Diamantina, Minas Gerais, teve sua gest\u00e3o no per\u00edodo entre 1956 e 1960.<\/p>\n<p>Formou-se em Medicina, tendo ingressado como capit\u00e3o-m\u00e9dico na pol\u00edcia militar de Minas Gerais. Foi prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), governador de Minas Gerais (1950-1954), senador por Goi\u00e1s (1962-1964).<\/p>\n<p>Assumiu a presid\u00eancia sob forte crise pol\u00edtico-militar, mas conseguiu levar avante um arrojado projeto de governo. Iniciou a arrancada industrial brasileira com o lema 50 anos em 5, sendo lan\u00e7ado durante sua gest\u00e3o o primeiro autom\u00f3vel nacional.<\/p>\n<p>Inaugurou a rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia e a nova capital federal, uma \u00e9poca em que os candangos trabalhavam a toque de caixa e at\u00e9 o cimento era transportado por avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Cassado pelo militarismo em 1964, foi essa a \u00fanica raz\u00e3o pela qual n\u00e3o se candidatou novamente \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, ato que interrompeu sua ascens\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em novembro de 1965, no que chamou de ex\u00edlio volunt\u00e1rio, abandonou o pa\u00eds e foi para a Europa. Com rela\u00e7\u00e3o a uma de suas virtudes art\u00edsticas, a Companhia Internacional de Seguros distribuiu como brinde a seus clientes em 1977, um disco onde J.K. interpreta Elvira, Escuta, modinha muito popular em sua terra natal.<\/p>\n<p>Dotado de razo\u00e1veis recursos vocais, ele tinha grande admira\u00e7\u00e3o pela m\u00fasica e adorava ouvir Peixe Vivo. O t\u00edtulo do disco em quest\u00e3o \u00e9 Cantares Brasileiros.<\/p>\n<p>O acidente na Via Dutra, onde pereceram o ex-presidente e seu motorista particular durante 36 anos, foi causado por um \u00f4nibus que teria fechado o opala de J.K., fazendo com que este se chocasse com uma carreta.<\/p>\n<p><strong>Tempos antes, foi registrado o seguinte di\u00e1logo entre patr\u00e3o e empregado:<\/strong>\u00a0Geraldo, se voc\u00ea morrer primeiro do que eu, vou segurar a al\u00e7a do seu caix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E Geraldo retrucou:<\/strong><\/p>\n<p><strong>E se o senhor for antes, farei o mesmo. No que Juscelino falou: N\u00e3o, somos irm\u00e3os, vamos morrer juntos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No editorial do The New York Times de 25 de agosto de 1976:<\/strong><\/p>\n<p>A morte de Juscelino Kubitschek de Oliveira, aos 73 anos, vem retirar do palco latino-americano n\u00e3o s\u00f3 uma das personagens pol\u00edticas mais ricas dos \u00faltimos tempos, como um homem que fez coisas impressionantes.<\/p>\n<p>Enfrentando a oposi\u00e7\u00e3o ferrenha e at\u00e9 ridicularizado, o Presidente Kubitschek perseguiu obstinadamente o seu sonho de transferir a capital brasileira para o interior do pa\u00eds, a 600 milhas do Rio de Janeiro&#8230; a maior contribui\u00e7\u00e3o do Dr. Kubitschek ao continente americano durante sua presid\u00eancia (1956\/196l), foi a opera\u00e7\u00e3o Pan Americana, um projeto de mobiliza\u00e7\u00e3o de enormes recursos para o desenvolvimento das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel3.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"324\" height=\"303\" \/><br \/>\nDona Sarah e Dr Juscelino<\/strong><\/p>\n<p>Em 1995, foi publicado Juscelino, uma Hist\u00f3ria de Amor, de Jo\u00e3o Pinheiro Neto e onde relata o romance de dezoito anos entre JK e Maria L\u00facia Pedroso, uma socialite carioca. O ex-presidente era casado com Dona Sarah Kubitschek. Faleceu aos 73 anos, em 22 de agosto de 1976.<\/p>\n<h4>22 Agosto<\/h4>\n<h4>Lembran\u00e7as da morte<\/h4>\n<p>J\u00e1 se tornou um clich\u00ea brasileiro quando a programa\u00e7\u00e3o da Globo \u00e9 interrompida com aquela musiquinha \u0096 que todos conhecem \u0096 do plant\u00e3o de not\u00edcias.<\/p>\n<p>Todos os telespectadores param para ouvir a poss\u00edvel morte de algu\u00e9m importante &#8211; geralmente representantes pol\u00edticos. Em seguida, a vers\u00e3o oficial da morte \u00e9 transmitida a todas as m\u00eddias.<\/p>\n<p><strong>Neste momento surgem dois grupos interpretativos sobre a investiga\u00e7\u00e3o dos fatos:\u00a0<\/strong>da verdade absoluta, e da mentira conspirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Epis\u00f3dios semelhantes ficaram registrados na hist\u00f3ria de grandes presidentes brasileiros como Get\u00falio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jo\u00e3o Goulart e Tancredo Neves.<\/p>\n<p>Estes enquanto vivos, se tornaram populares e enfrentaram oposi\u00e7\u00f5es, persegui\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as. Ap\u00f3s suas mortes surgiram muitas d\u00favidas, se realmente aconteceu como os inqu\u00e9ritos afirmaram ou se tudo foi um compl\u00f4.<\/p>\n<p>A quem diga, que teriam sido misteriosamente assassinados com o objetivo de aniquilar todos os l\u00edderes populares da Am\u00e9rica Latina, inimigos da ditadura.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel4.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"262\" height=\"309\" \/><\/p>\n<h4>J\u00e1 era Vargas<\/h4>\n<p>Get\u00falio Dornelles Vargas. Este foi o presidente que teve a sua pr\u00f3pria \u0093era\u0094 &#8211;\u00a0<strong>A Era Vargas<\/strong>\u00a0&#8211; que trouxe muitas mudan\u00e7as na economia e na pol\u00edtica brasileira criando aliados e inimigos \u00e0 esquerda e \u00e0 direita, com suas jogadas bastante pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, chegou ao seu fim de forma inesperada no dia 24 de agosto de 1954. Vargas foi encontrado morto com um tiro no cora\u00e7\u00e3o, acompanhado de uma carta-testamento que se transformaria num dos mais conhecidos documentos hist\u00f3ricos brasileiros.<\/p>\n<p>O motivo estaria ligado \u00e0s muitas press\u00f5es que sofria pelas For\u00e7as Armadas, que durante uma reuni\u00e3o ministerial realizada na madrugada de 23 para 24 de agosto, Vargas se viu confrontado com a emin\u00eancia da ren\u00fancia ou deposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria conta que ap\u00f3s a reuni\u00e3o, suicidou-se.<\/strong><\/p>\n<p>O caso Get\u00falio Vargas \u00e9 especialmente dif\u00edcil de ser analisado, por\u00e9m, muito contestado pelos conspir\u00f3logos que n\u00e3o acreditam no suic\u00eddio, e sim, num assassinato.<\/p>\n<p>Para alguns, o testamento foi uma carta de amor e nacionalismo pela sua na\u00e7\u00e3o. Para outros, foi a carta que acusou os inimigos da na\u00e7\u00e3o como os respons\u00e1veis por seu suic\u00eddio.<\/p>\n<h4>A morte de JK<\/h4>\n<p>O ex-presidente Juscelino Kubitschek teve seu \u0093reinado\u0094 interrompido ap\u00f3s um acidente de carro, em seu Opala , em 22 de agosto de 1976.<\/p>\n<p>Saindo de S\u00e3o Paulo, com destino ao Rio de Janeiro, na rodovia Presidente Dutra, o carro desgovernou, cruzou a pista de sentido contr\u00e1rio e bateu de frente com uma carreta Scania. JK e seu motorista, Geraldo Ribeiro tiveram morte instant\u00e2nea.<\/p>\n<p>Segundo a per\u00edcia, o acidente aconteceu porque um \u00f4nibus da Via\u00e7\u00e3o Cometa teria encostado na traseira do Opala.<\/p>\n<p>Nos dois laudos do acidente, os peritos n\u00e3o inclu\u00edram alguns detalhes como fotos dos corpos de JK e do motorista \u0093por recomenda\u00e7\u00e3o de ordem superior\u0094.<\/p>\n<p><strong>Tamb\u00e9m a pol\u00edcia ouviu apenas nove dos 33 passageiros do \u00f4nibus.<\/strong><\/p>\n<p>Mas para os adeptos a teoria conspirat\u00f3ria as vers\u00f5es s\u00e3o outras.<\/p>\n<p><strong>Para o motorista ter perdido a dire\u00e7\u00e3o existem tr\u00eas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis:\u00a0<\/strong>ter sido baleado por um atirador de elite pr\u00f3ximo ao local; o carro foi alvo de sabotagem; uma bomba que explodiu o carro.<\/p>\n<p>O mais intrigante nos epis\u00f3dios mal explicados de JK foi que duas semanas antes do acidente, v\u00e1rios ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o receberam a not\u00edcia de morte do ent\u00e3o presidente, inclusive numa batida de carro em outra estrada ligava Luzi\u00e2nia &#8211; onde ficava sua fazenda \u0096 a Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O percurso que realmente faria, mas que na \u00faltima hora preferiu ficar onde estava.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel5.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"256\" height=\"388\" \/><\/p>\n<h4>O ex\u00edlio mortal de Jango<\/h4>\n<p><strong>Tr\u00eas meses depois da morte de JK, foi a vez de Jango.<\/strong><\/p>\n<p>O falecimento do ex-presidente Jo\u00e3o Goulart, em uma fazenda na prov\u00edncia Argentina de Corrientes, em 6 de dezembro de 1976, teve o registro oficial de problemas card\u00edacos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m a verdade pode ser bem diferente da vers\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>Como o seu corpo n\u00e3o foi submetido a uma aut\u00f3psia, surgiram algumas teses conspirat\u00f3rias de que Jango talvez tenha sido envenenado.<\/p>\n<p>Segundo o ex-governador, Leonel Brizola \u0096 casado com a irm\u00e3 de Jango -, foi um compl\u00f4 internacional de for\u00e7as ligadas \u00e0 ditadura militar.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis seriam agentes da Opera\u00e7\u00e3o Condor, que atrav\u00e9s de um esquema de governantes, perseguiam militantes da esquerda nas d\u00e9cadas de 70 e 80.<\/p>\n<p><strong>O vel\u00f3rio que antecedeu a posse<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 com a morte de Tancredo Neves, &#8211; na v\u00e9spera de sua posse como presidente do Brasil &#8211; o epis\u00f3dio estimulou in\u00fameras teorias conspirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o de 1985, ele foi levado com urg\u00eancia no Hospital de Base de Bras\u00edlia por um mal-estar que parecia simples, mas logo diagnosticado de diverticulite intestinal.<\/p>\n<p><strong>A coisa piorou.<\/strong><\/p>\n<p>Tancredo Neves teve que passar por sete interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas em 38 dias de agonia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, chegou a nota de falecimento em 21 de abril, Dia de Tiradentes, no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo. Cerca de dois milh\u00f5es de brasileiros acompanharam o cortejo f\u00fanebre do presidente que nem chegou a exercer o seu mais elevado cargo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, muitos boatos circularam. Um deles era que Tancredo, defensor das elei\u00e7\u00f5es diretas, teria sido baleado por um militar linha-dura, contra a democracia.<\/p>\n<p>O atentado teria acontecido enquanto era entrevistado por Gl\u00f3ria Maria, da TV Globo , na Catedral de Bras\u00edlia. A jornalista teria sido mandada para o exterior para abafar o caso.<\/p>\n<p>Uma segunda vers\u00e3o, afirma que a morte de Tancredo fora causada por envenenamento.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 baseada pelo fato de que seu mordomo Jo\u00e3o Rosa \u0096 que acompanhava Tancredo na sua resid\u00eancia &#8211; fora internado com dores similares a de seu chefe. Jo\u00e3o morreu com o mesmo diagn\u00f3stico de Tancredo, ap\u00f3s sete cirurgias e internado por 16 dias.<\/p>\n<p>As ideias de uma suposta conspira\u00e7\u00e3o ganharam peso maior, ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o publicada na revista Veja de que na verdade Tancredo teria morrido um dia antes do anunciado.<\/p>\n<p>A fonte, um m\u00e9dico que acompanhou o estado cl\u00ednico do presidente, teria falado que o c\u00e9rebro de Tancredo parou na noite de 20 de abril. Mas devido por ser pr\u00f3ximo ao feriado de Tiradentes, a data poderia ter sido escolhida para ser lembrado como um her\u00f3i nacional.<\/p>\n<p>Muitos conspir\u00f3logos acreditam que os militares foram os grandes culpados e envolvidos nas mortes destes representantes populares do Pa\u00eds. Mas nada \u00e9 confirmado. A pergunta continua no ar. Quem matou os presidentes?<\/p>\n<p>A resposta pode ser um ponto final ou uma interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Dayse Bezerra<\/strong><\/p>\n<h4>22 Agosto<\/h4>\n<p><b>Juscelino Kubitschek\u00a0<\/b> de Oliveira<\/p>\n<h4>Diamante em Forma\u00e7\u00e3o (1902-1932) Ra\u00edzes<\/h4>\n<p>Juscelino Kubitschek de Oliveira, o vig\u00e9simo brasileiro a ocupar a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, nasceu num sobrado da rua Direita, em Diamantina, cidade mineira a 282 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, no dia 12 de setembro de 1902.<\/p>\n<p>Era filho de Jo\u00e3o C\u00e9sar de Oliveira, irrequieto personagem que teve os mais variados of\u00edcios \u0096 caixeiro de loja, bombeiro, lapidador de pedras preciosas, caixeiro-viajante, delegado de pol\u00edcia, fiscal de rendas e capit\u00e3o da Guarda Nacional \u0096 antes de morrer, ainda jovem, de tuberculose.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e, a professora prim\u00e1ria J\u00falia Kubitschek, era neta de um marceneiro checo nascido na Bo\u00eamia, Jan Nepomusck\u00fd Kubitschek, conhecido como Jo\u00e3o Alem\u00e3o, que chegou ao Brasil por volta de 1831, o ano em que d. Pedro I abdicou do trono. O pa\u00eds tinha ent\u00e3o pouco mais de 5 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Instalado na regi\u00e3o de Diamantina, Jan n\u00e3o tardou a fazer fortuna e viu seu nome ser abrasileirado, pela gente do lugar, para Jo\u00e3o Alem\u00e3o. Casado com uma brasileira, teve tr\u00eas garotos \u0096 um dos quais, Jo\u00e3o Nepomuceno Kubitschek, faria carreira pol\u00edtica, tendo chegado a senador estadual constituinte e a vice-governador de Minas Gerais no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>O mais velho dos filhos de Jo\u00e3o Alem\u00e3o morreu menino. O terceiro, Augusto Elias Kubitschek, homem sossegado e de pouca conversa, comerciante de armarinho que trocava tudo por um bom livro, foi o pai da professora J\u00falia Kubitschek e av\u00f4 do futuro presidente do Brasil.<\/p>\n<h4>No Semin\u00e1rio<\/h4>\n<p>Com a morte do marido, em 1905, J\u00falia Kubitschek se mudou com os dois filhos para o morro da Grupiara e, mais tarde, para uma casinha na rua S\u00e3o Francisco, 241, em Diamantina, onde a fam\u00edlia viveria por onze anos e que abriga hoje o museu Casa de Juscelino.<\/p>\n<p>Foi com a m\u00e3e que o garoto fez os seus primeiros estudos. O tempo livre era preenchido com as hist\u00f3rias contadas pela amiga e vizinha Augusta de Generosa, filha de escravos, e brincadeiras com um carneirinho, o Gigante.<\/p>\n<p><strong>Lembran\u00e7as fortes daquela \u00e9poca:<\/strong>\u00a0a chegada da luz el\u00e9trica a Diamantina e a passagem do cometa de Halley, ambas em 1910.<\/p>\n<p>Conclu\u00eddo o curso prim\u00e1rio (foi o orador da turma, lendo discurso escrito por seu tio Juscelino Fonseca), como n\u00e3o houvesse gin\u00e1sio na regi\u00e3o, Juscelino convenceu a m\u00e3e a matricul\u00e1-lo no semin\u00e1rio de Diamantina.