{"id":59839,"date":"2016-07-07T14:38:25","date_gmt":"2016-07-07T14:38:25","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=59839"},"modified":"2022-09-12T12:11:42","modified_gmt":"2022-09-12T14:11:42","slug":"dia-da-unidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-da-unidade-humana","title":{"rendered":"Dia da Unidade Humana"},"content":{"rendered":"<p><strong>Diversidade na escola<\/strong><\/p>\n<p>Pensar sobre esse tema nos leva a imaginar sobre as diversas express\u00f5es culturais existentes, e nos remete a propor uma defini\u00e7\u00e3o sobre cultura. Segundo Chau\u00ed (1995, pg. 50) \u0093A cultura \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o coletiva de id\u00e9ias, s\u00edmbolos e valores pelos quais uma sociedade define para si mesma o bom e o mau, o belo e o feio, o justo e o injusto, o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel, o inevit\u00e1vel e o casual, o sagrado e o profano, o espa\u00e7o e o tempo.<\/p>\n<p>A cultura se realiza porque os seres humanos s\u00e3o capazes de linguagem, trabalho e rela\u00e7\u00e3o com o tempo.<\/p>\n<p>A cultura se manifesta como a vida social, como a cria\u00e7\u00e3o de obras de pensamento e de arte, como vida religiosa e pol\u00edtica.\u0094<\/p>\n<p>A diversificada forma de manifesta\u00e7\u00e3o cultural que o indiv\u00edduo apresenta em sociedade, vem atravessando fases de transforma\u00e7\u00f5es sociais que exige de cada um de nos, maturidade e respeito diante das diferen\u00e7as apresentadas.<\/p>\n<p>Os pressupostos culturais diversos e a din\u00e2mica da transforma\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 not\u00f3rio, e algumas classes sociais (deficientes, ind\u00edgenas, negros etc.) tem sido de alguma forma alvo de esc\u00e1rnio por algum grupo que se julga muitas vezes a voz da express\u00e3o moral, os quais tem estabelecido normas e condutas que devem ser observadas como padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Nestes casos, o respeito \u00e0s diferen\u00e7as n\u00e3o tem sido levado em considera\u00e7\u00e3o, \u00e0 diversidade tem sido vista como algo de horror e uma afronta aos bons costumes, surgindo com isso \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e o preconceito, onde alguns s\u00e3o exclu\u00eddos, s\u00e3o considerados seres inferiores e sem express\u00e3o social, por isso indigno de todo respeito que um cidad\u00e3o merece.<\/p>\n<p>Pensar em Diversidade \u00e9 compreender que somos diferentes uns dos outros, \u00e9 perceber que as diferen\u00e7as existentes precisam ser superadas pelo respeito, e que temos muito que aprender com as diferen\u00e7as. Nesta proposta de transforma\u00e7\u00e3o, a escola poder\u00e1 ser um canal na minimiza\u00e7\u00e3o do preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, mas nem sempre isto \u00e9 visto na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em muitas situa\u00e7\u00f5es os professores n\u00e3o s\u00e3o capacitados para lidar com as adversidades e preconceitos existentes no dia a dia em sala de aula, com isso seus medos e preconceitos, por si s\u00f3, \u00e9 suficiente para que o aluno se exclua.<\/p>\n<p>Uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o excludente e que trabalhe com o objetivo de mitigar as diferen\u00e7as existentes, n\u00e3o \u00e9 tarefa simples, requer qualifica\u00e7\u00e3o por parte do educador, pois para saber lidar com as adversidades \u00e9 necess\u00e1rio conhecer e compreender como elas se manifestam e em que contexto.<\/p>\n<p>Portanto o educador que acolhe seus alunos, dever\u00e1 ser um professor reflexivo que percebe e respeita as diferen\u00e7as de cada um, que promova um ambiente de igualdade, sem limites de fronteiras, e propicia uma seguran\u00e7a que refletir\u00e1 em um melhor e maior desenvolvimento intelectual do educando.<\/p>\n<p>O respeito \u00e0 diversidade precisa ser levado em considera\u00e7\u00e3o pelo professor como algo primordial, imprescind\u00edvel em seu trabalho pedag\u00f3gico, posto que, como assevera Morin: \u0093Cabe \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do futuro cuidar para que a id\u00e9ia de unidade da esp\u00e9cie humana n\u00e3o apague a id\u00e9ia de diversidade e que a da sua diversidade n\u00e3o apague a da unidade. [&#8230;] \u00c9 a unidade humana que traz em si os princ\u00edpios de suas m\u00faltiplas diversidades. Compreender o humano \u00e9 compreender sua unidade na diversidade, sua diversidade na unidade\u0094.