{"id":58952,"date":"2016-07-04T17:53:47","date_gmt":"2016-07-04T17:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=58952"},"modified":"2026-03-25T19:11:47","modified_gmt":"2026-03-25T21:11:47","slug":"dia-nacional-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-nacional-da-imprensa","title":{"rendered":"Dia Nacional da Imprensa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><b>1\u00ba de Junho<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<b>Dia Nacional da Imprensa<\/b>\u00a0\u00e9 comemorado em\u00a0<b>1\u00ba de junho<\/b>, institu\u00eddo pela Lei 9.831\/1999, para celebrar a circula\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o do Correio Braziliense em 1808, fundado por Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. A data valoriza o jornalismo livre, a busca pela verdade e o papel essencial da informa\u00e7\u00e3o na democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A data simboliza uma imprensa livre, respons\u00e1vel e \u00e9tica, destacando o papel crucial da m\u00eddia como o &#8220;quarto poder&#8221; da democracia, garantindo a presta\u00e7\u00e3o de contas e a informa\u00e7\u00e3o precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>Dia Nacional da Imprensa no Brasil<\/strong>\u00a0ainda confunde a cabe\u00e7a de muita gente. At\u00e9 1999, essa data era comemorada no<strong>\u00a0<\/strong>dia 10 de setembro, quando come\u00e7ou a circular no pa\u00eds o jornal A Gazeta do Rio de Janeiro em 1808, sob a prote\u00e7\u00e3o do governo de D. Jo\u00e3o VI, publica\u00e7\u00e3o com um forte vi\u00e9s oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal celebra\u00e7\u00e3o foi alterada com a lei 9831\/99, que definiu a data oficial da Imprensa Brasileira no dia\u00a0<strong>1\u00ba de junho<\/strong>, data do primeiro n\u00famero do Correio Braziliense, jornal editado pelo brasileiro Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa em Londres tamb\u00e9m em 1808. Esse peri\u00f3dico foi lan\u00e7ado tr\u00eas meses antes da Gazeta com o intuito de informar a popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre os eventos da Europa, sem a censura da Coroa Portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A mudan\u00e7a no calend\u00e1rio oficial de duas datas, em fun\u00e7\u00e3o de duas publica\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas no mesmo ano mas com linhas editoriais totalmente diferenciadas, mostra a s\u00edntese da Imprensa Brasileira<\/b>: ora defensora dos interesses da popula\u00e7\u00e3o e das liberdades pol\u00edticas e individuais, ora porta-voz do poder sem rela\u00e7\u00e3o com esta mesma popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-176852\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/dia-nacional-da-imprensa.gif\" alt=\"Dia Nacional da Imprensa\" width=\"232\" height=\"366\" \/><b>Dia Nacional da Imprensa<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa \u00e9 considerada o quarto poder, em raz\u00e3o de exercer grande influ\u00eancia no comportamento humano, ao conseguir manipular a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Brasil era col\u00f4nia portuguesa, n\u00e3o havia imprensa, universidade nem livros, pois Portugal temia que a cultura e a circula\u00e7\u00e3o de ideias pudessem abalar o regime e a metr\u00f3pole. Tudo mudou com a vinda da fam\u00edlia real portuguesa para o Brasil. Em maio de 1808, D. Jo\u00e3o fundou a Imprensa R\u00e9gia, que mais tarde passou a chamar-se Imprensa Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro jornal em l\u00edngua portuguesa a circular no Brasil, em 1o de junho de 1808, foi o Correio Braziliense, fundado e elaborado em Londres por Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa, jornalista brasileiro exilado na Inglaterra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Gazeta do Rio de Janeiro foi a primeira publica\u00e7\u00e3o oficial impressa no pa\u00eds, editada a partir de 10 de setembro de 1808, submetida \u00e0 censura do pal\u00e1cio e dirigida por um funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>No \u00e2mbito nacional, h\u00e1 quatro jornais matutinos tradicionais no Brasil:<\/b>\u00a0Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, de S\u00e3o Paulo, e O Globo e Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>No \u00e2mbito regional, h\u00e1 jornais que exercem grande influ\u00eancia em suas comunidades, como<\/b>: Zero Hora, de Porto Alegre (RS), O Estado de Minas, de Belo Horizonte (MG), secundados por A Tarde, de Salvador (BA), Jornal do Com\u00e9rcio, de Recife (PE), e Gazeta do Povo, de Curitiba (PR).