<\/p>\n<p><strong>D. J\u00falia relutou:\u00a0<\/strong>a mensalidade era de 50 mil-r\u00e9is e ela ganhava pouco mais de 140 por m\u00eas. O reitor disse ao menino que os estudos nada lhe custariam se quisesse ser padre. Juscelino respondeu que a vida religiosa n\u00e3o o tentava, mas ainda assim foi aceito, pagando 40 mil-r\u00e9is por m\u00eas.<\/p>\n<p>Entrou aos doze anos, em 1914, e ali permaneceu at\u00e9 1917, num regime espartano em que tinha que estar de p\u00e9 \u00e0s cinco da manh\u00e3 e deitar-se \u00e0s oito da noite. A batina, obrigat\u00f3ria at\u00e9 para jogar futebol, s\u00f3 era despida para dormir e tomar banho, n\u00e3o raro num ribeir\u00e3o das vizinhan\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>O mais famoso ex-aluno do semin\u00e1rio de Diamantina deixou nele marcas at\u00e9 f\u00edsicas de sua passagem por l\u00e1:\u00a0<\/strong>o nome gravado, a canivete, no tampo da carteira que ocupava na sala de estudos.<\/p>\n<h4>Em busca de novo horizonte<\/h4>\n<p>Com quinze anos incompletos o garoto Juscelino havia conclu\u00eddo o curso de humanidades no semin\u00e1rio de Diamantina, mas n\u00e3o queria parar nesse ponto.<\/p>\n<p>Sonhava com uma carreira de m\u00e9dico que a todos parecia imposs\u00edvel. A m\u00e3e n\u00e3o tinha dinheiro para que ele fosse prestar exames complementares numa cidade grande, abrindo caminho rumo \u00e0 universidade. Para J\u00falia Kubitschek, j\u00e1 estaria bom se ele se tornasse, como o falecido pai, fiscal de rendas. Mas Juscelino sentia sufocar-se naquela Diamantina sem perspectivas.<\/p>\n<p>O isolamento em que vivia era quebrado apenas pelos jornais de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, que come\u00e7aram a chegar \u00e0quele fim de mundo quando a estrada de ferro foi inaugurada, em 1914. Quem lhe emprestava essas publica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de livros \u0096 pois Juscelino herdara do av\u00f4 Augusto Elias a mania de leitura \u0096 era o m\u00e9dico \u00c1lvaro Mata Machado. Foi ele quem, mais adiante, indicou ao rapaz o trilho at\u00e9 o seu primeiro emprego, ao lhe contar que o Departamento dos Correios tinha aberto, em Belo Horizonte, um concurso para o posto de telegrafista.<\/p>\n<h4>A certid\u00e3o falsa<\/h4>\n<p>O adolescente Juscelino parecia condenado aos horizontes curtos da vida de funcion\u00e1rio p\u00fablico, na mesmice de Diamantina \u0096 quando, em 1918, um decreto federal veio tornar poss\u00edvel seu sonho de cursar medicina. Por causa da gripe espanhola que grassou naquele ano, o governo facilitou aos estudantes de todo o pa\u00eds a presta\u00e7\u00e3o dos exames preparat\u00f3rios. O Non\u00f4 de d. J\u00falia p\u00f4de, assim, fazer as provas que o separavam da Faculdade de Medicina.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, inscreveu-se no concurso para telegrafista dos Correios.<\/p>\n<p><strong>Como ainda n\u00e3o tinha dezoito anos, a idade m\u00ednima exigida pelo regulamento do concurso \u0096 estava com dezesseis \u0096, a fam\u00edlia recorreu a uma falcatrua em boa causa:<\/strong>\u00a0com a cumplicidade de um amigo, Ant\u00f4nio Hon\u00f3rio Perp\u00e9tuo, o Ninico, oficial do registro civil em Diamantina, forjou-se uma certid\u00e3o que dava Juscelino Kubitschek de Oliveira como tendo nascido n\u00e3o em 1902, mas em 1900. \u00c9 essa a data que se pode ler em seu diploma de m\u00e9dico.<\/p>\n<h4>O telegrafista<\/h4>\n<p>Para que o filho pudesse viajar a Belo Horizonte e l\u00e1 prestar o concurso para telegrafista, em julho de 1919, J\u00falia Kubitschek precisou vender a \u00fanica joia que tinha, um colar de ouro, herdado da m\u00e3e. Eram 89 candidatos e Juscelino classificou-se em 19\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Enquanto esperava a nomea\u00e7\u00e3o, voltou para Diamantina e conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o para praticar telegrafia na ag\u00eancia local dos Correios.<\/p>\n<p>Deixou de vez sua cidade quando, finalmente, foi convocado para assumir o posto de telegrafista-auxiliar na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Belo Horizonte, a 19 de maio de 1921. Ganhava 6 mil-r\u00e9is por dia \u0096 e s\u00f3 a cama e a comida, na pens\u00e3o onde morava, num por\u00e3o na avenida Afonso Pena, no centro da cidade, consumiam 50 mil-r\u00e9is por m\u00eas.<\/p>\n<p>Matriculado num curso particular para os exames preparat\u00f3rios, conheceu nessa \u00e9poca um rapaz magrinho, vindo de Itabira, que se formaria na Escola de Farm\u00e1cia \u0096 o j\u00e1 poeta Carlos Drummond de Andrade.<\/p>\n<p>Quando o sal\u00e1rio saltou para 8 mil-r\u00e9is por hora, Juscelino se mudou para uma rep\u00fablica de estudantes.<\/p>\n<p><strong>Ali reencontrou um amigo feioso e baixinho, por\u00e9m inteligent\u00edssimo:<\/strong>\u00a0Jos\u00e9 Maria Alkmin, futuro marido de sua prima Maria das Dores da Fonseca. Era, como ele, telegrafista, e haveria de se converter no pr\u00f3prio s\u00edmbolo da raposice da pol\u00edtica mineira, tendo sido deputado, ministro de Estado e vice-presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<h4>Estudante de medicina<\/h4>\n<p>Em janeiro de 1922, com dezenove anos de idade, Juscelino entrou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, que cinco anos mais tarde viria a formar, com outras faculdades, a Universidade de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Trabalhando \u00e0 noite como telegrafista, ele sa\u00eda da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria com dia claro, a tempo de pegar a primeira aula, \u00e0s oito horas da manh\u00e3. De sua turma, com vinte alunos, fazia parte o futuro escritor Pedro Nava, que evocar\u00e1 o colega numa bela p\u00e1gina de um de seus livros de mem\u00f3rias, Beira-mar.<\/p>\n<p>Curiosamente, o futuro presidente n\u00e3o se preocupava com a pol\u00edtica. Tinha olhos apenas para a carreira em preparo. A partir do quinto ano, entrou como interno na terceira enfermaria da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, a convite de um colega mais velho, J\u00falio Soares, que se casou com sua irm\u00e3, Maria da Concei\u00e7\u00e3o, a Nan\u00e1.<\/p>\n<p>Foi viver em casa deles.<\/p>\n<p>Mais tarde, tamb\u00e9m a convite do cunhado, tornou-se s\u00f3cio de seu consult\u00f3rio. Em 1923, saiu pela primeira vez de Minas Gerais, numa viagem ao Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Dois anos depois, um congresso de estudantes de medicina o levou a S\u00e3o Paulo, com direito a uma esticada em Santos.<\/p>\n<p>Sua paix\u00e3o, por\u00e9m, era Belo Horizonte, uma cidade que, inaugurada havia menos de trinta anos, atravessava ent\u00e3o um dos momentos mais fascinantes de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<h4>Dr. Kubitschek, Urologista<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel6.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"169\" height=\"199\" \/><br \/>\nJuscelino Kubitschek de Oliveira<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel7.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"202\" height=\"220\" \/><br \/>\nDr Juscelino<\/strong><\/p>\n<p>Formado em medicina em dezembro de 1927, Juscelino Kubitschek andou pensando em se mudar para Uberaba, no Tri\u00e2ngulo Mineiro, mas foi dissuadido pelo cunhado, colega e s\u00f3cio de consult\u00f3rio J\u00falio Soares.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o de permanecer em Belo Horizonte pesou tamb\u00e9m o namoro com aquela que viria a ser sua mulher, Sarah Gomes de Lemos. Ligando-se a ela, Juscelino de certa forma punha os p\u00e9s na pol\u00edtica, pois a mo\u00e7a era filha de um falecido deputado federal, Jaime Gomes de Souza Lemos.<\/p>\n<p><strong>Por parte da m\u00e3e, Lu\u00edsa Negr\u00e3o, a namorada tinha dois primos que viriam a se destacar na vida p\u00fablica:<\/strong>\u00a0Francisco Negr\u00e3o de Lima, futuro ministro, embaixador e governador do estado da Guanabara, e Otac\u00edlio Negr\u00e3o de Lima, futuro prefeito de Belo Horizonte. Uma irm\u00e3 de Sarah, Am\u00e9lia, vai se casar com Gabriel Passos, que em 1950 perder\u00e1 para JK a disputa pelo governo de Minas.<\/p>\n<p>Naquela altura, por\u00e9m, o jovem m\u00e9dico ainda n\u00e3o dava sinais de querer enveredar pela pol\u00edtica. Dividia seu tempo entre a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, o consult\u00f3rio e a Faculdade de Medicina, onde era assistente nas cadeiras de cl\u00ednica cir\u00fargica e f\u00edsica m\u00e9dica. Logo arranjaria mais trabalho, na Caixa Beneficente da Imprensa Oficial, nomeado por intercess\u00e3o do amigo Jos\u00e9 Maria Alkmin, vice-diretor da casa.<\/p>\n<p>J\u00e1 sem afli\u00e7\u00f5es financeiras, o filho da professora J\u00falia Kubitschek logo p\u00f4de comprar seu primeiro carro, um valente Ford que o levava de um emprego a outro.<\/p>\n<h4>Rumo a Paris<\/h4>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o da irm\u00e3, Nan\u00e1, toda a fam\u00edlia achou que Juscelino ia dar um mau passo quando, em 1930, decidiu interromper uma carreira que ia t\u00e3o bem e buscar especializa\u00e7\u00e3o na Europa. Ele teria que abrir um par\u00eantese, tamb\u00e9m, em seu namoro com Sarah Lemos. Mas estava mesmo decidido. Rapou as economias, vendeu o carro, levantou um empr\u00e9stimo \u0096 e, no final de abril, embarcou para a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Paris, matriculou-se no curso do professor Maurice Chevassu, renomado urologista, que inclu\u00eda treinamento no Hospital Cochin. (Quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois, em 1956, visitando a cidade como presidente eleito, o ex-aluno foi ver o velho mestre, que dele se lembrava.).<\/p>\n<p>Terminado o curso, Juscelino fez uma longa viagem de navio pelo Mediterr\u00e2neo. Conheceu o Egito, S\u00edria, Turquia, Gr\u00e9cia, Terra Santa e L\u00edbano. Esticou por terra at\u00e9 Mil\u00e3o, Veneza, Viena, Budapeste. Emocionou-se ao conhecer Praga, a capital da Checoslov\u00e1quia que o bisav\u00f4 Jan Nepomusck\u00fd Kubitschek trocara pelo Brasil um s\u00e9culo antes.<\/p>\n<p>Estava em Berlim quando, a 3 de outubro, irrompeu no Brasil a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930.<\/p>\n<p><strong>Em Paris, teve a confirma\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria, que comemorou em companhia de dois brasileiros de quem se tornara amigo na Europa:<\/strong>o pintor C\u00e2ndido Portinari e o ator Leopoldo Fr\u00f3is.<\/p>\n<p>De volta ao Rio de Janeiro, a 21 de novembro, por pouco n\u00e3o cruzou no porto com o presidente deposto, Washington Lu\u00eds, que na v\u00e9spera tomara o rumo do ex\u00edlio.<\/p>\n<h4>Capit\u00e3o-m\u00e9dico<\/h4>\n<p>Dif\u00edcil imaginar o que teria sido a vida de Juscelino Kubitschek se ele n\u00e3o tivesse ingressado, em mar\u00e7o de 1931, na For\u00e7a P\u00fablica de Minas Gerais, para trabalhar no Hospital Militar.<\/p>\n<p>Era capit\u00e3o-m\u00e9dico quando, a 9 de julho de 1932, eclodiu em S\u00e3o Paulo a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista. Estava casado havia seis meses \u0096 desde o dia 30 de dezembro de 1931 \u0096 com Sarah Lemos. De uma hora para outra, foi enviado para o front, na regi\u00e3o do t\u00fanel da Mantiqueira, divisa com S\u00e3o Paulo, que os revoltosos paulistas haviam atravessado.<\/p>\n<p>Ficou baseado em Passa Quatro, como respons\u00e1vel por um hospital.<\/p>\n<p><strong>Mas acabou tendo um papel muito mais importante no conflito, conta o bi\u00f3grafo Francisco de Assis Barbosa:<\/strong>\u00a0JK &#8220;seria de fato o cirurgi\u00e3o da campanha, infatig\u00e1vel no seu posto, indo e vindo do front para o hospital de sangue, sem conhecer cansa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n<p>O que mudou sua vida, no entanto, n\u00e3o foi o desempenho como m\u00e9dico, mas as rela\u00e7\u00f5es que fez em Passa Quatro. Conheceu, entre outros, o ent\u00e3o coronel Eurico Dutra, futuro ministro da Guerra e presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Mais decisiva ainda seria a amizade com o obscuro prefeito de Par\u00e1 de Minas, Benedito Valadares, chefe de pol\u00edcia na regi\u00e3o conflagrada. Nomeado por Get\u00falio Vargas interventor em Minas, no ano seguinte, Benedito arrastaria para um destino pol\u00edtico o capit\u00e3o-m\u00e9dico que conhecera em Passa Quatro.<\/p>\n<p>Nas palavras de Francisco de Assis Barbosa, &#8220;Juscelino receberia, com a campanha de 1932, al\u00e9m do batismo de fogo, o batismo da pol\u00edtica&#8221;.<\/p>\n<h4>A Paix\u00e3o Imprevista (1933-1954)<\/h4>\n<p><strong>Secret\u00e1rio de governo<\/strong><\/p>\n<p>Em setembro de 1933, o governador de Minas, Oleg\u00e1rio Maciel, 77 anos de idade, morre dentro de uma banheira, no Pal\u00e1cio da Liberdade.<\/p>\n<p><strong>Para substitu\u00ed-lo como interventor federal, Get\u00falio Vargas faz uma escolha surpreendente:<\/strong>\u00a0quando se esperava a indica\u00e7\u00e3o de Gustavo Capanema, que ocupava interinamente o cargo, ou Virg\u00edlio Melo Franco, outro pol\u00edtico muito conhecido no estado, o presidente saca o nome do pouco expressivo deputado Benedito Valadares \u0096 o mesmo que, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista, no ano anterior, tinha sido chefe de pol\u00edcia na zona do t\u00fanel da Mantiqueira.<\/p>\n<p>Benedito se lembra ent\u00e3o do capit\u00e3o-m\u00e9dico de quem se tornara amigo, e, no dia seguinte \u00e0 posse, oferece ao dr. Juscelino Kubitschek o posto de secret\u00e1rio da Interventoria, equivalente, hoje, ao de secret\u00e1rio de governo. JK hesita, mas acaba cedendo \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. N\u00e3o desativa ainda seu pr\u00f3spero consult\u00f3rio de urologia, nem se demite do Hospital Militar e da Santa Casa. Mas abandona definitivamente a elabora\u00e7\u00e3o da tese com que pretendia concorrer a uma c\u00e1tedra na Faculdade de Medicina.<\/p>\n<h4>Deputado federal<\/h4>\n<p>Em outubro de 1934 Juscelino Kubitschek disputou a sua primeira elei\u00e7\u00e3o, na chapa do Partido Progressista, e foi o deputado federal mais votado de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Estabelecido agora no Rio de Janeiro, n\u00e3o se descuidou das bases eleitorais, sobretudo na sua Diamantina, onde em 1936 conseguiu eleger o prefeito e onze dos quinze vereadores. No ano seguinte, aproximando-se as elei\u00e7\u00f5es presidenciais marcadas para janeiro de 1938, engajou-se na campanha do l\u00edder paraibano Jos\u00e9 Am\u00e9rico de Almeida, que concorreria com o governador de S\u00e3o Paulo, Armando de Sales Oliveira.<\/p>\n<p>Nos primeiros dias de novembro, por\u00e9m, pressentindo como inevit\u00e1vel o golpe que Get\u00falio Vargas armava para se manter no poder, JK viajou para Belo Horizonte e reassumiu o consult\u00f3rio, que havia cedido a um colega.