{"id":59835,"date":"2016-07-07T14:38:24","date_gmt":"2016-07-07T14:38:24","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=59835"},"modified":"2022-10-20T09:22:31","modified_gmt":"2022-10-20T11:22:31","slug":"dia-da-habitacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-da-habitacao","title":{"rendered":"Dia da Habita\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<p><strong>21 de Agosto<\/strong><\/p>\n<p>O dia da habita\u00e7\u00e3o deve servir para nos lembrarmos n\u00e3o s\u00f3 da import\u00e2ncia de se ter um lar, mas da infelicidade das pessoas que n\u00e3o conseguem ao menos exercer um de seus direitos b\u00e1sicos: o de ter um lugar para morar.<\/p>\n<p>Grande parte da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda fica \u00e0 margem do mercado imobili\u00e1rio legal, n\u00e3o tendo outra alternativa sen\u00e3o buscar formas irregulares de habita\u00e7\u00e3o ou ocupa\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p>Apesar de o governo abrir programas de financiamento habitacional para acesso \u00e0 casa pr\u00f3pria, muitos n\u00e3o possuem os meios necess\u00e1rios para arcar com os custos desses financiamentos e s\u00e3o obrigados a ocupar loteamentos clandestinos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes tipos de moradia, existem os domic\u00edlios particulares improvisados, ou seja, localizados em unidade n\u00e3o-residencial (loja, f\u00e1brica, etc.) que n\u00e3o tinham depend\u00eancias destinadas exclusivamente \u00e0 moradia, mas que est\u00e3o ocupados por morador. Isso inclui tamb\u00e9m os pr\u00e9dios em constru\u00e7\u00e3o, vag\u00f5es de trem, carro\u00e7as, tendas, barracas, grutas etc.<\/p>\n<p>No desespero por um &#8220;teto&#8221;, in\u00fameras pessoas prejudicam o meio ambiente e se arriscam, diariamente, ao fixarem resid\u00eancia em encostas de morros (como no Rio de Janeiro e na Bahia), \u00e0 beira de lagos e represas e em outros locais igualmente perigosos.<\/p>\n<p>Em 1964, o governo federal criou o Sistema Financeiro de Habita\u00e7\u00e3o para facilitar a aquisi\u00e7\u00e3o da casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Administrado pelo extinto Banco Nacional de Habita\u00e7\u00e3o (BNH), o sistema favorece, preferencialmente, fam\u00edlias de baixa renda.<\/p>\n<p>Antes do per\u00edodo neol\u00edtico, na pr\u00e9-hist\u00f3ria, o homem escavava abrigos ou se instalava em cavernas. Por volta de 4000 a.C \u00e9 que come\u00e7am a aparecer as primeiras muralhas e casas de pedra, tijolo ou madeira.<\/p>\n<p>V\u00e1rios tipos de constru\u00e7\u00f5es foram surgindo desde ent\u00e3o, como as do estilo bizantino, do rom\u00e2nico, do g\u00f3tico, do barroco, at\u00e9 os edif\u00edcios arranha-c\u00e9us de nosso tempo.<\/p>\n<p><strong>Essas contru\u00e7\u00f5es tinham uma finalidade muito espec\u00edfica<\/strong><\/p>\n<p>Servir de habita\u00e7\u00e3o para o homem em todas as \u00e9pocas hist\u00f3ricas. Mas o que vem a ser uma habita\u00e7\u00e3o? Trata-se de um lugar onde se vive, que voc\u00ea ocupa como resid\u00eancia, ou seja, o lugar em que voc\u00ea mora.<\/p>\n<p>Em 21 de agosto, comemoramos o dia da habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Dia da Habita\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/dia-nacional-hab.jpg\" alt=\"Dia da Habita\u00e7\u00e3o\" width=\"339\" height=\"238\" \/><\/h2>\n<p>Na d\u00e9cada de 1920, os discursos das revistas examinadas se centram na id\u00e9ia de que a constru\u00e7\u00e3o de &#8220;habita\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas&#8221; pelo poder p\u00fablico resolveria o problema habitacional. Tais habita\u00e7\u00f5es substituiriam os &#8220;casebres&#8221; e as &#8220;casas de c\u00f4modos&#8221;, considerados a origem de quase todos os males. Especialmente interessante nesse sentido \u00e9 uma mat\u00e9ria p\u00fablicada &#8211; &#8220;As favellas v\u00e3o desapparecer&#8221; (A Casa, 1927, n.44, p.17. Inicialmente, as &#8220;favellas&#8221; (termo ent\u00e3o ainda escrito sempre entre aspas) s\u00e3o caracterizadas como um problema comum do mundo moderno.<\/p>\n<p>Como todas as grandes cidades, o Rio tamb\u00e9m possui bairros pobres, apresentando chocante contraste com a civiliza\u00e7\u00e3o que bem ao lado se desenvolveu. Mas existe a percep\u00e7\u00e3o de sua exacerba\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de uma preocupa\u00e7\u00e3o com a imagem da cidade para o estrangeiro que nos visita que n\u00e3o pode ter sen\u00e3o p\u00e9ssima impress\u00e3o ao deparar em pleno centro urbano, com infectos casebres, amontoados sobre os morros que se erguem no cora\u00e7\u00e3o da Capital<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao mesmo tempo, parece haver consci\u00eancia de que a simples remo\u00e7\u00e3o dessas moradias tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o, pois leva a novos problemas. &#8220;Andariam, pois, acertadamente os poderes p\u00fablicos se, em vez de ordenar como fizeram a demoli\u00e7\u00e3o desses casebres, tivessem anteriormente cogitado da constru\u00e7\u00e3o de pequenas casas higi\u00eanicas para abrigar enorme massa popular que est\u00e1 sendo deslocada desses morros&#8221;. Como isso n\u00e3o foi feito, constata o autor do artigo, novos desabrigados ir\u00e3o se &#8220;juntar \u00e0 fileira dos que j\u00e1 vinham luctando contra a falta de moradia&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda na mesma linha de racioc\u00ednio &#8211; devem ser constru\u00eddas casas unifamiliares, entregues prontas aos usu\u00e1rios &#8211; apresentam-se &#8220;modelos&#8221; de casas, seguindo os princ\u00edpios fundamentais do espa\u00e7o da elite, ou seja, espa\u00e7os hierarquizados, sem sobreposi\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es (da\u00ed os nomes dos c\u00f4modos: sala de jantar, sala de estar, cozinha, etc.). A mat\u00e9ria intitulada &#8220;Habita\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica&#8221; (A Casa, 1929, n.59, p.22-23) traz uma casa de 90m2, com dois pavimentos, amplas janelas e uma porta de entrada que lhe d\u00e1 ares burgueses e mereceu destaque no texto: o p\u00f3rtico d\u00e1 acesso a duas portas, uma abrindo para a sala de visitas e outra para a sala de jantar.<\/p>\n<p>Algumas vezes, essa imagem das moradias parece mais importante do que seu espa\u00e7o interno, mostra o artigo &#8220;Casas de Madeira e Cimento&#8221; (A Casa, 1927, n.36, p.17. S\u00e3o apresentados dois projetos de habita\u00e7\u00e3o com desenhos de fachadas, perspectivas e alguns detalhes dos materiais, mas sem indica\u00e7\u00f5es sobre o espa\u00e7o interno. Este mesmo artigo tamb\u00e9m ilustra a introdu\u00e7\u00e3o do uso do cimento na constru\u00e7\u00e3o habitacional. Esse material aparece como extremamente moderno e flex\u00edvel, mas se prestaria tamb\u00e9m a formas tradicionais. Como a imagem do projeto \u00e9 de uma cabana, pode ser usado para fins decorativos: o uso de pedras para fazer uma base r\u00fastica \u00e9 de grande efeito; entretanto, as mesmas podem ser substitu\u00eddas por uma imita\u00e7\u00e3o feita com cimento.<\/p>\n<p>Cabe por fim destacar o encantamento (n\u00e3o necessariamente efetivo) pela possibilidade de industrializa\u00e7\u00e3o de componentes da constru\u00e7\u00e3o, como as &#8220;Chapas que substituem os pequenos ladrilhos ou azulejos&#8221; (A Casa, 1927, n.36, p.22) rec\u00e9m lan\u00e7adas &#8220;na Am\u00e9rica&#8221;.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1930<\/strong><\/h4>\n<p>Ainda que n\u00e3o sejam apresentadas mudan\u00e7as significativas na produ\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o durante a d\u00e9cada de 30, algumas propostas alternativas s\u00e3o apresentadas. Como exemplo, temos a indica\u00e7\u00e3o de um outro modo de viver que rompe a hierarquia dos espa\u00e7os r\u00edgidos por meio de um ambiente integrado, dividido por cortinas e sem espa\u00e7os de servi\u00e7o, da &#8220;Casa do solteiro&#8221; (A Casa, 1930, n.70, p.53).<\/p>\n<p>A justificativa para a aus\u00eancia das \u00e1reas de servi\u00e7o apresenta-se como reflexo das mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho dom\u00e9stico: &#8220;nos tempos de hoje, com a falta crescente de empregados que se v\u00e1e verificando em toda parte, s\u00e3o in\u00fameras as simplifica\u00e7\u00f5es que se vem introduzindo nas diversas depend\u00eancias da habita\u00e7\u00e3o, afim de facilitar n\u00e3o s\u00f3 as arruma\u00e7\u00f5es como os pr\u00f3prios movimentos dos moradores&#8221;.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a proposta da &#8220;Casa girat\u00f3ria&#8221; (A Casa, 1930, n.72, p.14) que permite ao morador escolher o melhor posicionamento da casa para desfrute do sol, do ar e da luz, esbarrando, ainda que superficialmente, na discuss\u00e3o sobre a autonomia do usu\u00e1rio. Neste projeto, &#8220;a construc\u00e7\u00e3o descan\u00e7a numa plataforma an\u00e1loga \u00e1 empregada nas esta\u00e7\u00f5es de estradas de ferro&#8221;.<\/p>\n<p>Contudo, esses conceitos mostram-se ainda fr\u00e1geis. Artigos como os das &#8220;Casas Geminadas&#8221; (A Casa, 1930, n.78, p.7 e das &#8220;Casas Populares&#8221; (A Casa, 1931, n.81, p.21) mostram que as premissas do projeto de moradias ainda eram muito gen\u00e9ricas, isto \u00e9, sem nenhum aprofundamento conceitual, espacial ou t\u00e9cnico-construtivo. O primeiro artigo apresenta o desenho de duas casas similares, com \u00e1rea entre 45 e 50m2, dois quartos, cozinha, copa, sala e banho. J\u00e1 o segundo artigo apresenta o projeto atrav\u00e9s de fotos e desenhos da fachada principal, mas, ambos sem nenhuma refer\u00eancia conceitual ou t\u00e9cnica do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O debate da autonomia do usu\u00e1rio, presente nestes dois artigos anteriores, \u00e9, de fato, incipiente j\u00e1 que as previs\u00f5es de amplia\u00e7\u00e3o ou de escolha da fachada ainda s\u00e3o pr\u00e9-determinadas e arraigadas \u00e0s quest\u00f5es formais e est\u00e9ticas. Um outro exemplo disso \u00e9 o projeto da &#8220;Casa Prolet\u00e1ria&#8221; (A Casa, 1938, n.173, p.39-41): os tr\u00eas m\u00f3dulos apresentados &#8220;obedecem \u00e1 sequencia progressiva do aumento futuro sem nenhum preju\u00edzo est\u00e9tico para as casas.&#8221; O primeiro, de 35m2, possui sala, cozinha, banheiro e um quarto.<\/p>\n<p>Os outros dois m\u00f3dulos prev\u00eaem um \u00fanico acr\u00e9scimo de quartos ligados \u00e0 sala. Tamb\u00e9m s\u00e3o colocadas algumas sugest\u00f5es sobre a inser\u00e7\u00e3o urbana e o tratamento est\u00e9tico da casa, ainda que de maneira geral: &#8220;recomenda-se para que ela se destaque e chame mesmo a aten\u00e7\u00e3o: 1o &#8211; que seja constru\u00edda o mais que for poss\u00edvel, afastada da rua; 2o &#8211; que entre a rua e a casa haja um pouco de vegeta\u00e7\u00e3o; 3o &#8211; que as paredes sejam brancas, o telhado vermelho e as esquadrias de madeiras em geral verde, marrom ou laranja&#8221;.<\/p>\n<p>Muito longe de ser um exemplo de produ\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, as casas apresentadas acima, assim com a apresentada no artigo &#8220;Como se Prev\u00ea o Accr\u00e9scimo Futuro&#8221; (A Casa, 1933, n.108,p.10-11) det\u00eam-se na pr\u00e9-determina\u00e7\u00e3o do projeto e suas consequentes quest\u00f5es formais. O ponto de partida desta \u00faltima proposta \u00e9 oferecer uma op\u00e7\u00e3o de estilo &#8211; moderno (laje) ou bangal\u00f4 (telhado) &#8211; que diferencia-se apenas por um atributo de valor subjetivo: &#8220;a\u00ed est\u00e1, caro leitor, uma planta com duas fachadas differentes, uma moderna e outra typo &#8216;bungalow&#8217; &#8220;. Ainda que a previs\u00e3o de aumento dos c\u00f4modos esteja presente &#8211; &#8220;trata-se de uma casa que pode ser augmentada&#8221; &#8211; n\u00e3o revela possibilidades reais de modifica\u00e7\u00f5es espaciais feitas pelo usu\u00e1rio. O projeto era vendido pelos correios, de maneira simples &#8211; &#8220;este projeto pode ser adquirido da mesma forma que o &#8216;picol\u00e9&#8217; &#8221; &#8211; refer\u00eancia a outro projeto igualmente dispon\u00edvel para venda em estilo pitoresco.