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Em Bras\u00edlia, circulam os jornais matutinos regionais<\/b>: Jornal de Bras\u00edlia, e Correio Braziliense (este com t\u00edtulo que homenageia o \u00f3rg\u00e3o pioneiro da imprensa), de elevado conceito, visto serem os primeiros a chegar \u00e0s m\u00e3os dos pol\u00edticos e dos ministros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 relevante a hist\u00f3ria da\u00a0<strong>imprensa no Brasil,<\/strong>\u00a0em virtude de estar vinculada a hist\u00f3ria da pol\u00edtica brasileira, caracterizada pela altern\u00e2ncia entre per\u00edodos de ditadura e de democracia, de censura direta ou indireta e de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><b>Imprensa &#8211; Import\u00e2ncia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>import\u00e2ncia da imprensa<\/strong>\u00a0\u00e9 evocada nesses tempos de transi\u00e7\u00e3o, onde tudo se transforma em ritmo dif\u00edcil de ser acompanhado pela grande maioria. Novos temas s\u00e3o diariamente colocados \u00e0 frente dos cidad\u00e3os, que muitas vezes n\u00e3o tomam tempo para analis\u00e1-los detidamente, apenas incorporando-os automaticamente em suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed \u00e9 que reside a grande responsabilidade da imprensa, que livre de quaisquer imposi\u00e7\u00f5es, tem o poder de por em debate, e ao mesmo tempo, intermediar, democraticamente, a discuss\u00e3o dos temas aludidos para que a opini\u00e3o p\u00fablica ent\u00e3o se forme e tome a vereda que melhor lhe conv\u00e9m. Considera-se fundador da Imprensa Brasileira Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa Pereira Furtado de Mendon\u00e7a. Exilado em Londres, em 1808, fundou naquela cidade o depois c\u00e9lebre jornal denominado Correio Brasiliense ou Armaz\u00e9m Liter\u00e1rio, por meio do qual, at\u00e9 1822, se bateu pela emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Brasil, consagrando-se como um dos grandes vultos da Independ\u00eancia e tamb\u00e9m como o Pai da Imprensa Brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1808 a Fam\u00edlia Real Portuguesa veio para o Brasil, trazendo entre outras coisas uma tipografia completa, com a qual se fundou a Impress\u00e3o R\u00e9gia, no Rio de Janeiro. Entre 1808 e 1821 a impress\u00e3o publicou grande n\u00famero de livros e peri\u00f3dicos, figurando entre os \u00faltimos, o primeiro jornal brasileiro impresso no pa\u00eds, a Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1822). Esse jornal teve seu primeiro n\u00famero publicado a 10 de setembro de 1808 e era dirigido pelo frade Tib\u00farcio Rocha. Por isso, o dia 10 de setembro foi escolhido para o<strong>\u00a0Dia da Imprensa Nacional<\/strong>. Ainda nessa \u00e9poca se publicou a primeira revista brasileira, As Variedades ou Ensaios de Literatura (1812).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1877, \u00e9 inaugurado o edif\u00edcio-sede da Imprensa Nacional que, com a aquisi\u00e7\u00e3o em 1904 da primeira rotativa, marca Marinoni, produz 12 milh\u00f5es de exemplares tipogr\u00e1ficos\/ano. No dia 15 de setembro de 1911, um devastador inc\u00eandio destruiu a maior parte das instala\u00e7\u00f5es, incluindo arquivos de documentos, publica\u00e7\u00f5es e precios\u00edssimo acervo de sua biblioteca. O pr\u00e9dio reconstru\u00eddo j\u00e1 n\u00e3o comportava os servi\u00e7os, quando, em 1940, o ent\u00e3o Presidente Get\u00falio Vargas inaugura uma nova sede e cria, no ano de 1942, a Escola de Artes Gr\u00e1ficas. Num importante passo social, a Imprensa Nacional \u00e9 o primeiro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico federal a empregar mulheres. Ainda em 1942, conta-se com uma tiragem de 295 milh\u00f5es de exemplares\/ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Hist\u00f3ria da Imprensa no Brasil<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a chegada da Fam\u00edlia Real Portuguesa ao Brasil, era proibida toda e qualquer atividade de imprensa &#8211; fosse a publica\u00e7\u00e3o de jornais, livros ou panfletos. Esta era uma peculiaridade da Am\u00e9rica Portuguesa, pois nas demais col\u00f4nias europeias no continente a imprensa se fazia presente desde o s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<strong>imprensa brasileira<\/strong>\u00a0nasceu oficialmente