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se enganou:<\/strong>\u00a0no dia 10 de novembro, o presidente anunciou o Estado Novo, convertendo-se em ditador.<\/p>\n<p>Sem mandato, pois o Congresso Nacional foi dissolvido, Juscelino Kubitschek voltou a seu emprego no Hospital Militar. Afastado do of\u00edcio havia quatro anos, achou que tinha perdido a destreza no manejo do bisturi. Para recuper\u00e1-la, praticou durante tr\u00eas meses, \u00e0 noite, t\u00e9cnicas de cirurgia em cad\u00e1veres.<\/p>\n<h4>Deixando a medicina<\/h4>\n<p>No final da d\u00e9cada de 1930 Juscelino Kubitschek dava a impress\u00e3o de haver encerrado para sempre seu namoro com a pol\u00edtica. A medicina lhe proporcionava satisfa\u00e7\u00e3o, prest\u00edgio e dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Formara j\u00e1 um razo\u00e1vel patrim\u00f4nio:\u00a0<\/strong>tinha comprado uma boa casa, em estilo moderno \u0096 a primeira com piscina em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Na For\u00e7a P\u00fablica, promovido a tenente-coronel m\u00e9dico, fora nomeado chefe do Servi\u00e7o de Cirurgia do Hospital Militar.<\/p>\n<p><strong>Estavam as coisas nesse p\u00e9 quando, em fevereiro de 1940, Benedito Valadares o chama ao pal\u00e1cio com um convite:<\/strong>\u00a0a prefeitura de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>JK recusa, n\u00e3o quer afastar-se outra vez da profiss\u00e3o. Mas a 16 de abril a nomea\u00e7\u00e3o \u00e9 publicada no Minas Gerais, o di\u00e1rio oficial do estado. Tomou posse dois dias depois.<\/p>\n<p><strong>Virou prefeito sem deixar de ser m\u00e9dico:<\/strong>\u00a0operava todas as manh\u00e3s no Hospital Militar e ainda chefiava o Servi\u00e7o de Urologia da Santa Casa.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez que empunhou um bisturi foi no Hospital S\u00e3o Lucas, de Belo Horizonte, quando operou de apendicite aguda o escritor Eduardo Frieiro.<\/p>\n<p><strong>JK disse ent\u00e3o \u00e0 mulher do autor de O cabo das tormentas:<\/strong>\u00a0&#8220;Hoje vou dar duas altas, d. No\u00eamia. Uma ao Frieiro, que j\u00e1 est\u00e1 bom e pode retornar a suas atividades. E outra, a mim mesmo, pois encerro, com o caso de seu marido, minha atividade profissional&#8221;.<\/p>\n<p>Despediu-se e saiu. &#8220;A op\u00e7\u00e3o, sobre a qual eu havia hesitado durante tanto tempo, acabara de ser feita. J\u00e1 n\u00e3o era m\u00e9dico. Mas pol\u00edtico.&#8221;<\/p>\n<h4>O &#8220;prefeito furac\u00e3o&#8221;<\/h4>\n<p>No entusiasmo de seus 37 anos, Juscelino mudou a cara de Belo Horizonte, a tal ponto que o povo come\u00e7ou a cham\u00e1-lo de &#8220;prefeito furac\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Irei administrar na rua, e n\u00e3o fechado num gabinete&#8221;, anunciara. Rodava a cidade de um lado para outro, levado por Geraldo Ribeiro \u0096 o motorista que o acompanharia na prefeitura, no governo do estado, na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, nas desventuras de cassado \u0096 e no acidente em que ambos morreram, a 22 de agosto de 1976.<\/p>\n<p>O prefeito criou bairros inteiros, como o Sion e a Cidade Jardim, asfaltou vias importantes como a avenida Afonso Pena, que atravessa a cidade, e concluiu a avenida do Contorno.<\/p>\n<p>Criou a Escola de Arquitetura e o Museu Hist\u00f3rico da cidade. Foi buscar no Rio o pintor Alberto da Veiga Guignard, que formaria mais de uma gera\u00e7\u00e3o de artistas mineiros. Vinte e dois anos depois da Semana de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, JK promoveu em 1944 uma &#8220;semaninha&#8221;, como ficou conhecida, decisiva para a renova\u00e7\u00e3o das artes em Minas Gerais.<\/p>\n<p>A grande marca da sua passagem pela prefeitura, no entanto, ficaria sendo o conjunto arquitet\u00f4nico da Pampulha \u0096 o Cassino (hoje Museu de Arte), a Casa do Baile, o Iate Clube e a igrejinha de S\u00e3o Francisco \u0096, em que se somaram os talentos do jovem arquiteto Oscar Niemeyer, do paisagista Burle Marx, do pintor Portinari e do escultor Alfredo Ceschiatti.<\/p>\n<p>Vinte anos antes, foi uma prefigura\u00e7\u00e3o das ousadias de Bras\u00edlia. &#8220;Eu comecei a minha arquitetura com a Pampulha&#8221;, escrever\u00e1 Oscar Niemeyer. &#8220;Bras\u00edlia foi um seguimento natural.&#8221;<\/p>\n<h4>Governador de Minas<\/h4>\n<p>O fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, abalou as tiranias ao redor do mundo \u0096 entre elas, o Estado Novo imposto por Get\u00falio Vargas em 1937. Pressionado, em fevereiro daquele ano o ditador marcou elei\u00e7\u00f5es gerais. Manobrando com ast\u00facia, incentivou a cria\u00e7\u00e3o do Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) e a candidatura de seu ministro da Guerra, o general Eurico Gaspar Dutra, \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Vargas acabaria deposto, em outubro de 1945, mas conservou influ\u00eancia suficiente para, em dezembro, eleger Dutra, com larga vantagem sobre o brigadeiro Eduardo Gomes, e para conquistar uma cadeira de senador.<\/p>\n<p>Nas elei\u00e7\u00f5es para a Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, realizadas no mesmo dia, o PSD fez a maioria dos senadores e dos deputados federais \u0096 entre estes, Juscelino Kubitschek, que com o fim do Estado Novo deixara a prefeitura de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Foi o segundo deputado mais votado em Minas e chegou a ter seu nome cogitado para disputar o governo estadual nas elei\u00e7\u00f5es de janeiro de 1947. J\u00e1 estava, por\u00e9m, comprometido com a candidatura de Jos\u00e9 Francisco Bias Fortes e n\u00e3o aceitou. Bias seria derrotado por Milton Campos, da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN).<\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o seguinte, em 1950, JK brigou com Bias pela indica\u00e7\u00e3o na conven\u00e7\u00e3o do PSD mineiro e saiu vitorioso, por treze votos a dez. A 3 de outubro, enquanto Vargas era eleito presidente, batendo Eduardo Gomes, JK vencia seu concunhado Gabriel Passos, candidato da UDN, e, com 56,5% dos votos, se tornava governador de Minas Gerais.<\/p>\n<h4>Bin\u00f4mio energia e transporte<\/h4>\n<p>JK chegou ao governo de Minas com um programa que se chamava &#8220;bin\u00f4mio energia e transporte&#8221;.<\/p>\n<p>O principal objetivo \u0096 promover a industrializa\u00e7\u00e3o de um estado at\u00e9 ent\u00e3o condenado \u00e0 agricultura e \u00e0 pecu\u00e1ria \u0096 seria alcan\u00e7ado com a cria\u00e7\u00e3o de empresas energ\u00e9ticas regionais e ao entrosamento delas numa holding, as Centrais El\u00e9tricas de Minas Gerais (Cemig).<\/p>\n<p>A eletrifica\u00e7\u00e3o do estado, gra\u00e7as \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das usinas de Salto Grande, Itutinga, Pared\u00e3o e Pandeiros, entre outras, e a amplia\u00e7\u00e3o da usina de Pai Joaquim, permitiu a instala\u00e7\u00e3o, em Contagem, nas imedia\u00e7\u00f5es de Belo Horizonte, de uma usina sider\u00fargica do grupo alem\u00e3o Mannesmann.<\/p>\n<p>No outro item do bin\u00f4mio, os transportes, o governo JK construiu dezesseis estradas-tronco \u0096 mais de 3 mil quil\u00f4metros \u0096, permitindo integrar as regi\u00f5es de Minas e facilitando o acesso a outros estados.<\/p>\n<p><strong>Cuidou-se tamb\u00e9m dos transportes a\u00e9reos \u0096 n\u00e3o fosse JK um apaixonado pela avia\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0ao termo de seu mandato, havia em Minas 75 campos de pouso capazes de receber avi\u00f5es de porte m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O setor da agricultura ganhou uma empresa, a Fertilizantes de Minas Gerais (Fertisa), para produzir adubos com a apatita de Arax\u00e1 e o pot\u00e1ssio de Po\u00e7os de Caldas. A pecu\u00e1ria viu surgir a Companhia de Frigor\u00edficos de Minas Gerais (Frimisa). Foram constru\u00eddos 120 postos de sa\u00fade, 137 escolas e 251 pontes, ao mesmo tempo em que se criavam conservat\u00f3rios de m\u00fasica e faculdades de medicina, direito, farm\u00e1cia, odontologia e belas-artes.<\/p>\n<p>Vis\u00edveis para al\u00e9m das fronteiras de Minas, as realiza\u00e7\u00f5es de seu governo permitiram a JK sonhar com v\u00f4o mais alto, que o faria pousar no Catete, sede da presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u0096 o &#8220;Pal\u00e1cio das \u00c1guias&#8221;, como era ent\u00e3o conhecido.<\/p>\n<h4>Um Furac\u00e3o na Presid\u00eancia (1955-1961)<\/h4>\n<p><strong>Turbul\u00eancias pela frente<\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo ano de JK no governo de Minas foi dos mais acidentados, e n\u00e3o apenas para ele. Em abril de 1954, rompeu-se em Belo Horizonte a barragem da Pampulha, que s\u00f3 em 1958 seria reinaugurada. No Rio, na noite de 5 de agosto, pistoleiros mataram o major da Aeron\u00e1utica Rubens Florentino Vaz na rua Tonelero, em Copacabana.<\/p>\n<p>Os tiros visavam o jornalista Carlos Lacerda, que, nas p\u00e1ginas de sua Tribuna da Imprensa, fazia violenta campanha contra o presidente Get\u00falio Vargas. Ferido no p\u00e9, Lacerda intensificou seus ataques, ao mesmo tempo em que as investiga\u00e7\u00f5es policiais revelavam o envolvimento de membros da guarda pessoal do presidente no atentado.<\/p>\n<p>Get\u00falio viu-se no centro do que a oposi\u00e7\u00e3o chamou de &#8220;mar de lama&#8221;. Acuado pelos advers\u00e1rios, com seu poder cada vez mais enfraquecido, ainda assim Vargas fez quest\u00e3o de cumprir sua agenda e viajou a Belo Horizonte no dia 12, para a inaugura\u00e7\u00e3o da usina da Mannesmann em Contagem. Foi o \u00faltimo ato p\u00fablico do velho presidente, e tamb\u00e9m seu \u00faltimo encontro com JK, que o hospedou no Pal\u00e1cio das Mangabeiras.<\/p>\n<p>Doze dias mais tarde, na manh\u00e3 de 24 de agosto, depois de anunciar que s\u00f3 morto sairia do Catete, Get\u00falio Vargas suicidou-se com um tiro no peito, deixando uma contundente carta-testamento.<\/p>\n<p>A candidatura \u00e0 presid\u00eancia, que Juscelino vinha engatilhando, entrou em fase de dram\u00e1tica turbul\u00eancia e por pouco n\u00e3o naufragou.<\/p>\n<h4>Sem medo<\/h4>\n<p>Morto Get\u00falio Vargas, assumiu a presid\u00eancia o vice, Jo\u00e3o Caf\u00e9 Filho, pol\u00edtico do Rio Grande do Norte filiado ao Partido Social Progressista (PSP).<\/p>\n<p>M\u00eas e meio mais tarde, em outubro de 1954, quando Juscelino, ainda governador de Minas, deixou clara a sua inten\u00e7\u00e3o de disputar a sucess\u00e3o em 1955, Caf\u00e9 chamou-o ao Catete. Tentou convenc\u00ea-lo a aceitar a id\u00e9ia do governador pernambucano Etelvino Lins &#8211; pessedista eleito com o apoio da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN) &#8211; de se buscar uma candidatura \u00fanica.<\/p>\n<p>JK, que n\u00e3o gostava de Caf\u00e9 Filho &#8211; destinat\u00e1rio de uma deliciosa farpa sua -, n\u00e3o gostou tamb\u00e9m da id\u00e9ia, e trabalhou para que o Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) tivesse candidato pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Mais dif\u00edcil foi obter apoio do partido para o seu nome, contra o qual votaram as bancadas de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Pernambuco.<\/p>\n<p>Enfrentou resist\u00eancias, tamb\u00e9m, da parte de seu antigo padrinho pol\u00edtico, Benedito Valadares, temeroso de que o crescimento de JK lhe roubasse influ\u00eancia em Minas. Ainda assim, a indica\u00e7\u00e3o foi aprovada.<\/p>\n<p>No final do ano, militares de alta patente levaram a Caf\u00e9 Filho um documento em defesa da candidatura \u00fanica. O presidente &#8211; que tomou a iniciativa de ler o texto no programa A voz do Brasil &#8211; ainda procurou demover JK, com o argumento de que as For\u00e7as Armadas n\u00e3o aprovavam a sua pretens\u00e3o. O governador mineiro n\u00e3o se deixou intimidar. &#8220;Deus poupou-me o sentimento do medo&#8221;, declarou.<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio de Benedito:\u00a0<\/strong>&#8220;Esse telegrafista ainda vai nos levar para o buraco&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A outro interlocutor:<\/strong>\u00a0&#8220;O Juscelino quer bancar o Tiradentes com o pesco\u00e7o dos outros&#8221;.<\/p>\n<h4>A disputa de 1955<\/h4>\n<p>Indicado pela maioria dos diret\u00f3rios do PSD, JK teve a sua candidatura homologada em conven\u00e7\u00e3o do partido a 10 de fevereiro de 1955.<\/p>\n<p>Em 31 de mar\u00e7o, deixou o governo de Minas e se lan\u00e7ou numa campanha que se desenrolou debaixo de implac\u00e1vel e permanente artilharia dos advers\u00e1rios, empenhados em apresent\u00e1-lo \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica \u0096 e aos quart\u00e9is, sobretudo \u0096 como um pol\u00edtico comprometido com Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o s\u00f3 aumentou quando, em abril, o PSD acolheu Jo\u00e3o Goulart \u0096 ex-ministro e afilhado pol\u00edtico do falecido presidente \u0096, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), como vice na chapa de Juscelino.<\/p>\n<p>Em maio, deputados da UDN tentaram impugnar a candidatura de JK, acusando-o de corrup\u00e7\u00e3o e exigindo que entregasse \u00e0 C\u00e2mara uma rela\u00e7\u00e3o de seus bens. Armou-se uma comiss\u00e3o parlamentar de inqu\u00e9rito, que, por ser inconstitucional, n\u00e3o foi adiante.<\/p>\n<p><strong>No fim do primeiro semestre o eleitor j\u00e1 conhecia os nomes que a 3 de outubro disputariam a presid\u00eancia, e as for\u00e7as que o apoiavam: Juscelino Kubitschek<\/strong>: Partido Social Democr\u00e1tico (PSD), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Republicano (PR), Partido Trabalhista Nacional (PTN), Partido Social Trabalhista (PST) e Partido Republicano Trabalhista (PRT); Juarez T\u00e1vora: Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN), Partido Democrata Crist\u00e3o (PDC), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Libertador (PL) e dissidentes do PSD; Ademar de Barros: Partido Social Progressista (PSP) e dissidentes do PTB; Pl\u00ednio Salgado: Partido de Representa\u00e7\u00e3o Popular (PRP).<\/p>\n<h4>A candidatura em risco<\/h4>\n<p>Os meses que precederam as elei\u00e7\u00f5es de 1955 foram de constante crise.<\/p>\n<p>Em agosto, no primeiro anivers\u00e1rio do atentado da rua Tonelero, o general Canrobert Pereira da Costa fez um discurso pondo em d\u00favida a legalidade e o car\u00e1ter democr\u00e1tico do regime.<\/p>\n<p>Dias depois, um manifesto do Partido Comunista Brasileiro (PCB) causou irrita\u00e7\u00e3o nas For\u00e7as Armadas ao anunciar apoio \u00e0 chapa JK-Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em agosto, alegando risco de fraude eleitoral, a UDN prop\u00f4s a ado\u00e7\u00e3o de uma c\u00e9dula \u00fanica com os nomes dos quatro candidatos, a ser distribu\u00edda pelo Estado. At\u00e9 ent\u00e3o, cada partido fazia e distribu\u00eda as c\u00e9dulas com o nome de seu candidato. Para garantir que a c\u00e9dula \u00fanica chegasse a todos os cantos do pa\u00eds \u0096 j\u00e1 que o poder central lhe era hostil \u0096, o PSD conseguiu que tamb\u00e9m os partidos pudessem distribu\u00ed-la.