<\/p>\n<p>Nesta linha de pensamento, percebe-se que, na realidade, os projetos apresentados v\u00eam refor\u00e7ar a segrega\u00e7\u00e3o tanto espacial quanto social, evidenciada nos anos 30. Os modelos de casas s\u00e3o apresentados como a solu\u00e7\u00e3o mais adequada para as pessoas que querem viver longe da promiscuidade dos apartamentos. O artigo &#8220;Os Apartamentos, factores da crise de habita\u00e7\u00f5es&#8221; (A Casa, 1931, n.84, p.5-6) questiona as origens dessa tipologia, argumentando que estes s\u00e3o constru\u00eddos para gente modesta, de poucos recursos, que trabalha e precisa estar no centro urbano: &#8220;em toda a parte do mundo o apartamento \u00e9 a casa de aluguel por excellencia; dificilmente se pode alugar uma casa isolada&#8221;.<\/p>\n<p>Logo em seguida, projetos de apartamentos, sobretudo alem\u00e3es, comparecem, mas ainda com propostas, de uma maneira geral, voltadas \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de fachadas e de cores bem como ao uso de materiais que confirmam suas premissas est\u00e9ticas. &#8220;Faixas de tijolos aparentes intercaladas com outras de reboco claro e os corpos salientes s\u00e3o de um belo efeito&#8221;, afirma o artigo &#8220;Apartamentos Econ\u00f4micos em Diversos Bairros no Norte de Berlim&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1936, n.3, p.156-158). A proposi\u00e7\u00e3o da limpeza f\u00edsica das edifica\u00e7\u00f5es, coerente com a pol\u00edtica higienista mundial da \u00e9poca, tamb\u00e9m \u00e9 parte importante da proposi\u00e7\u00e3o formal, ou seja, refor\u00e7a-se na medida em que os arquitetos tratam esteticamente os conjunto habitacionais e n\u00e3o aceitam qualquer interven\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios nos espa\u00e7os. As fachadas, de cores vivas e uniformes, abrem-se deixando aparentes os p\u00e1tios internos ajardinados e s\u00e3o movimentadas com grandes balc\u00f5es. A exist\u00eancia de duas lavanderias centrais coletivas revela as tentativas de se impor um outro modo de morar aos pobres.<\/p>\n<p>Em artigo anterior, &#8220;Apartamentos Econ\u00f4micos&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1936, n.2, p.36-41), projetos de bairros alem\u00e3es, dos arquitetos Bruno Taut, Paulo Mebes, Paulo Emmerich, Henrique Tessenow, Engelmann e Fangmeyer, j\u00e1 davam a import\u00e2ncia \u00e0s quest\u00f5es est\u00e9ticas (aus\u00eancia de decora\u00e7\u00e3o) e funcionais (tipos variados de moradias) mas tamb\u00e9m ao atendimento \u00e0 pol\u00edtica higienista alem\u00e3: &#8220;a concess\u00e3o dos empr\u00e9stimos era feita por meio de uma regulamenta\u00e7\u00e3o especial e rigorosa, que tinha sobretudo em vista melhorar as condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas das habita\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e modestas, acabando com as famosas MIETKASERNE ou casas coletivas de pateos sombrios&#8221;. Para garantir entrada de luz e do ar, todas as habita\u00e7\u00f5es voltariam-se para os logradouros p\u00fablicos ou grandes p\u00e1tios internos deixados inteiramente livres dentro dos quarteir\u00f5es. Foram suprimidos os chamados po\u00e7os de ar bem como determinado que as interven\u00e7\u00f5es dos moradores nos p\u00e1tios, como galinheiros e tanques de lavar roupa, n\u00e3o seriam aceitas em fun\u00e7\u00e3o de raz\u00f5es est\u00e9ticas e higienistas.<\/p>\n<p>No que se refere aos novos materiais, ainda que percebamos o in\u00edcio da propaganda do cimento e da difus\u00e3o do concreto armado, a madeira ainda apresenta-se como o \u00fanico material alternativo \u00e0 alvenaria convencional, como por exemplo no &#8220;Tendas de F\u00e9rias&#8221; (A Casa, 1938, n.167, p.18-19). A promo\u00e7\u00e3o da tecnologia do concreto divulgada, principalmente, por construtoras alem\u00e3s e por laborat\u00f3rios da constru\u00e7\u00e3o, acontece tamb\u00e9m por meio de cursos, como o &#8220;Curso de Concreto Armado por Correspond\u00eancia&#8221; (A Casa, 1937, n.156, p.4). O principal argumento \u00e9 que qualquer pessoa com &#8220;conhecimentos rudimentares de arithmetica&#8221; tenha capacidade de segui-lo.<\/p>\n<p>As trinta aulas, com dura\u00e7\u00e3o de seis meses, habilitavam o aluno a calcular o concreto armado, em sete etapas: no\u00e7\u00f5es preliminares, coluna, lajes, vigas, funda\u00e7\u00f5es, parte complementar e projeto completo. Ainda em resposta \u00e0s demandas higienistas, as propagandas de cimento veiculavam mensagens de venda do cimento \u00e0 problem\u00e1tica da higiene e da sa\u00fade, como em &#8220;Prolongando nossas vidas&#8221; (A Casa, 1938, n.167, p.1]: &#8220;o Cimento Portland MAUA est\u00e1 tendo uma ac\u00e7\u00e3o preponderante no melhoramento dos systemas de esg\u00f4tos, no c\u00f3ntrole das epidemias e na preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade individual ou collectiva. Padarias, cafeterias, a\u00e7ougues, fabricas de conservas ou sorveterias, s\u00e3o grandes consumidores de concreto devido \u00e0 grande facilidade em conserval-o limpo. As fossas, cisternas e bordas de po\u00e7os de concreto t\u00eam se tornado uma garantia de sa\u00fade para milhares de fazendeiros. Os hospitais e as escolas empregam exclusivamente o concreto por ser t\u00e3o hygienico. As donas de casa reconhecem que as habita\u00e7\u00f5es de concreto s\u00e3o as que mais facilmente se conservam limpas. Como resultado do emprego do concreto nestes e em outros fins, a vida de hoje \u00e9 prolongada e a mortalidade infantil est\u00e1 sendo reduzida&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Os anos 1940<\/strong><\/p>\n<p>Alguns preceitos, j\u00e1 apontados nos anos anteriores, s\u00e3o ampliados nesta d\u00e9cada como, por exemplo, \u00e0queles ligados \u00e0s a\u00e7\u00f5es higienistas e ao controle social da popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o das unidades habitacionais coletivas, articuladas com outras fun\u00e7\u00f5es como restaurantes, lavanderias, enfermaria, assim como espa\u00e7os para crian\u00e7as, lazer e pr\u00e1ticas esportivas, come\u00e7a a ser publicada como solu\u00e7\u00e3o para a insalubridade presente nas moradias isoladas &#8211; casar\u00f5es, mocambos, favelas e corti\u00e7os. \u00c9 inevit\u00e1vel perceber que a pol\u00edtica habitacional brasileira, \u00e0quela \u00e9poca, j\u00e1 come\u00e7ava a se referenciar aos conceitos e \u00e0s estrat\u00e9gias de projeto da habita\u00e7\u00e3o coletiva receitada pelo movimento moderno internacional.<\/p>\n<p>O conceito das &#8220;Unit\u00e9s d&#8217;Habitacion&#8221; (1947-52), Marseille, obra can\u00f4nica do modernismo de Le Corbusier, foi acomodado em v\u00e1rios outros projetos de in\u00fameros arquitetos no Brasil e em todo o mundo. A &#8220;unidade habitacional&#8221;, colocada sobre pilotis e em estrutura livre, ap\u00f3ia-se por espa\u00e7os funcionais para lojas, esportes, posto m\u00e9dico, livraria, escrit\u00f3rios, escola e hotel. Embora esse tipo de habita\u00e7\u00e3o s\u00f3 tenha sido constru\u00eddo no Brasil a partir dos anos 1950, como veremos \u00e0 frente, nos anos 40 j\u00e1 eram anunciados os princ\u00edpios que potencializariam a arquitetura moderna: concreto armado, elevador, espa\u00e7os com ventila\u00e7\u00e3o e insola\u00e7\u00e3o assegurada e a associa\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o m\u00ednima com servi\u00e7os de apoio.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, o artigo &#8220;A Casa que Cresce&#8221; (A Casa, 1940, n.195, p.20-21), apresenta projeto do concurso internacional de Viena denominado &#8220;Sol, ar e casa para todos&#8221;. \u00c9 uma habita\u00e7\u00e3o com proposta de amplia\u00e7\u00f5es, mas, como nas d\u00e9cadas anteriores, de maneira pr\u00e9-determinada. Os desenhos de perspectivas e plantas confirmam suas principais premissas: &#8220;uma casa pequena, m\u00ednima (o n\u00facleo, que possa aumentar com o acr\u00e9scimo de novas pe\u00e7as habit\u00e1veis, \u00e0 medida que cres\u00e7am as necessidades de recursos do propriet\u00e1rio), mas de modo que, em qualquer etapa, a casa constitua uma unidade org\u00e2nica. Era fato estabelecido que a casa devesse permitir aos moradores contacto direto com o ar, luz e jardim: devia ser para uma fam\u00edlia \u00fanica, n\u00e3o ter menos de 30 metros quadrados, no primeiro per\u00edodo, nem mais de 80 metros, em seu estado definitivo, e ser de constru\u00e7\u00e3o insulada ou encostada a outra igual.&#8221;<\/p>\n<p>Os estreitamentos entre a habita\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o urbano e a salubridade tamb\u00e9m se fazem presentes no artigo &#8220;A Habita\u00e7\u00e3o Popular&#8221; (A Casa, 1941, n.201, p.9-12). No in\u00edcio ressaltam-se as transforma\u00e7\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es de trabalho provocando igualmente transforma\u00e7\u00f5es no conceito do habitar. Se antes a vida transcorria no pr\u00f3prio local &#8220;em que se explorava a propriedade&#8221;, agora o local do trabalho n\u00e3o mais se incorpora \u00e0 habita\u00e7\u00e3o. A cidade oper\u00e1ria nasce e avassala todo o espa\u00e7o, &#8220;agravando todos os males com o maquinismo e a produ\u00e7\u00e3o coletiva de grande rendimento&#8221;.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 40, os pobres passam a caber nas prescri\u00e7\u00f5es do urbanismo moderno, mas apenas porque s\u00e3o vistos como uma &#8220;grande multid\u00e3o de trabalhadores e empregados&#8221;, ou em outras palavras, &#8220;massas populares&#8221;. Nesse sentido, o autor do artigo &#8220;A Habita\u00e7\u00e3o Popular&#8221; afirma n\u00e3o ser mais poss\u00edvel admitir que as massas se alojem nos &#8220;velhos casar\u00f5es&#8221; ou nas habita\u00e7\u00f5es insalubres que se &#8220;aglomeram ao longo das ruas tumultuosas, pardieiros que s\u00f3 teem por horizonte as fachadas fronteiri\u00e7as ou o peda\u00e7o de c\u00e9u entrevisto atrav\u00e9s das frestas das cornijas [&#8230;] um cintur\u00e3o perigoso para a sociedade e para a civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Para o movimento moderno, e seus seguidores, &#8220;na casa coletiva bem acondicionada&#8221; a fam\u00edlia da classe m\u00e9dia poderia reconquistar a &#8220;liberdade e a alegria de viver como nunca tinha imaginado&#8221;.<\/p>\n<p>Seria ing\u00eanuo pensar que a liberdade e a moral, necess\u00e1rias \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do projeto moderno, pudessem estar vinculadas \u00e0 habita\u00e7\u00e3o m\u00ednima e aos servi\u00e7os comuns (espa\u00e7os livres para passeios, circula\u00e7\u00e3o e esportes) provocando supostamente solu\u00e7\u00f5es para a problem\u00e1tica habitacional no que se refere \u00e0 higiene e ao controle social. Mais importante \u00e9 entender que, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o poder p\u00fablico, intelectuais e t\u00e9cnicos v\u00eam tratando a habita\u00e7\u00e3o como deteriora\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o urbana e social, e n\u00e3o como consequ\u00eancia da &#8216;armadilha&#8217; criada pela imposi\u00e7\u00e3o das regras econ\u00f4micas e das estruturas s\u00f3cias-pol\u00edticas do modelo capitalista.<\/p>\n<p>Assim, os casar\u00f5es e mocambos revelavam &#8220;situa\u00e7\u00f5es moralmente intoler\u00e1veis e juridicamente inadmiss\u00edveis, ante a notoria angustia da nossa economia social&#8221;, afirmou o Engenheiro Francisco Batista de Oliveira, em confer\u00eancia no Instituto de Engenharia de S\u00e3o Paulo, transcrita no artigo &#8220;A Casa Proletaria Brasileira&#8221; (Acr\u00f3pole, 1940, n.27, p.105.106 e 124). O engenheiro sugere que o pa\u00eds conhe\u00e7a melhor suas estat\u00edsticas sobre o assunto na busca de solu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e eficientes, e oferece, neste artigo, uma variedade de projetos internacionais que seguem dois importantes pressupostos: a considera\u00e7\u00e3o de preceitos sanit\u00e1rios e a compara\u00e7\u00e3o da cidade com um organismo vivo.