<\/p>\n<p>Portanto faz-se necess\u00e1rio pensar a educa\u00e7\u00e3o escolar como um ambiente social de diferentes comportamentos, saberes e linguagens, com a finalidade de promover uma educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente democr\u00e1tica e cidad\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Falar em unidade humana \u00e9 quase uma redund\u00e2ncia, j\u00e1 que a humanidade, por toda sua hist\u00f3ria, demonstra ter a uni\u00e3o como valor inerente aos seus desdobramentos. Desde os prim\u00f3rdios, n\u00f3s nos organizamos em tribos, em grupos&#8230;para o homem, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel viver s\u00f3. A fam\u00edlia, os amigos, os colegas formam c\u00edrculos de conviv\u00eancia dos quais dependemos e sentimos falta.<\/p>\n<p>Estudos de longa data demonstram que faz parte do conv\u00edvio social a forma\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo afetivo constru\u00eddo inicialmente em casa com os pais. Posteriormente, este modelo de contato \u00e9 utilizado para as outras rela\u00e7\u00f5es, em seus v\u00e1rios n\u00edveis. Integrar pessoas, portanto, \u00e9 abrir canais afetivos, que comunicam, todo momento, o que sentimos e como somos.<\/p>\n<p>Deve-se aceitar e permitir que a maravilhosa, rica e plena diversidade humana flores\u00e7a em liberdade completa, alcan\u00e7ando ao mesmo tempo uma unidade interior e experimentando uma sociedade unificada e harmoniosa. H\u00e1 momentos em que a mistura humana parece demasiada, complexa demais, quando tens\u00f5es ocultas v\u00eam \u00e0 tona ou antigos padr\u00f5es de comportamento predominam. Mas na realidade esta mistura \u00e9 perfeita. Fomos feitos para viver em uni\u00e3o.<\/p>\n<h4>Cultura de paz e a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-educativas: desafios para a escola contempor\u00e2nea.<\/h4>\n<p>A paz n\u00e3o pode ser apenas garantida pelos acordos pol\u00edticos, econ\u00f4micos ou militares. No fundo, ela depende do comprometimento un\u00e2nime, sincero e sustentado das pessoas. Cada um de n\u00f3s, independentemente da idade, do sexo, do estrato social, cren\u00e7a religiosa ou origem cultural \u00e9 chamado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um mundo pacificado .<\/p>\n<p>As palavras do Diretor Geral da UNESCO, Ko\u00efchiro Matsuur, pretendem mostrar a necessidade e import\u00e2ncia de estarmos engajados no movimento pela Paz, construindo uma Cultura que permita conjugar atitudes individuais e coletivas em prol do bemestar dos cidad\u00e3os e do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p><strong>Mas, o que significa Cultura da Paz?<\/strong><\/p>\n<p>Construir uma cultura da paz envolve dotar as crian\u00e7as e os adultos de uma compreens\u00e3o dos princ\u00edpios e respeito pela liberdade, justi\u00e7a, democracia, direitos humanos, toler\u00e2ncia, igualdade e solidariedade. Implica uma rejei\u00e7\u00e3o, individual e coletiva, da viol\u00eancia que tem sido parte integrante de qualquer sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da paz pode ser uma resposta a diversos tratados, mas tem de procurar solu\u00e7\u00f5es que advenham de dentro da (s) sociedade (s) e n\u00e3o impostas do exterior.<\/p>\n<p>Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado em seu sentido negativo, quando se traduz em um estado de n\u00e3o-guerra, em aus\u00eancia de conflito, em passividade e permissividade, sem dinamismo pr\u00f3prio; em s\u00edntese, condenada a um vazio, a uma n\u00e3o exist\u00eancia palp\u00e1vel, dif\u00edcil de se concretizar e precisar. Em sua concep\u00e7\u00e3o positiva, a paz n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio da guerra, mas a pr\u00e1tica da n\u00e3o-viol\u00eancia para resolver conflitos, a pr\u00e1tica do di\u00e1logo na rela\u00e7\u00e3o entre pessoas, a postura democr\u00e1tica frente \u00e0 vida, que pressup\u00f5e a din\u00e2mica da coopera\u00e7\u00e3o planejada e o movimento constante da instala\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma cultura de paz implica no esfor\u00e7o para modificar o pensamento e a a\u00e7\u00e3o das pessoas no sentido de promover a paz. Falar de viol\u00eancia e de como ela nos assola, deixa de ser a tem\u00e1tica principal. N\u00e3o que ela v\u00e1 ser esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia-a-dia e temos consci\u00eancia disto. Por\u00e9m, o sentido do discurso, a ideologia que o alimenta, precisa impregn\u00e1-lo de palavras e conceitos que anunciem os valores humanos que decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A viol\u00eancia j\u00e1 est\u00e1 bastante denunciada, e quanto mais falamos dela, mais lembramos sua exist\u00eancia em nosso meio social e ambiental. \u00c9 hora de come\u00e7armos a convocar a presen\u00e7a da paz em n\u00f3s, entre n\u00f3s, entre na\u00e7\u00f5es, entre povos.