{"id":56648,"date":"2016-06-24T12:55:35","date_gmt":"2016-06-24T12:55:35","guid":{"rendered":"http:\/\/cms.portalsaofrancisco.com.br\/?p=56648"},"modified":"2026-05-12T17:03:57","modified_gmt":"2026-05-12T19:03:57","slug":"dia-nacional-da-abreugrafia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/sociedade-e-cultura\/calendario-comemorativo\/dia-nacional-da-abreugrafia","title":{"rendered":"Dia Nacional da Abreugrafia"},"content":{"rendered":"<p><b>4 de Janeiro<\/b><\/p>\n<p>O\u00a0<b>Dia Nacional da Abreugrafia<\/b>\u00a0\u00e9 comemorado em\u00a0<b>4 de janeiro<\/b>, data de nascimento do m\u00e9dico brasileiro Manoel Dias de Abreu (1891-1962), criador dessa t\u00e9cnica de diagn\u00f3stico. A data foi institu\u00edda pelo Decreto n\u00ba 42.984 de 3 de janeiro 1958. O m\u00e9todo revolucionou a detec\u00e7\u00e3o precoce da tuberculose ao utilizar raio-X de baixo custo e alta rapidez, sendo fundamental para a sa\u00fade p\u00fablica no Brasil.<\/p>\n<p>A comemora\u00e7\u00e3o foi oficializada em 3 de janeiro de 1958 pelo presidente Juscelino Kubitschek<\/p>\n<p>A data homenageia a cria\u00e7\u00e3o, em 1936, desse m\u00e9todo de radiografia tor\u00e1cica de baixo custo, fundamental para o diagn\u00f3stico precoce e combate \u00e0 tuberculose no Brasil e no mundo<\/p>\n<p>A Abreugrafia \u00e9 uma radiografia do t\u00f3rax em tamanho reduzido (foto-radiografia) que permitia exames em massa, essencial para detectar les\u00f5es pulmonares, especialmente a tuberculose, de forma r\u00e1pida. A t\u00e9cnica salvou milhares de vidas ao permitir o tratamento precoce da tuberculose, tornando-se popular nas d\u00e9cadas de 1940 a 1970.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo e o desenvolvimento de outros m\u00e9todos de diagn\u00f3stico, al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, o uso foi reduzido.<\/p>\n<p>Hoje, a\u00a0<b>abreugrafia<\/b>\u00a0caiu em desuso, sendo substitu\u00edda por m\u00e9todos radiol\u00f3gicos digitais mais modernos, mas o seu legado no diagn\u00f3stico de doen\u00e7as pulmonares \u00e9 celebrado.<\/p>\n<p align=\"center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-177633\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/abreugrafia-1.jpg\" alt=\"Dia Nacional da Abreugrafia\" width=\"294\" height=\"274\" \/><b>Dia Nacional da Abreugrafia<\/b><\/p>\n<p>A data foi criada em homenagem ao nascimento do m\u00e9dico brasileiro Manoel Dias de Abreu, que descobriu um m\u00e9todo de diagnosticar precocemente a tuberculose. Ele se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e mudou-se com a fam\u00edlia para a Fran\u00e7a a fim de aperfei\u00e7oar os estudos. Depois de especializar-se em radiologia, Manoel de Abreu voltou para o Brasil.<\/p>\n<p>Em 1936, trabalhando no Rio de Janeiro, pesquisou maneiras de rastrear a tuberculose no organismo e a descoberta acabou sendo batizada com seu nome. Em 1958, a exemplo do presidente da Rep\u00fablica Juscelino Kubitschek, o prefeito de S\u00e3o Paulo, Ademar de Barros, instituiu o Dia da Abreugrafia em 4 de janeiro.<\/p>\n<p><b>Abreugrafia &#8211;\u00a0<\/b><strong>O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p><b>Abreugrafia<\/b>\u00a0\u00e9 o nome dado ao dispositivo que possibilitou fazer o diagn\u00f3stico da Tuberculose.<\/p>\n<p>A abreugrafia \u00e9 um m\u00e9todo, derivado dos raios-X, que permite o diagn\u00f3stico precoce da tuberculose. Este m\u00e9todo foi inventado pelo m\u00e9dico e cientista brasileiro, Manoel Dias de Abreu em 1936 e tem, at\u00e9 hoje, ajudado a salvar muitas vidas.<\/p>\n<p>Trata-se de um m\u00e9todo tecnicamente mais eficaz e de um custo operacional bastante reduzido, o que contribuiu para o acesso das popula\u00e7\u00f5es carentes.<\/p>\n<p>Este dia \u00e9 dedicado em homenagem ao saudoso m\u00e9dico nascido nesta mesma data, em 1892. Manoel de Abreu frequentou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se formou m\u00e9dico em 1913. Tinha ent\u00e3o 21 anos e um grande esp\u00edrito cr\u00edtico e investigativo.<\/p>\n<p>Sua grande preocupa\u00e7\u00e3o era encontrar meios para se diagnosticar eficientemente a tuberculose, buscando custos menores, a fim de que o processo pudesse estar dispon\u00edvel para a popula\u00e7\u00e3o carente. Naquela \u00e9poca, a tuberculose causava altos \u00edndices de mortalidade, situa\u00e7\u00e3o essa que se estendeu por muito tempo.<\/p>\n<p>Abreu mudou-se para Paris, em 1915, onde trabalhou nos hospitais Nouvel H\u00f4pital de la Piti\u00e9, Laennec e no laborat\u00f3rio de radiologia do H\u00f4tel-Die. Como resultado de seus estudos, descobriu o m\u00e9todo da abreugrafia em 1936.<\/p>\n<p>Assim, publicou diversos livros e muitos artigos sobre a abreugrafia, em revistas especializadas nacionais e internacionais. Como reconhecimento \u00e0 importante contribui\u00e7\u00e3o deste ilustre brasileiro no combate \u00e0 tuberculose, lhe foram rendidas diversas homenagens das principais entidades m\u00e9dicas internacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, recebeu o t\u00edtulo de membro honor\u00e1rio do Col\u00e9gio Americano de Radiologia e da Sociedade Alem\u00e3 de Radiologia. A import\u00e2ncia de sua obra tamb\u00e9m levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957, elevando o reconhecimento da radiologia brasileira em todo o mundo. Em seguida, a publica\u00e7\u00e3o da Revista Brasileira de Abreugrafia contribuiu para a divulga\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo.<\/p>\n<p><b>Abreugrafia &#8211; Hist\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p>Manoel Dias de Abreu foi o inventor da abreugrafia que revolucionou o diagn\u00f3stico e tratamento da tuberculose, atrav\u00e9s de um m\u00e9todo de diagn\u00f3stico coletivo e o primeiro no mundo a falar sobre Densitometria Pulmonar.