<\/p>\n<p>N\u00e3o sendo t\u00e3o simples assim, o engenheiro Paes Barreto, coerentemente, afirma no artigo &#8220;Os Conjuntos Residenciais em Santo Andr\u00e9 e Osasco&#8221; (Acr\u00f3pole, 1942, n.53, p.161-164), que os intelectuais, ativos nas discuss\u00f5es em congressos sobre o problema da habita\u00e7\u00e3o popular, n\u00e3o conseguiam chegar a uma sistematiza\u00e7\u00e3o de &#8220;princ\u00edpios norteadores&#8221; de suas a\u00e7\u00f5es. Entretanto, de maneira proveitosa, culpa os sal\u00e1rios baixos do operariado como fator de impedimento \u00e0 compra de uma habita\u00e7\u00e3o que possibilitasse o &#8220;soerguimento f\u00edsico e moral do indiv\u00edduo&#8221;. Dentro dessa vis\u00e3o estreita, o autor apresenta os conjuntos residenciais de Santo Andr\u00e9 e Osasco, chamados de solu\u00e7\u00f5es parciais, que se constituem por &#8220;n\u00facleos de casas, com requisitos higi\u00eanicos, sem compara\u00e7\u00e3o com os mocambos, favelas ou corti\u00e7os&#8221;, somados \u00e0 escola rural, creche e igreja, mas que sacrifica, por\u00e9m, &#8220;as solu\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas aconselh\u00e1veis, com o intuito de reduzir ao m\u00ednimo o valor da habita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>As casas constru\u00eddas em Santo Andr\u00e9 pertencem ao tipo individual m\u00ednimo, projetado para habita\u00e7\u00e3o burguesa de uma fam\u00edlia de cinco pessoas &#8211; sala, quarto para casal, quarto para filhos, cozinha, banheiro e duas varandas, perfazendo uma \u00e1rea coberta de 56,88m2. Em Osasco, o conjunto constru\u00eddo funcionou inicialmente como acampamento dos oper\u00e1rios do canteiro da obra, permitindo que a construtora extra\u00edsse de sua m\u00e3o-de-obra uma &#8220;maior produ\u00e7\u00e3o individual&#8221;, fazendo jus aos preceitos da ordem capitalista. Embora, j\u00e1 compare\u00e7am intensamente as propagandas sobre as &#8220;vantagens do cimento amianto&#8221; (Acr\u00f3pole, 1941, n.44, p.269) e dos &#8220;elevadores e cimento&#8221; (Acr\u00f3pole, 1940, n.27, p.82), elementos pertencentes \u00e0 arquitetura moderna, as paredes de alvenaria de tijolo, cobertura de telhas planas forradas com frisos de madeira, esquadrias de cedro e peroba rosa formaram as principais especifica\u00e7\u00f5es dos conjuntos residenciais de Santo Andr\u00e9 e Osasco.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1950<\/strong><\/h4>\n<p>Neste per\u00edodo, os projetos e constru\u00e7\u00f5es dos grandes conjuntos habitacionais, como divulgado em &#8220;Cidades mon\u00e7\u00f5es&#8221; (Acr\u00f3pole, 1950, n.151, p.206), representados por arquitetos emblem\u00e1ticos do movimento moderno brasileiro a ser legitimado, fazem-se presentes, orientados pelas premissas j\u00e1 apontadas nos artigos da d\u00e9cada anterior &#8211; a produ\u00e7\u00e3o seriada de unidades habitacionais coletivas (de moradia m\u00ednima) associada aos servi\u00e7os como restaurantes, lavanderias, enfermaria, locais para crian\u00e7as, passeios e pr\u00e1ticas esportivas. Temos como exemplos:<\/p>\n<p>&#8220;Conjunto Governador Kubitschek&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1953, n.28, p.31-36): ainda que na \u00e9poca do projeto o problema da moradia em Belo Horizonte n\u00e3o fosse &#8220;t\u00e3o agudo como em outros centros maiores&#8221;, j\u00e1 mostrava sinais de preocupa\u00e7\u00e3o. Entretanto, bem aos moldes das &#8220;Unit\u00e9s d&#8217;Habitacion&#8221; francesas de Le Corbusier, o chamado edif\u00edcio JK foi inaugurado sob uma estrutura imobili\u00e1ria convencional, insegura e desastrosa, demonstrando muito mais a potencialidade produtiva pol\u00edtica da parceria entre o arquiteto Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek, ent\u00e3o Governador de Minas, respons\u00e1vel por tantos outros frutos arquitet\u00f4nicos. Ainda que o projeto tenha sido alterado posteriormente, conserva a premissa moderna de integra\u00e7\u00e3o entre a habita\u00e7\u00e3o coletiva e os servi\u00e7os de apoio (inicialmente em projeto, hotel, reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, servi\u00e7os postais e telegr\u00e1ficos, ag\u00eancias de turismo e banc\u00e1rias, esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria, restaurante, boite, pra\u00e7a de esportes com piscina ol\u00edmpica, al\u00e9m de museu de arte e centro comercial).<\/p>\n<p>&#8220;Conjunto residencial em Deodoro&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1954, n.31, p.26): projeto de 1314 apartamentos constru\u00eddos pela Funda\u00e7\u00e3o da Casa Popular, com a relevante preocupa\u00e7\u00e3o de que o valor da parcela de amortiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ultrapassasse 25% do valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo fam\u00edlia. Para tal, o arquiteto, Flavio Marinho Rego, abandonou &#8220;todos os requisitos de pl\u00e1stica e acabamento&#8221;, valorizando a padroniza\u00e7\u00e3o dos elementos e a simplicidade nos esquemas de instala\u00e7\u00e3o e estrutura. Estas orienta\u00e7\u00f5es foram expandidas aos projetos da escola, do centro de sa\u00fade, do mercado e da administra\u00e7\u00e3o, revelando a obsessiva busca do conjunto economia-padroniza\u00e7\u00e3o como resposta efetiva de projeto ao problema da habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Conjunto residencial, Bairro das Perdizes&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1954, n.31, p.52-53): o arquiteto Abelardo de Souza privilegiou as recomenda\u00e7\u00f5es de um projeto moderno ao localizar os blocos de modo a permitir que o sol, o ar e a vegeta\u00e7\u00e3o tomassem parte predominante no conjunto.<\/p>\n<p>&#8220;Conjunto residencial da G\u00e1vea&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1955, n.37, p.8-13): este projeto, juntamente com o projeto do &#8220;Conjunto Pedregulho&#8221;, de Affonso Eduardo Reidy, um dos principais protagonistas da arquitetura moderna, s\u00e3o internacionalmente distintos como exemplares da importante rela\u00e7\u00e3o entre o objeto e a natureza. Neste artigo, entretanto, o valor compositivo do edif\u00edcio da G\u00e1vea ainda n\u00e3o viria \u00e0 tona; o projeto \u00e9 apresentado como poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para os trabalhadores que precisam se manter pr\u00f3ximo ao seu local de trabalho, representando, para estes, &#8220;economia, melhor alimenta\u00e7\u00e3o, mais tempo para repouso e recrea\u00e7\u00e3o&#8221; e, para a cidade, al\u00edvio aos &#8220;j\u00e1 sobrecarregados meios de transporte&#8221;. Entretanto, \u00e9 igualmente divulgado como resposta ao problema das favelas que, segundo o artigo, seria pouco a pouco solucionado se a constru\u00e7\u00e3o de conjuntos residenciais como este fosse efetivada. A imagem das favelas mostra-se ainda vinculada \u00e0 desordem social: &#8220;corti\u00e7os e a promiscuidade de vida (&#8230;) for\u00e7osamente ter\u00e3o que desaparecer, oferecendo ao trabalhador e sua fam\u00edlia uma acomoda\u00e7\u00e3o mais digna&#8221;. Desnecess\u00e1rio dizer que solu\u00e7\u00f5es como esta, supostamente aplicadas \u00e0 revelia, n\u00e3o causaram o resultado esperado. \u00c9 importante ressaltar o erro do Departamento de Habita\u00e7\u00e3o Popular (Secretaria Geral de Via\u00e7\u00e3o e Obras da Prefeitura do Distrito Federal) ao considerar o modo de viver e de morar dos oper\u00e1rios, inseridos na economia informal, e dos funcion\u00e1rios municipais, inseridos na economia formal e, &#8220;preferencialmente benefici\u00e1rios do empreendimento&#8221;, iguais. A determina\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es da vida cotidiana (habita\u00e7\u00e3o m\u00ednima articulada com jardim de inf\u00e2ncia, escolas maternal e prim\u00e1ria, capela, ambulat\u00f3rio, mercado, campo para pr\u00e1tica de desportos e audit\u00f3rio ao ar livre), solu\u00e7\u00f5es formais recomendadas ao lado do pilotis e da aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia do concreto armado, revelam muita mais a forte rela\u00e7\u00e3o de Reidy com as premissas modernas de Le Corbusier e dos Congressos Internacionais de Arquitetos Modernos (CIAM), do que coer\u00eancia com os moradores do lugar.<\/p>\n<p>Tanto o Conjunto da G\u00e1vea (1952) como o do Pedregulho (1948) s\u00e3o parte de uma s\u00e9rie de iniciativas realizadas pelos Institutos de Aposentadorias e Pens\u00f5es (IAP), na gest\u00e3o da engenheira Carmen Portinho no Departamento de Habita\u00e7\u00e3o Popular do Distrito Federal. Influenciada por sua experi\u00eancia no exterior e sempre cercada de arquitetos seguidores da arquitetura moderna viabiliza a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios edif\u00edcios habitacionais equipados com servi\u00e7os sociais, solu\u00e7\u00f5es estas opostas aos blocos de apartamentos e \u00e0s casas, ambos isolados, e amplamente criticados por ela.<\/p>\n<p>Esse per\u00edodo \u00e9 marcado pela interven\u00e7\u00e3o estatal na produ\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o em massa, exemplificado pelos artigos relativos ao Plano Nacional de Habita\u00e7\u00e3o do governo JK. De &#8220;agrad\u00e1vel aspecto e s\u00f3lida constru\u00e7\u00e3o&#8221;, as 1035 unidades habitacionais seriadas e iguais dos &#8220;Conjuntos Residenciais oper\u00e1rios em Belo Horizonte&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1958, n.49, p.VIII-IX), foram vendidas por meio de amortiza\u00e7\u00e3o mensal aos seus ex-combatentes, trabalhadores em geral, e tamb\u00e9m, trabalhadores da f\u00e1brica de cimento Ita\u00fa, presente ao lado do empreendimento. N\u00e3o surpreendentemente, o conjunto foi inaugurado no dia do trabalhador, &#8220;com a presen\u00e7a do chefe da na\u00e7\u00e3o&#8221;. Na presta\u00e7\u00e3o mensal, estaria inclu\u00edda taxa de seguro de vida que garantiria \u00e0 fam\u00edlia do trabalhador a tranquilidade da posse do im\u00f3vel em caso de sua morte, como parte das metas do governo de promover a estabiliza\u00e7\u00e3o das vidas dos trabalhadores em um &#8220;padr\u00e3o de justi\u00e7a e dignidade&#8221;.<\/p>\n<p>Com projeto de Oscar Niemeyer, as &#8220;Casas populares em Bras\u00edlia&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1958, n.48, p.XII-XIII) apresentam &#8220;linhas modernas, harmoniosas e funcionais&#8221; e preenchem, segundo o artigo, todos os requisitos de &#8220;higiene e conforto&#8221;. Entretanto, servem de pano de fundo para a reafirma\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de habita\u00e7\u00e3o do governo JK, que quer libertar o trabalhador dos &#8220;encargos de loca\u00e7\u00f5es, sempre onerosas, e da intranquilidade da luta pela conquista de um lar pr\u00f3prio&#8221;. A pol\u00edtica administrativa do governo JK refor\u00e7a a explora\u00e7\u00e3o do &#8220;sonho da casa pr\u00f3pria&#8221; do trabalhador, iniciado nos anos 40 pelo presidente Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Ao lado das iniciativas p\u00fablicas, o investimento das grandes ind\u00fastrias na constru\u00e7\u00e3o das casas para seus oper\u00e1rios \u00e9 explicitado. O projeto do &#8220;Conjunto residencial para oper\u00e1rios&#8221; (Acr\u00f3pole, 1954, n.193, p.1-5) da Tecelagem Para\u00edba, projeto do arquiteto Rino Levi, tem como ponto de partida o atendimento a dois requisitos, at\u00e9 ent\u00e3o ignorados nas solu\u00e7\u00f5es para a habita\u00e7\u00e3o, segundo o autor do artigo: as &#8220;particulares circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas&#8221; do oper\u00e1rio de baixo n\u00edvel t\u00e9cnico e a &#8220;qualidade da obra&#8221; por meio de &#8220;boas condi\u00e7\u00f5es de conf\u00f4rto f\u00edsico e espiritual&#8221;. Comparecem as premissas modernas da unidade da habita\u00e7\u00e3o, seriada e \u00fanica, aliada aos anexos de uso comum (centro de sa\u00fade, creche, jardim de inf\u00e2ncia, escola, mercado, igreja, centro social e campo de esportes). N\u00e3o obstante, respeitam os &#8220;costumes dos habitantes da regi\u00e3o, que n\u00e3o dispensam o jardim de uso privativo, embora pequeno, e tendo-se em conta as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do