<\/p>\n<p>Um dos primeiros passos neste sentido, refere-se \u00e0 gest\u00e3o de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencialmente violentos e reconstruir a paz e a confian\u00e7a entre pessoas emergentes de situa\u00e7\u00e3o de guerra, \u00e9 um dos exemplos mais comuns a serem considerados. Tal miss\u00e3o estende-se \u00e0s escolas, institui\u00e7\u00f5es e outros locais de trabalho por todo o mundo, bem como aos parlamentos e centros de comunica\u00e7\u00e3o, a lares e associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O conflito \u00e9 um processo natural e necess\u00e1rio em toda sociedade humana, \u00e9 uma das for\u00e7as motivadoras da mudan\u00e7a social e um elemento criativo essencial nas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Um outro passo \u00e9 tentar erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento sustentado e o respeito pelos direitos humanos, refor\u00e7ando as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, promovendo a liberdade de express\u00e3o, preservando a diversidade cultural e o ambiente.<\/p>\n<p>A cultura da paz est\u00e1 pautada em valores humanos que precisam ser colocados em pr\u00e1tica, a fim de passarem do estado de inten\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o, transformando-se, concretamente, em atos. Tais valores, que se traduzem em \u00e9ticos, morais e est\u00e9ticos, nos encaminham para o despertar de express\u00f5es de amor e manifesta\u00e7\u00f5es de respeito, que t\u00eam estado adormecidas, nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Os homens, ao definirem sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao amor, tradicionalmente t\u00eam definido tamb\u00e9m sua posi\u00e7\u00e3o diante da vida, da\u00ed a import\u00e2ncia do mesmo, j\u00e1 que esta necessidade claramente humana n\u00e3o se expressa exclusivamente no amor conjugal &#8230; mas inclui, al\u00e9m disso, o amor aos filhos, aos pais, aos amigos, \u00e0 p\u00e1tria e outras formas de manifesta\u00e7\u00e3o desse afeto que se encontra na base do comportamento humano.<\/p>\n<p>O amor, em seus diversos modos, vem sendo relegado a um segundo plano, pelas pessoas que acabam priorizando a necessidade de obter \u00eaxito em seu trabalho ou de resolver as dificuldades da vida di\u00e1ria. O que tem provocado, por uma lado, ignorar o pr\u00f3prio potencial que temos para amar, e por outro, minimizar sua import\u00e2ncia. Mostrar, livre e sem inibi\u00e7\u00e3o, nossa capacidade de amar tem sido uma tarefa das mais dif\u00edceis, atualmente.<\/p>\n<p>Isto porque, idiosincrasias e identidades nacionais, al\u00e9m de influ\u00eancias sociais, acrescidas da idade, sexo, escolaridade, ocupa\u00e7\u00e3o e outros constituintes da especificidade psicol\u00f3gica de cada um, repercutem sobre o modo como assumimos o amor. Assim, ele pode ser considerado como uma parte especial da cultura contempor\u00e2nea, na qual encontram-se uma s\u00e9rie de valores, atitudes e formas de comportamento.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 um sentimento que se caracteriza por envolver a personalidade como um todo, traduzindo-se em valoriza\u00e7\u00e3o pessoal e auto-estima. Ou seja, se converte em um motor que impulsiona e regula a conduta de algu\u00e9m no sentido de compelir \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o ou propor coisas que antes n\u00e3o eram sequer cogitadas.<\/p>\n<p>Obviamente, n\u00e3o podemos perder de vista nosso contexto atual, pois, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, que os processos de automa\u00e7\u00e3o, a velocidade do cotidiano e, de um modo geral, os complexos e amea\u00e7adores tempos que vivemos, est\u00e3o latentes em nossa subjetividade e possuem um valor estressante, modificando a atitude e concep\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno amoroso. A isto se juntam velhos v\u00edcios que, ainda hoje, permeiam a educa\u00e7\u00e3o e a orienta\u00e7\u00e3o que os pais d\u00e3o aos filhos, educando a menina e o menino com padr\u00f5es psicol\u00f3gicos e morais totalmente diferentes. O que acaba se estendendo aos contextos escolares e funcionando como impedidores da manifesta\u00e7\u00e3o do amor em sua vers\u00e3o mais simples.