no Rio de Janeiro em 10 de setembro de 1808, com a cria\u00e7\u00e3o da Gazeta do Rio de Janeiro, \u00f3rg\u00e3o oficial do governo portugu\u00eas que tinha se refugiado na col\u00f4nia americana. Pouco antes no mesmo ano, por\u00e9m, o exilado Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa lan\u00e7ava, de Londres, o Correio Brasiliense (com S), o primeiro jornal brasileiro &#8211; ainda que fora do Brasil. Enquanto o jornal oficial relatava \u201co estado de sa\u00fade de todos os pr\u00edncipes da Europa, (\u2026) natal\u00edcios, odes e paneg\u00edricos da fam\u00edlia reinante\u201d, o do exilado fazia pol\u00edtica. Embora (diferentemente do que muito se divulga) n\u00e3o pregasse a independ\u00eancia do Brasil, e tivesse um posicionamento pol\u00edtico por vezes conservador, o Correio Brasiliense foi criado para atacar \u201cos defeitos da administra\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, nas palavras de seu pr\u00f3prio criador, e admitia ter car\u00e1ter \u201cdoutrin\u00e1rio muito mais do que informativo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proibi\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa (chegaram inclusive a destruir m\u00e1quinas tipogr\u00e1ficas) e a censura pr\u00e9via (estabelecida antes mesmo de sair a primeira edi\u00e7\u00e3o da Gazeta) encontravam justificativa no fato de que a regra geral da imprensa de ent\u00e3o n\u00e3o era o que se conhece hoje como notici\u00e1rio, e sim como doutrin\u00e1rio, capaz de \u201cpesar na opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, como pretendia o Correio Brasiliense, e difundir suas ideias entre os formadores de opini\u00e3o &#8211; propaganda ideol\u00f3gica, afinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A censura \u00e0 imprensa acabou em 1827, ainda no Primeiro Reinado. A pr\u00f3pria personalidade de D. Pedro II, avessa a persegui\u00e7\u00f5es, garantia um clima de ampla liberdade de express\u00e3o &#8211; em n\u00edvel n\u00e3o conhecido por nenhuma rep\u00fablica latino-americana, gra\u00e7as aos caudilhos autorit\u00e1rios que l\u00e1 se alternavam. A liberdade de imprensa j\u00e1 era garantida mesmo pela Constitui\u00e7\u00e3o outorgada de 1824.\u00a0<b>Escreve Bernardo Joffily:<\/b>\u00a0<b>\u201cCada corrente tem seu porta-voz\u201d, mas, ainda assim, \u201ch\u00e1 \u00f3rg\u00e3os apol\u00edticos:<\/b>\u00a0o Di\u00e1rio do Rio de Janeiro (1\u00ba di\u00e1rio do Pa\u00eds, 1821-1878) nem noticia o Grito do Ipiranga. Mas a regra \u00e9 a imprensa engajada, doutrin\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O franc\u00eas Max Leclerc, que foi ao Brasil como correspondente para cobrir o in\u00edcio do regime republicano, assim descreveu o cen\u00e1rio jornal\u00edstico de 1889:\u00a0<\/b>\u201c<b>A\u00a0<\/b><strong>imprensa no Brasil\u00a0<\/strong><b>\u00e9 um reflexo fiel do estado social nascido do governo paterno e an\u00e1rquico de D. Pedro II:<\/b> por um lado, alguns grandes jornais muito pr\u00f3speros, providos de uma organiza\u00e7\u00e3o material poderosa e aperfei\u00e7oada, vivendo principalmente de publicidade, organizados em suma e antes de tudo como uma empresa comercial e visando mais penetrar em todos os meios e estender o c\u00edrculo de seus leitores para aumentar o valor de sua publicidade, a empregar sua influ\u00eancia na orienta\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica. (\u2026) Em torno deles, a multid\u00e3o multicor de jornais de partidos que, longe de ser bons neg\u00f3cios, vivem de subven\u00e7\u00f5es desses partidos, de um grupo ou de um pol\u00edtico e s\u00f3 s\u00e3o lidos se o homem que os apoia est\u00e1 em evid\u00eancia ou \u00e9 tem\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, os jornais de partidos, ou espontaneamente criados e mantidos por militantes, carecem de organiza\u00e7\u00e3o institucional e de profissionalismo jornal\u00edstico. Nos tempos de maior exalta\u00e7\u00e3o na campanha republicana (1870-1878 e 1886-1889), surgem dezenas de jornais (que n\u00e3o passam de quatro p\u00e1ginas cada) ef\u00eameros, sem durar mais que alguns meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os jornais cariocas da \u00e9poca imperial estavam, em primeiro grau de import\u00e2ncia, a Gazeta de Noticias e O Paiz, os maiores de ent\u00e3o e os que sobreviveram mais tempo, at\u00e9 a Era Vargas.