empreendimento, abandonou-se de in\u00edcio qualquer id\u00e9ia de pr\u00e9dios elevados&#8221;. \u00c9 clara a preocupa\u00e7\u00e3o da empresa em proporcionar ao oper\u00e1rio todas as fun\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que o seu cotidiano n\u00e3o seja alterado ou prejudicado ao ponto de interferir em sua atividade produtiva. A organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e do abastecimento sob a &#8220;orienta\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o direta dos propriet\u00e1rios da fazenda&#8221;, ainda que por sistema de cooperativa, refor\u00e7a o argumento do controle social dos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>O projeto do &#8220;Conjunto residencial para a Mannesmann&#8221; (Acr\u00f3pole, 1956, n.207, p.104-107, projeto do arquiteto Henrique E. Mindlin, em Belo Horizonte, \u00e9 mais expl\u00edcito em seu objetivo: &#8220;integrar uma popula\u00e7\u00e3o ponder\u00e1vel &#8211; cerca de doze a treze mil pessoas na fase final do plano &#8211; em um leg\u00edtimo grupo social, aglutinado em torno das atividades da Companhia Sider\u00fargica Mannesmann&#8221;. Essa previs\u00e3o \u00e9 a que corresponde, obviamente, &#8220;ao n\u00famero de pessoas necess\u00e1rias ao trabalho, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o e \u00e0 dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da f\u00e1brica, bem como a todos os trabalhos e servi\u00e7os inherentes \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia do Conjunto Residencial&#8221;. As habita\u00e7\u00f5es se dividem em 3 grupos, em unidades seriadas, evidenciando que, sob o olhar do empreendedor, a resposta para a problem\u00e1tica habitacional est\u00e1 ligada \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o social dos moradores: alojamento para solteiros, apartamentos para casais sem filhos, casa geminadas para casais com filhos.<\/p>\n<p>Dentro da inst\u00e2ncia acad\u00eamica, o tema favela \u00e9 abordado &#8211; &#8220;Dez milh\u00f5es de brasileiros moram em favelas e choupanas&#8221; (Habitat, 1954, n.16, p.29). Os alunos da Faculdade de Arquitetura de S\u00e3o Paulo, orientados pelos Profs. J. Villanova Artigas e Abelardo de Souza observaram as &#8220;condi\u00e7\u00f5es de vida de seus habitantes, fazendo um censo demogr\u00e1fico&#8221; com o objetivo de &#8220;apresentar uma solu\u00e7\u00e3o para a referida favela&#8221;. Alguns dados estat\u00edsticos sobre este censo aparecem: 529 habitantes em 169 habita\u00e7\u00f5es, perfazendo uma m\u00e9dia de 5,5 m2 por pessoa, com 2 a 10 habitantes por aposento; os barrac\u00f5es de 20 m2, em m\u00e9dia, s\u00e3o localizados em \u00e1reas afastadas cerca de 3 horas do trabalho. Quanto aos dados sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida, os autores do artigo dizem ser desnecess\u00e1rio indic\u00e1-los, considerando os algarismos suficientes para atestar &#8220;a crueza de sua situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O artigo &#8220;Projeto de Urbaniza\u00e7\u00e3o de Favela&#8221; (Brasil &#8211; Arquitetura Contempor\u00e2nea, 1957, n.12, p.23-28) prop\u00f5e a implanta\u00e7\u00e3o de unidades de habita\u00e7\u00e3o &#8211; blocos de apartamentos ou moradias individuais &#8211; para a &#8220;massa favelada&#8221;. Com os &#8220;partidos adotados&#8221;, os arquitetos afirmam ser poss\u00edvel tanto a &#8220;localiza\u00e7\u00e3o em terrenos planos&#8221; e quanto em morros onde as moradias j\u00e1 estejam &#8220;anarquicamente&#8221; estabelecidas. Os cuidados com a manuten\u00e7\u00e3o e higiene s\u00e3o tratados de maneira preconceituosa com claros objetivos de estabelecer comportamentos sociais para a &#8220;massa favelada&#8221; sem &#8220;educa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica&#8221;. A &#8220;maior preocupa\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o dos projetos foi o estabelecimento de um padr\u00e3o de higiene&#8221;, necess\u00e1ria, segundo os arquitetos Guimar\u00e3es, Brand\u00e3o e Dodibei, j\u00e1 que &#8220;aos moradores, em sua maioria, falta o h\u00e1bito de uso das pe\u00e7as sanit\u00e1rias&#8221;. Al\u00e9m disso, os espa\u00e7os de perman\u00eancia prolongada deveriam ser defendidos da &#8220;contamina\u00e7\u00e3o proveniente de condi\u00e7\u00f5es deficientes&#8221;. Ao contr\u00e1rio, revela-se a completa inger\u00eancia dos arquitetos ao lidar com a quest\u00e3o habitacional e a falta de compreens\u00e3o do modo de morar dessa &#8220;massa&#8221;.<\/p>\n<p>Uma outra resposta \u00e0 quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada, utopicamente, como uma releitura da &#8220;Casa Girat\u00f3ria&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1954, n.33, p.59), apresentada na d\u00e9cada de 1930: uma casa de base circular firme, estruturada em cimento armado, convenientemente assentada no terreno. Entretanto, o artigo n\u00e3o apresenta discuss\u00f5es quanto \u00e0s possibilidades de ambienta\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Seguindo a preocupa\u00e7\u00e3o de racionaliza\u00e7\u00e3o do projeto e da constru\u00e7\u00e3o, continua a divulga\u00e7\u00e3o de materiais alternativos: a argamassa impermeabilizada que resiste ao tempo &#8220;Superlit&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1951, n.17, p.9); o &#8220;quebra sol de cimento amianto Brasilit&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1951, n.17, p.65), com finalidades al\u00e9m do seu &#8220;primitivo destino&#8221; (&#8220;cortar a visibilidade&#8221;, &#8220;dividir ambientes&#8221; ou harmonizar esteticamente o edif\u00edcio); e produtos de &#8220;cimento amianto&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1952, n.18, p.15) , &#8220;100% indicado para o nosso clima&#8221;. Al\u00e9m disso, refor\u00e7ando as premissas modernas dos espa\u00e7os m\u00ednimos para a habita\u00e7\u00e3o, &#8220;detalhes t\u00e9cnicos&#8221; (Acr\u00f3pole, 1954, n.187, p.349-350) de um banheiro econ\u00f4mico de Oswaldo Arthur Bratke, um dos principais nomes da arquitetura paulista, s\u00e3o publicados.<\/p>\n<p>O uso do pr\u00e9-moldado continua a ser apontado, a partir de agora tanto na arquitetura habitacional quanto na arquitetura industrial. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, artigo sobre o projeto do &#8220;Conjunto Residencial do IAPI&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1955, n.35, p.51), de Eduardo Knesse de Melo, tem como op\u00e7\u00e3o estrutural, estacas pr\u00e9-moldadas de concreto armado. Referindo-se \u00e0 ind\u00fastria, o artigo &#8220;A pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o na arquitetura industrial&#8221; (Acr\u00f3pole, 1956, n.212, p.319-323) mostra a constru\u00e7\u00e3o de um armaz\u00e9m e as vantagens do pr\u00e9-moldado de concreto armado vibrado como solu\u00e7\u00e3o el\u00e1stica e articulada, adequada \u00e0 montagem e \u00e0 desmontagem de ambientes. O projeto segue o sistema patenteado pelo Eng. Luis Toschi, sendo este, o primeiro edificado no Rio de Janeiro. A Construtora Edibr\u00e1s sugere, no artigo, que a aplica\u00e7\u00e3o de tesouras de concreto armado seja ampla em todo o Brasil, comprovada a sua efici\u00eancia sob &#8220;todos os pontos de vista&#8221;, principalmente o econ\u00f4mico quando comparada \u00e0s solu\u00e7\u00f5es de tesouras em ferro e ao valor do pr\u00eamio de seguro a respeito das estruturas de outro material, como a madeira, por exemplo.<\/p>\n<p>Contrapondo a valoriza\u00e7\u00e3o do cimento e do concreto armado, temos um exemplo puntual, o j\u00e1 apresentado &#8220;Conjunto residencial para oper\u00e1rios&#8221; (Acr\u00f3pole, 1954, n.193, p.1-5), cujos materiais usados seriam retirados da regi\u00e3o: &#8220;a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista aproveitando-se madeira, areia de rio, olaria, e nas oficinas de carpintaria e serralheria e m\u00e3o de obra da pr\u00f3pria fazenda&#8221;.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1960<\/strong><\/h4>\n<p>Na d\u00e9cada de 60, a divulga\u00e7\u00e3o de projetos de unidades habitacionais associados aos servi\u00e7os continua, por\u00e9m, como foco secund\u00e1rio de discuss\u00e3o. A promulga\u00e7\u00e3o dos componentes pr\u00e9-fabricados, aliado ao est\u00edmulo crescente da industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, comparece como solu\u00e7\u00e3o central ao problema habitacional brasileiro.<\/p>\n<p>Hoje, sabemos que a promo\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente para minimizar os dados estat\u00edsticos referentes ao d\u00e9ficit habitacional brasileiro, estimado em 2005 em quase oito milh\u00f5es de unidades, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro.<\/p>\n<p>Uma das justificativas para o uso de componentes pr\u00e9-fabricados, \u00e0quela \u00e9poca, era a maior velocidade imposta \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, argumento presente nos artigos referentes \u00e0s pesquisas de casas que poderiam ser montadas em tempo recorde &#8211; 10 dias, 8 dias, 28 horas, 8 horas, 5 horas e at\u00e9 a casa pronta que sai da f\u00e1brica, como veremos a seguir:<\/p>\n<p>(1) &#8220;Casa de Fibrocimento&#8221; (Dirigente Construtor, 1965, n.7, p39-44): projeto de uma casa-piloto de 72,34m2, montada em 10 dias, que utiliza estrutura de montantes met\u00e1licos, preenchida por pain\u00e9is compostos por folhas de fibrocimento separadas por uma camada de l\u00e3-de-rocha e isopor, encaixados e parafusados. O arquiteto Esteban Haasz quer provar o comportamento da casa sob condi\u00e7\u00f5es diversas de temperatura e clima.<\/p>\n<p>(2) &#8220;F\u00f4rmas met\u00e1licas&#8221; (Dirigente Construtor, 1966, n.3, p.35-37: como &#8220;esfor\u00e7o para estimular a constru\u00e7\u00e3o&#8221;, a casa \u00e9 um sistema baseado em edifica\u00e7\u00f5es monol\u00edticas que poderia ser constru\u00edda em 8 dias. &#8220;A chave do processo reside no ligante de secagem ultra-r\u00e1pida, descoberto depois de anos de pesquisa, e que permite a desformagem quase imediata das paredes da casa&#8221;.<\/p>\n<p>(3) &#8220;Pr\u00e9-moldados de concreto&#8221; (Dirigente Construtor, 1964, n.1, p.46-52): &#8220;com um guindaste e sete homens \u00e9 poss\u00edvel montar, em 28 horas, a estrutura de todo um pavimento de edif\u00edcio de dimens\u00f5es regulares com pe\u00e7as pr\u00e9-fabricadas&#8221; &#8211; pilares, vigas e lajes nervuradas. Esse resultado foi alcan\u00e7ado pela Ribeiro Franco S.A., de S\u00e3o Paulo, na constru\u00e7\u00e3o das estruturas de seis dos doze pr\u00e9dios que comp\u00f5em o conjunto residencial da Cidade Universit\u00e1ria de S\u00e3o Paulo, onde foram utilizados pe\u00e7as de concreto pr\u00e9-moldado.<\/p>\n<p>(4) &#8220;Uma casa em 8 horas&#8221; (Dirigente Construtor, 1965, n.10, p.47-49): um equipamento mec\u00e2nico, especialmente projetado, justap\u00f5e com facilidade pain\u00e9is nervurados de concreto, dois a dois (&#8230;). A racionaliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada permite, segundo o arquiteto Jos\u00e9 Alberto Marialva Marques, montar uma casa com \u00e1rea de 37m2 em apenas 8 horas, desde que a m\u00e3o de obra esteja convenientemente treinada. N\u00e3o podendo deixar de lembrar das premissas estabelecidas pelo movimento moderno e as &#8220;unidades habitacionais&#8221; de Corbusier, seguem as seguintes vantagens do sistema, apontadas pelos fabricantes: adapta\u00e7\u00e3o a qualquer tipo de projeto arquitet\u00f4nico; abrevia\u00e7\u00e3o do tempo de constru\u00e7\u00e3o; possibilidade de excepcional rendimento de m\u00e3o-de-obra; redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio de material a taxa insignificante; boa resist\u00eancia \u00e0s intemp\u00e9ries; durabilidade; pouco peso; dispensa de cortes e rasgos; maior espa\u00e7o \u00fatil, devido a pouca espessura das paredes. &#8220;Os fabricantes n\u00e3o esperam uma casa de custo sensivelmente inferior a das constru\u00e7\u00f5es tradicionais, mas acreditam que ela possa competir vantajosamente para a produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie em face das economias de m\u00e3o-de-obra e de materiais requeridos pela edifica\u00e7\u00e3o de alvenaria&#8221;.