<\/p>\n<p><b>O papel social da ci\u00eancia era algo claro para Abreu:<\/b>\u00a0\u201cNo valor da ci\u00eancia, est\u00e1 o valor da vida; fora da vida, a ci\u00eancia n\u00e3o tem a menor finalidade\u201d. Abreu escreveu poesias e trabalhos em filosofia, al\u00e9m de inovar em outras \u00e1reas fora da medicina, como em hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Em Manoel de Abreu, observa Barros Vidal, lampejava \u201cesse g\u00eanio de m\u00faltiplas formas, que fazia a grandez do s\u00e1bio, alimentava a inspira\u00e7\u00e3o do poeta e dava originalidade e profundeza ao fil\u00f3sofo\u201d.<\/p>\n<p><b>N\u00e3o raro se encontra o poeta e o cientista como no momento em que descreve a emo\u00e7\u00e3o que experimentou ao contemplar os primeiros resultados daquilo que perseguia com tenacidade por anos<\/b>: \u201cno fime revelado estavam as primeiras fluorografias; olhei-as longamente; eram flores para mim, eram p\u00e1ssaros, cantavam um canto matinal que me extasiava\u201d.<\/p>\n<p>Manoel de Abreu foi o terceiro filho do casal J\u00falio Antunes de Abreu, portugu\u00eas da prov\u00edncia do Minho, e Mercedes da Rocha Dias, natural de Sorocaba. Nasceu em S\u00e3o Paulo a 4 de janeiro de 1892. Diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1913 e defendeu tese de doutoramento intitulada \u201cNatureza Pobre\u201d, relativa \u00e0 influ\u00eancia do clima tropical sobre a civiliza\u00e7\u00e3o, em julho de 1914.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, deixa o Brasil acompanhado de seus pais, seu irm\u00e3o J\u00falio Antunes de Abreu J\u00fanior e sua irm\u00e3 Mercedes Dias de Abreu, com destino \u00e0 Europa, a fim de aperfei\u00e7oar-se nos hospitais de Paris.<\/p>\n<p>A primeira Grande Guerra obriga-os a desembarcar e permanecer em Lisboa at\u00e9 o in\u00edcio do ano de 1915 quando, enfim, a fam\u00edlia Abreu chega \u00e0 capital da Fran\u00e7a. Seu primeiro contato com a medicina francesa foi no \u201cNouvel H\u00f4pital de la Piti\u00e9\u201d, mais precisamente, no servi\u00e7o do professor Gaston Lion.<\/p>\n<p>Encarregado de fotografar pe\u00e7as cir\u00fargicas, Manoel de Abreu demonstra engenhosidade e constr\u00f3i um dispositivo especial para obter fotografias da mucosa g\u00e1strica. Al\u00e9m do aparelho, Abreu tem a id\u00e9ia de mergulhar as pe\u00e7as a serem fotografadas, na \u00e1gua, visando \u00e0 uniformiza\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie faiscante.<\/p>\n<p>Uma das primeiras radiografias feitas por R\u00f6ntgen. Foi entre as paredes do H\u00f4tel-Dieu, no ano de 1916, que o jovem brasileiro despertou para os encantos da emergente radiografia, especialidade criada por Roentgen em 1895, cerca de vinte anos antes.<\/p>\n<p>Uma das mais espetaculares e influentes inven\u00e7\u00f5es, o aparelho de radiografia, inventado pelo f\u00edsico alem\u00e3o Wilhelm R\u00f6ntgen, em 1895, revolucionou a medicina ao permitir que os m\u00e9dicos obtivessem imagens n\u00e3o invasivas do corpo dos pacientes, ou seja, sem precisar abri-los. Milhares de diagn\u00f3sticos se tornaram poss\u00edveis, desde fraturas at\u00e9 tumores, \u00falceras e dist\u00farbios das veias e art\u00e9rias.<\/p>\n<p>Mas at\u00e9 os tempos de Abreu, os m\u00e9dicos n\u00e3o utilizavam radiografias com fins de diagn\u00f3sticos, confiando apenas no m\u00e9todo de percuss\u00e3o e ausculta\u00e7\u00e3o, com uso de estetosc\u00f3pio. Radiografias chegavam a ser utilizadas com fins de divers\u00e3o.<strong>\u00a0A primeira radiografia foi realizada no Brasil em 1896. A primazia \u00e9 disputada por v\u00e1rios pesquisadores:<\/strong>\u00a0Silva Ramos, em S\u00e3o Paulo; Francisco Pereira Neves, no Rio de Janeiro; Alfredo Brito, na Bahia e f\u00edsicos do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Como a hist\u00f3ria n\u00e3o relata dia e m\u00eas, conclui-se que as diferen\u00e7as cronol\u00f3gicas sejam muito pequenas. Em 1897 um rico comerciante de Recife, capital de Pernambuco, importou um aparelho para fazer, em suas festas, radioscopias das m\u00e3os das senhoras da Sociedade local.<\/p>\n<p align=\"left\"><b>No seu livro, o doutor Itazil dos Santos narra com rara felicidade o fasc\u00ednio que causou em Manoel de Abreu, em 1916, o inesperado diagn\u00f3stico radiol\u00f3gico de tuberculose em doente cujo exame proped\u00eautico cl\u00ednico, realizado pelo chefe do Servi\u00e7o, o professor Gilbert,\u00a0<\/b><strong>nada havia revelado de anormal:<\/strong>\u00a0\u201cFeita a chapa, Abreu levou-a -ainda molhada e pr\u00easa aos grampos com os quais deveria voltar \u00e0 solu\u00e7\u00e3o fixadora,- a seu mestre\u2026.Tomando a chapa nas m\u00e3os, Gilbert suspendeu-a em face da janela, para examin\u00e1-la por transpar\u00eancia\u2026N\u00e3o p\u00f4de esconder mais do que a sua surpr\u00easa, o seu espanto, ante o quadro que se lhe deparava aos olhos, de uma tuberculose avan\u00e7ada, complicada de piopneumot\u00f3rax\u2026.aquela contradi\u00e7\u00e3o entre o achado cl\u00ednico e o achado radiol\u00f3gico era resultante da transi\u00e7\u00e3o que experimentavam os conhecimentos m\u00e9dicos na ocasi\u00e3o\u2026a radiologia ensaiava seus primeiros passos\u2026para \u00eale, Abreu, aquela contradi\u00e7\u00e3o chocante, entre a estetac\u00fastica e a radiologia, teve uma grande significa\u00e7\u00e3o.\u201d Esse acontecimento provavelmente contribuiu para que o jovem m\u00e9dico brasileiro se inclinasse definitivamente para a radiologia.