<\/p>\n<p>Compreendemos que \u00e9 imprescind\u00edvel que os meios de comunica\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, as escolas e universidades, assim como todos os que, a t\u00edtulo individual ainda acreditam na necessidade deste sentimento, divulguem-no, educando e propagando-o sob formas de interc\u00e2mbio e comunica\u00e7\u00e3o entre casais, entre pais e filhos, com o resto da fam\u00edlia e a sociedade em geral. O amor, entendido como um componente essencial da cultura \u00e9, n\u00e3o s\u00f3, causador de um desfrute est\u00e9tico para quem o possui, como tamb\u00e9m provoca o bem-estar f\u00edsico, ps\u00edquico e social, transformando-se em um poderoso meio promotor de sa\u00fade e autodesenvolvimento humano.<\/p>\n<p>\u00c9 ent\u00e3o no entrela\u00e7amento paz \u0096 desenvolvimento \u0096 direitos humanos \u0096 democracia, que podemos vislumbrar a Educa\u00e7\u00e3o para a Paz.<\/p>\n<p>&#8230; Um processo educativo, din\u00e2mico, cont\u00ednuo e permanente, fundamentado no conceito de paz positiva e na perspectiva criativa do conflito, como elementos significantes e definidores, e que, atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de enfoques s\u00f3cio-afetivos e problematizantes, pretende desenvolver um novo tipo de cultura, a cultura de paz, que ajude as pessoas a desvelar criticamente a realidade para poder situar-se frente a ela e, conseq\u00fcentemente, atuar.<\/p>\n<p><strong>Complexidade e Transdisciplinaridade<\/strong><\/p>\n<p>O paradigma da complexidade &#8230; incita a distinguir e fazer comunicar, em vez de isolar e de separar, a reconhecer os tra\u00e7os singulares, originais, hist\u00f3ricos dos fen\u00f4menos, em vez de lig\u00e1-los pura e simplesmente a determina\u00e7\u00f5es ou leis gerais, a conceber a unidade- multiplicidade de toda entidade, em vez de a heterogeneizar em categorias separadas ou de a homogeneizar em indistinta totalidade.<\/p>\n<p>As palavras de Morin nos levam a refletir sobre a necessidade de serem pensados, cientificamente e com consci\u00eancia, os princ\u00edpios que regem nossas pr\u00e1ticas, seja em pesquisa ou estudos, seja no cotidiano. Um outro olhar est\u00e1 convocado a ser posto sobre o que fazemos ou investigamos.<\/p>\n<p>Alguns componentes deste desafio, e que podem ser nominados de Constituintes da Complexidade, s\u00e3o fundamentais para o nosso prop\u00f3sito imediato. A come\u00e7ar queremos chamar a aten\u00e7\u00e3o para a insufici\u00eancia do Princ\u00edpio da Universalidade, que, partindo de concep\u00e7\u00f5es generalizadoras, estabelece como refer\u00eancia o que \u00e9 homog\u00eaneo, nivelando e criando padr\u00f5es a serem seguidos e ou acreditados como definitivos, sem que a rela\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal tenha qualquer relev\u00e2ncia. Por outro lado, impede que sejam consideradas as diferen\u00e7as como informa\u00e7\u00f5es importantes e necess\u00e1rias, para dedicar-lhe o status de insuficientes ou an\u00f4malas.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mais deixar de ter em conta a refer\u00eancia e a interfer\u00eancia da hist\u00f3ria e seu percurso; os atravessamentos s\u00f3cio-culturais, pol\u00edtico-econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00f3 pertencem, como integram a constitui\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento humanos. Logo, nos deparamos com a impossibilidade utilizar apenas o universal como par\u00e2metro, pois que o dado singular tamb\u00e9m marca a sua presen\u00e7a. Em uma palavra, universal e singular coexistem. Assim, torna-se impratic\u00e1vel isolar unidades, pois elas j\u00e1 s\u00e3o dotadas de multiplicidade.<\/p>\n<p>Seguindo esta diretriz, podemos perceber que a rela\u00e7\u00e3o causal de condu\u00e7\u00e3o linear, ou seja, a premissa \u0093se isto, ent\u00e3o aquilo\u0094, d\u00e1 lugar a uma outra l\u00f3gica de pensamento regida pelo princ\u00edpio da endoexocausalidade. Isto \u00e9, a \u00eanfase est\u00e1 no que se constr\u00f3i a partir da rela\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 interno, individual, e o que \u00e9 externo, coletivo. Assim, o crit\u00e9rio de previsibilidade que oferece condi\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia controlar os fen\u00f4menos, necessariamente trope\u00e7a na imprevisibilidade que se efetiva como fato. E acontecimentos inesperados se colocam como pregnantes e indispens\u00e1veis de serem analisados.