<\/p>\n<p>(5) &#8220;Pr\u00e9-Fabrica\u00e7\u00e3o pesada&#8221; (Dirigente Construtor, 1967, n.3, p.22-26): o sistema permite a constru\u00e7\u00e3o de uma casa em 5 horas, com a vantagem das habita\u00e7\u00f5es poderem ser de quaisquer dimens\u00f5es e tipos, inclusive sobrados e edifica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios andares, usando pain\u00e9is de veda\u00e7\u00e3o, piso e cobertura, que saem da f\u00e1brica internamente acabados, com os respectivos revestimentos, e j\u00e1 pintados, deixando-se para depois da montagem apenas a \u00faltima dem\u00e3o de tinta.<\/p>\n<p>(6) &#8220;Sai pronta da f\u00e1brica&#8221; (Dirigente Construtor, 1965, n.12, p.47-53): a casa m\u00ednima, de 45 a 50 m2, constitui-se de dois elementos que podem ser montados em apenas tr\u00eas horas, \u00e9 transportada pronta, restando apenas o trabalho do assentamento sobre os alicerces.<\/p>\n<p>A pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m usada nos projetos dos grandes conjuntos habitacionais financiados tanto pelo governo, por meio do Banco Nacional de Habita\u00e7\u00e3o (BNH), quanto pelas grandes ind\u00fastrias. O BNH, criado em 1964, era um banco com a fun\u00e7\u00e3o de realizar opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e gerir o Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), por interm\u00e9dio de bancos privados e\/ou p\u00fablicos e de agentes promotores, como as companhias habitacionais e as companhias de \u00e1gua e esgoto.<\/p>\n<p>O artigo &#8220;Governo Constr\u00f3i Casas para Oper\u00e1rios do DF&#8221; (Bras\u00edlia, 1965 especial, p.28-29) mostra o projeto de 1.008 casas para as &#8220;fam\u00edlias que atualmente habitam infectos barracos&#8221;, parte da constru\u00e7\u00e3o total de 10.000 moradias, vistas como respons\u00e1veis pela &#8220;consolida\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia como capital do pa\u00eds&#8221;. Assim como este, o projeto apresentado no artigo &#8220;Cooperativa Habitacional&#8221; (Acr\u00f3pole, 1967, n.340, p.26-29), assemelha-se aos conjuntos habitacionais dos anos 50 financiados pela ind\u00fastria, no caso a Usina da Barra, em S\u00e3o Paulo. Seus arquitetos, Oswaldo Corr\u00eaa Gon\u00e7alves e Heitor Ferreira de Souza, explicam que &#8220;dois motivos de natureza social seriam suficientes para justificar plenamente a constru\u00e7\u00e3o do conjunto habitacional: 1. o atendimento da demanda habitacional existente nas cidades de Barra Bonita e Igara\u00e7\u00fa do Tiete; 2. o agrupamento em um conjunto residencial aparelhado com equipamentos sociais b\u00e1sicos, de centenas de fam\u00edlias que se acham no momento dispersas em vasto \u00e1rea rural&#8221;. A estrat\u00e9gia da moradia associada aos equipamentos espec\u00edficos (escolas, ambulat\u00f3rio, servi\u00e7o social, recrea\u00e7\u00e3o, mercado) \u00e9 mantida, funcionando como instrumento para a &#8220;eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o e cultura dos habitantes do conjunto residencial&#8221;.<\/p>\n<p>O &#8220;Conjunto Residencial do IPASE&#8221; (Dirigente Construtor, 1969, n.7, p.12-16), apresenta 1.977 unidades habitacionais por meio do uso da &#8220;pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o de know-how europeu&#8221; com f\u00f4rmas met\u00e1licas para a execu\u00e7\u00e3o in loco de paredes portantes de concreto armado. A nova tecnologia \u00e9 vista, por muitos, como iniciativa necess\u00e1ria para a efetiva\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o industrializada no pa\u00eds. De acordo com o artigo, os projetistas procuram &#8220;alcan\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o de perfeita integra\u00e7\u00e3o social dos usu\u00e1rios dos diversos tipos de habita\u00e7\u00e3o, evitando-se o seccionamento de zonas em faixas de condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas diferentes&#8221;.<\/p>\n<p>O artigo &#8220;Pr\u00e9-Fabrica\u00e7\u00e3o total&#8221; (Dirigente Construtor, 1966, n.6, p.12-16) mostra um sistema de pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o, baseado na patente francesa Barets, capaz de produzir e montar mais de um apartamento por dia, com \u00e1reas vari\u00e1veis entre 32 e 80 m2. O conjunto Padre Anchieta foi usado como piloto na avalia\u00e7\u00e3o do sistema frente \u00e0s particularidades brasileiras, entre elas, a rea\u00e7\u00e3o do consumidor e a capacidade t\u00e9cnica produtiva da construtora respons\u00e1vel. O engenheiro respons\u00e1vel, Carlos da Silva, coloca a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o como a \u00fanica sa\u00edda para &#8220;encarar o atual d\u00e9ficit habitacional do Pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Sendo ponto convergente das disciplinas da engenharia e arquitetura, a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentada pelo engenheiro civil Teodoro Rosso, em seu artigo &#8220;Um imperativo inadi\u00e1vel: a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o&#8221; (Acr\u00f3pole, 1962, n.279, p.91-93;131-133), como solu\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o dos custos da constru\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o na medida em que esta ganhar &#8220;um cunho eminentemente industrial&#8221;. O autor, que na d\u00e9cada de 80 viria a escrever o livro &#8220;Racionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o&#8221;, evidencia a necessidade de reconsiderar os fundamentos da produ\u00e7\u00e3o no campo da constru\u00e7\u00e3o, &#8220;para imprimir-lhe um rumo completamente novo mediante a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios pr\u00f3prios aos sistemas industriais&#8221;.<\/p>\n<p>Os argumentos de Rosso para a promo\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o eram justificados, essencialmente, pelos expressivos n\u00fameros do d\u00e9ficit habitacional em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o habitacional e ao aumento populacional: &#8220;no nosso pa\u00eds, onde as fontes estat\u00edsticas mais categorizadas indicam um d\u00e9ficit atual de 3 milh\u00f5es de resid\u00eancias, constroem-se c\u00earca de 100 mil casas por ano. Como consequ\u00eancia, houve por exemplo, no Estado da Guanabara um aumento de favelados de 300 mil em 1952 a um milh\u00e3o e duzentos mil em 1960&#8221;. Ao mesmo tempo, o autor faz uma cr\u00edtica forte em rela\u00e7\u00e3o ao modelo convencional da constru\u00e7\u00e3o, classificado como &#8220;um artesanato mais ou menos primitivo, incapaz de dar uma contribui\u00e7\u00e3o eficaz e patente&#8221; \u00e0 quest\u00e3o habitacional enfrentada em raz\u00e3o de seus \u00edndices de produtividade muito baixos. Mas esquece que este modelo, por outras raz\u00f5es que n\u00e3o a produtividade a qualquer custo, tem sido refer\u00eancia para uma expressiva parcela de autoconstrutores e construtores diretos de edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O autor apresenta as principais &#8220;caracter\u00edsticas negativas&#8221; do est\u00e1gio da constru\u00e7\u00e3o, \u00e0quela \u00e9poca &#8211; desperd\u00edcio de tempo, desperd\u00edcio de materiais, lentid\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o, previs\u00e3o do tempo de execu\u00e7\u00e3o e dos custos, intromiss\u00e3o de leigos, e aponta opera\u00e7\u00f5es (padroniza\u00e7\u00e3o tipol\u00f3gica, padroniza\u00e7\u00e3o dimensional, padroniza\u00e7\u00e3o normativa de produto, padroniza\u00e7\u00e3o normativa de projeto) como necess\u00e1rias ao processo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, os problemas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o civil no Brasil, detectados por Rosso, ainda permanecem: lento desenvolvimento tecnol\u00f3gico, baixa efici\u00eancia produtiva e baixo n\u00edvel de qualidade do produto final. O setor, de fato, sobrevive dentro de um cen\u00e1rio econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social bastante vari\u00e1vel e com uma forma\u00e7\u00e3o complexa e heterog\u00eanea. Esse cen\u00e1rio, ainda vigente, demonstra, no m\u00ednimo, que a resposta para o setor da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o era t\u00e3o simples assim. Rosso chega a culpar &#8220;a vivacidade e genialidade peculiares ao esp\u00edrito latino&#8221; bem como a &#8220;relut\u00e2ncia e oposi\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e0 uniformidade como respons\u00e1veis pelas dificuldades na implanta\u00e7\u00e3o da padroniza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Preconceituosamente, Teodoro Rosso declara que as poss\u00edveis raz\u00f5es est\u00e9ticas, que podem limitar a liberdade de express\u00e3o, devem ter &#8220;valor leg\u00edtimo&#8221; somente em constru\u00e7\u00f5es de luxo. Para o autor, a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o responde bem \u00e0s exig\u00eancias das edifica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas: custo, praticidade, comodidade e higiene.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o como solu\u00e7\u00e3o para habita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 discutida no contexto internacional, em quatro artigos. No primeiro, Richard D. Ahern, em &#8220;Cinco f\u00f3rmulas falsas para habita\u00e7\u00e3o&#8221; (Arquitetura IAB, 1964, n. 23, p.16-19) faz uma an\u00e1lise cr\u00edtica dos modelos ocidentais habitacionais por meio de cinco aspectos: densidade versus habitabilidade, dist\u00e2ncias dos percursos dos moradores, cientificidade das unidades de habita\u00e7\u00e3o, uniformidade aliada \u00e0 economia e modernidade do projeto. O autor revela que tem encontrado nestes modelos, &#8220;centros comerciais impessoais&#8221;, &#8220;monotonia&#8221;, &#8220;planos orientados para o tr\u00e1fego de autom\u00f3veis&#8221;, &#8220;poucos ind\u00edcios das grandes tradi\u00e7\u00f5es de ajardinamento&#8221; e &#8220;uniformidade&#8221;.<\/p>\n<p>No segundo, o artigo &#8220;Pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o&#8221; (Aquitetura IAB, 1965, n.40, p.5) apresenta, entre outros aspectos, a vantagem do trabalho em canteiro de obra se reduzir &#8220;a simples a\u00e7\u00f5es de unir elementos pr\u00e9-fabricados, mont\u00e1-los, juntar acess\u00f3rios e alguma decora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O terceiro artigo, &#8220;Os arquitetos europeus e a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o&#8221; (Arquitetura IAB, 1966, n.45, p.25-30), apresenta as opini\u00f5es dos arquitetos Jean Prouve, Marcel Lode, E. F. Groosman, Walter Henn e Jean Balladur sobre os problemas da industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, da pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o e da racionaliza\u00e7\u00e3o dos processos construtivos. A nosso ver, um artigo que demonstra as inten\u00e7\u00f5es dos arquitetos em acelerar o &#8220;per\u00edodo de progresso&#8221; por meio da modifica\u00e7\u00e3o das &#8220;dimens\u00f5es do aparelhamento da produ\u00e7\u00e3o&#8221; bem como refor\u00e7ar as premissas do modernismo que v\u00ea o edif\u00edcio apenas como objeto.<\/p>\n<p>No quarto artigo, &#8220;M\u00f3dulo-habita\u00e7\u00e3o&#8221; (Dirigente Construtor, 1969, n.5, p.26-32), o sistema apresentado pela primeira vez no conhecido projeto-modelo Habitat 67, da Feira Mundial do Canad\u00e1, despertou enorme interesse pela maior rapidez de execu\u00e7\u00e3o e pelas possibilidades de opera\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do solo, promovendo maior facilidade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesse amplo cen\u00e1rio de discuss\u00e3o sobre padroniza\u00e7\u00e3o, dimensionamento e racionaliza\u00e7\u00e3o, a normaliza\u00e7\u00e3o modular surge como tema importante no artigo &#8220;A coordena\u00e7\u00e3o modular e a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o&#8221; (Arquitetura IAB, 1967, n.57, p.12-14), do arquiteto Fernando Aguirre de Yraola. Ainda que o tema da coordena\u00e7\u00e3o modular j\u00e1 tenha sido introduzido desde os anos 60, os arquitetos contempor\u00e2neos t\u00eam aplicado, quando \u00e9 o caso, mais a coordena\u00e7\u00e3o dimensional de componentes do que a coordena\u00e7\u00e3o modular como estrat\u00e9gia do projeto.