<\/p>\n<p align=\"left\">O professor Gilbert viria a aproximar Manoel de Abreu da promissora especialidade ao confiar-lhe a chefia do Laborat\u00f3rio Central de Radiologia do H\u00f4tel-Dieu, ocupando o posto do Dr. Guilleminot, afastado para servir na Grande Guerra. Guilleminot relata a Abreu suas pesquisas em radiocinematografia indireta, assinalando que seu \u00eaxito definitivo dependeria de obter ecrans de maior fluoresc\u00eancia (as imagens n\u00e3o tinham muita defini\u00e7\u00e3o), emuls\u00f5es fotogr\u00e1ficas mais sens\u00edveis e objetivas de abertura maior.<\/p>\n<p align=\"left\">N\u00e3o pensava Abreu ainda na fluorografia, na fotografia do ecran como solu\u00e7\u00e3o para o exame coletivo \u201cH\u00e1 certas cria\u00e7\u00f5es do pensamento que somente se realizam numa encruzilhada. No caso da fluorografia em massa, a id\u00e9ia nasceu do encontro da fotografia da imagem fluorescente e do diagn\u00f3stico das afec\u00e7\u00f5es tor\u00e1xicas. Quando ambos atingiram a plenitude no meu pensamento, eu teria encontrado a chave do recenseamento em massa das popula\u00e7\u00f5es\u201d<\/p>\n<p>O terceiro nosoc\u00f4mio que frequentou em Paris foi o Hospital Laennec, desta vez como assistente do professor Maingot. L\u00e1, aperfei\u00e7oou-se na radiologia pulmonar e desenvolveu a densimetria, isto \u00e9, a mensura\u00e7\u00e3o das diferentes densidades. O tom, a densidade, a tonalidade das sombras ou imagens, n\u00e3o haviam sido ainda devidamente valorizados. N\u00e3o haviam sido ainda convenientemente pesados como elementos de aprecia\u00e7\u00e3o das mesmas.<\/p>\n<p>Coube a Abreu o m\u00e9rito de salientar a import\u00e2ncia da tonalidade da sombra pulmonar, como um elemento indispens\u00e1vel \u00e0 pr\u00f3pria caracteriza\u00e7\u00e3o da imagem radiol\u00f3gica. Ao inv\u00e9s de termos vagos, imprecisos, para exprimir as diferentes nuances de tonalidades das sombras, dever-se-ia fazer a mensura\u00e7\u00e3o delas e exprimi-las em graus.<\/p>\n<p>Para tanto utiliza o cm3 de \u00e1gua como unidade densim\u00e9trica, como elemento de compara\u00e7\u00e3o, pela raz\u00e3o de que \u00e1gua apresenta uma opacidade quase id\u00eantica \u00e0 dos tecidos org\u00e2nicos.<b>\u00a0Faz ent\u00e3o a mensura\u00e7\u00e3o da densidade por dois modos<\/b>: servindo-se de um dispositivo contendo uma sequ\u00eancia de l\u00e2minas de prata correspondente, densimetricamente, a uma grada\u00e7\u00e3o de 1 a 30 cm3 de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Desse dispositivo, ajustado sobre o t\u00f3rax, obtinham-se simultaneamente, ao fazer a radiografia do paciente, as imagens a ele correspondentes. Por compara\u00e7\u00e3o da tonalidade da sombra radiol\u00f3gica em quest\u00e3o com aquela projetada pela escala de l\u00e2minas de prata, fazia a sua densimetria.<\/p>\n<p>O segundo modo consistia em compara a densidade da imagem com a opacidade de determinados reparos anat\u00f4micos (\u00f3sseos ou n\u00e3o) cujo valor densim\u00e9trico fora estimado previamente, em rela\u00e7\u00e3o aos valores da escala de l\u00e2minas prata. Esse trabalho intitulado \u201cDensimetria Pulmonar\u201d, levou Abreu \u00e0 Academia de Medicina de Paris.<\/p>\n<p>A frequencia ao Hospital Laennec proporcionou a Abreu o conv\u00edvio com personalidades de proje\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, da medicina tor\u00e1cica e pulmonar, entre as quais Rist, Leon Bernard, Ameuille, Kuss. Ao pensar nas vantagens da sistematiza\u00e7\u00e3o dos quadros da radiologia pulmoar da tuberculose, Abreu, sobrepondo-se \u00e0 sua \u00e9poca e \u00e0 fase de evolu\u00e7\u00e3o que atravessava a radiologia entrev\u00ea na fotografia (filme pequeno de 36 mm) da radioscopia do t\u00f3rax (ecran, 30 x 40 cm) o meio exequ\u00edvel de realizar em massa o exame de t\u00f3rax, em tempo m\u00ednimo e por baixo custo.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m no hospital que leva o nome do inventor do estetosc\u00f3pio que visualizou pela primeira vez na fotografia do \u201c\u00e9cran\u201d fluorescente o meio de realizar exame do t\u00f3rax em massa e por baixo custo com a finalidade de detectar precocemente a tuberculose pulmonar.\u00a0<b>Infelizmente, obst\u00e1culos t\u00e9cnicos o impediram de desenvolver a abreugrafia j\u00e1 em 1919<\/b>: \u201ca luminosidade muito fraca da fluoresc\u00eancia do ecran est\u00e1 longe de ser suficiente para impressionar os ceclul\u00f3ides com sais de prata em t\u00e3o m\u00ednima fra\u00e7\u00e3o de segundo; tal \u00e9, pelo menos, o resultado de nossas experi\u00eancias\u201d.<\/p>\n<p>Teria decidido aguardar o momento oportuno para retomar suas experi\u00eancias, quando se entregou aos trabalhos de cataloga\u00e7\u00e3o, de ordena\u00e7\u00e3o dos aspectos radiol\u00f3gicos, isto \u00e9, das imagens ou sombras pulmonares e pleurais; identificando as imagens segundo suas caracter\u00edsticas emprestando-lhes o sentido cl\u00ednico necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da nomenclatura das imagens radiol\u00f3gicas pleuropulmonares, tentou a caracteriza\u00e7\u00e3o de alguns quadros na tuberculose pulmonar.\u00a0<b>O trabalho foi publicado como livro \u201cRadiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonaire\u201d, publicado em 1921, prefaciado pelo Dr. Rist, que para faz\u00ea-lo exigiu em troca que se eliminasse alguns pontos \u201cquanto \u00e0 suposta superioridade da radiologia sobre a estetac\u00fastica\u201d, que concordou em faz\u00ea-lo:<\/b>\u00a0\u201cAs novas ideias, se propagam pela sua pr\u00f3pria fascina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 irresil\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p><b>Ao retornar ao Rio de Janeiro em 1922, encontra a cidade assolada por uma epidemia de tuberculose que o impressiona a ponto de declarar<\/b>: \u201cHavia \u00f3bitos, n\u00e3o havia doentes, os quais ocultavam seu diagn\u00f3stico na espessa massa da popula\u00e7\u00e3o; os poucos doentes que havia, procuravam o dispens\u00e1rio na fase final da doen\u00e7a, quando o tratamento, o isolamento e as v\u00e1rias medidas profil\u00e1ticas j\u00e1 eram in\u00fateis\u201d.