\u00a0<b>Os demais foram o Di\u00e1rio de Noticias, o Correio do Povo, a Cidade do Rio, o Diario do Commercio, a Tribuna Liberal, alguns jornais anteriores a 1889, mas de fort\u00edssima campanha republicana, como A Republica, e as revistas de caricatura e s\u00e1tira<\/b>: a Revista Illustrada, O Mequetrefe, O Mosquito e O Bezouro. Outros ainda eram o Jornal do Commercio e a Gazeta da Tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caricaturista, ilustrador, jornalista \u00c2ngelo Agostini est\u00e1 entre as maiores personalidades da imprensa brasileira. Numa \u00e9poca em que a fotografia ainda era rara &#8211; e cara &#8211; o ilustrador tem o poder ineg\u00e1vel de construir o imagin\u00e1rio visual da sociedade. Assim, o \u201cImperador Cabe\u00e7a-de-Caju\u201d ou o primeiro-ministro gorducho com ar de soberbo s\u00e3o o que a popula\u00e7\u00e3o e a\u00ed, mesmo a massa analfabeta entra &#8211; vai consumir e por onde vai se pautar. Ali criou-se uma iconografia simb\u00f3lica da pol\u00edtica no final do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Revista Illustrada realmente era inovadora. As ilustra\u00e7\u00f5es litografadas almejavam ao perfeccionismo e ao mesmo tempo \u00e0 expressividade. Inova a Revista tamb\u00e9m por uma diagrama\u00e7\u00e3o \u201cinterativa\u201d, com ilustra\u00e7\u00f5es sobre o cabe\u00e7alho, moldura, etc.. Sa\u00eda semanalmente e tinha distribui\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Nos 22 anos cont\u00ednuos em que foi publicada, a Revista Illustrada entranhou-se no cotidiano nacional (Cf. Werneck Sodr\u00e9) e inspirou uma gera\u00e7\u00e3o de magazines sat\u00edricas. Embora um pouco anteriores, fazem parte da mesma safra<\/b>: O Mosquito, O Besouro (ambos de Bordalo Pinheiro, imigrante portugu\u00eas, amigo de Agostini) e O Mequetrefe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A proclama\u00e7\u00e3o da Imprensa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 rico por muitos vieses. Contudo, algo marcante para quem procura saber mais a respeito do Pa\u00eds, \u00e9 analisar a hist\u00f3ria sob a \u00f3tica do jornalismo. Este observou momentos importantes de nossa hist\u00f3ria de pertinho, apesar de ausente nos prim\u00f3rdios desse gigante. \u00d3bvio \u00e9, caro leitor, que isto n\u00e3o se d\u00e1 \u00e0 toa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demorou um pouco para o Brasil proclamar a Imprensa. Enquanto o Brasil era col\u00f4nia, os compatriotas de Cam\u00f5es n\u00e3o tinham muito interesse em estabelecer uma imprensa a divulgar ideias que n\u00e3o fossem muito coerentes com seus interesses. No Brasil, pairavam as trevas da ignor\u00e2ncia \u2013 n\u00e3o que tenha mudado muito com a chegada dos prelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, os empolados e atrapalhados portugueses tiveram que estabelecer morada na col\u00f4nia tupiniquim e, junto com eles, toda a tipografia que existia em Portugal. Isso em 1808, quando se estabelece a Imprensa R\u00e9gia, no Rio de Janeiro. Mas com a chegada da imprensa, o controle que se fazia pela aus\u00eancia da mesma passou a ser maci\u00e7amente expresso por meio da aliena\u00e7\u00e3o dos novos meios. Essa era a caracter\u00edstica pr\u00f3pria da domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 10 de setembro deste mesmo ano, \u00e9 fundado a Gazeta do Rio de Janeiro, que mal passava de boletim oficial das atividades da fam\u00edlia real. Desde cedo os jornalistas aprenderam a \u201cchupar\u201d texto; as not\u00edcias internacionais que preenchiam as parcas quatro p\u00e1ginas do peri\u00f3dico vinham de Portugal e Londres, que por meio das not\u00edcias tinham a mais bela vis\u00e3o do explorado Brasil. O material, que jamais deixava insinuar mais tenra contradi\u00e7\u00e3o, dava conta de um Brasil pac\u00edfico, rico, pr\u00f3spero e bem administrado. Tal qual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 claro que sem uma boa pol\u00eamica n\u00e3o poderia haver uma boa imprensa. Foi assim que surgiu o primeiro jornal, independente dos babados lusitanos. H\u00e1 quem discorde, mas\u2026 O fato \u00e9 que Hip\u00f3lito da Costa, brigado com a corte portuguesa e exilado em Londres, fundou o Correio Braziliense, que, na verdade, surgiu tr\u00eas meses antes da Gazeta do Rio de Janeiro, em 1.