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o deputado udenista Carlos Lacerda prop\u00f4s um pacote de medidas que incluiriam a ado\u00e7\u00e3o do parlamentarismo, o adiamento das elei\u00e7\u00f5es, a dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional e a convoca\u00e7\u00e3o de uma assembl\u00e9ia destinada a votar uma nova Constitui\u00e7\u00e3o que os ministros elaborariam.<\/p>\n<p>Em setembro, o mesmo Lacerda divulgou um documento \u0096 forjado \u0096, a chamada carta Brandi, em que um deputado argentino mencionava acordo entre Jo\u00e3o Goulart e o presidente Juan Domingo Per\u00f3n para a implanta\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica sindicalista no Brasil.<\/p>\n<p>Num \u00faltimo lance para evitar a vit\u00f3ria de JK, a UDN tentou mudar a Constitui\u00e7\u00e3o para que nenhum candidato fosse declarado eleito se n\u00e3o obtivesse a maioria absoluta dos votos (50% mais um). N\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<h4>A vit\u00f3ria nas urnas<\/h4>\n<p><strong>Abertas as urnas de 3 de outubro de 1955, soube-se que o vencedor era Juscelino Kubitschek, com 3 077 411 votos:<\/strong>\u00a036% dos sufr\u00e1gios v\u00e1lidos. Juarez T\u00e1vora obteve 2 610 462 (30%), Ademar de Barros, 2 222 725 (26%) e Pl\u00ednio Salgado, 714 379 (8%).<\/p>\n<p>Inconformados, a UDN e setores das For\u00e7as Armadas, entre eles uma Cruzada Brasileira Anticomunista, a todo custo tentaram anular a elei\u00e7\u00e3o. Apesar da falta de respaldo na Constitui\u00e7\u00e3o, retomaram a tese da falta de maioria absoluta. Sem provas, denunciaram a ocorr\u00eancia de fraude, sobretudo em Minas Gerais. Por fim, sustentaram a ilegalidade dos votos comunistas que teriam sido dados a JK e ao vice Jo\u00e3o Goulart \u0096 como se fosse poss\u00edvel distinguir, na massa dos sufr\u00e1gios, os que provinham dessa ou daquela corrente.<\/p>\n<p>Sem argumentos, os advers\u00e1rios de JK partiram ent\u00e3o para a prega\u00e7\u00e3o pura e simples de um golpe militar. Por pouco n\u00e3o conseguiram.<\/p>\n<h4>O 11 de novembro<\/h4>\n<p>O apelo mais direto ao golpe partiu do coronel Jurandir de Bizarria Mamede. Discursando no enterro do general Canrobert Pereira da Costa, dia 1\u00ba de novembro de 1955, o militar baiano conclamou as For\u00e7as Armadas a impedir a posse de JK e Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>O ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, quis punir Mamede, mas o coronel, por pertencer aos quadros da Escola Superior de Guerra, estava subordinado \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica \u0096 s\u00f3 poderia ser enquadrado se esta o revertesse ao Minist\u00e9rio da Guerra.<\/p>\n<p>O presidente, Caf\u00e9 Filho, adoeceu dois dias depois, sem ter tomado essa medida, requerida por Lott. Foi substitu\u00eddo pelo presidente da C\u00e2mara, Carlos Luz \u0096 deputado do PSD mineiro bem pr\u00f3ximo dos udenistas.<\/p>\n<p>Como tamb\u00e9m Luz resistisse \u00e0 id\u00e9ia de punir Mamede, Lott demitiu-se no dia 10. Na madrugada de 11, por\u00e9m, antes que o seu sucessor fosse empossado, p\u00f4s os tanques nas ruas do Rio, desfechando um &#8220;contragolpe preventivo&#8221;, ou &#8220;golpe da legalidade&#8221;, para a garantir a posse dos eleitos.<\/p>\n<p>No mesmo dia, o Congresso aprovou o impedimento de Carlos Luz, que, em companhia de l\u00edderes golpistas, entre eles Carlos Lacerda, embarcou no cruzador Tamandar\u00e9, com a inten\u00e7\u00e3o de transferir a sede do governo para Santos.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 Filho, cuja simpatia pela causa golpista era evidente, foi impedido de reassumir o posto, ocupado agora pelo vice-presidente do Senado, Nereu Ramos. Este solicitou e obteve do Congresso a aprova\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio \u0096 e o pa\u00eds, em relativa tranquilidade, caminhou para a posse de JK e Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel8.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"263\" height=\"344\" \/><br \/>\nRoupa da Posse de Juscelino Kubitschek<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas a novela do 11 de novembro n\u00e3o se fecharia sem o tempero brasileiro do humor, por conta do impag\u00e1vel Bar\u00e3o de Itarar\u00e9, pseud\u00f4nimo do jornalista e humorista ga\u00facho Apar\u00edcio Torelly (1895-1971), que deu a sua vers\u00e3o sobre o contragolpe desfechado pelo general Lott:<\/strong>\u00a0&#8220;No Pal\u00e1cio do Catete, em 11 de novembro de 1955, faltava Caf\u00e9 e Luz, mas tinha p\u00e3o de Lott&#8221;.<\/p>\n<h4>O levante de Jacareacanga<\/h4>\n<p>Restabelecida a ordem, gra\u00e7as ao contragolpe de 11 de novembro, JK viajou pela Europa e Estados Unidos antes de tomar posse na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, a 31 de janeiro de 1956, com 53 anos de idade. Imediatamente, pediu e obteve que o Congresso suspendesse o estado de s\u00edtio implantado em novembro. P\u00f4s fim tamb\u00e9m \u00e0 censura \u00e0 imprensa. E deu partida a seu ambicioso programa de governo, conhecido como Plano de Metas.<\/p>\n<p>Mal esquentara a cadeira presidencial quando, a 11 de fevereiro de 1956, dois oficiais da Aeron\u00e1utica, o major Haroldo Veloso e o capit\u00e3o Jos\u00e9 Chaves Lameir\u00e3o, se apossaram de um avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) e voaram para a base de Jacareacanga, no Par\u00e1. L\u00e1 se juntou aos revoltosos o major Paulo V\u00edtor da Silva \u0096 ao mesmo tempo em que, por todo o pa\u00eds, oficiais da Aeron\u00e1utica se recusaram a cumprir ordens do ministro, o major-brigadeiro Vasco Alves Seco.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o foi debelada em pouco mais de duas semanas, com a pris\u00e3o de Haroldo Veloso e a fuga de Lameir\u00e3o e Paulo V\u00edtor para a Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Em lugar de punir os revoltosos, JK os desarmou, concedendo-lhes anistia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, em 1959, j\u00e1 tenente-coronel-aviador, Veloso participar\u00e1 de outro levante, em Aragar\u00e7as. Foi de novo anistiado. Com o golpe de 1964, chegou ao topo da carreira, como brigadeiro.<\/p>\n<p>No final dos anos 1960, perseguido pela ditadura militar, JK teve a surpresa de receber a visita de Haroldo Veloso, no Rio. &#8220;Presidente&#8221;, disse o brigadeiro, &#8220;vim aqui para me penitenciar do meu erro&#8221;.<\/p>\n<h4>A compra do porta-avi\u00f5es<\/h4>\n<p>No final de seu primeiro ano de mandato, ainda sob forte oposi\u00e7\u00e3o de setores das For\u00e7as Armadas, Juscelino achou prudente atender a uma reivindica\u00e7\u00e3o da Marinha e da Aeron\u00e1utica \u0096 e autorizou a compra do porta-avi\u00f5es ingl\u00eas Vengeance, que no Brasil foi rebatizado Minas Gerais.<\/p>\n<p>Custou 82 milh\u00f5es de cruzeiros. &#8220;Se o pre\u00e7o da submiss\u00e3o da Marinha \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 o porta-avi\u00f5es&#8221;, ponderou JK, &#8220;acho que vale a pena&#8221;.<\/p>\n<p>Logo se deu conta de que as coisas n\u00e3o correriam exatamente conforme planejara.<\/p>\n<p><strong>Para come\u00e7ar, o compositor e cantor Juca Chaves glosou o acontecimento nos versos de uma marchinha:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Brasil j\u00e1 vai \u00e0 guerra<br \/>\ncomprou porta-avi\u00f5es<br \/>\nUm viva pra Inglaterra<br \/>\nde 82 milh\u00f5es<br \/>\n\u0096 ah, mas que ladr\u00f5es!&#8221;<\/p>\n<p>E foi o de menos, a irrever\u00eancia do menestrel. Longe de aplacar os \u00e2nimos dos militares, o Minas Gerais veio abrir uma crise entre a Aeron\u00e1utica e a Marinha, que disputavam o direito de controlar os avi\u00f5es embarcados. A pendenga se arrastaria at\u00e9 1964, quando o governo Castelo Branco deu ganho de causa \u00e0 Aeron\u00e1utica.<\/p>\n<h4>A revolta dos estudantes<\/h4>\n<p><strong>Pouco tempo depois do levante de Jacareacanga, em fevereiro de 1956, foi a vez dos estudantes:<\/strong>\u00a0em maio, nas ruas do Rio de Janeiro, eles armaram manifesta\u00e7\u00f5es contra um aumento no pre\u00e7o das passagens de bonde. Incontrol\u00e1veis, os protestos se alastraram, criando uma situa\u00e7\u00e3o inquietante. J\u00e1 n\u00e3o era um problema estudantil, mas de ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>Houve pancadaria em frente ao pr\u00e9dio da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), na praia do Flamengo, que fora cercado pelo Ex\u00e9rcito, e at\u00e9 um parlamentar levou bordoada. A hist\u00f3ria rendeu furiosos discursos na C\u00e2mara dos Deputados e amea\u00e7ava inchar perigosamente.<\/p>\n<p>JK teve ent\u00e3o a id\u00e9ia de convidar as lideran\u00e7as estudantis para uma conversa no Pal\u00e1cio do Catete. Recebeu-os com um sorriso e, num lance de grande esperteza, fez quest\u00e3o de que o presidente da UNE, Carlos Veloso de Oliveira, se sentasse na cadeira reservada ao chefe da na\u00e7\u00e3o \u0096 para que o rapaz, pondo-se no seu lugar, pudesse avaliar as graves responsabilidades da hora. &#8220;Carlos, me ajude a salvar o regime&#8221;, pediu Juscelino.<\/p>\n<p>A rebeli\u00e3o terminou ali, em clima de grande cordialidade.<\/p>\n<p>Como no epis\u00f3dio da anistia aos revoltosos de Jacareacanga, JK agira movido pelo que se chamou de &#8220;instinto kubitschekiano&#8221; \u0096 que n\u00e3o costumava falhar.<\/p>\n<h4>O dia-a-dia do presidente<\/h4>\n<p>O presidente JK era madrugador. \u00c0s seis horas, no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, j\u00e1 estava no banho, providenciado pelo camareiro Geraldo Batista. Ali mesmo, na banheira, come\u00e7ava trabalhar, despachando com assessores mais chegados \u0096 o coronel Affonso Heliodoro, por exemplo, subchefe do gabinete civil. Ou o escritor Autran Dourado, secret\u00e1rio de Imprensa. &#8220;A minha intimidade com JK ia a tal ponto que chegava mesmo ao rid\u00edculo de eu despachar com ele no banheiro, o que n\u00e3o me agradava muito&#8221;, conta Autran no livro Gaiola aberta. &#8220;Me incomodava sobretudo ele ficar se ensaboando na banheira.&#8221;<\/p>\n<p>Encontrava preparadas as roupas que ia vestir. As cal\u00e7as s\u00f3 com suspens\u00f3rio, pois n\u00e3o usava cinto. Os sapatos sem cadar\u00e7o. As meias pelo avesso, para facilitar o trabalho de cal\u00e7\u00e1-las. O len\u00e7o perfumado no bolsinho do palet\u00f3.<\/p>\n<p>No caf\u00e9 da manh\u00e3, rodeado de auxiliares, seguia trabalhando, enquanto dava conta de um bife bem fino, p\u00e3o com manteiga, queijo-de-minas, caf\u00e9 e fruta.<\/p>\n<p>Se almo\u00e7ava no Pal\u00e1cio do Catete, d. Sarah mandava comidinha mineira das Laranjeiras.<\/p>\n<p>Depois, quando podia, JK punha pijama e tirava uma sesta, seguida de chuveiro. O jantar nunca era servido antes das nove da noite. De raro em raro, uma roda \u00edntima de papo e m\u00fasica, com o pianista Ben\u00e9 Nunes, o violonista Dilermando Reis e a voz do amigo C\u00e9sar Prates, fechava a noite.<\/p>\n<p>F\u00e9rias? N\u00e3o teve disso nos dez anos de governador e de presidente da Rep\u00fablica, atesta o coronel Affonso Heliodoro.<\/p>\n<h4>O homem JK<\/h4>\n<p>Informal, mas nunca vulgar, Juscelino Kubitschek tinha h\u00e1bitos simples \u0096 um dos quais, tirar os sapatos, fazia a del\u00edcia dos fot\u00f3grafos. Teria, quando jovem, machucado um dedo, e sempre que podia liberava os p\u00e9s \u0096 os p\u00e9s que lhe valeram fama de ex\u00edmio dan\u00e7arino. Mesmo que fosse em presen\u00e7a de uma beldade como a atriz americana Kim Novak, em cuja companhia foi fotografado \u0096 ambos descal\u00e7os, numa cena que inspirou bela p\u00e1gina do escritor Nelson Rodrigues.<\/p>\n<p>Filho de Diamantina, adorava serenata, em especial quando se cantava o &#8220;Peixe vivo&#8221;, can\u00e7\u00e3o folcl\u00f3rica que acabou se convertendo numa esp\u00e9cie de hino com que Juscelino era saudado em toda parte. Em 1968, por iniciativa do amigo e antigo assessor Serafim Jardim, gravou texto de apresenta\u00e7\u00e3o para um disco \u0096 JK em serenata \u0096 de seresteiros diamantinenses. Gostava do &#8220;Apesar de voc\u00ea&#8221; de Chico Buarque. E de &#8220;Fascina\u00e7\u00e3o&#8221;, que pediu para Nat King Cole tocar e cantar para ele no Pal\u00e1cio do Catete, certo dia de 1959.<\/p>\n<p><strong>Flex\u00edvel, n\u00e3o se acanhava de mudar de id\u00e9ia quando necess\u00e1rio:<\/strong>\u00a0&#8220;N\u00e3o tenho compromisso com o erro&#8221;, insistia.<\/p>\n<p><strong>E, se alguma coisa n\u00e3o dava certo \u0096 sua tentativa de entrar para a Academia Brasileira de Letras, por exemplo \u0096, n\u00e3o se deixava abater:\u00a0<\/strong>&#8220;Vamos virar essa p\u00e1gina&#8221;, dizia. Virou muitas.<\/p>\n<h4>A Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana<\/h4>\n<p>Concebida pelo escritor Augusto Frederico Schmidt, seu conselheiro, a Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana (OPA) foi a grande tacada da pol\u00edtica externa do presidente JK.<\/p>\n<p>A ideia nasceu quando o vice-presidente americano Richard Nixon, em visita a pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, em 1958, foi recebido em toda parte com ruidosos protestos contra a pol\u00edtica de seu pa\u00eds para o continente.<\/p>\n<p>Instigado por Schmidt, Juscelino escreveu uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, na qual, depois de lamentar aqueles incidentes, prop\u00f4s que se buscasse um novo relacionamento entre os pa\u00edses das Am\u00e9ricas, sob a forma de um programa multilateral de desenvolvimento econ\u00f4mico que constituiria, tamb\u00e9m, uma estrat\u00e9gia de defesa do continente.<\/p>\n<p>Eisenhower foi receptivo e conversa\u00e7\u00f5es se puseram em marcha. A Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana empacou, no entanto, pois a op\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana pelo socialismo, no in\u00edcio dos anos 1960, veio transformar o combate ao comunismo na pol\u00edtica priorit\u00e1ria dos Estados Unidos para a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>J\u00e1 no governo John Fitzgerald Kennedy, numa iniciativa unilateral, Washington p\u00f4s de p\u00e9 a sua pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o pan-americana, que se chamou Alian\u00e7a para o Progresso. Com seu car\u00e1ter basicamente assistencialista, n\u00e3o teria vida longa.<\/p>\n<p><strong>Sem ter ido adiante, a OPA de Juscelino Kubitschek deixou pelo menos um fruto:<\/strong>\u00a0o atuante Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), criado em dezembro de 1959.