<\/p>\n<p>Tais pressupostos viabilizam abordar a diversidade cultural em bases que acompanham o rigor de qualquer estudo cient\u00edfico, sem engess\u00e1-la ou tentar enquadr\u00e1-la em modelos tradicionalmente institu\u00eddos como dotados de credibilidade. Para o ser humano, ainda que pare\u00e7a uma aventura, passa a ser condi\u00e7\u00e3o \u0093sine qua non\u0094 reconhecer-se em sua humanidade e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo o que \u00e9 humano. Deste modo, ele \u00e9 singular e m\u00faltiplo em sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Os que v\u00eaem a diversidade das culturas tendem a minimizar ou a ocultar a unidade humana; os que v\u00eaem a unidade humana tendem a considerar como secund\u00e1ria a diversidade das culturas. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 apropriado conceber a unidade que assegure e favore\u00e7a a diversidade, a diversidade que se inscreve na unidade.<\/p>\n<p>Responder a pergunta sobre \u0093Quem somos?\u0094 n\u00e3o pode estar separado de onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. Em outras palavras, a unidade humana n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no fato de pertencer \u00e0 esp\u00e9cie e a diversidade humana n\u00e3o se encontra apenas nos conte\u00fados psicol\u00f3gicos, culturais, sociais, pol\u00edticos, religiosos, mas \u00e9 no movimento de entrela\u00e7ar todos os componentes que se constr\u00f3i a rede interativa caracter\u00edstica do desenvolvimento, verdadeiramente, humano.<\/p>\n<p>O ponto de partida de que falamos, pressup\u00f5e uma maneira de funcionar que possa legitimar sua proposta, estabelecendo m\u00e9todos de proceder que unam a suposta teoria com a pr\u00e1tica. Obviamente, este outro modo de perceber o ser humano carece de uma metodologia para abord\u00e1-lo e, por extens\u00e3o o seu entorno, que leve em conta o que est\u00e1 para al\u00e9m de cada uma destas inst\u00e2ncias. Ou seja, ter a visibilidade do que transcende uma e outra, n\u00e3o sendo poss\u00edvel estudar separadamente cada fac\u00e7\u00e3o, ou mesmo imprimir como determinante alguma das partes. Em uma palavra, utilizar a perspectiva transdisciplinar.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ando m\u00e3o do velho exemplo culin\u00e1rio para ilustrar o que dizemos, vamos descascar algumas frutas (banana, laranja, mam\u00e3o e p\u00eara, por exemplo), cort\u00e1-las em peda\u00e7os e coloc\u00e1-las em um recipiente. Ao mistur\u00e1-las, temos uma salada de frutas. Esta sobremesa, de sabor pr\u00f3prio, mant\u00e9m seus constituintes reconhec\u00edveis e, caso n\u00e3o se goste de alguma das frutas, podemos separ\u00e1-la, e n\u00e3o com\u00ea-la. Caracterizamos com isto, a possibilidade de desconsiderar algo que pertence ao prato servido, ou priorizar uma parte para saborear.<\/p>\n<p>Agora, em vez de misturar os peda\u00e7os de frutas em um recipiente, vamos coloc\u00e1-los no copo do liq\u00fcidificador e lig\u00e1-lo, fazendo uma vitamina. O que podemos constatar? A composi\u00e7\u00e3o \u00e9 outra e apresenta um novo sabor. As frutas que l\u00e1 est\u00e3o e que permanecem sendo as que coloquei na mistura anterior (banana, laranja, mam\u00e3o e p\u00eara, por exemplo), est\u00e3o entrela\u00e7adas de tal forma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separ\u00e1las, eliminar alguma delas, ou priorizar qualquer uma das partes que constitui o composto, que \u00e9 \u00fanico e m\u00faltiplo a um s\u00f3 tempo. As frutas est\u00e3o para al\u00e9m delas mesmas, transcendendo uma a outra.<\/p>\n<p>Com tal ilustra\u00e7\u00e3o pretendemos apontar que a transdisciplinaridade se mostra como uma perspectiva metodol\u00f3gica poss\u00edvel para estudarmos o ser humano em sua amplitude, porque ela nos permite abord\u00e1-lo em sua complexidade, considerando a coexist\u00eancia do que \u00e9 individual e coletivo, singular e plural, espec\u00edfico e geral, respeitando a rede de intera\u00e7\u00f5es que constituem a teia da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es S\u00f3cio-Educativas<\/strong><\/p>\n<p>O princ\u00edpio que inspira as a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-educativas parte do reconhecimento das diferen\u00e7as entre pessoas e grupos. Ele vai nos dar a chave para realizar uma a\u00e7\u00e3o conjunta com todas as partes implicadas, para efetuar mudan\u00e7as que incidam sobre a melhora da qualidade de vida. Fomentando a consci\u00eancia cr\u00edtica e favorecendo a transforma\u00e7\u00e3o social, o