\u00b0 de junho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Correio de Hip\u00f3lito era mensal e possu\u00eda 140 p\u00e1ginas. No lugar de not\u00edcias, seu conte\u00fado era preenchido com acalorados artigos que tratavam da independ\u00eancia do Brasil e assuntos relacionados \u00e0 pol\u00edtica brasileira. Ser\u00e1 que precisa dizer porque tinha que ser rodado noutro pa\u00eds? A abertura e descontrole dos portos \u00e9 que facilitavam a prolifera\u00e7\u00e3o destes jornais e outros tantos panflet\u00e1rios que invadiam o Brasil, com graves e agudas cr\u00edticas \u00e0 Coroa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nem t\u00e3o livre assim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A censura j\u00e1 existia. Bem antes da imprensa at\u00e9. Dos jornais produzidos no Brasil, que em sua maioria eram de amigos e puxa-sacos dos portugas, quando n\u00e3o deles mesmos, todos passavam pela aprova\u00e7\u00e3o de uns tais condes de Linhares e Galveias, que pertenciam \u00e0 absurda Junta Censora da Coroa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Informa\u00e7\u00e3o de verdade e jornalismo que mal e parcamente se parece com o de agora s\u00f3 aparece em 1821. Era o Di\u00e1rio do Rio de Janeiro que deixou de lado a sangrenta e baixa discuss\u00e3o doutrin\u00e1ria para noticiar o cotidiano dos mortais fluminenses. Com um misto de sensacionalismo, que predominava, tamb\u00e9m tinha an\u00fancios de venda de escravos, jumentos e convites para bailes e leil\u00f5es. A coluna social e caderno de cultura tamb\u00e9m faziam parte do peri\u00f3dico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Di\u00e1rio do Vint\u00e9m \u2013 como ficou conhecido, pelo baixo pre\u00e7o -, ou Di\u00e1rio da Manteiga, porque anunciava a cota\u00e7\u00e3o da manteiga, at\u00e9 que teve vida longa. Durou at\u00e9 1878 e com seu estilo omisso aos partidarismos e brigas pol\u00edticas nem sequer noticiou a independ\u00eancia. Not\u00edcia, ali\u00e1s, que s\u00f3 foi dada 13 dias depois do ato \u2013 e n\u00e3o teve a apoteose registrada nos livros escolares -, no jornal O Espelho, tamb\u00e9m da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo, a discuss\u00e3o que pairava na imprensa era, claro, a independ\u00eancia do Brasil. A censura n\u00e3o existia oficialmente, todavia n\u00e3o era seguro testar a veracidade disso. Jo\u00e3o Soares Lisboa, dono do Correio do Rio de Janeiro que o diga. Foi o primeiro jornalista punido por abuso de liberdade de imprensa, em 1822. Outros tantos, quando n\u00e3o expulsos do Pa\u00eds eram impedidos, fisicamente de exercer a profiss\u00e3o. Como Lu\u00eds Augusto May, redator do apimentado A Malagueta. Ele apanhou tanto que ficou com as m\u00e3os permanentemente aleijadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande vedete do per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio foi a imprensa dos pasquins, que com o uso de caricaturas e aguerridos discursos provocam o riso dos leitores e o mau-humor dos governantes da na\u00e7\u00e3o. Esses jornais, n\u00e3o raras vezes, partiam para a agress\u00e3o pessoal rebaixando o m\u00e1ximo poss\u00edvel a moral dos dirigentes pol\u00edticos. Mas com a estabiliza\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, na metade do s\u00e9culo XIX, esses jornais, sem raz\u00e3o de ser, deixam de existir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A imprensa reflete o Pa\u00eds que d\u00e1 mostras de pretens\u00e3o republicana e abolicionista. O conservador Jornal do Commercio consolida seu alicerce, mas a despeito dos bons artigos, o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o do escasso p\u00fablico s\u00e3o os talentos liter\u00e1rios que despontam no cen\u00e1rio nacional, como Jos\u00e9 de Alencar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diga ao povo que p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio a diverg\u00eancias pol\u00edticas e outras tantas, v\u00e3o surgindo, em poucos anos, in\u00fameros jornais e revistas. Junto com esse fen\u00f4meno, surgem os \u00f3rg\u00e3os de defesa dos interesses dos a\u00e7oitados e devassos jornalistas. O soteropolitano Cipriano Barata \u00e9 um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde cedo envolvido com a imprensa panflet\u00e1ria e revolucion\u00e1ria, Barata foi um dos primeiros a levantar a bandeira da liberdade de imprensa. Segundo ele, \u201ctoda e qualquer sociedade onde houver imprensa livre, est\u00e1 em liberdade; que esse povo vive feliz e deve ter alegria, seguran\u00e7a e fortuna; se, pelo contr\u00e1rio aquela sociedade ou povo, que tiver imprensa cortada pela censura pr\u00e9via, presa e sem liberdade, seja debaixo de que pretexto for, \u00e9 