<\/p>\n<p><b>\u00c1 este quadro soma-se as dificuldades em prosseguir suas pesquisas, como relata seu assistente Carlos Osborne<\/b>: \u201cA falta de recursos das institui\u00e7\u00f5es, a falta de vis\u00e3o pol\u00edtica e social dos governantes para assuntos m\u00e9dicos e cient\u00edficos\u2026tudo era dif\u00edcil\u201d.\u00a0<b>Abreu traduzia para os \u00edntimos a falta de afinidade entre ele e o meio m\u00e9dico, cient\u00edfico e social do Rio<\/b>: \u201cTenho as vezes a impress\u00e3o de que estou numa grande aldeia\u201d<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Braeuning e Redeker descobriu-se que a tuberculose, em sua fase inicial era assintom\u00e1tica, e que, consequentemente os doentes deveriam ser procurados no seio dos grupos aparentemente sadios. S\u00f3 a Manoel de Abreu ocorreu a id\u00e9ia, de profundo alcance social, de aplica\u00e7\u00e3o da foografia do ecran ao exame sistem\u00e1tico das coletividades, abreugrafia como hoje \u00e9 denominada.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de fotografar o ecran, propriamente remonta contudo \u00e1 \u00e9poca do descobrimento dos raios X, conforme os trabalhos de Bleyer, seis meses ap\u00f3s o descobrimento de Roentgen em 1895, atrav\u00e9s de um aparelho que denominou fotofluorosc\u00f3pio, bem como nos trabalhos de radiocinematografia de Kohler em 1907.<\/p>\n<p>Copbe contudo a Abreu, sem d\u00favida, o m\u00e9rito de haver conseguido de maneira pr\u00e1tica e definitiva, a fotografia do ecran fluorescente. Mas seu maior m\u00e9rito \u00e9 o de o de ter conseguido com a finalidade de dar solu\u00e7\u00e3o ao problema do exame sistem\u00e1tico de diagn\u00f3stico precoce da tuberculose das coletividades.<\/p>\n<p>Uma segunda tentativa de obter fotografia do \u201c\u00e9cran\u201d tem lugar em 1924. Desafortunadamente, ainda n\u00e3o \u00e9 desta vez que alcan\u00e7ar\u00e1 o sucesso. Apesar disso, prossegue na luta contra a tuberculose e, por sua influ\u00eancia, junto com o primeiro dispens\u00e1rio organizado no Rio, \u00e9 instalado o primeiro Servi\u00e7o de Radiologia destinado ao diagn\u00f3stico daquela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A exequibilidade pr\u00e1tica da fotografia do ecran estava sobretudo na depend\u00eancia de um ecran capaz de emitir, pela sua maior energia act\u00ednica, luminosidade suficiente para impressionar a pel\u00edcula fotogr\u00e1fica. Somente a partir de 1933 se conseguiram ecrans aperfei\u00e7oados, de maior energia act\u00ednica, chamados fluorogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Foram esses os ecrans de sulfureto de c\u00e1dmio e zinco, que emitem fluoresc\u00eancia verde-amarelo para serem usados com pel\u00edcula de 35mm. Esse tipo de ecran foi fabricado pela Casa Patterson com o nome de ecran tipo B.<\/p>\n<p>\u00c0 espera de aperfei\u00e7oamentos tecnol\u00f3gicos, Abreu assume uma atitude ativa, e transforma esse per\u00edodo de 1924 a 1936 em um dos mais fecundos de sua vida de homem da ci\u00eancia.\u00a0<b>Retoma seus estudos sobre a forma\u00e7\u00e3o da imagem radiol\u00f3gica, que haviam come\u00e7ado em Paris com a densitometria pulmonar e que constitu\u00edram a radiogeometria<\/b>: \u201cEnquanto a geometria estuda os volumes e a sua proje\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, n\u00e3o se preocupando com a absor\u00e7\u00e3o e a intensidade, a radiogeometria associa o elemento dimensional, hoje espacial, atravessado pelo feixe de radia\u00e7\u00f5es, ao elemento densidade ou absor\u00e7\u00e3o, pois os dois elementos determinam a nitidez do contraste.<\/p>\n<p>\u00c9 pois, uma associa\u00e7\u00e3o f\u00edsico-geom\u00e9trica, onde a forma e a mat\u00e9ria se ligam indissoluvelmente\u201d, explica Abreu. Em lugar de uma diferen\u00e7a de opacidade caracter\u00edstica entre os \u00f3rg\u00e3os do mediastino, explicando a visualiza\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica destes, Abreu propunha que a visualiza\u00e7\u00e3o dos contornos dos \u00f3rg\u00e3os do mediastino se davam devido a um fator f\u00edsico (relacionada as densidades do organismo) e de um fator puramente geom\u00e9trico, representado pelas superf\u00edcies de contraste ou superf\u00edcies de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando Abreu iniciou seus estudos sobre o mecanismo de forma\u00e7\u00e3o da imagem radiol\u00f3gica, era pensamento dominante que a visualiza\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica dos contornos do mediastino (espa\u00e7o tor\u00e1xico) se baseava apenas na densidade que este oferece aos raios X pelos \u00f3rg\u00e3os que o constituem.<\/p>\n<p>Coube a Manoel de Abreu, em 1924, demonstrar atrav\u00e9s da teoria da superf\u00edcie de contraste pulmonar, que a visualiza\u00e7\u00e3o radiol\u00f3gica dos contornos mediastinais decorrem do contato anat\u00f4mico destes com a transpar\u00eancia pulmonar e da extens\u00e3o da superf\u00edcie de contraste.