processo educativo passa a ser responsabilidade n\u00e3o s\u00f3 das pessoas diretamente envolvidas com ele (pais e filhos, professores e alunos&#8230;), mas tamb\u00e9m da comunidade a que pertencem. Interven\u00e7\u00e3o que teria como finalidade possibilitar e promover estilos de vida alternativos, que favoreceriam o crescimento pessoal, tanto individual como o coletivo, ajudando e apoiando os menores e os jovens a realizar elei\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis positivas e cr\u00edticas.6<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-educativas deve envolver mulheres e homens de todos os n\u00edveis da sociedade numa larga e cruzada rede de atividades, que permitam colocar em pr\u00e1tica os pressupostos te\u00f3ricos e os princ\u00edpios metodol\u00f3gicos que regem a Cultura de Paz.<\/p>\n<p><strong>As bases que alicer\u00e7am as a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-educativas est\u00e3o voltadas a:<\/strong><\/p>\n<p>Identificar formas de viol\u00eancia. &#8211; Adquirir h\u00e1bitos de discuss\u00e3o e posicionamento cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s realidades sociais passadas e atuais. &#8211; Desenvolver o esp\u00edrito de toler\u00e2ncia e a capacidade de di\u00e1logo. &#8211; Construir um quadro de valores humanistas em que a solidariedade surja como suporte l\u00f3gico de todos os comportamentos individuais e coletivos.<\/p>\n<p>Desenvolver atitudes de solidariedade em rela\u00e7\u00e3o ao \u0093outro\u0094: indiv\u00edduo, povo, cultura. &#8211; Adquirir h\u00e1bitos de discuss\u00e3o e posicionamento cr\u00edtico face a outros povos. &#8211; Identificar situa\u00e7\u00f5es de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Identificar as \u0093justificativas\u0094 para atentados \u00e0 liberdade individual e refletir sobre as mesmas.<\/p>\n<p>Contribuir para a conscientiza\u00e7\u00e3o do papel de cada um e de todos no combate \u00e0s diferentes formas de discrimina\u00e7\u00e3o. &#8211; Identificar meios e profissionais da comunica\u00e7\u00e3o social que servem \u00e0 defesa dos direitos dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Identificar indicadores de viol\u00eancia \u0096 Relacionar o saber cient\u00edfico com as viv\u00eancias sociais<\/p>\n<p>Promover h\u00e1bitos de pesquisa<\/p>\n<p>Clarificar conceitos<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o para a Paz est\u00e1 \u0096 tem de estar \u0096 presente em todas as palavras, todas as atitudes, todos os momentos de todos os dias.<\/p>\n<p>Como podem as id\u00e9ias e os ideais ligados pela express\u00e3o \u0093Cultura de Paz\u0094 serem transformados em pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es, p\u00fablicas e privadas, que mudem as vidas, onde quer que elas sejam ou estejam?<\/p>\n<p>Esta pergunta, que nos inquieta a todos, pode ser respondida com sugest\u00f5es a serem exercidas na pr\u00e1tica educativa, que t\u00eam como principal argumento as informa\u00e7\u00f5es advindas do cotidiano. Tais a\u00e7\u00f5es, tipicamente s\u00f3cio-educativas, est\u00e3o pautadas na singularidade do desenvolvimento humano sustentado pela intera\u00e7\u00e3o sujeito-mundo, a qual nos permite compreender a proposta pedag\u00f3gica de Paulo Freire, por um lado, e as concep\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas de Vigotski, por outro, proporcionando uma interpenetra\u00e7\u00e3o pertinente \u00e0 vis\u00e3o transdisciplinar.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o educativa de alfabetizar como compreens\u00e3o \u0093da palavra e do mundo\u0094 (o texto e o contexto), por exemplo, se converte em praxis transformadora, porque, ao tomar conhecimento daquilo que o rodeia, o homem passa da esfera mec\u00e2nica e passiva de apreens\u00e3o da realidade para a dimens\u00e3o cr\u00edtica e participativa, na qual a consci\u00eancia aflora como fruto do processo de a\u00e7\u00e3o-reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Humano sugerida por Vigotski, sustentada pela intera\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias psicol\u00f3gicas, antropol\u00f3gicas e org\u00e2nicas, permite vislumbrar o sujeito em sua complexidade. Ademais, o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, definido tamb\u00e9m por ele, admite como ponto de partida, acreditar que somos dotados de potencialidades que, ao serem estimuladas, favorecem o aparecimento de manifesta\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis, inesperadas, alimento de nossa criatividade.