<\/p>\n<p>Os artigos &#8220;Projeto de um sistema de montagem de casa&#8221; (M\u00f3dulo, 1963, n.33, p.18), &#8220;Habita\u00e7\u00f5es pr\u00e9-fabricadas, desmont\u00e1veis, de crescimento Ilimitado&#8221; (Arquitetura Brasileira do Ano, 1967, n.1, p.20-23), &#8220;Unidade de habita\u00e7\u00e3o pr\u00e9-fabricada&#8221; (Acr\u00f3pole, 1967, n.343, p.43-45) e &#8220;Teatro Nacional de Budapeste&#8221; (Arquitetura IAB, 1968, n.74 p.2-3), s\u00e3o exemplos de experi\u00eancias de arquitetura pr\u00e9-fabricada. A experimenta\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m comparece na arquitetura do \u00edcone modernista brasileiro, Oscar Niemeyer, com uma solu\u00e7\u00e3o de projeto de escola que poderia ser replicado por todo o pa\u00eds &#8211; &#8220;Escola prim\u00e1ria&#8221; (M\u00f3dulo, 1963, n.32, p.46-47 j\u00e1 que trata o edif\u00edcio como padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o das premissas das unidades habitacionais modernas, o arquiteto Paulo Magalh\u00e3es, no artigo &#8220;Habita\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias&#8221; (Arquitetura IAB, 1965, n.40, p.14-15), critica os programas habitacionais ao afirmar que s\u00e3o, &#8220;quase sempre, a multiplica\u00e7\u00e3o do projeto de uma casa burguesa, de classe m\u00e9dia, simplificada e reduzida a dimens\u00f5es m\u00ednimas, e que, uma vez executados, como tem demonstrado a experi\u00eancia, deterioram e degeneram em favelas de alvenaria&#8221;. Tamb\u00e9m por outra abordagem, o arquiteto Ac\u00e1cio Gil Borsoi prop\u00f5e a &#8220;Pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o em taipa&#8221; (Arquitetura IAB, 1965, n.40, p.6-9), t\u00e9cnica construtiva usada no Brasil Col\u00f4nia, mas realizada em processo industrial e modular. Entretanto, o mais importante neste artigo a nosso ver, \u00e9 a abordagem do autor em rela\u00e7\u00e3o ao problema da habita\u00e7\u00e3o: &#8220;a casa \u00e9 o efeito e n\u00e3o a causa do desequil\u00edbrio social e econ\u00f4mico, e assim sendo, deve ser encarada, como espelho de uma realidade&#8221;.<\/p>\n<p>Outra cr\u00edtica, desta vez ao sistema de industrializa\u00e7\u00e3o preconizada por na\u00e7\u00f5es de economia forte, \u00e9 feita em dois artigos. No primeiro, &#8220;Sistema de Pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o leve de canteiro&#8221; (Arquitetura IAB, 1965, n.40, p.30-31), o arquiteto Jaime Herdoiza Cobo e o engenheiro Aldo Coti-zelati apresentam um sistema, segundo os autores, adequados &#8220;\u00e0s caracter\u00edsticas naturais do nosso pa\u00eds&#8221;: &#8220;racionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o de elementos pr\u00e9-moldados de pequeno porte diretamente no local da obra, utilizando materiais e m\u00e3o-de-obra locais, eliminando o transporte, os equipamentos especiais de levantamento e procurando trazer benef\u00edcios de ordem econ\u00f4mico-social para a regi\u00e3o&#8221;. No segundo artigo, &#8220;Pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o de canteiro&#8221; (Dirigente Construtor, 1968, n.10, p.37-42), \u00e9 apresentado um m\u00e9todo desenvolvido para a realidade brasileira: &#8220;algumas paredes funcionam como elementos estruturais e recebem um determinado tratamento, enquanto outras s\u00e3o apenas elementos de veda\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Nesta d\u00e9cada, o destaque dado \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia estar desvinculada \u00e0s propagandas de t\u00e9cnicas e de materiais que visavam, principalmente, a otimiza\u00e7\u00e3o de tarefas e de tempo nas obras. Para as coberturas, tr\u00eas solu\u00e7\u00f5es comparecem. Primeiro, o uso de infl\u00e1veis no artigo sobre a &#8220;Cobertura inflada&#8221; (Dirigente Construtor, 1966, n.2, p.26-30), como solu\u00e7\u00e3o que precisa de leveza e da rapidez na montagem. Segundo, o uso das &#8220;Lajes Volterrana&#8221; (Acr\u00f3pole, 1967, n.344, capainterna), representando economia m\u00faltipla: redu\u00e7\u00e3o de escoramento e formas, economia de 70% na m\u00e3o de obra, sem servi\u00e7o de arma\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de prazo de execu\u00e7\u00e3o, menor peso, maior resist\u00eancia, concretagem simult\u00e2nea das instala\u00e7\u00f5es, isola\u00e7\u00e3o termo-ac\u00fastica, variedade de dimens\u00f5es. E, o terceiro, a cobertura &#8220;Economit Brasilit&#8221; (Dirigente Construtor, 1967, n.12, p.51) associada ao Plano Nacional de Habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois artigos tratam de instala\u00e7\u00f5es. No artigo &#8220;Instala\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria para casa popular&#8221; (Acr\u00f3pole, 1963, n.293, p.154), o arquiteto Oswaldo Arthur Bratke apresenta continua\u00e7\u00e3o de seus estudos apresentados nos anos 1950 (ver &#8220;detalhes t\u00e9cnicos&#8221; &#8211; Acr\u00f3pole, 1954, n.187, p.349-350). O artigo &#8220;Tubos de interliga\u00e7\u00e3o de pisos&#8221; (Acr\u00f3pole, 1963, n.293, p.153) apresenta a solu\u00e7\u00e3o para a &#8220;descida de lixo&#8221;.<\/p>\n<p>A pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passa a ser usada como propaganda para acabamentos &#8211; o reboco pr\u00e9-fabricado auto-impermeabilizante &#8220;Novo Itacreto&#8221; (Dirigente Construtor, 1965, n.3, p.39) &#8211; e elementos de veda\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;Painel Tigre&#8221; (Dirigente Construtor, 1965, n.12, p.46), blocos de concreto &#8220;Blocrete&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1963, n.64, p.XIII) bem como os &#8220;Blocos Arci&#8221; (Dirigente Construtor, 1968, n.2, s.p.).<\/p>\n<p>Por outro vi\u00e9s, o artigo &#8220;Prensa manual&#8221; (Dirigente Construtor, 1966, n.3, p.29-32) apresenta a prensa manual, conhecida mundialmente pela sigla CINVA-RAM, como equipamento importante no setor de habita\u00e7\u00f5es de interesse social. A prensa permite a fabrica\u00e7\u00e3o de blocos econ\u00f4micos de solo-cimento ou solo-cal, alcan\u00e7ando a produ\u00e7\u00e3o de 600 unidades por dia com apenas um operador.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1970<\/strong><\/h4>\n<p>Os argumentos para que a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o brasileira se efetive urgentemente, assim como na d\u00e9cada de 50, comparecem no artigo &#8220;Subs\u00eddios para uma pol\u00edtica de industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o no Brasil&#8221; (Acr\u00f3pole, 1970, n.380, p.32-37 do arquiteto Paulo Bruna. O autor trata, primeiramente, da experi\u00eancia europ\u00e9ia, baseada na id\u00e9ia central de Walter Gropius que a moradia \u00e9 um &#8220;problema de necessidade das massas&#8221;. Sendo assim, nega a possibilidade de qualquer interven\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio no processo industrial de fabrica\u00e7\u00e3o de casas (devendo ser normalizado e seriado) e amplia a atua\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos no alcance de resultados satisfat\u00f3rios no que se refere \u00e0 economia, mas tamb\u00e9m, tecnologia e forma. Paulo Bruna coloca a industrializa\u00e7\u00e3o como base necess\u00e1ria de uma pol\u00edtica habitacional mais segura e mais organizada, mas n\u00e3o explicita as consequ\u00eancias para os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil embebidos pelo saber dos processos artesanais. Os benef\u00edcios do rigor da produ\u00e7\u00e3o industrializada ficam claros para o leitor (industrial, arquiteto ou t\u00e9cnico), mas nem tanto para os trabalhadores.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio da pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o e da industrializa\u00e7\u00e3o, exemplos de habita\u00e7\u00f5es s\u00e3o mostrados, mas vinculando a quest\u00e3o habitacional \u00e0 solu\u00e7\u00e3o puramente t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>(1) Oscar Niemeyer mostra as &#8220;Habita\u00e7\u00f5es coletivas&#8221; (Acr\u00f3pole, 1970, n.369, p.29) &#8220;com o objetivo de enfrentar, em grande escala, o problema habitacional de Bras\u00edlia&#8221;;<\/p>\n<p>(2) o projeto da &#8220;Casa-Tubo&#8221; (Acr\u00f3pole, 1971, n.390-91, p.35) trata a moradia como um &#8220;objeto, isto \u00e9, como resultado de um sistema construtivo&#8221;;<\/p>\n<p>(3) a casa apresentada no artigo &#8220;Casas Pr\u00e9-fabricadas em fiberglass&#8221; (Acr\u00f3pole, 1971, n.390-91, p.36) apresenta uma solu\u00e7\u00e3o dos problemas para &#8220;casas de veraneio, acampamentos de obra para locais de d\u00edfical acesso&#8221;. No m\u00ednimo, demonstra o err\u00f4neo entendimento do que seja o universo da habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na contra m\u00e3o da busca pela resposta aos problemas habitacionais pela tecnologia, s\u00e3o apresentados os programas africanos das &#8220;Aldeias Comunais&#8221; (M\u00f3dulo, 1977, n.47, p.24-25) e da &#8220;Autoconstru\u00e7\u00e3o assistida&#8221; (M\u00f3dulo, 1977, n.47, p.26-27, mostrando que a solu\u00e7\u00e3o poderia n\u00e3o estar vinculada \u00e0 tecnologia, O primeiro programa, no vale do Limpopo, utiliza &#8220;amplamente a experi\u00eancia do habitat tradicional&#8221; e seus materiais locais. &#8220;As fam\u00edlias s\u00e3o convidadas a constru\u00edrem inicialmente tr\u00eas pe\u00e7as, aumentado gradativamente a moradia pela justaposi\u00e7\u00e3o de novos c\u00f4modos (um m\u00e1ximo de nove) em torno de um central&#8221;. No segundo programa, as opera\u00e7\u00f5es da autoconstru\u00e7\u00e3o s\u00e3o apresentadas como a solu\u00e7\u00e3o mais adequada \u00e0 realidade social e econ\u00f4mica de Maputo: &#8220;em grupos de oito ou dez fam\u00edlias apoiadas nos fins de semana, por brigadas de volunt\u00e1rios, as obras s\u00e3o constru\u00eddas simultaneamente, de acordo com os planos executados pela Dire\u00e7\u00e3o da Habita\u00e7\u00e3o que distribuiu folhetos ensinando como realiz\u00e1-las e apoiando, atrav\u00e9s de um estaleiro, com o fornecimento de materiais de constru\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>As propagandas continuam a promover a racionaliza\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e a cultura do cimento e do concreto: as &#8220;Lajes Volterrana&#8221; (Arquiteto, 1972, n.7, p.6) e o &#8220;Verobloco&#8221; (Arquiteto, 1978, n.56, p.18). Importante lembrar da divulga\u00e7\u00e3o da normaliza\u00e7\u00e3o do bloco de concreto estrutural, em refer\u00eancia ao trabalho do arquiteto Carlos Tauil, &#8220;Blocos de concreto com fun\u00e7\u00e3o estrutural agora normalizados&#8221; (Arquiteto, 1978, n.56, p.19). Tauil foi um dos pioneiros da implanta\u00e7\u00e3o da alvenaria estrutural no Brasil e, em 1981, viria a publicar o livro &#8220;Alvenaria estrutural&#8221;. Nesta mat\u00e9ria publicit\u00e1ria, recomenda a utiliza\u00e7\u00e3o do bloco de concreto, criando a expectativa de ser mais aceito frente ao concreto convencional.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1980<\/strong><\/h4>\n<p>No que se refere ao foco de aten\u00e7\u00e3o, duas mudan\u00e7as significativas devem ser ressaltadas. A primeira, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 importante an\u00e1lise cr\u00edtica sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas habitacionais e os processos de produ\u00e7\u00e3o no canteiro de obras bem como as diretrizes do urbanismo e das habita\u00e7\u00f5es do movimento moderno. A segunda, referindo-se \u00e0s experi\u00eancias dos projetos habitacionais internacionais da Argentina e de Cuba, e n\u00e3o mais somente os da Europa.