\u00a0<b>Considerando Manoel de Abreu o mediastino como um corpo geom\u00e9trico, cuja visualiza\u00e7\u00e3o radiool\u00f3gica depende fundamentalmente das condi\u00e7\u00f5es referidas a pouco, criou a radiogeometria<\/b>: \u201conde se combinavam o elemento f\u00edsico, constitu\u00eddo pela irradia\u00e7\u00e3o e as v\u00e1rias densidades do organismo, ao elemento puramente geom\u00e9trico, constitu\u00eddo pelas superf\u00edcies de oposi\u00e7\u00e3o\u201d. Suas teses s\u00e3o coligidas em 1926, no livro \u201cEssai sur une nouvelle Radiologie Vasculaire\u201d. Em 1928 decide voltar \u00e0 Europa com a id\u00e9ia de expor suas teses em congressos e palestras.<\/p>\n<p><b>Em Paris comp\u00f5em poesias para jovem Dulcie, que ficara no Brasil<\/b>: \u201csentirei contigo a piedade desta sombra, a liberta\u00e7\u00e3o da tua do\u00e7ura, realizarei o meu verdadeiro destino, n\u00e3o possuir, n\u00e3o vencer, n\u00e3o odiar, apenas viver, humilde, feliz, desconhecido, no estreito limite que separa o teu corpo do meu\u201d. Casa-se, na resid\u00eancia de seus pais, em S\u00e3o Paulo, com a senhora Dulcie Evers de Abreu no dia sete de setembro de 1929.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, assume, a pedido do m\u00e9dico e prefeito Pedro Ernesto, a chefia do Servi\u00e7o de Radiologia do Hospital Jesus e, diante do imenso n\u00famero de casos de tuberculose pulmonar que diagnostica nas crian\u00e7as radiografadas, decide-se pela terceira tentativa de criar a fluorografia. Ao inv\u00e9s do antigo ecran de platino-cianureto de b\u00e1rio, contava-se agora com o ecran de tungstato de c\u00e1lcio, capaz de emitir uma fluoresc\u00eancia muito maior e ecran de gr\u00e3os mais finos (o tamanho dos cristais do sal sens\u00edvel, ou gr\u00e3o, relaciona-se com quest\u00f5es de nitidez da imagem). O sucesso sorriu-lhe numa noite do ano de 1936. As imagens das primeiras fluorografias eram suficientementes n\u00edtidas. O desafio do diagn\u00f3stico radiol\u00f3gico a baixo custo parecia superado. Restava-lhe sistematizar o novo m\u00e9todo, divulg\u00e1-lo e utiliz\u00e1-lo em massa no combate \u00e0 tuberculose.<\/p>\n<p><b>Relataria mais tarde o pr\u00f3prio Abreu<\/b>: \u201cnaquele instante, eu sabia que estava em jogo a profilaxia ampla e racional da tuberculose; a import\u00e2ncia do resultado era enorme, era fabulosa para a sociedade, n\u00e3o para mim; confesso que nunca havia medido o valor dos meus trabalhos; a ci\u00eancia \u00e9 uma sucess\u00e3o de ideias; o meu lugar nessa teoria luminosa sempre me pareceu pequeno e transit\u00f3rio\u201d. Ao analisaras imagens, Abreu constata os pormenores, todas as estrururas que se projetam no campo de uma radiografia do t\u00f3rax estavam presentes.\u00a0<b>Ao interp\u00f4r uma lente de duas dioptrias entre o filme contendo as imagens e o seu olhar perscrutador observa todos os detalhes<\/b>: \u201cN\u00e3o havia d\u00favida, a fluorografia j\u00e1 nascia em condi\u00e7\u00f5es de ser empregada no exame das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro aparelho destinado a realizar exames em s\u00e9rie da popula\u00e7\u00e3o foi constru\u00eddo pela Casa Lohner, filial da f\u00e1brica Siemens, e instalado no Centro de Sa\u00fade n\u00b0 3, \u00e0 Rua do Rezende n\u00b0 128, na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo lugar, foi inaugurado o primeiro Servi\u00e7o de Cadastro Tor\u00e1cico, em 1937. Casa Lohner S.A., tradicional firma do ramo m\u00e9dico hospitalar e odontol\u00f3gico, subsidi\u00e1ria e representante da Siemens, famosa produtora de aparelhos de Raios X, ondas curtas, ultra-som, etc. A Casa Lohner foi a respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento do, \u00e0 \u00e9poca revolucion\u00e1rio, aparelho de Abreugrafia. Seu presidente Henrique Strattner viria a fundar em 1950 a empresa que leva seu nome, ainda existente com sede no Rio de Janeiro. De 8 \u00e0 21 de julho desse ano, foram examinados 758 indiv\u00edduos aparentemente s\u00e3os, dois quais 44 apresentavam les\u00f5es pulmonares detectadas pela fluorografia. A nova t\u00e9cnica come\u00e7ava a provar sua utilidade.\u00a0<b>Ainda em 1937, o Centro de Sa\u00fade n.3, onde se achava instalado o servi\u00e7o de exame coletivo recebe a visita de personalidades ilustres, entre as quais<\/b>: A. Sarno do Uruguai; Unvenrricht e Ulrici, de Berlim; Holfelder, de Frankfurt. Em 1938 viriam Bustos, do Chile; Say\u00e9, da Espanha; Sayago, da Argentina; Lindberg, dos EUA.<\/p>\n<p><b>Durante o ano de 1938, tr\u00eas Servi\u00e7os de Recenseamento Tor\u00e1cico foram criados em S\u00e3o Paulo<\/b>: no Instituto Clemente Ferreira, no Hospital Municipal e no Instituto de Higiene. Outras cidades do Brasil, da Am\u00e9rica do Sul, Estados Unidos e Europa tamb\u00e9m adotaram a fluorografia como instrumento na luta contra a epidemia de tuberculose. Holfeder, entusiasta do m\u00e9todo, vaticinou em 1938, para tempo n\u00e3o superior a dez anos \u201ca erradica\u00e7\u00e3o da tuberculose na Alemanha\u201d. O novo m\u00e9todo diagn\u00f3stico recebeu v\u00e1rias denomina\u00e7\u00f5es tais como fluorografia, fotofluorografia, radiofotografia e Roentgenfotografia.<b>\u00a0Esta \u00faltima foi a escolhida por Manoel de Abreu na sua apresenta\u00e7\u00e3o do novo processo de exame \u00e0 Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em julho de 1936<\/b>: \u201cna verdade, na especialidade, tudo deriva desse puro g\u00eanio que foi Roentgen\u201d.<\/p>\n<p>O Dr. Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose realizado em maio de 1939, prop\u00f4s que fosse utilizado o nome Abreugrafia para designar o m\u00e9todo criado por Manoel de Abreu. Anos depois, em 1958, o prefeito de S\u00e3o Paulo Ademar de Barros determinou que as reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da Prefeitura deveriam obrigatoriamente usar o termo Abreugrafia e instituiu o dia 4 de janeiro, dia do nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia, imitando o gesto do ent\u00e3o Presidente da Rep\u00fablica, Juscelino Kubitschek de Oliveira.