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa baseada na interlocu\u00e7\u00e3o Freire-Vigotski, adv\u00e9m do di\u00e1logo acerca dos problemas das pessoas, favorecendo a que elas expressem o mundo em que vivem a partir do seu modo de conceb\u00ea-lo. E, nesta intera\u00e7\u00e3o, tomar consci\u00eancia do que \u00e9 vivido pelo pr\u00f3prio grupo e a realidade concreta do dia-a-dia que o cerca. Assim, a a\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa se efetiva atrav\u00e9s de dois princ\u00edpios: o da realidade objetiva e o do interesse individual\/coletivo. Toda a\u00e7\u00e3o educativa pretende alcan\u00e7ar um fim, um objetivo que n\u00e3o permite a neutralidade.<\/p>\n<p>Os principais problemas da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente quest\u00f5es pedag\u00f3gicas, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>No caso dos jovens, quando come\u00e7am a n\u00e3o ir mais para a escola, quando a terminam mais mal do que bem e n\u00e3o t\u00eam perspectivas nem formativas, nem de trabalho, quando em seu grupo social restrito vivem como algo \u0093normal\u0094 o estar sem fazer nada, isto gera um cotidiano isento de normas, de responsabilidade e de preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando estes adolescentes e jovens, pontualmente algum(a) menor, interiorizam, estas formas de funcionamento em que se sentem livres das normas e limites do sistema social, sem se dar conta de que outras normas e outros limites est\u00e3o movendo suas atua\u00e7\u00f5es, quando a rua se converte para eles(as) em um espa\u00e7o enganoso de liberdade, educadores e educadoras, temos que recuperar a rua como um espa\u00e7o livre e educativo. Educativo n\u00e3o no sentido que eles recha\u00e7am, mas no de recuperar e reconstruir aqueles valores positivos, como a solidariedade e o companheirismo, que v\u00e3o sendo esquecidos, ou quando existem, est\u00e3o sendo manipulados pelas circunst\u00e2ncias do pr\u00f3prio contexto; de torn\u00e1-los conscientes da realidade \u0093t\u00e3o pouco livre\u0094 que vivem; de viabilizar alternativas para suas necessidade, car\u00eancias e problem\u00e1ticas. Mas, fundamentalmente, no sentido de conhecerem possibilidades diferentes de rela\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o, em que \u00e9 poss\u00edvel expressarem suas opini\u00f5es, transformando-se assim em protagonistas de suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p>Deste modo, um dos passos para que o jovem se perceba socialmente produtivo \u00e9 permitindo que participe do mercado de trabalho a partir de sua profissionaliza\u00e7\u00e3o. Entretanto, para que esta escolha seja valorizada, ela deve estar vinculada ao interesse do pr\u00f3prio jovem, ao respeito por sua op\u00e7\u00e3o de carreira a seguir, e n\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o do adulto que n\u00e3o quer mais lhe ver como um indolente. S\u00f3 assim, eles estar\u00e3o reconhecendo a exist\u00eancia de suas potencialidades, se apropriando de suas capacidades, seus afetos, modos de comportamento mais positivos, mais humanos, que transcendem a sua pessoa e o seu entorno.<\/p>\n<p>A perspectiva preventiva da a\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa se faz a partir do momento em que \u00e9 poss\u00edvel utilizar outras formas de se relacionar, de atuar e participar, ocorrendo uma leitura nova e positiva da bagagem pessoal que cada um traz consigo.<\/p>\n<p>Em resumo, esta a\u00e7\u00e3o quando pretende estimular as potencialidades do jovem, despertando e favorecendo seu papel de protagonista<\/p>\n<p>Constitui o momento do processo educativo no qual se v\u00e3o tra\u00e7ar objetivos educativos que impliquem em responsabilidade, organiza\u00e7\u00e3o, normas e limites na conviv\u00eancia, no compartilhar &#8230; e tudo isto com a finalidade de que descubram outras experi\u00eancias que lhes fa\u00e7am sentir-se pessoas com capacidade de op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n<p>Arquero, M. (1998). Educaci\u00f3n de calle: hacia un modelo de intervenci\u00f3n en marginaci\u00f3n juvenil. 2.ed. Madrid: Editorial Popular.<\/p>\n<p>Jares, X.R. (1999). Educaci\u00f3n para la paz: su teor\u00eda e pr\u00e1tica. 2.ed.Madrid: Editorial Popular.<\/p>\n<p>Lara, I. S. &amp; Silva, M. M. (2000). Por uma pedagogia para a n\u00e3o viol\u00eancia. Porto: Profedi\u00e7\u00f5es Ltda.<\/p>\n<p>Morin, E. (1996). Ci\u00eancia com consci\u00eancia. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.