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o pol\u00edtica da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 tratada em dois artigos. Em &#8220;A pol\u00edtica habitacional como mecanismo de acumula\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o&#8221; (Projeto, 1985, n.77, p.104-106), o &#8220;elevado grau de participa\u00e7\u00e3o do Estado na provis\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es gerais de produ\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da harmonia social&#8221; \u00e9 ressaltado. Os argumentos trazidos da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do arquiteto Pascoal M\u00e1rio Costa Guglielmi, sintetizados neste artigo, demonstram que &#8220;a pol\u00edtica habitacional, refletindo a l\u00f3gica desse Estado, longe de constituir-se num mecanismo de enfrentamento do problema de car\u00eancia de moradias, \u00e9 utilizada como implemento pol\u00edtico a gerar renda e empregos no campo econ\u00f4mico pela articula\u00e7\u00e3o de medidas de cunho social. Dessa forma, os insucessos experimentados ao longo de seus vinte anos de exist\u00eancia podem ser atribu\u00eddos ao fato de a produ\u00e7\u00e3o habitacional n\u00e3o lhe ser o objetivo final, mas o meio pelo qual se busca garantir os objetivos do Estado de garantir a acumula\u00e7\u00e3o (pelo carregamento de recursos ao setor privado da economia) e a legitima\u00e7\u00e3o (pela abordagem de uma quest\u00e3o popular central como a da casa pr\u00f3pria)&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 o artigo &#8220;Habita\u00e7\u00e3o popular&#8221; (M\u00f3dulo, 1984, n.81, p.53-57 apresenta a trajet\u00f3ria das COHABs no Brasil e o caso espec\u00edfico de Belo Horizonte. O arquiteto Ralfo Edmundo Matos distingue tr\u00eas per\u00edodos de atua\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o: a) do in\u00edcio de seu funcionamento at\u00e9 1969; b) de 1970 a 1974; c) de 1975 at\u00e9 1980. Como conclus\u00f5es o autor faz as seguintes considera\u00e7\u00f5es: &#8220;somente em 1982 \u00e9 que o total de unidades vendidas pela COHAB em Belo Horizonte obteve um \u00edndice representativo, isto \u00e9, 13% do total de habita\u00e7\u00f5es legalmente constru\u00eddas em Belo Horizonte. Entretanto, sabemos que a grande maioria das habita\u00e7\u00f5es s\u00e3o constru\u00eddas clandestinamente. Em Belo Horizonte, o volume de constru\u00e7\u00f5es irregulares gira em torno de 70% do total edificado. Raramente ocorre uma participa\u00e7\u00e3o das unidades habitacionais legalmente aprovadas acima de 40% do total de habita\u00e7\u00f5es constru\u00eddas em Belo Horizonte. Isto significa que, em termos de alojamentos populares, os esfor\u00e7os realizados nas periferias urbanas (na forma de mutir\u00e3o, auto constru\u00e7\u00e3o, ou empreitada), com base em pequenas poupan\u00e7as arduamente acumuladas, s\u00e3o de longe os principais respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de baixa renda.&#8221;<\/p>\n<p>Outra cr\u00edtica, feita por Erm\u00ednia Maricato, refere-se \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es entre os equipamentos consumidos e a qualidade da constru\u00e7\u00e3o e do espa\u00e7o das moradias. Seu artigo &#8220;Os equipamentos da casa popular&#8221; (M\u00f3dulo, 1982, n.69, p.28-30), mostra que &#8220;o interior da casa popular revela, aos olhos de quem o analisa, as contradi\u00e7\u00f5es da vida dom\u00e9stica, do universo ideol\u00f3gico, do padr\u00e3o de consumo, enfim do proletariado&#8221;. E constata que &#8220;o padr\u00e3o de consumo criado pelo tipo de crescimento industrial adotado pelo capitalismo brasileiro a partir dos anos 50, que se combina contraditoriamente a uma situa\u00e7\u00e3o de baixo poder aquisitivo e de precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras&#8221;.<\/p>\n<p>Tardiamente, mas em tempo, a necessidade do reconhecimento do favelado como &#8220;cidad\u00e3o urbano completo&#8221; \u00e9 expressa pelo arquiteto Hartmut Thimel no artigo &#8220;Habita\u00e7\u00e3o para popula\u00e7\u00e3o de baixa renda&#8221; (M\u00f3dulo, 1984, n.81, p.66-69). O autor prop\u00f5e os esquemas de autocosntru\u00e7\u00e3o e mutir\u00e3o como adequados &#8220;\u00e0s aspira\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-cultural-econ\u00f4micas da popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Nada mais oportuno, nesse cen\u00e1rio, do que a presen\u00e7a da resenha do livro &#8220;O canteiro e o desenho&#8221; (Ch\u00e3o &#8211; Revista de Arquitetura, 1980, n.8, p.30-31), do arquiteto Sergio Ferro, escrita por Paulo Bicca. &#8220;S\u00e9rgio Ferro nos mostra o ritual do projeto e o papel dos sacerdotes, sem os mist\u00e9rios e os paramentos que os representam sempre travestidos e os encobrem com o manto da mistifica\u00e7\u00e3o. Pela critica radical do projeto arquitet\u00f4nico e suas rela\u00e7\u00f5es com o canteiro, Ferro desmistifica as rela\u00e7\u00f5es existentes entre o conceber e o construir. Ao romper com as vis\u00f5es fetichizadas e fetichizadoras da produ\u00e7\u00e3o da arquitetura, a sua cr\u00edtica nos mostra os v\u00ednculos existentes entre o projeto e o canteiro n\u00e3o como rela\u00e7\u00e3o entre coisas, mas como rela\u00e7\u00e3o entre trabalhos socialmente distintos e antag\u00f4nicos, medializados por coisas: trata-se, no caso, do trabalho do arquiteto e das suas rela\u00e7\u00f5es conflitantes com o trabalho dos oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o&#8221;. Bicca considera a abordagem de Ferro, uma &#8216;revolu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica&#8217;, no dom\u00ednio da critica arquitet\u00f4nica.<\/p>\n<p>Ainda que outras cr\u00edticas n\u00e3o tenham o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do livro de S\u00e9rgio Ferro, devem ser consideradas relevantes frente \u00e0s restri\u00e7\u00f5es pol\u00edticas enfrentadas desde a \u00e9poca da ditadura. No artigo &#8220;As Dimens\u00f5es da Habita\u00e7\u00e3o&#8221; (Projeto, 1985, n.77, p.95-103), de Thereza Christina Couto Carvalho, s\u00e3o discutidos subs\u00eddios para a an\u00e1lise do bom desempenho dos conjuntos habitacionais. Em uma an\u00e1lise inicial destes, a autora revela a &#8220;artificialidade, no que s\u00e3o consp\u00edcuos, nada tendo a ver com a paisagem da cidade, que se organizou naturalmente&#8221;, criticando a racionaliza\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o &#8220;de um padr\u00e3o de ordena\u00e7\u00e3o espacial, de cuja elabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o participou, todavia, a popula\u00e7\u00e3o diretamente atingida pelo empreendimento da\u00ed resultante&#8221;. Em seguida, demonstra que &#8220;a natureza peculiar dos conjuntos habitacionais parece manter, por conseguinte, estreita rela\u00e7\u00e3o com um processo de produ\u00e7\u00e3o, que condiciona a oferta de moradias aos crit\u00e9rios da economia de escala, reduzindo a possibilidade de escolha e\/ou participa\u00e7\u00e3o do benefici\u00e1rio final&#8221;.<\/p>\n<p>No artigo &#8220;Arquitetura e Ind\u00fastria&#8221; (M\u00f3dulo, 1984, n.80, p.46-49), Roberto Pontual apresenta a rela\u00e7\u00e3o entre a ind\u00fastria, o uso intensivo do cimento e o trabalho dos arquitetos. &#8220;Prop\u00edcia \u00e0 ind\u00fastria, a atualidade da arquitetura avan\u00e7a impulsionada por um vasto confronto entra a auto-constru\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o em cadeia. De um lado, os supermercados de bricolage, cada vez mais frequentes e sofisticados nas grandes cidades, oferecem a qualquer um todos os materiais e instrumentos necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria casa. Ao mesmo tempo, n\u00e3o poucos arquitetos e urbanistas &#8211; a exemplos de Walter Segal, Lucien Kroll, Doris e Ralph Thut, Christopher Alexander &#8211; decidiram-se a abandonar a reclus\u00e3o de seus gabinetes para trabalhar em contato muito estreito com esse novo tipo de usu\u00e1rio construtor&#8221;. Al\u00e9m da apresenta\u00e7\u00e3o de paradoxos vividos pela arquitetura, o autor demonstra que na medida em a industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre de fato, mas sim uma mecaniza\u00e7\u00e3o de tarefas, uma outra gama de possibilidades para a habita\u00e7\u00e3o social surge, entre elas, a autoconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um outro importante questionamento sobre os conjuntos habitacionais \u00e9 feito no artigo &#8220;Cidade funcional versus figurativa&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.9, p.64-66), a partir da constata\u00e7\u00e3o do arquiteto Carlos Eduardo Comas de que &#8220;os conjuntos habitacionais endossam um paradigma de projeto da cidade funcional, inspirado na Carta de Atenas&#8221;. Embora essa constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja de fato surpreendente, permitiu a elabora\u00e7\u00e3o de uma compara\u00e7\u00e3o entre os aspectos morfol\u00f3gicos da funcional e da cidade, chamada por Comas, de figurativa. A hip\u00f3tese do autor \u00e9 &#8220;trabalhar com a popula\u00e7\u00e3o a partir de dados significativos mais concretos&#8221;, derrubando a imagem do arquiteto &#8220;super-homem&#8221; veiculado pelo movimento moderno.<\/p>\n<p>A &#8220;perda do car\u00e1ter human\u00edstico-ideol\u00f3gico da Arquitetura Moderna&#8221;, apontado por Comas, bem como a &#8220;aus\u00eancia de reflex\u00f5es cr\u00edticas&#8221; dentro das escolas de arquitetura, s\u00e3o os pontos de partida da entrevista com o arquiteto Jon Maitrejean, no artigo &#8220;Sem (essa) est\u00e9tica&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.7, p.44-45). Maitrejean afirma que &#8220;a arquitetura existiu com inten\u00e7\u00e3o human\u00edstica nesses 40 anos mas n\u00e3o produziu nada significativo para o povo&#8221;. As faculdades n\u00e3o potencializaram a discuss\u00e3o da arquitetura, segundo o arquiteto, e aponta o surgimento das revistas Projeto e AU como importantes nesse cen\u00e1rio acr\u00edtico vivido at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, exemplos da arquitetura argentina e cubana s\u00e3o buscados talvez com o objetivo de tentar fazer brotar a cr\u00edtica ainda incipiente aos anos modernistas. O artigo sobre o &#8220;Conjunto Habitacional Soldati&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.9, p.50-52) parte da constata\u00e7\u00e3o do grave problema habitacional na Argentina &#8220;onde aproximadamente 1\/3 da popula\u00e7\u00e3o vive em habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias&#8221;. A fim de &#8220;evitar massifica\u00e7\u00e3o do conjunto e o efeito negativo sobre seus habitantes&#8221;, o arquiteto Jorge Goldemberg afirma ter procurado &#8220;individualizar as moradias, criando situa\u00e7\u00f5es variadas na estrutura ordenada e bastante econ\u00f4mica&#8221;. Entretanto, o conjunto de unidades de habita\u00e7\u00e3o, associado aos centros comerciais, escola e hospital, abrigando uma popula\u00e7\u00e3o estimada em 24.000 habitantes, parece ter respondido muito mais as premissas do movimento moderno. Para o conjunto de Soldati foram transferidas popula\u00e7\u00f5es que viviam em favelas pr\u00f3ximas \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o de Retiro e na zona onde se erguia o Hotel Sheraton.