povo escravo, que pouco a pouco h\u00e1 de ser desgra\u00e7ado at\u00e9 se reduzir ao mais brutal cativeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito de existirem jornais que agrediam o governo, muitos outros surgiam com o justo prop\u00f3sito de contrabalan\u00e7ar o cen\u00e1rio. E no mesmo n\u00edvel. O dign\u00edssimo dom Pedro I que o diga. A coragem de manifestar-se abertamente n\u00e3o era exatamente seu forte, e nem sua posi\u00e7\u00e3o o permitia. Ent\u00e3o, sob a sombra de pseud\u00f4nimos como O Inimigo dos Marotos, Piolho Viajante, O Anglo-Man\u00edaco, O Espreita, O Ultra-Brasileiro, O Derrete Chumbo a Cacete, entre tantos outros, ele destilava todo o veneno pol\u00eamico e irreverente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente da excessiva preocupa\u00e7\u00e3o com o est\u00e9tico que existe na atual era da imagem, a imprensa brasileira nos seus remotos prim\u00f3rdios n\u00e3o se preocupava em esconder a cara atr\u00e1s de nomes pomposos, sim\u00e9tricos ou formais. Quem pegava o jornal ou revista sabia, pelo t\u00edtulo, o que encontraria.\u00a0<b>Alguns exemplos cl\u00e1ssicos s\u00e3o<\/b>: O Palha\u00e7o da Oposi\u00e7\u00e3o, O Grito dos Oprimidos, O Burro Magro, O Brasil Aflito, O Caolho, O Torto da Artilharia, O Soldado Aflito, O Crioulinho, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram engra\u00e7ados e at\u00e9 suscitavam pol\u00eamica, mas esses jornais n\u00e3o duravam tanto. Vida longa tinham os \u00e1ulicos e mais conservadores, pela simples l\u00f3gica de que quanto mais atirassem, menos tiros levariam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jornais e jornalistas que fizeram parte desta \u00e9poca n\u00e3o s\u00f3 mexeram com o seu contexto, mas marcaram decis\u00f5es posteriores e movimentos p\u00f3stumos. \u00c9 o caso de Jo\u00e3o Batista de L\u00edbero Badar\u00f3, que fundou O Observador Constitucional e foi assassinado em S\u00e3o Paulo, em 20 de novembro de 1830. Esse \u00e9 um t\u00edpico caso de personalidades que se tornam mais importantes mortas que vivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos mudar o mundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomando ares de adulta, a imprensa brasileira vai aprendendo a fazer jornalismo com jornalistas. Isso n\u00e3o pode ser catalogado de melhor ou pior, mas \u00e9 uma fase interessante, para dizer o m\u00ednimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A onda de jornais republicanos que surgem, j\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX, denota uma tend\u00eancia para o idealismo ut\u00f3pico. N\u00e3o que n\u00e3o devessem sonhar, mas os jornais davam a clara id\u00e9ia de que mudariam o Pa\u00eds, se lhe deixassem. Os jornais mais conservadores assumem posturas mais r\u00edgidas, com cara de senhor de terno escuro, sabe?\u00a0<b>Nessa \u00e9poca surge mais um pequeno senhor<\/b>: A Prov\u00edncia de S. Paulo, em 1875 que, n\u00e3o tarde, muda para O Estado de S. Paulo. \u00cdcone do conservadorismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o estabelecimento da Rep\u00fablica, o jornalismo segue a onda e passa a ser encarada com mais seriedade. Nesse per\u00edodo, em meados de 1900, a imprensa vai deixando de se caracterizar por uma pessoa para consolidar a fase empresarial. Agora n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 Fulano ou Cicrano quem briga, mais o jornal tal e a revista tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o advento das cores na imprensa, n\u00e3o demorou para a novidade ganhar ares de imponente. Surge no Rio de Janeiro a revista precursora das noticiosas semanais que conhecemos hoje. Jorge Schimidt \u00e9 o pai da Careta, lan\u00e7ada em 6 de junho de 1908.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalismo era tido como paix\u00e3o e por muito tempo foi marcante o fato de n\u00e3o haver jornalistas ou correspondentes fora. Principalmente no per\u00edodo anarquista. As mat\u00e9rias eram enviadas de toda parte por colaboradores. Eram pessoas que viam a imprensa como prote\u00e7\u00e3o e para l\u00e1 mandavam reclama\u00e7\u00f5es de abusos e den\u00fancias mil. Fosse den\u00fancias de abuso de mulheres e crian\u00e7as no trabalho ou outras do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Forte e submissa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa fama foi crescendo e os governantes foram se dando conta de que a hist\u00f3ria do Brasil n\u00e3o poderia mais ser escrita