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa do governo Kubitschek foi marcada, ainda, por um ruidoso rompimento com o FMI, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, e por negocia\u00e7\u00f5es nem sempre tranquilas com John Foster Dulles, inflex\u00edvel secret\u00e1rio de Estado do governo americano.<\/p>\n<h4>As elei\u00e7\u00f5es de 1960<\/h4>\n<p>A sucess\u00e3o de Juscelino Kubitschek j\u00e1 estava aberta em 1959, mais de um ano antes do t\u00e9rmino de seu mandato.<\/p>\n<p>A primeira candidatura a se firmar foi a de J\u00e2nio Quadros, com o apoio da UDN. Fiel a seu estilo, a certa altura o ex-governador paulista renunciou \u00e0 disputa \u0096 provocando, com isso, o levante militar de Aragar\u00e7as \u0096, para voltar atr\u00e1s dias depois. Desafeto de J\u00e2nio, o prefeito de S\u00e3o Paulo, Ademar de Barros, lan\u00e7ou-se outra vez por seu PSP.<\/p>\n<p>Entre os governistas, custou a sair um nome. Matreiramente, JK chegou a cogitar a candidatura de um udenista, o cearense Juraci Magalh\u00e3es, ent\u00e3o governador da Bahia. Seria uma forma de criar uma altern\u00e2ncia, quebrando o dom\u00ednio do PSD e do PTB, que se estendia desde a elei\u00e7\u00e3o de Get\u00falio Vargas, em 1950. Para JK, ficaria mais f\u00e1cil voltar como oposi\u00e7\u00e3o em 1965. A candidatura Juraci seria uma forma, tamb\u00e9m, de garantir a ele um p\u00f3s-governo razoavelmente a salvo das persegui\u00e7\u00f5es da UDN, j\u00e1 que o ocupante do Pal\u00e1cio do Planalto seria um udenista. A id\u00e9ia n\u00e3o prosperou.<\/p>\n<p>Aos poucos, consolidou-se a candidatura do ministro da Guerra, marechal Henrique Lott. O PSD aprovou sem problemas a indica\u00e7\u00e3o do homem que garantira a posse de Juscelino, mas no PTB houve resist\u00eancias, pois Leonel Brizola for\u00e7ava a escolha de um nome &#8220;popular e nacionalista&#8221; para encabe\u00e7ar a chapa do governo, na qual o vice seria, outra vez, Jo\u00e3o Goulart. O pr\u00f3prio Goulart imp\u00f4s o general Lott \u0096 cujo s\u00edmbolo de campanha seria uma espada, contra a vassoura com que J\u00e2nio prometia &#8220;varrer a bandalheira&#8221;.<\/p>\n<p>A 3 de outubro de 1960, J\u00e2nio Quadros saiu vitorioso com 5 636 623 votos (48% dos votos v\u00e1lidos), contra 3 846 825 (32%) dados ao marechal Lott e 2 195 709 (20%) a Ademar de Barros.<\/p>\n<h4>Preparado para bater em J\u00e2nio<\/h4>\n<p>A posse de J\u00e2nio Quadros na presid\u00eancia, no dia 31 de janeiro de 1961, poderia ter se transformado num esc\u00e2ndalo sem precedentes na hist\u00f3ria da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Quem conta \u00e9 o escritor Carlos Heitor Cony, no livro JK \u0096 Memorial do ex\u00edlio:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Somando informa\u00e7\u00f5es de outros setores, JK ficou sabendo que o seu sucessor, realmente, aproveitaria a pr\u00f3pria cerim\u00f4nia de posse para, diante das autoridades, do povo, da televis\u00e3o, insult\u00e1-lo pessoalmente, dedo em riste \u0096 gesto que se devia menos \u00e0 agressividade de J\u00e2nio e mais \u00e0 sua ret\u00f3rica provinciana.<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Tomara ent\u00e3o uma decis\u00e3o, a \u00fanica que lhe deu tranquilidade para reagir \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o que as paix\u00f5es pol\u00edticas pretendiam colocar \u00e0 sua frente, desafiando-o em seu \u00faltimo dia de poder.<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Se, durante a cerim\u00f4nia, J\u00e2nio lesse tal discurso, com acusa\u00e7\u00f5es e inf\u00e2mias que nem mesmo durante a campanha eleitoral tivera a coragem de formular, JK partiria para a solu\u00e7\u00e3o que lhe restava: a rea\u00e7\u00e3o f\u00edsica, de homem para homem, o esc\u00e2ndalo. Sua decis\u00e3o, acrescida e beneficiada pelas vers\u00f5es de cada um dos que dela tomaram conhecimento, chegou ao quartel-general de J\u00e2nio.<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Em seu livro de mem\u00f3rias, o pr\u00f3prio JK diz que pediu aos encarregados do cerimonial que colocassem os dois mandat\u00e1rios \u0096 o que sa\u00eda e o que entrava \u0096 bem afastados das demais autoridades. Uma boa briga exige espa\u00e7o. J\u00e2nio n\u00e3o leu o discurso.&#8221;<\/p>\n<h4>Um balan\u00e7o do governo JK<\/h4>\n<p>Durante os cinco anos do governo Kubitschek, o produto interno bruto (PIB) cresceu \u00e0 m\u00e9dia anual de 7%, contra os 5,2% do per\u00edodo de 1945 a 1955.<\/p>\n<p><strong>O PIB industrial foi ainda mais expressivo:<\/strong>\u00a010,7% ao ano, em m\u00e9dia. A produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu 80%, a siderurgia, 100%, a ind\u00fastria mec\u00e2nica, 125%, a el\u00e9trica e de comunica\u00e7\u00f5es, 300%, e o setor de transportes em espetaculares 600%. A infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual, de 24,7%, seria desprez\u00edvel diante dos patamares que alcan\u00e7aria no futuro.<\/p>\n<p>O governo JK construiu 20 mil quil\u00f4metros de estradas e pavimentou 5 600 quil\u00f4metros de rodovias j\u00e1 existentes, literalmente abrindo caminhos para a nascente ind\u00fastria automobil\u00edstica nacional. Implantou a ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o naval e elevou a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de 6 800 para 100 mil barris di\u00e1rios. Construiu a refinaria Duque de Caxias \u0096 e as hidrel\u00e9tricas de Tr\u00eas Marias e Furnas, aumentando a pot\u00eancia total instalada de 3 milh\u00f5es de kW, em 1954, para 4,7 milh\u00f5es no final do quinqu\u00eanio. Criou ainda a Sudene, para promover o desenvolvimento do Nordeste, e a Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear.<\/p>\n<h4>O esplendor dos anos JK<\/h4>\n<p>Aqueles foram tempos luminosos para a cultura e o esporte no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Grande momento cultural<\/strong><\/p>\n<p>Vistos \u00e0 dist\u00e2ncia, os anos JK aparecem como um dos per\u00edodos mais ricos da produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira, num quadro de fundas mudan\u00e7as de comportamento.<\/p>\n<p>Foram os anos da consolida\u00e7\u00e3o do Cinema Novo, surgido pouco antes e que consagraria diretores como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Joaquim Pedro de Andrade.<\/p>\n<p>No teatro, aquele foi o tempo em que deslancharam os grupos Arena e Oficina, ao impulso de criadores como Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa.<\/p>\n<p><strong>No terreno da literatura, o quinqu\u00eanio de Juscelino Kubitschek viu chegarem \u00e0s livrarias obras imediatamente cl\u00e1ssicas como Grande sert\u00e3o:<\/strong>\u00a0veredas e Corpo de baile, de Guimar\u00e3es Rosa, La\u00e7os de fam\u00edlia, de Clarice Lispector, O encontro marcado, de Fernando Sabino, Duas \u00e1guas, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto e Cr\u00f4nica da casa assassinada, de L\u00facio Cardoso.<\/p>\n<p>O panorama liter\u00e1rio enriqueceu-se, ainda, com o surgimento do concretismo e do neoconcretismo, movimentos animados, entre outros, pelos poetas Augusto e Haroldo de Campos, D\u00e9cio Pignatari, Ferreira Gullar, Jos\u00e9 Lino Gr\u00fcnewald e Reinaldo Jardim, e divulgados nas p\u00e1ginas do influente Suplemento Dominical do Jornal do Brasil.<\/p>\n<p>Os estudos brasileiros foram alimentados com o lan\u00e7amento de ensaios seminais como Forma\u00e7\u00e3o da literatura brasileira, de Antonio Candido, Vis\u00e3o do para\u00edso, de S\u00e9rgio Buarque de Holanda \u0096 tamb\u00e9m organizador da Hist\u00f3ria geral da civiliza\u00e7\u00e3o brasileira \u0096, Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil, de Celso Furtado, Os donos do poder, de Raymundo Faoro, e Ordem e progresso, de Gilberto Freyre.<\/p>\n<p><strong>O panorama das artes<\/strong><\/p>\n<p>O momento espl\u00eandido que a arquitetura atravessava, sobretudo com a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, tinha uma contrapartida n\u00e3o menos fecunda no campo do design, em especial com os m\u00f3veis concebidos por Sergio Rodrigues, o criador da internacionalmente conhecida e premiada Poltrona Mole.<\/p>\n<p>No campo das artes pl\u00e1sticas, um passo importante foi a eclos\u00e3o do movimento neoconcreto, tentativa de encontrar uma express\u00e3o nacional para o projeto construtivista internacional, a partir de um manifesto assinado, em mar\u00e7o de 1959, por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, L\u00edgia Pape e Reinaldo Jardim. O per\u00edodo foi marcado, ainda, por um adensamento da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica brasileira. \u00c9 desse tempo, talvez, a melhor fase da pintura de Guignard. Artistas como Iber\u00ea Camargo, S\u00e9rgio Camargo, Alfredo Volpi e Mira Schendel entraram na posse de sua maturidade.<\/p>\n<p>Os ventos modernizantes daqueles anos alcan\u00e7aram tamb\u00e9m a imprensa, sobretudo com a reformula\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica do Jornal do Brasil, que influenciaria v\u00e1rias outras publica\u00e7\u00f5es, e o lan\u00e7amento da revista Senhor, excepcional tanto pelo conte\u00fado como pelo design gr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o da bossa nova<\/strong><\/p>\n<p>Um grande poeta, Vinicius de Moraes, desgarrou-se da poesia escrita para encorpar, como letrista, a revolu\u00e7\u00e3o musical que foi a bossa nova, surgida em 1958 \u0096 ano de lan\u00e7amento do hist\u00f3rico Can\u00e7\u00e3o do amor demais, de Elizeth Cardoso, que em duas faixas, &#8220;Chega de saudade&#8221; e &#8220;Outra vez&#8221;, registrou a inovadora batida do viol\u00e3o de um desconhecido Jo\u00e3o Gilberto.<\/p>\n<p>A m\u00fasica brasileira perdeu Villa-Lobos. Mas ganhou Tom Jobim. Longe de esgotar-se em si mesmo, o esplendor criativo dos anos JK formou uma garotada cujos talentos iriam florescer mais adiante, em meados da d\u00e9cada de 1960. Para lembrar apenas a m\u00fasica, cresceu ali a gera\u00e7\u00e3o ainda hoje inigual\u00e1vel de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Edu Lobo e tantos outros.<\/p>\n<p><strong>Brilho brasileiro no esporte<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no esporte foi inesquec\u00edvel o quinqu\u00eanio 1956-1961, pontilhado por t\u00edtulos in\u00e9ditos e grandes feitos de atletas brasileiros.<\/p>\n<p>Em 1956, nos jogos de Melbourne, na Austr\u00e1lia, Ademar Ferreira da Silva sagrou-se bicampe\u00e3o ol\u00edmpico, reprisando o feito de 1952, em Helsinque, na Finl\u00e2ndia, e batendo novamente o recorde mundial de salto triplo.<\/p>\n<p>Em 1958, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol conquistou na Su\u00e9cia a sua primeira Copa do Mundo, a ta\u00e7a Jules Rimet (mais tarde furtada e derretida por ladr\u00f5es de ouro, no Rio de Janeiro), numa sucess\u00e3o de vit\u00f3rias em que brilhou um garoto de dezessete anos, Pel\u00e9.<\/p>\n<p>No mesmo ano, a tenista Maria Esther Bueno ganhou seu primeiro t\u00edtulo no torneio de Wimbledon, na Inglaterra, em dupla com a americana Althea Gibson. Ela seria bicampe\u00e3 em 1960, quando se tornou tamb\u00e9m a primeira mulher a vencer os torneios de duplas do Grand Slam (Australian Open, Wimbledon, Roland Garros e US Open).<\/p>\n<p>Em 1959, a sele\u00e7\u00e3o brasileira de basquete trouxe de Santiago, no Chile, seu primeiro t\u00edtulo mundial.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no boxe o Brasil ganhou seu primeiro t\u00edtulo mundial, quando, em 1960, o peso-galo \u00c9der Jofre derrotou o mexicano Eloy S\u00e1nchez.<\/p>\n<h4>Bras\u00edlia, Um del\u00edrio Poss\u00edvel (1955-1960)<\/h4>\n<p><strong>Rumo ao planalto<\/strong><\/p>\n<p>Menos de tr\u00eas meses depois de tomar posse na presid\u00eancia, JK deu o primeiro passo para construir uma nova capital no centro do pa\u00eds \u0096 cumprindo, assim, promessa que fizera, no in\u00edcio da campanha, durante um com\u00edcio na cidade goiana de Jata\u00ed.<\/p>\n<p>Cumpria tamb\u00e9m um dispositivo inclu\u00eddo em sucessivas Constitui\u00e7\u00f5es \u0096 a id\u00e9ia de transferir a capital federal vinha de muito longe, do tempo do Imp\u00e9rio, sem que os governantes fizessem muito para tir\u00e1-la do papel. Disposto a fazer dela a &#8220;meta-s\u00edntese&#8221; do ambicioso Plano de Metas com que chegou \u00e0 presid\u00eancia, a 18 de abril de 1956 Juscelino enviou projeto de lei ao Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Depois de vencer resist\u00eancias de parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o, o projeto se transformou em lei, sancionada a 19 de setembro, que fixava os limites do novo Distrito Federal e autorizava a cria\u00e7\u00e3o da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Para presidi-la, JK escolheu um velho amigo, o engenheiro Israel Pinheiro, deputado federal pelo Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) de Minas Gerais.<\/p>\n<p><strong>Outra lei, de 1\u00ba de outubro, fixou a data para a mudan\u00e7a da capital:<\/strong>\u00a021 de abril de 1960. Significava que tudo teria que ser feito no curto espa\u00e7o de tr\u00eas anos e sete meses.<\/p>\n<p>Mesmo entre os governistas, poucos acreditavam que isso aconteceria. E a oposi\u00e7\u00e3o apostava que o presidente, ao se meter naquela miss\u00e3o imposs\u00edvel, acabaria desmoralizado.<\/p>\n<h4>A primeira visita ao planalto<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel9.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"211\" height=\"289\" \/><br \/>\nFoto Oficial do Presidente JK<\/strong><\/p>\n<p>Marcada para 21 de abril de 1960 a mudan\u00e7a da capital, a 2 de outubro de 1956 o presidente JK embarcou com pequena comitiva num DC-3 da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira e foi conhecer o lugar onde Bras\u00edlia seria edificada.<\/p>\n<p>O avi\u00e3o desceu numa precar\u00edssima pista de 2 mil metros, rasgada dias antes pelo vice-governador de Goi\u00e1s, o engenheiro agr\u00f4nomo carioca Bernardo Say\u00e3o \u0096 respons\u00e1vel, entre outras obras, pela abertura da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia, em cuja constru\u00e7\u00e3o morrer\u00e1, em janeiro de 1959.<\/p>\n<p><strong>Por ocasi\u00e3o dessa primeira visita, JK deixou no Livro de Ouro da futura capital uma frase que se tornou c\u00e9lebre e est\u00e1 gravada no m\u00e1rmore do Museu da Cidade, na pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Deste planalto Central, desta solid\u00e3o que em breve se transformar\u00e1 em c\u00e9rebro das altas decis\u00f5es nacionais, lan\u00e7o os olhos mais uma vez sobre o amanh\u00e3 do meu pa\u00eds e antevejo esta alvorada com f\u00e9 inquebrant\u00e1vel e uma confian\u00e7a sem limites no seu grande destino.