\u00a0<b>Manoel de Abreu foi premiado mundialmente<\/b>: na Argentina com a MEDALHA DE OURO Mentor de la radiologia Americana, em 1953, dada pela Sociedade Argentina de Radiologia; na Fran\u00e7a como Membro Honor\u00e1rio da Academia de Medicina de Paris, onde apresentou o trabalho \u201cDensitometria pulmonar\u201d; nos Estados Unidos como Membro Honor\u00e1rio do American College of Chest Physician e foi condecorado em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, incluindo Jap\u00e3o, Alemanha, Su\u00e9cia, etc.<\/p>\n<p><b>Ao receber o pr\u00eamio do American College of Chest Physicians em 1950, o presidente do Comit\u00ea, Jay Myers discursa<\/b>: \u201cAo mencionar o seu nome, ocorre na mente de todos os m\u00e9dicos do mundo o m\u00e9todo usado por ele no diagn\u00f3stico das doen\u00e7as do t\u00f3rax, como um aux\u00edlio universal \u2026 Durante muitos anos antes de 1936, foi reconhecido que a inspe\u00e7\u00e3o do t\u00f3rax pelos raios X era um aux\u00edlio importante ao diagn\u00f3stico \u2026<\/p>\n<p>Nesse tempo, o uso extensivo da inspe\u00e7\u00e3o do t\u00f3rax pelos raios X, em grande n\u00famero de pessoas normais, era fisicamente imposs\u00edvel; primeiro porque o m\u00e9todo de exposi\u00e7\u00e3o e revela\u00e7\u00e3o do filme era muito demorado e, segundo, o custo era proibitivo \u2026 Em 1936 o dr. Abreu reportou em seus estudos fotofluorogr\u00e1ficos, haver fotografado a imagem fluorosc\u00f3pica em um filme de 35 x 35 mm. Isto foi o come\u00e7o da fotofluorografia extensiva, agora empregado em todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Imperd\u00edveis s\u00e3o os trechos das cartas que o Dr. Itazil reproduziu no seu livro a respeito da legitimidade do pioneirismo de Manoel de Abreu. A indigna\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica brasileira e dos vizinhos sulamericanos surgiu da publica\u00e7\u00e3o do trabalho do Dr. Friedrich Berner, no qual o aparelho fluorogr\u00e1fico da Casa Siemens-Reiniger-Werke est\u00e1 citado como \u201croentgenreihenbildner\u201d (seri\u00f3grafo) segundo o Prof. Holfelder.<\/p>\n<p><b>Na carta que o Dr. Th. Sehmer, diretor da Casa Siemens, de Berlim, enviou a Manoel de Abreu lemos<\/b>: \u201d \u2026 Pelas not\u00edcias recebidas, estamos extremamente consternados e na minha qualidade de gerente da Casa Siemens-Reiniger-Werke sinto-me obrigado a dar-lhe esclarecimentos detalhados \u2026 N\u00f3s denominamos oficialmente o nosso aparelho de Schirmbildgerat Siemens (Aparelho fluorogr\u00e1fico Siemens) ou Schirmbildgerat (Aparelho fluorogr\u00e1fico Siemens) segundo Abreu, com melhoramento segundo indica\u00e7\u00f5es do Prof. Holfelder \u2026 \u00c9 verdade que o Sr. Dr. Berner citou unicamente o senhor Prof. Holfelder. Naquele trabalho \u00eale n\u00e3o citou V. Exa. Nem outros investigadores not\u00e1veis. Em parte pode isso explicar-se pelo fato do Sr. Dr. Berner ser o primeiro assistente do Sr. Prof. Holfelder e que neste caso especial o Sr. Dr. Berner aproveitava a ocasi\u00e3o para exprimir a sua venera\u00e7\u00e3o pessoal ao seu mestre \u2026 mas certamente n\u00e3o queria dizer que Holfelder seja o inventor do processo seriogr\u00e1fico, mas sim aquele que o aperfei\u00e7oou \u2026 Permita-me, excelent\u00edssimo senhor Professor, aproveitar esta ocasi\u00e3o para chamar a sua aten\u00e7\u00e3o para o fato que mesmo o descobridor dos Raios X, o Professor Roentgen, sofreu maior injusti\u00e7a do que sofre neste momento V. Exa. Sabemos que os cientistas ingl\u00eases e franceses opuseram-se por longo tempo \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o Raios Roentgen, mas sim X-Rays, Rayons X e Raios X. Repetidas v\u00eazes rogaram os alem\u00e3es que mencionassem o nome do descobridor, por\u00e9m em v\u00e3o \u2026 A inven\u00e7\u00e3o fala por ela mesma e tanto o nome de Roengten est\u00e1 inseparavelmente ligado \u00e0 inven\u00e7\u00e3o dos Raios X, tamb\u00e9m o nome Abreu ficar\u00e1 sempre citado em primeiro lugar em rela\u00e7\u00e3o ao aparelho seriogr\u00e1fico\u201d.<\/p>\n<p>Essa carta, mais do que apenas um esclarecimento ou um pedido de desculpas, constitui um documento hist\u00f3rico no qual percebe-se um certo ressentimento do m\u00e9dico alem\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos ingleses e franceses aproximadamente dois meses antes do in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial. Para melhor avaliar as imagens suspeitas obtidas com a abreugrafia, prop\u00f4s o emprego da Tomografia Localizada que, por ser menos dispendiosa que a tomografia de todo o t\u00f3rax, poderia ser utilizada de forma sistem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Visando eliminar os inconvenientes da demora e do custo elevado do estudo tomogr\u00e1fico corte a corte de determinada \u00e1rea do t\u00f3rax, Manoel de Abreu idealizou a T\u00e9cnica das Tomografias Simult\u00e2neas, isto \u00e9, a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios cortes simult\u00e2neos em uma s\u00f3 exposi\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do emprego de v\u00e1rios filmes superpostos. Usualmente, ao fazer um corte tomogr\u00e1fico os raios X projetam um n\u00famero infinito de cortes, os quais n\u00e3o s\u00e3o aproveitados. Para radiografar os planos que se projetam em profundidade, isto \u00e9, atr\u00e1s do filme onde se vai obter o corte tomogr\u00e1fico, bastaria apenas ter v\u00e1rios filmes dispostos sucessivamente, ou ter um chassi contendo v\u00e1rios filmes superpostos.