sem o aval da imprensa. Get\u00falio Vargas que o diga. Criou departamentos especiais de imprensa que mais cuidavam de subornar jornais e jornalistas que qualquer outra coisa. Tratou de usar e abusar do poder do r\u00e1dio, que abrigou a Hora do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bem por esse per\u00edodo que come\u00e7am as coer\u00e7\u00f5es mais sistematizadas contra a imprensa brasileira. A ovelha negra n\u00e3o poderia andar a solta, sem cabrestos bem firmes. E, por meio de leis e medidas, a imprensa e seus redatores sofrem repres\u00e1lias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso s\u00f3 serviu para mostrar que brasileiro d\u00e1 mesmo jeitinho para tudo. Em meio ao festival de censuras, entram em cenas tamb\u00e9m os ve\u00edculos com carinha de anjo e fogo do capeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a imprensa reprimida e o risco do pov\u00e3o desconfiar, o jeito foi jogar porcaria em suas m\u00e3os para entreter. Surgem ent\u00e3o publica\u00e7\u00f5es como a revista Carioca, voltada a assuntos relacionados \u00e0 m\u00fasica, cinema e r\u00e1dio. Que diferente de hoje, n\u00e3o? Faziam ressaltar idiotices e artistas indignos do t\u00edtulo para manobrar a massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, com arte e habilidade, alguns jornalistas pulavam a cerca, como Samuel Wainer, que driblava a censura no seman\u00e1rio Diretrizes. Ele fundou a revista em 1938 em plena Ditadura Vargas com a pretens\u00e3o de impedir a marcha nazista pelo mundo. N\u00e3o conseguiu isso, mas deu o que falar, principalmente depois de lan\u00e7ar o jornal \u00daltima Hora, que com o dinheiro do conde Matarazzo avan\u00e7ou na tiragem e nos cutuc\u00f5es no presidente Vargas, agora eleito para o segundo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso em 1951. Dois anos depois a famosa e conceituada Time publicava artigo elogioso e espantado com o ve\u00edculo que despontava com um time de rep\u00f3rteres de primeira linha, somado \u00e0 qualidade t\u00e9cnica (impress\u00e3o colorida e enormes fotografias). Esse jornal foi o primeiro a publicar fotos coloridas de jogadores de futebol na primeira p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revista O Cruzeiro foi outra que causou estardalha\u00e7o. A come\u00e7ar pelo dono. Assis Chateaubriand ajudou a modelar a hist\u00f3ria do Brasil nas p\u00e1ginas da revista que nasceu na d\u00e9cada de 1930 e faleceu 45 anos depois. Essa hist\u00f3ria est\u00e1 registrada nas inovadoras e atraentes reportagens longas que marcaram O Cruzeiro e esta fase da imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quebrando e construindo paradigmas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na dura fase da farda nasceu mais uma revista, a Realidade, mas logo descobriu que o g\u00eanero generalista j\u00e1 n\u00e3o funcionava mais. As revistas come\u00e7am a se adequar \u00e0 realidade de que o leitor queria algo mais segmentado e suas p\u00e1ginas passam a contar com parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos outros ve\u00edculos foram surgindo e muitos deles morreram nos por\u00f5es da ditadura. Com o surgimento da tev\u00ea, o Brasil v\u00ea sua hist\u00f3ria ganhar contornos nem sempre louv\u00e1veis. A imprensa tem ares de competitividade mais agressiva. \u00c9 a luta pela domina\u00e7\u00e3o massiva. Vis\u00edvel a quase todos. A imprensa n\u00e3o mais \u00e9 parte da hist\u00f3ria brasileira, mas faz acontecer certas hist\u00f3rias. Coisas familiares como o movimento Diretas J\u00e1, impeachment, as elei\u00e7\u00f5es ent\u00e3o\u2026 nem se toque no assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas perdeu muito da credibilidade que tinha l\u00e1 nos idos tempos das fraudas. Na vida adulta a imprensa brasileira, bem como sua p\u00e1tria perdeu os sonhos e a aura inocente dos xingos aguerridos. E junto tamb\u00e9m foi a paix\u00e3o devota de outros tantos. Paulo Francis, citado no livro Grandes Pecados da Imprensa, com sua mordacidade habitual garante que nem na data do jornal se pode confiar. \u201cSe poss\u00edvel confirme-a no calend\u00e1rio mais pr\u00f3ximo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Segundo Nelson Werneck Sodr\u00e9, em seu cl\u00e1ssico Hist\u00f3ria da Imprensa no Brasil, \u201ca grande imprensa brasileira opera, na fase atual, uma tarefa que nunca antes desempenhou<\/b>: a de deformar a realidade ou a de escond\u00ea-la\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais, \u00e0s