&#8221;<\/p>\n<h4>Nasce uma cidade<\/h4>\n<p>Sob o comando de Israel Pinheiro, o presidente da Novacap, a 3 de novembro de 1956 tratores j\u00e1 levantavam poeira nos trabalhos de terraplenagem em Bras\u00edlia. Uma semana depois, estava pronto um &#8220;pal\u00e1cio&#8221; de madeira, o Catetinho. A pista de pouso provis\u00f3ria aberta por Bernardo Say\u00e3o para a primeira visita de JK, um m\u00eas antes, foi espichada para 3 mil metros e no come\u00e7o de 1957 estava pavimentada.<\/p>\n<p>O presidente, que tinha paix\u00e3o por avi\u00f5es, haveria de us\u00e1-la, nas frequentes viagens que fazia do Rio de Janeiro \u0096 a &#8220;Belacap&#8221;, dizia-se ent\u00e3o, ou &#8220;Velhacap&#8221; \u0096, a bordo de valentes DC-3 (trocados, mais adiante, por um turbo\u00e9lice Viscount), em v\u00f4os que duravam quase cinco horas. Sa\u00eda no come\u00e7o da noite, inspecionava obras no in\u00edcio da madrugada, pegava o avi\u00e3o de volta e, acomodado num leito improvisado, ia amanhecer no Rio. Em cinco anos de governo, faria 365 viagens a Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Estradas eram abertas para ligar a lonjura do planalto aos grandes centros do pa\u00eds, pondo por terra a lenda, alimentada pelos cr\u00edticos da mudan\u00e7a, de que a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia dependia do dispendioso transporte a\u00e9reo.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1957, no Rio, uma comiss\u00e3o julgadora formada por urbanistas brasileiros e estrangeiros escolhia o melhor projeto para a nova capital, com previs\u00e3o de 600 mil habitantes \u0096 o de n\u00famero 22, assinado por L\u00facio Costa.<\/p>\n<p><strong>No Plano Piloto por ele concebido, de genial simplicidade, tudo se organizava em torno de dois eixos dispostos em cruz. Bras\u00edlia, dir\u00e1 o autor, &#8220;nasceu do gesto prim\u00e1rio de quem assinala um lugar ou dele toma posse:<\/strong>\u00a0dois eixos cruzando-se em \u00e2ngulo reto, ou seja, o pr\u00f3prio sinal-da-cruz&#8221;.<\/p>\n<h4>Do alto, JK v\u00ea as obras<\/h4>\n<p>Com a mudan\u00e7a da capital marcada para 21 de abril de 1960, tudo teria que ser feito em regime de urg\u00eancia. O planalto Central transformou-se num fervedouro de candangos, como eram chamados os oper\u00e1rios, em sua maioria vindos do Nordeste em busca de trabalho. (Junto com o nome do presidente, o apelido desses trabalhadores foi tomado para batizar uma esp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida de roedor, encontrada no cerrado goiano, nessa \u00e9poca, pelo bi\u00f3logo Jo\u00e3o Moojen de Oliveira.)<\/p>\n<p>Instalados em cidades-sat\u00e9lites que brotaram \u00e0 margem do plano-piloto, em abril de 1957 eles eram 10 mil.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas anos depois, 60 mil. JK recordar\u00e1 aquele poeirento formigueiro:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Sobrevoando o planalto \u00e9 que se tinha uma vis\u00e3o de conjunto dos trabalhos. Caminh\u00f5es iam e vinham, levando ou trazendo material de constru\u00e7\u00e3o. Bulldozers, \u00e0s dezenas, revolviam a terra, abrindo clareiras no cerrado. [&#8230;] Aqui e ali, j\u00e1 se viam as torres met\u00e1licas das esta\u00e7\u00f5es de telecomunica\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s das quais centenas de mensagens eram enviadas, pedindo cimento, cobrando remessas de material el\u00e9trico, exigindo jipes, caixas-d&#8217;\u00e1gua, tambores de gasolina, g\u00eaneros enlatados, pe\u00e7as de ve\u00edculos. Era um mundo que despertava no cerrado, ressonante de sons met\u00e1licos e estuante de energia humana. [&#8230;] O pr\u00f3prio ch\u00e3o estremecia, rasgado pelas estacas Franki. Os edif\u00edcios iam surgindo da terra, perfurada em todas as dire\u00e7\u00f5es. Cada obra ostentava uma tabuleta com os dizeres: &#8216;Iniciada no dia tal. Ser\u00e1 conclu\u00edda no dia tal&#8217;.&#8221;<\/p>\n<h4>Os cr\u00edticos de Bras\u00edlia<\/h4>\n<p>No bem-bom do litoral, advers\u00e1rios de JK duvidavam de que ele conclu\u00edsse a tempo a constru\u00e7\u00e3o da cidade. Os prazos, por\u00e9m, foram pontualmente observados. Em apenas um ano se fez o Pal\u00e1cio da Alvorada, inaugurado em junho de 1958. Do mesmo ano s\u00e3o o Pal\u00e1cio do Planalto, as duas cuias e os pr\u00e9dios g\u00eameos do Congresso Nacional, a pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes e edif\u00edcios dos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Um dos detratores de Bras\u00edlia, o escritor Gustavo Cor\u00e7\u00e3o, sacava seu diploma de engenheiro para afirmar que o lago Parano\u00e1 nunca encheria, pois o solo era por demais poroso.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 receber um telegrama presidencial:<\/strong>\u00a0&#8220;Encheu, viu?!&#8221;.<\/p>\n<p>Duvidou tamb\u00e9m de que o ermo de Bras\u00edlia pudesse ser ligado por telefone com o Rio de Janeiro. Quando isso aconteceu, a 17 de abril de 1960, JK mandou discar para a casa de Cor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cr\u00edtico feroz de Juscelino e de Bras\u00edlia, o economista Eug\u00eanio Gudin recusou convite de Israel Pinheiro, para visitar a capital em constru\u00e7\u00e3o \u0096 morreu falando mal da cidade e de seu criador, em 1986.<\/p>\n<p><strong>Menos azedo, um jovem compositor popular, Juca Chaves, alfinetava JK numa can\u00e7\u00e3o que fez sucesso em 1960:<\/strong>\u00a0&#8220;Presidente bossa-nova&#8221;, expressamente dedicada &#8220;ao muso&#8221;. Censores por demais zelosos apressaram-se em proibir a m\u00fasica, mas o &#8220;muso&#8221; n\u00e3o apenas mandou liber\u00e1-la como convidou o autor a visit\u00e1-lo no pal\u00e1cio. Juca Chaves compareceu de terno \u0096 e sem sapatos.<\/p>\n<p><strong>A nova capital dava samba \u0096 e tamb\u00e9m marchinha:<\/strong>\u00a0&#8220;Vamos pra Bras\u00edlia&#8221;, que animou o Carnaval de 1958, na voz de Jorge Veiga. &#8220;N\u00e3o vou pra Bras\u00edlia&#8221;, retrucava, no mesmo ano, um samba de Billy Blanco, cantado pelo grupo Os Cariocas.<\/p>\n<p>Para JK, cinco anos de mandato foram cinquenta de brincadeiras e piadas, por vezes ofensivas. Nem por um minuto perdeu o bom humor e a toler\u00e2ncia.<\/p>\n<h4>Visitantes ilustres<\/h4>\n<p>Um dos prazeres de JK, durante a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, era mostrar sua cidade aos visitantes. L\u00e1 estiveram chefes de Estado, como o presidente americano Dwight Eisenhower.<\/p>\n<p><strong>Ou escritores como Jean-Paul Sartre, Aldous Huxley e Andr\u00e9 Malraux, ministro da Cultura da Fran\u00e7a \u0096 que n\u00e3o se conteve:<\/strong>\u00a0&#8220;Esta \u00e9 a capital da esperan\u00e7a&#8221;, disse a JK.<\/p>\n<p>O ator ingl\u00eas David Niven, que fez com ele um v\u00f4o de helic\u00f3ptero sobre a cidade, registrou anos depois, em suas mem\u00f3rias, o entusiasmo e a jovialidade do presidente \u0096 n\u00e3o se esquecendo de contar que foi convidado para a inaugura\u00e7\u00e3o, do lago Parano\u00e1, no dia seguinte.<\/p>\n<p>Em maio de 1959, quatro meses depois de tomar o poder em Cuba, o jovem primeiro-ministro Fidel Castro n\u00e3o decepcionou quem dele esperava discursos fluviais \u0096 e s\u00f3 se calou quando viu Bras\u00edlia do alto, ao lado de JK.<\/p>\n<h4>O poder voa para Bras\u00edlia<\/h4>\n<p>Na v\u00e9spera da mudan\u00e7a da capital para Bras\u00edlia, 20 de abril de 1960, JK chegou ao Pal\u00e1cio do Catete com a mulher, d. Sarah, as filhas, M\u00e1rcia e Maria Estela, e a m\u00e3e, J\u00falia. Reuniu os funcion\u00e1rios no sal\u00e3o nobre para uma despedida.<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel10.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"241\" height=\"334\" \/><br \/>\nDona Sarah e suas filhas M\u00e1rcia e Maria Estela<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conta o escritor Autran Dourado, secret\u00e1rio de Imprensa da Presid\u00eancia, no livro Gaiola aberta:<\/strong>\u00a0&#8220;Todo o mundo ria muito, Juscelino era dente s\u00f3.<\/p>\n<p>Como se fosse o seu anivers\u00e1rio, ele menino. Houve ordem para que se abrisse o port\u00e3o, quem quisesse entrar para se despedir da fam\u00edlia que entrasse&#8221;.<\/p>\n<p>Depois, com a fam\u00edlia e todo o pessoal, JK desceu a escadaria do pal\u00e1cio. Na cal\u00e7ada, foi homenageado pelos alunos da vizinha escola Rodrigues Alves, que acenaram com len\u00e7os brancos para ele. O povo, emocionado, envolveu seu presidente.<\/p>\n<p>Juscelino caminhou ent\u00e3o at\u00e9 o port\u00e3o do Catete \u0096 Museu da Rep\u00fablica, a partir daquele instante \u0096 e, lentamente, o fechou.<\/p>\n<p>Depois, o poder voou para Bras\u00edlia.<\/p>\n<h4>&#8220;S\u00f3 mesmo o Non\u00f4&#8221;<\/h4>\n<p>A festa da inaugura\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia come\u00e7ou na noite da v\u00e9spera, 20 de abril de 1960, com uma missa campal que invadiu o dia 21 e arrancou l\u00e1grimas do criador da cidade.<\/p>\n<p>Despertado na manh\u00e3 seguinte com um toque de alvorada, ele enfrentou alegremente uma agenda em que lhe coube, entre muitos outros compromissos, recepcionar embaixadores estrangeiros e presidir uma reuni\u00e3o do minist\u00e9rio \u0096 formalmente, a instala\u00e7\u00e3o do poder executivo na nova capital.<\/p>\n<p><strong>Primeiro ato oficial de JK:<\/strong>\u00a0assinatura de mensagem propondo a cria\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Numa paisagem em que a poeira do planalto cobria democraticamente as cartolas e casacas das autoridades e as roupas domingueiras dos trabalhadores, tudo era festa em Bras\u00edlia naquela quinta-feira. Parada militar, desfile de candangos, baile improvisado nas ruas, queima de fogos no Eixo Rodovi\u00e1rio, JK percorrendo avenidas em carro aberto, Esquadrilha da Fuma\u00e7a roncando no c\u00e9u onde no final da tarde se abriu um arco-\u00edris. \u00c0 noite, no Pal\u00e1cio do Planalto, baile de gala para 3 mil convidados.<\/p>\n<p>A certa altura do dia, a primeira-dama, d. Sarah, encontrou a sogra debru\u00e7ada numa janela do Pal\u00e1cio da Alvorada. &#8220;S\u00f3 mesmo o Non\u00f4&#8221;, murmurou d. J\u00falia, &#8220;seria capaz de fazer tudo isso&#8221;.<\/p>\n<h4>O Tempo da Amargura (1961-1976)<\/h4>\n<p><strong>Uma cadeira no Senado<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 de olho numa volta \u00e0 presid\u00eancia nas elei\u00e7\u00f5es de 1965, e para n\u00e3o ficar a descoberto \u0096 pois J\u00e2nio Quadros fatalmente o hostilizaria, abrindo uma devassa em seu governo \u0096, Juscelino Kubitschek providenciou para si um mandato legislativo antes mesmo de deixar o poder.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o era temporada eleitoral, mas negociou-se uma brecha:<\/strong>\u00a0em janeiro de 1961, o senador Taciano Gomes de Melo, do Partido Social Democr\u00e1tico (PSD) de Goi\u00e1s, foi convencido a renunciar \u00e0 sua cadeira, abrindo assim uma vaga a ser preenchida, meses mais tarde, em elei\u00e7\u00e3o complementar. Em troca, foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Distrito Federal.<\/p>\n<p>Concorrendo com Wagner Estelita Campos, do Partido Democrata Crist\u00e3o (PDC), que tinha o apoio de J\u00e2nio, no dia 4 de junho de 1961 o ex-presidente se elegeu com folga, obtendo 146 366 votos, contra 26 800 dados a seu concorrente.<\/p>\n<p>Aquele seria o seu \u00faltimo mandato.<\/p>\n<h4>A ren\u00fancia de J\u00e2nio<\/h4>\n<p>Empossado em janeiro de 1961, J\u00e2nio Quadros n\u00e3o tardou a desagradar \u00e0s for\u00e7as conservadoras que, num coquetel de legendas partid\u00e1rias, o haviam levado \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Nacional (UDN), em especial, irritou-se com a pol\u00edtica externa do novo governo, pois J\u00e2nio, numa afirma\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia diante dos Estados Unidos, passou a flertar com os regimes comunistas de Cuba e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os partidos da situa\u00e7\u00e3o sentiam-se desprestigiados por seu l\u00edder. O presidente, por seu turno, queixava-se do Legislativo, relutante em aprovar suas iniciativas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, miudezas como a proibi\u00e7\u00e3o do biqu\u00edni, do lan\u00e7a-perfume, da briga de galos e das corridas de cavalos em dias de semana n\u00e3o favoreciam a popularidade de J\u00e2nio \u0096 um chefe de Estado que se comunicava com seus ministros por meio de bilhetinhos, n\u00e3o raro desaforados, e que a certa altura pretendeu impor ao funcionalismo p\u00fablico seu bizarro traje de trabalho, esp\u00e9cie de farda de mangas curtas chamado slack.<\/p>\n<p>Para J\u00e2nio, foi fatal ganhar a inimizade do antigo aliado Carlos Lacerda. A 24 de agosto de 1961, o governador do estado da Guanabara denunciou pela televis\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es golpistas do presidente, que estaria desejoso de livrar-se dos partidos e do Legislativo.<\/p>\n<p>J\u00e2nio provocou animosidade tamb\u00e9m entre os militares ao condecorar o marxista Ernesto &#8220;Che&#8221; Guevara, ministro da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>No dia seguinte \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de Lacerda, J\u00e2nio encaminhou ao Congresso uma carta-ren\u00fancia. Esperava, provavelmente, que ela fosse recusada e que uma rea\u00e7\u00e3o popular o devolvesse \u00e0 presid\u00eancia, com poderes aumentados.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o farei nada para voltar, mas considero minha volta inevit\u00e1vel&#8221;, confiou a auxiliares na base a\u00e9rea de Cumbica, em S\u00e3o Paulo, onde foi aguardar os desdobramentos de seu gesto. &#8220;Dentro de tr\u00eas meses, se tanto, estar\u00e1 nas ruas, espontaneamente, o clamor pela reimplanta\u00e7\u00e3o do nosso governo.&#8221;<\/p>\n<p>O Congresso Nacional, por\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 esperteza do deputado oposicionista e ex-ministro de JK Jos\u00e9 Maria Alkmin, aceitou prontamente a ren\u00fancia \u0096 para desespero de J\u00e2nio, que, em Cumbica, caiu em prantos. N\u00e3o houve, na hora ou mais tarde, clamor nenhum.<\/p>\n<h4>A Crise da Legalidade<\/h4>\n<p>Com a ren\u00fancia de J\u00e2nio, deveria assumir o vice, Jo\u00e3o Goulart, que naquele agosto de 1961 viajava pela China com uma delega\u00e7\u00e3o comercial do Brasil. Na sua aus\u00eancia, empossou-se o substituto legal \u0096 o presidente da C\u00e2mara, deputado Pascoal Ranieri Mazzilli.<\/p>\n<p>No dia 30, os tr\u00eas ministros militares \u0096 vice-almirante S\u00edlvio Heck, o marechal Od\u00edlio Denys e o brigadeiro-do-ar Gabriel Gr\u00fcn Moss \u0096 divulgaram nota contra a posse de Goulart, para eles inaceit\u00e1vel por ser o herdeiro pol\u00edtico de Get\u00falio Vargas. Estava criada o que se chamou de Crise da Legalidade.<\/p>\n<p>Legalista, e temeroso de solavancos institucionais que viessem prejudicar seus planos de voltar \u00e0 presid\u00eancia em 1965, o senador JK pronunciou-se pela posse do vice-presidente. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola, cunhado de Goulart, declarou-se decidido a pegar em armas pelo respeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o. Tinha o apoio do comandante do III Ex\u00e9rcito, general Jos\u00e9 Machado Lopes, que chefiava as maiores tropas do pa\u00eds, e armou uma aguerrida e ruidosa rede de emissoras de r\u00e1dio, batizada Cadeia da Legalidade.<\/p>\n<p>O impasse seria superado com aprova\u00e7\u00e3o de uma emenda constitucional que implantou o parlamentarismo \u0096 Goulart p\u00f4de, finalmente, voltar ao Brasil e, a 7 de setembro de 1961, tomar posse. O chefe do primeiro gabinete parlamentarista foi o deputado Tancredo Neves, do PSD de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Mas o novo regime n\u00e3o &#8220;pegou&#8221;, e em janeiro de 1963, um plebiscito trouxe de volta o presidencialismo.<\/p>\n<h4>JK-65<\/h4>\n<p>Ao deixar o poder, no dia 31 de janeiro de 1961, ainda jovem \u0096 tinha 58 anos \u0096, Juscelino Kubitschek j\u00e1 saiu candidato a um novo per\u00edodo no Pal\u00e1cio do Planalto. A campanha JK-65 n\u00e3o tardou a ir para as ruas.<\/p>\n<p>O lema, dessa vez, seria &#8220;5 anos de agricultura, 50 anos de fartura!&#8221;. O programa teria n\u00e3o mais 31 metas, como o anterior, mas sessenta. Aquele haveria de ser o quinqu\u00eanio da agricultura, anunciava Kubitschek, &#8220;com a integra\u00e7\u00e3o do campo na maturidade do desenvolvimento brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p>A 19 de mar\u00e7o de 1964, uma conven\u00e7\u00e3o do PSD homologou a candidatura de JK \u00e0 presid\u00eancia por 2 848 votos, contra um dado ao marechal Dutra e 39 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em plena ebuli\u00e7\u00e3o de uma enorme crise, era poss\u00edvel perceber que o governo de Jo\u00e3o Goulart se aproximava de um desenlace. S\u00f3 n\u00e3o se sabia que ele estaria no ch\u00e3o, em peda\u00e7os, dali a menos de duas semanas.<\/p>\n<h4>A caminho do golpe<\/h4>\n<p>A direita que em agosto de 1961 tentou impedir a posse de Jo\u00e3o Goulart na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, vaga com a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, n\u00e3o haveria de desistir de seus intentos golpistas. Sua tarefa seria facilitada pela fraqueza de Goulart, incapaz de conter a crescente radicaliza\u00e7\u00e3o da esquerda.<\/p>\n<p>O clamor pelas chamadas &#8220;reformas de base&#8221; \u0096 em especial a reforma agr\u00e1ria, em nome da qual surgiram atuantes Ligas Camponesas \u0096 cresceu durante o ano de 1963 e os primeiros meses de 1964, na mesma propor\u00e7\u00e3o do descontentamento dos conservadores, aos quais se juntavam fatias cada vez maiores de uma classe m\u00e9dia atemorizada. A infla\u00e7\u00e3o disparava.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rios e governadores hostis ao presidente se puseram a conspirar contra ele. As for\u00e7as golpistas contavam com o apoio cada vez mais expl\u00edcito do governo dos Estados Unidos, escaldado pelo car\u00e1ter marxista da vitoriosa Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>Nas For\u00e7as Armadas, o conservadorismo era alimentado tamb\u00e9m pelo descontentamento com a quebra da hierarquia, pois soldados, marinheiros, cabos e sargentos, atropelando os regulamentos, multiplicavam reivindica\u00e7\u00f5es e atos de indisciplina. A figura mais not\u00f3ria desses movimentos, certo cabo Anselmo, teria funesta participa\u00e7\u00e3o na repress\u00e3o \u00e0 milit\u00e2ncia de esquerda, na qual se infiltrou, durante a ditadura militar.<\/p>\n<h4>O golpe de 1964<\/h4>\n<p>A 13 de mar\u00e7o de 1964, no Rio, o presidente Jo\u00e3o Goulart falou \u00e0 multid\u00e3o num com\u00edcio gigantesco \u0096 o &#8220;com\u00edcio da Central da Brasil&#8221;, como ficou conhecido \u0096, anunciando medidas para concretizar as &#8220;reformas de base&#8221;. A resposta de seus advers\u00e1rios, dias depois, foi uma caudalosa Marcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A derrocada do governo rapidamente tornou-se inevit\u00e1vel \u0096 e a 31 de mar\u00e7o o comandante da IV Regi\u00e3o Militar, general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho, em Juiz de Fora, p\u00f4s suas tropas em marcha rumo ao Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em Minas, o governador Magalh\u00e3es Pinto assumia a lideran\u00e7a civil do movimento. Na tarde daquele dia, o ex-presidente Juscelino Kubitschek levou a Goulart, no Pal\u00e1cio das Laranjeiras, um tardio e in\u00fatil apelo para que desautorizasse os radicais de seu governo e tranquilizasse as For\u00e7as Armadas, nomeando um minist\u00e9rio conservador e punindo os militares que haviam quebrado a hierarquia.<\/p>\n<p>O decantado dispositivo militar de Jango, cuja base seria o I Ex\u00e9rcito, no Rio de Janeiro, n\u00e3o funcionou, e o Minist\u00e9rio da Guerra foi tomado pelo general Artur da Costa e Silva. Na manh\u00e3 de 1o de abril o presidente voou do Rio para Bras\u00edlia, e dali para Porto Alegre, de onde seguiria, no dia 4, para um ex\u00edlio sem fim no Uruguai e na Argentina. Ainda estava no Brasil quando, na madrugada de 2 de abril, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a presid\u00eancia da Rep\u00fablica e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli.<\/p>\n<p>Editado logo em seguida, o Ato Institucional no 1 da junta que sucedeu a Mazzilli manteve as elei\u00e7\u00f5es previstas para 3 de outubro de 1965, mas suspendeu por seis meses as garantias constitucionais e legais de vitaliciedade e estabilidade. &#8220;No interesse da paz e da honra nacional&#8221;, enunciava o texto, &#8220;e sem as limita\u00e7\u00f5es previstas na Constitui\u00e7\u00e3o, os comandantes-em-chefe que editam o presente ato poder\u00e3o suspender os direitos pol\u00edticos pelo prazo de dez anos e cassar mandatos legislativos federais, estaduais e municipais, exclu\u00edda a aprecia\u00e7\u00e3o judicial desses atos.&#8221;<\/p>\n<h4>JK ap\u00f3ia Castelo Branco<\/h4>\n<p>Diante do fato consumado de que o novo presidente da Rep\u00fablica seria um militar, a ser eleito pelo Congresso Nacional, o PSD do senador Juscelino Kubitschek concordou em apoiar a candidatura do general cearense Humberto de Alencar Castelo Branco. Era um oficial que o ex-presidente havia promovido, em parte devido \u00e0 insist\u00eancia do poeta Augusto Frederico Schmidt, amigo de ambos.<\/p>\n<p>O apoio foi sacramentado durante reuni\u00e3o realizada no dia 10 de abril em casa do deputado catarinense Joaquim Ramos, com a presen\u00e7a de JK e outros l\u00edderes do partido. Castelo, que dependia dos votos dos congressistas do PSD para se eleger, comprometeu-se a manter o calend\u00e1rio eleitoral e a dar posse ao candidato que fosse vitorioso em 1965.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o general estava eleito, tendo assumido a 15 de abril.<\/p>\n<h4>A cassa\u00e7\u00e3o do mandato<\/h4>\n<p>Instalado na presid\u00eancia da Rep\u00fablica, nem por isso Castelo Branco tinha controle total sobre as For\u00e7as Armadas. A linha dura, \u00e0 sua direita, pedia a cabe\u00e7a de lideran\u00e7as civis. Fazia press\u00e3o o general Costa e Silva, que no dia do golpe se apossara do Minist\u00e9rio da Guerra e Castelo tivera de engolir.<\/p>\n<p>No dia 26 de maio, um emiss\u00e1rio do ministro procurou o ex-presidente, no Rio, e lhe pediu, dramaticamente, que desistisse da candidatura em 1965, &#8220;para o bem do Brasil e para seu pr\u00f3prio bem&#8221;. JK n\u00e3o aceitou.<\/p>\n<p><strong>No mesmo dia, durante um v\u00f4o de S\u00e3o Paulo para Bras\u00edlia, Costa e Silva disse ao presidente, diante de v\u00e1rias testemunhas:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Seu Castelo, temos que cassar o Juscelino&#8221;.<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Castelo ficou numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil&#8221;, lembrou anos mais tarde o general Ernesto Geisel, na \u00e9poca ministro-chefe do Gabinete Militar da presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Na verdade, acho que ele n\u00e3o queria cassar o Juscelino. Mas o Costa e Silva fez a proposta.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O mentor da cassa\u00e7\u00e3o de JK se orgulhava do seu feito. Tancredo Neves contava que certa vez a esposa do ent\u00e3o governador mineiro Israel Pinheiro, d. Coraci, comentou com Costa e Silva, durante um caf\u00e9-da-manh\u00e3 no Pal\u00e1cio das Mangabeiras, em Belo Horizonte:<\/strong>\u00a0tinha admira\u00e7\u00e3o por Castelo, mas n\u00e3o lhe perdoava ter cassado Juscelino.<\/p>\n<p><strong>O general respondeu:<\/strong>\u00a0&#8220;Ent\u00e3o pode perdoar, porque quem cassou fui eu.<\/p>\n<h4>Um discurso antes da cassa\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><strong>Sabendo que sua cassa\u00e7\u00e3o era iminente, JK discursou no Senado a 3 de junho de 1964:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Na previs\u00e3o de que se confirme a cassa\u00e7\u00e3o dos meus direitos pol\u00edticos, que implicaria na cassa\u00e7\u00e3o do meu direito de cidad\u00e3o, julgo do meu dever dirigir, desta tribuna, algumas palavras \u00e0 na\u00e7\u00e3o brasileira. Fa\u00e7o-o agora, para que \u0096 se o ato de viol\u00eancia vier a consumar-se \u0096 n\u00e3o me veja eu privado do dever de denunciar o atentado que na minha pessoa v\u00e3o sofrer as institui\u00e7\u00f5es livres. [&#8230;] Neste momento, sinto uma perfeita correla\u00e7\u00e3o entre a minha a\u00e7\u00e3o presidencial e a in\u00edqua persegui\u00e7\u00e3o que me est\u00e3o movendo. [&#8230;] Se me forem retirados os direitos pol\u00edticos \u0096 como se anuncia em toda parte \u0096, n\u00e3o me intimidarei, n\u00e3o deixarei de lutar. Do ponto de vista da minha biografia, s\u00f3 terei de que me orgulhar desse ato. [&#8230;] Mas querendo eu ou n\u00e3o, a semente da injusti\u00e7a, do arb\u00edtrio, da maldade, da crueldade, da viola\u00e7\u00e3o da pessoa humana, do desrespeito, medrar\u00e1, crescer\u00e1, dar\u00e1 frutos e depois \u0096 como tem acontecido invariavelmente \u0096 o castigo chegar\u00e1, levando tudo de vencida.&#8221;<\/p>\n<h4>Cassado, JK reage<\/h4>\n<p><strong>T\u00e3o logo foi cassado pelo regime militar, a 8 de junho de 1964, JK divulgou uma nota em que dizia:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;No instante em que a iniquidade se consuma e me obriga ao sil\u00eancio \u0096 cassando-me o mandato de senador conferido pelo bravo povo goiano e retirando-me os direitos pol\u00edticos \u0096, quero pedir aos brasileiros que n\u00e3o se deixem um s\u00f3 momento impressionar com as cal\u00fanias e as mentiras que os inimigos jurados da democracia certamente h\u00e3o de continuar atirando sobre mim. Saibam os brasileiros que daqui por diante s\u00f3 n\u00e3o lhes falarei, e s\u00f3 n\u00e3o me defenderei, se fizerem silenciar a minha voz. [&#8230;] Minha atitude diante da agress\u00e3o a que me submetem \u00e9 de serena tranquilidade. Sei que o tempo confundir\u00e1 os meus inimigos gratuitos, sufocar\u00e1 os \u00f3dios e restaurar\u00e1 a justi\u00e7a e o sentimento de grandeza.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O ex-presidente fez em seguida uma previs\u00e3o que o tempo confirmaria:<\/strong>\u00a0&#8220;Esse ato n\u00e3o marcar\u00e1 o fim do arb\u00edtrio. O vendaval de ins\u00e2nias arrastar\u00e1 na sua violenta arrancada mesmo os meus mais rancorosos desafetos. Um por um, eles sentir\u00e3o os efeitos da tirania que ajudaram a instalar no poder&#8221;.<\/p>\n<h4>Asilo no Rio<\/h4>\n<p>Depois de fazer seu \u00faltimo discurso no Senado, a 3 de junho de 1964, JK seguiu de carro para Belo Horizonte e de l\u00e1 para o Rio de Janeiro, numa viagem cheia de perip\u00e9cias determinadas por um clima de constante apreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Pretendia asilar-se na embaixada da Col\u00f4mbia, na avenida Rui Barbosa. Mas, como havia pessoas suspeitas nas proximidades, JK entrou no pr\u00e9dio ao lado \u0096 e ali, com a ajuda de uma escada, saltou o muro. Foi recebido pelo embaixador colombiano, Dario Botezo.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram entendimentos para que o ex-presidente fosse refugiar-se na resid\u00eancia do embaixador da Espanha, no mesmo edif\u00edcio onde morava, na avenida Vieira Souto.<\/p>\n<p>A Espanha n\u00e3o tinha acordo de asilo pol\u00edtico com o Brasil, mas o embaixador Jaime Alba Delibes, depois de consultar seu governo, acolheu JK.<\/p>\n<p>A cassa\u00e7\u00e3o do ex-presidente e a suspens\u00e3o de seus direitos pol\u00edticos foram anunciadas a 8 de junho, no programa A voz do Brasil. No dia 13, JK embarcava para Madri, iniciando um ex\u00edlio que duraria 976 dias.<\/p>\n<h4>JK no ex\u00edlio<\/h4>\n<p>&#8220;Deixo o Brasil porque esta \u00e9 a melhor forma de exprimir meu protesto contra a viol\u00eancia&#8221;, declarou JK ao partir para o ex\u00edlio, a 13 de junho de 1964. Durante quase mil dias, viveria em Paris, Lisboa e Nova York.<\/p>\n<p><strong>Na capital francesa, o ex-presidente morou num apartamento de dois quartos e teve uma cozinheira portuguesa que parecia ter sido escolhida pelo nome:<\/strong>\u00a0Diamantina. Sem motorista, dirigia ele mesmo o seu carrinho, um castigado Simca, pelas ruas de Paris. Para pagar as contas, envolveu-se em atividades empresariais em Lisboa; nos Estados Unidos, aceitava convites para fazer palestras.<\/p>\n<p>Em nenhum lugar sentiu-se feliz, \u00e0 vontade. &#8220;N\u00e3o posso deixar de confessar que viver fora do pa\u00eds, sem saber quando ser\u00e1 poss\u00edvel o regresso, \u00e9 o castigo mais cruel imposto a um homem que s\u00f3 pensava no Brasil&#8221;, escreveu a um amigo nos primeiros tempos do ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Tinha medo de morrer longe da p\u00e1tria. Mas dizia n\u00e3o querer voltar durante o governo de Castelo Branco \u0096 o &#8220;Monstro&#8221;, rotulava \u0096, que lhe cassara o mandato e suspendera os direitos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Seu ex\u00edlio (mas n\u00e3o seu calv\u00e1rio) acabou a 9 de abril de 1967, j\u00e1 no governo Costa e Silva. Ao desembarcar no Rio, disse que s\u00f3 morto deixaria o pa\u00eds outra vez.<\/p>\n<h4>Duros interrogat\u00f3rios<\/h4>\n<p>JK veio ao Brasil duas vezes durante o ex\u00edlio. Na primeira, dia 4 de outubro de 1965, duas intima\u00e7\u00f5es para depor em inqu\u00e9ritos policiais militares o esperavam no p\u00e9 da escada do avi\u00e3o, no aeroporto do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Havia um motivo adicional para as persegui\u00e7\u00f5es que passou a sofrer:<\/strong>\u00a0nas elei\u00e7\u00f5es do dia 3, Francisco Negr\u00e3o de Lima e Israel Pinheiro, que tinham o apoio de JK, se elegeram para os governos da Guanabara e de Minas Gerais, respectivamente. Para irrita\u00e7\u00e3o dos militares, o ex-presidente foi recebido, no Rio, com grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares de carinho.