<\/p>\n<p>Diretamente de Buenos Aires, a correspondente Layla Y. Massuh, entrevistou o historiador F\u00e9lix Luna, o poeta e romancista Nicol\u00e1s C\u00f3caro e o arquiteto Juan Molina e Vedia, em artigo &#8220;De cinzas a diamantes&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.7, p.80-81). Uma importante conclus\u00e3o \u00e9 colocada como parte das reflex\u00f5es de todo o texto: &#8220;temos que ensinar nas nossas Faculdades que para fazer uma Arquitetura criativa n\u00e3o se necessita alta tecnologia. Na busca da simplicidade dentro da qualidade e de modelos ligados a nossa realidade est\u00e1 o caminho da arquitetura latino-americana&#8221;. No artigo seguinte, &#8220;Deslocando o eixo&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.7, p.82-83), Layla Y. Massuh conversou com os arquitetos Jos\u00e9 Luis Bacigalupo, Francisco Garcia Vazquez e Jorge Osvaldo riopedre sobre os problemas urban\u00edsticos argentinos e a proposta de desenvolvimento urbano para a Patag\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, L\u00edvia \u00e1lvares Pedreira entrevista o arquiteto Roberto Segre sobre os impasses da arquitetura cubana, intitulada &#8220;Para uma reformula\u00e7\u00e3o&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1986, n.7, p.84-87. Referindo-se \u00e0s possibildiades de sanar o problema da habita\u00e7\u00e3o, Segre afirma que &#8220;no capitalismo, a tecnologia apropriada \u00e9 uma tecnologia segregada atrav\u00e9s da qual se tenta resolver problemas sem a participa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e industrial do pa\u00eds&#8221;. Entretanto, questiona a repeti\u00e7\u00e3o da arquitetura vernacular ou a casa do campon\u00eas com teto de duas \u00e1guas como solu\u00e7\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s propagandas de t\u00e9cnicas e materiais, est\u00e3o presentes os m\u00f3dulos met\u00e1licos, as telhas, blocos e uma discuss\u00e3o sobre o uso da madeira, em contraponto com a intensidade de men\u00e7\u00f5es ao cimento e ao concreto armado. Na sess\u00e3o &#8220;Mem\u00f3ria&#8221; da revista, o artigo &#8220;Vamos construir com a madeira&#8221; (M\u00f3dulo, 1985, n.87, p.20-21) apresenta uma discuss\u00e3o sobre o uso desse material. O construtor Jos\u00e9 Zanine Caldas afirma que o Brasil n\u00e3o aplica a madeira na constru\u00e7\u00e3o, como deveria na medida em que o pa\u00eds \u00e9 uma &#8220;na\u00e7\u00e3o florestal&#8221;, resultante de uma &#8220;campanha muito grande e mentirosa&#8221; sobre o material. N\u00e3o obstante, essa percep\u00e7\u00e3o deve estar aliada ao fato de que o pa\u00eds tem promulgado o uso do cimento e a implanta\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias nacionais. Zanine prop\u00f5e o reaproveitamento deste material como mat\u00e9ria-prima para a autoconstru\u00e7\u00e3o e afirma: &#8220;se esses 40% da nossa popula\u00e7\u00e3o que hoje vivem em condi\u00e7\u00f5es subumanas tivessem consci\u00eancia de que podem construir uma boa casa em madeira, eles hoje estariam vivendo melhor&#8221;.<\/p>\n<p>Os m\u00f3dulos met\u00e1licos foram apresentados no artigo &#8220;Rapidez e baixo custo na habita\u00e7\u00e3o&#8221; (Projeto, 1984, n.61, p.49-53), mas, de fato, aplic\u00e1veis em alojamentos, ambulat\u00f3rios, escolas, sanit\u00e1rios coletivos por meio de um m\u00f3dulo embri\u00e3o, que pudesse ser fabricado em escala industrial. Tamb\u00e9m no artigo &#8220;M\u00f3dulo Met\u00e1lico&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1988, n.20, p.112) o m\u00f3dulo met\u00e1lico UMA &#8211; Unidade de M\u00f3vel Aut\u00f4noma &#8211; \u00e9 apresentado para hospital, posto de vacina\u00e7\u00e3o volante, unidades de pesquisa avan\u00e7ada, postos de fronteira, escolas e alojamento em canteiro de obras&#8221;. Como nos anos 1970, as propagandas de pr\u00e9-moldados &#8211; &#8220;Premo&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1989, n.161, p.1), e telhas de cimento amianto &#8211; &#8220;Telhas Eternit&#8221; (M\u00f3dulo, 1982, n.72, capa interna), ainda comparecem.<\/p>\n<h4><strong>Os anos 1990<\/strong><\/h4>\n<p>Nesse per\u00edodo, cresce a divulga\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisas vinculados \u00e0 quest\u00e3o habitacional realizadas, sobretudo, nas universidades brasileiras. Mas, tamb\u00e9m, pr\u00e1ticas alternativas \u00e0s existentes come\u00e7am a fazer presen\u00e7a. Um exemplo disso \u00e9 o trabalho desenvolvido pelo N\u00facleo de Pesquisa em Tecnologia de Arquitetura e Urbanismo (NUTAU\/USP), apresentado no artigo &#8220;Universidade cria pr\u00e9-moldados para autoconstru\u00e7\u00e3o&#8221; (Projeto, 1996, n.193, p.24), que tem o principal objetivo de aumentar a efici\u00eancia da autoconstru\u00e7\u00e3o no pa\u00eds atrav\u00e9s da oferta de pr\u00e9-fabricados adequados. Outro exemplo s\u00e3o os edif\u00edcios do alojamento de estudantes, da creche-escola, do restaurante e do centro comunit\u00e1rio, constru\u00eddos em pr\u00e9-fabricados de cer\u00e2mica e executados pelo &#8220;Laborat\u00f3rio de Habita\u00e7\u00e3o Popular&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1991, n.35, p.16) da Unicamp. A tecnologia, aperfei\u00e7oada pelo arquiteto Joan Vill\u00e1, tinha sido aplicada em outras obras para a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda das cidades Duartina e Socorro (SP), al\u00e9m de um conjunto no bairro de Graja\u00fa, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>E, por fim os trabalhos do Grupo de Habita\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Carlos, intitulado &#8220;Casas sem limites&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1998, n.75, p.19). O GHab \u00e9 composta por uma equipe que procura &#8220;desenvolver conceitos e t\u00e9cnicas aplic\u00e1veis \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas habita\u00e7\u00e3o social&#8221;. Al\u00e9m de &#8220;pesquisar processos de pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o em madeira, terra crua, concreto e materiais sint\u00e9ticos, os trabalhos procuram apontar novas formas de morar adequadas aos recentes modelos de fam\u00edlia&#8221;.<\/p>\n<p>Outras pesquisas, patrocinadas por empresas privadas, comparecem. Por exemplo, o projeto da &#8220;Cojan&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1990, n.162, p.9-11), objetivando o aumento da produtividade e qualidade das obras. &#8220;Os pressupostos iniciais se fundamentaram na busca de autonomia para se operar em qualquer regi\u00e3o, a partir da instala\u00e7\u00e3o de usinas de canteiro, al\u00e9m de se ter condi\u00e7\u00f5es de maior flexibilidade nos moldes de fabrica\u00e7\u00e3o, podendo atender aos mais variados projetos. Os resultados positivos desse trabalho podem ser confirmados com a entrega de mais de 10.000 unidades habitacionais no sistema COJAN de constru\u00e7\u00e3o industrializada, em seus 10 anos de opera\u00e7\u00e3o em diversos pontos do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Em contraponto, o artigo &#8220;A casa de Albano&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1992, n.41, p.40-43) revela toda a simplicidade e coer\u00eancia da autoconstru\u00e7\u00e3o em taipa e palha.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a da habita\u00e7\u00e3o como tema de discuss\u00e3o parece estar garantida ainda por d\u00e9cadas. O pr\u00e9-debate da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Istambul, 1996, relacionou n\u00e3o s\u00f3 a moradia como foco de aten\u00e7\u00e3o, mas, naturalmente, suas vincula\u00e7\u00f5es como urbaniza\u00e7\u00e3o, posse de terra, gest\u00e3o urbana e mesmo a participa\u00e7\u00e3o feminina, al\u00e9m do &#8220;direito \u00e0 cidade&#8221;, instaurado por Henri Lef\u00e8bvre na d\u00e9cada de 60.<\/p>\n<p>Nesse sentido, dois conjuntos habitacionais s\u00e3o apresentados no artigo &#8220;O direito ao centro&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1996, n.63, p.42-48) como &#8220;provas do amadurecimento profissional&#8221; em um &#8220;per\u00edodo em que a resist\u00eancia, reivindicada como atitude projetual, revela-se a principal baliza dos debates sobre a arquitetura na Am\u00e9rica Latina&#8221;. O primeiro projeto, de Siegbert Zanettini, em Cubat\u00e3o (SP), &#8220;revela-se uma experi\u00eancia relevante, em especial por incorporar o conceito de industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e pelo incentivo \u00e0 pesquisa tecnol\u00f3gica do qual deriva&#8221;. O outro projeto, da equipe Co-Opera-Ativa, na Cidade de Deus (RJ), baseia-se em &#8220;m\u00f3dulos dimensionais&#8221;, usados como o jogo infantil Lego. &#8220;H\u00e1 quase dez anos a equipe descobriu a rela\u00e7\u00e3o entre esses elementos e os m\u00f3dulos embri\u00f5es que j\u00e1 adotava em seus projetos e conseguiu 6 mil pe\u00e7as em regime de comodato, cedidas pelo fabricante, que desde ent\u00e3o se somam \u00e0 prancheta e ao computador como ferramentas para a concep\u00e7\u00e3o dos projetos&#8221;.<\/p>\n<p>Entretanto, a promo\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o e da industrializa\u00e7\u00e3o continua. No artigo &#8220;Estruturas Pr\u00e9-Fabricadas&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1991, n.36, p.91), a constru\u00e7\u00e3o industrializada \u00e9 apresentada &#8220;como um processo construtivo resistente de f\u00e1cil manuten\u00e7\u00e3o&#8221;, que &#8220;aceita os mais variados tipos de acabamentos e solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e possibilita amplia\u00e7\u00f5es ou desmontagens com reaproveitamento de todos os componentes. Essas caracter\u00edsticas, al\u00e9m de reduzir custos e prazos, viabilizam projetos de pequeno, m\u00e9dio e grande porte em setores comerciais, agr\u00edcolas e industriais como galp\u00f5es, creches, escolas, supermercados, hospitais, moradias etc&#8221;. Uma efici\u00eancia absoluta inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tanto parece ser verdade que projetos de arquitetos, \u00edcones do modernismo, interessados n\u00e3o mais do que na viabiliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o fazem-se presentes. Tr\u00eas projetos de Eduardo Kneese de Mello s\u00e3o apresentados. O primeiro artigo, &#8220;Casa pr\u00e9-fabricada Uniseco&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1993, n.45, p.85), explicita a inten\u00e7\u00e3o do arquiteto em viabilizar a ind\u00fastria Uniseco no pa\u00eds. O segundo projeto &#8211; &#8220;Crusp SP&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1993, n.45, p.86), com a colabora\u00e7\u00e3o dos arquitetos Joel Ramalho Jr. e Sidney de Oliveira, faz uso de processos de pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o que atingem tempos recordes de constru\u00e7\u00e3o. E o terceiro, o &#8220;Conjunto Jardim Ana Rosa&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1993, n.45, p.87, pensado numa &#8220;perspectiva urbana e coletiva&#8221;.<\/p>\n<p>O projeto de Lucio Costa, &#8220;Parque Guinle&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1991, n.38, p.92-98) \u00e9 apresentado como uma &#8220;obra de grande maturidade expressiva&#8221; que evidencia uma &#8220;imagem de efici\u00eancia, forte e caracterizante&#8221;; o artigo &#8220;Conjunto Habitacional Cohab Campinas&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1996, n.63, p.68) retoma um exemplo dos anos 1970. Do M\u00e9xico vem a experi\u00eancia no &#8220;Conjunto habitacional para oper\u00e1rios&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1994, n.56, p.94-96), com par\u00e2metros n\u00e3o t\u00e3o diferentes do que os brasileiros &#8211; o baixo or\u00e7amento fixado. &#8220;Casas em balan\u00e7o&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1998, n.76, p.44-46), do grupo holand\u00eas MVRDV, que viria a ser \u00edcone da arquitetura contempor\u00e2nea, atende a uma popula\u00e7\u00e3o de cem idosos &#8220;em &#8216;nichos&#8217; que pendem em balan\u00e7o&#8221; e &#8220;buscam a luz leste-oeste, garantindo a necess\u00e1ria insola\u00e7\u00e3o em todos os apartamentos, mesmo durante o rigoroso inverno holand\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p>As mat\u00e9rias publicit\u00e1rias permanecem dentro do mesmo objetivo: atender as demandas da industrializa\u00e7\u00e3o &#8211; ver &#8220;Produtos&#8221; (Arquitetura e Engenharia, 1990, n.163, p.44) e &#8220;Materiais e servi\u00e7os&#8221; (Projeto, 1995, n.190, p.30). Est\u00e3o presentes tamb\u00e9m os blocos, j\u00e1 anteriormente divulgados: &#8220;Prensil&#8221; (Arquitetura e Urbanismo, 1994, n.56, p.39).<\/p>\n<p>Fonte: IBGE teen\/www.arquitetura.ufmg.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia da Habita\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria, Casa, Resid\u00eancia, Moradia, Tipos, Seguran\u00e7a, Import\u00e2ncia, Desenvolvimento, Financiamento, Dia da Habita\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[300],"tags":[],"class_list":["post-59835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-calendario-comemorativo"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Dia da Habita\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria, Casa Dia da 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