<\/p>\n<p>Morin, E. (2000). Os sete saberes necess\u00e1rios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do futuro. S\u00e3o Paulo: Cortez.<\/p>\n<p>Ortiz, F. C. &amp; Ortiz, R.P. (20001). Amor vs amor. Cuba: Ed. Puebloy Educaci\u00f3n.<\/p>\n<p>Osorio, A. R. (2001). Conocer para transformar. Encarte. Barcelona: Cisspraxis.<\/p>\n<p>Vygotsky, L. (1988). A forma\u00e7\u00e3o social da mente: o desenvolvimento dos processos psicol\u00f3gicos superiores. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n<p>A unidade humana, sem a consci\u00eancia do indiv\u00edduo, seria somente a express\u00e3o de um rebanho. O plano de Deus para a evolu\u00e7\u00e3o progride mediante a expans\u00e3o da consci\u00eancia, at\u00e9 incorporar as mais amplas e inclusivas esferas do ser.<\/p>\n<p>Os s\u00e1bios antigos sempre ensinaram que a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade n\u00e3o se desenvolve, simplesmente, por acidente ou casualidade, mas sob o esbo\u00e7o de um plano e desejo concebidos por Deus e reconhecidos pelas mentes humanas, que s\u00e3o receptivas \u00e0 sua impress\u00e3o. Diziam que o plano, para esse particular ciclo da hist\u00f3ria humana, tem tr\u00eas objetivos: elevar o n\u00edvel da consci\u00eancia humana, aclarar a situa\u00e7\u00e3o internacional por meio do estabelecimento de justas rela\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es do mundo e promover o crescimento da id\u00e9ia de grupo.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia de liberdade, elemento t\u00e3o inerente ao pensamento e aspira\u00e7\u00e3o humanos, \u00e9 um passo necess\u00e1rio na evolu\u00e7\u00e3o. Entretanto, quando est\u00e1 erroneamente orientada, a busca da liberdade pode se manifestar no desejo de ser independente do todo e na \u00eanfase sobre a diferen\u00e7a dos demais. Isso conduz a um potencial para o que \u00e9, segundo se diz, o \u00fanico e verdadeiro mal: a separatividade.<\/p>\n<p>Partindo dessa premissa, h\u00e1 que se integrar o valor do indiv\u00edduo \u00e0 realidade da humanidade. Existe um curioso atributo da natureza humana: a necessidade de se auto- definir, definir a pr\u00f3pria identidade, por parte de um grupo maior e separado. De alguma maneira, \u00e0s vezes, parece que a rea\u00e7\u00e3o da humanidade ante a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o desenvolvimento de uma consci\u00eancia tribal &#8211; uma vis\u00e3o cada vez mais estreita do que constitui o pr\u00f3prio grupo, sua pr\u00f3pria identidade e filia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o diz respeito, essencialmente, aos n\u00edveis externos dos acontecimentos mundiais. N\u00e3o obstante, se a humanidade responder sabiamente a tal fen\u00f4meno, despertar\u00e1 para a percep\u00e7\u00e3o da unidade que pulsa em toda a vida. A ra\u00e7a humana deve sempre desenvolver o sentido de universalidade da unidade humana.<\/p>\n<p>Assim poderemos contemplar o desenvolvimento do plano de Deus, na expans\u00e3o da consci\u00eancia, revelada pela crescente disponibilidade da educa\u00e7\u00e3o de massa e do reconhecimento, cada dia mais amplo, de culturas e experi\u00eancias de indiv\u00edduos, cujas vidas s\u00e3o muito diferentes das nossas.<\/p>\n<p>Verificamos, tamb\u00e9m, que a globaliza\u00e7\u00e3o, de algum modo, est\u00e1 ocorrendo antes que o sentido de universalidade esteja suficientemente ancorado na consci\u00eancia humana. O impacto que exerce o sentido da totalidade sobre a consci\u00eancia, ainda que assustador, \u00e9 profundamente reconfortante, pois, apesar de estarmos submersos no todo, n\u00e3o perdemos nossa identidade.<\/p>\n<p>A onda de globaliza\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas \u00e9 somente o come\u00e7o. N\u00e3o sabemos, realmente, aonde estamos indo, mas \u00e9 claro que a humanidade determinar\u00e1 o seu destino em coletividade.<\/p>\n<p>Fonte: www.cead.ueg.br\/Auroville International\/pepsic.bvs-psi.org.br\/www.quiosque.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia da Unidade Humana, Diversidade, Hist\u00f3ria, Uni\u00e3o, Cultura, Respeito, Import\u00e2ncia, Humanidade, Conviv\u00eancia, Dia da Unidade Humana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[300],"tags":[],"class_list":["post-59839","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-calendario-comemorativo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Dia da Unidade Humana, Diversidade Dia da Unidade 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