<\/p>\n<p>Era acusado de liga\u00e7\u00e3o com os comunistas e de corrup\u00e7\u00e3o \u0096 havia quem dissesse que ele era dono da s\u00e9tima fortuna do mundo. &#8220;Esta revolu\u00e7\u00e3o foi feita contra Jo\u00e3o Goulart, mas 72 horas depois ela se voltou contra mim&#8221;, costumava dizer JK ao editor Adolfo Bloch, seu amigo.<\/p>\n<p>Em menos de duas semanas, o ex-presidente passaria sessenta horas em extenuantes interrogat\u00f3rios que chegaram a durar nove horas. Foi nessa ocasi\u00e3o que a sua sa\u00fade come\u00e7ou a fraquejar.<\/p>\n<p>Juscelino deixou o pa\u00eds novamente no dia 9 de novembro. A 9 de junho de 1966, quando morreu sua irm\u00e3, Nan\u00e1, ele precisou de autoriza\u00e7\u00e3o do governo militar para assistir ao enterro, em Belo Horizonte. Foi proibido de dar declara\u00e7\u00f5es e de receber manifesta\u00e7\u00f5es, e apenas tr\u00eas dias depois teve que tomar o avi\u00e3o de volta para Nova York.<\/p>\n<h4>O pol\u00edtico vira empres\u00e1rio<\/h4>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que diziam seus advers\u00e1rios, Juscelino Kubitschek n\u00e3o dispunha de fortuna que lhe permitisse viver sem trabalhar. Por essa raz\u00e3o, na volta do ex\u00edlio, em 1967, foi convidado pelos genros, Baldomero Barbar\u00e1 Neto e Rodrigo P\u00e1dua Lopes, donos de uma corretora de valores, para se juntar a eles na forma\u00e7\u00e3o de um banco de investimentos.<\/p>\n<p>Diretor-presidente, JK n\u00e3o teria, no Denasa \u0096 Desenvolvimento Nacional Sociedade An\u00f4nima \u0096, uma fun\u00e7\u00e3o meramente decorativa. Seu prest\u00edgio assegurou bons neg\u00f3cios ao banco at\u00e9 1975, quando, com a tumultuada separa\u00e7\u00e3o da filha M\u00e1rcia, viu-se for\u00e7ado a abandonar a sociedade.<\/p>\n<p>Por oferecimento do amigo Adolfo Bloch, Juscelino come\u00e7ou ent\u00e3o a dar expediente no edif\u00edcio da Manchete, na praia do Russel, no Rio. Com a assist\u00eancia do escritor Carlos Heitor Cony, trabalhou ali em alguns de seus livros de mem\u00f3rias. A pedido de Bloch, escrevia resenhas de livros para a revista Manchete. Na viagem em que perdeu a vida, levava consigo um exemplar de \u00d3 Jerusal\u00e9m!, de Larry Collins e Dominique Lapierre, que estava lendo para redigir um desses artigos.<\/p>\n<h4>O AI-5 e a pris\u00e3o<\/h4>\n<p>Na noite de 13 de dezembro de 1968, o ministro da Justi\u00e7a do governo Costa e Silva, Lu\u00eds Ant\u00f4nio da Gama e Silva, foi \u00e0 televis\u00e3o, em rede nacional, para liquidar o que ainda restava em mat\u00e9ria de liberdade no pa\u00eds. Sob a forma do Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5), o violento &#8220;golpe dentro do golpe&#8221; suspendeu as garantias individuais e abriu caminho para um novo ciclo punitivo.<\/p>\n<p>As pris\u00f5es se encheram n\u00e3o apenas de pol\u00edticos \u0096 entre eles Carlos Lacerda, que teve os seus direitos pol\u00edticos suspensos \u0096 mas tamb\u00e9m de in\u00fameros intelectuais e artistas, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e os escritores Ferreira Gullar e Carlos Heitor Cony. Sem qualquer possibilidade de se opor \u00e0 trucul\u00eancia do regime, muitos partiram para o ex\u00edlio. Outros tomariam o caminho desesperado da luta armada.<\/p>\n<p>Naquela noite, o ex-presidente JK paraninfava uma turma de formandos em engenharia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. \u00c0 sa\u00edda, foi preso por um oficial \u00e0 paisana e levado para um quartel em Niter\u00f3i, onde permaneceu por v\u00e1rios dias, sem roupa para trocar e nada para ler, num pequeno quarto onde todos os seus movimentos eram observados, o tempo todo, atrav\u00e9s de um buraco no teto. Quando finalmente saiu, foi levado para o seu apartamento, na zona sul do Rio, e ali viveu durante um m\u00eas em regime de pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n<h4>Bras\u00edlia revisitada<\/h4>\n<p>Quando retornou do ex\u00edlio, em 1967, JK foi proibido de ir a Bras\u00edlia. Durante o governo Medici, nos anos 1970, ele voava certa vez de Minas para An\u00e1polis, em Goi\u00e1s, a bordo de um monomotor Bonanza, quando, na altura da capital, o aparelho entrou em pane, por superaquecimento de \u00f3leo. Era uma situa\u00e7\u00e3o de risco e o piloto pediu \u00e0 torre do aeroporto permiss\u00e3o para pousar. Perguntaram quem estava a bordo \u0096 e a autoriza\u00e7\u00e3o foi negada. O avi\u00e3o teve que descer em Luzi\u00e2nia, a 67 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Durante mais de sete anos o ex-presidente n\u00e3o p\u00f4s os p\u00e9s na sua cidade, que deixara \u00e0s v\u00e9speras de sua cassa\u00e7\u00e3o, em junho de 1964.<\/p>\n<p>Voltou discretamente, na bol\u00e9ia de um velho caminh\u00e3o Ford, no dia 7 de janeiro de 1972. Ia rumo a Planaltina quando um temporal interrompeu a viagem. Pediu ent\u00e3o ao motorista que tocasse para Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Rodou pelo Plano Piloto, foi \u00e0 pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, esteve bem perto do Pal\u00e1cio da Alvorada, visitou a catedral, que ainda n\u00e3o conhecia depois de pronta. &#8220;Senti-me um s\u00fadito romano das G\u00e1lias que pela primeira vez visita Roma&#8221;, contou mais tarde. &#8220;A Roma do primeiro s\u00e9culo, com seus pal\u00e1cios de m\u00e1rmore, sua suntuosidade e sua consci\u00eancia de centro do mundo civilizado.&#8221;<\/p>\n<p>Relatou a emocionada visita ao jornalista Carlos Chagas, que a 18 de janeiro publicou no jornal O Estado de S. Paulo o artigo &#8220;Bras\u00edlia n\u00e3o v\u00ea JK chorar&#8221;.<\/p>\n<p>Um recorte com esse texto foi achado num bolso de seu palet\u00f3 no dia em que morreu, 22 de agosto de 1976.<\/p>\n<h4>O fazendeiro JK<\/h4>\n<p>No dia em que deixou a presid\u00eancia da Rep\u00fablica, jornalistas perguntaram a JK que planos tinha ele para o futuro. &#8220;Vou ser fazendeiro&#8221;, respondeu.<\/p>\n<p>O projeto haveria de realizar-se no final da vida, em 1972, quando Juscelino levantou empr\u00e9stimos e comprou uma pequena propriedade \u0096 310 alqueires mineiros \u0096, a Fazenda JK, a dezoito quil\u00f4metros de Luzi\u00e2nia e 67 de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Construiu ali uma casa com projeto de Oscar Niemeyer e uma capela copiando a do Pal\u00e1cio da Alvorada. Plantou soja e milho, al\u00e9m de caf\u00e9, cuja primeira colheita n\u00e3o chegaria a ver.<\/p>\n<p>Passava l\u00e1 temporadas cada vez maiores. &#8220;H\u00e1 quase um m\u00eas estou na minha solid\u00e3o da Fazenda JK&#8221;, escreveu ele a sua amiga Vera Brant no dia 8 de agosto de 1976, duas semanas exatas antes de morrer. &#8220;Recolho-me \u00e0 rede da varanda, afino os ouvidos pelo sil\u00eancio das quebradas e leio.&#8221;<\/p>\n<p>Tinha com a sua propriedade uma rela\u00e7\u00e3o de amor e desgosto. &#8220;A Fazenda JK est\u00e1 envenenando a minha vida&#8221;, anotou em seu di\u00e1rio em dezembro de 1974. &#8220;Continuo?&#8221; Continuou, at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>Depois de sua morte, a Fazenda JK foi vendida.<\/p>\n<h4>A \u00fanica derrota nas urnas<\/h4>\n<p>No final da vida, JK quis ingressar na Academia Brasileira de Letras, que \u00e9 aberta n\u00e3o apenas a escritores, mas tamb\u00e9m a expoentes da vida nacional.<\/p>\n<p>Os militares n\u00e3o gostaram \u0096 e pressionaram o presidente da entidade, Austreg\u00e9silo de Athayde, para impor a Juscelino o que seria a sua \u00fanica derrota eleitoral em toda a vida.<\/p>\n<p>A Academia tinha pedido financiamento oficial para construir um edif\u00edcio ao lado de sua sede, no centro do Rio \u0096 em terreno, ali\u00e1s, doado por JK quando presidente. Se ele fosse eleito, o financiamento n\u00e3o sairia.<\/p>\n<p>Apesar das press\u00f5es, sondagens indicavam que poderia ganhar. No dia 23 de outubro de 1975, por\u00e9m, Juscelino perdeu a disputa para o escritor goiano Bernardo \u00c9lis, por vinte votos a dezoito. Recebeu a not\u00edcia na casa da filha Maria Estela, onde havia uma festa preparada. &#8220;Vamos virar essa p\u00e1gina&#8221;, disse ele, e saiu dan\u00e7ando com a filha.<\/p>\n<p><strong>Depois comentaria:<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Me venderam por um bloco de cimento&#8221;. E anotou em seu di\u00e1rio: &#8220;Estou pulverizado por dentro. Pus muita f\u00e9 na minha elei\u00e7\u00e3o. Desejava-a ardentemente, o prest\u00edgio que compensasse os imensos dissabores de 1964. [&#8230;] Nunca imaginei que a derrota pudesse me ferir tanto&#8221;.<\/p>\n<p class=\"imagem\">Dias depois, Athayde convidou JK para um almo\u00e7o e tentou lhe explicar o que ocorrera. JK n\u00e3o deixou. &#8220;Presidente&#8221;, cortou ele, &#8220;sou entendido em mat\u00e9ria de elei\u00e7\u00f5es. Quando se perde, n\u00e3o se deve perguntar por qu\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p>Elegante, fez quest\u00e3o de comparecer \u00e0 posse de \u00c9lis e apertar-lhe a m\u00e3o.<\/p>\n<p>JK pertenceu, desde 1974, \u00e0 Academia Mineira de Letras, e em 1976 recebeu da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores o trof\u00e9u Juca Pato, como o intelectual do ano de 1975.<\/p>\n<h4>A morte de Juscelino<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/juscel11.jpg\" alt=\"Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek\" width=\"437\" height=\"327\" \/><\/p>\n<p><strong>No dia 9 de agosto de 1976, uma not\u00edcia correu o pa\u00eds:<\/strong>\u00a0Juscelino Kubitschek morrera num acidente de estrada. Amigos e jornalistas se precipitaram \u00e0 Fazenda JK, onde n\u00e3o havia telefone \u0096 e o encontraram vivo, sorridente. &#8220;Est\u00e3o querendo me matar, mas ainda n\u00e3o conseguiram&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p><strong>Duas semanas depois, no final da tarde de 22 de agosto, quando a not\u00edcia voltou a correr, era verdade:<\/strong>\u00a0a poucos dias de completar 74 anos, o ex-presidente havia morrido, \u00e0s 17h55, num acidente no quil\u00f4metro 165 da via Dutra, quando viajava de S\u00e3o Paulo para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Segundo o inqu\u00e9rito policial, o Chevrolet Opala 1970 em que ia o ex-presidente, conduzido por Geraldo Ribeiro \u0096 seu motorista desde o primeiro dia como prefeito de Belo Horizonte, em 1940 \u0096, foi atingido, por tr\u00e1s, por um \u00f4nibus. Desgovernado, atravessou o canteiro central e, na outra pista, foi apanhado, de frente, por uma carreta.<\/p>\n<p>D\u00favidas surgidas naquela tarde nunca foram esclarecidas. Poderia tratar-se n\u00e3o de acidente, mas de atentado. O caso foi reaberto quase vinte anos depois, sem que nenhuma evid\u00eancia disso tenha sido encontrada.<\/p>\n<p>Sem endossar a tese de atentado, o escritor Carlos Heitor Cony chamou aten\u00e7\u00e3o para o fato de que as tr\u00eas maiores lideran\u00e7as civis brasileiras desapareceram no espa\u00e7o de poucos meses, todas em circunst\u00e2ncias no m\u00ednimo estranhas, num momento em que o governo do general Ernesto Geisel promovia um lento \u0096 lent\u00edssimo \u0096 movimento de retorno \u00e0 democracia. Carlos Lacerda se internou com uma gripe forte, recebeu uma inje\u00e7\u00e3o e morreu. Jo\u00e3o Goulart, que teria morrido de infarto, foi achado com um travesseiro sobre o rosto.<\/p>\n<p>Anos mais tarde desvendou-se parcialmente um plano conjunto de ditaduras militares do continente sul-americano, a tenebrosa Opera\u00e7\u00e3o Condor, para eliminar opositores inc\u00f4modos. Um deles, o chileno Orlando Letelier, ex-chanceler do governo do presidente socialista Salvador Allende, foi assassinado em Washington a 21 de setembro de 1976. Embora n\u00e3o haja provas, h\u00e1 quem sustente que JK, morto poucos dias antes de Letelier, e Jo\u00e3o Goulart, alguns meses depois, teriam sido, como ele, v\u00edtimas da Opera\u00e7\u00e3o Condor.<\/p>\n<p>&#8220;Democracia neste pa\u00eds, s\u00f3 depois de minha morte&#8221;, dissera JK ao deputado Carlos Murilo \u00e0s v\u00e9speras do acidente que o matou. &#8220;Eles t\u00eam muito medo de mim.&#8221;<\/p>\n<h4>No enterro: &#8220;O povo leva!&#8221;<\/h4>\n<p>Transportado para o Instituto M\u00e9dico Legal do Rio de Janeiro, o corpo de Juscelino Kubitschek foi em seguida velado no sagu\u00e3o do edif\u00edcio da revista Manchete, na praia do Russel, pelo qual, durante toda a manh\u00e3 de 23 de agosto, desfilaram milhares de pessoas.<\/p>\n<p>\u00c0s quatro da tarde, o caix\u00e3o desembarcava em Bras\u00edlia, onde, depois de alguma hesita\u00e7\u00e3o, o governo do general Ernesto Geisel decretou luto oficial \u0096 o primeiro em honra de um advers\u00e1rio do regime militar. O vel\u00f3rio iniciado no Rio prosseguiu na catedral metropolitana.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s emocionada missa de corpo presente, os bombeiros tiveram dificuldade para colocar a urna na carreta que a conduziria ao Campo da Esperan\u00e7a, o cemit\u00e9rio de Bras\u00edlia. Em mais de uma ocasi\u00e3o a multid\u00e3o tomou-a nas m\u00e3os, aos gritos de &#8220;o povo leva! O povo leva!&#8221;.<\/p>\n<p>O cortejo se arrastou por quatro horas, e j\u00e1 eram 23h35 quando o corpo do ex-presidente finalmente baixou \u00e0 sepultura, debaixo de um coro em que &#8220;Viva JK!&#8221; e &#8220;Viva a democracia!&#8221; se alternavam com as estrofes de &#8220;Peixe vivo&#8221;, a can\u00e7\u00e3o preferida de Juscelino, cantadas pela multid\u00e3o.<\/p>\n<p>O t\u00famulo, a poucos metros do de um dos pioneiros da nova capital, o engenheiro Bernardo Say\u00e3o, foi projetado por Oscar Niemeyer, com revestimento de m\u00e1rmore de Carrara que sobrou da constru\u00e7\u00e3o da catedral metropolitana.<\/p>\n<p>Ali o ex-presidente foi reverenciado at\u00e9 12 de setembro de 1981 \u0096 data em que completaria 79 anos de idade \u0096, quando seus restos foram transportados para o rec\u00e9m-constru\u00eddo Memorial JK, tamb\u00e9m projeto de Niemeyer, erguido no ponto mais alto da cidade, o Cruzeiro, o lugar onde a 3 de maio de 1957 se rezou a primeira missa de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>Carmen Lucia de Azevedo, Paulo Cesar de Azevedo, Ana Laura Moura, Humberto Werneck, Carlos Seabra, M\u00e1rio Pina Seabra, Thiago de Azevedo, Roberta Martinelli e Barbosa, Ros\u00e2ngela Sampaio, Ligia Paula Silber, Jos\u00e9 Adolfo Stulman, Paulo Martins Werneck, Jaime Acioli, Jos\u00e9 Silveira Rangel<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: Agb Curitiba\/www.almg.gov.br\/www.memorialdafama.com\/www.canaldaimprensa.com.br\/www.sbhm.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia do Falecimento de Juscelino Kubitschek, Jk, Causa, Local, Data, Morte, Hist\u00f3ria, Presidente, Brasil, Pol\u00edtica, Dia do Falecimento de Juscelino 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