vezes, a hist\u00f3ria \u00e9 bem diferente da not\u00edcia. \u00c9, a imprensa virou mocinha. Saiu da barra da saia da m\u00e3e e proclamou sua independ\u00eancia, junto com sua prostitui\u00e7\u00e3o. Tal qual o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lei n\u00ba 5.250 de 14.03.67<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio de sua vig\u00eancia em 14 de mar\u00e7o de 1967, a Lei n\u00ba 5.250, j\u00e1 passou a ser criticada pelos profissionais da \u00e1rea e pela opini\u00e3o p\u00fablica. Pois, a proposta foi elaborada pelo Presidente Castello Branco, general do Ex\u00e9rcito que chegou ao Poder pela for\u00e7a. O relator foi o Deputado Federal, do Rio Grande do Sul, Ivan Luz (ARENA) que conduziu uma manobra pol\u00edtica no Congresso para impedir a aprova\u00e7\u00e3o de um substitutivo. O objetivo era conter a oposi\u00e7\u00e3o contra o regime autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pereira (1993) explica que o Congresso da \u00e9poca n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para discutir e votar com um m\u00ednimo de liberdade qualquer lei nova. Pois, estava assolado por cassa\u00e7\u00f5es de mandatos, suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos, etc. Mas, a excepcionalidade n\u00e3o impediu que determinados setores da sociedade se mobilizasse em Bras\u00edlia para mudar alguns dispositivos do projeto oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamanha \u00e9 a defasagem da Lei n\u00ba 5.250\/67, nos seus 7 cap\u00edtulos e 77 artigos que qualquer estudante de jornalismo ou de direito ou um cidad\u00e3o leigo que se dispuser a fazer apenas uma simples leitura ter\u00e1 v\u00e1rias surpresas. Pois, a lei \u00e9 velha e n\u00e3o se configura com a realidade atual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no 1o. par\u00e1grafo do artigo 1\u00ba fala sobre subvers\u00e3o da ordem p\u00fablica, sendo que este conceito varia de governo para governo, de pessoa para pessoa. \u00c9 totalmente subjetivo e varia conforme as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas. Mas, \u201cno auge do militarismo, estimular um movimento de trabalhadores na justa luta por melhores sal\u00e1rios, pelo recurso da greve, era motivo para classificar o gesto de subvers\u00e3o da ordem\u201d. (Miranda, 1993, p. 87)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante salientar que o regime militar imp\u00f4s, logo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da Lei de imprensa, novas e pesadas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos jornalistas e das empresas. Isso ocorreu com a amplia\u00e7\u00e3o das penas dos delitos de imprensa pela Lei de Seguran\u00e7a Nacional. Completou-se o cerco no per\u00edodo da vig\u00eancia do Ato Institucional n\u00ba 5, que vigorou de 13 de dezembro de 1968 a 31 de dezembro de 1978, e outorgava plenos poderes ao Executivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da repress\u00e3o ao Direito \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, existia a figura do censor que marcava toda a inexist\u00eancia de liberdade de express\u00e3o. O censor era o grande inc\u00f4modo das reda\u00e7\u00f5es e tinha autoridade para decidir o que podia e o que n\u00e3o podia ser publicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo foi passado e a lei autorit\u00e1ria ficou exatamente como estava. Hoje representa a \u00faltima lei com conte\u00fado ditatorial. Essa desatualiza\u00e7\u00e3o cria graves preju\u00edzos aos interesses p\u00fablicos, pois n\u00e3o aplica os dispositivos da Constitui\u00e7\u00e3o e atrasa o processo de democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Como resultado prolifera-se a impunidade e o Direito \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o normatizado.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.jornalistasp.org.br\/Tinta Fresca;Imprensa Nacional\/www.velhosamigos.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\u00ba de Junho O\u00a0Dia Nacional da Imprensa\u00a0\u00e9 comemorado em\u00a01\u00ba de junho, institu\u00eddo pela Lei 9.831\/1999, para celebrar a circula\u00e7\u00e3o da primeira edi\u00e7\u00e3o do Correio Braziliense em 1808, fundado por Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. A data valoriza o jornalismo livre, a busca pela verdade e o papel essencial da informa\u00e7\u00e3o na democracia. 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