<\/p>\n<p>Com o intuito de diminuir o n\u00famero de casos sem diagn\u00f3stico bacilosc\u00f3pico, Abreu desenvolveu a pesquisa do bacilo de Koch no lavado pulmonar ou lavado traqueobroncoalveolar. Isso contribuiu muitas vezes para encontrar o bacilo da tuberculose, em les\u00f5es suspeitas, quando ele n\u00e3o era encontrado no esputo. Um grande n\u00famero de pesquisadores confirmaram melhores resultados a este respeito do que com o lavado g\u00e1strico.<\/p>\n<p>O primeiro lavado foi realizado em 17 de agosto de 1944 no Hospital S\u00e3o Sebasti\u00e3o. A import\u00e2ncia de sua obra rendeu-lhe in\u00fameras homenagens no Brasil e no exterior, conduziu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e \u00e0 publica\u00e7\u00e3o da Revista Brasileira de Abreugrafia. Em 1950, na XI Confer\u00eancia da Uni\u00e3o Internacional realizada na Dinamarca, Abreu apresenta um trabalho mostrando a queda acentuada dos \u00edndices de mortalidade da doen\u00e7a no Brasil observados no final da d\u00e9cada de 40, em grande parte devido ao tratamento precoce da doen\u00e7a, gra\u00e7as a maior difus\u00e3o das abreugrafias na massa da popula\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p><b>Abreu inovou tamb\u00e9m em \u00e1rea bem diversa da medicina<\/b>: a hidr\u00e1ulica.\u00a0<b>Montou um prot\u00f3tipo de motor hidr\u00e1ulico que era regido por princ\u00edpios distintos dos tradicionais que se utilizam do desn\u00edvel da \u00e1gua para produ\u00e7\u00e3o de energia<\/b>: \u201cNo caso do dispositivo, como eu imaginei, cujo modelo voce v\u00ea aqui, a energia \u00e9 gerada n\u00e3o pelo escoamento do volume l\u00edquido que determina o desnivelamento, mas, pela varia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o de uma massa l\u00edquida sobre um sistema de corpos ocos e deform\u00e1veis, articulados, que s\u00e3o estes foles \u2026 No sistema hidr\u00e1ulico que criei, o volume dagua que move o teto e as folhas n\u00e3o \u00e9 o mesmo que escoa.<\/p>\n<p>O volume de trabalho resulta do movimento do teto e das folhas, ao passo que o volume de escoamento resulta da redu\u00e7\u00e3o do volume total do fole durante o ciclo. Sendo assim, a \u00e1gua de trabalho \u00e9 o volume de \u00e1gua que move o teto e as folhas do fole.\u201d Completada a fase experimental, com pleno \u00eaxito de resultados, procurava Abreu entender-se com institui\u00e7\u00f5es oficiais e particulares para a constru\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o do seu dispositivo, em propor\u00e7\u00f5es industriais, entretanto, n\u00e3o chegou a concluir resultados satisfat\u00f3rios, por problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Abreu rejeita a tese de que a tuberculose seria uma \u201cdoen\u00e7a social\u201d determinada pelas condi\u00e7\u00f5es sociais, em particular por uma alimenta\u00e7\u00e3o deficiente. Para Abreu a profilaxia da tuberculose baseia-se essencialmente no diagn\u00f3stico e no tratamento. Com a possibilidade do diagn\u00f3stico da doen\u00e7a em indiv\u00edduos aparentemente s\u00e3os, pode-se tratar a doen\u00e7a sem a necessidade de dispendiosas interna\u00e7\u00f5es, necess\u00e1rias quando detec\u00e7\u00e3o na fase terminal da doen\u00e7a. Era a f\u00f3rmula diagn\u00f3stico-isolamento que cedia lugar assim \u00e0 f\u00f3rmula diagn\u00f3stico-tratamento, sem necessidade de interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em simp\u00f3sio de abreugrafia realizado em 1960 na Bahia, Abreu prop\u00f5em o exame peri\u00f3dico obrigat\u00f3rio como o melhor meio de controle das popula\u00e7\u00f5es pobres, alegando que a abreugrafia realizada duas vezes ao ano n\u00e3o oferecia qualquer risco quanto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, posi\u00e7\u00e3o ali\u00e1s ratificada pela Comiss\u00e3o Internacional das Unidades Radiol\u00f3gicas ICRU em 1958. Manoel de Abreu, tabagista cr\u00f4nico, faleceu de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em 30 de abril de 1962. Se a ideia de fotografar o ecran e as tentativas de sua realiza\u00e7\u00e3o material remontam \u00e0 \u00e9poca do descobrimento dos raios X e se a ideia do exame sistem\u00e1tico datava de 1921-1927 com os estudos de Redeker, \u00e9 fora de d\u00favida que a solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da fotografia do ecran fluorescente e sua aplica\u00e7\u00e3o ao exame coletivo sistem\u00e1tico da tuberculose cabem a Manoel de Abreu, em 1936.<\/p>\n<p><strong>Quem foi\u00a0Manoel Dias de Abreu<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-177634\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/abreugrafia-2.jpg\" alt=\"Dia Nacional da Abreugrafia\" width=\"210\" height=\"264\" \/><strong>Manoel Dias de Abreu<\/strong><\/p>\n<p>Manoel Dias de Abreu nasceu em 4 de janeiro de 1892. Filho de J\u00falio Antunes de Abreu, um portugu\u00eas de Minho, e de Mercedes da Rocha Dias, de Sorocaba, ele se formou m\u00e9dico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1913. No ano seguinte, recebe o t\u00edtulo de doutor com a tese Influ\u00eancia do clima na civiliza\u00e7\u00e3o pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1915, acompanhado dos pais, do irm\u00e3o J\u00falio Antunes de Abreu J\u00fanior e da irm\u00e3 Mercedes Dias de Abreu, partiu para a Europa a fim de aperfei\u00e7oar os estudos. Por causa da Primeira Guerra Mundial, a fam\u00edlia teve que permanecer em Lisboa at\u00e9 poder mudar-se definitivamente para Paris.<\/p>\n<p>Trabalhando no Nouvel H\u00f4pital de la Piti\u00e9, junto com o professor Gaston Lion, ficou encarregado de fotografar pe\u00e7as cir\u00fargicas. Ent\u00e3o, ele desenvolveu um dispositivo para fotografar a mucosa g\u00e1strica. O jovem Abreu foi se envolvendo com a radiografia, criada pelo m\u00e9dico alem\u00e3o Roentgen, em 1895. Certa vez, ele ficou fascinado com um diagn\u00f3stico radiol\u00f3gico de tuberculose. O paciente j\u00e1 havia passado por outros exames que nada haviam detectado.<\/p>\n<p>Abreu tornou-se chefe do Laborat\u00f3rio Central de Radiologia do Hotel-Dieu quando o titular do posto, doutor Guilleminot, afastou-se para servir na guerra. Manoel de Abreu aperfei\u00e7oou-se em radiologia pulmonar quando foi assistente do professor Maingot, no Hospital Laennec, em Paris. Em 1919, apesar de j\u00e1 possuir conhecimento para desenvolver a abreugrafia, faltavam-lhe recursos t\u00e9cnicos. Ele defendia a utiliza\u00e7\u00e3o da radiofotografia como forma de diagnosticar a tuberculose, doen\u00e7a bastante comum na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quando voltou ao Brasil, foi recebido por uma epidemia de tuberculose que assolava o Rio de Janeiro, em 1922. Sua influ\u00eancia proporcionou a instala\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro, do primeiro servi\u00e7o de radiologia destinado ao diagn\u00f3stico da doen\u00e7a. Passou a d\u00e9cada de 1920 desenvolvendo estudos sobre a forma\u00e7\u00e3o da imagem, que resultaram na radiogeometria. Abreu se casou em 1929 com Dulcie Evers, na casa de seus pais, em S\u00e3o Paulo. Quando assumiu a chefia do Servi\u00e7o de Radiologia do Hospital Jesus, no Rio de Janeiro, decidiu criar a fluorografia por causa dos numerosos casos de crian\u00e7as com tuberculose.<\/p>\n<p>Numa noite de 1936, as imagens das primeiras fluorografias apareceram n\u00edtidas. No in\u00edcio, a fluorografia recebeu nomes como fotofluorografia, radiografia e Roentgenfotografia. O nome abreugrafia foi sugerido pelo m\u00e9dico Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose, realizado em 1939. O termo tornou-se obrigat\u00f3rio em S\u00e3o Paulo no ano de 1958. O prefeito Ademar de Barros, a exemplo do presidente Juscelino Kubitschek, determinou que as reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas usassem o nome abreugrafia para designar o exame e instituiu o dia 4 de janeiro, nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia.<\/p>\n<p>Publicou diversos livros, entre eles o Radiodiagnostic dans la tuberculose pleuro-pulmonaire e diversos artigos sobre a abreugrafia em peri\u00f3dicos nacionais e internacionais como Collective Fluorography no Radiology e Processus and Apparatus for Roentgenphotography no The American Journal of Roentgenology and Radium Therapy (AJR), ambos em 1939. Em reconhecimento ao seu trabalho, o ilustre radiologista recebeu diversas homenagens das principais entidades m\u00e9dicas como a medalha de ouro m\u00e9dico do ano) do American College of Chest Physicians (1950), o diploma de honra da Academy of Tuberculosis Physicians (1950) e a medalha de Ouro do Col\u00e9gio Interamericano de Radiologia (1958). Al\u00e9m disso, recebeu o t\u00edtulo de membro honor\u00e1rio da Sociedade Alem\u00e3 de Radiologia (1940) e do American College of Radiology (1945).<\/p>\n<p>Sua obra estimulou a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Abreugrafia em 1957 e a publica\u00e7\u00e3o da Revista Brasileira de Abreugrafia. Manoel de Abreu morreu de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em 30 de abril de 1962.<\/p>\n<p><b>Abreugrafia &#8211;\u00a0<\/b><strong>O exame<\/strong><\/p>\n<p><b>Abreugrafia<\/b>\u00a0\u00e9 um tipo de exame que diagnostica precocemente a tuberculose. O m\u00e9todo, descoberto em 1936 pelo m\u00e9dico brasileiro Manoel de Abreu, tornou-se conhecido gra\u00e7as ao seu baixo custo operacional e efici\u00eancia t\u00e9cnica. O Dia da Abreugrafia foi institu\u00eddo em 1958 em homenagem ao nascimento de Manoel de Abreu. Antes de ser definido o termo abreugrafia, o exame recebeu nomes como fluorografia, fotofluorografia, radiografia e Roentgenfotografia.<\/p>\n<p>O nome abreugrafia foi sugerido pelo m\u00e9dico Ary Miranda, presidente do I Congresso Nacional de Tuberculose, realizado em 1939. O termo tornou-se obrigat\u00f3rio em S\u00e3o Paulo no ano de 1958. O prefeito Ademar de Barros, a exemplo do presidente Juscelino Kubitschek, determinou que as reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas usassem o nome abreugrafia para designar o exame e instituiu o dia 4 de janeiro, nascimento de Manoel de Abreu, como o Dia da Abreugrafia.<\/p>\n<p>Manoel Dias de Abreu nasceu em 4 de janeiro de 1892 e formou-se m\u00e9dico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1913. No ano seguinte, partiu para a Europa a fim de aperfei\u00e7oar os estudos. Por causa da Primeira Guerra Mundial, Manoel teve que permanecer em Lisboa at\u00e9 poder mudar-se definitivamente para Paris.<\/p>\n<p>Manoel Dias se envolveu bastante com o estudo do raio x e foi a partir do diagn\u00f3stico radiol\u00f3gico de tuberculose que seu interesse nessa \u00e1rea cresceu. Em 1919, Manoel Dias j\u00e1 possu\u00eda o conhecimento para realizar a abreugrafia, mas lhe faltava recursos t\u00e9cnicos. Foi somente em 1936 que Manoel Dias de Abreu consegui nitidez nas suas experi\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Col\u00e9gio S\u00e3o Francisco\/www.redetec.org.br\/www.paulinas.org.br\/www.dcma.com.br\/Soleis, CEDI\/www.jambo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>4 de Janeiro O\u00a0Dia Nacional da Abreugrafia\u00a0\u00e9 comemorado em\u00a04 de janeiro, data de nascimento do m\u00e9dico brasileiro Manoel Dias de Abreu (1891-1962), criador dessa t\u00e9cnica de diagn\u00f3stico. 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